Hoje a Igreja celebra o Imaculado Coração de Maria

MEMÓRIA – 25.06.2022

REDAÇÃO CENTRAL, 25 jun. 22 / 05:00 am (ACI).- No dia após a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja celebra a festa do Imaculado Coração de Maria, a fim de mostrar que estes dois corações são inseparáveis e que Maria sempre leva a Jesus.

Esta celebração foi criada pelo papa Pio XII, em 1944, para que, por intercessão de Maria se obtenha “a paz entre as nações, liberdade para a Igreja, a conversão dos pecadores, amor à pureza e a prática da virtude”.

São João Paulo II declarou que esta festividade em honra à Mãe de Deus é obrigatória e não opcional. Ou seja, deve ser realizada em todo o mundo católico.

Durante as aparições da Virgem de Fátima aos três pastorinhos em 1917, Nossa Senhora disse a Lúcia: “Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”.

“A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu Trono”.

Em outra ocasião, disse-lhes: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: ‘Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria’”.

Muitos anos depois, quando Lúcia era uma postulante no Convento de Santa Doroteia, em Pontevedra (Espanha), a Virgem lhe apareceu com o menino Jesus e, mostrando-lhe o seu coração rodeado por espinhos, disse: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões”.

“Tu, ao menos, vê de me consolar e diz que, todos aqueles que durante cinco meses no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do rosário com o fim de me desagravar, eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas’”.

Publicado em ACI Digital.

O que é a Divina Providência?

O homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência

Certamente, você já ouviu falar que Deus sustenta e conduz toda a criação, realizando Sua vontade por meio da Divina Providência. Assim, para viver uma vida de santidade, é necessário confiar inteiramente nela. Mas muitos ainda têm dúvidas sobre o que ela é e como viver dela.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) define a Divina Providência como as disposições pelas quais Deus conduz a Sua criação em ordem a essa perfeição: “Deus guarda e governa, pela Sua providência, tudo quanto criou, atingindo com força, de um extremo ao outro, e dispondo tudo suavemente” (Sb 8,1), porque “tudo está nu e patente a seus olhos” (Hb 4,13), mesmo aquilo que “depende da futura ação livre das criaturas” (CIC 302).

Desta maneira, o Senhor criou o homem para a santidade e, por isso, Ele jamais o abandona; por isso o conduz, a cada instante, para uma perfeição última ainda a atingir pelos caminhos que só Ele conhece.

Por outro lado, mesmo conduzindo tudo, Ele jamais retira a liberdade do homem, uma vez que este não é marionete. “Em Deus, vivemos, movemos e existimos” (At 17,28). Ele está presente em todas as situações, mesmo nas ocorrências dolorosas e nos acontecimentos aparentemente sem sentido. Ele também escreve direito pelas linhas tortas da nossa vida; o que nos tira e o que nos dá, tudo constitui ocasiões e sinais da Sua vontade, afirma o Youcat (49).

Reconhecer, confiar nesta dependência total do Senhor é fonte de sabedoria e liberdade, de alegria e confiança (Sb 11,24-26). O próprio Jesus recomendou o abandono total à providência celeste, sendo Ele o próprio a testemunhar, com Sua vida, que o Senhor cuida de todas as coisas: “Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer?’ ‘Que havemos de beber?’ […] Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,31-33).

Por que Deus não evita o mal?

Se Deus conduz todas as coisas, surge então o questionamento: Por que Ele não evita o mal?

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado,  o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal” (CIC 309).

Santo Tomás de Aquino afirmava: “Deus só permite o mal para fazer surgir dele algo melhor”. Ora, o mal no mundo é um mistério sombrio e doloroso, por isso tão incompreensível; mas temos a certeza de que o Senhor é cem por cento bom, Ele nunca é o autor de algo mau. Ele criou o mundo bom, embora ainda não aperfeiçoado.

Olhando para a história, é possível descobrir que o Senhor, em sua providência, tirou um bem das consequências de um mal (mesmo moral) causado pelas criaturas: “Não, não fostes vós – diz José a seus irmãos – que me fizestes vir para aqui. Foi Deus. […] Premeditastes contra mim o mal: o desígnio de Deus aproveitou-o para o bem […] e um povo numeroso foi salvo” (Gn 45,8; 50,20).

“Do maior mal moral jamais praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça, tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem”. (CIC 314).

Confiar inteiramente na Divina Providência

O certo é que “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Santa Catarina de Sena afirmou: “Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem e não com nenhum outro fim”. São Tomás Morus, pouco antes do seu martírio, disse estas palavras: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom” (CIC 315).

Portanto, o homem é chamado a confiar inteiramente na Divina Providência, pois esta é o meio pelo qual Ele conduz, com sabedoria e amor, todas as criaturas para o seu último fim, que é a santidade, mesmo sabendo que, muitas vezes, os caminhos da sua providência são desconhecidos. A resposta para aquele que deseja viver uma vida na vontade do Senhor é o abandono, pois esta é a ordem de Deus: “Lançai sobre o Senhor toda a vossa inquietação, porque Ele vela por vós” (1 Pe 5,7).

Ricardo Gaiotti
Advogado, Juiz Eclesiástico e Mestre em Direito Canônico pela Universidade de Salamanca (Espanha) e Mestre em Direito Civil pela PUC-SP

Fonte: Canção Nova.

Publicado em Arca da Aliança – Comunidade Católica.

Pentecostes – A Obra do Espírito Santo

Pentecostes

Solenidade de Pentecostes.

Antes de subir ao céu, Jesus Cristo havia recomendado ao seus Apóstolos que se recolhessem no Cenáculo e esperassem aí a vinda do Espírito Santo: “Eu enviarei sobre vós o Espírito Santo prometido por meu Pai. Entretanto, permanecereis na cidade, até que sejais revestidos da virtude do alto.” (Lc 24,49)

Foi então que os Apóstolos, permaneceram em Jerusalém – no Cenáculo – e puseram-se em oração com Maria, Mãe de Jesus, com os discípulos e as santas mulheres, à espera do Espírito Santo, que desceu sobre eles na festa de Pentecostes, nove dias após a Ascensão do Senhor.

A descida do Espírito Santo

No dia de Pentecostes, lá pelas oito horas da manhã, produziu-se um forte vento acompanhado de um estrondo que encheu toda a sala onde estavam. Nisso apareceram línguas de fogo, semelhantes a chamas ardentes. 

Essas chamas, contam algumas revelações, se uniram formando um globo de fogo que se colocou sobre a cabeça de Maria Santíssima. Foi daí que se dividiu em línguas, indo pousar sobre cada um dos Apóstolos.

Transformados num instante, com aquela efusão miraculosa da graça, os Apóstolos começaram a pregar o Evangelho às multidões que ouviam pasmos e se perguntavam: “Como é isso?! Homens não são galileus? Como é que nós os ouvimos todos falarem a língua da nossa terra? Há entre nós, Partos, Medos, Elamitas, Judeus, Capadócios, Mesopotâmicos, Asiáticos, Egípcios, Romanos, Celtas e Árabes, e todos nós ouvimos celebrar em nossas línguas as maravilhas de Deus !

Foi quando São Pedro tomou a palavra e começou seu primeiro sermão e neste mesmo dia, três mil homens creram em Jesus Cristo e receberam o Batismo. Estava, com isto, fundada a Igreja de Jerusalém, e milhares de vozes iam anunciar a todas as nações o nome de Jesus.

Obra do Espírito Santo

Assistimos aqui a uma mudança total dos Apóstolos, uma obra do Espírito Santo na alma deles. Essa transformação operou-se no espírito, na vontade e no coração deles.

O espírito precisava de verdade, a vontade necessitava de coragem e o coração precisa de amor.

O Espírito Santo os enche de verdade. Jesus lhes havia ensinado as verdades, mas reservou a coroação da sua obra para o Espírito Santo. Eis porque os Apóstolos, pela vinda do Espírito Santo, compreenderam melhor o que Jesus lhes ensinara, adquiriram as novas ciências, que exigiam a sua nova situação de propagadores da Igreja.

O Espírito Santo lhes deu coragem. Conhecemos a fraqueza dos Apóstolos. Estavam cheios de boa vontade e de sinceridade, porém todos eram vacilantes, medrosos, sem energia. Basta lembrar que São Pedro negou a Cristo três vezes., ou dos discípulos de Emaús que fugiam de Jerusalém.

Com efeito, depois de Pentecostes nada mais deste medo existia. Pregaram em toda parte, e diziam aos chefes dos judeus, que pretendiam amedrontá-los com ameaças e castigos: Não podemos calar-nos!

O Espírito Santo é amor. Amavam o divino Mestre, não havia dúvida. Mas, quanto egoísmo havia naquele amor! Mas eis que o Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, soprou sobre eles e seus corações arderam e as palavras que diziam eram inflamada pois pregavam o amor de seu divino Mestre.

Nosso Senhor depositou no coração dos Apóstolos este fogo divino, e o Espírito Santo, soprando sobre eles, produziu estas chamas ardentes que deverão abrasar o mundo inteiro.

Oh! Como precisamos da festa de Pentecostes, para que estas mesmas transformações se operem em nós. Somos tão vacilantes no espírito, como o somos na vontade e no amor.

Precisamos de convicção religiosa, de luz para o espírito, para compreendermos melhor a grandeza, a beleza de nossa fé.

De fato, precisamos de coragem para a nossa vontade enfraquecida pelo mundo e pelo pecado. Somos fracos diante das tentações e não pedimos forças para vencê-las.

Precisamos deste puro amor, e não um amor egoísta. Amar é doar-se, esquecer-se de si mesmo, para agradar a quem ama.

Enfim, imploremos ao Espírito Santo, que desça sobre nós, como desceu sobre os Apóstolos e opere em nós as mesmas transformações. Mas notemos bem, que tal graça foi concedida aos Apóstolos, enquanto perseveravam na oração, juntos com a Mãe de Jesus.

Publicado em Associação Cultural e Artística Nossa Senhora das Graças.

Leia também

Os 7 Dons do Espírito Santo

Estes dons são graças de Deus e, só com nosso esforço, não podemos fazer com que cresçam e se desenvolvam. Necessitam de uma ação direta do Espírito Santo para podermos atuar dentro da virtude e perfeição cristã.

No Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, reside o Amor Supremo entre o Pai e o Filho. Foi pelo Divino Espírito Santo que Deus se encarnou no seio de Maria Santíssima, trazendo Jesus ao mundo para nossa salvação. Peçamos à Maria, esposa do Espírito Santo, que interceda por nós junto a Deus concedendo-nos a graça de recebermos os divinos dons, apesar de nossa indignidade, de nossa miséria. Nas Escrituras, o próprio Jesus quem nos recomenda: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto” (Mt VII, 7s).

1 – Fortaleza

Por essa virtude, Deus nos propicia a coragem necessária para enfrentarmos as tentações, vulnerabilidade diante das circunstâncias da vida e também firmeza de caráter nas perseguições e tribulações causadas por nosso testemunho cristão. Lembremo-nos que foi com muita coragem, com muito heroísmo, que os santos desprezaram as promessas, as blandícias e ameaças do mundo. Destes, muitos testemunharam a fé com o sacrifício da própria vida. O Espírito Santo lhes imprimiu o dom da Fortaleza e só isto explica a serenidade com que encontraram a morte! Que luta gloriosa não sustentaram! Agora gozam de perfeita paz, em união íntima com Jesus, de cuja glória participam. Também nós, havemos de combater diariamente para alcançar a coroa eterna. Vivemos num mundo cheio de perigos e tentações. A alma acha-se constantemente envolta nas tempestades de paixões revoltadas. Maus exemplos pululam e as inclinações do coração constantemente dirigem-se para o mal. Resistir a tudo isto requer em primeiro lugar muita oração, força de vontade e combate resoluto. Por esta virtude, a alma se fortalece para praticar toda a classe de atos heroicos, com invencível confiança em superar os maiores perigos e dificuldades com que nos deparamos diariamente. Nos ajuda a não cair nas tentações e ciladas do demônio.

2 – Sabedoria

O sentido da sabedoria humana reside no reconhecimento da sabedoria eterna de Deus, Criador de todas as coisas que distribui seus dons conforme seus desígnios. Para alcançarmos a vida eterna devemos nos aliar a uma vida santa, de perfeito acordo com os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nisto reside a verdadeira sabedoria que, como os demais, não é um dom que brota de baixo para cima, jamais será alcançada por esforço próprio. É um dom que vem do alto e flui através do Espírito Santo que rege a Igreja de Deus sobre a terra. Nos permite entender, experimentar e saborear as coisas divinas, para poder julgá-las retamente.

3 – Ciência

Nos torna capazes de aperfeiçoar a inteligência, onde as verdades reveladas e as ciências humanas perdem a sua inerente complexibilidade. Nossas habilidades com as coisas acentuam-se progressivamente em determinadas áreas, conforme nossas inclinações culturais e científicas, sempre segundo os desígnios divinos, mesmo que não nos apercebamos disso. Todo o saber vem de Deus. Se temos talentos, deles não nos devemos orgulhar, porque de Deus é que os recebemos. Se o mundo nos admira, bate aplausos aos nossos trabalhos, a Deus é que pertence esta glória, a Deus, que é o doador de todos os bens.

4 – Conselho

Permite à alma o reto discernimento e santas atitudes em determinadas circunstâncias. Nos ajuda a sermos bons conselheiros, guiando o irmão pelo caminho do bem. Hoje, mais do que nunca está em foco a educação da mocidade e todos reconhecem também a importância do ensino para a perfeita formação da criança. As dificuldades internas e externas, materiais e morais, muitas vezes passam pelo dom do Conselho, sem disto nos apercebermos. É uma responsabilidade, portanto, cumprir a vontade de Deus que destinou o homem para fins superiores, para a santidade. Para que possamos auxiliar o próximo com pureza e sinceridade de coração, devemos pedir a Deus este precioso dom, com o qual O glorificaremos aos mostrarmos ao irmão as lições temporais que levam ao caminho da salvação. É sob a influência deste ideal que a mãe ensina o filhinho a rezar, a praticar os primeiros atos das virtudes cristãs, da caridade, da obediência, da penitência, do amor ao próximo.

5 – Entendimento

Torna nossa inteligência capaz de entender intuitivamente as verdades reveladas e naturais, de acordo com o fim sobrenatural que possuem. A aparente correlação não significa que quem possui a sabedoria, já traga consigo o entendimento por conseqüência (ou vice-versa). Existe uma clara distinção entre um e o outro. Para exemplificar: Há fiéis que entendem as contemplações do terço, mas o rezam por obrigação ou mecanicamente (Possuem o dom do entendimento). Há outros que, por sua simplicidade, nunca procuraram entender o seu significado, mas praticam sua reza com sabor, devoção e piedade, ignorando seu vasto sentido (possuem o dom da Sabedoria). Este exemplo, logicamente, se aplica às ciências naturais e divinas, logo ao nosso dia-a-dia. Não sendo um consequência do outro, são distintamente preciosos e complementam-se mutuamente, nos fazem aproximar de Deus com todas as nossas forças, com toda a nossa devoção e inteligência e sensível percepção das coisas terrenas, que devem estar sempre direcionadas às coisas celestes.

6 – Piedade

É uma graça de Deus na alma que proporciona salutares frutos de oração e práticas de piedade ensinadas pela Santa Igreja. Nos dias de hoje, considerando a população mundial, há poucas, muito poucas pessoas que acham prazer em serem devotas e piedosas; as poucas que o são, tornam-se geralmente alvo de desprezo ou escárnio de pessoas que tem outra compreensão da vida. Realmente, é grande a diferença que há entre um e outro modo de viver. Resta saber qual dos dois satisfaz mais à alma, qual dos dois mais consolo lhe dá na hora da morte, qual dos dois mais agrada a Deus. Não é difícil acertar a solução do problema. Num mundo materialista e distante de Deus, peçamos a graça da piedade, para que sejamos fervorosos no cumprimento das escrituras.

7 – Temor de Deus

Teme a Deus quem procura praticar os seus mandamentos com sinceridade de coração. Como nos diz as Escritura, devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus, e o resto nos será dado por acréscimo. O mundo muitas vezes sufoca e obscurece o coração. Todas as vezes que transigências fizemos às tentações, com certeza desprezamos a Deus Nosso Senhor. Quantas vezes preferimos a causa dos bens miseráveis deste mundo e esquecemo-nos de Deus! Quantas vezes tememos mais a justiça dos homens do que a justiça de Deus! Santo Anastácio a este respeito dizia: “A quem devo temer mais, a um homem mortal ou a Deus, por quem foram criadas todas as coisas?”. Não esqueçamos, portanto, de pedir ao Deus Espírito Santo a graça de estarmos em sintonia diária com os preceitos do Criador. Por este divino dom, torna-se Deus a pessoa mais importante em nossa vida, onde a alma docemente afasta-se do erro pelo temor em ofendê-Lo com nossos pecados.
Fonte: http://www.catequisar.com.br

Publicado em Católico Orante.

Junho: mês do Sagrado Coração de Jesus

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Neste mês de junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos convidados pela Igreja a contemplar e experimentar, nesta devoção, o infinito amor de Deus por nós.

“Na encíclica «Deus caritas est», citei a afirmação da primeira carta de São João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e cremos nele» para sublinhar que, na origem da vida cristã, está o encontro com uma Pessoa (cf. n.1). Dado que Deus se manifestou da maneira mais profunda por meio da encarnação de Seu Filho, fazendo-se «visível» n’Ele.

Na relação com Cristo, podemos reconhecer quem é verdadeiramente Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 29,41; encíclica «Deus caritas est», 12-15). Mais ainda, dado que o amor de Deus encontrou sua expressão mais profunda na entrega que Cristo fez de sua vida por nós na Cruz. Ao contemplarmos seu sofrimento e morte, podemos reconhecer, de maneira cada vez mais clara, o amor sem limites de Deus por nós: «tanto amou Deus ao mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que crer nele não pereça, mas que tenha vida eterna» (João 3,16).

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Por outro lado, esse mistério do amor de Deus por nós não constitui só o conteúdo do culto e da devoção ao Coração de Jesus: é, ao mesmo tempo, o conteúdo de toda verdadeira espiritualidade e devoção cristã. Portanto, é importante sublinhar que o fundamento dessa devoção é tão antigo como o próprio cristianismo. De fato, só se pode ser cristão dirigindo o olhar à Cruz de nosso Redentor, «a quem transpassaram» (João 19, 37; cf. Zacarias 12, 10).

A encíclica «Haurietis aquas» lembra que a ferida do lado e as dos pregos foram para numeráveis almas os sinais de um amor que transformou, cada vez mais incisivamente, sua vida (cf. número 52). Reconhecer o amor de Deus no Crucificado se converteu para elas em uma experiência interior, o que as levou a confessar junto a Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (João 20,28), permitindo-lhes alcançar uma fé mais profunda na acolhida sem reservas do amor de Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 49).

Experimentar o amor de Deus

O significado mais profundo desse culto ao amor de Deus só se manifesta quando se considera mais atentamente sua contribuição não só ao conhecimento, mas também, e sobretudo, à experiência pessoal desse amor na entrega confiada a seu serviço (cf. encíclica «Haurietis aquas», 62). Obviamente, experiência e conhecimento não podem separar-se: um faz referência ao outro. Também é necessário sublinhar que um autêntico conhecimento do amor de Deus só é possível no contexto de uma atitude de oração humilde e de disponibilidade generosa.

Partindo dessa atitude interior, o olhar posto no lado transpassado da lança se transforma em silenciosa adoração. O olhar no lado transpassado do Senhor, do qual saem «sangue e água» (cf. Gv 19, 34), ajuda-nos a reconhecer a multidão de dons de graça que daí procedem (cf. encíclica «Haurietis aquas», 34-41) e nos abre a todas as demais formas de devoção cristã que estão compreendidas no culto ao Coração de Jesus.

A fé é um dom que vem do amor

A fé, compreendida como fruto do amor de Deus experimentado, é uma graça, um dom divino. O homem, no entanto, poderá experimentar a fé como uma graça só na medida em que ele a aceita dentro de si como um dom, e procura vivê-lo. O culto do amor de Deus, ao que convidava aos fiéis a encíclica «Haurietis aquas» (cf. ibidem, 72), deve nos ajudar a recordar incessantemente que Ele carregou com este sofrimento voluntariamente «por nós», «por mim».

Quando praticamos este culto, não só reconhecemos com gratidão o amor de Deus, mas continuamos nos abrindo a esse amor, de maneira que a nossa vida vai ficando cada vez mais modelada por ele. Deus, que derramou seu amor «em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (cf. Romanos 5, 5), convida-nos, incansavelmente, a acolher seu amor. O convite a entregar-se totalmente ao amor salvífico de Cristo (cf. ibidem, n. 4) tem como primeiro objetivo a relação com Deus. Por esse motivo, esse culto totalmente orientado ao amor de Deus que se sacrifica por nós tem uma importância insubstituível para nossa fé e para nossa vida no amor.”

(Trecho da Carta de Bento XVI ao padre Peter-Hans Kolvenbach, Companhia de Jesus.)

Frede Silvério de Oliveira (agente da Pascom)

Publicado em Paróquia São José – Ressaquinha – MG.

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR

At 1,1-11
Sl 46
Ef 1,17-23
Mt 28,16-20

Estamos ainda nos dias pascais, nas alegrias da Ressurreição do Senhor. A Solenidade que hoje celebramos – a Ascensão – e aquela do Domingo próximo – Pentecostes – são ainda partes, aspectos do único e maravilhoso Mistério da Páscoa: Ressurreição, Subida aos Céus e dom do Espírito são três aspectos do mesmo mistério! Celebramo-lo num arco de cinquenta dias porque, enquanto o Senhor Jesus deixou este nosso tempo, feito de ontens, de hojes e de amanhãs, nós continuamos presos às horas, dias, meses e anos deste mundo… Quanto ao Cristo Senhor, desde a morte saiu do nosso tempo e, com Sua Ressurreição, entrou na Eternidade de Deus, no Santuário celeste, onde não já tempo algum, mas somente perene Eternidade!

Eis: Jesus ressuscita no Pai; não ressuscita para depois ir ao Seu Deus e Pai! Ressuscitar é, precisamente, sair da morte, entrando na Vida divina e imortal, que é o Pai. Isso aparece claro em alguns textos dos próprios evangelhos. Em Lc 24,44, Jesus ressuscitado, conversando com Seus apóstolos e sendo tocado por eles, diz claramente que com eles não está mais: “São estas as palavras que Eu vos falei quando estava convosco…” No próprio Evangelho deste hoje, o Senhor, aparecendo aos Seus sobre o monte, dá a entender que já está nos Céus: “Toda autoridade Me foi dada no Céu e na terra!” Vede: Ele já recebeu tal autoridade! Ele, durante quarenta dias apareceu aos Seus, mas já não está fisicamente entre os Seus! Seu novo modo de permanecer conosco é na potência do Seu Espírito Santo, também fruto da Sua Ressurreição e entrada no Pai…

Se é assim, qual o sentido desta Solene Ascensão do Senhor? Eis o seu significado, tão importante para nós e para a nossa salvação: ressuscitado, Jesus foi glorificado na Sua Pessoa, isto é, em Si mesmo. Agora, com a Ascensão, aparece o que Sua Ressurreição significa para nós, o que o Cristo Se torna em relação a nós. Vejamos:

Em primeiro lugar, a Ascensão marca o fim daquele período de encontros que o Ressuscitado teve com Seus discípulos para fortalecer-lhes a fé explicar-lhes a missão. É, portanto, uma despedida! Como já foi dito, a partir desse momento o Senhor estará com os Seus e poderá ser por eles percebido de uma forma nova: na potência do Seu Espírito Santo, presente na força da Palavra anunciada e nos sacramentos da Igreja. É assim, que a Ascensão abre caminho para o Pentecostes, quando o Espírito, de um modo visível e barulhento, marca a inauguração da missão da Igreja, que é testemunhar e anunciar o Senhor, tornando-o presente nos gestos sacramentais.

Segundo: a Ascensão nos revela aquilo que aconteceu nos Céus com o Cristo Jesus e que, na terra, somente pela fé podemos saber e crer, isto é, Sua glorificação como Senhor do Céu e da terra, Senhor da história humana e da Igreja. Ele ressuscitou e subiu aos Céus para tudo recapitular e de tudo ser a Cabeça, fonte de Vida e salvação! São Paulo nos disse na segunda leitura que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a Quem pertence a glória ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e fê-Lo sentar-se à Sua direita nos Céus. Ele pôs tudo sob os Seus pés e fez Dele, que está acima de tudo, Cabeça da Igreja, que é o Seu Corpo…” É assim que hoje, cheios de alegria, proclamamos Jesus ressuscitado como Cabeça de toda a criação, Cabeça da humanidade toda, Cabeça e sentido da história humana. E tudo isso Ele o é enquanto Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo! Isso significa que toda a criação caminha para Ele e Nele será um dia glorificada; que toda história somente Nele encontra a direção e o sentido profundo; e que a Igreja participa da Sua obra universal de salvação! Se toda salvação neste mundo somente pode vir através de Cristo, vem desse Cristo que é, inseparavelmente, Cabeça da Igreja. Assim, podemos e devemos dizer que sem o ministério da Igreja não há salvação possível! Isso mesmo: fora da Igreja não há salvação, porque ela é o Corpo do Cristo, sua Cabeça e único Salvador. Em outras palavras: todo ser humano de boa vontade e consciência reta pode salvar-se, mas pode-o somente porque Cristo, Cabeça da Igreja, morreu e ressuscitou e está à Direita do Pai em favor de toda a humanidade, até de quem não crê Nele!

Em terceiro lugar, glorificado, o Senhor é nosso Juiz! Para Ele caminham a história humana e as nossas histórias. Somente Ele pode ver nosso caminho neste mundo com seu sentido profundo, somente Ele nos julgará, porque, à Direita do Pai, somente Ele abarca toda a história com o Seu Espírito e desvela seu sentido pleno.

Quarto: desaparecendo de nossa vista humana, Ele nos dá o Seu Espírito, inaugurando um novo modo de estar presente entre nós, mais profundo e eficaz: agora Ele nos é interior, age em nós pela energia do Seu Espírito Santo: “Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo!” – Essa promessa não é palavra vazia; é, sim, uma impressionante realidade!

Em quinto lugar, Sua presença na Glória, à Direita do Pai, o constitui para sempre como nosso Intercessor, como diz o Autor da Epístola aos Hebreus: “Cristo entrou no próprio Céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor!” (9,24)

Caríssimos, a hodierna Solenidade é também nossa festa e motivo de alegria para nós! Aquele que hoje sentou-Se à Direita do Pai é o Filho eterno feito homem, é um de nós! Que coisa impressionante: hoje, a nossa humanidade foi colocada acima dos Anjos! Aquele que, como Deus, foi colocado no Presépio e no Sepulcro, hoje, como homem, foi colocado acima dos anjos, à Direita do próprio Pai! Ora, alegremo-nos: onde já está o Cristo, nossa Cabeça, estaremos um dia todos nós, membros do Seu Corpo! Era isso que rezava a oração inicial da Missa de hoje: “Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é a nossa vitória: membros do Seu Corpo, somos chamados a participar da Sua Glória!” E a oração que faremos após a comunhão dirá claramente que junto do Pai já se encontra a nossa humanidade, no Cristo glorificado.

Irmãos e irmãs! Elevemos o olhar para os Céus: à Direita do Pai, Deus como o Pai, encontra-Se o homem Jesus, nosso irmão, um de nossa raça… Ele é o objetivo para o qual se dirigem a nossa existência e a história humana, Ele é o nosso Juiz, Ele é o nosso Intercessor! Que nossa vida, neste mundo que passa, seja cheia do gosto da Eternidade, porque Nele, nossa esperança é certíssima! Não temamos: Aquele que está nos Céus Se nos dá em comunhão para que o experimentemos, O anunciemos e O testemunhemos, até sermos plenamente unidos a Ele quando aparecer em Sua Glória e entregar o Reino a Deus Seu Pai. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; Ele o será por toda a Eternidade” (Hb 13,8). Amém.

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares

Publicado em Visão Cristã.

Santa Teresa d’Ávila

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais. Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila. Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus.

Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1).

Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi.

Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência.

Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra como reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial.

À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Papa Bento XVI

Publicado em Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Maio, mês de Maria

Bem-aventurada aquela que acreditou (Lc 1,45)

Na Igreja o mês de Maio é dedicado a Bem-aventurada Virgem Mãe de Deus. A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Neste mês, muitas comunidades vivem de maneira toda especial a devoção à Nossa Senhora, com a tradicional oração do santo terço, novenas, e tantas outras práticas devocionais. Nossa Senhora teve sempre na Igreja um lugar de destaque, porque sua pessoa está intimamente ligada a pessoa de Nossa Senhor Jesus Cristo. Maria, enquanto Mãe do Deus-Redentor, está associada a Cristo, cabeça da Igreja, e assim, recebe do Corpo também os louvores que a cabeça é digna de receber. É doutrina comum e certa que a Maria é devido um culto de dulia, ou de hiperdulia, que lhe é próprio, enquanto que é Mãe de Deus[1].

Nossa Senhora, carinhosamente chamada e invocada pela piedade católica, é sobretudo, imagem e personificação da Igreja.

O papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater, afirma que: O Concílio Vaticano II, apresentando Maria no mistério de Cristo, encontra desse modo o caminho para aprofundar também o conhecimento do mistério da Igreja. Maria, de fato, como Mãe de Cristo, está unida de modo especial com a Igreja, «que o Senhor constituiu como seu corpo»[2]Na virgem Maria, a Igreja se encontra, descobre sua imagem, sua missão. Igreja que somos todos nós, que temos um caminho a ser trilhado.

A vida de Nossa Senhora é fonte concreta da ação de Deus e por isso, meditar e horar a Mãe de Deus é também ver a grandeza dele. O papa Bento XVI, nos aponta que, “quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver mais do que de outras maneiras a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos realmente sentir a luz divina neste rosto”[3]São Lucas, no seu evangelho, ao narrar o encontro de Maria com Isabel, nos coloca um dado importante, “Bem-aventurada aquela que acreditou (Lc 1,45)”, aquela que se

deixou tocar por Deus. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus[4]. É segundo a saudação do Anjo Gabriel, cheia de graça (Lc 1,28), cheia de Deus, cheia do Espírito Santo. Desse modo, fazendo memória de Maria, Mãe de todos nós, pedimos seu auxílio para nossas necessidades particulares, bem como, para toda a Santa Igreja.

A devoção mariana, sobretudo, vivida nesse mês de maio, nos faz reconhecer que Maria é nossa mãe na medida que Deus é nosso Pai. Assim, nos diz S. Luís Maria Grignion de Montfort: Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por Pai, e Maria por mãe; e quem não têm Maria por mãe, não tem Deus por Pai. Na filiação divina, todos nós também recebemos Maria como mãe, assim, o próprio Senhor Jesus nos afirma, “eis aí a tua Mãe” (Jo.19, 26-27). Desse modo, Maria vai se mostrando ao longo dos séculos e das culturas como nossa mãe. Não importando o título ou o nome que ela é invocada, seu rosto, sua cor, ela será sempre a única mãe de Deus, e consequentemente nossa querida mãe.

Na Sagrada Escritura Deus recebe vários títulos, aparece com Deus “poderoso, forte, proeminente” (Gn 7,1, Is 9,6); “Deus Todo-Poderoso”, “O Poderoso de Jacó” (Gn 49, 24; Sl 132, 2-5); “O Senhor dos Exércitos” (Is 1,24; Sl 46,7), e outros nomes. Maria também, ao longo dos séculos recebeu da tradição, dos povos que a amam, títulos e características bem particulares. Nada acrescentam ao que ela é, mas são fórmulas de reconhecimento de sua importância da Obra da salvação, na vida da Igreja e de todos os cristãos. E, também são modos de aproximar a mãe de Jesus aos seus filhos dispersos pelo mundo inteiro.

Os títulos e nomes que Maria recebe na Igreja, possuem 3 origens principais, que partem de detalhes históricos, bíblicos, de tradições populares, dogmáticos, mariofanias. Ao conhecer um pouco desses princípios dos títulos e nomes dados a Nossa Senhora podemos ver a riqueza da devoção mariana. Sobretudo, porque são sinais sólidos da intima ligação de Maria com Cristo, de Cristo e Maria em nós. Ligação da fé com a história, da fé popular com a fé do magistério. Ligação profunda da presença mariana nas várias culturas, tempos, povos. Maria se identifica aos seus filhos. Apresentamos agora, de forma simples e resumida os três grandes princípios dos nomes dados a Maria.

  1. Títulos Bíblicos: Ofício da Imaculada e a Ladainha Lauretana, dão-lhe títulos abundantes, baseados na Bíblia: Trono do Grão Salomão, Arca da Aliança, Porta do Céu, Torre de marfim, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos Aflitos, Auxilio dos Cristãos. Os Títulos que Maria recebe a partir da Sagrada Escritura mostram que ela é participante da história da Salvação, não está isolada de toda a ação de Deus. Seja no Novo e no Antigo Testamento, Maria é invocação como um membro do Povo de Deus. Muitos aspectos marianos que serão desenvolvidos na dogmática mariana partem de princípios bíblicos.
  2. Títulos Dogmáticos: Maria, recebe também títulos e nomes ligados aos Dogmas marianos: Mãe de Deus (Éfeso, 431), Virgindade perpétua (Latrão, 649), Imaculada Conceição (Pio IX, 1854), Assunta ao céu (Pio XII, 1950). Estes são os 4 grandes dogmas marianos, formulados e definidos em concílios ou a partir do magistério infalível do Santo Padre o papa. Estes dogmas, são o fundamento de toda nossa devoção a Maria. Estas definições da Igreja refletem uma madura e profunda reflexão sobre o papel de Maria na história da Salvação, e também buscam salvaguardar a divindade e humanidade de Jesus Cristo.
  3. Títulos de Aparições: Popularmente Maria ficou marcada com os títulos de aparições ou de manifestações de seu poder ao longo dos séculos. O carinho e o amor que o povo católico tem a Virgem Maria em muitos casos parte das aparições (mariofanias) que carregam também características locais, culturais, etnias, etc. Os títulos que Maria receber a partir de suas aparições carregam o nome do lugar, por exemplo: Nossa Senhora de Lourdes (França), Nossa Senhora de Fátima (Portugal), Nossa Senhora de Guadalupe (México), Nossa Senhora Aparecida (Brasil), Nossa Senhora das Graças (França), Nossa Senhora de La Sallete (França).

Sendo assim, como diz a canção, Todas as nossas senhoras são a mesma mãe de Deus. Não importa o nome, o título, a característica física, é sempre a mãe de todos nós. Ao nos deparar com a riqueza da nossa fé, é indispensável nos colocarmos a caminho do projeto belo que Deus tem para todos nós, como assim fez a Santíssima Virgem Maria. Que os títulos, nomes, e invocações à Maria nos aproxime mais de Jesus, nos faça um povo Bem- aventurado porque acredita na Palavra de Deus e na missão que ele nos confia.

[1] R. Garrigou-Lagrange.

[2] Nº 05.

[3] Homilia, solenidade da Assunção, 2006.

[4] Idem.

Por Pe. Kécio Henrique Feitosa, vigário da Catedral e Capelão da Santa Casa.

Publicado em Catedral São Carlos Borromeu.

Páscoa 2022

Que alegria podermos renovar a cada ano a celebração da PÁSCOA – a RESSURREIÇÃO de Nosso Senhor Jesus Cristo, que antecipa e garante a nossa Ressurreição. É por isso que a Igreja VIVE esta celebração com um longo tempo de preparação, que chamamos de Quaresma e Semana Santa.

Nos Atos dos Apóstolos encontramos a expressão: “Anunciamo-vos a Boa Nova: a promessa feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus” (At 13,32-33).

E ainda São Paulo, na carta aos Coríntios, escreve: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4).

É por isso que a maior festa que celebramos como cristãos católicos é a Festa da Páscoa. Nenhuma outra festa a sobrepuja. A Páscoa é a festa das festas. É a garantia definitiva de que toda Palavra de Deus, de que todas as promessas de Deus, haverão de se cumprir. O enviado do Pai, o Emanuel, o Deus conosco, o Servo de Javé, o Filho do Homem, viveu a nossa vida, sofreu o sofrimento injusto da condenação e da morte, mas “DEUS O RESSUSCITOU”. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o primogênito de toda a criatura.

Jesus ressuscitado é a garantia de nossa ressurreição e a CERTEZA DE NOSSA FÉ. O que cremos é verdadeiro e é garantido pela Palavra santa de Deus. O que cremos e afirmamos em nossa vida, com nossos lábios e com nossas obras é garantido pela presença do Espírito Santo que nos faz clamar: “o Ressuscitado Vive. Ele é Nosso Senhor. Ele é o Cristo de Deus”.

Foi na força da Páscoa que a Igreja ganhou a força necessária para o seu testemunho de Jesus em todos os tempos e em todas as latitudes da terra. Foi à luz da Páscoa de Jesus que os mártires entregaram suas vidas para confessar o nome de Jesus e garantirem a construção do Reino de Deus. Foi à luz da Páscoa que os confessores da fé levaram o evangelho aos mais diferentes povos e assim, a Igreja pôde se inculturar nas mais diversas culturas e experiências humanas. Foi na força da Páscoa que o Batismo, em nome de Jesus, foi constituindo homens e mulheres de fé, comunidades de discípulos missionários intrépidos no anúncio da Trindade Santa. Foi na alegria da Páscoa que a Igreja foi vivenciando a caridade, o amor, a educação, o cuidado com as pessoas e os povos, obedecendo ao mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo(…)” (Mc 16, 15).

A Páscoa é, pois, a realidade maior de nossa fé. São Paulo já confessava: “se Jesus não ressuscitou, vã é a nossa fé” (1Cor 15, 14). É na ressurreição de Jesus que se assenta a certeza de nossa ressurreição pessoal e a vitória da vida sobre a morte e todo o pecado. Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, fez a sua parte. Agora, iluminados pela ressurreição d’Ele  somos chamados a fazer a nossa parte. Que as palavras da Escritura ressoem em nós e que elas possam construir em nosso coração e em nossa alma a alegria inefável de dizer: FELIZ PÁSCOA.

Neste tempo e neste ano, peçamos a Deus, pela intercessão de sua Mãe e nossa, que possamos fazer crescer em nós a fé na Ressurreição da carne, para que por nossas atitudes e obras, possamos um dia gozar da vida plena com o Ressuscitado.

FELIZ PÁSCOA!

Anunciemos, especialmente, às crianças, aos adolescentes e aos jovens, nossos filhos e filhas, nossos amigos e amigas, que Jesus Vive, que Ele é a certeza de nossas vidas, que Nele encontramos a força para crer, viver, amar e servir. E continuemos a rezar e interceder junto a Deus pela PAZ no mundo sendo verdadeiros EDUCADORES da justiça e da paz. “Sinodalidamente” comprometamo-nos com a escuta e a participação dos irmãos e irmãs.

Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB

Bispo Diocesano de São José dos Campos

Publicado em Diocese de São José dos Campos (diocese.sjc.org.br).

A Vigília Pascal faz do Sábado Santo uma noite de luz

EIS A LUZ DE CRISTO

A Semana Santa é a Semana das semanas! Neste tempo, vivemos a intensidade do Mistério Pascal que é constituído pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. É certo que, a cada domingo, dia do Senhor, nós revivemos e celebramos esse mistério. Além disso, também é certo que, em cada Santa Missa, celebramos vivamente o Mistério Pascal. mas todo o ano decorre desta Semana Santa. A Vigília Pascal é uma Fonte da graça de Deus. Nesta Semana, o nosso coração é alimentado pela força do amor do Pai.

O Sábado Santo é precedido pelo Domingo de Ramos, em que acompanhamos Jesus no Triunfo e na Paixão. Ele é acolhido em Jerusalém como um Rei, com hinos, ramos nas mãos; por onde Ele ia passando roupas eram jogadas pelo chão e havia muita euforia. Na mesma liturgia, é narrada a Paixão do Senhor. O Triunfo e a Paixão de Jesus nos faz pensar nos nossos altos e baixos ao longo da vida. Em Jesus encontramos sabedoria e discernimento para louvarmos a Deus nas conquistas e confiarmos n’Ele nas horas amargas.

A Vigília Pascal faz do Sábado Santo uma noite de luz-artigo (1)

A Vigília Pascal faz parte do Tríduo Pascal

O Sábado Santo é chamado de Vigília Pascal. Na Igreja e na Liturgia Católica, antes de todas as grandes solenidades, há uma celebração de véspera ou vigília. A Vigília Pascal antecede o dia da Páscoa, o Domingo da Ressurreição de Jesus.

A Vigília Pascal faz parte também do Tríduo Pascal, onde vivemos com profundidade os passos de Jesus rumo ao Calvário, ao Sepulcro e à Ressurreição. Este Tríduo começa com a Quinta-feira Santa, pela conhecida “Missa do Lava-pés”, por meio da qual Jesus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio, com uma recomendação: “Fazei isso em minha memória” (Lc 22,19). A Eucaristia e o Sacerdócio nasceram do coração de Jesus, em torno de uma mesa, para que se fosse cumprida uma promessa do Senhor: “Eis que estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Tanto pela Eucaristia, como pelo Sacerdócio, o Senhor continua no meio de nós!

Na Sexta-feira Santa, até a natureza silencia-se. O Cordeiro é imolado. Jesus, morre na Cruz, rezando: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46)! E aí Jesus entrega toda a Sua história e missão. Jesus entrega a Igreja e toda a humanidade. Jesus nos entrega ao Pai. Com essa entrega, Ele coloca em prática o Seu ensinamento: “Ninguém tem maior amor do que Aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

(…)

A cada dia mais um passo e mais próximo do ápice

Diante da Vigília Pascal, é como se a Igreja e cada fiel estivessem escalando uma alta montanha: cada dia mais um passo e mais próximo do ápice! A cada celebração do Tríduo Pascal, mais perto do cume, do lugar mais alto. Depois dessa caminhada, com o coração aberto e os olhos bem atentos no Senhor, chegamos à grande noite do Sábado Santo, da Vigília Pascal.

O Sábado Santo é celebrado ao escurecer do dia, à noite. Até as luzes da Igreja são apagadas. Todo o povo se reúne na escuridão. Esta Liturgia é muito rica nos sinais, nos gestos e símbolos. É na Vigília Pascal que acontece a bênção do fogo. O Círio Pascal, uma vela bem grande, é aceso no fogo novo, trazendo o ano que estamos vivendo e duas letras do alfabeto grego, ou seja, o Alfa e o Ômega, que representam Jesus, nossa Luz, Princípio e Fim de tudo e de todos, Senhor do tempo e da história!

Partes fundamentais da Vigília Pascal

A Vigília Pascal tem quatro partes fundamentais: Liturgia da Luz, da Palavra, do Batismo e da Eucaristia. É comum crianças e adultos serem batizados nesta celebração, quando todos renovam sua fé e confiança no Deus Altíssimo. A Palavra de Deus recorda toda caminhada do povo de Israel, aguardando o Messias, e apresenta Jesus como o verdadeiro Messias, Salvador. O Povo de Deus, pede a intercessão dos santos para que continuem perseverantes no seguimento de Jesus, que trouxe ao mundo uma Boa Notícia e alimenta-se da Eucaristia, remédio santo que cura as enfermidades do corpo e da alma.

(…)

A Vigília Pascal é uma celebração solene e com uma catequese muito profunda. Quando participamos, cheios de atenção e desejo de nos encontrarmos com o Senhor, ficamos maravilhados com a beleza e o esplendor em torno de Jesus, nossa Luz. A Vigília Pascal transforma a noite mais clara que o dia, e nos impulsiona a irmos ao encontro do Senhor Ressuscitado, para vê-Lo e acreditar na vitória da vida sobre a morte. A Ressurreição de Jesus torna o Sábado Santo uma Noite de Luz!

Publicado por Equipe Formação Portal Canção Nova.

Foto ilustrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com

TERÇA-FEIRA SANTA: COMO É A NOSSA FÉ?

Este é o segundo post da série de meditações de D. Javier Echevarría sobre a Semana Santa, originalmente transmitidas pela Rádio EWTN, de Miami.

O Evangelho da Missa termina com o anúncio de que os Apóstolos deixariam Cristo só durante a Paixão. A Simão Pedro que, cheio de presunção, afirmava: eu darei a minha vida por ti, o Senhor respondeu: tu darás a tua vida por mim? Eu te asseguro que não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes.

Em poucos dias cumpriu-se a predição. Todavia, poucas horas antes, o Mestre tinha-lhes dado uma lição clara, preparando-os para os momentos de escuridão que se avizinhavam.

Ocorreu no dia seguinte ao da entrada triunfal em Jerusalém. Jesus e os Apóstolos tinham saído muito cedo de Betânia e, com a pressa, talvez não tivessem comido nada. O caso é que, como relata São Marcos, o Senhor sentiu fome. Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. Disse então: «Nunca mais ninguém coma fruto de ti.» E os discípulos ouviram isto.

Ao entardecer regressaram à aldeia. Devia ser já tarde avançada e não repararam na figueira amaldiçoada. Mas no dia seguinte, terça-feira, ao voltar de novo a Jerusalém, todos contemplaram aquela árvore, antes frondosa, que mostrava os ramos nus e secos. Pedro fê-lo notar a Jesus: “Olha, Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou!” Jesus disse-lhes: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: «Sai daí e lança-te ao mar», e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz vai se realizar, assim acontecerá”.

Durante a sua vida pública, para realizar milagres, Jesus pedia uma só coisa: fé. Aos cegos que lhe suplicavam a cura, tinha-lhes perguntado: credes que posso fazer isso? – Sim, Senhor, responderam-lhe. Então tocou-lhes os olhos dizendo: que se faça em vós conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes os olhos. E contam os Evangelhos que, em muitos lugares, não realizou prodígios, porque às pessoas lhes faltava fé.

Também nós temos de nos interrogar: como é a nossa fé? Confiamos plenamente na palavra de Deus? Pedimos na oração o que necessitamos, seguros de consegui-lo se é para nosso bem? Insistimos nas súplicas, o que seja preciso, sem desfalecer?

São Josemaria comentava esta cena do Evangelho. “Jesus – escreve – aproxima-se de ti e aproxima-se de mim. Jesus tem fome e sede de almas. Do alto da cruz clamou: sitio!, tenho sede. Sede de nós, do nosso amor, das nossas almas e de todas as almas que lhe devemos levar pelo caminho da Cruz, que é o caminho da imortalidade e da glória do Céu”.

Aproximou-se da figueira, não achando senão folhas (Mt 21, 19). É lamentável isto. É assim na nossa vida? Será que, tristemente, falta fé, vibração de humildade, será que não aparecem sacrifícios nem obras?

Os discípulos maravilharam-se com o milagre, mas de nada lhes serviu: poucos dias depois negariam o seu Mestre. A fé deve informar a vida inteira. “Jesus Cristo estabelece esta condição”, prossegue São Josemaria: “que vivamos da fé, porque depois seremos capazes de remover montanhas. E há tantas coisas para remover… no mundo e, antes de mais nada, no nosso coração. Tantos obstáculos à graça! Tenhamos, pois, fé. Fé com obras, fé com sacrifício, fé com humildade”.

Maria, com a sua fé, tornou possível a obra da Redenção. João Paulo II afirma que no centro deste mistério, no mais vivo desta admiração de fé está Maria, Santa Mãe do Redentor (Redemptoris Mater, 51). Ela acompanha constantemente todos os homens pelos caminhos que conduzem à vida eterna. “A Igreja, escreve o Papa, contempla Maria profundamente inserida na história da humanidade, na eterna vocação do homem segundo o desígnio providencial que Deus predispôs eternamente para ele; vê-a maternalmente presente e participante nos múltiplos e complexos problemas que acompanham hoje a vida dos indivíduos, das famílias e das nações; vê-a socorrendo o povo cristão na luta incessante entre o bem e o mal, para que «não caia» ou, se caiu, para que «se erga»”. (Redemptoris Mater, 52).

Maria, Mãe nossa: alcança-nos com a tua intercessão poderosa uma fé sincera, uma esperança segura, um amor ardente.

Fonte: http://opusdei.org/

Livros relacionados: A Cruz de Cristo e Falar com Deus – Tomo II, ambos de Francisco Fernández-Carvajal.

Publicado em A Quadrante Editora. É uma entidade sem fins lucrativos, que iniciou as atividades no ano de 1964, em São Paulo, com a publicação do livro Caminhode São Josemaria Escrivá.

Solenidade da Epifania do Senhor

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos neste domingo, dia 2 de janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 6 e agora celebrada no domingo entre 2 a 8 de janeiro. Esse ano é logo no dia 2, após a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, devido ao calendário civil. No outro domingo, dia 9 de janeiro, já celebraremos a Festa do Batismo do Senhor, encerrando o tempo do Natal.

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino. A Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós e, por meio do nascimento de um menino, a humanidade é chamada a viver o amor.

A Solenidade da Epifania remonta ao dia em que os três reis magos, guiados pela estrela, chegam a Belém e adoram o menino Deus. O nome dos três reis magos são Baltazar, Melchior e Gaspar. Hoje, cada um de nós é convidado a ir ao presépio e adorar o menino Deus e oferecer-Lhe os nossos presentes. O maior presente que poderemos oferecer ao menino Deus é o nosso coração.

Os magos oferecem ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra. Eles ofereceram os seus próprios dons que traziam consigo, da mesma forma nós hoje somos convidados a oferecer os nossos dons ao Senhor. Os dons que ofereceremos ao Senhor nessa Eucaristia não são mais o ouro, o incenso e a mirra, mas o dom da fé diante do corpo e sangue do Senhor que nos é oferecido na Eucaristia.

A primeira leitura da missa de hoje é do livro do profeta Isaías (Is 60, 1 – 6). O profeta pede para o povo levantar-se e acender as luzes, pois a luz chegou. O profeta Isaías, anos antes do nascimento de Jesus, prevê o que aconteceria com o nascimento de Jesus, a luz iluminaria as trevas e aqueles que andavam sob a sombra do pecado, encontrariam a luz. O profeta prevê a manifestação de Deus sobre Israel e sobre o mundo. E, ainda, que tempos de paz surgiriam com o nascimento de Jesus. Nós hoje da mesma forma devemos nos alegrar com essa luz que vem do Senhor.

O salmo responsorial é o 71 (72). Deus se manifesta a todos os povos e todos os povos devem adora-Lo. Deus quis manifestar-se a todas as nações, Ele não quis revelar-se a apenas uma nação, por isso, todos os povos devem buscar N’Ele a salvação.

A segunda leitura é da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 3, 2-3a. 5-6). O apóstolo revela que a salvação de Deus é para todos e para todos aqueles que de coração sincero se abrissem ao arrependimento. Deus concede ao apóstolo a missão de levar adiante a mensagem do Evangelho da salvação e que a salvação não é somente para Israel, mas para todos os povos do mundo.

O Evangelho é de São Mateus (Mt 2, 1-12). Mateus relata como os três reis magos buscaram informações a respeito do nascimento de Jesus, a partir do momento em que viram brilhar a estrela no céu. Foram até Jerusalém ter com Herodes e perguntaram se ali que deveria nascer o “Rei dos Judeus”. Herodes fica nervoso, pois achava que somente ele deveria ser o Rei de Israel e, evidentemente, não entende que o reinado de Jesus não era de maneira alguma igual ao dele.

Herodes se reúne com os sumos sacerdotes e mestres da Lei e começam a pesquisar onde deveria nascer o “rei dos Judeus”. Eles chegam à conclusão que seria em Belém de Judá. Herodes procura saber dos Magos quando a estrela apareceu e os envia a Belém para que depois eles lhes trouxessem informações a respeito do nascimento do menino. Mas os magos foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes, pois ele tinha a intenção de matar o menino Jesus, pois estava com raiva.

Os magos chegam ao local onde se encontrava o menino com Maria e José e se prostram diante dele e o adoram. Os magos lhe oferecem presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro por causa da realeza do Menino Jesus, o incenso devido a sua divindade e a mirra devido a sua humanidade, pois além de Deus, ele era Humano. E a mirra seria o mesmo óleo que Jesus seria ungido após a sua morte. Os magos oferecem ao menino Jesus tudo aquilo que eles tinham de mais sagrado, de mais valioso.

Podemos nos perguntar: o que eu ofereço ao Senhor? Que presente eu trago para dar a ele? Com certeza não é mais ouro, incenso ou mirra, mas poderemos oferecer a ele o presente mais valioso que é a nossa vida. Dedicarmos tempo ao Senhor, colocá-lo em primeiro lugar e não em segundo plano. E viver uma vida longe do pecado.

Participemos com alegria da missa da Solenidade da Epifania do Senhor, dentro, ainda, do tempo do Natal. Olhemos para o presépio e adoremos o menino Deus que acabara de nascer. Que Ele se manifeste a cada um de nós e à humanidade inteira, revelando o plano de amor para todos os povos.

Que a Virgem Maria interceda por nós em nossa caminhada e ela nos ajude a conservarmos e guardar tudo em nosso coração.

Publicado em vaticannews.va.

Imagem: Gaudium PressEpifania: um convite a sermos gratos ao Senhor (02.01.2022)

O nascimento de Jesus é o grande motivo da nossa alegria!

Queridos paroquianos,

Na mensagem de Natal deste ano quis unir e partilhar com vocês três breves pensamentos de autores diferentes: do doutor da Igreja São Leão Magno, do padre espanhol Fernández Carvajal e do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar.

            Certamente os festejos natalinos deste ano serão  diferentes de todos os que a nossa geração já vivenciou até agora. Se ficarmos limitados aos acontecimentos sociais, culturais e da área da saúde, talvez  não encontremos motivos para nos alegrar e festejar. Praticamente desde o início deste ano, o medo e a preocupação causados pelo covid-19, vêm tomando conta da nossa forma de viver. Mas, espiritualmente somos convidados a encontrar em Jesus, no Menino-Deus, a alegria e a esperança para a nossa vida. Assim escreveu São Leão Magno: “Não pode haver tristeza quando nasce a Vida. Dissipando o temor na morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nessa felicidade”. Não pode existir tristeza no dia do nascimento da Alegria! Sim, Jesus é a nossa Alegria, motivo primeiro e ápice de toda a nossa existência. No dia em que Deus veio nos visitar, e morar entre nós, temos que acolher jubilosos em nosso coração o belíssimo anúncio do anjo, na ocasião para os pastores e hoje para todos nós: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa-Nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 10-11).

O texto bíblico relata que após o anuncia do anjo, os pastores foram à Belém procurar o Menino Jesus. Assim como eles, nós devemos procurá-lo e encontrá-lo, não apenas na noite de Natal, mas em todos os dias. O padre Fernández Carvajal, ao escrever uma homilia natalina, destacou: “Se Deus se fez homem e me ama, como não procura-lo? Como perder a esperança de encontrá-lo, se é Ele que me procura?” Foi Jesus, o Emanuel, que desceu do céu para vir ao nosso encontro. A iniciativa foi d’Ele! Isso é uma demonstração claríssima do seu amor benevolente por nós. Este encontro de Deus com a nossa fragilidade humana, nos enche de profunda esperança. Quando contemplamos o seu nascimento não temos dúvidas do quanto Ele nos ama. E ao contemplarmos este amor, só nos resta retribuí-lo com amor e com gratidão. Gratidão por mais um Natal que estamos celebrando, por mais um ano que estamos concluindo, mesmo que tenhamos passado por alguns contratempos. Não esqueçamos que a doce presença do Menino de Belém tem nos acompanhado até agora, e nos acompanhará por todo o sempre. Entendamos uma coisa, Ele veio nos procurar para que encontrados por Ele encontremos o único motivo que nos dá  sentido de viver para além das circunstâncias adversas que estamos passando. E que o nosso encontro com Ele seja feito, não somente na noite de Natal, mas em todos os dias deste Novo Ano.

Na dinâmica cotidiana do encontro de Jesus com cada um de nós, o teólogo Von Balthasar, ressalta que: “Com o nascimento de Jesus, se iniciou para nós uma história de amor onde Deus é o roteirista, o Espírito Santo é o diretor, Jesus é o ator principal e nós somos os coadjuvantes”. Ou seja, com o Natal passamos a participar de uma belíssima história de amor onde a Trindade e cada um de nós tem um papel importantíssimo a desempenhar. Deus é o roteirista, é Ele quem escreve a nossa história. O Espírito Santo é o diretor, é Ele quem dirige e guia nossa vida. Jesus é o protagonista, é o ator principal com quem contracenamos. Somos os coadjuvantes! Sendo assim, para que esta história tenha um desfecho feliz, precisamos aceitar o roteiro que Deus escreveu para nós, precisamos nos deixar guiar pelo o Espírito Santo em todos os momentos e precisamos contracenar com Jesus. Ele é o protagonista, Ele é o centro de tudo! Temos que estar com Ele o tempo todo, em todas as cenas da nossa vida, nos momentos de dor e de alegria, de enfermidade e de saúde, de perdas e ganhos.

Queridos paroquianos, o Natal é este momento onde Jesus, a nossa Alegria, o Protagonista da nossa vida, mais uma vez quis, por iniciativa própria, vir conviver conosco e nos salvar.  É Natal! Não estamos sozinhos! O Emanoel, o Deus-conosco, está entre nós.  Ele nasceu para dissipar as nossas dores, doenças, medos e morte. Celebremos este grande acontecimento ao lado da Virgem Maria e de São José. Que eles intercedam por nós. Por todos os nossos familiares e amigos que são os presentes mais preciosos que o Senhor nos concedeu.

Meu afetuoso abraço a todos vocês, queridos paroquianos e filhos espirituais. Contem sempre com as minhas orações e rezem por mim também.

Um feliz e santo Natal para todos!

Um ano novo preenchido da presença de Jesus!

Padre e amigo Antônio José (Pascom Sje).

Publicado em Paróquia São João Evangelista.

Um cordel sobre o presépio

O agente da Pastoral Familiar Gerardo Carvalho Frota, da paróquia de Nazaré, na arquidiocese de Fortaleza (CE), enviou para o Portal Vida e Família um cordel sobre o presépio, com o título Presépio: Sinal do Natal Cristão.

Também conhecido por Pardal, Gerardo é professor, jornalista e poeta cordelista. Sua composição foi feita após a última reunião da Pastoral Familiar, na qual o padre diretor espiritual fez uma explanação sobre os personagens do presépio.

Confira:

PRESÉPIO: SINAL DO NATAL CRISTÃO

Foi na cidade de Creccio (*)
Que Francisco viu uma gruta
O Santo achou parecida
Com a manjedoura impoluta
Que o menino-Deus nasceu.
Nesta hora apareceu
Uma ideia resoluta:

São Francisco quis fazer
Ao vivo o acontecimento
Do Natal ali na gruta
Pro nosso contentamento.
Conta pra João Velita
Que achou a ideia bonita
E ajudou no grande intento!

Veja o que Francisco fez
Como ele preparou
Naquela gruta o PRESÉPIO
Um burrinho e um boi e levou.
Encheu a concha de feno
Nela de um Jesus pequeno
Uma imagem colocou.
____________________
(*) Cidade italiana na região de Lazio

Camponeses e pastores
Dos vales das regiões
Se aproximaram da gruta
Cantando bela canções.
Vinham com fachos de luz
Era o Natal de Jesus
Alegrando os corações!

À meia noite uma missa
Na gruta então foi rezada.
Os frades vinham de longe
De região afastada
E ao redor do grande altar
Todos ali a coroar
Uma festa inusitada.

Logo depois do evangelho
O santo a todos pregava
Discorreu sobre o mistério
Que Deus nos proporcionava.
Era tão grande a alegria
Que até os lábios lambia
Quando de Jesus falava!

Ao pronunciar “Belém”
A sua voz parecia
Com a de um anjo de paz
Pois o que ali acontecia
Neste verso verbalizo:
“A noite no paraíso”
Por tão perfeita alegria!

Depois de contada a história
De como o Santo de Assis
Teve a ideia do presépio
Como uma força motriz.
Veja agora os personagens
Do PRESÉPIO e suas mensagens
Pra tornar um Natal Feliz.

O primeiro personagem
Foi o ANJO anunciador
O famoso GABRIEL
Vindo de Nosso Senhor
Para dizer à MARIA
A grande Graça e alegria
De gestar o SALVADOR!

Maria sem entender nada
Quando ouviu a saudação
Do anjo que lhe abordava
Estremeceu o coração.
Com a divina sapiência
Ela mostrou obediência
Disse SIM como opção…

Depois vemos São José
Que foi o pai adotivo
De Jesus Menino-Deus
Que num momento furtivo
Achou que tinha certeza
De abandonar sua princesa
E tentou criar um motivo.

Temos o mais importante
O Jesus Filho de Deus
O Menino que nasceu
Para a salvação dos seus.
Aquele já anunciado
Por profetas do passado
Desde os tempos dos hebreus.

Nasceu num ambiente pobre
Uma espécie de curral
Onde só tinha capim
Comida para animal.
Fizeram um berço e em Jesus
Se agasalhava uma luz
Pra dissipar todo o mal!

Temos o jumento e o boi
Que ali estão representando
O jumento são os pagãos
Que Jesus está chamando
Para uma conversão
À humildade do cristão
Que estava se inaugurando.

O boi então representa
A força também a bondade
Do povo de Deus o hebreu
O sacrifício e a humildade.
O jumento e o boi se encontram
Pra acabar o que lhes afrontam:
Desunião e má vontade…

Temos também os pastores
Homens marginalizados
Pessoas que a sociedade
Via cheios de pecados.
Enquanto o Menino-Deus
Tinha como filhos seus
Muito bem abençoados…

Tem as figuras dos anjos
Anunciando aos pastores
A chegada do Messias
Com suas vozes de cantores:
“Glória a Deus Pai de bondade
E aos homens de boa vontade
Que da paz são construtores”.

As ovelhas por sua vez
Tinham ali o seu ofício
Um símbolo que Jesus
Veio para o sacrifício
Por todos nós pecadores
Pra nos libertar das dores
Que trazem tanto suplício.

Um sinal no céu surgiu
Tipo uma estrela cadente
Os reis magos entenderam
Que o menino no oriente
Nasceu conforme o profeta
Traçaram logo uma meta
Para lhe entregar presente!

Melchior e Baltasar
E Gaspar ofereceram
Presentes: Incenso e Mirra
E o Ouro que enalteceram
O menino ora nascido
O esperado o prometido
Por vates que O antecederam.

Cada presente que deram
Tinha uma significação
O ouro era a realeza
A mirra era a paixão.
O incenso era divindade
De Jesus junto à Trindade
Desde a sua criação…

Depois de contar a história
Do presépio e suas figuras
Bom será nos perguntar:
Como estão nossas fissuras
Na mente e no coração
Na hora de ser cristão
Temos fortes estruturas?

Natal comercializado
É o que tem o papai noel
De lucro desenfreado
De venda feita a granel.
Enquanto o maior presente
Deve estar dentro da gente
Que é Jesus o Emanuel…

Nosso natal é o cristão
Pois queremos renascer
Numa conversão contínua
Para o amor sempre viver
Um eterno natal de luz
Em que o Menino Jesus
Alimente nosso ser!
FIM
Fortaleza, dezembro/2020

Autor: Gerardo Carvalho Frota (Pardal)

Publicado em Porta vida e Família.

Leia mais:

O primeiro presépio foi de São Francisco

O presépio é talvez a mais antiga forma de caracterização do Natal. Sabe-se que foi São Francisco de Assis, na cidade italiana de Greccio, em 1223, o primeiro a usar a manjedoura com figuras esculpidas formando um presépio, tal qual o conhecemos hoje. A idéia surgiu enquanto o santo lia, numa de suas longas noites dedicadas à oração, um trecho de São Lucas que lembrava o nascimento de Cristo. Resolveu então montá-lo em tamanho natural, em uma gruta de sua cidade. O que restou desse presépio encontra-se atualmente na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

Presépio significa em hebraico “a manjedoura dos animais”, mas a palavra é usada com freqüência para indicar o próprio estábulo. Jesus ao nascer foi reclinado em um presépio que provavelmente seria urna manjedoura, como as muitas que existiam nas grutas naturais da Palestina, utilizadas para recolher animais. Outra versão é que o presépio de Jesus era feito de barro, aproveitando-se uma saliência da rocha e adaptando-a para tal finalidade. Esta é, sem dúvida, a versão mais aceita.

O presépio de São Francisco incluía uma manjedoura, acima da qual foi improvisado um altar. Nesse cenário ocorreu a missa da meia-noite, na qual o próprio santo com a vestimenta de diácono cantou o Evangelho juntamente com o povo simples e pronunciou um sermão sobre o nascimento do Menino Jesus.

Conta-se que naquela noite especial, enquanto o santo proferia as palavras do Evangelho sobre o nascimento do Menino Jesus, todos os presentes puderam ver uma criança em seu colo, envolvida em um raio de luz. A cena foi narrada em 1229 por Tommaso da Celano, biógrafo de São Francisco de Assis. Desde então, os presépios foram se tornando cada vez mais populares e, além das figuras tradicionais do Menino Jesus deitado na manjedoura, Maria e José, acabaram incluindo uma enorme variedade de personagens como os pastores, os Reis Magos, a estrela e os animais.

No Brasil, em muitos estados do Nordeste, até hoje a montagem dos presépios é acompanhada de danças e festejos conhecidos como Pastorinhas, versões brasileiras dos autos de Natal, que eram encenações do nascimento de Jesus típicas de algumas regiões da Europa, como a Provença, na França.

Publicado em Paróquia N.Sra. Mãe da Divina Providência.

Imagem: Paróquia N.Sra. da Divina Providência.

Deus nos abandonou?

Quando o sofrimento bate à nossa porta, por vezes nos sentimos abandonados por Deus, pensamos estar sozinhos neste mundo.

Será que Deus nos abandonou?

Neste mundo passamos por sofrimentos, angústias, tribulações, e nestes momentos podemos nos sentir abandonados por Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, também teve momentos de angústia, sofrimento, tribulação, mas mesmo assim entregou-se inteiramente à vontade do Pai. Jesus disse aos judeus: “não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 30b). Cristo veio ao mundo, não para fazer a Sua vontade, mas a vontade do Pai que Lhe enviou. Ele tinha uma missão a realizar neste mundo e dedicou-se inteiramente a essa missão, ainda que para isso tivesse que desagradar os homens e a si mesmo. Como cristãos, somos chamados a seguir o caminho de Cristo, que passou por sofrimentos e perseguições (cf. Jo 5, 18), para realizar a vontade do Pai em nossas vidas.

Esta missão que nos foi confiada se parece com a que foi confiada por Deus ao Povo de Israel através do profeta Isaías: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa” (Is 49, 8). O Senhor nos ajuda nesta obra de salvação. Ele nos preservou para ser, como Jesus Cristo, um elo de aliança entre os povos. A vontade do Pai é que sejamos esse elo de ligação entre Ele e Israel, o Povo de Deus.

O Senhor nos chamou para libertar aqueles que estão presos pelas cadeias do pecado (cf. Is 61, 1), para iluminar a vida daqueles que vivem nas trevas dos vícios, do distanciamento de Deus. Jesus foi perseguido justamente porque fazia tudo isso até mesmo no dia de sábado, que era um dia de descanso para os judeus. Hoje, os motivos das perseguições contra os cristãos certamente não são os mesmos, mas é o próprio Cristo que é perseguido em nós.

Diante das perseguições, dos sofrimentos por causa de Jesus Cristo, podemos pensar como os israelitas: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” (Is 49, 14). Em meio a estas tribulações, perseguições, sofrimentos, podemos achar que Deus nos abandonou. Porém, o Senhor nunca nos abandona. Ao contrário, nestes momentos é que Ele está ainda mais próximo de nós. Pois, através dos sofrimentos estamos ainda mais unidos à Cruz de Cristo.

Quando os sofrimentos e as perseguições baterem a nossa porta, podemos ser tentados a achar que Deus se esqueceu de nós. Porém, a Palavra de Deus nos garante que Ele jamais se esquece de nós: “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti” (Is 49, 15). Não há maior amor humano do que o amor de uma mãe pelo seu filho. Esta jamais se esqueceria do seu filho. Mas, ainda que sejamos esquecidos pela nossa própria mãe, Deus não se esquece de nós.

Portanto, Deus Pai compara o Seu amor por nós com o amor de uma mãe. O Pai compara o seu amor por nós com o amor materno, de uma mãe para com o seu filho. Este amor de Deus por nós, paterno e materno, se manifestou a nós em Jesus Cristo e na Virgem Maria. Por isso, ainda que nos sintamos abandonados e esquecidos, acolhamos o amor do Pai, que se manifestou no seu Filho Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, e o amor materno de Maria, que são reflexo do infinito amor de Deus por nós. Quando acolhemos o amor infinito de Deus por nós, manifestado a nós em Jesus e em Maria, acolhemos a graça do Espírito Santo que, transforma o sofrimento em amor redentor (cf. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Dominum et Vivificantem40). Desse modo, fortalecidos pelo amor, dom do Espírito Santo, seremos capazes de fazer a vontade do Pai.

Publicado em Todo de Maria.

Afinal, qual a importância da Santa Missa?

Domingo, dia do Senhor! Vamos à Santa Missa?

A Santa Missa é o pilar central da fé católica, por ela, recebemos Jesus vivo na Eucaristia, corpo e sangue, que nos sustentam na luta pela santidade. Não há como buscar o Céu sem buscar a Cristo no altar da Santa Missa, veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

2180 — O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: “Nos domingos e nos outros dias de festa de preceito aos fiéis têm a obrigação de participar da missa”. “Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior”.

2181 — A eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou dispensados pelo próprio pastor.

Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave [também chamado pecado mortal, e devem procurar a confissão].

A Santa Missa é a presentificação do Sacrifício de Jesus no Calvário. Não é repetição e nem multiplicação desse acontecimento; é a sua renovação, atualização. As ações de Cristo são “teândricas”, isto é, humanas e divinas ao mesmo tempo, por isso, não se esgotam no tempo como as nossas ações. Deus está acima do tempo, que é sua criatura.

A Missa é oferecida com várias finalidades: homenagem de adoração suprema ao Pai Eterno por Seu Filho encarnado, feito homem, unindo as nossas com as Dele e as de toda a Igreja. É um ato de oferecimento de cada fiel ao Senhor para o amar e servir.

É um culto de ação de graças ao Pai para agradecer-lhe os dons que recebemos: a glória da Virgem Maria, seus méritos e os dos santos e todos os benefícios que recebemos pelos méritos de Cristo. É também um ato de reparação pelos nossos pecados e os da humanidade. Diz São Pedro Julião que “Deus Pai nada nos pode recusar visto que nos deu Seu Filho, que se mantém na Sua presença nesse estado de Sacrifício e de vítima pelos nossos pecados e os de todos os homens”. É o momento de apresentar a Deus nossas necessidades pessoais; e, sobretudo, a graça necessária para vencer os piores pecados que nos escravizam.

Além disso, no oferecimento eucarístico do pão e do vinho, são também apresentadas a Deus toda a riqueza e pobreza da humanidade inteira. Assim rezamos pelas necessidades de todos os homens espalhados pelo mundo inteiro, em particular pelos mais necessitados. Quando participamos da Santa Missa ajudamos concreta e eficazmente os outros. De fato, a Santa Missa é fonte privilegiada de justiça, de partilha, de paz, de reconciliação e de perdão entre todos os povos. A Eucaristia sempre é celebrada sobre o altar do mundo. Une o céu e terra (cf. Ecclesia de Eucharistia, 8).

Na celebração da santa Missa, tudo lembra o Sacrifício de Jesus por nós. O altar de pedra contém relíquias de santos, às vezes até ossos, pois eles participam da glória de Cristo e “intercedem por nós sem cessar”; as velas que queimam no altar e se consomem, e os círios, simbolizam a fé, a esperança e a caridade. As toalhas brancas que cobrem o altar representam os lençóis com que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo; o crucifixo representa-O morrendo por nós. Tudo lembra o Calvário.

Fonte: Professor Felipe Aquino.

Publicado em Missão Eterno Céu.

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