Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Combate Espiritual’ Category

Quaresma, tempo de reconciliação e conversão

É tempo de proclamarmos a misericórdia de Deus, buscando o seu perdão. No início do cristianismo, o tempo da Quaresma servia à purificação e iluminação daqueles que se preparavam para os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação, Eucaristia). Os catecúmenos iniciavam neste tempo uma caminhada de exame de consciência, de revisão de vidade reconciliação para celebrar e viver os frutos da Páscoa de Jesus Cristo, aproveitando os 40 dias para preparar-se para a graça da vida nova, da adesão à pessoa de Jesus Cristo.

Quando termina a Quaresma?

Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida.

Esse ideal ainda permanece. Nós que já fomos iniciados na vida cristã também somos convidados à purificação e renovação de nosso ardor no seguimento de Jesus, reavivando nosso Batismo e assumindo nossos compromissos cristãos, à luz do mistério pascal de Cristo. Somos convidados a intensificar nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida. Dedicar-nos à escuta da Palavra, à vivência sacramental.

Destaco aqui o sacramento da Reconciliação para este tempo de graça. Como estamos celebrando o sacramento da Reconciliação? Temos sentido necessidade da misericórdia de Deus, do seu perdão?

Sobre o sacramento da Reconciliação, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: o Batismo nos dá vida nova, mas não suprime a fragilidade, a fraqueza da natureza humana inclinada ao pecado. Por isso somos chamados à conversão para vivermos cada dia nossa vocação à santidade. A Igreja (que somos nós) é santa e pecadora, tem necessidade de purificar-se, renovar-se, e assim, atraídos pela graça, respondendo ao amor misericordioso de Deus, celebramos o sacramento da Reconciliação com o coração contrito e o propósito de conversão sincera. (cf. CIC 1426-1428)

Como viver a Quaresma como tempo de misericórdia?

conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. Pela reconciliação o cristão é convidado a reorientar-se para Deus, de todo coração, rompendo com o pecado. A conversão é obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de novo. O Espírito Santo nos dá a graça do arrependimento e da conversão e nós respondemos a cada dia com o esforço de sermos melhores e mais coerentes com nossa .

O Catecismo também nos ensina que o sacramento produz efeitos em nossa vida: reconciliação com Deus, paz tranquilidade de consciência, consolo espiritual, ressurreição espiritual, restituição da dignidade da vida de filho de Deusreconciliação com a Igreja (comunhão fraterna), participação dos bens espirituais, reconciliação consigo mesmo e com os irmãos. Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé o pecador passa da morte para a vida. (cf. CIC 1468-1470)

Neste tempo também somos convidados à pratica da caridade e ao jejum. Oferecemos nosso sacrifício para nosso crescimento espiritual e para o bem de nossos irmãos e irmãs.

“A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”. (Bento XVI)

Percorramos o caminho quaresmal, conduzidos pelo Espírito Santo. Que Ele sustente nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos, solidários, reconciliadores, verdadeiros cristãos que comunicam em palavras a atitudes a alegria do Cristo Ressuscitado!

Fonte: A12.

Imagem: Comunidade Betânia.

Read Full Post »

Retiro online: Quaresma 2021


Andar de morada em morada” com Santa Teresa de Jesus
Os Carmelitas Descalços estão a preparar um novo retiro para oferecer a todos os cristãos para a próxima Quaresma em ordem a preparar a Páscoa da Ressurreição de Jesus. Basta entrar em www.webretiro.karmel.at e preencher o formulário, inscrevendo-se gratuitamente para o retiro online da Quaresma de 2021. Atualmente estão inscritos cerca de 66000 em diversos países, sendo o texto traduzido em oito línguas. Este ano a temática é acompanhada por Santa Teresa de Jesus (1515-1582). Foi em plena crise que escreveu a sua obra prima, o Livro das Moradas ou Castelo Interior. Enquanto toda a sua obra de fundação de novos Carmelos parecia estar a desmoronar-se, ela orienta todas as suas energias para o seu Castelo Interior. No contexto de crise sanitária e económica que vivemos, Santa Teresa de Ávila pode ajudar, nesta Quaresma, a descobrir que a nossa força está dentro, no interior do Castelo da nossa alma. Com esta Doutora da Igreja, pretende-se caminhar de Morada em Morada até ao centro onde brilha a luz da Páscoa do Senhor. A presença do Ressuscitado é a verdadeira boa nova que pode revitalizar a nossa vida espiritual e abrir-nos novos horizontes de esperança.

http://www.webretiro.karmel.at

Read Full Post »

Natal: não é a festa do aniversário de Jesus! – Dom Henrique Soares da Costa (Rumo à Santidade)

Desejo a todos um abençoado e santo Natal!

Lúcia Barden Nunes.

***


Por Dom Henrique Soares da Costa

Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos…

Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?

Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.

Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história.

Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento – santos que não pertenceram ao povo de Israel: Santo Abel, Santo Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó… Nenhum destes pertencia ao povo de Deus… E, no entanto, Deus agia através deles…
Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do Seu povo eleito.

Finalmente, Deus agiu de modo pleno e total, fazendo-Se pessoalmente presente, em Jesus Cristo, que é o cume, o centro e a finalidade da revelação e da ação de Deus: em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo!
Então, o nosso Deus não Se revela principalmente com ensinamentos, com doutrinas e conselhos, mas com ações concretas e palavras concretas de amor! E tudo isso chegou à plenitude na vida, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo!

Pois bem: são estas obras salvíficas de Deus, realizadas de modo pleno em Jesus, que nós tornamos presente na nossa vida quando celebramos a Santa Liturgia, sobretudo a Eucaristia! Na força do Espírito Santo de Jesus Cristo imolado e ressuscitado, através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado – todos resumidos em Cristo: na Sua Encarnação, no Seu Nascimento, Ministério, Morte e Ressurreição e no Dom do Seu Espírito – tornam-se presentes na nossa vida!

Vejamos, agora, o caso do Natal. Quando a Igreja celebra as cinco festas do Natal, ela quer celebrar não o aniversário do menininho Jesus… O que ela quer fazer e faz é tornar presente para nós, na força do Espírito Santo, a graça da vinda salvíficos do Cristo Senhor!
Celebrando a Liturgia do Natal, o acontecimento do passado (a Manifestação do Filho de Deus) torna-se presente no hoje da nossa vida! Na Liturgia do Natal a Igreja não diz:

“Há dois mil anos nasceu Jesus”!

Nada disso! O que ela diz é:

“Alegremo-nos todos no Senhor: HOJE nasceu o Salvador do mundo, desceu do Céu a verdadeira paz!” (Antífona de Entrada da Missa da Noite do Natal).

Então, celebrando as santas festas do Natal, celebramos a Manifestação do Salvador no nosso hoje, na nossa vida, no nosso mundo!
A Liturgia tem essa característica admirável: na força do Santo Espírito torna presente realmente, de verdade, aquele acontecimento ocorrido no passado. Não é uma repetição do acontecimento, nem uma recordação! É, ao invés, aquilo que a Bíblia chama de memorial, isto é, tornar presente os atos de salvação de Deus!

Agora vejamos: a Eucaristia é a celebração, o memorial da Páscoa do Senhor. Como é, então, que no Natal a gente celebra a Missa, que é a Páscoa? Como é que já no Natal a Igreja mete a celebração da Páscoa?

É que a Eucaristia não é simplesmente a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo! Essa seria uma ideia muito mesquinha, estreita! Em cada Missa é todo o mistério da nossa salvação que se faz presente, é tudo aquilo que Deus realizou por nós, desde a criação até agora… E tudo isso tem o seu centro em Jesus: na Sua Encarnação, na Sua vida e na Sua pregação, e alcança seu cume na Sua morte e ressurreição, na Sua ascensão e no dom do Santo Espírito.

Então, celebramos as cinco festas do Natal celebrando a Missa, porque aí o mistério, o acontecimento da nossa salvação se torna presente e atuante na nossa vida. Voltando para casa após a Missa do Natal, podemos dizer:

“HOJE eu vi, HOJE eu ouvi, HOJE eu experimentei, HOJE eu testemunhei e HOJE eu anuncio: nasceu para nós, nasceu para o mundo um Salvador! Ele veio, Ele não nos deixou, Ele Se fez nosso companheiro de estrada! Na Eucaristia eu O encontrei, nós O encontramos, a Igreja O encontrou e o mundo inteiro pode encontrá-Lo, a Ele convertendo-se!”

Celebrando a Eucaristia do Natal, recebemos a graça do Natal, entramos em comunhão com o Cristo que veio no Natal, porque recebemos no Corpo e Sangue do Senhor o próprio Cristo que nasceu para nós, e, agora, Cristo ressuscitado, pleno do Santo Espírito!

É incrível, mas a graça do Natal chega a nós mais do que chegou para Maria e José e os pastores e os magos há dois mil anos, Porque eles viram um menininho no presépio, enquanto nós O recebemos dentro de nós, Seu Corpo no nosso corpo, Seu Sangue no nosso sangue, Sua Alma na nossa alma, Seu Espírito no nosso espírito… É não mais um menininho frágil, em estado de humilhação, em condição de servo, com esta nossa vidinha humana, mas o próprio Filho agora glorificado, com uma natureza humana imortal e gloriosa, plena de Vida divina, que nos transformará para a Vida eterna.

Então, que neste Natal ninguém cante parabéns para o Menino Jesus, nem fique com inveja dos pastores e dos magos… Também para nós hoje nasceu um Salvador: o Cristo ressuscitado, glorioso, que recebemos no Seu Corpo e Sangue e cujo mistério celebramos nos gestos, palavras e símbolos da sagrada Liturgia!

Publicado em Rumo à Santidade.

Read Full Post »

14 São João da Cruz

Teresa de Jesus chamava-o de seu pequeno Sêneca, brincava amavelmente com a sua baixa estatura apelidando-o de meio homem, mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem  vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa (nasceu em 1542 em Fontiveros) João de Yepes é uma das figuras mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparentes da mística moderna. Verdadeiro mestre de vida espiritual, resumia o novo ideal de vida monástica em breves sentenças: “Não faças coisa alguma, nem digas palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias que tu, e tivesse a mesma saúde e idade tuas”. “Nada peças a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito”. “Renuncia aos teus desejos e encontrarás o que o teu coração deseja”. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos, após ter dado prova da sua imperícia nas várias ocupações às quais a família, muito pobre, tentou encaminhá-lo. Foi atacado por grande desilusão pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Quis remediar passando dos carmelitas aos cartuxos, cujas regras severas pareciam mais condizentes com o seu fervor ascético. Mas a essas alturas aconteceu o seu encontro com Teresa de Jesus, a reformadora das carmelitas. A santa fundadora tinha em mente ampliar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem carmelita, e seu tino delicado fê-la entrever naquele jovem frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o sócio ideal para levar adiante o seu corajoso projeto. E o jovem de vinte e cinco anos deu logo prova de grande coragem. Desde esse dia trocou o nome, chamando-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Mas a volta à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus-tratos físicos e difamações: em 1577 foi até preso por oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da Noite escura da alma, da Subida do monte Carmelo, do Cântico espiritual e da Chama de amor viva. Morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, a 14 de novembro de 1591. Canonizado em 1726, dois séculos depois Pio XI lhe conferiu o título de doutor da Igreja.

Extraído do livro: “Um santo para cada dia”, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Publicado em Padres e Irmãos Paulinos.

****

A noite escura de São João da Cruz: alguns comentários

Em uma noite escura

De amor em vivas ânsias inflamada

Oh! Ditosa ventura!

Saí sem ser notada,

estando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,

Pela secreta escada, disfarçada,

Oh! Ditosa ventura!

Na escuridão, velada,

estando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,

E num segredo em que ninguém me via,

Nem eu olhava coisa alguma,

Sem outra luz nem guia

Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,

Com mais clareza que a do meio-dia

Aonde me esperava

Quem eu bem conhecia,

Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Em meu peito florido

Que, inteiro, para ele só guardava,

Quedou-se adormecido,

E eu, terna o regalava,

E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,

Quando eu os seus cabelos afagava,

Com sua mão serena

Em meu colo soprava,

E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,

O rosto reclinado sobre o Amado;

Tudo cessou. Deixei-me,

Largando meu cuidado

Por entre as açucenas olvidado.

De todos os poemas de São João da Cruz, este me é o mais caro. Cada vez que o leio, descubro novas coisas; cada vez que o leio, sinto uma santa inveja de amor tão ardente por Cristo Jesus.

Não pretendo, nestas considerações, esgotar todas as leituras possíveis. Nem isto seria possível.

Aos carmelitas, peço, desde já, mil desculpas se minha interpretação não for sequer infimamente digna. Ajudem-nos com seus comentários.

Na tradição cristã, Cristo é apresentado como o Amado, viril e forte, que corteja a sua amada (a Igreja fundada sobre Pedro, por quem Ele se entregou; e, por extensão, cada fiel por Ele conquistado), dando a Sua vida por ela. A Cruz é vista como o leito nupcial, onde estes amantes se encontram, e no qual o Amado gera, na Amada, uma vida nova. Neste sentido vemos, no final do poema, que o primeiro a adormecer (a morrer na Cruz) é o Amado (quedou-se adormecido), para, somente depois, adormecer também a amada (com o significativo gesto de inclinar a cabeça de Jo 19, 30), sobre o peito do amado.

Assim, o misticismo católico (do qual, talvez, São João da Cruz seja o mais alto exponente) sempre aponta a Cruz como sendo o caminho mais curto e delicioso para o Homem encontrar o criador. O cristão que não carrega sua cruz, que não a aceita, não se encontra com Cristo, não entra numa relação de amor com Ele, e não tem gerada, dentro de si, a nova vida que nos conduz ao céu.

Neste poema, a Cruz é substituída pela expressão “noite escura”. Todos nós já tivemos “noitas escuras” em nossas vidas. São aqueles momentos de agudo sofrimento, nos quais nossas seguranças mesquinhas (dinheiro, prazeres, comodidade, afetividade, etc.) nada nos dizem; nos quais nossas forças e nossa inteligência nada podem. Noites tenebrosas, de lágrimas e de desespero. Noites em que clamamos e nas quais o Senhor se mantém em silêncio.

Para o mundo, para os não-cristãos, estas “noites escuras” são a mais solene prova de que Deus não existe. Ou, se existe, de que não os ama. Por isto, todos fogem dela. Preferem dormir a enfrentá-la (estando já minha casa sossegada), pois, dormindo, têm a ilusão de que a mesma passará mais rapidamente.

O Cristão, no entanto, pode enfrentá-la. Se todas as luzes do mundo se apagaram, se todas as nossas seguranças e todas as nossas forças nada podem, é o momento propício para que nos abandonemos em Deus. O cristão, ainda que com medo, vai ao encontro desta noite (saí sem ser notada; na escuridão segura; na escuridão velada), pois sabe que é através desta noite escura que brilhará a luz de Deus. Sobe, ainda que dolorosamente, nas cruzes que surgem em suas vidas. A escada secreta de que nos fala o poema é símbolo da Cruz. É a escada de Jacó, que liga o céu e a terra, e pela qual todos devemos subir se quisermos entrar no paraíso.

Mas a luz de Deus, para aqueles que se aventuram em enfrentar a “noite escura”, brilha mais do que a luz do mundo (nem eu olhava coisa alguma,/Sem outra luz nem guia/Além da que no coração me ardia./ Essa luz me guiava, Com mais clareza que a do meio-dia). A “noite escura” é o momento ideal para que o cristão perceba que a luz do mundo são trevas; e que, as trevas em Deus, são luzes potentes que nos conduzem a Ele (Essa luz me guiava, /Com mais clareza que a do meio-dia/ Aonde me esperava/ Quem eu bem conhecia, Em lugar onde ninguém aparecia.) E ninguém aparece neste lugar porque todos fogem da Cruz. A Cruz é o único lugar onde somente Cristo nos espera, pois todos os outros deuses, todos os outros ídolos do mundo nela não têm espaço.

Subindo na Cruz, entrando pela noite escura, o cristão é conduzido a Cristo. Encontra-se com seu Amado; encontra-se com a razão de sua vida e, finalmente, percebe que a Cruz, que a noite escura, que o sofrimento pelo qual passou foi um grandíssimo dom de Deus. Por esta cruz, morreu o homem velho; atravessada a noite escura, rompeu o cristão com os laços que o prendiam ao pecado e àqueles que renegam a Cristo.

Que maravilha é ouvir um testemunho neste sentido! Quantas vezes já não ouvi cristãos que, após esta vivência, afirmam que não trocariam os sofrimentos passados pela comodidade do mundo. Que não pediriam para Deus uma história diferente. Cristãos que podem afirmar, com toda a convicção :

Oh! noite, que me guiaste,

Oh! noite, amável mais do que a alvorada

Oh! noite, que juntaste

Amado com amada,

Amada no amado transformada!

Afinal, tornou-se um com Cristo. Entrou na comunhão da Trindade Santíssima. Pode desprezar, finalmente, os prazeres do mundo e almejar as coisas do alto. Como disse São Paulo, não se encontra mais dividido (Esquecida, quedei-me, O rosto reclinado sobre o Amado; Deixei-me, Largando meu cuidado Por entre as açucenas olvidado.)

Afinal “tudo cessou.” Só lhe importa o precioso tesouro do Amor de infinito de Cristo.

Que o Senhor nos ajude, e nos conceda inúmeras “noites escuras” durante a nossa peregrinação terrestre.

Fonte: Veritatis Splendor .

****

Veja também: Homilia Diária: Memória de São João da Cruz, Presbítero e Doutor da Igreja (1656: 14 de dezembro)

Read Full Post »

Nossa Senhora do Carmo

Solenidade a 16 de Julho

Os Carmelitas contemplam aquela que é o ideal de vida carmelita, a Virgem Maria, a quem invocamos com o doce título de Senhora do Carmo; recordando o Monte do Carmo, sítio privilegiado onde a nossa família nasceu.

Quando em 1191 Ricardo I reconquista a Terra Santa, um sem número de cristãos, esquecendo a Europa fixam-se nos Lugares Santos, sobretudo em locais de tradição bíblica. O Monte Carmelo com o seu silêncio, as suas águas vivas, o encanto da vegetação, a vista deliciosa sobre o mar, a solidão que apelava para Deus atraíram muitos desses homens para a beleza deste Monte.

Recordavam-se daquela frase do profeta Jeremias que dizia: «Levar-vos-ei ao Carmo onde saboreareis os seus deliciosos frutos». Recordavam-se do profeta Elias e da nuvenzinha pequenina e frágil que ele vira subir do mar, como símbolo de Maria. E resolveram construir uma capela em honra de Nossa Senhora que passou a ser conhecida, desde o início, como a Senhora do Carmo.

Carmo quer dizer «jardim de Deus», «vinha de Deus». Os carmelitas eram as flores do jardim cuidado e protegido por Maria, eram vinha preciosa que Maria diligente trabalhava para dar frutos apetecíveis.
No ano de 1251, já na Europa, a família do Carmo, é alvo de perseguições de várias proveniências, de dentro e fora da Igreja. S. Simão Stock, VI Geral da Ordem, reza com todos os carmelitas a Maria para que ela lhes acuda.

No dia 16 de Julho, enquanto o Geral reza a oração do Flos Carmeli, vê a Virgem que o anima e lhe promete ajuda, enquanto lhe entrega o Escapulário do Carmo, convidando todos a usá-lo para terem a sua protecção. A partir desta data a devoção à Mãe e Irmã dos carmelitas aumentou dentro e fora da Ordem.

Em Lourdes, Bernardete viu Nossa Senhora várias vezes; a última aparição foi no dia de Nossa Senhora do Carmo, 16 de Julho de 1858. Bernardete declara ter visto nesse dia a Virgem «tão bela e gloriosa como nunca».
Em Fátima, a última aparição, no dia 13 de Outubro de 1917, foi de Nossa Senhora do Carmo. A Ir. Lúcia diz que «por fim lhes apareceu Nossa Senhora do Carmo a abençoar o mundo» e imediatamente se deu o início do milagre do sol.

Muitos santos, depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo se quiseram revestir do escapulário ou da medalha para melhor manifestarem o seu amor a Maria e assim serem por Ela protegidos: S. Cláudio de la Colombière, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo António Maria Claret, o Santo Cura d’Ars, Santa Bernardete, S. João Bosco, S. Domingos Sávio, S. Gabriel das Dores e um inumerável número de santos. Para já não falar de todos os santos e santas carmelitas, sobretudo Santa Teresa de Jesus e S. João da Cruz que sentiam a maior glória em usar o hábito carmelita da Ordem de Nossa Senhora do Carmo.

Também os papas manifestaram o seu amor ao Escapulário do Carmo. João XXII, no séc. XIV promoveu esta devoção. Nos nossos dias, Leão XIII, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II têm manifestado entusiasticamente o seu amor pelo Escapulário e pela devoção a Nossa Senhora do Carmo.

Também os nossos reis, sobretudo os da IV Dinastia, de quem há documentação, usaram o Escapulário e amavam Nossa Senhora do Carmo, a quem tinham muita devoção.

(…)

Desde muito cedo a devoção a Virgem Maria passa a ser, como outros aspectos da vida da Santa, uma experiência dos seus mistérios, quando Deus faz entrar Santa Teresa em contacto com o mistério de Cristo de tudo o que a Ele pertence.

Na experiência mística teresiana do mistério da Virgem há como uma progressiva contemplação e experiência dos momentos mais importantes da vida da Virgem, segundo a narração evangélica.
Vamos agora escutar o que nos diz a Santa Teresa de Jesus nos Conceitos do Amor de Deus (Cap. 6, 7), sobre a Virgem Maria.

SANTA TERESA DE JESUS FALA-NOS DE MARIA.

Oh segredos de Deus! Aqui não há senão render entendimentos e pensar que para entender as grandezas de Deus, não valem nada.
Aqui vem a propósito ajoelharmo-nos como fez a Virgem Nossa Senhora com toda a sabedoria que Deus lhe deu, que perguntou ao anjo quando A saudou: “Como se fará isto?” Em dizendo-lhe: “O Espírito Santo sobrevirá em ti, e a virtude do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra”, não tratou de mais disputas.
Como quem tinha grande fé e sabedoria, entendeu logo que, intervindo estas duas coisas, não havia mais que saber nem que duvidar.

(Conceitos do Amor de Deus, Cap. 6,7).

(…)

Oração Final:
Deus todo-poderoso, que, segundo o que anunciaste pelo anjo, quisestes que o teu Filho se encarnara no seio da Virgem Maria, escuta as nossas súplicas e faz que sintamos a proteção da Virgem Maria os que a proclamamos com firmeza Mãe de Deus. Amém.

Publicado em Ordem dos Carmelitas Descalços em Portugal.

Read Full Post »

Solenidade do Imaculado Coração de Maria

O Pai e Jesus querem estabelecer no mundo inteiro a devoção do Imaculado Coração.

Neste sábado, dia em que a Igreja celebra a memória Litúrgica do Imaculado Coração de Maria, queremos pedir a materna intercessão da Santíssima Virgem Mãe de Deus, concebida sem pecado.

Esta memória ao Imaculado Coração de Maria não é nova na Igreja; tem as suas profundas raízes no Evangelho que repetidamente chama a nossa atenção para o Coração da Mãe de Deus. Por isto na Tradição Viva da Igreja encontramos confirmada pelos Santos Padres, Místicos da Idade Média, Santos, Teólogos e Papas como o nosso João Paulo II.

“Depois ele desceu com eles para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração”. Este relato bíblico que se encontra no Evangelho segundo São Lucas, uni-se ao do canto de Louvor – Magnificat – a compaixão e intercessão diante do vinho que havia acabado e a presença de Maria de pé junto a Cruz, para assim nos revelar a sintonia do Imaculado Coração de Maria para com o Sagrado Coração de Jesus.

Dentre os santos se destacou como apóstolo desta devoção São João Eudes, e dentre os Papas que propagaram esta devoção de se destaca Pio XII que em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.

As aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, no ano de 1917, de tal forma espalhou a devoção ao Coração de Maria que o Cardeal local disse: “Qual é precisamente a mensagem de Fátima? Creio que poderá resumir-se nestes termos: a manifestação do Coração Imaculado de Maria ao mundo atual, para o salvar”. Desta forma pudemos conhecer do Céu que o Pai e Jesus querem estabelecer no mundo inteiro a devoção do Imaculado Coração que encontra fundamentada na Consagração e Reparação a este Coração que no final Triunfará.

Imaculado Coração de Maria, sede a nossa salvação!

Publicado em Convento da Penha.

Read Full Post »

“Seus ultrajes abateram meu Coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei” (Sl 68, 21).

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 25-30)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Celebrar a solenidade do Sagrado Coração de Jesus é tributar ao Senhor um culto de adoração que manifeste, com especiais homenagens, toda a nossa gratidão pelo mistério de amor que, por meio de sua amantíssima Redenção, Ele se dignou manifestar-nos. É pois, com um Coração de carne, unido hipostaticamente à sua divina pessoa, que o Verbo humanado simboliza, numa imagem natural e expressiva, a caridade transbordante que Deus tem para conosco. Ao Filho eterno do Pai, com efeito, não bastou amar a humanidade com um amor unicamente espiritual; amando-nos mais do que poderíamos imaginar, o Redentor do gênero humano, ao fazer-se semelhante a nós segundo a carne, amou-nos com um amor também sensível e afetivo, como convinha a uma natureza humana íntegra e perfeitíssima, cujos sentimentos não poderiam jamais se contrapor à infinita caridade que a Divindade tem por nós. Índice desse divino amor — a um tempo espiritual e sensível —, o Coração de Jesus Cristo é, recorda o Papa Pio XII, como que uma “mística escada” pela qual nos é dado subir “ao amplexo ‘de Deus nosso Salvador’” (Haurietis Aquas, 28; cf. Tt 3, 4). Prova concreta de que fomos amados por primeiro (cf. 1Jo 4, 19), o Coração do Senhor, chagado pelos nossos muitos pecados, pode hoje nos levar a um maior comprometimento com a vida de santidade. Ao meditarmos neste dia de festa no quanto somos queridos por Deus, muitíssimo mais do que um filho pode ser querido por sua mãe, peçamos ao Pai de misericórdias a graça de amarmos com verdadeira e “louca” paixão o seu Filho unigênito. Queiramos conhecê-lo mais nas páginas do Evangelho e nos momentos de oração; façamos, além disso, o propósito de o imitarmos de mais perto, mantendo sempre diante dos olhos os exemplos de virtude e amor que Ele, a fim de nos instruir e dar um caminho seguro à perfeição na caridade, quis prodigalizar-nos. Recorramos também àquela que, sendo Mãe dos membros de Cristo, é um dom preciosíssimo do mesmo Sagrado Coração. Genitora espiritual de toda a família cristã, a Virgem SS. decerto se alegrará em ouvir, especialmente hoje, as nossas súplicas por seu auxílio. Imploremos-lhe pois a alegria de amar a Deus com generosidade e audácia, colocando por inteiro o nosso pobre e miserável coração em cada pequeno ato de caridade que, com a ajuda da graça, formos capazes de realizar.

Ouça neste link a Homilia Diária com Padre Paulo Ricardo.

Leia também: De onde procede a devoção ao Sagrado Coração de Jesus? (Fonte: ACI Digital – imagem acima).

Publicado em padrepauloricardo.org .

 

Read Full Post »

Nossa Senhora de Fátima – 13 de maio – Mensagem para o nosso tempo (Formação Canção Nova)

A mensagem de Fátima para o nosso tempo

Em 1917, Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta, para revelar ao mundo uma mensagem significativa para aquela época, mas que não perdeu a sua importância em nossos dias. Em seu livro “Luz do mundo”, o Papa emérito Bento XVI disse que a mensagem de Fátima nos ajuda a “entender um momento crítico na história: aquele no qual se desencadeia toda a força do mal que se cristalizou nas grandes ditaduras e que, de outra maneira, age ainda hoje”1. Essas duas grandes ditaduras, o nazismo e o comunismo, que, juntas mataram centenas de milhões de pessoas, devastaram a Europa e a Ásia, e, depois da “queda”, espalharam seus erros por todo o mundo.

A resposta desafiadora a todos esses erros “não consiste em grandes ações políticas, mas, ultimamente, pode chegar somente da transformação dos corações. […] Nesse sentido, a mensagem de Fátima não está concluída, mesmo que as duas grandes ditaduras tenham desaparecido”2, pois permanece o sofrimento da Igreja, resta a ameaça às pessoas, que se faz presente não somente por meio da perseguição, da violência, da escravidão, da morte, como vemos no mundo islâmico e em países comunistas, mas também nas ideologias: relativismo, feminismo, ideologia de gênero, cultura de morte e tantos outros erros que corrompem as culturas e as sociedades pelo mundo todo.

Foto Ilustrativa: bpperry by Getty Imagens

As aparições de Fátima e a Penitência pela salvação das almas

Para fazer frente a todos esses males, mantém-se atual a resposta que nos foi dada na mensagem de Fátima, persiste a orientação que Maria nos revelou por intermédio de Lúcia, Francisco e Jacinta. Como profetizou a Santíssima Virgem, nosso tempo está marcado por grandes tribulações. Hoje, o poder das trevas ameaça pisotear a nossa fé de todas as formas possíveis. Por isso, em nossos dias, como outrora, são necessários os ensinamentos que a Mãe de Deus transmitiu aos três pastorinhos.

Na carta com o terceiro segredo de Fátima, revelado por Nossa Senhora aos pastorinhos, em 13 de julho de 1917, a Irmã Lúcia descreve uma visão extraordinária que nos ajuda a compreender a importância da penitência, especialmente para o nosso tempo: “(…) vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despendia chamas que pareciam incendiar o mundo; mas se apagavam com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”3

A palavra “penitência” aparece nada menos do que 57 vezes na “Documentação Crítica de Fátima”. Em suas aparições, Nossa Senhora recomendou insistentemente que todos fizessem penitência, inclusive as três crianças, videntes das aparições. Lúcia, Francisco e Jacinta fizeram duras penitências, principalmente pela conversão e salvação dos pecadores.

Entre as penitências que nos pediu a Virgem de Fátima, tem particular importância os sacrifícios. A palavra “sacrifício”, que aparece 38 vezes na Documentação, também é muito importante para compreender a Mensagem de Fátima. Na 4ª aparição, no dia 19 de agosto de 1917, Nossa Senhora deu uma ordem expressa aos pastorinhos: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores”, dizia ela. “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”4. Pois é um dos meios que a Virgem Maria nos revelou para afastar os males do mundo. Alguns sacrifícios foram ensinados pela própria Virgem, como rezar de joelhos, jejuns e abstinências. Mas outros foram as três crianças que tiveram a inspiração, como aconteceu certa vez, quando encontraram uma corda áspera no caminho por onde passavam. Os três pastorinhos tomaram a corda e repartiram para usar na cintura como um cilício 5, dia e noite.

Nossa Senhora e o Santo Rosário pela salvação dos pecadores

O Santo Rosário tem grande importância na mensagem de Fátima. O próprio título com o qual a Virgem Maria se apresentou revela a grande importância dessa oração mariana para a Igreja em nosso tempo. Nossa Senhora apresentou-se aos pastorinhos sob o título de “Senhora do Rosário”. Esse nome aparece por 121 vezes na Documentação das aparições. O termo “Rosário” aparece 282 vezes; e o nome “Nossa Senhora do Rosário”, 51 vezes no Documento.

Leia mais:
.: O segredo de Maria nos aprofunda no amor de Deus
.: Conheça a relação entre o Escapulário e Nossa Senhora de Fátima
.: Novena a Nossa Senhora de Fátima
.:Você conhece o Terceiro Segredo de Fátima?

De fato, a própria Virgem pediu que Lúcia, Francisco e Jacinta rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário. Primeiramente, pelos próprios pecados, mas também e, principalmente, pela salvação dos pecadores. A devoção a Senhora do Rosário começou com a construção de uma capela dedicada a ela, na Cova da Iria, local das aparições. Com a crescente peregrinação dos fiéis e pelo manifesto desejo desses, foi erigida a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que posteriormente foi elevada a Santuário.

Nossa Senhora pediu insistentemente que os pastorinhos rezassem o Rosário de modo particular para a salvação das almas do inferno. A princípio, as três crianças não levaram muito a sério o pedido da Virgem Maria. Rezavam rapidamente para ter mais tempo para as brincadeiras comuns às crianças de suas idades. Mas, em pouco tempo, passaram a rezar com grande fervor o Santo Terço, pois compreenderam a importância da oração do Rosário para a salvação das almas.

A reparação ao Imaculado Coração da Virgem Maria

Em 13 de junho de 1917, na segunda de suas aparições em Fátima, Nossa Senhora confiou uma missão especial a pequena Lúcia, justamente quando ela pediu para os levar os três para o céu. A Santíssima Virgem respondeu-lhe: “Sim. A Jacinta e o Francisco, levo-os em breve; mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas de Deus essas almas, como flores postas por mim a adornar o Seu trono”. “Fico cá sozinha?”, disse com tristeza. “Não, filha, eu nunca te deixarei, o meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.6

Depois de ouvir essas palavras, Lúcia, Francisco e Jacinta viram a Virgem Maria com um coração na mão, cercado de espinhos. Os pastorinhos compreenderam que aquele era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que necessitava de reparação. Na aparição seguinte, no dia 13 de julho, a Santíssima Virgem repetiu as mesmas palavras e disse que voltaria para pedir a devoção reparadora dos primeiros sábados. Sete anos depois, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha, foi revelado a Irmã Lúcia, na época postulante no Instituto de Santa Doroteia, a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. A princípio, a Irmã ficou perplexa e não quis expor o fato. Somente em dezembro de 1927, por ordem de seu confessor, Lúcia escreveu as palavras que lhe dirigiu a Santíssima Virgem: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e dize que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro sábado, confessarem-se, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”7.

A mensagem de Fátima como remédio contra os males do mundo atual

Assim, a mensagem de Fátima teve grande importância naquele momento histórico. No entanto, quase cem anos depois, a mensagem de Nossa Senhora mantém-se atual. Talvez, hoje, mais do que naquele tempo, as penitências serão remédios eficazes contra o mal, a busca desenfreada pelas coisas materiais, pelo prazer e poder. O Santo Rosário será uma “arma” contra o poder dos demônios. A devoção dos primeiros sábados, em reparação das ofensas contra o Imaculado Coração de Maria, será o caminho seguro de muitas almas para o Reino dos Céus.

Hoje, as grandes ditaduras permanecem agindo em nossos dias, por meio das ideologias, das falsas religiões, das lutas pelo poder e pelas riquezas. Em Fátima, a resposta que nos é dada a essas pela Virgem Maria não consiste em grandes ações políticas, mas na transformação dos corações através da penitência e do sacrifício, da oração do Santo Rosário e da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Se ouvirmos os apelos de Jesus Cristo e da Virgem Maria, veremos, no Brasil e em todas as partes do mundo, aquilo que viu o Papa emérito Bento XVI: “Em Fátima, vi centenas de milhares de pessoas que, por meio daquilo que Maria havia confiado às crianças, neste mundo cheio de obstáculos e fechamentos, reencontram, de algum modo, o acesso a Deus”8. Esse nosso encontro com o Senhor será o grande triunfo profetizado pela Virgem Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”9.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

Publicado em Formação Canção Nova.

Read Full Post »

Meu Encarceramento

Ainda lembro como se fosse hoje como tudo aconteceu. Era uma sexta-feira, já no finalzinho da tarde, quando já ansiava pelo fim de semana que se avizinhava. Eles entraram no meu local de trabalho, não bateram na porta, nem cumpriram os rituais de boa educação. Simplesmente, deram-me voz de prisão, sem que eu pudesse resistir. Não estavam munidos de cassetete, algemas ou arma de fogo. Não eram como os policiais normais: suas armas eram palavras, imagens, fatos e um alarmante índice de mortos. Minha sensação naquele momento foi de um cidadão comum. Senti-me perplexo, perdido e acuado. Sem que minhas angustias fossem escutadas, fui levado às pressas para o camburão. Não me foi permitido levar muitas coisas. Eles me levaram em um veículo escuro e hostil a minha dor. No entanto, percebi que não era o único que havia sido preso, milhares de pessoas também estavam ali, também elas haviam sido delatadas. A acusação que recaia sobre todos nós era que levávamos uma vida comum. Algo totalmente injusto para um trabalhador como eu, que paga os meus impostos e cumpre com os seus deveres com a Nação. Mas o mais chocante de tudo ainda estava para acontecer. O local do meu encarceramento se chamava casa. Casa? Sim, não qualquer casa, mas a minha casa. Era realmente maldade o que faziam comigo, estar preso em minha própria casa. Casa, para mim, colocava-me em contato com um “nós”. Confesso que sempre tive dificuldade em conjugar os verbos na terceira pessoa do plural, por isso, com o passar do tempo havia criado muitos espaços onde a conjugação na primeira pessoa do singular era permitida. Era ridículo que nessa altura da vida fosse obrigado a passar por essa situação tão constrangedora. Os meus algozes, como um gesto benéfico, deixaram-me usar o smartphone. Era um refrigério em meio ao caos! Mas o tempo da privação foi alongando-se e com ele foram aflorando os meus medos e preocupações. Como vou pagar as minhas dívidas? Como vou sustentar a minha família? Essas e outras perguntas eram frequentes… Mas as minhas dúvidas não eram ouvidas, tentei fazê-los entender a importância que eu tinha na empresa e que muitas coisas dependiam de mim. Eu, que me achava imprescindível no meu trabalho, agora estava privado de qualquer certeza ou garantia de um dia voltar para ele. Esses pensamentos e preocupações, somadas ao enfado de estar naquele lugar, que já não merecia o nome de casa, mas de cárcere, levou-me ao delírio… Como é difícil constatar que não temos as coisas em nossas mãos e que de uma hora para outra tudo se torna relativo! O delírio, que de início se manifestava como um intruso, já ocupava cada segundo do meu dia. Hoje, tendo passado alguns anos do meu encarceramento posso admitir que o cume de tudo foi aquele espelho. De fato ele sempre esteve lá, mas até então servia apenas para ajudar-me a fazer a barba. Aquele espelho colocou-me em contato com o meu “eu”. O “eu verdadeiro” que vive escondido dentro de cada um de nós. Temos vergonha dele, por isso, fazemos questão de negá-lo. Mas já não me era mais possível fugir, minha condição de encarcerado não me permitia. Até mesmo o smartphone, de início tão solidário a minha dor, havia se revelado como um verdadeiro inimigo que me roubava de mim mesmo e, consequentemente, dos outros. Que cena deprimente foi escutar a voz do meu “eu verdadeiro”. Tive que reconhecer que havia muitas coisas em mim sem resolver. É como se me deparasse com um aglomerado de entulhos sem saber o que fazer. Não consigo colocar no papel o que consiste encontrar-se consigo mesmo em meio ao caos. Medo, insegurança, frustração, dúvidas, ódio, desespero… São palavras apenas! O que está em mim é bem mais do que isso. Porém, foi exatamente nesse instante, entre o desespero e a lucidez que vi emergir em mim uma voz. Não seria ela projeção do meu desespero? Não seria um refúgio metal criado pela minha fraqueza? Não, não conseguiria produzir por mim mesmo aquela sensação de paz. Não vinha de mim, mas de um “outro” estranhamente presente em mim. Agora reconheço que ela não surgiu no desespero, ela sempre esteve ali. Aquela voz amena e cálida me indicava apenas duas atitudes infantis como âncora naquela tempestade: a confiança e o abandono. Confiança e abandono não são palavras mágicas. Estão repletas de significado existencial. Foi quando no auge de meu encarceramento, quando havia perdido todas as esperanças de sobreviver a esse caos, é que emergiu essa Presença afável e sutil. Não sei explicar como alguém passa da dor à alegria, da prisão à liberdade, do desespero à esperança… São coisas complexas que não conseguimos expressar com palavras. Mas foi assim, quando do cume do meu cárcere fui liberto de mim mesmo e me abri à Transcendência.

Publicado em Seculares Contemplativos.

Read Full Post »

“Castelo Interior ou Moradas” – Primeiras Moradas – capítulo 2 (Seculares Contemplativos)

CENTRO DE ESPIRITUALIDADE MONTE CARMELO

Primeiras Moradas, capítulo 2

 

 

Publicado em Seculares Contemplativos.

Read Full Post »

CENTRO DE ESPIRITUALIDADE MONTE CARMELO

Aula 02 – Primeiras Moradas, Capítulo I

Nesta segunda aula, estudaremos o primeiro capítulo, das primeiras moradas, do livro: Castelo Interior de Teresa de Jesus, Santa e Doutora da Igreja.

 

Publicado em Seculares Contemplativos (in Sou Carmelo – Oficial – YouTube).

Read Full Post »

Introdução ao Livro Castelo Interior ou Moradas

 

Publicado em Seculares Contemplativos (in Sou Carmelo – Oficial – YouTube).

 

Read Full Post »

CRISTO VIVE! RESSUSCITOU! ALELUIA! – “…A adesão do coração e da mente a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos.” (Presbíteros)

 

Homilia de Mons. José Maria Pereira – Domingo de Páscoa

Vencedor da morte

Cristo ressuscitou! A paz esteja convosco! Hoje se celebra o grande Mistério, fundamento da fé e da esperança cristã: Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. O anúncio feito aos Anjos, naquela aurora do primeiro dia, depois do sábado, a Maria Madalena e às mulheres que foram ao sepulcro, o ouvimos, hoje, com renovada emoção: “Por que buscais entre os mortos o Vivente? Não está aqui. Ressuscitou!”   ( Lc 24, 5-6).

O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia!

A todos formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: “A Ressurreição do Senhor é a nossa esperança”. Com esta afirmação, Santo Agostinho explicava aos   seus fiéis que Jesus ressuscitou para que nós, apesar de destinados à morte, não desesperássemos, pensando que a vida acaba totalmente com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar a esperança. Graças à Morte e Ressurreição de Cristo, também nós hoje ressurgimos para uma vida nova e, unindo a nossa voz à d’Ele, proclamamos que queremos ficar para sempre com Deus, nosso Pai, infinitamente bom e misericordioso.

A Ressurreição gloriosa do Senhor é a chave para interpretarmos toda a sua vida e o fundamento da nossa fé. Sem essa vitória sobre a morte, diz S. Paulo, vazia seria a nossa pregação e vã a nossa fé (1 Cor 15,14).

A Ressurreição do Senhor é uma realidade central da nossa fé católica, e como tal foi pregada desde os começos do cristianismo. A importância deste milagre é tão grande que os Apóstolos são, antes de mais nada, testemunhas da Ressurreição de Jesus. Este é o núcleo de toda pregação, e isto é o que, depois de mais de vinte séculos nós anunciamos ao mundo: Cristo vive!  A Ressurreição é a prova suprema da divindade de Cristo. Jesus ressuscitou, não para que a sua memória permaneça viva no coração dos seus discípulos, mas para que Ele mesmo viva em nós, e, n’Ele, possamos já saborear a alegria da vida eterna. Na manhã de Páscoa, tudo se renovou. “Morte e vida defrontaram – se num prodigioso combate: O Senhor da vida estava morto; mas agora, vivo, triunfa” ( Sequência Pascal). Esta é a novidade! Uma novidade que muda a vida de quem a acolhe, como sucedeu com os santos. Assim aconteceu, por exemplo, com São Paulo.

Portanto, a Ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua “Páscoa”, da sua “passagem”, que abriu um “caminho novo” entre a Terra e o Céu (Heb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível : Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta – feira foi descido da Cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De fato, ao alvorecer do primeiro dia, depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram – no também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite, no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos, na Galiléia.

A Liturgia Pascal lembra, na primeira leitura, um dos mais comoventes discursos de Pedro sobre a Ressurreição de Jesus: “Deus O ressuscitou no terceiro dia, concedendo-Lhe manifestar-se… às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). Surge nestas palavras a vibrante emoção do chefe dos Apóstolos pelos grandes acontecimentos de que foi testemunha, pela intimidade com Cristo ressuscitado, sentando-se à mesma mesa, comendo e bebendo com Ele.

A Ressurreição é a grande luz para todo o mundo: “Eu sou a luz” (Jo 8,10), dissera Jesus; luz para o mundo, para cada época da história, para cada sociedade, para cada homem.

No Evangelho (Jo 20,1-9) vemos que a Boa Nova da Ressurreição provocou, num primeiro momento, um temor e espanto tão fortes, que as mulheres “saíram e fugiram do túmulo… e não disseram nada a ninguém, porque tinham medo”. Entre elas, porém encontrava-se Maria Madalena que viu a pedra retirada do túmulo e correu a dar a notícia a Pedro e João: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde O colocaram” (Jo 20,2). “Os dois saem correndo para o sepulcro e, entrando no túmulo, observaram as faixas que estavam no chão e o lençol…” (Jo 20,6-7). “Ele viu e acreditou” (Jo 20,8).  É o primeiro ato de fé da igreja nascente em Cristo Ressuscitado, originado pela solicitude de uma mulher e pelos sinais do lençol, das faixas de linho, no sepulcro vazio. Se se tratasse de um roubo, quem se teria preocupado em despir o cadáver e colocar o lençol com tanto cuidado? Deus serve-se de coisas bem simples para iluminar os discípulos que “ainda não tinham entendido a Escritura, segunda a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,9), nem compreendiam ainda o que o próprio Jesus tinha predito acerca da Sua ressurreição.

Ainda que sob outro aspecto, os “sinais” da Ressurreição veem-se ainda presentes no mundo: a fé heroica, a vida evangélica da tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da igreja que as perseguições externas e as lutas internas não chegam a enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Jesus ressuscitado que continua a atrair a Si todos os homens. Pertence a cada um dos homens vislumbrar e aceitar estes sinais, acreditar como acreditam os Apóstolos e tornar cada vez mais firme a sua fé.

A Ressurreição do Senhor é um apelo muito forte: lembra-nos sempre que vivemos neste mundo como peregrinos e que estamos em viagem para a verdadeira pátria, a eterna. Cristo ressuscitou para levar consigo os homens, na Sua Ressurreição, para onde Ele vive eternamente, fazendo-os participantes da Sua glória.

O Senhor Ressuscitado faça – se presente em todo lugar com a sua força de vida, de paz e de liberdade. Hoje, a todos são dirigidas as palavras com as quais, na manhã da Páscoa, o Anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: “Não tenhais medo! Não está aqui; ressuscitou” (Mt 28, 5-6). Jesus ressuscitou e concede – nos a paz. Ele mesmo é a paz. Por isso, vigorosamente, a Igreja repete: “Cristo Ressuscitou”. Que a humanidade do Terceiro Milênio não tenha medo de abrir – Lhe o coração! O Seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em todo o coração humano. Agora Cristo está vivo e caminha conosco. Um Mistério imenso de Amor! Aleluia!

Devemos constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é-nos dada a certeza da nossa Ressurreição. A notícia da sua Ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. “A fé dos cristãos, observa Santo Agostinho, é a Ressurreição de Jesus Cristo”. O enfraquecimento da fé na Ressurreição de Jesus, consequentemente torna débil o testemunho dos crentes. Ao contrário, a adesão do coração e da mente a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos. Não é porventura a certeza de que Cristo ressuscitou que dá coragem, audácia profética e perseverança aos mártires de todos os tempos? Não é o encontro com Jesus vivo que converte e fascina tantos homens e mulheres, que desde o início do cristianismo continuam a deixar tudo para O seguir e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho? “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé” (1Cor 15, 14).

Mas ressuscitou!

Maria, a Mãe de Jesus, que acompanhou o Filho nas mais terríveis e duras horas da paixão; junto da Cruz, emudecida de dor, não soubera o que dizer; agora, com a Ressurreição, emudecida de alegria, não consegue falar. Procuremos estar unidos a essa imensa alegria da nossa Mãe. Toda a esperança na Ressurreição de Jesus que restava sobre a terra tinha-se refugiado no seu coração. Com toda a igreja, neste tempo pascal, saudemos a Virgem Maria: “Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia! Por que Aquele que merecestes trazer em vosso seio ressuscitou como disse, aleluia!…”

Somos chamados a ser testemunhas da Morte e Ressurreição de Cristo; deixemo-nos conquistar pelo fascínio da sua Ressurreição. Não podemos conservar para nós a grande notícia! Devemos levá-la ao mundo inteiro: “Vimos o Senhor” (Jo 20, 25). Ajude-nos a Virgem Maria a sermos mensageiros da luz e da alegria da Páscoa para com tantos irmãos nossos; amparados pela força do Espírito Santo, nos tornemos capazes de a difundir por nossa vez onde quer que vivamos e trabalhemos.

Uma Feliz Páscoa para todos!

Mons. José Maria Pereira

Publicado em Presbíteros.

Imagem: Domingo de Páscoa (Presbíteros).

Read Full Post »

Sexta-feira Santa – Wikipédia, a enciclopédia livre

A festa da Páscoa, que está às portas, é a passagem da morte de Cristo, celebrada neste Domingo da Paixão, à Sua nova vida, lembrada no Domingo da Ressurreição. O marco dessa passagem é o escândalo da Cruz (cf. 1 Cor 1, 23), que, na liturgia deste ano, é narrado pelo evangelista São Lucas.

A Paixão segundo Lucas possui algumas características especiais, que não foram anotadas pelos outros evangelistas, e sobre as quais vale a pena nos determos neste programa.

1. Jesus chora sobre Jerusalém. “Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: ‘Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos! (…) Não reconheceste o tempo em que foste visitada (καιρὸν τῆς ἐπισκοπῆς).” (Lc 19, 41-42.44)

O que viu o Senhor quando chorou sobre a Cidade Santa? Ele anteviu aquela que seria a verdadeira Jerusalém, a Igreja, e começou já ali a sofrer pelos seus membros indignos, que somos nós. Sofreu voluntariamente, escolheu passar pelos mais variados tipos de dores e torturas, fez-Se frágil de modo inefável: tudo, a fim de remir completamente cada ser humano, com todas as potências de sua alma e com todos os seus sentimentos e paixões. Ninguém tira a Sua vida, o Cristo mesmo Se entrega livremente (cf. Jo 10, 18), experimentando a Sua Paixão (do verbo latino pati, que significa, lit., “passar por algo”, “sofrer”, “padecer”) para purificar as nossas paixões.

2. Jesus é assistido por um anjo e sua sangue no Horto das Oliveiras. “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. (…) Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão.” (Lc 22, 43-44)

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, faz um belo comentário a essa passagem em uma poesia sobre a vida de Cristo. Ela diz ao Senhor:

“Lembra-te de que na noite de tua agonia,
Ao teu sangue, misturaram-se as lágrimas.
Orvalho de amor, o seu infinito valor
Fez germinar flores virginais.
Um Anjo, mostrando-te esta colheita escolhida,
Fez renascer a alegria em tua Face bendita.” [1]

As flores que nascem no jardim divino, germinadas pelo sangue e pelas lágrimas do Redentor, são as almas eleitas de Deus. É a visão delas, oferecida pelo anjo, que consola Jesus agonizante no Horto. Por isso, cada um de nós pode dizer: assim como Cristo suou sangue vendo o meu pecado, Ele também Se alegrou vendo a minha conversão. Ao entregar-Se, de fato, Jesus não remiu o gênero humano de modo genérico, mas individualmente, e, assim como teve diante de si os pecados pessoais de cada um dos que remiu, não exultou simplesmente com a salvação geral dos eleitos, mas com a mudança de vida de cada homem em particular. Há alegria na alma de Cristo — diz também São Lucas — por um só pecador que se converte (cf. Lc 15, 7). Por isso, unamo-nos ao anjo do Horto e consolemos também nós o Senhor, com nossos atos de amor e pequenas mortificações!

3. Jesus rezava enquanto era crucificado. “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!'” (Lc 23, 33-34)

Cristo orante não pretendia apenas servir de exemplo para nós, mas também pedir eficazmente a Deus pela nossa salvação. É graças à Sua intercessão que somos verdadeiramente remidos. Isso fica muito claro quando Ele diz a Pedro: “Simão! Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22, 31-32). Ao olhar para o apóstolo e pronunciar estas palavras, Ele Se dirigia também a cada um de nós. Quando as Suas benditas mãos eram cravadas no madeiro da Cruz e Ele pedia perdão aos que O matavam — o original grego sugere que Cristo rezava continuamente, de modo repetido, como uma súplica —, era por nós que Ele suplicava. Como não pedir o perdão de Deus, quando Jesus pede perdão por nós? Como ficar indiferente a Jesus que perde perdão por mim, no meu lugar?

4. Jesus acolhe o ladrão arrependido. “Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: ‘Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!’ Mas o outro o repreendeu, dizendo: ‘Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal’. E acrescentou: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso’.” (Lc 23, 39-43)

Ao lado de Cristo são crucificados dois malfeitores, ambos os quais também morreram. Um deles, porém, arrependido dos seus crimes, diferentemente do ladrão impenitente que blasfemava e se juntava aos escarnecedores de Cristo, faz um sublime ato de fé. Ele se volta para Cristo e, mesmo vendo um quase cadáver diante de si, não se engana com os olhos da carne: crê em seu coração que Ele é um rei e pede-lhe para ter parte no Seu reino. Jesus, por Sua vez, promete a esse homem o paraíso. A sua justificação, porém, torna o seu interior, já antes da morte, o jardim das delícias de Deus (cf. Pr 8, 31) — assim é chamada por Santa Teresa d’Ávila a alma do justo que ama a Deus [2]. Façamos também a oração do bom ladrão, pedindo ao Senhor que Se lembre de nós, apesar de nosso esquecimento e de nossa ingratidão, e venha habitar em nosso coração. “Se alguém me ama, (…) meu Pai o amará, nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23).

5. Jesus entrega o espírito. “Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isso, expirou.” (Lc 23, 46)

Por fim, assim como o filho pródigo se lança ao abraço de seu pai, Cristo abandona-se inteiramente nos braços do Pai do Céu. Com isso, Ele nos mostra com que atitude devemos nos aproximar de Si: contritos, mas também confiantes; arrependidos, mas também esperando o Seu perdão.

Nesta Semana Santa, imitemos os gestos de amor daquela pecadora pública que se põe aos pés do Redentor e, chorando, lava os Seus pés (cf. Lc 7, 36-50). Conhecendo, pela Paixão de Cristo, quanto Deus nos ama, sejamos incentivados a amá-Lo também, completando a obra da nossa salvação [3].

Referências

  1. Poesias, XXIV, 21. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completasescritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 575.
  2. Cf. Santa Teresa de Jesus, Primeiras Moradas, 1, 1. In: Escritos de Teresa de Ávila. São Paulo: Loyola, 2001, p. 441.
  3. Suma Teológica, III, q. 46, a. 3.

Publicado em Padre Paulo Ricardo.

Imagem: Wikipédia.

Read Full Post »

Quaresma: o caminho para a Páscoa

(…)

Através da liturgia, a Igreja convida-nos a percorrer com garbo o caminho da Quaresma. A celebração frequente dos sacramentos, a meditação assídua da Palavra de Deus e as obras penitenciais, sem que falte essa alegria – Laetare Ierusalem! – que sublinha especialmente o quarto domingo[30], são práticas que afinam a nossa alma, e nos preparam para participar com intensidade na Semana Santa, onde reviveremos os momentos cume da existência de Jesus na terra. «Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas. Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele»[31]. Contemplando o Senhor que dá a vida por nós, bem purificados dos nossos pecados, redescobriremos a alegria da salvação que Deus nos traz: «Redde mihi laetitiam salutaris tui, devolve-me a alegria da Tua salvação»[32].

Alfonso Berlanga

Fonte: opusdei.org (Leia o texto completo neste link).

Foto: Reprodução.

Read Full Post »

Older Posts »