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Archive for the ‘Como Rezar o Terço?’ Category

manos alzando la tierra – pt

© Moyan Brenn

Uma breve oração de confiança no amor e na ação de Deus

Em vossas mãos,
Pai santo e misericordioso,
colocamos nossa vida.
Vós a entregastes a nós,
guiai-a e enchei-a dos vossos dons.

Vós estais ao nosso lado
como rocha sólida e amigo fiel,
mesmo quando nos esquecemos de Vós.

Mas agora voltamos a Vós.
Queremos estar unidos à guia
segura das vossas mãos,
que nos conduzem à cruz.

Sentimos a necessidade de
meditar e de calar muito.
Sentimos também a necessidade
de falar para dar-vos graças
e para dar a conhecer a todos
as maravilhas do vosso amor.

Nós nos separamos de Vós,
fonte da vida,
e encontramos a morte.

Vosso Filho, no entanto,
não se deteve diante do pecado e da morte,
mas, com a força do amor,
destruiu o pecado,
redimiu a dor,
venceu a morte.

A cruz de Cristo nos revela
que o vosso amor é mais forte que tudo,
o dom misterioso e fecundo
que brota da cruz.

É o Espírito Santo que nos torna
partícipes da obediência filial de Jesus,
comunica-nos vossa vontade de atrair todo homem
à alegria de uma vida reconciliada
e renovada pelo amor.

Amém.

(Carlo Maria Martini SJ. Via Oleada Joven)

Publicado em Aleteia.

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O mês de maio é o “mês de Maria” ou o “mês Mariano” e Nossa Senhora de Fátima é celebrada este mês, no Brasil e no mundo.

Em 13 de maio de 1917, Nossa Senhora fez sua primeira aparição na pequena cidade de Fátima, em Portugal, a três humildes pastores. Eles a descreveram como “uma senhora mais brilhante do que o sol.”  Todos os meses, até outubro, sempre no dia 13 de cada mês, aparecia aos pequenos pastores: Lúcia, na época com 10 anos, Francisco com 7 e Jacinta, com 6 anos de idade.  Nessas aparições, deixou uma mensagem de fé, de amor a Jesus e um pedido de conversão.

Os três pastorinhos que viram Nossa Senhora de Fátima em 1917
Os três pastorinhos de Fátima

“Rezem o Rosário todos os dias para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra”.  E em todas as aparições, repetia a importância e o poder da oração do santo Rosário, ensinando que após cada mistério, rezassem: “Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, especialmente as mais necessitadas’”. 

Sua última aparição aconteceu no dia 13 de outubro naquele mesmo ano, perante uma multidão que havia comparecido ao local. Na ocasião, aconteceu o “milagre do sol”, quando todos afirmaram que o céu mudou de cor e que o sol com grande brilho, mas sem ofuscar a vista, se aproximou e afastou da terra por algumas vezes.  O fenômeno durou cerca de 10 minutos e foi relatado por inúmeras pessoas presentes no local, mas também por aquelas que estavam distantes do local das aparições. Naquele dia chovia muito e no momento do milagre, muitos foram os que ajoelharam ou se jogaram no chão. Mas, as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva e pela lama, secaram prodigiosamente minutos depois.

As atitudes e mensagens transmitidas por Maria, sempre conduzem a seu Filho Amado. Ao rezar o terço, meditamos sobre as passagens da vida de Jesus. Ela nunca aponta para si mesma, mas para os desígnios de Deus e para que conheçamos melhor o Filho de Deus Encarnado.

Em 1917, o mundo estava em guerra. E, neste ano de 2021, enfrentamos novamente uma situação de guerra, combatendo o coronavírus, inimigo invisível, causando tantas mortes no mundo inteiro. Rezar o terço neste mês de maio é ainda mais necessário. Devemos pedir pelo fim da pandemia, pelos doentes, pelos agonizantes, pelos necessitados e por todos que sofrem neste grave momento da humanidade.

O culto à Nossa Senhora de Fátima é uma das mais significativas devoções marianas.  Nas palavras do Papa Francisco: “No dia 13 de maio, dia que celebramos a nossa mãe celestial, com o nome de Nossa Senhora de Fátima, devemos confiarmo-nos a ela, para que possamos continuar a nossa jornada com alegria e generosidade”.

Ave Maria! Bendita sois vós, nossa Mãe, entre as mulheres.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós, que recorremos a vós!

Por Fátima Emerson, membro do Apostolado da Oração.

Publicado em Catedral de São João Batista | Nova Friburgo.

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Bem-aventurada aquela que acreditou (Lc 1,45)

Na Igreja o mês de Maio é dedicado a Bem-aventurada Virgem Mãe de Deus. A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Neste mês, muitas comunidades vivem de maneira toda especial a devoção à Nossa Senhora, com a tradicional oração do santo terço, novenas, e tantas outras práticas devocionais. Nossa Senhora teve sempre na Igreja um lugar de destaque, porque sua pessoa está intimamente ligada a pessoa de Nossa Senhor Jesus Cristo. Maria, enquanto Mãe do Deus-Redentor, está associada a Cristo, cabeça da Igreja, e assim, recebe do Corpo também os louvores que a cabeça é digna de receber. É doutrina comum e certa que a Maria é devido um culto de dulia, ou de hiperdulia, que lhe é próprio, enquanto que é Mãe de Deus[1].

Nossa Senhora, carinhosamente chamada e invocada pela piedade católica, é sobretudo, imagem e personificação da Igreja.

O papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater, afirma que: O Concílio Vaticano II, apresentando Maria no mistério de Cristo, encontra desse modo o caminho para aprofundar também o conhecimento do mistério da Igreja. Maria, de fato, como Mãe de Cristo, está unida de modo especial com a Igreja, «que o Senhor constituiu como seu corpo»[2]Na virgem Maria, a Igreja se encontra, descobre sua imagem, sua missão. Igreja que somos todos nós, que temos um caminho a ser trilhado.

A vida de Nossa Senhora é fonte concreta da ação de Deus e por isso, meditar e horar a Mãe de Deus é também ver a grandeza dele. O papa Bento XVI, nos aponta que, “quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver mais do que de outras maneiras a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos realmente sentir a luz divina neste rosto”[3]São Lucas, no seu evangelho, ao narrar o encontro de Maria com Isabel, nos coloca um dado importante, “Bem-aventurada aquela que acreditou (Lc 1,45)”, aquela que se

deixou tocar por Deus. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus[4]. É segundo a saudação do Anjo Gabriel, cheia de graça (Lc 1,28), cheia de Deus, cheia do Espírito Santo. Desse modo, fazendo memória de Maria, Mãe de todos nós, pedimos seu auxílio para nossas necessidades particulares, bem como, para toda a Santa Igreja.

A devoção mariana, sobretudo, vivida nesse mês de maio, nos faz reconhecer que Maria é nossa mãe na medida que Deus é nosso Pai. Assim, nos diz S. Luís Maria Grignion de Montfort: Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por Pai, e Maria por mãe; e quem não têm Maria por mãe, não tem Deus por Pai. Na filiação divina, todos nós também recebemos Maria como mãe, assim, o próprio Senhor Jesus nos afirma, “eis aí a tua Mãe” (Jo.19, 26-27). Desse modo, Maria vai se mostrando ao longo dos séculos e das culturas como nossa mãe. Não importando o título ou o nome que ela é invocada, seu rosto, sua cor, ela será sempre a única mãe de Deus, e consequentemente nossa querida mãe.

Na Sagrada Escritura Deus recebe vários títulos, aparece com Deus “poderoso, forte, proeminente” (Gn 7,1, Is 9,6); “Deus Todo-Poderoso”, “O Poderoso de Jacó” (Gn 49, 24; Sl 132, 2-5); “O Senhor dos Exércitos” (Is 1,24; Sl 46,7), e outros nomes. Maria também, ao longo dos séculos recebeu da tradição, dos povos que a amam, títulos e características bem particulares. Nada acrescentam ao que ela é, mas são fórmulas de reconhecimento de sua importância da Obra da salvação, na vida da Igreja e de todos os cristãos. E, também são modos de aproximar a mãe de Jesus aos seus filhos dispersos pelo mundo inteiro.

Os títulos e nomes que Maria recebe na Igreja, possuem 3 origens principais, que partem de detalhes históricos, bíblicos, de tradições populares, dogmáticos, mariofanias. Ao conhecer um pouco desses princípios dos títulos e nomes dados a Nossa Senhora podemos ver a riqueza da devoção mariana. Sobretudo, porque são sinais sólidos da intima ligação de Maria com Cristo, de Cristo e Maria em nós. Ligação da fé com a história, da fé popular com a fé do magistério. Ligação profunda da presença mariana nas várias culturas, tempos, povos. Maria se identifica aos seus filhos. Apresentamos agora, de forma simples e resumida os três grandes princípios dos nomes dados a Maria.

  1. Títulos Bíblicos: Ofício da Imaculada e a Ladainha Lauretana, dão-lhe títulos abundantes, baseados na Bíblia: Trono do Grão Salomão, Arca da Aliança, Porta do Céu, Torre de marfim, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos Aflitos, Auxilio dos Cristãos. Os Títulos que Maria recebe a partir da Sagrada Escritura mostram que ela é participante da história da Salvação, não está isolada de toda a ação de Deus. Seja no Novo e no Antigo Testamento, Maria é invocação como um membro do Povo de Deus. Muitos aspectos marianos que serão desenvolvidos na dogmática mariana partem de princípios bíblicos.
  2. Títulos Dogmáticos: Maria, recebe também títulos e nomes ligados aos Dogmas marianos: Mãe de Deus (Éfeso, 431), Virgindade perpétua (Latrão, 649), Imaculada Conceição (Pio IX, 1854), Assunta ao céu (Pio XII, 1950). Estes são os 4 grandes dogmas marianos, formulados e definidos em concílios ou a partir do magistério infalível do Santo Padre o papa. Estes dogmas, são o fundamento de toda nossa devoção a Maria. Estas definições da Igreja refletem uma madura e profunda reflexão sobre o papel de Maria na história da Salvação, e também buscam salvaguardar a divindade e humanidade de Jesus Cristo.
  3. Títulos de Aparições: Popularmente Maria ficou marcada com os títulos de aparições ou de manifestações de seu poder ao longo dos séculos. O carinho e o amor que o povo católico tem a Virgem Maria em muitos casos parte das aparições (mariofanias) que carregam também características locais, culturais, etnias, etc. Os títulos que Maria receber a partir de suas aparições carregam o nome do lugar, por exemplo: Nossa Senhora de Lourdes (França), Nossa Senhora de Fátima (Portugal), Nossa Senhora de Guadalupe (México), Nossa Senhora Aparecida (Brasil), Nossa Senhora das Graças (França), Nossa Senhora de La Sallete (França).

Sendo assim, como diz a canção, Todas as nossas senhoras são a mesma mãe de Deus. Não importa o nome, o título, a característica física, é sempre a mãe de todos nós. Ao nos deparar com a riqueza da nossa fé, é indispensável nos colocarmos a caminho do projeto belo que Deus tem para todos nós, como assim fez a Santíssima Virgem Maria. Que os títulos, nomes, e invocações à Maria nos aproxime mais de Jesus, nos faça um povo Bem- aventurado porque acredita na Palavra de Deus e na missão que ele nos confia.

[1] R. Garrigou-Lagrange.

[2] Nº 05.

[3] Homilia, solenidade da Assunção, 2006.

[4] Idem.

Por Pe. Kécio Henrique Feitosa, vigário da Catedral e Capelão da Santa Casa.

Publicado em Catedral São Carlos Borromeu.

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“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 26-38)

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

Celebramos com grande alegria a solenidade da Anunciação do Senhor. No dia de hoje — 25 de março —, a nove meses do Natal, nós podemos dizer: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A entrada de Deus neste mundo, a Encarnação do Filho de Deus, aconteceu num evento quase que secreto, numa pequena casa em Nazaré, e a Tradição cristã de séculos, muitos padres da Igreja veem que aqui existe uma coincidência. Sim, no mesmo dia, 25 de março, em que o Filho de Deus entrou neste mundo, também, 33 anos depois, no mesmo dia, 25 de março, Ele morreu no Calvário.

Assim, então, o evento da Encarnação e o evento da Redenção coincidiriam na mesma data: é isto que dizem Padres da Igreja como Santo Agostinho, como São Beda, o Venerável; ou seja, existe aqui uma conjunção da história, de tal forma que a entrada do Filho de Deus neste mundo coincide com a sua saída num círculo perfeito. Mas e por que 25 de março? Bom, lá na terra de Jesus, 25 de março é o início da primavera, ou seja, ali o nascimento — a vinda no mundo, mais do que o nascimento — a vinda no mundo do Filho de Deus e a saída deste mundo do Filho de Deus, é como que um evento que faz coincidir o calendário dos astros como se a Criação estivesse toda esperando aquele momento. É a Criação que obedece ao seu Criador.

Jesus vem e vem na primavera do mundo, Jesus morre na Cruz e é uma primavera também, porque é a primavera de nossa salvação. Se nós olharmos essa longa tradição de que o dia da Anunciação, em que o Anjo fala com Nossa Senhora e Ela responde: “Eis aqui a serva do Senhor”, é o mesmo dia em que Jesus, 33 anos depois, no Calvário, diz: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”, se nós vermos a coincidência destas duas datas, então, celebrar a solenidade da Anunciação do Senhor no meio da Quaresma não é quebrar o ritmo quaresmal, mas é exatamente o contrário, é iluminar a Quaresma com a luz da Encarnação.

Jesus veio a este mundo para morrer. Jesus veio a este mundo e a finalidade de sua vinda é oferecer o sacrifício redentor do Calvário, de tal forma que o seu primeiro instante de existência dentro do ventre de Maria coincide com o seu último instante de existência nesta forma de servo aqui na existência miserável de nossas dores; e Ele ofereceu durante estes 33 anos um único sacrifício de amor.

Sim, porque basta um segundo de existência de Deus neste mundo para nos salvar: a humilhação de Jesus que toma a nossa natureza humana e começa, já no ventre de Maria, a viver as debilidades, as misérias, a pequenez de nossa humanidade, este sacrifício de Deus que se encarna já seria suficiente para nos salvar, mas Deus não quis que parasse por aí, Ele quis que esse sacrifício redentor que, como que escondido em Nazaré, aconteceu longe dos olhos humanos, fosse levado para o topo de uma montanha, no Calvário, para que no extremo da dor, do sacrifício e da injustiça, fosse visto o amor de Deus por nós.

“Tendo amado os seus, amou-os até o fim”. Ele veio e veio para nos amar: “Eis que eu venho, Senhor, fazer a vossa vontade. Fizeste para mim um corpo.” E ao fazer, ao dar ao seu Filho um corpo, esse Filho diz: “Eu vim fazer a vontade”, e a vontade de Deus é essa morte de amor, a Encarnação e a Redenção na Cruz, intimamente ligados.

Que a Virgem Santíssima, também ela protagonista de toda esta história de amor — aquela que estava em Nazaré dizendo sim ao Anjo e estava aos pés da Cruz, no Calvário, dizendo o seu sim extremo à vontade divina —, nos ajude também a fazer com que as nossas vidas sejam alinhadas com a vontade de Deus.

Como no dia de hoje os astros se alinham, o nascimento se alinha com a morte de Cristo no Calvário — a primavera da sua vinda ao mundo coincide com a primavera de sua morte redentora —, também nós possamos alinhar o nosso coração desajustado e dizer, com Jesus, servo obediente, e com Maria, humilde serva do Senhor: “Faça-se a vossa vontade”.

Publicado em Padre Paulo Ricardo – Homilia Diária.

Imagem: Aleteia.

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Neste pequeno texto, São Pedro de Alcântara, mestre da vida interior, ensina-nos como lidar com a falta de consolações espirituais na prática da oração.

Para aquele a quem faltarem as consolações espirituais, o remédio é que nem por isso deixe o exercício da oração acostumada, ainda que lhe pareça desenxabida e de pouco fruto, mas ponha-se na presença de Deus como réu e culpado, examine a sua consciência e olhe se porventura perdeu esta graça por sua culpa, suplique ao Senhor com inteira confiança lhe perdoe e alegue as riquezas inestimáveis da sua paciência e misericórdia em sofrer e perdoar a quem outra coisa não sabe senão ofendê-lo.

Desta maneira tirará proveito da sua secura, tomando ocasião para mais se humilhar, vendo o muito que peca, e para mais amar a Deus, vendo o muito que Ele lhe perdoa.

E conquanto não ache gosto nestes exercícios, não desista deles, porque não se requer que seja sempre saboroso o que há de ser proveitoso.

Ao menos isto se acha por experiência, a saber, que todas as vezes que o homem persevera na oração com um pouco de atenção e cuidado, fazendo calmamente o pouco que pode, ao cabo sai dali consolado e alegre, vendo que fez de sua parte algo do que estava em si. Muito faz, aos olhos de Deus, quem faz tudo o que pode, ainda quando pouco possa. Não olha Nosso Senhor tanto ao cabedal do homem quanto à sua possibilidade e vontade. Muito dá quem deseja dar muito, quem dá tudo o que tem, quem não deixa nada para si. Não é muita coisa o durar muito na oração, quando muita é a consolação. O muito é, quando a devoção é pouca, ser muita a oração e muito maior a humildade, a paciência e a perseverança no bem orar.

Também é necessário nestes tempos andar com maior solicitude e cuidado do que nos outros, velando sobre a guarda de si mesmo e examinando com muita atenção seus pensamentos, palavras e obras; porque, como então nos falte a alegria espiritual (que é o principal remo desta navegação), é mister suprir com cuidado e diligência o que falta de graça.

Quando assim te vires, hás de fazer de conta (como diz São Bernardo) que se te dormiram as sentinelas que te guardavam e que se te caíram os muros que te defendiam. E por isso toda a esperança de salvação está nas armas, pois já não te há de defender o muro, senão a espada e a destreza no pelejar. Oh! Quanta é a glória da alma que desta maneira batalha, que sem escudo se defende, que sem armas peleja, sem fortaleza é forte e achando-se sozinha na batalha toma o esforço e ânimo por companhia!

Não há maior glória no mundo do que imitar as virtudes do Salvador. E entre as suas virtudes conta-se por mui principal o haver Ele padecido o que padeceu, sem admitir em sua alma nenhum gênero de consolo. De maneira que quem assim padecer e pelejar, tanto maior imitador de Cristo será quanto mais carecer de todo gênero de consolo. E isto é beber o cálice da obediência, puro, sem mistura de outro licor. Este é o toque principal em que se prova a fineza dos amigos, se são verdadeiros ou não o são.

Referências

  • Trecho retirado do livro “Tratado da Oração e da Meditação”, 4.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2013, pp. 120-122.

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

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Deus nos abandonou?

Quando o sofrimento bate à nossa porta, por vezes nos sentimos abandonados por Deus, pensamos estar sozinhos neste mundo.

Será que Deus nos abandonou?

Neste mundo passamos por sofrimentos, angústias, tribulações, e nestes momentos podemos nos sentir abandonados por Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, também teve momentos de angústia, sofrimento, tribulação, mas mesmo assim entregou-se inteiramente à vontade do Pai. Jesus disse aos judeus: “não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 30b). Cristo veio ao mundo, não para fazer a Sua vontade, mas a vontade do Pai que Lhe enviou. Ele tinha uma missão a realizar neste mundo e dedicou-se inteiramente a essa missão, ainda que para isso tivesse que desagradar os homens e a si mesmo. Como cristãos, somos chamados a seguir o caminho de Cristo, que passou por sofrimentos e perseguições (cf. Jo 5, 18), para realizar a vontade do Pai em nossas vidas.

Esta missão que nos foi confiada se parece com a que foi confiada por Deus ao Povo de Israel através do profeta Isaías: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa” (Is 49, 8). O Senhor nos ajuda nesta obra de salvação. Ele nos preservou para ser, como Jesus Cristo, um elo de aliança entre os povos. A vontade do Pai é que sejamos esse elo de ligação entre Ele e Israel, o Povo de Deus.

O Senhor nos chamou para libertar aqueles que estão presos pelas cadeias do pecado (cf. Is 61, 1), para iluminar a vida daqueles que vivem nas trevas dos vícios, do distanciamento de Deus. Jesus foi perseguido justamente porque fazia tudo isso até mesmo no dia de sábado, que era um dia de descanso para os judeus. Hoje, os motivos das perseguições contra os cristãos certamente não são os mesmos, mas é o próprio Cristo que é perseguido em nós.

Diante das perseguições, dos sofrimentos por causa de Jesus Cristo, podemos pensar como os israelitas: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” (Is 49, 14). Em meio a estas tribulações, perseguições, sofrimentos, podemos achar que Deus nos abandonou. Porém, o Senhor nunca nos abandona. Ao contrário, nestes momentos é que Ele está ainda mais próximo de nós. Pois, através dos sofrimentos estamos ainda mais unidos à Cruz de Cristo.

Quando os sofrimentos e as perseguições baterem a nossa porta, podemos ser tentados a achar que Deus se esqueceu de nós. Porém, a Palavra de Deus nos garante que Ele jamais se esquece de nós: “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti” (Is 49, 15). Não há maior amor humano do que o amor de uma mãe pelo seu filho. Esta jamais se esqueceria do seu filho. Mas, ainda que sejamos esquecidos pela nossa própria mãe, Deus não se esquece de nós.

Portanto, Deus Pai compara o Seu amor por nós com o amor de uma mãe. O Pai compara o seu amor por nós com o amor materno, de uma mãe para com o seu filho. Este amor de Deus por nós, paterno e materno, se manifestou a nós em Jesus Cristo e na Virgem Maria. Por isso, ainda que nos sintamos abandonados e esquecidos, acolhamos o amor do Pai, que se manifestou no seu Filho Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, e o amor materno de Maria, que são reflexo do infinito amor de Deus por nós. Quando acolhemos o amor infinito de Deus por nós, manifestado a nós em Jesus e em Maria, acolhemos a graça do Espírito Santo que, transforma o sofrimento em amor redentor (cf. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Dominum et Vivificantem40). Desse modo, fortalecidos pelo amor, dom do Espírito Santo, seremos capazes de fazer a vontade do Pai.

Publicado em Todo de Maria.

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Em que consiste a infância espiritual de Santa Teresinha …

Teresa de Lisieux – Wikipédia, a enciclopédia livre
Wikipédia

A experiência de Santa Teresinha do Menino Jesus convida os cristãos a se tornarem como crianças, pois “o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham”.

O conceito de “infância espiritual” existe na Igreja desde o seu começo. Basta ir ao Evangelho e notar que a condição que Jesus estabelece para que seus discípulos entrem no Reino dos céus é que se transformem em criancinhas (cf. Mt 18, 3). Esta verdade foi desenvolvida por muitos teólogos medievais, mas só atingiu seu cume em uma jovem carmelita do século XIX, Teresa de Lisieux, também conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.

A “infância espiritual”, este tesouro da espiritualidade católica, é vivenciada por todos aqueles que buscam a Deus e querem ser santos. A despeito das tendências jansenistas da França oitocentista, Santa Teresinha tinha consciência daquilo os padres do Concílio Vaticano II chamariam de “a vocação de todos à santidade na Igreja”. Nesta, diz a constituição Lumen Gentium, “todos (…), quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: ‘esta é a vontade de Deus, a vossa santificação’ (1 Ts 4, 3; cf. Ef 1, 4)”.

Deus chama à santidade não somente as grandes almas, mas também “une légion de petites âmes – uma legião de almas pequeninas”, escreve Santa Teresinha, no manuscrito B do livro “História de uma alma”. Neste clássico da espiritualidade cristã, ela traça os moldes de sua doutrina da “pequena via”, através de uma simples parábola:

Como pode uma alma tão imperfeita como a minha aspirar à plenitude do Amor?… Ó Jesus! meu primeiro, meu único Amigo, Tu que amo UNICAMENTE, dize-me que mistério é esse. Por que não reservas essas imensas aspirações para as grandes almas, para as águias que planam nas alturas?… Considero-me apenas um mero passarinho coberto de leve penugem, não sou uma águia, só tenho dela os olhos e o coração, pois apesar da minha extrema pequenez ouso fixar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente em si todas as aspirações da águia…

Santa Teresinha contempla os grandes santos – as águias – e vê a sua pequenez, comparando-se a “um mero passarinho coberto de leve penugem”. No entanto, ela percebe em si uma contradição: não é uma águia, mas “sente em si todas as aspirações” de uma águia; não é majestosa como ela, mas tem os seus olhos e o seu coração.

No dia 6 de agosto de 1897, em confidência à sua irmã Inês, Teresa explicou “o que ela entendia por ‘permanecer criancinha’ perante o bom Deus”:

É reconhecer o seu nada, é esperar tudo do bom Deus, assim como uma criança pequena espera tudo do pai; é não se preocupar com nada e, de modo algum, fazer fortuna. Mesmo entre os pobres, dá-se à criança o que lhe é necessário, mas assim que ela cresce o pai não quer mais alimentá-la, dizendo-lhe: ‘Agora vá trabalhar, você pode se sustentar’.”

“Foi para não escutar isso que eu não quis crescer, sentindo-me incapaz de ganhar a vida, a vida eterna do Céu. Permaneci, então, sempre pequena, tendo uma só ocupação: colher flores, as flores do amor e do sacrifício, oferecendo-as ao bom Deus, para seu agrado.

No crescimento espiritual, há uma lei contrária à do crescimento físico. Naquele, deve prevalecer sempre o primado da graça, pelo qual a pessoa se torna cada vez mais dependente de Deus. O santo, quanto mais santo, mais depende d’Ele, mais reconhece sua dependência e sua pequenez.

Porém, sabendo que “é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações” (At 14, 22), este processo não se dá sem sofrimento. Para se chegar à plena “infância espiritual”, é preciso passar pela noite escura da alma, pela purificação. Prossegue Santa Teresinha, no manuscrito B de seu livro:

O passarinho quer voar para esse Sol brilhante que encanta seus olhos, quer imitar as águias, suas irmãs, que vê chegar ao lar divino da Trindade Santíssima… ai! o que pode fazer é bater as asinhas, voar, porém, não está em seu pequeno alcance! O que será dele? Morrer de tristeza por se ver tão impotente?… Oh não! o passarinho nem vai ficar aflito. Com total abandono, quer ficar olhando seu divino Sol; nada poderá assustá-lo, nem o vento nem a chuva, e se nuvens escuras vierem esconder o Astro de Amor o passarinho não trocará de lugar. Sabe que, além das nuvens, seu Sol continua brilhando, que seu brilho não cessará. Às vezes, o coração do passarinho é vítima de tempestade, parece não acreditar que existem outras coisas além das nuvens que o envolvem. Esse é o momento da felicidade perfeita para o pobre serzinho frágil. Que felicidade ficar aí, assim mesmo; fixar a luz invisível que escapa à sua fé!!!…

Em certos momentos, o passarinho se aflige e é tentado pela incerteza, pela dúvida: será que existe o Sol, além das densas nuvens que pairam no ar? Será possível ver o amor de Deus nesta vida crucificada e cheia de sofrimentos? A alma, então, se lança totalmente nos braços de Deus, como uma criança inteiramente dependente de seus pais, e é-lhe dada a certeza da fé. Ela diz: meu Deus, eu não vos compreendo, mas eu vos amo.

A “infância espiritual” também consiste em não dar demasiada importância aos próprios pecados. Ainda em confidência à sua irmã, Teresinha revela:

Ser criança é ainda não atribuir a si própria as virtudes praticadas, acreditando-se capaz de alguma coisa; é reconhecer que o bom Deus coloca este tesouro na mão de sua criancinha para que ela se sirva dele quando precisar; mas é sempre o tesouro do bom Deus. Enfim, é nunca desanimar por causa de seus erros, pois as crianças caem com frequência, porém são pequenas demais para se machucar muito.

A experiência de Santa Teresinha do Menino Jesus convida os cristãos a se tornarem como crianças, pois “o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham” (Mt 19, 14).

Publicado em Resposta Católica (Pe. Paulo Ricardo).

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Afinal, qual a importância da Santa Missa?

Domingo, dia do Senhor! Vamos à Santa Missa?

A Santa Missa é o pilar central da fé católica, por ela, recebemos Jesus vivo na Eucaristia, corpo e sangue, que nos sustentam na luta pela santidade. Não há como buscar o Céu sem buscar a Cristo no altar da Santa Missa, veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

2180 — O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: “Nos domingos e nos outros dias de festa de preceito aos fiéis têm a obrigação de participar da missa”. “Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior”.

2181 — A eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou dispensados pelo próprio pastor.

Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave [também chamado pecado mortal, e devem procurar a confissão].

A Santa Missa é a presentificação do Sacrifício de Jesus no Calvário. Não é repetição e nem multiplicação desse acontecimento; é a sua renovação, atualização. As ações de Cristo são “teândricas”, isto é, humanas e divinas ao mesmo tempo, por isso, não se esgotam no tempo como as nossas ações. Deus está acima do tempo, que é sua criatura.

A Missa é oferecida com várias finalidades: homenagem de adoração suprema ao Pai Eterno por Seu Filho encarnado, feito homem, unindo as nossas com as Dele e as de toda a Igreja. É um ato de oferecimento de cada fiel ao Senhor para o amar e servir.

É um culto de ação de graças ao Pai para agradecer-lhe os dons que recebemos: a glória da Virgem Maria, seus méritos e os dos santos e todos os benefícios que recebemos pelos méritos de Cristo. É também um ato de reparação pelos nossos pecados e os da humanidade. Diz São Pedro Julião que “Deus Pai nada nos pode recusar visto que nos deu Seu Filho, que se mantém na Sua presença nesse estado de Sacrifício e de vítima pelos nossos pecados e os de todos os homens”. É o momento de apresentar a Deus nossas necessidades pessoais; e, sobretudo, a graça necessária para vencer os piores pecados que nos escravizam.

Além disso, no oferecimento eucarístico do pão e do vinho, são também apresentadas a Deus toda a riqueza e pobreza da humanidade inteira. Assim rezamos pelas necessidades de todos os homens espalhados pelo mundo inteiro, em particular pelos mais necessitados. Quando participamos da Santa Missa ajudamos concreta e eficazmente os outros. De fato, a Santa Missa é fonte privilegiada de justiça, de partilha, de paz, de reconciliação e de perdão entre todos os povos. A Eucaristia sempre é celebrada sobre o altar do mundo. Une o céu e terra (cf. Ecclesia de Eucharistia, 8).

Na celebração da santa Missa, tudo lembra o Sacrifício de Jesus por nós. O altar de pedra contém relíquias de santos, às vezes até ossos, pois eles participam da glória de Cristo e “intercedem por nós sem cessar”; as velas que queimam no altar e se consomem, e os círios, simbolizam a fé, a esperança e a caridade. As toalhas brancas que cobrem o altar representam os lençóis com que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo; o crucifixo representa-O morrendo por nós. Tudo lembra o Calvário.

Fonte: Professor Felipe Aquino.

Publicado em Missão Eterno Céu.

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Nossa Senhora do Rosário, uma festa de glória! Ela que ajudou os cristãos a vencerem a Batalha de Lepanto, nos conceda a graça da vinda do Reino d’Ela, que será também o Reino do Rosário.

Redação (07/10/2021 08:5, Gaudium Press)  – Na última aparição de Nossa Senhora, em Fátima, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse por fim o seu nome: “Sou a Senhora do Rosário”; e voltou a lembrar a recomendação já feita antes: “Continuem a rezar o terço todos os dias”.

Foi durante aquela aparição que Nossa Senhora disse às três crianças: ” … Continuem a recitar o Rosário todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz no mundo e o fim da guerra…”

Fátima e o Rosário, as crianças de Fátima e Nossa Senhora são palavras profunda e inseparavelmente unidas entre si… Hoje, talvez mais do que nunca, Maria derrama graças sobre aqueles que rezam o terço … Conheça mais sobre a devoção e as graças que recebem aqueles que praticam a reza do terço, bem como a história da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou ao grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, um meio fácil e seguro de salvação: o santo Rosário.

Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja, na terra passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia e os corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo. Quando dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, implanta-se a discórdia nos lares, o caos se estabelece no mundo…

A Ave-Maria, base do Novo Testamento

São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja.

A terrível heresia dos albigenses se espalhara no sul da França e ameaçava toda a Europa. A profunda corrupção moral dela decorrente abalava os fundamentos da própria sociedade temporal.

Por meio de ardorosas pregações, durante anos tentou ele reconduzir ao seio da Igreja aqueles infelizes que se tinham desviado da verdade. Mas suas eloqüentes e inflamadas palavras não conseguiam penetrar aqueles corações empedernidos e entregues aos vícios.

O Santo intensificou suas orações…

Aumentou suas penitências… Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos… De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram poucas e de efêmera duração.

O que fazer? Certo dia, decidido a arrancar de Deus graças superabundantes para mover à conversão aquelas almas, Frei Domingos entrou numa floresta perto de Toulouse e entregou-se à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter do Céu uma resposta favorável.

Após três dias e três noites de incessantes súplicas, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu- lhe a Virgem Maria, dizendo com inefável suavidade: – Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo? – Senhora, sabeis melhor do que eu, porque, depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes Vós o principal instrumento de nossa salvação.

– Eu te digo, então, que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, a Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário.

Raios e trovões para reforçar a pregação

Com novo ânimo, o zeloso Dominicano dirigiu-se imediatamente à Catedral de Toulouse, para fazer uma pregação. Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram a repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade.

Assim que ele começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e desabou uma terrível tempestade, com raios e trovões, agravada por um apavorante tremor de terra.

O pavor dos assistentes aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de sua Santíssima Mãe.

O santo Pregador implorou a misericórdia de Deus, e a tempestade cessou, permitindo-lhe falar com toda calma sobre as maravilhas do Rosário.

Os habitantes de Toulouse arrependeram- se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário. Em conseqüência, grande foi a mudança dos costumes nessa cidade.

A partir de então, São Domingos, em seus sermões, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo com fervor todos os dias. Assim, obteve que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente.

Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses.

Um sermão escrito pela Santíssima Virgem

Relata o Beato Alano uma aparição de São Domingos, na qual este lhe narrou o seguinte episódio: Rezando o Rosário, estava ele preparandose para fazer na Catedral de Notre Dame de Paris um sermão sobre São João Evangelista. Apareceu-lhe então Nossa Senhora e lhe entregou um pergaminho, dizendo: “Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor”.Muito contente, leu o pergaminho, agradeceu de todo coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a pregação. Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris, além de grande número de pessoas de importância.

Sobre o Apóstolo São João, apenas afirmou o quanto este merecera ter sido escolhido para guardião da Rainha do Céu. Em seguida, acrescentou: “Senhores e mestres ilustres, estais acostumados a ouvir sermões elegantes e sábios, porém, eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude”.

E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria, como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim, profundamente, aquele auditório de homens cultos.

O Beato Alano de la Roche

As próprias graças e milagres concedidos por Deus através da recitação do Rosário encarregaram-se de propagá- lo por toda parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos. Enquanto ela foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo católico.

Mas, cem anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já ela havia caído quase no esquecimento. Como conseqüência, multiplicaram-se os males sobre a Cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda parte, e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período.

Para atalhar o mal e, sobretudo, preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, com a missão de restaurar o antigo fervor pelo Rosário.

Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: “Por que me crucificas tu de novo? E me crucificas, não só por teus pecados, mas ainda porque sabes quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem”.

A partir de então, o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador desta devoção, e assim converteu grande número de almas.

Fator decisivo de grandes vitórias

Foi, sobretudo, nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja, que o Rosário teve um papel decisivo, propiciou a perseverança dos católicos na Fé e levantou uma barreira contra o mal.

Ao ver a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e por terra, devastando tudo e perseguindo os cristãos, o Papa São Pio V mandou rezar o Rosário em toda a Cristandade, implorando a proteção de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, com o auxílio da Espanha e de Veneza, reuniu uma esquadra no Mar Mediterrâneo para defender os países católicos.

A sete de outubro de 1571, a frota católica encontrou a poderosa esquadra otomana no golfo de Lepanto. E apesar da superioridade numérica do adversário, os cristãos saíram triunfantes, afastando definitivamente o risco de uma invasão. Antes de travar-se o combate, todos os soldados e marinheiros católicos rezaram o Rosário com grande devoção.

A vitória, que parecia quase impossível, deveu-se à proteção da Virgem Santíssima, a qual – segundo testemunho dado pelos próprios muçulmanos – apareceu durante a batalha, infundindo- lhes grande terror.

No século XVIII, para comemorar a vitória do Príncipe Eugênio de Saboya sobre o exército otomano, devida também à eficácia do Rosário, o Papa Clemente XI ordenou que a festa de Nossa Senhora do Rosário fosse celebrada universalmente.

São Luís Grignion de Montfort

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades. Visando fortalecer seus filhos e prepará- los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo com a missão de reacender a chama da devoção ao Rosário, o qual mais uma vez tinha caído no esquecimento. São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor da devoção à Mãe de Deus, exerceu sua missão profética um século antes da Revolução Francesa. As regiões nas quais se deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram íntegra a Fé.

Fátima, 1917: “Sou a Senhora do Rosário”

Já no século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: “Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra”, repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima. Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: “Sou a Senhora do Rosário”. E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar- se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.

Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.

Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.

Salvou-se porque levava o Terço à cintura

Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e como é generosa em recompensar os que trabalham para divulgá-lo.

Conta São Luís de Montfort o caso de Afonso IX, Rei de León, a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário à cintura.

Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e para animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse. Isto bastou para incentivar os seus cortesãos a rezá-lo devotamente.

Algum tempo depois, o rei ficou às portas da morte, acometido por uma grave enfermidade. Foi então transportado em espírito ao tribunal de Deus, onde os demônios o acusaram de todos os seus crimes. E quando ia ser condenado às penas eternas, apresentou- se em sua defesa a Santíssima Virgem diante de Jesus.

Num prato da balança, foram colocados os pecados do Rei. No outro, a Virgem Maria colocou o grande Rosário que ele portara em honra d’Ela, juntamente com os Rosários que, devido ao seu exemplo, haviam rezado outras pessoas, e estes pesavam mais que todos os pecados por ele cometidos.

Depois, Maria Santíssima, olhando com misericórdia para o Rei, disse: “Consegui de meu Filho, como recompensa pelo pequeno serviço que Me fizeste, levando à cintura o Rosário, o prolongamento de tua vida por mais uns anos. Emprega-os bem, e faz penitência”.

Voltando a si, o rei exclamou: “Oh! Bendito Rosário da Santíssima Virgem, por ele é que fui livre da condenação eterna!” E, recuperando a saúde, passou a rezar o Rosário todos os dias até o fim da vida.

A palavra do Papa, porta-voz de Jesus

O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (…) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja formado em nós plenamente” – ensina o Papa João Paulo II. E acrescenta: “Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo”.

Recordemos suas inspiradas palavras na Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariæ”:

O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa! “Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral! “Não te deixaremos nunca mais! “Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último ósculo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em toda parte, hoje e sempre, na terra e no Céu. Amém.”

Nunca deixe de rezá-lo!

Sim, acatando fielmente essa exortação do Papa, nunca deixe de rezar o Rosário, sob pretexto de ter muitas distrações involuntárias, falta de gosto em rezá-lo, muito cansaço, insuficiência de tempo, ou qualquer outro. Para rezar bem o Rosário, não é necessário sentir gosto, ter consolações, nem conseguir uma aplicação contínua da imaginação. Bastam a fé pura e a boa intenção.

E veja quantos benefícios nos proporciona a recitação do Rosário!

• Eleva-nos ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo.
• Purifica nossas almas do pecado.
• Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos.
• Torna-nos fácil a prática das virtudes.
• Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo.
• Enriquece-nos de graças e méritos.
• Fornece-nos os meios de pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

A tudo isso, acrescenta São Luís Maria Grignion de Montfort: – “Ainda que te encontres à beira do abismo ou já com um pé no inferno ainda que estejas endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde te converterás e salvarás, contanto que rezes devotamente todos os dias o santo Rosário, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de teus pecados”.

Por Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias

(In “Revista Arautos do Evangelho”, Out/2004, n. 34, p. 34 a 38)

Publicado em Gaudium Press.

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como rezar o terço

Aprenda como rezar o terço neste passo a passo para iniciantes e tenha esse ato de fé e devoção na oração do terço todos os dias, meditando os mistérios do terço sobre a vida de Jesus Cristo.

Passo a passo de como rezar o Terço

1 – Oferecimento do Terço

Aprender como rezar o Terço exige apenas um coração sincero e humilde. Aproveite este momento, antes de iniciar o Terço, para fazer os agradecimentos e pedidos necessários e proceda com a Oração de Oferecimento do Terço.*

Oração de Oferecimento do Terço

Divino Jesus,
Nós Vos oferecemos este Terço que vamos rezar,
Meditando nos mistérios da Vossa Redenção.
Concedei-nos,
Por intercessão da Virgem Maria,
Mãe de Deus e nossa Mãe,
As virtudes que nos são necessárias
Para bem rezá-lo
E a graça de ganharmos as indulgências
Desta santa devoção.

2 – Faça o sinal da cruz

“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!”

3 – Faça a oração do Credo

Segurando a crucifixo do Terço, faça a Oração do Credo.

Oração do Credo

4 – Reze o primeiro Pai Nosso

Segurando a primeira conta grande (primeira bolinha do terço) reze a Oração do Pai Nosso

Oração do Pai Nosso

5 – Reze as 3 primeiras Ave-Marias

Cada Oração da Ave-Maria dessas 3 primeiras deverão ser precedidas de uma oração:

1 – A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou: Ave-Maria…
2 – A segunda Ave-Maria a Deus Filho que nos remiu: Ave-Maria…
3 – A terceira Ave-Maria ao Espírito Santo que nos santifica: Ave-Maria…
4 – Amém!

Oração da Ave-Maria

6 – Reze a oração do Glória ao Pai e a oração Ó meu Jesus

Após ter rezado as 3 primeiras Ave-Marias reze a Oração do Glória ao Pai seguida da Oração Ó Meu Jesus.

Oração do Glória ao Pai

Oração Ó Meu Jesus

7 – Reze os Mistérios do Terço para cada dezena

Aprender como rezar o Terço exige uma meditação em cada um dos mistérios apresentados ao longo da oração do Terço. A cada dezena do Terço contempla-se um mistério, seguido de 1 Pai Nosso e 10 Ave-Marias. A cada dia da semana deverá ser dedicado aos seguintes mistérios:

Mistérios Gloriosos
(Domingos e Quartas)

Mistérios Gozosos
(Segundas e Sábados)

Mistérios Dolorosos
(Terças e Sextas)

Mistérios Luminosos
(Quintas)

Ao final de cada dezena do terço reze a Oração do Glória ao Pai seguida da Oração Ó Meu Jesus.

8 – Reze a Oração de Agradecimento do Terço

No final das 5 dezenas reze a Oração de Agradecimento do Terço

Oração de Agradecimento do Terço

Infinitas graças vos damos,
Soberana Rainha,
Pelos benefícios que todos os dias
Recebemos de vossas mãos liberais.
Dignai-vos, agora e para sempre,
Tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo
E para mais vos obrigar
Vos saudamos com uma Salve Rainha:

9 – Reze a oração Salve Rainha

Após Oração de Agradecimento, reze a Oração Salve Rainha.

Oração Salve Rainha

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia,
Vida, doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos, os degredados filhos de Eva;
A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa
Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
E depois deste desterro nos mostrai a Jesus,
Bendito fruto do vosso ventre,
Ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém

Publicado em Como Rezar.

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