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Posts Tagged ‘O amor rega o Jardim…’

Nossa vida é um combate diário

Nossa vida é um combate diário, por isso precisamos usar as armas necessárias de cada dia e enfrentar o combate de cabeça erguida. Lutar sempre, desistir jamais, é isso que quero partilhar com você. Sei que não é fácil, mas é possível, sim, enfrentar o combate diário. Somos templo do Espírito Santo e Deus está em nós. Deus habita em nosso coração, em nossa casa. Não precisamos ter medo, por maior que seja a batalha. Vamos fechar todas as brechas do coração e da nossa casa para o inimigo não entrar.

Meu coração e o seu coração precisam estar vibrantes, desejando o Céu, pois fomos feitos para a eternidade. O Céu é o nosso lugar. Isso é fundamental para entendermos os combates pelos quais passamos. Quando tenho um olhar espiritual, entendo que sou do Céu, mas como peregrino neste mundo, preciso permanecer firme e com foco em Jesus. Isso me ajuda a não desistir e a entender que tudo vai passar.Nossa vida é um combate diário

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Diante do Evangelho de Mateus, eu me pergunto e pergunto a você: como está o meu desejo de Céu? Como está o meu desejo de entrar no Céu? Viver é bom, mas só vale a pena se for para viver com Cristo. Diariamente, tenho orado para que eu nunca tire dos meus olhos esse desejo de trilhar e chegar à meta do homem perfeito, da estatura do homem perfeito, Jesus. Chegar ao Céu é uma luta diária.

É só na oração que vencemos o combate

Aqui, na Canção Nova, aprendemos que a nossa vida precisa ser uma vida de oração, porque é só na oração que vencemos o combate, e a oração nos traz disciplina, determinação, coragem para não pararmos nos problemas que enfrentamos. Ou eu assumo que tudo posso Naquele que me fortalece ou não adianta nem proclamar essa frase.

Deus tem para nós a obra de salvação, mas o inimigo tem a obra da destruição. Ele tira das famílias o desejo do Céu, a oração, e destrói a família que vive intensamente a Palavra do Senhor. Satanás quer fazer com que você e eu desistamos do Céu, da santidade. Nossa vida é um combate, sim, mas nós somos vencedores!

Largue tudo, não tenha medo, traga a vocação primária, que é a santidade. Queira ser um homem diferente, uma mulher diferente, para que as pessoas consigam olhar para você e falar: aquele homem é um homem de Deus, aquele casal busca o Céu.

(…)

Se você é um cristão autêntico, tem que passar por tribulações, pois essa é a garantia para se chegar à vitória. Quando eu entendo o Céu, eu assumo a cruz e não a largo de jeito nenhum. Todos nós devemos viver intensamente correndo atrás da nossa santidade, enfrentando as batalhas de cada dia, carregando a cruz de cada dia e acreditando que Deus está conosco. Não sabemos quando o Senhor virá, e por isso devemos orar e vigiar diariamente. Porém, eu só viverei assim se tiver um entendimento concreto de que o Céu é o meu lugar e de que estou neste mundo, mas não pertenço a ele.

Peço ao Senhor que você seja impregnado da certeza do Céu, do desejo do Céu. Por isso, coragem, nossa vida em Deus é um combate diário, mas vamos vencer.

Trecho extraído do livro “Lutar sempre desistir jamais“, de padre Bruno Costa.

Publicado em Formação Canção Nova.

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Solenidade da Epifania do Senhor

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos neste domingo, dia 2 de janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 6 e agora celebrada no domingo entre 2 a 8 de janeiro. Esse ano é logo no dia 2, após a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, devido ao calendário civil. No outro domingo, dia 9 de janeiro, já celebraremos a Festa do Batismo do Senhor, encerrando o tempo do Natal.

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino. A Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós e, por meio do nascimento de um menino, a humanidade é chamada a viver o amor.

A Solenidade da Epifania remonta ao dia em que os três reis magos, guiados pela estrela, chegam a Belém e adoram o menino Deus. O nome dos três reis magos são Baltazar, Melchior e Gaspar. Hoje, cada um de nós é convidado a ir ao presépio e adorar o menino Deus e oferecer-Lhe os nossos presentes. O maior presente que poderemos oferecer ao menino Deus é o nosso coração.

Os magos oferecem ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra. Eles ofereceram os seus próprios dons que traziam consigo, da mesma forma nós hoje somos convidados a oferecer os nossos dons ao Senhor. Os dons que ofereceremos ao Senhor nessa Eucaristia não são mais o ouro, o incenso e a mirra, mas o dom da fé diante do corpo e sangue do Senhor que nos é oferecido na Eucaristia.

A primeira leitura da missa de hoje é do livro do profeta Isaías (Is 60, 1 – 6). O profeta pede para o povo levantar-se e acender as luzes, pois a luz chegou. O profeta Isaías, anos antes do nascimento de Jesus, prevê o que aconteceria com o nascimento de Jesus, a luz iluminaria as trevas e aqueles que andavam sob a sombra do pecado, encontrariam a luz. O profeta prevê a manifestação de Deus sobre Israel e sobre o mundo. E, ainda, que tempos de paz surgiriam com o nascimento de Jesus. Nós hoje da mesma forma devemos nos alegrar com essa luz que vem do Senhor.

O salmo responsorial é o 71 (72). Deus se manifesta a todos os povos e todos os povos devem adora-Lo. Deus quis manifestar-se a todas as nações, Ele não quis revelar-se a apenas uma nação, por isso, todos os povos devem buscar N’Ele a salvação.

A segunda leitura é da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 3, 2-3a. 5-6). O apóstolo revela que a salvação de Deus é para todos e para todos aqueles que de coração sincero se abrissem ao arrependimento. Deus concede ao apóstolo a missão de levar adiante a mensagem do Evangelho da salvação e que a salvação não é somente para Israel, mas para todos os povos do mundo.

O Evangelho é de São Mateus (Mt 2, 1-12). Mateus relata como os três reis magos buscaram informações a respeito do nascimento de Jesus, a partir do momento em que viram brilhar a estrela no céu. Foram até Jerusalém ter com Herodes e perguntaram se ali que deveria nascer o “Rei dos Judeus”. Herodes fica nervoso, pois achava que somente ele deveria ser o Rei de Israel e, evidentemente, não entende que o reinado de Jesus não era de maneira alguma igual ao dele.

Herodes se reúne com os sumos sacerdotes e mestres da Lei e começam a pesquisar onde deveria nascer o “rei dos Judeus”. Eles chegam à conclusão que seria em Belém de Judá. Herodes procura saber dos Magos quando a estrela apareceu e os envia a Belém para que depois eles lhes trouxessem informações a respeito do nascimento do menino. Mas os magos foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes, pois ele tinha a intenção de matar o menino Jesus, pois estava com raiva.

Os magos chegam ao local onde se encontrava o menino com Maria e José e se prostram diante dele e o adoram. Os magos lhe oferecem presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro por causa da realeza do Menino Jesus, o incenso devido a sua divindade e a mirra devido a sua humanidade, pois além de Deus, ele era Humano. E a mirra seria o mesmo óleo que Jesus seria ungido após a sua morte. Os magos oferecem ao menino Jesus tudo aquilo que eles tinham de mais sagrado, de mais valioso.

Podemos nos perguntar: o que eu ofereço ao Senhor? Que presente eu trago para dar a ele? Com certeza não é mais ouro, incenso ou mirra, mas poderemos oferecer a ele o presente mais valioso que é a nossa vida. Dedicarmos tempo ao Senhor, colocá-lo em primeiro lugar e não em segundo plano. E viver uma vida longe do pecado.

Participemos com alegria da missa da Solenidade da Epifania do Senhor, dentro, ainda, do tempo do Natal. Olhemos para o presépio e adoremos o menino Deus que acabara de nascer. Que Ele se manifeste a cada um de nós e à humanidade inteira, revelando o plano de amor para todos os povos.

Que a Virgem Maria interceda por nós em nossa caminhada e ela nos ajude a conservarmos e guardar tudo em nosso coração.

Publicado em vaticannews.va.

Imagem: Gaudium PressEpifania: um convite a sermos gratos ao Senhor (02.01.2022)

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01.01.2022

Iniciamos o ano civil com a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (Theotókos). Esta comemoração ocorre dentro das festividades de Natal , para relembrarmos o nascimento de Jesus, o Filho de Deus. De acordo com a tradição, é a primeira Festa Mariana da Igreja Ocidental e começou a ser celebrada em Roma no século VI. Desta forma, esta Festa Mariana encontra seu marco litúrgico no Natal e ao mesmo tempo em que todos os católicos começam o ano novo pedindo a proteção da Santíssima Virgem Maria.

O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso. Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura, recordando este nascimento, diz: Envolveu-o em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que o amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo nascimento deste Primogênito. O anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já o anunciara a Maria; não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (cf. Lc 1,35 Vulg.), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.

São Paulo em sua carta aos Gálatas 4, 4 diz de Jesus: “… mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a lei“, para indicar que, como um homem de Deus, necessariamente, tinha que ter uma mãe. É a grande demonstração de um Deus que nos amou e assumiu nossa humanidade, exceto o pecado. Aqui podemos observar que Maria aparece ligada ao mistério central da reconciliação. Esse relacionamento único é trazido com particular importância no momento da chegada de Deus na história humana, através da cooperação livre da Mulher, que é a Virgem Maria. Ela é o ponto de união entre o céu e a Terra. Dessa forma, Maria nos une a Deus e às pessoas, os homens e as mulheres de boa vontade.

Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo.

Texto: com informações de Academia Marial de Aparecida

Publicado em Basílica Santuário de Nazaré – Padres Barnabitas.

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Queridos paroquianos,

Na mensagem de Natal deste ano quis unir e partilhar com vocês três breves pensamentos de autores diferentes: do doutor da Igreja São Leão Magno, do padre espanhol Fernández Carvajal e do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar.

            Certamente os festejos natalinos deste ano serão  diferentes de todos os que a nossa geração já vivenciou até agora. Se ficarmos limitados aos acontecimentos sociais, culturais e da área da saúde, talvez  não encontremos motivos para nos alegrar e festejar. Praticamente desde o início deste ano, o medo e a preocupação causados pelo covid-19, vêm tomando conta da nossa forma de viver. Mas, espiritualmente somos convidados a encontrar em Jesus, no Menino-Deus, a alegria e a esperança para a nossa vida. Assim escreveu São Leão Magno: “Não pode haver tristeza quando nasce a Vida. Dissipando o temor na morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nessa felicidade”. Não pode existir tristeza no dia do nascimento da Alegria! Sim, Jesus é a nossa Alegria, motivo primeiro e ápice de toda a nossa existência. No dia em que Deus veio nos visitar, e morar entre nós, temos que acolher jubilosos em nosso coração o belíssimo anúncio do anjo, na ocasião para os pastores e hoje para todos nós: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa-Nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 10-11).

O texto bíblico relata que após o anuncia do anjo, os pastores foram à Belém procurar o Menino Jesus. Assim como eles, nós devemos procurá-lo e encontrá-lo, não apenas na noite de Natal, mas em todos os dias. O padre Fernández Carvajal, ao escrever uma homilia natalina, destacou: “Se Deus se fez homem e me ama, como não procura-lo? Como perder a esperança de encontrá-lo, se é Ele que me procura?” Foi Jesus, o Emanuel, que desceu do céu para vir ao nosso encontro. A iniciativa foi d’Ele! Isso é uma demonstração claríssima do seu amor benevolente por nós. Este encontro de Deus com a nossa fragilidade humana, nos enche de profunda esperança. Quando contemplamos o seu nascimento não temos dúvidas do quanto Ele nos ama. E ao contemplarmos este amor, só nos resta retribuí-lo com amor e com gratidão. Gratidão por mais um Natal que estamos celebrando, por mais um ano que estamos concluindo, mesmo que tenhamos passado por alguns contratempos. Não esqueçamos que a doce presença do Menino de Belém tem nos acompanhado até agora, e nos acompanhará por todo o sempre. Entendamos uma coisa, Ele veio nos procurar para que encontrados por Ele encontremos o único motivo que nos dá  sentido de viver para além das circunstâncias adversas que estamos passando. E que o nosso encontro com Ele seja feito, não somente na noite de Natal, mas em todos os dias deste Novo Ano.

Na dinâmica cotidiana do encontro de Jesus com cada um de nós, o teólogo Von Balthasar, ressalta que: “Com o nascimento de Jesus, se iniciou para nós uma história de amor onde Deus é o roteirista, o Espírito Santo é o diretor, Jesus é o ator principal e nós somos os coadjuvantes”. Ou seja, com o Natal passamos a participar de uma belíssima história de amor onde a Trindade e cada um de nós tem um papel importantíssimo a desempenhar. Deus é o roteirista, é Ele quem escreve a nossa história. O Espírito Santo é o diretor, é Ele quem dirige e guia nossa vida. Jesus é o protagonista, é o ator principal com quem contracenamos. Somos os coadjuvantes! Sendo assim, para que esta história tenha um desfecho feliz, precisamos aceitar o roteiro que Deus escreveu para nós, precisamos nos deixar guiar pelo o Espírito Santo em todos os momentos e precisamos contracenar com Jesus. Ele é o protagonista, Ele é o centro de tudo! Temos que estar com Ele o tempo todo, em todas as cenas da nossa vida, nos momentos de dor e de alegria, de enfermidade e de saúde, de perdas e ganhos.

Queridos paroquianos, o Natal é este momento onde Jesus, a nossa Alegria, o Protagonista da nossa vida, mais uma vez quis, por iniciativa própria, vir conviver conosco e nos salvar.  É Natal! Não estamos sozinhos! O Emanoel, o Deus-conosco, está entre nós.  Ele nasceu para dissipar as nossas dores, doenças, medos e morte. Celebremos este grande acontecimento ao lado da Virgem Maria e de São José. Que eles intercedam por nós. Por todos os nossos familiares e amigos que são os presentes mais preciosos que o Senhor nos concedeu.

Meu afetuoso abraço a todos vocês, queridos paroquianos e filhos espirituais. Contem sempre com as minhas orações e rezem por mim também.

Um feliz e santo Natal para todos!

Um ano novo preenchido da presença de Jesus!

Padre e amigo Antônio José (Pascom Sje).

Publicado em Paróquia São João Evangelista.

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O agente da Pastoral Familiar Gerardo Carvalho Frota, da paróquia de Nazaré, na arquidiocese de Fortaleza (CE), enviou para o Portal Vida e Família um cordel sobre o presépio, com o título Presépio: Sinal do Natal Cristão.

Também conhecido por Pardal, Gerardo é professor, jornalista e poeta cordelista. Sua composição foi feita após a última reunião da Pastoral Familiar, na qual o padre diretor espiritual fez uma explanação sobre os personagens do presépio.

Confira:

PRESÉPIO: SINAL DO NATAL CRISTÃO

Foi na cidade de Creccio (*)
Que Francisco viu uma gruta
O Santo achou parecida
Com a manjedoura impoluta
Que o menino-Deus nasceu.
Nesta hora apareceu
Uma ideia resoluta:

São Francisco quis fazer
Ao vivo o acontecimento
Do Natal ali na gruta
Pro nosso contentamento.
Conta pra João Velita
Que achou a ideia bonita
E ajudou no grande intento!

Veja o que Francisco fez
Como ele preparou
Naquela gruta o PRESÉPIO
Um burrinho e um boi e levou.
Encheu a concha de feno
Nela de um Jesus pequeno
Uma imagem colocou.
____________________
(*) Cidade italiana na região de Lazio

Camponeses e pastores
Dos vales das regiões
Se aproximaram da gruta
Cantando bela canções.
Vinham com fachos de luz
Era o Natal de Jesus
Alegrando os corações!

À meia noite uma missa
Na gruta então foi rezada.
Os frades vinham de longe
De região afastada
E ao redor do grande altar
Todos ali a coroar
Uma festa inusitada.

Logo depois do evangelho
O santo a todos pregava
Discorreu sobre o mistério
Que Deus nos proporcionava.
Era tão grande a alegria
Que até os lábios lambia
Quando de Jesus falava!

Ao pronunciar “Belém”
A sua voz parecia
Com a de um anjo de paz
Pois o que ali acontecia
Neste verso verbalizo:
“A noite no paraíso”
Por tão perfeita alegria!

Depois de contada a história
De como o Santo de Assis
Teve a ideia do presépio
Como uma força motriz.
Veja agora os personagens
Do PRESÉPIO e suas mensagens
Pra tornar um Natal Feliz.

O primeiro personagem
Foi o ANJO anunciador
O famoso GABRIEL
Vindo de Nosso Senhor
Para dizer à MARIA
A grande Graça e alegria
De gestar o SALVADOR!

Maria sem entender nada
Quando ouviu a saudação
Do anjo que lhe abordava
Estremeceu o coração.
Com a divina sapiência
Ela mostrou obediência
Disse SIM como opção…

Depois vemos São José
Que foi o pai adotivo
De Jesus Menino-Deus
Que num momento furtivo
Achou que tinha certeza
De abandonar sua princesa
E tentou criar um motivo.

Temos o mais importante
O Jesus Filho de Deus
O Menino que nasceu
Para a salvação dos seus.
Aquele já anunciado
Por profetas do passado
Desde os tempos dos hebreus.

Nasceu num ambiente pobre
Uma espécie de curral
Onde só tinha capim
Comida para animal.
Fizeram um berço e em Jesus
Se agasalhava uma luz
Pra dissipar todo o mal!

Temos o jumento e o boi
Que ali estão representando
O jumento são os pagãos
Que Jesus está chamando
Para uma conversão
À humildade do cristão
Que estava se inaugurando.

O boi então representa
A força também a bondade
Do povo de Deus o hebreu
O sacrifício e a humildade.
O jumento e o boi se encontram
Pra acabar o que lhes afrontam:
Desunião e má vontade…

Temos também os pastores
Homens marginalizados
Pessoas que a sociedade
Via cheios de pecados.
Enquanto o Menino-Deus
Tinha como filhos seus
Muito bem abençoados…

Tem as figuras dos anjos
Anunciando aos pastores
A chegada do Messias
Com suas vozes de cantores:
“Glória a Deus Pai de bondade
E aos homens de boa vontade
Que da paz são construtores”.

As ovelhas por sua vez
Tinham ali o seu ofício
Um símbolo que Jesus
Veio para o sacrifício
Por todos nós pecadores
Pra nos libertar das dores
Que trazem tanto suplício.

Um sinal no céu surgiu
Tipo uma estrela cadente
Os reis magos entenderam
Que o menino no oriente
Nasceu conforme o profeta
Traçaram logo uma meta
Para lhe entregar presente!

Melchior e Baltasar
E Gaspar ofereceram
Presentes: Incenso e Mirra
E o Ouro que enalteceram
O menino ora nascido
O esperado o prometido
Por vates que O antecederam.

Cada presente que deram
Tinha uma significação
O ouro era a realeza
A mirra era a paixão.
O incenso era divindade
De Jesus junto à Trindade
Desde a sua criação…

Depois de contar a história
Do presépio e suas figuras
Bom será nos perguntar:
Como estão nossas fissuras
Na mente e no coração
Na hora de ser cristão
Temos fortes estruturas?

Natal comercializado
É o que tem o papai noel
De lucro desenfreado
De venda feita a granel.
Enquanto o maior presente
Deve estar dentro da gente
Que é Jesus o Emanuel…

Nosso natal é o cristão
Pois queremos renascer
Numa conversão contínua
Para o amor sempre viver
Um eterno natal de luz
Em que o Menino Jesus
Alimente nosso ser!
FIM
Fortaleza, dezembro/2020

Autor: Gerardo Carvalho Frota (Pardal)

Publicado em Porta vida e Família.

Leia mais:

O primeiro presépio foi de São Francisco

O presépio é talvez a mais antiga forma de caracterização do Natal. Sabe-se que foi São Francisco de Assis, na cidade italiana de Greccio, em 1223, o primeiro a usar a manjedoura com figuras esculpidas formando um presépio, tal qual o conhecemos hoje. A idéia surgiu enquanto o santo lia, numa de suas longas noites dedicadas à oração, um trecho de São Lucas que lembrava o nascimento de Cristo. Resolveu então montá-lo em tamanho natural, em uma gruta de sua cidade. O que restou desse presépio encontra-se atualmente na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

Presépio significa em hebraico “a manjedoura dos animais”, mas a palavra é usada com freqüência para indicar o próprio estábulo. Jesus ao nascer foi reclinado em um presépio que provavelmente seria urna manjedoura, como as muitas que existiam nas grutas naturais da Palestina, utilizadas para recolher animais. Outra versão é que o presépio de Jesus era feito de barro, aproveitando-se uma saliência da rocha e adaptando-a para tal finalidade. Esta é, sem dúvida, a versão mais aceita.

O presépio de São Francisco incluía uma manjedoura, acima da qual foi improvisado um altar. Nesse cenário ocorreu a missa da meia-noite, na qual o próprio santo com a vestimenta de diácono cantou o Evangelho juntamente com o povo simples e pronunciou um sermão sobre o nascimento do Menino Jesus.

Conta-se que naquela noite especial, enquanto o santo proferia as palavras do Evangelho sobre o nascimento do Menino Jesus, todos os presentes puderam ver uma criança em seu colo, envolvida em um raio de luz. A cena foi narrada em 1229 por Tommaso da Celano, biógrafo de São Francisco de Assis. Desde então, os presépios foram se tornando cada vez mais populares e, além das figuras tradicionais do Menino Jesus deitado na manjedoura, Maria e José, acabaram incluindo uma enorme variedade de personagens como os pastores, os Reis Magos, a estrela e os animais.

No Brasil, em muitos estados do Nordeste, até hoje a montagem dos presépios é acompanhada de danças e festejos conhecidos como Pastorinhas, versões brasileiras dos autos de Natal, que eram encenações do nascimento de Jesus típicas de algumas regiões da Europa, como a Provença, na França.

Publicado em Paróquia N.Sra. Mãe da Divina Providência.

Imagem: Paróquia N.Sra. da Divina Providência.

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Viva Cristo Rei!

Sabe-se que a Igreja encerra seu Ano Litúrgico com a Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. No entanto, poucos se dão conta de que se trata de uma festa relativamente recente, pois só foi instituída em 1925, portanto há menos de cem anos.

Mas o que levou o papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica de seu pontificado à criação de uma festa de Cristo Rei? (cf. carta encíclica Quas primas, 11/12/1925).

No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anti-clericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.

É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorreto”, o papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da humanidade.

Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anti-clerical, o Vigário de Cristo na terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Com esta solenidade o Papa Pio XI esperava algumas mudanças no cenário mundial:

Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).

Que os líderes das nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).

Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).

Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.

Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.

Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. É isto que nos recorda o Catecismo da Igreja Católica em seu número 677. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição. A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.

É assim que, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos mártires Cristãos de nossa história recente. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “viva Cristo Rei!”

Fonte: Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr.

Publicado em Diocese de Miracema do Tocantins.

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Honrar a Deus

A esperança é a virtude teologal (dom de Deus), que nos faz desejar como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo, apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo (cf. CIC §1817).

A Carta aos hebreus diz: “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). São Tito disse que por Jesus Cristo, nosso Salvador, fomos justificados e nos tornamos “herdeiros da esperança da vida eterna” (Tt 3,6-7). “Nossa esperança não pode ser incerta, pois que ela se apoia nas promessas divinas” (S. Agostinho).

A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no nosso coração e purifica-a, para ordená-las ao Reino dos Céus. Ela nos protege contra o desânimo; anima-nos diante de nossa fraqueza; faz o nosso coração desejar a bem-aventurança eterna.

Nada estará perdido enquanto estivermos em busca. Quanto maior a esperança, tanto maior a união com Deus, porque em relação a Deus, quanto mais se espera, tanto mais se alcança.

A força da Esperança também nos defende do egoísmo e nos leva a felicidade da caridade.

A esperança cristã é como a esperança do povo de Deus, a esperança de Abraão, Isaac e Jacó, fortalecida nas promessas de Deus, e purificada pelo sacrifício. “Abraão, contra toda a esperança, acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos” (Rm 4,18).

A esperança cristã se manifesta no anúncio das bem-aventuranças; elevam nossa esperança ao céu, e traçam o caminho por meio das provações da vida. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na “esperança que não decepciona” (Rm 5,5). A esperança é a âncora da alma, segura e firme, “penetrando… onde Jesus entrou por nós, como precursor” (Hb 6,19-20).

A esperança é também é uma arma que nos protege no combate da salvação: “Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação” (1 Ts 5,8). Ela nos traz alegria mesmo na provação: “alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação” (Rm 12,12).

A esperança se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.

Em qualquer circunstância, devemos esperar, com a graça de Deus, “perseverar até o fim” e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo.

Santa Teresa de Jesus, disse:

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar” (Exclamações da alma a Deus, 15,3).

Como Santo Agostinho digamos: “Ainda singramos o mar, mas já lançamos em terra a âncora da esperança”. “Quanto mais no curso desta vida gozamos de Deus, ainda que em espelho e mais ardentemente desejamos terminá-la (1 Cor 13,12), com mais tolerância suportamos essa nossa peregrinação em direção a Deus”.

Prof. Felipe Aquino

Leia também: Maria, Mãe da Santa Esperança

Santificados pela Esperança

Assista também: Não podemos perder a esperança!

Publicado em Editora Cléofas.

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Todos os Santos que estão com Cristo na glória. Na mesma celebração festiva, a santa Igreja ainda peregrina sobre a terra venera a memória daqueles cuja companhia alegra os Céus, para que se estimule com o seu exemplo, se conforte com a sua proteção e com eles receba a coroa do triunfo na visão eterna da divina majestade.

Neste dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu, “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa –, para render homenagem àquela multidão de santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: 144 mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão”. “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Ap 7,4-14) Essa imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou por meio da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá, “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas orações eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de santos em seus filhos. 

Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isso no Céu. A missa de Todos os Santos foi composta acidentalmente, mas é bela: O Introito de Santa Ágata, o Gradual de São Ciríaco, o Ofertório adaptado do de São Miguel, alia-se à Aleluia e à Comunhão tirada dos textos evangélicos. O Evangelho é o das Beatitudes.

Todos os Santos do Céu,  rogai por nós!

Oração – “Ó, Deus, onipotente e eterno, que pela força do Vosso Espírito Santo santificastes a vida de tantos fiéis que Vos serviram ao longo de todos os tempos e em todos os lugares, testemunhando a Vossa grandeza, amor e bondade, fazei que, pela intercessão deles, cheguemos, também, à felicidade eterna, na companhia de Vosso Santíssimo Filho Jesus Cristo, de Nossa Senhora e de todos os Santos. Amém.”

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5 Presentes que ganhamos lendo o Santo do Dia

Você sabe porque é muito importante ler a vida do Santo do dia?

Os verdadeiros seguidores e discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo colocaram em prática na sua vida a doutrina e os ensinamentos da Santa Igreja.

Jovens ou velhos, religiosos ou seculares, pais ou mães de família, meninos ou meninas, eles tiveram problemas, dificuldades e tentações. Lutaram e venceram. Ou, caíram no pecado, se arrependeram e e reergueram com a graça de Deus, como Santo Agostinho.

Como venceram a ira, a preguiça, a inveja, os maus desejos e todas as demais tentações? Que fizeram para se protegerem do mal? Para se fortalecer e progredir,  vencer e triunfar?

Lendo a vida dos Santos, encontraremos as respostas.

Santo Cura d’Ars lia todos os dias a vida do santo de cada dia e dizia:

“Leiamos sobretudo a vida de algum santo, donde veremos o que eles faziam para se santificar. Isto nos animará”.

1) Com os Santos, nunca estamos sozinhos

Como diz São Paulo na Carta aos Hebreus (12,1) “estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas” A Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não apenas como uma instituição, mas uma autêntica família. Os santos mártires, confessores, doutores, as virgens, os santos pastores e todos os demais santos são realmente nossos irmãos que nos precederam no caminho da Fé e já estão no Céu, para onde também iremos nós, pela graça de Deus.

2) Os Santos são exemplos, amigos e verdadeiras imagens de Cristo

Os Santos, e sobretudo a Rainha de todos os Santos, Maria Santíssima, constituem para a Igreja e para nós exemplos, intercessores, amigos, protetores e mestres. Neles o próprio Cristo se manifesta, como diz o mesmo Jesus: Quem vos escuta, a Mim escuta (Lc. 10,16). Mais de 2000 anos depois da vida terrena de Jesus, podemos contemplar sua Sagrada Face espelhada naqueles que são fiéis à ação do Espírito Santo em suas almas.

3) Lendo a vida do Santo do dia temos um incentivo constante para o Bem

A vida dos Santos desperta em nós o desejo de seguir a Cristo.

Que melhores coisas podemos desejar do que a contemplação de um São Bruno? Ou a sabedoria de um São Tomás de Aquino? A integridade e ortodoxia de um Santo Atanásio? O desapego dos bens de um São Francisco? A pureza de uma Santa Inês? O ardor apostólico de um São Francisco Xavier? O amor às Sagradas Escrituras de um São Jerônimo?

4) Os Santos são modelos de todas virtudes: confiança em Deus, resignação, desapego…. e muito mais!!!

Santa Mônica alcançou de Deus a graça da conversão de seu filho, Santo Agostinho, de seu marido  e de sua sogra! Por que não vou conseguir eu?

Se Santa Teresinha, que jamais deixou seu convento, se tornou padroeira das Missões, não posso eu também oferecer minhas limitações, dificuldades e sofrimentos pela salvação dos outros?

Se Santo Antão, deixou todos os seus bens para seguir a Cristo, eu vou deixar-me escravizar pelo desejo das coisas materiais?

5) Os Santos são faróis que nos indicam o verdadeiro porto

Ler a vida dos Santos. Venerar a recordação dos Santos. Contemplar seus exemplos. Pedir sua intercessão.

Os Santos são autênticos faróis que acendem e levantam diante de nossos olhos a luz de Cristo indicando-nos o único e verdadeiro porto da salvação para o qual devemos rumar: o Céu! Para lá chegarmos, suas vidas nos recordam a nossa grande vocação: sermos como eles, Santos!

Publicado em fatima.org.

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A festa do Coração de Jesus

11.06.2021 – Sexta-Feira

Sagrado Coração de Jesus – Wikipédia, a enciclopédia livre

A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi. O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (cf. João 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação viva do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando uma conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus. [Consagre-se ao Coração de Jesus]

Este sagrado Coração é a imagem do amor de Jesus por cada um de nós. É a expressão daquilo que São Paulo disse: ”Eu vivi na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2,20). É o convite a que cada um de nós retribua a Jesus este amor, vivendo segundo a Sua vontade e trabalhando com a Igreja pela salvação das almas.

Muitos Santos veneraram o Coração de Jesus. Santo Agostinho disse: “Vosso Coração, Jesus, foi ferido, para que na ferida visível contemplássemos a ferida invisível de vosso grande amor”. São João Eudes, grande propagador desta devoção no século XVII, escreveu o primeiro ofício litúrgico em honra do Coração de Jesus, cuja festa se celebrou pela primeira vez na França, em 20 de outubro de 1672.

Jesus revelou o desejo da Festa ao seu Sagrado Coração à religiosa Santa Margarida Maria Alacoque, na França, mostrando-lhe o “Coração que tanto amou os homens e é por parte de muitos desprezado”. S. Margarida teve como diretor espiritual o padre jesuíta S. Cláudio de la Colombière, canonizado por João Paulo II, e que se incumbiu de progagar a grande Festa.

O Papa Pio XII afirmou que tudo o que S. Margarida declarou “estava de acordo com a nossa fé católica”. Este foi um grande sinal a mais da misericórdia e da graça para as necessidades da Igreja, especialmente num tempo em que grassava a heresia do jansenismo (do bispo francês Jansen) que ensinava uma religião triste e ameaçadora.
O Papa Clemente XIII aprovou a Missa em honra do Coração de Jesus e Pio X, dia 23 de agosto de 1856, estendeu a Festa para toda a Igreja a ser celebrada na sexta-feira da semana subseqüente à festa de Corpus Christi. O papa Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Paulo VI disse certa vez que ela é garantia de crescimento na vida cristã e garantia da salvação eterna.
Entre as Promessas que Jesus fez à Santa Margarida está a das Nove Primeiras Sextas Feiras do mês: aos fiéis que fizerem a Comunhão em nove primeiras sextas-feiras de cada mês, seguidas e sem interrupção, prometeu o Coração de Jesus a graça da perseverança final, o que significa que a pessoa nunca deixará a fé católica e buscará a sua santificação. São as chamadas Comunhões reparadoras a Jesus pela ofensa que tantas vezes seu Sagrado Coração é tão ofendido pelos homens.

Pio XII disse: “Nada proíbe que adoremos o Coração Sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante e símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que, ainda hoje, o Divino Redentor arde para com os homens”.

Essas são as Promessas que Jesus fez:

“No extremo da misericórdia do meu Coração onipotente, concederei a todos aqueles que comungarem nas primeiras sextas feiras de cada mês, durante nove meses consecutivos a graça do arrependimento final. Eles não morrerão sem a minha graça e sem receber os SS. sacramentos. O meu coração naquela hora extrema ser-lhe-á seguro abrigo”.

As outras promessas do Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1 – Conceder-lhe-ei todas as graças necessárias ao seu estado.
2 – Porei a paz em suas famílias.
3 – Consolá-los-ei nas suas aflições.
4 – Serei seu refúgio na vida e especialmente na hora da morte.
5 – Derramarei copiosas bênçãos sobre suas empresas.
6 – Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte, oceano infinito de misericórdia.
7 – Os tíbios se tornarão fervorosos.
8 – Os fervorosos alcançarão rapidamente grande perfeição.
9 – Abençoarei os lugares onde estiver exposta e venerada a imagem do meu Coração.
10 – Darei aos sacerdotes a força de comover os corações mais endurecidos.
11 – O nome daqueles que propagarem esta devoção ficará escrito no meu Coração e de lá nunca será apagado.

Publicado em Formação Canção Nova (por Prof. Felipe Aquino).

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Publicado em Jovens Leigos Carmelitas.

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Detalhe de mosaico do Sagrado Coração de Jesus (Foto: Gera Juarez/Cathopic)

Nesta sexta-feira, 19, a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Embora sua devoção tenha se popularizado pelo mundo a partir do século XVII, sua origem se confunde com o a história do Cristianismo.

Sua fonte está nas Sagradas Escrituras, mais precisamente no Evangelho de São João, ao narrar quando o soldado transpassou o coração de Jesus crucificado com uma lança e dele jorraram sangue e água (cf. Jo 19,34).

Outro acontecimento bíblico é quando o próprio São João, o “discípulo amado”, reclina sua cabeça sobre o peito do Senhor, durante a última ceia (cf. Jo 13,23). Ao comentar essa cena, Santo Agostinho escreveu que, ao se recostar sobre o Mestre, João bebeu os “segredos sublimes das profundidades mais íntimas do Coração de Nosso Senhor”.

(…)

AO LONGO DOS SÉCULOS

A contemplação destas cenas alimentou a devoção dos primeiros cristãos, que buscavam no coração de Jesus a fonte para o verdadeiro amor de Deus, manifestado no Verbo encarnado.

São vários os santos que tiveram experiências místicas relacionadas ao Coração de Jesus: São Bernardo (1090-1153), São Boaventura (1221-1274) Santa Lutgarda (1182-1246), as santas irmãs Matilde (1241-1299) e Gertrudes (1256-1302), São Ludolfo de Saxônia (1300-1378) e Santa Catarina de Sena (1347-1380) foram alguns deles. 

Foi somente no século XVII que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ganhou uma nova proporção, com a ajuda de dois santos: São Francisco de Sales (1567-1622) e São João Eudes (1601-1680).

O primeiro fundou, em 1610, a Ordem da Visitação, na qual imprimiu uma particular devoção ao “Coração do Redentor”, referindo-se às religiosas visitandinas como “filhas do Coração de Jesus”. O segundo, além de propagar esta devoção, compôs um Ofício e uma Missa em honra do Coração de Jesus, que foram celebradas pela primeira vez em localidades da França, em 1672.

Experiência de Santa Margarida Maria com o
Sagrado Coração de Jesus

SANTA MARGARIDA MARIA

No entanto, foi uma jovem religiosa da Ordem da Visitação a responsável pela maior propagação do culto ao Coração de Jesus. Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) recebeu revelações particulares do próprio Jesus Cristo que, em uma das ocasiões, em 1673, pediu-lhe que, “na primeira sexta-feira depois da oitava de Corpus Christi, se celebre uma festa especial para honrar meu Coração, e que se comungue nesse dia para pedir perdão e reparar os ultrajes por ele recebidos durante o tempo que permaneceu exposto nos altares”.

A Santa relata que, em outra ocasião, Nosso Senhor, mostrando o seu coração transpassado, disse a ela:  “Eis o coração que tanto tem amado os homens […]. Prometo-te pela minha excessiva misericórdia, a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final. Estes não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos. O meu Sagrado Coração lhes será refugio seguro nessa última hora”.

Nessas revelações, Jesus deixou 12 promessas e pediu para que Santa Margarida difundisse essa devoção ao mundo inteiro (leia no box).

Em seus escritos, Santa Margarida Maria ressalta: “O maior testemunho de amor que podemos dar ao Sagrado Coração e a melhor reparação que lhe podemos oferecer é unirmo-nos a Ele, muitas vezes, pela comunhão sacramental e desejarmos ardentemente essa união pela comunhão espiritual”.

CULTO UNIVERSAL

Em 1856, o Papa Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração de Jesus a toda a Igreja. E, em 11 de junho 1899, o Papa Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Sua decisão foi motivada pelo testemunho de Santa Maria do Divino Coração (1863-1899), que também recebeu revelações interiores do Sagrado Coração de Jesus.

Nessa ocasião, Leão XIII afirmou: “No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do amor infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-lhe esse amor”.

Uma das grandes expressões mundiais da devoção ao Sagrado Coração de Jesus é o Apostolado da Oração, associação de fiéis fundada na França, em 1844, pelo jesuíta Padre Francisco Xavier Gautrelet.

A organização, também conhecida como Rede Mundial de Oração do Papa, tem como missão sensibilizar e mobilizar os cristãos e todas as pessoas de boa vontade, a partir da intimidade com Sagrado Coração de Jesus, a santificarem-se por meio da oração e do serviço pela humanidade e pela missão da igreja, especialmente pelas intenções do Pontífice. 

Papa Francisco venera imagem do Sagrado Coração de Jesus (Vatican Media)

DEIXAR-SE TRANSFORMAR

Em 1956, centenário da extensão da festa do Sagrado Coração de Jesus a toda a Igreja, o Papa Pio XII escreveu a Encíclica Haurietis aquas, na qual exortou os fiéis a abrirem-se ao mistério de Deus e do seu amor, deixando-se transformar por ele.

Ao se referir a esse documento, em 2006, o Papa emérito Bento XVI afirmou que o fundamento dessa devoção é o conteúdo de toda verdadeira espiritualidade e devoção cristãs. “De fato, ser cristão só é possível com o olhar dirigido para a Cruz de nosso Redentor, ‘para Aquele que transpassaram’.

Na audiência geral da quarta-feira, 17, o Papa Francisco destacou essa solenidade e afirmou que o coração humano e divino de Jesus, é a “fonte de onde sempre podemos haurir a misericórdia, o perdão, a ternura de Deus”.

“Podemos ir a esta fonte detendo-nos sobre uma passagem do Evangelho, sentindo que, no centro de todo gesto, de toda palavra de Jesus, está o amor, o amor do Pai. E podemos fazê-lo também adorando a Eucaristia, onde este amor está presente no sacramento”, disse o Pontífice, exortando, ainda, que ao contemplar o Sagrado Coração, “também o nosso coração, pouco a pouco, se tornará mais paciente, mais generoso, mais misericordioso”.

Promessas do Sagrado Coração de Jesus

  1. Eu lhes darei todas as graças necessárias para seu estado.
  2. Eu darei paz às suas famílias.
  3. Eu as consolarei em todas as suas aflições.
  4. Eu lhes serei um refúgio seguro durante a vida, e sobretudo na hora da morte.
  5. Eu lançarei abundantes bênçãos sobre todas as sua empresas.
  6. Os pecadores acharão, em meu coração, a fonte e o oceano infinito de misericórdia.
  7. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.
  8. As almas fervorosas se elevarão a uma grande perfeição.
  9. Eu mesmo abençoarei as casas onde se achar exposta e honrada a imagem do meu coração.
  10. Eu darei aos sacerdotes o poder de tocar os corações mais endurecidos.
  11. As pessoas que propagarem esta devoção terão para sempre seu nome inscrito no meu coração.
  12. Darei a graça da penitência final e dos últimos sacramentos, aos que comungarem na primeira sexta-feira, durante nove meses seguidos.

Publicado em Semanário Oficial da Arquidiocese de São Paulo ( Por Fernando Geronazzo).

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A história sobre a solenidade de Corpus Christi

Bendito sejais, senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos da Vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano: que agora Vos apresentamos e que para nós se vai tornar Pão da vida. Bendito seja Deus para sempre.

Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos da Vossa bondade, fruto da videira e do trabalho humano: que agora Vos apresentamos e que para nós se vai tornar Vinho da Salvação. Bendito seja Deus para sempre.

O que é a solenidade de Corpus Christi

A solenidade de Corpus Christi, indo direto ao ponto, é a festa do Corpo de Cristo, presença real de Jesus na Santa Eucaristia. A base fundamental deste mistério de amor (a Eucaristia) se encontra na Última Ceia (Mt 26,26-29), quando o próprio Jesus instituiu, em memória de sua morte, o supremo e magnífico sacramento de Seu Corpo e Sangue, nos dando o seu Corpo como comida e o seu sangue como bebida.

Gosto particularmente quando, na aclamação memorial da liturgia eucarística, respondemos ao Mistério da Fé: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!” Essa resposta recorda que a eucaristia é o alimento que anima o fiel a se manter em espera vigilante pela vinda de Cristo, além de também indicar que as coisas ainda se encontram incompletas por aqui. Por isso aguardamos – ansiosos – a vinda definitiva do Cristo.

Embora tenha voltado para o Pai e de lá ampara toda humanidade com o Espírito Santo, Jesus quis se fazer presente na hóstia consagrada. Esse amor de Deus pelo homem (e mulher, claro) é tão grande que, não é exagero perguntar mais uma vez: “Que é o homem para que o Senhor se lembre dele?” (salmo 8,5). Nossa retribuição frente a esse amor é mínima, e acontece de várias formas: como na prática dos sacramentos, nas tentativas de viver o Evangelho e, também, rendendo junto da Igreja um culto de latria a Deus.

Latria, Dulia e Hiperdulia

Podemos considerar essa pequena parte como um apêndice do artigo. Contudo eu acredito que fará bem constar.

A Igreja Católica possui três diferentes formas de culto: um assunto não tão disseminado, embora importante, que se faz necessário conhecer para que se possa dar respostas a questionamentos recorrentes. Vejamos:

  1. LATRIA [adorar] – Culto reservado somente a Deus, pois, somente Deus pode ser adorado. Portanto, o Corpo de Cristo, no sagrado sacramento da Eucaristia, deve ser adorado.
  2. DULIA [venerar] – Culto reservado aos Santos e Mártires, pessoas que viveram a Fé em grau heroico e, por isso, deixam o exemplo com suas vidas.
  3. HIPERDULIA [mais que venerar, sem adorar] – Culto reservado a Maria Santíssima. Por ser Mãe de Deus (Theotokos) foi preciso colocar o culto à Virgem em uma posição acima dos santos, mas sem alcançar o limite reservado somente a Deus, a latria.

Santa Juliana de Cornillon

Retornando à história sobre a solenidade de Corpus Christi, vamos começar do início. No século XII. Juliana, uma figura feminina pouco conhecida, mas à qual a Igreja deve um grande reconhecimento, primeiro pela sua santidade de vida, e também pela participação na instituição de uma das solenidades litúrgicas mais importantes do ano, a do Corpus Christi. Santa Juliana de Cornillon, também conhecida como Santa Juliana de Liège, nasceu entre 1191 e 1192 nos arredores de Liège, na Bélgica, época em que nascia também um grande movimento eucarístico, cujo centro foi a Abadia de Cornillon. Este movimento trouxe muitos costumes novos que foram introduzidos nos nossos ritos, como por exemplo a exposição e bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante sua elevação na Missa e, enfim, a própria festa do Corpus Christi. Um movimento formado majoritariamente por mulheres que se dedicavam à oração e às obras de caridade.

Juliana ficou órfã com 5 anos de idade e, junto com a sua irmã Inês, foi confiada aos cuidados das monjas agostinianas do convento de Mont-Cornillon, se tornando também ela uma monja agostiniana. Com 16 anos teve uma primeira visão que, depois, se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava. E o Senhor lhe deu a compreensão da visão: a lua simbolizava a vida da Igreja na terra e a faixa escura representava a ausência de uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia.

Segredos guardados por 20 anos

Juliana guardou durante 20 anos o segredo destas visões, partilhando apenas com outras duas fervorosas adoradoras da Eucaristia: a Beata Eva e Isabel. As três mulheres estabeleceram uma espécie de «aliança espiritual», com o propósito de glorificar o Santíssimo Sacramento. Só depois contaram para o padre João de Lausanne, pedindo que teólogos e eclesiásticos pudessem ajudar na compreensão de tudo aquilo.

Papa Bento XVI escreve que “o que aconteceu com Juliana de Cornillon se repete frequentemente na vida dos Santos: para ter uma confirmação de que uma inspiração vem de Deus, é preciso rezar, saber esperar com paciência, procurar a amizade e o confronto com outras almas boas e submeter tudo ao juízo dos Pastores da Igreja.”

Dom Roberto de Thourotte, bispo de Liège, hesitou no início, mas foi o primeiro a instituir a solenidade do Corpus Christi na sua Diocese. Mais tarde, também outros Bispos o imitaram, estabelecendo a mesma festa nos territórios confiados aos seus cuidados pastorais.

Até aqui tudo ia bem, no entanto as provações não foram poupadas à Juliana. Ela sofreu dura oposição de alguns membros do clero e do próprio superior de quem o seu mosteiro dependia. Então, voluntariamente, Juliana deixou o convento de Mont-Cornillon com algumas companheiras e, durante 10 anos, foi hóspede dos mosteiros cistercienses. Sempre humilde, nunca tinha palavras de crítica ou de repreensão para os seus adversários. Faleceu em 1258. E na cela onde jazia foi exposto o Santíssimo Sacramento.

Transiturus de hoc mundo

Quando Juliana pediu ao seu bispo, Dom Roberto de Thourotte, para que toda a revelação que lhe fora dada pudesse ser submetida aos padres e teólogos, buscando ajuda na compreensão, um desses foi Tiago Pantaleão de Troyes, arquidiácono em Liège e, providencialmente, futuro Papa Urbano IV. O diácono Pantaleão, agora Papa Urbano IV, institui pela bula Transiturus de hoc mundo, de 11 de agosto de 1264, a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal, na quinta-feira sucessiva ao Pentecostes.

O próprio Pontífice deu o exemplo, celebrando a solenidade do Corpus Christi em Orvieto, cidade onde então residia. Precisamente na Catedral que se conserva – ainda hoje – o corporal com os vestígios do milagre eucarístico ocorrido no ano anterior, 1263, em Bolsena, quando um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração da hóstia fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair dela sangue, que empapou o corporal (pequeno pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa).

A Tradição da Igreja aponta que Urbano IV pediu a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino para que escrevessem um ofício – o texto da liturgia – para a solenidade de Corpus Christi. Quando ambos estavam prontos, o Papa começou a ler, em voz alta, primeiro o ofício feito por Santo Tomás. Enquanto escutava, São Boaventura foi rasgando o seu em pedaços para não concorrer com o ofício de São Tomás de Aquino, o qual achou superior. O ofício de Santo Tomás de Aquino (Tantum Ergo Sacramentum / Tão Sublime Sacramento) é usado desde então. É considerado pela Igreja uma obra-prima, onde se fundem teologia e poesia.

Ofício de Santo Tomás de Aquino para a Solenidade de Corpus Christi: Tantum Ergo Sacramentum

A procissão

Embora cada diocese tivesse suas próprias peculiaridades no rito dessa celebração – sobretudo a partir do século XIV – foi somente no Concílio de Trento (1545-1563) que se alarga e oficializa as práticas mais comuns de como celebrar o Corpus Chisti. Especialmente a procissão com o Santíssimo pelas ruas e lugares públicos, para que, dessa forma, os cristãos pudessem se alegrar pela vitória de Cristo sobre a morte, pois ele esta ali, presente no meio de nós.

Quando se pode, é dever do católico participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano. É a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.

A tradição dos tapetes

A tradição dos tapetes que ornamentam as ruas por onde passa a procissão de Corpus Christi veio de Portugal. No Brasil, a solenidade de Corpus Christi é celebrada desde a época colonial, usando de muita criatividade e cores. Mas foi em Ouro Preto, Minas Gerais, que as ruas começaram a serem enfeitadas para a procissão.

A procissão passa pelo tapete, com o sacerdote à frente, carregando o Santíssimo. Com isso é recordado a alegria que havia na entrada de Jesus em Jerusalém, embora não haja nenhuma ligação com a procissão de ramos, que antecede a Paixão de Cristo.

O pleno sentido da festa

A exemplo do movimento eucarístico que acontecia em Liège, sobretudo no grupo de mulheres que se dedicavam à oração e às obras de caridade, penso que seja exatamente aí que devemos harmonizar a plena realização da festa do Corpus Christi: adorando (latria) o corpo do Senhor na Sagrada Eucaristia e amparando o mesmo Senhor em suas necessidades enquanto escondido no próximo.Diácono Bruno
Colaborador ACN Brasil.

Publicado em ACN ( acn.or.br – Ajuda à Igreja que Sofre).

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Leia mais:

Hino composto por Santo Tomás de Aquino.

ALMA DE CRISTO

Alma de Cristo, santificai-me.

Corpo de Cristo, salvai-me.

Sangue de Cristo, inebriai-me.

Água do lado de Cristo, lavai-me.

Paixão de Cristo, confortai-me.

Ó bom Jesus, ouvi-me.

Dentro de Vossas chagas, escondei-me.

Não permitais que me separe de Vós.

Do espírito maligno, defendei-me.

Na hora da minha morte, chamai-me

e mandai- me ir para Vós,

para que com os vossos Santos Vos louve

por todos os séculos dos séculos.

Ámen.

LATIM

Aspirationes ad Ss.mum Redemptorem (Gratiarum Actio post Missam)

Anima Christi, sanctífica me.

Corpus Christi, salva me.

Sanguis Christi, inébria me.

Aqua láteris Christi, lava me.

Pássio Christi, confórta me.

O bone Iesu, exáudi me.

Intra tua vúlnera abscónde me.

Ne permíttas me separári a te.

Ab hoste malígno defénde me.

In hora mortis meae voca me.

Et iube me veníre ad te,

ut cum Sanctis tuis laudem te

in saécula saeculórum.

Amen

Fonte:  https://www.nadateespante.com/products/alma-de-cristo-/

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As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: no gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a Última Ceia (cf. Jo 13,23); e, na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Num acontecimento, temos o consolo de Cristo pela dor na véspera de Sua morte. No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Esses dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque:

Foto Ilustrativa: by Getty Images/ IsraelBrum

“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

São João Paulo II e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

São João Paulo II sempre cultivou essa devoção e sempre a incentivou a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, ele afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero, hoje, dirigir, juntamente convosco, o olhar dos nossos corações para o mistério desse coração. Ele falou-me desde a minha juventude. A cada ano, volto a esse mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja”.

Agora, conheça as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1° Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2° Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3° Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4° Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5° Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6° Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7° Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8° Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9° Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10° Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11° Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12° Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Publicação em Formação Canção Nova.

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As Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

Junho é o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus

As Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

Pelos anos de 1673 / 1675 Santa Margarida Maria Alacoque, freira do convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial, na França, teve visões e revelações do Sagrado Coração de Jesus. Ele mostrou a Margarida o grande amor que tem pelos homens e seu ardente desejo de salvar os pecadores: “Eles encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”Porém, Jesus queixou-se também das ofensas e menosprezos a Ele feitos. Lamentou a frieza e desdém diante de sua presença na Eucaristia e sua dor por causa dos ultrajes e abandonos ao Sagrado Coração.Na noite do dia 16 de junho de 1675, enquanto Margarida rezava diante do Santíssimo Sacramento, Jesus apareceu-lhe.Depois de um pequeno diálogo, apontou para seu Divino Coração e disse à piedosa religiosa: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões…”Misericórdia e perdão…Nosso Senhor manifestou a Santa Margarida a grandeza infinita de seu amor. Apesar das ofensas, das indiferenças e ingratidões da humanidade, Jesus abriu seu Coração e mostrou a Margarida seu desejo de atrair a si todos os homens oferecendo-lhes sua misericórdia. Para as almas onde abundava o pecado, Ele apresentava a superabundância do perdão e da graça. (Rom.5,20) Pediu que a primeira sexta-feira depois da oitava da festa do Santíssimo Sacramento fosse dedicada especialmente para honrar o Sagrado Coração de Jesus. Que nesse dia se comungasse e fosse feito um ato de reparação e desagravo pelas ofensas feitas ao Divino Coração presente no Santíssimo Sacramento.… esperança e confiança!“Meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que lhe prestem culto e que procurem que este culto Lhe seja prestado”. Esta devoção será como a manifestação do último esforço do amor de Jesus Cristo para com a humanidade. Ele deseja “favorecer os homens nestes últimos séculos desta redenção amorosa, para livrá-los do império de satanás, o qual Ele pretendia arruinar”.

Sagrado Coração de Jesus – Confio e Espero em Vós! Detém-te! Alto lá!

O Sagrado Coração de Jesus está comigo Venha a nós o Vosso Reino! O uso deste emblema foi um dos pedidos feitos por Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque: “Jesus deseja que se mande fazer escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e mandou que fossem feitos escudos menores para as pessoas levarem consigo”. O que é o Escudo do Sagrado Coração de Jesus? É um emblema no qual está estampada a imagem do Sagrado Coração de Jesus com as seguintes frases: Detém-te! O Coração de Jesus está comigo. Venha a nós o Vosso Reino.Ele é conhecido também como “detém-te” ou escapulário do Sagrado Coração de Jesus. Seu uso foi um dos pedidos feitos por Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:“Jesus deseja que se mande fazer escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e mandou que fossem feitos escudos menores para as pessoas levarem consigo”. Foi daí que nasceu o costume de trazer junto a si pequenos Escudos do Coração de Jesus. Seu uso é sinal de nossa confiança na proteção de Jesus contra os assaltos do inimigo infernal e de todo mal. Em nome de Jesus, ordenamos ao demônio e ao mal que se detenham, que se afastem de nós.

As doze promessas do Coração de Jesus para quem praticar essa devoção: 

1. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.

2. Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.

3. Eu os consolarei em todas as suas aflições.

4. Serei seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.

5. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.

6. Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.

7. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção.

8. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.

9. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Coração.

10. Darei aos Sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos.

11. As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.

12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

Novena ao Sagrado Coração de Jesus1. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e servos-á aberto”, eis que eu bato, procuro e peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!2. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: qualquer coisa que peçais a meu Pai em meu nome, Ele vo-la concederá”, eis que a vosso Pai, no vosso nome, eu peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!3. Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo: passarão o Céu e a Terra, mas as minhas palavras, jamais”, eis que, apoiado na infalibilidade de vossas santas palavras, eu peço a graça…Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em Vós!

Ó Sagrado Coração de Jesus, a Quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da vossa e nossa terna Mãe. São José, amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Salve Rainha.

Publicado em

Publicado em Campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis! (www.fatima.org.br)

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“São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro”

ESTUDO

“São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher – à procura do Deus verdadeiro”

João da Cruz: um homem que orienta a busca do Deus verdadeiro para o homem e a mulher de hoje. Um homem que viveu há quase meio milênio, em que pode contribuir para as pessoas do terceiro milênio?
Sem dúvida, São João da Cruz ilumina a busca de Deus, do Deus verdadeiro, que realmente preenche o vazio e restitui O SENTIDO à existência humana.A atualidade do seu pensamento está na resposta satisfatória que ele consegue dar às angústias dos homens. Tenta penetrar o coração do homem e acalmá-lo nas suas revoltas, apresentando o ideal da unidade: DEUS. A situação “do homem”, de São João da Cruz, é a de homem de sempre: a busca do Absoluto, o ideal da perfeição, da libertação do nada, o encontro com o TUDO (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz vem nos dizer que somente Deus pode plenificar o coração do homem. Ele é uma pessoa que faz a experiência do Absoluto em sua própria vida e, como um grande Mistagogo, consegue, a partir da própria experiência, nos conduzir seguramente a Deus. A busca de Deus é também busca de unidade interior. Porém, esta é uma busca árdua, difícil que exige força de vontade e empenho. É a ascese de que nos fala Platão no ilustre “Mito da Caverna”, referindo-se à alma que, saindo da caverna das suas sombras, quer contemplar não mais apenas as sombras, mas as realidades em si mesmas; quer não apenas reflexos de luz, mas, ao contrário, quer poder contemplar o próprio sol. Aquele que sai da caverna, num primeiro impacto com a claridade pode querer deixar a luta iniciada e permanecer nas sombras, temendo o enorme grau de esforço que será necessário empreender para acostumar-se definitivamente com a luz e, um dia finalmente, poder suportar olhar para o sol. Mas o desejo de “plenitude” o impulsionará em sua busca e não o deixará desanimar, pois o ser humano tem sede de infinito, tem sede de Deus.
João da Cruz nos ensina com a própria experiência que vale a pena a busca, apesar das dificuldades. É necessário ter claro diante dos olhos o ideal, a meta e investir tudo para atingi-la. Ele mesmo era um homem feliz, porque sabia onde queria chegar: tinha clareza de objetivos. Ele não vive simplesmente por acaso, mas vive e sabe porquê de seu viver. Mesmo em meio às adversidades, aos contrastes sombrios e turbulentos da vida, ele não desanima. Continua caminhando tranqüilo e sereno porque as dificuldades não lhe ofuscam a visão, e seu ideal continua visível aos olhos. Mesmo nas “noites” Deus continua resplandecendo em sua vida e na vida de todo homem, mesmo se, aparentemente dê a sensação de estar ausente.

A dificuldade da busca e a certeza do encontro

No cárcere, em Toledo, na experiência dura da incompreensão de seus confrades, na experiência do aparente silêncio e abandono de Deus, João sabe que a ausência é realmente aparente, e a sua se torna uma solidão “povoada” por Deus.

“Aquela eterna fonte está escondida,
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda origem dela vem,
Mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
E que ninguém pode nela a vau passar,
Mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
E sei que toda luz dela é nascida,
Mesmo de noite.

Sei que tão caudalosas são suas correntes,
Que céus e infernos regam, e as gentes,
Mesmo de noite.

A corrente que desta fonte vem,
É forte e poderosa, eu sei-o bem,
Mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
Sei que nenhuma delas a precede,
Mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
Que nela se saciam às escuras,
Mesmo de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida já a vejo,
Mesmo de noite.”

João permanece fiel a Deus e o deseja, o busca porque é convicto de sua presença. Ele SABE que mesmo na escuridão pode confiar que a sua fonte está presente e que ele pode dela beber e saciar-se abundantemente. É o que lhe dá sustento na caminhada.

A Pós-Modernidade e a “privatização do divino”

A busca do transcendente excessivamente valorizada na Pós-Modernidade é uma busca em muitos aspectos egoísta, reflexo da atitude de um mundo onde o individualismo floresce vicejante no campo da competição pelo poder, pela riqueza e pelo status. Busca-se o privado, aquilo que satisfaz o indivíduo sem levar em conta o coletivo, a comunidade.

“A individuação de Deus na experiência privada da vivência da fé conduz ao desconhecimento do outro, porque satisfaz por si mesma… Uma atitude coerente com a busca da felicidade pessoal, recusa de sacrifícios pelos outros, liberação das imposições tradicionais, hedonismo no plano afetivo… A complexidade e diversificação deste espaço multifacetado para a vivência da fé possibilita que o indivíduo, nas suas reações, tenha como centro a si mesmo, caracterizando o individualismo”. (MOL, Joaquim Giovanni. In: Individualismo cultural e vivência da fé – dissertação de mestrado).

“O excessivo sucesso do esoterismo, da parapsicologia, mentalização psicológica, Yoga, para chegar à paz interior não é outra coisa que a tentativa de substituir a Deus. Estes meios, todavia, não são capazes de reunificar o homem, de alcançar-lhe a harmonia na qual foi criado e para a qual tende após a Redenção. O menor dos danos que essas pseudo-doutrinas podem gerar é a desembocadura em um naturalismo puro, que não liberta de nossas escravidões e limitações. O homem novo não é construído em cima de sua própria natureza, em cima de seu próprio barro. Ele nasce da postura de permanecer como objeto a ser remido por Deus” (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz: abertura a Deus que não exclui o próximo

São João da Cruz não se fecha em si mesmo na sua experiência de Deus. A sua é uma experiência relacional com Deus que se prolonga no outro. A sua [experiência] não é uma busca egoísta de Deus para aprisioná-lo em si mesmo. Ao contrário, ele se torna mistagogo. Nos ajuda a fazermos também nós o nosso encontro com o Deus verdadeiro. Ele é uma pessoa feliz, realizada, que sente a necessidade de comunicar sua experiência, deixar que ela transborde para que outros possam se beneficiar.
O Deus ao qual João nos conduz é um Deus próximo. Está tão perto de nós, que habita dentro de nós e nos leva para dentro de si. Contudo, não nos aprisiona, nem nos escraviza, mas nos propõe uma relação de liberdade. Precisamos descer ao fundo de nós mesmos e encontrá-lo. Ele está escondido em nosso ser. Essa busca do divino no mundo atual, mostra justamente esta realidade: O Amado atrai como um ímã, quer ser buscado e quer ser encontrado.

“Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo, fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, por ventura virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu Amado.
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado.

Extingue os meus anseios
Porque ninguém os pode desfazer
E vejam-te meus olhos
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.”

(Cântico Espiritual – Granada 1584 – 1586)

João orienta a busca do Deus que ele denomina como AMADO. Porém, é preciso silenciar tudo em nós para iniciarmos a busca e encontrarmos Deus.
Deus sabe que o coração do ser humano tem sede de infinito, tem sede de beber da fonte na qual tem sua origem. O coração humano vive na procura nostálgica de sua origem e estará “inquieto e insatisfeito enquanto não repousar em Deus”.
O homem e a mulher de hoje procuram Deus e muitas vezes tem a ilusão de o terem encontrado em realidades que não são, de fato orientadas para o DESEJADO, o AMADO, como O chama São João.
São João da Cruz pode orientar este homem e esta mulher inquietos na busca de Deus.
Às vezes nos é transmitida uma falsa imagem da figura deste santo, ao ponto de nos parecer inacessível e inatingível. Mas, ao contrário, São João da Cruz é uma pessoa muito próxima de nós. Viveu seu cotidiano buscando, com toda a sua energia a Deus. Também ele experimentou e sentiu o “silêncio de Deus” e dos homens.
O segredo dele está no fato de ter claro o que realmente queria. Era convicto do amor, da bondade e da presença de Deus. Era convicto de que Deus é fiel e nele se pode confiar e esperar, mesmo de noite.

Publicado em Discípulas de Jesus Eucarístico (Poesias). Autoria: Ir. Andréa dos Santos Lourenço.

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