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Archive for the ‘Reflexão’ Category

SANTO DO DIA – 16 DE OUTUBRO – SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE
Religiosa (1647-1690)

Quinta de um total de sete filhas de um tabelião da Borgonha, Margarida, ao ficar órfã de pai aos 12 anos, para poder seguir a vocação à vida religiosa, teve de vencer a oposição da mãe, que a queria casada com um honrado rapaz.

Aos 24 anos, foi acolhida no Mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial. Na festividade de são João Evangelista de 1673, a noviça Margarida Maria, recolhida em adoração diante do Santíssimo Sacramento, teve a primeira das visões particulares de Jesus, que se iriam repetir depois na primeira sexta-feira de cada mês.

Dois anos depois, Jesus manifestou-se a ela com o peito dilacerado, e, apontando com a mão o coração rodeado de luz, disse-lhe: “Eis o Coração que tanto amou os homens, não poupando nada, até exaurir-se para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidão”.

As extraordinárias visões trouxeram à irmã Margarida Maria sofrimentos e incompreensões. Jesus mesmo lhe indicou, então, o diretor espiritual na pessoa do santo sacerdote jesuíta Cláudio de la Colombière, que acolheu o pedido de Jesus para se empenhar pela instituição da Festa do Sagrado Coração.

Este culto, a despeito da feroz oposição dos círculos jansenistas, difundiu-se logo por toda a Igreja. Irmã Margarida Maria extinguiu-se docemente aos 43 anos apenas. Foi canonizada em 1920.

Retirado do livro ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas.

Conheça mais sobre Santa Margarida Maria Alacoque

A mensagem da qual Santa Margarida Maria Alacoque foi portadora mostraria à humanidade, de um modo nunca antes imaginado, a insondável intensidade do amor que Ele tem a cada um de nós.

Quando Margarida tinha apenas quatro anos de idade, começou a sentir- se levada a dizer diversas vezes: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”.

Algo surpreendente numa menininha daquela idade, que nem sabia o que isso significava – como diria mais tarde em suas memórias. Era já o início extraordinário da história desta alma, na qual a graça divina agia preparando-a para pertencer somente a Jesus. Assim, ela poderia cumprir eximiamente uma crucial missão em benefício da humanidade: ser a mensageira do Sagrado Coração.

Luta entre a vocação e o atrativo pela vida comum

Margarida nasceu em 22 de julho de 1647 na Borgonha, França. Seu pai era juiz e notário real, mas homem de pequenas posses. Quando tinha 8 anos de idade, foi surpreendida pelo falecimento de seu pai, e a família precisou enviá-la para a escola das clarissas de Charolles.

Ali, uma estranha enfermidade reduziu-a a um tal estado de debilidade que, ao cabo de algum tempo, sua mãe a levou de volta para casa.

“Passei quatro anos sem poder caminhar”, dirá ela depois. Vendo a ineficácia dos remédios, voltou-se para a Virgem das Virgens e fez-lhe o voto de entrar para a vida religiosa, se ficasse curada. Foi atendida com rapidez, restabelecendo-se instantaneamente.

Entretanto, quando Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar.

Deixando-se levar pelo amor filial, a jovem aos poucos começou a tomar parte nos folguedos de sua idade – embora se guardando de ofender a Deus – e a acariciar a idéia de contrair matrimônio, mesmo porque já tinha vários pretendentes. No seu interior travou-se então uma demorada e intensa batalha: de um lado, a atração pela vida comum lhe sussurrava ser até um dever de piedade filial constituir um lar, pois assim poderia amparar melhor sua mãe enferma.

De outro, a voz da graça lembrava- lhe o voto de castidade perfeita que fizera já na infância, bem como a promessa de fazer-se esposa de Cristo. Não importa, você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre! – era a resposta que lhe vinha em seguida à mente.

Esse cruel embate de alma durou alguns anos. Mas, ajudada de modo sensível por Nosso Senhor, a vocação religiosa acabou por vencer: em 1671, ela entrou como postulante no Mosteiro da Visitação, de Paray-le- Monial.

Santa ou visionária?

Desde a infância, Margarida fora beneficiada por experiências místicas.

As mais importantes ocorreram no convento, a partir de 27 de dezembro de 1673, quando passou a receber uma série de revelações do Sagrado Coração de Jesus, o qual a incumbia de ser a encarregada de divulgar essa devoção.

Além disso, as três superioras que, a cada seis anos, assumiram sucessivamente a autoridade no convento de Paray-le-Monial convenceram-se da santidade de Margarida. Contudo, ela sofreu acirrada oposição dentro da comunidade, que a tratava como uma excêntrica visionária. Seu principal apoio veio de São Cláudio de la Colombière, jovem sacerdote jesuíta que foi durante certo tempo confessor das freiras e testemunhou serem reais as visões da Santa.

Todavia, por sua perseverança, docilidade, espírito de obediência e caridade, ela acabou vencendo as oposições e conseguiu cumprir sua missão, começando por introduzir em 1686 – no início para um círculo restrito de seu próprio convento – a festa do Sagrado Coração de Jesus. Assim, esta se espalhou com rapidez por outros mosteiros da Visitação, e transbordou para o exterior da congregação.

Por fim, após uma existência na qual consumiu- se sem cessar no amor ao Sagrado Coração de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada por Bento XV em 1920. Seu corpo está colocado sob o altar da capela do convento onde viveu, e os peregrinos que ali vão rezar a ela alcançam insignes graças.

Revista Arautos do Evangelho, Jun/2006, n. 54, p. 22 e 23)

Publicado em Templário de Maria.

Leia mais:

As doze promessas do Sagrado Coração de Jesus

(…)

Durante uma das inúmeras revelações divinas que esta Santa teve ao longo de sua vida, o Sagrado Coração de Jesus fez algumas promessas aos que lhe fossem devotos. Conheça as doze promessas do Sagrado Coração de Jesus:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”;
2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;
3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;
4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”;
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição”;
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;
11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”;
12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Para se obter essas graças prometidas pelo Sagrado Coração de Jesus os devotos devem: comungar durante nove primeiras sextas-feiras consecutivas; ter a intenção de honrar o Sagrado Coração de Jesus e alcançar a perseverança final; e oferecer cada Comunhão como um ato de expiação pelas ofensas cometidas contra o Santíssimo Sacramento.

Oração ao Sagrado Coração de Jesus

Meu Sagrado Coração de Jesus, corro e venho a Vós, porque sois o meu único refúgio, o meu único consolo, a minha única certeza, a minha única e firme esperança. Vós sois o remédio infalível e seguro para todos os meus males, a esperança para as minhas misérias, o reparo das minhas faltas, a luz nas minhas dúvidas e agonias, o consolo do meu desamparo. Vós preencheis as minhas lacunas e sois a certeza nos meus pedidos. Vós sois a infalível e infinita Fonte de luz e força, de benção e de paz. Estou seguro de que nunca, nunca vos cansareis de mim, de que nunca me abandonareis, de que nunca deixareis de me amar, ajudando-me e protegendo-me sempre, porque o amor de Vosso Coração por mim é infinito e absoluto. Tende piedade de mim, Senhor, pela vossa grande misericórdia, e fazei comigo, de mim e para mim, tudo o quanto quiserdes, mantendo-me sempre e para sempre dentro de Vosso Coração de Amor. Abandono-me em Vós, Coração do meu Amor, com toda e a inteira confiança de que nunca me abandonareis, de que nunca estarei só. Amém. (EPC)

Publicado em Gaudium Press.

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Hoje a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Tereza de Jesus, Virgem e Doutora. Teresa de Ahumada nasceu em Ávila a 28 de março de 1515. O seu pai, Alonso de Cepeda, após ficar viúvo com dois filhos, contraiu matrimônio com Beatriz de Ahumada. 

Teresa foi a terceira dos dez filhos deste matrimónio. Cresceu num ambiente muito religioso, no qual desenvolveu uma sensibilidade pelo transcendente desde uma tenra idade. Numa sociedade analfabeta, os seus pais induziram nela desde cedo o gosto pela leitura.

Aos treze anos perdeu a sua mãe. Este golpe e as crises próprias da adolescência agravaram um problema afetivo que arrastaria dolorosamente até à sua conversão definitiva. Fisicamente agraciada e com grandes habilidades sociais, desde cedo triunfou “na vaidade do mundo”. O seu pai colocou-a como aluna interna no colégio de Santa Maria da Graça e aí decidiu ser religiosa, após um forte combate interior. Pareceu-lhe ser um estado melhor e mais seguro para salvar-se. Além disso via com desagrado as condições em que viviam as mulheres casadas à sua volta. Era mais o temor que a motivava do que o amor.

O seu pai quis impedir a sua entrada no Carmelo da Encarnação. Os seus irmãos também deixavam o lar para a América procurando fortuna. Tinha 20 anos e queria ser livre para conquistar o seu próprio destino.

Em 1537 professou e, passado apenas um ano, surge uma estranha doença. A gravidade alarma a família, que a põe em mãos de uma famosa curandeira. O tratamento debilitou o seu estado até chegar a dá-la como morta. Ela conta que se curou graças à intercessão de São José, apesar de ficar com sequelas que padeceria durante toda a sua vida. Tinha 27 anos. Daí em diante a doença converteu-se numa fiel companheira.

Durante a sua doença conheceu o misticismo franciscano através da leitura do Terceiro Abecedário de Osuna. Este fato foi muito importante na sua evolução espiritual, porque a introduziu na oração de recolhimento. Ao voltar ao mosteiro, a sede interior de solidão e de oração não foi satisfeita durante vários anos. O ambiente não era propício. Viviam no mosteiro quase 200 mulheres. A extraordinária personalidade de Teresa destacava, atraía as visitas de pessoas que deixavam boas esmolas para o convento. Por isso a sua presença no locutório era obrigatória. Esta intensa vida social que a afastava da oração não lhe desagradava porque compensava a sua grande afetividade.

Cada vez mais insatisfeita, tocada pelas chamadas do Amigo que a reclamava toda para Si, começa a confrontar as suas experiências interiores procurando luz. Muitos foram os confessores letrados a quem confiou a sua alma ao longo da sua vida, sempre peregrina da verdade. Sendo mulher, de descendência de judeus conversos e mística, tal não é um bom começo para obter algum crédito.

Em 1554, diante de uma imagem de Cristo “muito chagado” começa a sua transformação. Já não será o temor a impulsioná-la. Será antes um profundo amor Àquele que a amou primeiro. Dois anos mais tarde produziu-se a conversão definitiva. O Espírito Santo irrompe na sua alma, cura-a e liberta-a dos seus problemas afetivos. O fruto da sua conversão foi uma fecunda atividade como fundadora e escritora que se prolongou até à sua morte.

Santa Teresa de Jesus morreu a 4 de outubro de 1582 em Alba de Tormes. Foi beatificada por Paulo V em 1614, canonizada por Gregório XV em 1622 e proclamada doutora da Igreja por Pablo VI em 1970. Foi a primeira mulher a receber este título.

As obras

«Se não tinha livro novo, não me parecia ter contentamento». Assim confessa Teresa de Jesus a sua paixão pela leitura desde a infância. Não tinha estudos reconhecidos, vedados naquela época às mulheres. De fato, saber ler e escrever fazia dela uma mulher privilegiada e, ao mesmo tempo digna de suspeita. Das suas leituras e conversas com os teólogos mais célebres da sua época adquiriu uma sólida cultura teológica e espiritual, que enriqueceu com a sua própria experiência.

O Índice de livros proibidos que a Inquisição publicou em 1559 teve um grande impacto para Teresa. Privada das leituras que tanto a tinham iluminado no seu processo espiritual, Deus saiu ao seu encontro: «Não tenhas pena, que Eu te darei livro vivo». Jesus Cristo se converteria em seu maestro interior. Experiência feita sabedoria. Teresa desejava comunicá-la, «adoçar as almas de um bem tão alto». E a empedernida leitora se transformou numa apaixonada escritora.

A futura doutora da Igreja escrevia sabendo que a sua obra teria de ser revista e aprovada por um censor eclesiástico. Era consciente de que uma mulher escritora seria mal vista, mais ainda se pretendia ensinar. E ao tratar-se de uns escritos de conteúdo espiritual, a Inquisição podia condená-la como herege. Eram «tempos duros» que condicionariam a sua obra e a obrigariam a agudizar o seu engenho. Para ganhar a benevolência do censor, não poupou palavras para dar-lhe a entender que ela era a primeira contrariada, que escrevia por obediência e que se reconhecia inculta, pecadora e inapta.

Apesar de que escreveu bastantes poesias, Teresa é hoje uma figura eminente da literatura principalmente pela sua prosa. Toda a sua obra tem carácter autobiográfico, ainda que seja possível encontrar nela outros géneros literários, como o didático, o tratado espiritual ou a crónica. Escreveu a partir da sua experiência concreta, sem dogmatismos nem temas abstratos. Este exercício de escrita lhe permitiu reviver as suas próprias experiências e reflexioná-las. Nesta árdua luta interna para expressar-se, se esclarecia a si própria. As palavras sobre o papel confirmavam a realidade do vivido. Rica retro-alimentação entre a escritora e a sua pena.

A dificuldade para expressar a sua mística com uma linguagem sempre limitado foi uma autêntica dor de cabeça para Teresa. A sua mestria e a novidade das soluções que trouxe à expressão escrita valeram-lhe o título de “criadora” da língua. Teve a genialidade de conceber um sistema e apresentá-lo com um estilo encantadoramente simples. De facto, as suas páginas transpiram espontaneidade e frescura.

Muito se escreveu sobre Teresa. O melhor é sempre lê-la a ela [ler suas obras].

Obras:

Livro da Vida

Caminho de Perfeição

As Fundações

As Moradas

Contas de consciência

Meditações sobre os cânticos dos cânticos

Cartas

Exclamações

Constituições

Visita de descalças

Desafio espiritual

Vexame

Poesias

Escritos soltos e memoriais

Espiritualidade

Teresa de Jesus reconheceu na sua vida uma Presença que a envolvia amorosamente procurando a sua amizade. Após muitos anos a tentar sem êxito «concertar estes dois contrários» -Deus e o mundo-, abandonou-se confiadamente nos braços de Cristo. E, a partir desse momento, Deus tomaria o leme da sua vida e a levaria numa travessia fascinante em direção às «sétimas moradas». Desta experiência brota a espiritualidade teresiana.

Com a sua vida e escritos, Teresa quis transmitir como Deus tinha saído ao seu encontro para dar-Se sem medida. Comprovou que Deus não deseja outra coisa senão dar-Se a quem O queira receber. Deus convida a pessoa para que entre no seu interior, onde Ele habita. Esta é «a grande formusura e dignidade da alma», criada à imagem e semelhança de Deus e capaz de estabelecer amizade com Ele. Deus oferece-Se totalmente, não porque o ser humano tenha acumulado méritos, mas porque Ele se quer revelar e suscitar uma resposta de doação. Diz Teresa que este Deus «doura as culpas» e tira o máximo partido ao bom que há em cada um.

Teresa experimentou que a pessoa pode viver arrastada pelas suas forças instintivas e ignorante da sua própria identidade e destino. Desde este ponto de partida, o processo espiritual é para ela uma libertação de tudo o que dispersa a pessoa interiormente e a separa da sua meta: a união transformante com Cristo, o matrimónio espiritual.

A oração é a porta para entrar nesta dinâmica, cujo único requisito é uma «determinada determinação». Fruto deste encontro em amizade, cresce a humildade pela iluminação de verdades na alma: quem é Deus, quem é a pessoa, o pouco que esta pode fazer com o seu esforço e o muito que recebe. A chave para avançar por este caminho é acolher como pobre o que Deus oferece e responder à sua graça com uma generosa entrega de si mesmo.

Quando o amor divino acaricia uma alma, já não pode medir a sua vida segundo o cumprimento de uns preceitos e ritos, mas segundo o amor com que responde a tanto dom recebido. Por isso, esta experiência põe em marcha uma transformação do ser na sua raiz, para acomodá-lo a uma amizade cada vez mais profunda com Deus e com os seus irmãos.

Teresa experimentou grandes ansias de plenitude e liberdade. Notou que o ser humano possui no seu interior um vazio que nada nem ninguém pode preencher a não ser Deus. No entanto, obstina-se em enchê-lo com o que o deixa mais faminto. Não são as coisas nem as pessoas, mas a atitude que se toma diante delas o que enjaula a vida numa espiral de escravidões. A pessoa necessita deslindar a mentira do mundo que leva por dentro, que «tudo é nada» e que «só Deus basta». Quando a alma viu as grandezas de Deus, não lhe custa o desprendimento que lhe ajude a soltar peso para voar até Ele. «Andar em verdade» e desnudez para poder ser livre.

Cristo é o centro da espiritualidade teresiana. A Sua Humanidade curou a afetividade de Teresa e introduziu-a no mistério do Deus trinitário, comunhão de amor. Da opção radical por Ele brotará o desejo de querer agradar-Lhe em tudo. E, já que o amor a Deus e ao próximo é o mesmo, o serviço aos demais autentica o seguimento a Aquele que «nunca voltou a si». Teresa propõe um caminho de fé vivido em comunidade. Um grupo de amigos de Jesus onde cada um seja para os demais outro Cristo, convertendo-se em «escravo de Deus e de todos» por amor. Isto é, esquecer-se de si e pensar no bem do outro. Amor que preenche as pequenas coisas de cada dia, pois Deus não olha a grandeza das obras mas o amor com que se fazem.

Lugares

Teresa de Jesus fez a experiência de que a misericórdia de Deus tinha transformado a sua vida. No entanto, não se refugiou num intimismo egocêntrico e estéril. Pelo contrário, a sua sensibilidade agudizou-se diante dos sofrimentos de um mundo que «está em chamas». Por isso, tinha o desejo de partilhar o que tinha recebido de Deus. O fruto da sua conversão foi uma fecunda atividade como fundadora e escritora que se prolongou até à sua morte.

Teresa sonhava com uma pequena comunidade que vivesse com autenticidade o Evangelho. Um sinal no meio de uma sociedade de valores efémeros e uma Igreja em crise. Um lugar de oração e trabalho, silêncio e fraternidade, onde «fazer esse pouquito que estava ao meu alcance» para melhorar a realidade. Em 1562, entre numerosas dificuldades, este sonho fez-se realidade com a primeira fundação de descalças: o convento de São José em Ávila.

Transcorriam gozosamente os dias de Teresa, quando o testemunho de um missionário vindo da recém descoberta América lhe sacudiu o coração. Diante do sofrimento de tantas criaturas, maltratadas pela ambição colonial e a falta de evangelizadores, sentiu a urgência de estender a sua obra. Tinha 52 anos. A partir de então, a sua vida foi tão intensa em viagens e novos conventos, que a imagem que ficou dela para a história é a da “santa andarilha”.

Fundadora de monjas, e também de frades, percorreu mais de seis mil quilómetros por aqueles difíceis caminhos espanhóis do século XVI. Os seus conventos foram levantados a um ritmo prodigioso: Medina do Campo (1567), Duruelo (1568), Malagón (1568), Valladolid (1568), Toledo (1569), Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas de Segura (1575), Sevilla (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara (1580), Sória (1581), Palência (1581) e Burgos (1582).

Teresa desenvolveu as suas extraordinárias qualidades pessoais para vencer todo o tipo de obstáculos. Insuficientes recursos econômicos, problemas para conseguir as autorizações, a dificuldade própria das viagens, a procura e aprovisionamento das casas, a sua saúde débil… Suspeita por ser de descendência de judeus convertidos, mulher e mística, foi denunciada em várias ocasiões à Inquisição que, em 1575, abriu um processo contra ela e as suas irmãs em Sevilha. Foram absolvidas. Teresa questionou os valores pelos quais se regia aquela sociedade.

Mulher sempre envolvida em mil conflitos e necessidades, a sua astuta diplomacia e célebre perícia no mundo dos negócios foram decisivas para o seu êxito. Mas o autêntico motor da sua façanha foi o seu desejo de servir o Amigo, a quem permanecia intimamente unida. De uma inquebrantável fé e um amor apaixonado brotaram a coragem e a fortaleza para vencer todas as adversidades.

Para Teresa, cada fundação era uma autêntica epifania. Deus ia estendendo o seu reino à medida que se inauguravam as novas comunidades. E fazia-o valendo-se da insignificância social de uma mulher. O espírito do mal opunha-se, semeando o caminho com tantas e tantas contrariedades. Mas o poder de Deus é sempre mais forte. A sua luz e a sua bondade triunfavam cada vez que um novo Carmelo nascia.

Teresa gastou a saúde e a vida ao serviço de Deus e da Igreja. Estava convencida da importante missão eclesial que se levava a cabo nas suas casas de oração. Entendia que a oração, desde a transformação da própria pessoa, como onda expansiva alcança todos os cantos da terra.

Fonte: www.carmelitaniscalzi.com

Publicado em Diocese de São José dos Pinhais.

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PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

(…)

Santa Teresa de Ávila [de Jesus]

Prezados irmãos e irmãs!

Durante as Catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e de mulheres da Idade Média tive a oportunidade de meditar também sobre alguns Santos e Santas que foram proclamados Doutores da Igreja pela sua doutrina eminente. Hoje gostaria de começar uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja. E começo com uma santa que representa um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos: santa Teresa de Ávila [de Jesus].

Nasce em Ávila, na Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Na autobiografia ela menciona alguns pormenores da sua infância: o nascimento de «pais virtuosos e tementes a Deus», numa família numerosa, com nove irmãos e três irmãs. Ainda menina, com menos de 9 anos, tem a ocasião de ler as vidas de alguns mártires que lhe inspiram o desejo do martírio, a tal ponto que improvisa uma breve fuga de casa para morrer mártir e subir ao Céu (cf. Vida 1, 4); «Quero ver Deus», diz a pequena aos pais. Alguns anos depois, Teresa falará da suas leituras da infância e afirmará que nelas descobriu a verdade, que resume com dois princípios fundamentais: por um lado, «o facto de que tudo o que pertence ao mundo daqui, passa»; por outro, que só Deus é «para sempre», tema que retorna na celebérrima poesia «Nada te turbe / nada te espante; / tudo passa. Deus não muda; / a paciência obtém tudo; / quem possui Deus / nada lhe falta / só Deus basta!». Tendo ficado órfã de mãe com doze anos, pede à Virgem Santissima que lhe seja mãe (cf. Vida 1, 7).

Se na adolescência a leitura de livros profanos a tinha levado às distrações de uma vida mundana, a experiência como aluna das monjas agostinianas de Santa Maria das Graças de Ávila e a leitura de livros espirituais, sobretudo clássicos de espiritualidade franciscana, ensinam-lhe o recolhimento e a oração. Com vinte anos entra no mosteiro carmelita da Encarnação, ainda em Ávila; na vida religiosa assume o nome de Teresa de Jesus. Três anos depois adoece gravemente, a ponto de ficar 4 dias de coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Até na luta contra as próprias doenças a santa vê o combate contra as fraquezas e as resistências à chamada de Deus: «Eu desejava viver — escreve — porque entendia bem que não estava a viver, mas sim a lutar com uma sombra de morte, e não tinha alguém que me desse vida, e nem eu a podia tomar, e Aquele que ma podia dar tinha razão de não me socorrer, dado que muitas vezes me dirigira para Ele, e eu O tinha abandonado» (Vida 8, 2). Em 1543 perde a proximidade dos familiares: o pai falece e todos os seus irmãos emigram, um após o outro, para a América. Na Quaresma de 1554, com 39 anos, Teresa chega ao ápice da luta contra as próprias debilidades. A descoberta da imagem de «um Cristo muito chagado» marca profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que nesse período encontra profunda consonância com o santo Agostinho das Confissões, assim descreve o dia decisivo da sua experiência mística: «Acontece… que de repente tive a sensação da presença de Deus, que de nenhum modo eu podia duvidar que estava dentro de mim, e que eu estava totalmente absorvida nele» (Vida 10, 1).

Paralelamente ao amadurecimento da sua interioridade, a santa começa a desenvolver de modo concreto o ideal de reforma da Ordem carmelita: em 1562 funda em Ávila, com o apoio do Bispo da cidade, D. Alvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e pouco depois recebe também a aprovação do Superior-Geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes continua as fundações de novos Carmelos, 17 no total. É fundamental o encontro com são João da Cruz com quem, em 1568, constitui em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento de Carmelitas descalços. Em 1580 obtém de Roma a erecção a Província autónoma para os seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem religiosa dos Carmelitas descalços. Teresa termina a sua vida terrena precisamente enquanto está empenhada na tarefa de fundação. Com efeito em 1582, depois de ter constituído o Carmelo de Burgos e enquanto voltava para Ávila, falece na noite de 15 de Outubro em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas expressões: «No fim, morro como filha da Igreja» e «Meu Esposo, chegou a hora de nos vermos». Uma existência consumida na Espanha, mas despendida pela Igreja inteira. Beatificata pelo Papa Paulo V em 1614 e canonizada em 1622 por Gregório XV, é proclamada «Doutora da Igreja» pelo Servo de Deus Paulo VI em 1970.

Teresa de Jesus não tinha uma formação acadêmica, mas sempre valorizou os ensinamentos de teólogos, letrados e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve àquilo que pessoalmente vivera ou vira na experiência do próximo (cf. Prólogo ao Caminho de Perfeição), isto é, a partir da experiência. Teresa consegue manter relações de amizade espiritual com muitos santos, em especial com são João da Cruz. Ao mesmo tempo, alimenta-se com a leitura dos Padres da Igreja, são Jerônimo, são Gregório Magno e santo Agostinho. Entre as suas principais obras deve-se recordar sobretudo a autobiografia, intitulada Livro da vida, ao qual ela chama Livro das Misericórdias do Senhor. Composta no Carmelo de Ávila em 1565, discorre sobre o percurso biográfico e espiritual, escrito como afirma a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do «Mestre dos espirituais», são João de Ávila. A finalidade é evidenciar a presença e a ação de Deus misericordioso na sua vida: por isso, a obra cita com frequência o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura que fascina, porque a santa não só narra, mas mostra que revive a profunda experiência da sua relação com Deus. Em 1566, Teresa escreve o Caminho de Perfeição, por ela chamado Admoestações e conselhos que Teresa dá de Jesus às suas monjas. Destinatárias são as doze noviças do Carmelo de são José em Ávila. Teresa propõe-lhes um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais preciosos, o comentário ao Pai-Nosso, modelo de oração. A obra mística mais famosa de santa Teresa é o Castelo interior, escrito em 1577, em plena maturidade. Trata-se de uma releitura do próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, de uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa inspira-se na estrutura de um castelo com sete quartos, como imagem da interioridade do homem, introduzindo ao mesmo tempo o símbolo do bicho da seda que renasce como borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa inspira-se na Sagrada Escritura, em particular no Cântico dos Cânticos, para o símbolo final dos «dois Esposos», que lhe permite descrever no sétimo quarto o ápice da vida cristã nos seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua obra de fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o Livro das fundações, escrito de 1573 a 1582, em que fala da vida do grupo religioso nascente. Como na autobiografia, a narração visa frisar sobretudo a ação de Deus na obra de fundação dos novos mosteiros.

Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e minuciosa espiritualidade teresiana. Gostaria de mencionar alguns pontos essenciais. Em primeiro lugar, santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base de toda a vida cristã e humana: em especial, o desapego dos bens, ou pobreza evangélica, e isto diz respeito a todos nós; o amor mútuo como elemento básico da vida comunitária e social; a humildade como amor à verdade; a determinação como fruto da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer as virtudes humanas: a afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria e cultura. Em segundo lugar, santa Teresa propõe uma profunda sintonia com as grandes figuras bíblicas e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela sente-se em sintonia sobretudo com a esposa do Cântico dos Cânticos e com o apóstolo Paulo, mas também com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.

Depois, a santa realça como a oração é essencial; orar, diz, «significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama» (Vida 8, 5). A ideia de santa Teresa coincide com a definição que s. Tomás de Aquino dá da caridade teologal, como «amicitia quaedam hominis ad Deum», um tipo de amizade do homem com Deus, que foi o primeiro a oferecer a sua amizade ao homem; a iniciativa vem de Deus (cf. Summa Theologiae II-II, 23, 1). A oração é vida e desenvolve-se gradualmente com o crescimento da vida cristã: começa com a prece vocal, passa pela interiorização mediante a meditação e o recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e a Santíssima Trindade. Obviamente, não se trata de um desenvolvimento em que subir os degraus mais altos quer dizer deixar o precedente tipo de oração, mas é antes um aprofundar-se gradual da relação com Deus que envolve toda a vida. Mais do que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira «mistagogia»: ao leitor das suas obras ensina a rezar, orando ela mesma com ele; com efeito, frequentemente interrompe a narração ou a exposição para irromper em oração.

Outro tema amado pela santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Com efeito, para Teresa a vida cristã é relação pessoal com Jesus, que culmina na união com Ele pela graça, amor e imitação. Daqui a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, pela vida de cada crente e como centro da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: manifesta um «sensus Ecclesiae» vivo diante dos episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem carmelita com a intenção de melhor servir e defender a «Santa Igreja Católica Romana», disposta a dar a vida por ela (cf. Vida 33, 5).

Um último aspecto essencial da doutrina teresiana, que gostaria de frisar, é a perfeição, como aspiração de toda a vida cristã e sua meta final. A santa tem uma ideia muito clara da «plenitude» de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do Castelo interior, no último «quarto», Teresa descreve tal plenitude realizada na morada da Trindade, na união a Cristo através do mistério da sua humanidade.

Caros irmãos e irmãs, santa Teresa de Jesus é verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Na nossa sociedade, muitas vezes carente de valores espirituais, santa Teresa ensina-nos a ser testemunhas indefessas* de Deus, da sua presença e ação, ensina-nos a sentir realmente esta sede de Deus que existe na profundidade do nosso coração, este desejo de ver Deus, de O procurar, de dialogar com Ele e de ser seu amigo. Esta é a amizade necessária para todos nós e que devemos buscar de novo, dia após dia. O exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficaz nas suas obras, leve-nos também a nós a dedicar cada dia o justo tempo à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho para procurar Deus, para O ver, para encontrar a sua amizade e assim a vida verdadeira; porque realmente muitos de nós deveriam dizer: «Não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida». Por isso, o tempo da oração não é perdido, é tempo em que se abre o caminho da vida, para aprender de Deus um amor ardente a Ele, à sua Igreja, e uma caridade concreta para com os nossos irmãos. Obrigado!


Saudação

Dou as boas vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta Audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençôo.

© Copyright 2011 – Libreria Editrice Vaticana

Publicado em vatican.va.

Nota: * laboriosas (lbn)

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Nossa Senhora do Rosário, uma festa de glória! Ela que ajudou os cristãos a vencerem a Batalha de Lepanto, nos conceda a graça da vinda do Reino d’Ela, que será também o Reino do Rosário.

Redação (07/10/2021 08:5, Gaudium Press)  – Na última aparição de Nossa Senhora, em Fátima, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse por fim o seu nome: “Sou a Senhora do Rosário”; e voltou a lembrar a recomendação já feita antes: “Continuem a rezar o terço todos os dias”.

Foi durante aquela aparição que Nossa Senhora disse às três crianças: ” … Continuem a recitar o Rosário todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra…”

Fátima e o Rosário, as crianças de Fátima e Nossa Senhora são palavras profunda e inseparavelmente unidas entre si… Hoje, talvez mais do que nunca, Maria derrama graças sobre aqueles que rezam o terço … Conheça mais sobre a devoção e as graças que recebem aqueles que praticam a reza do terço, bem como a história da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou ao grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, um meio fácil e seguro de salvação: o santo Rosário.

Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja, na terra passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia e os corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo. Quando dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, implanta-se a discórdia nos lares, o caos se estabelece no mundo…

A Ave-Maria, base do Novo Testamento

São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja.

A terrível heresia dos albigenses se espalhara no sul da França e ameaçava toda a Europa. A profunda corrupção moral dela decorrente abalava os fundamentos da própria sociedade temporal.

Por meio de ardorosas pregações, durante anos tentou ele reconduzir ao seio da Igreja aqueles infelizes que se tinham desviado da verdade. Mas suas eloqüentes e inflamadas palavras não conseguiam penetrar aqueles corações empedernidos e entregues aos vícios.

O Santo intensificou suas orações…

Aumentou suas penitências… Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos… De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram poucas e de efêmera duração.

O que fazer? Certo dia, decidido a arrancar de Deus graças superabundantes para mover à conversão aquelas almas, Frei Domingos entrou numa floresta perto de Toulouse e entregou-se à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter do Céu uma resposta favorável.

Após três dias e três noites de incessantes súplicas, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu- lhe a Virgem Maria, dizendo com inefável suavidade: – Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo? – Senhora, sabeis melhor do que eu, porque, depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes Vós o principal instrumento de nossa salvação.

– Eu te digo, então, que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, a Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário.

Raios e trovões para reforçar a pregação

Com novo ânimo, o zeloso Dominicano dirigiu-se imediatamente à Catedral de Toulouse, para fazer uma pregação. Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram a repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade.

Assim que ele começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e desabou uma terrível tempestade, com raios e trovões, agravada por um apavorante tremor de terra.

O pavor dos assistentes aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de sua Santíssima Mãe.

O santo Pregador implorou a misericórdia de Deus, e a tempestade cessou, permitindo-lhe falar com toda calma sobre as maravilhas do Rosário.

Os habitantes de Toulouse arrependeram- se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário. Em conseqüência, grande foi a mudança dos costumes nessa cidade.

A partir de então, São Domingos, em seus sermões, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo com fervor todos os dias. Assim, obteve que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente.

Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses.

Um sermão escrito pela Santíssima Virgem

Relata o Beato Alano uma aparição de São Domingos, na qual este lhe narrou o seguinte episódio: Rezando o Rosário, estava ele preparandose para fazer na Catedral de Notre Dame de Paris um sermão sobre São João Evangelista. Apareceu-lhe então Nossa Senhora e lhe entregou um pergaminho, dizendo: “Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor”.Muito contente, leu o pergaminho, agradeceu de todo coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a pregação. Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris, além de grande número de pessoas de importância.

Sobre o Apóstolo São João, apenas afirmou o quanto este merecera ter sido escolhido para guardião da Rainha do Céu. Em seguida, acrescentou: “Senhores e mestres ilustres, estais acostumados a ouvir sermões elegantes e sábios, porém, eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude”.

E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria, como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim, profundamente, aquele auditório de homens cultos.

O Beato Alano de la Roche

As próprias graças e milagres concedidos por Deus através da recitação do Rosário encarregaram-se de propagá- lo por toda parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos. Enquanto ela foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo católico.

Mas, cem anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já ela havia caído quase no esquecimento. Como conseqüência, multiplicaram-se os males sobre a Cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda parte, e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período.

Para atalhar o mal e, sobretudo, preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, com a missão de restaurar o antigo fervor pelo Rosário.

Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: “Por que me crucificas tu de novo? E me crucificas, não só por teus pecados, mas ainda porque sabes quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem”.

A partir de então, o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador desta devoção, e assim converteu grande número de almas.

Fator decisivo de grandes vitórias

Foi, sobretudo, nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja, que o Rosário teve um papel decisivo, propiciou a perseverança dos católicos na Fé e levantou uma barreira contra o mal.

Ao ver a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e por terra, devastando tudo e perseguindo os cristãos, o Papa São Pio V mandou rezar o Rosário em toda a Cristandade, implorando a proteção de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, com o auxílio da Espanha e de Veneza, reuniu uma esquadra no Mar Mediterrâneo para defender os países católicos.

A sete de outubro de 1571, a frota católica encontrou a poderosa esquadra otomana no golfo de Lepanto. E apesar da superioridade numérica do adversário, os cristãos saíram triunfantes, afastando definitivamente o risco de uma invasão. Antes de travar-se o combate, todos os soldados e marinheiros católicos rezaram o Rosário com grande devoção.

A vitória, que parecia quase impossível, deveu-se à proteção da Virgem Santíssima, a qual – segundo testemunho dado pelos próprios muçulmanos – apareceu durante a batalha, infundindo- lhes grande terror.

No século XVIII, para comemorar a vitória do Príncipe Eugênio de Saboya sobre o exército otomano, devida também à eficácia do Rosário, o Papa Clemente XI ordenou que a festa de Nossa Senhora do Rosário fosse celebrada universalmente.

São Luís Grignion de Montfort

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades. Visando fortalecer seus filhos e prepará- los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo com a missão de reacender a chama da devoção ao Rosário, o qual mais uma vez tinha caído no esquecimento. São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor da devoção à Mãe de Deus, exerceu sua missão profética um século antes da Revolução Francesa. As regiões nas quais se deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram íntegra a Fé.

Fátima, 1917: “Sou a Senhora do Rosário”

Já no século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: “Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra”, repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima. Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: “Sou a Senhora do Rosário”. E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar- se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.

Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.

Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.

Salvou-se porque levava o Terço à cintura

Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e como é generosa em recompensar os que trabalham para divulgá-lo.

Conta São Luís de Montfort o caso de Afonso IX, Rei de León, a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário à cintura.

Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e para animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse. Isto bastou para incentivar os seus cortesãos a rezá-lo devotamente.

Algum tempo depois, o rei ficou às portas da morte, acometido por uma grave enfermidade. Foi então transportado em espírito ao tribunal de Deus, onde os demônios o acusaram de todos os seus crimes. E quando ia ser condenado às penas eternas, apresentou- se em sua defesa a Santíssima Virgem diante de Jesus.

Num prato da balança, foram colocados os pecados do Rei. No outro, a Virgem Maria colocou o grande Rosário que ele portara em honra d’Ela, juntamente com os Rosários que, devido ao seu exemplo, haviam rezado outras pessoas, e estes pesavam mais que todos os pecados por ele cometidos.

Depois, Maria Santíssima, olhando com misericórdia para o Rei, disse: “Consegui de meu Filho, como recompensa pelo pequeno serviço que Me fizeste, levando à cintura o Rosário, o prolongamento de tua vida por mais uns anos. Emprega-os bem, e faz penitência”.

Voltando a si, o rei exclamou: “Oh! Bendito Rosário da Santíssima Virgem, por ele é que fui livre da condenação eterna!” E, recuperando a saúde, passou a rezar o Rosário todos os dias até o fim da vida.

A palavra do Papa, porta-voz de Jesus

O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (…) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja formado em nós plenamente” – ensina o Papa João Paulo II. E acrescenta: “Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo”.

Recordemos suas inspiradas palavras na Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariæ”:

O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa! “Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral! “Não te deixaremos nunca mais! “Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último ósculo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em toda parte, hoje e sempre, na terra e no Céu. Amém.”

Nunca deixe de rezá-lo!

Sim, acatando fielmente essa exortação do Papa, nunca deixe de rezar o Rosário, sob pretexto de ter muitas distrações involuntárias, falta de gosto em rezá-lo, muito cansaço, insuficiência de tempo, ou qualquer outro. Para rezar bem o Rosário, não é necessário sentir gosto, ter consolações, nem conseguir uma aplicação contínua da imaginação. Bastam a fé pura e a boa intenção.

E veja quantos benefícios nos proporciona a recitação do Rosário!

• Eleva-nos ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo.
• Purifica nossas almas do pecado.
• Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos.
• Torna-nos fácil a prática das virtudes.
• Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo.
• Enriquece-nos de graças e méritos.
• Fornece-nos os meios de pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

A tudo isso, acrescenta São Luís Maria Grignion de Montfort: – “Ainda que te encontres à beira do abismo ou já com um pé no inferno ainda que estejas endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde te converterás e salvarás, contanto que rezes devotamente todos os dias o santo Rosário, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de teus pecados”.

Por Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias

(In “Revista Arautos do Evangelho”, Out/2004, n. 34, p. 34 a 38)

Publicado em Gaudium Press.

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Santa Teresa do Menino Jesus: Viver e morrer de amor

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Cuidar da alma, alimentando sempre a nossa dimensão interior, é uma tarefa essencial que a modernidade muitas vezes esqueceu. A ajudar-nos neste caminho de redescoberta da transcendência que habita em nós estão os mestres da espiritualidade, como Santa Teresa de Lisieux, que a Igreja católica evoca a 1 de outubro.

Nesta jovem carmelita cruzam-se todas as tensões típicas do ser humano contemporâneo com as raízes de fé evangélica.

Nascida numa família animada por uma vida cristã cultivada no dia a dia (os pais serão canonizados no próximo dia 18 de outubro), Teresa sentiu-se chamada à vida consagrada, e por isso entrou no Carmelo de Lisieux.

Nesta comunidade religiosa empreendeu um percurso místico pessoal – marcado também pela escuridão do abandono – que é retratado na sua autobiografia espiritual, “História de uma alma”, verdadeiro manual de santidade.

Recordamos excertos da catequese sobre Teresa de Lisieux que o papa emérito Bento XVI pronunciou a 6 de abril de 2011.

«Gostaria de vos falar hoje de Santa Teresa de Lisieux. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que viveu neste mundo só 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida muito simples e no escondimento, mas que, depois da morte e da publicação dos seus escritos, se tornou uma das santas mais conhecidas e amadas.

A “pequena Teresa” nunca deixou de ajudar as almas mais simples, os pequeninos, os pobres e os sofredores que lhe rezam, mas iluminou também toda a Igreja com a sua profunda doutrina espiritual, a ponto que o Venerável [Santo] papa João Paulo II, em 1997, quis atribuir-lhe o título de Doutora da Igreja, além do de Padroeira das Missões, que já lhe tinha sido atribuído por Pio XI em 1927.

O meu amado predecessor definiu-a “perita da scientia amoris”. Esta ciência, que vê resplandecer no amor toda a verdade da fé, Teresa expressa-a principalmente na narração da sua vida, publicada um ano depois da sua morte com o título de “História de uma alma”. Trata-se de um livro que teve imediatamente um grande sucesso, foi traduzido em muitas línguas e difundido em todo o mundo. Gostaria de vos convidar a redescobrir este pequeno-grande tesouro, este comentário luminoso ao Evangelho plenamente vivido!

A carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela chamados «irmãos». Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno: para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais distantes

De facto, a “História de uma alma” é uma história maravilhosa de amor, narrada com tanta autenticidade, simplicidade e vigor, que o leitor não pode deixar de se admirar! Mas qual é este amor que encheu toda a vida de Teresa, desde a infância até à morte? Queridos amigos, este amor tem um rosto, tem um nome, é Jesus! A santa fala continuamente de Jesus. Repercorramos então as grandes etapas da sua vida, para entrar no coração da sua doutrina.

Teresa nasceu a 2 de janeiro de 1873 em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. É a última filha de Luís e Zélia Martin, esposos e pais exemplares, beatificados juntamente a 19 de outubro de 2008. Tiveram nove filhos; quatro morreram em tenra idade. Permaneceram as cinco filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, com 4 anos, ficou profundamente abalada com a morte da mãe. Então, o pai transferiu-se com as filhas para a cidade de Lisieux, onde se desenvolverá toda a vida da santa. Mais tarde Teresa, atingida por uma grave doença nervosa, sarou por graça divina, que ela própria define o “sorriso de Nossa Senhora”. Recebeu depois a Primeira Comunhão, intensamente vivida, e pôs Jesus Eucaristia no centro da sua existência.

A “Graça do Natal” de 1886 assinala a grande mudança, por ela chamada a sua “total conversão”. De facto, ficou totalmente curada da sua hipersensibilidade infantil e começou uma “corrida de gigante”. Aos 14 anos Teresa aproxima-se cada vez mais, com grande fé, de Jesus crucificado, e começa a ocupar-se de um criminoso, aparentemente desesperado, condenado à morte e impenitente. “Quis impedir-lhe de todas as formas de cair no inferno”, escreve a santa, com a certeza de que a sua oração o teria posto em contacto com o Sangue redentor de Jesus. É a sua primeira experiência fundamental de maternidade espiritual: “Eu tinha tanta confiança na misericórdia infinita de Jesus”, escreve. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera com “um coração de mãe”.

Teresa faleceu na noite de 30 de setembro de 1897, pronunciando as simples palavras «Meu Deus, amo-te!», olhando para o crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho

Em novembro de 1887, Teresa vai em peregrinação a Roma juntamente com o pai e a irmã Celina. Para ela, o momento culminante é a audiência do Papa Leão XIII, ao qual pede a autorização para entrar, apenas com 15 anos, no Carmelo de Lisieux. Um ano depois, o seu desejo realiza-se: torna-se carmelita, “para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes”.

Contemporaneamente, começa também a dolorosa e humilhante doença mental do seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação da Face de Jesus na sua Paixão. Assim, o seu nome de religiosa – irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face – expressa o programa de toda a sua vida, em comunhão com os mistérios centrais da encarnação e da redenção.

A sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, a 8 de setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimónio espiritual na “pequenez” evangélica, caracterizada pelo símbolo da flor (…). No mesmo dia, a santa escreve uma oração que indica toda a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu amor infinito, para ser a mais pequena, e sobretudo pede a salvação de todos os homens: “Que nenhuma alma seja danada hoje”. De grande importância é a sua Oferta ao Amor Misericordioso, feita na festa da Santíssima Trindade de 1895: uma oferenda que Teresa partilha imediatamente com as suas irmãs de hábito, sendo já vice-mestra das noviças.

Dez anos depois da “Graça de Natal”, em 1896, vem a “Graça de Páscoa” que abre a última fase da vida de Teresa com o início da sua paixão em profunda união com a paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença que a levará à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da paixão da alma, com uma dolorosíssima prova da fé. Com Maria ao lado da cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heroica, como luz nas trevas que lhe invadem a alma.

«Confiança e amor» são, portanto, o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma «pequena via de confiança e de amor» da infância espiritual

A carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela chamados “irmãos”. Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno: para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais distantes. Torna-se deveras uma “irmã universal”! A sua caridade amável e sorridente é a expressão da alegria profunda da qual nos revela o segredo: “Jesus, a minha alegria é amar-te”. Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas mais pequenas coisas da vida quotidiana, a santa realiza a sua vocação de ser o amor no coração da Igreja.

Teresa faleceu na noite de 30 de setembro de 1897, pronunciando as simples palavras “Meu Deus, amo-te!”, olhando para o crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O ato de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras “Jesus, amo-te” estão no centro de todos os seus escritos. (…)

Queridos amigos, também nós com Santa Teresa do Menino Jesus deveríamos poder repetir todos os dias ao Senhor que queremos viver de amor a Ele e aos outros, aprender na escola dos santos a amar de modo autêntico e total. Teresa é um dos “pequeninos” do Evangelho que se deixam conduzir por Deus às profundezas do seu mistério. Uma guia para todos, sobretudo para aqueles que, no Povo de Deus, desempenham o ministério de teólogos.

«Confiança e amor» são, portanto, o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma «pequena via de confiança e de amor» da infância espiritual

Com a humildade e a caridade, a fé e a esperança, Teresa entra continuamente no coração da Sagrada Escritura que encerra o mistério de Cristo. E esta leitura da Bíblia, alimentada pela ciência do amor, não se opõe à ciência académica. De facto, a ciência dos santos, da qual ela mesma fala na última página da “História de uma alma”, é a ciência mais nobre (…).

Inseparável do Evangelho, a Eucaristia é para Teresa o sacramento do amor divino que se abaixa ao extremo para se elevar até Ele. Na sua última “Carta”, sobre uma imagem que representa o Menino Jesus na Hóstia consagrada, a santa escreve estas palavras simples: “Não posso temer um Deus que para mim se fez tão pequenino! (…) Eu amo-o! De facto, Ele mais não é do que amor e misericórdia!”.

No Evangelho, Teresa descobre sobretudo a misericórdia de Jesus (…). Assim se expressa também nas últimas linhas da “História de uma alma”: ‘Um só olhar ao Santo Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr… Não é para o primeiro lugar, mas para o último que me oriento… Sim, sinto-o, mesmo se tivesse na consciência todos os pecados que se podem cometer, iria, com o coração despedaçado pelo arrependimento, lançar-me entre os braços de Jesus, porque sei quanto ama o filho pródigo que volta a Ele’.

“Confiança e amor” são, portanto, o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma “pequena via de confiança e de amor” da infância espiritual. Confiança como a do menino que se abandona nas mãos de Deus, inseparável do compromisso forte e radical do verdadeiro amor, que é dom total de si, para sempre, como diz a santa contemplando Maria: “Amar é dar tudo, e dar-se a si mesmo”.

Matteo Liut (Avvenire), Rui Jorge Martins (SNPC).

Publicado em Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

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São Jerônimo

Neste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande “tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras”: São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Ele nasceu na Dalmácia em 340, e ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Com posse da herança dos pais, foi realizar sua vocação de ardoroso estudioso em Roma. Estando na “Cidade Eterna”, Jerônimo aproveitou para visitar as Catacumbas, onde contemplava as capelas e se esforçava para decifrar os escritos nos túmulos dos mártires. Nessa cidade, ele teve um sonho que foi determinante para sua conversão: neste sonho, ele se apresentava como cristão e era repreendido pelo próprio Cristo por estar faltando com a verdade (pois ainda não havia abraçado as Sagradas Escrituras, mas somente escritos pagãos). No fim da permanência em Roma, ele foi batizado.

Após isso, iniciou os estudos teológicos e decidiu lançar-se numa peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer em Antioquia. Enfastiado do mundo e desejoso de quietude e penitência, retirou-se para o deserto de Cálcida, com o propósito de seguir na vida eremítica. Ordenado sacerdote em 379, retirou-se para estudar, a fim de responder com a ajuda da literatura às necessidades da época. Tendo estudado as línguas originais para melhor compreender as Escrituras, Jerônimo pôde, a pedido do Papa Dâmaso, traduzir com precisão a Bíblia para o latim (língua oficial da Igreja na época). Esta tradução recebeu o nome de Vulgata. Assim, com alegria, dedicação sem igual e prazer se empenhou para enriquecer a Igreja universal.

Saiu de Roma e foi viver definitivamente em Belém no ano de 386, onde permaneceu como monge penitente e estudioso, continuando as traduções bíblicas, até falecer em 420, aos 30 de setembro com, praticamente, 80 anos de idade. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o “Dia da Bíblia” no mês do seu aniversário de morte, ou ainda, dia da posse da grande promessa bíblica: a Vida Eterna.

São Jerônimo, rogai por nós!

(Fonte Canção Nova)

Publicado em Universidade Católica Dom Bosco.

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Nova tradução em linguagem simples e
atualizada, sem perda do sentido original

“É desatino pensar que havemos de entrar no Céu sem primeiro entrar em nós mesmos. (…) Se não tivermos e não procurarmos a paz em nossa casa, não a encontraremos nas alheias.” (Santa Teresa de Jesus)


Com esta postagem, queremos indicar aos nossos leitores um lançamento de imenso valor para todos os fiéis católicos. Àqueles que nos pedem dicas de leitura, esta é uma daquelas obras que figura quase que obrigatoriamente em nossa lista de indicadas. Esgotado nas livrarias, acaba de ser relançado, em versão bem cuidada e com aprovação eclesiástica (Imprimatur por Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo metropolitano de Curitiba), “O Castelo Interior” da grande Doutora mística da Igreja Santa Teresa de Jesus (ou d’Ávila), com tradução em linguagem simples e atualizada. (…)

Neste grande clássico da cristandade do século XVI, Santa Teresa de Jesus compara a alma humana a um grande, misterioso e maravilhoso castelo, dividido em diversas “moradas”, as quais precisam ser superadas para que a alma encontre, ao final, a bem-aventurança que não tem fim no seio do Criador amoroso. Assim, convida suas irmãs carmelitas a adentrarem nos castelos de suas almas, convite maravilhoso e empolgante, que pela vocação do Batismo se estende a cada um de nós.
O Castelo interior é bem diferente, mais esplêndido e desafiador que os castelos comuns, por mais encantadores que sejam. Para visitar algum destes últimos, é preciso muito dinheiro, atravessar longas distâncias indo até outros continentes (em nosso caso), além de dispender longo tempo para atravessar oceanos e terras. Já para adentrar o castelo de nossas almas, basta uma forte disposição. 
“Pelo que entendo, a porta para entrar neste castelo é a oração”, diz a santa em um trecho. Porém, ainda que seja simples entrar neste castelo, não é coisa simples ao ser humano abrir as suas portas e entrar em si mesmo. Com esta comparação, Santa Teresa descreveu de modo profundíssimo os sucessivos estágios que a alma percorre em sua jornada para Deus. Este livro transmite de modo extraordinário, a doutrina espiritual da [reformadora] do Carmelo, ao mesmo tempo em que reflete sua experiência pessoal. As sete moradas da vida interior, nas quais a obra se divide, são análogas às etapas de santidade que a alma humana precisa alcançar e superar sucessivamente, até chegar à perfeição. Uma obra atemporal, que foi sempre e continua sendo, por séculos a fio, até os nossos dias, uma inspiração para a perseverança na vida de fé, na busca da entrega a Deus e na santidade, a qual somos chamados. 
Arrisque-se na maior das aventuras da vida humana! Crie coragem e entre em seu Castelo interior!

Publicado em O Fiel Católico.

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Festa da Exaltação da Santa Cruz

A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou.” (Gl 6,14)

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Celebramos hoje uma festa muito importante no seguimento cristão: a EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ. Sempre tenho a maior alegria e o santo orgulho de relembrar a frase que marcou a minha infância e juventude, pelo zelo de meu querido pároco, que da visão beatífica do céu continua sendo um vivo exemplo de dignidade sacerdotal, Monsenhor Victor Arantes Vieira, que nos ensinou a viver diariamente: “Enquanto o mundo gira, a Cruz permanece de pé”. Cruz que representa a nossa fé. Cruz que simboliza a nossa doce salvação. Cruz que uniu o céu e a terra, a terra ao céu. Cruz que nos torna companheiros de Jesus no nosso itinerário de salvação. Cruz que simboliza o amor absoluto de um Deus Pai que envia seu Filho, em prova de absoluta doação, para nos amar e por amor morrer no Madeiro da Cruz.

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é relembrar que, na cruz e na doce entrega de Cristo, deve residir nossa força, porque a Cruz é fonte de vida e fonte de salvação. Não a cruz em si, mas todo o evento salvífico, que se iniciou na paixão, passou pela morte e culminou na ressurreição. Tudo isso é a motivação maior da nossa esperança e da nossa vida.

Irmãos e irmãs,

A origem da festa que celebramos hoje remonta à dedicação das basílicas do Gólgota e do Santo Sepulcro, constituídas pelo Imperador Constantino, em 13 de setembro de 335, sendo que no dia imediato se mostrava os restos da Santa Cruz.

A Celebração da Santa Cruz é a significativa e viva celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo. É relembrar o evento da paixão, da morte e da ressurreição de Cristo, lembrando que celebramos a fonte de onde jorra a salvação para toda a humanidade. Significa celebrar o Cristo vitorioso sobre o pecado e a morte. Mais do que tudo isso, é celebrar a transfiguração do ser humano em Filho de Deus.

A celebração de hoje nos pede uma atitude dialética: sofrimento e triunfo, penitência e amor/reconciliação. Quando Jesus nos pede para que para segui-lo é mister abandonar a tudo, renunciar a si mesmo, tomar a sua Cruz e segui-Lo. É preciso ter presente sempre o sofrimento, a renúncia de seus próprios interesses em benefício de um projeto muito mais amplo, muito mais desafiador, um projeto de Igreja, um caminho de salvação. Caminhando com Cristo, carregamos com Ele a sua Cruz, as suas humilhações, os pesos físicos do próprio madeiramento, configurando-nos aos mistérios da Paixão do Senhor.

Por isso, a liturgia de hoje nos pede para nos configurarmos a Cristo, soframos com Cristo, carreguemos a Cruz com o Salvador, para que o nosso sofrimento, a nossa dor, se transforme em alegria, se transforme em festa, se transforme em vitória da graça contra o pecado. O sofrimento como meio de redenção em Cristo e o da glória como meta, sempre em Cristo, deve iluminar, por esta festa, todo o nosso agir e a nossa práxis de batizados.

Meus queridos irmãos,

Porque Jesus morreu na Cruz? Esse era, meus irmãos, o castigo mais atroz contra aqueles que eram considerados subversivos pelos romanos. A própria historiografia romana diz que a Cruz é o “máximo suplício”. Constantino, ao se fazer batizar em 315, aboliu a condenação pela Cruz.

Mas, a pergunta do significado da crucificação se faz necessária no dia de hoje. Quais, afinal, eram as razões para se crucificar alguém? A primeira para castigar o criminoso; a segunda para intimidar a outros crimes. Tudo isso tinha um ritual. As autoridades judiciárias escolhiam um lugar movimentado por onde aquele que seria crucificado iria passar rumo ao local adrede. A crucificação se fazia em lugar alto, de grande visibilidade, para servir de corretivo para a sociedade judaica, impondo ao alto do madeiro a motivação de sua condenação. Chegando ao lugar do suplício o condenado era despido e crucificado nu. Jesus, por ser judeu, dentro do costume daquele povo que se escandalizava fácil, teve como consolo uma tanga ao baixo-ventre. Depois de pregar o condenado na horizontal, a cruz era suspensa, de sorte que ficava alto para que todos pudessem assistir a condenação fatal.

Meus irmãos,

Ao comemorarmos neste dia o simbolismo da elevação na cruz, como elevação na glória, desenvolvido por São João no Evangelho, contemplamos a cruz de Cristo. Não o fazemos para recair no dolorismo de tempos idos, quando se pensava que quanto mais sofrimento, mas regalia no céu; ainda, que Jesus teve de sofrer na cruz para “pagar” a Deus. A liturgia de hoje nos ensina a olhar para a cruz com um novo sentido: como manifestação do próprio ser de Deus, que é um Deus Amor. A Cruz não é um instrumento de suplício que o Pai aplica a seu Filho – por nossa culpa -, mas o sinal do quanto o Pai e o Filho nos amam – o Filho instruído pelo Pai. Nada de sádica exigência de sangue, só amor, até o FIM.

A primeira leitura (Números 21,4-9) da celebração da Missa nos ensina o simbolismo prefigurado no episódio da serpente de bronze que Moisés levantou diante dos olhos dos hebreus, para esconjurar a praga das serpentes. O tema de elevação/exaltação, inspirado por Isaías 52, 13, servo padecente, preside também à segunda leitura, em que a exaltação é contrabalançada pelo rebaixamento no sofrimento infligido àquele que nem deveria considerar apropriação injusta à forma divina. Nos capítulos 20-21 dos Números são narradas as últimas peripécias dos hebreus no deserto, antes da entrada na terra prometida. O povo murmura porque não tem o que deseja; revolta-se, não suporta o cansaço do caminho (v. 2) por causa da fome e da sede (v. 5). Já não é capaz de reconhecer o poder de Deus, já não tem fé no Senhor que agora vê como Aquele que lhe envenena a vida. Deus manifesta o seu juízo de castigo em relação ao povo, mandando serpentes venenosas (v. 6). Na experiência da morte, os hebreus reconhecem o pecado cometido contra Deus e pedem perdão. E, tal como a mordedura da serpente era letal, assim, agora, a imagem de bronze erguida sobre um poste torna-se motivo de salvação física para quem for mordido. São João reconhece na serpente de bronze erguida no deserto por Moisés a prefiguração profética da elevação do Filho do homem crucificado.

Caros irmãos,

Vamos, pois, amados irmãos, mergulhar no mistério, na profundeza do Evangelho de hoje (Jo 3,13-17). O dom da vida de Jesus, morrendo por amor fiel até a morte na cruz, é a manifestação da glória, isto é, do ser de Deus que aparece, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8-9). Isso, a tal ponto, que Jesus, na hora de assumir a morte na cruz, pôde dizer: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9).

Dentro do contexto do longo discurso com que Jesus responde a Nicodemos, apontando a necessidade da fé para obter a vida eterna e fugir ao juízo de condenação. Jesus, o Filho do homem (v. 13), provém do seio do Pai; é aquele que “desceu do Céu” (v. 13), o único que viu a Deus e pode comunicar o seu projeto de amor, que se realiza na oblação do Filho unigênito. Jesus compara-se à serpente de bronze (cf. Nm 21, 4-9), afirmando que a plena realização do que aconteceu no deserto irá verificar-se quando Ele for elevado na cruz (v. 14) para salvação do mundo (v. 17). Quem olhar para Ele com fé, isto é, quem acreditar que Cristo crucificado é o Filho de Deus, o salvador, terá a vida eterna. Acolhendo n´Ele o dom de amor do Pai, o homem passa da morte do pecado à vida eterna. No horizonte deste texto, transparece o cântico do “Servo de Javé” (cf. Is 52, 13ss.), onde encontramos juntos os verbos “elevar” e “glorificar”. Compreende-se, portanto, que São João quer apresentar a cruz, ponto supremo de ignomínia, como vértice da glória.

Caros irmãos,

Qual é, caros irmãos, a conseqüência desta exaltação da Cruz?

Se Cristo deu a vida por nós todos, somos convidados a dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Dessa forma, cantamos na segunda leitura em que Jesus, esvaziado como escravo e exaltado como Senhor, é o exemplo dos que se reúnem em seu nome. Assim, consideremos os outros mais importantes que a nós mesmos e tenhamos o mesmo pensar e sentir d’Ele.

O itinerário da Cruz nos ensina que o Mistério da Paixão está no centro da espiritualidade cristã: a Igreja nasce com a Paixão e é somente nela que os sacramentos e a vivência da ação evangelizadora e pastoral encontram a sua razão de ser. A Paixão, não como morte, mas como vida, é o caminho que nos aproxima de Deus. No calvário, a revelação é levada ao seu cume e o Senhor Crucificado atrai os olhares humanos para a contemplação de um mistério envolvente, de amor.

Deus aceitou trilhar o caminho da cruz para aproximar-se solidariamente da humanidade, constituindo-o lugar indispensável, através do qual os cristãos conhecem o seu Deus com misericórdia e perdão. Neste sentido, ele é descida de Deus em favor da humanidade e elevação da humanidade que deseja assemelhar-se a Deus. Não devemos morrer na cruz, mas assumir a cruz um caminho, uma orientação de vida.

Meus irmãos,

Para todo ser humano, a salvação e a vida passam pela cruz. Não a cruz pela cruz, simplesmente. Mas a cruz como expressão de amor, de realização do plano de Deus, do seguimento de Cristo: “Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que pretender salvar a sua vida, há de perdê-la; e quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la” (Mt 16,24-25).

A cruz é o caminho da vida. Nela se encontra a esperança da vida. Por isso, a Igreja proclama e canta: “Salve, ó cruz, única esperança”. Ou então: “Nós vos adoramos, santíssimo Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo!”

Santa Cruz, seja-nos o santo alento nas tribulações desta vida, fazendo-nos desejosos de unir nossas provações ao sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Homilia por: Padre Wagner Augusto Portugal

Publicado em  Catequese Católica.

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CENTRO DE ESPIRITUALIDADE MONTE CARMELO

Nesta quarta aula, passaremos à estudar as segundas moradas, do livro: Castelo Interior de Teresa de Jesus, Santa e Doutora da Igreja.

Publicado em Seculares Contemplativos.

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Como viver no silêncio em um mundo que grita?

Vivemos na era do barulho e da distração. É o celular tocando , a mensagem chegando , dezenas de “posts” e “curtidas” sobre assuntos que vão desde acontecimentos importantes do outro lado do mundo até imagens privadas de uma pseudo-realidade da vida de um conhecido. Todo este ruído compete pela nossa atenção. Clama pela nossa resposta. Passamos o dia no “muito fazer”  quando “somente uma coisa é necessária”.

Nós Carmelitas temos nossa origem nos Padres do Deserto. Fugiam da segurança do mundo para se focar somente em Deus. Mais do que buscar um silêncio externo buscavam um silêncio interior. Entendiam que o primeiro silêncio deve ser interno. Parar para escutar.  O silêncio, a solidão e a pobreza fazem parte das obrigações da ordem.  “Em silêncio e esperança procurais viver sempre” Moradas 3,2

São José, padroeiro do Carmelo, é nosso exemplo de silêncio. Em todo Evangelho não temos uma única palavra sua. Isto não o impediu de ser homem de mensagem e homem de ação. Sobretudo homem de escuta. Percebe o querer de Deus e se entrega à Sua vontade. 

Lembramos também a figura de Elias. Em meio a muito barulho e chamados diversos foi no silêncio da brisa suave que Deus se fez presente (1Rs 19,12). 

Como contemplativos seculares devemos buscar nosso deserto no dia a dia. Aproveitar os curtos momentos de silêncio, tornar os momentos simples momentos de contemplação. Até mesmo um simples respirar pode ser um instante de presença. Recolher o próprio pensamento em silêncio e evitar distrações , como citado por Teresa “buscar calar nossa palavra e escutar a palavra de Deus”. Buscar calar até nossos pensamentos e desejos mais íntimos para estar perto de Deus.

Não é tarefa fácil, já dizia Teresa, “o mesmo cuidado que se põe em pensar em nada talvez desperte o pensamento a pensar muito.” (Castelo 4,3 pg 684 ). Recolher os sentidos é mais uma ato de graça que segue um ato de vontade.

Que busquemos ser silêncio. Viver do Nada e entregar-se a Deus. Entregar Tudo, até nossos pensamentos. E em nosso calar o Espírito possa orar em nós com gemidos inefáveis ( Rm 8,26).

Fontes

Deserto Vivo. Poustinia. Catherine de Hueck Doherty. 2001

Silêncio – Frei Patrício Sciadini

Amor líquido , sobre a fragilidade dos laços humanos – Zygmunt Bauman

Santa Teresa do Menino Jeusus – Obras completas – Santa Teresa

Para se aprofundar no assunto :

  • Na terra do silêncio – Martin Laird
  • Ao Sopro Do Espírito – Oração E Ação – Maria-Eugenio Do Menino Jesus
  • O Silêncio de Maria –  Ignácio Larrãnga
  • Vida silenciosa – Thomas Merton
  • As Exigências do Silêncio – Thomas Merton
  • Diálogos com o silêncio  Thomas Merton
  • Quero ver a Deus – Frei Maria-Eugênio do Menino Jesus
  • A força do silêncio: Contra a ditadura do ruído –  Robert Sarah
  • Exigências do silêncio –  Anselm Grün
  • José – O Silencioso –  Michel Gasnier
  • Doze graus do silêncio  – vários autores
  • O Silêncio Amoroso de Deus  – Paul Evdo

Publicado em Seculares Contemplativos (Autor: Flávio Teixeira – Secular Contemplativo).

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ImagemS. João da Cruz

A reforma nunca é obra solitária, mas compromisso partilhado e projeto que deve ser sustentado por uma profunda espiritualidade. S. João da Cruz, evocado na liturgia a 14 de dezembro, recorda-nos precisamente que as nossas estradas existenciais nunca podem ser percorridas em solidão, mas fundam-se num encontro: primeiro com Deus e depois com os irmãos.

Nascido em 1540 ou 1542 em Fontiveros (Ávila, Espanha), João cedo ficou órfão de pai. Veste o hábito dos carmelitas em Medina no ano de 1563. Foi ordenado padre em 1567, depois de completar estudos em Salamanca.

Nesse mesmo ano encontra Santa Teresa de Jesus, que tinha recentemente obtido licença para a fundação de dois conventos e carmelitas contemplativas. É com ela que colabora na reforma do Carmelo: nasciam assim os Carmelitas Descalços. João, em 1568, estava no primeiro núcleo destes monges reformados.

Foi preso no convento dos Carmelitas de Antiga Observância de Toledo devido a uma acusação que se provou ser falsa, e foi no cárcere, onde passou cerca de oito meses, que escreveu muitas das suas poesias, entre as quais “Cântico espiritual”.

Morreu em 1591, aos 49 anos, em Ubeda. Foi beatificado por Clemente X, em 1675 e declarado santo por Bento XIII, em 1726. É doutor da Igreja, padroeiro dos místicos e poetas.

A comparação utilizada por João é sempre a do fogo: assim como o fogo, quanto mais arde e consome a madeira, tanto mais se torna incandescente até se tornar chama, também o Espírito Santo, que durante a noite escura purifica e «limpa» a alma

S. João da Cruz: Obras principais e espiritualidade
Bento XVI

No “Cântico espiritual”, S. João apresenta o caminho de purificação da alma, ou seja, a posse progressiva e jubilosa de Deus, até que a alma chegue a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é por Ele amada.

Em “Chama de amor viva” continua nesta perspetiva, descrevendo mais pormenorizadamente o estado de união transformadora com Deus. A comparação utilizada por João é sempre a do fogo: assim como o fogo, quanto mais arde e consome a madeira, tanto mais se torna incandescente até se tornar chama, também o Espírito Santo, que durante a noite escura purifica e «limpa» a alma, com o tempo ilumina-a e aquece-a como se fosse uma chama. A vida da alma é uma festa contínua do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade.

A “Subida ao Monte Carmelo” apresenta o itinerário espiritual sob o ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar a montanha da perfeição cristã, simbolizada pelo cimo do Monte Carmelo. Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a obra divina, para libertar a alma de todo o apego ou afecto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para alcançar a união com Deus deve ser total, começa a partir daquela da vida dos sentidos e continua com a que se alcança por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade.

A vida de S. João da Cruz não foi um «voar sobre as nuvens místicas», mas uma vida muito árdua, deveras prática e concreta

“A noite escura” descreve o aspecto «passivo», ou seja, a intervenção de Deus neste processo de «purificação» da alma. Com efeito, o esforço humano sozinho é incapaz de chegar às profundas raízes das más inclinações e hábitos da pessoa: só os pode impedir, mas não consegue erradicá-los completamente. Para o fazer, é necessária a acção especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe para a união de amor com Ele. S. João define «passiva» tal purificação, precisamente porque, embora seja aceite pela alma, é realizada pela obra misteriosa do Espírito Santo que, como chama de fogo, consome toda a impureza. Neste estado, a alma é submetida a todo o tipo de provações, como se se encontrasse numa noite obscura.

Com a sua mística excelsa, com este árduo caminho rumo ao cimo da perfeição, este santo tem algo a dizer também a nós, ao cristão normal que vive nas circunstâncias desta vida de hoje, ou é um exemplo, um modelo apenas para poucas almas escolhidas que podem realmente empreender este caminho da purificação, da ascese mística?

Para encontrar a resposta, em primeiro lugar temos que ter presente que a vida de S. João da Cruz não foi um «voar sobre as nuvens místicas», mas uma vida muito árdua, deveras prática e concreta, quer como reformador da ordem, onde encontrou muitas oposições, quer como superior provincial, quer ainda no cárcere dos seus irmãos de hábito, onde esteve exposto a insultos incríveis e a maus tratos físicos. Foi uma vida dura, mas precisamente nos meses passados na prisão, ele escreveu uma das suas obras mais bonitas.

«E se trevas eu padeço/ em minha vida mortal,/ não é tão grande o meu mal,/ porque, se de luz careço,/ tenho vida celestial;/ porque o amor dá tal vida/ quando mais cego vai sendo,/ que tem a alma rendida,/ sem luz e às escuras vivendo»

E assim podemos compreender que o caminho com Cristo, o andar com Cristo, «o Caminho», não é um peso acrescentado ao fardo já suficientemente grave da nossa vida, não é algo que tornaria ainda mais pesada esta carga, mas é algo totalmente diferente, é uma luz, uma força que nos ajuda a carregar este peso. Se um homem tem em si um grande amor, este amor quase lhe dá asas, e suporta mais facilmente todas as moléstias da vida, porque traz em si esta grande luz; esta é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus.

Este deixar-se amar é a luz que nos ajuda a carregar o fardo de todos os dias. E a santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é precisamente esta «abertura»: abrir as janelas da nossa alma, para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer Deus, porque é precisamente na abertura à sua luz que se encontra a força, a alegria dos remidos.

Glosa
S. João da Cruz

Sem arrimo e com arrimo
sem luz e às escuras vivendo,
todo me vou consumindo.

Minha alma está desprendida
de toda a coisa criada,
e sobre si levantada
numa saborosa vida
só em seu Deus arrimada.
Por isso já se dirá
a coisa que mais estimo;
que minha alma se vê já
sem arrimo e com arrimo.

E se trevas eu padeço
em minha vida mortal,
não é tão grande o meu mal,
porque, se de luz careço,
tenho vida celestial;
porque o amor dá tal vida
quando mais cego vai sendo,
que tem a alma rendida,
sem luz e às escuras vivendo.

Tal obra faz o amor
depois que eu o conheci,
que, se há bem ou mal em mim,
tudo o torna de um sabor
e transforma a alma em si;
e em sua chama bem temp’rada,
a qual em mim estou sentindo,
veloz e sem deixar nada,
todo me vou consumindo

Publicado em SNPC – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal (Matteo Liuti ).

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Santa Teresa foi uma líder corajosa. Sua vida e seus escritos contêm uma sabedoria inestimável

Santa Teresa de Ávila é chamada de “A grande Teresa” por uma bela razão: esta mulher viveu com uma santidade e uma convicção tão ousadas que ela resplandece brilhantemente nas páginas da história.

Portanto, sua vida extraordinária oferece muitas lições para os cristãos de hoje. Estas são algumas delas:

1 – Faça primeiro a oração, depois a ação

Quando jovem, Santa Teresa começou a rezar de forma meditativa e contemplativa com Deus. Tal oração era chamada de “oração mental”. Consequentemente, sua amizade com Cristo e seu profundo amor por Ele floresceram cada dia mais. Depois de uma doença terrível, no entanto, ela parou de rezar dessa forma. Por outro lado, participava das orações comunitárias rotineiras. Aliás, ela se convenceu que abster-se de orar sozinha era um sinal de maior humildade.

Não é de se surpreender, no entanto, que a decisão de cessar a oração meditativa lhe trouxe sofrimento emocional e espiritual.

Felizmente, ela encontrou um santo e culto sacerdote dominicano para ser seu confessor. Ele, então, a corrigiu. De fato, Santa Teresa de Ávila, nunca mais abandonou a oração mental e exortou todos a adotarem esse tipo de oração regularmente. Como consequência, suas descrições da oração mental tornaram-se definições clássicas dessa prática espiritual. Ela escreveu que a oração mental “nada mais é do que relações amigáveis ​​e conversas solitárias frequentes com Aquele que sabemos que nos ama”. Essa amizade é a fonte de um bem infinito na vida de uma pessoa e produz grandes frutos espirituais. Ela garantiu a seus leitores: “Ninguém jamais tomou [Deus] por amigo sem ser recompensado”.

Santa Teresa deixou um impacto maior que a vida por meio de suas reformas espirituais, boas obras e escritos, até se tornar a primeira médica [*uma ressalva: houve um engano da parte de quem publicou este artigo, já que Santa Teresa de Ávila foi proclamada, em 1970, como Doutora da Igreja, e não médica, bem como Santa Catarina de Siena, pelo Papa João Paulo II. Certamente foi um erro de tradução.]. Tudo isso brotou, portanto, do poço de sua amizade profunda e íntima com Deus. Em suma: a vida dela mostra que o esforço apostólico deve sempre começar e estar profundamente enraizado na oração. Coloque, então, a oração e a contemplação em primeiro lugar! Consequentemente, sua vocação e missão fluirão naturalmente dessa fonte.

2 – Cerque-se de bons amigos e mentores

Um tema a que Santa Teresa sempre volta em sua autobiografia é a importância de se manter em boa e santa companhia. Ela fala de amigos e até de confessores que entraram em sua vida em momentos diferentes e a aproximaram de Deus. “Aprendi que grande vantagem advém de uma boa companhia”, escreveu ela. Porém, essa lição ela aprendeu por meio de experiências difíceis.

Teresa era tão ciente do impacto que os amigos podem ter na vida espiritual de uma pessoa que encorajava aqueles que querem a santidade a buscar amigos santos para acompanhá-los na jornada. Ela escreveu: “Eu aconselharia aqueles que praticam a oração, especialmente no início, a cultivar amizade e o relacionamento com outras pessoas de interesses semelhantes. Isso é muito importante, no mínimo porque podemos ajudar uns aos outros com nossas orações. Ademais, pode nos trazer muitos outros benefícios.”

Da mesma forma, ela descobriu que a influência dos amigos era um fator tão crítico que fez uma pausa em sua autobiografia para dar alguns conselhos aos pais de adolescentes: “Se eu tivesse que aconselhar os pais, deveria dizer-lhes que tomassem muito cuidado com as pessoas com quem seus filhos se relacionam nessa idade. Muito dano pode resultar de más companhias e somos inclinados por natureza a seguir o que é pior ao invés do que é melhor.”

Vale dizer, portanto, que os adolescentes são mais suscetíveis à pressão dos colegas, devido à sua necessidade de aceitação social. Porém, o princípio de Santa Teresa vale para qualquer idade.

3 – Leve a vida de forma mais leve

Santa Teresa de Ávila tinha um bom senso de humor, especialmente em relação a si mesma e suas loucuras. Certa vez, ela escreveu: “Às vezes eu rio de mim mesma e percebo como sou uma criatura miserável”. Do mesmo modo, sua humildade é evidente quando ela relata as indiscrições da juventude ou enumera os erros que ela cometeu ao longo dos anos. E ela o faz com franqueza e nenhum sinal de hipocrisia.

Levar a vida de forma leve, no entanto, não fará as pessoas voarem. Porém, isso pode torná-las mais  alegres e agradáveis. Ainda mais importante: trata-se de uma atitude que brota da santa mansidão, e como Cristo disse aos seus seguidores: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5:,5).

Todavia, mansidão pode não ser a primeira coisa que vem à mente quando nos lembramos de Santa Teresa de Ávila. Mas, lembre-se: a verdadeira mansidão não significa timidez ou submissão. Em vez disso, refere-se ao autodomínio em meio à adversidade. E é essa a qualidade pela qual Santa Teresa se destacou ao enfrentar as muitas provações de sua vida.

Enfim, essas lições são apenas a ponta do iceberg da sabedoria atemporal da grande Santa Teresa. Para mais informações, clique aqui e veja outros 10 conselhos inspiradores que ela nos deixou.

Fonte: Aleteia

*Lúcia Barden Nunes.

Publicado em Santuário dos Prazeres e Divina Misericórdia.

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Dominio Público

Todos sabemos que Santa Teresa D’Ávila foi a primeira mulher a ser proclamada Doutora da Igreja, título reservado a grandes mestres da fé para todos os tempos. Mas além de sua capacidade intelectual devemos admirá-la por sua sensibilidade de coração com que vivia e por sua incrível capacidade para amar a Deus no cotidiano. Por isso estes imperdiveis conselhos de Santa Teresa D’Ávila devem ser praticados por todos nós:

1. Orar

“Grande bem faz Deus a uma alma que se dispõe a ter oração… e se nela persevera, mesmo que por pecados e tentações caias de mil maneiras que ponha o demônio, no fim, tenho certeza que o Senhor o levará ao porto da salvação, como fez comigo…”

“… Do que tenho experiência posso dizer, que o Mal se levantará contra quem começou a orar, mas não pare de orar, pois a oração é o meio por onde pode tornar-se a remediar, e sem ela será mais difícil”.

“… não é outra coisa a oração mental, ao meu ver, se não um trato de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. (Livro da vida, cap. 8, 4-5).

2. Amar e temer

“Toma este aviso, que não é meu, e sim do vosso Mestre: procurai caminhar com amor e temor. E eu os asseguro: o amor os fará apressar os passos; o temor os fará ir olhando para onde põe os pés para não cair…”

Quem deveras ama a Deus, todo o bem ama, todo o bem quer, todo o bem favorece, todo o bem louva, com os bons se junta, sempre os defende, todas as virtudes abraça; não ama o que não é a verdade e o que não seja digno de amar…” (Caminho de Perfeição, cap. 69, 1-3).

3. Não falar mal

“Não falar mal de ninguém, por menor que seja… não querer e nem dizer de outra pessoa o que não quero que digam sobre mim”. (Livro da Vida, cap.6, 3)

4.  Andar na Verdade

“Andemos na verdade diante de Deus e das pessoas, de quantas maneiras pudermos; em especial, não querendo aparentar ser melhor do que somos, e procurando tirar em tudo a verdade e assim ter um pouco deste mundo, que é todo de mentira e falsidade, e como tal não é durável.

Uma vez estava considerando porque razão nosso Senhor é tão amigo da humildade… Porque Deus é suma Verdade, e a humildade é andar na verdade”.

Isto é só uma provinha microscópica do que foi escrito por esta grande santa, que entre as obras estão: “O Livro da Vida”, autobiográfico; o “Caminho de Perfeição”;”Castelo Interior ou Moradas”, com valiosos conselhos espirituais; entre muitos outros. Não perca! Busque na internet: “Obras completas de Santa Teresa D’Ávila. Estão disponíveis de maneira gratuita.

Publicado em ChurchPop.

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Em 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo presenteou São Simão Stock com o Santo Escapulário, símbolo de sua presença materna e proteção. Conheça aqui as promessas aos que usarem o escapulário do Carmo.

No dia 16 de julho a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora do Carmo. Isso ocorre, pois nesta mesma data, no ano de 1251, a Mãe de Deus presenteou o Carmelita Inglês São Simão Stock com o Santo Escapulário, símbolo de sua presença materna e proteção.

O fato ocorreu após o Santo pedir com grande insistência a proteção e o amparo da Santíssima Virgem à Ordem do Carmo, que passava por grandes dificuldades, depois de ter deixado a Terra Santa, abandonando o Monte Carmelo, lugar onde viveu Santo Elias e onde ele fundou a Ordem.

Leia também: O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Nossa Senhora do Carmo entrega o escapulário e faz importante promessa

São Simão Stock rezou pedindo a Maria alguma amostra da proteção por ela prometida à Ordem Carmelitana da qual ele era o Prior Geral. “Flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu e Virgem fecunda e singular, oh doce Mãe que não conheceu homem algum; que teu nome proteja os carmelitas, Estrela do Mar”, orou.

Não tardou e Nossa Senhora respondeu o clamor do Santo apresentando-se a São Simão Stock guardada por anjos e entregando-lhe o Escapulário. Nesse mesmo momento lhe fez uma importante promessa.

Promessas de Nossa Senhora do Carmo aos que morrerem com o escapulário

A Mãe do Céu prometeu que quem portar seu escapulário, trazendo-o sempre consigo não irá para o inferno. “Amado filho receba este escapulário de tua Ordem como símbolo de minha confraternidade e especial sinal de graças para ti e todos os Carmelitas; qualquer um que morra portando-o, não padecerá no fogo. Ele é sinal de salvação, defensor nos perigos, promessa de paz e desta aliança”, disse ao santo carmelita inglês.

Mas esta não foi a única promessa que a Virgem do Carmo fez. Setenta anos depois a Virgem fez outra promessa: Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário. E ela cumprirá essa promessa no sábado após a morte do devoto carmelita.

A Indulgência Sabatina é outra promessa do escapulário do Carmo

Aconteceu no ano de 1322 com o Papa João XXII. A Virgem do Monte Carmelo apareceu a ele usando o hábito de Carmo e lhe revelou a denominada ‘Indulgência Sabatina’. “Eu, Mãe de misericórdia, livrarei do purgatório e levarei ao Céu, no sábado após sua morte, os que houverem portado meu Escapulário”, assegurou.

No dia 3 de março do mesmo ano, o Pontífice promulgou a Bula Sabatina, que logo foi ratificada por outros Pontífices. Entre eles, o Papa Paulo V que em 20 de janeiro de 1613 declarou que “no sábado seguinte à morte dos confrades carmelitas, ou como interpreta a Igreja, quanto antes, mas especialmente no sábado, a Virgem do Carmo, com carinho maternal, os livra da prisão expiatória e os introduz no Paraíso”.

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As Promessas do Escapulário do Carmo

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

O Escapulário do Carmo é composto por dois pedaços de lã em cor marrom que são unidos por duas fitas ou cordões, representando o hábito da Ordem do Carmelo. Ele é um sacramental e, por isso deve ser abençoado e imposto por um sacerdote. Tanto a bênção quanto sua imposição são válidas para todos os Escapulários que a pessoa venha a usar.

Estas são as palavras que diz o sacerdote ao impor o Escapulário do Carmo: “Receba este escapulário como um sinal da Virgem Maria, Rainha do Carmelo, para que, com seus méritos, o use sempre com dignidade, seja ele tua defesa em todas as adversidades e te conduza à vida eterna”. (EPC).

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Publicado em Gaudium Press.

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Memória do Imaculado Coração de Maria

Nossa Senhora é reflexo da luz divina, como a Lua reflete a do Sol. Assim como não podemos dizer que a luz da Lua lhe pertence, não podemos dizer que o amor de Maria lhe pertence. O amor dela é reflexo do amor de Deus.

Imaculado Coração de Maria – Wikipédia, a enciclopédia livre

Homilia Diária -Jun 2021

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2, 41-51)

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem.

Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas.

Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas.

Ontem celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Hoje, com muita alegria, nos voltamos para o Coração de nossa Mãe bendita. O que significa celebrar o Imaculado Coração de Maria? Como vimos ontem, o coração é um símbolo visível da realidade invisível da alma e sua capacidade de amar. De fato, o homem tem uma capacidade de amar maior que a dos animais. Nosso bichinho de estimação pode até abanar o rabo e ficar muito feliz de nos ver, mas isso é um afeto bastante limitado. Deus quer que amemos mais, muito mais. Ora, o homem é capaz de passar pelas maiores dificuldades por um grande amor. É capaz de dar a vida, de derramar o próprio sangue por aqueles a quem ama. Atos heróicos e extraordinários de amor já foram feitos ao longo da história. E nem falamos ainda do amor cristão. Mesmo entre pagãos, atos heroicos fizeram muitas pessoas entregar a vida por amor à pátria, para defender a família etc. 

Acontece que nós, que temos uma alma capaz de amar com um amor tão sublime, temos também a ferida do pecado original, que leva essa mesma alma, desordenada, a trair de alguma forma sua vocação ao amor. Ora, celebrar o Imaculado Coração de Maria é, antes de tudo, celebrar o fato de que a nossa Mãe bendita não foi mordida pela serpente. Nós temos momentos de egoísmo. Ainda que amemos as pessoas, somos capazes de ser egoístas e ofendê-las. Nossa Senhora não. A alma dela é profundamente ordenada, porque não foi tocada pelo veneno da serpente, do egoísmo, do pecado. Ela é nossa Mãe Imaculada. Mas não celebramos somente isso, ou seja, o fato de Maria ser intacta, nunca tocada por Satanás. Celebramos algo ainda mais importante, uma realidade mais profunda: que ela foi tocada por Deus. Nossa Mãe bendita não foi tocada por Satanás, por isso é Imaculada; mas, no primeiro instante da sua concepção no ventre de Sant’Ana, ela recebeu uma quantidade de graça santificante tão abundante, que ela é verdadeiramente gratia plena, a cheia de graça (κεχαριτωμένη, em grego). Ela abundou em graça, o que quer dizer o seguinte: a capacidade de Maria, ainda pequenina no ventre de Sant’Ana, de amar a Deus e a nós é maior que a de todos os anjos e santos juntos!

Celebramos, portanto, uma obra esplendorosa da misericórdia divina. Nossa Senhora tem um Coração extraordinário. De sua alma humana, por graça divina, é possível ver sair um amor que transborda sobre Deus e sobre nós. Que espetacular, que milagre da graça é o Coração de Maria! Sua alma santíssima é capaz de amar de forma divina. Pela graça, Nossa Senhora foi elevada a amar como o mais perfeito dos homens, com um amor imaculado, intacto, sem mancha de egoísmo, um amor que é a própria caridade divina. Alguém pode pensar que isso é “exagero” de católicos, que “exaltamos demais” Nossa Senhora… Não, não estamos exagerando porque é isso o que vai acontecer conosco no céu. Na glória, iremos amar a Deus com o amor de Deus. Aliás, não só no céu, já aqui o podemos fazer, se estamos em estado de graça. Devemos, porém, ir crescendo neste amor.

Nossa Senhora é reflexo da luz divina, como a Lua reflete a do Sol. Assim como não podemos dizer que a luz da Lua lhe pertence, não podemos dizer que o amor de Maria lhe pertence. O amor dela é reflexo do amor de Deus; portanto, é um amor divino. Não é exagero algum dizer que Maria nos ama com o amor de Deus. É simplesmente verdade. “O Senhor fez em mim maravilhas, santo é o seu nome”; logo, o Coração da Virgem é dom de Deus para nós. Ao enviar o seu Filho no mundo, Deus não quis que Ele fosse gerado no ventre de uma mulher manchada pelo pecado. Por isso Ele preparou o Coração santíssimo e Imaculado de Maria para amar Jesus. Que alegria, que consolação saber que Cristo não foi recebido no mundo com bofetões e cusparadas, mas com um Coração Imaculado, cheio de graça, capaz de dar o amor que Ele merece!

Nossa Senhora de Fátima disse a Lúcia que o seu Imaculado Coração seria sempre o seu caminho e refúgio. Essa frase serve para todos nós. Vivemos no mundo, mas queremos ir para o céu. Como podemos chegar lá? O Coração de Maria é reflexo do Coração de Jesus. Ora, Ele é o caminho, a verdade e a vida; se Ele é o caminho, o Coração de Maria também o é, por ser reflexo do Coração de Cristo. Imitemos, pois, a Virgem Maria, refugiemo-nos nela quando formos atacados por demônios de todos os lados. O Coração dela é refúgio seguro contra o maligno. Ao mesmo tempo que ela é para nós caminho e refúgio, nós, miseráveis pecadores, que ofendemos tanto essa Mãe bendita, também devemos recordar nosso dever: a necessidade de reparar as ofensas feitas contra ela. Foi para isso que Nossa Senhora quis propagar pelo mundo a devoção dos cinco primeiros sábados do mês. Façamos esse desagravo que Nossa Senhora pediu e que nós, filhos dóceis e generosos, não podemos negar-lhe.

Publicado em Padre Paulo Ricardo (para ouvir acesse este link).

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