O verdadeiro sentido do Natal para os católicos

A luz do mundo

A pintura do Museu de Belas Artes de Lyon (Artista: François Boucher)

O verdadeiro Natal nunca muda, pois não muda também a compreensão do que é o Natal na alma dos católicos de verdade.

Nessas almas, mais do que o consumismo estúpido, mais do que a vermelha figura do Papai Noel, em seu trenó deslizante no verão brasileiro, mais do que a maçante Gingle Bells, exaustivamente tocada nas lojas com descartáveis produtos coloridos, ressoa o hino cantado pelos anjos “Glória in excelsis Deo”.

Ressoam as puras notas do “Puer natus est nobis, et filium nobis est datum”. Porque, para nós que “habitávamos nas sombras da morte, para nós brilhou uma grande luz”.

Que se entende, hoje, que é um “Feliz natal, para você” ? No máximo da inocência, uma [diversão] em família, com presentinhos, beijinhos e indigestão.

(…)

E quando o Natal não é tão inocente…

Quando o Natal não é tão inocente se realiza o canto pagão e naturalista; “Adeus ano velho. Feliz ano novo. Muito dinheiro no bolso. Saúde para dar e vender”.

Eis a felicidade pagã: dinheiro, saúde, prazer.

Sem Deus. Sem Redenção. Sem alma. Que triste Natal esse!

Que infeliz e decrépito ano novo, tão igual aos velhos anos do paganismo!

Será que o povo que habitava nas sombras da morte já não vê a grande luz que brilhou para ele em Belém?

Até a luz do Natal está ofuscada. E quão poucos compreendem essa luz!

No presépio se conta tudo.

Tudo está lá bem resumido. Mas o povo olha as pequenas figuras e não compreende o que significa que um Menino nos foi dado, que um Filho nasceu para nós.

No presépio se vê um Menino numa manjedoura, entre um boi e um burro…

A Virgem Maria, Mãe de Deus adorando seu Filhinho que é o Verbo de Deus encarnado, envolto em panos. São José, contemplando o Deus Menino tiritante de frio, à luz de uma tosca lanterna.

Um anjo esvoaçante sobre a cabana rústica. Uma estrela. Pastores com suas ovelhas, cabras e bodes. Um galo que canta na noite. Os Reis que chegam olhando a estrela, seguindo a estrela, para encontrar o Menino com sua Mãe.

Tudo envolto no cântico celeste dos anjos;

“Glória a Deus nas alturas! E paz, na terra, aos homens que têm boa vontade” (Luc. II, 14) 

Isso aconteceu nos dias de Herodes, quando César Augusto decretou um recenseamento.

E como não havia lugar para Maria e José na estalagem, em Bethleem, terra de Davi, eles tiveram que se refugiar numa cocheira, entre um boi e um burro.

Porque assim se realizaram as profecias:

* “E tu, Bethleem Efrata, tu és a mínima entre as milhares de Judá, mas de ti há de me sair Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o Princípio, desde os dias da eternidade”, como profetizou o Profeta Miquéias (Mi. V, 1).

** ”O Senhor vos dará este sinal: uma Virgem conceberá, e dará à luz um filho, e seu nome será Emanuel” (Is. VII,14)

*** “O Boi conhece o seu dono, e o burro conhece o presépio de seu senhor, mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência” profetizou Isaías muitos séculos antes (Is. I,3).

E Cristo, nos dias de Herodes, nasceu em Bethleem que quer dizer casa do pão (Beth = casa. Leem = pão).

Cristo devia nascer em Belém, casa do pão, porque Ele é o pão que desceu dos céus, para nos alimentar. Por isso foi posto numa manjedoura, para alimentar os homens.

Devia nascer num estábulo, porque recebemos a Cristo como pão do Céu na Igreja, representada pelo estábulo, visto que nas cocheiras, os animais deixam a sujeira no chão, e comem no cocho. E na Igreja os católicos deixam a sujeira de seus pecados no confessionário, e, depois, comem o Corpo e bebem o Sangue de Jesus Cristo presente na Hóstia consagrada, na mesa da comunhão.

Jesus devia nascer de uma mulher, Maria, para provar que era homem como nós. Mas devia nascer de uma Virgem — coisa impossível sem milagre — para provar que era Deus. Este era o sinal, isto é, o milagre que anunciaria a chegada do Redentor: uma Virgem seria Mãe. Nossa Senhora é Virgem Mãe. E para os protestantes, que não creem na virgindade perpétua de Maria Santíssima, para eles Maria não foi dada por Mãe, no Calvário. Pois quem não tem a Maria por Mãe, não tem a Deus por Pai.

E por que profetizou Isaías sobre o boi e o burro no presépio?

Que significam o boi e o burro?

O boi era o animal usado então, para puxar o arado na lavoura da terra.

Terra é o homem. Adão foi feito de terra. Trabalhar a terra é símbolo de santificar o homem. Ora, os judeus tinham sido chamados por Deus para ser o sal da terra e a luz do mundo, isto é, para dar vida (sal) espiritual, santidade, aos homens, e ensinar-lhes a verdade (luz).

O boi era então símbolo do judeu.

O burro, animal que simboliza falta de sabedoria, era o símbolo do povo gentio, dos pagãos, homens sem sabedoria.

Mas Deus veio salvar objetivamente a todos os homens, judeus e pagãos. Por isso, no presépio de Cristo, deviam estar o boi (o judeu) e o burro (o pagão).

Foi também por isso que Jesus subiu ao Templo montado num burrico que jamais havia sido montado, isto é, um povo pagão que não fora sujeito ao domínio de Deus. E os judeus não gostaram que o burro fosse levado ao Templo, isto é, que Cristo pretendesse levar também os pagãos à casa de Deus, à religião verdadeira. Por isso foi escrito: “mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência”.

Como também o povo católico, hoje, já não tem inteligência para compreender o Natal, pois “coisas espantosas e estranhas se tem feito nesta terra: os profetas profetizaram a mentira, e os sacerdotes do Senhor os aplaudiram com as suas mãos. E o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá, pois, sobre essa gente, no fim disso tudo?” (Jer. V, 30-31).

Pois se chegou a clamar: “Glória ao Homem, já rei da Terra e agora príncipe do céu”, só porque o homem fora até a Lua num foguete, única maneira do homem da modernidade subir ao céu.

No Natal de Cristo, tudo mostra como Ele era Deus e homem ao mesmo tempo.

Como já lembramos, Ele nasceu de uma mulher, para provar que era homem como nós. Nasceu de uma Virgem, para provar que era Deus.

Como um bebê, Ele era incapaz de andar e de se mover sozinho. Como Deus, Ele movia as estrelas.

Como criança recém nascida era incapaz de falar. Como Deus fazia os anjos cantarem.

Ele veio salvar objetivamente a todos, mas nem todos o aceitaram. E Herodes quis matá-lo.

Ele chamou para junto de si, no presépio, os pastores e os Reis, para condenar a Teologia da Libertação e os demagogos pauperistas que pregam que Cristo nasceu como que exclusivamente para os pobres. É falso!

Assim como o sol brilha para todos, Deus quis salvar a todos sem acepção de pessoa. Por isso chamou os humildes e os poderosos junto à manjedoura de Belém.

Mas, dirá um seguidor do bizarro frei Betto ou do ex frei Boff, que nada compreendem do Evangelho pois o lêem com os óculos heréticos e assassinos de Fidel e de Marx, sendo “cegos ao meio dia” (Deut. XXVIII, 29): Deus tratou melhor os pastores pobres, pois lhes mandou um anjo, do que os reis poderosos, exploradores do povo, aos quais chamou só por meio de uma estrela. É verdade!!!

Deus tratou melhor aos pastores. Mas não porque eram pastores, e sim porque eram judeus. Sendo judeus, por terem a Fé verdadeira, então, mandou-lhes um sinal espiritual. Aos reis magos, porque pertenciam a um povo sem a religião verdadeira, mandou-lhes um sinal material: a estrela.

No presépio havia ovelhas e bodes, porque Deus veio salvar os bons e os pecadores.

E a Virgem envolveu o menino em panos.

Fez isso, é claro, porque o pequeno tinha frio, e por pudor.

Mas simbolicamente porque aquele Menino —que era o Verbo de Deus feito homem—, que era a palavra de Deus humanada, tinha que ser envolta em panos, pois que a palavra de Deus, na Sagrada Escritura, aparece envolta em mistério, pois não convém que a palavra de Deus seja profanada. Daí estar escrito: “A glória de Deus consiste em encobrir a palavra; e a glória dos reis está em investigar o discurso” (Prov, XXV, 2).

E “Um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado, e o império foi posto sobre os seus ombros, e seu nome será maravilhoso, Deus Poderoso, Conselheiro, o Deus eterno, o Príncipe da Paz” (Is. IX, 5).

Porque todos os homens, em Adão, haviam adquirido uma dívida infinita para com Deus, já que toda culpa gera dívida conforme a pessoa ofendida. E a ofensa de Adão a Deus produzira dívida infinita, que nenhum homem poderia pagar, pois todo mérito humano é finito. Só Deus tem mérito infinito. Portanto, desde Adão, nenhum homem poderia salvar-se. Todos nasceriam, viveriam e iriam para o inferno. E a humanidade jazia então nas sombras da morte.

Mas porque Deus misericordiosamente se fez homem, no seio de Maria, era um Homem que pagaria a dívida dos homens, porque esse Menino, sendo Deus, teria mérito infinito, podendo pagar a dívida do homem. Por isso, quando Ele morreu por nós, foi condenado por Pilatos, representando o maior poder humano — o Império — que O apresentou no tribunal dizendo: “Eis o Homem”.  (Jo XIX, 5)

Ele era O Homem.

Era um homem que pagava os pecados dos homens assumindo a nossa natureza e nossas culpas, mas sem o pecado. Era Deus-Menino sofrendo frio e fome por nossos confortos ilícitos e nossa gula, na pobreza e no desprezo, por nossa ambição e nosso orgulho.

E os pastores e os Reis O encontraram com Maria sua Mãe, para mostrar que só encontra a Cristo quem O busca com sua Mãe.

E para demonstrar que diante de Jesus, ainda que Menino, todo poder deve dobrar o joelho.

E os pastores levaram ao Deus Menino suas melhores ovelhas, e seus melhores cabritos, enquanto os Reis Lhe levaram mirra, incenso e ouro. A mirra da penitência. O incenso da adoração. O ouro do poder.

Tudo é de Cristo.

Todos, levando esses dons, reconheciam que Ele era Deus, o Senhor de todas as coisas, Ele que dá todas as ovelhas e cabras aos pastores. Ele que dá aos Reis o poder e o ouro.

Deus é o Supremo Senhor de todas as coisas. Ele é o Soberano Absoluto a quem devemos tudo. E para reconhecer que Ele é a fonte de todos os bens que temos é que devemos levar-Lhe em oferta o melhor do que temos.  

Publicado em Catolicismo Romano.

Saiba mais sobre as 4 semanas do Advento e se prepare para o Natal

A palavra “advento” tem origem latina (“adventus”) e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”

Ao findar do mês de Novembro, a Igreja Católica encerra o Ano Litúrgico (o espaço de tempo em que se celebra todo o mistério de Cristo, sendo: o tempo do Advento, Natal, Epifania, tempo comum, Quaresma, Semana Santa, Páscoa, tempo pascal, Pentecostes e tempo comum até encerrar-se o ciclo no primeiro domingo do Advento) com a Festa de Cristo Rei do Universo. Mais um ciclo em nossa caminhada de fé acaba e um dos símbolos é ter as portas centrais das paróquias fechadas ao final desta celebração.

 Também é momento para se preparar para a segunda maior festa cristã: o Natal do Senhor, tempo em que celebramos duas verdades da fé: as vindas de Jesus. A primeira deu-se com Seu nascimento em Belém; e a segunda, chamada de Parusia, quando Ele virá, em poder e glória, em dia e hora desconhecidos.

Para que o Natal seja vivido de maneira solene e íntegra, devemos nos preparar adequadamente. Para isso existe um caminho que devemos percorrer que é chamado de Tempo do Advento.

 O que é o Advento?

 A palavra “advento” tem origem latina (“adventus”) e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”. Este tempo acontece de acordo com o calendário da solenidade do Natal. Este ano, o Advento começou no primeiro domingo após a Solenidade de Cristo Rei do Universo (02/12) e vai até a tarde anterior ao Natal.

 Os primeiros indícios da existência deste tempo de preparação para o Natal datam do século V, quando o Bispo de Tours, São Perpétuo, decreta um período de três dias de jejum antes do nascimento de Jesus. Mais tarde, o papa São Gregório Magno foi o primeiro a escrever um documento oficial para o Advento.

 É dividido em duas partes, sendo que a primeira, que vai até 16/12, é marcada pela espera alegre da segunda vinda de Jesus (a Parusia). A segunda se destaca pela recordação do nascimento de Jesus.

 Aqui, dois personagens se destacam: Maria e João Batista. Ela, porque foi A escolhida por Deus para ser a progenitora Daquele que viria para salvara humanidade; e João Batista, porque foi o precursor do Messias, responsável por preparar os homens para a chegada do Cordeiro.

 Durante este tempo algumas alterações acontecem na Missa, na decoração das paróquias e nos paramentos: não se reza o Glória, as músicas passam a contar com menos instrumentos, os enfeites são reduzidos para deixar a Igreja mais sóbria e a cor das vestes é roxa. Tudo isso para expressar a ansiedade, o desejo para a chegada em que o tempo do regozijo será pleno.

As paróquias realizam diversos encontros de preparação, Novenas, convidando toda a comunidade a participar destes momentos de reflexão para que a noite do Natal não seja apenas um momento social, mas seja inundado pela fé.

 As quatro semanas do Advento

 O Advento dura um mês. São quatro semanas de preparação, em que somos convidados a refletir sobre o nascimento Daquele que veio nos dar a vida! São quatro domingos celebrativos em que as paróquias vão se transformando, sendo adornadas com o brilho das luzes. O destaque dos altares é a Coroa do Advento, formada por quatro velas, sendo três roxas e uma rosa.

 Mas, por que uma vela de cor diferente? Porque o terceiro domingo do Advento (16/12) é chamado de Domingo da Alegria por causa da Antífona cantada na Procissão de Entrada que diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor!”, mostrando a alegria pela proximidade do Natal. E a vela que o representa é a de cor rosa.

 Vamos conhecer os detalhes de cada uma das semanas que formam este belo tempo do advento, que deve ser vivido intensamente entre as famílias para que a noite de Natal ganhe ainda mais brilho e sentido.

 Primeira semana do Advento

 O início do tempo do Advento convida-nos a estar em constante vigilância na espera pelo Senhor. Dois pontos da Liturgia são destaques: “Vigiai e estai preparados, porque não sabeis a que hora virá o Filho do homem” (Mt 24, 42–44) e “Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22,46). Uma das três velas roxas é acesa, como sinal desta vigilância e do desejo da conversão.

 Segunda semana do Advento

 Ainda dentro do contexto da espera pela segunda vinda do Senhor, a Parusia, nesta semana o convite à conversão fica ainda mais claro, quando se lê nas celebrações: “Fazei penitência, porque está próximo o reino dos céus. Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3, 2-3). Tal ação demonstra o quanto devemos nos esforçar para nos reconciliarmos com Deus. A segunda vela roxa é acesa.

 Terceira semana do Advento

 Esta semana introduz a Igreja na primeira vinda de Jesus. Seu nascimento em Belém. Por isso, a Liturgia nos recorda o SIM de Maria. É nesta semana que celebramos também a Festa da Imaculada Conceição, Aquela que se colocou inteira à disposição dos planos de Deus. Sua entrega inaugurou um novo tempo para a humanidade.

 A Liturgia destaca medita o papel de Maria, jovem virgem prometida a casamento, e a devoção a ela por meio do Rosário: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra”. É nesta semana que a vela rosa da Coroa do Advento é acesa como sinal de esperança.

 Quarta semana do Advento

 Já próximos do Natal do Senhor e com uma caminhada extensa, profunda e importante por este momento tão aguardado, chegamos à última semana deste tempo de preparação, de espera. Nela ouvimos o anúncio do nascimento a José: “Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, porque aquele que foi nela concebido é obra do Espírito Santo” (Mt 1,20).

 Na celebração a última vela da Coroa do Advento é acesa. Ao chegarmos neste ponto, nossas casas, ruas, lojas e paróquias já estão completamente decoradas pelo brilho da luz criada pelo homem, formando um caminho que nos leva ao presépio ainda vazio.

 Sobre a Coroa do Advento

 É o primeiro anúncio do Natal. Sua cor verde, sinal de esperança e vida, é enfeitada com uma fita vermelha, simbolizando a manifestação concreta de Seu amor. Também é sinal do nosso amor a Ele e ao Seu Filho.

Publicado em Nossa Sagrada Família.

Leia também:

O que significam os símbolos do Natal? Entenda (Blog da Família – Nossa Sagrada Família).

Palavra de Vida: “Tende coragem! Eu venci o mundo.” (João 16,33).

Com essas palavras concluem-se os discursos de despedida dirigidos por Jesus aos discípulos na sua última ceia, antes de morrer. Foi um diálogo denso, em que revelou a realidade mais profunda do seu relacionamento com o Pai e da missão que este lhe confiou.

Jesus está prestes a deixar a terra e voltar ao Pai, enquanto que os discípulos permanecerão no mundo para continuar a sua obra. Também eles, como Jesus, serão odiados, perseguidos, até mesmo mortos (cf. Jo 15,18.20; 16,2). Sua missão será difícil, como foi a Dele: “No mundo tereis aflições”, como acabara de dizer (16,33).

Jesus fala aos apóstolos, reunidos ao seu redor para aquela última ceia, mas tem diante de si todas as gerações de discípulos que haveriam de segui-lo, inclusive nós.

É a pura verdade: entre as alegrias esparsas no nosso caminho não faltam as “aflições”: a incerteza do futuro, a precariedade do trabalho, a pobreza e as doenças, os sofrimentos causados pelas calamidades naturais e pelas guerras, a violência disseminada em casa e entre os povos. E existem ainda as aflições ligadas ao fato de alguém ser cristão: a luta diária para manter-se coerente com o Evangelho, a sensação de impotência diante de uma sociedade que parece indiferente à mensagem de Deus, a zombaria, o desprezo, quando não a perseguição aberta, por parte de quem não entende a Igreja ou a ela se opõe.

Jesus conhece as aflições, pois viveu-as em primeira pessoa. Mas diz:

“Tende coragem! Eu venci o mundo.” 

Essa afirmação, tão decidida e convicta, parece uma contradição. Como Jesus pode afirmar que venceu o mundo, quando pouco depois é preso, flagelado, condenado, morto da maneira mais cruel e vergonhosa? Mais do que ter vencido, Ele parece ter sido traído, rejeitado, reduzido a nada e, portanto, ter sido clamorosamente derrotado.

Em que consiste a sua vitória? Com certeza é na ressurreição: a morte não pode mantê-lo cativo. E a sua vitória é tão potente, que faz com que também nós participemos dela: Ele torna-se presente entre nós e nos leva consigo à vida plena, à nova criação.

Mas antes disso ainda, a sua vitória consistiu no ato de amar com aquele amor maior, de dar a vida por nós. É aí, na derrota, que Ele triunfa plenamente. Penetrando em cada canto da morte, libertou-nos de tudo o que nos oprime e transformou tudo o que temos de negativo, de escuridão e de dor, em um encontro com Ele, Deus, Amor, plenitude.

Cada vez que Paulo pensava na vitória de Jesus, parecia enlouquecer de alegria. Se é verdade, como ele dizia, que Jesus enfrentou todas as contrariedades, até a adversidade extrema da morte e as venceu, também é verdade que nós, com Ele e Nele, podemos vencer todo tipo de dificuldade. Mais ainda, graças ao seu amor somos “mais que vencedores”: “Tenho certeza de que nem a morte, nem a vida […], nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus, que está no Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,37; cf. 1Cor 15,57).

Então compreende-se o convite de Jesus a não ter medo de mais nada:

“Tende coragem! Eu venci o mundo.”

Essa frase de Jesus poderá nos infundir confiança e esperança. Por mais duras e difíceis que possam ser as circunstâncias em que nos encontramos, elas já foram vividas e superadas por Jesus.

É verdade que não temos a sua força interior, mas temos a presença Dele mesmo, que vive e luta conosco. “Se tu venceste o mundo” – diremos a Ele nas dificuldades, provações, tentações – “saberás vencer também esta minha ‘aflição’. Para mim, para todos nós, ela parece um obstáculo intransponível. Temos a impressão de não dar conta. Mas com tua presença entre nós encontraremos a coragem e a força, até chegarmos a ser ‘mais que vencedores’”.

Não é uma visão triunfalista da vida cristã, como se tudo fosse fácil e coisa já resolvida. Jesus é vitorioso justamente no drama do sofrimento, da injustiça, do abandono e da morte. A sua vitória é a de quem enfrenta a dor por amor, de quem acredita na vida após a morte.

Talvez também nós, como Jesus e como os mártires, tenhamos de esperar o Céu para ver a plena vitória sobre o mal. Muitas vezes temos receio de falar do Paraíso, como se esse pensamento fosse uma droga para não enfrentar com coragem as dificuldades, uma anestesia para suavizar os sofrimentos, uma desculpa para não lutar contra as injustiças. Ao contrário, a esperança do Céu e a fé na ressurreição são um poderoso impulso para enfrentar qualquer adversidade, para sustentar os outros nas provações, para acreditar que a palavra final é a do amor que venceu o ódio, da vida que derrotou a morte.

Portanto, em qualquer dificuldade, seja ela pessoal ou de outros, renovemos a confiança em Jesus, presente em nós e entre nós: Ele venceu o mundo e nos torna participantes da sua própria vitória, Ele nos escancara o Paraíso, para onde foi preparar-nos um lugar. Desse modo encontraremos a coragem para enfrentar toda provação. Seremos capazes de superar tudo, Naquele que nos dá a força.

Fabio Ciardi 

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Movimento dos Focolares/Brasil.

Publicado em I. Católica.

Dia dos Finados ou dos Fiéis Defuntos: o que é, como vivê-lo e como ganhar as indulgências deste dia

A ORIGEM DA CELEBRAÇÃO do Dia dos Fiéis Defuntos ou de Finados (2 de novembro) remonta aos tempos do Antigo Testamento, quando já os judeus rezavam pelos seus falecidos (conf. Tb 12,12; 2Mc 12,43-46). Encontramos também registros históricos que testemunham como os cristãos da Igreja primitiva rezavam pelos seus mortos, visitando os túmulos dos mártires, desde o final do primeiro século da era cristã.

No século V, a Igreja passou a dedicar um dia do ano para a oração por todos os mortos, principalmente pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém mais se lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, no ano 998, pedia aos monges que rezassem pelos mortos. No século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) introduziram no Calendário Litúrgico um dia para a oração pelos finados; foi, porém, no século XIII que esse dia ganhou uma data definitiva: 2 de novembro. A escolha se deu pelo fato de no primeiro dia de novembro se celebrar a Festa de todos os Santos.

A morte é o cessar definitivo da vida como a conhecemos, e a Igreja dedica este dia especialmente para que as famílias lembrem-se dos seus amados que já não participam do seu convívio, oferecendo a Deus orações e súplicas – para que, se já não estiverem com Deus, possam ser recebidas por Ele o mais breve possível. Para o católico, o Dia de Finados é um dia para ser santificado, embora não seja dia de preceito ou de guarda.

Neste dia, o católico é chamado a moderar os seus hábitos: não é dia para escutar música alta, abusar de bebidas alcoólicas, viagens turísticas, euforia. Dia de Finados não é dia de festa: é dia de oração e silêncio interior. Todavia, mesmo sendo um dia de moderação, recolhimento e respeito, deve ser vivido também com esperança e íntima alegria no SENHOR, pois a fé católica diz que um dia, na Vinda definitiva do Cristo, todos os mortos ressuscitarão. É nesta fé e esperança que rezamos.

O Dia de Finados também não é, absolutamente, ocasião para se “invocar os mortos” (prática abominável aos olhos de Deus), mas sim uma data especial para suplicar a Deus pelas pessoas que já se foram e interceder por elas.

No Dia de Finados existe uma indulgência plenária própria. Se cumprir todas as práticas recomendadas, o fiel católico poderá lucrar esta indulgência e dedicar a uma alma que esteja no Purgatório (saiba mais). Graças a esta importante prática de caridade, neste dia, alguém poderá sair do Purgatório e alcançar o Céu! Veja como:

Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial.

(Enchiridion Indulgentiarum, n.13)

Ainda neste dia, em todas as igrejas e oratórios públicos adquirimos a Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai Nosso e o Creio, fazer a Confissão Sacramental, a receber a Comunhão Eucarística e rezar na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).

(Diretório Litúrgico CNBB, p. 462)

Oração por um querido falecido – para o Dia dos Finados

Pai Santo, Deus eterno e Todo-poderoso, nós vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe felicidade, a luz e a paz. Que este vosso servo, tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na Luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-lo(a) com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no Reino eterno. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

Pai Nosso…

Ave-Maria…

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele(a) a vossa luz.

Amém!

Publicado em O Fiel Católico.

Dia de todos os santos – 1º de novembro

Hoje, 1º de novembro, celebramos o Dia de Todos os Santos, entretanto no Brasil, esta Solenidade é transferida para o próximo domingo. A origem desta festa se deu no século IV, com a celebração de todos os mártires, no primeiro domingo depois de Pentecostes, mas anos depois, em 835, ela foi transferida pelo papa Gregório IV para o dia 1º de novembro. Sendo que, posteriormente, a Solenidade se tornou ocasião para celebrar Todos os Santos, não só os mártires, inclusive os desconhecidos.

Portanto, celebrar a festa de Todos os Santos é fazer memória destes incontáveis irmãos que nos precedem na contemplação do rosto de Deus em nossa Pátria Celeste, é recordar o testemunho daqueles munidos de obediência ao mandato divino, crucificaram suas paixões e se ofertaram como hóstia viva por amor ao Reino dos Céus.

Sendo assim, tal celebração também nos oferece a oportunidade de refletir sobre o que é ser santo. Neste aspecto, observa-se que houve uma época que se pensou que a santidade era alcançável somente para religiosos, para tanto para refutar esse pensamento, o Concílio Vaticano II recordou sobre a “vocação universal à santidade”, e que todos são chamados à perfeição cristã, como pedira Nosso Senhor Jesus Cristo: “sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).

Neste dia, peçamos a Jesus que “dos santos todos fostes caminho, vida, esperança, Mestre e Senhor” que nos ajude a não nos conformarmos com este mundo e a buscarmos sempre fazer da santidade nosso projeto de vida. Aos nossos Santos, agradeçamos pelas indicações deixadas de como amar a Deus, por nos apontarem que a santidade está ao nosso alcance e por intercederem por nós junto a Deus.

Todos os santos do céu, rogai por nós!

Publicado em Comunidade Olhar Misericordioso.

Afinal, Halloween é “compatível” com a fé católica ou não?

Nas suas origens, já foi. Hoje, não é. Mas existem alternativas

O mundo tem fixação por deturpar o sentido de conceitos e eventos cristãos, do Natal à Páscoa, passando, evidentemente, pela Véspera de Todos os Santos.

1 – O surgimento

A origem do Halloween é precisamente esta: trata-se, em inglês, de uma expressão derivada de “All Hallows’ Eve”, ou, literalmente, Véspera de Todos os Santos.

Como foi que uma data explicitamente cristã foi transformada em algo tão diferente como o dia das bruxas?

A história, muito interessante e explicativa, pode ser lida no seguinte artigo bastante completo, escrito pelo sacerdote norte-americano pe. Augustine Thompson:

Halloween – pt

2 – Influência diabólica

Outra opinião a respeito do Halloween, bastante contundente, é a do pe. Aldo Buonaiuto, exorcista italiano que afirma sem panos quentes: “Por trás das brincadeiras, está a obra do diabo”.

Ele examina aspectos históricos e sociológicos desse fenômeno dito cultural e faz observações pertinentes e enfáticas do ponto de vista da doutrina católica sobre a existência e a influência do mal em nossas almas – e alerta sobre o que o Halloween tem a ver com isso. Confira:

halloween.jpg

Halloween: mera diversão? Pois quem se diverte mesmo é o diabo!

3 – Resgate católico

É possível participar de festas do Halloween de modo inocente e divertido? Possível é, com discernimento sobre o sentido original da festa e usando fantasias que representem valores positivos, mas… na prática, é um tanto irrealista.

Diante deste panorama, várias dioceses, paróquias e comunidades católicas de várias partes do mundo têm fomentado o resgate do dia 31 de outubro como Véspera de Todos os Santos. Foi assim que nasceu a celebração chamada “Holywins” (“A santidade vence“), que comemora com as crianças o dom da vocação universal à santidade. Confira:

holywins

“Holywins”, a reação católica às deturpações do “Halloween”

Conhecer a história e o que está envolvido nela é fundamental para tirar conclusões embasadas nos fatos e para fazer decisões conscientes. Boa Véspera de Todos os Santos!

Publicado em Aleteia.

Santa Teresinha ensina a maior missão: ser o amor!

A jovem, encontrou a alegria que jamais passaria e prontamente desejou e buscou corresponder. Ela, que é padroeira das missões sem jamais ter saído do Carmelo.

Encerramos o mês dedicado à Bíblia e agora [estamos finalizando] outubro, conhecido como mês missionário, e já celebramos a memória litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus, jovem, doutora da Igreja e padroeira das missões.

A leitura e reflexão da palavra de Deus não se reduz a um determinado mês do ano. Teresinha entendeu que a leitura da Bíblia não está reduzida ao mês de setembro, mas é uma prática para a vida toda. No silêncio e em uma profunda vida interior, mesmo enclausurada, se descobriu plenamente mulher: obediente, livre e inteira. Inteiramente consagrada ao Senhor, ela, constantemente, refletia e orava com as Sagradas Escrituras e aí buscava às luzes para a vida.

Minha vocação é o amor

Como uma jovem freira, que faleceu com apenas 24 anos, que desde os 15 viveu reclusa num convento, tem algo a nos ensinar sobre a missão de todo cristão? E como se tornou padroeira das missões? A resposta é bem simples: pela vivência do amor.

O Decreto Conciliar Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja afirma: “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo” (AG,6). Em nosso “DNA espiritual” de batizados, está impresso o nosso desígnio missionário, e Santa Teresinha do Menino Jesus, mesmo vivendo no Carmelo, viveu esta identidade missionária, rezando pelas vocações.

Nos escritos autobiográficos, intitulados “História de uma alma”, Santa Teresinha afirma: “Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: Minha vocação é o amor”. Seu exemplo é caminho para que todos nós sejamos missionários onde nos encontramos.

Pois bem! A história desta melancólica e grande mulher, é cheia de pormenores que nos falam do amor e do zelo em seguir Jesus. Mas o foco para a motivação, está centrado no desejo do coração dessa jovenzinha, que muito cedo entrou no Carmelo de Lisieux para seguir o Divino Mestre, mas ao mesmo tempo consumia-se no desejo de estar em todas as partes do mundo anunciando o Evangelho.

A missionariedade de Teresinha

Foi no auge de muitas dúvidas e dividida pelo fogo do zelo, em descobrir como melhor servir ao Senhor, que Teresinha, um dia, abrindo a Bíblia, descobriu o rumo a seguir. Teresinha se encontrou com Deus ao ler o Capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios – ótima sugestão de leitura espiritual para esse dia – texto de São Paulo que nos coloca a refletir e mexe com o nosso interior, questiona e ao mesmo tempo dá resposta.

Ela ainda, tinha o desejo desmedido de ser missionária: “… quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores, sentia a vocação de ser Apóstolo… Queria ser missionário, não apenas durante alguns anos, mas queria tê-lo sido desde o princípio do mundo e continuar até à consumação dos séculos”, anotou ela na autobiografia.

Em oração e intimidade com Deus, enclausurada no Carmelo, decifrou: “Compreendi que, se a Igreja apresenta um corpo formado por membros diferentes, não lhe falta o mais necessário […]; compreendi que a Igreja tem coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia atuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os Apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho nem os mártires a derramar o seu sangue”.

A santa teve a compreensão do que todo cristão deve buscar para si: compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo e que abrange todos os tempos e lugares, numa palavra, que o amor é eterno”.

O legado de Santa Teresinha 

Santa Teresinha costumava meditar a vida dos santos. Ela se encantava com as virtudes e as penitências a que eles se submetiam. Comparando-se com eles, sentia-se um nada, como um pequeno grão de areia, diante de Deus. Mas isso não lhe foi motivo para se afastar de Deus ou da sua missão, serviu, antes, para se aproximar ainda mais Dele. 

Ela buscou a santidade com todas as suas forças, e de diversas formas e dizia: “O que em minha alma agrada ao bom Deus é ver o amor que tenho à minha pequenez e à minha pobreza, é a minha esperança cega em sua misericórdia. E admitindo sua fraqueza, pedia a Jesus que a carregasse em Seus braços em direção ao “cume da perfeição”.

“Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração”.

Aprendemos com Santa Teresinha que a perfeição é alcançada no amor. Tudo deve ser feito com amor: as pequenas coisas, os pequenos gestos, as obrigações de todos os dias, as grandes responsabilidades, e, principalmente, no cumprimento da nossa missão como Filhos de Deus é o amor que deve nos conduzir. 

Padroeira das missões

Foi devido a este intenso desejo de amar a Deus e de através do amor levar as pessoas até Ele que Santa Teresinha recebeu o título de padroeira das missões ao ser canonizada em 1927 pelo Papa Pio XI. Mas não somente por esse motivo. A pequena carmelita intercedia pelos seus irmãos missionários e estabelecia com eles pela oração e por cartas, como que uma fraternidade e missionariedade espiritual e universal.

“Quando rezo pelos meus irmãos missionários, não ofereço os meus sofrimentos, digo simplesmente: Meu Deus, dai-lhe tudo o que desejo para mim”. 

Durante algum tempo Teresinha empenhou-se por sustentar o trabalho apostólico de dois missionários que desempenhavam funções pastorais um na China e outro na África. Por esses sacerdotes, a quem chamava de irmãos espirituais, ela rezava incansavelmente para que Deus providenciasse tudo quanto eles necessitavam para cumprir com sua missão de evangelização. Além disso trocava com eles correspondências.

Numa dessas cartas escritas por Santa Teresa, lemos: Trabalhemos juntos na salvação das almas. Não temos senão o único dia da nossa vida para salvá-las e assim dar ao Senhor as provas do nosso amor (Carta 220).

Que para nós, assim como foi para Santa Teresinha, ser missionário dependa somente do amor e que busquemos, a seu exemplo, contemplar no outro a pessoa de Jesus.

Meu Deus, eu Vos amo

No Carmelo de Lisieux, prisioneira por amor e do Amor, desejou ardentemente percorrer o mundo inteiro para implementar a Cruz de Cristo em todo o lado. A experiência do Deus Misericórdia é o Centro de toda desta vida e obra. 

Santa Teresinha foi acolhida no Reino de Deus no dia 30 de setembro de 1897 – no auge de sua juventude. “Meu Deus, eu Vos amo!”, foram as últimas palavras.  Em 1997, pela riqueza espiritual de sua autobiografia e de seus escritos, São João Paulo II proclamou Santa Teresa Doutora da Igreja – a mulher mais jovem, até então, a receber esse título.

Pela sua entrega total ao amor Misericordioso de Deus, pela constante ânsia em que ardia por “salvar almas”, pelos laços de fraternidade espiritual que cultivou com alguns missionários no campo de missão, ela foi escolhida como Padroeira das Missões.

Que em meio aos  desejos que ecoam em seu coração, você encontre dentro de si uma essência, um âmago, um intrínseco chamado, o que há de mais profundo em seu ser. A Obra Nova sempre espera aqueles que têm sede do que é atemporal.

A pequena via de santidade

Teresinha foi uma vida que definitivamente valeu a pena, porque não foi vivida para si, mas para o outro. Ela encontrou uma pequena via que a levaria para os braços do seu Amado Jesus e nos deu uma grande via para também chegarmos a Ele: a sua própria vida.

Ela nos ensina que a santidade é possível. Deus não nos inspira desejos irrealizáveis, não é presunção, jamais será, é nossa vocação! Existimos para ser santos, foi para isso que Deus nos criou e é isso que Ele nos pede todos os dias.

Nossas fraquezas, nossas feridas e nossa história, se forem vistas à luz do Espírito Santo, não são empecilhos para a santidade, ao contrário, se tornarão molas propulsoras e nos lançarão cada vez mais perto do anseio do nosso coração.

Deste modo, façamos como ela e a seu exemplo, que nossa vida também seja pelo outro e que assim, nessa estranha loucura de amor, possamos buscar cada vez mais viver e, enfim, morrer de amor. “Depois da minha morte, farei cair do Céu uma chuva de rosas”.

“Quero passar o Céu, a fazer bem sobre a Terra. Não olharei para as almas somente, mas hei de descer para junto delas. Vai começar a minha missão que é ensinar os homens a amar a Deus como eu o amo. Só descansarei no fim do mundo quando estiver completo o número dos eleitos. Nunca é demasiada a confiança que se deposita em Deus Infinitamente Bom e Misericordioso. Ninguém me invocará, sem receber resposta

A mensagem de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face ecoa nesta década que se inicia e pode nos levar à seguinte reflexão: qual é o legado que eu vou deixar na humanidade? Será que a minha vida tem sido uma resposta definitiva para o outro, uma ponte para as coisas que verdadeiramente não passam?

Santos em missão: Teresinha do Menino Jesus


Por Janaína Teixeira.

Publicado em Comunidade Católica Shalom.

Santa Margarida Maria Alacoque: confidente do Sagrado Coração de Jesus

Também hoje, dia 16 de outubro, a Igreja lembra a memória de Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, que recebeu confidências do Sagrado Coração.

Redação (16/10/2022 11:33, Gaudium Press) Nasceu em 25 de julho de 1647 em Janots, Borgonha. Inspirada pela graça, fez voto de castidade perpétua aos 4 anos de idade.

Ficando órfã de pai, foi levada à escola das Clarissas, mas teve que regressar pouco depois, por motivo de enfermidade. Fez então à Santíssima Virgem a promessa de tornar-se religiosa caso fosse curada, e recuperou a saúde.

Entretanto, quando Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar.

Deixando-se levar pelo amor filial, a jovem aos poucos começou a tomar parte nos folguedos de sua idade – embora se guardando de ofender a Deus – e a acariciar a ideia de contrair matrimônio, mesmo porque já tinha vários pretendentes. No seu interior travou-se então uma demorada e intensa batalha: de um lado, a atração pela vida comum lhe sussurrava ser até um dever de piedade filial constituir um lar, pois assim poderia amparar melhor sua mãe enferma.

De outro, a voz da graça lembrava- lhe o voto de castidade perfeita que fizera já na infância, bem como a promessa de fazer-se esposa de Cristo.

Não importa, você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre! – era a resposta que lhe vinha em seguida à mente.

Esse cruel embate de alma durou alguns anos. Mas, ajudada de modo sensível por Nosso Senhor, a vocação religiosa acabou por vencer.

Ao contemplar um quadro de São Francisco de Sales, sentiu-se fortemente chamada para fazer parte de suas filhas, as Visitandinas, e ingressou no Convento de Paray-le-Monial, em 20 de junho de 1671.

Nesse mosteiro, vivia de graças místicas e do intenso convívio com Nosso Senhor Jesus Cristo. Como isso causasse estranheza às superioras, Jesus “adaptou” suas graças à regra da Congregação e deu-lhe três armas para a luta diária pela purificação e transformação de sua alma: uma consciência delicada e um horror à menor falta; a santa obediência; e sua santa Cruz.

Recebeu as belíssimas revelações da misericórdia do Coração de Jesus: “Eis o Coração que tanto amou os homens e por eles foi tão pouco amado”.

Jesus permitiu-lhe sofrer muito pela incompreensão das superioras e irmãs de hábito, mas deu-lhe por confessor o grande São Cláudio de La Colombière.

Faleceu em 17 de outubro de 1690. Somente três anos depois de sua morte começou a ser divulgada a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, de quem foi tão grande entusiasta.

Foi canonizada em 1920, pelo Papa Bento XV.

Promessas do Sagrado Coração de Jesus

Jesus fez doze promessas em benefício dos devotos de seu Sagrado Coração:

Dar-lhes-ei todas as graças necessárias a seu estado de vida.

Conservarei paz em suas famílias.

Eu os consolarei em todas as suas aflições.

Serei seu refúgio seguro durante a vida e especialmente na hora da morte.

Derramarei abundantes bênçãos sobre todos os seus empreendimentos.

Os pecadores acharão em meu Coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia.

As almas tíbias se tornarão fervorosas.

As almas fervorosas se elevarão com rapidez a uma grande perfeição.

Abençoarei as casas nas quais a imagem de meu Sagrado Coração for exposta e venerada.

Darei aos sacerdotes a capacidade de tocar os corações mais endurecidos.

As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes eternamente inscritos em meu Coração.

A todos aqueles que fizerem a Comunhão reparadora na primeira sexta-feira, durante nove meses seguidos, concederei a graça da perseverança final e salvação eterna. Meu Divino Coração será seu refúgio seguro nessa hora extrema.

Fonte: arautos.org.

Publicado em Gaudium Press.

SANTA TERESA DE JESUS – Memória – 15 de outubro

Nunca um santo ou santa mostrou-se tão “carne e osso” como Teresa d’Ávila, ou Teresa de Jesus, nome que assumiu no Carmelo. Nascida no dia 28 de março de 1515, seus pais, Alonso Sanchez de Cepeda e Beatriz d’Ávila y Ahumada, a educaram, junto com os irmãos, dentro do exemplo e dos princípios cristãos. Aos sete anos, tentou fugir de casa e peregrinar ao Oriente para ser martirizada pelos mouros, mas foi impedida. A leitura da vida dos santos mártires tinha sobre ela uma força inexplicável e, se não fossem os parentes terem-na encontrado por acaso, teria fugido, levando consigo o irmão Roderico.

Órfã de mãe aos doze anos, Teresa assumiu Nossa Senhora como sua mãe adotiva. Mas o despertar da adolescência a levou a ter experiências excessivas ao lado dos primos e primas, tornando-se uma grande preocupação para seu pai. Aos dezesseis anos, sua atração pelas vaidades humanas era muito acentuada. Por isso, ele a colocou para estudar no colégio das agostinianas em Ávila. Após dezoito meses, uma doença grave a fez voltar para receber tratamento na casa de seu pai, o qual se culpou pelo acontecido.

Nesse período, pela primeira vez, Teresa passou por experiências espirituais místicas, de visões e conversas com Deus. Todavia as tentações mundanas não a abandonavam. Assim atormentada, desejando seguir com segurança o caminho de Cristo, em 1535, já com vinte anos, decidiu tornar-se religiosa, mas foi impedida pelo pai. Como na infância, resolveu fugir, desta vez com sucesso. Foi para o Convento carmelita da Encarnação de Ávila.

Entretanto a paz não era sua companheira mais presente. Durante o noviciado, novas tentações e mais o relaxamento da fé não pararam de atormentá-la. Um ano depois, contraiu outra doença grave, quase fatal, e novamente teve visões e conversas com o Pai. Teresa, então, concluiu que devia converter-se de verdade e empregou todas as forças do coração em sua definitiva vivência da religião, no Carmelo, tomando o nome de Teresa de Jesus.

Aos trinta e nove anos, ocorreu sua “conversão”. Teve a visão do lugar que a esperaria no inferno se não tivesse abandonado suas vaidades. Iniciou, então, o seu grande trabalho de reformista. Pequena e sempre adoentada, ninguém entendia como conseguia subir e descer montanhas, deslocar-se pelos caminhos mais ermos e inacessíveis, de convento em convento, por toda a Espanha. Em 1560, teve a inspiração de um novo Carmelo, onde se vivesse sob as Regras originais. Dois anos depois, fundou o primeiro Convento das Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila, onde foi morar.

Porém, em 1576, enfrentou dificuldades muito sérias dentro da Ordem. Por causa da rigidez das normas que fez voltar nos conventos, as comunidades se rebelaram junto ao novo geral da Ordem, que também não concordava muito com tudo aquilo. Por isso ele a afastou. Teresa recolheu-se em um dos conventos e acreditou que sua obra não teria continuidade. Mas obteve o apoio do rei Felipe II e conseguiu dar sequência ao seu trabalho. Em 1580, o papa Gregório XIII declarou autônoma a província carmelitana descalça.

Apesar de toda essa atividade, ainda encontrava espaço para transmitir ao mundo suas reflexões e experiências místicas. Na sua época, toda a cidade de Ávila sabia das suas visões e diálogos com Deus. Para obter ajuda, na ânsia de entender e conciliar seus dons de espiritualidade e as insistentes tentações, ela mesma expôs os fatos para muitos leigos e não apenas aos seus confessores. E ela só seguiu numa rota segura porque foi devidamente orientada pelos últimos, que eram os agora santos Francisco Bórgia e Pedro de Alcântara, que perceberam os sinais da ação de Deus.

A pedido de seus superiores, registrou toda a sua vida atribulada de tentações e espiritualidade mística em livros como “O caminho da perfeição”, “As moradas”, “A autobiografia” e outros. Neles, ela própria narra como um anjo transpassou seu coração com uma seta de fogo. Doente, morreu no dia 4 de outubro de 1582, aos sessenta e sete anos, no Convento de Alba de Torres, Espanha. Na ocasião, tinha reformado dezenas de conventos e fundado mais trinta e dois, de carmelitas descalças, sendo dezessete femininos e quinze masculinos.

Beatificada em 1614, foi canonizada em 1622. A comemoração da festa da transverberação do coração de Santa Teresa ocorre em 27 de agosto, enquanto a celebração do dia de sua morte ficou para o dia 15 de outubro, a partir da última reforma do calendário litúrgico da Igreja. O papa Paulo VI, em 1970, proclamou santa Teresa d’Ávila doutora da Igreja, a primeira mulher a obter tal título.

Publicado em Diocese de Ji-Paraná.

Leia também um artigo resumido e muito interessante (imagem acima): “Moradas da alma”: as etapas da vida mística segundo Santa Teresa”

Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Solenidade – 12 de outubro

Destinado à Nossa Senhora Aparecida, o feriado de 12 de outubro carrega a data simbólica de homenagem à padroeira brasileira. Também conhecida como Nossa Senhora da Conceição, ela foi encontrada por pescadores na segunda quinzena de outubro de 1717, no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Feita de terracota, medindo 36 cm e 2,5kg, a Santa apareceu no rio, e foi assim que deu origem ao seu nome.

Cidade de Nossa Senhora Aparecida

Em 1745, uma capela foi erguida e a Santa começou a atrair devotos. O lugar se tornou uma cidade, conhecida atualmente como Aparecida. Ela foi visitada pelo imperador Dom Pedro I durante sua viagem que terminaria com a declaração de independência brasileira. Na visita, o imperador fez uma promessa: caso se tornasse governante do Brasil, faria da Santa a padroeira do país. Porém isso não veio a calhar, pois quem se tornou padroeiro foi São Pedro de Alcântara.

Visita de Princesa Isabel

O verdadeiro reconhecimento começou a crescer quando a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, onde apareceu pela primeira vez no rio, começou a comentar sobre as histórias de milagres. Por conta disso, em 1868, a Princesa Isabel foi para Aparecida pedir proteção para engravidar de uma criança. Em 1874, completou a gestação de um natimorto e, entre 1875 e 1875, teve três filhos herdeiros.

O manto da Santa

Como forma de doação, em 1888 a Princesa levou uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis e um manto azul, que seria posteriormente usado por um representante do Papa em 1904, que a coroou Rainha do Brasil.

A cerimônia

Por conta da pressão das arquidiocese do Rio de Janeiro e São Paulo para a formalidade do reconhecimento, Nossa Senhora se tornou oficialmente padroeira em 16 de julho de 1930, por um decreto do Papa Pio XI. O decreto foi oficializado em 31 de maio de 1931, em uma missa solene no Rio.

Feriado Nacional

O feriado nacional só veio depois, sancionado pelo Presidente João Figueiredo, o último presidente da ditadura. Foi firmado em 30 de junho de 1980, dia em que o João Paulo II pisou em terras nacionais, sendo o primeiro Papa a fazer isso.

O dia escolhido

Apesar de ter sido encontrada na segunda quinzena de outubro de 1717, o dia escolhido para o feriado foi dia 12, pois é o mesmo dia em que Cristóvão Colombo aportou no continente americano. Além disso, dia 12 de outubro também marca o dia em que Dom Pedro I foi coroado Imperador.

12 milhões de visitas

A cidade de Aparecida e a capela da Santa é visitada por cerca de 12 milhões de romeiros por ano. O lugar já recebeu figuras importantes como João Paulo II, Bento 16 e Papa Francisco, que realizou a missa no Santuário Nacional de Aparecida.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, rogai por nós!

Publicado em Fundação Padre Anchieta (título original da matéria ” Por que Nossa Senhora Aparecida foi considerada padroeira do Brasil?”

13 DE OUTUBRO: DIA MUNDIAL DA COMUNHÃO REPARADORA

 Hoje, dia 13 de outubro, é o dia mundial da comunhão reparadora. Nossa Senhora fez este pedido quando apareceu a Fantanelle -Itália,  à Pierina Gilli, no dia 06 de agosto do ano de 1967, quando se festejava naquele tempo a Festa da Trasnfiguração do Senhor.

Já em Fátima, a Santíssima Virgem havia ensinado na sua terceira aparição na Cova da Iria a 13 de julho de 1917, aos três pastorzinhos Lúcia, Francisco e Jacinta uma oração a ser rezada diariamente quando fizéssemos sacrifícios e penitências pelos pecadores:

Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria!

Os insistentes apelos da Mãe de Deus à reparação nos coloca numa posição de filhos que devem consolar o seu Coração Materno, que é transpassado de dor pelos pecados dos homens ingratos. Ofereçamos à Santíssima Mãe as nossas orações, o nosso amor, as nossas penitências e sacrifícios deste dia, como um verdadeiro ato de reparação e de amor, a fim de que muitos espinhos dolorosos que perfuram o seu amantíssimo Coração sejam tirados. Supliquemos constantemente e diariamente a conversão dos pecadores, começando por nós mesmos, a viver uma vida de acordo com a vontade de Deus, afastando-nos de tudo aquilo que possa desagradar e ofender o seu Sagrado Coração, não fazendo assim Nossa Senhora sofrer, pois não tem maior sofrimento para a Virgem Santa do que ver seu Filho Divino tão ultrajado e ofendido pelos pecados do mundo.

Os pecados que determinaram os castigos da Primeira Guerra Mundial foram:

1. A imoralidade dos costumes;

2. A decadência do clero, devida ao liberalismo e a tendência à boa vida, mesmo no clero mais conservador;

3. E -evidentemente – a heresia no clero mais progressista, isto é, o Mordenismo, condenado por São Pio X, em 1908.

Dissemos que  os pecados foram a primeira causa do primeiro castigo, e, como disse e mostrou Nossa Senhora aos pastorzinhos, muitas almas se perdiam pelos pecados no começo do século XX. Que dirá hoje?

A nossa reparação oferecida a Deus deve ser de coração, de alma e de corpo. Deus está a espera daqueles que queiram se doar pela salvação do seu próximo. O próprio Jesus nos disse: Não tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos! (Jo 15,13). É isto que Deus espera de nós: Dar a vida por seus amigos!…Dar a vida pela conversão e salvação das almas e do mundo! Ser uma luz para os outros que andam nas trevas e que estão morrendo sem fé e sem esperança. Cada ato de amor oferecido a Deus pela salvação do próximo e do mundo é uma reparação por tantos pecados e blasfêmias cometidos contra a sua Majestade Divina. Cada suor derramado pela implantação do reino de amor de Cristo no coração e nas almas, são espinhos tirados do Coração da Virgem Mãe, pois ela é consolada, quando vê os seus filhos que estavam mortos espiritualmente, sendo ressuscitados para o amor e para a graça divina.

O nosso jejum, o nosso sacrifício e a nossa penitência se tornam poderosos, cheios de frutos e das graças de Deus quando são oferecidos com um coração limpo e renovado, com um espírito novo em Deus. Não adianta querermos mudar o mundo se não mudamos o nosso interior primeiramente, e o primeiro passo que devemos dar diante de Deus é o do arrependimento, pedindo perdão dos nossos pecados. Este é o primeiro ato de reparação que fazemos a Deus, quando começamos o nosso caminho de conversão, renunciando ao pecado e ao mundo; deste ato surgirão muitos outros que se complementarão e se transformarão em luz e graça para as nossas vidas. Se queremos que os nossos atos de reparação sejam perfeitos e agradáveis ao Senhor devemos pedir o auxílio e a graça daquela que mais amou e reparou a Majestade Divina, devemos recorrer à Virgem Santa Imaculada, perfeita oferenda de amor que tanto alegrou o Coração de Deus. Em união com a Virgem Maria , a reparação nunca terá presunção, falsidade ou pecado. Nenhuma imperfeição acompanha o que é feito em união com ela. Os que fazem reparação com a Virgem Imaculada, os fazem com sua fé. O que eles executam imperfeitamente, por distração, cansaço ou outra coisa, torna-se perfeito através da Virgem Maria. Precisamos pedir à Santíssima Virgem, sinceramente e de todo o coração, então ela rezará conosco. Quem tem amor-próprio não conseguirá jamais reparar, pois o amor próprio busca somente aos interesses pessoais, enquanto o amor ao próximo busca os interesses de Deus, pela salvação do mundo.

Publicado em A.R.R.P.I – Santuário de Itapiranga.

Como surgiu a devoção à Nossa Senhora do Rosário

No dia 7 de outubro, celebramos a festa de Nossa Senhora do Rosário, que foi instituída, no ano de 1571, em comemoração à vitória na batalha de Lepanto. Nesse dia, os católicos venceram essa difícil batalha contra os turcos muçulmanos, que ameaçavam invadir a Europa. Posteriormente, a festa foi estendida à Igreja universal, em ação de graças pela vitória nessa batalha.

A origem da devoção a Nossa Senhora do Rosário

Segundo a tradição, no século XIII, São Domingos de Gusmão recebeu a oração do Rosário da própria Virgem Maria, como uma arma para vencer as heresias. Dessa forma, a Virgem do Rosário alcançou a São Domingos a vitória sobre a heresia dos cátaros albigenses e o fez o fundador da grande Ordem dos Dominicanos, também conhecida como Ordem dos Pregadores.

No século XVI, como em outros tempos, a Europa vivia na iminência de uma invasão dos muçulmanos. Em 1453, eles já haviam tomado Constantinopla e ameaçavam tomar também Roma, sede da Igreja Católica. Nesse contexto histórico, o Papa São Pio V, que era da Ordem fundada por Domingos, recebeu de Nossa Senhora a revelação de que os católicos venceriam a batalha contra os muçulmanos por meio da oração do Santo Rosário. Cheio de confiança nessa promessa, o Sumo Pontífice pediu, então, que toda a Igreja Católica, inclusive aqueles que participariam das batalhas, rezassem, com fé e devoção, o Rosário.

Conforme prometeu a Virgem do Rosário, no dia 7 de outubro de 1571, os católicos venceram a memorável batalha naval de Lepanto, no litoral da Grécia, contra os turcos muçulmanos. Em honra desta vitória milagrosa, tendo em vista que os muçulmanos envolvidos na batalha eram muito mais numerosos que os católicos, o Santo Padre instituiu, nessa data, a festa de Nossa Senhora do Rosário.

O pedido de Nossa Senhora do Rosário

[…] É particularmente significativo recordar que Maria Santíssima apareceu aos três Pastorinhos – Lúcia e os irmãos Francisco e Jacinta, recentemente canonizados – sob o título de Nossa Senhora do Rosário. Por isso, em Portugal, a devoção a essa aparição é conhecida como a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

A Virgem Maria pediu que os Pastorinhos rezassem o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra.

Como em outros tempos, há várias guerras pelo mundo e também a ameaça da deflagração de uma Terceira Guerra Mundial. Além disso, os cristãos, especialmente os católicos, são perseguidos pelo mundo inteiro, senão pela violência e pelas armas, ao menos pelas ideologias modernas, marcadamente anticristãs. Sendo assim, o apelo de Nossa Senhora para que rezemos, com fé e devoção, o Santo Rosário permanece mais do que atual.

A festa de Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário e a salvação dos pecadores
Em Fátima, Nossa Senhora revelou os dois últimos remédios contra os males deste mundo: o Santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Essas duas devoções nos ajudarão em nossa renovação espiritual, a nos afastar do espírito do mundo e, em consequência, mudar o nosso modo de ser, de vestir e agir, para não mais ofender Deus. Além disso, essas devoções serão também remédios para os males do mundo, para a conversão e a salvação das almas dos pecadores.

[…]

Somos chamados a permanecer devotos de Nossa Senhora do Rosário e a fazer o propósito de rezar o Terço todos os dias. Aquelas pessoas que já o fazem, podem rezar o Rosário completo, ainda que não seja possível todos os dias.

O caráter missionário do Rosário

Outubro é o mês do Rosário e também o mês das Missões. A princípio, parece que essas são duas realidades não estão relacionadas entre si. No entanto, podemos dizer que a oração do Rosário está intimamente ligada ao chamado missionário da Igreja Católica. Ainda que nem todos os católicos sejam chamados a ser missionários, no sentido estrito da palavra, todos nós podemos e, em certo sentido, devemos rezar pelos missionários. Dessa forma, seremos também missionários, pois colaboraremos com a missão da Igreja Católica de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos (cf. Mc 16, 15).

O Rosário também tem seu caráter missionário quando o rezamos em grupo, nas famílias, nas comunidades, nas escolas e faculdades, no ambiente de trabalho, pois a familiaridade com o mistério de Cristo é facilitada pela oração do Rosário. Ao rezar o Terço, “o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do Seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. Nesse sentido, o Rosário é uma verdadeira escola de evangelização, onde se realiza a missionariedade da Igreja.

Assim, como outrora, somos chamados a rezar o Santo Rosário, a meditar os mistérios de Jesus Cristo na companhia da Virgem Maria, em comunhão com toda a Igreja Católica, por todos os missionários espalhados pelo mundo inteiro, pela paz no mundo, pelos cristãos perseguidos, pela conversão e salvação dos pecadores.

Que Nossa Senhora nos alcance as graças necessárias para rezar, com muita fé e devoção, o Santo Rosário, e para perseverar nessa devoção mariana e cristológica.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

1. Cf. PADRE LUÍS KONDOR. Memórias da Irmã Lúcia, p. 176.
2. Revelações feitas pela Irmã Lúcia ao Padre Agustin Fuentes, postulador da causa de beatificação de Francisco e Jacinta, em uma conversa realizada em 26 de dezembro de 1957.
3. PAPA SÃO JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 1.
4. Cf. idem, ibidem.

Fonte: Canção Nova.

Publicado em Diocese de Sete Lagoas – Minas Gerais.

SANTOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

SOLENIDADE

Precisamente hoje, dia 29 de setembro, a Liturgia da Igreja celebra a Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que aparecem nas Sagradas Escrituras com missões importantes que foram determinadas por Deus. Esses três arcanjos representam a alta hierarquia dos anjos-chefes, o seleto grupo dos sete espíritos puros que atendem ao trono de Deus e são os mensageiros dos decretos divinos aqui na terra, “os espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que vão receber a salvação como herança”. (Hb 1,14).

A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a esses três arcanjos, que são os protetores e os intercessores que vêm do Céu em nosso socorro, pois, como nos ensina São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra Arcanjo significa Anjo principal e, por isso, durante as atribulações do nosso cotidiano, nas tempestades e nos vendavais na vida, eles costumam aconselhar-nos e auxiliar-nos, além, é claro, de levar as nossas orações a Deus, trazendo-nos as mensagens da Providência Divina.

Os três arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael “estão diante de Deus, são os nossos companheiros porque têm a mesma vocação no mistério da salvação: levar em frente o mistério da salvação. Adoram a Deus, glorificam a Deus, servem a Deus”. (Papa Francisco, Homilia em 29 de setembro de 2017). Os três nomes dos arcanjos terminam com a palavra “EL” que significa “Deus”, ou seja, Deus está inscrito nos seus nomes e em suas naturezas. Desse modo, eles trazem Deus a nós, abrem o céu para nós, abrindo, ao mesmo tempo, a terra. Por estarem juntos do Deus Altíssimo, eles podem estar também muito próximos de nós, os seres humanos, incentivando-nos a permanecer na presença do Senhor, adorando-O em espírito e verdade.

Miguel significa “ninguém é como Deus”, ou “semelhança de Deus”. Ele é considerado o príncipe guardião, o guerreiro, o defensor do trono celeste, o fiel  escudeiro do Pai Eterno, o chefe supremo do exército celeste e dos anjos fiéis a Deus.

Miguel é o arcanjo da justiça e do arrependimento, o padroeiro da Igreja Católica e o protetor dos fiéis cristãos. A invocação de seu nome costuma ser de grande ajuda no combate contra as forças maléficas. Ele é citado três vezes na Sagrada Escritura e o seu culto é um dos mais antigos da Igreja. Miguel é chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, ele é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse.

Gabriel significa “Deus é meu protetor” ou “homem de Deus”. Ele é o arcanjo anunciador, por excelência, das revelações de Deus e é, talvez, aquele que esteve perto de Jesus na agonia entre as oliveiras. Segundo o profeta Daniel (9, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias.

No desenvolvimento dessa missão, ele apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento de João Batista, o profeta precursor do Cristo que une o Antigo e o Novo testamentos.

Finalmente, ele foi o embaixador que Deus enviou à Virgem Maria, em Nazaré, para proclamar o mistério da encarnação do Verbo. No episódio da anunciação, Gabriel foi o portador de um trecho de uma das orações mais populares e queridas do povo de Deus, a Ave Maria.

Gabriel é o padroeiro da diplomacia e dos trabalhadores dos correios, comumente associado a uma trombeta, indicando que é aquele que transmite a voz de Deus, o portador das boas notícias, o comunicador da plenitude dos tempos.

Rafael, cujo significado é “Deus te cura” ou “cura de Deus”, exerceu a missão de acompanhar o jovem Tobias, em sua viagem, como seu segurança e guia. Ele é considerado o chefe da ordem das virtudes e o guardião da saúde e da cura física e espiritual. É o padroeiro dos cegos, dos médicos, dos sacerdotes e, também, dos viajantes, dos soldados e dos escoteiros.

No Livro de Tobias são narrados a ajuda e o socorro que Rafael lhe prestou. Para cumprir sua missão, Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarias e acompanhou-o em sua viagem, ajudando-a em suas necessidades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa, a jovem Sara.

Aproveitamos a celebração da Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael para refletirmos sobre o ministério angélico na vida da Igreja e em nossas vidas.

Celebrar os três arcanjos que as Escrituras nos dão a conhecer é, na verdade, celebrar esta comunhão que Deus deseja para os seres humanos e o mundo espiritual. É também uma oportunidade de darmos graças a Deus pelo inestimável auxílio que os santos anjos nos prestam no cotidiano da fé.

Peçamos a São Miguel que nos ajude no bom combate em prol da fé e na luta contra o nosso defeito dominante, o mal, o egoísmo e o pecado. Peçamos a São Gabriel que nos traga sempre mais boas notícias, boas novas de salvação, infundindo em nossos corações a plena certeza de que Cristo está conosco nos caminhos da História, a fim de que não permaneçamos parados ou acomodados. Que ele também nos ajude a desempenhar as nossas atividades diárias com serenidade e proveito espiritual. Peçamos a São Rafael que nos conduza pela mão e nos auxilie no caminho da alegria do Evangelho para que não erremos a estrada e saibamos colaborar nos serviços da comunidade da Igreja.

São Miguel, Gabriel e Rafael são os poderosos ministros de Deus que têm a missão de nos defender na luta contra o mal e de nos ajudar na perseverança na fé e na santidade. Peçamos, hoje, amanhã e sempre, que estes ministros de Deus nos obtenham a graça de corresponder sempre mais, com generosidade e zelo, à vontade do Senhor em
nossas vidas. Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

Publicado em Arquidiocese de Brasília.

Cinco fatos que talvez você não saiba sobre o Padre Pio e seu anjo da guarda

[Na última sexta-feira], 23 de setembro, a Igreja [celebrou] a festa de São Pio de Pietrelcina, o sacerdote dos estigmas e um santo que tinha muita devoção e proximidade ao seu anjo da guarda.

Confira a seguir cinco fatos que você talvez não conhecesse sobre Pe. Pio e os anjos:

1. Achava que todos podiam ver seus anjos da guarda

Segundo a Obra dos Santos Anjos, associação católica que difunde entre os fiéis a devoção dos santos Anjos e possui estatutos próprios aprovados pela Santa Sé, diz-se que quando o Pe. Pio ainda era muito pequeno começou a ter visões do seu anjo da guarda, de Jesus e Maria. Sua mãe disse que ele pensava que todo mundo podia vê-los.

2. Juntos contra o demônio

Em certas ocasiões, o demônio manchava as cartas que seu confessor lhe enviava e seguindo o conselho do seu anjo da guarda, quando chegava uma carta, antes de abri-la, o santo a aspergia com água benta e desta maneira podia lê-las.

“O companheiro de minha infância tenta suavizar as dores que me causavam aqueles impuros apóstatas embalando meu espírito como sinal de esperança” (Carta. I,321), destacava o santo sacerdote referindo-se ao seu anjo da guarda.

Não obstante, certa vez o demônio estava batendo no Pe. Pio e o santo chamou várias vezes em voz alta seu anjo da guarda, mas foi inútil. Em seguida, quando o anjo apareceu a consolá-lo, Pe. Pio zangado lhe perguntou por que não o socorreu.

O anjo lhe respondeu: “Jesus permite estes assaltos do diabo porque Sua compaixão te faça querido dele e queria que te assemelhasses com isso ao deserto, o jardim e a cruz” (Carta I, 113).

3. Traduzia as cartas

Quando recebia alguma carta escrita em francês, o anjo da guarda a traduzia. Uma vez, Pe. Pio escreveu: “Se a missão de nosso anjo da guarda é importante, a do meu com certeza é maior, porque também deve ser professor na tradução de outras línguas” (Carta I,304).

4. Seu anjo o despertava e rezava com ele

Narrava o Santo capuchinho: “De noite, fechava meus olhos, via descer o véu e abrir-se diante de mim o paraíso; e, consolado por esta visão, durmo com um sorriso doce e feliz nos lábios e com uma grande tranquilidade no meu semblante, esperando que meu pequeno companheiro de infância venha despertar-me e, desta forma, rezar juntos as orações matutinas ao amado de nossos corações” (Carta I,308).

5. Falava com outros anjos da guarda

“Se precisarem de mim – repetia o santo aos seus filhos espirituais –, podem me mandar seu anjo da guarda”. Certo dia, Frei Alessio Parente (Frei menor capuchinho) aproximou-se de Pe. Pio com algumas cartas na mão a fim de fazer-lhes algumas perguntas e o Pe. Pio não pôde atendê-lo.

Em seguida, o sacerdote dos estigmas o chamou e disse: “Não viu todos aqueles anjos que estavam aqui ao meu redor? Eram os anjos da guarda dos meus filhos espirituais que vieram trazer-me suas mensagens. Tive que responder-lhes rapidamente”.

O venerado Pe. Pio de Pietrelcina sempre reconheceu e agradeceu a missão do anjo da guarda como “mensageiro” e por isso recomendava a devoção a eles.

Fonte: Acidigital

Publicado em Carmelo Cristo Redentor.

Imagem: Associação Regina Fidei – Artigo: “O melhor amigo do Padre Pio: o Anjo da Guarda”.

A paciência tudo alcança

Wikipédia

Uma das súplicas que pedimos e ouvimos com mais frequência é: “Ah, meu Deus, dê-me paciência!”. Incessantemente suplicamos ao Senhor essa virtude, porém nos falta perspicácia suficiente para perceber que Deus concede a virtude aliada à prática.
Nosso Senhor, em sua infinita sabedoria, nos proporciona ocasiões para que sejamos pacientes. O hábito faz a perfeição! Quer ser paciente com seu esposo ou sua esposa, com seu pai e mãe, irmãos e amigos? Então, aproveite as oportunidades que o Senhor lhe concede e pratique a paciência.

Quantas vezes você se deparou com uma situação na qual era suficiente um pouquinho mais de paciência para ser resolvida? Bastava respirar fundo e oxigenar o cérebro ao invés de responder com tanta aspereza. Vejamos a recomendação que a Palavra de Deus nos dá: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Eclesiastes 7,8b-9). Percebe como a pedagogia de Deus é diferente da nossa?

Na oração de Santa Teresa D’Ávila há uma referência sobre a paciência que diz: “a paciência tudo alcança”. Todavia, para alcançar esse “tudo” precisamos de muita luta espiritual, muito silêncio. Se for preciso “engolir um sapo” de vez enquanto, não há problema, o importante é atingir nossa meta principal: a eternidade. Não à toa os santos costumavam dizer que uma das formas de martírio, além da morte de espada, era o da paciência. Assim sendo, ser paciente é uma via segura que nos conduz à santidade. Alcançamos a fortaleza nas adversidades cultivando a paciência. Porém, o sofrimento somente é vencido pela graça de Deus unido a nossa perseverança.
“O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida”.

Esta virtude dos fortes, cada vez mais escassa em nossa convivência, exige, antes de tudo, a confiança em Deus. A paciência é o alimento que sustenta o diálogo. Quando o fio da comunicação familiar se fragiliza, nada melhor do que a prática desta virtude. Quantas famílias se desestruturam, separam-se devido à falta de diálogo, de uma boa conversa ao pé do ouvido com o cônjuge ou com os filhos! Por vezes, trocamos a paciência pelo orgulho. Recordemos novamente: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso” (Ecle 7,8b).

Fixamos uma ideia na cabeça e nada nos faz voltar atrás; não admitimos erros, sejam os nossos ou de outros. Colocamos uma barreira que nos distancia dia após dia. O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida. Nosso erro maior não é falhar por tentar, mas desistir sem ao menos ter tentando. Necessitamos, contudo, de muita coragem para superar essas fragilidades provocadas pela fraqueza humana, e os fortes de espírito encaram esse desafio da convivência familiar na dificuldade, porém com confiança; ao contrário dos fracos, que lhes faltam o equilíbrio e ousadia para, sem medo, arriscar vencer as barreiras.

Outros pensam que, por serem fracos, não conseguirão, pois suas forças são poucas. Além de lhes faltar coragem, falta-lhes confiança na misericórdia de Deus que tudo sonda. Nesta perspectiva, inúmeras famílias, em seu íntimo, carecem de esperança: esperança em pagar as dívidas, esperança na união da família, esperança no obstáculo das drogas e álcool, esperança contra a violência, esperança na fidelidade conjugal e no futuro. O fundamento da esperança está justamente na paciência como ouvimos dizer da Sagrada Escritura: “a paciência prova a fidelidade, e esta comprovada produz esperança. E a esperança não engana” (cf.Romanos 5,4-5). Irmãos, a esperança não engana, pelo contrário, ela elucida a nossa paciência em todas as atribulações, pois, na provação, resta-nos apenas esperar com paciência a graça vinda de Deus.

A paciência também nos salva, pois o Senhor utiliza dela conosco. São Pedro nos afirma: “O Senhor não retarda o cumprimento de suas promessas, como alguns pensam, mas usa dela convosco. Ele não quer que ninguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam” (cf. II Pedro 3,9).
Ora, se nosso Senhor usa de paciência conosco, isso é sinal de misericórdia. Não sejamos diferentes para com aqueles que atravessam nosso caminho, mas sejamos sinais de salvação para quem precisa. Seja paciente e tolerante com a vizinha que insiste em fazer fofoca; seja paciente consigo na luta contra o pecado; tenha paciência nas relações difíceis, porque, no tempo certo, a transformação virá e, então, você colherá os frutos das sementes lançadas nos sulcos da paciência. Só lhe falta a paciência quando lhe falta oração.

Façamos juntos a oração da mística e doutora da Igreja:
Nada te perturbe,
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!

Santa Teresa de Ávila

Fonte: Rodrigo Stankevicz

Publicado em Rádio Fraternidade.

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