Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Cultura da indiferença’ Category

Homilia Diária | O que é o Preciosíssimo Sangue? (Quinta-feira da 13.ª Semana do Tempo Comum)

Prefigurado no sangue do cordeiro pascal que, untando as traves das portas, salvou do anjo exterminador a vida dos primogênitos dos israelitas, o Sangue de Cristo é o preço real e efetivo do nosso resgate: é por ele que fomos salvos do poder de Satanás e liberados da sentença que nos condenava à perdição eterna; é por ele que recobramos a antiga liberdade dos filhos de Deus e os direitos hereditários à bem-aventurança eterna. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quinta-feira, dia 1.º de julho, e clamemos durante todo este mês que se inicia: Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos!

Read Full Post »

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: no gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a Última Ceia (cf. Jo 13,23); e, na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Num acontecimento, temos o consolo de Cristo pela dor na véspera de Sua morte. No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Esses dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque:

Foto Ilustrativa: by Getty Images/ IsraelBrum

“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

São João Paulo II e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

São João Paulo II sempre cultivou essa devoção e sempre a incentivou a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, ele afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero, hoje, dirigir, juntamente convosco, o olhar dos nossos corações para o mistério desse coração. Ele falou-me desde a minha juventude. A cada ano, volto a esse mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja”.

Agora, conheça as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1° Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2° Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3° Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4° Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5° Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6° Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7° Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8° Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9° Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10° Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11° Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12° Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Publicação em Formação Canção Nova.

Leia mais:
::Por que entronizar o quadro de Jesus misericordioso na nossa casa?

Read Full Post »

As Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

Junho é o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus

As Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

Pelos anos de 1673 / 1675 Santa Margarida Maria Alacoque, freira do convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial, na França, teve visões e revelações do Sagrado Coração de Jesus. Ele mostrou a Margarida o grande amor que tem pelos homens e seu ardente desejo de salvar os pecadores: “Eles encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”Porém, Jesus queixou-se também das ofensas e menosprezos a Ele feitos. Lamentou a frieza e desdém diante de sua presença na Eucaristia e sua dor por causa dos ultrajes e abandonos ao Sagrado Coração.Na noite do dia 16 de junho de 1675, enquanto Margarida rezava diante do Santíssimo Sacramento, Jesus apareceu-lhe.Depois de um pequeno diálogo, apontou para seu Divino Coração e disse à piedosa religiosa: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões…”Misericórdia e perdão…Nosso Senhor manifestou a Santa Margarida a grandeza infinita de seu amor. Apesar das ofensas, das indiferenças e ingratidões da humanidade, Jesus abriu seu Coração e mostrou a Margarida seu desejo de atrair a si todos os homens oferecendo-lhes sua misericórdia. Para as almas onde abundava o pecado, Ele apresentava a superabundância do perdão e da graça. (Rom.5,20) Pediu que a primeira sexta-feira depois da oitava da festa do Santíssimo Sacramento fosse dedicada especialmente para honrar o Sagrado Coração de Jesus. Que nesse dia se comungasse e fosse feito um ato de reparação e desagravo pelas ofensas feitas ao Divino Coração presente no Santíssimo Sacramento.… esperança e confiança!“Meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que lhe prestem culto e que procurem que este culto Lhe seja prestado”. Esta devoção será como a manifestação do último esforço do amor de Jesus Cristo para com a humanidade. Ele deseja “favorecer os homens nestes últimos séculos desta redenção amorosa, para livrá-los do império de satanás, o qual Ele pretendia arruinar”.

Sagrado Coração de Jesus – Confio e Espero em Vós! Detém-te! Alto lá!

O Sagrado Coração de Jesus está comigo Venha a nós o Vosso Reino! O uso deste emblema foi um dos pedidos feitos por Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque: “Jesus deseja que se mande fazer escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e mandou que fossem feitos escudos menores para as pessoas levarem consigo”. O que é o Escudo do Sagrado Coração de Jesus? É um emblema no qual está estampada a imagem do Sagrado Coração de Jesus com as seguintes frases: Detém-te! O Coração de Jesus está comigo. Venha a nós o Vosso Reino.Ele é conhecido também como “detém-te” ou escapulário do Sagrado Coração de Jesus. Seu uso foi um dos pedidos feitos por Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:“Jesus deseja que se mande fazer escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e mandou que fossem feitos escudos menores para as pessoas levarem consigo”. Foi daí que nasceu o costume de trazer junto a si pequenos Escudos do Coração de Jesus. Seu uso é sinal de nossa confiança na proteção de Jesus contra os assaltos do inimigo infernal e de todo mal. Em nome de Jesus, ordenamos ao demônio e ao mal que se detenham, que se afastem de nós.

As doze promessas do Coração de Jesus para quem praticar essa devoção: 

1. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.

2. Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.

3. Eu os consolarei em todas as suas aflições.

4. Serei seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.

5. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.

6. Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.

7. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção.

8. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.

9. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Coração.

10. Darei aos Sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos.

11. As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.

12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

Novena ao Sagrado Coração de Jesus1. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e servos-á aberto”, eis que eu bato, procuro e peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!2. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: qualquer coisa que peçais a meu Pai em meu nome, Ele vo-la concederá”, eis que a vosso Pai, no vosso nome, eu peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!3. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: passarão o Céu e a Terra, mas as minhas palavras, jamais”, eis que, apoiado na infalibilidade de vossas santas palavras, eu peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!

Ó Sagrado Coração de Jesus, a Quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da vossa e nossa terna Mãe. São José, amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Salve Rainha.

Publicado em

Publicado em Campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis! (www.fatima.org.br)

Read Full Post »

SOLENIDADE

Ficheiro:Pentecostes - autor desconhecido.jpg – Wikipédia, a enciclopédia  livre
Wikipédia

No Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, reside o Amor supremo entre o Pai e o Filho.  Foi pela ação do Divino Paráclito que nosso Senhor Jesus Cristo se encarnou no seio da Virgem Santa Maria, e foi pela correspondência e docilidade ao Espírito Santo que os Apóstolos e os discípulos de Jesus anunciaram a Boa Nova da Salvação nas primeiras comunidades cristãs e nas comunidades que as sucederam no decorrer da História.

O Espírito Santo é a Alma da Igreja, o Dom pascal por excelência, o Promotor da renovação e das mudanças, o Mestre da harmonia, a Lei espiritual que sela a nova e eterna aliança e que consagra o novo povo real e sacerdotal que é a Igreja e, por isso, podemos falar, legitimamente, da perenidade de Pentecostes, pois cabe a todos nós, fiéis cristãos, o direito, o dever e a grata alegria de professar que o Pentecostes continua na vida da Igreja, nas nossas comunidades e em nossas vidas.  No meio do inverno sombrio do mundo, que muitas vezes tenta apagar a chama da nossa fé e da esperança, nós temos que ter coragem, fortaleza e ousadia para mantermos vivo, aceso e incandescente o fogo renovador de Pentecostes; afinal, “Deus não nos deu um Espírito de timidez, mas de força, de amor e de sobriedade”. (2 Tm 1,7).

Contemplando, com os olhos da fé, a História da Igreja desde o dia de Pentecostes, nós adquirimos a consciência de que o Espírito Santo realiza maravilhas nas almas e nos corações de todos aqueles que são dóceis às Suas divinas inspirações. Nessa contemplação, com o coração em chamas, nós sentimos a necessidade de dar graças ao Senhor pelos prodígios que o Divino Espírito realizou nestes vinte e um séculos de cristianismo, suscitando em toda a parte um novo ardor apostólico, um esmerado empenho em amar e servir a Deus e aos irmãos com total dedicação, derramando efusivamente dons e carismas sempre novos, atestando Sua ação incessante no coração dos seres humanos.

Em nossas vidas, precisamos do contínuo auxílio do Divino Paráclito para vivermos como batizados, crismados, membros do Corpo Místico de Cristo e filhos de Deus, pois “todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus”. (Rm 8, 14). Nesse serviço a Deus e à Igreja, o Espírito Santo não deixa jamais de enriquecer o nosso testemunho com os dons espirituais e os carismas que Ele concede com generosidade à Igreja. Entre estes carismas, podemos citar o gosto pela oração, a experiência do silêncio e a generosidade em compartilhar o que temos com os pobres e os excluídos.

Por meio da docilidade, nós abrimos as portas da nossa alma ao Espírito Santo para que Ele possa derramar em nossos corações os sete preciosos dons que agem na nossa vontade e em nossa inteligência, ajudando-nos a enaltecer o louvor e a adoração a Deus. Os dons que recebemos do Paráclito não se destinam unicamente para nós, pois eles pertencem à Igreja e só permanecem quando são colocados a serviço da comunidade. Estes sete dons – sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e santo temor de Deus – são graças divinas, auxílios do Alto e, somente com nosso esforço, não podemos fazer com que eles cresçam e se desenvolvam e, por isso, necessitamos de uma ação direta e eficaz do Espírito Santo para podermos agir com perfeição cristã. Os sete dons podem ser comparados a sete velas de um barco que nos conduzem ao Porto seguro da santidade. Nesta viagem em direção à vida eterna, nesse caminho de identificação com o Cristo, o Divino Paráclito vem em auxílio da nossa fé com os dons do entendimento e da ciência. Para incrementar a nossa esperança, recebemos o dom do santo temor de Deus e, para aprimorarmos a nossa caridade para com Deus e o nosso próximo, recebemos o dom de sabedoria.

Pela adesão ao dom de sabedoria, bradamos que fomos criados para conhecer, servir e amar a Deus e, por isso, não poupamos esforços para amar a Deus acima de todas as coisas. Pelo dom do entendimento, aderimos sem reservas às verdades reveladas pelo Cristo, abraçamos a alegria do Evangelho, cumprimos os Mandamentos, vivemos as Bem-aventuranças e compreendemos que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Pelo dom do conselho, o Espírito Santo nos ajuda a vislumbrar os meios oportunos para que possamos crescer e perseverar na fé e assim, um dia, galgarmos o céu, ou seja, Ele nos ajuda a trilhar o rumo certo e nos impulsiona a guiar, com bons conselhos, o nosso próximo no caminho do bem.

Pelo dom da fortaleza, Deus nos propicia a coragem necessária para enfrentarmos as tentações, as perseguições e as noites escuras que podem surgir em tempos de pandemia. O dom da ciência aperfeiçoa a nossa inteligência e nos faz perceber que todo o conhecimento vem de Deus. Esse dom nos auxilia na compreensão das Sagradas Escrituras, do Catecismo e da Doutrina Social da Igreja e nos faz perceber que, se temos talentos, capacidades, deles não devemos nos orgulhar, porque os recebemos de Deus.  O dom da piedade inclina-nos para as coisas de Deus e nos ajuda a perceber os frutos salutares da oração, do silêncio, da adoração e das práticas de piedade. É esse dom que nos leva a bradar nos momentos de adoração: “Senhor, como é bom estarmos aqui!”. Pelo dom do santo temor de Deus, tomamos cuidado para não entristecermos o Cristo. Desse modo, lutamos contra o pecado, o mal, o egoísmo e a indiferença e professamos: “Antes morrer do que pecar!”

Pela contínua adesão, correspondência e intimidade aos dons do Espírito Santo, crescemos na intimidade com o Cristo e reforçamos nossa pertença a Deus e à Igreja, testemunhando ao nosso próximo:  O Espírito Santo “é um bom Hóspede, encontrou-nos famintos e saciou-nos, encontrou-nos sedentos e inebriou-nos”. (Santo Agostinho).

Peçamos à Virgem Santa Maria, que permaneceu em oração com os Apóstolos em Pentecostes, que interceda por nós junto a Deus, concedendo-nos a graça de recebermos os dons divinos, apesar de nossa miséria, de nossa indignidade. Que Ela nos ajude na docilidade ao Divino Paráclito e na vivência cotidiana da fé, pois o nosso mundo e o nosso tempo têm grande necessidade de fiéis cristãos que, como raios de luz, luzeiros de esperança, encharcados pela chuva penetrante do Espírito, abrasados pelo fogo purificador da santidade, saibam comunicar o fascínio da Boa Nova da Salvação e a força propulsora da vida nova no Espírito Santo.

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)21/05/2021.

Publicado em Arquidiocese de Brasília.

Read Full Post »

Homilia Diária | Sexta-feira Santa – “Como cordeiro ao matadouro” – Padre Paulo Ricardo

Ficheiro:1583 Annibale Caracci, Crucifixion Santa Maria della Carità, Bologna.jpg

Publicado em Padre Paulo Ricardo.

Imagem: Wikipédia (Annibale Caracci, Crucifixion Santa Maria della Carità, Bologna, 1583).

Read Full Post »

As Dores de Nossa Senhora na Paixão de Cristo (Biografia dos Santos)

 

Uma espada transpassará a tua alma.(Lc 2, 35)

A profecia de Simeão se realizou em plenitude na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento que Maria passou em todo o martírio de Jesus nos sensibiliza e nos cativa a contemplar as dores de Maria na Paixão de Cristo.

 1ª Dor: Saber que seu amado e querido Filho Jesus Cristo, foi traído por um dos seus discípulos.(Lc 22, 47-48)

 Jesus foi traído por um dos discípulos que freqüentava a sua casa. Um dos que eram servidos sempre com carinho e amor quando visitavam a Casa de Maria. Saber que, Jesus, a Suma Bondade, que em toda vida testemunhou a perfeita fidelidade a Maria e José, e, a Deus-Pai, estava sofrendo injustamente uma traição para pagar os pecados de toda humanidade. Pai Nosso. Ave-Maria. Glória.

2ª Dor: Saber que seu amado e querido Filho, Jesus Cristo, foi preso.(Lc 22, 54)Quanto sofrimento passou Maria ao saber da prisão do Seu Filho Jesus. Jesus que é manso e humilde de coração. Jesus que curou cegos, paralíticos, coxos, leprosos; Jesus que ressuscitou a filha de Jairo e o amigo Lázaro. Jesus que, pregou a todos a misericórdia e o amor. Jesus, a Suma Bondade é preso injustamente para que, toda humanidade fosse liberta da prisão do pecado e pudesse assim encontrar a graça da salvação pela morte e Ressurreição de Jesus. O sofrimento de Maria foi extremo. Saber que o seu único Filho, estava preso mesmo sendo inocente. Saber que, estava sendo humilhado, tratado sem misericórdia, sendo que, em toda a vida Jesus pregou misericórdia para todos. Quão grande a dor inconsolável de Mãe. Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

  3ª Dor: Saber que seu amado e querido Filho, Jesus, foi escarnecido, injuriado e recebeu bofetadas dos soldados.

 Maria e José sempre cuidaram com carinho, zelo, amor, união e ternura o Filho Jesus. Desde a infância Jesus foi tratado com amor e carinho. Em nenhum momento se viu qualquer olhar de repreensão na sagrada família, pois Jesus é manso e humilde de coração. Sempre foi obediente e cheio de sabedoria. Na perda e encontro de Jesus conversando com os doutores da Lei, Deus já estava preparando Maria para a imensa dor que enfrentaria na Paixão de Cristo. Pois, Maria e José ficaram três dias angustiados com a perda do Menino Jesus. Esta aflição de ficar três dias longe do menino Jesus foi uma grande dor no coração de Maria. Esta dor de Mãe que ficou três dias aflita e longe do filho sem saber notícias, preparou o coração de Maria para uma dor ainda maior que seria os três dias que ficaria ausente do Filho após a morte de cruz que haveria de passar. Vejamos a palavra da perda e do encontro do menino Jesus.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 A Perda e o Encontro do Menino Jesus no Templo

Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.(Lc 2, 42-52).

 4ª Dor: Saber que seu amado e querido Filho, Jesus, foi acusado injustamente com violência pelos príncipes dos sacerdotes e tratado com desprezo por Herodes.

 Maria teve o grande sofrimento de saber de todas as falsas acusações que faziam para o seu querido Filho. Jesus foi tratado na Paixão de Cristo de forma inversa ao que viveu e ensinou. As obras de Jesus são sempre boas e seu testemunho de vida é de amor, justiça e misericórdia. Mas para pagar os pecados da humanidade assumiu nossas culpas e recebeu grandes injúrias e violência aceitando com mansidão todo sofrimento, pois quis doar a Sua vida para nos salvar.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos”.(Isaías 53, 4).

 5ª Dor: A flagelação de Jesus.(João 19, 1).

 A flagelação de Jesus foi um momento de grande sofrimento de Maria. Jesus que, só recebeu amor e carinho de Maria e José, que, nunca sofreu nenhum arranhão de ninguém, é coberto de violência, a pedido de Pilatos, e recebe em seu corpo a extrema dor da flagelação. Maria que em nenhum momento se desesperou, manteve o silêncio e a paz diante de todos os sofrimentos que Jesus passava para que, o plano de Deus se cumprisse e toda humanidade fosse salva, mas no coração de Mãe a dor era imensa. Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

  6ª Dor: A Coroação de espinhos(João 19, 2-3).

 Maria sofre grande dor ao ver seu Filho Jesus coroado de espinhos e toda face dolorosa e ensangüentada de Jesus. Maria que ama Jesus com todo o coração compartilha no coração do sofrimento do filho. O coração de Mãe quer retirar cada espinho de Jesus para diminuir-lhe a dor, mas a obediência à vontade de Deus compreende que o sofrimento do Filho traz consigo a salvação de toda humanidade. Por isso, resolve silenciar e transmitir o amor de sua presença pura e maternal.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

7ª Dor: O povo pede que Jesus, o Salvador, seja crucificado e resolve soltar o homicida do Barrabás.(Lc 23, 24-25).

 Maria sofre enorme dor ao ver, seu Amado Filho Jesus, ser preso. Mais a dor aumenta ao saber que preferem soltar o homicida do Barrabás e deixar Jesus, o Salvador, preso. Esta dor em Maria é revivida nos dias de hoje quando resolvemos soltar o ódio e o rancor contra o próximo e prendemos o amor. A prisão de Jesus simboliza a escolha do ser humano pelo pecado. Por isso, se quisermos decidir por soltar Jesus devemos abrir nosso coração para amar a todos, inclusive os que nos maltratam ou ofendem.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 8ª Dor: Jesus carrega a cruz.(Lc 23, 26).

 Maria sente uma profunda dor ao ver que Seu Amado Filho Jesus, mesmo após todos sofrimento das chagas feitas pela flagelação e pela coroação de espinhos, ainda é obrigado a carregar pesadíssima cruz. Maria que queria no coração que tudo parasse para tratar das feridas do filho. Maria que desde a concepção cuidou de Jesus com todo carinho, amor e ternura, se vê num sofrimento indizível ao ver as dores que Jesus suporta, mas o seu conforto está na obediência à vontade de Deus-Pai e na salvação da humanidade.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 9ª Dor: A tríplice queda de Jesus

 Contemplamos o doloroso sofrimento de Maria Santíssima ao ver seu Filho Jesus cair três vezes diante do peso da cruz. Maria que ensinou Jesus a andar quando ainda era bebê, que o levantava quando caia ao aprender a andar, teve que, suportar o sofrimento de ver seu amado Filho Jesus caído por três vezes, pelo peso da cruz, sem nada poder fazer, pois se no seu coração o desejo de mãe de levantá-lo era forte, muito mais forte era o amor a obediência divina para que fosse cumprido o plano de Deus e toda a humanidade fosse redimida dos pecados com a salvação que nos seria dada pela crucificação, morte e Ressurreição de Jesus.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 Meditação da Paixão pelo Vaticano – Papa Bento XVI

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério da associação de Jesus à nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Na sua primeira carta, S. João fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios do seu tempo com todos os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar como a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo, um paganismo pior que o antigo, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso e cai… cai, para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/2005/via_crucis/po/station_07.html

 10ª Dor: Jesus é crucificado juntamente com dois malfeitores.(Lc 23-33).

 Contemplamos toda imensa dor que Maria sentiu ao ver que Jesus estava sendo crucificado. Toda dor de Mãe ao ver seu único e amado Filho ser morto de forma cruel. Jesus o cordeiro manso, humilde e inocente dando a própria vida pela salvação da humanidade. Maria além da dor indizível de ver seu filho sofrer no madeiro da cruz, também, sofre por Jesus ter sido crucificado de forma humilhante, no meio de dois malfeitores. O Justo dos justos, O Rei dos reis, tendo uma morte cruenta juntamente com dois ladrões. Se na vida teve o convívio dos discípulos, do amigo Lázaro, da amiga Marta e Maria, de Sua querida e terna Mãe Maria Santíssima, na morte teve como companhia dois ladrões.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 Foi-lhe dada sepultura ao lado de criminosos e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira. (Isaías 53, 9).

11ª Dor: Jesus é escarnecido, zombado na cruz pelos príncipes dos sacerdotes e pelos soldados e blasfemado pelo ladrão mau.(Lc 23, 35-38).

 Maria vê o sofrimento do seu filho e sente profunda dor ao vê-lo com o corpo todo chagado e sofrido e, ainda, ver os algozes O humilharem constantemente sem piedade nem misericórdia. Maria que amou Jesus por toda a vida sofreu profundamente com a dor do seu único Filho sendo maltratado e humilhado. Maria que sempre guarda as palavras de Deus no coração tem o sofrimento de ouvir blasfêmias, perseguições e injúrias dos algozes e do ladrão mau ao Seu Querido Filho Jesus.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 12ª Dor: Jesus se despede de Maria e recomenda João como filho. (João 19, 26-27).

 Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.(João 19, 26-27).

 Toda dor da despedida que Maria sofreu foi amplamente dolorosa. A dor da separação lembrou o momento da perda e reencontro de Jesus no templo. Deus já havia preparado Maria para o momento de aflição que passaria na morte de Jesus, mas Jesus vendo a dor e a saudade que a Mãe iria ficar do amado Filho, resolve recomendar o discípulo que mais se assemelhou a Jesus no amor, João. Por João ter ficado presente no momento da cruz recebeu o presente de receber Maria como Mãe. Nos dias de hoje, torna-se clara a necessidade de enfrentarmos nossa cruz com fidelidade, pois assim, teremos a certeza de recebemos o apoio maternal da Bem-Aventurada sempre Virgem Maria que, é nossa Mãe e nos auxilia com Sua poderosa Intercessão para vencermos todas as tentações e adquirirmos todas as virtudes que necessitamos para ser santo.

 João sempre diz no evangelho que é o discípulo mais amado, mais esta certeza dele, não estava pautada na diferenciação do amor de Jesus em relação aos discípulos. Esta certeza de ser mais amado foi concretizada na perfeita escolha de João para cuidar de Maria, como sua Mãe e na entrega de João à Maria para que ela cuidasse dele como seu amado Filho. João tinha um coração de criança puro e dócil e seria o consolador de Maria após a Sua morte. Esta entrega de Maria à João como filho e de João à Maria como Mãe é a certeza que Jesus nos entregou Sua própria Mãe para que  a assumíssemos como Mãe da humanidade e Rainha dos anjos e dos santos no céu. Jesus quis nos ensinar que para sermos filhos amados de Maria devemos ser como João, dócil, humilde, fiel e não fugir da cruz. Mas, antes, ajudar a consolar aquele que sofre e ser sensível a dor alheia. João não teve medo de morrer por assistir a crucificação de Jesus, por isso teve ainda uma vida longa.(João 21, 18-23).

 Jesus disse: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.(Mateus 16, 24-25).Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

 13ª Dor: A morte de Jesus. (João 19, 28-30)

 A morte de Jesus é o momento do cumprimento da profecia de Simeão que disse: Uma espada transpassará a tua alma. (Lc 2, 35)

 É o momento de profunda dor no Coração Imaculado de Maria. Um sofrimento que é indizível e não dá para mensurar, pois se já é dolorido para a Mãe ver um filho morrer, imagine para Maria Santíssima que é de coração terno, doce, puro, amável, e que, ama completamente com todas as suas forças o Filho Jesus. Imagine ver morrer um Filho perfeito. Perfeito na obediência, perfeito no carinho, perfeito na pureza, perfeito nas virtudes, perfeito na paz, perfeito na alegria, perfeito na paciência, perfeito na verdade, perfeito na justiça, perfeito em toda sua vida, perfeito no amor. Jesus é a perfeição! Contemplamos toda dor que Maria sentiu na morte de Jesus até a alegria da Ressurreição no terceiro dia.Pai Nosso. Ave Maria. Glória.

Oração: Por todas estas dores, te pedimos Maria a sua intercessão para que sejamos preservados de todo mal e protegidos contra as ciladas do inimigo. Mãe querida, peço humildemente que, me ajudais a sair de todos os vícios da carne, os pecados da língua, e todas impurezas do olhar, do pensamento, e do ouvido. Ó Mãe querida, te peço que possa, pela Sua Poderosa Intercessão, aumentar em mim a fé e as virtudes que preciso para ser santo. Amém.

Nossa Senhora das Dores, Rogai por nós!

Publicado em Biografia dos Santos.

Read Full Post »

Reflexões de Santo Afonso sobre a Paixão de Cristo (Fidelium Animae)

By José (Own work) [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

1. Quanto agrada a Jesus Cristo que nós nos lembremos continuamente de Sua paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu. Muito bem se deduz de haver Ele instituído o Santíssimo Sacramento do altar com o fito de conservar sempre viva em nós a memória do amor que nos patenteou, sacrificando-se na Cruz por nossa salvação.

Já sabemos que na noite anterior à sua morte Ele instituiu este sacramento de amor e depois de ter dado Seu corpo aos discípulos, disse-lhes — e na pessoa deles a nós todos — que ao receberem a santa comunhão se recordassem do quanto Ele por nós padeceu:

“Todas as vezes que comerdes deste pão e beber de deste cálice, anunciareis a morte do Senhor” (1Cor 11,26). Por isso a santa Igreja, na missa, depois da consagração , ordena ao celebrante que diga em nome de Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de Mim”. E São Tomás escreve: “Para que permanecesse sempre viva entre nós a memória de tão grande benefício, deixou seu corpo para ser tomado como alimento” (Op. 57). E continua o santo a dizer que por meio de um tal sacramento se conserva a memória do amor imenso que Jesus Cristo nos demonstrou na sua paixão.

2. Se alguém padecesse por seu amigo injúrias e ferimentos e soubesse que o amigo, quando se falava sobre tal acontecimento nem sequer nisso queria pensar e até costumava dizer: falemos de outra coisa — que dor não sentiria vendo o desconhecimento de um tal ingrato? Ao contrário, quanto se consolaria se soubesse que o amigo reconhece dever-lhe uma eterna obrigação e que disso sempre se recorda e se lhe refere sempre com ternura e lágrimas? Por isso é que todos os santos, sabendo a satisfação que causa a Jesus Cristo quem se recorda continuamente de sua paixão, estão quase sempre ocupados em meditar as dores e os desprezos que sofreu o amantíssimo Redentor em toda a Sua vida e particularmente na Sua morte. S. Agostinho escreve que as almas não podem se ocupar com coisa mais salutar que meditar cotidianamente na paixão do Senhor.

Deus revelou a um santo anacoreta que não há exercício mais próprio para inflamar os corações com o amor divino do que o meditar na morte de Jesus Cristo. E a Santa Gertrudes foi revelado, segundo Blósio, que todo aquele que contempla com devoção o crucifixo é tantas vezes olhado amorosamente por Jesus quantas ele o contempla. Ajunta Blósio que o meditar ou ler qualquer coisa sobre a paixão traz-nos maior bem que qualquer outro exercício de piedade. Por isso escreve S. Boaventura: “A paixão amável que diviniza quem a medita” (Stim. div. amor. p. 1. c. 1). E falando das chagas do crucifixo, diz que são chagas que ferem os mais duros corações e inflamam no amor divino as almas mais geladas.

Fonte: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – Piedosas e edificantes meditações sobre os sofrimentos de Jesus, por Sto. Afonso Maria de Ligório, traduzidas pelo Pe. José Lopes Ferreira, C.Ss.R. – Volume II – Edição PDF de Fl.Castro, abril 2002.

Publicado em Fidelium Animae.

Read Full Post »

Devoção às Cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Ao estar de joelhos ante vossa imagem sagrada

Oh! Salvador meu, minha consciência me diz que tem sido eu que vos cravou na cruz, com estas minhas mãos, todas as vezes que tenho ousado cometer um pecado mortal. Deus meu, meu amor e meu tudo, digno de toda adoração e amor, vendo como tantas vezes me haveis cumulado de bênçãos, me acho de joelhos, convencido de que ainda posso reparar as injúrias com que vos tenho ofendido. Ao menos posso me compadecer, posso dar-Vos graças por todo o que haveis feito por mim. Perdoai-me, Senhor meu. Por isso com o coração e com os lábios digo: Perdoai-me, Senhor meu.

A Chaga do Pé Esquerdo: Santíssima Chaga do pé esquerdo de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, ver-Vos sofrer aquela pena dolorosa. Vos dou graças, Oh! Jesus de minha alma, porque haveis sofrido tão atrozes dores para deter-me em minha carrera ao precipício, sofrendo-Vos a causa dos pulsantes espinhos de meus pecados.

Ofereço ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de vossa santíssima Humanidade para ressarcir meus pecados, que detesto com sincera contrição.

A Chaga do Pé Direito: Santíssima Chaga do pé direito de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vós dou graças, Oh! Jesus de minha vida , por aquele amor que sofreu tão atrozes dores, derramando sangue para castigar meus desejos pecaminosos e andadas em pró do prazer.

Ofereço ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de vossa santíssima Humanidade, e peço a graça de chorar minhas transgressões e de perseverar no caminho do bem, cumprindo fidelíssimamente os mandamentos de Deus.

A Chaga da Mão Esquerda: Santíssima Chaga da mão esquerda de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vós dou graças, Oh! Jesus de minha vida, porque por vosso amor me haveis livrado a mim de sofrer a flagelação e a eterna condenação, que tenho merecido por causa de meus pecados.

Ofereço ao Eterno Pai, o sofrimento e o amor de vossa santíssima Humanidade e suplico me ajude a fazer bom uso de minhas forças e de minha vida, para produzir frutos dignos da glória e vida eterna e assim desarmar a justa ira de Deus.

A Chaga da Mão Direita: Santíssima Chaga da mão direita de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão dolorosa pena. Vós dou graças, Oh! Jesus de minha vida, por ter-me acumulado de benefícios e graças, e isso a pesar de minha obstinação no pecado.

Ofereço ao Eterno Pai o sofrimento e o amor de vossa santíssima Humanidade e suplico me ajude a fazer tudo para maior honra e Glória de Deus.

A Chaga do Sacratíssimo Peito: Santíssima Chaga do Sacratíssimo Peito de meu Jesus, Vos adoro.

Me dói, Bom Jesus, de ver-Vos sofrer tão grande injúria. Vós dou graças, Oh! Bom Jesus, pelo o amor que me tendes, ao permitir que Vos abrissem o peito, com uma lançada e assim derramar a última gota de sangue, para redimir-me.

Ofereço ao Eterno Pai esta oferta e o amor de vossa santíssima Humanidade, para que minha alma possa encontrar em vosso coração transpassado um seguro Refúgio. Assim seja.

Publicado em Últimas e Derradeiras Graças.

Oração à Chaga do Ombro de Jesus I

Perguntando São Bernardo ao Divino Redentor, qual era a dor que sofrera mais, e desconhecida dos homens: Jesus lhe respondeu:

“Eu tinha uma chaga profundíssima no ombro sobre o qual carreguei minha pesada cruz: Essa chaga era mais dolorosa que as outras. Os homens não fazem dela menção, porque não a conhecem. Honra pois, essa chaga a farei tudo o que por ela me pedires”.

Oração:

Oh! amante Jesus, manso cordeiro de Deus, apesar de ser eu uma criatura miserável e pecadora vos adoro e venero a chaga causada pelo peso de vossa cruz, que dilacerando vossas carnes, desnudou os ossos de vosso ombro Sagrado e da qual vossa Mãe dolorosa tanto se compadeceu.

Também eu, ó altíssimo Jesus, me compadeço de vós e do fundo do meu coração vos louvo, vos glorifico, vos agradeço por essa chaga dolorosa de vosso Ombro em que quisestes carregar vossa Cruz por minha salvação.

Ah! pelos sofrimentos que padecestes e que aumentaram o enorme peso de vossa Cruz vos rogo com muita humildade: Tende piedade de mim, pobre criatura pecadora, perdoai os meus pecados e conduzi-me ao céu pelo caminho da Cruz.

Rezam-se sete Ave-Marias e acrescenta-se: “Minha Mãe Santíssima imprimi em meu coração as Chagas de Jesus Crucificado”

Indulgência de 300 dias cada vez.

“Oh! dulcíssimo Jesus, não sejais meu juiz, mas meu Salvador”

Indulgência de 100 dias cada vez.

Oração à Chaga do Ombro de Jesus II

Nas Atas do convento de Claraval (França) lêem-se estas palavras: São Bernardo perguntou ao Divino Salvador qual tinha sido a maior de suas dores desconhecida dos homens.

Jesus lhe respondeu:

Eu tinha uma Ferida no Ombro, em que havia carregado a Cruz, e esta Ferida era mais dolorosa que as outras.Os homens não fazem menção dela, porque é desconhecida. Honrai-a, pois, e Eu vos concederei tudo o que me pedires por sua virtude. Todos aqueles que a venerarem, obterão a remissão dos seus pecados veniais e graças eficazes para conseguirem o perdão dos pecados mortais que tiverem cometido.

Oração:

Oh! bom Jesus, Senhor e Redentor meu, que carregastes a pesada Cruz de todos os pecados do Mundo e também os meus; pelos méritos da Chaga e dor que tal Cruz rasgou no vosso Ombro, eu Vos peço humildemente o arrependimento e perdão de todas as minhas culpas e a graça de morrer sem pecado.

E lembrando o auxílio que vos deu Simão Cireneu, aliviando o peso da vossa Cruz, peço-Vos ainda, em virtude da Chaga do vosso Ombro, que foi a mais escondida do vosso sacrifício redentor, que susciteis no mundo muitas almas vítimas, a continuarem nelas a vossa Paixão, e, pela generosidade do seu holocausto, suportando com amor heróico, resgatem muitos pecadores, salvem muitos moribundos, e atraiam sobre a Terra uma chuva da Caridade e Pureza. Amém.

Rezam-se sete Ave-Marias e acrescenta-se: Minha Mãe Santíssima imprimi em meu coração as Chagas de Jesus Crucificado”

Indulgência de 300 dias cada vez.

“Oh! dulcíssimo Jesus, não sejais meu juiz, mas meu Salvador”

Indulgência de 100 dias cada vez.

Publicado em Últimas e Derradeiras Graças

Meditação sobre as Santas Chagas de Jesus

A Chaga do Lado: Lembra a Eucaristia, fonte de Vida, graça, amor e luz. É seguro refúgio para todos nós, e é especialmente reaberta pelos profanadores do Santíssimo Sacramento.

A Chaga da Mão Direita: Por ela Jesus eleva ao Pai as almas que se santificam por força do Amor divino. É reaberta pela ingratidão e falta de amor das almas que fogem aos sacrifícios que Deus lhes pede.

A Chaga da Mão Esquerda: É por ela que Jesus faz chegar ao Pai os anseios das almas dedicadas ao apostolado. Ferem-na os hipócritas que trabalham no reino de Deus apenas por vaidade e ostentação.

A Chaga do Pé Direito: Por ela Jesus promete salvar os pecadores, socorrer os atribulados e aliviar as Almas do Purgatório. É reaberta pela insensibilidade e falta de caridade para com o próximo.

A Chaga do Pé Esquerdo: Por esta Chaga se salvarão os pecadores mais obstinados, se o Senhor lhes der a graça do arrependimento final, pelos Seus infinitos merecimentos e dos balsamizadores desta mesma Chaga. Ferem-na os indiferentes para com a sorte eterna dos seus irmãos.

A Chaga do Ombro: É reaberta pela ingratidão e falta de amor de tantas almas a Deus consagradas.

São Bernardo ouviu de Jesus estas palavras:

“Eu tinha uma Chaga profundíssima no ombro sobre a qual carreguei a Minha pesada Cruz. Essa Chaga era mais dolorosa que as outras. Honra, pois, essa Chaga, e farei tudo o que pedires.”

A Chaga da Fronte: Por esta Chaga que ensanguentou o rosto triste e machucado de Jesus, o mesmo Jesus promete aceitar os espinhos das almas que trabalham para defender a Sua seara. Os pecados de inveja, ciúme, ódio, derrotismo, entre as almas do santuário, ofendem a Fronte de Jesus.

Publicado em Últimas e Derradeiras Graças.

Read Full Post »

Quaresma, tempo de reconciliação e conversão

É tempo de proclamarmos a misericórdia de Deus, buscando o seu perdão. No início do cristianismo, o tempo da Quaresma servia à purificação e iluminação daqueles que se preparavam para os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação, Eucaristia). Os catecúmenos iniciavam neste tempo uma caminhada de exame de consciência, de revisão de vidade reconciliação para celebrar e viver os frutos da Páscoa de Jesus Cristo, aproveitando os 40 dias para preparar-se para a graça da vida nova, da adesão à pessoa de Jesus Cristo.

Quando termina a Quaresma?

Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida.

Esse ideal ainda permanece. Nós que já fomos iniciados na vida cristã também somos convidados à purificação e renovação de nosso ardor no seguimento de Jesus, reavivando nosso Batismo e assumindo nossos compromissos cristãos, à luz do mistério pascal de Cristo. Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida. Dedicar-nos à escuta da Palavra, à vivência sacramental.

Destaco aqui o sacramento da Reconciliação para este tempo de graça. Como estamos celebrando o sacramento da Reconciliação? Temos sentido necessidade da misericórdia de Deus, do seu perdão?

Sobre o sacramento da Reconciliação, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: o Batismo nos dá vida nova, mas não suprime a fragilidade, a fraqueza da natureza humana inclinada ao pecado. Por isso somos chamados à conversão para vivermos cada dia nossa vocação à santidade. A Igreja (que somos nós) é santa e pecadora, tem necessidade de purificar-se, renovar-se, e assim, atraídos pela graça, respondendo ao amor misericordioso de Deus, celebramos o sacramento da Reconciliação com o coração contrito e o propósito de conversão sincera. (cf. CIC 1426-1428)

Como viver a Quaresma como tempo de misericórdia?

conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. Pela reconciliação o cristão é convidado a reorientar-se para Deus, de todo coração, rompendo com o pecado. A conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. O Espírito Santo nos dá a graça do arrependimento e da conversão e nós respondemos a cada dia com o esforço de sermos melhores e mais coerentes com nossa .

O Catecismo também nos ensina que o sacramento produz efeitos em nossa vida: reconciliação com Deus, paz tranquilidade de consciência, consolo espiritual, ressurreição espiritual, restituição da dignidade da vida de filho de Deusreconciliação com a Igreja (comunhão fraterna), participação dos bens espirituais, reconciliação consigo mesmo e com os irmãos. Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé o pecador passa da morte para a vida. (cf. CIC 1468-1470)

Neste tempo também somos convidados à pratica da caridade e ao jejum. Oferecemos nosso sacrifício para nosso crescimento espiritual e para o bem de nossos irmãos e irmãs.

“A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”. (Bento XVI)

Percorramos o caminho quaresmal, conduzidos pelo Espírito Santo. Que Ele sustente nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos, solidários, reconciliadores, verdadeiros cristãos que comunicam em palavras a atitudes a alegria do Cristo Ressuscitado!

Fonte: A12.

Imagem: Comunidade Betânia.

Read Full Post »

Retiro online: Quaresma 2021


Andar de morada em morada” com Santa Teresa de Jesus
Os Carmelitas Descalços estão a preparar um novo retiro para oferecer a todos os cristãos para a próxima Quaresma em ordem a preparar a Páscoa da Ressurreição de Jesus. Basta entrar em www.webretiro.karmel.at e preencher o formulário, inscrevendo-se gratuitamente para o retiro online da Quaresma de 2021. Atualmente estão inscritos cerca de 66000 em diversos países, sendo o texto traduzido em oito línguas. Este ano a temática é acompanhada por Santa Teresa de Jesus (1515-1582). Foi em plena crise que escreveu a sua obra prima, o Livro das Moradas ou Castelo Interior. Enquanto toda a sua obra de fundação de novos Carmelos parecia estar a desmoronar-se, ela orienta todas as suas energias para o seu Castelo Interior. No contexto de crise sanitária e económica que vivemos, Santa Teresa de Ávila pode ajudar, nesta Quaresma, a descobrir que a nossa força está dentro, no interior do Castelo da nossa alma. Com esta Doutora da Igreja, pretende-se caminhar de Morada em Morada até ao centro onde brilha a luz da Páscoa do Senhor. A presença do Ressuscitado é a verdadeira boa nova que pode revitalizar a nossa vida espiritual e abrir-nos novos horizontes de esperança.

http://www.webretiro.karmel.at

Read Full Post »

“Seus ultrajes abateram meu Coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei” (Sl 68, 21).

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 25-30)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Celebrar a solenidade do Sagrado Coração de Jesus é tributar ao Senhor um culto de adoração que manifeste, com especiais homenagens, toda a nossa gratidão pelo mistério de amor que, por meio de sua amantíssima Redenção, Ele se dignou manifestar-nos. É pois, com um Coração de carne, unido hipostaticamente à sua divina pessoa, que o Verbo humanado simboliza, numa imagem natural e expressiva, a caridade transbordante que Deus tem para conosco. Ao Filho eterno do Pai, com efeito, não bastou amar a humanidade com um amor unicamente espiritual; amando-nos mais do que poderíamos imaginar, o Redentor do gênero humano, ao fazer-se semelhante a nós segundo a carne, amou-nos com um amor também sensível e afetivo, como convinha a uma natureza humana íntegra e perfeitíssima, cujos sentimentos não poderiam jamais se contrapor à infinita caridade que a Divindade tem por nós. Índice desse divino amor — a um tempo espiritual e sensível —, o Coração de Jesus Cristo é, recorda o Papa Pio XII, como que uma “mística escada” pela qual nos é dado subir “ao amplexo ‘de Deus nosso Salvador’” (Haurietis Aquas, 28; cf. Tt 3, 4). Prova concreta de que fomos amados por primeiro (cf. 1Jo 4, 19), o Coração do Senhor, chagado pelos nossos muitos pecados, pode hoje nos levar a um maior comprometimento com a vida de santidade. Ao meditarmos neste dia de festa no quanto somos queridos por Deus, muitíssimo mais do que um filho pode ser querido por sua mãe, peçamos ao Pai de misericórdias a graça de amarmos com verdadeira e “louca” paixão o seu Filho unigênito. Queiramos conhecê-lo mais nas páginas do Evangelho e nos momentos de oração; façamos, além disso, o propósito de o imitarmos de mais perto, mantendo sempre diante dos olhos os exemplos de virtude e amor que Ele, a fim de nos instruir e dar um caminho seguro à perfeição na caridade, quis prodigalizar-nos. Recorramos também àquela que, sendo Mãe dos membros de Cristo, é um dom preciosíssimo do mesmo Sagrado Coração. Genitora espiritual de toda a família cristã, a Virgem SS. decerto se alegrará em ouvir, especialmente hoje, as nossas súplicas por seu auxílio. Imploremos-lhe pois a alegria de amar a Deus com generosidade e audácia, colocando por inteiro o nosso pobre e miserável coração em cada pequeno ato de caridade que, com a ajuda da graça, formos capazes de realizar.

Ouça neste link a Homilia Diária com Padre Paulo Ricardo.

Leia também: De onde procede a devoção ao Sagrado Coração de Jesus? (Fonte: ACI Digital – imagem acima).

Publicado em padrepauloricardo.org .

 

Read Full Post »

Nossa Senhora de Fátima – 13 de maio – Mensagem para o nosso tempo (Formação Canção Nova)

A mensagem de Fátima para o nosso tempo

Em 1917, Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta, para revelar ao mundo uma mensagem significativa para aquela época, mas que não perdeu a sua importância em nossos dias. Em seu livro “Luz do mundo”, o Papa emérito Bento XVI disse que a mensagem de Fátima nos ajuda a “entender um momento crítico na história: aquele no qual se desencadeia toda a força do mal que se cristalizou nas grandes ditaduras e que, de outra maneira, age ainda hoje”1. Essas duas grandes ditaduras, o nazismo e o comunismo, que, juntas mataram centenas de milhões de pessoas, devastaram a Europa e a Ásia, e, depois da “queda”, espalharam seus erros por todo o mundo.

A resposta desafiadora a todos esses erros “não consiste em grandes ações políticas, mas, ultimamente, pode chegar somente da transformação dos corações. […] Nesse sentido, a mensagem de Fátima não está concluída, mesmo que as duas grandes ditaduras tenham desaparecido”2, pois permanece o sofrimento da Igreja, resta a ameaça às pessoas, que se faz presente não somente por meio da perseguição, da violência, da escravidão, da morte, como vemos no mundo islâmico e em países comunistas, mas também nas ideologias: relativismo, feminismo, ideologia de gênero, cultura de morte e tantos outros erros que corrompem as culturas e as sociedades pelo mundo todo.

Foto Ilustrativa: bpperry by Getty Imagens

As aparições de Fátima e a Penitência pela salvação das almas

Para fazer frente a todos esses males, mantém-se atual a resposta que nos foi dada na mensagem de Fátima, persiste a orientação que Maria nos revelou por intermédio de Lúcia, Francisco e Jacinta. Como profetizou a Santíssima Virgem, nosso tempo está marcado por grandes tribulações. Hoje, o poder das trevas ameaça pisotear a nossa fé de todas as formas possíveis. Por isso, em nossos dias, como outrora, são necessários os ensinamentos que a Mãe de Deus transmitiu aos três pastorinhos.

Na carta com o terceiro segredo de Fátima, revelado por Nossa Senhora aos pastorinhos, em 13 de julho de 1917, a Irmã Lúcia descreve uma visão extraordinária que nos ajuda a compreender a importância da penitência, especialmente para o nosso tempo: “(…) vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despendia chamas que pareciam incendiar o mundo; mas se apagavam com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”3

A palavra “penitência” aparece nada menos do que 57 vezes na “Documentação Crítica de Fátima”. Em suas aparições, Nossa Senhora recomendou insistentemente que todos fizessem penitência, inclusive as três crianças, videntes das aparições. Lúcia, Francisco e Jacinta fizeram duras penitências, principalmente pela conversão e salvação dos pecadores.

Entre as penitências que nos pediu a Virgem de Fátima, tem particular importância os sacrifícios. A palavra “sacrifício”, que aparece 38 vezes na Documentação, também é muito importante para compreender a Mensagem de Fátima. Na 4ª aparição, no dia 19 de agosto de 1917, Nossa Senhora deu uma ordem expressa aos pastorinhos: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores”, dizia ela. “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”4. Pois é um dos meios que a Virgem Maria nos revelou para afastar os males do mundo. Alguns sacrifícios foram ensinados pela própria Virgem, como rezar de joelhos, jejuns e abstinências. Mas outros foram as três crianças que tiveram a inspiração, como aconteceu certa vez, quando encontraram uma corda áspera no caminho por onde passavam. Os três pastorinhos tomaram a corda e repartiram para usar na cintura como um cilício 5, dia e noite.

Nossa Senhora e o Santo Rosário pela salvação dos pecadores

O Santo Rosário tem grande importância na mensagem de Fátima. O próprio título com o qual a Virgem Maria se apresentou revela a grande importância dessa oração mariana para a Igreja em nosso tempo. Nossa Senhora apresentou-se aos pastorinhos sob o título de “Senhora do Rosário”. Esse nome aparece por 121 vezes na Documentação das aparições. O termo “Rosário” aparece 282 vezes; e o nome “Nossa Senhora do Rosário”, 51 vezes no Documento.

Leia mais:
.: O segredo de Maria nos aprofunda no amor de Deus
.: Conheça a relação entre o Escapulário e Nossa Senhora de Fátima
.: Novena a Nossa Senhora de Fátima
.:Você conhece o Terceiro Segredo de Fátima?

De fato, a própria Virgem pediu que Lúcia, Francisco e Jacinta rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário. Primeiramente, pelos próprios pecados, mas também e, principalmente, pela salvação dos pecadores. A devoção a Senhora do Rosário começou com a construção de uma capela dedicada a ela, na Cova da Iria, local das aparições. Com a crescente peregrinação dos fiéis e pelo manifesto desejo desses, foi erigida a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que posteriormente foi elevada a Santuário.

Nossa Senhora pediu insistentemente que os pastorinhos rezassem o Rosário de modo particular para a salvação das almas do inferno. A princípio, as três crianças não levaram muito a sério o pedido da Virgem Maria. Rezavam rapidamente para ter mais tempo para as brincadeiras comuns às crianças de suas idades. Mas, em pouco tempo, passaram a rezar com grande fervor o Santo Terço, pois compreenderam a importância da oração do Rosário para a salvação das almas.

A reparação ao Imaculado Coração da Virgem Maria

Em 13 de junho de 1917, na segunda de suas aparições em Fátima, Nossa Senhora confiou uma missão especial a pequena Lúcia, justamente quando ela pediu para os levar os três para o céu. A Santíssima Virgem respondeu-lhe: “Sim. A Jacinta e o Francisco, levo-os em breve; mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas de Deus essas almas, como flores postas por mim a adornar o Seu trono”. “Fico cá sozinha?”, disse com tristeza. “Não, filha, eu nunca te deixarei, o meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.6

Depois de ouvir essas palavras, Lúcia, Francisco e Jacinta viram a Virgem Maria com um coração na mão, cercado de espinhos. Os pastorinhos compreenderam que aquele era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que necessitava de reparação. Na aparição seguinte, no dia 13 de julho, a Santíssima Virgem repetiu as mesmas palavras e disse que voltaria para pedir a devoção reparadora dos primeiros sábados. Sete anos depois, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha, foi revelado a Irmã Lúcia, na época postulante no Instituto de Santa Doroteia, a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. A princípio, a Irmã ficou perplexa e não quis expor o fato. Somente em dezembro de 1927, por ordem de seu confessor, Lúcia escreveu as palavras que lhe dirigiu a Santíssima Virgem: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e dize que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro sábado, confessarem-se, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”7.

A mensagem de Fátima como remédio contra os males do mundo atual

Assim, a mensagem de Fátima teve grande importância naquele momento histórico. No entanto, quase cem anos depois, a mensagem de Nossa Senhora mantém-se atual. Talvez, hoje, mais do que naquele tempo, as penitências serão remédios eficazes contra o mal, a busca desenfreada pelas coisas materiais, pelo prazer e poder. O Santo Rosário será uma “arma” contra o poder dos demônios. A devoção dos primeiros sábados, em reparação das ofensas contra o Imaculado Coração de Maria, será o caminho seguro de muitas almas para o Reino dos Céus.

Hoje, as grandes ditaduras permanecem agindo em nossos dias, por meio das ideologias, das falsas religiões, das lutas pelo poder e pelas riquezas. Em Fátima, a resposta que nos é dada a essas pela Virgem Maria não consiste em grandes ações políticas, mas na transformação dos corações através da penitência e do sacrifício, da oração do Santo Rosário e da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Se ouvirmos os apelos de Jesus Cristo e da Virgem Maria, veremos, no Brasil e em todas as partes do mundo, aquilo que viu o Papa emérito Bento XVI: “Em Fátima, vi centenas de milhares de pessoas que, por meio daquilo que Maria havia confiado às crianças, neste mundo cheio de obstáculos e fechamentos, reencontram, de algum modo, o acesso a Deus”8. Esse nosso encontro com o Senhor será o grande triunfo profetizado pela Virgem Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”9.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

Publicado em Formação Canção Nova.

Read Full Post »

Meu Encarceramento

Ainda lembro como se fosse hoje como tudo aconteceu. Era uma sexta-feira, já no finalzinho da tarde, quando já ansiava pelo fim de semana que se avizinhava. Eles entraram no meu local de trabalho, não bateram na porta, nem cumpriram os rituais de boa educação. Simplesmente, deram-me voz de prisão, sem que eu pudesse resistir. Não estavam munidos de cassetete, algemas ou arma de fogo. Não eram como os policiais normais: suas armas eram palavras, imagens, fatos e um alarmante índice de mortos. Minha sensação naquele momento foi de um cidadão comum. Senti-me perplexo, perdido e acuado. Sem que minhas angustias fossem escutadas, fui levado às pressas para o camburão. Não me foi permitido levar muitas coisas. Eles me levaram em um veículo escuro e hostil a minha dor. No entanto, percebi que não era o único que havia sido preso, milhares de pessoas também estavam ali, também elas haviam sido delatadas. A acusação que recaia sobre todos nós era que levávamos uma vida comum. Algo totalmente injusto para um trabalhador como eu, que paga os meus impostos e cumpre com os seus deveres com a Nação. Mas o mais chocante de tudo ainda estava para acontecer. O local do meu encarceramento se chamava casa. Casa? Sim, não qualquer casa, mas a minha casa. Era realmente maldade o que faziam comigo, estar preso em minha própria casa. Casa, para mim, colocava-me em contato com um “nós”. Confesso que sempre tive dificuldade em conjugar os verbos na terceira pessoa do plural, por isso, com o passar do tempo havia criado muitos espaços onde a conjugação na primeira pessoa do singular era permitida. Era ridículo que nessa altura da vida fosse obrigado a passar por essa situação tão constrangedora. Os meus algozes, como um gesto benéfico, deixaram-me usar o smartphone. Era um refrigério em meio ao caos! Mas o tempo da privação foi alongando-se e com ele foram aflorando os meus medos e preocupações. Como vou pagar as minhas dívidas? Como vou sustentar a minha família? Essas e outras perguntas eram frequentes… Mas as minhas dúvidas não eram ouvidas, tentei fazê-los entender a importância que eu tinha na empresa e que muitas coisas dependiam de mim. Eu, que me achava imprescindível no meu trabalho, agora estava privado de qualquer certeza ou garantia de um dia voltar para ele. Esses pensamentos e preocupações, somadas ao enfado de estar naquele lugar, que já não merecia o nome de casa, mas de cárcere, levou-me ao delírio… Como é difícil constatar que não temos as coisas em nossas mãos e que de uma hora para outra tudo se torna relativo! O delírio, que de início se manifestava como um intruso, já ocupava cada segundo do meu dia. Hoje, tendo passado alguns anos do meu encarceramento posso admitir que o cume de tudo foi aquele espelho. De fato ele sempre esteve lá, mas até então servia apenas para ajudar-me a fazer a barba. Aquele espelho colocou-me em contato com o meu “eu”. O “eu verdadeiro” que vive escondido dentro de cada um de nós. Temos vergonha dele, por isso, fazemos questão de negá-lo. Mas já não me era mais possível fugir, minha condição de encarcerado não me permitia. Até mesmo o smartphone, de início tão solidário a minha dor, havia se revelado como um verdadeiro inimigo que me roubava de mim mesmo e, consequentemente, dos outros. Que cena deprimente foi escutar a voz do meu “eu verdadeiro”. Tive que reconhecer que havia muitas coisas em mim sem resolver. É como se me deparasse com um aglomerado de entulhos sem saber o que fazer. Não consigo colocar no papel o que consiste encontrar-se consigo mesmo em meio ao caos. Medo, insegurança, frustração, dúvidas, ódio, desespero… São palavras apenas! O que está em mim é bem mais do que isso. Porém, foi exatamente nesse instante, entre o desespero e a lucidez que vi emergir em mim uma voz. Não seria ela projeção do meu desespero? Não seria um refúgio metal criado pela minha fraqueza? Não, não conseguiria produzir por mim mesmo aquela sensação de paz. Não vinha de mim, mas de um “outro” estranhamente presente em mim. Agora reconheço que ela não surgiu no desespero, ela sempre esteve ali. Aquela voz amena e cálida me indicava apenas duas atitudes infantis como âncora naquela tempestade: a confiança e o abandono. Confiança e abandono não são palavras mágicas. Estão repletas de significado existencial. Foi quando no auge de meu encarceramento, quando havia perdido todas as esperanças de sobreviver a esse caos, é que emergiu essa Presença afável e sutil. Não sei explicar como alguém passa da dor à alegria, da prisão à liberdade, do desespero à esperança… São coisas complexas que não conseguimos expressar com palavras. Mas foi assim, quando do cume do meu cárcere fui liberto de mim mesmo e me abri à Transcendência.

Publicado em Seculares Contemplativos.

Read Full Post »

CRISTO VIVE! RESSUSCITOU! ALELUIA! – “…A adesão do coração e da mente a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos.” (Presbíteros)

 

Homilia de Mons. José Maria Pereira – Domingo de Páscoa

Vencedor da morte

Cristo ressuscitou! A paz esteja convosco! Hoje se celebra o grande Mistério, fundamento da fé e da esperança cristã: Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. O anúncio feito aos Anjos, naquela aurora do primeiro dia, depois do sábado, a Maria Madalena e às mulheres que foram ao sepulcro, o ouvimos, hoje, com renovada emoção: “Por que buscais entre os mortos o Vivente? Não está aqui. Ressuscitou!”   ( Lc 24, 5-6).

O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia!

A todos formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: “A Ressurreição do Senhor é a nossa esperança”. Com esta afirmação, Santo Agostinho explicava aos   seus fiéis que Jesus ressuscitou para que nós, apesar de destinados à morte, não desesperássemos, pensando que a vida acaba totalmente com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar a esperança. Graças à Morte e Ressurreição de Cristo, também nós hoje ressurgimos para uma vida nova e, unindo a nossa voz à d’Ele, proclamamos que queremos ficar para sempre com Deus, nosso Pai, infinitamente bom e misericordioso.

A Ressurreição gloriosa do Senhor é a chave para interpretarmos toda a sua vida e o fundamento da nossa fé. Sem essa vitória sobre a morte, diz S. Paulo, vazia seria a nossa pregação e vã a nossa fé (1 Cor 15,14).

A Ressurreição do Senhor é uma realidade central da nossa fé católica, e como tal foi pregada desde os começos do cristianismo. A importância deste milagre é tão grande que os Apóstolos são, antes de mais nada, testemunhas da Ressurreição de Jesus. Este é o núcleo de toda pregação, e isto é o que, depois de mais de vinte séculos nós anunciamos ao mundo: Cristo vive!  A Ressurreição é a prova suprema da divindade de Cristo. Jesus ressuscitou, não para que a sua memória permaneça viva no coração dos seus discípulos, mas para que Ele mesmo viva em nós, e, n’Ele, possamos já saborear a alegria da vida eterna. Na manhã de Páscoa, tudo se renovou. “Morte e vida defrontaram – se num prodigioso combate: O Senhor da vida estava morto; mas agora, vivo, triunfa” ( Sequência Pascal). Esta é a novidade! Uma novidade que muda a vida de quem a acolhe, como sucedeu com os santos. Assim aconteceu, por exemplo, com São Paulo.

Portanto, a Ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua “Páscoa”, da sua “passagem”, que abriu um “caminho novo” entre a Terra e o Céu (Heb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível : Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta – feira foi descido da Cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De fato, ao alvorecer do primeiro dia, depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram – no também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite, no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos, na Galiléia.

A Liturgia Pascal lembra, na primeira leitura, um dos mais comoventes discursos de Pedro sobre a Ressurreição de Jesus: “Deus O ressuscitou no terceiro dia, concedendo-Lhe manifestar-se… às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). Surge nestas palavras a vibrante emoção do chefe dos Apóstolos pelos grandes acontecimentos de que foi testemunha, pela intimidade com Cristo ressuscitado, sentando-se à mesma mesa, comendo e bebendo com Ele.

A Ressurreição é a grande luz para todo o mundo: “Eu sou a luz” (Jo 8,10), dissera Jesus; luz para o mundo, para cada época da história, para cada sociedade, para cada homem.

No Evangelho (Jo 20,1-9) vemos que a Boa Nova da Ressurreição provocou, num primeiro momento, um temor e espanto tão fortes, que as mulheres “saíram e fugiram do túmulo… e não disseram nada a ninguém, porque tinham medo”. Entre elas, porém encontrava-se Maria Madalena que viu a pedra retirada do túmulo e correu a dar a notícia a Pedro e João: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde O colocaram” (Jo 20,2). “Os dois saem correndo para o sepulcro e, entrando no túmulo, observaram as faixas que estavam no chão e o lençol…” (Jo 20,6-7). “Ele viu e acreditou” (Jo 20,8).  É o primeiro ato de fé da igreja nascente em Cristo Ressuscitado, originado pela solicitude de uma mulher e pelos sinais do lençol, das faixas de linho, no sepulcro vazio. Se se tratasse de um roubo, quem se teria preocupado em despir o cadáver e colocar o lençol com tanto cuidado? Deus serve-se de coisas bem simples para iluminar os discípulos que “ainda não tinham entendido a Escritura, segunda a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,9), nem compreendiam ainda o que o próprio Jesus tinha predito acerca da Sua ressurreição.

Ainda que sob outro aspecto, os “sinais” da Ressurreição veem-se ainda presentes no mundo: a fé heroica, a vida evangélica da tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da igreja que as perseguições externas e as lutas internas não chegam a enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Jesus ressuscitado que continua a atrair a Si todos os homens. Pertence a cada um dos homens vislumbrar e aceitar estes sinais, acreditar como acreditam os Apóstolos e tornar cada vez mais firme a sua fé.

A Ressurreição do Senhor é um apelo muito forte: lembra-nos sempre que vivemos neste mundo como peregrinos e que estamos em viagem para a verdadeira pátria, a eterna. Cristo ressuscitou para levar consigo os homens, na Sua Ressurreição, para onde Ele vive eternamente, fazendo-os participantes da Sua glória.

O Senhor Ressuscitado faça – se presente em todo lugar com a sua força de vida, de paz e de liberdade. Hoje, a todos são dirigidas as palavras com as quais, na manhã da Páscoa, o Anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: “Não tenhais medo! Não está aqui; ressuscitou” (Mt 28, 5-6). Jesus ressuscitou e concede – nos a paz. Ele mesmo é a paz. Por isso, vigorosamente, a Igreja repete: “Cristo Ressuscitou”. Que a humanidade do Terceiro Milênio não tenha medo de abrir – Lhe o coração! O Seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em todo o coração humano. Agora Cristo está vivo e caminha conosco. Um Mistério imenso de Amor! Aleluia!

Devemos constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é-nos dada a certeza da nossa Ressurreição. A notícia da sua Ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. “A fé dos cristãos, observa Santo Agostinho, é a Ressurreição de Jesus Cristo”. O enfraquecimento da fé na Ressurreição de Jesus, consequentemente torna débil o testemunho dos crentes. Ao contrário, a adesão do coração e da mente a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos. Não é porventura a certeza de que Cristo ressuscitou que dá coragem, audácia profética e perseverança aos mártires de todos os tempos? Não é o encontro com Jesus vivo que converte e fascina tantos homens e mulheres, que desde o início do cristianismo continuam a deixar tudo para O seguir e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho? “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé” (1Cor 15, 14).

Mas ressuscitou!

Maria, a Mãe de Jesus, que acompanhou o Filho nas mais terríveis e duras horas da paixão; junto da Cruz, emudecida de dor, não soubera o que dizer; agora, com a Ressurreição, emudecida de alegria, não consegue falar. Procuremos estar unidos a essa imensa alegria da nossa Mãe. Toda a esperança na Ressurreição de Jesus que restava sobre a terra tinha-se refugiado no seu coração. Com toda a igreja, neste tempo pascal, saudemos a Virgem Maria: “Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia! Por que Aquele que merecestes trazer em vosso seio ressuscitou como disse, aleluia!…”

Somos chamados a ser testemunhas da Morte e Ressurreição de Cristo; deixemo-nos conquistar pelo fascínio da sua Ressurreição. Não podemos conservar para nós a grande notícia! Devemos levá-la ao mundo inteiro: “Vimos o Senhor” (Jo 20, 25). Ajude-nos a Virgem Maria a sermos mensageiros da luz e da alegria da Páscoa para com tantos irmãos nossos; amparados pela força do Espírito Santo, nos tornemos capazes de a difundir por nossa vez onde quer que vivamos e trabalhemos.

Uma Feliz Páscoa para todos!

Mons. José Maria Pereira

Publicado em Presbíteros.

Imagem: Domingo de Páscoa (Presbíteros).

Read Full Post »

Sexta-feira Santa – Wikipédia, a enciclopédia livre

A festa da Páscoa, que está às portas, é a passagem da morte de Cristo, celebrada neste Domingo da Paixão, à Sua nova vida, lembrada no Domingo da Ressurreição. O marco dessa passagem é o escândalo da Cruz (cf. 1 Cor 1, 23), que, na liturgia deste ano, é narrado pelo evangelista São Lucas.

A Paixão segundo Lucas possui algumas características especiais, que não foram anotadas pelos outros evangelistas, e sobre as quais vale a pena nos determos neste programa.

1. Jesus chora sobre Jerusalém. “Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: ‘Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos! (…) Não reconheceste o tempo em que foste visitada (καιρὸν τῆς ἐπισκοπῆς).” (Lc 19, 41-42.44)

O que viu o Senhor quando chorou sobre a Cidade Santa? Ele anteviu aquela que seria a verdadeira Jerusalém, a Igreja, e começou já ali a sofrer pelos seus membros indignos, que somos nós. Sofreu voluntariamente, escolheu passar pelos mais variados tipos de dores e torturas, fez-Se frágil de modo inefável: tudo, a fim de remir completamente cada ser humano, com todas as potências de sua alma e com todos os seus sentimentos e paixões. Ninguém tira a Sua vida, o Cristo mesmo Se entrega livremente (cf. Jo 10, 18), experimentando a Sua Paixão (do verbo latino pati, que significa, lit., “passar por algo”, “sofrer”, “padecer”) para purificar as nossas paixões.

2. Jesus é assistido por um anjo e sua sangue no Horto das Oliveiras. “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. (…) Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão.” (Lc 22, 43-44)

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, faz um belo comentário a essa passagem em uma poesia sobre a vida de Cristo. Ela diz ao Senhor:

“Lembra-te de que na noite de tua agonia,
Ao teu sangue, misturaram-se as lágrimas.
Orvalho de amor, o seu infinito valor
Fez germinar flores virginais.
Um Anjo, mostrando-te esta colheita escolhida,
Fez renascer a alegria em tua Face bendita.” [1]

As flores que nascem no jardim divino, germinadas pelo sangue e pelas lágrimas do Redentor, são as almas eleitas de Deus. É a visão delas, oferecida pelo anjo, que consola Jesus agonizante no Horto. Por isso, cada um de nós pode dizer: assim como Cristo suou sangue vendo o meu pecado, Ele também Se alegrou vendo a minha conversão. Ao entregar-Se, de fato, Jesus não remiu o gênero humano de modo genérico, mas individualmente, e, assim como teve diante de si os pecados pessoais de cada um dos que remiu, não exultou simplesmente com a salvação geral dos eleitos, mas com a mudança de vida de cada homem em particular. Há alegria na alma de Cristo — diz também São Lucas — por um só pecador que se converte (cf. Lc 15, 7). Por isso, unamo-nos ao anjo do Horto e consolemos também nós o Senhor, com nossos atos de amor e pequenas mortificações!

3. Jesus rezava enquanto era crucificado. “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!'” (Lc 23, 33-34)

Cristo orante não pretendia apenas servir de exemplo para nós, mas também pedir eficazmente a Deus pela nossa salvação. É graças à Sua intercessão que somos verdadeiramente remidos. Isso fica muito claro quando Ele diz a Pedro: “Simão! Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22, 31-32). Ao olhar para o apóstolo e pronunciar estas palavras, Ele Se dirigia também a cada um de nós. Quando as Suas benditas mãos eram cravadas no madeiro da Cruz e Ele pedia perdão aos que O matavam — o original grego sugere que Cristo rezava continuamente, de modo repetido, como uma súplica —, era por nós que Ele suplicava. Como não pedir o perdão de Deus, quando Jesus pede perdão por nós? Como ficar indiferente a Jesus que perde perdão por mim, no meu lugar?

4. Jesus acolhe o ladrão arrependido. “Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: ‘Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!’ Mas o outro o repreendeu, dizendo: ‘Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal’. E acrescentou: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso’.” (Lc 23, 39-43)

Ao lado de Cristo são crucificados dois malfeitores, ambos os quais também morreram. Um deles, porém, arrependido dos seus crimes, diferentemente do ladrão impenitente que blasfemava e se juntava aos escarnecedores de Cristo, faz um sublime ato de fé. Ele se volta para Cristo e, mesmo vendo um quase cadáver diante de si, não se engana com os olhos da carne: crê em seu coração que Ele é um rei e pede-lhe para ter parte no Seu reino. Jesus, por Sua vez, promete a esse homem o paraíso. A sua justificação, porém, torna o seu interior, já antes da morte, o jardim das delícias de Deus (cf. Pr 8, 31) — assim é chamada por Santa Teresa d’Ávila a alma do justo que ama a Deus [2]. Façamos também a oração do bom ladrão, pedindo ao Senhor que Se lembre de nós, apesar de nosso esquecimento e de nossa ingratidão, e venha habitar em nosso coração. “Se alguém me ama, (…) meu Pai o amará, nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23).

5. Jesus entrega o espírito. “Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isso, expirou.” (Lc 23, 46)

Por fim, assim como o filho pródigo se lança ao abraço de seu pai, Cristo abandona-se inteiramente nos braços do Pai do Céu. Com isso, Ele nos mostra com que atitude devemos nos aproximar de Si: contritos, mas também confiantes; arrependidos, mas também esperando o Seu perdão.

Nesta Semana Santa, imitemos os gestos de amor daquela pecadora pública que se põe aos pés do Redentor e, chorando, lava os Seus pés (cf. Lc 7, 36-50). Conhecendo, pela Paixão de Cristo, quanto Deus nos ama, sejamos incentivados a amá-Lo também, completando a obra da nossa salvação [3].

Referências

  1. Poesias, XXIV, 21. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completasescritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 575.
  2. Cf. Santa Teresa de Jesus, Primeiras Moradas, 1, 1. In: Escritos de Teresa de Ávila. São Paulo: Loyola, 2001, p. 441.
  3. Suma Teológica, III, q. 46, a. 3.

Publicado em Padre Paulo Ricardo.

Imagem: Wikipédia.

Read Full Post »

Older Posts »