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Archive for the ‘Tempo da Quaresma’ Category

“Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade” – Sermão de São Leão Magno(Capela Santo Agostinho – Tradição Católica)

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre.

É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, por uma vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia de suas manobras. Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma castigando todas as molezas, apagando todas as negligências do passado; usam então de todo o poder de sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.

Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade. Então preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós. Nossa força vem d’Aquele em quem pomos nossa confiança. Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força de seu socorro, o ensinamento de seu exemplo. Acabaste de ouvi-lo. Ele venceu seu adversário com as palavras da lei, não pelo poder de sua força: a honra devida a sua humanidade será maior, maior também a punição de seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do gênero humano não como Deus, mas como homem. Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma.

Pois, meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. Eis porque Salomão, que era sábio, diz: Meu filho, quando entras para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação (Eclo. 2,1). Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar seus golpes.

Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/487

Publicado em Capela Santo Agostinho – Tradição Católica.

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Leia também: As tentações de Jesus – I Domingo da Quaresma (adapostolica.org).

 

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QUARESMA É TEMPO DE MEDITAR A PAIXÃO DE JESUS CRISTO (Padre Rodrigo Maria)

O QUE ACONTECEU COM A QUARESMA?
QUARESMA É TEMPO DE MEDITAR A PAIXÃO DE JESUS CRISTO, PARA SE COMPREENDER A GRANDEZA DO AMOR DE DEUS POR NÓS E ASSIM, NOS MOTIVARMOS A AMÁ-LO, VERDADEIRAMENTE, DEIXANDO OS PECADOS E SEGUINDO SEUS MANDAMENTOS. O QUE ACONTECEU COM A QUARESMA?
Até algum tempo atrás, a Quaresma era considerada pelo povo em geral como um tempo mais sério, de menos festas, menos balburdia, de mais respeito. Mesmo aqueles que não frequentavam a Igreja, guardavam uma postura mais respeitosa nesse tempo grave. Muitos não comiam carne e evitavam não apenas os festejos, mas também os xingatórios, os jogos e outras diversões. Muitas mães, evitavam castigar fisicamente seus filhos quando esses aprontavam que era considerado digno de castigo, deixando essa tarefa para o sábado de aleluia…
Hoje, não são poucos os que começam a quaresma pulando carnaval… e não apenas na sociedade em geral se perdeu a consciência do que significa esse tempo de mais oração, caridade e penitencia, mas dentro da própria Igreja, especialmente no Brasil, quase desapareceu essa dimensão. Aliás, para sermos mais exatos, devemos dizer que a sociedade só perdeu essa consciência porque primeiro ela se eclipsou dentro da Igreja. A Quaresma que deveria ser um tempo para se meditar a Paixão e a Morte de Cristo por nossa causa e em nosso favor fazendo-nos recuperar a consciência de nossa vocação cristã, nos convidando a constatar de modo mais forte a transitoriedade das coisas terrenas para nos dedicarmos com mais empenho à busca das coisas do Alto, passou a ser um tempo para reflexão de natureza sociológica e política nos fazendo buscar o reino aqui e agora, refletindo uma mentalidade marxista da qual se impregnou o discurso e a prática da Igreja na América Latina, especialmente no Brasil. A Igreja não defende nem apresenta um sistema político ou de governo, mas possui uma doutrina social com princípios que deve orientar a atuação política dos detentores do poder e também da convivência social. Também faz parte de sua missão defender a justiça e denunciar o mal em todas as suas formas. Mas a primeira e mais importante função da Igreja é salvar as pessoas, levá-las para o céu. A Igreja deve apresentar Jesus Cristo, como único Deus e Salvador, ao qual todos devem se converter e a quem todos devem seguir e obedecer para alcançarem a sua realização como pessoas humanas e consequentemente sua felicidade eterna.
Um tempo como o da Quaresma jamais deveria ser utilizado para reflexões de natureza sociológica ou política, mas para fazer voltar o olhar de nosso povo, tão paganizado, para as coisas do Alto. É tempo de falar sobre o pecado e sua consequência última que é o inferno.É tempo falar sobre o mundanismo e os vícios e chamar as pessoas a uma sincera conversão. É tempo de despertar as pessoas para a busca do céu, tempo de apresentar a absoluta superioridade das coisas do alto e dos bens eternos comparados com as coisas mundanas que tantas vezes nos tiram do caminho da salvação. É tempo de se pregar sobre as obras de misericórdia e de se incitar sua prática. É tempo de Vias Sacras que falem de Jesus e de seu sofrimento, de modo que suscite em nosso coração uma verdadeira gratidão para com Deus e assim o desejo de amá-lo de verdade. É tempo de conversão e reconciliação, ou seja, é tempo de se confessar individualmente com o sacerdote (confissões comunitárias são proibidas e não valem) e de se fazer um esforço maior para se deixar o que nos separa de Deus ou que nos impede de crescer em seu amor… E todo esse empenho deve ser coroado com a Páscoa, maior festa de nossa religião, onde se celebra a nossa redenção e a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o que só tem sentido para alguém que tem fé e compreendeu quem é Cristo e do que ele nos libertou. Com certeza, se a Igreja cumprisse bem seu papel, tal como Cristo ordenou, o efeito social seria muito mais positivo e duradouro. Pois tudo o que os nossos tempos precisam é de homens santos, atuando nas diferentes esferas da vida social. E essas pessoas imbuídas de espírito cristão promoveriam a justiça que a revolução marxista é incapaz de alcançar.Uma profunda e verdadeira evangelização é o melhor serviço de utilidade pública que a Igreja pode oferecer a essa geração decaída e corrupta.

Enquanto os líderes da Igreja descuidarem de seu papel primordial, a pretexto de buscar uma vida melhor para nosso povo aqui nesse mundo, na verdade o estará privando não apenas dos meios para uma real e permanente promoção da justiça aqui e agora, mas o que é pior, estará sonegando a este mesmo povo os meios para sua salvação eterna.

Padre Rodrigo Maria
escravo inútil da Santíssima Virgem

Publicado em Palavra de Padre Rodrigo Ma:

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“Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…” – Frei Pierino Orlandini (OCDS – Província São José)

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