São João da Cruz – presbítero e doutor da Igreja – Memória (Padres e Irmãos Paulinos)

14 São João da Cruz

Teresa de Jesus chamava-o de seu pequeno Sêneca, brincava amavelmente com a sua baixa estatura apelidando-o de meio homem, mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem  vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa (nasceu em 1542 em Fontiveros) João de Yepes é uma das figuras mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparentes da mística moderna. Verdadeiro mestre de vida espiritual, resumia o novo ideal de vida monástica em breves sentenças: “Não faças coisa alguma, nem digas palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias que tu, e tivesse a mesma saúde e idade tuas”. “Nada peças a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito”. “Renuncia aos teus desejos e encontrarás o que o teu coração deseja”. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos, após ter dado prova da sua imperícia nas várias ocupações às quais a família, muito pobre, tentou encaminhá-lo. Foi atacado por grande desilusão pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Quis remediar passando dos carmelitas aos cartuxos, cujas regras severas pareciam mais condizentes com o seu fervor ascético. Mas a essas alturas aconteceu o seu encontro com Teresa de Jesus, a reformadora das carmelitas. A santa fundadora tinha em mente ampliar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem carmelita, e seu tino delicado fê-la entrever naquele jovem frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o sócio ideal para levar adiante o seu corajoso projeto. E o jovem de vinte e cinco anos deu logo prova de grande coragem. Desde esse dia trocou o nome, chamando-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Mas a volta à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus-tratos físicos e difamações: em 1577 foi até preso por oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da Noite escura da alma, da Subida do monte Carmelo, do Cântico espiritual e da Chama de amor viva. Morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, a 14 de novembro de 1591. Canonizado em 1726, dois séculos depois Pio XI lhe conferiu o título de doutor da Igreja.

Extraído do livro: “Um santo para cada dia”, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Publicado em Padres e Irmãos Paulinos.

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A noite escura de São João da Cruz: alguns comentários

Em uma noite escura

De amor em vivas ânsias inflamada

Oh! Ditosa ventura!

Saí sem ser notada,

estando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,

Pela secreta escada, disfarçada,

Oh! Ditosa ventura!

Na escuridão, velada,

estando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,

E num segredo em que ninguém me via,

Nem eu olhava coisa alguma,

Sem outra luz nem guia

Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,

Com mais clareza que a do meio-dia

Aonde me esperava

Quem eu bem conhecia,

Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Em meu peito florido

Que, inteiro, para ele só guardava,

Quedou-se adormecido,

E eu, terna o regalava,

E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,

Quando eu os seus cabelos afagava,

Com sua mão serena

Em meu colo soprava,

E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,

O rosto reclinado sobre o Amado;

Tudo cessou. Deixei-me,

Largando meu cuidado

Por entre as açucenas olvidado.

De todos os poemas de São João da Cruz, este me é o mais caro. Cada vez que o leio, descubro novas coisas; cada vez que o leio, sinto uma santa inveja de amor tão ardente por Cristo Jesus.

Não pretendo, nestas considerações, esgotar todas as leituras possíveis. Nem isto seria possível.

Aos carmelitas, peço, desde já, mil desculpas se minha interpretação não for sequer infimamente digna. Ajudem-nos com seus comentários.

Na tradição cristã, Cristo é apresentado como o Amado, viril e forte, que corteja a sua amada (a Igreja fundada sobre Pedro, por quem Ele se entregou; e, por extensão, cada fiel por Ele conquistado), dando a Sua vida por ela. A Cruz é vista como o leito nupcial, onde estes amantes se encontram, e no qual o Amado gera, na Amada, uma vida nova. Neste sentido vemos, no final do poema, que o primeiro a adormecer (a morrer na Cruz) é o Amado (quedou-se adormecido), para, somente depois, adormecer também a amada (com o significativo gesto de inclinar a cabeça de Jo 19, 30), sobre o peito do amado.

Assim, o misticismo católico (do qual, talvez, São João da Cruz seja o mais alto exponente) sempre aponta a Cruz como sendo o caminho mais curto e delicioso para o Homem encontrar o criador. O cristão que não carrega sua cruz, que não a aceita, não se encontra com Cristo, não entra numa relação de amor com Ele, e não tem gerada, dentro de si, a nova vida que nos conduz ao céu.

Neste poema, a Cruz é substituída pela expressão “noite escura”. Todos nós já tivemos “noitas escuras” em nossas vidas. São aqueles momentos de agudo sofrimento, nos quais nossas seguranças mesquinhas (dinheiro, prazeres, comodidade, afetividade, etc.) nada nos dizem; nos quais nossas forças e nossa inteligência nada podem. Noites tenebrosas, de lágrimas e de desespero. Noites em que clamamos e nas quais o Senhor se mantém em silêncio.

Para o mundo, para os não-cristãos, estas “noites escuras” são a mais solene prova de que Deus não existe. Ou, se existe, de que não os ama. Por isto, todos fogem dela. Preferem dormir a enfrentá-la (estando já minha casa sossegada), pois, dormindo, têm a ilusão de que a mesma passará mais rapidamente.

O Cristão, no entanto, pode enfrentá-la. Se todas as luzes do mundo se apagaram, se todas as nossas seguranças e todas as nossas forças nada podem, é o momento propício para que nos abandonemos em Deus. O cristão, ainda que com medo, vai ao encontro desta noite (saí sem ser notada; na escuridão segura; na escuridão velada), pois sabe que é através desta noite escura que brilhará a luz de Deus. Sobe, ainda que dolorosamente, nas cruzes que surgem em suas vidas. A escada secreta de que nos fala o poema é símbolo da Cruz. É a escada de Jacó, que liga o céu e a terra, e pela qual todos devemos subir se quisermos entrar no paraíso.

Mas a luz de Deus, para aqueles que se aventuram em enfrentar a “noite escura”, brilha mais do que a luz do mundo (nem eu olhava coisa alguma,/Sem outra luz nem guia/Além da que no coração me ardia./ Essa luz me guiava, Com mais clareza que a do meio-dia). A “noite escura” é o momento ideal para que o cristão perceba que a luz do mundo são trevas; e que, as trevas em Deus, são luzes potentes que nos conduzem a Ele (Essa luz me guiava, /Com mais clareza que a do meio-dia/ Aonde me esperava/ Quem eu bem conhecia, Em lugar onde ninguém aparecia.) E ninguém aparece neste lugar porque todos fogem da Cruz. A Cruz é o único lugar onde somente Cristo nos espera, pois todos os outros deuses, todos os outros ídolos do mundo nela não têm espaço.

Subindo na Cruz, entrando pela noite escura, o cristão é conduzido a Cristo. Encontra-se com seu Amado; encontra-se com a razão de sua vida e, finalmente, percebe que a Cruz, que a noite escura, que o sofrimento pelo qual passou foi um grandíssimo dom de Deus. Por esta cruz, morreu o homem velho; atravessada a noite escura, rompeu o cristão com os laços que o prendiam ao pecado e àqueles que renegam a Cristo.

Que maravilha é ouvir um testemunho neste sentido! Quantas vezes já não ouvi cristãos que, após esta vivência, afirmam que não trocariam os sofrimentos passados pela comodidade do mundo. Que não pediriam para Deus uma história diferente. Cristãos que podem afirmar, com toda a convicção :

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Afinal, tornou-se um com Cristo. Entrou na comunhão da Trindade Santíssima. Pode desprezar, finalmente, os prazeres do mundo e almejar as coisas do alto. Como disse São Paulo, não se encontra mais dividido (Esquecida, quedei-me, O rosto reclinado sobre o Amado; Deixei-me, Largando meu cuidado Por entre as açucenas olvidado.)

Afinal “tudo cessou.” Só lhe importa o precioso tesouro do Amor de infinito de Cristo.

Que o Senhor nos ajude, e nos conceda inúmeras “noites escuras” durante a nossa peregrinação terrestre.

Fonte: Veritatis Splendor .

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Veja também: Homilia Diária: Memória de São João da Cruz, Presbítero e Doutor da Igreja (1656: 14 de dezembro)

Santa Teresa de Ávila – Solenidade – 15 de outubro: “Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza, Ele responde”””

Os preparativos para a comemoração dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Ávila (1515-1582)  transcorrem com entusiasmo na cidade de Ávila, na Espanha. Seu legado ainda hoje repercute nas almas que vivem em um mundo conturbado, pouco afeito a escutar o próprio coração, de tão bombardeado que está por informações, em geral, desconexas, desencontradas. Mas, àqueles que resistem e se empenham nesta jornada interior rumo à plena comunhão com Deus, tal como propunha Santa Teresa, é fornecido através de seus escritos, um itinerário de caminhada na oração, de modo que nenhuma perturbação tenha o poder de nos dominar, nenhum obstáculo possa nos afastar deste caminho, que uma vez empreendido se torna presença constante em nossos corações. Santa Teresa de Jesus guiai-nos nesta trajetória  de amor à perfeição, que somente as almas dos filhos de Deus podem querer e almejar! Amém!

Lúcia Barden Nunes

 

Fonte: Portal Paulinas.

15 de Outubro – Santa Teresa de Ávila

Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus Carmelita e doutora da Igreja (1515-1582)
Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus
Carmelita e doutora da Igreja (1515-1582)

Teresa de Cepeda y Ahumada, nascida em Ávila, na Castela Velha, de nobre família, começou cedo a dar prova de temperamento vivaz, fugindo de casa aos sete anos para buscar o martírio entre os mouros da África, por amor de Cristo. Mas aos 16 anos começou a se embelezar por amor de um simples mortal. E o pai, por um compreensível ciúme, para protegê-la, confiou-a a um convento de freiras.

Aos 20 anos, contrariando os programas paternos, decidiu ser freira. Houve poucos anos de vida regular, pois ela também cedeu a certa moda. As vozes interiores não lhe deram tréguas e ela sentiu um desejo sempre mais insistente de retornar ao primitivo rigor dos carmelitas, sendo objeto de extraordinárias experiências místicas, traduzidas depois, por obediência, em vários tratados de oração mental, citados entre os clássicos da literatura espanhola.

Aos 40 anos ocorre a primeira grande virada na vida desta imprevisível santa de idéias generosas. Depois das aflições interiores, dos escrúpulos e daquilo que na mística é chamado de “noite dos sentidos” — quer dizer, trevas interiores, a prova mais dura de uma alma superar —, dá-se o encontro iluminador com dois santos, Francisco de Borja e Pedro de Alcântara. Estes a repõem no bom caminho, na via da total confiança em Deus.

Em 1562, ela funda em Ávila o convento reformado sob o patrocínio de São José. Cinco anos depois, um outro decisivo encontro: João da Cruz, o príncipe da teologia mística. Os dois foram feitos para se entenderem. Inicia assim aquele singular conúbio, em meio a ardentíssimos arrebatamentos místicos e ocupações práticas do dia-a-dia, que dela fazem a santa do bom senso, uma contemplativa imersa na realidade.

Ela possui a chave para entrar no Castelo interior da alma, “cuja porta de ingresso é a oração”, mas ao mesmo tempo sabe tratar egregiamente de matérias econômicas. “Teresa”, diz ela argutamente, “sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma força; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “freira viajante”) para erigir novos conventos reformados e revela-se uma hábil organizadora.

Escreve a história da própria vida, um livro de confissões extraordinariamente sinceras: “Como me mandaram escrever o meu modo de fazer oração e as graças que o Senhor me fez, eu queria que me tivessem concedido o poder de contar minuciosamente e com clareza os meus grandes pecados”. Morre pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Em 1970, Paulo VI proclamou-a doutora da Igreja.

Publicado em Portal Paulinas.

Leia também: Canção Nova Formação – Frases de Santa Teresa de Ávila.

“A compaixão é a misericórdia que se inclina sobre a miséria e mostra a grandeza da alma.” – Pe. Antônio Francisco Bohn (Quinta-Feira Santa – 2014)

William-Adolphe Bouguereau(1825-1905) – “Compassion” (1897)

A indiferença e o individualismo como fontes da falta de compaixão

Lúcia Barden Nunes

Nosso tempo é marcado por duas características: a indiferença e o individualismo. Ambos já permeiam até mesmo o convívio familiar. Falas ou mensagens rápidas pelo celular; e-mails raros e telegráficos – cartas, nem pensar, e visitas – bem, a agenda está cheia para a maioria. Não devia ser assim porque o tempo deve ser vivido por nós e não o contrário – ele nos apressar, até quando não é necessário. Vivemos em uma sociedade superficial e volúvel. Não devíamos abrir mão de nossos afetos por uma suposta falta de tempo. Quando nosso coração está partido, ou enfrentamos todo tipo de dificuldades que podem surpreender-nos ao longo da vida,  podemos “estranhamente” receber a mesma falta de tempo

Acredito que não é uma regra, mas a pressa, a superficialidade estão pautando os relacionamentos. Fica um vazio que nada preenche, simplesmente porque nada pode preencher o lugar do amor. As cidades estão cheias de pessoas vazias por sua própria conta, enquanto outras se encontram esvaziadas de amor…

Padre Antônio Francisco Bohn, em um pequeno texto na Folhinha do Sagrado Coração, afirma o seguinte:

“A compaixão é que torna o coração verdadeiramente humano. Ela é uma virtude. (….) Inicie suas atividades com o pensamento voltado para o Sagrado Coração de Jesus. Você é a beleza da vida, obra-prima do Criador, a síntese de seu amor. Jesus deve estar em seu pensamento e no seu caminho. Nele você deve confiar todos os seus atos em cada minuto deste dia. Só um espírito bom pode ser compassivo. Quem se compadece dos outros, de si próprio se lembra. A compaixão se manifesta por atos e nela é essencial a bondade. Quando a pessoa tem compaixão das demais, Jesus tem compaixão dela. A compaixão é a misericórdia que se inclina sobre a miséria e mostra a grandeza da alma.”

Tenho pensado que a compaixão parece que deixou de ser um valor universal, e lamentavelmente, a razão pode se dever ao fato, entre outros, de nos permitirmos viver com um um mínimo de afetividade. Vamos ficando cada vez mais vez mais áridos, vazios.

Talvez precisemos retomar o “trabalho da formiguinha”: cada um de nós pode não ter mais influência na cultura de falta de compaixão, indiferença já instaladas, mas, é certo que podemos fazer a nossa parte…  Podemos nos dar uma chance de termos compaixão quando a circunstância se apresenta à nossa frente. Podemos ter a certeza de que nosso peito se aquecerá neste gesto…

Que Deus tenha sempre compaixão de nós. Amém.

LBN

Fonte/imagem: http://www.territorioscuola.com/wikipedia/pt.wikipedia (termo “Compaixão)

 

“Olhando para o ser humano descobrimos que a pessoa vive ao mesmo tempo fatos exteriores que o ajudam a ir crescendo e fatos interiores, sem sinais visíveis de seu passo, mas que o completam em seu círculo vital.(…)” – Artigo: “O Caminho espiritual de Teresa” – V Centenário Santa Teresa de Jesus (STJ500)

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Fonte: V Centenário Santa Teresa de Jesus – Para Vos Nasci 0 – STJ500.

O Caminho espiritual de Teresa

“Olhando para o ser humano descobrimos que a pessoa vive ao mesmo tempo fatos exteriores que o ajudam a ir crescendo e fatos interiores, sem sinais visíveis de seu passo, mas que o completam em seu círculo vital. E tão interior e invisível que, às vezes, o próprio interessado morre sem reconhecê-lo e sem saber que o tinha realizado.

Não é o caso de Teresa, que além de conhecer com precisão suas etapas nos transmitiu o relato que o certifica. E graças a isso conhecemos não só as datas importantes de sua vida e os acontecimentos exteriores, mas também conhecemos seu próprio itinerário espiritual.

Itinerário que começa no lar, guiada pelos exemplos e a piedade sincera e simples de seus pais que fundamentam toda sua vida, o que ela chama a “verdade de quando menina”, que não é outra coisa senão o descobrimento do fugaz e relativo desta vida, frente ao transcendente e eterno de Deus.

Algo vai movê-la a buscar o martírio ingenuamente, fugindo de casa, ou a construir ermidas no horto paterno, enquanto repete com seu irmão insistentemente aquilo de “Para sempre, sempre, sempre”. Movimento que culmina com o recurso à Virgem pedindo que seja sua mãe, quando morre Dona Beatriz.

Logo virá um tempo de esfriamento espiritual, absorvida pelo afã de comprazer e deslumbrar com seus dotes femininos a seus primos, da qual sai, à força e sem muita vontade de mãos de seu pai que a ingressa nas Agostinianas.

Será nesse convento da Agostinianas contando 17 anos, onde renasce “a verdade de quando menina”, e sua primeira inquietude vocacional, ao contato com as religiosas. Inquietude que aviva com a leitura de livros piedosos e entre eles as cartas de São Jerônimo, fazendo com que tomasse a decisão de entrar carmelita na Encarnação de Ávila, onde viverá feliz 27 anos. Primeiro cheios de fervor, depois o ingresso e a profissão e de exemplo no padecer em que desemboca a primeira enfermidade séria onde fica tolhida por três anos.

Durantes os mesmos vai se recuperando graças a São José. Inicia ao mesmo tempo uma certa “frieza” espiritual, onde quer unir sua entrega à oração, amizade com o Senhor, que chega a abandonar, com o cultivo das amizades. A leitura das Confissões de Santo Agostinho e o encontro inesperado com uma imagem de Cristo, na Quaresma de 1554, propiciam o que conhecemos como sua conversão e entrega, já sem retrocessos a uma vida espiritual intensíssima, incentivada por diferentes graças místicas, visões imaginárias, intelectuais, e alocuções com que o Senhor a regala e instrui, enquanto recorre aos doutores e espirituais que vão ajudá-la a clarear seu caminho.

Uma das visões, será no outono de 1560, a visão do inferno, em que experimenta os padecimentos do lugar que teria correspondido a seus pecados se não tivesse se convertido. Graça que a motiva o querer ser mais fiel ao “chamamento” recebido à vida religiosa, e de onde surge a criação de um convento com novo estilo de servir a Deus, e viver a fraternidade, que será o convento de São José.

A profundidade espiritual com que vive naqueles cinco anos de sossego, entregada à contemplação, fazem crescer até limites inimagináveis suas ânsias de ajudar a Igreja e de salvar almas, e como a oração deve desembocar em obras, entra de cheio a fundar Mosteiros, segundo o padrão do convento de Ávila.

Um parênteses nesta tarefa que lhe impõe a obediência no priorado da Encarnação, e sob a guia de Frei João da Cruz, facilitam o momento cume de sua vida espiritual recebendo a graça suprema do matrimônio Espiritual, que coroa sempre o caminho espiritual de quem se entrega de verdade e todo a Deus, conforme ensina a própria santa em sua obra principal: As Moradas ou Castelo Interior.” (STJ500)

Publicado em V Centenário Santa Teresa de Jesus – Para Vos Nasci 0 – STJ500.

Santa Teresa de Jesus – Vida, Tempo, Obra e Espiritualidade (Para Vós Nasci – V Centenário de Santa Teresa de Jesus)

“Vossa sou, para Vós nasci.” (Santa Teresa de Ávila)

Fonte: carmelitaspt

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Fonte:  STJ500- V CENTENÁRIO SANTA TERESA DE JESUS (texto na íntegra)

Vida, tempo, obra e espiritualidade de Santa Teresa de Jesus

Biografia

Teresa de Jesus, sem nenhuma dúvida, a figura mais importante da cidade de Ávila, onde nasceu. Daqui a pouco se cumprirão quinhentos anos, o dia 28 de Março de 1515, quarta feira para ser mais exato, às cinco da manhã como escreveu seu pai D. Alonso Sanchez de Cepeda, filho de João Sanches, um judeu toledano converso e bom comerciante, que se translada a morar em Ávila onde seu filho casa. (…)

O Caminho espiritual de Teresa

Olhando para o ser humano descobrimos que a pessoa vive ao mesmo tempo fatos exteriores que o ajudam a ir crescendo e fatos interiores, sem sinais visíveis de seu passo, mas que o completam em seu círculo vital. E tão interior e invisível que, às vezes, o próprio interessado morre sem reconhecê-lo e sem saber que o tinha realizado.

Não é o caso de Teresa, que além de conhecer com precisão suas etapas nos transmitiu o relato que o certifica. E graças a isso conhecemos não só as datas importantes de sua vida e os acontecimentos exteriores, mas também conhecemos seu próprio itinerário espiritual.

Itinerário que começa no lar, guiada pelos exemplos e a piedade sincera e simples de seus pais que fundamentam toda sua vida, o que ela chama a “verdade de quando menina”, que não é outra coisa senão o descobrimento do fugaz e relativo desta vida, frente ao transcendente e eterno de Deus.

Algo vai movê-la a buscar o martírio ingenuamente, fugindo de casa, ou a construir ermidas no horto paterno, enquanto repete com seu irmão insistentemente aquilo de “Para sempre, sempre, sempre”. Movimento que culmina com o recurso à Virgem pedindo que seja sua mãe, quando morre Dona Beatriz.

Logo virá um tempo de esfriamento espiritual, absorvida pelo afã de comprazer e deslumbrar com seus dotes femininos a seus primos, da qual sai, à força e sem muita vontade de mãos de seu pai que a ingressa nas Agostinianas.

Será nesse convento da Agostinianas contando 17 anos, onde renasce “a verdade de quando menina”, e sua primeira inquietude vocacional, ao contato com as religiosas. Inquietude que aviva com a leitura de livros piedosos e entre eles as cartas de São Jerônimo, fazendo com que tomasse a decisão de entrar carmelita na Encarnação de Ávila, onde viverá feliz 27 anos. Primeiro cheios de fervor, depois o ingresso e a profissão e de exemplo no padecer em que desemboca a primeira enfermidade séria onde fica tolhida por três anos.

Durantes os mesmos vai se recuperando graças a São José. Inicia ao mesmo tempo uma certa “frieza” espiritual, onde quer unir sua entrega à oração, amizade com o Senhor, que chega a abandonar, com o cultivo das amizades. A leitura das Confissões de Santo Agostinho e o encontro inesperado com uma imagem de Cristo, na Quaresma de 1554, propiciam o que conhecemos como sua conversão e entrega, já sem retrocessos a uma vida espiritual intensíssima, incentivada por diferentes graças místicas, visões imaginárias, intelectuais, e alocuções com que o Senhor a regala e instrui, enquanto recorre aos doutores e espirituais que vão ajudá-la a clarear seu caminho.

Uma das visões, será no outono de 1560, a visão do inferno, em que experimenta os padecimentos do lugar que teria correspondido a seus pecados se não tivesse se convertido. Graça que a motiva o querer ser mais fiel ao “chamamento” recebido à vida religiosa, e de onde surge a criação de um convento com novo estilo de servir a Deus, e viver a fraternidade, que será o convento de São José.

A profundidade espiritual com que vive naqueles cinco anos de sossego, entregada à contemplação, fazem crescer até limites inimagináveis suas ânsias de ajudar a Igreja e de salvar almas, e como a oração deve desembocar em obras, entra de cheio a fundar Mosteiros, segundo o padrão do convento de Ávila.

Um parênteses nesta tarefa que lhe impõe a obediência no priorado da Encarnação, e sob a guia de Frei João da Cruz, facilitam o momento cume de sua vida espiritual recebendo a graça suprema do matrimônio Espiritual, que coroa sempre o caminho espiritual de quem se entrega de verdade e todo a Deus, conforme ensina a própria santa em sua obra principal: As Moradas ou Castelo Interior.

Escritos Teresianos

A grande maioria dos humanos morre sem deixar vestígios de seu passo pelo mundo onde vivera. Até a memória familiar dos filhos gerados não vai além dos netos e termina na segunda geração.

Alguns plantam uma árvore, mas mesmo que dure séculos, quem desfruta sua sombra ou come seu fruto nem sabe quem plantou, nem guarda sua memória agradecida.

Outros escrevem um livro, que perdura mais, mas mesmo assim com o passar dos anos também terminam esquecidos nas Bibliotecas sem que ninguém os leia, nem lembre o autor.

Só uns poucos privilegiados, como Teresa de Jesus, escrevem livros que desafiam ao tempo e se continuam lendo depois de séculos, porque tem a frescor do recém escrito, de uma palavra viva e quente com um pão que saiu do forno.

Dizem os biógrafos que começou a escrever na adolescência, um livro de cavaleiros, e não é de duvidar pois com tanta leitura desses livros poderia ter escrito. E como continuou lendo outros livros de um fundo mais espiritual, também isso pode ter ajudado a ser escritora.

Mas a verdade é que quando quis relatar suas primeiras experiências íntimas e místicas se encontrou sem palavras e só soube citar um livro dos que tinha lido. Até que recebeu também a graça de dizer e escrever o que vivia.

Daí sua Autobiografia, o livro das Misericórdias do Senhor, escrito buscando luz de seus conselheiros, e, onde quer deixar constatado, ao narrar as graças recebidas o que Deus faz se encontra uma alma disponível. E com isso quer “engulosinar” ( adoçar) ao leitor e que se aproxime a Deus para experimentá-lo. O livro o escreverá duas vezes, porque deslumbrados seus confessores pelo primeiro relato lhe pedem que o amplie e que se estenda em dar-lhes mais doutrina sobre a vida de oração.

Será feito no convento de São José, despertando em suas filhas, que o veem, o desejo de ler e de ser instruídas na mesma matéria. E como ao confessor não lhe parece muito bem, escreve para elas o Caminho de Perfeição, onde descreve o itinerário espiritual como um caminho – o da oração -, que culmina em uma fonte, que é a contemplação, que pode se chegar até com a reza do Pai Nosso que ali descreve. Mas sem deixar de advertir e chamar a atenção da necessidade de cultivar virtudes necessárias para o caminho, como o amor, o desapego, a humildade. Também este livro vai escrevê-lo duas vezes.

Mais adiante a instancia e pedido dos confessores escreverá o livro do Castelo Interior, sua obra máxima, onde de forma mais anônima transmite igualmente sua experiência espiritual. Aquela que nasce de ter descoberto que Deus vive no profundo da alma de cada um e nos convida a aprofundar cada vez mais adentro até chegar a essa última Morada íntima, onde Ele regala copiosamente a quem se lhe aproxima, ao mesmo tempo em que o obriga a uma entrega generosa como sinal da autenticidade do encontro.

Também escreveu o livro das Fundações, para narrar a história de cada uma das que fez, dar testemunho de que tudo tinha sido mais obra de Deus que sua e ao mesmo tempo nos oferece um perfil dos numerosos personagens que intervieram e sem deixar de oferecer doutrina a seus seguidores.

E por escrever, além de outros menores, como os Conceitos, escreveu […] cartas, que nos trazem o dia a dia de suas preocupações. E mais ainda, os bastidores de seu temperamento para enfrentar pelo que é um elemento indispensável para conhecer de verdade a Teresa em sua dimensão mais autêntica, humana e espiritual.

E são todos os escritos juntos os que aproximam o leitor de hoje e de sempre sua figura, como a de um personagem real e amigo que nos fala também do humano e o divino, ganhando nossa simpatia, propagando sempre aquela sua “verdade de quando menina” que é a única que pode dar à vida um valor transcendente, buscando o preferir e cultivar melhor o que seja “para sempre, sempre, sempre” e não o efêmero.

Seu Tempo

Se a vida de qualquer pessoa está condicionada, como sabemos, por suas circunstâncias, somos obrigados referir-nos a elas, se queremos enquadrar a vida de Teresa. E dentro dessa História que emoldura a sua, cabe ressaltar o que chamaríamos dimensão civil da mesma e seu entorno religioso, de singular importância também em uma sociedade tão sacralizada como a que viveu Teresa.

Quando Teresa nasce, reina na Espanha, Fernando, o Católico (…)

Publicado em  Para Vós Nasci – STJ-500.

“Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna”. João 6, 68 (Evangelho Quotidiano – 18.01.2014)

Sábado, dia 18 de janeiro de 2014.

Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum

Santo do dia : Santa Prisca ou Priscila, v. m., +séc. I(?),  Santa Margarida da Hungria, v., +1270

Leituras

Comentário do dia : Concílio Vaticano II
Ao passar, viu Levi […] e disse-lhe: «Segue-Me.»

Evangelho segundo S. Marcos 2,13-17.
Naquele tempo, Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os.
Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus.
Depois, quando se encontrava à mesa em casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores também se puseram à mesma mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam.
Mas os doutores da Lei do partido dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos discípulos: «Porque é que Ele come com cobradores de impostos e pecadores?»
Jesus ouviu isto e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

Publicado em Evangelho Quotidiano.

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The Priests : “Pie Jesus”

“The Priests” (2009): Pe. David Delargy, Pe. Eugène e Pe. Martin OHagan (Irlanda).

Pie Jesu – Live at Armagh Cathedral – ThePriests Official

Pie Jesu

Pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu
Qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem, dona eis requiem
Pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu
Qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem, dona eis requiem

Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei

Qui tollis peccata mundi

Dona eis requiem, dona eis requiem

Dona eis requiem

Sempiternam

Dona eis requiem

Sempiternam

Requiem

Piedoso Jesus

Piedoso Jesus, piedoso Jesus, piedoso Jesus,
Que tirais o pecado do mundo,
Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descanso
Piedoso Jesus, piedoso Jesus, piedoso Jesus,
Que tirais o pecado do mundo,
Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descanso

Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus

Que tirais o pecado do mundo,

Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descanso

Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descanso

Por todo o sempre

Dá-lhes o descanso

Por todo o sempre

Descanso

Fonte (letra/tradução): musica.com.br/artistas/katherine-jenkins/m/pie-jesu/traducao

Merciful Jesus

Merciful Jesus, merciful Jesus, merciful Jesus, merciful Jesus
Father, who takes away the sins of the world
Grant them rest, grant them rest

Merciful Jesus, merciful Jesus, merciful Jesus, merciful Jesus
Father, who takes away the sins of the world
Grant them rest, grant them rest

Lamb of God, Lamb of God, Lamb of God, Lamb of God

Father, who takes away the sins of the world
Grant them rest, grant them rest
everlasting
everlasting
Rest

Fonte (tradução para o Inglês): youtube.com/watch?v=1UYDHkLbWgg

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Natal de Jesus: um menino que nasce – envolto em mistério – para ensinar a força do perdão e do amor

Entraremos na semana do Natal dentro de poucos dias, quando todo o mundo ocidental-cristão, tradicionalmente, comemora um acontecimento ocorrido há dois mil anos: o nascimento de uma criança, de um menino – Jesus. Ainda que o sentido da festa esteja comprometido em razão do apelo comercial excessivo, o significado da vinda do Jesus – “Homem”, continua sendo muito significativo em todas as partes do mundo.

Por pensar deste modo, apresento a vocês uma composição visual que, admito, produzi, com certa dificuldade. É fruto da manipulação de algumas imagens muito belas que encontrei no site que refiro mais abaixo, com o fito de representar uma cruz. Posso dizer que pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Acredito ser óbvio o motivo (pelo menos, para mim o é): fala em essência da Cristandade.  Em seu conjunto, podemos concluir que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, que se deu através do “sim” corajoso e total da Virgem Maria.

Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos:  “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“.

Preparemo-nos interiormente para o verdadeiro sentido do Natal. (LBN)

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Crédito/imagens:

http://www.turnbacktogod.com/jesus

“O Evangelho de Jesus, acolhido com fé verdadeira, traz alegria incontida e precisa ser partilhado com outras pessoas.” – Dom Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo – SP (CNBB – 27.11.2013)

“JESUS MISERICORDIOSO – Eu confio em Vós”: Impressão poligráfica, replicada a partir da pintura revelada por Jesus a Santa Faustina Kowalska (1931), em visão mística (e, oficialmente aprovada pela Igreja Católica). Pintura restaurada em 2005.

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Com a recém anunciada Exortação Apostólica – Evangelii Gaudium, o Papa Francisco traz o que no mundo católico é tido como uma verdadeira boa nova.  Ela vem para conquistar as consciências de homens e mulheres que se lançam à evangelização em tempos voláteis, relativistas. Esta é a “Nova Evangelização” há muito aguardada por leigos e consagrados, e vem com um tom surpreendentemente positivo numa época permeada pelo que os especialistas chamam de “cultura da morte”. Evangelii Gaudium fala de alegria no anúncio do Evangelho.

Poderia não ter tido esta ênfase, mas o Papa quer trazer uma visão positiva da vida no mundo, justamente para resgatá-lo de suas obscuridades. Certamente, quer alcançar os jovens e os que se afastaram até mesmo da vida cristã  devido às pressões de uma cultura voltada à busca de satisfações  imediatas (consumo desenfreado) ou, então, estão alijados porque perdidos no emaranhado de caminhos que sugerem facilidades, mas que na verdade, confundem as mentes com  sugestões de auto-aniquilamento (em nome de uma suposta mudança de paradigma).

Também não ficam fora do foco da Exortação Apostólica – Evangelii Gaudium – os indivíduos que não estão sendo alcançados pela evangelização porque se encontram em situações de pobreza crônica. O desperdício em nossas sociedades, que anda ao lado da indigência ou linha da miséria o deixa escandalizado. Papa Francisco, nesse sentido, não admite o esquecimento de nenhuma ovelha perdida; quer trazer todas de volta o aprisco. Assim, todos somos convocados a buscá-las e encontrando-as, não ter outra atitude que não a do acolhimento irrestrito em nome  Igreja – o corpo de Cristo, que é a cabeça. E, mais, é católica porque sua vocação é a acolhida, já que  o termo  katholikos traz o significado de “geral” ou “universal”. (LBN)

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Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

A alegria do Evangelho

27 de novembro de 2013

Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

No Domingo de Cristo Rei, 24 de novembro, o papa Francisco brindou a Igreja com uma bela Exortação Apostólica sobre a evangelização, chamada: Evangelii gaudium – “A Alegria do Evangelho”. É um presente feito à Igreja no encerramento do Ano da Fé, ao longo do qual ela procurou, em todas as suas comunidades, recobrar o fervor da fé.

A Exortação Apostólica traz as contribuições e impulsos da assembleia do Sínodo dos Bispos de outubro de 2012, sobre o tema da “nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Mas também representa uma palavra pessoal do Papa Francisco e retrata sua experiência pessoal de “nova evangelização” na América Latina, especialmente, aquela do Documento de Aparecida.

O Evangelho de Jesus, acolhido com fé verdadeira, traz alegria incontida e precisa ser partilhado com outras pessoas. Quem encontrou Jesus, o Salvador e Senhor, fica de tal modo marcado e fascinado, que não pode segurar só para si essa boa experiência da fé; como os pastores da noite do nascimento de Jesus, em Belém (cf Lc 2,8-20), ou como os apóstolos, no início da pregação do Evangelho (cf At 4,20), também a Igreja sente-se impulsionada a comunicar também aos outros “o que viu e ouviu”.

Assim aconteceu no tempo de Jesus e dos Apóstolos e continuou a acontecer, ao longo da História, em tantas ocasiões e com uma multidão de pessoas. E acontece ainda hoje que homens e mulheres que acolhem com fé e alegria o Evangelho de Cristo, orientando suas vidas para Ele. Muitas pessoas batizadas fazem a experiência de sentir-se amadas por Deus e despertam para um generoso compromisso missionário e evangelizador.

O Evangelho é boa notícia para o nosso mundo e assim deve ser anunciado.  A alegria da fé, nascida do Evangelho, continua a levar a Igreja a anunciar e a compartilhar com outros o dom recebido, mesmo a custo de muitos sacrifícios e cruzes.

No encerramento do Ano da Fé, somos todos novamente enviados em missão, como “discípulos do Reino de Deus”. Anunciar o Evangelho e testemunhar a força e a eficácia de sua ação transformadora não deveria ser uma obrigação pesada, mas uma necessidade que brota do coração agradecido de quem encontrou as razões para crer: “ai de mim, se eu não pregar o Evangelho!” (1Cor, 9,16).

No Brasil, a solenidade de Cristo Rei e, neste ano, o encerramento do Ano da Fé, coincidiram com o início da Campanha Nacional para a Evangelização. Durante três semanas, somos convidados a refletir sobre a realidade da evangelização no Brasil, a rezar e a nos empenhar para que ela aconteça em todos os cantos de nosso País; no terceiro Domingo do Advento, faz-se a coleta em favor da evangelização, como gesto concreto de apoio a esta obra prioritária da Igreja.

Nada mais justo e acertado: o encontro renovado com Cristo Senhor aprofunda os laços da nossa fé; e esta leva-nos a anunciar a alegria do Evangelho, para ajudar outras pessoas a também se aproximarem de Deus. A evangelização é missão deve envolver a todos os batizados; todos eles têm parte na missão de anunciar o Evangelho, de muitas maneiras. A transmissão da fé e a iniciação à vida cristã são desafios urgentes, que todos os membros da Igreja precisam assumir de forma renovada.

A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – “A Alegria do Evangelho” – vem em boa hora para estimular e orientar a todos!

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Publicado em Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Papa propõe reforma da Igreja em sua primeira exortação apostólica (Deutsche Welle – 26.11.2013)

Fonte: Deutsche Welle (DW)

26.11.2013

Papa propõe reforma da Igreja em sua primeira exortação apostólica

Documento critica ordem econômica global e seu papel na geração da violência. Francisco enfatiza necessidade de abertura da Igreja Católica, tanto em suas estruturas internas como em direção a outras religiões.

Foto: DW

Publicado em Deutsche Welle.

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Fonte: Santa Sé – Vaticano: http://www.vatican.va

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA
EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E AOS FIÉIS LEIGOS
SOBRE
O ANÚNCIO DO EVANGELHO
NO MUNDO ACTUAL

ÍNDICE

I. Alegria que se renova e comunica [2-8]

II. A doce e reconfortante alegria de evangelizar [9-10]

Uma eterna novidade [11-13]

III. A nova evangelização para a transmissão da fé [14-15]

A proposta desta Exortação e seus contornos [16-18]

Capítulo I
A TRANSFORMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA

I. Uma Igreja «em saída» [20-23]

«Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar [24]

II. Pastoral em conversão [25-26]

Uma renovação eclesial inadiável [27-33]

III. A partir do coração do Evangelho [34-39]

IV. A missão que se encarna nas limitações humanas [40-45]

V. Uma mãe de coração aberto [46-49]

Capítulo II
NA CRISE DO COMPROMISSO COMUNITÁRIO

I. Alguns desafios do mundo actual [52]

Não a uma economia da exclusão [53-54]
Não à nova idolatria do dinheiro
[55-56]
Não a um dinheiro que governa em vez de servir
[57-58]
Não à desigualdade social que gera violência
[59-60]
Alguns desafios culturais
[61-67]
Desafios da inculturação da fé
[68-70]
Desafios das culturas urbanas
[71-75]

II. Tentações dos agentes pastorais [76-77]

Sim ao desafio duma espiritualidade missionária [78-80]
Não à acédia egoísta
[81-83]
Não ao pessimismo estéril
[84-86]
Sim às relações novas geradas por Jesus Cristo
[87-92]
Não ao mundanismo espiritual
[93-97]
Não à guerra entre nós
[98-101]
Outros desafios eclesiais
[102-109]

Capítulo III
O ANÚNCIO DO EVANGELHO

I. Todo o povo de Deus anuncia o Evangelho [111]

Um povo para todos [112-114]
Um povo com muitos rostos
[115-118]
Todos somos discípulos missionários
[119-121]
A força evangelizadora da piedade popular
[122-126]
De pessoa a pessoa
[127-129]
Carismas ao serviço da comunhão evangelizadora
[130-131]
Cultura, pensamento e educação
[132-134]

II. A homilia [135-136]

O contexto litúrgico [137-138]
A conversa da mãe
[139-141]
Palavras que abrasam os corações
[142-144]

III. A preparação da pregação [145]

O culto da verdade [146-148]
A personalização da Palavra
[149-151]
A leitura espiritual
[152-153]
À escuta do povo
[154-155]
Recursos pedagógicos
[156-159]

IV. Uma evangelização para o aprofundamento do querigma [160-162]

Uma catequese querigmática e mistagógica [163-168]
O acompanhamento pessoal dos processos de crescimento
[169-173]
Ao redor da Palavra de Deus
[174-175]

Capítulo IV
A DIMENSÃO SOCIAL DA EVANGELIZAÇÃO

I. As repercussões comunitárias e sociais do querigma [177]

Confissão da fé e compromisso social [178-179]
O Reino que nos solicita
[180-181]
A doutrina da Igreja sobre as questões sociais
[182-185]

II. A inclusão social dos pobres [186]

Unidos a Deus, ouvimos um clamor [187-192]
Fidelidade ao Evangelho, para não correr em vão
[193-196]
O lugar privilegiado dos pobres no povo de Deus
[197-201]
Economia e distribuição das entradas
[202-208]
Cuidar da fragilidade
[209-216]

III. O bem comum e a paz social [217-221]

O tempo é superior ao espaço [222-225]
A unidade prevalece sobre o conflito
[226-230]
A realidade é mais importante do que a ideia
[231-233]
O todo é superior à parte
[234-237]

IV. O diálogo social como contribuição para a paz [238-241]

O diálogo entre a fé, a razão e as ciências [242-243]
O diálogo ecuménico
[244-246]
As relações com o Judaísmo
[247-249]
O diálogo inter-religioso
[250-254]
O diálogo social num contexto de liberdade religiosa
[255-258]

Capítulo V
EVANGELIZADORES COM ESPÍRITO

I. Motivações para um renovado impulso missionário [262-263]

O encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva [264-267]
O prazer espiritual de ser povo
[268-274]
A acção misteriosa do Ressuscitado e do seu Espírito
[275-280]
A força missionária da intercessão
[281-283]

II. Maria, a Mãe da evangelização [284]

O dom de Jesus ao seu povo [285-286]
A Estrela da nova evangelização
[287-288]

Publicado em Vaticano – Santa Sé (http://www.vatican.va/holy_father/francesco/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium_po.html)

“(…) Não é esta vida que é referência para a vida eterna, para a outra vida, aquela que nos espera, mas é a eternidade – aquela vida – que ilumina e dá esperança à vida eterna de cada um de nós!” – Papa Francisco no Ângelus na manhã deste domingo (10.11.2013) – Agência Zenit(Roma)

PapaFrancisco_Angelus_10nov2013Publicado em Zenit.org.

Roma, 10 de Novembro de 201 3

Publicamos a seguir as palavras do Papa pronunciadas aos fieis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, hoje às 12hs durante a tradicional oração do Angelus.

***

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus com os saduceus, que negavam a ressurreição. E é justamente sobre este tema que eles fazem uma pergunta a Jesus, para coloca-lo em dificuldade e ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos. Partem de um caso imaginário: “Uma mulher teve sete maridos, mortos um depois do outro”, e perguntam a Jesus: “De quem será esposa esta mulher depois da sua morte?”. Jesus, sempre humilde e paciente, primeiramente responde que a vida depois da morte não tem os mesmos parâmetros daquela terrena. A vida eterna é uma outra vida, em uma outra dimensão onde, entre outras coisas, não existirá mais o matrimônio, que está ligado à nossa existência neste mundo. Os ressuscitados – disse Jesus – serão como os anjos, e viverão em um estado diferente, que agora não podemos experimentar e nem sequer imaginar. E assim explica Jesus.

Mas, depois, Jesus, por assim dizer, passa ao contra ataque. E o faz citando a Sagrada Escritura, com uma simplicidade e uma originalidade que nos deixam cheios de admiração pelo nosso Mestre, o único Mestre! A prova da ressurreição, Jesus a encontra no episódio de Moisés e da sarça ardente (cf. Ex 3, 1-6), lá onde Deus se revela como o Deus de Abrão, de Isaque e de Jacó. O nome de Deus está ligado aos nomes dos homens e das mulheres com os quais Ele se liga, e esta ligação é mais forte do que a morte. E nós podemos falar também da relação de Deus conosco, com cada um de nós: Ele é o nosso Deus! Ele é o Deus de cada um de nós! Como se Ele tivesse o nosso nome. Ele gosta de dizer, e esta é a aliança. Eis porque Jesus afirma: “Deus não é dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem por ele” (Lc 20, 38). E esta é a ligação decisiva, a aliança fundamental, a aliança com Jesus: Ele mesmo é a Aliança, Ele mesmo é a Vida e a Ressurreição, porque com o seu amor crucificado venceu a morte. Em Jesus Deus nos dá a vida eterna, a dá a todos, e todos, graças a Ele têm a esperança de uma vida ainda mais verdadeira do que esta. A vida que Deus nos prepara não é um simples embelezamento desta atual: essa supera a nossa imaginação, porque Deus nos surpreende continuamente com o seu amor e com a sua misericórdia.

Portanto, o que acontecerá é justamente o contrário do que esperavam os fariseus. Não é esta vida que é referência para a vida eterna, para a outra vida, aquela que nos espera, mas é a eternidade – aquela vida – que ilumina e dá esperança à vida eterna de cada um de nós! Se olhamos somente com olhos humanos, somos levados a dizer que o caminho do homem vai da vida à morte. Isso se vê! Mas somente é assim se o olhamos com olhos humanos. Jesus muda esta perspectiva e afirma que a nossa peregrinação vai da morte à vida: a vida plena! Nós estamos em caminho, em peregrinação em direção à vida plena, e aquela vida plena é aquela que nos ilumina no nosso caminho! Portanto, a morte está atrás, nas costas, não diante de nós. Diante de nós está o Deus dos vivos, o Deus da aliança, o Deus que traz o meu nome, o nosso nome, como Ele disse: “eu sou o Deus com o meu nome, com o teu nome, com o teu nome…, com o nosso nome. Deus dos vivos!… Eis a derrota definitiva do pecado e da morte, o começo de um novo tempo de alegria e de luz sem fim. Mas já nessa terra, na oração, nos Sacramentos, na fraternidade, nós encontramos Jesus e o seu amor, e assim podemos degustar algo da vida ressuscitada. A experiência que fazemos do seu amor e da sua fidelidade acende como um fogo no nosso coração e aumenta a nossa fé na ressurreição. De fato, se Deus é fiel e ama, não pode sê-lo por tempo limitado: a fidelidade é eterna, não pode mudar. O amor de Deus é eterno, não pode mudar! Não é ao mesmo tempo limitado: é para sempre! É para seguir adianta! Ele é fiel para sempre e Ele nos espera, cada um de nós, acompanha a cada um de nós com esta fidelidade eterna.”

(Papa Francisco)

(Tradução Thácio Siqueira)

(10 de Novembro de 2013) © Innovative Media Inc.
Publicado em Agência Zenit – Roma.

“Nós somos aquela criança, todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair, sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo andar sobre a água em direção a Jesus, mas hesitamos e deixamo-nos submergir.(…)” – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal (12.10.2013)

Artigo publicado Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal

Espiritualidade

Saltar no escuro… e não olhar para trás

Mons. Dennis Clark

Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» – disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. (Mateus 14, 22-32)

Às primeiras horas da madrugada, o som de um alarme de incêndio interrompeu o silêncio e, no momento exato, despertou uma família para o choque de ver a sua casa envolvida pelas chamas. Sem tempo para salvar o que quer que fosse a não ser as suas próprias vidas, desceram as escadas a correr e escaparam para a escuridão. Ainda a recuperar o fôlego, o pai contava os filhos: «João, Ana, Maria, Miguel… – onde está o Miguel?»

Naquele preciso momento, Miguel, de cinco anos, chorava de uma das janelas do primeiro andar: «Mãe! Pai! Onde estão?»

Era demasiado tarde para voltar a entrar – a casa estava um inferno – pelo que o pai respondeu: «Salta, Miguel, que eu seguro-te».

Entre soluços, a criança chorava: «Mas eu não consigo ver-te, papá!»

O pai respondeu-lhe calmamente: «Eu sei que não me consegues ver, filho, mas eu vejo-te. Salta!»

Durante alguns instantes não houve nada a não ser o silêncio. Então o rapaz saltou para a escuridão e encontrou a segurança nos braços do pai.

***

Nós somos aquela criança, todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair, sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo andar sobre a água em direção a Jesus, mas hesitamos e deixamo-nos submergir.

“O medo é inútil», disse muitas vezes Jesus. “O que é preciso é fé”. Está certo, mas a fé de que Ele fala não é o que muitos de nós pensamos. Não se tratam de abstrações teológicas. Trata-se de nos confiarmos às mãos de Deus porque sabemos que Ele nos ama mais do que nós nos amamos a nós mesmos.

Mas ainda que esta ideia esteja clara, podemos ainda ficar desorientados por pensarmos que, ao confiar em Deus, Ele nos protege do fracasso e da dor. A promessa não é essa. A promessa de Deus para aqueles que n’Ele confiam é esta: Ele dar-nos-á a força para enfrentar todos os problemas que surgirem, e nunca deixará que sejamos destruídos por eles, ainda que morramos.

Mas a fé tem ainda outro lado: os talentos e dons que Deus nos deu porque Ele teve fé em nós. Pedro perdeu a fé nos dons que Deus lhe havia dado e esperou que Deus resolvesse o problema. Resultado: afundou-se! Confiar em Deus significa também confiar nos seus dons. E confiar nos seus dons significa usá-los.

Há uma antiga expressão que diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário, mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons. Pode ajudar recordar as palavras escritas há mais de 50 anos na parede do gueto de Varsóvia:

Acredito no sol, ainda que não brilhe.

Acredito no amor, ainda que não o sinta.

Acredito em Deus, ainda que não O veja.

Confie em Deus e confie nos dons que Ele lhe deu. Ou seja, use os seus dons. E então salte! E nunca olhe para trás!

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) | 20.11.10

Publicado em SNPC – Portugal.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face – Solenidade – 1° de outubro – Reflexão de Frei Patrício Sciadini, OCD.

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Artigo publicado em Agência Zenit (Roma) e postado em OCDS – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José*
CAIRO, 26 de Julho de 2013 (Zenit.org) – “(…)Faz anos que leio os escritos de Teresa do Menino Jesus com vários olhos. No início lia com uma certa desconfiança e ceticismo. Era estudante de filosofia e onde me deram para ler História de uma Alma. Não gostei e não senti por esta Santa dulcificada nenhuma atração. Mas lentamente ela entrou na minha vida e me ensinou que o amor é sempre doce, terno, delicado. Me fez compreender o que diz João da Cruz: “o amor com amor se paga”. Hoje Teresinha é minha mestra e carinhosamente chamo de “minha secretária particular”, que me dá tudo o que eu necessito. Para mim não manda flores, mas toda a floricultura. Teresinha é o pequeno caminho que nos leva a Jesus. “Quero amar Jesus e torná-lo amado”.
É uma jovem que soube viver desde sua infância o entusiasmo por Jesus Cristo, que foi crescendo em sua vida até a plenitude. Teresa do Menino Jesus, nascida numa família de classe média alta do seu tempo, mimada por todos os lados pelo pai, pelas irmãs, com uma afetividade acesa, com que sabia fazer “o jogo” na família e parentes, para que todos vissem que ela existia e que não podia passar despercebida, foi capaz no momento certo, de fazer uma ruptura com tudo e decidir-se só por Jesus, o seu grande amigo e seu único amor. Os jovens têm fogo no sangue, entusiasmo, sonhos, veem longe, têm uma capacidade de seduzir os “velhos” com simplicidade e com arte.
Hoje na Igreja creio que não se encontre ninguém que não goste da espiritualidade de Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. O Papa João Paulo II a proclamou Doutora da Igreja e lhe conferiu o título “Doutora da ciência do amor”, uma frase que ela mesma escreveu na História de uma Alma, dizendo “é isto que eu quero”. E foi doutora da ciência do amor, uma ciência que não se aprende nas universidades humanas, mas sim entrando no coração de Jesus, onde ele mesmo “é o único mestre” que nos guia. O caminho que Teresa traça é de verdade fascinante. Todos podem percorrê-lo, não há nenhum segredo e nenhum sacrifício sobre humano, é a simples, serena aceitação da vida com suas alegrias e suas lutas. É neste amor a Jesus que ela nos faz percorrer o caminho breve, curto e totalmente novo do abandono e da confiança. Uma confiança que não conhece limites e que dá coragem a todos que Teresa vai descobrindo lentamente a plenitude de sua vocação. Não é na entrada no Carmelo e nem logo depois, mas depois de um tempo quando sente dentro de si a angústia da santidade: “quero ser Santa, mas não posso ser como os santos de outrora, não tenho forças, então serei Santa por um caminho novo.”
Ela encontra sua vocação que é fonte de todas as vocações, é ousada, corajosa. Não lhe basta uma só vocação, mas quer vive-las todas, desde o martírio à missionaridade, ao profetismo, ao ensino, mas como fazer? É na busca de uma resposta que ela a encontra na palavra de Deus, no capítulo 12 da 1ª. Carta de S. Paulo aos Coríntios, no grande capítulo dos carismas. Ela, com uma energia que não se pode medir diz: “encontrei a minha vocação que encerra todas e que me permite de realizar todas. A Igreja é um corpo e a parte mais nobre do corpo é o coração…” Então radiante de alegria escreve: “no coração da Igreja minha mãe serei o amor”.
Os jovens necessitam dar espaço, encontrar asas para voar: “nas asas do amor não corro, mas voo.” Os jovens necessitam sentirem-se impulsionados para a missão, encorajado para o trabalho evangelizador, precisam encontrar na Igreja modelos de missionaridade que estejam à altura da própria vida. “Pela oração e pelo sacrifício serei missionária!” Se a missão não nasce do amor e da oração é “sino que toca, vazio e sem o amor.”
Propor aos jovens Teresinha como Padroeira é propor para os jovens o amplo leque de todas a vocações, do matrimônio, da vocação religiosa, da vocação contemplativa, da vocação missionária, da vocação de leigos engajados, da vocação sacerdotal. Não foi por acaso o seu grande sonho ser sacerdote? “Com quanto amor chamaria Jesus no altar, com quanto amor o daria às almas!” Não foi o seu grande sonho ser missionária até os extremos confins do mundo, para implantar a cruz de Cristo? Os santos – e os santos jovens como Teresinha – não calculam, não medem palavras e nem esforços, são capazes de tudo, de qualquer sacrifício.

Hoje, mais do que nunca, Teresinha diz ao coração de todos os jovens: não tenhais medo, com Jesus tudo é possível e com ele se chega a todos os corações e a todos os lugares. Não foi por acaso o seu primeiro “filho espiritual” o assassino Alessandro Prazini, pelo qual rezou, fez penitência e pediu orações, e teve alegria de ver convertido. É assim que fazem os santos e que nos ensinam: “Os nossos preferidos são sempre aqueles que não conhecem Jesus ou pelo pecado rejeitam Jesus.” (…)

Início da publicação:

CAIRO, 26 de Julho de 2013 (Zenit.org) – “Prometi e devo ser fiel às promessas de escrever uma pequena reflexão para Zenit sobre Santa Teresinha, Padroeira da JMJ no Rio de Janeiro. Já o título é bastante significativo, é a Santa que está presente em todas as JMJ pelo seu entusiasmo missionário.” (Frei Patrício Sciadini, ocd)

Final: “Que Santa Teresinha esteja presente no coração de todos os jovens na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro!

A capela da Feira Vocacional da JMJ Rio 2013 que acontece entre os dias 23 e 26 de julho, das 8h às 20h, na Quinta da Boa Vista, conta com a presença de relíquias de Santa Teresinha (Santa Teresa de Liseux), patrona da JMJ Rio2013.” (Frei Patrício Sciadini, ocd)
Publicado em OCDS – Província São José, por Rose Lemos Piotto.

“A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo” – Homilia pronunciada pelo Papa Francisco no Angelus no domingo -15 de setembro (Zenit.org)

Fonte (imagem): Spe Deus O Evangelho do dia 17 de setembro de 2013

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Fonte (vídeo): pt.euronews.

Homilia de 14.03.2013: No primeiro dia de pontificado o Papa Francisco apelou à Igreja Católica para preservar os seus valores e não ceder às tentações do mundo moderno: “Papa Francisco apela à preservação dos valores da Igreja“.

Fonte(vídeo): antena.3
Homilia de 16.03.2013: PRIMERA HOMILÍA DEL NUEVO PONTÍFICE – El Papa Francisco: “Sin la Cruz de Cristo, somos mundanos, no discípulos” : En la misa que ha cerrado el Cónclave en la Capilla Sixtina, Francisco ha remarcado tres palabras: “Caminar, edificar, confesar”. Lo ha hecho de forma didáctica, sin seguir un discurso escrito y sin dejar de gesticular con sus brazos, vestido de blanco, con la mitra y el báculo.

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Fonte:  Texto proveniente de Zenit.org.

A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo

As palavras do papa Francisco no Angelus

Cidade do Vaticano, 15 de Setembro de 2013

Apresentamos as palavras pronunciadas pelo papa Francisco neste domingo, diante dos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para rezar o Angelus.

 “Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na liturgia de hoje, lemos o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, que contém as três parábolas da misericórdia: a ovelha perdida, a moeda perdida, e a mais longa de todas as parábolas, típica de São Lucas, a do pai e dos dois filhos, o filho “pródigo” e o filho, que acredita ser o “justo”, que crê ser santo. Todas estas trêsA misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo parábolas falam da alegria de Deus, Deus é alegria. Interessante: Deus é alegria! E o que é a alegria de Deus? A alegria de Deus é perdoar, a alegria de Deus é perdoar! É a alegria de um pastor que reencontra a ovelha; é a alegria de uma mulher que encontra novamente a sua moeda; é a alegria de um pai que acolhe novamente em casa, o filho que estava perdido, que era considerado morto e tornou a viver, voltou para casa. Aqui está todo o Evangelho! Aqui! Aqui está todo o Evangelho, todo o cristianismo! Mas não é sentimento, não é ser “bonzinho”! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do “câncer” que é o pecado, o mal moral, o mal espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história. Somente o amor pode fazer isso, e essa é a alegria de Deus!

Jesus é todo misericórdia, Jesus é todo amor: é Deus feito homem. Cada um de nós é aquela ovelha perdida, aquela moeda perdida; cada um de nós é aquele filho que desperdiçou a própria liberdade seguindo falsos ídolos, ilusão de felicidade, e perdeu tudo. Mas Deus não se esquece de nós, o Pai nunca nos abandona. É um pai paciente, nos espera sempre! Respeita a nossa liberdade, mas permanece fiel. E quando voltamos para Ele, nos acolhe como filhos, em sua casa, porque ele não para nunca, nem por um momento, de nos esperar, com amor. E o seu coração está em festa por cada filho que retorna. Está em festa porque é alegria. Deus sente essa alegria quando um de nós pecadores vai até Ele e pede o seu perdão.

Qual é o perigo? É que supomos sermos justos, e julgamos os outros. Julgamos até Deus, porque pensamos que deveria punir os pecadores, condenando-os à morte, em vez de perdoar. Agora sim corremos o risco de permanecer fora da casa do Pai! Como aquele irmão mais velho da parábola que, em vez de se alegrar porque seu irmão retornou, ele fica com raiva de seu pai que o acolhe e faz festa. Se em nossos corações não há misericórdia, alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, mesmo observando todos os preceitos, pois é o amor que salva, não apenas a prática dos preceitos. É o amor por Deus e pelo próximo que realiza todos os mandamentos. E este é o amor de Deus, a sua alegria: perdoar. Nos espera sempre! Talvez algum de vocês tenha algo pesado em seu coração: “Mas, eu fiz isso, eu fiz aquilo…”. Ele te espera! Ele é pai: sempre espera por nós!

Se vivemos de acordo com a lei “olho por olho, dente por dente”, jamais sairemos da espiral do mal. O Maligno é inteligente, e nos ilude que com a nossa justiça humana podemos nos salvar e salvar o mundo. Na realidade, somente a justiça de Deus pode nos salvar! E a justiça de Deus se revelou na Cruz: a Cruz é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre este mundo. Mas como Deus nos julga?Dando a vida por nós! Eis o ato supremo de justiça que derrotou, uma vez por todas, o Príncipe deste mundo; e esse ato supremo de justiça é também ato supremo de misericórdia. Jesus chama todos a seguirem este caminho: ‘Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6:36)”.

Peço-vos uma coisa, agora. Em silêncio, todos, pensemos… cada um pense em uma pessoa com a qual não estamos bem, com a qual estamos com chateados, que não gostamos. Pensemos nessa pessoa em silêncio, neste momento, rezemos por esta pessoa e tornemo-nos misericordiosos para com esta pessoa.

Invoquemos agora a intercessão de Maria, Mãe da Misericórdia.

(Depois do Angelus)

Queridos irmãos e irmãs,

ontem, na Argentina, foi proclamado Bem-aventurado José Gabriel Brochero, um padre da diocese de Córdoba, que nasceu em 1840 e morreu em 1914. Impulsionado pelo amor de Cristo, dedicou-se inteiramente ao seu rebanho, para levar todos ao Reino de Deus, com imensa misericórdia e zelo pelas almas. Estava com o povo, e tentava levar muitos aos exercícios espirituais. Ele andava por quilômetros e quilômetros, subindo as montanhas com sua mula chamada “cara feia”, porque não era bonita. Ele caminhava mesmo debaixo de chuva, era corajoso! Mas, vocês também, com essa chuva, estão aqui, vocês são corajosos. Bravos! No final, este Beato estava cego e leproso, mas cheio de alegria, a alegria do Bom Pastor, a alegria do Pastor misericordioso!

Gostaria de unir-me à alegria da Igreja na Argentina pela beatificação deste pastor exemplar, que percorreu incansavelmente com uma mula, os caminhos áridos de sua paróquia, procurando casa por casa, as pessoas a ele confiadas para levá-las a Deus. Peçamos a Cristo, por intercessão do novo Beato, que se multipliquem os sacerdotes que, imitando Brochero, entreguem as suas vidas ao serviço da evangelização, de joelhos diante do Crucifixo, como também testemunhando em todos os lugares o amor e a misericórdia Deus”.

Hoje, em Turim, conclui-se a Semana Social dos católicos italianos, sobre o tema ” Família, esperança e futuro para a sociedade italiana”. Saúdo todos os participantes e alegro-me com o forte compromisso que existe na Igreja na Itália com as famílias e para as famílias e que é um forte estímulo também para as instituições e para todo o país. Coragem! Avante neste caminho da família!

Saúdo com afeto todos os peregrinos presentes hoje: famílias, grupos religiosos, jovens. Em particular, saúdo os fiéis de Dresano, Taggi di Sotto e Torre Canne di Fasano; UNITALSI de Ogliastra, as ciranças de Trento que em breve receberão a Primeira Comunhão, os jovens de Florença e o “Spider Clube Itália”.

Desejo a todos um bom domingo e um bom almoço. Adeus!”

(15 de Setembro de 2013) © Innovative Media Inc.
Publicado em Zenit.org.

Sagrado Coração de Jesus: “… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço…” (Padre Mateo Crawley-Boevey) – Mês do Sagrado Coração de Jesus – Junho (Frates in Unum)

Cor Iesu Sacratissimum, miserere nobis!

Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… – Padre Mateo Crawley-BoeveyImagemPublicado em Frates in Unum.com

“Preconceito e Homofobia [A Armadilha do “Preconceito e da “Homofobia”] – O vocabulário que quer a inversão do que é racional – Artigo (Scutum Fidei – 28.04.2013)

  • Fonte: Frates in Unum

    «A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer»

    Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Quando o sacerdote celebra a Santa Missa…
  • Honra a Deus, alegra os anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, proporciona descanso aos defuntos e faz-se participante de todos os bens. (Imitação de Cristo, Livro IV, Cap. V)

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O conteúdo abaixo foi publicado por Lucia Nunes  em Notas-Facebook –  em Segunda, 29 de abril de 2013 às 20:43:
  • Entrevista coletiva de Padre Beto: “Eu não tenho do que me redimir, e, muito menos a quem ou do que pedir perdão.

        Link (áudio)

  • Padre Beto abandona ministério sacerdotal e espera que Igreja volte a ser a mesma das décadas de 60 a 80.

Declaração de Padre Beto em seu perfil no Facebook.

  • Diocese de Bauru declara a excomunhão de Padre Beto: incorreu de livre vontade no gravíssimo delito de heresia e cisma. Padre Beto está excomungado por heresia e cisma: traiu o compromisso de fidelidade à Igreja em nome da “liberdade de expressão”.

Fonte: Frates in Unum

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Fonte: Frates in Unum

 Conteúdo relacionado:

A Armadilha do “Preconceito” e da “Homofobia” – O vocabulário que quer a inversão do que é racional (na íntegra, logo abaixo)

19 de abril de 2013. Publicado no original em http://www.montfort.org.br/a-armadilha-do-preconceito-e-da-homofobia-o-vocabulario-que-quer-a-inversao-do-que-e-racional/

e

http://scutumfidei.org/2013/04/19/a-armadilha-do-preconceito-e-da-homofobia-o-vocabulario-que-quer-a-inversao-do-que-e-racional/

Scutum Fidei – 28 de abril de 2013 – Queremos tratar neste breve artigo, todavia, de dois termos muito empregados atualmente pelo politicamente correto e pelo lobby homossexual para a promoção de comportamentos que se opõem francamente à natureza. São esses termos: preconceito e homofobia. … Autor: Padre Daniel Pinheiro

ARTIGO

A Armadilha do “Preconceito” e da “Homofobia” – O

vocabulário que quer a inversão do que é racional

Autor: Padre Daniel Pinheiro Scutum Fidei

Os slogans, as frases feitas e o vocabulário pronto são extremamente corriqueiros. O programa de destruição do cristianismo, quer dizer, da santa Igreja Católica é mestre em bravejar slogans aparentemente inofensivos, mas que tem por objetivo último a completa mudança das mentalidades. Seguindo esse modus operandi, o aborto torna-se interrupção da gestação, por exemplo. A contracepção pode se tornar planejamento familiar. Queremos tratar neste breve artigo, todavia, de dois termos muito empregados atualmente pelo politicamente correto e pelo lobby homossexual para a promoção de comportamentos que se opõem francamente à natureza. São esses termos: preconceito e homofobia. Esses termos são utilizados por eles exatamente porque invertem completamente a realidade da questão.Preconceito e homofobia são expressões muito precisas e que significam algo muito mais sério e profundo do que parece à primeira vista. A intenção com o uso desses termos e pelo próprio sentido deles é afirmar que se opor ao homossexualismo é algo contrário à razão. Convém, para explicitar melhor isso, considerar algumas noções filosóficas.

As três operações do intelecto humano

O conceito é o fruto da primeira operação do intelecto, que se denomina simplex apprehensio (simples apreensão). O conceito é o entendimento pelo intelecto da essência de um dado ser. O conceito é, então, o primeiro fruto da racionalidade humana, se assim podemos dizer. É somente com a segunda operação do intelecto, denominada compositio et divisio(composição e divisão) que se faz um julgamento, fruto dessa segunda operação. Depois de abstrair a essência dos seres materiais o intelecto é capaz de julgar associando (compositio) ou separando (divisio) conceitos, afirmando ou negando o predicado de um sujeito. Assim, depois de abstrair a essência de homem (animal racional) e a essência de justo (aquele que dá a cada um aquilo que lhe é devido), eu posso dizer que um homem é justo ou injusto, por exemplo. Finalmente, com a terceira operação do intelecto e seu fruto que se chamam ambos raciocínio (ratiocinatio) o homem pode progredir no conhecimento, chegando ao conhecimento de algo novo a partir daquilo que já é conhecido por ele: i) todo homem tem um corpo; ii) Ora, Cristo é verdadeiro Homem; iii) Cristo tem, então, um corpo. Eis as três operações do intelecto humano.

Opor-se à prática homossexual é um preconceito?

Depois dessa breve análise das operações do intelecto e de seus frutos, podemos compreender aonde se pretende chegar quando se diz que se opor ao homossexualismo é um preconceito. O preconceito consiste, como o próprio nome indica, em uma maneira de agir que é anterior ao conceito. É uma ação sem qualquer indício de racionalidade, pois o preconceituoso se opõe a algo antes de conhecer a essência daquilo a que se opõe. Assim, aquele que é preconceituoso em relação ao homossexualismo agiria sem pensar, quer dizer, antes de saber exatamente o que significa o homossexualismo. Isso significaria, então, que aqueles que se opõem ao homossexualismo não agem segundo a razão, mas como animais, julgando simplesmente segundo sentimentos, paixões[1]. Ou ainda, aqueles que se opõem ao homossexualismo agem de maneira irracional porque agem movidos por razões religiosas. Como a religião é, para os modernos, inconciliável com a razão, aquele que julga por motivos religiosos julga sem ter conceitos racionais formados[2]. O que eles pretendem fazer, então, é informar essas pessoas consideradas por eles como preconceituosas e ignorantes, dizendo a elas o que é verdadeiramente o homossexualismo, para que elas tenham um conceito dele e possam julgá-lo a partir disso. Eles dizem, então, que se trata de “uma expressão legítima de amor”, “algo que faz parte da evolução humana”, “algo que leva certas pessoas à felicidade”, etc. Ao informar as pessoas não dão, então, o conceito correto de homossexualismo – comportamento contra a lei natural[3] e, portanto, irracional, portanto contra a virtude e conducente, como tal, à tristeza. Dão uma definição falsa que apela, sobretudo, aos sentimentos, às paixões. Com essa noção falsa as pessoas passarão a julgar falsamente a homossexualidade, aceitando-a e alguns até mesmo incentivando-a.

Notemos que há, assim, uma inversão completa da realidade, pois, na verdade,  os que se opõem ao homossexualismo o fazem justamente porque possuem o conhecimento exato da essência do homossexualismo, têm um conhecimento exato de seu conceito, e julgam seguindo a razão, baseada sempre na natureza das coisas. Assim, são contrários ao homossexualismo por que tal conduta, opondo-se à natureza, opõe-se à razão, e opondo-se à razão opõe-se ao bem do próprio homem e da sociedade. Assim, pela simples acusação de preconceito, aqueles que defendem a lei natural – participação da lei eterna em Deus e que pode ser e é conhecida pela razão – tornam-se os irracionais. Por outro lado, aqueles que defendem o homossexualismo, opõem-se, na verdade, à lei natural – sobre a qual deve ser fundada a razão que opera retamente. São os defensores desse comportamento que julgam segundo as paixões e, portanto, de forma irracional, mas, ao acusar os outros de “preconceito” pretendem ser os racionais e os razoáveis. A inversão foi feita com uma só palavra. Com um simples termo – preconceito – a virtude passou a ser o vício e o vício passou a ser virtude. O vício tornou-se um bem e uma condição para a felicidade.

O que significa homofobia?

Algo semelhante ocorre com o termo homofobia. O termo fobia significa geralmente uma aversão[4] (ou medo) exagerada, desproporcional, enfim irracional, em relação a algo que é considerado como um mal. A essa aversão se segue, em geral, um ódio com relação àquilo que é considerado um mal. Assim, a paixão do apetite concupiscível ou irascível seria tal que a razão deixaria de exercer seu domínio sobre as faculdades inferiores. Vemos claramente isso quando falamos de claustrofobia, que é a aversão irracional a lugares fechados ou agorafobia que é o medo irracional de lugares abertos ou públicos. Em todo o caso, a fobia é uma aversão (ou medo) irracional, que precede qualquer julgamento ou que advém de um julgamento falso: todo lugar fechado é perigoso ou todo lugar público é perigoso e deve ser evitado. Assim, quando se fala de homofobia o que se quer dizer é que existe uma aversão (ou medo) irracional em relação ao homossexualismo devido às paixões que suprimem o uso da razão ou devido ao falso juízo que se faz sobre o homossexualismo, que é, por sua vez, consequência do falso conceito que se tem dele. Voltamos ao mesmo ponto: é preciso informar os homofóbicos da “verdadeira” natureza do homossexualismo. Mais uma vez, com uma só palavra, a inversão completa da realidade foi operada. Aqueles que se opõem ao homossexualismo teriam uma aversão (ou medo) irracional, baseada em paixões que não estão de acordo com a razão. Aqueles que em realidade ordenam suas paixões segundo a razão, sempre com base, portanto, na lei natural, tornam-se os irracionais, enquanto aqueles que agem contra as leis mais básicas e evidentes da natureza e seguem as paixões desordenadas (contrárias à razão), tornam-se os grandes racionais e razoáveis.

Revolução operada

Vemos, então, como duas palavras aparentemente inofensivas operam uma verdadeira revolução. O racional torna-se irracional. O irracional torna-se racional. A virtude, que consiste justamente em uma disposição bem enraizada e dificilmente removível na alma de agir segundo a razão, torna-se vício. O vício, disposição idêntica à outra, mas contrária à razão, torna-se virtude. Não deixemos que esse vocabulário mais do que tendencioso nos seja imposto, enganando-nos. Aquele que se opõe ao homossexualismo não é preconceituoso nem homofóbico. Ele tem aversão a um mal que reconhece, baseado na realidade das coisas, como profundamente contrário à natureza. Um mal que corrompe a moralidade com a mesma gravidade que a negação dos princípios especulativos (princípio de não contradição, por exemplo) corrompe a razão.

O homossexualismo não pode, ademais, levar à felicidade. Ora, o bem de um ser – que é, claro, a sua felicidade – consiste em operar segundo a sua natureza. A natureza do homem é racional. Portanto, a felicidade do homem consiste em agir segundo a razão, conhecendo a verdade, agindo segundo a verdade e deleitando-se nela. Tal felicidade será plena quando atingirmos a Verdade pela visão beatífica e a amarmos em consequência desse conhecimento. Para chegar lá, porém, é preciso desde já agir segundo a razão. A razão nos mostra, por um lado, que o homossexualismo é intrinsecamente mau. Por outro lado, ela nos mostra que devemos aderir plenamente a Deus que se revela – o que pode ser conhecido pelos milagres e profecias, critérios de credibilidade. Ora, o Deus que se revela condenou igualmente o homossexualismo, querendo, porém, a conversão do pecador. É preciso amar as pessoas que possuem a tendência homossexual não para confortá-las em suas tendências, modos ou práticas, mas para desejar-lhes e fazer-lhes o bem, que é viver segundo a lei natural e segundo a lei divina.

Conclusão

Nosso Senhor falou que se conhece a árvore pelos frutos. Ora, os frutos naturais do homossexualismo não existem, ou se existem são frutos que se rebaixam à pura alegria sentimental e passageira, advinda da satisfação das paixões. Os frutos do casamento, do verdadeiro e único casamento possível, entre um homem e uma mulher, são inúmeros, desde que se evite a contracepção e a mentalidade da contracepção. Aqui a alegria é real, pois se age segundo a natureza humana, segundo a razão.

Notas – Padre Daniel Pinheiro

[1] De fato, quem age por preconceito age de maneira irracional. Assim, julgar moralmente alguém simplesmente pela cor da pele é um verdadeiro preconceito, algo irracional e, portanto, um pecado. Neste caso, faz-se um juízo antes de ter um conceito preciso do que é cor de pele (acidente do tipo qualidade) e antes de estabelecer a relação da cor da pele com a moralidade (acidente do tipo qualidade que não tem nenhuma influência na vida moral).

[2] É evidente que a religião não é algo irracional, não é uma superstição nem um salto no escuro, como pretendem muitos. O católico não crê porque é absurdo. Ao contrário, o católico crê porque é razoável crer, porque ele reconhece que Deus existe, reconhece que Deus pode falar e reconhece que Deus falou em virtude dos milagres e profecias, que só podem ter sua origem em Deus e que são, por isso, motivos de credibilidade. A fé é algo em conformidade com a razão, superando-a, mas nunca a contradizendo. Uma religião que contraria a razão é necessariamente uma falsa religião, pois, nesse caso, haveria contradição em Deus, que é o autor tanto da razão quanto da religião.

[3] A lei natural é a lei conhecida pela razão em virtude da própria natureza das coisas, tais como elas existem. Ela não pode evoluir nem mudar, pois a natureza das coisas não muda. Querer mudar a lei natural seria, em última instância, querer mudar Deus, pois a natureza das coisas é um reflexo da natureza divina, que não muda. É evidente que a própria natureza do homem mostra que a finalidade primária da união sexual é a procriação e que se o homem possui um apetite com relação a esse hábito é justamente para garantir a conservação da espécie, como lhe foi dado um apetite para se alimentar, a fim de conservar o indivíduo.

[4] Estritamente falando, fobia significa medo. Todavia, fobia parece aqui ser usado em sentido mais amplo, abrangendo tanto o medo quanto a aversão. O medo é a paixão (do apetite irascível) face ao mal árduo quando tememos sucumbir, enquanto a aversão ou fuga é simplesmente o desejo de afastar-se de um mal. Quando se trata dessas fobias, pode haver as duas paixões e mesmo a ira, que combate o mal presente.

Fonte: http://www.montfort.org.br/a-armadilha-do-preconceito-e-da-homofobia-o-vocabulario-que-quer-a-inversao-do-que-e-racional/ (texto integral).

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