SANTOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

SOLENIDADE

Precisamente hoje, dia 29 de setembro, a Liturgia da Igreja celebra a Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que aparecem nas Sagradas Escrituras com missões importantes que foram determinadas por Deus. Esses três arcanjos representam a alta hierarquia dos anjos-chefes, o seleto grupo dos sete espíritos puros que atendem ao trono de Deus e são os mensageiros dos decretos divinos aqui na terra, “os espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que vão receber a salvação como herança”. (Hb 1,14).

A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a esses três arcanjos, que são os protetores e os intercessores que vêm do Céu em nosso socorro, pois, como nos ensina São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra Arcanjo significa Anjo principal e, por isso, durante as atribulações do nosso cotidiano, nas tempestades e nos vendavais na vida, eles costumam aconselhar-nos e auxiliar-nos, além, é claro, de levar as nossas orações a Deus, trazendo-nos as mensagens da Providência Divina.

Os três arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael “estão diante de Deus, são os nossos companheiros porque têm a mesma vocação no mistério da salvação: levar em frente o mistério da salvação. Adoram a Deus, glorificam a Deus, servem a Deus”. (Papa Francisco, Homilia em 29 de setembro de 2017). Os três nomes dos arcanjos terminam com a palavra “EL” que significa “Deus”, ou seja, Deus está inscrito nos seus nomes e em suas naturezas. Desse modo, eles trazem Deus a nós, abrem o céu para nós, abrindo, ao mesmo tempo, a terra. Por estarem juntos do Deus Altíssimo, eles podem estar também muito próximos de nós, os seres humanos, incentivando-nos a permanecer na presença do Senhor, adorando-O em espírito e verdade.

Miguel significa “ninguém é como Deus”, ou “semelhança de Deus”. Ele é considerado o príncipe guardião, o guerreiro, o defensor do trono celeste, o fiel  escudeiro do Pai Eterno, o chefe supremo do exército celeste e dos anjos fiéis a Deus.

Miguel é o arcanjo da justiça e do arrependimento, o padroeiro da Igreja Católica e o protetor dos fiéis cristãos. A invocação de seu nome costuma ser de grande ajuda no combate contra as forças maléficas. Ele é citado três vezes na Sagrada Escritura e o seu culto é um dos mais antigos da Igreja. Miguel é chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, ele é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse.

Gabriel significa “Deus é meu protetor” ou “homem de Deus”. Ele é o arcanjo anunciador, por excelência, das revelações de Deus e é, talvez, aquele que esteve perto de Jesus na agonia entre as oliveiras. Segundo o profeta Daniel (9, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias.

No desenvolvimento dessa missão, ele apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento de João Batista, o profeta precursor do Cristo que une o Antigo e o Novo testamentos.

Finalmente, ele foi o embaixador que Deus enviou à Virgem Maria, em Nazaré, para proclamar o mistério da encarnação do Verbo. No episódio da anunciação, Gabriel foi o portador de um trecho de uma das orações mais populares e queridas do povo de Deus, a Ave Maria.

Gabriel é o padroeiro da diplomacia e dos trabalhadores dos correios, comumente associado a uma trombeta, indicando que é aquele que transmite a voz de Deus, o portador das boas notícias, o comunicador da plenitude dos tempos.

Rafael, cujo significado é “Deus te cura” ou “cura de Deus”, exerceu a missão de acompanhar o jovem Tobias, em sua viagem, como seu segurança e guia. Ele é considerado o chefe da ordem das virtudes e o guardião da saúde e da cura física e espiritual. É o padroeiro dos cegos, dos médicos, dos sacerdotes e, também, dos viajantes, dos soldados e dos escoteiros.

No Livro de Tobias são narrados a ajuda e o socorro que Rafael lhe prestou. Para cumprir sua missão, Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarias e acompanhou-o em sua viagem, ajudando-a em suas necessidades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa, a jovem Sara.

Aproveitamos a celebração da Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael para refletirmos sobre o ministério angélico na vida da Igreja e em nossas vidas.

Celebrar os três arcanjos que as Escrituras nos dão a conhecer é, na verdade, celebrar esta comunhão que Deus deseja para os seres humanos e o mundo espiritual. É também uma oportunidade de darmos graças a Deus pelo inestimável auxílio que os santos anjos nos prestam no cotidiano da fé.

Peçamos a São Miguel que nos ajude no bom combate em prol da fé e na luta contra o nosso defeito dominante, o mal, o egoísmo e o pecado. Peçamos a São Gabriel que nos traga sempre mais boas notícias, boas novas de salvação, infundindo em nossos corações a plena certeza de que Cristo está conosco nos caminhos da História, a fim de que não permaneçamos parados ou acomodados. Que ele também nos ajude a desempenhar as nossas atividades diárias com serenidade e proveito espiritual. Peçamos a São Rafael que nos conduza pela mão e nos auxilie no caminho da alegria do Evangelho para que não erremos a estrada e saibamos colaborar nos serviços da comunidade da Igreja.

São Miguel, Gabriel e Rafael são os poderosos ministros de Deus que têm a missão de nos defender na luta contra o mal e de nos ajudar na perseverança na fé e na santidade. Peçamos, hoje, amanhã e sempre, que estes ministros de Deus nos obtenham a graça de corresponder sempre mais, com generosidade e zelo, à vontade do Senhor em
nossas vidas. Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

Publicado em Arquidiocese de Brasília.

Cinco fatos que talvez você não saiba sobre o Padre Pio e seu anjo da guarda

[Na última sexta-feira], 23 de setembro, a Igreja [celebrou] a festa de São Pio de Pietrelcina, o sacerdote dos estigmas e um santo que tinha muita devoção e proximidade ao seu anjo da guarda.

Confira a seguir cinco fatos que você talvez não conhecesse sobre Pe. Pio e os anjos:

1. Achava que todos podiam ver seus anjos da guarda

Segundo a Obra dos Santos Anjos, associação católica que difunde entre os fiéis a devoção dos santos Anjos e possui estatutos próprios aprovados pela Santa Sé, diz-se que quando o Pe. Pio ainda era muito pequeno começou a ter visões do seu anjo da guarda, de Jesus e Maria. Sua mãe disse que ele pensava que todo mundo podia vê-los.

2. Juntos contra o demônio

Em certas ocasiões, o demônio manchava as cartas que seu confessor lhe enviava e seguindo o conselho do seu anjo da guarda, quando chegava uma carta, antes de abri-la, o santo a aspergia com água benta e desta maneira podia lê-las.

“O companheiro de minha infância tenta suavizar as dores que me causavam aqueles impuros apóstatas embalando meu espírito como sinal de esperança” (Carta. I,321), destacava o santo sacerdote referindo-se ao seu anjo da guarda.

Não obstante, certa vez o demônio estava batendo no Pe. Pio e o santo chamou várias vezes em voz alta seu anjo da guarda, mas foi inútil. Em seguida, quando o anjo apareceu a consolá-lo, Pe. Pio zangado lhe perguntou por que não o socorreu.

O anjo lhe respondeu: “Jesus permite estes assaltos do diabo porque Sua compaixão te faça querido dele e queria que te assemelhasses com isso ao deserto, o jardim e a cruz” (Carta I, 113).

3. Traduzia as cartas

Quando recebia alguma carta escrita em francês, o anjo da guarda a traduzia. Uma vez, Pe. Pio escreveu: “Se a missão de nosso anjo da guarda é importante, a do meu com certeza é maior, porque também deve ser professor na tradução de outras línguas” (Carta I,304).

4. Seu anjo o despertava e rezava com ele

Narrava o Santo capuchinho: “De noite, fechava meus olhos, via descer o véu e abrir-se diante de mim o paraíso; e, consolado por esta visão, durmo com um sorriso doce e feliz nos lábios e com uma grande tranquilidade no meu semblante, esperando que meu pequeno companheiro de infância venha despertar-me e, desta forma, rezar juntos as orações matutinas ao amado de nossos corações” (Carta I,308).

5. Falava com outros anjos da guarda

“Se precisarem de mim – repetia o santo aos seus filhos espirituais –, podem me mandar seu anjo da guarda”. Certo dia, Frei Alessio Parente (Frei menor capuchinho) aproximou-se de Pe. Pio com algumas cartas na mão a fim de fazer-lhes algumas perguntas e o Pe. Pio não pôde atendê-lo.

Em seguida, o sacerdote dos estigmas o chamou e disse: “Não viu todos aqueles anjos que estavam aqui ao meu redor? Eram os anjos da guarda dos meus filhos espirituais que vieram trazer-me suas mensagens. Tive que responder-lhes rapidamente”.

O venerado Pe. Pio de Pietrelcina sempre reconheceu e agradeceu a missão do anjo da guarda como “mensageiro” e por isso recomendava a devoção a eles.

Fonte: Acidigital

Publicado em Carmelo Cristo Redentor.

Imagem: Associação Regina Fidei – Artigo: “O melhor amigo do Padre Pio: o Anjo da Guarda”.

A esperança é a chave para suportar qualquer dificuldade

Em tempos sombrios, tendemos a perder a esperança, especialmente quando eles se prolongam. Até que tentamos ter uma atitude positiva, mas as circunstâncias nem sempre promovem essa virtude.

No entanto, uma das únicas maneiras pelas quais podemos suportar tais dificuldades é ter esperança.

São João Clímaco, um monge cristão do século VI, passou 40 anos levando uma vida solitária, raramente tendo contato as pessoas. Mas, em determinada época, ele foi encarregado de um mosteiro e vários religiosos o procuraram para ter orientação espiritual. Sua sabedoria era profunda e seus escritos continuam a inspirar as pessoas até hoje.

O Papa Bento XVI destacou sua vida em uma audiência geral em 2009, na qual se concentrou em várias lições que podemos tirar da vida do eremita. Em particular, Bento XVI enfatizou a necessidade de ter esperança, citando os pensamentos de São João sobre o assunto:

“A esperança é o poder que impulsiona o amor. Graças à esperança, podemos esperar a recompensa da caridade … A esperança é a porta do amor … A ausência de esperança destrói a caridade: nossos esforços estão ligados a ela, nossos trabalhos são sustentados por ela e, por meio dela, somos envolvidos pela misericórdia de Deus.”

O tipo de esperança sobre a qual São João Clímaco escreve é a esperança sobrenatural, uma firme esperança no futuro e no que Deus tem reservado para seus fiéis discípulos. O Papa Bento XVI explica mais detalhadamente essa virtude fundamental:

“Com razão, João Clímaco diz que somente a esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias, não esperamos sucesso em nossos dias terrestres, mas estamos ansiosos pela revelação do próprio Deus, finalmente. É somente nessa extensão de nossa alma, nessa auto-transcendência, que nossa vida se torna grande e que somos capazes de suportar o esforço e as decepções de todos os dias, que podemos ser gentis com os outros sem esperar qualquer recompensa. Somente se houver Deus, essa grande esperança à qual aspiro, poderei dar os pequenos passos da minha vida e, assim, aprender a caridade.”

Qualquer sofrimento que experimentamos pode ser suportado com a virtude da esperança. Ele nos sustenta em tempos sombrios e nos aponta a direção certa. Em vez de buscar consolo nesta vida terrena, esperamos ansiosamente a vida eterna. Todas as nossas ações podem ser ordenadas para essa esperança, dando sentido e propósito às nossas vidas.

Se você está sofrendo agora, peça a Deus a virtude da esperança, para poder superar as decepções diárias e transmitir a alegria a que somos chamados a experimentar na presença de Deus.

Philip Kosloski / Aleteia 

Publicado em Diocese de Campo Limpo – Uma caminhada de fé, esperança e caridade.

O que fazer quando as consolações não vêm?

Neste pequeno texto, São Pedro de Alcântara, mestre da vida interior, ensina-nos como lidar com a falta de consolações espirituais na prática da oração.

Para aquele a quem faltarem as consolações espirituais, o remédio é que nem por isso deixe o exercício da oração acostumada, ainda que lhe pareça desenxabida e de pouco fruto, mas ponha-se na presença de Deus como réu e culpado, examine a sua consciência e olhe se porventura perdeu esta graça por sua culpa, suplique ao Senhor com inteira confiança lhe perdoe e alegue as riquezas inestimáveis da sua paciência e misericórdia em sofrer e perdoar a quem outra coisa não sabe senão ofendê-lo.

Desta maneira tirará proveito da sua secura, tomando ocasião para mais se humilhar, vendo o muito que peca, e para mais amar a Deus, vendo o muito que Ele lhe perdoa.

E conquanto não ache gosto nestes exercícios, não desista deles, porque não se requer que seja sempre saboroso o que há de ser proveitoso.

Ao menos isto se acha por experiência, a saber, que todas as vezes que o homem persevera na oração com um pouco de atenção e cuidado, fazendo calmamente o pouco que pode, ao cabo sai dali consolado e alegre, vendo que fez de sua parte algo do que estava em si. Muito faz, aos olhos de Deus, quem faz tudo o que pode, ainda quando pouco possa. Não olha Nosso Senhor tanto ao cabedal do homem quanto à sua possibilidade e vontade. Muito dá quem deseja dar muito, quem dá tudo o que tem, quem não deixa nada para si. Não é muita coisa o durar muito na oração, quando muita é a consolação. O muito é, quando a devoção é pouca, ser muita a oração e muito maior a humildade, a paciência e a perseverança no bem orar.

Também é necessário nestes tempos andar com maior solicitude e cuidado do que nos outros, velando sobre a guarda de si mesmo e examinando com muita atenção seus pensamentos, palavras e obras; porque, como então nos falte a alegria espiritual (que é o principal remo desta navegação), é mister suprir com cuidado e diligência o que falta de graça.

Quando assim te vires, hás de fazer de conta (como diz São Bernardo) que se te dormiram as sentinelas que te guardavam e que se te caíram os muros que te defendiam. E por isso toda a esperança de salvação está nas armas, pois já não te há de defender o muro, senão a espada e a destreza no pelejar. Oh! Quanta é a glória da alma que desta maneira batalha, que sem escudo se defende, que sem armas peleja, sem fortaleza é forte e achando-se sozinha na batalha toma o esforço e ânimo por companhia!

Não há maior glória no mundo do que imitar as virtudes do Salvador. E entre as suas virtudes conta-se por mui principal o haver Ele padecido o que padeceu, sem admitir em sua alma nenhum gênero de consolo. De maneira que quem assim padecer e pelejar, tanto maior imitador de Cristo será quanto mais carecer de todo gênero de consolo. E isto é beber o cálice da obediência, puro, sem mistura de outro licor. Este é o toque principal em que se prova a fineza dos amigos, se são verdadeiros ou não o são.

Referências

  • Trecho retirado do livro “Tratado da Oração e da Meditação”, 4.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2013, pp. 120-122.

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

Deus nos abandonou?

Quando o sofrimento bate à nossa porta, por vezes nos sentimos abandonados por Deus, pensamos estar sozinhos neste mundo.

Será que Deus nos abandonou?

Neste mundo passamos por sofrimentos, angústias, tribulações, e nestes momentos podemos nos sentir abandonados por Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, também teve momentos de angústia, sofrimento, tribulação, mas mesmo assim entregou-se inteiramente à vontade do Pai. Jesus disse aos judeus: “não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 30b). Cristo veio ao mundo, não para fazer a Sua vontade, mas a vontade do Pai que Lhe enviou. Ele tinha uma missão a realizar neste mundo e dedicou-se inteiramente a essa missão, ainda que para isso tivesse que desagradar os homens e a si mesmo. Como cristãos, somos chamados a seguir o caminho de Cristo, que passou por sofrimentos e perseguições (cf. Jo 5, 18), para realizar a vontade do Pai em nossas vidas.

Esta missão que nos foi confiada se parece com a que foi confiada por Deus ao Povo de Israel através do profeta Isaías: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa” (Is 49, 8). O Senhor nos ajuda nesta obra de salvação. Ele nos preservou para ser, como Jesus Cristo, um elo de aliança entre os povos. A vontade do Pai é que sejamos esse elo de ligação entre Ele e Israel, o Povo de Deus.

O Senhor nos chamou para libertar aqueles que estão presos pelas cadeias do pecado (cf. Is 61, 1), para iluminar a vida daqueles que vivem nas trevas dos vícios, do distanciamento de Deus. Jesus foi perseguido justamente porque fazia tudo isso até mesmo no dia de sábado, que era um dia de descanso para os judeus. Hoje, os motivos das perseguições contra os cristãos certamente não são os mesmos, mas é o próprio Cristo que é perseguido em nós.

Diante das perseguições, dos sofrimentos por causa de Jesus Cristo, podemos pensar como os israelitas: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” (Is 49, 14). Em meio a estas tribulações, perseguições, sofrimentos, podemos achar que Deus nos abandonou. Porém, o Senhor nunca nos abandona. Ao contrário, nestes momentos é que Ele está ainda mais próximo de nós. Pois, através dos sofrimentos estamos ainda mais unidos à Cruz de Cristo.

Quando os sofrimentos e as perseguições baterem a nossa porta, podemos ser tentados a achar que Deus se esqueceu de nós. Porém, a Palavra de Deus nos garante que Ele jamais se esquece de nós: “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti” (Is 49, 15). Não há maior amor humano do que o amor de uma mãe pelo seu filho. Esta jamais se esqueceria do seu filho. Mas, ainda que sejamos esquecidos pela nossa própria mãe, Deus não se esquece de nós.

Portanto, Deus Pai compara o Seu amor por nós com o amor de uma mãe. O Pai compara o seu amor por nós com o amor materno, de uma mãe para com o seu filho. Este amor de Deus por nós, paterno e materno, se manifestou a nós em Jesus Cristo e na Virgem Maria. Por isso, ainda que nos sintamos abandonados e esquecidos, acolhamos o amor do Pai, que se manifestou no seu Filho Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, e o amor materno de Maria, que são reflexo do infinito amor de Deus por nós. Quando acolhemos o amor infinito de Deus por nós, manifestado a nós em Jesus e em Maria, acolhemos a graça do Espírito Santo que, transforma o sofrimento em amor redentor (cf. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Dominum et Vivificantem40). Desse modo, fortalecidos pelo amor, dom do Espírito Santo, seremos capazes de fazer a vontade do Pai.

Publicado em Todo de Maria.

Castelo Interior ou Moradas – Seculares Contemplativos – Aula 04 – Segundas Moradas – Capítulo Único

CENTRO DE ESPIRITUALIDADE MONTE CARMELO

Nesta quarta aula, passaremos à estudar as segundas moradas, do livro: Castelo Interior de Teresa de Jesus, Santa e Doutora da Igreja.

Publicado em Seculares Contemplativos.

Como enfrentar as provações?

As provações são fontes do fortalecimento e do combate espiritual

As provações nos fortalecem para o combate espiritual, por isso os apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo” (1 Pe 4,12). Ensinando-nos que essas dificuldades nos levarão à perfeição: “O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1 Pe 5,10).

O mesmo apóstolo nos ensina que a provação nos “aperfeiçoará” e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixarmos perturbar no fogo da provação. Não nos exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isso que o tentador deseja.como_enfrentar_as provacoes

Foto ilustrativa: Arquivo CN

Agindo diante da provação

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer, não consegue rezar, fica irritada, mal-humorada, triste, indelicada com os outros e acaba deprimida.

O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina:

“Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tes 5,16).

É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos, gosto de glorificar a Deus, rezar muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”,  até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados do Senhor.

Essa atitude muito agrada ao Senhor, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos Seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão, que “esperaram contra toda esperança” (cf. Hb 11,17-19), e assim agradaram a Deus sobremaneira.


Da mesma forma, Jó agradou muito ao Todo-poderoso, porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé:

“Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um “Bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

Limpe seu coração

O Jardineiro Divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Não se assuste com as podas que Ele fizer no jardim de sua alma.

Santa Teresa diz que ouviu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. Por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A grande santa da Igreja chegou a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”.

Para nós, essas palavras parecem um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (II Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que o Senhor tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Leia mais:
.: Como passar pela provações a exemplo de Tobit
.: Vencendo as provações
.: A superação de nossos problemas
.: Três princípios contra as tribulações

Lute contra suas misérias

As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio nos são necessários, pois nos dão a oportunidade de lutar contra as nossas misérias.

Isso tudo, repito mais uma vez, não quer dizer que Deus seja o Autor do mal ou se alegre com o nosso sofrimento. Não! O que o Senhor faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria-prima de nossa própria salvação, dando assim, um sentido à nossa dor.

A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, como nos ensina São Tiago.

“Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé revolta-se, desespera-se, sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também.

Santo Afonso disse que, “neste vale de lágrimas, não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele, “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

Publicado em Formação Canção Nova (Prof. Felipe Aquino).

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