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Archive for the ‘Castelo Interior’ Category

Quarta-feira de Cinzas: liturgia de morte

Liturgia

Quarta-feira de Cinzas: liturgia de morte

A celebração com a qual se dá início à Quaresma pode ser considerada, de certa forma, como uma “liturgia de morte”, pois assim como Cristo passou pela Cruz, “também nós devemos morrer para nós mesmos, a fim de renascermos para a vida eterna”.

A liturgia da Quarta-feira de Cinzas nos chama à verdadeira conversão: “Rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Jl 2, 13).

A conversão do coração é a dimensão fundamental deste tempo singular de graça que nos preparamos para viver na Quaresma. Além disso, as palavras do profeta Joel sugerem-nos a motivação profunda que nos torna capazes de voltar a percorrer o caminho rumo a Deus, que é “a consciência de que o Senhor é misericordioso e que cada homem é seu filho muito amado, chamado à conversão” [1]. Pela Palavra, somos motivados a uma verdadeira transformação de vida, a morrer para o pecado e a viver para Deus por meio de Jesus Cristo (cf. Rm 6, 11).

Na antiga praxe da Igreja Católica, o sacramento da Penitência era público e o rito de imposição das cinzas dava início ao caminho penitencial dos fiéis que seriam absolvidos de seus pecados na celebração da manhã da Quinta-feira Santa. Por volta do século IX, o gesto da imposição das cinzas — obtidas com a queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior — associado ao sacramento da Penitência caiu em desuso. Porém, a imposição das cinzas estendeu-se a todos os fiéis e foi inserida na celebração da Santa Missa da Quarta-feira de Cinzas, depois da homilia. A fórmula que acompanhava a imposição foi alterada com o tempo. No início, usava-se somente a fórmula: “Recorda-te que tu és pó, e ao pó voltarás” (Gn 3, 19). Mais tarde, acrescentou-se a fórmula opcional: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

Perceba-se portanto como, desde o Antigo Testamento, as cinzas já simbolizavam a brevidade da vida (cf. Gn 18, 27; 30, 19; Sb 2, 2s), a penitência e a conversão (cf. Est 4,1.3; Jr 6, 26; Jn 3, 6). No centro da celebração litúrgica da Quarta-feira de Cinzas, há justamente esse gesto simbólico, oportunamente explicado pelas palavras das Escrituras que o acompanham. A imposição das cinzas — cujo significado, fortemente evocativo da condição humana, é salientado pela primeira fórmula contemplada pelo rito penitencial: “Recorda-te que tu és pó, e ao pó voltarás” (Gn 3, 19) — lembra a caducidade da nossa existência e convida-nos a considerar a vaidade de nossos projetos, quando não fundamentamos a nossa esperança no Senhor.

A segunda fórmula prevista pelo rito: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15), ressalta, por sua vez, quais são as condições indispensáveis para percorrermos o caminho da vida em Cristo: “São necessárias uma concreta transformação interior e adesão à palavra de Cristo” [2].

Segundo o Papa S. João Paulo II, a liturgia da Quarta-feira de Cinzas pode ser considerada, de certa forma, como uma “liturgia de morte”, pois remete para as funções da Sexta-Feira da Paixão. Nesta celebração, o rito litúrgico da Quarta-feira de Cinzas encontra o seu pleno cumprimento. “Com efeito, é naquele que ‘se humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz’ (Fl 2, 8), que também nós devemos morrer para nós mesmos, a fim de renascermos para a vida eterna” [3].

Desde os seus primórdios, a Igreja indica alguns meios úteis para seguir este caminho de morte, de renúncia de nós mesmos. Em primeiro lugar, neste caminho, é necessária a adesão humilde e dócil à vontade de Deus, acompanhada pela oração incessante (cf. 2Ts 5, 17). Também são muito apropriadas as formas penitenciais típicas da tradição cristã, como a abstinência, o jejum, a mortificação e a renúncia mesmo aos bens que nos são legítimos. De modo particular, são importantíssimos os gestos concretos de solidariedade e de ajuda ao próximo, que o Evangelho segundo Mateus nos recorda com a palavra “esmola” (6, 2ss).

Tudo isto, que deveria fazer parte da vida de todo cristão, “é reproposto com maior intensidade durante o período quaresmal, que representa, a este propósito, um ‘tempo forte’ de treinamento espiritual e de generoso serviço aos irmãos” [4].

Seguindo, pois, o caminho tradicional da Igreja, comecemos o tempo da Quaresma com verdadeiros propósitos de penitência e de ascese, para que, mortos para este mundo, vivamos uma vida nova e ressuscitemos com Nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna (cf. Rm 6, 4s). Que Nossa Senhora das Dores, imagem da compaixão divina pela humanidade, nos ajude a viver bem esse tempo de morte para nós mesmos.

Publicado em padrepauloricardo.org.

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Quaresma: o caminho para a Páscoa

(…)

Através da liturgia, a Igreja convida-nos a percorrer com garbo o caminho da Quaresma. A celebração frequente dos sacramentos, a meditação assídua da Palavra de Deus e as obras penitenciais, sem que falte essa alegria – Laetare Ierusalem! – que sublinha especialmente o quarto domingo[30], são práticas que afinam a nossa alma, e nos preparam para participar com intensidade na Semana Santa, onde reviveremos os momentos cume da existência de Jesus na terra. «Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas. Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele»[31]. Contemplando o Senhor que dá a vida por nós, bem purificados dos nossos pecados, redescobriremos a alegria da salvação que Deus nos traz: «Redde mihi laetitiam salutaris tui, devolve-me a alegria da Tua salvação»[32].

Alfonso Berlanga

Fonte: opusdei.org (Leia o texto completo neste link).

Foto: Reprodução.

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Solenidade da Epifania do Senhor

Da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, os Magos dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, nem se chocam com os panos: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus.
São Bernardo de Claraval

Domingo da Epifania, domingo dos Magos. Desde a nossa infância, no tempo do Natal, esses personagens foram se insinuando em nossa atenção e em nosso coração. Já estava lá o presépio na sala da casa. De repente, no dia 6 de janeiro, se tirava de uma caixa de papelão essas três figuras com coroas e presentes, montados em camelos e dando ao singelo presépio uma tonalidade um tanto grandiosa. Misteriosos personagens. Apenas Mateus faz alusão a essa visita inopinada e inesperada. O evangelista diz que eram Magos, nada mais. Depois pensadores e homens da mística nos disseram que eles, de alguma forma, representam a peregrinação dos buscadores de Deus rumo à casa do Altíssimo. Peregrinos de Deus. Que significado tem para nós esse episódio que vai fechando o ciclo do Natal?

É a nossa história, o relato de nossa aventura humana que aí estão retratados. Mateus nos fala que vieram de longe, guiados pela estrela, obstinados vencedores da imensidão dos desertos questionam as autoridades locais a respeito do nascimento do Menino. Vencem obstáculos e adoram o Deus grande na simplicidade das coisas mais simples: uma casa de pobres e uma frágil criança, um menino envolto em panos.

Buscadores sinceros de Deus! Que bom se esta afirmação fosse verdadeira para nós e nossos tempos. Muitos de nós nascemos no seio de famílias católicas e fomos sendo envolvidos em ritos e símbolos. Passamos a viver uma “religião”. Fomos batizados e recebemos os outros sacramentos. Alguns tiveram a chance de viver numa família esclarecida. Outros foram vivendo separando a vida da fé. A fé, tenha talvez passado alguma coisa pessoal, privada e nada mais. Tais pessoas foram perdendo o fogo do Evangelho. Deus não pode um ser mero acessório, um à coté, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta não é a vida?

Há, aqueles que tiveram uma catequese por demais sumária e meramente nocional e que depois de um certo tempo deixaram tudo. No começo formularam perguntas. Foram achando Deus mudo demais. Alheio a tudo. Para alguns Deus morreu. Ou nunca tenha existido.

Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso, pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, a ameaça de fracasso do casamento, uma derrocada financeira, o inferno das drogas, a visita de uma pessoa que parecia um anjo a cair do céu.

Há os que encontram ou reencontram a fé frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que saía da boca e da figura de Jesus. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas mãos a Levi e a Zaqueu. Vão se identificando com filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Essas pessoas começam a abrir tesouros e presentes ao Deus que cativa.

Muitos chegam a descobrir a Deus na dedicação aos outros. Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para desconfiam que assim é Deus…Ser para… E lembram-se das aulas de catecismo onde haviam aprendido que quando dão um copo de água fria ao menor de seus irmãos é a Jesus que o ofertam.

Deus que vem nos visitar e chega na simplicidade de um nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz completamente injustiçado e despojado, até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total é a verdadeira luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Veio para todo o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos fomos vendo a procissão dos peregrinos iluminados pela estrela da fé. Jesus mesmo um dia haveria de afirmar que Deus se revela aos pequenos e humildes e se esconde dos satisfeitos. Os Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um sentido mais pleno dos dias que vivem. Pertencem ao irrequietos de coração de que fala Agostinho de Hipona.

Texto para a meditação e reflexão

Hoje, os Magos que procuravam o Senhor resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os Magos veem claramente envolvido em panos aquele que há muito tempo buscavam de modo obscuro nos astros. Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer (São Pedro Crisólogo).

Publicado em Paróquia Santo Antônio do Pari.

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Natal 2019: Jesus nasce em Belém (Rumo à Santidade)

Jesus nasce em Belém

Nascimento de Jesus em Belém

A Luz veio ao mundo

O nascimento de Jesus (cf. Lc 2, 1-20) é contemplado pela Liturgia da Igreja sob o símbolo da Luz: «Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz!»; «O povo que caminhava na escuridão viu uma grande luz»; «Hoje surgiu a luz para o mundo: o Senhor nasceu para nós».

Todas essas expressões são um eco das palavras do prólogo do Evangelho de São João:

No princípio era o Verbo […] e o Verbo era Deus. […] Nele estava a Vida, e a vida era a Luz dos homens. […] Era a Luz verdadeira, que vindo ao mundo, ilumina todo homem […]. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1, 1 seg.)

Neste capítulo, a nossa meditação quer ser mais contemplativa: ajudar-nos a voltar os olhos e o coração para Jesus Menino, que repousa sobre as palhas do Presépio, envolto nos paninhos que a Mãe lhe preparou, de modo a sentirmos o impulso de agradecer-lhe a sua entrega «por nós, homens e para a nossa salvação», e de adorá-lo: Meu Senhor e meu Deus!

O Menino que vemos deitado na manjedoura é Deus feito homem. É o Redentor que vem para nos salvar.

Tanto amou Deus o mundo – diz o Evangelho após a conversa de Jesus com Nicodemos – que lhe deu seu Filho único. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele (Jo 3, 16-17)

Este é o coração da nossa fé! O Menino nos dá a certeza de que Deus, que é amor, nos ama com loucura. Deus é amor! – escrevia são João. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado o seu Filho único, para que vivamos por Ele (1 Jo 4, 8-9).

Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou… O mistério da Encarnação extasiava esse Apóstolo e o levava a dizer na sua primeira Carta (1, 1): Nós o vimos com os nossos olhos, nós o contemplamos, nós o ouvimos, nós o tocamos com as mãos…! E, como que lamentando a tristeza dos que são incapazes de «ver», acrescentava: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor (4, 8).

Sinais do Amor, tesouros do Amor

Jesus nos ama – a você, a mim, a cada um – com toda a força do seu Amor divino e humano. É um amor que tem dois sinais da autenticidade. Em primeiro lugar, é uma doação plena. Um amor que não se dá não é amor. Mas não é um dar-se qualquer, é uma doação que visa o nosso bem. E aí está o segundo sinal: todo verdadeiro amor quer bem, quer o bem, dá-se procurando o bem da pessoa amada.

Qual é o bem que Jesus nos traz? Todos os bens! A vida divina – Deus em nós – aqui na terra e a vida eterna. Desse tesouro, nós podemos extrair especialmente três riquezas:

• A riqueza da Verdade que Ele nos ensina.
• A riqueza do Caminho do Céu, que Ele nos mostra com o seu exemplo e a sua palavra.
• E a riqueza da Vida nova dos filhos de Deus – concedida pela graça do Espírito Santo -, que chega até nós a partir do seu Coração trespassado na Cruz.

Tudo isso resumiu-o Jesus, na Última Ceia, numa só frase: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Meditemos nessas palavras.

Eu sou a Verdade. Vem à memória a alegria do pai de São João Batista, Zacarias – marido de santa Isabel -, quando, no dia do nascimento de João, profetizou o próximo nascimento de Jesus como fruto da

ternura e misericórdia do nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz (Lc 1, 78-79)

Desde antes de nascer, Jesus já é anunciado como o Sol, como a luz, a luz da Verdade, que nos guiará para a paz.

Já percebeu que a Verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer: é a verdade- verdadeira? É – como dizia são João Paulo II – «a Verdade sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo» (Cf. Carta Encíclica Redemptoris Missio, 07.12.1990, n. 3; e Carta Encíclica Redemptor Hominis, 04.03.1979, n. 12).

Mas essa Verdade – como Jesus explicava – é parecida com a «semente» na mão do semeador (cf. Mt 13, 1-23; Mc 4, 1-20; Lc 8, 1-15). Pode perder-se no caminho, cair sobre as pedras ou entre espinhos, e morrer; ou pode cair numa boa terra e dar fruto.

Se procurarmos acolher a Verdade – com maiúscula -, a nossa vida irá sendo reflexo da vida de Cristo Jesus, e nada deste mundo poderá abalar a nossa fé.

Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (Mt 7, 24-27).

Uma casa que nem a chuva, nem o vento, nem as tormentas conseguirão derrubar.

Eu sou o Caminho. Olhe para Jesus Menino. Descobrirá que toda a vida dele – desde que nasceu até que subiu ao Pai -, é uma irradiação de exemplo, é a sinalização luminosa do caminho que leva para Deus.

É lógico que Cristo nos diga: Segue-me!… Porque nos quer bem. Ele nos compara às ovelhas que Ele, o Bom Pastor, conduz com segurança entre brumas, penhascos e perigos, até o lugar do repouso. Ele é o Bom Pastor, que anda na frente, marcando o rumo com as suas pegadas.

Se nos acostumarmos a ler e meditar todos os dias o Evangelho, para conhecer cada vez mais a fundo a vida e o exemplo de Cristo, entenderemos (e praticaremos) o que dizia São Paulo:

Progredi no amor, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou como oferenda e sacrifício de suave odor (Ef 5, 2).

O Amor cristão não é fumaça nem perfumaria; não é uma teoria, não é uma paixão que arde e se evapora. Ou ele se manifesta por obras e de verdade – com frase são João (1 Jo 3, 18) – ou é uma miragem. Deve se concretizar na prática das virtudes: deve ser um amor generoso, compreensivo, dedicado, paciente, constante, forte na adversidade, caridoso, gentil, prestativo, e justo e discreto… Um amor que cada dia cresce na entrega a Deus e ao próximo.

Eu sou a Vida. Com o olhar e o coração fixos no Menino, pensemos na terceira coisa que Ele nos diz: Eu sou a Vida. Jesus é Deus que se faz homem, para que o homem, de uma maneira que não há palavras para expressar, se faça «Deus», se torne – como dizia São Pedro – participante da natureza divina (2 Pe 1, 11). É um pensamento que – desde os primeiros séculos do Cristianismo – deixava pasmados os santos, inebriados de alegria e de agradecimento.

Significa que Jesus nos traz a graça divina, a «graça do Espírito Santo», que nos une intimamente a Ele e nos faz participar da sua própria Vida:

Da sua plenitude – diz São João – todos nós recebemos, e graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1, 17-18).

A graça do Espírito Santo, recebida pela primeira vez no Batismo, nos faz renascer para uma vida nova, transformando-nos em filhos de Deus. O Novo Testamento traz expressões belíssimas desse mistério. Por exemplo, São João afirma que a graça nos dá o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12). E São Paulo declara, com grande alegria, que, com a graça do Espírito Santo, recebemos o espírito de adoção como filhos, pelo qual clamamos: Abbá, Pai! Papai! (Rom 8, 15).

Jesus foi e será sempre a fonte de toda a graça, uma «fonte» que não para de jorrar. Aquele que tiver sede, venha a mim e beba (Jo 7, 37), diz-nos. E nos promete derramar em nós, sem medida, o Espírito Santo, amor de Deus que santifica.

As Sete Fontes

Jesus é como um manancial de onde brotam as sete fontes pelas quais nos vem principalmente a graça: os sete Sacramentos. Cada um deles nos une a Deus (e aos irmãos) de uma maneira própria.

O Batismo purifica-nos da culpa original e nos transforma – como víamos – em filhos de Deus; [Cristian: o Crisma é o óleo perfumado, e a Crisma é o Sacramento] Crisma dá-nos a força do Espírito Santo para sermos cristãos responsáveis, maduros e ativos no apostolado; a Reconciliação ou Confissão cura a alma doente e ressuscita a que está morta pelo pecado; a Eucaristia une-nos intimamente ao Sacrifício redentor de Jesus, que se faz Alimento, vida da alma, e oferece companhia de Amigo no Sacrário; o sacramento da Ordem faz com que os que recebem a ordenação sacerdotal (bispos e presbíteros) sejam instrumentos vivos de Cristo sacerdote, ajudados pelo ministério dos diáconos; o Matrimônio implanta a poderosa semente da graça sacramental e a caridade de Deus no amor dos esposos e dos pais; e a Unção dos Enfermos é a mão carinhosa de Jesus, que nos ergue da doença, ou – quando é o caso – nos encaminha definitivamente para o Céu.

E, assim, os sete Sacramentos, juntamente com as virtudes e com a força poderosa da oração – que é a respiração vital da alma do cristão – vão-nos identificando com Cristo, vão- nos transformando nEle, fazem com que pensemos como Cristo, sintamos como Cristo, amemos como Cristo, vivamos como Cristo. Isto é a vida cristã.

Depois de pensar nessas realidades, não acha que o Natal é o momento certo para nos perguntarmos, diante de Jesus Menino:

«Eu vivo como filho de Deus? A minha oração é uma oração de filho, cheia de entrega e de confiança? Posso dizer que o meu temor é filial, ou seja, que não temo que Deus me abandone ou me castigue, mas temo só magoá-lo, ofendê-lo? Cumpro os mandamentos com carinho de filho, ou com a má vontade do forçado? Tenho delicadezas de afeto filial para com Deus, para com Nossa Senhora? Enfim, eu poderia pôr o adjetivo filial em tudo o que penso, sinto e faço em relação a Deus?»

Com a ajuda do Menino-Deus e da sua Mãe santíssima, nós podemos viver assim. Pensemos, então nesta realidade: em cada Natal, Deus chega muito perto de nós; em cada Natal, Jesus – ultrapassando as barreiras do tempo – leva-nos para junto do Presépio; em cada Natal, Maria, a Mãe, oferece-nos o Menino, sob o olhar sorridente de José. E, em cada Natal, Jesus também sorri para nós e nos pergunta:

«Será agora? Será desta vez…? Confia» – diz-nos -, «eu nasci para te ajudar»

Publicado em Rumo à Santidade.

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São João da Cruz: doutor do “Tudo e Nada” – Memória – 14 de dezembro (Província Carmelitana Santo Elias)

São João da Cruz: doutor do “Tudo e Nada”

Hoje (14/12) celebramos São João da Cruz

Carmelita [Descalço] e doutor da Igreja

Ingressou na Ordem do Carmo aos 21 anos, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.

Obteve a permissão de observar os regulamentos com toda a exatidão possível sem procurar exceções em nada. Ao ser ordenado sacerdote pediu a Deus como especial presente que o conservasse sempre em graça e sem pecado e que pudesse sofrer com todo valor e com muita paciência toda classe de dores, penas e enfermidades.

Durante toda a sua vida, João da Cruz pediu a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Deus lhe concedeu uma qualidade especial: a de saber ensinar o método para chegar à santidade. E aquilo que ensinava de palavra às pessoas que dirigia, foi escrevendo e resultaram em livros tão importantes de mística e espiritualidade que a Igreja o declarou Doutor da Igreja. Alguns de seus livros mais famosos são “A ascensão do Monte Carmelo”, e “A noite escura da alma”.

Como poeta foi admirado por séculos por causa da musicalidade de suas poesias e da beleza de seus versos. É muito popular seu “Cântico Espiritual”.

Depois de três meses de sofrimentos muito agudos, o santo morreu em 14 de dezembro do ano 1591, aos 49 anos. Faleceu no Convento de Ubeda.

A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Doutor da Igreja

São João da Cruz foi beatificado por Clemente X no dia 25 de janeiro de 1675. Foi canonizado em dezembro de 1726 por Bento XIII e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI.

Doutor do “Tudo e Nada”, São João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição. Ele ensina que Deus é a plenitude do ser: Ele Se basta a Si mesmo e de nada precisa que esteja fora de Si para ser o que é. Por isso, podemos dizer com maior propriedade que Ele é o próprio Ser subsistente (ipsum esse subsistens), cuja essência consiste em ser por Si mesmo, ao passo que as criaturas só existem porque Deus, comunicando-lhes tudo o que têm, são e podem ser, constantemente por Ele sustentadas e não podem ter em si mesmas a razão de sua existência.

É sobre essa premissa metafísica que São João da Cruz irá construir toda a sua síntese espiritual. O conjunto da obra joanina, porém, se apresenta não tanto como esforço especulativo por compreender os mistérios divinos quanto como guia prático para se chegar à união com Deus, corolário que acaba por decorrer, como exigência vital, dos pressupostos filosóficos subjacentes à sua doutrina.

Com efeito, sendo Deus tudo e as criaturas, por assim dizer, um nada, a percepção de que dependemos inteiramente de nosso Pai celeste, do Qual recebemos tudo quanto somos, dará à mística do nosso Santo as feições que a caracterizam e a tornam reconhecível: o auto-esvaziamento, o desprendimento total e, por fim, a conformidade da vontade humana à divina.

A perfeição no Amor

Em seus escritos o santo carmelita também destaca que o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena”.

Para ele, o amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística.

“Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus”.

Seguem algumas de suas frases famosas

“Não se contentar com o que diz o confessor é orgulho e falta de fé.”

“A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.”

“O mais leve movimento de uma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas.”

“Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos.”

“Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e tudo para mim.” (Sobre a Eucaristia)

Ser a presença de Cristo

“Não faça coisa nenhuma nem diga palavra que Cristo não faria ou não diria se encontrasse as mesmas circunstâncias.”

“Renuncie aos desejos e encontrará o que seu coração deseja.”

“Que felicidade o homem poder libertar-se de sua sensualidade! Isso não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então se verá claramente como era miserável a escravidão em que estava.”

“Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão.”

“Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós.”

“A pessoa que está presa por afeto a alguma coisa, mesmo pequena, não alcançará a união com Deus, mesmo que tenha muitas virtudes. Pouco importa se o passarinho está com um fio grosso ou fino, ele ficará sempre preso e não poderá voar.”

“Para possuir Deus plenamente é preciso nada ter, porque, se o coração pertence a Ele, não pode se voltar para outro.”

“O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus.”

“O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a essa mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado.”

“Dar tudo pelo tudo”

“A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta a cima.”

“A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente.”

“O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em se despojar e sofrer pelo amado.”

“O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.”

“Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por ele.”

“Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas.”

“Queira torna-te, no padecer, algo semelhante a este nosso grande Deus, humilhado e crucificado, pois que esta vida só tem razão de ser se for para imitá-lo.”

“Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua vida e tranquilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta.”

“Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio nenhum, a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisso encontra todo seu lucro.”

“Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde.”

Fonte: Canção Nova Notícias, Comunidade Shalom e site do Padre Paulo Ricardo.

Publicado em Província Carmelitana Santo Elias.

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A Solenidade de Cristo Rei surgiu num contexto perturbadoramente semelhante ao nosso (Aleteia)

A Solenidade de Cristo Rei surgiu num contexto perturbadoramente semelhante ao nosso

Instituída pelo Papa Pio XI em 1925, a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, [encerra hoje] o ano litúrgico ao celebrar Jesus como o Rei de tudo e de todos e nos recordar que somos parte do Seu Reino – um Reino que não é deste mundo, mas que podemos alcançar desde agora mediante as graças que Deus nos concede para nos santificar e para ajudarmos os nossos irmãos a se transformarem pelo amor.É esta, aliás, a missão da Igreja, conforme nos explicou em 2012 o Papa Bento XVI, ao presidir esta mesma solenidade:

“Com o Seu sacrifício, Jesus nos abriu a estrada para uma relação profunda com Deus: n’Ele nos tornamos verdadeiros filhos adotivos, participando assim da Sua realeza sobre o mundo. Ser discípulos de Jesus significa, portanto, não nos deixarmos fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus”.

Afinal, o próprio Jesus afirmou:

“Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo” (Jo 18,37).

O atual Papa Emérito também relacionou o Rei Cristo Jesus com a oração do Pai-Nosso, observando que o pedido “Venha a nós o Vosso Reino” equivale a dizer a Jesus:

A festa de Cristo Rei foi instituída pelo Papa Pio XI num contexto que guarda chamativas semelhanças com o nosso tempo – se não nas formas, que agora parecem mais “sutis” por priorizarem a guerra cultural sobre a força física, certamente no fundo, que prega um mundo materialista e abertamente limitador da fé.

Governos enfaticamente opressores da fé

Em 1925, o comunismo era imposto à Rússia e a territórios vizinhos mediante uma violência avassaladora. A visão comunista do mundo e do ser humano é essencialmente materialista: afirma que só existe esta vida, restringe liberdades fundamentais que derivam da nossa natureza espiritual, impede a transcendência e, por consequência, impõe o ateísmo teórico e prático – e literalmente o impõe, proibindo as pessoas de viverem a própria fé e as obrigando a servirem a um novo deus: o Estado, capitaneado por um grupo de “camaradas” que se digladiam para permanecer no poder esmagando qualquer inimigo sem chance de diálogo.

Diante de governos que procuravam por todos os meios e com toda a virulência implantar a própria visão materialista de mundo, restringindo abertamente a prática da fé em Deus, o Papa Pio XI escreveu:

“Se todo o poder foi dado ao Senhor Jesus, no céu e na terra; se os homens, resgatados pelo Seu sangue preciosíssimo, se tornam, com novo título, súditos do Seu império; se, finalmente, este poder abraça a natureza humana em seu conjunto, é claro que nenhuma das nossas faculdades pode subtrair-se a essa realeza. É preciso, pois, que Ele reine em nossas inteligências: com plena submissão, com adesão firme e constante, devemos crer nas verdades reveladas e nos ensinamentos de Cristo. É preciso que Ele reine em nossas vontades: devemos observar as leis e os mandamentos de Deus. É preciso que Ele reine em nossos corações: devemos mortificar os nossos afetos naturais e amar a Deus sobre todas as coisas” (Encíclica Quas Primas, 34).

Em 1969, [São] Paulo VI deu à solenidade o seu atual título completo: Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Também foi ele quem estabeleceu como data desta grande festa o último domingo do ano litúrgico.

Uma vez encerrado o ano litúrgico na Solenidade de Cristo Rei, a Igreja se prepara agora para entrar no Advento, o tempo da espera pelo Nascimento do Salvador.

Como ao longo de toda a história, não faltarão Herodes para tentar matá-lo. E, como ao longo de toda a história, cada um deles fracassará.

Viva Cristo Rei!

Publicado em Aleteia.

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SANTA TERESA DE ÁVILA

Hoje, 15 de outubro, celebramos a festa litúrgica de Santa Teresa d’Ávila, também conhecida como Santa Teresa de Jesus.

Teresa Sanchez Cepeda D’Ávila y Ahumada nasceu no dia 28 de março de 1515.

Você sabia que Santa Teresa era uma mulher lindíssima, alegre, vivaz e de personalidade singular? Ela exalava o prazer de viver e era apaixonada por Jesus Cristo. Suas experiências com Deus mostraram que mesmo sendo humana, possuía muita espiritualidade.

Em uma época de sua vida, mais precisamente em 1556, Teresa vivenciou o fenômeno místico da transverberação.

“Quis o Senhor que eu tivesse algumas vezes esta visão: eu via um anjo perto de mim, do lado esquerdo, em forma corporal, o que só acontece raramente. Muitas vezes me aparecem anjos, mas só os vejo na visão passada de que falei. O Senhor quis que eu o visse assim: não era grande, mas pequeno, e muito formoso, com um rosto tão resplandecente que parecia um dos anjos muito elevados que se abrasam. Deve ser dos que chamam querubins, já que não me dizem os nomes, mas bem vejo que no céu há tanta diferença entre os anjos que eu não os saberia distinguir.
Vi que trazia nas mãos um comprido dardo de ouro, em cuja ponta de ferro julguei que havia um pouco de fogo. Eu tinha a impressão de que ele me perfurava o coração com o dardo algumas vezes, atingindo-me as entranhas. Quando o tirava, parecia-me que as entranhas eram retiradas, e eu ficava toda abrasada num imenso amor de Deus. A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus. Não se trata de dor corporal; é espiritual, se bem que o corpo também participe, às vezes muito. É um contato tão suave entre a alma e Deus que suplico à Sua bondade que dê essa experiência a quem pensar que minto.”

(Santa Teresa d’Ávila, O Livro da Vida, capítulo 29, n. 13)

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Escultura “O Êxtase de Santa Teresa”, por Gian Lorenzo Bernini, na Igreja de Santa Maria della Vittoria (Roma).

Para a teologia espiritual esta é a maior união mística que o ser humano pode alcançar. Inclusive seu coração permanece incorrupto, num relicário e apresenta uma fenda que o transpassa – a transverberação marcou fisicamente o coração de Santa Teresa.

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Coração de Santa Teresa d’Ávila num relicário, no Mosteiro da Anunciação de Nossa Senhora das Carmelitas Descalças, em Alba de Tormes (Salamanca).

Em 1567 Teresa conheceu o então Frei João da Cruz (São João da Cruz), que foi seu grande amigo e conselheiro espiritual. Juntos, atenderam o chamado de Deus para “reformarem” o Carmelo, ela no feminino e ele no masculino. Ela conseguiu fundar mais de 32 mosteiros e juntos recuperaram o fervor primitivo de muitos carmelitas. O amor foi o segredo do seu legado.

Teresa morreu no dia 04 de outubro de 1582.

Em 1614 foi beatificada, em 1622 canonizada e, em 1970, foi proclamada Doutora da Igreja. Quando proclamou seu doutoramento como mater spiritualium, o Papa Paulo VI disse sobre ela: “uma mulher excepcional, como uma religiosa que, coberta inteiramente pelo véu da humildade, da penitência e da simplicidade, irradia a sua volta a chama da sua vitalidade humana e do seu dinamismo espiritual, incomparável na contemplação e infatigável na ação. Como é grande, como é única, como é humana e como é atraente essa figura!”

Santa Teresa é tida como um grande gênio da humanidade e é considerada a padroeira dos Professores. Até mesmo ateus e não-católicos consideram sua inteligência e sabedoria. Santo Afonso Maria de Ligório, também doutor da Igreja Católica, a considerava tão especial que a escolheu como patrona e se consagrou como seu filho espiritual.

Santa Tereza D’Ávila deixou muitos escritos, que ainda hoje são atuais: “Livro da vida (autobiografia)”, “O Caminho de Perfeição”, “Castelo Interior ou Moradas”, “Relações”, “Fundações”, “Conceitos do Amor de Deus”, “Modo de visitar os conventos”, “Correspondência” e “Poemas”.

Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!

Fontes:

Publicado em Católico em Oração.

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