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Sagrado Coração de Jesus: fonte de toda consolação

Sagrado Coração de Jesus: fonte de toda consolação

Leia atentamente este artigo e deixe-se envolver por esta meditação:

Fonte de toda a Consolação

Neste mês de junho, dedicado ao divino Coração, convido-o, caro leitor, a tomar algumas dessas invocações, procurando penetrar a mensagem de amor contida nelas.

“Eis o Coração que tanto amou os homens”

Numa de suas aparições a Santa Margarida Maria, Nosso Senhor mostrava- se transbordante de luz e com uma expressão repleta de bondade e misericórdia. Apontando seu próprio Coração, Ele transmitiu-lhe esta queixa afetuosa: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou até Se esgotar e consumir para lhes testemunhar seu amor, e que, como retribuição, da maior parte só recebe ingratidões”.

Como essa revelação deveria deixar- nos consternados! É verdade que Ele nos ama acima de toda medida e que é impossível a cada um de nós, simples criatura, retribuir com igual intensidade. Entretanto, a questão é saber se nós O amamos tanto quanto nos permite nossa capacidade de amar. Certamente, se nos entregássemos por inteiro a seu amor, ajudados por sua graça, nosso coração palpitaria em uníssono com o d’Ele, nós nos enterneceríamos com Ele, sentiríamos como Ele e – por que não? – sofreríamos por Ele.

Esse deve ser o anelo da alma católica.

Façamos, pois, da leitura destas palavras algo mais que um puro exercício intelectual. Transformemo-la em um ato de amor.

Leia também: Meditando sobre o Sagrado Coração de Jesus

As revelações do Coração de Jesus encorajam o pecador à confiança

Qual a origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?

A grande promessa do Coração de Jesus

“Coração de Jesus, fornalha ardente de Caridade”

Esta belíssima jaculatória não se contenta de comparar esse amor – caritas, caridade – tão intenso com uma fornalha, mas acentua ser uma fornalha ardente. Esplêndida imagem de sua divina Paixão, não só pela humanidade em seu conjunto, mas também por todos os seus filhos e filhas, individualmente considerados.

Assim relata Santa Margarida Maria como lhe foi revelado esse amor: “Uma vez, estando exposto o Santíssimo Sacramento, apareceu Jesus Cristo todo resplandecente de glória, com suas cinco chagas brilhando como sóis, e sua sagrada humanidade lançando labaredas de todos os lados, mas sobretudo de seu adorável peito, que parecia uma fornalha.

Abrindo-o, Ele descobriu-me seu amabilíssimo e amantíssimo Coração, que era a fonte viva das chamas. Mostrou- me então as inexplicáveis maravilhas de seu puro amor e o excesso a que tinha chegado no amor aos homens, dos quais só recebia ingratidões e friezas”.

“Foi isso”, disse Ele a Santa Margarida, “o que mais Me doeu de todos os sofrimentos que tive em minha Paixão, ao passo que, se Me retribuíssem com algum amor, consideraria pouco tudo o que fiz por eles. Se fosse possível, quereria ainda ter feito mais. Mas os homens têm apenas frieza e recusa para com todas as minhas solicitudes de lhes fazer bem. Dá-Me tu, pelo menos, esse prazer de suprir-lhes as ingratidões, conforme tuas possibilidades”.

Oxalá esse apelo de Jesus encontre excelente acolhida, não apenas na alma das pessoas especialmente devotas do Sagrado Coração, mas também na de todos os católicos, despertando em cada um o desejo de oferecer a nosso amoroso Redentor digna reparação por tanta frieza. Que cada um, a exemplo de Simão Cireneu, ajude-O a carregar a cruz dos esquecimentos e das ingratidões. Será esta a melhor maneira de combater a tibieza que, às vezes, torna moroso nosso progresso espiritual, ou, pior ainda, nos paralisa num estado de torpor e de enfastiamento em relação às coisas de Deus.

Para avançarmos nesse luminoso caminho, contamos com um auxílio certo e preciosíssimo: a devoção ao Imaculado Coração de Maria, no qual Jesus é incomparavelmente mais amado do que em qualquer outra criatura, humana ou angélica. “Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a Santíssima Virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo” – escrevia o Papa Pio XII. Por isso convém que cada cristão, “depois de prestar ao Sagrado Coração o devido culto, renda também ao amantíssimo Coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, de amor, de agradecimento e de reparação” (Encíclica Haurietis acquas, n. 74).

Ajudados pela poderosa mediação dessa terna Mãe, penetraremos com maior facilidade no mistério do divino amor, que Ela portou em seu puríssimo seio e alimentou, ao qual contemplou de perto com incêndios de adoração e enlevo.

“Coração de Jesus, paciente e misericordioso”

Este título traz-nos à mente uma exclamação de Santa Margarida Maria: “Esse divino Coração é todo doçura, humildade e paciência”.

“Paciente” (do latim, patiens, “aquele que sofre”) é um qualificativo muito adequado ao Coração misericordioso de Jesus, disposto a todos os sofrimentos pela nossa salvação. Contemplamos aqui um Coração cujo afeto se mede pela sua disposição de sofrer.

Não seria demasiado afirmar que o valor de um homem, ou de uma mulher, é proporcional à sua capacidade de superar, com ânimo e resignação, os insucessos e dificuldades que a Providência permite em seu caminho – especialmente quando se vê alvo de incompreensões da parte das pessoas que lhe são mais próximas.

Temos, então, ante nosso olhar o Divino Mestre como modelo de paciência.

Ser paciente significa, por exemplo, saber suportar os defeitos do próximo, responder com amabilidade às suas manifestações de mau gênio, e tantos outros atos de virtude do mesmo tipo.

Se imitarmos, neste ponto, nosso Salvador, faremos jus à sua amizade, conforme escreveu Santa Margarida Maria: “Tereis de vos mostrar mansos, suportando com paciência as grosserias, manias e amolações do próximo, sem vos deixar inquietar pelas contrariedades que ocasionem. Pelo contrário, fazei de boa vontade os serviços que puderdes, porque este é o modo de ganhar a amizade e a graça do Sagrado Coração de Jesus”.

Exatamente assim procede Nosso Senhor com cada um de nós. Se agirmos do mesmo modo para com os outros, crescerá em nós a confiança em sua predisposição de nos perdoar sempre, não só uma vez, mas todas as vezes que d’Ele nos aproximarmos arrependidos.

Sim, precisamos nos convencer dessa maravilhosa verdade: o Divino Redentor suportou meus pecados e por eles sofreu; por minha salvação imolou-Se, derramando todo o seu Preciosíssimo Sangue. Devo, pois, considerar minha maldade com grande contrição, é verdade, mas ao mesmo tempo com inabalável confiança.

Não nos deixemos nunca desanimar!

“Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados”

Esta é a jaculatória que então aflora em nossos lábios.

Propiciar (do latim, propitiare) é tornar propício, tornar favorável por meio de um sacrifício, oferecer um sacrifício expiatório. Isso é o que fez Jesus, oferecendo-Se ao Pai como “expiação pelos nossos pecados” (1Jo 2,2).

E o Apóstolo do amor empenha-se em acentuar: “Nisso se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo seu Filho único, para que vivamos por Ele (…) para expiar nossos pecados” (1Jo 4, 9-10).

Nosso Papa Bento XVI também se refere de modo ardoroso ao sacrifício do Salvador: “Em sua morte na Cruz realiza-se esse voltar-Se de Deus contra Si mesmo, entregando-Se para dar vida nova ao homem e salvá-lo: isso é o amor em sua forma mais radical” (Deus caritas est, n. 12).

Já morto em “propiciação por nossos pecados”, quis Jesus dar-nos uma demonstração do extremo limite aonde chegou seu amor por nós: de seu divino Coração brutalmente transpassado pela lança do soldado, manaram as últimas gotas de sangue, misturadas com água.

Por aí podemos avaliar quanto é censurável nossa frieza em relação a Ele, sobretudo nossa falta de confiança!

Assista também: A grande mensagem do Coração de Jesus

“Coração de Jesus, fonte de toda consolação”

Tal doação generosa até o ponto de dar-Se a Si mesmo perpassa nossas almas de alegria. Como não experimentarmos grandíssimo consolo ao vernos objeto de tão dadivoso amor? Na verdade, a palavra consolação encerra dois sentidos: por um lado, significa fortalecimento, novo vigor, novo alento; por outro, uma sensação de alegria, de suavidade, de unção do Divino Espírito Santo.

Em ambos os sentidos, o Sagrado Coração de Jesus é fonte de toda consolação, pois enche de júbilo e satisfação espiritual aqueles que se abrem para sua infinita bondade. Mas Ele é também nossa fortaleza. Assim, quando nos sentirmos débeis ou cansados, quando nos faltar coragem para praticar algum ato de virtude que o dever de católicos nos impõe, lembremo-nos: não estamos sozinhos, Jesus está a nosso lado! N’Ele encontraremos as forças necessárias para amar a Deus e ao próximo, cumprindo fielmente os divinos preceitos de sua Lei.

Sobretudo nessas horas, precisamos lançar-nos nos braços do Divino Mestre… Ah! se soubéssemos como Ele suspira por nos ajudar! Eis como Ele revela a Santa Margarida Maria essa sua predisposição: “Meu divino Coração está tão abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo, que, não podendo conter em Si as chamas de sua ardente caridade, precisa derramá-las por teu meio, e manifestar-Se a eles para os enriquecer com os preciosos dons que te mostro, os quais contêm as graças santificantes e salutares necessárias para os afastar do abismo da perdição”.

Querido leitor, esperamos que esta curta meditação tenha servido para fazê-lo sentir-se mais próximo do Coração de Jesus, e mais confiante na sua bondade sem limites. E que também lhe seja de algum proveito quando tiver a graça de se aproximar do altar para receber o divino Alimento.

Lembre-se, então, de que recebemos na alma, realmente presente, esse Coração no qual adoramos todas as perfeições expressas tão belamente em sua ladainha.

Padre Carlos Werner Benjumea, EP.

Fonte:  Prof. Felipe Aquino – Editora Cleofas  (Conteúdo básico extraído de http://www.gaudiumpress.org/content/37870-Fonte-de-toda-a-Consolacao)

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O verdadeiro sentido do Natal para os católicos (Catolicismo Romano)

Há muito anda esquecido o Menino Jesus no Natal. Ele não é convidado, apesar de ser a razão da festa. Isto deve nos levar a uma reflexão profunda sobre a nossa conversão à Palavra de redenção que Jesus Cristo veio trazer  ao mundo há mais de dois mil anos.

O texto abaixo não deixa de ser um tanto irreverente em alguns trechos, mas este é um tempo de contradições, e graves.

Assim, ao lê-lo até o final, percebemos que faz muito sentido nessa época de neo-paganismo, que exalta o consumo, seja na forma  de presentes, seja na corrida aos supermercados para a “ceia de Natal”. Na verdade, o que temos são festas de confraternização entre familiares e amigos, onde não haverá moderação na comida , nem de bebidas alcoólicas, infelizmente. O sentido do Natal fica perdido em meio aos excessos.

Uma reflexão já é um passo importante no resgate do verdadeiro sentido do Natal: Jesus Cristo.

Desejo a todos que acompanham este blog um santo e abençoado Natal.

Lúcia Barden Nunes.

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Natal_adoraçao

Fonte: Catolicismo Romano

O verdadeiro sentido do Natal para os católicos

O verdadeiro Natal nunca muda, pois não muda também a compreensão do que é o Natal na alma dos católicos de verdade.

Nessas almas, mais do que o consumismo estúpido, mais do que a vermelha figura do Papai Noel, em seu trenó deslizante no verão brasileiro, mais do que a maçante Gingle Bells, exaustivamente tocada nas lojas com descartáveis produtos coloridos, ressoa o hino cantado pelos anjos “Glória in excelsis Deo”.

Ressoam as puras notas do “Puer natus est nobis, et filium nobis est datum”. Porque, para nós que “habitávamos nas sombras da morte, para nós brilhou uma grande luz”.

Que se entende, hoje, que é um “Feliz natal, para você” ? No máximo da inocência, um regabofe em família, com presentinhos, beijinhos e indigestão.

E quando o Natal não é tão inocente…

Quando o Natal não é tão inocente se realiza o canto pagão e naturalista; “Adeus ano velho. Feliz ano novo. Muito dinheiro no bolso. Saúde para dar e vender”.

Eis a felicidade pagã: dinheiro, saúde, prazer.

Sem Deus. Sem Redenção. Sem alma. Que triste Natal esse!

Que infeliz e decrépito ano novo, tão igual aos velhos anos do paganismo!

Será que o povo que habitava nas sombras da morte já não vê a grande luz que brilhou para ele em Belém?

Até a luz do Natal está ofuscada. E quão poucos compreendem essa luz!

No presépio se conta tudo.

Tudo está lá bem resumido. Mas o povo olha as pequenas figuras e não compreende o que significa que um Menino nos foi dado, que um Filho nasceu para nós.

No presépio se vê um Menino numa manjedoura, entre um boi e um burro…

A Virgem Maria, Mãe de Deus adorando seu Filhinho que é o Verbo de Deus encarnado, envolto em panos. São José, contemplando o Deus Menino tiritante de frio, à luz de uma tosca lanterna.

Um anjo esvoaçante sobre a cabana rústica. Uma estrela. Pastores com suas ovelhas, cabras e bodes. Um galo que canta na noite. Os Reis que chegam olhando a estrela, seguindo a estrela, para encontrar o Menino com sua Mãe.

Tudo envolto no cântico celeste dos anjos;

“Glória a Deus nas alturas! E paz, na terra, aos homens que têm boa vontade” (Luc. II, 14)

Isso aconteceu nos dias de Herodes, quando César Augusto decretou um recenseamento.

E como não havia lugar para Maria e José na estalagem, em Bethleem, terra de Davi, eles tiveram que se refugiar numa cocheira, entre um boi e um burro.

Porque assim se realizaram as profecias:

* “E tu, Bethleem Efrata, tu és a mínima entre as milhares de Judá, mas de ti há de me sair Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o Princípio, desde os dias da eternidade”, como profetizou o Profeta Miquéias (Mi. V, 1).

** ”O Senhor vos dará este sinal: uma Virgem conceberá, e dará à luz um filho, e seu nome será Emanuel” (Is. VII,14)

*** “O Boi conhece o seu dono, e o burro conhece o presépio de seu senhor, mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência” profetizou Isaías muitos séculos antes (Is. I,3).

E Cristo, nos dias de Herodes, nasceu em Bethleem que quer dizer casa do pão (Beth = casa. Lêem = pão).

Cristo devia nascer em Belém, casa do pão, porque Ele é o pão que desceu dos céus, para nos alimentar. Por isso foi posto numa manjedoura, para alimentar os homens.

Devia nascer num estábulo, porque recebemos a Cristo como pão do Céu na Igreja, representada pelo estábulo, visto que nas cocheiras, os animais deixam a sujeira no chão, e comem no cocho. E na Igreja os católicos deixam a sujeira de seus pecados no confessionário, e, depois, comem o Corpo e bebem o Sangue de Jesus Cristo presente na Hóstia consagrada, na mesa da comunhão.

Jesus devia nascer de uma mulher, Maria, para provar que era homem como nós. Mas devia nascer de uma Virgem — coisa impossível sem milagre — para provar que era Deus. Este era o sinal, isto é, o milagre que anunciaria a chegada do Redentor: uma Virgem seria Mãe. Nossa Senhora é Virgem Mãe. E para os protestantes, que não crêem na virgindade perpétua de Maria Santíssima, para eles Maria não foi dada por Mãe, no Calvário. Pois quem não tem a Maria por Mãe, não tem a Deus por Pai.

E por que profetizou Isaías sobre o boi e o burro no presépio?

Que significam o boi e o burro?

O boi era o animal usado então, para puxar o arado na lavoura da terra.

Terra é o homem. Adão foi feito de terra. Trabalhar a terra é símbolo de santificar o homem. Ora, os judeus tinham sido chamados por Deus para ser o sal da terra e a luz do mundo, isto é, para dar vida (sal) espiritual, santidade, aos homens, e ensinar-lhes a verdade (luz).

O boi era então símbolo do judeu.

O burro, animal que simboliza falta de sabedoria, era o símbolo do povo gentio, dos pagãos, homens sem sabedoria.

Mas Deus veio salvar objetivamente a todos os homens, judeus e pagãos. Por isso, no presépio de Cristo, deviam estar o boi (o judeu) e o burro (o pagão).

Foi também por isso que Jesus subiu ao Templo montado num burrico que jamais havia sido montado, isto é, um povo pagão que não fora sujeito ao domínio de Deus. E os judeus não gostaram que o burro fosse levado ao Templo, isto é, que Cristo pretendesse levar também os pagãos à casa de Deus, à religião verdadeira. Por isso foi escrito: “mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência”.

Como também o povo católico, hoje, já não tem inteligência para compreender o Natal, pois “coisas espantosas e estranhas se tem feito nesta terra: os profetas profetizaram a mentira, e os sacerdotes do Senhor os aplaudiram com as suas mãos. E o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá, pois, sobre essa gente, no fim disso tudo?” (Jer. V, 30-31).

Pois se chegou a clamar: “Glória ao Homem, já rei da Terra e agora príncipe do céu”, só porque o homem fora até a Lua num foguete, única maneira do homem da modernidade subir ao céu.

No Natal de Cristo, tudo mostra como Ele era Deus e homem ao mesmo tempo.

Como já lembramos, Ele nasceu de uma mulher, para provar que era homem como nós. Nasceu de uma Virgem, para provar que era Deus.

Como um bebê, Ele era incapaz de andar e de se mover sozinho. Como Deus, Ele movia as estrelas.

Como criança recém nascida era incapaz de falar. Como Deus fazia os anjos cantarem.

Ele veio salvar objetivamente a todos, mas nem todos o aceitaram. E Herodes quis matá-lo.

Ele chamou para junto de si, no presépio, os pastores e os Reis, para condenar a Teologia da Libertação e os demagogos pauperistas que pregam que Cristo nasceu como que exclusivamente para os pobres. É falso!

Assim como o sol brilha para todos, Deus quis salvar a todos sem acepção de pessoa. Por isso chamou os humildes e os poderosos junto à manjedoura de Belém.

Mas, dirá um seguidor do bizarro frei Betto ou do ex frei Boff, que nada compreendem do Evangelho pois o lêem com os óculos heréticos e assassinos de Fidel e de Marx, sendo “cegos ao meio dia” (Deut. XXVIII, 29): Deus tratou melhor os pastores pobres, pois lhes mandou um anjo, do que os reis poderosos, exploradores do povo, aos quais chamou só por meio de uma estrela. É verdade!!!

Deus tratou melhor aos pastores. Mas não porque eram pastores, e sim porque eram judeus. Sendo judeus, por terem a Fé verdadeira, então, mandou-lhes um sinal espiritual. Aos reis magos, porque pertenciam a um povo sem a religião verdadeira, mandou-lhes um sinal material: a estrela.

No presépio havia ovelhas e bodes, porque Deus veio salvar os bons e os pecadores.

E a Virgem envolveu o menino em panos.

Fez isso, é claro, porque o pequeno tinha frio, e por pudor.

Mas simbolicamente porque aquele Menino —que era o Verbo de Deus feito homem—, que era a palavra de Deus humanada, tinha que ser envolta em panos, pois que a palavra de Deus, na Sagrada Escritura, aparece envolta em mistério, pois não convém que a palavra de Deus seja profanada. Daí estar escrito: “A glória de Deus consiste em encobrir a palavra; e a glória dos reis está em investigar o discurso” (Prov, XXV, 2).

E “Um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado, e o império foi posto sobre os seus ombros, e seu nome será maravilhoso, Deus Poderoso, Conselheiro, o Deus eterno, o Príncipe da Paz” (Is. IX, 5).

Porque todos os homens, em Adão, haviam adquirido uma dívida infinita para com Deus, já que toda culpa gera dívida conforme a pessoa ofendida. E a ofensa de Adão a Deus produzira dívida infinita, que nenhum homem poderia pagar, pois todo mérito humano é finito. Só Deus tem mérito infinito. Portanto, desde Adão, nenhum homem poderia salvar-se. Todos nasceriam, viveriam e iriam para o inferno. E a humanidade jazia então nas sombras da morte.

Mas porque Deus misericordiosamente se fez homem, no seio de Maria, era um Homem que pagaria a dívida dos homens, porque esse Menino, sendo Deus, teria mérito infinito, podendo pagar a dívida do homem. Por isso, quando Ele morreu por nós, foi condenado por Pilatos, representando o maior poder humano — o Império — que O apresentou no tribunal dizendo: “Eis o Homem”. (Jo XIX, 5)

Ele era O Homem.

Era um homem que pagava os pecados dos homens assumindo a nossa natureza e nossas culpas, mas sem o pecado. Era Deus-Menino sofrendo frio e fome por nossos confortos ilícitos e nossa gula, na pobreza e no desprezo, por nossa ambição e nosso orgulho.

E os pastores e os Reis O encontraram com Maria sua Mãe, para mostrar que só encontra a Cristo quem O busca com sua Mãe.

E para demonstrar que diante de Jesus, ainda que Menino, todo poder deve dobrar o joelho.

E os pastores levaram ao Deus Menino suas melhores ovelhas, e seus melhores cabritos, enquanto os Reis Lhe levaram mirra, incenso e ouro. A mirra da penitência. O incenso da adoração. O ouro do poder.

Tudo é de Cristo.

Todos, levando esses dons, reconheciam que Ele era Deus, o Senhor de todas as coisas, Ele que dá todas as ovelhas e cabras aos pastores. Ele que dá aos Reis o poder e o ouro.

Deus é o Supremo Senhor de todas as coisas. Ele é o Soberano Absoluto a quem devemos tudo. E para reconhecer que Ele é a fonte de todos os bens que temos é que devemos levar-Lhe em oferta o melhor do que temos.

Publicado em Catolicismo Romano.

Imagem: WikiCommons.

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Sexta Feira Santa: “Jesus derrotou a violência sem opor a ela uma violência maior ainda – ‘Victor quia victima’ – ‘vencedor porque vítima’.” – Homilia do Frei Cantalamessa (Rádio do Vaticano)

Sexta-feira Santa: homilia do Frei Cantalamessa

Cidade do Vaticano (RV) – Segue, na íntegra, a homilia do Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, proferida nesta Sexta-feira Santa, na Basílica de São Pedro.”Eis o homem!”Acabamos de ouvir o relato do julgamento de Jesus perante Pilatos. Há nele um momento que nos pede uma atenção especial.

“Pilatos mandou então flagelar Jesus. Os soldados teceram de espinhos uma coroa, puseram-na sobre a sua cabeça e o cobriram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Ecce homo! Eis o homem!” (Jo 19,1-5).

Entre as muitas pinturas que retratam o Ecce Homo, há uma que sempre me impressionou. É de Jan Mostaert, pintor flamengo do século XVI, e está na National Gallery de Londres. Tentarei descrevê-la. Ela nos ajudará a imprimir melhor na mente o episódio, já que o pintor transcreve fielmente, em cores, os dados do relato evangélico, especialmente do relato de Marcos (Mc 15,16-20).

Jesus tem na cabeça uma coroa de espinhos. Um feixe de arbustos espinhosos que estava no pátio, talvez para fazer fogo, deu aos soldados a ideia dessa cruel zombaria da sua realeza. Da cabeça de Jesus descem gotas de sangue. Sua boca está semiaberta, como que lutando para respirar. Sobre os ombros, sulcados pelos golpes recentes da flagelação, um manto pesado e desgastado, mais próximo da lata que da estopa. Ele tem os pulsos amarrados por uma corda grosseira; em uma das mãos, eles colocaram um pedaço de pau a fazer as vezes de cetro e, na outra, um feixe de varetas, símbolos que ridicularizavam a sua majestade. Jesus não pode mover sequer um dedo; é o homem reduzido à total impotência, o protótipo de todos os algemados da história.

Meditando sobre a Paixão, o filósofo Blaise Pascal escreveu certa vez estas palavras: “Cristo está em agonia até o fim do mundo: não podemos dormir durante este tempo”. Há um sentido em que estas palavras se aplicam à pessoa de Jesus mesmo, ou seja, à cabeça do corpo místico e não apenas aos membros. Não apesar de Ele ter ressuscitado e estar vivo, mas justamente porque Ele ressuscitou e está vivo. Deixemos de lado, no entanto, este significado misterioso demais para nós e falemos do sentido mais claro daquelas palavras. Jesus está em agonia até o fim do mundo em cada homem ou mulher submetidos aos mesmos tormentos. “Vós o fizestes a mim” (Mt 25, 40): Ele não disse esta frase apenas sobre quem acredita nele; ele a disse sobre cada homem e cada mulher famintos, nus, maltratados, presos.

Ao menos por uma vez, não pensemos nos males sociais, coletivos: a fome, a pobreza, a injustiça, a exploração dos fracos. Desses males já se fala muitas vezes, embora nunca o suficiente, e há o risco de se tornarem abstrações. Categorias, não pessoas. Pensemos agora no sofrimento dos indivíduos, das pessoas com nome e identidade concreta; nas torturas decididas a sangue frio e infligidas voluntariamente, neste exato momento, por seres humanos contra outros seres humanos, inclusive crianças.

Quantos “Ecce homo” no mundo! Meu Deus, quantos “Ecce homo”! Quantos prisioneiros na mesma condição de Jesus no pretório de Pilatos: sozinhos, algemados, torturados, à mercê de soldados ásperos e cheios de ódio, que se entregam a todo tipo de crueldade física e psicológica, divertindo-se em ver sofrer. “Não podemos dormir, não podemos deixá-los sós!”.

A exclamação “Ecce homo!” não se aplica somente às vítimas, mas também aos carnífices. Ela quer dizer: eis aqui do que o homem é capaz! Com temor e tremor, digamos ainda: eis do que somos capazes nós, homens! Muito distante da marcha inexorável do Homo sapiens sapiens, o homem que, segundo alguns, nasceria da morte de Deus e tomaria o seu lugar.

Os cristãos não são, certamente, as únicas vítimas da violência homicida que há no mundo, mas não se pode ignorar que, em muitos países, eles são as vítimas marcadas e mais frequentes. Jesus disse um dia aos seus discípulos: “Chegará uma hora em que aqueles que vos matarem julgarão estar honrando a Deus” (Jo 16, 2). Talvez estas palavras nunca tenham achado na história um cumprimento tão pontual quanto hoje.

Um bispo do século III, Dionísio de Alexandria, nos deixou o testemunho de uma Páscoa celebrada pelos cristãos durante a feroz perseguição do imperador romano Décio: “Eles nos exilaram e, sozinhos entre todos, fomos perseguidos e lançados à morte. Mas, ainda assim, celebramos a Páscoa. Todo lugar em que se sofria tornou-se para nós um lugar de celebração da festa: fosse um acampamento, um deserto, um navio, uma pousada, uma prisão. Os mártires perfeitos celebraram a mais esplêndida das festas pascais ao ser admitidos no banquete celeste”. Será assim para muitos cristãos também na Páscoa deste ano, 2015 depois de Cristo.

Houve alguém que teve a coragem de denunciar, como leigo, a indiferença perturbadora das instituições mundiais e da opinião pública em face de tudo isto, lembrando a quais consequências essa indiferença já levou no passado. Corremos todos o risco, tanto instituições quanto pessoas do mundo ocidental, de ser Pilatos que lavam as mãos.

A nós, no entanto, não é permitido fazer qualquer denúncia neste dia. Trairíamos o mistério que estamos celebrando. Jesus morreu gritando: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Esta oração não é simplesmente murmurada; é gritada para ser bem ouvida. Na verdade, não é sequer uma oração, mas uma exigência imperativa, feita com a autoridade de quem é Filho: “Pai, perdoa-os!”. E como Ele mesmo disse que o Pai escuta todas as suas orações (Jo 11,42), devemos acreditar que Ele ouviu também esta última feita na cruz, e que, portanto, aqueles que crucificaram o Cristo foram perdoados por Deus (é claro que não sem antes se arrependerem de alguma forma) e estão com Ele no paraíso, testemunhando para toda a eternidade o ponto até o qual pode chegar o amor de Deus.

Essa ignorância, como tal, estava só nos soldados. Mas a oração de Jesus não se limita a eles. A grandeza divina do seu perdão consiste no fato de que o perdão também é oferecido aos seus inimigos mais ferozes. É para eles que Jesus alega a desculpa da ignorância. Mesmo que eles tenham agido com astúcia e malícia, eles realmente não sabiam o que faziam, não pensavam que estavam crucificando um homem que era de fato o Messias e Filho de Deus! Em vez de acusar os seus adversários, ou de os perdoar confiando ao Pai Celestial o cuidado de vingá-lo, Ele os defende.

Seu exemplo sugere aos discípulos uma generosidade infinita. Perdoar com a sua mesma grandeza de alma não pode envolver simplesmente uma atitude negativa, de renunciar a querer o mal para quem faz o mal; deve traduzir-se, em vez disso, em uma vontade positiva de lhes fazer o bem, mesmo que apenas com uma oração dirigida a Deus em seu favor. “Orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5, 44). Esse perdão não deve procurar compensação nem sequer na esperança de um castigo divino. Deve ser inspirado por uma caridade que desculpa o próximo, mesmo sem fechar os olhos para a verdade, e que tenta parar os maus para que eles não façam mais mal aos outros nem a si mesmos.

Quereríamos dizer: “Senhor, o que nos pedes é impossível!”, mas Ele nos responderia: “Eu sei. E morri para vos dar o que vos peço. Não vos dei apenas o mandado de perdoar, nem apenas um exemplo heroico de perdão; com a minha morte, eu vos dei a graça que vos torna capazes de perdoar. Eu não deixei ao mundo apenas um ensinamento sobre a misericórdia, como tantos outros também deixaram. Eu sou Deus e, para vós, fiz brotarem da minha morte rios de misericórdia. Deles podeis beber a mãos cheias no Ano Jubilar da Misericórdia que tendes pela frente”.

Então, indagará alguém, seguir a Cristo é sempre um resignar-se passivamente à derrota e à morte? Pelo contrário! “Tende coragem”, disse Ele aos apóstolos antes da Paixão: “Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Cristo venceu o mundo vencendo o mal do mundo. A vitória definitiva do bem sobre o mal, que se manifestará no fim dos tempos, já aconteceu, de fato e de direito, na cruz de Cristo. “Esta é hora do juízo deste mundo” (Jo 12, 31). Desde aquele dia, o mal é o perdedor: tanto mais perdedor quanto mais parece triunfar. O mundo já foi julgado e condenado em última instância, com sentença inapelável.

Jesus derrotou a violência sem opor a ela uma violência maior ainda, e sim sofrendo-a e revelando toda a sua injustiça e inutilidade. Ele inaugurou um novo tipo de vitória, que Santo Agostinho resumiu em três palavras: “Victor quia victima” – “vencedor porque vítima”. Foi ao “vê-lo morrer assim” que o centurião romano exclamou: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!” (Mc 15, 39). Os outros se perguntavam o que significava o alto brado que Jesus tinha dado ao morrer (Mc 15, 37). O centurião, que era experiente em lutas e lutadores, reconheceu de imediato que aquele era um grito de vitória.

O problema da violência nos persegue, nos choca, inventando formas novas e espantosas de crueldade e de barbárie. Nós, cristãos, reagimos horrorizados à ideia de que se possa matar em nome de Deus. Alguém poderia objetar: mas a Bíblia também não está cheia de histórias de violência? Deus mesmo não é chamado de “Senhor dos Exércitos”? Não é atribuída a Ele a ordem de exterminar cidades inteiras? Não é Ele quem decreta, na Lei mosaica, numerosos casos de pena de morte?

Se tivessem dirigido a Jesus, durante a sua vida, esta mesma objeção, Ele certamente teria respondido o que respondeu sobre o divórcio: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim” (Mt 19,8). Também sobre a violência, “no princípio não foi assim”. O primeiro capítulo do Gênesis mostra um mundo onde a violência não é sequer pensável, nem dos seres humanos entre si, nem entre homens e animais. Nem sequer para vingar a morte de Abel, e assim punir um assassino, é lícito matar (cf. Gn 4, 15).

Publicado em  Vatican Radio.

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“Vivamos o grande retiro da Quaresma, tempo do deserto e do combate espiritual, com abertura para estes valores que nos aproximam de Deus pelo próximo.” – Artigo – Cardeal Orani João Tempesta Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) – (CNBB)

Quaresma: Tempo de Luta Espiritual

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Exorto-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12, 1s).

 A Quaresma tem um sentido eminentemente pascal: é um tempo de caminho de conversão a Cristo, período de cristificação. “Morremos com o Cristo; trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós”. “Já não vivemos, portanto, nossa própria vida, mas a vida de Cristo, vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes”. “Ressuscitamos com o Cristo; vivamos, pois, com ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra nosso calcanhar”. (Santo Ambrósio, Tratado sobre a Fuga do Mundo).

Esta cristificação é ação do Espírito Santo: o homem não pode atingir tal escopo sem a graça do Santo Espírito, único que pode testemunhar Jesus em nós e conformar-nos a Cristo. Por isso mesmo, a busca da cristificação é um combate espiritual: combate porque é luta contra as tendências desencontradas do homem velho, que ainda persistem em nós; espiritual porque é combate na força do Espírito do Cristo: “Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda a mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado” (São Basílio Magno, Tratado sobre o Espírito Santo).

A Quaresma é, pois, tempo do combate espiritual, tempo de uma ascese mais cuidadosa, ascese de caráter cristo-pneumatológico, tendo como fim a divinização (a vida de filhos do Pai). Sendo assim, esse tempo nada mais é que uma intensificação daquilo que é e deve ser toda a vida do cristão. São Bento, por exemplo, dizia a seus monges que a vida deles deveria ser uma contínua quaresma (ou seja, uma contínua preparação para a Páscoa).

Aproveitemos para viver esse combate espiritual com algumas atitudes de ascese.

Temos várias atitudes e comportamentos que podem nos ajudar, como por exemplo, o jejum: meio de tomar consciência da dependência de Deus; meio de domar nossas paixões, meio de atingir a educação de nossos instintos, modo de nos sensibilizarmos para a fome alheia.

Faz parte também a vida de oração: como modo de nos abrir para Deus e sua Presença; como meio de nos fazer sensíveis à sua Palavra; como modo de nos ajudar a compreender sua santa vontade; como meio de tudo avaliar com o coração de Deus; como modo privilegiado de fazer-se dócil à ação do Espírito Santo.

Uma atitude de desprendimento importante para hoje é a esmola, pois nos abre para os outros; é sinal da própria comunhão trinitária; é remédio contra nossas concupiscências; descentra-nos.

Outra prática não muito comum entre nós são as vigílias, que nos ajudam a vigiar pela vinda do Reino; no combate à preguiça espiritual; faz-nos intercessores pelo mundo que dorme e nos ajudam no autodomínio.

Vivamos o grande retiro da Quaresma, tempo do deserto e do combate espiritual, com abertura para estes valores que nos aproximam de Deus pelo próximo.

No Ano Arquidiocesano da Esperança sejamos portadores da boa notícia do Reino de Deus e aproveitemos do tempo favorável para vivermos a caminhada de conversão, sendo ajudados pela penitência física e silenciosa do jejum. Jejum não só de carne e de alimentos às sextas-feiras, mas jejum da maldade, jejum da perversidade, jejum dos maus atos e pensamentos, jejum da desagregação e jejum da intolerância religiosa.

Sejamos generosos com as obras de caridade da Igreja, doando o que deixamos de comer, como gesto concreto em favor dos mais pobres e das necessidades das obras caritativas da Igreja (de maneira especial no Domingo de Ramos, dia da Coleta da Solidariedade). A oração que é ouvida por Deus é aquela que é acompanhada destes gestos concretos.

Boa Quaresma e profunda conversão rumo à Páscoa!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Segunda, 09 de Março de 2015.

Publicado em CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

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4ª-feira da 3ª Semana da Quaresma
Cor: Roxo 1ª Leitura – Dt 4,1.5-9 Cumpri e praticai as leis e decretos. Leitura do Livro do Deuteronômio (4,1.5-9):

Moisés falou ao povo, dizendo:
1 ‘Agora, Israel, ouve as leis e os decretos
que eu vos ensino a cumprir,
para que, fazendo-o, vivais
e entreis na posse da terra prometida
que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar.
5 Eis que vos ensinei leis e decretos
conforme o Senhor meu Deus me ordenou,
para que os pratiqueis na terra em que ides entrar
e da qual tomareis posse.
6 Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática,
porque neles está vossa sabedoria
e inteligência perante os povos,
para que, ouvindo todas estas leis, digam:
‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!
7 Pois, qual é a grande nação
cujos deuses lhe são tão próximos
como o Senhor nosso Deus,
sempre que o invocamos?
8 E que nação haverá tão grande
que tenha leis e decretos tão justos,
como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?
9 Mas toma cuidado!
Procura com grande zelo não te esqueceres
de tudo o que viste com os próprios olhos,
e nada deixes escapar do teu coração
por todos os dias de tua vida;
antes, ensina-o a teus filhos e netos.

Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 147, 12-13. 15-16. 19-20 (R. 12a)

R. Glorifica o Senhor, Jerusalém!
12 Glorifica o Senhor, Jerusalém!*
Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!
13 Pois reforçou com segurança as tuas portas,*
e os teus filhos em teu seio abençoou. R.15 Ele envia suas ordens para a terra,*
e a palavra que ele diz corre veloz.
16 ele faz cair a neve como a lã *
e espalha a geada como cinza. R.19 Anuncia a Jacó sua palavra,*
seus preceitos suas leis a Israel.
20 Nenhum povo recebeu tanto carinho,*
a nenhum outro revelou os seus preceitos.

Evangelho – Mt 5,17-19

Jesus fala aos discipulos.Aquele que praticar e ensinar os mandamentos,
este será considerado grande.+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (5,17-19)Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
17 Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.
18 Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.
l9 Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 5, 17-29

Todos nós estamos de acordo que devemos obedecer a Deus, mas não estamos muito de acordo se perguntarmos por que devemos obedecer a Deus. Isto porque existem duas formas de obediência. A primeira é a obediência de quem reconhece o poder de quem manda e se submete a este poder por causa das vantagens da obediência ou das conseqüências da desobediência. É aquele que diz que manda quem pode e obedece quem tem juízo. A segunda é de quem reconhece os valores que motivam a autoridade e assume esses valores como próprios, vendo na obediência a grande forma de concretização desses valores. Jesus não veio mudar a lei, mas mostrar as suas motivações, os seus valores, a fim de que a sua observância não seja um jugo, mas uma forma de realização pessoal.
Fonte: Paróquia Nossa Senhora do Resgate (extraído de CNBB).

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Papa Francisco concede entrevista a Il Messagero e fala da realidade de Roma, dos comunistas, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política (Il Messagero – ACI Digital)

Papa Francisco concedeu duas longas entrevistas neste semestre. Nesta, é entrevistado pela jornalista italiana Franca Giansoldati,  do Il Messaggero (Roma – Itália). A entrevista foi publicada no dia 29-06-2014  com o título “O comunismo nos roubou a bandeira”. Ao longo da entrevista, traduzida por ACI Digital, e reproduzida pela “Fraternidade O Caminho”, podemos ver que este título pode ser lido tal como o Santo Padre declarou na entrevista: “A bandeira dos pobres é cristã”.

Boa leitura! Que Deus nos abençoe com discernimento e fortaleza nestes tempos de crise moral, econômica, social e política, aliás, uma crise que vem  afetando o mundo inteiro  há pelo menos duas décadas. (LBN)

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Fonte: Fraternidade O Caminho (traduzido por ACI Digital)

Publicado em 1 de julho de 2014

Papa_Francisco_audiencia29ACI Digital oferece a seus leitores e ao público em geral a íntegra em português da entrevista que o Papa Francisco concedeu recentemente ao jornal italiano Il Messagero, publicada no domingo 29 de junho, festa dos Apóstolos Pedro e Paulo. Nesta oportunidade o Santo Padre fala da realidade de Roma, do comunismo, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política.

O texto original da entrevista encontra-se aqui.

E então, na partida a Itália x Uruguai. Santo Padre, para quem torcia?

Eu, para nenhum, na verdade. Prometi à presidenta do Brasil (Dilma Rousseff), que seria neutro.

Começamos por Roma?

Você sabia que eu não conheço Roma? Veja só, eu vi a Capela Sistina pela primeira vez quando participei do Conclave que elegeu Bento XVI (2005). Nem sequer estive nos Museus. O fato é que quando era Cardeal não vinha muito frequentemente. Conheço Santa Maria Maior porque ia sempre. E depois São Lorenzo Extra Muros, onde ia para as confirmações quando estava Dom Giacomo Tantardini. Obviamente conheço Piazza Navona porque sempre me alojei na Via della Scrofa, ali ao lado”.

Há um pouco de romano no Bergoglio argentino?

Pouco e nada. Eu sou mais do Piamonte, essas são as raízes de minha família de origem. Ainda estou começando a me sentir romano. Tenho a intenção de ir visitar o território, as paróquias. Estou descobrindo pouco a pouco esta cidade. É uma metrópole muito formosa, única, com os problemas das grandes metrópoles. Uma pequena cidade possui a estrutura quase inequívoca, uma metrópole, por outro lado, compreende sete ou oito cidades imaginárias, superpostas juntas, em vários níveis. Também em níveis culturais.

Penso, por exemplo, nas tribos urbanas juvenis. Ocorre o mesmo em todas as cidades. Em novembro faremos em Barcelona um congresso dedicado precisamente à pastoral das metrópoles. Na Argentina promoveu-se intercâmbios com o México. Descobriram muitas culturas cruzadas, mas nem tanto devido às migrações, mas porque se tratavam de territórios culturais transversais, feitos de pertences próprios. Cidades dentre de uma cidade. A Igreja deve saber responder a este fenômeno.

Por que S.S. desde o começo quis sublinhar tanto as funções de Bispo de Roma?

O primeiro serviço de Francisco foi este: ser o Bispo de Roma. Todos os títulos do Papa, Pastor universal, Vigário de Cristo, etecetera, são dados ao Papa precisamente porque é Bispo de Roma. É a eleição primitiva. As consequências do Primado do Pedro. Se amanhã o Papa quisesse ser o Bispo de Tivoli, certamente me removeriam.

Há 40 anos, com o Papa Paulo VI, o Vicariato (da diocese de Roma) promoveu o congresso sobre os males de Roma. Dali saiu um quadro da cidade onde os que tinham muito tinham o melhor, e quem tinha pouco, tinha o pior. Hoje, no seu parecer, Quais são os males desta cidade?

São os das metrópoles como Buenos Aires. Estão os mais beneficiados, e aqueles que estão cada vez mais pobres. Não sabia do congresso sobre os males de Roma. Estas são perguntas muito romanas, e eu então tinha 38 anos. Sou o primeiro Papa que não participou do Concílio e, naquela época, para nós a grande luz era Paulo VI. Para mim, a Evangelii Nuntiandi, sempre será um documento pastoral insuperável.

Existe uma hierarquia de valores a ser respeitada na gestão dos assuntos públicos?

É evidente. Tutelar sempre o bem comum. A vocação para qualquer político é esta. Um conceito amplo que inclui, por exemplo, a custódia da vida humana, de sua dignidade. Paulo VI costumava dizer que a missão da política permanece como uma das mais altas da caridade. Hoje o problema da política –não falo só da Itália, mas de todos os países, pois o problema é mundial-, é que se desenvolveu, arruinado pela corrupção, pelo fenômeno dos subornos.

Lembro-me de um documento que publicaram os bispos franceses há 15 anos. Era uma carta pastoral titulada: Reabilitar a política. Confrontava precisamente este argumento. Se não houver um serviço de base, não se pode sequer entender a identidade da política.

Sua Santidade disse que a corrupção cheira a putrefação. Disse também que a corrupção social é o fruto do coração doente e não só de condições externas. Não haveria corrupção sem corações corruptos. O corrupto não tem amigos, apenas idiotas que lhe são úteis. Poderia explicar-nos melhor isso?

Falei durante dois dias seguidos sobre este tema porque comentava a leitura da Vinha de Nabor. Eu gosto de falar sobre as leituras do dia. No primeiro dia confrontei a fenomenologia da corrupção, no segundo dia sobre como acabam os corruptos. O corrupto, portanto, não tem amigos, só tem cúmplices.

Você acredita que se fala tanto de corrupção porque os meios de comunicação insistem neste tema ou porque efetivamente se trata de um mal endêmico e grave?

Não, infelizmente o fenômeno é mundial. Há chefes de estado na prisão precisamente por isso. Perguntei-me muito sobre isto, e cheguei à conclusão que muitos males crescem sobre tudo durante as mudanças de época. Estamos vivendo mais que uma época de mudanças, mas uma mudança de época. E portanto, trata-se de uma mudança de cultura, precisamente desta fase emergem coisas assim. A mudança de época alimenta a decadência moral, não só na política, mas também na vida financeira ou social.

Também os cristãos parecem não brilhar por seu testemunho…

O ambiente é o que facilita a corrupção. Não digo que todos sejam corruptos, mas acredito que é difícil permanecer honestos nesta política. Falo de todo o mundo, não só da Itália. Penso também em outros casos. Às vezes há pessoas que queriam fazer as coisas mais claras, mas depois se encontram com dificuldades, e é como se fossem fagocitados por um fenômeno endêmico, a altos níveis, transversais. Não porque seja esta a natureza da política, mas sim porque em uma mudança de época, as tensões para uma certa deriva moral se tornam fortes.

O que mais o assusta: a pobreza moral ou material de uma cidade?

As duas me assustam. Um faminto, por exemplo, posso ajudá-lo para que não tenha mais fome, mas se tiver perdido o trabalho e não encontra outra ocupação, isso já é outra pobreza. Ele já não tem dignidade. Possivelmente possa ir à Cáritas e levar para casa um pouco de mantimentos, mas experimenta uma pobreza muito grave que arruína o seu coração. Um Bispo auxiliar de Roma me contou que muitas pessoas vão aos refeitórios populares em segredo, cheios de vergonha, e levam para casa a comida. Sua dignidade se empobreceu e vivem em um estado de prostração.

Pelas grandes ruas de Roma vê-se mulheres de apenas 14 anos, frequentemente obrigadas a prostituir-se no meio do descuido geral, enquanto que no metrô vê-se crianças mendigando. A Igreja é ainda fermento para a massa? Sente-se impotente como Bispo ante esta degradação cultural?

Sinto dor. Sinto uma enorme dor. A exploração de crianças me faz sofrer. Também na Argentina ocorre o mesmo. Para alguns trabalhos manuais se utiliza crianças porque têm as mãos menores pequenas. Mas elas também são exploradas sexualmente em hotéis. Uma vez me advertiram sobre uma rua de Buenos Aires onde havia garotinhas, prostitutas de 12 anos. Informei-me e efetivamente era sim. Isto me feriu. Mais ainda ao ver que eram abordadas por automóveis de grande cilindrada conduzidos por idosos. Podiam ser seus avós. Subiam a menina ao carro, davam-lhe 15 pesos que depois eram usados para comprar drogas, uma dose. Para mim as pessoas que fazem isto com meninas são pedófilos. Acontece também em Roma. A cidade eterna que deveria ser um farol no mundo é um espelho da degradação moral da sociedade. Penso que são problemas que se resolve com uma boa política social.

O que pode fazer a política?

Responder limpamente. Por exemplo, com os serviços sociais que permitam que as famílias entendam e tenham acompanhamento para sair de situações difíceis. O fenômeno indica uma deficiência do serviço social na sociedade.

A Igreja está trabalhando muitíssimo…

E deve continuar fazendo-o. Precisamos ajudar as famílias em dificuldade, uma tarefa árdua que requer esforço comum.

Em Roma cada vez menos jovens vão à igreja, não batizam seus filhos, não sabem nem sequer fazer o sinal da cruz. Que estratégia serviria para mudar esta tendência?

A Igreja deve sair às ruas, procurar às pessoas, ir às casas, visitar as famílias, ir às periferias. Não ser uma Igreja que só recebe, mas que oferece.

E os párocos devem então colocar chifres nas ovelhas (ndt: referindo-se a que os cristãos devem ser encorajados pelos párocos a serem mais agressivos no anúncio da Boa Nova)…

(Risadas) Obviamente. Estamos em uma época de missão há dez anos. Devemos insistir nisso.

Preocupa-lhe a cultura da não-natalidade na Itália?

Acredito que é preciso trabalhar mais pelo bem comum da infância. Pôr sobre a família um compromisso, às vezes não é suficiente com um salário, não se chega ao fim do mês. Existe o medo de perder o trabalho ou de não poder pagar mais o aluguel. A política social não ajuda. A Itália tem uma taxa de natalidade muito baixa, a Espanha também. A França vai um pouco melhor, mas também é baixa. É como se a Europa, cansou-se do papel de mãe e preferisse o de avó. Muito depende da crise econômica e não só de uma deriva cultural sobrecarregada no egoísmo e no hedonismo. O outro dia eu lia uma estatística sobre os critérios do gasto da população em nível mundial. Depois da alimentação, vestidos e remédios, três vozes necessárias, seguem a estética e os gastos com os animais domésticos.

As crianças importam menos que os animais?

Trata-se de outro fenômeno de degradação cultural. Isto é porque a relação afetiva com os animais é mais fácil, mais previsível. Um animal não é livre, enquanto que ter um filho é uma coisa complexa.

O Evangelho fala mais aos pobres ou aos ricos para convertê-los?

A pobreza está no centro do Evangelho. Não se pode entender o Evangelho sem entender a pobreza real, tendo em conta que existe também uma pobreza belíssima do espírito: ser pobre perante Deus porque Deus te preenche. O Evangelho se dirige indistintamente a pobres e ricos. E fala tanto de pobreza como de riqueza. Não condena para nada aos ricos, mas sim as riquezas quando se tornam objetos de idolatria. O deus dinheiro, o bezerro de ouro.

Sua Santidade tem fama de ser um Papa comunista, populista. A revista The Economist, que lhe dedicou uma capa, afirma que fala como Lenin. Identifica-se com isto?

Eu digo apenas que os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro do Evangelho. Os pobres estão no centro do Evangelho. Se olharmos Mateus 25, o protocolo sobre o qual seremos julgados: tive fome, tive sede, estive no cárcere, estive doente, nu. Ou olhemos as Bem-aventuranças, que é outra bandeira. Os comunistas dizem que tudo isto é comunista. Sim, como não, vinte séculos depois. Então quando falamos de comunistas, nós poderíamos virar e dizer: então vocês são cristãos! (risadas)

Se me permitir uma crítica…

Claro.

Você possivelmente fala pouco das mulheres e quando fala confronta o argumento só do ponto de vista maternal, a mulher esposa, a mulher mãe, etecetera. E as mulheres já dirigem estados, multinacionais, exércitos. Na Igreja, segundo você, que lugar ocupa as mulheres?

As mulheres são o mais formoso que Deus criou. A Igreja é mulher. Igreja é uma palavra feminina. Não se pode fazer teologia sem esta feminidade. Disto você tem razão, não se fala o suficiente. Estou de acordo que se deve trabalhar mais sobre a teologia da mulher. Eu já disse e se está trabalhando neste sentido.

Não entrevê uma certa misoginia de fundo?

O fato é que a mulher foi tirada de uma costela… (risadas). Brinco, eu só estava brincando. Estou de acordo que é necessário aprofundar mais na questão feminina, do contrário não se pode entender a Igreja em si mesma.

Podemos esperar de você decisões históricas, tipo uma mulher chefe de dicastério, não falo do clero…

(Risadas). Bom, muitas vezes os sacerdotes acabam sob a autoridade das beatas de igreja…

Em agosto S.S. irá a Coréia. É a porta para a China? Está apontando para a Ásia?

Irei à Ásia duas vezes em seis meses. À Coréia em agosto para encontrar aos jovens asiáticos. Em janeiro ao Sri Lanka e Filipinas. A Igreja na Ásia é uma promessa. A Coréia representa muito, tem uma história muito bonita, durante dois séculos não teve sacerdotes e o catolicismo avançou graças aos leigos. Houve também mártires. Quanto à China, trata-se de um desafio cultural grande. Maior. E depois está o exemplo de Matteo Ricci, que fez tanto bem…

Para onde está indo a Igreja de Bergoglio?

Graças a Deus não tenho nenhuma Igreja, sigo a Cristo. Não fundei nada. Do ponto de vista do estilo não mudei comparado a como eu era em Buenos Aires. Sim, possivelmente alguma coisa pequena, porque é devido, mas mudar na minha idade teria sido ridículo. Em meu programa, por outro lado, sigo o que os cardeais pediram durante as congregações gerais antes do Conclave. Vou nessa direção. O Conselho dos oito cardeais, um organismo externo, nasce daí. Haviam pedido para ajudar a reformar a Cúria. Algo por outro lado nada fácil, porque damos um passo, mas logo ocorre algo que mostra que falta isso ou aquilo, e se primeiro era um dicastério depois se converte em quatro… Minhas decisões são o fruto das reuniões Pré-Conclave. Eu não tenho feito nada sozinho.

Isto é uma aproximação democrática…

Foram as escolhas dos cardeais. Não sei se se trata de uma aproximação democrática, diria que foi mais sinodal, ainda que esta palavra para os cardeais não seja a apropriada.

Que deseja aos romanos pela festa dos padroeiros São Pedro e Paulo?

Que continuem sendo bons. São muito simpáticos. Vejo-os nas audiências e quando vou às paróquias. Espero deles que não percam a alegria, a esperança, a fé não obstante as dificuldades. Também o ‘romanaccio’ –dialeto romano-, é bonito.

Wojtyla tinha aprendido a dizer em dialeto romano. ‘nos amemos os uns aos outros, nos ofereçamos a outros’. Você aprendeu alguma frase em romano?

Por enquanto poucas, ´Campa e fa’ campa´ -viva e deixe viver- (termina o Papa com risadas).

Por ACI Digital.

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“(…)O diagnóstico do cenário mundial comprova o quanto o mundo sofre com os conflitos advindos de exclusão, marginalização e pobreza, como também pelas razões econômicas, políticas, ideológicas e até religiosas.(…)”- Artigo – Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

A cultura do encontro

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Belo Horizonte (RV) – A sociedade contemporânea, mesmo diante dos muitos recursos existentes e oportunidades disponíveis, particularmente pelos avanços tecnológicos, continua marcada por grandes desencontros. É verdade que se testemunha, com frequência, a partir dos atuais instrumentos, experiências bem-sucedidas de encontros, desdobrando-se em cooperação, concretização de projetos sociais, políticos e humanitários. No entanto, causa perplexidade, outros tantos exemplos de descompassos da sociedade moderna, que a colocam na contramão de grandes oportunidades. Há de se perguntar, permanentemente, a razão desses desencontros, para impulsionar a busca por soluções diante de cenários desanimadores.

Uma triste realidade que enjaula a cidadania numa esfera de privatização individualista, instaurando um “pé de guerra” entre grupos, povo e governos, dirigentes e operários. É estabelecido, assim, um caos que desassossega homens e mulheres de boa vontade.

Esse quadro desolador é facilmente verificado quando são submetidos a avaliações a atuação de governos, a grave realidade do descrédito aos políticos e o êxodo prejudicial das esferas de participação cidadã responsável. Uma triste realidade que enjaula a cidadania numa esfera de privatização individualista, instaurando um “pé de guerra” entre grupos, povo e governos, dirigentes e operários. É estabelecido, assim, um caos que desassossega homens e mulheres de boa vontade. De fato, quando se analisa o desânimo dos cidadãos na avaliação de governos, ou quando emitem juízos a respeito do esperado legado da Copa, compreende-se que falam mais forte os desencontros e os descompassos. Assim não pode ser e permanecer.

A “pátria de chuteiras”, pensando o Brasil apaixonado pelo futebol, às vésperas do início da Copa do Mundo, está decidida a pisar forte sobre tudo o que está comprometendo essa possibilidade, tão esperada, de um legado maior, global e capaz de colocar o Brasil, de fato, numa nova etapa política e social.

Urge uma reação cidadã, com incidências transformadoras em vários níveis, sem mesmo poder eximir desse processo de mudança a vida pessoal e familiar. Na contramão desse caminho, será fortalecida uma cultura de tecido duvidoso e prejudicial para o sentido autêntico de liberdade e autonomia. Crescerá a violência e o desrespeito à dignidade. A civilização estará ainda mais distante do indispensável sentido de altruísmo, de patriotismo e de pertença cidadã à nação. A “pátria de chuteiras”, pensando o Brasil apaixonado pelo futebol, às vésperas do início da Copa do Mundo, está decidida a pisar forte sobre tudo o que está comprometendo essa possibilidade, tão esperada, de um legado maior, global e capaz de colocar o Brasil, de fato, numa nova etapa política e social.

Os descompassos produzidos por tantos desencontros, explicados por erros de estratégia na atuação, por equívocos nas escolhas das prioridades sociais, por falta de competência humanística e ajustada visão antropológica de muitos profissionais da política; por falta de sensibilidade humanitária e visão mesquinha do dinheiro, resultam na incapacidade para gerar redes de solidariedade.

Sofre-se pela falta de lideranças com estatura, em diferentes níveis. Encontra-se, com mais facilidade, quem engrossa a voz dos coros de lamentação ou das ações vandálicas. Há uma carência de pessoas que se dedicam a uma atuação mais criativa, corajosamente inovadora e cidadã, especialmente no âmbito governamental, primeiro responsável pelo bem comum. Os descompassos produzidos por tantos desencontros, explicados por erros de estratégia na atuação, por equívocos nas escolhas das prioridades sociais, por falta de competência humanística e ajustada visão antropológica de muitos profissionais da política; por falta de sensibilidade humanitária e visão mesquinha do dinheiro, resultam na incapacidade para gerar redes de solidariedade.

Torna-se urgente investir, permanentemente, na cultura do encontro, indicação prioritária no ensinamento e no testemunho do Papa Francisco. A propósito da celebração anual do Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa trata o tema central da comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro. Não há outro caminho em busca da superação das divisões muito acentuadas na humanidade, responsáveis por abominações que pesam sobre as sociedades, sacrificando mais os pobres, inocentes e indefesos. O diagnóstico do cenário mundial comprova o quanto o mundo sofre com os conflitos advindos de exclusão, marginalização e pobreza, como também pelas razões econômicas, políticas, ideológicas e até religiosas.

É hora, pois, de uma ação transformadora, aproveitando os meios de comunicação, os megaeventos mundiais como a Copa do Mundo, e tantos outros de maior ou menor alcance e relevância, para recuperar o sentido perdido do outro, particularmente dos pobres, excluídos e vítimas dessas dinâmicas perversas alimentadas pela corrupção, pelas opções governamentais equivocadas, pela burocracia repugnante que retarda urgências, pela mesquinhez do individualismo exacerbado, sempre seguindo o princípio do “salve-se quem puder”.

É hora, pois, de uma ação transformadora, aproveitando os meios de comunicação, os megaeventos mundiais como a Copa do Mundo, e tantos outros de maior ou menor alcance e relevância, para recuperar o sentido perdido do outro, particularmente dos pobres, excluídos e vítimas dessas dinâmicas perversas alimentadas pela corrupção, pelas opções governamentais equivocadas, pela burocracia repugnante que retarda urgências, pela mesquinhez do individualismo exacerbado, sempre seguindo o princípio do “salve-se quem puder”. A comunicação produzida pela mídia no decorrer da Copa do Mundo não pode ser apenas estimuladora da euforia. É prioritário alimentar a sensibilidade social e política, em ano eleitoral, para fomentar discussões e posicionamentos em torno das questões mais urgentes que estão afligindo a vida do povo brasileiro.

Essa oportunidade não pode ser perdida, nem mal usada, sob pena de serem retardadas as respostas urgentes, de se impulsionar a violência nascida de revoltas desajuizadas, de se conviver com o inadequado desempenho de políticos. A sociedade brasileira está sinalizando que o esperado legado da Copa, razão de descontentamento geral, não pode ficar diluído nos estádios bilionários construídos. Um evento da magnitude de uma Copa do Mundo não pode ser apenas mais um carnaval que passou. Por princípios cidadãos e irrefutável força da fé, pelos debates e gestos concretos, agora é hora de recomposição do tecido social e político, no caminho da cooperação e proximidade, transformando o país a partir da cultura do encontro.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/06/06/a_cultura_do_encontro/bra-805009
do site da Rádio Vaticano

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“[…]Haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca?[…]” – Papa Francisco – 01 de junho – Conferência – XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS (Vaticano)

Aldeia_Global_Wikipedia

Fonte: VATICAN.VA

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro»

[Domingo, 1 de Junho de 2014]

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e econômicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não veem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de autorreferencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efetiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

Franciscus

 

Publicado em VATICAN.VA.

Imagem: Wikipedia.org.

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