Os ensinamentos de Santa Teresa d’Ávila para a verdadeira amizade com Deus

Retratada em estudos acadêmicos e fonte de espiritualidade de santos e congregações ao longo da história, Santa Teresa de Jesus, cuja memória litúrgica é celebrada em 15 de outubro, também tem sido assunto para livros e conteúdos diversos nas plataformas digitais, especialmente por seu exemplo de vida e doutrina que indicam a oração como o caminho seguro para se alcançar a união com Deus.

SANTA E DOUTORA DA IGREJA

Nascida em Ávila, na Espanha, em 1515, Teresa ingressou em um convento carmelita feminino aos 20 anos de idade. Após uma experiência mística, fundou um convento com regras que remontavam às origens dos Carmelitas (por isso é conhecida como reformadora do Carmelo), o primeiro dos 17 mosteiros femininos e dos 15 masculinos que, direta ou indiretamente, ajudaria a criar.

Morta em 1582, Santa Teresa d’Ávila, como também é conhecida, foi beatificada em 1614 e canonizada em 1622. Em 1970, São Paulo VI, por meio da carta apostólica Multiformis sapientia Dei, fez da Santa a primeira Doutora da Igreja, reconhecendo que sua doutrina traz um itinerário seguro para a contemplação e realização das coisas celestiais.

UMA TRILHA PARA A PROXIMIDADE COM DEUS

Cesar Augusto Nunes de Oliveira tinha apenas 19 anos quando leu “O Livro da Vida”, autobiografia na qual Santa Teresa d’Ávila relata a própria história e graças místicas: “Aos poucos, um elemento fundamental da sua pessoa foi me atraindo: o seu amor apaixonado por Jesus, o que me fez perceber que eu estava começando a conhecer uma pessoa que tinha uma profunda amizade com Cristo”, recordou.

Oliveira hoje tem 50 anos. Em 2005, fundou o Movimento da Transfiguração, que tem como carisma a transfiguração do coração humano por meio da leitura orante da Palavra, da oração e da liturgia. Ele ministra palestras, retiros e cursos on-line sobre a espiritualidade católica e é especialista em Santa Teresa d’Ávila, já tendo feito materiais audiovisuais sobre a Santa, que podem ser acessados pelo YouTube (Movimento da Transfiguração).

“Um dos princípios teresianos é que a amizade gera semelhança; por isso, como consequência, o caminho de santidade para ela não é o de realizar coisas sensacionais ou ter fenômenos místicos, e sim um caminho de íntima amizade com Cristo. A oração para Santa Teresa é, deste modo, um caminho para a autêntica conversão do nosso coração. Sem oração, o amor transforma-se em apenas sentimentalismo; o serviço aos outros, uma forma de exibicionismo; a penitência, um masoquismo; e o desejo de mudar o mundo e fazer o bem, apenas uma ideologia”, analisou Oliveira.

Na já referida carta apostólica, São Paulo VI aponta que a vida de oração ensinada por Santa Teresa pode ser considerada “como vida de amor, na medida em que a oração constitui essa necessidade de amizade por meio da qual, todos os dias, falamos a sós com Deus, e Dele sabemos que somos amados”.

OLHAR PARA DENTRO DE SI

Nas obras que escreveu, como o “Livro da Vida”, “Caminho de Perfeição”, Castelo Interior” e “Fundações”, Santa Teresa apresenta caminhos para que cada pessoa conheça em que estado está a própria alma e trace um itinerário para superar os empecilhos que a afastam de Deus.

Para representar a alma humana, Santa Teresa criou a imagem do “castelo interior”, pela qual explicita a natureza da vida espiritual como uma interiorização do homem até se unir a Deus, que está no centro do castelo.

Na avaliação de Oliveira, em uma época na qual há grande apelo à exteriorização, especialmente por meio das redes sociais, cada vez mais as pessoas lidam com um vazio interior e é especialmente neste contexto que a espiritualidade de Santa Teresa d’Ávila se mostra atual. “Na sua obra-prima chamada ‘Castelo Interior ou Moradas’, ela nos ensina que a alma humana é um castelo com sete moradas e que na sétima morada, que é a mais interior, Deus habita. E que a ‘porta’ para entrar nesse Castelo é a oração e a reflexão. Isso quer dizer que para orar é necessário entrar em si mesmo, isto é, refletir sobre Deus e a sua vontade, confrontando-os com a nossa vida, intenções, motivações, inclinações e decisões”, detalhou.

TRATO DE AMIZADE

Oliveira lembrou, ainda, que esse caminho de interiorização é chamado pela Santa de ‘Trato de Amizade’ e que ela intuiu que a amizade com Cristo segue a mesma lógica da amizade humana.

“A escolha mútua é o primeiro passo para a construção de qualquer amizade; o segundo passo é investir, por meio de encontros diários, nessa amizade, mediante a oração marcada por um diálogo espontâneo, como entre dois amigos; dessa realidade nasce o terceiro passo, a partilha, isto é, o conhecimento mútuo. Por isso, para Teresa, a oração não é sentimento e sim conhecimento, mas claro, um conhecimento relacional e afetivo. Nesse terceiro passo – que é o do conhecimento mútuo –, é importante um termo teresiano que é ‘o amor à sacratíssima humanidade de Jesus’. É por meio do conhecimento da pessoa de Jesus, ‘o Verbo que se fez carne’, de sua vida como conhecemos nos evangelhos e celebramos na liturgia, que chegamos ao quarto e último passo, que é conformar a nossa vida à vida de Cristo e aos seus ensinamentos, fazendo, assim, uma adesão que transforma a nossa vida, abrindo-nos à graça de uma autêntica santificação por semelhança ao nosso amigo Jesus”, explicou.

RESPOSTA AO ANSEIO DE AMOR ETERNO E PLENO

Ainda de acordo com o especialista teresiano, os escritos da Santa se mantêm atuais por tratarem das necessidades mais profundas do ser humano, “que são, antes de tudo, o desenvolvimento de um relacionamento com alguém que nos ama de forma perfeita e plena, da maneira como somos, e que esse amor seja eterno. Teresa nos apresenta a amizade com Cristo que responde a esse anseio de amor eterno e pleno, sendo Ele o único capaz de saciar a sede humana de beleza, bondade, verdade, felicidade e amor. É por isso que ela é atual e permanecerá atual para todas as gerações”, enfatiza.

Por Daniel Gomes

Publicado em O São Paulo.

Quaresma de São Miguel Arcanjo – YouTube – 1º Dia – 2022

Assista a Quaresma de São Miguel Arcanjo 2022 – 1° Dia – YouTube, direto do Santuário São Miguel Arcanjo, no Paraná (PR):

A presença de Deus é real

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31)

É noite. Os discípulos tentam atravessar o lago de Tiberíades. O barco é agitado pela tempestade e pelo vento contrário. Anteriormente já haviam enfrentado uma situação semelhante, mas o Mestre estava com eles no barco. Dessa vez, não: Ele tinha ficado em terra firme, estava no monte, a rezar.

Mas Jesus não os deixa sozinhos na tempestade. Desce do monte, vai ao encontro deles, caminhando sobre as águas, e os anima: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. Seria realmente Ele ou apenas uma ilusão? Pedro, cheio de dúvida, pede-lhe uma prova: que também ele possa caminhar sobre as águas. Jesus o chama a si. Pedro sai do barco, mas o vento ameaçador o assusta e ele começa a afundar. Então Jesus o segura pela mão, dizendo-lhe:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Como sentir a presença de Deus nas tribulações?

Também hoje Jesus continua dirigindo-nos estas palavras, toda vez que nos sentimos sós e incapazes nas tempestades que frequentemente desabam sobre a nossa vida. São doenças ou graves situações familiares, violências, injustiças… que insinuam no coração a dúvida, quando não, até mesmo, a rebelião: “Por que Deus não vê isso? Por que não me escuta? Por que Ele não vem? Por que não intervém? Onde está aquele Deus Amor no qual acreditei? É apenas um fantasma, uma ilusão?”.

Assim como aconteceu com os discípulos assustados e incrédulos, Jesus continua repetindo agora: “Coragem, sou eu! Não tenham medo”. E assim como Ele desceu do monte daquela vez para estar perto deles nas suas dificuldades, da mesma forma hoje Ele, o Ressuscitado, continua entrando na nossa vida, caminhando ao nosso lado, fazendo-se companheiro. Jamais nos deixa sozinhos na provação: Ele está aí para compartilhá-la conosco. Mas, pode ser que não acreditemos suficientemente; por isso Ele nos repete:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Estas palavras, além de serem uma censura, são um convite a reavivar a fé. Quando Jesus estava na terra conosco, prometeu-nos muitas coisas. Ele disse, por exemplo: “Pedi e recebereis…”; “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e todo o resto virá por acréscimo”; a quem tiver deixado tudo por Ele será dado cem vezes mais nesta vida e como herança a vida eterna.

Podemos obter tudo, mas precisamos acreditar no amor de Deus. Para poder nos dar algo, Jesus pede que pelo menos reconheçamos que Deus nos ama.

Ao passo que muitas vezes nos afligimos como se tivéssemos de enfrentar a vida sozinhos, como se fôssemos órfãos, sem um Pai. Fazemos como Pedro, dando mais atenção às ondas agitadas que parecem nos engolir do que à presença de Jesus que logo nos segura pela mão.

Se ficarmos parados, analisando aquilo que nos faz sofrer, os problemas, as dificuldades, então afundaremos no medo, na angústia, no desencorajamento. Mas não estamos sós! Acreditamos que existe Alguém que cuida de nós. É Nele que devemos fixar o nosso olhar. Ele está perto de nós, mesmo quando não percebemos a sua presença. Precisamos acreditar Nele, confiar nele, confiar-nos a Ele.

Quando a fé passa por uma prova, lutamos, rezamos, do mesmo modo como Pedro, quando gritou: “Senhor, salva-me!”, ou como os discípulos, numa outra situação semelhante: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Jesus nunca nos deixará faltar a sua ajuda. O seu amor é verdadeiro e Ele assume todos os nossos pesos.

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Também Jean Louis era um jovem “fraco de fé”. Apesar de ser cristão, ele duvidava da existência de Deus, ao contrário dos outros membros da família. Vivia bem longe dos pais, em Man, na Costa do Marfim, com os irmãos menores.

Quando a cidade foi tomada por rebeldes, quatro deles entraram na sua casa, saquearam tudo e quiseram recrutar à força o jovem, devido ao seu aspecto atlético. Os irmãos menores suplicavam que o soltassem, mas em vão.

Quando já estavam para sair com Jean Louis, o chefe do grupo mudou de ideia e decidiu deixá-lo. Depois sussurrou para a maiorzinha das irmãs: “Vão embora o quanto antes, porque amanhã nós vamos voltar…”. E indicou a direção que eles deveriam tomar.
Seria o caminho certo? Não seria uma armadilha?, perguntaram-se os adolescentes.

Partiram logo ao amanhecer, sem um tostão no bolso, porém com uma migalha de fé. Caminharam por 45 quilômetros. Encontram alguém que lhes pagou uma passagem de caminhão para chegarem até a casa de seus pais. Pelo caminho, foram acolhidos por pessoas desconhecidas que também lhes deram de comer. Nos postos de controle e ao atravessar a fronteira, ninguém lhes pediu documentos, até que finalmente chegaram em casa.

A mãe conta: “Não estavam em boas condições, mas se sentiam arrebatados pelo amor de Deus!”.

A primeira coisa que Jean Louis fez, foi perguntar onde havia uma Igreja. E disse: “Papai, o teu Deus é realmente forte!”

Chiara Lubich – fundadora do Focolare

Publicado em Arquivo Formação Shalom.

Leia também: Conhecê-lo e conhecer-se (9): Não tenhas medo, eu estou aqui (Opus Dei)

A esperança é a chave para suportar qualquer dificuldade

Em tempos sombrios, tendemos a perder a esperança, especialmente quando eles se prolongam. Até que tentamos ter uma atitude positiva, mas as circunstâncias nem sempre promovem essa virtude.

No entanto, uma das únicas maneiras pelas quais podemos suportar tais dificuldades é ter esperança.

São João Clímaco, um monge cristão do século VI, passou 40 anos levando uma vida solitária, raramente tendo contato as pessoas. Mas, em determinada época, ele foi encarregado de um mosteiro e vários religiosos o procuraram para ter orientação espiritual. Sua sabedoria era profunda e seus escritos continuam a inspirar as pessoas até hoje.

O Papa Bento XVI destacou sua vida em uma audiência geral em 2009, na qual se concentrou em várias lições que podemos tirar da vida do eremita. Em particular, Bento XVI enfatizou a necessidade de ter esperança, citando os pensamentos de São João sobre o assunto:

“A esperança é o poder que impulsiona o amor. Graças à esperança, podemos esperar a recompensa da caridade … A esperança é a porta do amor … A ausência de esperança destrói a caridade: nossos esforços estão ligados a ela, nossos trabalhos são sustentados por ela e, por meio dela, somos envolvidos pela misericórdia de Deus.”

O tipo de esperança sobre a qual São João Clímaco escreve é a esperança sobrenatural, uma firme esperança no futuro e no que Deus tem reservado para seus fiéis discípulos. O Papa Bento XVI explica mais detalhadamente essa virtude fundamental:

“Com razão, João Clímaco diz que somente a esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias, não esperamos sucesso em nossos dias terrestres, mas estamos ansiosos pela revelação do próprio Deus, finalmente. É somente nessa extensão de nossa alma, nessa auto-transcendência, que nossa vida se torna grande e que somos capazes de suportar o esforço e as decepções de todos os dias, que podemos ser gentis com os outros sem esperar qualquer recompensa. Somente se houver Deus, essa grande esperança à qual aspiro, poderei dar os pequenos passos da minha vida e, assim, aprender a caridade.”

Qualquer sofrimento que experimentamos pode ser suportado com a virtude da esperança. Ele nos sustenta em tempos sombrios e nos aponta a direção certa. Em vez de buscar consolo nesta vida terrena, esperamos ansiosamente a vida eterna. Todas as nossas ações podem ser ordenadas para essa esperança, dando sentido e propósito às nossas vidas.

Se você está sofrendo agora, peça a Deus a virtude da esperança, para poder superar as decepções diárias e transmitir a alegria a que somos chamados a experimentar na presença de Deus.

Philip Kosloski / Aleteia 

Publicado em Diocese de Campo Limpo – Uma caminhada de fé, esperança e caridade.

Catequese sobre o Sacramento da Confissão

1. O QUE É A CONFISSÃO?

Confissão ou Penitência é o Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para que os cristãos possam ser perdoados de seus pecados e receberem a graça santificante. Também é chamado de sacramento da Reconciliação. 

2. QUEM INSTITUIU O SACRAMENTO DA CONFISSÃO OU PENITÊNCIA?

O sacramento da Penitência foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo nos ensina o Evangelho de São João: “Depois dessas palavras (Jesus) soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem vocês perdoarem os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). 

3. A IGREJA TEM A AUTORIDADE PARA PERDOAR OS PECADOS ATRAVÉS DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA?

Sim, a Igreja tem esta autoridade porque a recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mt 18,18).  

4. POR QUE ME CONFESSAR E PEDIR O PERDÃO PARA UM HOMEM IGUAL A MIM?  

Só Deus perdoa os pecados. O Padre, mesmo sendo um homem sujeito às fraquezas como outros homens, está ali em nome de Deus e da Igreja para absolver os pecados. Ele é o ministro do perdão, isto é, o intermediário ou instrumento do perdão de Deus, como os pais são instrumentos de Deus para transmitir a vida a seus filhos; e como o médico é um instrumento para restituir a saúde física, etc.  

5. OS PADRES E BISPOS TAMBÉM SE CONFESSAM?  

Sim, obedientes aos ensinamentos de Cristo e da Igreja, todos os Padres, Bispos e mesmo o Papa se confessam com frequência, conforme o mandamento: “Confessai os vossos pecados uns aos outros” (Tg 5,16 ).   

6. O QUE É NECESSÁRIO PARA FAZER UMA BOA CONFISSÃO?

Para se fazer uma boa confissão são necessárias 5 condições:

a) um bom e honesto exame de consciência diante de Deus;

b) arrependimento sincero por ter ofendido a Deus e ao próximo;

c) firme propósito diante de Deus de não pecar mais, mudar de vida, se converter;

d) confissão objetiva e clara a um sacerdote;

e) cumprir a penitência que o padre nos indicar. 

7. COMO DEVE SER A CONFISSÃO?

Diga o tempo transcorrido desde a última confissão. Acuse (diga) seus pecados com clareza, primeiro os mais graves, depois os mais leves. Fale resumidamente, mas sem omitir o necessário. Devemos confessar os nossos pecados e não os dos outros. Porém, se participamos ou facilitamos de alguma forma o pecado alheio, também cometemos um pecado e devemos confessá-lo (por exemplo, se aconselhamos ou facilitamos alguém a praticar um aborto, somos tão culpados como quem cometeu o aborto).  

8. O QUE PENSAR DA CONFISSÃO FEITA SEM ARREPENDIMENTO OU SEM PROPÓSITO DE CONVERSÃO, OU SEJA, SÓ PARA “DESCARREGAR” UM POUCO OS PECADOS?

Além de ser uma confissão totalmente sem valor, é uma grave ofensa à Misericórdia Divina. Quem a pratica comete um pecado grave de sacrilégio. 

9. QUE PECADOS SOMOS OBRIGADOS A CONFESSAR?

Somos obrigados a confessar todos os pecados graves (mortais). Mas é aconselhável também confessar os pecados leves (veniais) para exercitar a virtude da humildade.   

10. O QUE SÃO PECADOS GRAVES (MORTAIS) E SUAS CONSEQUÊNCIAS?

São ofensas graves a Deus ou ao próximo. Eles apagam a caridade no coração do homem e o desviam de Deus. Quem morre em pecado grave (mortal) sem arrependimento, merece a morte eterna, conforme diz a Escritura: “Há pecado que leva à morte” (1Jo 5,16b). 

11. O QUE SÃO PECADOS LEVES (ou também chamados de VENIAIS)?

São ofensas leves a Deus e ao próximo. Embora ofendam a Deus, não destroem a amizade entre Ele e o homem. Quem morre em pecado leve não merece a morte eterna. “Toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte” (1Jo 5, 17). 

12. PODEIS DAR ALGUNS EXEMPLOS DE PECADOS GRAVES?

São pecados graves, por exemplo: O assassinato, o aborto provocado, assistir ou ler material pornográfico, destruir de forma grave e injusta a reputação do próximo, oprimir o pobre, o órfão ou a viúva, fazer mau uso do dinheiro público, o adultério, a fornicação, entre outros.   

13. QUER DIZER QUE TODO AQUELE QUE MORRE EM PECADO MORTAL ESTÁ CONDENADO?

Merece a condenação eterna. Porém, somente Deus, que é justo e misericordioso e que conhece o coração de cada pessoa, pode julgar. 

14. E SE TENHO DÚVIDAS SE COMETI PECADO GRAVE OU NÃO?

Para que haja pecado grave (mortal) é necessário:

a) conhecimento, ou seja, a pessoa deve saber, estar informada que o ato a ser praticado é pecado;

b) consentimento, ou seja, a pessoa tem tempo para refletir, e escolhe (consente) cometer o pecado;

c) liberdade, isto é, significa que somente comete pecado quem é livre para fazê-lo;

d) matéria, ou seja, significa que o ato a ser praticado é uma ofensa grave aos Mandamentos de Deus e da Igreja. 

Estas 4 condições também são aplicáveis aos pecados leves, com a diferença que neste caso a matéria é uma ofensa leve contra os Mandamentos de Deus. 

15. SE ESQUECI DE CONFESSAR UM PECADO QUE JULGO GRAVE?

Se esquecestes realmente, o Senhor te perdoou, mas é preciso acusá-lo ao sacerdote em uma próxima confissão. 

16. E SE NÃO SINTO REMORSO, COMETI PECADO?

Não sentir peso na consciência (remorso) não significa que não tenhamos pecado. Se nós cometemos livremente uma falta contra um Mandamento de Deus, de forma deliberada, nós cometemos um pecado. A falta de remorso pode ser um sinal de um coração duro, ou de uma consciência pouco educada para as coisas espirituais (por exemplo, um assassino pode não ter remorso por ter feito um crime, mas seu pecado é muito grave).   

17. A CONFISSÃO É OBRIGATÓRIA?

O católico deve confessar-se no mínimo uma vez por ano, ao menos a fim de se preparar para a Páscoa. Mas somos também obrigados toda vez que cometemos um pecado mortal. 

18. QUAIS OS FRUTOS DE SE CONFESSAR CONSTANTEMENTE?

Toda confissão apaga completamente nossos pecados, até mesmo aqueles que tenhamos esquecido. E nos dá a graça santificante, tornando-nos naquele instante uma pessoa santa. Tranquilidade de consciência, consolo espiritual. Aumenta nossos méritos diante do Criador. Diminui a influência do demônio em nossa vida. Faz criar gosto pelas coisas do alto. Exercita-nos na humildade e nos faz crescer em todas as virtudes. 

19. E SE TENHO DIFICULDADE PARA CONFESSAR UM DETERMINADO PECADO?

Se somos conhecidos de nosso pároco, devemos neste caso fazer a confissão com outro padre para nos sentirmos mais à vontade. Em todo caso, antes de se confessar converse com o sacerdote sobre a sua dificuldade. Ele usará de caridade para que a sua confissão seja válida sem lhe causar constrangimentos. Lembre-se: ele está no lugar de Jesus Cristo!

20. O QUE SIGNIFICA A PENITÊNCIA DADA NO FINAL DA CONFISSÃO?

A penitência proposta no fim da confissão não é um castigo; mas antes uma expressão de alegria pelo perdão celebrado.  

Padre Wagner Augusto Portugal

Publicado em PRESBÍTEROS – Um site de referência para o clero católico.

SEGUNDA-FEIRA, DIA DE DEVOÇÃO PARA COM AS ALMAS – POSSÍVEIS RAZÕES BÍBLICAS

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

 São Lucas 16,24

“QUEM NESTA VIDA

 MAIS SOCORRER AS ALMAS DO PURGATÓRIO,

 DEUS FARÁ COM QUE SEJA TAMBÉM SOCORRIDO POR OUTRO, 

QUANDO ESTIVER LÁ 

NO MEIO DAQUELAS CHAMAS”

SANTO AGOSTINHO


Não achei informações precisas do motivo pelo qual as segundas-feiras são destinadas às preces pelas almas presas no purgatório, mas é um costume antigo desde a era medieval, incorporado no Brasil até por religiões africanas, devido ao sincretismo religioso.

Procurando na Bíblia os motivos para a devoção tradicional de se rezar pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras, cheguei à seguinte conclusão:

A passagem bíblica, que nos fala do sacrifício pelos mortos, relata que Judas Macabeus encontrou objetos pagãos entre os mortos judeus num domingo e, em seguida, enviou uma doação para Jerusalém para que se fizesse sacrifício ( algo que não deve ter sido feito no mesmo dia, mas no dia seguinte, a segunda-feira). Vejamos o trecho bíblico:

II Macabeus (12, 38- 45):

38De­pois, reunindo Judas o seu exército, alcançou a cidade de Adulam e, che­gado o sétimo dia da semana (SÁBADO), puri­fi­ca­­ram-se segundo o costume e cele­braram ali o sábado. 39No dia se­guinte (DOMINGO), Judas e os seus com­pa­nhei­ros foram levantar os corpos dos mor­tos, para os depositar na sepul­tura, ao lado dos seus pais. 40En­tão, sob a túnica dos que ti­nham tom­bado, encontraram objec­tos con­sagrados aos ídolos de Jâmnia, proi­bidos aos judeus pela lei, e todos reconhece­ram que fora esta a causa da sua morte. 41Bendisseram, pois, a mão do Se­nhor, justo juiz, que faz aparecer as coisas ocultas, 42e puse­ram-se em oração, para lhe implo­rar perdão com­pleto pelo pecado come­tido.

O nobre Judas convocou a multi­dão e exortava-a a evitar qual­quer trans­gressão, tendo diante dos olhos o mal que tinha sucedido aos que, pouco antes, tinham morrido por causa dos pecados. 43E mandou fa­zer uma co­leta, recolhendo cerca de duas mil dracmas, que enviou a Jeru­sa­lém, para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado (SACRIFÍCIO QUE DEVE TER SIDO FEITO NO DIA SEGUINTE- UMA SEGUNDA-FEIRA), agindo digna e santa­mente ao pensar na ressurreição; 44por­que, se não esperasse que os mor­tos ressus­citariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. 45E acre­di­tava que uma bela recom­pensa aguar­da os que morrem piedosa­mente. Era este um pensamento santo e pie­doso. Por isso pediu um sacrifício expia­tó­rio, para que os mor­­tos fossem livres das suas faltas.

Outra passagem bíblica que nos remete ao dia da Segunda-feira e sua relação com as almas, é que Deus fez os céus no segundo dia e nós imploramos que as almas possam entrar nele purificadas:

“E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.”

Gênesis 1,8

A INTERCESSÃO DE JÓ POR SUA FAMÍLIA

A Bíblia diz que Jó tinha sete filhos e três filhas e que cada filho fazia um banquete por vez, e chamava suas três irmãs. E no fim desses dias de baquete, Jó oferecia sacrifícios por seus filhos e filhas. 
Podemos concluir que o fim desse turno de dias equivalha a uma semana, retirando o sábado (dia de descanso dos judeus pela libertação do Egito), logo, o fim do turno de dias, equivaleria a uma segunda-feira.

“Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.”

 Jó 1,5

Do mesmo modo que Jó oferecia sacrifícios pelos seus familiares, para serem livres do pecado, devemos oferecer o sacrifício da Missa pelas almas para se purificarem.

Também podemos pensar que após a Ressurreição do Senhor, no Domingo, todas as almas que estavam no cativeiro (I Pedro 3,18-19) foram levadas ao céu (Ef 4,8), o que é um bom motivo para lembrar das almas do Purgatório na segunda. 

Que do mesmo jeito que na segunda-feira não havia uma alma justa no cativeiro, assim Jesus leve todas as do Purgatório para o céu:

“Por isso diz:Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro,e deu dons aos homens. “

Efésios 4,8

Rezemos por todas as almas, para que tenham sua purificação apressada, “sejam salvas passando pelo fogo” ( I Coríntios 3,15) eles que tiveram sua “casa terrestre desfeita, recebam de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5,1).

Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.

Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.

Oséias 6,1,2



Oração pelas almas do Purgatório.

        Ó DEUS de bondade e de Misericórdia, 
tende piedade das benditas almas dos fiéis, 
que estão sofrendo e que padecem no purgatório, 
aliviai as suas penas, 
dai-lhes, Senhor, o descanso Eterno, 
e Fazei nascer para elas a LUZ perpétua. 
Amém.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

Publicado em BREVIÁRIO.

Julho, mês do Preciosíssimo Sangue de Cristo

O mês de julho é dedicado à devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado pelo perdão dos nossos pecados. São João Batista apresentou Jesus ao mundo dizendo: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Sem o Sangue desse Cordeiro não há salvação.

São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus mediante “a aspersão do seu sangue” (1Pe 1, 2). “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo.” (1Pe 1,19).

O Papa Bento XIV (1740-1748) ordenou a Missa e o ofício em honra ao Sangue de Jesus, que foi estendida à Igreja Universal por decreto do Papa Pio IX (1846-1878). São Gaspar de Búfalo propagou fortemente essa devoção, tendo a aprovação da Santa Sé. Ele foi o fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue (CPPS), em 1815. São Gaspar nasceu, em Roma, aos 6 de janeiro de 1786.

O Papa São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Angelus Domini,  repetiu o que São João XXIII disse sobre o valor infinito do Sangue de Cristo, do qual “uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa”.

Valor infinito

O Sangue de Cristo representa a Sua vida humana e divina, de valor infinito, oferecida à Justiça Divina para o perdão dos pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares. “Isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt 26, 28).

Em cada Santa Missa, a Igreja renova, presentifica, atualiza e eterniza esse sacrifício expiatório pela redenção da humanidade. Em média, quatro vezes por segundo essa oferta divina sobe ao céu em todo o mundo, nas Missas.

O Catecismo da Igreja ensina que “nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrifício por todos” (n. 616); para isso, era preciso um sacrifício humano, mas de valor infinito. Só Deus poderia oferecer esse sacrifício; então, o Verbo Divino dignou-se a assumir a nossa natureza humana para oferecer a Deus um sacrifício de valor infinito. A majestade de Deus é infinita; e foi ofendida pelos pecados dos homens. Logo, só um sacrifício de valor infinito poderia restabelecer a paz entre a humanidade e Deus.

Assim, o Sangue do Senhor nos libertou do pecado, da morte eterna e da escravidão do demônio. São Paulo diz: “Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,9). Por Seu Sangue, Cristo nos reconciliou com Deus: “Por seu intermédio, reconciliou consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus” (Cl 1,20).

Com o Seu Sangue, Cristo nos resgatou, fez de nós um povo Seu: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20,29). “Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no santuário eterno, em virtude do Sangue de Jesus” (Hb 10,19).

“Cantavam um cântico novo, dizendo: ‘Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça’.” (Ap 5,9)

Remissão dos pecados

Hoje, esse Sangue redentor de Cristo está à nossa disposição de muitas maneiras. Em primeiro lugar, pela fé. Somos justificados por esse Sangue, ensina São Paulo: “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5, 8-9). “Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1,7).

Esse Sangue redentor está à nossa disposição também no sacramento da confissão. Pelo ministério da Igreja e dos sacerdotes, o Cristo nos perdoa dos pecados e lava a nossa alma com o Seu precioso Sangue. Infelizmente, muitos católicos ainda não entenderam a profundidade desse sacramento e fogem dele por falta de fé ou de humildade. O Sangue de Cristo perdoa os nossos pecados na confissão e cura as nossas enfermidades espirituais e psicológicas.

O Catecismo ensina que, pelo Sangue de Cristo, a Igreja pode perdoar qualquer pecado: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. Não existe ninguém, por mais culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero. Cristo, que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” (cf. n. 982).

Esse Sangue está presente na Eucaristia: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. “O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor ” (1 Cor 10,16-27).

“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,53-56).

É pelo Sangue de Cristo que os santos e os mártires deram testemunho de sua fé e chegaram ao céu: “Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14).“Estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloquente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte” (Ap 12, 11).

É pelo Sangue derramado que Ele venceu e se tornou Rei e Senhor: “Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus. Um nome está escrito sobre o seu manto: Rei dos reis e Senhor dos Senhores” (Ap 19,13-16).

Professor Felipe Aquino
Canção Nova 

Publicado em Diocese de São José dos Campos.

São Pedro e São Paulo Apóstolos (Memória – 29 de junho)

Estes santos são considerados “os cabeças dos apóstolos” por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

São Pedro, príncipe dos Apóstolos

Tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu o Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Um homem simples e impulsivo. Falou, muitas vezes, em nome dos Apóstolos e não hesitou em pedir a Jesus explicações e esclarecimentos sobre sua pregação.

Foi o primeiro a responder ao Mestre: “Senhor, para quem iremos? Somente tu tens palavras de vida eterna; nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus” (Jo 6,67-68), diante da pergunta que Cristo fez aos discípulos: “Também vocês querem ir embora?”.

Primeiro Papa da Igreja

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro Papa da Igreja. “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus”.

São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

Martírio

Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

São Paulo

Saulo era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

De perseguidor cristão à conversão 

Converteu-se à fé cristã, enquanto perseguia os cristãos, no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado:  “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Desde então, converteu-se e começou a pregar o Cristianismo, viajando pelo mundo, pregando o evangelho de Jesus Cristo e o mistério de sua paixão, morte e ressurreição.

Apóstolo das Gentes

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades.

De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos Gentios”.

A minha oração

“Senhor, hoje eu quero Te pedir por toda a Santa Igreja Católica. Que pela intercessão de São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, possamos ser sempre fiéis à fé e à doutrina que o próprio Cristo nos deixou. Amém!”

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

Publicado em Canção Nova ( Santo do Dia).

Hoje a Igreja celebra o Imaculado Coração de Maria

MEMÓRIA – 25.06.2022

REDAÇÃO CENTRAL, 25 jun. 22 / 05:00 am (ACI).- No dia após a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja celebra a festa do Imaculado Coração de Maria, a fim de mostrar que estes dois corações são inseparáveis e que Maria sempre leva a Jesus.

Esta celebração foi criada pelo papa Pio XII, em 1944, para que, por intercessão de Maria se obtenha “a paz entre as nações, liberdade para a Igreja, a conversão dos pecadores, amor à pureza e a prática da virtude”.

São João Paulo II declarou que esta festividade em honra à Mãe de Deus é obrigatória e não opcional. Ou seja, deve ser realizada em todo o mundo católico.

Durante as aparições da Virgem de Fátima aos três pastorinhos em 1917, Nossa Senhora disse a Lúcia: “Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”.

“A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu Trono”.

Em outra ocasião, disse-lhes: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: ‘Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria’”.

Muitos anos depois, quando Lúcia era uma postulante no Convento de Santa Doroteia, em Pontevedra (Espanha), a Virgem lhe apareceu com o menino Jesus e, mostrando-lhe o seu coração rodeado por espinhos, disse: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões”.

“Tu, ao menos, vê de me consolar e diz que, todos aqueles que durante cinco meses no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do rosário com o fim de me desagravar, eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas’”.

Publicado em ACI Digital.

O que é a Divina Providência?

O homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência

Certamente, você já ouviu falar que Deus sustenta e conduz toda a criação, realizando Sua vontade por meio da Divina Providência. Assim, para viver uma vida de santidade, é necessário confiar inteiramente nela. Mas muitos ainda têm dúvidas sobre o que ela é e como viver dela.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) define a Divina Providência como as disposições pelas quais Deus conduz a Sua criação em ordem a essa perfeição: “Deus guarda e governa, pela Sua providência, tudo quanto criou, atingindo com força, de um extremo ao outro, e dispondo tudo suavemente” (Sb 8,1), porque “tudo está nu e patente a seus olhos” (Hb 4,13), mesmo aquilo que “depende da futura ação livre das criaturas” (CIC 302).

Desta maneira, o Senhor criou o homem para a santidade e, por isso, Ele jamais o abandona; por isso o conduz, a cada instante, para uma perfeição última ainda a atingir pelos caminhos que só Ele conhece.

Por outro lado, mesmo conduzindo tudo, Ele jamais retira a liberdade do homem, uma vez que este não é marionete. “Em Deus, vivemos, movemos e existimos” (At 17,28). Ele está presente em todas as situações, mesmo nas ocorrências dolorosas e nos acontecimentos aparentemente sem sentido. Ele também escreve direito pelas linhas tortas da nossa vida; o que nos tira e o que nos dá, tudo constitui ocasiões e sinais da Sua vontade, afirma o Youcat (49).

Reconhecer, confiar nesta dependência total do Senhor é fonte de sabedoria e liberdade, de alegria e confiança (Sb 11,24-26). O próprio Jesus recomendou o abandono total à providência celeste, sendo Ele o próprio a testemunhar, com Sua vida, que o Senhor cuida de todas as coisas: “Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ‘Que havemos de beber?’ […] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,31-33).

Por que Deus não evita o mal?

Se Deus conduz todas as coisas, surge então o questionamento: Por que Ele não evita o mal?

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado,  o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal” (CIC 309).

Santo Tomás de Aquino afirmava: “Deus só permite o mal para fazer surgir dele algo melhor”. Ora, o mal no mundo é um mistério sombrio e doloroso, por isso tão incompreensível; mas temos a certeza de que o Senhor é cem por cento bom, Ele nunca é o autor de algo mau. Ele criou o mundo bom, embora ainda não aperfeiçoado.

Olhando para a história, é possível descobrir que o Senhor, em sua providência, tirou um bem das consequências de um mal (mesmo moral) causado pelas criaturas: “Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. […] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem […] e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45,8; 50,20).

“Do maior mal moral jamais praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem”. (CIC 314).

Confiar inteiramente na Divina Providência

O certo é que “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Santa Catarina de Sena afirmou: “Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem e não com nenhum outro fim”. São Tomás Morus, pouco antes do seu martírio, disse estas palavras: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom” (CIC 315).

Portanto, o homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência, pois esta é o meio pelo qual Ele conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas para o seu último fim, que é a santidade, mesmo sabendo que, muitas vezes, os caminhos da sua providência são desconhecidos. A resposta para aquele que deseja viver uma vida na vontade do Senhor é o abandono, pois esta é a ordem de Deus: “Lançai sobre o Senhor toda a vossa inquietação, porque Ele vela por vós” (1 Pe 5,7).

Ricardo Gaiotti
Advogado, Juiz Eclesiástico e Mestre em Direito Canônico pela Universidade de Salamanca (Espanha) e Mestre em Direito Civil pela PUC-SP

Fonte: Canção Nova.

Publicado em Arca da Aliança – Comunidade Católica.

Uma visão e um milagre: a origem de “Corpus Christi”

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI – 16.06.2022

Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída uma festa litúrgica em honra de seu Santíssimo Corpo e de seu Preciosíssimo Sangue.

A solenidade de Corpus Christi, que os católicos celebramos todos os anos na primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes, não existiu na Igreja desde sempre. O marco de sua instituição é a bula Transiturus de hoc mundo, do Papa Urbano IV, publicada a 11 de agosto de 1264, e que pode ser lida com grande interesse no site do Vaticano.

Mais notável que esse decreto do Papa, no entanto, são seus antecedentes espirituais. A literatura normalmente aponta dois eventos principais que culminaram com a instituição da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo:

  1. uma visão de Santa Juliana de Liège, religiosa agostiniana belga, e
  2. um milagre eucarístico ocorrido na cidade de Bolsena, na Itália.

As ligações não são fruto de especulação histórica. O Papa que instituiu Corpus Christi conheceu pessoalmente ambos os acontecimentos. Daí a importância de os repassarmos, para entendermos qual o sentido da festa que ora celebramos e, ao mesmo tempo, colhermos disso abundantes frutos espirituais.

Primeiramente, Santa Juliana. O que viu essa mística para ensejar a instituição de uma festa litúrgica para a Igreja universal? O Papa Bento XVI, em uma catequese sobre essa santa, explica:

Com a idade de 16 anos [n.d.t.: por volta de 1209, portanto, ela] teve uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. […]

Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi conquistado […] Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liège. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal […]. [1]

O chamado “Milagre de Bolsena-Orvieto”, por sua vez, foi realizado por Deus com um sentido bem particular: firmar a fé vacilante de um sacerdote.

Detalhe de “A Missa em Bolsena”, por Rafael.

Em 1263 — um ano antes, portanto, da instituição de Corpus Christi —, um padre alemão, chamado Pedro de Praga, parou na cidade de Bolsena depois de uma peregrinação à Cidade Eterna. A crônica geralmente o descreve como um padre piedoso, mas que tinha dificuldades para acreditar que Cristo estivesse realmente presente na Hóstia consagrada. Eis então o que lhe aconteceu:

Enquanto celebrava a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina, mal havia ele pronunciado as palavras da consagração, quando sangue começou a escorrer da Hóstia consagrada, gotejando em suas mãos e descendo sobre o altar e o corporal. O padre ficou imediatamente perplexo. A princípio, ele tentou esconder o sangue, mas então interrompeu a Missa e pediu para ser levado à cidade vizinha de Orvieto, onde o Papa Urbano IV então residia.

O Papa ouviu o relato do padre e o absolveu. Mandou então emissários para uma investigação imediata. Quando todos os fatos foram confirmados, ele ordenou ao bispo da diocese que trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho contendo as manchas de sangue. Juntamente com arcebispos, cardeais e outros dignatários da Igreja, o Papa realizou uma procissão e, com grande pompa, introduziu as relíquias na catedral. O corporal de linho contendo as marcas de sangue ainda está reverentemente conservado e exposto na Catedral de Orvieto. [2]

Como se sabe, depois disso, o Papa pediu a ninguém menos que Santo Tomás de Aquino para compor os textos litúrgicos referentes a Corpus Christi, de cuja pena nasceram os mais belos hinos já escritos ao Santíssimo Sacramento, e que todos cantamos ainda hoje.

Mas o que tudo isso tem a ver conosco?

Em primeiro lugar, lembremo-nos dos três fins com que Jesus pediu essa festa a Santa Juliana: “aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Todos atualíssimos. Pois  católica no sacramento da Eucaristia parece perder-se cada vez mais. Como consequência disso, multiplicam-se as profanações e os sacrilégios. O que deveria ser, então, alimento para fortalecer as almas, transforma-se em causa de sua própria condenação, para usar as palavras de São Paulo (cf. 1Cor 11, 29); e as pessoas, ao invés de melhorar, de crescer nas virtudes, só vão de mal a pior.

Por tudo isso, Corpus Christi é um dia de reparação. Reparação pela falta de fé generalizada em que se encontram nossos católicos, participando da Missa de qualquer modo e recebendo a Comunhão como se fosse um pedacinho qualquer de pão. Reparação porque, apesar de tantos milagres eucarísticos, como o de Bolsena, em que Deus parece gritar aos nossos ouvidos a verdade de sua presença real na Eucaristia, nós, ingratos, teimamos em não crer, não adorar, não esperar e não O amar. Reparação porque, a um Deus que deseja ardentemente se unir a nós, a nossa resposta tantas vezes é a frouxidão, a frieza, a indiferença.

“Corpus Christi” é uma festa “para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”.

Reparemos, portanto, o Coração Eucarístico de Nosso Senhor, mas com um coração alegre e agradecido de nossa parte, porque é Ele mesmo quem nos torna possível essa graça. Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída a solenidade que hoje comemoramos, a festa litúrgica que faltava à “vida da Igreja na terra”.

E não nos espantemos que tenha demorado tanto tempo — 1200 anos! — para que os fiéis católicos começássemos a celebrá-la. A cada nova geração de cristãos, Deus suscita coisas novas em sua Igreja. Do mesmo modo, a cada Santa Missa de que participamos, Ele quer fazer coisas novas em nossa alma. Estejamos sempre atentos!

Referências

  1. Papa Bento XVI, Audiência Geral (17 de novembro de 2010).
  2. Joan Carroll Cruz, Eucharistic Miracles, Charlotte: Tan Books, 2010, p. 64 (tradução e adaptação nossa).

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR

At 1,1-11
Sl 46
Ef 1,17-23
Mt 28,16-20

Estamos ainda nos dias pascais, nas alegrias da Ressurreição do Senhor. A Solenidade que hoje celebramos – a Ascensão – e aquela do Domingo próximo – Pentecostes – são ainda partes, aspectos do único e maravilhoso Mistério da Páscoa: Ressurreição, Subida aos Céus e dom do Espírito são três aspectos do mesmo mistério! Celebramo-lo num arco de cinquenta dias porque, enquanto o Senhor Jesus deixou este nosso tempo, feito de ontens, de hojes e de amanhãs, nós continuamos presos às horas, dias, meses e anos deste mundo… Quanto ao Cristo Senhor, desde a morte saiu do nosso tempo e, com Sua Ressurreição, entrou na Eternidade de Deus, no Santuário celeste, onde não já tempo algum, mas somente perene Eternidade!

Eis: Jesus ressuscita no Pai; não ressuscita para depois ir ao Seu Deus e Pai! Ressuscitar é, precisamente, sair da morte, entrando na Vida divina e imortal, que é o Pai. Isso aparece claro em alguns textos dos próprios evangelhos. Em Lc 24,44, Jesus ressuscitado, conversando com Seus apóstolos e sendo tocado por eles, diz claramente que com eles não está mais: “São estas as palavras que Eu vos falei quando estava convosco…” No próprio Evangelho deste hoje, o Senhor, aparecendo aos Seus sobre o monte, dá a entender que já está nos Céus: “Toda autoridade Me foi dada no Céu e na terra!” Vede: Ele já recebeu tal autoridade! Ele, durante quarenta dias apareceu aos Seus, mas já não está fisicamente entre os Seus! Seu novo modo de permanecer conosco é na potência do Seu Espírito Santo, também fruto da Sua Ressurreição e entrada no Pai…

Se é assim, qual o sentido desta Solene Ascensão do Senhor? Eis o seu significado, tão importante para nós e para a nossa salvação: ressuscitado, Jesus foi glorificado na Sua Pessoa, isto é, em Si mesmo. Agora, com a Ascensão, aparece o que Sua Ressurreição significa para nós, o que o Cristo Se torna em relação a nós. Vejamos:

Em primeiro lugar, a Ascensão marca o fim daquele período de encontros que o Ressuscitado teve com Seus discípulos para fortalecer-lhes a fé explicar-lhes a missão. É, portanto, uma despedida! Como já foi dito, a partir desse momento o Senhor estará com os Seus e poderá ser por eles percebido de uma forma nova: na potência do Seu Espírito Santo, presente na força da Palavra anunciada e nos sacramentos da Igreja. É assim, que a Ascensão abre caminho para o Pentecostes, quando o Espírito, de um modo visível e barulhento, marca a inauguração da missão da Igreja, que é testemunhar e anunciar o Senhor, tornando-o presente nos gestos sacramentais.

Segundo: a Ascensão nos revela aquilo que aconteceu nos Céus com o Cristo Jesus e que, na terra, somente pela fé podemos saber e crer, isto é, Sua glorificação como Senhor do Céu e da terra, Senhor da história humana e da Igreja. Ele ressuscitou e subiu aos Céus para tudo recapitular e de tudo ser a Cabeça, fonte de Vida e salvação! São Paulo nos disse na segunda leitura que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a Quem pertence a glória ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e fê-Lo sentar-se à Sua direita nos Céus. Ele pôs tudo sob os Seus pés e fez Dele, que está acima de tudo, Cabeça da Igreja, que é o Seu Corpo…” É assim que hoje, cheios de alegria, proclamamos Jesus ressuscitado como Cabeça de toda a criação, Cabeça da humanidade toda, Cabeça e sentido da história humana. E tudo isso Ele o é enquanto Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo! Isso significa que toda a criação caminha para Ele e Nele será um dia glorificada; que toda história somente Nele encontra a direção e o sentido profundo; e que a Igreja participa da Sua obra universal de salvação! Se toda salvação neste mundo somente pode vir através de Cristo, vem desse Cristo que é, inseparavelmente, Cabeça da Igreja. Assim, podemos e devemos dizer que sem o ministério da Igreja não há salvação possível! Isso mesmo: fora da Igreja não há salvação, porque ela é o Corpo do Cristo, sua Cabeça e único Salvador. Em outras palavras: todo ser humano de boa vontade e consciência reta pode salvar-se, mas pode-o somente porque Cristo, Cabeça da Igreja, morreu e ressuscitou e está à Direita do Pai em favor de toda a humanidade, até de quem não crê Nele!

Em terceiro lugar, glorificado, o Senhor é nosso Juiz! Para Ele caminham a história humana e as nossas histórias. Somente Ele pode ver nosso caminho neste mundo com seu sentido profundo, somente Ele nos julgará, porque, à Direita do Pai, somente Ele abarca toda a história com o Seu Espírito e desvela seu sentido pleno.

Quarto: desaparecendo de nossa vista humana, Ele nos dá o Seu Espírito, inaugurando um novo modo de estar presente entre nós, mais profundo e eficaz: agora Ele nos é interior, age em nós pela energia do Seu Espírito Santo: “Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo!” – Essa promessa não é palavra vazia; é, sim, uma impressionante realidade!

Em quinto lugar, Sua presença na Glória, à Direita do Pai, o constitui para sempre como nosso Intercessor, como diz o Autor da Epístola aos Hebreus: “Cristo entrou no próprio Céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor!” (9,24)

Caríssimos, a hodierna Solenidade é também nossa festa e motivo de alegria para nós! Aquele que hoje sentou-Se à Direita do Pai é o Filho eterno feito homem, é um de nós! Que coisa impressionante: hoje, a nossa humanidade foi colocada acima dos Anjos! Aquele que, como Deus, foi colocado no Presépio e no Sepulcro, hoje, como homem, foi colocado acima dos anjos, à Direita do próprio Pai! Ora, alegremo-nos: onde já está o Cristo, nossa Cabeça, estaremos um dia todos nós, membros do Seu Corpo! Era isso que rezava a oração inicial da Missa de hoje: “Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é a nossa vitória: membros do Seu Corpo, somos chamados a participar da Sua Glória!” E a oração que faremos após a comunhão dirá claramente que junto do Pai já se encontra a nossa humanidade, no Cristo glorificado.

Irmãos e irmãs! Elevemos o olhar para os Céus: à Direita do Pai, Deus como o Pai, encontra-Se o homem Jesus, nosso irmão, um de nossa raça… Ele é o objetivo para o qual se dirigem a nossa existência e a história humana, Ele é o nosso Juiz, Ele é o nosso Intercessor! Que nossa vida, neste mundo que passa, seja cheia do gosto da Eternidade, porque Nele, nossa esperança é certíssima! Não temamos: Aquele que está nos Céus Se nos dá em comunhão para que o experimentemos, O anunciemos e O testemunhemos, até sermos plenamente unidos a Ele quando aparecer em Sua Glória e entregar o Reino a Deus Seu Pai. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; Ele o será por toda a Eternidade” (Hb 13,8). Amém.

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares

Publicado em Visão Cristã.

Como lidar com o sofrimento?

O mundo em que vivemos é como um Titanic a afundar-se. Os que não têm fé, agarrados aos destroços da embarcação, sofrem não só por causa do naufrágio, mas também de desespero. Quem crê, no entanto, mantém-se firme na esperança, sem perder de vista que o nosso único porto seguro está para além da terra e do mar: está no Céu. Mas como sofrer com esperança, sem cair no desespero? De que modo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo pode iluminar as batalhas e os desafios que enfrentamos nesta vida? (Padre Paulo Ricardo – Resposta Católica)

São Josemaría Escrivá: A esperança cristã

Cap 13

205

Há já bastantes anos, com a força de uma convicção que crescia de dia para dia, escrevi: Espera tudo de Jesus; tu nada tens, nada vales, nada podes. Ele agirá, se nEle te abandonares. Passou o tempo, e essa minha convicção tornou-se ainda mais vigorosa, mais funda. Tenho visto, em muitas vidas, que a esperança em Deus acende maravilhosas fogueiras de amor, com um fogo que mantém palpitante o coração, sem desânimos, sem decaimentos, embora ao longo do caminho se sofra, e às vezes se sofra deveras.

Enquanto lia o texto da Epístola da Missa, eu me comovia, e imagino que convosco se deu outro tanto. Compreendia que Deus nos ajuda, com as palavras do Apóstolo, a contemplar o travejamento divino das três virtudes teologais, que compõem a armação em que se tece a autêntica existência do homem cristão, da mulher cristã.

Escutemos de novo São Paulo: Justificados, pois, pela fé, conservemos a paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele temos acesso em virtude da fé a esta graça, na qual permanecemos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória dos filhos de Deus. E não nos gloriamos só nisso, mas também nos gloriamos nas tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência a prova, e a prova a esperança. E a esperança não ilude, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo.

206

Aqui, na presença de Deus que nos preside do Sacrário – como fortalece esta proximidade real de Jesus! -, vamos meditar hoje sobre esse suave dom de Deus, a esperança, que nos cumula a alma de alegria, spe gaudentes, cheios de júbilo, porque – se formos fiéis – espera-nos o Amor infinito.

Não esqueçamos nunca que, para quem quer que seja – para cada um de nós, portanto -, só há dois modos de estar na terra: ou se vive vida divina, lutando por agradar a Deus; ou se vive vida animal, mais ou menos humanamente ilustrada, quando se prescinde dEle. Nunca concedi grande peso a esses santões que fazem alarde de não terem fé: amo-os de verdade, como a todos os homens, meus irmãos; admiro-lhes a boa vontade, que sob determinados aspectos pode mostrar-se heróica; mas sinto pena deles, porque têm a enorme desgraça de lhes faltar a luz e o calor de Deus, e a alegria inefável da esperança teologal.

Um cristão sincero, coerente com a sua fé, não atua senão com os olhos postos em Deus, com sentido sobrenatural; trabalha neste mundo, que ama apaixonadamente, metido nas preocupações da terra, mas com o olhar fito no Céu. É São Paulo que no-lo confirma: Quae sursum sunt quaerite; buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Saboreai as coisas lá de cima, e não as da terra. Porque estais mortos – para o que é mundano, pelo Batismo -, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

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Anda na boca de muitos, com monótona cadência, oritornello já tão surrado de que a esperança é a última que morre; como se a esperança fosse uma muleta para se continuar perambulando sem complicações, sem inquietações de consciência; ou como se fosse um expediente que permitisse adiar sine die a oportunidade de retificar a conduta, a luta por atingir metas nobres e, sobretudo, o fim supremo da união com Deus.

Eu diria que esse é o caminho para confundir a esperança com o comodismo. No fundo, não se está ansioso por conseguir um verdadeiro bem, nem espiritual nem material legítimo; a pretensão mais alta de alguns se reduz, assim, a furtar-se ao que possa alterar a tranqüilidade – aparente – de uma existência medíocre. Com uma alma tímida, encolhida, preguiçosa, a criatura enche-se de egoísmos sutis e conforma-se com que os dias, os anos, transcorram sine spe nec metu, sem esperança nem medo, sem aspirações que exijam esforços, sem os sobressaltos da peleja: o que interessa é evitar o risco do desaire e das lágrimas. Que longe se está de obter alguma coisa, se malogrou o desejo de possuí-la, por medo às exigências que a sua conquista implica!

Também não falta a atitude superficial daqueles que – até com visos de afetada cultura ou de ciência – compõem com a esperança poesia fácil. Incapazes de enfrentar sinceramente o seu íntimo e de se decidirem pelo bem, limitam a esperança a um anseio, a um sonho utópico, ao simples consolo para as aflições de uma vida difícil. A esperança – falsa esperança! – converte-se para esses numa frívola veleidade que não conduz a nada.

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Mas, se abundam os medrosos e os frívolos, há nesta nossa terra muitos homens retos que, impelidos por um ideal nobre – embora sem motivo sobrenatural, por filantropia -, arrostam toda a espécie de privações e se gastam generosamente a servir os outros, a ajudá-los em seus sofrimentos ou em suas dificuldades. Sempre me sinto inclinado a respeitar e mesmo a admirar a tenacidade de quem trabalha decididamente por um ideal limpo. No entanto, considero obrigação minha recordar que tudo o que empreendemos aqui, se é iniciativa exclusivamente nossa, nasce com o selo da caducidade. Meditemos as palavras da Escritura:Quando me pus a considerar todas as obras de minhas mãos e o trabalho a que me tinha dado para fazê-lasvi que tudo é vaidade e vento que passa; não há nada de proveitoso debaixo do sol.

Esta precariedade não sufoca a esperança. Pelo contrário, quando reconhecemos a pequenez e a contingência das iniciativas terrenas, o nosso trabalho abre-se à autêntica esperança, que alevanta todos os afazeres humanos e os converte em pontos de encontro com Deus. Ilumina-se assim essa tarefa com uma luz perene, que afasta as trevas das desilusões. Mas, se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Talvez na vida dos homens não haja nada de mais trágico que os enganos que sofrem pela corrupção ou pela falsificação da esperança, apresentada numa perspectiva que não tem por objeto o Amor que sacia sem saciar.

A mim, e desejo que o mesmo aconteça a todos vós, a certeza de me sentir – de me saber – filho de Deus cumula-me de verdadeira esperança, uma esperança que, por ser virtude sobrenatural, ao ser infundida nas criaturas, se amolda à nossa natureza e é também virtude muito humana.

Vivo feliz com a certeza do Céu que havemos de alcançar, se permanecermos fiéis até o fim; com a ventura que nos chegará quoniam bonus, porque o meu Deus é bom e é infinita a sua misericórdia. Esta convicção incita-me a compreender que só as coisas marcadas com o timbre de Deus revelam o sinal indelével da eternidade; e o seu valor é imperecível. Por isso, a esperança não me separa das coisas desta terra, antes me aproxima dessas realidades de um modo novo, cristão, que se esforça por descobrir em tudo a relação da natureza, decaída, com Deus Criador e com Deus Redentor.

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Talvez mais de um pergunte: Nós, os cristãos, em que devemos esperar? Porque o mundo nos oferece muitos bens, apetecíveis para este nosso coração, que reclama felicidade e busca ansiosamente o amor. Além disso, queremos semear a paz e a alegria a mãos cheias, não ficamos satisfeitos com a consecução de uma prosperidade pessoal e procuramos que estejam contentes todos os que nos rodeiam.

Infelizmente, alguns, com uma visão digna mas sem relevo, com ideais exclusivamente caducos e fugazes, esquecem que os anelos do cristão devem orientar-se para cumes mais elevados: infinitos. O que nos interessa é o próprio Amor de Deus, que gozemos dele plenamente, com um gozo sem fim. Temos verificado de muitas maneiras que as coisas cá de baixo hão de passar para todos: quando este mundo acabar; e mesmo antes, para cada um, com a morte, porque nem as riquezas nem as honrarias nos acompanham ao sepulcro. Por isso, com as asas da esperança, que anima o nosso coração a elevar-se até Deus, aprendemos a rezar assim: In te Domine speravi, non confundar in aeternum, espero em ti, Senhor, para que me dirijas com as tuas mãos, agora e a todo o instante, pelos séculos dos séculos.

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Não nos criou o Senhor para construirmos aqui uma Cidade definitiva, porque este mundo é caminho para o outro, que é morada sem pesar. No entanto, os filhos de Deus não devem desinteressar-se das atividades terrenas, em que Deus os coloca para santificá-las, para impregná-las da nossa fé bendita, a única que traz verdadeira paz, alegria autêntica às almas e aos diversos ambientes. Esta tem sido a minha pregação constante desde 1928: urge cristianizar a sociedade; levar a todos os estratos desta nossa humanidade o sentido sobrenatural, de modo que todos nos empenhemos em elevar à ordem da graça os afazeres diários, a profissão ou o ofício. Desta forma, todas as ocupações humanas se iluminam com uma esperança nova, que transcende o tempo e a caducidade do que é mundano.

Pelo Batismo, somos portadores da palavra de Cristo, que tranquiliza, que inflama e aquieta as consciências feridas. E para que o Senhor atue em nós, temos que dizer-lhe que estamos dispostos a lutar todos os dias, embora nos vejamos frouxos e inúteis, embora percebamos o peso imenso das nossas misérias e da nossa pobre fraqueza pessoal. Temos de repetir-lhe que confiamos nEle, na sua assistência: se for preciso, como Abraão, contra toda a esperança. Assim trabalharemos com redobrado empenho e ensinaremos os homens a comportar-se com serenidade, livres de ódios, de receios, de ignorâncias, de incompreensões, de pessimismos, porque Deus tudo pode.

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Onde quer que nos encontremos, o Senhor nos exorta: Vigiai! Perante esse pedido de Deus, alimentemos na consciência os desejos esperançados de santidade, com obras. Meu filho, dá-me o teu coração, sugere-nos Ele ao ouvido. Deixa de construir castelos com a fantasia, decide-te a abrir a tua alma a Deus, pois só no Senhor acharás fundamento real para a tua esperança e para fazeres o bem aos outros. Quando uma pessoa não luta consigo mesma, quando não se rechaçam terminantemente os inimigos que estão dentro da cidadela interior – o orgulho, a inveja, a concupiscência da carne e dos olhos, a auto-suficiência, a tresloucada avidez de libertinagem -, quando não existe peleja interior, crestam-se os mais nobres ideais como a flor dos campos, porque, em despontando o sol ardente, seca-se a erva, cai a flor e acaba-lhe a vistosa formosura. Depois brotarão pela menor fenda o desalento e a tristeza, como planta daninha e invasora.

Jesus não se conforma com um assentimento titubeante. Pretende, tem direito a que caminhemos com inteireza, sem concessões perante as dificuldades. Exige passos firmes, concretos, pois, ordinariamente, os propósitos gerais de pouco servem. Esses propósitos tão pouco delineados parecem-me ilusões falazes que tentam silenciar os chamados divinos percebidos pelo coração; fogos fátuos, que não queimam nem dão calor, e que desaparecem com a mesma fugacidade com que surgiram.

Por isso, ficarei convencido de que as tuas intenções de atingir a meta são sinceras, se te vir caminhar com determinação. Pratica o bem, revendo as tuas atitudes habituais nas ocupações de cada instante; pratica a justiça, precisamente nos meios que frequentas, ainda que te sintas vergado pela fadiga; fomenta a felicidade dos que te rodeiam, servindo os outros com alegria no lugar do teu trabalho, com esforço para terminá-lo com a maior perfeição possível, com a tua compreensão, com o teu sorriso, com a tua conduta cristã. E tudo por Deus, com o pensamento na sua glória, com o olhar alto, anelando pela Pátria definitiva, que somente essa finalidade vale a pena.

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Se não lutas, não me digas que estás tentando identificar-te mais com Cristo, conhecê-lo, amá-lo. Quando empreendemos o caminho real do seguimento de Cristo, da conduta de filhos de Deus, não nos passa despercebido o que nos espera: a Santa Cruz, que devemos contemplar como o ponto central onde se apóia a nossa esperança de nos unirmos ao Senhor.

Posso antecipar-te que este programa não é empreendimento cômodo; que viver da maneira que o Senhor nos indica pressupõe esforço. Leio-vos a enumeração do Apóstolo, ao referir-se às peripécias e sofrimentos que passou para cumprir a vontade de Jesus: Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas; uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei; uma noite e um dia passei mergulhado no mar alto. Em viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos dos da minha nação, perigos dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Em trabalhos e fadigas, em repetidas vigílias, na fome e na sede, no frio e na nudez! E além destas coisas exteriores, pesam sobre mim os cuidados de cada dia e a solicitude por todas as igrejas.

Nestas conversas com o Senhor, gosto de me cingir à realidade em que nos movemos, sem inventar teorias nem sonhar com grandes renúncias, com heroicidades, que habitualmente não se dão. O que importa é aproveitarmos o tempo, que nos foge das mãos e que, com critério cristão, é mais do que ouro, porque representa uma antecipação da glória que nos será concedida mais tarde.

Como é lógico, na nossa jornada não toparemos com tais nem com tantas contradições como as que se entrecruzaram na vida de Saulo. Nós descobriremos a baixeza do nosso egoísmo, as garras da sensualidade, as chicotadas de um orgulho inútil e ridículo, e muitas outras claudicações: tantas, tantas fraquezas. Descoroçoar-se? Não. Repitamos ao Senhor com São Paulo: Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque, quando me vejo fraco, então é que sou forte.

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Às vezes, quando tudo nos sai ao contrário do que imaginávamos, vem-nos espontaneamente aos lábios: Senhor, tudo me vai para o fundo, tudo, tudo!… Chegou a hora de retificar: Eu, contigo, avançarei seguro, porque Tu és a própria fortaleza:quia tu es, Deus, fortitudo mea.

Eu te pedi que, no meio das ocupações, procurasses levantar os olhos ao Céu, perseverantemente, porque a esperança nos impele a agarrar-nos a essa mão forte que Deus nos estende sem cessar, a fim de não perdermos o “ponto de mira” sobrenatural, mesmo quando as paixões se levantam e nos acometem, para nos aferrolharem no reduto mesquinho do nosso eu, ou quando – com vaidade pueril – nos sentimos o centro do universo. Eu vivo persuadido de que, sem olhar para cima, sem Jesus, nunca conseguirei nada; e sei que a minha fortaleza, para me vencer e para vencer, nasce de repetir aquele grito: Tudo posso n’Aquele que me conforta, que encerra a promessa segura que Deus nos faz de não abandonar os seus filhos, se os seus filhos não o abandonam.

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Tanto se aproximou Deus das criaturas, que todos guardamos no coração fomes de altura, ânsias de subir muito alto, de fazer o bem. Se agora revolvo em ti estas aspirações, é porque quero que te convenças da segurança que Ele pôs na tua alma: se o deixas atuar, servirás – no lugar em que estás – como instrumento útil, com uma eficácia inimaginável. Para que não te afastes por covardia dessa confiança que Deus deposita em ti, evita a presunção de menosprezar ingenuamente as dificuldades que hão de aparecer no teu caminho de cristão.

Não nos podemos surpreender. Arrastamos dentro de nós – conseqüência da natureza decaída – um princípio de oposição, de resistência à graça: são as feridas do pecado de origem, exacerbadas pelos nossos pecados pessoais. Portanto, devemos empreender essas ascensões, essas tarefas divinas e humanas – as de cada dia, que sempre desembocam no Amor de Deus -, com humildade, de coração contrito, fiados na assistência divina e dedicando-lhes os nossos melhores esforços, como se tudo dependesse de nós.

Enquanto combatemos – um combate que há de durar até a morte -, não excluas a possibilidade de que se ergam, violentos, os inimigos de fora e de dentro. E, como se não bastasse esse lastro, hão de amontoar-se na tua mente, de quando em quando, os erros cometidos, talvez abundantes. Digo-te em nome de Deus: não desesperes. Quando isso suceder – aliás, não é forçoso que suceda, nem será o habitual -, converte essa ocasião em motivo para te unires mais ao Senhor; porque Ele, que te escolheu como filho, não te há de abandonar: permite a prova, sim, mas para que ames mais e descubras com mais clareza a sua contínua proteção, o seu Amor.

Insisto, tem coragem, porque Cristo, que nos perdoou na Cruz, continua a oferecer o seu perdão no sacramento da Penitência e sempre temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele mesmo é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo, para que alcancemos a Vitória.

Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se te afastas dEle por qualquer motivo, reage com a humildade de começar e recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, até mesmo repetidas vezes nas vinte e quatro horas do dia; de acertar o coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e te inunda de alegria e de força, para não desfaleceres no combate e para retornares sem cansaço a Deus, mesmo quando te pareça que tudo está às escuras. Além disso, a Mãe de Deus, que é também Mãe nossa, te protege com a sua solicitude maternal e te firma nos teus passos.

215

Previne a Escritura Santa que até o justo cai sete vezes. Sempre que li estas palavras, a minha alma estremeceu com uma forte sacudidela de amor e de dor. Com essa advertência divina, o Senhor vem uma vez mais ao nosso encontro, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca terminam. Estejamos certos de que Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece; e conta precisamente com essas fraquezas para que nos tornemos santos.

Uma sacudidela de Amor, dizia-vos. Olho para a minha vida e vejo sinceramente que não sou nada, que não valho nada, que não tenho nada, que não posso nada; mais ainda: que sou o nada! Mas Ele é tudo e, ao mesmo tempo, é meu, e eu sou dEle, porque não me rejeita, porque se entregou por mim. Onde contemplastes um amor tão grande?

E uma sacudidela de dor, pois revejo a minha conduta e me assombro com o cúmulo das minhas negligências. Basta-me examinar as poucas horas do dia de hoje, desde que me levantei, para descobrir tantas faltas de amor, de correspondência fiel. Tenho verdadeira pena deste meu comportamento, mas não me tira a paz. Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo a seguir, recebo a certeza da sua assistência e, no fundo do meu coração, ouço que Ele me repete devagar: Meus es tu!, tu és meu; Eu já sabia – e sei – como és: para a frente!

Não pode ser de outra maneira. Se nos pusermos continuamente na presença do Senhor, aumentará a nossa confiança, pois verificaremos que o seu Amor e o seu chamado permanecem atuais; Deus não se cansa de nos amar. A esperança mostra-nos que, sem Ele, não conseguimos realizar nem sequer o menor dos nossos deveres; e, com Ele, com a sua graça, as nossas feridas cicatrizam; revestimo-nos da sua fortaleza para resistir aos ataques do inimigo, e melhoramos. Em resumo: a consciência de estarmos feitos de barro de moringa deve servir-nos sobretudo para robustecermos a nossa esperança em Cristo Jesus.

216

Misturai-vos com freqüência entre as personagens do Novo Testamento. Saboreai as cenas comoventes em que o Mestre atua com gestos divinos e humanos ou relata com modos de dizer humanos e divinos a história sublime do perdão, do Amor ininterrupto que tem pelos seus filhos. Esses traslados do Céu renovam-se agora também, na perenidade atual do Evangelho: apalpa-se, nota-se, pode-se afirmar que se toca com as mãos a proteção divina; um amparo que ganha em vigor quando continuamos em frente apesar dos tropeços, quando começamos e recomeçamos, que isto é a vida interior, vivida com a esperança em Deus.

Sem este empenho por superar os obstáculos de dentro e de fora, não nos será concedido o prêmio.Nenhum atleta será coroado, se não lutar de verdade, e não seria autêntico o combate, se faltasse o adversário a quem combater. Portanto, se não há adversário, não haverá coroa; pois não pode haver vencedor onde não há vencido.

Longe de nos desalentarem, as contrariedades têm de ser acicate que nos faça crescer como cristãos: nessa luta, santificamo-nos, e a nossa atividade apostólica adquire maior eficácia. Ao meditarmos sobre os momentos em que Jesus Cristo – no Horto das Oliveiras e, mais tarde, no abandono e ludíbrio da Cruz – aceita e ama a Vontade do Pai, enquanto sente o peso gigantesco da Paixão, devemos persuadir-nos de que, para imitar Cristo, para sermos seus discípulos, precisamos abraçar o seu conselho: Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. É por isso que gosto de pedir a Jesus, para mim: Senhor, nenhum dia sem cruz! Assim, com a graça divina, reforçar-se-á o nosso caráter, e serviremos de apoio ao nosso Deus, a despeito das nossas misérias pessoais.

Tens de compreender: se, ao pregarmos um prego na parede, não encontramos resistência, o que é que poderemos pendurar ali? Se não nos robustecemos com o auxílio divino, por meio do sacrifício, não atingiremos a condição de instrumentos do Senhor. Pelo contrário, se nos decidimos a aproveitar com alegria as contrariedades, por amor de Deus, não nos custará exclamar, com os Apóstolos Tiago e João, diante das coisas difíceis e das desagradáveis, das duras e das incômodas:Podemos!

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Devo prevenir-vos acerca de uma cilada que Satanás – esse não tira férias! – não se dedigna de armar, para nos arrancar a paz. Acontece que podemos passar por momentos em que se insinue a dúvida, a tentação de pensar que estamos retrocedendo lamentavelmente, ou de que quase não avançamos; até ganha forças a convicção de que, não obstante o empenho por melhorar, pioramos.

Garanto-vos que, de ordinário, esse juízo pessimista reflete apenas uma ilusão, um engano que convém repelir. Costuma acontecer, nesses casos, que a alma se torna mais atenta, a consciência mais fina, o amor mais exigente; ou então, verifica-se que a ação da graça nos ilumina com mais intensidade, e saltam aos nossos olhos muitos pormenores que, na penumbra, passariam desapercebidos. Seja como for, temos de examinar atentamente essas inquietações, porque o Senhor, com a sua luz, nos pede mais humildade ou mais generosidade. Lembrai-vos de que a Providência nos conduz sem pausas, e não regateia o seu auxílio – com milagres portentosos e com milagres pequeninos – para levar avante os seus filhos.

Militia est vita hominis super terram, et sicut dies mercenarii, dies eius, a vida do homem sobre a terra é milícia e os seus dias transcorrem sob o peso do trabalho. Ninguém escapa a esse imperativo, nem mesmo os comodistas que relutam em reconhecê-lo: desertam das fileiras de Cristo e afadigam-se em outras contendas para satisfazerem a sua poltronaria, a sua vaidade, as suas ambições mesquinhas; andam escravos dos seus caprichos.

Se a situação de luta é inerente à criatura humana, procuremos cumprir as nossas obrigações com tenacidade, rezando e trabalhando com boa vontade, com intenção reta, com o olhar posto no que Deus quer. Assim se satisfarão as nossas ânsias de Amor e progrediremos rumo à santidade, embora ao terminar a jornada verifiquemos que ainda nos resta muita distância a percorrer.

Renovai todas as manhãs, com um serviam!decidido – Senhor, eu te servirei! -, o propósito de não ceder, de não cair na preguiça ou no desleixo, de enfrentar os afazeres com mais esperança, com mais otimismo, bem persuadidos de que, se formos vencidos em alguma escaramuça, poderemos superar esse baque com um ato de amor sincero.

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A virtude da esperança – a certeza de que Deus nos governa com a sua providente onipotência, de que nos dá os meios necessários – fala-nos dessa contínua bondade do Senhor para com os homens, para contigo, para comigo, sempre disposto a ouvir-nos, porque jamais se cansa de escutar. Interessam-lhe as tuas alegrias, os teus êxitos, o teu amor e também os teus apertos, a tua dor, os teus fracassos.

Por isso, não esperes n’Ele apenas quando tropeçares com a tua fraqueza; dirige-te ao teu Pai do Céu nas circunstâncias favoráveis e nas adversas, acolhendo-te à sua proteção misericordiosa. E a certeza da nossa nulidade pessoal – não se requer grande humildade para reconhecer esta realidade: somos uma autêntica multidão de zeros – converter-se-á numa fortaleza irresistível, porque à esquerda do nosso eu estará Cristo, e que cifra incomensurável não resulta!: O Senhor é a minha fortaleza e o meu refúgio; a quem temerei?

Acostumai-vos a ver Deus por trás de todas as coisas, a saber que Ele nos espera sempre, que nos contempla e reclama precisamente que o sigamos com lealdade, sem abandonar o lugar que nos cabe neste mundo. Devemos caminhar com vigilância afetuosa, com uma preocupação sincera de lutar, para não perdermos a sua divina companhia.

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Esta luta do filho de Deus não anda de mãos dadas com renúncias tristes, com resignações sombrias, com privações de alegria: é a reação do apaixonado que, enquanto trabalha e enquanto descansa, enquanto se rejubila e enquanto padece, põe o seu pensamento na pessoa amada e por ela enfrenta com todo o gosto os problemas mais diversos. Além disso, no nosso caso, como Deus – insisto – não perde batalhas, nós, com Ele, nos chamaremos vencedores. Tenho a experiência de que, se me ajusto fielmente às suas instâncias, Ele me conduz a verdes prados e me leva às águas refrescantes. Recreia a minha alma, pelos caminhos retos me conduz, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse um vale tenebroso, nada temerei, pois estás comigo. Teu bordão e teu cajado são o meu consolo.

Nas batalhas da alma, a estratégia é muitas vezes questão de tempo, de aplicar o remédio conveniente com paciência, com teimosia. Aumentai os atos de esperança. Quero lembrar-vos que, na vida interior, sofrereis derrotas, ou passareis por altos e baixos – Deus permita que sejam imperceptíveis -, porque ninguém está livre desses percalços. Mas o Senhor, que é onipotente e misericordioso, concedeu-nos os meios idôneos para vencer. Basta que os utilizemos, como dizia antes, com a resolução de começar e recomeçar a cada instante, se for preciso.

Recorrei semanalmente – e sempre que precisardes, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, passaremos através das montanhas e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando esses recursos, com boa vontade, suplicando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada vez maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está conosco, quem nos poderá derrotar?

Otimismo, portanto. Impelidos pela força da esperança, lutaremos por apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio, e redescobriremos o mundo numa perspectiva feliz, porque o mundo saiu belo e limpo das mãos de Deus, e é assim, com essa beleza, que o havemos de restituir a Ele, se aprendermos a arrepender-nos.

220

Cresçamos em esperança, que deste modo fortaleceremos a nossa fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e garantia das que não se possuem. Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia deveras no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Todos sabem por experiência, tanto como eu, que uma pessoa enamorada se entrega com toda a segurança, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações pulsam num mesmo querer. E o que será o Amor de Deus? Não sabemos que por cada um de nós morreu Cristo? Sim, por este nosso coração, pobre, pequeno, consumou-se o sacrifício redentor de Jesus.

O Senhor fala-nos freqüentemente do prêmio que nos conquistou com a sua Morte e com a sua Ressurreição. Vou preparar-vos um lugar. E quando eu me houver ido e vos tiver preparado o lugar, de novo voltarei e vos levarei comigo, para que onde eu estiver estejais vós também. O Céu é a meta da nossa senda terrena. Jesus Cristo precedeu-nos, e é lá que, em companhia de Nossa Senhora e de São José – a quem tanto venero -, dos Anjos e dos Santos, espera a nossa chegada.

Nunca faltaram os hereges – mesmo na época apostólica – que tentaram arrancar aos cristãos a esperança. Se de Cristo se prega que ressuscitou dos mortoscomo é que entre vós alguns dizem que não há ressurreição dos mortos? Se, porémnão existe ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã a vossa fé… A divindade do nosso caminho – Jesus, caminho, verdade e vida – é penhor seguro de que esse caminho acaba na felicidade eterna, se dEle não nos afastarmos.

221

Como será maravilhoso quando o nosso Pai nos disser: Servo bom e fiel, porque foste fiel nas pequenas coisas, eu te confiarei as grandes: entra na alegria do teu Senhor! Esperançados! Este é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de Fé, e de Esperança, e de Amor; e a Esperança nos torna poderosos. Lembrai-vos de São João: Eu vos escrevo, jovens, porque sois valentes, e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno. É o próprio Deus que nos apressa, para a eterna juventude da Igreja e da humanidade inteira. Podemos transformar em divino tudo o que é humano, assim como o rei Midas convertia em ouro tudo o que tocava!

Não o esqueçais nunca: depois da morte, há de receber-vos o Amor. E no Amor de Deus ireis encontrar, além disso, todos os amores limpos que houverdes tido na terra. O Senhor dispôs que passássemos esta breve jornada da nossa existência trabalhando e, como o seu Unigênito,fazendo o bem. Nesse meio tempo, devemos estar alerta, à escuta daqueles chamados que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: Vem para junto do Pai, vem ter com teu Pai, que te espera ansioso.

Peçamos a Santa Maria, Spes nostra, que nos inflame na aspiração santa de morarmos todos juntos na casa do Pai. Nada nos poderá preocupar, se decidirmos ancorar o coração no desejo da verdadeira Pátria: o Senhor nos conduzirá com a sua graça e levará a barca, com bom vento, a tão claras ribeiras.

Extraído de www.escrivaworks.org.br/book/4/_c13.

Publicado em gloria.tv.

Páscoa 2022

Que alegria podermos renovar a cada ano a celebração da PÁSCOA – a RESSURREIÇÃO de Nosso Senhor Jesus Cristo, que antecipa e garante a nossa Ressurreição. É por isso que a Igreja VIVE esta celebração com um longo tempo de preparação, que chamamos de Quaresma e Semana Santa.

Nos Atos dos Apóstolos encontramos a expressão: “Anunciamo-vos a Boa Nova: a promessa feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus” (At 13,32-33).

E ainda São Paulo, na carta aos Coríntios, escreve: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4).

É por isso que a maior festa que celebramos como cristãos católicos é a Festa da Páscoa. Nenhuma outra festa a sobrepuja. A Páscoa é a festa das festas. É a garantia definitiva de que toda Palavra de Deus, de que todas as promessas de Deus, haverão de se cumprir. O enviado do Pai, o Emanuel, o Deus conosco, o Servo de Javé, o Filho do Homem, viveu a nossa vida, sofreu o sofrimento injusto da condenação e da morte, mas “DEUS O RESSUSCITOU”. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o primogênito de toda a criatura.

Jesus ressuscitado é a garantia de nossa ressurreição e a CERTEZA DE NOSSA FÉ. O que cremos é verdadeiro e é garantido pela Palavra santa de Deus. O que cremos e afirmamos em nossa vida, com nossos lábios e com nossas obras é garantido pela presença do Espírito Santo que nos faz clamar: “o Ressuscitado Vive. Ele é Nosso Senhor. Ele é o Cristo de Deus”.

Foi na força da Páscoa que a Igreja ganhou a força necessária para o seu testemunho de Jesus em todos os tempos e em todas as latitudes da terra. Foi à luz da Páscoa de Jesus que os mártires entregaram suas vidas para confessar o nome de Jesus e garantirem a construção do Reino de Deus. Foi à luz da Páscoa que os confessores da fé levaram o evangelho aos mais diferentes povos e assim, a Igreja pôde se inculturar nas mais diversas culturas e experiências humanas. Foi na força da Páscoa que o Batismo, em nome de Jesus, foi constituindo homens e mulheres de fé, comunidades de discípulos missionários intrépidos no anúncio da Trindade Santa. Foi na alegria da Páscoa que a Igreja foi vivenciando a caridade, o amor, a educação, o cuidado com as pessoas e os povos, obedecendo ao mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo(…)” (Mc 16, 15).

A Páscoa é, pois, a realidade maior de nossa fé. São Paulo já confessava: “se Jesus não ressuscitou, vã é a nossa fé” (1Cor 15, 14). É na ressurreição de Jesus que se assenta a certeza de nossa ressurreição pessoal e a vitória da vida sobre a morte e todo o pecado. Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, fez a sua parte. Agora, iluminados pela ressurreição d’Ele  somos chamados a fazer a nossa parte. Que as palavras da Escritura ressoem em nós e que elas possam construir em nosso coração e em nossa alma a alegria inefável de dizer: FELIZ PÁSCOA.

Neste tempo e neste ano, peçamos a Deus, pela intercessão de sua Mãe e nossa, que possamos fazer crescer em nós a fé na Ressurreição da carne, para que por nossas atitudes e obras, possamos um dia gozar da vida plena com o Ressuscitado.

FELIZ PÁSCOA!

Anunciemos, especialmente, às crianças, aos adolescentes e aos jovens, nossos filhos e filhas, nossos amigos e amigas, que Jesus Vive, que Ele é a certeza de nossas vidas, que Nele encontramos a força para crer, viver, amar e servir. E continuemos a rezar e interceder junto a Deus pela PAZ no mundo sendo verdadeiros EDUCADORES da justiça e da paz. “Sinodalidamente” comprometamo-nos com a escuta e a participação dos irmãos e irmãs.

Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB

Bispo Diocesano de São José dos Campos

Publicado em Diocese de São José dos Campos (diocese.sjc.org.br).

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