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Archive for the ‘Sagrada Família’ Category

Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno (Site Humanitatis)

Feliz e Abençoado Natal a todos leitores do Blog “Castelo Interior-Moradas!

….

“Que o Senhor Jesus continue a encontrar, com a Graça do Amor de Deus, um refúgio seguro em nossas mentes e corações nesse mundo tão avesso à Vontade do Pai.”

Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno

“Caríssimos, deixemo-nos transportar de alegria e demos livre curso ao júbilo espiritual, pois raiou para nós o dia de uma redenção nova, dia longamente preparado, dia de felicidade eterna.

O ciclo do ano nos traz de volta o mistério de nossa salvação, mistério prometido desde o começo dos tempos e concedido no fim, feito para durar sem fim. Nesse dia é digno que, elevando nossos corações, adoremos o mistério divino, a fim de que a Igreja celebre com grande júbilo aquilo que procede de um grande dom de Deus.

 

O Deus Todo-Poderoso e Clemente, cuja natureza é Bondade, cuja Vontade é Poder e cuja ação é Misericórdia, desde o instante em que a malícia do diabo, pelo veneno de seu ódio, nos trouxe a morte, determinou, na própria origem do mundo, os remédios que Sua Bondade usaria para dar novamente aos mortais seu primeiro estado; Ele anunciou, pois, à serpente a Descendência futura da mulher, Descendência que, com sua força, lhe esmagaria a cabeça altaneira e malfazeja, isto é, Cristo, que viria na carne, designando assim Aquele que, ao mesmo tempo Deus e homem, nascido de uma Virgem, condenaria, por seu nascimento sem mancha, o profanador da raça humana. Com efeito, o diabo se gloriava de que o homem, enganado por sua astúcia, tinha sido privado dos dons de Deus e, despojado do privilégio da imortalidade, estava sob uma impiedosa sentença de morte; para ele era uma espécie de consolo em seus males ter encontrado alguém que participasse de sua condição de prevaricador; o próprio Deus, segundo as exigências de uma justa severidade, tinha modificado Sua decisão primeira a respeito do homem, que ele tinha criado em tão alto grau de dignidade. Era necessário, portanto, caríssimos, que, segundo a economia do desígnio secreto, Deus, que não muda e cuja Vontade não pode ser separada de sua Bondade, executasse por um mistério mais oculto o primeiro plano de seu amor; e que o homem, arrastado para a falta pela astúcia do demônio, não viesse a perecer, contrariamente ao desígnio divino.

Caríssimos, tendo-se, pois, cumprido os tempos pré-ordenados para a redenção dos homens, Jesus Cristo, Filho de Deus, penetrou nessa parte inferior do mundo, descendo da morada celeste, sem deixar a Glória do Pai, vindo ao mundo de modo novo e por um novo nascimento. Modo novo, porque, invisível por natureza, tornou-se visível em nossa natureza; incompreensível, quis ser compreendido; Ele, anterior ao tempo, começou a estar no tempo; Senhor do universo, tomou a condição de servo, velando o brilho de sua majestade; Deus impassível, não negou ser homem passível; Imortal, aceitou submeter-se às leis da morte. Nascimento novo esse pelo qual Ele quis nascer, concebido por uma Virgem, nascido de uma Virgem, sem que um pai misturasse a isso seu desejo carnal, sem que fosse atingida a integridade de sua mãe. Com efeito, tal origem convinha Àquele que seria o Salvador dos homens, a fim de que Ele tivesse em si o que constitui a natureza do homem e estivesse isento daquilo que mancha a carne do homem. Porque o Pai desse Deus que nasce na carne é Deus, como atesta o arcanjo à bem-aventurada Virgem Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com sua sombra; por isso, o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”.

Origem dessemelhante, natureza comum: que uma Virgem conceba, que uma Virgem dê à luz e permaneça Virgem é humanamente inabitual e insólito, mas depende do Poder Divino. Não pensemos aqui na condição daquela que dá à luz, mas na livre decisão Daquele que nasce, nascendo como queria e também como podia. Procurais a verdade de Sua natureza? Reconhecei que humana é sua substância. Quereis saber Sua origem? Confessai que Divino é seu Poder. Com efeito, o Senhor Jesus Cristo veio para eliminar nossa corrupção, não para ser sua vítima; para trazer remédio aos nossos vícios, não para ser sua presa. Ele veio curar toda enfermidade, consequência de nossa corrupção, e todas as úlceras que manchavam nossas almas; como ele trazia para nossos corpos humanos a Graça nova de uma pureza sem mancha, foi necessário que ele nascesse segundo um modo novo. Foi necessário, com efeito, que a integridade do Filho preservasse a virgindade sem exemplo de sua mãe, e que o Poder do Divino Espírito, derramado sobre ela, mantivesse intacto esse recinto sagrado da castidade e essa mansão da santidade, na qual ele se comprazia; porque Ele tinha decidido elevar o que era desprezado, restaurar o que estava quebrado e dotar o pudor de uma força múltipla, para dominar as seduções da carne, a fim de que a virgindade, incompatível,  nas outras, com a transmissão da vida, se tornasse para as outras Graça imitável ao renascerem.

Papa São Leão Magno. Segundo Sermão no Natal do Senhor, 1-2.

Publicado em Site Humanitatis.

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“Tal é o sentido de Natal. Quem o reconhece, há de agradecer profundamente ao Senhor recém-nascido e pedir-lhe as graças necessárias para viver à altura de tão nobre dignidade.” (Pe. Estêvão Bettencourt – in Escola Mater Ecclesiae)

“Natal” – Caravaggio

“Reconhece, ó cristão, a tua dignidade” (São Leão Magno)

Todo mês de dezembro faz reviver a celebração de Natal… Natal com seu presépio, sua árvore típica, seus presentes… Ao cristão não basta contemplar esses símbolos; sente-se ele chamado a procurar o significado profundo de todo esse aparato visível.

Na verdade, o que celebramos no Natal é muito mais do que folclore; é um evento fundamental da história da humanidade. Com efeito, diz-nos a Escritura que o homem, logo depois de criado, foi elevado à dignidade singular de filho de Deus; devia confirmar-se nesse estado dizendo Sim a Deus, que lhe apresentava um projeto de vida. Ora o homem optou pelo Não, movido por soberba. Consequentemente perdeu os dons originais… O Criador podia ter entregue o homem à sua sorte autossuficiente; em tal caso, Deus se teria deixado vencer pelo mal, em vez de vencer o mal com o bem (cf. Rm 12,21). – Podia também ter perdoado ao homem com uma palavra soberana, semelhante à de um juiz que resolve friamente declarar inocente o réu criminoso. Pois bem, nem uma coisa nem outra ocorreu. O Senhor Deus quis recriar o homem. Sim; assumiu a natureza humana ou tornou-se homem verdadeiro, filho de Adão, a fim de fazer da própria miséria física e da morte do homem o canal para a plenitude da vida; quis dar um sinal positivo àquilo que na vida do homem é fraqueza e dor. Recriou, assim, de maneira mais estupenda do que criou, pois o contato de Deus com o cotidiano da existência humana não podia deixar de consagrá-la comunicando-lhe uma dignidade maior do que aquela que os primeiros pais perderam.

Os antigos cristãos ilustravam o fato mediante imagens: quando o fogo penetra uma barra de ferro, torna-a ígnea (o ferro é feito incandescente como o fogo que nele está); quando um óleo aromático penetra num trapo, este se torna perfumado (o pano exala o perfume do óleo). Assim, quando Deus entrou no cotidiano da existência do homem, santificou-a de maneira inédita, fazendo-a comungar com a vida do próprio Deus. Em outros termos: …fazendo-se Filho do homem, o Filho de Deus quis chamar-nos a ser filhos de Deus no FILHO.

Todo esse processo se chama “recapitulação”: Deus quis que a mesma natureza humana, que se tornará instrumento do pecado, fosse também o instrumento de sua própria redenção; quis que o desamor que levou o primeiro Adão à morte, fosse resgatado pelo amor do Segundo Adão; esse também caminhou até a morte, a morte mais ignominiosa possível, para fazer da estrada da morte não mais uma via de condenados, mas a senda que leva à ressurreição e à glória.

Tal é o sentido de Natal. Quem o reconhece, há de agradecer profundamente ao Senhor recém-nascido e pedir-lhe as graças necessárias para viver à altura de tão nobre dignidade. É São Leão Magno (†461) quem nos diz: “O Senhor se tornou carne nossa, nascendo, para que nos tornássemos seu Corpo, renascendo… Apresentando-nos sua humildade e mansidão, o Senhor comunica-nos aquela mesma força com que nos remiu” (Sermão de Natal nº 23).

Pe. Estêvão Bettencourt
Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 391, Dezembro/1994

Fonte: Escola Mater Ecclesiae.

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“A epifania é a manifestação de Jesus como Messias Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo…” (Catecismo da Igreja Católica)

Refletindo sobre a Epifania do Senhor

Como fizeram os Reis Magos, o que podemos oferecer ao Senhor?

A Igreja celebra a Epifania, a manifestação de Jesus aos povos pagãos, os que não eram judeus, no dia 6 e janeiro; mas no Brasil há autorização para celebrar no domingo após o da Sagrada Família, encerrando o ciclo litúrgico do Natal. Além do Evangelho de São Mateus, há documentos apócrifos no Vaticano, muito antigos e de grande valor, que relatam a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Há um mosaico sobre eles em Ravenna, Itália, do século VI, com os nomes dos três: Baltazar, Melquior e Gaspar. Teriam vindo da Pérsia. Os reis magos eram reis (talvez apenas de uma pequena cidade, como era comum), mas que aguardavam a chegada do Messias, uma vez que a fé dos judeus se espalhou pelo Oriente.

Trata-se de uma Solenidade litúrgica da maior importância. Os Padres da Igreja viram nesta visita dos sábios Magos do Oriente a Jesus Menino, o símbolo e a manifestação do chamado de todos os povos pagãos à vida eterna. Os magos foram a declaração explícita de que o Evangelho era para ser pregado a todos os povos.

O nosso Catecismo diz que: “A epifania é a manifestação de Jesus como Messias Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo… Nesses “magos”, representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém para “adorar ao Rei dos Judeus” mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de Davi, aquele que será o Rei das nações. Sua vinda significa que os pagãos só podem descobrir Jesus e adorá-lo como Filho de Deus e Salvador do mundo voltando-se para os judeus e recebendo deles sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento. A Epifania manifesta que “a plenitude dos pagãos entra na família dos patriarcas” e adquire a “dignidade israelítica”. (n.528)

Comentando a adoração dos reis Magos que vieram do Oriente, diz S. Agostinho: “Ó menino, a quem os astros se submetem! De quem é tamanha grandeza e glória de ter, perante seus próprios panos, Anjos que velam, reis que tremem e sábios que se ajoelham! Quem é este, que é tal e tanto? Admiro de olhar para panos e contemplar o céu; ardo de amor ao ver no presépio um mendigo que reina sobre os astros. Que a fé venha em nosso socorro, pois falha a razão natural.”

O doutor da Igreja São Gregório Nazianzeno (†379) chama a Epifania de “festa das luzes” e a contrapõe à festa pagã do sol invicto, deus dos romanos. Tanto no Oriente como no Ocidente, a Epifania tem o caráter de uma solenidade mística que transcende os episódios históricos particulares. Os Magos descobriram no céu os sinais de Deus. Tendo como ponto de partida a natureza os pagãos podem “cumprir as obras da lei” (cf.At 14,15-17), diz S. Paulo.

Depois de ter se manifestado a seu povo, Israel, através dos pastores de Belém, Cristo se manifesta ao mundo pagão na pessoa dos Magos que vieram do Oriente e o reconheceram como Deus. São Paulo expressou isso dizendo: “Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” (Ef 3,5).

São Leão Magno (†460), Papa e doutor da Igreja, ensinou que: “Tendo a misericordiosa Providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo” (Sermão 3 do domingo da Epifania).

Leia também: Os Reis Magos

Epifania do Senhor – onde a estrela parou

Epifania: A manifestação do Senhor

As lições dos Reis Magos

A Epifania do Senhor

O salmista já cantava este mistério ainda envolto em véu:

“Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons. E também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo. Seja bendito o seu Nome para sempre! E que dure como o sol Sua memória! Todos os povos serão Nele abençoados, todas as gentes cantarão o Seu louvor! (Sl 71,10-17). “Nações que não vos conheciam Vos invocarão e povos que Vos ignoravam acorrerão a Vós” (cf. Is 55, 5). “As nações que criastes virão adorar, Senhor, e louvar Vosso Nome (Sl 85, 9). “O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça” (Sl 97, 2).

O profeta Isaías já tinha anunciado esse mistério sete séculos antes de acontecer, mostrando que os povos viriam a Jerusalém adorar o Messias: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e Sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços… será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor” (Is 60,1-6).

Os Magos cumpriram esta profecia trazendo o ouro para o Rei, o incenso para o Menino Deus e a mirra para “o Cordeiro que tira os pecados do mundo” (João 1,29), e que seria sepultado com mirra.

São Leão Magno também nos diz que: “O serviço prestado por esta Estrela nos convida a imitar sua obediência, isto é, servir com todas as forças essa graça que nos chama todos para Cristo”.

Como podemos hoje levar, nós também, nossa adoração, ouro, incenso e mirra para o Menino Deus? De muitas maneiras. Podemos ofertar-lhe o ouro da nossa fé, o incenso do nosso louvor e a mirra dos nossos sofrimentos aceitos e as boas obras, oferecidos a Deus pela salvação do mundo. Adorar ao Menino Deus pode significar também, prostrar nosso orgulho, nossa soberba; deixar de lado nossos próprios interesses e submeter nossa vida à ação e à vontade de Deus.

Diz o grande S. Gregório Magno (†604), Papa e doutor: “As mãos significam as obras virtuosas, os dedos, a discrição. Portanto, as mãos destilam a mirra quando, pelas obras virtuosas, castiga-se a carne; mas os dedos são ditos cheios da mais preciosa mirra, pois é muito preciosa a mortificação que se faz com discrição.”

É impressionante notar que os Reis Magos chegaram a Jerusalém e ninguém sabia do nascimento do Messias; apenas os pobres pastores. Penso que eles ficaram em dúvida e até decepcionados. Como? Ninguém sabe? Será que nos enganamos? Nem os doutores da lei, nem fariseus e escribas sabiam. “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Mas o inimigo de Deus notou. O fato foi tão marcante que São Mateus diz que: “Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. E Herodes quis matar o Menino, pois pensava que fosse tomar o seu reino. Não sabia que o Reino do Messias “era do outro mundo”.

Assista também: Hoje celebramos a Epifania do Senhor. Mas, o que é isso?

Isto nos faz pensar. Também para nós Deus pode se manifestar e podemos ficar surdos e cegos à Sua chegada. E muitas vezes não faltam os inimigos que querem eliminá-lo em nossas vidas com receio de que possa tomar o seu poder de nós. Mas, apesar de todas as dificuldades, decepção pelo fato das pessoas não saberem de nada, os Magos continuaram sem desanimar, e a estrela os guiava: “E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande”.

Nós também não podemos deixar de caminhar em nossa busca do Senhor. Às vezes parece que Sua estrela some nas nuvens das tentações e dificuldades da vida, mas é preciso continuar a caminhada até a Manjedoura do Messias. Nós também vamos sentir uma grande alegria quando o encontrarmos. E vamos, como os Magos, vendo o Menino com José e Maria, sua mãe, ajoelhar diante dele, e o adorar, oferecendo os nossos presentes. E voltaremos para casa, como os Magos, por outro caminho, o da fé e da esperança, não o da descrença e da desesperança. E seremos felizes!

Prof. Felipe Aquino

Publicado em Editora Cléofas.

 

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O Natal NÃO é a festa de aniversário de Jesus

Por Dom Henrique Soares da Costa

Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos. Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?

Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.

Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história. Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento — santos que não pertenceram ao povo de Israel: Sto. Abel, Sto. Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó, São Balaão… Nenhum destes pertencia ao povo de Deus… e no entanto, Deus agia através deles… Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do seu povo eleito.

Finalmente, Deus agiu de modo pleno e total, fazendo-se pessoalmente presente, em Jesus Cristo, que é o cume, o centro e a finalidade da revelação e da ação de Deus: em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo! Então, o nosso Deus não se revela principalmente com ensinamentos, com doutrinas e conselhos, mas com ações concretas e palavras concretas de amor! E tudo isso chegou à plenitude na vida, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo!

Pois bem: são estas obras salvíficas de Deus, realizadas de modo pleno em Jesus, que nós tornamos presente na nossa vida quando celebramos a Santa Liturgia, sobretudo a Eucaristia! Na força do Espírito Santo de Jesus, através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado — todos resumidos em Cristo: na sua Encarnação, no seu Nascimento, Ministério, Morte e Ressurreição e no Dom do seu Espírito — tornam-se presentes na nossa vida.

Vejamos, agora, o caso do Natal. Quando a Igreja celebra as cinco festas do Natal, ela quer celebrar não o aniversarinho do menininho Jesus… O que ela quer fazer e faz é tornar presente para nós, na força do Espírito Santo, a graça da vinda do Cristo! Celebrando a liturgia do Natal, o acontecimento do passado (a Manifestação do Filho de Deus) torna-se presente no hoje da nossa vida! Na liturgia do Natal a Igreja não diz: “Há dois mil anos nasceu Jesus”! Nada disso! O que ela diz é: “Alegremo-nos todos no Senhor: hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz!” (Antífona de Entrada da Missa da Noite do Natal).

Em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo!

A liturgia tem essa característica: na força do Santo Espírito torna presente realmente, de verdade, aquele acontecimento ocorrido no passado. Não é uma repetição do acontecimento, nem uma recordação!É, ao invés, aquilo que a Bíblia chama de memorial, isto é, tornar presente os atos de salvação de Deus!

Agora vejamos: a Eucaristia é a celebração, o memorial da Páscoa do Senhor. Como é, então, que no Natal a gente celebra a Missa, que é a Páscoa? Como é que já no Natal a Igreja mete a celebração da Páscoa? É que a Eucaristia não é simplesmente a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo! Essa seria uma ideia muito mesquinha, estreita! Em cada Missa é todo o mistério da nossa salvação que se faz presente, é tudo aquilo que Deus realizou por nós, desde a criação até agora… e tudo isso tem o seu centro em Jesus: na sua Encarnação, na sua vida e na sua pregação, e alcança seu cume na sua morte e ressurreição, na sua ascensão e no dom do Santo Espírito. Então, celebramos as cinco festas do Natal celebrando a Missa, porque aí o mistério, o acontecimento da nossa salvação se torna presente e atuante na nossa vida.

Através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado tornam-se presentes na nossa vida.

Voltando para casa após a Missa do Natal, podemos dizer: “Hoje eu vi, hoje eu ouvi, hoje eu experimentei, hoje eu testemunhei e hoje eu anuncio: nasceu para nós, nasceu para o mundo um Salvador! Ele veio, ele não nos deixou, ele se fez nosso companheiro de estrada!” Celebrando a Eucaristia do Natal, recebemos a graça do Natal, entramos em comunhão com o Cristo que veio no Natal, porque recebemos no Corpo e Sangue do Senhor o próprio Cristo que nasceu para nós, e, agora, Cristo ressuscitado, pleno do Santo Espírito! É incrível, mas a graça do Natal chega a nós mais do que chegou para Maria e José e os pastores e os magos. Porque eles viram um menininho no presépio, enquanto nós o recebemos dentro de nós, seu Corpo no nosso corpo, seu Sangue no nosso sangue, sua Alma na nossa alma, seu Espírito no nosso espírito… e não mais um menininho frágil, com esta nossa vidinha humana, mas o próprio Filho agora glorificado, com uma natureza humana imortal e gloriosa, que nos transformará para a vida eterna.

Então, que neste Natal ninguém cante parabéns para o Menino Jesus, nem fique com inveja dos pastores e dos magos… Também para nós hoje nasceu um Salvador: o Cristo ressuscitado, glorioso, que recebemos no seu Corpo e Sangue e cujo mistério celebramos nos gestos, palavras e símbolos da liturgia!

(Dom Henrique Soares da Costa, via Pe. Paulo Ricardo)

Publicado em Filhos de Deus.

Imagem: Pinterest.

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Natal: Início do Mistério da redenção do Universo

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Natal: Início do Mistério da redenção do Universo

O Natal de Jesus se lança como grande farol: começa a irradiar o esplendor de Deus nas trevas, fazendo que a Noite Santa do Natal e a Noite Santa da Vigília Pascal resplandeçam luminosas clareando todos os cantos da humanidade e do Universo, outrora cobertos pelas trevas do mal e da morte.

Com o Tempo do Advento e sua densidade toda especial, as celebrações nos prepararam e nos potencializam a receber a Boa Notícia proclamada pelos anjos e testemunhada por todos os povos: o nascimento do Salvador em nossa caminhada e história. Pede licença para em nós vir fazer Sua morada, e, em nossa casa, nossa família poder encontrar o aconchego.

A segunda maior festa da tradição cristã é o Natal que vem carregada de simbolismo Pascal e indica que Jesus Nazareno, o Cristo de Deus, o verdadeiro messias, há muito é aguardado por todo universo e por todo povo de Deus. Esse acontecimento foi desejado e planejado desde sempre por Deus nosso Pai: fazer que a Divindade habitasse nossa carne, nossa fragilidade e ambiguidades para melhor compreender nossa humanidade.

O Natal de Jesus se lança como grande farol: começa a irradiar o esplendor de Deus nas trevas, fazendo que a Noite Santa do Natal e a Noite Santa da Vigília Pascal resplandeçam luminosas clareando todos os cantos da humanidade e do Universo, outrora cobertos pelas trevas do mal e da morte.

Através da habitação de Jesus em nossa tenda mortal inicia-se o momento de maior presença da Divindade entre nós, fato que se atualiza pelos Mistérios celebrados na ação litúrgica, que em Sua atualização memorial, nos lança no acontecido como que “hoje” novamente para nós, permitindo assim que o tempo de Deus e a salvação possam nos alcançar integralmente.

A Liturgia da Igreja nos convida a ver no pequenino, a Divindade invisível que habita este novo ser humano, o novo Adão recriado pela força Santificadora do Espírito que plenificou o ventre de Maria, menina que se abriu à novidade, antiga e eterna, do cumprimento da promessa redentora de Deus feita sempre e renovada de geração em geração aos seus pais na fé.

Na liturgia da noite de Natal o anúncio dos anjos aos pastores, revela aos pequenos e pobres, que de noite, uma estrela luzente está a tremeluzir e começa a espantar toda treva e escuridão do universo e tem o seu ápice na revelação do anjo, durante a madrugada triste, a Maria Madalena de que Ele Ressuscitou. O novo sol, a Coluna Luminosa despontou dilacerando o poder da morte e do mal sobre a humanidade, um basta começa a ser implantado em nosso meio. Ao ser enfaixado e colocado na manjedoura prefigura-se de que Ele iria morrer e ser sepultado, pois na tradição judaica enfaixava-se o morto com tecidos de linho e sepulta-se o corpo do ente querido à espera do Dia do Senhor e da ressurreição dos corpos, para nós tudo já plenificado em Jesus.

Agora com a luz de Deus em Jesus, dia e noite, podemos caminhar seguros e trilhar os caminhos da alegria, da felicidade e nos reencontrar no jardim do Éden, como outrora, pois o Emanuel – Deus conosco está! Desta feita podemos entoar alegres e vibrantes de alegria e gozo o ‘Glória a Deus nas Alturas e paz na terra aos seus amados!’ que havia ficado silenciado no Advento e na presença do desejado e esperado suplicar pela paz e pela irmandade de todos os povos.

O presépio ganha a peça principal e pode receber a bênção do presidente da celebração para nos ser sacramental da vida do povo. As luzes do pisca e da árvore de Natal ganham vida abrilhantando e fazendo-nos perceber a festa da luz em Jesus. Os sinos repicam como que se fazendo de anjos à anunciar esta maravilha que Deus nos concede celebrar afinal é uma Festa!, Os presentes em casa são o de menos, pois o que o Pai quer é ver seus filhos bem encaminhados na luz de Jesus e se amando em família e na família maior que é a comunidade.

O dia de Natal, 25 de dezembro, é o dia em que o Sol brilha mais tempo no ano e neste acontecimento natural, a Igreja viu a importância de lhe acreditar como o dia do Natal do Senhor, que se permite ser luz incessante em nossas vidas e os confins do universo podem contemplar a Salvação que veio de Deus.

Podemos acorrer à Palavra e perceber que nesta liturgia temos o meio da bíblia, onde o primeiro e o novo testamento têm seu ponto de chegada e de partida, pois “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A promessa Divina acontece e em Jesus a Divindade pode se fazer presente em nosso meio e nos alegrar, pois a consolação de Deus para nós, depois de tanto esperarmos, chegou naquele pequeno e frágil ser.

(…)

Mãe de Deus, Epifania do Senhor
Dia 01 de Ano é a festa da Teotokos, Mãe de Deus e nossa. A Igreja dedicou o primeiro dia do ano aos cuidados de Maria para que ela nos aponte o caminho da paz, pois seu filho o Príncipe da Paz está em seu colo e ela aponta para Ele como a nos indicar isso.

No dia 06 de Janeiro celebramos a Epifania do Senhor – Sua manifestação entre os homens, o apresentar-se à humanidade representada pelos magos, homens sábios que decifraram o caminho que a humanidade deve fazer até a luz da luz divina. Os presentes anunciam a qualidade de que o menino é portador e que fará de todo um povo o ser também: ouro, a realeza; incenso: a divindade; mirra: a paixão e sofrimentos que deveria lhe acontecer na Sua Páscoa entre nós e convida a todos a lhe prestar a devida atenção e reverência.

Batismo do Senhor
Na solenidade do Batismo do Senhor vemos o Cristo se permitir passar por um ritual humano, abençoando e santificando assim todas as águas tornando-as puras novamente. Pleno do Espírito de Deus, inicia Seu ministério entre os homens, pela unção divina que lhe confirma em Sua missão e essência de Filho muito amado do Altíssimo. Somos chamados a prestar atenção e escutar a Sua voz, ou seja, o cumprimento de Sua proposta amorosa com o universo e toda humanidade.

Neste período podemos usar o credo niceno-constantinopolitano, em substituição do símbolo apostólico, pois sua dinâmica interna reflete a preocupação dos pais da Igreja em preservar a humana-divindade de Jesus e a essência na trindade intacta na sua pessoa.

Que possamos irmãos e irmãs estar abertos a essa manifestação de Deus sempre presente em nossa história e nos deixar inspirar por tão grande luz que nos vem do Emanuel, Príncipe da Paz, Adonai, Sol do Oriente, Guia de Israel, Rebento de Jessé, de Jesus Cristo Nosso Senhor e Redentor Nosso! Amém!

José Fernandes Correia
Equipe de Liturgia e Canto Arq. de Maringá – PR.

Fonte: Maringá Missão – Revista da Arquidiocese de Maringá.

Imagem: Cléofas:”A Importância de celebrar o Nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro”(Prof. Felipe Aquino).

 

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Imaculada Conceição de Maria – Solenidade e Festa

MariaImaculada

Festa da Imaculada Conceição de Maria

A doutrina da Imaculada Conceição, cuja memória litúrgica celebra-se neste segundo domingo do Advento, sempre foi uma realidade muito constante nos escritos dos santos. Desde os primeiros séculos, a cristandade já recordava a Virgem Maria como aquela que fora preservada de toda mancha do pecado – a Tota Pulchra, como canta a antífona própria desta festa. Ao contrário de Eva, a também virgem imaculada que respondeu à visita do anjo decaído com seu não a Deus, Maria é a virgem imaculada que, recebendo em sua casa a presença de São Gabriel, respondeu com o seu sim: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra”.
E foi nesta firme convicção, “depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai”, que o Papa Pio IX, num dos atos mais solenes de seu pontificado, declarou “a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente (…) foi preservada imune de toda mancha de pecado original”. Não por acaso, pouco tempo depois desta proclamação, em 1858, Nossa Senhora apareceria a uma jovem camponesa de Lourdes, na França, dizendo ser a “Imaculada Conceição”.
Antes da definição de Pio IX, no entanto, existiam algumas controvérsias teológicas quanto a esse ensinamento. Embora fosse de grande consenso a doutrina segundo a qual Maria nascera sem pecado algum – estando essa verdade presente não só na fé popular como também nos textos litúrgicos -, muitos teólogos viam com dificuldade a proposição, sobretudo porque não conseguiam entender de que modo isso poderia se relacionar com a redenção operada por Cristo no mistério da paixão. Afinal, sendo Maria imaculada, teria ela necessitado da salvação?
A dificuldade, infelizmente, acabou suscitando algumas heresias já na época de Santo Tomás de Aquino. Para certos teólogos, Maria não teria sido redimida por Cristo. O imbróglio, com efeito, fez com que o Doutor Angélico reagisse na Suma Teológica, negando a doutrina da imaculada conceição. Foi somente no final de sua vida, no seu comentário da saudação angélica (ou seja, da Ave-Maria), que Santo Tomás voltou atrás e aceitou essa verdade de fé.
A confusão teológica, contudo, ainda perdurou por algum tempo até que um frade franciscano, o bem-aventurado Duns Scoto, finalmente apresentasse uma explicação consistente. Scoto defendia que Maria havia sido salva já no ventre de Sant’Anna, tendo em vista o sangue de Cristo derramado na cruz. Uma vez que Deus não está preso ao tempo e ao espaço, Ele bem poderia utilizar os méritos da Paixão de Jesus antecipadamente, preservando Nossa Senhora das insídias diabólicas. Foi baseado nesta argumentação que o também bem-aventurado Papa Pio IX publicou a Bula Innefabillis Deus, pondo termo à controvérsia e definindo como dogma de fé a “Imaculada Conceição de Maria”.
Na Bula Innefabillis Deus, Pio IX usa duas passagens bíblicas para atestar a veracidade do dogma: Gênesis, capítulo 3 – o chamado Proto-Evangelho em que se narra a “inimizade” entre a serpente e a Mulher -, e Lucas, capítulo 1, no qual o evangelista relata a saudação angélica de São Gabriel: “Ave, Cheia de Graça, o Senhor é convosco”. Com esses dois textos, o Papa revela as evidências da santidade de Maria. Por ter sido agraciada desde o ventre de sua mãe, Maria é a inimiga por excelência do demônio; e sendo a “Cheia de Graça”, à qual “grandes coisas fez Aquele que é poderoso”, possui a mais perfeita amizade com Deus.
Nós, brasileiros, temos a grande graça de ter herdado de Portugal a devoção pela Imaculada Conceição de Maria. Embora muitas pessoas não saibam, é a Imaculada Conceição a Padroeira de Portugal. Isso porque foram naquelas terras que aconteceram as maiores batalhas em defesa da fé cristã e, sobretudo, em defesa da imaculada conceição. Numa época em que a península ibérica via-se ameaçada pelas investidas dos mouros, os cavaleiros cristãos fizeram um pacto de sangue, a fim de preservar a fé católica da região. E venceram com a ajuda e intercessão da Imaculada.
No Brasil, temos também como padroeira Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Ela, como “um exército em ordem de batalha”, convida-nos também a empreender um combate contra a serpente maligna que assalta nossa dignidade, nossos filhos e nossa fé.Rezemos a Ela, a Auxilium Christianorum, para que neste momento, em que duas leis perniciosas tramitam em nosso parlamento com o intuito de destruir a família brasileira, a cabeça da serpente seja esmagada e precipitada ao inferno junto com seus demônios.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!

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