A paciência tudo alcança

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Uma das súplicas que pedimos e ouvimos com mais frequência é: “Ah, meu Deus, dê-me paciência!”. Incessantemente suplicamos ao Senhor essa virtude, porém nos falta perspicácia suficiente para perceber que Deus concede a virtude aliada à prática.
Nosso Senhor, em sua infinita sabedoria, nos proporciona ocasiões para que sejamos pacientes. O hábito faz a perfeição! Quer ser paciente com seu esposo ou sua esposa, com seu pai e mãe, irmãos e amigos? Então, aproveite as oportunidades que o Senhor lhe concede e pratique a paciência.

Quantas vezes você se deparou com uma situação na qual era suficiente um pouquinho mais de paciência para ser resolvida? Bastava respirar fundo e oxigenar o cérebro ao invés de responder com tanta aspereza. Vejamos a recomendação que a Palavra de Deus nos dá: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Eclesiastes 7,8b-9). Percebe como a pedagogia de Deus é diferente da nossa?

Na oração de Santa Teresa D’Ávila há uma referência sobre a paciência que diz: “a paciência tudo alcança”. Todavia, para alcançar esse “tudo” precisamos de muita luta espiritual, muito silêncio. Se for preciso “engolir um sapo” de vez enquanto, não há problema, o importante é atingir nossa meta principal: a eternidade. Não à toa os santos costumavam dizer que uma das formas de martírio, além da morte de espada, era o da paciência. Assim sendo, ser paciente é uma via segura que nos conduz à santidade. Alcançamos a fortaleza nas adversidades cultivando a paciência. Porém, o sofrimento somente é vencido pela graça de Deus unido a nossa perseverança.
“O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida”.

Esta virtude dos fortes, cada vez mais escassa em nossa convivência, exige, antes de tudo, a confiança em Deus. A paciência é o alimento que sustenta o diálogo. Quando o fio da comunicação familiar se fragiliza, nada melhor do que a prática desta virtude. Quantas famílias se desestruturam, separam-se devido à falta de diálogo, de uma boa conversa ao pé do ouvido com o cônjuge ou com os filhos! Por vezes, trocamos a paciência pelo orgulho. Recordemos novamente: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso” (Ecle 7,8b).

Fixamos uma ideia na cabeça e nada nos faz voltar atrás; não admitimos erros, sejam os nossos ou de outros. Colocamos uma barreira que nos distancia dia após dia. O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida. Nosso erro maior não é falhar por tentar, mas desistir sem ao menos ter tentando. Necessitamos, contudo, de muita coragem para superar essas fragilidades provocadas pela fraqueza humana, e os fortes de espírito encaram esse desafio da convivência familiar na dificuldade, porém com confiança; ao contrário dos fracos, que lhes faltam o equilíbrio e ousadia para, sem medo, arriscar vencer as barreiras.

Outros pensam que, por serem fracos, não conseguirão, pois suas forças são poucas. Além de lhes faltar coragem, falta-lhes confiança na misericórdia de Deus que tudo sonda. Nesta perspectiva, inúmeras famílias, em seu íntimo, carecem de esperança: esperança em pagar as dívidas, esperança na união da família, esperança no obstáculo das drogas e álcool, esperança contra a violência, esperança na fidelidade conjugal e no futuro. O fundamento da esperança está justamente na paciência como ouvimos dizer da Sagrada Escritura: “a paciência prova a fidelidade, e esta comprovada produz esperança. E a esperança não engana” (cf.Romanos 5,4-5). Irmãos, a esperança não engana, pelo contrário, ela elucida a nossa paciência em todas as atribulações, pois, na provação, resta-nos apenas esperar com paciência a graça vinda de Deus.

A paciência também nos salva, pois o Senhor utiliza dela conosco. São Pedro nos afirma: “O Senhor não retarda o cumprimento de suas promessas, como alguns pensam, mas usa dela convosco. Ele não quer que ninguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam” (cf. II Pedro 3,9).
Ora, se nosso Senhor usa de paciência conosco, isso é sinal de misericórdia. Não sejamos diferentes para com aqueles que atravessam nosso caminho, mas sejamos sinais de salvação para quem precisa. Seja paciente e tolerante com a vizinha que insiste em fazer fofoca; seja paciente consigo na luta contra o pecado; tenha paciência nas relações difíceis, porque, no tempo certo, a transformação virá e, então, você colherá os frutos das sementes lançadas nos sulcos da paciência. Só lhe falta a paciência quando lhe falta oração.

Façamos juntos a oração da mística e doutora da Igreja:
Nada te perturbe,
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!

Santa Teresa de Ávila

Fonte: Rodrigo Stankevicz

Publicado em Rádio Fraternidade.

Fé católica, cultura e sociedade contemporânea: um descompasso radical

ARTIGO

Vivemos, na atualidade, em uma sociedade neopagã. A afirmação categórica é do então Cardeal Joseph Ratzinger – Bento XVI – hoje na condição de Papa Emérito, em seu livro “Ser Cristão na Era Neopagã”. A obra contém seus discursos e homilias, proferidos entre 1986 a 1999, cuja tradução foi publicada no Brasil, em 2014. Ora, tal afirmação contundente é fruto de observações acuradas, ao longo de décadas, mais exatamente, desde o tempo de sua participação como padre e professor, ao tempo da realização do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. Anos se seguiram e chegaram a esta conclusão já em meados da década de 80, ou seja, passados quase 20 anos daquele Concílio. Mas que relação haveria entre o Concílio Vaticano II e o neopaganismo dominante na sociedade contemporânea? Não é uma resposta fácil e simples para este panorama desconcertante. O conteúdo apresentado aqui não trata, especificamente, dos escritos do Cardeal Ratzinger, mas de uma sedimentação de dados e fatos relacionados à crescente secularização da Igreja, imersa em uma era neopagã. 

Este panorama é algo inaudito na história da Igreja Católica, por motivos óbvios, porque aponta para um retrocesso cultural da civilização judaico-cristã. Ou seja, o ponto de partida do Cristianismo foi justamente trazer aos povos pagãos o anúncio do Evangelho de Cristo e este objetivo foi quase em sua totalidade atingido no mundo contemporâneo. A demonstração disso é que todas as instituições que regulam a sociedade Ocidental tem base no legado judaico-cristão. No entanto, pouco a pouco, as sociedades foram deixando de lado esta herança, principalmente, a partir do século XIX – ainda que de maneira discreta – os valores universais que a fundamentam. Isto porque, no caldo cultural produzido pela Revolução Francesa, devido às perseguições à Igreja, surgiram ideias e ideais contrários a este legado. Como resultado dessa virada abrupta e sanguinária, houve a pretensão de estabelecer um mundo novo, em bases neopagãs e ateias. Ainda que fosse norteado pelo patrimônio cultural cristão, desde a evangelização dos povos, naquele século indivíduos quiseram romper definitivamente com os pressupostos do Cristianismo. 

Por outro lado, no final do século XIX, a Igreja Católica, acompanhando a realidade dos sindicatos de trabalhadores e a condição dos operários, lançou a Doutrina Social da Igreja, na forma de uma Carta Encíclica, publicada pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891. Estavam lançadas as bases para os católicos se situarem diante da industrialização crescente, tanto para os empregados, quanto para os empregadores. Ou seja, os donos das indústrias não estavam livres em sua consciência para explorar seus empregados, enquanto os empregados sabiam que tinham direitos, mas desde que correspondessem às expectativas de seus empregadores. Nem tanto o liberalismo econômico por parte dos patrões, nem tanto as reivindicações exacerbadas dos sindicatos, minados de comunistas.

Na continuidade, vieram as 1ª e a 2ª Grandes Guerras e o sofrimento humano foi sem precedentes, principalmente na 1ª Grande Guerra. Mas, encerrados estes ciclos, com o fim da 2ª Guerra, em 1945, teve início a reconstrução da Europa. Passados cinco anos, um novo ímpeto, o do progresso, surgiu naquele continente e nos Estados Unidos. E, como não poderia deixar de ser, o mesmo aconteceu dentro da Igreja Católica, na esteira do pós-Guerra. Correntes, já antigas, chamadas de modernistas trataram de, internamente, incentivar mais e mais a ideia de progresso, de renovação da Igreja. Embarcaram neste ideal, a geração da época e posteriores e com o passar dos anos, na década de 60, aquela motivação benévola de abertura para a modernidade, por parte do Concílio Vaticano II, foi desvirtuada passo a passo. Enfim, uma má interpretação dos seus fundamentos e propostas acabou se impondo, o que gerou, com o passar dos anos e décadas, no quase esquecimento do que constituiu a Cristandade até o Concílio Vaticano II.

Preocupado com esta nova face da Igreja Católica que ia se formando e até se solidificando, quando assumiu o Papado, o então Papa Bento XVI, incansavelmente, falou da chamada “hermenêutica da continuidade”, embutida neste Concílio. Ou seja, a renovação do que necessitava ser repensado, mas sem descuidar do legado, do depósito da fé de dois mil anos de Cristianismo. Isto porque estavam contidos no Magistério e na Doutrina da Igreja Católica, ambos, rigorosamente, embasados nas Escrituras Sagradas. Mas, a pressão exterior, sob o véu do progressismo, sobre leigos e consagrados, de forma consciente ou não, acabou gerando um desvirtuamento tal, que só não destruiu a Igreja até o nosso tempo, porque o próprio Jesus afirmou que as portas do Inferno sobre ela jamais prevalecerão. 

A propósito, voltando um pouco no tempo, foram agregados outros fatores dentro da própria Igreja Católica, mais arraigados, que influenciaram leigos e consagrados ao longo do tempo. Tais fatores remontam a meados do século XIX, quando a Maçonaria e o Manifesto Comunista, vieram ambos a público, em 1848, e, com ousadia, afirmaram seus propósitos, obviamente, sob a capa do bem comum. Se mostravam pretensamente humanistas, ou seja, tendo por base ideais, já bastante conhecidos, como “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que remontavam à selvagem e sanguinária Revolução Francesa, em 1789, referida logo no início deste texto. Desse modo, é sabido e documentado que houve a partir desta época – isto é, meados do século XIX, infiltrações nos seminários. Estas infiltrações avançaram com mais ênfase no período da Revolução Comunista, em 1917, estendendo-se tal estratégia, ou seja, a da tentativa de enfraquecimento da Igreja Católica durante todo o período no qual estava no comando da URSS (União das Repúblicas Socialistas), o ditador russo, Joseph Stálin e período posterior. Neste, foi engendrada a estrutura da Teologia da Libertação, que consistia para o comunismo russo uma extensão de seu domínio na América Latina. Este dado veio à tona através de entrevistas com um ex-espião da União Soviética, Ion Mihai Pacepa, que foi general da polícia secreta da Romênia comunista. Pacepa pediu demissão do cargo e fugiu para os Estados Unidos, no fim da da década de 70. Obviamente, não teria curso esta estratégia se não houvesse na Igreja Católica uma leva de simpatizantes do ideário comunista. De modo similar, isto é, engendrar tentativas de minar a Igreja Católica por dentro por agentes externos se aplica também à Maçonaria, já antes referida, mas esta, sub-repticiamente, adotou uma tática pública, ou seja, buscar a aceitação de maçons no seio da Igreja. Esta entidade, que passou a ostentar uma fachada social, mas mantém encontros fechados a partir de certo grau que seus membros “ascendem”, fez duas tentativas ostensivas. Uma delas se deu durante a gestão do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o então Cardeal Joseph Ratzinger (de novembro de 1981 a abril de 2005), no início do Papado de João Paulo II (16 de outubro de 1978), que a rechaçou, e no Papado do próprio Bento XVI, a partir de 2005. Este, encomendou a uma junta de especialistas alemães um exame sobre a base conceitual da Maçonaria, e, já no 2º Grau, entre os 33 que a compõem, ficou comprovado que esta associação não se adequava ao Cristianismo e, por extensão, à Doutrina católica. Desse exame, foi lavrado um parecer em que consta não haver compatibilidade entre ser maçom e participar da Igreja Católica.

IGREJA INVISÍVEL

Assim, este verdadeiro bombardeio de propostas de “ser Igreja”, após as inúmeras leituras da proposta inicial do Concílio Vaticano II, em um mundo que adentrava em uma era neopagã, não poderia resultar em outra coisa, a não ser em uma fragmentação, onde a Igreja Católica passou a agradar ou ter os bons olhos da sociedade, em franco ímpeto de rejeição do passado, a partir dos anos 50 e 60. Isto, se deu em larga escala e os aplausos, interna e externamente, foram muitos, o que por si só é algo que é estranho ao Cristianismo. Ou seja, se o espírito mundano nas sociedades gera aprovação é porque a Doutrina da Igreja foi relaxada num todo, e, sendo assim, em seu interior, pouco a pouco os valores cristãos, que são exigentes, principalmente, católicos, passaram a ocupar um segundo plano. Ou seja, foram adotadas ideias e costumes não condizentes com o próprio Cristianismo. Um exemplo disso, foi ao tempo do Concílio, um casal norte-americano apresentou a proposta do uso de pílulas anticoncepcionais pelos católicos, o que gerou muita controvérsia, chamando a atenção da imprensa mundial, que não economizou páginas em entrevistas sobre este ou aquele ponto de vista. De certo modo, se estabeleceu uma ponte entre a Igreja e o mundo nesta época. Era o que o pensamento mundano queria, incluindo boa parte dos leigos católicos, mas o uso da pílula pelos casais católicos se opunha radicalmente ao valor que o Cristianismo dá à abertura ao dom da vida no matrimônio. Ainda que a proposta tenha sido rejeitada, a difusão do assunto pelo mundo inteiro, deu margem à aceitação pelas famílias católicas do controle da natalidade por este meio. Isto, como que desgastou o princípio da geração da vida, dádiva de Deus, passando a vinda de uma criança a ser calculada, planejada, conforme as condições materiais dos casais católicos. Assim se deu com o recurso ao DIU (Dispositivo Intra Uterino) pelas mulheres, inclusive católicas, no mundo inteiro. Para piorar o quadro instalado, a partir deste acontecimento, já em 1972, nos Estados Unidos, o direito ao aborto foi aprovado, amparado por lei federal. Alguns Estados acolheram a legalização, enquanto outros o mantiveram como ilegal. Foi o estopim para a ideia se espalhar pelo mundo todo, quando surgiram no início da da década de 70, os primeiros movimentos pró-aborto, na esteira da “revolução sexual” surgida nesta mesma década ou poucos antes dela. A propósito, a Profª Dra. em Filosofia, Alice von Hildebrand, esposa do renomado filósofo e teólogo católico, Dietrich von Hildebrand, teceu em seu livro “O Privilégio de Ser Mulher”, duras críticas ao aborto legal, que, como é sabido, trouxe consigo a cultura da morte a centenas de países. Na mesma esteira, em toda exposição pública a que tinha acesso, Madre Teresa de Calcutá falava em auditórios no Ocidente contra a prática do aborto. Dizia ela que, se alguém é capaz de matar uma criança em seu ventre, o que esperar de uma sociedade que patrocina este assassinato? Em sua singeleza, pedia, quando estava diante da situação que a mãe desse à luz e trouxesse a criança para ela adotar. Foi ouvida e levada a sério por muitas pessoas, que, ao fim e ao cabo, por ser muito admirada pelo Papa João Paulo II, a trazia para falar às multidões. Com certeza, Santa Teresa de Calcutá teve grande influência em seu combate ao aborto, abrindo os olhos de milhares enquanto viva esteve, e, na atualidade, por certo, o mesmo acontece a milhões de pessoas de todos os credos, já que com o advento da internet, seu pensamento obstinado contra o aborto, continua circulando no mundo todo. É uma gota em um oceano de mal feitos, mas é bendita sobremaneira esta filha da Igreja Católica, já que sua voz determinada, ainda que humilde, marcou profundamente gerações de adultos e jovens, que passaram a lutar em movimentos pró-vida, principalmente, no rebanho católico. 

São exatamente estes leigos, que são indiferentes ao respeito humano – termo antigo, já em desuso, mas ainda válido, a saber, colocar o ser humano à frente do que é correto aos olhos de Deus – é que compõem a Igreja invisível, fazendo frente aos desatinos do mundanismo. É importante dizer que há correntes no interior da Igreja, que compõem entusiasticamente a Cristandade contemporânea, mas não se dão conta de que não estão levando em conta o legado do Santo Magistério e da Sã Doutrina católicos nesse sentido. Mais ainda, o que é pior, os desprezam, deixando-se arrastar por ideais contrários à própria Doutrina Social da Igreja Católica, tal como o comunismo e o socialismo, pela via do marxismo. Ora, como cristãos, em obediência aos ensinamentos de Jesus aos Apóstolos, no Novo Testamento, seria uma decorrência natural rejeitar o mundo e as ideias e atitudes apartadas desse ensino. 

Dessa forma, na atualidade, o ideário do “politicamente correto”, de base marxista, quase dominante na cultura, deve ser rejeitado com decisão pelos cristãos, porque sua base é neopagã, isto é, o ser humano é o fundamento de todas coisas, – ou seja, se trata de um humanismo radical, portanto, ateu e materialista. Dessa maneira, é um mundo sem Deus e sua Lei Revelada, daí porque remonta ao tempo do paganismo. Esta tendência, que deriva do marxismo, conseguiu, pouco a pouco, se imiscuir na Igreja, e encontrou na corrente da Teologia da Libertação uma via de pleno desenvolvimento. Nesta, Deus, como que está a serviço dos interesses materiais, em nome de uma pretensa justiça social, ou seja, o Paraíso na Terra aqui e agora, em vista da instauração do Reino de Deus. Esta “teologia” é enganosa, além de reduzir ao mínimo o caráter sagrado da fé católica. 

No entanto, a Igreja invisível persiste, guiada pelo Espírito Santo, suscitando combatentes, que atuam dentro e fora dela, sem esmorecer. Ali onde o erro quer dominar, surge um movimento contrário. Cumpre-se, então, a promessa de Cristo de que Sua Igreja jamais seria destruída. É verdade que em seu todo, a Igreja Católica, neste século e desde o início do passado, pareça, aqui e ali, desfigurada, ao ser comparada à Igreja primitiva até o advento da era industrial. Nesse sentido, não importa tanto a forma, e, sim, o conteúdo de sua mensagem. Até é possível conviver com o despojamento estético das igrejas católicas, como se fossem templos protestantes, isto é, sem as bordaduras das roupas clericais ou o estilo arquitetônico moderno, ainda que seja lamentável vê-las despojadas de belas imagens inspiradoras. A ascese, o fervor místico, na prática, desaparecem da mente e do coração do fiel. Mas há algo ainda pior nesse sentido. Em várias partes do Brasil e no mundo, não é possível ver crucifixos com a figura de Jesus Cristo, e menos ainda, uma imagem da Virgem Maria. No máximo, são apresentadas figuras estilizadas, inclusive da Via Sacra. No entanto, como foi referido acima, é possível suportar essa dessacralização se há um sacerdote piedoso, inspirado e sábio. Quando não há um tal sacerdote, as almas divagam dentro da própria igreja, conferindo o celular ou conversam sobre assuntos alheios à Santa Missa. Tem sido muito comum estas ocorrências devido à dispersão quase generalizada, à perda do sentido do sagrado, à ênfase que, no mundo publicitário, é dada ao que está acontecendo nas redes sociais. É um problema amplo, mas se é levado para a celebração, fica evidente o que a dessacralização gera na vida dos fiéis.

Por conseguinte, esta combinação, ou seja, a falta de dedicados pastores de almas e a mundanização, gera como que um efeito cascata, que atinge indiretamente as famílias, minando até mesmo seu sentido de estar no mundo. Afinal, a Igreja é o Corpo de Cristo, do qual Ele é a Cabeça. Este Corpo é composto, em sua maioria, de famílias, desde a pia batismal até o matrimônio. Se não há ensino, admoestação e exortação, por parte de padres e Bispos em homilias bem preparadas, o que pais (e filhos por extensão), ou jovens, o quê todos vão levar para casa e pôr em prática em relação aos valores cristãos?

Novamente, volta o drama que o neopaganismo vigente espalha com seus inúmeros tentáculos. Não seria este ideário – o neopagão, obviamente – que poderia trazer paz, amor mútuo, compreensão e perdão entre os membros de uma família, pelo contrário, vai predominar a confusão, o desencontro. Daí a importância de bons pastores, bons confessores, que vão ser, em quase todas as situações de conflito, uma influência benévola. Vão como que “por nos eixos” os desajustes eventuais que qualquer família católica, vez ou outra, atravessa, ao viver em um mundo que tende para o caos. Este é o poder da Igreja invisível, que como a palavra refere, não pode ser vista, porque é mística, mas, na trama caótica do mundo, é vital, essencial. Nosso Senhor Jesus Cristo a orienta e pequenos milagres acontecem todos os dias nas famílias ou aos indivíduos, por intermédio dos sacerdotes a Ele fiéis, bem como, leigos, profunda e valentemente, cristãos.

Lúcia Barden Nunes – Jornalista.

O castelo de nossas almas

Se não tivermos e não procurarmos a paz em nossa própria casa, não a encontraremos em casas alheias.

A analogia de Santa Teresa de Ávila, em suas “Moradas”, comparando a alma a um grande castelo, é uma dessas intuições geniais que se podem dizer, sem medo, inspiradas por Deus.

Quem nunca ficou admirado, ao tomar contato com imagens do passado, com os belíssimos castelos medievais, a majestosa arquitetura antiga, ou nunca se imaginou morando em um desses lugares fantásticos, cheios de longas escadarias e obras de arte portentosas? Pois bem, não é grande tolice que nos detenhamos a contemplar essas belas obras humanas ou que nos fixemos demasiadamente naquilo que é material e ignoremos o tão elevado castelo que é a nossa própria alma? Como indica a própria Teresa, “sabemos muito por alto que nossa alma existe, porque assim ouvimos dizer e a fé nos ensina”, mas raramente consideramos “as riquezas que há nesta alma, seu grande valor, quem nela habita”[1].

Em sua obra, Teresa convida suas irmãs carmelitas a adentrarem nos castelos de suas almas. Diferentemente dos castelos comuns, para os quais uma breve visita significaria ter de juntar altas somas de dinheiro, percorrer longas distâncias ou, talvez, até atravessar oceanos, para adentrar no castelo de nossas almas, podendo aí permanecer por muito tempo, basta colocar-se à porta: “Pelo que entendo, a porta para entrar neste castelo é a oração”[2]. Porém, ainda que seja simples entrar neste castelo, são poucos os que verdadeiramente abrem a sua porta e entram em si mesmos, por assim dizer.

Mas, por que entrar nesse castelo? Para quê, afinal? Primeiramente, para ganhar a salvação, pois “é desatino pensar que havemos de entrar no céu sem primeiro entrar em nós mesmos”[3]. Não à toa Santo Afonso de Ligório dizia que “quem reza, se salva; quem não reza, se condena”: o primeiro santuário no qual todo homem deve entrar é o de si mesmo; aí, além de sua miséria e de sua condição de criatura, ele encontrará o seu Criador, como aconteceu a Santo Agostinho: “Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!”[4].

Depois, sem recolhermo-nos em nós mesmos, é impossível que nos santifiquemos. Infelizmente, tomados por uma mentalidade mesquinha, temos oferecido a Deus o nosso “mínimo”, muitas vezes “nos arrastando à força e cumprindo nossas obrigações somente para evitar pecados”[5]. Ao contrário, se quisermos de fato amar a Deus sobre todas as coisas e corresponder à “vocação universal à santidade”[6], devemos ser generosos, determinando-nos a conformar nossa vontade com a do Senhor e agradá-Lo em tudo.

Por fim, não pode haver verdadeira paz senão no interior: “Haverá maior mal do que não podermos estar em nossa própria casa? Se em nosso próprio lar não achamos sossego, que esperança teremos de encontrá-lo em casas alheias?”[7], pergunta Santa Teresa. Uma filha sua que experimentou a fundo essa verdade foi Santa Teresinha do Menino Jesus. Descrevendo a viagem que fez pela Europa, um ano antes de sua tomada de hábito, ela escreve:

“Durante toda a viagem, hospedamo-nos em hotéis principescos; jamais estive cercada de tanto luxo. É mesmo o caso de dizer que a riqueza não traz a felicidade, pois teria-me sentido mais feliz sob o teto de uma choupana e com a esperança do Carmelo, do que entre lambris dourados, escadas de mármore branco, tapetes de seda e com a amargura no coração… Ah! Eu bem o sentia: a alegria não se acha nos objetos que nos cercam; encontram-se no mais íntimo da alma, pode-se possuí-la do mesmo modo numa prisão ou num palácio. A prova é que sou mais feliz no Carmelo, mesmo no meio de provações interiores e exteriores, do que no mundo, cercada das comodidades da vida e, sobretudo, das ternuras do lar paterno!…”[8]

Como a Teresa do século XVI, a Teresa do século XIX tinha aprendido a grande lição: “Se não tivermos e não procurarmos a paz em nossa casa, não a encontraremos nas alheias”[9].

Referências

  1. Santa Teresa de Jesus. Castelo Interior ou Moradas, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 2. In: São Paulo: Paulus, 2014.
  2. Idem, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 7
  3. Idem, Segundas Moradas, n. 11
  4. Santo Agostinho. Confissões, Livro X, n. 38. In:20ª. ed. São Paulo: Paulus, 2008
  5. Castelo Interior, Quintas Moradas, capítulo 3, n. 6
  6. Cf. Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 32
  7. Castelo Interior, Segundas Moradas, n. 9
  8. Santa Teresa do Menino Jesus. História de uma alma: Manuscrito A, 65r. In: Obras completas escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002
  9. Castelo Interior, Segundas Moradas, n. 9

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

Os ensinamentos de Santa Teresa d’Ávila para a verdadeira amizade com Deus

Retratada em estudos acadêmicos e fonte de espiritualidade de santos e congregações ao longo da história, Santa Teresa de Jesus, cuja memória litúrgica é celebrada em 15 de outubro, também tem sido assunto para livros e conteúdos diversos nas plataformas digitais, especialmente por seu exemplo de vida e doutrina que indicam a oração como o caminho seguro para se alcançar a união com Deus.

SANTA E DOUTORA DA IGREJA

Nascida em Ávila, na Espanha, em 1515, Teresa ingressou em um convento carmelita feminino aos 20 anos de idade. Após uma experiência mística, fundou um convento com regras que remontavam às origens dos Carmelitas (por isso é conhecida como reformadora do Carmelo), o primeiro dos 17 mosteiros femininos e dos 15 masculinos que, direta ou indiretamente, ajudaria a criar.

Morta em 1582, Santa Teresa d’Ávila, como também é conhecida, foi beatificada em 1614 e canonizada em 1622. Em 1970, São Paulo VI, por meio da carta apostólica Multiformis sapientia Dei, fez da Santa a primeira Doutora da Igreja, reconhecendo que sua doutrina traz um itinerário seguro para a contemplação e realização das coisas celestiais.

UMA TRILHA PARA A PROXIMIDADE COM DEUS

Cesar Augusto Nunes de Oliveira tinha apenas 19 anos quando leu “O Livro da Vida”, autobiografia na qual Santa Teresa d’Ávila relata a própria história e graças místicas: “Aos poucos, um elemento fundamental da sua pessoa foi me atraindo: o seu amor apaixonado por Jesus, o que me fez perceber que eu estava começando a conhecer uma pessoa que tinha uma profunda amizade com Cristo”, recordou.

Oliveira hoje tem 50 anos. Em 2005, fundou o Movimento da Transfiguração, que tem como carisma a transfiguração do coração humano por meio da leitura orante da Palavra, da oração e da liturgia. Ele ministra palestras, retiros e cursos on-line sobre a espiritualidade católica e é especialista em Santa Teresa d’Ávila, já tendo feito materiais audiovisuais sobre a Santa, que podem ser acessados pelo YouTube (Movimento da Transfiguração).

“Um dos princípios teresianos é que a amizade gera semelhança; por isso, como consequência, o caminho de santidade para ela não é o de realizar coisas sensacionais ou ter fenômenos místicos, e sim um caminho de íntima amizade com Cristo. A oração para Santa Teresa é, deste modo, um caminho para a autêntica conversão do nosso coração. Sem oração, o amor transforma-se em apenas sentimentalismo; o serviço aos outros, uma forma de exibicionismo; a penitência, um masoquismo; e o desejo de mudar o mundo e fazer o bem, apenas uma ideologia”, analisou Oliveira.

Na já referida carta apostólica, São Paulo VI aponta que a vida de oração ensinada por Santa Teresa pode ser considerada “como vida de amor, na medida em que a oração constitui essa necessidade de amizade por meio da qual, todos os dias, falamos a sós com Deus, e Dele sabemos que somos amados”.

OLHAR PARA DENTRO DE SI

Nas obras que escreveu, como o “Livro da Vida”, “Caminho de Perfeição”, Castelo Interior” e “Fundações”, Santa Teresa apresenta caminhos para que cada pessoa conheça em que estado está a própria alma e trace um itinerário para superar os empecilhos que a afastam de Deus.

Para representar a alma humana, Santa Teresa criou a imagem do “castelo interior”, pela qual explicita a natureza da vida espiritual como uma interiorização do homem até se unir a Deus, que está no centro do castelo.

Na avaliação de Oliveira, em uma época na qual há grande apelo à exteriorização, especialmente por meio das redes sociais, cada vez mais as pessoas lidam com um vazio interior e é especialmente neste contexto que a espiritualidade de Santa Teresa d’Ávila se mostra atual. “Na sua obra-prima chamada ‘Castelo Interior ou Moradas’, ela nos ensina que a alma humana é um castelo com sete moradas e que na sétima morada, que é a mais interior, Deus habita. E que a ‘porta’ para entrar nesse Castelo é a oração e a reflexão. Isso quer dizer que para orar é necessário entrar em si mesmo, isto é, refletir sobre Deus e a sua vontade, confrontando-os com a nossa vida, intenções, motivações, inclinações e decisões”, detalhou.

TRATO DE AMIZADE

Oliveira lembrou, ainda, que esse caminho de interiorização é chamado pela Santa de ‘Trato de Amizade’ e que ela intuiu que a amizade com Cristo segue a mesma lógica da amizade humana.

“A escolha mútua é o primeiro passo para a construção de qualquer amizade; o segundo passo é investir, por meio de encontros diários, nessa amizade, mediante a oração marcada por um diálogo espontâneo, como entre dois amigos; dessa realidade nasce o terceiro passo, a partilha, isto é, o conhecimento mútuo. Por isso, para Teresa, a oração não é sentimento e sim conhecimento, mas claro, um conhecimento relacional e afetivo. Nesse terceiro passo – que é o do conhecimento mútuo –, é importante um termo teresiano que é ‘o amor à sacratíssima humanidade de Jesus’. É por meio do conhecimento da pessoa de Jesus, ‘o Verbo que se fez carne’, de sua vida como conhecemos nos evangelhos e celebramos na liturgia, que chegamos ao quarto e último passo, que é conformar a nossa vida à vida de Cristo e aos seus ensinamentos, fazendo, assim, uma adesão que transforma a nossa vida, abrindo-nos à graça de uma autêntica santificação por semelhança ao nosso amigo Jesus”, explicou.

RESPOSTA AO ANSEIO DE AMOR ETERNO E PLENO

Ainda de acordo com o especialista teresiano, os escritos da Santa se mantêm atuais por tratarem das necessidades mais profundas do ser humano, “que são, antes de tudo, o desenvolvimento de um relacionamento com alguém que nos ama de forma perfeita e plena, da maneira como somos, e que esse amor seja eterno. Teresa nos apresenta a amizade com Cristo que responde a esse anseio de amor eterno e pleno, sendo Ele o único capaz de saciar a sede humana de beleza, bondade, verdade, felicidade e amor. É por isso que ela é atual e permanecerá atual para todas as gerações”, enfatiza.

Por Daniel Gomes

Publicado em O São Paulo.

A presença de Deus é real

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31)

É noite. Os discípulos tentam atravessar o lago de Tiberíades. O barco é agitado pela tempestade e pelo vento contrário. Anteriormente já haviam enfrentado uma situação semelhante, mas o Mestre estava com eles no barco. Dessa vez, não: Ele tinha ficado em terra firme, estava no monte, a rezar.

Mas Jesus não os deixa sozinhos na tempestade. Desce do monte, vai ao encontro deles, caminhando sobre as águas, e os anima: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. Seria realmente Ele ou apenas uma ilusão? Pedro, cheio de dúvida, pede-lhe uma prova: que também ele possa caminhar sobre as águas. Jesus o chama a si. Pedro sai do barco, mas o vento ameaçador o assusta e ele começa a afundar. Então Jesus o segura pela mão, dizendo-lhe:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Como sentir a presença de Deus nas tribulações?

Também hoje Jesus continua dirigindo-nos estas palavras, toda vez que nos sentimos sós e incapazes nas tempestades que frequentemente desabam sobre a nossa vida. São doenças ou graves situações familiares, violências, injustiças… que insinuam no coração a dúvida, quando não, até mesmo, a rebelião: “Por que Deus não vê isso? Por que não me escuta? Por que Ele não vem? Por que não intervém? Onde está aquele Deus Amor no qual acreditei? É apenas um fantasma, uma ilusão?”.

Assim como aconteceu com os discípulos assustados e incrédulos, Jesus continua repetindo agora: “Coragem, sou eu! Não tenham medo”. E assim como Ele desceu do monte daquela vez para estar perto deles nas suas dificuldades, da mesma forma hoje Ele, o Ressuscitado, continua entrando na nossa vida, caminhando ao nosso lado, fazendo-se companheiro. Jamais nos deixa sozinhos na provação: Ele está aí para compartilhá-la conosco. Mas, pode ser que não acreditemos suficientemente; por isso Ele nos repete:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Estas palavras, além de serem uma censura, são um convite a reavivar a fé. Quando Jesus estava na terra conosco, prometeu-nos muitas coisas. Ele disse, por exemplo: “Pedi e recebereis…”; “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e todo o resto virá por acréscimo”; a quem tiver deixado tudo por Ele será dado cem vezes mais nesta vida e como herança a vida eterna.

Podemos obter tudo, mas precisamos acreditar no amor de Deus. Para poder nos dar algo, Jesus pede que pelo menos reconheçamos que Deus nos ama.

Ao passo que muitas vezes nos afligimos como se tivéssemos de enfrentar a vida sozinhos, como se fôssemos órfãos, sem um Pai. Fazemos como Pedro, dando mais atenção às ondas agitadas que parecem nos engolir do que à presença de Jesus que logo nos segura pela mão.

Se ficarmos parados, analisando aquilo que nos faz sofrer, os problemas, as dificuldades, então afundaremos no medo, na angústia, no desencorajamento. Mas não estamos sós! Acreditamos que existe Alguém que cuida de nós. É Nele que devemos fixar o nosso olhar. Ele está perto de nós, mesmo quando não percebemos a sua presença. Precisamos acreditar Nele, confiar nele, confiar-nos a Ele.

Quando a fé passa por uma prova, lutamos, rezamos, do mesmo modo como Pedro, quando gritou: “Senhor, salva-me!”, ou como os discípulos, numa outra situação semelhante: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Jesus nunca nos deixará faltar a sua ajuda. O seu amor é verdadeiro e Ele assume todos os nossos pesos.

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Também Jean Louis era um jovem “fraco de fé”. Apesar de ser cristão, ele duvidava da existência de Deus, ao contrário dos outros membros da família. Vivia bem longe dos pais, em Man, na Costa do Marfim, com os irmãos menores.

Quando a cidade foi tomada por rebeldes, quatro deles entraram na sua casa, saquearam tudo e quiseram recrutar à força o jovem, devido ao seu aspecto atlético. Os irmãos menores suplicavam que o soltassem, mas em vão.

Quando já estavam para sair com Jean Louis, o chefe do grupo mudou de ideia e decidiu deixá-lo. Depois sussurrou para a maiorzinha das irmãs: “Vão embora o quanto antes, porque amanhã nós vamos voltar…”. E indicou a direção que eles deveriam tomar.
Seria o caminho certo? Não seria uma armadilha?, perguntaram-se os adolescentes.

Partiram logo ao amanhecer, sem um tostão no bolso, porém com uma migalha de fé. Caminharam por 45 quilômetros. Encontram alguém que lhes pagou uma passagem de caminhão para chegarem até a casa de seus pais. Pelo caminho, foram acolhidos por pessoas desconhecidas que também lhes deram de comer. Nos postos de controle e ao atravessar a fronteira, ninguém lhes pediu documentos, até que finalmente chegaram em casa.

A mãe conta: “Não estavam em boas condições, mas se sentiam arrebatados pelo amor de Deus!”.

A primeira coisa que Jean Louis fez, foi perguntar onde havia uma Igreja. E disse: “Papai, o teu Deus é realmente forte!”

Chiara Lubich – fundadora do Focolare

Publicado em Arquivo Formação Shalom.

Leia também: Conhecê-lo e conhecer-se (9): Não tenhas medo, eu estou aqui (Opus Dei)

A esperança é a chave para suportar qualquer dificuldade

Em tempos sombrios, tendemos a perder a esperança, especialmente quando eles se prolongam. Até que tentamos ter uma atitude positiva, mas as circunstâncias nem sempre promovem essa virtude.

No entanto, uma das únicas maneiras pelas quais podemos suportar tais dificuldades é ter esperança.

São João Clímaco, um monge cristão do século VI, passou 40 anos levando uma vida solitária, raramente tendo contato as pessoas. Mas, em determinada época, ele foi encarregado de um mosteiro e vários religiosos o procuraram para ter orientação espiritual. Sua sabedoria era profunda e seus escritos continuam a inspirar as pessoas até hoje.

O Papa Bento XVI destacou sua vida em uma audiência geral em 2009, na qual se concentrou em várias lições que podemos tirar da vida do eremita. Em particular, Bento XVI enfatizou a necessidade de ter esperança, citando os pensamentos de São João sobre o assunto:

“A esperança é o poder que impulsiona o amor. Graças à esperança, podemos esperar a recompensa da caridade … A esperança é a porta do amor … A ausência de esperança destrói a caridade: nossos esforços estão ligados a ela, nossos trabalhos são sustentados por ela e, por meio dela, somos envolvidos pela misericórdia de Deus.”

O tipo de esperança sobre a qual São João Clímaco escreve é a esperança sobrenatural, uma firme esperança no futuro e no que Deus tem reservado para seus fiéis discípulos. O Papa Bento XVI explica mais detalhadamente essa virtude fundamental:

“Com razão, João Clímaco diz que somente a esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias, não esperamos sucesso em nossos dias terrestres, mas estamos ansiosos pela revelação do próprio Deus, finalmente. É somente nessa extensão de nossa alma, nessa auto-transcendência, que nossa vida se torna grande e que somos capazes de suportar o esforço e as decepções de todos os dias, que podemos ser gentis com os outros sem esperar qualquer recompensa. Somente se houver Deus, essa grande esperança à qual aspiro, poderei dar os pequenos passos da minha vida e, assim, aprender a caridade.”

Qualquer sofrimento que experimentamos pode ser suportado com a virtude da esperança. Ele nos sustenta em tempos sombrios e nos aponta a direção certa. Em vez de buscar consolo nesta vida terrena, esperamos ansiosamente a vida eterna. Todas as nossas ações podem ser ordenadas para essa esperança, dando sentido e propósito às nossas vidas.

Se você está sofrendo agora, peça a Deus a virtude da esperança, para poder superar as decepções diárias e transmitir a alegria a que somos chamados a experimentar na presença de Deus.

Philip Kosloski / Aleteia 

Publicado em Diocese de Campo Limpo – Uma caminhada de fé, esperança e caridade.

O que é a devoção ao Sangue de Cristo?

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KYNA STUDIO | Shutterstock

O mês de julho é dedicado à devoção do preciosíssimo Sangue de Cristo: aproveite esta oportunidade!

“Contemplemos com devoção o sangue de Jesus derramado até a última gota por nós na cruz pela redenção da humanidade.” (São Pio de Pietrelcina)

O mês de julho é dedicado à devoção do preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado pelo perdão dos nossos pecados.

São João Batista apresentou Jesus ao mundo dizendo: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Sem o Sangue desse Cordeiro não há salvação”.

Em toda a celebração eucarística, de fato, torna-se presente, juntamente com o Corpo de Cristo, o seu precioso Sangue da nova e eterna Aliança, derramado por todos em remissão dos pecados (cf. Mt 26, 27).

O Sangue de Cristo representa a sua Vida humana e divina, de valor infinito, oferecida à Justiça divina para o perdão dos pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares. Quem for batizado e crer, como disse Jesus, será salvo (Mc 16,16) pelo Sangue de Cristo.

Missa

Em cada Santa Missa a Igreja renova, presentifica, atualiza e eterniza este Sacrifício de Cristo pela Redenção da humanidade. Em média, a cada quatro segundos essa oferta divina sobe ao Céu em todo o mundo. É o Sangue e o Sacrifício do Senhor oferecido ao Pai para satisfazer a Justiça divina ferida por nossos pecados.

Este Sangue está presente na Eucaristia: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. Na Comunhão podemos ser lavados e inebriados pelo Sangue redentor do Cordeiro sem mancha que veio tirar o pecado de nossa alma. Mas é preciso parar para adorá-lo no Seu Corpo dado a nós.

Infelizmente muitos ainda comungam mal, com pressa, sem Ação de Graças, sem permitir que o Sangue Real e divino lave a alma pecadora e doente.

Catecismo

O Catecismo da Igreja ensina que mesmo que o mais santo dos homens tivesse morrido na cruz, seria o seu sacrifício insuficiente para resgatar a humanidade das garras do demônio; era preciso um sacrifício humano, mas de valor infinito.

Só Deus poderia oferecer este sacrifício; então, o Verbo divino, dignou-se assumir a nossa natureza humana, para oferecer a Deus um sacrifício de valor infinito.

A majestade de Deus é infinita; e foi ofendida pelos pecados dos homens. Logo, só um sacrifício de valor infinito poderia restabelecer a paz entre a humanidade e Deus.

Salvação

Hoje esse Sangue redentor de Cristo está à nossa disposição de muitas maneiras. Em primeiro lugar pela fé; somos justificados por esse Sangue ensina São Paulo:

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5, 8-9).

São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus mediante “a aspersão do seu sangue” (1Pe 1, 2). “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo.” (1Pe 1,19).

Papas

O Papa João Paulo II disse que: “O sinal do “Sangue derramado”, como expressão da vida doada de modo cruento em testemunho do amor supremo, é um ato da condescendência divina à nossa condição humana. Deus escolheu o sinal do sangue, porque nenhum outro sinal é tão eloquente para indicar o envolvimento total da pessoa”.

O Papa Bento XIV (1740-1748), ordenou a missa e o ofício em honra ao Sangue de Jesus, que foi estendida à Igreja Universal por decreto do Papa Pio IX (1846-1878). São Gaspar de Búfalo propagou fortemente esta devoção, tendo a aprovação da Santa Sé; foi o fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue – CPPS, em 1815. Nasceu em Roma aos 06 de Janeiro de 1786.

Vida humana e divina

O Sangue de Cristo representa a Sua Vida humana e divina, de valor infinito, oferecida à Justiça divina para o perdão dos pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares. “Isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt 26, 28).

Assim, o Sangue do Senhor nos libertou do pecado, da morte eterna e da escravidão do demônio. São Paulo diz: “Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,9). Por seu Sangue Cristo nos reconciliou com Deus: “ por seu intermédio reconciliou consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus” (Cl 1,20).

Com o seu Sangue Cristo nos resgatou, nos comprou, nos fez um povo Seu: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue”(At 20,29). “Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no santuário eterno, em virtude do Sangue de Jesus” (Hb 10,19).

Este Sangue redentor está à nossa disposição também no Sacramento da Confissão; pelo ministério da Igreja e dos sacerdotes o Cristo nos perdoa dos pecados e lava a nossa alma com o seu precioso Sangue. Infelizmente muitos católicos ainda não entenderam a profundidade deste Sacramento e fogem dele por falta de fé ou de humildade. O Sangue de Cristo perdoa os nossos pecados na Confissão e cura as nossas enfermidades espirituais e psicológicas.

Eucaristia

Este Sangue está presente na Eucaristia: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus.

“O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor” (1 Cor 10,16-27).

É pelo Sangue de Cristo que os santos e os mártires deram testemunho de sua fé e chegaram ao céu: “Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no Sangue do Cordeiro” (Ap 7,14).“Estes venceram-no por causa do Sangue do Cordeiro e de seu eloquente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte” (Ap 12, 11).

É pelo Sangue derramado que Ele venceu e se tornou Rei e Senhor:

“Está vestido com um manto tinto de Sangue, e o seu nome é Verbo de Deus…” (Ap 19,13-16).

O Sangue de Cristo por nós derramado deve nos levar a viver como Ele viveu. Como disse a Carta aos hebreus: “Portanto, irmãos, já que pelo Sangue de Cristo temos uma fundada esperança no acesso ao santuário… atendamos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras… ” (Hb 10, 19.24).

Por estes e tantos outros motivos precisamos cultivar em nós a fé e a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo e colher as inúmeras bênçãos que o Senhor têm para distribuir em nossas vidas.

(Retirado do livro: “Você conhece o poder do Sangue de Cristo?”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas. Via Felipe Aquino)

Publicado em Aleteia.

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Consagração ao Preciosíssimo Sangue de Cristo

Na consciência do meu nada e da vossa grandeza, Misericordioso Salvador, me prostro aos Vossos Pés e vos rendo graças pelos inúmeros favores que me haveis concedido, a mim, ingrata criatura, em especial o terdes me livrado, por intermédio de Vosso Preciosíssimo Sangue, da maléfica tirania de Satanás.

Em presença de Maria, minha boa Mãe, do meu Anjo da Guarda, dos meus Santos patronos, de toda a corte celeste, me consagro, oh! bondosíssimo Jesus, com sincero coração e por livre decisão, ao Vosso Preciosíssimo Sangue, com o qual Vós livrastes o mundo inteiro do pecado, da morte e do inferno.

Prometo-Vos, com o auxílio da vossa graça e segundo as minhas forças, despertar e fomentar a devoção ao vosso preciosíssimo Sangue adorável, a fim de que seja por todos honrado e venerado. Quisera eu, por este modo, reparar as minhas infidelidades para com o preciosíssimo Sangue e oferecer-vos igualmente reparação por tantos sacrilégios pelos homens cometidos contra o preciosíssimo preço da sua Redenção.

Oxalá eu pudesse fazer desaparecer os meus pecados, as minhas friezas e todos os desrespeitos com que vos ofendi, oh! preciosíssimo Sangue!

Vede, oh! amantíssimo Jesus, que vos ofereço todo o amor, a estima e adoração que a Vossa Mãe Santíssima, os vossos Apóstolos fiéis e todos os santos renderam ao vosso Preciosíssimo Sangue e vos rogo queirais esquecer-vos das minhas infidelidades e friezas passadas, e perdoais a quantos vos ofendem.

Aspergi-me, oh! Divino Salvador, e bem assim a todos os homens, com o Vosso preciosíssimo Sangue, a fim de que nós, oh! Amor Crucificado, desde agora e de todo o coração Vos amemos e dignamente honremos o preço da nossa Salvação. Amém.

Publicado em Encontro com Cristo.

NOSSA SENHORA DO CARMO • 16 de julho

Hoje celebramos a festa de Nossa Senhora do Carmo, devoção que tem origem no século XII, em plena Idade Média, quando um grupo de eremitas começou a se reunir para se dedicar à oração e à penitência no Monte Carmelo, na Palestina, na Terra Santa, dando início a um estilo de vida pobre, humilde e simples.

Em razão das perseguições aos cristãos na Terra Santa, o grupo de eremitas teve que buscar um refúgio mais seguro e, por isso, foi obrigado a ir para a Europa, fugindo dos muçulmanos. Eles se estabeleceram na Inglaterra, onde vivia Simão Stock, um também eremita que se uniu a eles.

Em 1251, Simão Stock suplicou à Virgem Maria um sinal de proteção contra os inimigos da fé. Foi ali que Simão recebeu uma visão de Nossa Senhora, que lhe deu um escapulário, assegurando a promessa de proteção para todos aqueles que o usassem. Ela lhe disse: “Recebe, filho amado, este escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para os filhos do Carmelo. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno. Ele é sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna!”.

A partir da aparição de Nossa Senhora do Carmo a Simão Stock, a Ordem do Carmo, em pouco tempo, começou a florescer na Europa, divulgando o uso do escapulário. Logo no início dos tempos modernos, com a colonização da América, essa devoção alcançou também o Novo Mundo, permanecendo firme até os nossos dias.

Oração a Nossa Senhora do Carmo:

“Ó Bendita e Imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo

Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário

Olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção

Fortificai minha fraqueza com vosso poder.

Iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria

Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade

Ornai minha alma com as graças e as virtudes que a torne agradável ao vosso divino Filho

Assisti-me durante a vida.

Consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença

E apresentai-me a Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado

E lá no céu eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda eternidade. Amém”

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Publicado em Arquidiciocese de Londrina.

Leia também: “Nossa Senhora do Carmo” – Artigo – Província São José – Brasil – Ordem dos Carmelitas Descalços – María del Pilar de la Iglesia OCDS – Tradução: Frei José Gregório Lopes Cavalcante Júnior, OCD (imagem do post acima).

SEGUNDA-FEIRA, DIA DE DEVOÇÃO PARA COM AS ALMAS – POSSÍVEIS RAZÕES BÍBLICAS

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

 São Lucas 16,24

“QUEM NESTA VIDA

 MAIS SOCORRER AS ALMAS DO PURGATÓRIO,

 DEUS FARÁ COM QUE SEJA TAMBÉM SOCORRIDO POR OUTRO, 

QUANDO ESTIVER LÁ 

NO MEIO DAQUELAS CHAMAS”

SANTO AGOSTINHO


Não achei informações precisas do motivo pelo qual as segundas-feiras são destinadas às preces pelas almas presas no purgatório, mas é um costume antigo desde a era medieval, incorporado no Brasil até por religiões africanas, devido ao sincretismo religioso.

Procurando na Bíblia os motivos para a devoção tradicional de se rezar pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras, cheguei à seguinte conclusão:

A passagem bíblica, que nos fala do sacrifício pelos mortos, relata que Judas Macabeus encontrou objetos pagãos entre os mortos judeus num domingo e, em seguida, enviou uma doação para Jerusalém para que se fizesse sacrifício ( algo que não deve ter sido feito no mesmo dia, mas no dia seguinte, a segunda-feira). Vejamos o trecho bíblico:

II Macabeus (12, 38- 45):

38De­pois, reunindo Judas o seu exército, alcançou a cidade de Adulam e, che­gado o sétimo dia da semana (SÁBADO), puri­fi­ca­­ram-se segundo o costume e cele­braram ali o sábado. 39No dia se­guinte (DOMINGO), Judas e os seus com­pa­nhei­ros foram levantar os corpos dos mor­tos, para os depositar na sepul­tura, ao lado dos seus pais. 40En­tão, sob a túnica dos que ti­nham tom­bado, encontraram objec­tos con­sagrados aos ídolos de Jâmnia, proi­bidos aos judeus pela lei, e todos reconhece­ram que fora esta a causa da sua morte. 41Bendisseram, pois, a mão do Se­nhor, justo juiz, que faz aparecer as coisas ocultas, 42e puse­ram-se em oração, para lhe implo­rar perdão com­pleto pelo pecado come­tido.

O nobre Judas convocou a multi­dão e exortava-a a evitar qual­quer trans­gressão, tendo diante dos olhos o mal que tinha sucedido aos que, pouco antes, tinham morrido por causa dos pecados. 43E mandou fa­zer uma co­leta, recolhendo cerca de duas mil dracmas, que enviou a Jeru­sa­lém, para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado (SACRIFÍCIO QUE DEVE TER SIDO FEITO NO DIA SEGUINTE- UMA SEGUNDA-FEIRA), agindo digna e santa­mente ao pensar na ressurreição; 44por­que, se não esperasse que os mor­tos ressus­citariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. 45E acre­di­tava que uma bela recom­pensa aguar­da os que morrem piedosa­mente. Era este um pensamento santo e pie­doso. Por isso pediu um sacrifício expia­tó­rio, para que os mor­­tos fossem livres das suas faltas.

Outra passagem bíblica que nos remete ao dia da Segunda-feira e sua relação com as almas, é que Deus fez os céus no segundo dia e nós imploramos que as almas possam entrar nele purificadas:

“E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.”

Gênesis 1,8

A INTERCESSÃO DE JÓ POR SUA FAMÍLIA

A Bíblia diz que Jó tinha sete filhos e três filhas e que cada filho fazia um banquete por vez, e chamava suas três irmãs. E no fim desses dias de baquete, Jó oferecia sacrifícios por seus filhos e filhas. 
Podemos concluir que o fim desse turno de dias equivalha a uma semana, retirando o sábado (dia de descanso dos judeus pela libertação do Egito), logo, o fim do turno de dias, equivaleria a uma segunda-feira.

“Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.”

 Jó 1,5

Do mesmo modo que Jó oferecia sacrifícios pelos seus familiares, para serem livres do pecado, devemos oferecer o sacrifício da Missa pelas almas para se purificarem.

Também podemos pensar que após a Ressurreição do Senhor, no Domingo, todas as almas que estavam no cativeiro (I Pedro 3,18-19) foram levadas ao céu (Ef 4,8), o que é um bom motivo para lembrar das almas do Purgatório na segunda. 

Que do mesmo jeito que na segunda-feira não havia uma alma justa no cativeiro, assim Jesus leve todas as do Purgatório para o céu:

“Por isso diz:Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro,e deu dons aos homens. “

Efésios 4,8

Rezemos por todas as almas, para que tenham sua purificação apressada, “sejam salvas passando pelo fogo” ( I Coríntios 3,15) eles que tiveram sua “casa terrestre desfeita, recebam de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5,1).

Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.

Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.

Oséias 6,1,2



Oração pelas almas do Purgatório.

        Ó DEUS de bondade e de Misericórdia, 
tende piedade das benditas almas dos fiéis, 
que estão sofrendo e que padecem no purgatório, 
aliviai as suas penas, 
dai-lhes, Senhor, o descanso Eterno, 
e Fazei nascer para elas a LUZ perpétua. 
Amém.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

Publicado em BREVIÁRIO.

CONHEÇA A DEVOÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Wikimédia Commons

A memória do Imaculado Coração de Maria é celebrada no primeiro sábado após a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Desde 1648 ela compõe o calendário litúrgico, graças a São João Eudes, que foi o precursor deste culto. Esta devoção, decorre do próprio Jesus que, em comunhão amorosa com a sua Santíssima Mãe, revelam-se à humanidade oferecendo refúgio e proteção. Porém, é em Fátima, a partir das parições de Nossa Senhora aos pastorinhos, que tal devoção ganha força e popularidade.

Em 13 de junho de 1917, a Virgem Santíssima revela seu Coração cercado de espinhos e pronuncia estas palavras: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.” O Coração de Maria, contornado de espinhos é a representação clara de seu sofrimento pelos pecados da humanidade. Sua mensagem é um pedido de desagravo, um apelo à conversão.

Nossa Senhora, em 10 de dezembro de 1925, revelou a Irmã Lucia a devoção dos “Cinco primeiros sábados”, assim ela disse: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procuras consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar”.

Irmã Lúcia, sem resposta à indagação de seu confessor a respeito do significado dessa revelação, mergulha em profunda oração e ouve a resposta do próprio Jesus:

 “Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria:

1 – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2 – Contra a Sua virgindade;
3 – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4 – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;
5 – Os que a ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens.

Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir essa pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de a ofender”

O Papa Pio XII ordenou que toda igreja celebrasse o Imaculado Coração de Maria e que recorresse a sua intercessão pela paz no mundo. Foi durante a segunda guerra mundial, em meio a um cenário de desolação, que Pio XII consagrou toda humanidade ao Coração Imaculado de Maria.

Confira abaixo o Ato de Consagração”:

“Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio do gênero humano, vencedora de todas as grandes batalhas de Deus! Ao vosso trono súplice nos prostramos, seguros de conseguir misericórdia e de encontrar graça e auxílio oportuno nas presentes calamidades, não pelos nossos méritos, de que não presumimos, mas unicamente pela imensa bondade do vosso Coração materno.

A Vós, ao vosso Coração Imaculado, Nós como Pai comum da grande família cristã, como Vigário d’Aquele a quem foi dado o poder no céu e na terra (Mt. 28, 18), e de quem recebemos a solicitude de quantas almas remidas com o seu sangue povoam o mundo universo, – a Vós, ao vosso Coração Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos, consagramos não só a Santa Igreja, corpo místico de vosso Jesus, que pena e sangra em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo, dilacerado por exiciais discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de suas próprias iniquidades.

Comovam-Vos tantas ruínas materiais e morais; tantas dores, tantas agonias dos pais, das mães, dos esposos, dos irmãos, das criancinhas inocentes; tantas vidas ceifadas em flor; tantos corpos despedaçados numa horrenda carnificina; tantas almas torturadas e agonizantes, tantas em perigo de se perderem eternamente.

Vós, Mãe de misericórdia, impetrai-nos de Deus a paz! E primeiro as graças que podem num momento converter os humanos corações, as graças que preparam, conciliam, asseguram a paz! Rainha da paz, rogai por nós e dai ao mundo em guerra a paz por que os povos suspiram, a paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo. Dai-lhe a paz das armas e das almas, para que na tranquilidade da ordem se dilate o Reino de Deus.”

Publicado em comunidadecasada paz.org/

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

O mês de junho é um mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, o coração humano e divino transpassado de amor pela humanidade, conheça um pouco mais dessa devoção e das 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus para a humanidade.

Festa do Sagrado Coração

A festa do Sagrado coração de Jesus foi instituída oficialmente no calendário litúrgico pelo bem-aventurado Papa Pio IX, em 1856, após a aparição de Jesus à Santa Margarida Maria Alacoque em 1675.

Ela tinha visões onde Jesus mostrava Seu coração ferido, porém, inflamado de amor pela humanidade.

Do Sagrado Coração de Jesus transpassado pela lança, jorraram sangue e água para lavar os pecados da humanidade e cumprir as escrituras.

(…)

Devoção ao Sagrado Coração

“O Sagrado Coração de Jesus é também símbolo legítimo daquela imensa caridade que moveu o nosso Salvador a celebrar, com o derramamento do Seu sangue, o Seu místico matrimônio com a Igreja: sofreu a paixão por amor à Igreja que Ele devia unir a si como esposa” (Papa Pio IX).

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma devoção bastante difundida na Igreja, tendo como devotos São João Paulo II, o Papa emérito Bento XVI e diversos santos na história da Igreja.

Aparição à Santa Margarida Maria

Quando apareceu à Santa Margarida Maria Alacoque, Jesus pediu que fossem feitos atos reparadores ao Seu Sagrado Coração:

“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpus Christi) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares.

Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”.

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

Em sua aparição, Jesus fez 12 promessas à humanidade. Essas 12 promessas do Sagrado coração de Jesus são parte importante da devoção devoção.

Quais são as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus:

1° Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2° Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3° Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4° Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5° Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6° Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7° Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8° Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9° Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10° Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11° Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12° Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Ato de Reparação

Reze o Ato de reparação ao Sagrado Coração de Jesus:

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Publicado em Aliança de de Misericórdia.

Junho: mês do Sagrado Coração de Jesus

coracaodejesus

Neste mês de junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos convidados pela Igreja a contemplar e experimentar, nesta devoção, o infinito amor de Deus por nós.

“Na encíclica «Deus caritas est», citei a afirmação da primeira carta de São João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e cremos nele» para sublinhar que, na origem da vida cristã, está o encontro com uma Pessoa (cf. n.1). Dado que Deus se manifestou da maneira mais profunda por meio da encarnação de Seu Filho, fazendo-se «visível» n’Ele.

Na relação com Cristo, podemos reconhecer quem é verdadeiramente Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 29,41; encíclica «Deus caritas est», 12-15). Mais ainda, dado que o amor de Deus encontrou sua expressão mais profunda na entrega que Cristo fez de sua vida por nós na Cruz. Ao contemplarmos seu sofrimento e morte, podemos reconhecer, de maneira cada vez mais clara, o amor sem limites de Deus por nós: «tanto amou Deus ao mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que crer nele não pereça, mas que tenha vida eterna» (João 3,16).

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Por outro lado, esse mistério do amor de Deus por nós não constitui só o conteúdo do culto e da devoção ao Coração de Jesus: é, ao mesmo tempo, o conteúdo de toda verdadeira espiritualidade e devoção cristã. Portanto, é importante sublinhar que o fundamento dessa devoção é tão antigo como o próprio cristianismo. De fato, só se pode ser cristão dirigindo o olhar à Cruz de nosso Redentor, «a quem transpassaram» (João 19, 37; cf. Zacarias 12, 10).

A encíclica «Haurietis aquas» lembra que a ferida do lado e as dos pregos foram para numeráveis almas os sinais de um amor que transformou, cada vez mais incisivamente, sua vida (cf. número 52). Reconhecer o amor de Deus no Crucificado se converteu para elas em uma experiência interior, o que as levou a confessar junto a Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (João 20,28), permitindo-lhes alcançar uma fé mais profunda na acolhida sem reservas do amor de Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 49).

Experimentar o amor de Deus

O significado mais profundo desse culto ao amor de Deus só se manifesta quando se considera mais atentamente sua contribuição não só ao conhecimento, mas também, e sobretudo, à experiência pessoal desse amor na entrega confiada a seu serviço (cf. encíclica «Haurietis aquas», 62). Obviamente, experiência e conhecimento não podem separar-se: um faz referência ao outro. Também é necessário sublinhar que um autêntico conhecimento do amor de Deus só é possível no contexto de uma atitude de oração humilde e de disponibilidade generosa.

Partindo dessa atitude interior, o olhar posto no lado transpassado da lança se transforma em silenciosa adoração. O olhar no lado transpassado do Senhor, do qual saem «sangue e água» (cf. Gv 19, 34), ajuda-nos a reconhecer a multidão de dons de graça que daí procedem (cf. encíclica «Haurietis aquas», 34-41) e nos abre a todas as demais formas de devoção cristã que estão compreendidas no culto ao Coração de Jesus.

A fé é um dom que vem do amor

A fé, compreendida como fruto do amor de Deus experimentado, é uma graça, um dom divino. O homem, no entanto, poderá experimentar a fé como uma graça só na medida em que ele a aceita dentro de si como um dom, e procura vivê-lo. O culto do amor de Deus, ao que convidava aos fiéis a encíclica «Haurietis aquas» (cf. ibidem, 72), deve nos ajudar a recordar incessantemente que Ele carregou com este sofrimento voluntariamente «por nós», «por mim».

Quando praticamos este culto, não só reconhecemos com gratidão o amor de Deus, mas continuamos nos abrindo a esse amor, de maneira que a nossa vida vai ficando cada vez mais modelada por ele. Deus, que derramou seu amor «em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (cf. Romanos 5, 5), convida-nos, incansavelmente, a acolher seu amor. O convite a entregar-se totalmente ao amor salvífico de Cristo (cf. ibidem, n. 4) tem como primeiro objetivo a relação com Deus. Por esse motivo, esse culto totalmente orientado ao amor de Deus que se sacrifica por nós tem uma importância insubstituível para nossa fé e para nossa vida no amor.”

(Trecho da Carta de Bento XVI ao padre Peter-Hans Kolvenbach, Companhia de Jesus.)

Frede Silvério de Oliveira (agente da Pascom)

Publicado em Paróquia São José – Ressaquinha – MG.

O Espírito Santo não resiste a um coração humilde

No início do Evangelho de hoje, vemos a presunção dos Apóstolos que, tendo convivido três anos com o maior dos mestres, achavam já saber o suficiente. Nosso Senhor, porém, adverte-os de que ainda não haviam entendido nada, pois em breve iriam abandoná-lo. E não entenderam justamente porque ainda não haviam recebido o Espírito Santo, que ordena o nosso caos interior e faz novas todas as coisas. Para receber o Espírito Paráclito, os Apóstolos primeiro caíram em si, despojaram-se da própria soberba e assumiram uma postura de humildade. Tanto é que, em Pentecostes, estavam unidos em oração com o coração mais humilde que já habitou este mundo, a Virgem Maria. Esta homilia foi feita pelo Padre Paulo Ricardo no dia 30 de maio de 2022, na Paróquia Cristo Rei, de Várzea Grande (MT), durante Missa matutina da Segunda-feira da 7.ª Semana da Páscoa.

Publicado por Padre Paulo Ricardo.

Santa Teresa d’Ávila

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais. Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila. Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus.

Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1).

Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi.

Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência.

Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra como reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial.

À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Papa Bento XVI

Publicado em Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Nossa Senhora de Fátima – 13 de Maio

O mês de maio é o “mês de Maria” ou o “mês Mariano” e Nossa Senhora de Fátima é celebrada este mês, no Brasil e no mundo.

Em 13 de maio de 1917, Nossa Senhora fez sua primeira aparição na pequena cidade de Fátima, em Portugal, a três humildes pastores. Eles a descreveram como “uma senhora mais brilhante do que o sol.”  Todos os meses, até outubro, sempre no dia 13 de cada mês, aparecia aos pequenos pastores: Lúcia, na época com 10 anos, Francisco com 7 e Jacinta, com 6 anos de idade.  Nessas aparições, deixou uma mensagem de fé, de amor a Jesus e um pedido de conversão.

Os três pastorinhos que viram Nossa Senhora de Fátima em 1917
Os três pastorinhos de Fátima

“Rezem o Rosário todos os dias para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra”.  E em todas as aparições, repetia a importância e o poder da oração do santo Rosário, ensinando que após cada mistério, rezassem: “Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, especialmente as mais necessitadas’”. 

Sua última aparição aconteceu no dia 13 de outubro naquele mesmo ano, perante uma multidão que havia comparecido ao local. Na ocasião, aconteceu o “milagre do sol”, quando todos afirmaram que o céu mudou de cor e que o sol com grande brilho, mas sem ofuscar a vista, se aproximou e afastou da terra por algumas vezes.  O fenômeno durou cerca de 10 minutos e foi relatado por inúmeras pessoas presentes no local, mas também por aquelas que estavam distantes do local das aparições. Naquele dia chovia muito e no momento do milagre, muitos foram os que ajoelharam ou se jogaram no chão. Mas, as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva e pela lama, secaram prodigiosamente minutos depois.

As atitudes e mensagens transmitidas por Maria, sempre conduzem a seu Filho Amado. Ao rezar o terço, meditamos sobre as passagens da vida de Jesus. Ela nunca aponta para si mesma, mas para os desígnios de Deus e para que conheçamos melhor o Filho de Deus Encarnado.

Em 1917, o mundo estava em guerra. E, neste ano de 2021, enfrentamos novamente uma situação de guerra, combatendo o coronavírus, inimigo invisível, causando tantas mortes no mundo inteiro. Rezar o terço neste mês de maio é ainda mais necessário. Devemos pedir pelo fim da pandemia, pelos doentes, pelos agonizantes, pelos necessitados e por todos que sofrem neste grave momento da humanidade.

O culto à Nossa Senhora de Fátima é uma das mais significativas devoções marianas.  Nas palavras do Papa Francisco: “No dia 13 de maio, dia que celebramos a nossa mãe celestial, com o nome de Nossa Senhora de Fátima, devemos confiarmo-nos a ela, para que possamos continuar a nossa jornada com alegria e generosidade”.

Ave Maria! Bendita sois vós, nossa Mãe, entre as mulheres.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós, que recorremos a vós!

Por Fátima Emerson, membro do Apostolado da Oração.

Publicado em Catedral de São João Batista | Nova Friburgo.

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