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Posts Tagged ‘O Amor não cabe em um chip’

Nossa vida é um combate diário

Nossa vida é um combate diário, por isso precisamos usar as armas necessárias de cada dia e enfrentar o combate de cabeça erguida. Lutar sempre, desistir jamais, é isso que quero partilhar com você. Sei que não é fácil, mas é possível, sim, enfrentar o combate diário. Somos templo do Espírito Santo e Deus está em nós. Deus habita em nosso coração, em nossa casa. Não precisamos ter medo, por maior que seja a batalha. Vamos fechar todas as brechas do coração e da nossa casa para o inimigo não entrar.

Meu coração e o seu coração precisam estar vibrantes, desejando o Céu, pois fomos feitos para a eternidade. O Céu é o nosso lugar. Isso é fundamental para entendermos os combates pelos quais passamos. Quando tenho um olhar espiritual, entendo que sou do Céu, mas como peregrino neste mundo, preciso permanecer firme e com foco em Jesus. Isso me ajuda a não desistir e a entender que tudo vai passar.Nossa vida é um combate diário

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Diante do Evangelho de Mateus, eu me pergunto e pergunto a você: como está o meu desejo de Céu? Como está o meu desejo de entrar no Céu? Viver é bom, mas só vale a pena se for para viver com Cristo. Diariamente, tenho orado para que eu nunca tire dos meus olhos esse desejo de trilhar e chegar à meta do homem perfeito, da estatura do homem perfeito, Jesus. Chegar ao Céu é uma luta diária.

É só na oração que vencemos o combate

Aqui, na Canção Nova, aprendemos que a nossa vida precisa ser uma vida de oração, porque é só na oração que vencemos o combate, e a oração nos traz disciplina, determinação, coragem para não pararmos nos problemas que enfrentamos. Ou eu assumo que tudo posso Naquele que me fortalece ou não adianta nem proclamar essa frase.

Deus tem para nós a obra de salvação, mas o inimigo tem a obra da destruição. Ele tira das famílias o desejo do Céu, a oração, e destrói a família que vive intensamente a Palavra do Senhor. Satanás quer fazer com que você e eu desistamos do Céu, da santidade. Nossa vida é um combate, sim, mas nós somos vencedores!

Largue tudo, não tenha medo, traga a vocação primária, que é a santidade. Queira ser um homem diferente, uma mulher diferente, para que as pessoas consigam olhar para você e falar: aquele homem é um homem de Deus, aquele casal busca o Céu.

(…)

Se você é um cristão autêntico, tem que passar por tribulações, pois essa é a garantia para se chegar à vitória. Quando eu entendo o Céu, eu assumo a cruz e não a largo de jeito nenhum. Todos nós devemos viver intensamente correndo atrás da nossa santidade, enfrentando as batalhas de cada dia, carregando a cruz de cada dia e acreditando que Deus está conosco. Não sabemos quando o Senhor virá, e por isso devemos orar e vigiar diariamente. Porém, eu só viverei assim se tiver um entendimento concreto de que o Céu é o meu lugar e de que estou neste mundo, mas não pertenço a ele.

Peço ao Senhor que você seja impregnado da certeza do Céu, do desejo do Céu. Por isso, coragem, nossa vida em Deus é um combate diário, mas vamos vencer.

Trecho extraído do livro “Lutar sempre desistir jamais“, de padre Bruno Costa.

Publicado em Formação Canção Nova.

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08 Imaculada Conceição de Nossa Senhora

O pecado original é realidade misteriosa e pouco evidente para nós enquanto comporta prolongamento da culpa dos progenitores a todos nós. Neste dia nós o consideramos na sua conspícua exceção, ou melhor, no seu singular privilégio concedido a Maria, que foi dele preservada desde o primeiro instante de sua concepção, de sua existência humana. O valor doutrinal desta festividade é manifesto na prece da celebração litúrgica, que sublinha o privilégio concedido à futura Mãe de Deus: “Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparaste ao teu Filho uma morada digna dele…”, e a própria natureza deste privilégio, enquanto não subtrai Maria à Redenção universal efetuada por Cristo: “Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do teu Filho…”. Antes que Pio IX com a bula Ineffabilis Deus de 1854 definisse solenemente o dogma da Imaculada Conceição, não obstante as hesitações de alguns teólogos, que podiam apelar ao próprio santo Tomás de Aquino, tinha-se chegado a desenvolvimento não só da devoção popular para com a Imaculada mas também nas intervenções dos papas a favor desta celebração. Antes que o calendário romano incluísse a festa em 1476, esta já aparecera no Oriente no século VII, e, contemporaneamente, na Itália meridional dominada pelos bizantinos. Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e finalmente em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória, a toda a cristandade. Mas desde a origem do cristianismo Maria foi venerada pelos fiéis como a TODA SANTA. No primeiro esboço da festa litúrgica da Conceição, anterior ao século VII, nota-se, se não a profissão explícita da isenção da culpa original, pelo menos persuasão teologicamente equivalente. “Potuit, decuit, ergo fecit”, argumentara um brilhante teólogo medieval: “Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez”. Do infinito amor de Cristo para com a Mãe, que a pré-redimiu e acumulou do Espírito Santo desde o primeiro instante da sua existência, derivou este singular privilégio, que a Igreja hoje celebra para nos estimular a meditar não só sobre a inefável beleza da alma de Maria, mas também sobre a beleza de toda alma santificada pela graça redentora de Cristo. Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Virgem apareceu a santa Bernadete Soubirous. Para a menina que, timidamente perguntava: “Senhora, quer ter a bondade de me dizer o seu nome?”, Maria respondeu: “ Eu sou a Imaculada Conceição”.

Extraído do livro:

Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Publicado em Padres e Irmãos Paulinos (paulinos.org.br) – Capela Virtual.

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Não adianta fugir ou mudar de assunto. Um dia, a morte chega para todos. Mas qual o sentido desse acontecimento? Como reagir diante de uma realidade tão dura e perturbadora?

A morte assusta a todos nós. Diante dela, tomamos consciência de nossa fragilidade e, sem fé, podemos facilmente ser acometidos por incertezas, dúvidas e mal estar.

Muitas vezes, para fugir desse tema, dizemos que ainda nos falta muito tempo para esse dia, que não nos devemos preocupar com isso e, quando alguém nos lembra de nosso destino comum e inevitável, sempre tentamos dar um jeito de mudar de assunto.

Na verdade, o que precisamos fazer é entender o verdadeiro sentido da morte. Para isso, seguem alguns conselhos, que nos darão uma visão cristã desse acontecimento e uma ajuda para viver o luto em paz e com sabedoria.

1. Recorrer aos Sacramentos da Igreja

Ao se aproximar o momento de nossa partida deste mundo, devemos nos preparar, procurando livrar a nossa alma do pecado e de outros fardos que impedem a nossa união com Deus. Por isso, é muito importante receber a Unção dos Enfermos e, se possível, os sacramentos da Confissão e da Comunhão. Assim, quando a morte chegar, mais do que uma despedida, será ela um encontro com Cristo, que, como Bom Pastor, acompanha as Suas ovelhas na passagem para a vida eterna.

Se um ente querido ou um vizinho se encontra em perigo de morte – ou por velhice ou por alguma doença –, será de grande ajuda procurar ou avisar um sacerdote próximo para que visite o enfermo e este possa partir na graça de Deus. Não se pode deixar de chamar o padre por receio de que a sua visita passe uma “impressão errada” ou “apresse”, por assim dizer, a morte da pessoa. A assistência espiritual do sacerdote é de grande conforto para todas as almas, seja qual for o seu destino. Na verdade, seria um grande mal que deixássemos de recorrer à Igreja nessas horas, pois estaríamos nos descuidando do bem mais valioso que possuimos: a nossa própria alma.

Por isso, lembremo-nos também de buscar viver sempre em comunhão com o Senhor. Cumpramos os Seus mandamentos e recebamos com frequência os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, fazendo isso por amor a nosso Deus e considerando que a morte pode chegar quando menos esperamos.

2. Compreender que a morte nos liberta e nos faz entrar na vida eterna

“Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura e da Tradição, o Magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem. Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus o destinava a não morrer. A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus Criador” [1]. Porém, quando Se fez homem para a nossa salvação, o Verbo de Deus experimentou em Sua própria carne a realidade dolorosa da morte, a fim de mudar em bênção o que era condenação..

A partir da Cruz e Ressurreição de Nosso Senhor, portanto, tudo muda de figura. A morte não é mais a triste descida do ser humano à mansão dos mortos, mas a entrada na vida eterna. Muitos protestantes, ao interpretar as Escrituras individualmente, terminam acreditando que as almas depois da morte ficam inconscientes e caem numa espécie de “sono” inconsciente. Esquecem-se que Jesus prometeu o Céu ao bom ladrão no mesmo dia em que este morreu (cf. Lc 23, 43), e que “está determinado que os homens morram uma só vez e depois vem o julgamento” (Hb 9, 27).

A Igreja, em conformidade com o testemunho das Escrituras e com o ensinamento dos primeiros cristãos [2], lembra que, na verdade, a nossa alma parte para o encontro com Deus imediatamente após a nossa morte corporal. Por isso, nós devemos vivê-la compreendendo que um ciclo terreno termina e se inicia o tempo da glória, ao lado de Deus e de Sua corte celestial. “Eu sou a ressurreição e a vida”, disse Jesus. “Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11, 25-26).

3. Conservar com amor e alegria a lembrança daqueles que partiram

Ainda que não estejam mais fisicamente conosco, todas as lições e momentos compartilhados com os nossos entes queridos vivem em nossos corações. Honremos sempre sua memória como um inestimável tesouro que nos acompanhará em nossa vida.

Mesmo que nos doa que alguém amado tenha partido e sintamos um vazio por sua perda, deve-se evitar cair em tristezas prolongadas. Primeiro, porque somos confortados pela esperança cristã de que quem creu e viveu no Senhor tem a vida eterna com Ele. Segundo, porque sabemos que quem se foi não gostaria de ver-nos assim. Se nos é difícil levantar-nos do luto, busquemos a ajuda de um sacerdote ou diretor espiritual para superar a dor. Será muito útil.

Também pode ser uma boa obra de caridade doar algumas (se não todas) roupas ou objetos que a pessoa usou a um abrigo ou casa de beneficência. Além de ser um sadio exercício de desapego, que nos pode ajudar a superar o luto causado pela perda, colocamos em prática a terceira obra de misericórdia temporal, que é “vestir os nus”.

4. Auxiliar as famílias que perderam seus entes queridos

Quando perdem alguém, as pessoas geralmente se refugiam na solidão, no silêncio e no pranto, podendo experimentar falta de apetite e estresse ou mesmo entrar em depressão.

Como cristãos, o nosso dever é acompanhar, aconselhar e ajudar aqueles que perderam os seus entes queridos, fazendo com que se recordem deles com alegria e incentivando-os a ver na morte não um fim, mas uma permanência no amor de Deus, que tem preparado um lugar para cada um de nós.

“Consolar os aflitos” também é uma obra de misericórdia, recomendada pelas próprias Escrituras: “Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rm 12, 15). Além disso, a solidariedade com quem sofre é um grande remédio para aliviar também as nossas dores. Quando nos voltamos às necessidades dos outros, somos capazes de ver a mão de Deus que levanta o próximo por meio de nós. Quem, como o bom samaritano (cf. Lc 10, 30-37), cuida das misérias alheias, tem suas próprias misérias pensadas por Nosso Senhor, que é o Bom Samaritano por excelência.

5. Evitar brigas por causa de dinheiro ou herança

É possível que a pessoa falecida tenha deixado alguns bens que tocam aos filhos e parentes mais próximos. Tudo tem seu tempo apropriado e é lamentável ver famílias que, antes mesmo da morte da pessoa, brigam por causa de bens materiais; irmãos que, ao invés de se unirem, nem sequer conversam mais um com o outro, por conta de interesses.

Ante a tentação de acirrar os ânimos por causa de heranças terrenas, vale ter diante dos olhos a única herança imperecível, a qual – como ensina São Gregório Magno – “não diminui com o crescimento do número de herdeiros”. “Se ressuscitastes com Cristo – exorta São Paulo –, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra” (Cl 3, 1-2).

6. Evitar cair em práticas espíritas ou supersticiosas para mitigar a dor

Algumas empresas, no afã de lucrar com a dor alheia, oferecem rituais funerários absolutamente incompatíveis com a fé cristã. São práticas como semear uma árvore com os restos mortais da pessoa, jogar as suas cinzas em um lago para perpetuar a sua memória, ou mesmo domesticar um animalzinho com o nome do parente falecido, relacionando-o com a crença na reencarnação.

O Catecismo da Igreja Católica é bem claro ao ensinar que não existe reencarnação:

“A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar a nossa vida sobre a terra, que é só uma, não voltaremos a outras vidas terrenas. ‘Os homens morrem uma só vez’ (Hb 9, 27). Não existe ‘reencarnação’ depois da morte.” [3]

Por isso, não é nada aconselhável, a quem perdeu os seus entes queridos, que saia à procura de “comunicações do além” em casas espíritas ou ambientes parecidos. A dor não nos pode fazer desviar de nossa fé! Nossa confiança deve estar sempre colocada em Deus e em Suas promessas. É a Sua graça que nos ajudará a continuar, não as falsas mensagens de doutrinas abertamente contrárias à doutrina de Cristo.

7. Rezar pelo descanso eterno daqueles que partiram

A maior obra de amor que podemos realizar por nossos entes queridos é oferecer orações por eles. Como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, “pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela” [4].

No Brasil, há o piedoso costume de se honrar as almas dos falecidos com a conhecida “Missa de sétimo dia”. O Catecismo ensina que, “desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus” [5]. Por isso, não importa o quanto tempo tenha passado, é sempre recomendado oferecer muitas Missas pelas almas dos fiéis falecidos, além de Terços, jejuns e toda espécie de orações.

Também não se pode esquecer o motivo de todas essas práticas. Os católicos rezam por seus mortos porque acreditam na verdade do purgatório. A Igreja não é composta apenas pelos cristãos que vivem neste mundo (Igreja militante), mas está unida aos santos, no Céu (Igreja triunfante), e às almas que se purificam de seus pecados, no purgatório (Igreja padecente). Por essa união mística – que a Igreja chama de “comunhão dos santos” –, as nossas preces e súplicas pelos falecidos têm valor diante de Deus e fazem entrar no Céu aqueles que amamos e que partiram desta vida.

Um dia, será a nossa vez de nos juntarmos à corte celeste e às almas de nossos entes queridos. Por isso, estejamos sempre preparados para a nossa morte e para nosso encontro definitivo com Deus. É verdade que ninguém pode ter certeza absoluta da própria salvação [6]. Se, porém, vivermos uma vida de virtudes e de oração, ao fim de nossas existências poderemos dizer, com São Paulo: “Chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Desde agora, está reservada para mim a coroa da justiça que o Senhor, o juiz justo, me dará naquele dia, não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação” (2 Tm 4, 6-8).

Fábio Acuña (Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere)

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 1008.
  2. Cf. Papa São Clemente, Primeira Carta aos Coríntios, 56 (PG 1, 321-324); Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Tralianos, 13 (PG 5, 799); São Policarpo de Esmirna, Carta aos Filipenses, 9 (PG 5, 1019).Moralia in Iob, V, 86 (PL 75, 729).
  3. Catecismo da Igreja Católica, 1013.
  4. Cartas, 225 (2 de maio de 1897).
  5. Catecismo da Igreja Católica, 1032.
  6. Cf. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 112, a. 5.

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© artproem

Se negarmos que existe a verdade objetiva e perene, o Cristianismo fica destruído desde a sua raiz

O Papa Emérito Bento XVI usou essa expressão para explicar o regime filosófico que se deseja impor no mundo. Há duas formas de ditadura: das armas e da cultura. Essa última é muito pior, porque dura muito mais tempo. A expressão relativismo mostra a ideia central, isto é, a ausência da verdade absoluta, renascimento de uma ideologia antiga. É uma ditadura, porque deseja proibir você de sustentar o contrário. Tudo passa a ser, então, relativo, exceto o próprio relativismo, que é um absurdo.

Ora, se tudo é relativo e não existe a verdade objetiva, então, a própria afirmação “tudo é relativo” ou “não existe verdade absoluta” também não podem ser tidas como verdadeiras. Além do relativismo ser um grave erro, que destrói as bases da civilização, o pior de tudo é não admitir que alguém dele discorde. Essa triste mentalidade, na verdade, é uma lógica muito esperta e maldosa daqueles que desejam eliminar a religião. Se a liberdade é absoluta para pensar no que eu quero, então, todas as afirmações são igualmente aceitas, e você joga tudo no mesmo saco, mentiras e verdades.

A incoerência se nota quando se percebe que os defensores da verdade absoluta são perseguidos e caluniados; ora, então “a liberdade não é tão absoluta nem a verdade tão relativa”, como disse o amigo advogado Rafael Vitola. E ele afirma, com razão, que “o que está por trás disso não é o amor à liberdade, mas o ódio à verdade. Sob a capa de uma liberdade absoluta – que, aliás, seria imoral –, esconde-se a mais terrível das tiranias. Na realidade, nem os que propugnam a verdade relativa nela acreditam. Pensam, no fundo, que ela é absoluta – pois negam a liberdade a seus opositores. Sua agravante é a hipocrisia. E a hipocrisia – atroz e autoritária – é sua arma principal”.

O relativismo está na moda?

É a luta do bem contra o mal; a luta da verdade contra a mentira, da luz contra as trevas. Na homilia que o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, pronunciou na Missa “Pro Eligendo Pontífice”, celebrada no dia 18 de abril de 2005, às vésperas de sua eleição como Papa, ele disse:

“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento. A pequena barca do pensamento de muitos cristãos, com frequência, fica agitada pelas ondas, levadas de um extremo a outro: do marxismo ao liberalismo, até o libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo etc. A cada dia, nascem novas seitas e se realiza o que diz São Paulo sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir no erro (cf. Efésios 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é etiquetado com frequência como fundamentalismo.

Enquanto que o relativismo, ou seja, o deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda. Vai-se construindo uma “ditadura do relativismo”, que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última medida o próprio eu e suas vontades”.

Nós temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo. «Adulta» não é uma fé que segue as ondas da moda e da última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo. Essa amizade nos abre a tudo o que é bom e nos dá a medida para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre o engano e a verdade”.

Bento XVI e João Paulo II

Em outra ocasião, na visita à Polônia, na Praça da Vitória (Pilsudski) de Varsóvia, a mesma onde, em 1979, João Paulo II exaltou os seus compatriotas, encorajando-os a vencer o governo comunista, o Papa emérito Bento XVI convidou os 300 mil fiéis que participaram da Eucaristia, a “não cair na tentação do relativismo ou da interpretação subjetiva e seletiva da Sagrada Escritura”, denunciando a tentativa da parte de “pessoas ou ambientes falsificarem a Palavra de Deus e retirar do Evangelho as verdades” segundo eles, “demasiado incômodas para o homem moderno”.

O Papa anterior, João Paulo II, foi à Polônia para combater o comunismo. Bento XVI voltou lá para combater o “relativismo religioso” e a “ditadura do relativismo”, as novas bases do secularismo. Para esse relativismo, que nega que possa haver uma verdade absoluta e permanente, ficando por conta de cada um definir a “sua” verdade e aquilo que lhe parece ser o seu bem, “a pessoa se torna a medida de todas as coisas”, como dizia o filósofo grego Protágoras.

Evidentemente, a Igreja rejeita isso, porque há verdades que são permanentes. As verdades da fé e da moral cristã são perenes, porque foram dadas por Deus. Cristo afirmou solenemente: “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6); “a verdade vos libertará” (Jo 8,32); e Ele disse a Pilatos que veio ao mundo exatamente “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). São Paulo disse que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4), e que “ a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15).

O dicionário da Verdade

Ora, se negarmos que existe a verdade objetiva e perene, o Cristianismo fica destruído desde a sua raiz. O Evangelho é o dicionário da Verdade. Segundo o relativismo, no campo moral não existe “o bem a fazer e o mal a evitar”, pois o bem e o mal são relativos. Isso destrói completamente a moral católica que moldou o Ocidente e a nossa civilização. Ele ignora a lei natural, que é a lei de Deus colocada na consciência de todo ser humano, desde que ele dispõe do uso da razão.

Por causa do relativismo moral, os governantes propõem leis contra a Lei Natural que Deus colocou no coração de todos os homens. Dessa forma, a palavra do legislador humano vai superando a do Legislador Divino, que é a mesma para todos os homens. Quem não estiver dentro do “politicamente correto” é anulado, desprezado, zombado com cinismo e perseguido.

O relativismo derruba as normas morais válidas para todos os homens. Ele é ateu, ele vê, na religião e na moral católicas, um obstáculo e um adversário, pois Deus é visto como um escravizador do homem e a moral católica destinada a tornar o homem infeliz. O relativismo atual coloca a ciência como uma deusa que vai resolver todos os problemas do homem; e que está acima da moral e da religião, mas se esquece de dizer que o homem nunca foi tão infeliz como hoje; nunca houve tantos suicídios, nunca se usou tanto antidepressivo e remédio para os nervos; nunca se viu tanta decadência moral, destruição da família e da sociedade.

Uma nova “teologia liberal”

O relativismo é embalado também pelo ceticismo e utilitarismo, que só aceita o que pode ajudar a viver num bem-estar hedonista aqui e agora. Há uma aversão ao sacrifício e à renúncia. Infelizmente, esse perigoso relativismo religioso, que tudo destrói, penetrou sorrateiramente também na Igreja, especialmente nos seminários e na teologia. Isso levou o Papa João Paulo II a alertar os bispos na Encíclica Veritatis Spendor, de 1992, sobre o perigo desse relativismo que anula a moral católica. No centro da “crise”, o Papa viu uma grave “contestação ao patrimônio moral da Igreja”.

Ele diz: “Não se trata de contestações parciais e ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do patrimônio moral. Rejeita-se, assim, a doutrina tradicional sobre a lei natural, sobre a universalidade e a permanente validade dos seus preceitos; consideram-se simplesmente inaceitáveis alguns ensinamentos morais da Igreja” (n. 4).

E chama a atenção para o fato grave de que “a discordância entre a resposta tradicional da Igreja e algumas posições teológicas está acontecendo mesmo nos Seminários e Faculdades eclesiásticas”. (idem) No centro da “crise moral” enfatizada pelo Pontífice, ele revela qual é a sua causa – o homem quer ocupar o lugar de Deus: “A Revelação ensina que não pertence ao homem o poder de decidir o bem e o mal, mas somente a Deus” (Gen 2,16-17). Não é lícito que cada cristão queira fazer a fé e a moral segundo o “seu” próprio juízo do bem e do mal.

É por causa desse relativismo moral que encontramos, vez ou outra, religiosos e sacerdotes que aceitam o divórcio, o aborto, a pílula do dia seguinte, o casamento de homossexuais, a ordenação de mulheres, a eutanásia, a inseminação artificial, a manipulação de embriões, o feminismo e outros erros que o Magistério da Igreja condena explicitamente.

Esse mesmo relativismo é a razão que move os contestadores do Papa, do Vaticano, dos Bispos e da hierarquia da Igreja, como se tivessem usurpado o poder sagrado, e não recebido do próprio Cristo pelo sacramento da Ordem. Esse relativismo fez surgir na Igreja uma “teologia liberal” de Rudolf Bultman, que por sua vez alimentou uma teologia “da libertação”, uma teologia “feminista”, e agora falam já de uma “teologia gay”.

Prof. Felipe Aquino

Publicado em Aleteia.

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Créditos: ThePapalVisit.org

O papa emérito Bento XVI recentemente deu uma entrevista à revista alemã Herder Korrespondenz em comemoração aos 70 anos de sua ordenação presbiteral. Ele ressaltou a importância da Igreja afastar-se do mundanismo e buscar mais a conversão.

“Igreja precisa desprender-se do mundo”, diz Bento XVI

“Para cumprir sua missão”, diz o papa, a Igreja precisa “desprender-se do mundo”. E explica: “enquanto nos textos oficiais da Igreja as funções falarem mais alto que o coração e o espírito, o mundo continuará a se distanciar-se da fé”.

Bento XVI lamentou que algumas instituições católicas (escolas, hospitais, Caritas etc) tenham um papel importante na sociedade, mas ainda sim, “não partilham a missão interior da Igreja” e pior, “em muitos casos, obscurecem o seu testemunho”.

“Espera-se um testemunho de fé verdadeiro e pessoal dos operadores da Igreja”, disse o papa emérito.

Publicado em ChurchPOP.

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