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Archive for the ‘Cultura da indiferença’ Category

Nossa Senhora de La Salette – Memória – 19 de setembro: “Por que Nossa Senhora aparece chorando em La Salette? (Comunidade Católica Palavra Viva)

Hoje, 19 de setembro, é o dia da aparição de Nossa Senhora de La Salette, em 1846, na França. A aparição foi reconhecida pela Igreja Católica.

“O texto dos dois segredos foram ambos entregues ao Papa Pio IX em 18 de julho de 1851.

A 19 de Setembro de 1851, quinto aniversário da aparição, esta foi aprovada oficialmente em carta pastoral do bispo diocesano, sob o título “Nossa Senhora de La Salette”. (Wikipedia.org)

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Por que Nossa Senhora aparece chorando em La Salette?

 

 

Nossa Senhora apareceu em La Salette, no dia 19 de setembro de 1846, por causa de “duas coisas” principais, que estavam tornando pesado o braço de seu divino Filho. Ouçamos o que ela tem a revelar, entre lágrimas, a Mélanie, a Maximin e, através deles, a toda a humanidade:

Se meu povo não quer se submeter, sou forçada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão forte e pesada que não posso mais retê-la. Há quanto tempo sofro por vocês! Se quero que meu Filho não os abandone, sou obrigada a suplicá-lo incessantemente. E vocês nem se importam com isso. Por mais que rezem, por mais que façam, jamais poderão recompensar a aflição que tenho sofrido por vocês.

(1Dei-lhes seis dias para trabalhar, e reservei-me o sétimo, e não me querem concedê-lo. É o que faz pesar tanto o braço de meu Filho.

(2) Os carroceiros não sabem falar sem usar o Nome de meu Filho. São essas duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho. [1]

Nós, os orgulhosos e descrentes homens do século XXI, somos quase tentados a não acreditar que a santíssima Mãe de Deus tenha saído do Céu, da bem-aventurança eterna em que se encontra, contemplando a face de seu divino Filho, simplesmente para nos dizer: parem de pecar contra o segundo e o terceiro mandamentos! Ela tem mais uma mensagem a passar, sim, principalmente às autoridades civis e religiosas, mas a primeira coisa que ela pede, aos dois videntes de La Salette, é para as pessoas guardarem os domingos e não tomarem o santo nome de Deus em vão.

A nós parece pouco? Infelizes de nós, meus amigos, que não temos dimensão do que seja o pecado! Se eram infelizes os homens do século XIX, castigados que foram por desrespeitar esses dois mandamentos, muito mais infeliz é a nossa época, que já há muito tempo lançou fora as próprias tábuas dos Mandamentos; que já há muito tempo deixou de temer a Deus…

Nossa apostasia, no entanto, já era prevista pela Virgem de La Salette, noutra parte de sua mensagem. Esta, Nossa Senhora havia pedido expressamente a Mélanie que a guardasse em segredo, até 1858, e dizia o seguinte:

No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão libertados do inferno: eles abolirão a fé pouco a pouco e mesmo nas pessoas consagradas a Deus; eles vão cegá-las de tal maneira que, exceto por uma graça particular, essas pessoas serão tomadas pelo espírito desses anjos maus; muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.

Os maus livros abundarão sobre a terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo aquilo que se refere ao serviço de Deus […]. A verdadeira fé estará extinta e a falsa luz iluminará o mundo. […] Os governantes civis terão todos o mesmo objetivo, que será abolir e fazer desaparecer todo princípio religioso, para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios.

No ano de 1865, a abominação será vista nos lugares santos; nos conventos, as flores da Igreja apodrecerão e o demônio tornar-se-á como o rei dos corações. Que aqueles que estão à frente das comunidades religiosas tomem cuidado com as pessoas que devem acolher, porque o demônio usará de toda sua malícia para introduzir nas ordens religiosas pessoas entregues ao pecado, pois as desordens e o amor aos prazeres carnais serão espalhados por toda a terra. […] Todos pensarão apenas em se divertir; os maus vão se entregar a toda espécie de pecados; mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, crescerão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. […]

Tremei, ó terra, e vós que fazeis profissão de servir a Jesus Cristo e que, por dentro, adorais a vós mesmos, tremei; pois Deus vai entregar-vos a seu inimigo, porque os lugares santos estão na corrupção; muitos conventos não são mais casas de Deus, mas pastagens de Asmodeu e dos seus. […] Os homens estarão cada vez mais pervertidos [2].

Além da disseminação dos pecados carnais — também mencionados por Nossa Senhora em Fátima —, percebam que a principal profecia que se percebe ao longo de toda a mensagem de La Salette é a perda da fé: os demônios “abolirão a fé pouco a pouco”, “muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé”, “a verdadeira fé estará extinta” etc.; ao mesmo tempo, e na contramão dessa tendência, “os filhos da Santa Igreja” são chamados pela Virgem Santíssima “os filhos da fé”.

Disso se deduz que a fé é importantíssima, e nunca se insistirá o bastante nesse ponto. Muitas vezes pode parecer exagero ficar repetindo, mas a ideia é que, de tanto ouvir essa mesma coisa, as pessoas finalmente se dêem conta da necessidade de crer — e crer não em qualquer coisa, mas sim em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica. Esse é o começo de tudo. De nada adiantaria, por exemplo, pregar sobre os deveres do cristão, sobre a importância de ir à Missa aos domingos ou fazer abstinência às sextas-feiras, de batizar os próprios filhos e contribuir com o dízimo na paróquia, se as pessoas, de maneira generalizada, deixaram de ter fé em Jesus Cristo e no que ensina a Igreja que Ele mesmo fundou.

Se as pessoas continuam a levar suas vidas no pecado mortal, elas podem até pagar “o dízimo da hortelã, do endro e do cominho”, como faziam os fariseus, mas “os preceitos mais importantes da Lei” continuarão a ser negligenciados (cf. Mt 23, 23). Se as pessoas não acreditarem que precisam abandonar o pecado, procurar o sacramento da Confissão e se reconciliar com Deus, nossas igrejas continuarão a ser lugar de sacrilégio e profanação, onde as pessoas comem e bebem a própria condenação (cf. 1Cor 11, 29). Pior do que isso: se não acreditarem no que diz o Catecismo, ao invés de dar ouvidos às modas ou às ideologias do momento, elas sequer acharão que precisam de conversão.

é por isso que Nossa Senhora chora em La Salette. A mensagem que a santíssima Mãe de Deus veio nos trazer do Céu não é um tipo de “conscientização social”, dessas que se faz em uma propaganda banal de televisão; não é um recado “moralista”, de quem quer filhos “bem comportados” e seguindo à risca uma espécie de “manual de boas maneiras”. Não! Nossa Senhora apareceu em La Salette para chamar todos os seres humanos a um desafio radical, a uma mudança absoluta, que se chama conversão a Deus. Isso significa, em primeiro lugar, transformar completamente a nossa mentalidade, conformando-a à vontade divina, crendo naquilo que Deus revelou por meio de sua Igreja.

Por onde começar? A Virgem em La Salette só o que faz é repetir as palavras de Cristo ao jovem rico do Evangelho: “Se queres entrar na vida, observa os Mandamentos” (Mt 19, 17). Eis a nossa primeira vocação, eis o nosso primeiro desafio. Deus nos revelou que não devemos trabalhar no domingo, nem tomar seus santo nome em vão. Se nos parece pouco, se nos parece nadaserá que Deus está errado ou somos nós, ao contrário, que temos pouca fé?

Deus nos revelou, e repetiu pela boca de Nossa Senhora, que precisamos rezar. Sem isso, não teremos forças para cumprir mandamento algum. As orações, “ah, meus filhos, é preciso fazê-las, à noite e pela manhã”, disse a Virgem aos videntes de La Salette. “Quando não puderem fazer melhor, rezem ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria; e quando tiverem mais tempo e puderem fazer melhor, rezem-nos por mais tempo” [3].

E nós, o que faremos? Trataremos o apelo da Virgem com indiferença? Ou nos deixaremos finalmente sacudir por suas lágrimas, saindo de nossa frieza e insensibilidade aos Mandamentos?

Nossa Senhora de La Salette chora por causa de nossos pecados; pior: chora por um século apóstata e sem fé, que até a noção de pecado já perdeu [4]. Se ela se revelou aos homens chorando, no entanto, é porque ainda há esperança, é porque Deus ainda busca a nossa conversão. Ouçamos a sua voz, despertemo-nos de nossa letargia e enxuguemos as lágrimas da Santíssima Virgem com uma vida de penitência e amor a Deus. Não pode haver nada que alegre mais o seu Sagrado Coração do que um pecador que se arrepende e volta para a casa do Pai (cf. Lc 15, 7).

Referências

  1. A Aparição da Santíssima Virgem na Montanha de La Salette em 19 de setembro de 1846. In: Léon Bloy, Aquela que chora — e outros textos sobre Nossa Senhora da Salette (trad. de Roberto Mallet), Campinas: Ecclesiae, 2016, pp. 149-150.
  2. Ibid., pp. 155-159.
  3. Ibid., p. 161.
  4. Cf. Papa Pio XII, Radiomensagem ao Congresso Eucarístico dos Estados Unidos, 26 de outubro de 1946.

Publicado em Comunidade Católica Palavra Viva.

Leia também:

Santo do Dia – 19 de Setembro – Nossa Senhora de La Salette (Templário de Maria)

O SEGREDO DE LA SALETTE – Texto completo em Português  (A Aparição de La Salette e suas Profecias)

173 anos depois: é a ressurreição de La Salette? (A Aparição de La Salette e suas Profecias) 

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SOLENIDADE DE PENTECOSTES – Homilia Dominical – 09.06.2019 – Padre Paulo Ricardo

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – Homilia Dominical  – 08.06.2019 (Padre Paulo Ricardo)

Nem o materialismo que reduz o homem a pó, nem o panteísmo que tudo diviniza: o Deus verdadeiro é um só, em três Pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo, e quer nos fazer participar de sua vida divina… Mas como isso se dá? O que nos ensina a Igreja sobre o ser humano, a sua salvação e santificação? Na homilia deste domingo de Pentecostes, Padre Paulo Ricardo apresenta com clareza a doutrina católica a esse respeito, convidando os que somos membros do mesmo Corpo a crescer em fé e em caridade.

Publicado em Padre Paulo Ricardo.

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Sexta-Feira da Paixão do Senhor (misericordia.org)

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Por meio da dor e do sofrimento, Cristo é elevado à Cruz para reconciliar o homem com Deus, consigo mesmo e com o universo. Ele se entrega confiantemente nas mãos de seu Pai e cumpre a vontade daquele que O enviou.

Na Sexta-feira Santa somos chamados a refletir sobre o acontecimento supremo do Amor de Deus pela humanidade: a morte de Cristo na cruz. Ele morreu na cruz por todas as pessoas. A cruz é o símbolo central deste dia e de toda a celebração desta Sexta-feira Santa¹.

Portanto, “neste dia em que ‘Cristo nossa Páscoa, foi imolado’ (1 Cor 5,7), torna-se clara a realidade daquilo que há muito tempo havia sido prenunciado, mas que era envolto em mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava”².

Com efeito, a obra da redenção da humanidade e da perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no meio do povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo Mistério Pascal da sua Paixão, Morte e Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério esse pelo qual, morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando, restaurou nossa vida³.

Assim, ao contemplar Cristo morto na cruz, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e a sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão inefável4.

Desta feita, não só adoramos o mistério da Cruz, mas rezamos a Prece Universal, pela Igreja, seus pastores e fiéis; pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem no Cristo nem em Deus, pelos poderes públicos e pelos sofredores (MR, pp.255-260).

Por isso mesmo rezamos à Divina Misericórdia: “pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” e ainda: “ó Sangue e água que jorraram do coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós” – era assim que rezava Santa Faustina e hoje devotamente celebramos o que rezamos.


Nota:
1. AUGÉ, Matias, Quaresma – Páscoa – Pentecostes, Ave Maria, p.57.
2. Cerimonial dos Bispos, 312.
3. Cf. Cerimonial dos Bispos, 312.
4. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO, Carta Circular sobre a preparação e celebração das festas pascais, 58.

 

Publicado em 

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Fonte (imagem): Oratório São Luiz – “A instituição da Eucaristia na última ceia”.

Meditação para a Quinta-feira Santa

SUMÁRIO

Meditaremos nos dois augustos mistérios que recorda esse santo dia, a saber:

1.° A instituição da Eucaristia;

2.º A instituição do Sacerdócio.

– Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazermos a melhor comunhão do ano;

2.° De passarmos todo o dia com grandes sentimentos de reconhecimento para com Jesus Cristo, pela instituição da Eucaristia e do sacerdócio.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de um santo abade:

“Ó Deus, prodigo de vós mesmo, à força de amor para conosco” – O vere Deum, si decere fas est, prodigum sui, prae desiderio hominis! (Guereric., abbas, in Fest. Pent.)

Meditação para o Dia

Transportemo-nos pelo pensamento à última Ceia, em que Jesus Cristo, na véspera de Sua morte, reuniu os Seus Apóstolos, como o bom Pai de famílias, próximo do seu termo, junta os seus filhos em tomo do seu leito de morte para lhes fazer as suas últimas despedidas, lhes dizer a sua última vontade e lhes legar a herança que o seu amor lhes alcançou. Então principalmente lhes mostrou quanto os amava (1). Assistamos com recolhimento de espírito e amor a este tão tocante espetáculo, e meditemos nos dois augustos mistérios do dia: a instituição da Eucaristia e a instituição do Sacerdócio.

PRIMEIRO PONTO

Instituição da Eucaristia

Admiremos, antes de tudo, Jesus Cristo ajoelhado diante dos Apóstolos, e lavando-lhes os pés, para dizer a todos os séculos a profunda humildade, a perfeita caridade e a imaculada pureza que requer o Sacramento que Ele ia instituir e que eles iam receber. Depois põe-se à mesa, toma pão, benze-o, parte-o e dá-o a Seus discípulos, dizendo:

“Tomai e comei, este é o meu corpo”

Toma do mesmo modo o cálice, e dá-lh’o, dizendo:

“Bebei dele todos, porque este é o meu sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26, 26ss)

Oh! Quão bem se reconhece nisto o amor de Jesus Cristo! Este divino Salvador, na véspera de nos deixar, não pode resolver-se a separar-se, de nós:

«Não vos deixarei órfãos, tinha ele dito (2); meu Pai chama-me, mas voltando para ele, não me separarei de vós; a minha morto está determinada nos decretos eternos, mas morrendo, saberei sobreviver a mim mesmo para ficar convosco. A minha sabedoria achou o meio para isso, o meu amor vai executá-lo»

Em consequência, muda o pão em Seu corpo, o vinho em Seu sangue; e em virtude da inseparável união da alma com o corpo e o sangue, em virtude da indissolúvel unidade da pessoa divina com a natureza humana, o que antes só era pão e vinho é agora a adorável pessoa de Jesus Cristo todo inteiro, a Sua pessoa sagrada, tão augusta, tão poderosa como é a destra do Pai, governando todos os mundos, adorada dos mesmos anjos que tremem na Sua presença (3). A este milagre sucede outro.

«O que acabo de fazer, acrescenta Jesus Cristo, o fareis vós, meus Apóstolos; dou-vos esse poder (4), e não somente a vós, mas a todos os vossos sucessores até ao fim dos tempos, pois que a Eucaristia, sendo a alma da religião e a essência do seu culto, deve durar tanto como ela»

Tal é a rica herança que o amor de Jesus Cristo dispensou aos Seus filhos por toda a série dos séculos; tal é o testamento que este bom Pai de famílias, no momento da Sua partida, fez em benefício de Seus filhos; as Suas mãos desfalecidas escreveram-o e assinaram-o com o Seu sangue (5); tal é a benção que este bom Jacó deu a seus filhos reunidos em torno dele antes de os deixar (6). Ó preciosa herança, querido e amável testamento, rica benção! Meu Deus, meu Deus! Como agradecer-Vos tanto amor?

SEGUNDO PONTO

Instituição do Sacerdócio

Parecia, Senhor, que havíeis esgotado por nós todas as riquezas do Vosso amor; e todavia eis novas maravilhas. Não é somente a Eucaristia que nos é dada neste dia; é o sacerdócio com todos os Sacramentos, com a Santa Igreja, com a autoridade infalível para ensinar, o poder para governar, a graça para abençoar, a sabedoria para dirigir. Porque tudo isto se liga essencialmente com a Eucaristia, ou como preparação para dispor a alma a recebê-la, ou como consequência para conservar e aumentar os seus frutos. Por conseguinte, Jesus Cristo, como sumo pontífice, deveu estabelecer e estabeleceu efetivamente todos estes poderes ao mesmo tempo com esta única palavra:

“Fazei isto” – Hoc facite

Ó sacerdócio, que alumia, purificais e abrasais as almas, que distribuis na terra os mistérios de Deus e as riquezas da graça; sacerdócio que socorrendo a alma caída em culpa e a alma justa, fazeis nascer o arrependimento e lhe abris o céu, acolheis os pecadores e lhes restituis a inocência; sacerdócio que amparais a alma vacilante e a fazeis progredir nas virtudes, que defendeis o mundo de si próprio e de sua corrupção, do céu a das suas vinganças; sacerdócio que; sois um inefável beneficio, eu vos bendigo e bendigo a Deus por vos ter dado à terra.

Ai! Que seria o mundo sem vós, que sois o seu sol, a sua luz e o seu calor; a sua consolação, a sua força, o seu amparo? Ó quinta-feira santa! Dia três vezes abençoado, que alcançastes tanta felicidade aos filhos de Adão, nunca poderemos celebrar-vos com bastante piedade, fervor e amor.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Cum dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos

(2) Non relinquam vos orphanos (Jo 14, 18)

(3) Adorant Dominationes, tremunt Potestates (Praef. Missae)

(4) Hoc facite

(5) Hic calix Novum Testamnetum est in meo sanguine

(6) Accepit panem et benedixit

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 221-224)

 

Publicado em RUMO À SANTIDADE.

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“Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade” – Sermão de São Leão Magno(Capela Santo Agostinho – Tradição Católica)

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre.

É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, por uma vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia de suas manobras. Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma castigando todas as molezas, apagando todas as negligências do passado; usam então de todo o poder de sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.

Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade. Então preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós. Nossa força vem d’Aquele em quem pomos nossa confiança. Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força de seu socorro, o ensinamento de seu exemplo. Acabaste de ouvi-lo. Ele venceu seu adversário com as palavras da lei, não pelo poder de sua força: a honra devida a sua humanidade será maior, maior também a punição de seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do gênero humano não como Deus, mas como homem. Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma.

Pois, meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. Eis porque Salomão, que era sábio, diz: Meu filho, quando entras para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação (Eclo. 2,1). Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar seus golpes.

Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/487

Publicado em Capela Santo Agostinho – Tradição Católica.

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Leia também: As tentações de Jesus – I Domingo da Quaresma (adapostolica.org).

 

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Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno (Site Humanitatis)

Feliz e Abençoado Natal a todos leitores do Blog “Castelo Interior-Moradas!

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“Que o Senhor Jesus continue a encontrar, com a Graça do Amor de Deus, um refúgio seguro em nossas mentes e corações nesse mundo tão avesso à Vontade do Pai.”

Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno

“Caríssimos, deixemo-nos transportar de alegria e demos livre curso ao júbilo espiritual, pois raiou para nós o dia de uma redenção nova, dia longamente preparado, dia de felicidade eterna.

O ciclo do ano nos traz de volta o mistério de nossa salvação, mistério prometido desde o começo dos tempos e concedido no fim, feito para durar sem fim. Nesse dia é digno que, elevando nossos corações, adoremos o mistério divino, a fim de que a Igreja celebre com grande júbilo aquilo que procede de um grande dom de Deus.

 

O Deus Todo-Poderoso e Clemente, cuja natureza é Bondade, cuja Vontade é Poder e cuja ação é Misericórdia, desde o instante em que a malícia do diabo, pelo veneno de seu ódio, nos trouxe a morte, determinou, na própria origem do mundo, os remédios que Sua Bondade usaria para dar novamente aos mortais seu primeiro estado; Ele anunciou, pois, à serpente a Descendência futura da mulher, Descendência que, com sua força, lhe esmagaria a cabeça altaneira e malfazeja, isto é, Cristo, que viria na carne, designando assim Aquele que, ao mesmo tempo Deus e homem, nascido de uma Virgem, condenaria, por seu nascimento sem mancha, o profanador da raça humana. Com efeito, o diabo se gloriava de que o homem, enganado por sua astúcia, tinha sido privado dos dons de Deus e, despojado do privilégio da imortalidade, estava sob uma impiedosa sentença de morte; para ele era uma espécie de consolo em seus males ter encontrado alguém que participasse de sua condição de prevaricador; o próprio Deus, segundo as exigências de uma justa severidade, tinha modificado Sua decisão primeira a respeito do homem, que ele tinha criado em tão alto grau de dignidade. Era necessário, portanto, caríssimos, que, segundo a economia do desígnio secreto, Deus, que não muda e cuja Vontade não pode ser separada de sua Bondade, executasse por um mistério mais oculto o primeiro plano de seu amor; e que o homem, arrastado para a falta pela astúcia do demônio, não viesse a perecer, contrariamente ao desígnio divino.

Caríssimos, tendo-se, pois, cumprido os tempos pré-ordenados para a redenção dos homens, Jesus Cristo, Filho de Deus, penetrou nessa parte inferior do mundo, descendo da morada celeste, sem deixar a Glória do Pai, vindo ao mundo de modo novo e por um novo nascimento. Modo novo, porque, invisível por natureza, tornou-se visível em nossa natureza; incompreensível, quis ser compreendido; Ele, anterior ao tempo, começou a estar no tempo; Senhor do universo, tomou a condição de servo, velando o brilho de sua majestade; Deus impassível, não negou ser homem passível; Imortal, aceitou submeter-se às leis da morte. Nascimento novo esse pelo qual Ele quis nascer, concebido por uma Virgem, nascido de uma Virgem, sem que um pai misturasse a isso seu desejo carnal, sem que fosse atingida a integridade de sua mãe. Com efeito, tal origem convinha Àquele que seria o Salvador dos homens, a fim de que Ele tivesse em si o que constitui a natureza do homem e estivesse isento daquilo que mancha a carne do homem. Porque o Pai desse Deus que nasce na carne é Deus, como atesta o arcanjo à bem-aventurada Virgem Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com sua sombra; por isso, o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”.

Origem dessemelhante, natureza comum: que uma Virgem conceba, que uma Virgem dê à luz e permaneça Virgem é humanamente inabitual e insólito, mas depende do Poder Divino. Não pensemos aqui na condição daquela que dá à luz, mas na livre decisão Daquele que nasce, nascendo como queria e também como podia. Procurais a verdade de Sua natureza? Reconhecei que humana é sua substância. Quereis saber Sua origem? Confessai que Divino é seu Poder. Com efeito, o Senhor Jesus Cristo veio para eliminar nossa corrupção, não para ser sua vítima; para trazer remédio aos nossos vícios, não para ser sua presa. Ele veio curar toda enfermidade, consequência de nossa corrupção, e todas as úlceras que manchavam nossas almas; como ele trazia para nossos corpos humanos a Graça nova de uma pureza sem mancha, foi necessário que ele nascesse segundo um modo novo. Foi necessário, com efeito, que a integridade do Filho preservasse a virgindade sem exemplo de sua mãe, e que o Poder do Divino Espírito, derramado sobre ela, mantivesse intacto esse recinto sagrado da castidade e essa mansão da santidade, na qual ele se comprazia; porque Ele tinha decidido elevar o que era desprezado, restaurar o que estava quebrado e dotar o pudor de uma força múltipla, para dominar as seduções da carne, a fim de que a virgindade, incompatível,  nas outras, com a transmissão da vida, se tornasse para as outras Graça imitável ao renascerem.

Papa São Leão Magno. Segundo Sermão no Natal do Senhor, 1-2.

Publicado em Site Humanitatis.

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Festa da Exaltação da Santa Cruz (Padre Paulo Ricardo – Quinta-feira – Homilia Diária)

Para quem tem a luz da fé, atrás do suplício da cruz esconde-se um mistério de amor que não pode não inspirar em nós a mais profunda gratidão à misericórdia infinita de Deus.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 13-17)

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.

Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Poderíamos dizer, para usar um jogo de palavras, que na festa da Exaltação da Santa Cruz contemplamos o mistério não da ascensão, mas da assunção de Jesus: se, depois de ressuscitado, Ele ascende por si mesmo ao céu, na crucificação, ao contrário, Ele se deixa ascender, pregado à cruz, como grande sinal posto à vista de toda a humanidade. “É necessário que o Filho do Homem seja levantado”, diz o Senhor em seu colóquio noturno com Nicodemos, e a razão disto não é outra senão o amor com que Deus amou o mundo, a ponto de dar “o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”. Olhar para a cruz com fé é reconhecer a caridade infinita de Deus para conosco e abrir-se àquele espírito de gratidão que lhe devemos não só pelos bens naturais de que, em sua providência ordinária, Ele nos cumula, mas, acima de tudo, pelo benefício sobrenatural da Redenção: Ele mesmo, movido de amor por nós, se fez carne num tempo histórico concreto, tomou sobre si os nossos pecados e pagou-os todos no madeiro da cruz, anulando o quirógrafo da nossa condenação e demonstrando, da maneira mais sublime possível, o quanto nos quer bem. Os pagãos podem, contemplando o mundo circundante, deduzir com toda razão a bondade do Criador; mas nós, que recebemos uma luz mais alta, conhecemos já a radicalidade do amor divino: na cruz, o Filho de Deus encarnado “não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos […]. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos […]. Tomou sobre si nossas enfermidades […]. Foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades” (Is 53, 2-5). Que possamos, iluminados pela graça, enxergar atrás desse crime horrendo, chamado pelo profeta Isaías de “iníquo julgamento” (cf. Is 53, 8), essa tão grande e tão admirável dignação da divina misericórdia para conosco, essa inconcebível e inabarcável ordem da imensa caridade do Pai, a quem aprouve reconciliar consigo todas as criaturas ao preço do sangue do seu Amado, por cujo amor foi finalmente restabelecida a paz entre tudo quanto existe na terra e nos céus (cf. Col 1, 20).

Oração. — Ó boa cruz, que do Corpo de Jesus recebeste a formosura, tanto tempo desejada, tão ardentemente amada, sem descanso procurada! Para a minha alma ansiosa estás por fim preparada! Retira-me dentre os homens e devolve minha vida ao Mestre a quem pertenço! Por ti me receba aquele que por ti me resgatou. Amém.

Publicado no site Padre Paulo Ricardo e Padre Paulo Ricardo (YouTube).

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