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Archive for the ‘Transcendência e Crise’ Category

Nossa Senhora de La Salette – Memória – 19 de setembro: “Por que Nossa Senhora aparece chorando em La Salette? (Comunidade Católica Palavra Viva)

Hoje, 19 de setembro, é o dia da aparição de Nossa Senhora de La Salette, em 1846, na França. A aparição foi reconhecida pela Igreja Católica.

“O texto dos dois segredos foram ambos entregues ao Papa Pio IX em 18 de julho de 1851.

A 19 de Setembro de 1851, quinto aniversário da aparição, esta foi aprovada oficialmente em carta pastoral do bispo diocesano, sob o título “Nossa Senhora de La Salette”. (Wikipedia.org)

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Por que Nossa Senhora aparece chorando em La Salette?

 

 

Nossa Senhora apareceu em La Salette, no dia 19 de setembro de 1846, por causa de “duas coisas” principais, que estavam tornando pesado o braço de seu divino Filho. Ouçamos o que ela tem a revelar, entre lágrimas, a Mélanie, a Maximin e, através deles, a toda a humanidade:

Se meu povo não quer se submeter, sou forçada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão forte e pesada que não posso mais retê-la. Há quanto tempo sofro por vocês! Se quero que meu Filho não os abandone, sou obrigada a suplicá-lo incessantemente. E vocês nem se importam com isso. Por mais que rezem, por mais que façam, jamais poderão recompensar a aflição que tenho sofrido por vocês.

(1Dei-lhes seis dias para trabalhar, e reservei-me o sétimo, e não me querem concedê-lo. É o que faz pesar tanto o braço de meu Filho.

(2) Os carroceiros não sabem falar sem usar o Nome de meu Filho. São essas duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho. [1]

Nós, os orgulhosos e descrentes homens do século XXI, somos quase tentados a não acreditar que a santíssima Mãe de Deus tenha saído do Céu, da bem-aventurança eterna em que se encontra, contemplando a face de seu divino Filho, simplesmente para nos dizer: parem de pecar contra o segundo e o terceiro mandamentos! Ela tem mais uma mensagem a passar, sim, principalmente às autoridades civis e religiosas, mas a primeira coisa que ela pede, aos dois videntes de La Salette, é para as pessoas guardarem os domingos e não tomarem o santo nome de Deus em vão.

A nós parece pouco? Infelizes de nós, meus amigos, que não temos dimensão do que seja o pecado! Se eram infelizes os homens do século XIX, castigados que foram por desrespeitar esses dois mandamentos, muito mais infeliz é a nossa época, que já há muito tempo lançou fora as próprias tábuas dos Mandamentos; que já há muito tempo deixou de temer a Deus…

Nossa apostasia, no entanto, já era prevista pela Virgem de La Salette, noutra parte de sua mensagem. Esta, Nossa Senhora havia pedido expressamente a Mélanie que a guardasse em segredo, até 1858, e dizia o seguinte:

No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão libertados do inferno: eles abolirão a fé pouco a pouco e mesmo nas pessoas consagradas a Deus; eles vão cegá-las de tal maneira que, exceto por uma graça particular, essas pessoas serão tomadas pelo espírito desses anjos maus; muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.

Os maus livros abundarão sobre a terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo aquilo que se refere ao serviço de Deus […]. A verdadeira fé estará extinta e a falsa luz iluminará o mundo. […] Os governantes civis terão todos o mesmo objetivo, que será abolir e fazer desaparecer todo princípio religioso, para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios.

No ano de 1865, a abominação será vista nos lugares santos; nos conventos, as flores da Igreja apodrecerão e o demônio tornar-se-á como o rei dos corações. Que aqueles que estão à frente das comunidades religiosas tomem cuidado com as pessoas que devem acolher, porque o demônio usará de toda sua malícia para introduzir nas ordens religiosas pessoas entregues ao pecado, pois as desordens e o amor aos prazeres carnais serão espalhados por toda a terra. […] Todos pensarão apenas em se divertir; os maus vão se entregar a toda espécie de pecados; mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, crescerão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. […]

Tremei, ó terra, e vós que fazeis profissão de servir a Jesus Cristo e que, por dentro, adorais a vós mesmos, tremei; pois Deus vai entregar-vos a seu inimigo, porque os lugares santos estão na corrupção; muitos conventos não são mais casas de Deus, mas pastagens de Asmodeu e dos seus. […] Os homens estarão cada vez mais pervertidos [2].

Além da disseminação dos pecados carnais — também mencionados por Nossa Senhora em Fátima —, percebam que a principal profecia que se percebe ao longo de toda a mensagem de La Salette é a perda da fé: os demônios “abolirão a fé pouco a pouco”, “muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé”, “a verdadeira fé estará extinta” etc.; ao mesmo tempo, e na contramão dessa tendência, “os filhos da Santa Igreja” são chamados pela Virgem Santíssima “os filhos da fé”.

Disso se deduz que a fé é importantíssima, e nunca se insistirá o bastante nesse ponto. Muitas vezes pode parecer exagero ficar repetindo, mas a ideia é que, de tanto ouvir essa mesma coisa, as pessoas finalmente se dêem conta da necessidade de crer — e crer não em qualquer coisa, mas sim em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica. Esse é o começo de tudo. De nada adiantaria, por exemplo, pregar sobre os deveres do cristão, sobre a importância de ir à Missa aos domingos ou fazer abstinência às sextas-feiras, de batizar os próprios filhos e contribuir com o dízimo na paróquia, se as pessoas, de maneira generalizada, deixaram de ter fé em Jesus Cristo e no que ensina a Igreja que Ele mesmo fundou.

Se as pessoas continuam a levar suas vidas no pecado mortal, elas podem até pagar “o dízimo da hortelã, do endro e do cominho”, como faziam os fariseus, mas “os preceitos mais importantes da Lei” continuarão a ser negligenciados (cf. Mt 23, 23). Se as pessoas não acreditarem que precisam abandonar o pecado, procurar o sacramento da Confissão e se reconciliar com Deus, nossas igrejas continuarão a ser lugar de sacrilégio e profanação, onde as pessoas comem e bebem a própria condenação (cf. 1Cor 11, 29). Pior do que isso: se não acreditarem no que diz o Catecismo, ao invés de dar ouvidos às modas ou às ideologias do momento, elas sequer acharão que precisam de conversão.

é por isso que Nossa Senhora chora em La Salette. A mensagem que a santíssima Mãe de Deus veio nos trazer do Céu não é um tipo de “conscientização social”, dessas que se faz em uma propaganda banal de televisão; não é um recado “moralista”, de quem quer filhos “bem comportados” e seguindo à risca uma espécie de “manual de boas maneiras”. Não! Nossa Senhora apareceu em La Salette para chamar todos os seres humanos a um desafio radical, a uma mudança absoluta, que se chama conversão a Deus. Isso significa, em primeiro lugar, transformar completamente a nossa mentalidade, conformando-a à vontade divina, crendo naquilo que Deus revelou por meio de sua Igreja.

Por onde começar? A Virgem em La Salette só o que faz é repetir as palavras de Cristo ao jovem rico do Evangelho: “Se queres entrar na vida, observa os Mandamentos” (Mt 19, 17). Eis a nossa primeira vocação, eis o nosso primeiro desafio. Deus nos revelou que não devemos trabalhar no domingo, nem tomar seus santo nome em vão. Se nos parece pouco, se nos parece nadaserá que Deus está errado ou somos nós, ao contrário, que temos pouca fé?

Deus nos revelou, e repetiu pela boca de Nossa Senhora, que precisamos rezar. Sem isso, não teremos forças para cumprir mandamento algum. As orações, “ah, meus filhos, é preciso fazê-las, à noite e pela manhã”, disse a Virgem aos videntes de La Salette. “Quando não puderem fazer melhor, rezem ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria; e quando tiverem mais tempo e puderem fazer melhor, rezem-nos por mais tempo” [3].

E nós, o que faremos? Trataremos o apelo da Virgem com indiferença? Ou nos deixaremos finalmente sacudir por suas lágrimas, saindo de nossa frieza e insensibilidade aos Mandamentos?

Nossa Senhora de La Salette chora por causa de nossos pecados; pior: chora por um século apóstata e sem fé, que até a noção de pecado já perdeu [4]. Se ela se revelou aos homens chorando, no entanto, é porque ainda há esperança, é porque Deus ainda busca a nossa conversão. Ouçamos a sua voz, despertemo-nos de nossa letargia e enxuguemos as lágrimas da Santíssima Virgem com uma vida de penitência e amor a Deus. Não pode haver nada que alegre mais o seu Sagrado Coração do que um pecador que se arrepende e volta para a casa do Pai (cf. Lc 15, 7).

Referências

  1. A Aparição da Santíssima Virgem na Montanha de La Salette em 19 de setembro de 1846. In: Léon Bloy, Aquela que chora — e outros textos sobre Nossa Senhora da Salette (trad. de Roberto Mallet), Campinas: Ecclesiae, 2016, pp. 149-150.
  2. Ibid., pp. 155-159.
  3. Ibid., p. 161.
  4. Cf. Papa Pio XII, Radiomensagem ao Congresso Eucarístico dos Estados Unidos, 26 de outubro de 1946.

Publicado em Comunidade Católica Palavra Viva.

Leia também:

Santo do Dia – 19 de Setembro – Nossa Senhora de La Salette (Templário de Maria)

O SEGREDO DE LA SALETTE – Texto completo em Português  (A Aparição de La Salette e suas Profecias)

173 anos depois: é a ressurreição de La Salette? (A Aparição de La Salette e suas Profecias) 

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Sexta-Feira da Paixão do Senhor (misericordia.org)

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Por meio da dor e do sofrimento, Cristo é elevado à Cruz para reconciliar o homem com Deus, consigo mesmo e com o universo. Ele se entrega confiantemente nas mãos de seu Pai e cumpre a vontade daquele que O enviou.

Na Sexta-feira Santa somos chamados a refletir sobre o acontecimento supremo do Amor de Deus pela humanidade: a morte de Cristo na cruz. Ele morreu na cruz por todas as pessoas. A cruz é o símbolo central deste dia e de toda a celebração desta Sexta-feira Santa¹.

Portanto, “neste dia em que ‘Cristo nossa Páscoa, foi imolado’ (1 Cor 5,7), torna-se clara a realidade daquilo que há muito tempo havia sido prenunciado, mas que era envolto em mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava”².

Com efeito, a obra da redenção da humanidade e da perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no meio do povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo Mistério Pascal da sua Paixão, Morte e Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério esse pelo qual, morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando, restaurou nossa vida³.

Assim, ao contemplar Cristo morto na cruz, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e a sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão inefável4.

Desta feita, não só adoramos o mistério da Cruz, mas rezamos a Prece Universal, pela Igreja, seus pastores e fiéis; pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem no Cristo nem em Deus, pelos poderes públicos e pelos sofredores (MR, pp.255-260).

Por isso mesmo rezamos à Divina Misericórdia: “pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” e ainda: “ó Sangue e água que jorraram do coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós” – era assim que rezava Santa Faustina e hoje devotamente celebramos o que rezamos.


Nota:
1. AUGÉ, Matias, Quaresma – Páscoa – Pentecostes, Ave Maria, p.57.
2. Cerimonial dos Bispos, 312.
3. Cf. Cerimonial dos Bispos, 312.
4. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO, Carta Circular sobre a preparação e celebração das festas pascais, 58.

 

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Quaresma: “O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum” – Sermão de São Pedro Crisólogo (Salvem a Liturgia!)

Sermão de São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena, sobre a oração, o jejum e a esmola

Um grande texto espiritual do Bispo do séc. IV, muito apropriado para esta Quaresma:

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: “O sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros,para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

Publicado em Salvem a Liturgia!.

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QUARESMA É TEMPO DE MEDITAR A PAIXÃO DE JESUS CRISTO (Padre Rodrigo Maria)

O QUE ACONTECEU COM A QUARESMA?
QUARESMA É TEMPO DE MEDITAR A PAIXÃO DE JESUS CRISTO, PARA SE COMPREENDER A GRANDEZA DO AMOR DE DEUS POR NÓS E ASSIM, NOS MOTIVARMOS A AMÁ-LO, VERDADEIRAMENTE, DEIXANDO OS PECADOS E SEGUINDO SEUS MANDAMENTOS. O QUE ACONTECEU COM A QUARESMA?
Até algum tempo atrás, a Quaresma era considerada pelo povo em geral como um tempo mais sério, de menos festas, menos balburdia, de mais respeito. Mesmo aqueles que não frequentavam a Igreja, guardavam uma postura mais respeitosa nesse tempo grave. Muitos não comiam carne e evitavam não apenas os festejos, mas também os xingatórios, os jogos e outras diversões. Muitas mães, evitavam castigar fisicamente seus filhos quando esses aprontavam que era considerado digno de castigo, deixando essa tarefa para o sábado de aleluia…
Hoje, não são poucos os que começam a quaresma pulando carnaval… e não apenas na sociedade em geral se perdeu a consciência do que significa esse tempo de mais oração, caridade e penitencia, mas dentro da própria Igreja, especialmente no Brasil, quase desapareceu essa dimensão. Aliás, para sermos mais exatos, devemos dizer que a sociedade só perdeu essa consciência porque primeiro ela se eclipsou dentro da Igreja. A Quaresma que deveria ser um tempo para se meditar a Paixão e a Morte de Cristo por nossa causa e em nosso favor fazendo-nos recuperar a consciência de nossa vocação cristã, nos convidando a constatar de modo mais forte a transitoriedade das coisas terrenas para nos dedicarmos com mais empenho à busca das coisas do Alto, passou a ser um tempo para reflexão de natureza sociológica e política nos fazendo buscar o reino aqui e agora, refletindo uma mentalidade marxista da qual se impregnou o discurso e a prática da Igreja na América Latina, especialmente no Brasil. A Igreja não defende nem apresenta um sistema político ou de governo, mas possui uma doutrina social com princípios que deve orientar a atuação política dos detentores do poder e também da convivência social. Também faz parte de sua missão defender a justiça e denunciar o mal em todas as suas formas. Mas a primeira e mais importante função da Igreja é salvar as pessoas, levá-las para o céu. A Igreja deve apresentar Jesus Cristo, como único Deus e Salvador, ao qual todos devem se converter e a quem todos devem seguir e obedecer para alcançarem a sua realização como pessoas humanas e consequentemente sua felicidade eterna.
Um tempo como o da Quaresma jamais deveria ser utilizado para reflexões de natureza sociológica ou política, mas para fazer voltar o olhar de nosso povo, tão paganizado, para as coisas do Alto. É tempo de falar sobre o pecado e sua consequência última que é o inferno.É tempo falar sobre o mundanismo e os vícios e chamar as pessoas a uma sincera conversão. É tempo de despertar as pessoas para a busca do céu, tempo de apresentar a absoluta superioridade das coisas do alto e dos bens eternos comparados com as coisas mundanas que tantas vezes nos tiram do caminho da salvação. É tempo de se pregar sobre as obras de misericórdia e de se incitar sua prática. É tempo de Vias Sacras que falem de Jesus e de seu sofrimento, de modo que suscite em nosso coração uma verdadeira gratidão para com Deus e assim o desejo de amá-lo de verdade. É tempo de conversão e reconciliação, ou seja, é tempo de se confessar individualmente com o sacerdote (confissões comunitárias são proibidas e não valem) e de se fazer um esforço maior para se deixar o que nos separa de Deus ou que nos impede de crescer em seu amor… E todo esse empenho deve ser coroado com a Páscoa, maior festa de nossa religião, onde se celebra a nossa redenção e a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o que só tem sentido para alguém que tem fé e compreendeu quem é Cristo e do que ele nos libertou. Com certeza, se a Igreja cumprisse bem seu papel, tal como Cristo ordenou, o efeito social seria muito mais positivo e duradouro. Pois tudo o que os nossos tempos precisam é de homens santos, atuando nas diferentes esferas da vida social. E essas pessoas imbuídas de espírito cristão promoveriam a justiça que a revolução marxista é incapaz de alcançar.Uma profunda e verdadeira evangelização é o melhor serviço de utilidade pública que a Igreja pode oferecer a essa geração decaída e corrupta.

Enquanto os líderes da Igreja descuidarem de seu papel primordial, a pretexto de buscar uma vida melhor para nosso povo aqui nesse mundo, na verdade o estará privando não apenas dos meios para uma real e permanente promoção da justiça aqui e agora, mas o que é pior, estará sonegando a este mesmo povo os meios para sua salvação eterna.

Padre Rodrigo Maria
escravo inútil da Santíssima Virgem

Publicado em Palavra de Padre Rodrigo Ma:

Leia também:

Como viver bem o tempo da Quaresma? – Padre Paulo Ricardo

O que é a Quaresma – Prof. Felipe Aquino (Cleófas)

Os Tempos da Septuagésima e da Quaresma ou o Começo da Redenção” – MONTFORT Associação Cultural – 03.03.2018

Quaresma, tempo de voltar para Deus! (Prof. Felipe Aquino – Cleófas)

Jesus é tentado em três momentos no deserto… – Quaresma (Caritatis – Portal Católico)

“Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…” – Frei Pierino Orlandini (OCDS – Província São José)

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CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA EM FÁTIMA

Fátima, o terço e o inferno

Por Philip Kosloski | 11 de Maio de 2017

As crianças tiveram uma visão horrível, mas também foi-lhes mostrado o caminho para o céu

Quando Nossa Senhora apareceu aos três pastorzinhos em Fátima, em 1917, ela permitiu que eles tivessem uma visão do inferno que assustaria qualquer criança (ou adulto). Eles viram um“vasto mar de fogo” e, dentro dele, muitas almas sendo atormentadas.

Uma imagem terrível, sobre qual Irmã Lúcia falou: “Essa visão só durou um momento, graças à nossa boa Mãe Celestial, que na primeira aparição prometeu levar-nos ao céu. Sem isso, acho que teríamos morrido de terror e medo.”

O Catecismo da Igreja Católica confirma a existência do inferno, mas fala sobre uma punição mais severa do que ser banido da eternidade.

 O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, “o fogo eterno”. A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira. (1035)

A explicação que o Catecismo dá é o motivo pelo qual deveríamos ter medo do inferno. Devemos temer a perspectiva de passar a eternidade separada do Deus que nos ama tanto.

Embora seja verdade que as crianças tenham visto o inferno representado como um mar de fogo, Irmã Lúcia observou como aqueles que estavam no inferno sofriam de imenso “desespero”. O inferno é um lugar de desolação absoluta, um lugar solitário – não a “festa de todos os pecadores”, como muitas pessoas imaginam.

Dante escreveu sobre esse aspecto em seu Inferno. Em contraste com um “vasto mar de fogo”, ele descreve-o como um lago de “gelo”.

Ao peito hirsuto havia-se agarrado;
Depois de velo em velo descendia
Entre os ilhais e o lago congelado
. (Canto XXXIV).

Em vez de um lugar de fogo perpétuo, é visto como um lugar de escuridão, frio e desespero. A imagem de Dante do inferno destaca a realidade da separação eterna de Deus, algo terrível e extremamente solitário. Na interpretação dele, o inferno é um lugar onde você clama, mas ninguém ouve seus gritos; um lugar onde você deseja estar ao lado de alguém, mas nunca pode se mover.

A boa notícia é que Nossa Senhora não quis simplesmente mostrar essa visão às crianças para assustá-las. Ela queria que elas soubessem o motivo pelo qual devemos nos esforçar para evitar o inferno e que devemos fazer tudo o que pudermos para corrermos para o céu, trazendo conosco aqueles que conhecemos.

Ela também ofereceu um caminho que levaria as almas ao abraço celestial:

Vocês viram que o inferno é para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus deseja estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado.

 Nossa Senhora ensinou as crianças a se aproximarem de seu Coração Imaculado para impedir que suas almas se afastem de Deus. Ela recomendou praticar as devoções do Primeiro Sábado, oferecendo sacrifícios pessoais e também rezando uma oração adicional durante o terço e o rosário:

 Quando vocês rezarem o terço, digam depois de cada mistério: “Oh, meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem.”

A oração resume a nossa vida cristã, reconhecendo a nossa necessidade do perdão, mas também dirigindo nossos esforços para ajudar aqueles que estão ao nosso lado a alcançarem o céu. Nossa Senhora de Fátima nos lembra que devemos desejar que todas as almas cheguem ao céu, até mesmo aos nossos inimigos. Nunca devemos desejar que alguém passe a eternidade longe de Deus.

No final, quanto mais nos aproximarmos do coração de Maria, mais perto estaremos do coração de Jesus. Como escreveu São Luís de Montfort, a devoção a Maria “é a maneira mais segura, mais fácil, mais curta e mais perfeita de se aproximar de Jesus”.

Fonte: Aleteia.

 

 

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Sagrado Coração de Jesus – Devoção – Santo Afonso Maria de Ligório – Solenidade – 03 de junho de 2016

Fonte: Mulher Católica (www.mulhercatolica.org/)

Sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Por Santo Afonso Maria de Ligório
Ignem veni mittere in terram: et quid volo, nisi ut accendatur? ― «Eu vim trazer fogo à terra, e que quero senão que ele se acenda?» (Lc 12, 49)
Sumário. A devoção entre todas as devoções, a mais perfeita, é o amor a Jesus Cristo, com a recordação frequente do amor que nos dedicou e ainda sempre dedica. Exatamente para se fazer amar é que o Verbo Eterno quis que nestes últimos tempos se instituísse e propagasse a devoção ao seu Coração, com a promessa das graças mais assinaladas aos que a praticassem. Felizes se estivermos do número destes devotos. Podemos estar certos de que o divino Coração nos abençoará em tudo o que empreendermos, e em todas as ocorrências será o nosso seguro abrigo.
 
I. A devoção das devoções é o amor a Jesus Cristo, com a recordação frequente do amor que nos dedicou e ainda dedica o nosso amável Redentor. Com razão se queixa um devoto autor de que muitas pessoas praticam diversas devoções e se descuidam desta, ao passo que o amor de Jesus Cristo deve ser a principal, para não dizer a única, devoção do cristão. ― Este descuido é causa do pouco progresso que as almas fazem nas virtudes, da contínua languidez nos mesmos defeitos e das frequentes recaídas em culpas graves. Pouco se aplicam, e raras vezes são exortadas a adquirirem o amor a Jesus Cristo, sendo todavia o amor o laço que une e liga as almas a Deus.
Foi exatamente para se fazer amar que o Verbo Eterno quis que se instituísse e propagasse na Igreja a devoção a seu Sacratíssimo Coração. Lemos na vida de Santa Margarida Maria Alacoque, que, quando esta devota virgem estava um dia em oração diante do Santíssimo Sacramento, Jesus Cristo lhe mostrou o seu Coração num trono de chamas, cercado de espinhos e encimado por uma cruz. «Eis aqui», disse ele, «o Coração que tanto amou os homens, e nada poupou até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor; e em reconhecimento, não recebe da maior parte senão ingratidões e irreverências neste Sacramento de amor. Mas, o que ainda mais sinto, é serem corações a mim consagrados que assim praticam».
Ordenou-lhe em seguida, que se empregasse em fazer celebrar, na primeira sexta-feira depois da oitava da festa do Corpo de Deus, uma festa particular em honra do seu divino Coração, e isto para três fins: O primeiro, para que os fiéis lhe deem ações de graças pelo grande dom que lhes fez na adorável Eucaristia. O segundo, para que as almas fervorosas reparem, pela sua afetuosa devoção, as irreverências e os desprezos que ele recebeu e recebe neste Sacramento da parte dos pecadores. O terceiro, enfim, para que lhe ofereçam compensação pela honra e culto que os homens deixam de lhe dar em muitas igrejas. Assim, a devoção ao Coração de Jesus não é senão um exercício de amor para com este amável Senhor.
II. Para compreendermos os bens imensos que nos provêm da devoção ao Coração de Jesus, basta que nos lembremos das promessas feitas por Jesus Cristo aos que a praticarem.
«Eu» ― assim disse o Senhor a Santa Margarida ― «darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias para o cumprimento dos deveres do seu estado; farei reinar a paz nas suas famílias; eu os consolarei nas suas aflições e lhes serei um refúgio na vida e na morte; lançarei abundantes bênçãos sobre todas as suas empresas, e o que no passado não puderam realizar com as suas diligências repetidas e perseverantes, obtê-lo-ão por meio desta devoção salutar»[1].
Se nós também queremos ter parte nestas promessas, avivemos a devoção ao Sagrado Coração, especialmente neste mês que lhe é consagrado. Guardemo-nos, por amor dele, das faltas deliberadas; pratiquemos alguma mortificação interna e externa; visitemos a miúde o Santíssimo Sacramento e preparemo-nos para a festa do Sagrado Coração por meio de uma devota novena. Cada manhã unamos as nossas ações do dia com as do divino Coração de Jesus, e façamos o oferecimento delas, dizendo:
† «Meu Senhor Jesus Cristo, em união com a divina intenção coma qual destes, na terra, louvor a Deus por vosso Sacratíssimo Coração, e lh’o continuais a dar agora sem interrupção até a consumação dos séculos, por todo o universo, no sacramento da Eucaristia, eu também, durante todo este dia, sem excetuar a mínima parte dele, à imitação do santíssimo Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria Imaculada, Vos ofereço com alegria todas as minhas intenções e pensamentos, todas as minhas afeições e desejos, todas as minhas obras e palavras. † Amado seja por toda a parte o Sagrado Coração de Jesus. † Louvado, adorado, amado e agradecido seja a todo o instante o Coração Eucarístico de Jesus em todos os tabernáculos do mundo, até à consumação dos séculos. Assim seja»[2]. (*II 409.)
[1] Acrescentaremos aqui mais algumas promessas de Jesus Cristo: «Eu abençoarei as casas onde se achar exposta e venerada a imagem do meu sagrado Coração; os pecadores acharão no meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia; as almas tíbias se tornarão fervorosas; os religiosos se elevarão a uma alta perfeição; darei aos sacerdotes o talento de tocar os corações mais empedernidos; as pessoas que propagarem esta devoção terão para sempre o seu nome inscrito no meu Coração».
[2] Cada uma destas orações tem 100 dias de indulgências.
Nota: Quem durante o mês de junho honrar, privada ou publicamente, o Sagrado Coração de Jesus, ganha cada dia uma indulgência de 7 anos, e uma plenária uma vez no dia da própria escolha, debaixo das condições da confissão, comunhão e oração segundo a intenção do Santo Padre.
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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 338-341.
Publicado em Mulher Católica.

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Fonte: Mulher Católica (www.mulhercatolica.org/)

Festa do Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus,
tenho confiança em Vós.
(300 dias de indulgência)

Que é a festa do Sagrado Coração?

É uma solenidade instituída para honrar a um tempo o Coração de Jesus, que lhe animou a vida e deu o sangue salvador do mundo, e o amor infinito de Cristo para com os homens, amor cujo órgão e foco tem sido o Sagrado Coração.
A pessoa inteira de Nosso Senhor era digna de adoração; sua carne, seu sangue, e sobretudo, seu Coração, hipostaticamente unidos à sua natureza divina, mereciam as adorações: assim crê e ensina a Igreja. Ora, o coração, universalmente considerado entre os homens como órgão mais nobre, deve especialmente participar das nossas homenagens. Mas o coração, considerado como centro e foco de amor divino, merece respeito e amor agradecido: dali a devoção ao Sagrado Coração. Entretanto, a festa destinada a lembrar essas verdades foi instituída somente no século XVIII. Segundo a sua própria palavra, Nosso Senhor quis guardar essa devoção para nossos dias, afim de reanimar o fervor amortecido da sociedade.
Para os fins do século XVII, uma santa religiosa da Visitação, chamada Margarida Maria, foi o instrumento que Deus empregou para dar a conhecer o desejo que nutria Nosso Senhor de ver mais amado e melhor glorificado o seu Sagrado Coração.
Em 1765, o clero da França adotou essa devoção. Clemente XIII aprovou com a festa um Ofício do Sagrado Coração. A festa, segundo o pedido feito à santa Margarida Maria, celebra-se na sexta-feira imediata à oitava do santíssimo Sacramento.
Quais são os sentimentos do verdadeiro cristão ao festejar o Sagrado Coração?
Para o bom cristão, a festa do Sagrado Coração há de ser um dia de desagravo pelos ultrajes que Jesus recebe na Eucaristia.
De acordo com os desejos do próprio Nosso Senhor, a festa do Sagrado Coração deve ser festa de reparação. Queixou-se da ingratidão, do desprezo, da frieza, dos sacrilégios que muitas vezes sofre, na Eucaristia, por parte de pessoas que se julgam piedosas. Pediu comunhões fervorosas e reparadoras, atos de desagravo, e especialmente, uma festa de reparação.
Mais ainda do que a festa do Corpo de Deus, a festa do Sagrado Coração servirá, pois, a manifestar a Jesus Cristo o nosso amor e a nossa gratidão; nossa presença nos ofícios e na procissão que se faz também nesse dia, será um desagravo pelos ultrajes que recebe no sacramento do seu amor, por nossa frieza e irreverência para com a Eucaristia.
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Monsenhor CAULY. Curso de Instrução Religiosa: Tomo I – Catecismo explicado: Dogma, Moral, Sacramentos, Culto. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1924, p.576-578.

Publicado em Mulher Católica.

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Cristo ressuscitado atrai para si todas as coisas (Ordem do Carmo em Portugal)

Cristo ressuscitado atrai para si todas as coisas

Cristo_ressuscitado

 

Constituído Senhor pela sua ressurreição, Cristo… atua já, pela força do Espírito Santo, nos corações dos homens; não suscita neles apenas o desejo da vida futura, mas, por isso mesmo, anima, purifica e fortalece também aquelas generosas aspirações, que levam a humanidade a tentar tornar a vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra.

Concílio Vaticano II

 Publicado em Ordem do Carmo em Portugal.

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