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“São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro”

ESTUDO

“São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher – à procura do Deus verdadeiro”

João da Cruz: um homem que orienta a busca do Deus verdadeiro para o homem e a mulher de hoje. Um homem que viveu há quase meio milênio, em que pode contribuir para as pessoas do terceiro milênio?
Sem dúvida, São João da Cruz ilumina a busca de Deus, do Deus verdadeiro, que realmente preenche o vazio e restitui O SENTIDO à existência humana.A atualidade do seu pensamento está na resposta satisfatória que ele consegue dar às angústias dos homens. Tenta penetrar o coração do homem e acalmá-lo nas suas revoltas, apresentando o ideal da unidade: DEUS. A situação “do homem”, de São João da Cruz, é a de homem de sempre: a busca do Absoluto, o ideal da perfeição, da libertação do nada, o encontro com o TUDO (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz vem nos dizer que somente Deus pode plenificar o coração do homem. Ele é uma pessoa que faz a experiência do Absoluto em sua própria vida e, como um grande Mistagogo, consegue, a partir da própria experiência, nos conduzir seguramente a Deus. A busca de Deus é também busca de unidade interior. Porém, esta é uma busca árdua, difícil que exige força de vontade e empenho. É a ascese de que nos fala Platão no ilustre “Mito da Caverna”, referindo-se à alma que, saindo da caverna das suas sombras, quer contemplar não mais apenas as sombras, mas as realidades em si mesmas; quer não apenas reflexos de luz, mas, ao contrário, quer poder contemplar o próprio sol. Aquele que sai da caverna, num primeiro impacto com a claridade pode querer deixar a luta iniciada e permanecer nas sombras, temendo o enorme grau de esforço que será necessário empreender para acostumar-se definitivamente com a luz e, um dia finalmente, poder suportar olhar para o sol. Mas o desejo de “plenitude” o impulsionará em sua busca e não o deixará desanimar, pois o ser humano tem sede de infinito, tem sede de Deus.
João da Cruz nos ensina com a própria experiência que vale a pena a busca, apesar das dificuldades. É necessário ter claro diante dos olhos o ideal, a meta e investir tudo para atingi-la. Ele mesmo era um homem feliz, porque sabia onde queria chegar: tinha clareza de objetivos. Ele não vive simplesmente por acaso, mas vive e sabe porquê de seu viver. Mesmo em meio às adversidades, aos contrastes sombrios e turbulentos da vida, ele não desanima. Continua caminhando tranqüilo e sereno porque as dificuldades não lhe ofuscam a visão, e seu ideal continua visível aos olhos. Mesmo nas “noites” Deus continua resplandecendo em sua vida e na vida de todo homem, mesmo se, aparentemente dê a sensação de estar ausente.

A dificuldade da busca e a certeza do encontro

No cárcere, em Toledo, na experiência dura da incompreensão de seus confrades, na experiência do aparente silêncio e abandono de Deus, João sabe que a ausência é realmente aparente, e a sua se torna uma solidão “povoada” por Deus.

“Aquela eterna fonte está escondida,
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda origem dela vem,
Mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
E que ninguém pode nela a vau passar,
Mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
E sei que toda luz dela é nascida,
Mesmo de noite.

Sei que tão caudalosas são suas correntes,
Que céus e infernos regam, e as gentes,
Mesmo de noite.

A corrente que desta fonte vem,
É forte e poderosa, eu sei-o bem,
Mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
Sei que nenhuma delas a precede,
Mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
Que nela se saciam às escuras,
Mesmo de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida já a vejo,
Mesmo de noite.”

João permanece fiel a Deus e o deseja, o busca porque é convicto de sua presença. Ele SABE que mesmo na escuridão pode confiar que a sua fonte está presente e que ele pode dela beber e saciar-se abundantemente. É o que lhe dá sustento na caminhada.

A Pós-Modernidade e a “privatização do divino”

A busca do transcendente excessivamente valorizada na Pós-Modernidade é uma busca em muitos aspectos egoísta, reflexo da atitude de um mundo onde o individualismo floresce vicejante no campo da competição pelo poder, pela riqueza e pelo status. Busca-se o privado, aquilo que satisfaz o indivíduo sem levar em conta o coletivo, a comunidade.

“A individuação de Deus na experiência privada da vivência da fé conduz ao desconhecimento do outro, porque satisfaz por si mesma… Uma atitude coerente com a busca da felicidade pessoal, recusa de sacrifícios pelos outros, liberação das imposições tradicionais, hedonismo no plano afetivo… A complexidade e diversificação deste espaço multifacetado para a vivência da fé possibilita que o indivíduo, nas suas reações, tenha como centro a si mesmo, caracterizando o individualismo”. (MOL, Joaquim Giovanni. In: Individualismo cultural e vivência da fé – dissertação de mestrado).

“O excessivo sucesso do esoterismo, da parapsicologia, mentalização psicológica, Yoga, para chegar à paz interior não é outra coisa que a tentativa de substituir a Deus. Estes meios, todavia, não são capazes de reunificar o homem, de alcançar-lhe a harmonia na qual foi criado e para a qual tende após a Redenção. O menor dos danos que essas pseudo-doutrinas podem gerar é a desembocadura em um naturalismo puro, que não liberta de nossas escravidões e limitações. O homem novo não é construído em cima de sua própria natureza, em cima de seu próprio barro. Ele nasce da postura de permanecer como objeto a ser remido por Deus” (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz: abertura a Deus que não exclui o próximo

São João da Cruz não se fecha em si mesmo na sua experiência de Deus. A sua é uma experiência relacional com Deus que se prolonga no outro. A sua [experiência] não é uma busca egoísta de Deus para aprisioná-lo em si mesmo. Ao contrário, ele se torna mistagogo. Nos ajuda a fazermos também nós o nosso encontro com o Deus verdadeiro. Ele é uma pessoa feliz, realizada, que sente a necessidade de comunicar sua experiência, deixar que ela transborde para que outros possam se beneficiar.
O Deus ao qual João nos conduz é um Deus próximo. Está tão perto de nós, que habita dentro de nós e nos leva para dentro de si. Contudo, não nos aprisiona, nem nos escraviza, mas nos propõe uma relação de liberdade. Precisamos descer ao fundo de nós mesmos e encontrá-lo. Ele está escondido em nosso ser. Essa busca do divino no mundo atual, mostra justamente esta realidade: O Amado atrai como um ímã, quer ser buscado e quer ser encontrado.

“Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo, fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, por ventura virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu Amado.
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado.

Extingue os meus anseios
Porque ninguém os pode desfazer
E vejam-te meus olhos
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.”

(Cântico Espiritual – Granada 1584 – 1586)

João orienta a busca do Deus que ele denomina como AMADO. Porém, é preciso silenciar tudo em nós para iniciarmos a busca e encontrarmos Deus.
Deus sabe que o coração do ser humano tem sede de infinito, tem sede de beber da fonte na qual tem sua origem. O coração humano vive na procura nostálgica de sua origem e estará “inquieto e insatisfeito enquanto não repousar em Deus”.
O homem e a mulher de hoje procuram Deus e muitas vezes tem a ilusão de o terem encontrado em realidades que não são, de fato orientadas para o DESEJADO, o AMADO, como O chama São João.
São João da Cruz pode orientar este homem e esta mulher inquietos na busca de Deus.
Às vezes nos é transmitida uma falsa imagem da figura deste santo, ao ponto de nos parecer inacessível e inatingível. Mas, ao contrário, São João da Cruz é uma pessoa muito próxima de nós. Viveu seu cotidiano buscando, com toda a sua energia a Deus. Também ele experimentou e sentiu o “silêncio de Deus” e dos homens.
O segredo dele está no fato de ter claro o que realmente queria. Era convicto do amor, da bondade e da presença de Deus. Era convicto de que Deus é fiel e nele se pode confiar e esperar, mesmo de noite.

Publicado em Discípulas de Jesus Eucarístico (Poesias). Autoria: Ir. Andréa dos Santos Lourenço.

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Por que e como devemos nos preparar para a Festa de Pentecostes?

File:Maino Pentecostés, 1620-1625. Museo del Prado.jpg - Wikimedia Commons

 Estavam os apóstolos preparados para sua sublime vocação?

Era de supor que, após três anos de convívio diário com Nosso Senhor Jesus Cristo, estivessem preparados para a missão que lhes cabia, de firmar e expandir a Santa Igreja.

Contudo, não o estavam. Em várias passagens do Evangelho, vemo-los repletos de fragilidades. Logo após episódios, sermões e milagres impressionantes, não se punham a fazer comentários sobre a grandeza das palavras ou dos gestos do Mestre, mas sim a discutir a respeito de quem seria o primeiro-ministro num suposto reino temporal que, acreditavam, Cristo iria fundar…

Quando Jesus lhes dizia que estavam para se cumprir as profecias a respeito de sua Paixão, Morte e Ressurreição, eles nada entendiam (Lc 18, 31-43), voltando a disputar sobre quem seria o maior (Mc 9, 31-35). A mãe de João e Tiago aproximou-se um dia de Jesus, acompanhada pelos dois filhos, para Lhe pedir que reservasse para eles os dois primeiros cargos do futuro reino (Mt 20, 2028).

No fim da Santa Ceia, logo após a saída de Judas, houve um diálogo revelador. Depois de Pedro dizer que estava disposto a dar a vida pelo Mestre — declaração que Jesus não aceitou, profetizando-lhe a tríplice negação —, Tomé manifestou sua cegueira sobre os acontecimentos iminentes, e Filipe demonstrou não estar plenamente consciente da divindade de Jesus, pedindo-lhe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. Ao que Nosso Senhor replicou: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim?” (Jo 14, 2-10).

Por que os Apóstolos não compreendiam?

Esta era a situação daqueles que Jesus Cristo convocara para serem as colunas de sua Igreja. Não O compreendiam. Por quê? Entre as várias explicações possíveis, três parecem de maior peso.

Em primeiro lugar, o ser humano, debilitado após o pecado original, não tem apetência de elevar as vistas para as verdades superiores. Seu gosto está em voltar-se para cogitações meramente práticas, concretas, atraído pelos aspectos medíocres da vida.

Por isso não se dá conta daquilo de grandioso para o qual é chamado. Este problema se coloca de forma mais aguda para quem tem vocação incomum, como ocorreu com os apóstolos: não percebiam que lhes cabia a maior missão da história.

Outra explicação é de natureza psicológica. A sociedade de Israel era bem hierarquizada, tendo no topo a raça dos sacerdotes, e depois toda uma coorte de pessoas vinculadas com o sacerdócio ou a realeza, como os escribas, os fariseus e a classe mais abastada.

De outro lado, a Galileia era uma região desprezada, considerada “bárbara” e ignorante. Ora, os apóstolos eram quase todos galileus e pescadores. Sentiam-se, portanto, em certa inferioridade. Agora lhes aparecia a oportunidade de subirem aos primeiros cargos do novo reino…

Faltava-lhes o amor

Por fim, faltava-lhes um amor ardoroso por Nosso Senhor. Se o tivessem, todo o resto se resolveria. Não adiantava assimilarem a doutrina, nem mesmo ter fé e esperança, pois essas virtudes de nada valem se não são acompanhadas pela caridade.

Nem após a Ressurreição de Nosso Senhor desapareceram essas fragilidades. A incredulidade de São Tomé é exemplo característico. Passou o Senhor entre eles mais quarenta dias, e fez lhes revelações e deu ensinamentos. Não adiantou.

Com o que continuavam preocupados? Com a restauração do reino de Israel… Ainda no momento da Ascensão, quando o Divino Mestre lhes fala da vinda próxima do Espírito Santo, eis como reagem: “Então os que se tinham congregado, interrogavam-No dizendo: Senhor, porventura chegou o tempo em que restabelecereis o reino de Israel?” (At 1, 6).

Preparação para a vinda do Espírito Santo

Imediatamente antes da Ascensão, Jesus havia ordenado aos apóstolos que não se afastassem de Jerusalém, pois dentro de poucos dias seriam batizados no Espírito Santo. Voltaram, então, para a Cidade Santa, e subiram ao andar superior do cenáculo: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele”.

Vemos também como os apóstolos conheciam o valor da oração. Por meio dela se preparavam para receber o Espírito Santo. E “perseveraram unanimemente”, ou seja, estavam concordes, e, além disso, estavam juntos, porque a oração de vários unidos pelo amor de Jesus Cristo e em função d’Ele tem esta promessa: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18, 19).

Estavam recolhidos, modo excelente de preparação para grandes acontecimentos. O próprio Jesus passara 40 dias no deserto, antes de iniciar sua vida pública.

Embora não se possa dizer que os apóstolos estivessem melhores do que antes, haviam tomado, assim, uma atitude sapiencial. A graça de Pentecostes será, de algum modo, o desabrochar de uma flor, cuja semente vinha germinando em suas almas.

Intercessão de Maria

Quer dizer, apesar de essa graça ter sido gratuita, uma iniciativa de Deus, eles, em certa medida, prepararam o caminho para ela. Por fim chegamos a um ponto fundamental: oravam com Maria.

Eis a condição indispensável para receber as graças do Espírito Santo. Como esposa d’Ele, Nossa Senhora deve Lhe ter pedido que descesse sobre os apóstolos. Reunindo-se com a Santíssima Virgem, os apóstolos obtiveram graças que liberaram suas almas dos últimos obstáculos para se beneficiarem com Pentecostes.

Enviai o Vosso Espírito

Para aproveitarmos convenientemente as graças da comemoração de Pentecostes, que se aproxima, consideremos a maravilha da ação santificadora do Espírito Santo em nossas almas.

Quão necessitado está o mundo, na situação presente, de um sopro especial d’Ele para mudar os corações e renovar completamente a face da Terra!

Peçamos à divina Esposa do Paráclito, Mãe e Senhora nossa, que nos obtenha a graça da vinda o quanto antes deste Espírito regenerador à nossas almas, conforme suplica a Santa Igreja: “Emitte Spiritum tuum et creabuntur, et renovabis faciem terræ” — “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra”.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.5, maio 2002.

Publicado em Gaudium Press (Redação (20/05/2021).

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“Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Ecle 7,8b-9).

O que não pudermos mudar em nós ou nos outros, deveremos aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Ninguém perde por esperar!

Maria, nossa Mãe, é a mulher da paciência. Sempre soube esperar o desígnio de Deus se cumprir, sem se afobar, sem gritar, sem reclamar… A paciência é amiga do silêncio e da fé. É a paciência que nos levará para o céu!

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência (…) não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência.” (Eclo 2,1-3)

“Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação.” (idem 4-6)

Muitas vezes, a vontade de Deus permite que as cruzes nos atinjam; curvemos a cabeça com humildade e paciência. Muitos estão prontos para fazer a vontade de Deus no “Tabor da transfiguração”, mas poucos no “Calvário da crucificação”.

Sejamos como Nossa Senhora, que disse o “sim” no momento da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o manteve na Apresentação d’Ele, na fuga para o Egito, no Pretório, na perseguição ao Senhor, no caminho do Calvário e também aos pés da sua cruz.

Beijar, agradecidos, esta mão invisível que, muitas vezes, permite que sejamos feridos, agrada a Deus e nos atrai as bênçãos do Céu.

Para meditar: ensinamentos dos Santos Doutores

Santo Afonso: “Neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus.” Segundo ele, “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

São João Crisóstomo: “É melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem.”

Santo Agostinho: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento.”
“O martírio não depende da pena, mas da causa ou fim pelo qual se morre. Podemos ter a glória do martírio sem derramar o nosso sangue, com a simples aceitação heroica da vontade de Deus.”

Publicado em catholicus.

Veja mais:

Tem paciência contigo! (Prof. Felipe Aquino).

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Nossa Senhora do Rosário – Wikipédia, a enciclopédia livre
Nossa Senhora do Rosário (WIkipédia)

Muitas e grandiosas são as glórias de Maria Santíssima, pelas quais não cessam de propagar e cantar seus louvores todos os seus servos. Não apenas os anjos e santos nos céus, mas também nós os pecadores glorificamos com confiança todos os dias a tão excelsa mãe. Não podia portanto, a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada,calar-se a respeito da mais sublime de todas as criaturas. Apresentaremos um pequeno resumo de como as Sagradas Escrituras exaltam e testemunham às glórias de Nossa Senhora.

“Entrando o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’”  ( Lc 1, 28 )

Eis, proclamado pelo próprio anjo Gabriel, o privilégio extraordinário da Imaculada Conceição de Maria e sua santidade perene. Quando a Igreja chama Maria de “Imaculada Conceição” quer dizer que a mesma, desde o momento de sua concepção foi isenta – por graça divina – do pecado original. Se Maria Santíssima tivesse sido gerada com o pecado herdado de Adão ou tivesse qualquer pecado pessoal, o Arcanjo Gabriel teria mentido chamando-a de “cheia de graça”.Pois, onde existe esta “graça transbordante” não pode coexistir o pecado. Por isso, esta boa Mãe é também chamada pelos seus servos de “Santíssima Virgem”. Os santos ensinaram que não convinha a Jesus Cristo, o Santíssimo, ser gerado e nascer de uma criatura imperfeita e pecadora. Como podia o Santíssimo Deus, Jesus Cristo, ser engendrado num receptáculo que não fosse digno Dele? Pois, Ele mesmo, ensina no Evangelho, que não se coloca vinho novo e bom em odres velhos e defeituosos (Lc 5, 37 ). Eis porque, o Criador elevou Maria, a este “Vaso Insigne de Devoção”, a tão grande santidade.

“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”  ( Lc 1, 38 )

Maria,ao dizer seu “sim” incondicional ao convite de Deus, introduz no mundo o Verbo Divino, Jesus Cristo. E, fato assombroso: a criatura gera o seu Criador segundo a natureza humana. Jesus poderia ter vindo ao mundo de diversos modos. Mas, Deus a ama tanto, que quis precisar nascer e depender dela, enquanto homem. Maria, com sua sagrada gravidez inicia o restabelecimentoda amizade entre Deus e os homens, conforme está escrito: “Por isso,Deus os abandonará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz” ( Miq 5,2 ). Com este “sim” incondicional ao projeto de Deus, Maria cumpre também, a primeira de todas as profecias bíblicas. Pois o Criador disse à serpente: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tul he ferirás o calcanhar” ( Gn 3, 15). O texto evidentemente faz alusão à Maria. Pois qual mulher poderia ferir a cabeça do demônio? Somente aquela que trouxe ao mundo o Salvador, Cristo Jesus. Maria ao aceitar a missão que Deuslhe confiava e ao gerar a Jesus Cristo “feriu” a cabeça do inimigo. O inimigo por sua vez, agindo na pessoa de Herodes, dos algozes do Calvário e ainda hoje nos adversários de Cristo, continuamente lhe “fere o calcanhar”. Assim, esta Doce Princesa iniciou a devastação do reino de Satanás. Reino de Morte que será destruído totalmente pelo seu filho JesusCristo, nosso Único Senhor.

“Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” ( Lc 1, 48 )

Os santos proclamam a profunda intimidade dela com a Santíssima Trindade: Filha deDeus Pai, esposa do Espírito Santo, mãe de Deus Filho! O Espírito Santo profetiza pelos lábios de Maria, que daquele momento em diante de geração em geração, isto é, para sempre, todos os cristãos proclamariam sua bem-aventurança. Feliz a religião [Igreja Católica]que a enaltece e a glorifica! Felizes os seus filhos que exaltando-a e enaltecendo-a cumprem fielmente esta profecia.

“Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor ? “ ( Lc 1, 43)

Isabel, mulher idosa e santa, esposa de Zacarias, mãe de João Batista desmancha-se em elogios àquela jovem que foi até sua casa para servir! Que lição de humildade a tantas pessoas que com sua “sabedoria” (que na verdade é pestífera loucura) evitam tributar à Santa Mãe de Deus os louvores que ela merece, temendo que isto diminua a glória devida a Jesus Cristo. Esquecem, então, que o Espírito Santo mesmo ensina, que o louvor dirigido aos pais é grande honra para o filho (conf. Eclo 3, 13 ). Preferem portanto, os verdadeiros filhos de Maria, em todos os tempos, lugares e momentos, exaltarema Virgem, imitando o exemplo de Santa Isabel, para serem seguidores fiéis da Sagrada Escritura.

“Poisassim que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceude alegria no meu seio” ( Lc 1, 44 )

Cristo testemunhou a respeito de João Batista: “dos nascidos de mulher nenhum foi maior que João” ( cf. Lc 7 28 ). Pois bem. Este mesmo João Batista, que Jesus Cristo declara ter sido maior que todos os Patriarcas, Profetas e Santos do Antigo Testamento, ao ouvir a doce voz de Maria “estremeceude alegria”. O Espírito Santo, que nele habitava, exultou de alegria ao ouvir a voz da doce Mãe! Não é, pois justo, a nós que somos os últimos de todos, exultar de alegria ao ouvir o doce nome de Maria? Não nos é sumamentenecessário imitar o Espírito Santo? Não é proveitoso para os cristãos imitaremo gesto de São João Batista?

Bendito os servos de Deus, que não se cansam de se alegrar e cantar os louvores desta Senhora, imitando assim o gesto do Divino Esposo e de São João Batista, o maior profeta da Antiga Aliança.

“Euma espada transpassará a tua alma” ( Lc 2, 35 )

Umal ança transpassou o coração do Cristo na Cruz. Uma espada de dor transpassou o coração de Maria no Calvário! Deus revela ao profeta Simeão, como Nossa Senhora estaria intimamente ligada a Jesus Cristo no momento da Sagrada Paixão. Ninguém,em toda a terra, em todos as épocas, esteve mais intimamente ligado a Jesus naquele dramático momento que sua Santíssima Mãe. Portanto que, junto com o sacrifício expiatório, doloroso e único de Jesus Cristo, no Calvário, subiu também aos céus, como oferta agradabilíssima diante de Deus, o sacrifício doloroso de Nossa Senhora.

“Comoviesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles não tem mais vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou’. Disse então sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’” (Jo 2, 3 – 5 )

Na festa do casamento de Caná, Jesus iniciou seu ministério. Ministério, aliás,composto por pregação e “obras” (milagres). A Santíssima mãe percebeu a dificuldade daquela família, que não tinha vinho para os convidados. A boa Senhora é vigilante, e os servos dela sabem, que ela vigia sobre eles, mesmo quando não se apercebem dessa vigilância. Jesus afirmou então claramentea Maria que, ainda não era o momento para iniciar seu ministério com um prodígio, pois disse: “minha hora ainda não chegou”. ASantíssima mãe, conhecendo profundamente o filho, mesmo diante da aparente recusa, o “obriga” docemente a antecipar sua missão. E assim, sem discussão, na mais plena confiança, diz aos serventes: “façam o queele lhes disser”. Grandíssima confiança! Assim, aquela que o introduziu no mundo segundo a carne, o introduz agora no seu ministério, pela sua intercessão. Feliz a família que tiver por mãe esta doce Senhora. Suaintercessão é infinitamente mais eficaz do que as orações de todos os santos que pedem sem cessar pelos habitantes da terra ( conf. Ap 6, 9-10 . 8, 3-4 ; II Mac 15,11-16 ).

“Disse-lhe alguém: ‘Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te’. Jesus respondeu:‘Quem são meus irmãos e minha mãe? (…) Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’. ( Mt 47, 49-50 )

Somente pertencemos a Cristo na medida em que pertencermos à nossa Mãe Santíssima. “Quem são meus irmãos e minha mãe?” pergunta o Cristo. E aponta para os seusdiscípulos: “eis aqui a minha família!”. E, doravante, somente os que forem discípulos do mestre, ouvindo as suas palavras e as cumprindo poderão pertencer plenamente a esta família. Por isto, como doce discípula, Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” ( Lc 2, 19.51). Meditava e as guardava! Eis o exemplo da perfeita discípula. Maria, com efeito, não é mãe apenas na carne, mas na vida toda, na alma e na total obediência ao seu Divino Filho.

Alguns,que não amam suficientemente a Santíssima Virgem, usam estes versículos acima, justamente contra ela, tentando convencer-nos de que Jesus a teria desprezado naquele momento. Esses “estudiosos” esquecem que Jesus jamais desprezaria sua mãe, conforme ensina o próprio Espírito Santo: “Apenas o filho insensato despreza sua mãe” ( Pr 15, 20 ). E assim, com estainterpretação desastrosa, que espalham ardorosamente, ofendem não apenas a boa Mãe, como blasfemam contra Jesus Cristo, como se o mesmo fosse violador do sagrado mandamento: “Honra teu Pai e tua Mãe” ( Ex 20,12 eDeut 5,16 ).

“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’” (Jo 19, 26-27 )

O apóstolo João, aos pés da cruz, o único discípulo presente, representava todos os discípulos. Neste momento, Jesus consagrou Maria, Mãe espiritual dos apóstolos. Mais ainda: João representava também, todos os homens e mulheres, detodos os lugares e de todos os tempos, que a partir daquele momento ganharam Maria como sua Mãe espiritual. Isto está de acordo com o testemunho deste mesmo apóstolo, que em outra parte diz: “O Dragão se irritou contra a mulher (Maria) (…) e sua descendência, aqueles que guardam os mandamentos de Deus(…)” ( Ap 12, 17 ).

MariaSantíssima não teve outros filhos naturais. Permaneceu sempre virgem, como era do conhecimento universal dos primeiros cristãos até os nossos dias. Mas,muitos insistem em “presenteá-la” com filhos naturais que el não teve. Fazem isto, para diminuírem a glória de Jesus Cristo, bem como para esvaziarem Maria de sua maternidade universal. Se Jesus tivesse irmãos carnais,não teria entregue sua Mãe aos cuidados de João Evangelista. Seus próprios irmãos naturais cuidariam dela, como era dever sacratíssimo na época e ainda hoje. Além disso, citam aqueles que não amam a Virgem Maria algumas passagens bíblicas como a seguinte: “Não se chama a sua mãe Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” ( Mt 13,55 ), querendo com isto provar que Nossa Senhora teve outros filhos. Esquecem ou ignoram, que nos tempos de Cristo, todos os parentes eram chamados “irmãos”. Ea própria Bíblia prova isto, pois dos quatro “irmãos” acima citados, lemos que a verdadeira mãe de Tiago e José era uma outra Maria, irmãd e Nossa Senhora e casada com Cleofas ( Jo 19,25 e Mc 15,40 ). E que Judas era irmão de Tiago Maior (Jud 1,1 ) filho de Alfeu ( Mt 10, 2-4 ). Ora, Cleofas e Alfeu designam a mesma pessoa, pois são formas gregas do aramaico Claphai. Segundo o historiador Hegesipo (século II) este Claphai era irmão de S. José. Logo não eram filhos naturais de Maria e José. Eram de sua parentela, mas nãod e sua filiação. Além disso, os primeiros cristãos, que conheceram Jesus e os apóstolos, nos escritos que nos deixaram, todos testemunharam que Maria sempre permaneceu virgem, não tendo jamais outros filhos. Sobre estes inventores de novidades a Bíblia nos previne: “Haverá entre vós falsos profetas (…)muitos seguirão as suas doutrinas dissolutas (…) e o caminho da verdade cairáem descrédito” ( II Pe 2, 1-2 ).

“E desta hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” ( Jo 19,27 )

Daquela hora em diante, S. João levou a Santa Mãe para sua casa. Primeiramente para sua“casa espiritual”, sua alma. Esse é o motivo pelo qual era o discípulo que Jesus mais amava. Porque também, era o discípulo mais afeiçoado a Maria. Depois, levou-a para sua casa material, seu lar. Assim também, o verdadeiro filho de Nossa Senhora, a exemplo de S. João, deve levar esta boa mãe para seu “lar espiritual”, no recesso mais íntimo de nossa vida espiritual. E convidá-la também para habitar nossas casas, onde sua presença maternal poderá ser recordada através de quadros e imagens. Estas imagens serão para os servos de Maria, uma lembrança contínua e consoladora de sua presença e proteção, da mesma forma que o próprio Deus, antigamente,consagrou o uso das sagradas imagens e esculturas no culto divino (conf. Nm21, 8-9 ; Ex 25, 18-20 ; I Reis 6,23-28 etc ), para recordar, a sua presença amorosa no meio do seu povo, Israel.

“Todos eles perseveravam unanimemente em oração, juntamente com as mulheres, entre elas, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele” ( At 1,14 ).

No cenáculo, no dia de Pentecostes, Maria juntamente com os discípulos suplicavampara que viesse o Espírito Santo sobre todos. E assim, foi fundada a Igreja naquele dia. Maria, uma vez tendo introduzido o Cristo no mundo, depois tendo inaugurado seu ministério nas bodas de Caná, agora intercede, introduzindo einaugurando a ação do Espírito Santo sobre a Igreja nascente. Eis a mãe da Igreja com seus filhos.

“Apareceuem seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida de sol, a lua debaixodos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” ( Ap 12, 1)

No Apocalipse, João contempla nesta visão três verdades a respeito de Maria: sua Assunção, sua glorificação, sua maternidade espiritual. O Apocalipse afirma que esta mulher “estava grávida e (…) deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações…” ( Ap 12, 2.5 ). Qual mulher,que de fato, esteve grávida de Jesus senão a Santíssima Virgem? (conf. Is 7,14 ). Muitos contestam, dizendo que esta mulher é símbolo da Igreja nascente. Mas, a Igreja nunca esteve “grávida” de Jesus Cristo. Não é a aIgreja que nos gerou Cristo. Antes, foi Ele que gerou a Igreja. Foi Ele que a estabeleceu e a sustentou. E para provar que esta mulher é exclusivamente Nossa Senhora, em outro lugar está escrito: “O Dragão (…) perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino” ( Ap 12, 13 ). A Igreja teria dado à luz a um Menino? Evidente que não! Portanto esta mulher refulgente é unicamente Nossa Senhora, pois foi ela unicamente que gerou “o menino” prometido nas Escrituras: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz (…) Porque nasceu para nós um menino (…) e Ele se chama Conselheiro, Admirável, Deus Forte, Pai para Sempre, Príncipe da Paz” (Is 9, 1-5).

Tambémas Sagradas Letras, nos dizem que ela se encontrava com “dores, sentindo as angústias de dar à luz” (Ap 12, 2). Essas dores e angústias foram as dificuldades que cercaram aquele bendito parto: a viagem desconfortável, o frio, a humilhação, a pobreza, a falta de hospedagem.

Diz ainda: “(o Dragão) deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz (…) para lhe devorar o Filho (…) A Mulher fugiu para o deserto, onde (…) foi sustentada por mil duzentos e sessenta dias” ( Ap 12, 4.6 ). De fato, o demônio atentou contra a vida de Jesus desde seu nascimento, na pessoado perseguidor Herodes. Maria fugiu então com o filho para o deserto ( Egito ). Lá ficou por aproximadamente mil e duzentos e sessenta dias (três anos e meio). Ou seja, do ano 7 AC, ano do nascimento de Jesus, conforme atualmente sem acredita, até março-abril do ano 4 AC, ano da morte de Herodes. Perfazendo os três anos e meio de exílio, nos quais a Sagrada Família foi sustentada pela Providência Divina.

Portanto,todos esses versículos, confirmam três verdades referentes à Maria: sua assunção aos céus. Pois o apóstolo a contempla revestida de sol, já estabelecida desde agora na glória prometida aos justos pelo seu Filho, quando disse “Os justos resplandecerão como o sol” ( Mt 13,43 ).

Confirma incontestavelmente sua realeza espiritual, pois a mesma se apresenta coroada com doze estrelas, símbolo das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos. Portanto, Rainha do Antigo e do Novo Testamento.

Porfim, confirma sua maternidade espiritual, pois diz o Espírito Santo: ” (O Dragão ) se irritou contra a Mulher (Maria) e foi fazer guerra ao resto desua descendência ( seus filhos espirituais ), os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” ( Ap 12, 17 ).

Somos de sua descendência apenas se nos comprometermos com o Cristo Jesus, guardando os seus mandamentos e testemunhando-o como nosso Único e Suficiente Senhor e Salvador. Graças!

Udson R. Correia e Tirsiley Débora F. Correia

Publicado em Formação Comunidade Shalom.

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“Eis a Esperança dos pecadores” – não há pecado tão terrível que não possa ser perdoado pela intercessão de Maria Santíssima, quando há arrependimento…

São Boaventura anima os pecadores nestes termos:

Que deves fazer, se por causa de teus pecados temes a vingança de Deus? Vai, recorre a Maria, que é a esperança dos pecadores.

Estás, porém, receoso de que Ela não queira tomar tua defesa? Pois então fica sabendo que é impossível uma tal repulsa; pois o próprio Deus encarregou-a de ser o refúgio dos pecadores.

É lícito de um pecador desesperar de sua salvação quando a própria Mãe do Juiz se lhe oferece por Mãe e advogada? Pergunta o Abade Adão de Perseigne.

E continua: Vós, ó Maria, que sois Mãe de Misericórdia, recusaríeis interceder junto ao vosso Filho que é Juiz, por um filho vosso que é pecador? Em favor de uma alma recusaríeis falar ao Redentor, que morreu na Cruz para salvar os pecadores?

Não; não podeis fazê-lo; pelo contrário, de coração vos empenhais por todos os que vos invocam.

Pois sabeis perfeitamente que aquele Senhor, que constituiu vosso Filho medianeiro de paz entre Deus e o homem, também vos constituiu a vós medianeira entre o juiz e o réu.

Agradece, portanto, ao Senhor que te deu uma tão grande medianeira, exorta São Bernardo.

Por manchado de crimes, por envelhecido que sejas na iniquidade, não percas a confiança, ó pecador.

Dá graças ao Senhor que em sua nímia misericórdia não só te deu o Filho por advogado, senão também para aumento de tua confiança te concedeu essa grande medianeira, cujos rogos tudo alcançam. Recorre, pois, a Maria e serás salvo.

Exemplo.

Como narram os Anais da Companhia de Jesus, viva em Bragança de Portugal um moço que era associado da Congregação Mariana.

Infelizmente, deixou a Congregação e levou uma vida muito perdida. Chegou ao ponto de um dia resolver-se a dar cabo da vida, atirando-se a um rio.

Mas, antes de executar seu tenebroso plano, lembrou-se em boa hora de recomendar-se a Nossa Senhora. Disse-lhe: Outrora eu era mariano e levava uma vida piedosa. Ó Maria, ajudai-me também agora.

Pareceu-lhe então ver Nossa Senhora e ouvir as palavras: Que vais fazer? Queres perder ao mesmo tempo a alma e o corpo? Vai, confessa-te e volta à Congregação mariana.

O moço caiu em si. Agradeceu à Santíssima Virgem a graça recebida e mudou de vida.

Fonte: retirado do livro “Glórias de Maria” de Santo Afonso de Ligório.

Fonte: Associação Devotos de Fátima

Publicado em http://meninamariadenazareth.blogspot.com .

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Indulgência Plenária na Festa da Divina Misericórdia (Equipe Christo Nihil Praeponere – Padre Paulo Ricardo)

Saiba por que a Igreja celebra, neste domingo, a festa da Divina Misericórdia e aprenda como lucrar a indulgência plenária nessa celebração.

A devoção à Divina Misericórdia, de acordo com as revelações de Nosso Senhor a Santa Faustina Kowalska, é um grande dom concedido à Igreja Católica no terceiro milênio. Essa expressão de piedade foi de tal modo reconhecida e aprovada pela Igreja que, em 2000, o Papa São João Paulo II — conterrâneo de Santa Faustina — instituiu para a Igreja universal a festa da Divina Misericórdia, a ser celebrada todos os anos, na Oitava da Páscoa.

Mas por que instituir essa festa justamente no segundo domingo do Tempo Pascal?

Além do pedido expresso de Jesus Misericordioso [1], uma das razões pode ser encontrada no fato de que, nesse dia, a liturgia católica relembra com particular intensidade dois grandes instrumentos da divina misericórdia para a salvação humanaos sacramentos do Batismo e da Penitência. Esses dois sacramentos são chamados também de “sacramentos de mortos”, porque foram “instituídos principalmente para restituir a vida da graça às almas mortas pelo pecado” [2]: o Batismo, como a porta pela qual todos temos de passar; e a Confissão, como uma “segunda tábua de salvação” [3], pois é por ela que são restituídos à graça os que voltaram a cair depois de terem sido batizados.

De fato, este domingo da Oitava da Páscoa era chamado, desde os primeiros tempos da Igreja, de Dominica in albis. A expressão latina significa “em vestes brancas” e faz referência ao fato de que, durante essa celebração, os neófitos que foram batizados na Vigília Pascal pela primeira vez aparecem com suas vestes alvas, simbolizando a brancura da alma purificada do pecado. Também neste domingo, o Evangelho proclama a instituição do sacramento da Penitência, quando Nosso Senhor Ressuscitado se põe no meio dos discípulos e, soprando sobre eles, diz: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos.” (Jo 20, 22-23)

Para fazer com que vivêssemos mais intensamente esta celebração, o Papa São João Paulo II estabeleceu, em 2002, através de um decreto com “vigor perpétuo”, que este Domingo da Divina Misericórdia fosse enriquecido com a Indulgência Plenária, entre outras razões, para que os fiéis pudessem ” alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo“. Os termos da concessão são os seguintes:

Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da “Misericórdia Divina”, em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti”).

Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas.

Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência dos lugares e outras causas do género, afastaram da pátria; aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma actividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total detestação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a intenção de observar, logo que seja possível, as três habituais condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, Confio em Ti”).

Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incómodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária.

Para aqueles que não sabem ou não se lembram mais, é sempre válido recordar o que são as indulgências:https://www.youtube.com/embed/JVsCraBwQDk?rel=0

Aproveitemos essa concessão da Igreja, por ocasião da festa da Divina Misericórdia, para fortalecermos o nosso amor a Cristo, vivendo a vida da graça, e mantermos “o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado”, pois só assim poderemos receber de Deus as indulgências que Ele, misericordiosíssimo, sempre nos quer conceder.

Referências

  1. Diário de Santa Faustina, n. 49: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia […] no primeiro domingo depois da Páscoa”.
  2. Catecismo de São Pio X, n. 539.
  3. “O primeiro remédio para os que atravessamos os mares é nos conservarmos num navio em bom estado; o segundo, se ele naufraga, apegarmo-nos a uma tábua. Do mes­mo modo, o primeiro remédio no mar desta vida é conservarmos a nossa integridade; o segundo, recuperarmos essa integridade pela penitência, se a perdemos pelo pecado.” (Santo Tomás de Aquino, S. Th. III, q. 84, a. 6).

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

Imagem (com pequeno texto): Comunidade Olhar Misericordioso.

Leia também:

Terço da Divina Misericórdia.

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Hoje é a Páscoa da Ressurreição (ACI Digital – 2021)

Cristo Jesus – nossa Páscoa, vive e reina em nossos corações, tal como prometeu aos Apóstolos e seguidores, bem como à toda Humanidade vindoura com a Nova Aliança, por intermédio da Boa Nova – o Reino de Deus!

Meus amados irmãos, em Cristo Jesus, desejo-lhes uma feliz e abençoada Páscoa!

Viva Cristo – Rei do Universo!

Lúcia Barden Nunes.

****

 Hoje é o dia em que a Igreja Católica celebra o sentido da Fé, porque festeja o Domingo da Ressurreição de Jesus ou a Páscoa, quando Cristo triunfante sobre a morte abre as portas do céu.

Durante a Missa, acende-se o círio pascal que permanecerá aceso até o dia em que se comemora a Ascensão de Jesus ao céu.

Esta festa celebra a derrota do pecado e da morte pela a ressurreição. Todo o sofrimento temporal adquire sentido com a vida eterna.

É um dia de festa e alegria, Cristo ressuscitou, o túmulo está vazio, a humanidade está salva, agora é hora de abraçar esta salvação testemunhando uma verdadeira vida cristã.

A seguir, leia o Evangelho de São João (20,1-9) deste Domingo da Ressurreição:

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.

6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.

8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.

9De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Publicado em ACI Digital.

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Reflexões de Santo Afonso sobre a Paixão de Cristo (Fidelium Animae)

By José (Own work) [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

1. Quanto agrada a Jesus Cristo que nós nos lembremos continuamente de Sua paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu. Muito bem se deduz de haver Ele instituído o Santíssimo Sacramento do altar com o fito de conservar sempre viva em nós a memória do amor que nos patenteou, sacrificando-se na Cruz por nossa salvação.

Já sabemos que na noite anterior à sua morte Ele instituiu este sacramento de amor e depois de ter dado Seu corpo aos discípulos, disse-lhes — e na pessoa deles a nós todos — que ao receberem a santa comunhão se recordassem do quanto Ele por nós padeceu:

“Todas as vezes que comerdes deste pão e beber de deste cálice, anunciareis a morte do Senhor” (1Cor 11,26). Por isso a santa Igreja, na missa, depois da consagração , ordena ao celebrante que diga em nome de Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de Mim”. E São Tomás escreve: “Para que permanecesse sempre viva entre nós a memória de tão grande benefício, deixou seu corpo para ser tomado como alimento” (Op. 57). E continua o santo a dizer que por meio de um tal sacramento se conserva a memória do amor imenso que Jesus Cristo nos demonstrou na sua paixão.

2. Se alguém padecesse por seu amigo injúrias e ferimentos e soubesse que o amigo, quando se falava sobre tal acontecimento nem sequer nisso queria pensar e até costumava dizer: falemos de outra coisa — que dor não sentiria vendo o desconhecimento de um tal ingrato? Ao contrário, quanto se consolaria se soubesse que o amigo reconhece dever-lhe uma eterna obrigação e que disso sempre se recorda e se lhe refere sempre com ternura e lágrimas? Por isso é que todos os santos, sabendo a satisfação que causa a Jesus Cristo quem se recorda continuamente de sua paixão, estão quase sempre ocupados em meditar as dores e os desprezos que sofreu o amantíssimo Redentor em toda a Sua vida e particularmente na Sua morte. S. Agostinho escreve que as almas não podem se ocupar com coisa mais salutar que meditar cotidianamente na paixão do Senhor.

Deus revelou a um santo anacoreta que não há exercício mais próprio para inflamar os corações com o amor divino do que o meditar na morte de Jesus Cristo. E a Santa Gertrudes foi revelado, segundo Blósio, que todo aquele que contempla com devoção o crucifixo é tantas vezes olhado amorosamente por Jesus quantas ele o contempla. Ajunta Blósio que o meditar ou ler qualquer coisa sobre a paixão traz-nos maior bem que qualquer outro exercício de piedade. Por isso escreve S. Boaventura: “A paixão amável que diviniza quem a medita” (Stim. div. amor. p. 1. c. 1). E falando das chagas do crucifixo, diz que são chagas que ferem os mais duros corações e inflamam no amor divino as almas mais geladas.

Fonte: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – Piedosas e edificantes meditações sobre os sofrimentos de Jesus, por Sto. Afonso Maria de Ligório, traduzidas pelo Pe. José Lopes Ferreira, C.Ss.R. – Volume II – Edição PDF de Fl.Castro, abril 2002.

Publicado em Fidelium Animae.

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Quaresma, tempo de reconciliação e conversão

É tempo de proclamarmos a misericórdia de Deus, buscando o seu perdão. No início do cristianismo, o tempo da Quaresma servia à purificação e iluminação daqueles que se preparavam para os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação, Eucaristia). Os catecúmenos iniciavam neste tempo uma caminhada de exame de consciência, de revisão de vidade reconciliação para celebrar e viver os frutos da Páscoa de Jesus Cristo, aproveitando os 40 dias para preparar-se para a graça da vida nova, da adesão à pessoa de Jesus Cristo.

Quando termina a Quaresma?

Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida.

Esse ideal ainda permanece. Nós que já fomos iniciados na vida cristã também somos convidados à purificação e renovação de nosso ardor no seguimento de Jesus, reavivando nosso Batismo e assumindo nossos compromissos cristãos, à luz do mistério pascal de Cristo. Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida. Dedicar-nos à escuta da Palavra, à vivência sacramental.

Destaco aqui o sacramento da Reconciliação para este tempo de graça. Como estamos celebrando o sacramento da Reconciliação? Temos sentido necessidade da misericórdia de Deus, do seu perdão?

Sobre o sacramento da Reconciliação, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: o Batismo nos dá vida nova, mas não suprime a fragilidade, a fraqueza da natureza humana inclinada ao pecado. Por isso somos chamados à conversão para vivermos cada dia nossa vocação à santidade. A Igreja (que somos nós) é santa e pecadora, tem necessidade de purificar-se, renovar-se, e assim, atraídos pela graça, respondendo ao amor misericordioso de Deus, celebramos o sacramento da Reconciliação com o coração contrito e o propósito de conversão sincera. (cf. CIC 1426-1428)

Como viver a Quaresma como tempo de misericórdia?

conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. Pela reconciliação o cristão é convidado a reorientar-se para Deus, de todo coração, rompendo com o pecado. A conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. O Espírito Santo nos dá a graça do arrependimento e da conversão e nós respondemos a cada dia com o esforço de sermos melhores e mais coerentes com nossa .

O Catecismo também nos ensina que o sacramento produz efeitos em nossa vida: reconciliação com Deus, paz tranquilidade de consciência, consolo espiritual, ressurreição espiritual, restituição da dignidade da vida de filho de Deusreconciliação com a Igreja (comunhão fraterna), participação dos bens espirituais, reconciliação consigo mesmo e com os irmãos. Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé o pecador passa da morte para a vida. (cf. CIC 1468-1470)

Neste tempo também somos convidados à pratica da caridade e ao jejum. Oferecemos nosso sacrifício para nosso crescimento espiritual e para o bem de nossos irmãos e irmãs.

“A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”. (Bento XVI)

Percorramos o caminho quaresmal, conduzidos pelo Espírito Santo. Que Ele sustente nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos, solidários, reconciliadores, verdadeiros cristãos que comunicam em palavras a atitudes a alegria do Cristo Ressuscitado!

Fonte: A12.

Imagem: Comunidade Betânia.

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Retiro online: Quaresma 2021


Andar de morada em morada” com Santa Teresa de Jesus
Os Carmelitas Descalços estão a preparar um novo retiro para oferecer a todos os cristãos para a próxima Quaresma em ordem a preparar a Páscoa da Ressurreição de Jesus. Basta entrar em www.webretiro.karmel.at e preencher o formulário, inscrevendo-se gratuitamente para o retiro online da Quaresma de 2021. Atualmente estão inscritos cerca de 66000 em diversos países, sendo o texto traduzido em oito línguas. Este ano a temática é acompanhada por Santa Teresa de Jesus (1515-1582). Foi em plena crise que escreveu a sua obra prima, o Livro das Moradas ou Castelo Interior. Enquanto toda a sua obra de fundação de novos Carmelos parecia estar a desmoronar-se, ela orienta todas as suas energias para o seu Castelo Interior. No contexto de crise sanitária e económica que vivemos, Santa Teresa de Ávila pode ajudar, nesta Quaresma, a descobrir que a nossa força está dentro, no interior do Castelo da nossa alma. Com esta Doutora da Igreja, pretende-se caminhar de Morada em Morada até ao centro onde brilha a luz da Páscoa do Senhor. A presença do Ressuscitado é a verdadeira boa nova que pode revitalizar a nossa vida espiritual e abrir-nos novos horizontes de esperança.

http://www.webretiro.karmel.at

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Os Santos Reis Magos

Os Três Reis Magos ou simplesmente “Os Magos”, a que a tradição deu os nomes de Melchior, Baltazar e Gaspar, são personagens da narrativa cristã que visitaram Jesus após o seu nascimento (Evangelho de Mateus). A Escritura diz “uns magos”, que não seriam, portanto, reis nem necessariamente três mas, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos.

Talvez fossem astrólogos ou astrónomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo. Assim os magos, sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do rei Herodes em Jerusalém. Perguntaram-lhe sobre a criança mas ele disse nada saber. No entanto, Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado e pediu aos magos que, se encontrassem o menino, o informassem, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem a de matá-lo.

A estrela, conta o evangelho, precedia-os e parou sobre o local onde estava o menino Jesus. “E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo” (Mt 2, 10). Os Magos ofereceram três presentes ao menino Jesus, ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual é, juntamente com a própria visitação dos magos, um resumo do evangelho e da fé cristã, embora existam outras especulações respeito do significado das dádivas dadas por eles: o ouro pode representar a realeza (eles procuravam o “Rei dos Judeus”); o incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus; a mirra, resina antiséptica usada em embalsamamentos desde o Egipto antigo, remete-nos para o género da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19, 39 e 40).

“Sendo prevenidos em sonhos a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra” (Mt 2, 12). Nada mais a Escritura diz sobre essa história cheia de poesia, não havendo também quaisquer outros documentos históricos sobre eles.

A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata: “Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.

Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melchior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltazar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Como se pretendia dizer que simbolizavam os reis de todo o mundo, representariam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Segundo a mesma tradição, Melchior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltazar, mirra em reconhecimento da humanidade.

A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento a profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”.

Devido ao tempo passado até que os Magos chegassem ao local onde estava o menino, por causa da distância percorrida e da visita a Herodes, a tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de Janeiro. Algumas Conferências Episcopais decidiram, contudo, celebrar a festa da Epifania no primeiro domingo de Janeiro (quando não coincide com o dia 1)

Devemos aos Magos a troca de presentes no Natal. Dos presentes dos Magos surgiu essa tradição em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de Janeiro, e os pais muitas vezes se disfarçam de reis magos.

Publicado em Evangelho Quotidiano.

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03/01/2021

O que é a Epifania do Senhor?

É com muita alegria que celebramos a Epifania do Senhor dia 3 de janeiro no Brasil. Com essa solenidade, encerramos o Tempo do Natal!

Mas, afinal de contas, o que é a Epifania do Senhor?

A palavra “epifania” significa “manifestação”. Sendo assim, a epifania do Senhor é a manifestação de Deus!

Mas, para entendermos profundamente essa solenidade, precisamos olhar um pouco para trás, precisaremos olhar para o Gênesis! Quando Deus criou o paraíso, Adão e Eva viviam em perfeita harmonia, mas, com o pecado original, o mundo virou de cabeça para baixo.

Porém, Deus não abandona o seu povo. Para reestabelecer a ordem o Senhor enviou o seu Filho Único ao mundo como nosso Redentor. Desde então, todos os profetas anunciaram a vinda do Messias, como podemos ver relatado no Antigo Testamento.

No dia de hoje, cuja data também é reconhecida como Festa dos Reis Magos, comemoramos a primeira manifestação de Deus em Jesus, que aconteceu diante daqueles homens – os três Reis Magos – que guiados por uma estrela, se depararam com Jesus, Nossa Senhora e São José, em um humilde estábulo na cidade de Belém.

No entanto, precisamos entender que Deus ainda continua manifestando o seu amor no mundo, de diversas formas! Todas as vezes que participamos da Santa Missa, por exemplo, renovamos o Sacrifício de Jesus!

Que possamos estar atentos, para sempre acolher as manifestações do amor de Deus em nossa vida!

Publicado em Paróquia Santa Teresinha – Higienópolis – SP.

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Natal: não é a festa do aniversário de Jesus! – Dom Henrique Soares da Costa (Rumo à Santidade)

Desejo a todos um abençoado e santo Natal!

Lúcia Barden Nunes.

***


Por Dom Henrique Soares da Costa

Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos…

Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?

Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.

Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história.

Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento – santos que não pertenceram ao povo de Israel: Santo Abel, Santo Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó… Nenhum destes pertencia ao povo de Deus… E, no entanto, Deus agia através deles…
Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do Seu povo eleito.

Finalmente, Deus agiu de modo pleno e total, fazendo-Se pessoalmente presente, em Jesus Cristo, que é o cume, o centro e a finalidade da revelação e da ação de Deus: em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo!
Então, o nosso Deus não Se revela principalmente com ensinamentos, com doutrinas e conselhos, mas com ações concretas e palavras concretas de amor! E tudo isso chegou à plenitude na vida, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo!

Pois bem: são estas obras salvíficas de Deus, realizadas de modo pleno em Jesus, que nós tornamos presente na nossa vida quando celebramos a Santa Liturgia, sobretudo a Eucaristia! Na força do Espírito Santo de Jesus Cristo imolado e ressuscitado, através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado – todos resumidos em Cristo: na Sua Encarnação, no Seu Nascimento, Ministério, Morte e Ressurreição e no Dom do Seu Espírito – tornam-se presentes na nossa vida!

Vejamos, agora, o caso do Natal. Quando a Igreja celebra as cinco festas do Natal, ela quer celebrar não o aniversário do menininho Jesus… O que ela quer fazer e faz é tornar presente para nós, na força do Espírito Santo, a graça da vinda salvíficos do Cristo Senhor!
Celebrando a Liturgia do Natal, o acontecimento do passado (a Manifestação do Filho de Deus) torna-se presente no hoje da nossa vida! Na Liturgia do Natal a Igreja não diz:

“Há dois mil anos nasceu Jesus”!

Nada disso! O que ela diz é:

“Alegremo-nos todos no Senhor: HOJE nasceu o Salvador do mundo, desceu do Céu a verdadeira paz!” (Antífona de Entrada da Missa da Noite do Natal).

Então, celebrando as santas festas do Natal, celebramos a Manifestação do Salvador no nosso hoje, na nossa vida, no nosso mundo!
A Liturgia tem essa característica admirável: na força do Santo Espírito torna presente realmente, de verdade, aquele acontecimento ocorrido no passado. Não é uma repetição do acontecimento, nem uma recordação! É, ao invés, aquilo que a Bíblia chama de memorial, isto é, tornar presente os atos de salvação de Deus!

Agora vejamos: a Eucaristia é a celebração, o memorial da Páscoa do Senhor. Como é, então, que no Natal a gente celebra a Missa, que é a Páscoa? Como é que já no Natal a Igreja mete a celebração da Páscoa?

É que a Eucaristia não é simplesmente a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo! Essa seria uma ideia muito mesquinha, estreita! Em cada Missa é todo o mistério da nossa salvação que se faz presente, é tudo aquilo que Deus realizou por nós, desde a criação até agora… E tudo isso tem o seu centro em Jesus: na Sua Encarnação, na Sua vida e na Sua pregação, e alcança seu cume na Sua morte e ressurreição, na Sua ascensão e no dom do Santo Espírito.

Então, celebramos as cinco festas do Natal celebrando a Missa, porque aí o mistério, o acontecimento da nossa salvação se torna presente e atuante na nossa vida. Voltando para casa após a Missa do Natal, podemos dizer:

“HOJE eu vi, HOJE eu ouvi, HOJE eu experimentei, HOJE eu testemunhei e HOJE eu anuncio: nasceu para nós, nasceu para o mundo um Salvador! Ele veio, Ele não nos deixou, Ele Se fez nosso companheiro de estrada! Na Eucaristia eu O encontrei, nós O encontramos, a Igreja O encontrou e o mundo inteiro pode encontrá-Lo, a Ele convertendo-se!”

Celebrando a Eucaristia do Natal, recebemos a graça do Natal, entramos em comunhão com o Cristo que veio no Natal, porque recebemos no Corpo e Sangue do Senhor o próprio Cristo que nasceu para nós, e, agora, Cristo ressuscitado, pleno do Santo Espírito!

É incrível, mas a graça do Natal chega a nós mais do que chegou para Maria e José e os pastores e os magos há dois mil anos, Porque eles viram um menininho no presépio, enquanto nós O recebemos dentro de nós, Seu Corpo no nosso corpo, Seu Sangue no nosso sangue, Sua Alma na nossa alma, Seu Espírito no nosso espírito… É não mais um menininho frágil, em estado de humilhação, em condição de servo, com esta nossa vidinha humana, mas o próprio Filho agora glorificado, com uma natureza humana imortal e gloriosa, plena de Vida divina, que nos transformará para a Vida eterna.

Então, que neste Natal ninguém cante parabéns para o Menino Jesus, nem fique com inveja dos pastores e dos magos… Também para nós hoje nasceu um Salvador: o Cristo ressuscitado, glorioso, que recebemos no Seu Corpo e Sangue e cujo mistério celebramos nos gestos, palavras e símbolos da sagrada Liturgia!

Publicado em Rumo à Santidade.

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Anjo redescoberto na basílica Natividade, Belém, olha fixo para o local onde Jesus nasceu
Anjo redescoberto na basílica Natividade, Belém,
olha fixo para o local onde Jesus nasceu

Veio à luz graças a uma equipe de restauradores italianos precioso mosaico de um anjo encoberto por uma massa de pintura na Basílica da Natividade, em Belém, informou a BBC Brasil.

O feliz achado, depois da primorosa restauração, exibe em toda sua beleza um anjo que olha fixo para o local onde Jesus nasceu.

Coberta por reboco há quase mil anos, a obra encontrava-se fora do alcance do olhar humano.

A Basílica da Natividade, em Belém, precisava de uma importante restauração que envolvia a própria estrutura do milenar templo.

Contudo, um imprudente “ecumenismo” fazia depender as obras de restauro da aprovação de um conjunto de denominações cristãs.

As denominações ditas “ortodoxas” vivem apegadas a um passado mofado e amarfanhado, antipatizando-se com as restaurações.

Ademais, não têm a escola teológica nem o amor pelo passado que é sinal distintivo dos católicos. Esses possuem outra visão da tradição, da importância das obras de arte do passado e de sua contribuição para o presente e o futuro.

Malgrado os defeitos que possam ocorrer, o dinamismo católico é impulsionado por um amor sincero ao belo, à tradição, à história e de tudo o que se refere a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em tudo procura o brilho que merece a única Igreja e que resplandece ao longo das vicissitudes tempestuosas dos milênios.

O resultado da incompatibilidade entre essas duas mentalidades é que havia toda espécie de desentendimentos, concorrendo para que as reformas na Basílica não se dessem apesar de cada vez mais urgentes numa das mais antigas igrejas em uso no mundo.

A Basílica da Natividade é uma das igrejas mais antigas do mundo
A Basílica da Natividade é uma das igrejas mais antigas do mundo

Em 2009, o presidente palestino temendo que a igreja desmoronasse e motivado por razões políticas ordenou reformar o prédio, passando por cima das brigas “ecumênicas” desprovidas de sentido.

Participou da equipe de restauradores o engenheiro cristão-palestino Issa Hazboun.

Com efeito, ter trabalhado no local foi uma fonte de “orgulho” não só para ele mas para todos os cristãos do Oriente Médio, hoje tão perseguidos pelo furor islâmico anticristão na Síria, Iraque e outros países. Milhões deles tiveram de abandonar suas casas sob a injustificada invasão islâmica.

Tampouco o governo de Israel os trata com benevolência, mas a população cristã vem crescendo neste país desde 1940, enquanto decai em todos os outros países do Oriente Médio.

Os reparos ainda não foram concluídos e há muito a fazer, de modo especial com 50 colunas do século VI nas quais estão representados cruzados renomados que partiram da Europa a fim de resgatar a Terra Senta, tendo contribuído para a manutenção da Basílica ao ‘adotar uma coluna’.

Ziad Bandak, chefe do comitê da autoridade palestina que supervisiona o andamento dos trabalhos, mencionou problemas com “córregos subterrâneos, terremotos e outros incidentes históricos acontecidos em Belém e que causaram impactos negativos na estrutura da igreja, sobretudo no teto”, citou o jornal londrinense “The Guardian”.

Ele não quis mencionar o tema polêmico, mas os “incidentes históricos” a que se referiu foram as invasões e depredações dos islâmicos acontecidas em séculos passados.

A principal porta de ingresso da Basílica que inclui a Gruta de Belém é minúscula. É chamada 'Porta da Humildade'
A porta principal da Basílica que inclui a Gruta de Belém é minúscula.
É chamada ‘Porta da Humildade’

E sempre há o perigo de um atentado dos fanáticos seguidores da falsamente denominada “religião de paz”, o Islã.

A equipe principal da restauração é italiana.

O jornal israelense “Times of Israel” escreveu que desde 2013, os restauradores italianos, de acordo com a autoridade palestina, vinham fazendo um esforço titânico para restaurar a Basílica visitada por milhões de romeiros que vão beijar e venerar o local onde nasceu Jesus.

O teto e as janelas foram recuperados, mas o caso mais complicado eram os mosaicos, dificilmente perceptíveis após séculos de usura e reformas mal feitas, sendo necessário restaurar pedrinha por pedrinha de cada um deles.

Já na fase final desse paciente trabalho apareceram sinais da existência de um mosaico coberto de reboco que havia passado despercebido.

Câmaras semelhantes às usadas pelos soldados para “ver” na noite, serviram para escanear as paredes e descobrir o que havia por trás, segundo descreveu Giammarco Piacenti, diretor geral da empresa de restauração responsável principal pelos trabalhos.

“Esta parte se via completamente diferente, aqui onde agora vemos o anjo. Nós dizemos: ‘o que é isto? Não pode ser um anjo!’, explicou à agência France Press.

Na basílica já haviam sido recuperados seis mosaicos de anjos e não se suspeitava que houvesse mais um. Mas, agora podem se ver os sete.

Apresentação dos mosaicos recuperados na basílica
Apresentação dos mosaicos recuperados na basílica

Com sua mão estendida o anjo aponta em direção à local exato onde estava a gruta onde Jesus nasceu há dois mil anos.

Um sorriso especial para a restauradora que descobriu o anjo, que é a sobrinha de Gianmarco Piacenti, pois logo depois de descobrir o anjo, ela soube que esperava uma criança e toda a família começou a dizer que o anjo a tinha abençoado.

A igreja foi construída pela primeira vez no ano 339, mas após um incêndio foi feita uma nova no século VI. Outra grande reforma aconteceu em 1478, explicou Piacenti. Após 800 anos, a reforma se impunha.

“De um ponto de vista histórico, artístico e espiritual, [a Basílica de Belém] é o centro do mundo – Ela é tudo”, comentou Piacenti.

Marcello Piacenti é o patriarca da empresa familiar de restauradores que durante seis gerações vem recuperando antigos santuários da Europa.

Ele se sentiu muito honrado vencendo a licitação internacional e recebendo a incumbência de reparar as vigas de madeira da basílica doadas pelo rei Eduardo IV da Inglaterra em 1479.

Piacenti conta com ufania que “seus” especialistas recuperaram o anjo de mosaico de ouro na nave do século VI construída pelo imperador Justiniano.

Também analisaram o estado dos muros e concluíram que “esta antiga estrutura se manteve em pé durante séculos, e esperamos que com nossa contribuição continue sempre presente aqui”.

As infiltrações de umidade tinham danificado os afrescos de colunas e muros que datam dos tempos dos Cruzados e outros mais antigos ainda.

O local onde Jesus nasceu é marcado por uma estrela de prata, sobre o mármore
O local onde Jesus nasceu é marcado por uma estrela de prata,
sobre o mármore do chão

O empreendimento recebeu escassas verbas e sente necessidade delas para prosseguir.

Mas, disse Piacenti: “Há muitos anjos acima de nós. E eu tenho a esperança de que podemos salvá-los”.

Por certo, eles, os próprios, lá no Céu, vão dar a sua contribuição para honrar a Rainha dos Anjos que ali deu a luz virginalmente ao Redentor e Senhor Rei de todo o criado.

O antigo mosaico de beleza admirável relembra o revoar dos anjos protetores e adoradores em volta da Gruta de Belém na luminosa noite do Natal.

O sétimo anjo está olhando fixamente para o local que sempre foi venerado como o ponto exato em que Jesus veio maravilhosamente à vida, conservando imaculada a integridade virginal de Sua Santíssima Mãe.

Quer dizer, a gruta de Belém, hoje acobertada na grandiosa Basílica da Natividade.

O mosaico do anjo, por assim dizer, dissipa toda dúvida e exorciza qualquer confusão ou sofisma que se queira fazer a respeito do magno evento de Natal que o mundo inteiro comemorará até o fim dos séculos.

Publicado em Ciência confirma a Igreja.

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14 São João da Cruz

Teresa de Jesus chamava-o de seu pequeno Sêneca, brincava amavelmente com a sua baixa estatura apelidando-o de meio homem, mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem  vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa (nasceu em 1542 em Fontiveros) João de Yepes é uma das figuras mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparentes da mística moderna. Verdadeiro mestre de vida espiritual, resumia o novo ideal de vida monástica em breves sentenças: “Não faças coisa alguma, nem digas palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias que tu, e tivesse a mesma saúde e idade tuas”. “Nada peças a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito”. “Renuncia aos teus desejos e encontrarás o que o teu coração deseja”. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos, após ter dado prova da sua imperícia nas várias ocupações às quais a família, muito pobre, tentou encaminhá-lo. Foi atacado por grande desilusão pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Quis remediar passando dos carmelitas aos cartuxos, cujas regras severas pareciam mais condizentes com o seu fervor ascético. Mas a essas alturas aconteceu o seu encontro com Teresa de Jesus, a reformadora das carmelitas. A santa fundadora tinha em mente ampliar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem carmelita, e seu tino delicado fê-la entrever naquele jovem frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o sócio ideal para levar adiante o seu corajoso projeto. E o jovem de vinte e cinco anos deu logo prova de grande coragem. Desde esse dia trocou o nome, chamando-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Mas a volta à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus-tratos físicos e difamações: em 1577 foi até preso por oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da Noite escura da alma, da Subida do monte Carmelo, do Cântico espiritual e da Chama de amor viva. Morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, a 14 de novembro de 1591. Canonizado em 1726, dois séculos depois Pio XI lhe conferiu o título de doutor da Igreja.

Extraído do livro: “Um santo para cada dia”, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Publicado em Padres e Irmãos Paulinos.

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A noite escura de São João da Cruz: alguns comentários

Em uma noite escura

De amor em vivas ânsias inflamada

Oh! Ditosa ventura!

Saí sem ser notada,

estando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,

Pela secreta escada, disfarçada,

Oh! Ditosa ventura!

Na escuridão, velada,

estando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,

E num segredo em que ninguém me via,

Nem eu olhava coisa alguma,

Sem outra luz nem guia

Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,

Com mais clareza que a do meio-dia

Aonde me esperava

Quem eu bem conhecia,

Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Em meu peito florido

Que, inteiro, para ele só guardava,

Quedou-se adormecido,

E eu, terna o regalava,

E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,

Quando eu os seus cabelos afagava,

Com sua mão serena

Em meu colo soprava,

E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,

O rosto reclinado sobre o Amado;

Tudo cessou. Deixei-me,

Largando meu cuidado

Por entre as açucenas olvidado.

De todos os poemas de São João da Cruz, este me é o mais caro. Cada vez que o leio, descubro novas coisas; cada vez que o leio, sinto uma santa inveja de amor tão ardente por Cristo Jesus.

Não pretendo, nestas considerações, esgotar todas as leituras possíveis. Nem isto seria possível.

Aos carmelitas, peço, desde já, mil desculpas se minha interpretação não for sequer infimamente digna. Ajudem-nos com seus comentários.

Na tradição cristã, Cristo é apresentado como o Amado, viril e forte, que corteja a sua amada (a Igreja fundada sobre Pedro, por quem Ele se entregou; e, por extensão, cada fiel por Ele conquistado), dando a Sua vida por ela. A Cruz é vista como o leito nupcial, onde estes amantes se encontram, e no qual o Amado gera, na Amada, uma vida nova. Neste sentido vemos, no final do poema, que o primeiro a adormecer (a morrer na Cruz) é o Amado (quedou-se adormecido), para, somente depois, adormecer também a amada (com o significativo gesto de inclinar a cabeça de Jo 19, 30), sobre o peito do amado.

Assim, o misticismo católico (do qual, talvez, São João da Cruz seja o mais alto exponente) sempre aponta a Cruz como sendo o caminho mais curto e delicioso para o Homem encontrar o criador. O cristão que não carrega sua cruz, que não a aceita, não se encontra com Cristo, não entra numa relação de amor com Ele, e não tem gerada, dentro de si, a nova vida que nos conduz ao céu.

Neste poema, a Cruz é substituída pela expressão “noite escura”. Todos nós já tivemos “noitas escuras” em nossas vidas. São aqueles momentos de agudo sofrimento, nos quais nossas seguranças mesquinhas (dinheiro, prazeres, comodidade, afetividade, etc.) nada nos dizem; nos quais nossas forças e nossa inteligência nada podem. Noites tenebrosas, de lágrimas e de desespero. Noites em que clamamos e nas quais o Senhor se mantém em silêncio.

Para o mundo, para os não-cristãos, estas “noites escuras” são a mais solene prova de que Deus não existe. Ou, se existe, de que não os ama. Por isto, todos fogem dela. Preferem dormir a enfrentá-la (estando já minha casa sossegada), pois, dormindo, têm a ilusão de que a mesma passará mais rapidamente.

O Cristão, no entanto, pode enfrentá-la. Se todas as luzes do mundo se apagaram, se todas as nossas seguranças e todas as nossas forças nada podem, é o momento propício para que nos abandonemos em Deus. O cristão, ainda que com medo, vai ao encontro desta noite (saí sem ser notada; na escuridão segura; na escuridão velada), pois sabe que é através desta noite escura que brilhará a luz de Deus. Sobe, ainda que dolorosamente, nas cruzes que surgem em suas vidas. A escada secreta de que nos fala o poema é símbolo da Cruz. É a escada de Jacó, que liga o céu e a terra, e pela qual todos devemos subir se quisermos entrar no paraíso.

Mas a luz de Deus, para aqueles que se aventuram em enfrentar a “noite escura”, brilha mais do que a luz do mundo (nem eu olhava coisa alguma,/Sem outra luz nem guia/Além da que no coração me ardia./ Essa luz me guiava, Com mais clareza que a do meio-dia). A “noite escura” é o momento ideal para que o cristão perceba que a luz do mundo são trevas; e que, as trevas em Deus, são luzes potentes que nos conduzem a Ele (Essa luz me guiava, /Com mais clareza que a do meio-dia/ Aonde me esperava/ Quem eu bem conhecia, Em lugar onde ninguém aparecia.) E ninguém aparece neste lugar porque todos fogem da Cruz. A Cruz é o único lugar onde somente Cristo nos espera, pois todos os outros deuses, todos os outros ídolos do mundo nela não têm espaço.

Subindo na Cruz, entrando pela noite escura, o cristão é conduzido a Cristo. Encontra-se com seu Amado; encontra-se com a razão de sua vida e, finalmente, percebe que a Cruz, que a noite escura, que o sofrimento pelo qual passou foi um grandíssimo dom de Deus. Por esta cruz, morreu o homem velho; atravessada a noite escura, rompeu o cristão com os laços que o prendiam ao pecado e àqueles que renegam a Cristo.

Que maravilha é ouvir um testemunho neste sentido! Quantas vezes já não ouvi cristãos que, após esta vivência, afirmam que não trocariam os sofrimentos passados pela comodidade do mundo. Que não pediriam para Deus uma história diferente. Cristãos que podem afirmar, com toda a convicção :

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Afinal, tornou-se um com Cristo. Entrou na comunhão da Trindade Santíssima. Pode desprezar, finalmente, os prazeres do mundo e almejar as coisas do alto. Como disse São Paulo, não se encontra mais dividido (Esquecida, quedei-me, O rosto reclinado sobre o Amado; Deixei-me, Largando meu cuidado Por entre as açucenas olvidado.)

Afinal “tudo cessou.” Só lhe importa o precioso tesouro do Amor de infinito de Cristo.

Que o Senhor nos ajude, e nos conceda inúmeras “noites escuras” durante a nossa peregrinação terrestre.

Fonte: Veritatis Splendor .

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Veja também: Homilia Diária: Memória de São João da Cruz, Presbítero e Doutor da Igreja (1656: 14 de dezembro)

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