“Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino.(…)” in Institutum Carmelitanum (Roma, 1972) – Tradução Frei Wilmar Santin (0.Carm.) – Ecclesia Brasil

Fonte: Ecclesia Brasil

O Profeta Elias

Tradução: (…) Frei WILMAR SANTIN

  1. A figura de Elias
  2. Elias na tradição Judaica
  3. Elias nas obras dos Padres
  4. Elias no Islão
  5. Elias e o ideal monástico
  6. Elias como inspirador da vida eremítica
  7. A pureza de coração
  8. A vida de oração
  9. Elias e os carmelitas
  10. Culto a Elias
  11. Iconografia sobre Elias
  12. Folclore sobre Elias

Título original: Elia Profeta, em Santi del Carmelo, Institutum Carmelitanum, Roma 1972, p. 136-153)

(…)

No dia 20 de julho se reúne no Monte Carmelo uma grande multidão de devotos de Elias: cristãos de vários ritos, judeus e muçulmanos. Todos sobem ali com os mais variados meios de locomoção ou a pé, para cumprir seus votos, para apresentar suas crianças ao batismo e principalmente para cantar e dançar em honra do profeta. Do interior do monastério se escuta o rumor de uma grande feira: toda aquela gente tão diferenciada se reúne ali cada ano em nome de Elias, o qual continua exercendo sua fascinação e sua notável influência na vida e nas crenças daqueles povos. (Parágrafo final)

Francesco Spadafora

A figura de Elias

próprio nome Elias, que significa “Yahweh é Deus” ou “Yahweh é meu Deus”, já expressa seu caráter e sua função na história bíblica. Ele foi um campeão do monoteísmo de Yahweh. É ele quem mantém a fé em Yahweh entre o povo e quem luta com vigor pelos Seus direitos. Sua árdua luta contra todo sincretismo religioso faz deste profeta, que “surgiu como fogo e cuja palavra queimava como uma tocha”, uma figura de primeira linha na sucessão das duas Alianças. Enquanto o livro do Eclesiástico (48,1-11) canta suas glórias, os livros dos Reis nos contam sua vida de forma ampla. Nesta narração distinguem-se dois ciclos: “o ciclo de Elias” (1Rs 17 – 2Rs 1,18), que se centra na atividade do profeta, e o “ciclo de Eliseu” (2Rs 2-13), que começa com o arrebatamento de Elias, momento em que Eliseu o sucede.

Originário de Tesbi, Elias exerceu seu ministério no reino do Norte, no século IX a. C., em tempos de Acab e de Ocozias.

Primeiro descendente da família de Amri, Acab, que subiu ao trono no ano de 874 a. C., havia desposado Jezabel, filha de Etbaal, rei de Tiro e grande sacerdote de Astarté (1Rs 16,31). Acab pagou as vantagens políticas dessa união submetendo-se à vontade de Jezabel, que demonstrou dominar seu marido impondo-lhe violentamente o culto à Baal e fazendo-o matar a Nabot, que o impedia de estender suas propriedades na zona de Jezrael (1Rs 21,1-16).

Nestas circunstâncias chega Elias, enviado pelo Senhor, para anunciar a Acab a lei do talião (1Rs 21,21-24), lei que depois, por causa da penitência pública do rei, foi aplicada somente à sua mulher e aos seus filhos (1Rs 21,29; 2Rs 9,7-10.26.36-37). A ira de Jezabel contra Elias se desencadeia com a matança dos profetas de Yahweh (1Rs 18,4.13; 19,10). Elias respondeu anunciando uma seca de três anos, durante os quais ele se refugiou primeiro na torrente de Carit, na Transjordânia, onde os corvos o alimentaram, e depois em Sarepta, 15 quilômetros ao sul de Sidônia, onde uma viúva lhe deu de comer; Elias multiplicou milagrosamente o azeite e a farinha dessa viúva e também ressuscitou seu filho (1Rs 17).

A prova indiscutível de que “o Senhor é o verdadeiro Deus” acontece no confronto que Elias estabelece com Baal de Jezabel, em um lugar que uma antiga tradição situa em El-Muhraqah, a sudeste do monte Carmelo. No momento em que Elias rezava, um raio queima o holocausto oferecido a Yahweh, enquanto que os gritos, as danças e as mutilações dos 450 profetas de Baal não obtinham resultado algum. Como conseqüência disto os profetas do ídolo são degolados junto à torrente Quison (1Rs 18). Para evitar a vingança de Jezabel, Elias deve fugir para o sul, onde é milagrosamente alimentado por um anjo e alcança o monte Horeb. Já no cume de Gebel Musa, numa teofania recebe uma tríplice missão: a de investir Hazael como rei de Damasco, a Jeú como rei de Israel e a Eliseu como profeta (1Rs 19). Morto Acab (852 a. C.) num combate em Ramot de Galaad, (1Rs 22,1-40), lhe sucede seu filho Ocozias. E quando este, após sofrer um grave acidente, envia mensageiros para que consultem a Baal-Zebub, deus de Acaron, se irá sarar, Elias intervém novamente e lhes anuncia a morte do rei (2Rs 1,2-4).

Chegando ao fim de sua vida, Elias deixa Gálgala, acompanhado por Eliseu e um grupo de profetas, faz paradas em Betel e Jericó. Ao rio Jordão atravessa a pé enxuto, dividindo as águas com seu manto. Apenas Eliseu, destinado a sucedê-lo, é quem o segue. O fim misterioso de Elias é descrito como um arrebatamento por um carro de fogo (2Rs 2,2-13). Desta descrição se originou a antiga crença hebraica de que o profeta haveria de regressar antes do “Grande dia de Yahweh” ou da “parusia” do Messias, crença que encontrou eco inclusive entre os Padres da Igreja e entre escritores eclesiásticos (Mc 6,14-16; 9,11; Lc 9,7ss.; Jo 1,21; Enoc etíope 89,52; 90,31; IV Esdras 6,26; Justino, Dial. 8,4; 49,1).

O prudente parecer expressado por Flávio Josefo (Ant. IX, 2, 2): “Elias desapareceu dentre os homens e, até o dia de hoje, nada se sabe sobre sua morte”, e sobre tudo a atitude de Jesus, relatada nos Evangelhos, nos leva a considerar a descrição do arrebatamento de Elias como um caso de êxtase profético de Eliseu para significar a especial assistência divina na morte do profeta. Na realidade, o fim de Elias está descrito tal como apareceu aos olhos de Eliseu (cf. 1Mac 2,58) que foi o único que presenciou: Elias desapareceu em um turbilhão. O mesmo verbo laqah (=tomar), usado para indicar o arrebatamento de Elias, expressa em outros lugares a intervenção de Deus na morte serena do justo (Gn 5,24; Salmo 49,16; Is 53,8). Os demais elementos são simbólicos: pensa-se, por exemplo, na visão que teve S. Bento da alma de sua irmã, Santa Escolástica, que voava ao céu como uma pomba, no mesmo dia de sua morte.

Em Malaquias 3,1-24 (hebr. 4,5ss) se diz que Elias virá como precursor do Messias. Esta profecia se realiza em João Batista (Lc 1,17), que é o precursor profetizado (Mt 11,10; 17,10-13). Ele encarnou o “caráter forte” de Elias, o qual foi tão só sua figura. Também Jeremias (23,5) e Ezequiel (34,23) preanunciaram o Messias chamando-o “meu servo (de Yahweh), Davi”.

Na transfiguração de Jesus no Tabor, Elias aparece junto com Moisés (Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36), também favorecido por uma teofania no Sinai. Elias permanece ligado a Moisés na Antiga Aliança, da qual um é o legislador que a conclui, e o outro é o profeta que a conserva intacta e pura. A presença de ambos no Tabor é destinada a testemunhar, na antecipada exaltação de Jesus, que a nova Aliança é o coroamento da Antiga.

Elias, finalmente, é apresentado também no NT como modelo de oração eficaz. (Tg 5,17).

Tarcisio Stramare.

Elias como inspirador da vida eremítica

Se Elias não é o fundador, em sentido estrito, da vida monástica, pode ser considerado como seu autêntico precursor. É um mestre, diz Santo Ambrósio, e os monges são seus discípulos (Ep. 63, 82, PL 16, 1211b). Sobre esta primazia escreve São Jerônimo: “Os nossos príncipes Elias e Eliseu e nossos chefes os filhos dos profetas, que habitavam no campo e na solidão, construíam suas tendas perto do rio Jordão” (Ep. 58, ad Paulinum, PL 22, col. 583). E na Vita sancti Pauli ele apresenta, como opinião de alguns, a origem profética da vida monástica:

“Com freqüência muitos se perguntam qual foi o monge que morou por primeiro num ermo. E alguns, remontando-se mais longe, encontraram seu começo no beato Elias e em João Batista” (PL 23, col. 17a). A mesma idéia nos repete Sozomeno como opinião corrente: “Os mestres desta excelente filosofia foram, como dizem alguns, Elias profeta e São João Batista” (l. c., I, 12, PG 67, col. 894a). São Nilo de Ancira chamará a Elias “iniciador de toda vida ascética” (Ep. 181, PG 79, col. 152c). “Eles estabeleceram as primeiras bases desta profissão”, disse Cassiano falando de Elias e de Eliseu, que colocaram os seus fundamentos iniciais” (De institutis coenobiorum, I, 2, PL 49, col. 61a; cf. o comentário de Hervé da Encarnação, loco cit., p. 194-195).

A pureza do coração

A pureza do coração é o ideal monástico. Seguindo uma tradição hebraica, desde o princípio a virgindade é atribuída a Elias. Santo Ambrósio o faz na fé (PL 16, col. 192a). São Jerônimo atribui a virgindade também aos filhos dos profetas: “Virgens foram Elias, Eliseu e muitos dos filhos dos profetas” (Ep. 22, 21, ad Eustochium, PL 22, col. 408). São Gregório Magno (Hom. in Evangelia II, 29, 6, PL 76, col. 1217b) e São Nilo (Ep. 181, PG 79, col. 152c) vêem no arrebatamento de Elias a recompensa de sua pureza. De outro lado, esta deve ser entendida no sentido da pureza monástica, da “apátheia”. Elias, amando “os segredos da solidão e a pureza do coração”, realizou o ideal de um monge: “sabemos que ele se uniu familiarissimamante a Deus pelo silêncio da solidão”. (Cassiano, Collationes 14, 4, PL 49, col. 957a). A respeito desta plena disposição de um coração puro remetemos ao belíssimo texto de Afraates, de inspiração eliana, citado em Élie (t. I, p. 165-166). Além do mais, na vida de Elias se encontram os principais exercícios atléticos do eremita: a solidão, o jejum (cf. S. Ambrósio, De Elia et ieiunio, PL 14, cols. 697-728) e a oração.

A vida de oração

Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino. “Até quando vais estar mancando?”, com estas palavras do profeta, Orsiesio exorta a seus monges (Doctrina de institutione monachorum 28, PG 40, col. 882c). A oração de Elias, um homem como nós, foi poderosíssima, por isso, sob este aspecto, se constitui num exemplo completo. O vidente do Horeb e do Tabor é também o exemplo de grande intimidade com o Senhor. Para Máximo, o Confessor, a visão do glorioso Elias na sua gruta é um símbolo da mística apofática:

O Horeb representa… um exercício habitual das virtudes num espírito de graça. A caverna é o mistério da sabedoria escondida na alma, e seu santuário. Quem nela penetra terá a intuição profunda e mística do saber “que supera toda ciência” e na qual se manifesta a presença de Deus. Pois se alguém, como o grande profeta Elias, busca verdadeiramente a Deus, deve não somente “subir ao Horeb” (e é evidente que quem se consagrou à ação deve também aplicar-se à virtude), como também “penetrar no interior da caverna” situada sobre o Horeb, isto é, estar completamente dedicado à contemplação, na obscuridade e no mistério mais profundo da sabedoria, fundada sobre uma prática habitual da virtude” (2 Centuria, citado por François de Sainte-Marie, em Les plus vieux textes du Carmel, 47ss). Convém também citar um famoso texto místico de São Gregório Magno (In Ezechielem, II, 1, 17, PL 76, col. 948a).

A mística hesicasta, que vê o lugar místico na luz do Tabor (cf. art. Contemplation, DS, II, cols. 1851-1854), pode igualmente refazer-se no exemplo de Elias. Pedro o Atonita (séc. VIII) é, talvez, o primeiro dos hesicastas a quem se elogia com estas palavras: “Tu decidiste habitar no monte Athos como Elias no Carmelo, para buscar a Deus no silêncio” (citado por Théodosy Spasky, Le culte de prophète Élie et sa figure dans la tradition orientale, em Élie, I, 222).

No Oriente, na celebração litúrgica, é aplicado a Elias o título dos santos monges: “anjo terrestre e homem celestial” (ibid., p. 221). No Ocidente se encontra apenas algum rastro de um culto litúrgico tributado ao Santo Elias (B. Botte, Le culte du prophète Élie dans l’Église chrétienne, em Élie, I, 213-6). Entre os próprios Carmelitas a festa de Elias é bastante tardia (Pascal Kallenberg, Le culte liturgique d’Élie dans l’Ordre du Carmel, em Élie, II, p. 138). O prefácio próprio da festa de Santo Elias cantava (até a última reforma litúrgica): “coloquei os fundamentos da vida monástica”.

Elias e os Carmelitas

No tempo das cruzadas, alguns soldados se retiraram ao Monte Carmelo, atraídos pela beleza do lugar, pela sua posição geográfica e também pela lembrança do profeta. Tiago de Vitry, a princípios do século XIII, traçou um quadro retrospectivo do renascimento espiritual da Terra Santa depois das cruzadas dos séculos XI e XII:

“Devotos peregrinos e homens santos de diversas partes do mundo, compareciam a Terra Santa… Varões santos, renunciando ao século, impulsionados por vários sentimentos, desejos e tomados pelo fervor religioso, escolhiam os lugares mais aptos para seu santo propósito e devoção… Alguns, a exemplo e imitação do santo e solitário varão Elias profeta, no Monte Carmelo e particularmente naquela parte que domina a cidade de Porfiria que hoje se chama Haifa, junto à fonte chamada de Elias e não longe do monastério da virgem Santa Margarida, levavam uma vida solitária em alvéolos de pequenas celas, elaborando qual abelhas do Senhor o mel da doçura espiritual” (Historia orientalis sive hierosolymitana, I, caps. 51-52; ed. J. Bongars, Gesta Dei per Francos, Hanoviae 1611, p. 1075).

Entre os anos 1206-1214, um grupo de monges latinos, que viviam “junto à fonte no Monte Carmelo”, receberam das mãos de Alberto, patriarca de Jerusalém, uma “norma de vida”, confirmada depois pelo papa Honório III em 1226. Estes viriam a ser os Carmelitas, os irmãos de Nossa Senhora do Carmelo e os filhos de Elias. Não é certo que fora a veneração do profeta Elias o que atraiu estes eremitas ao Monte Carmelo. A Regra não fala de uma inspiração eliana da vida carmelitana. Mais tarde, Nicolau Gálico, ao expressar seu desejo de que os Carmelitas recobrassem a pureza da vida eremítica, não invoca em sua Ignea sagitta o exemplo do grande solitário do AT. É mais provável que o nascimento e desenvolvimento da devoção a Santo Elias tenha surgido do fato de habitarem o Monte Carmelo e, mais tarde, a lembrança conservada. Só ao longo da história é que o tema de Elias se tornou “parte integrante” da espiritualidade carmelitana. Alguma alusão à lenda sobre uma vida eremítica ininterrupta no Monte Carmelo desde o tempo de Elias até as Cruzadas, se encontra na rúbrica prima das Constituições do Capítulo de Londres do ano 1281:

“E assim dizemos, dando testemunho da verdade, que a partir dos profetas Elias e Eliseu, devotos habitantes do Monte Carmelo, alguns santos padres, tanto do Velho como do Novo Testamento, realmente apaixonados pela solidão deste monte, tão adequado à contemplação das coisas celestiais, viveram ali, sem dúvida, de modo digno de louvor, junto à fonte de Elias, em santa penitência, praticada sem interrupção com santos resultados. E nos tempos de Inocêncio III, Alberto patriarca da igreja de Jerusalém reuniu numa comunidade (“collegium”) os seus sucessores e lhes escreveu uma regra, que o Papa Honório, sucessor de Inocêncio, e numerosos outros depois dele, aprovando esta Ordem a confirmaram tão devotamente, como o atestam suas bulas. E nesta profissão que nós, seus discípulos, servimos ao Senhor até o dia de hoje nas diversas partes do mundo” (texto latino em AnalOC, XV [1950], p. 208).

Se havia ainda uma diferença entre os primeiros eremitas do Antigo e do Novo Testamento e seus sucessores da época de Inocêncio III, na primeira rubrica das Constituições de 1324, os sucessores aparecem já nos tempos de Cristo. É assim que se forma a idéia da ininterrupta sucessão hereditária da Ordem do Carmelo. Esta convicção desembocará no tão penoso litígio entre os Carmelitas e Daniel Papenbroek. Entretanto, a figura de Elias foi se tornando cada vez mais significativa na espiritualidade da Ordem. No século XV Tomás Waldense escreve, sem ulteriores correções: “nossa profissão religiosa nos estimula a viver segundo sua inspiração” (Mhc, p. 446).

Tudo indica que foi João Baconthorp, morto em 1346, quem pela primeira vez uniu a devoção mariana da Ordem do Carmelo com a lembrança do profeta Elias:

“Segundo os profetas (as profecias?), os Frades do Carmelo nasceram especialmente para venerar à Santíssima Virgem Maria… E posto que [a Virgem Maria] é honrada e pregada através do Carmelo, convém que no Carmelo, dado a ela, exista os carmelitas que a venerem de um modo especial. E assim foi na antiguidade. Na realidade as profecias se compreendem à luz dos acontecimentos… Quantos profetas e reis estiveram no Carmelo rendendo honras à Senhora do lugar, a bem-aventurada Maria! Para continuar o culto à Virgem Maria em seu Carmelo, nasceu a Ordem dos Irmãos do Carmelo. Porque o culto celebrado nos lugares dos santos é tributado primeiro a Deus e depois aos próprios santos… Mas também se todos aqueles que deveriam ser salvos na época dos profetas honraram ao futuro Filho da Virgem Maria…, com muito maior razão os religiosos do Carmelo, venerando no tempo de Elias e Eliseu aquele que havia de vir, instauraram no Carmelo sua Ordem da bem-aventurada Maria… Consequentemente é para este culto que tiveram origem” (Speculum de institutione Ordinis, cap. I; texto latino também em Élie, II, p. 42-43).

A forma mais completa desta espiritualidade eliana e profética encontra-se num escrito do séc. XIV, o Liber de institutione primorum monachorum (texto também em AnalOC, II [1914-16], p. 347-49).

Cosmas Peters

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Postado em Ecclesia Brasil.

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Imagem: Província Carmelitana de Santo Elias

“Com sua singeleza, pureza e entrega, N. Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade.” Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho (OCDS)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS)

A Mãe apresentada pelas Filhas – Nossa Senhora do Carmo

Diversos e diferentes títulos são ofertados Àquela que, em frações de segundos não hesitou em dizer o “Sim” mais importante da história da salvação e da humanidade. Com sua singeleza, pureza e entrega, Nossa Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade. Após este momento fulgural toda uma teologia desenvolveu-se culminando com a morte e ressurreição de Jesus.

No Carmelo, a flor mimosa e bela, desde os remotos tempos do Profeta e Santo Elias, passando pela presença junto à São Simão Stock, tem sido sempre notada pela presença discreta e decisiva em importantes momentos da vida de diversos Santos e Santas.

Com a reforma Teresiana do Carmelo sempre ficou evidente o amor e carinho não somente da Madre como de São João da Cruz, mas também de suas filhas carmelitas à Virgem Maria. Então, como estas filhas se dirigiram a sua Mãe e Virgem do Carmo? Apenas para ilustrar esta relação de amor filial, de veneração e de carinho, podemos pelos frutos admirar ainda mais a frondosa árvore.

Durante seus poucos anos de vida no mundo, Teresa de Jesus dos Andes, nos apresenta uma Mãe generosa e uma guia espiritual. Nos diz: “Mãe minha, mostra que és minha Mãe. Ouve o grito de minha alma pecadora arrependida, que sofre e leva até o fim o cálice da dor. Mãe, consola-me, alenta-me, aconselha-me, acompanha-me e abençoa-me”. Ainda em outro momento de seus textos nos mostra algumas das virtudes da Virgem. Oh Mãe, celestial Madonna que nos guia. Tu deixaste cair de tuas mãos maternais raios de céu. Minha alma, extasiada a teus pés virginais, te escutava. Tua linguagem era terna, era de céu, quase divino”.

E como a Santa de Lisieux se dirigia a sua Mãezinha? Na poesia número 7, Canto de gratidão à Virgem do Carmo, ela nos ensina:

Desde o primeiro instante de minha vida
me tomaste em teus braços,
e desde aquele momento,
minha amada Mãe,
me proteges aqui na terra.
Para guardar intata minha inocência,
me escondeste em um suave e doce ninho,
guardaste minha infância
à bendita sombra
de um claustro retirado.

E mais tarde, ao chegar
minha juventude em seus primeiros dias,
escutei o chamado de Jesus.
Me mostraste o Carmelo
com inefável ternura.
“Venha imolar-te por teu Salvador
– me dizias, então com doçura –
perto de mim te sentiras feliz,
Venha imolar-te por teu Salvador”

Perto de ti, oh minha terna Mãe,
encontrei a paz do coração,
nesta terra nada mais desejo,
Só Jesus é toda minha ventura.
Se alguma vez me assaltam
a tristeza ou o medo,
em minha debilidade, tu me sustenta
e sempre, minha Mãe, me abençoa.

Alcançai-me a graça de manter-me fiel
a meu divino Esposo, Jesus
Para que um dia
eu escute sua voz doce
quando eu voar me convide a sentar-me
entre seus eleitos.
Então já não haverá
nem desterro, nem mais sofrimento.
Já no céu,
eu voltarei a cantar-te
meu amor e gratidão,
doce e amável Rainha do Carmelo.

Também podemos admirar e constatar a beleza da Mãe pelos dizeres da Beata Elisabete da SS. Trindade que tão bem expressou os seus sentimentos de amor a Virgem do Carmo, quando nos fala: “Quem mais terna, mais misericordiosa que Maria? Ela sofreu tanto por nós! Podia demonstrar-nos de modo melhor o seu amor? Vejo-a contemplando o seu Jesus morto que repousa em seus braços. Quanto sofre esse coração de Mãe! Seria eu capaz de recusar-lhe o meu consolo?”.

Assim, neste dia 16 pedimos a mimosa e admirável flor do Carmelo, Maria, que continue a abençoar com seu manto sagrado e com o Santo escapulário, a todas as suas filhas e filhos carmelitas e a todos que peregrinam rumo a morada celestial.

Professor Hercílio Martelli Júnior e Irmã Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus, OCD.

Publicado por Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS).

Santa Isabel da Hungria: “Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa.” – Terceira franciscana – Roberto Alves Leite (in “O Catolicismo)

Fonte: O Catolicismo

Santa Isabel da Hungria: nobreza e resignação heróica no infortúnio

Nos faustos da corte, piedade. Sob a calúnia e a perseguição, magnanimidade. Na opulência, caridade extremada. E, com a morte, a glória dos altares e da felicidade eterna.

Por Roberto Alves Leite

A vida de um santo é uma cruzada épica, em que ele põe todas as suas forças físicas e espirituais em ação. Quer se tenha convertido na maturidade, quer tenha sido aquinhoado desde pequeno com grandes dons, a partir do momento em que decidiu aprimorar-se nas virtudes e combater seus defeitos para alcançar a santidade o aspecto heróico passará a ser uma característica predominante em sua vida. Tal aspecto pode manifestar-se, às vezes, de forma surpreendente.
Quando Santa Isabel da Hungria nasceu, em 1207, cessaram todas as guerras em seu país natal. Seu pai, o Rei André II, da dinastia dos Arpades, e sua mãe, Gertrudes de Meran, descendente direta de Carlos Magno, tinham motivos para se alegrar por esta feliz coincidência.

Quatro anos depois, o Duque Herman, da Turíngia, enviou magnífica embaixada à Hungria para solicitar ao Rei a mão de Isabel para seu filho Luís, de onze anos.

Isabel passou a viver então na corte da Turíngia, onde, à medida que crescia, ia manifestando sua profunda piedade, que caracterizava todos os seus atos. Quando atingiu a adolescência, foi alvo de críticas da parte de nobres da corte, que a acusaram de ser muito religiosa, reservada, sem os traços mundanos que eles julgavam necessários para uma duquesa. Também diziam que ela iria arruinar o reino com as esmolas que dava.

Aos 13 anos, casou-se com Luís. Este tinha todas as qualidades de um autêntico cruzado, um verdadeiro defensor da Igreja. Em 1227 partiu para a Terra Santa como cruzado, com a elite de sua cavalaria, viagem da qual não haveria de voltar, pois morreu na mesma.

Hospedada no lugar dos porcos…

Viúva aos 20 anos, Isabel viu então a perseguição abater-se sobre ela e seus quatro filhos, um dos quais recém-nascido. O Duque Henrique, seu cunhado, que jurara protegê-la, expulsou-a do palácio com seus filhos e duas damas de honra, que lhe permaneceram fiéis. E proibiu à população recebê-la em suas casas.

Assim, em pleno inverno, Isabel viu-se obrigada a andar pelas ruas e bater de porta em porta, na esperança de que alguma alma caridosa se dispusesse a recebê-la. Só conseguiu entrar numa estalagem, onde o dono lhe destinou o lugar onde estavam os porcos, que foram removidos para ali ficar com seus filhos uma duquesa e princesa real.

No dia seguinte vagueou desamparada pela mesma cidade onde tantas pessoas se tinham beneficiado das esmolas que distribuíra com a prodigalidade que lhe era peculiar. Finalmente um padre, pobre também, resolve acolhê-la e dar-lhe certa proteção. Para que os filhos não morressem de fome, é obrigada a aceitar o conselho de deixá-los em mãos de outras pessoas.

Aparições do Redentor, de Nossa senhora e de São João Batista

Em sua vida de miséria e desamparo, Isabel sofreu muitas humilhações, tantas vezes vindas daquelas mesmas pessoas a quem muito tinha ajudado quando estavam necessitadas. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que a ninguém esquece, aparecia para consolá-la em suas aflições. São João Batista vinha confessá-la, e Nossa Senhora muitas vezes a visitava para a instruir, esclarecer e fortificar. Foi nessa ocasião que decidiu viver apenas para Deus.

Tendo chegado aos ouvidos de seus parentes, na Hungria, as provações por que passava, recebeu ela de seu tio, o Bispo-Príncipe de Bamberg, um castelo à altura de sua posição.

Além disso, os vassalos de seu finado marido, o Príncipe Luís, ao voltarem da Cruzada, dirigiram palavras duras ao usurpador, acusando-o de ter ofendido a Deus e desonrado o Ducado da Turíngia.

Isabel foi então reconduzida aos seus domínios, onde passou a exercer a caridade como desejava; e para melhor fazê-lo, decidiu recolher-se como terceira franciscana.

Virtude heróica: exagero para alguns…

Nesta situação, entretinha-se fiando a lã para dá-la aos pobres. Sua paciência e caridade não tinham limites. Nada a irritava ou descontentava. No atendimento aos doentes, nunca se viu tão maravilhoso triunfo sobre as repugnâncias dos sentidos. Era de espantar ver como a filha de um rei e viúva de um duque tratava os indigentes mais miseráveis. Até pessoas piedosas julgavam que ela exagerava em seus cuidados.

Seu pai, ao saber como vivia, enviou-lhe mensageiros para tentar retirá-la desse “estado miserável”. Ela lhes respondeu que, vivendo assim, era mais feliz que seu pai em sua pompa real. E retomou serenamente seu trabalho de tecer a lã.

Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa. Apesar das fatigantes obras de misericórdia a que se dedicava, sempre encontrava tempo para passar longas horas na oração e na meditação.

Era incansável na distribuição de benefícios materiais e espirituais. A um surdo-mudo ordenou, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dissesse de onde vinha; ao que ele imediatamente obedeceu, contando sua história. Do mesmo modo, cegos, possessos e estropiados eram curados.

Milagres atestam santidade antes e depois da morte

Tinha apenas 24 anos quando Nosso Senhor chamou-a a Si para premiá-la com a glória celestial. Na véspera da morte, sua fisionomia transformou-se. Seu olhar tornou-se resplandecente, manifestando uma alegria e felicidade que cresciam a cada instante. Quando exalou seu último suspiro, um delicioso perfume se espalhou pelo ar, ao mesmo tempo que um coro de vozes do Céu se fez ouvir em cânticos de júbilo. Era o dia 19 de Novembro de 1231.

A notícia de sua morte atraiu verdadeira multidão que desejava contemplá-la pela última vez antes de seu sepultamento. Eram pessoas de todas as condições sociais, que não se constrangiam em arrancar-lhe pedaços das vestes, mechas de cabelo, fragmentos de unhas, etc, guardando-os piedosamente como relíquias.

Para atender a todos foi necessário prolongar a exposição do corpo por quatro dias, durante os quais seu rosto se conservava como o de uma pessoa viva. Na noite que precedeu o enterro, o teto da Igreja se encheu de pássaros desconhecidos, que cantavam melodias inefáveis.

Após sua morte verificaram-se muitos milagres atribuídos à sua intercessão, como a cura de cegos, surdos, leprosos, coxos, paralíticos, etc. Isto suscitou um grande movimento popular pela sua canonização, o que muito contribuiu para que o Papa Gregório IX a elevasse sem demora à honra dos altares, fato ocorrido em tocante cerimônia no dia de Pentecostes, 26 de maio de 1235, decorridos apenas três anos e meio de seu falecimento.

Poucos dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, o Papa publicou a bula de canonização, que foi logo enviada aos Príncipes e aos Bispos de toda a Igreja.
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Fonte de referência:
Conde de Montalembert, Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie, Duchesse de Thuringe, Pierre Téqui, Paris, 1930.

Fonte: O Catolicismo.

Postado em Dezembro 10, 2007 by Feri.

“(…)Que os vossos pensamentos sejam sempre de muita coragem, pois disso depende que sejam as obras.” (Santa Teresa de Jesus) – Irmãs Teresianas (PR-Brasil)

Santa Teresa de Ávila - "visão intelectual" de Jesus
Santa Teresa de Ávila - "visão intelectual" de Jesus

Imagem: Missionários de Santa Teresa de Jesus

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Fonte: Irmãs Teresianas – Guarapuava-PR

TERESA DE JESUS, UMA SANTA APAIXONADA

“Nada te perturbe, nada te espante, Pois tudo passa, só Deus não muda,

a paciência tudo alcança. Quem a Deus tenha, nada lhe falta,

pois só Deus basta” Santa Teresa de Jesus, Poesias IX.

Natural de Ávila, Espanha, Santa Teresa de Jesus (1515-1582) destacou-se como mística, reformadora, escritora e doutora da Igreja. O que a tornou tão especial, o que fez com que seu nome atravessasse os séculos e ainda hoje desperte apaixonado interesse?1

Santa Teresa escreve sobre sua busca e experiência de amizade com as pessoas e com Deus. Nada abalava sua fé, pois trazia consigo a força do amor apaixonado por Deus. Para Teresa a pessoa é como um castelo habitado pela Trindade (M.I,1-5) à espera do encontro com sua criatura. Nele há muitas moradas, que expressam os distintos níveis da relação que a pessoa tem consigo, com os outros, com Deus e com o mundo. O conhecimento próprio é essencial para essa viagem interior. “A porta para entrar nesse castelo é a oração e reflexão” (MI). Nesse processo, Teresa adverte para não ficar olhando para as misérias humanas, e sim para o Cristo, o grande amigo. É um dinamismo onde a pessoa reconhece sua identidade e o mistério da sua liberdade. Teresa adverte que, quando a pessoa se nega ao Amor, está se fechando em si mesma (M.I,6-8). E, para fazer frente a uma antropologia egocêntrica, Teresa propõe um dinamismo de êxodo – a pessoa deve entrar dentro de si, autoconhecer-se, aceitando a própria realidade como também a realidade alheia. A imagem do castelo interior expressa um dinamismo dialético de integração entre interioridade e exterioridade levando a pessoa a sair de si mesma, vivendo numa relação progressiva de entrega, partilhando seus dons, criando novas relações.

Outra imagem teresiana para expressar o processo de caminhada da pessoa em relação a Deus, é a do bicho-da-seda. Através do símbolo da transformação do bicho-da-seda numa formosa borboleta, Teresa quer expressar o chamado à transformação em Cristo (M.II,2). Supõe um caminho de morte-vida, ganhos e perdas, segundo a lógica do seguimento, trilhado com Cristo e em Cristo. É na vivência do amor que a pessoa integra todas as suas potencialidades. As crises e contradições podem converter-se em lugar de encontro. A pessoa, sabendo-se amada, responde amando. Sente-se convidada a conhecê-Lo, amá-Lo, torná-Lo conhecido e amado.

Na analogia teresiana, a pessoa que começa a tratar de amizade com Deus “deve fazer de conta que começa a plantar uma horta em terra muito infrutífera, que tem muitas más ervas, para que nele se deleite o Senhor. Sua Majestade arranca as más ervas e vai plantando as boas” (V11,6). A própria pessoa é a horta, exposta às intempéries. Ela mesma deve cultivar o terreno, preparar a terra para que esteja em condições de acolher a água da chuva. Essa água é dom de Deus, o Jardineiro. Teresa sabe que o seguimento de Cristo é uma opção pessoal, mas também é dom e graça. O símbolo do cultivo da horta é um convite para a escuta, o silêncio, a acolhida, a espera e o reconhecimento do dom gratuito de Deus.

A imagem teresiana da amizade talvez seja a que melhor expressa a experiência teresiana da oração como relação viva e interpessoal com Deus. Supõe amor, intimidade, reciprocidade, realismo e capacidade de relação com as pessoas. Sem esses elementos, é muito difícil que a pessoa possa integrar as suas diversas dimensões. Para falar com Deus não é necessário ir ao céu, nem falar em altos brados. Ele está tão perto que ouvirá, basta pôr-se em solidão e olhar para dentro de si” (C28,2).

Teresa também faz analogia com a imagem da pessoa apaixonada. A vida não é senão entrega e doação apaixonada e apaixonante. É importante observar que Teresa não se fecha num intimismo (CcXXV). A máxima interioridade é ao mesmo tempo compromisso com o mundo, solidariedade com a humanidade: “O Senhor quer obras” (M5). Na oração, “o importante não é pensar muito, mas amar muito. E, assim deveis fazer o que mais vos desperta o amor” (M.IV,7). “O amor de Deus consiste em servi-Lo com justiça, fortaleza e humildade”.

Teresa, mulher que soube enfrentar muitas dificuldades, nos estimula: “que os vossos pensamentos sejam sempre de muita coragem, pois disso depende que sejam as obras”.

Para esta mulher, que amou e experienciou a humanidade de Cristo, Deus é aquele que sempre nos espera. Não encontrar-se com Ele é “uma pena, muita pena” diz ela.

A imensa capacidade que Teresa de Ávila teve em apaixonar-se – por si mesma, pelas pessoas, em seguida por Deus, depois pela humanidade – e manter-se viva por meio da capacidade de doar-se de diversas maneiras fez com que seu nome e sua obra tenha significado na atualidade.

Irmã Rita Milan Romio

ritamromio@hotmail.com

Irmãs Teresianas – Bairro São Cristóvão –

Tel.: (42)30357079 – Guarapuava/PR

1.A popular Santa Teresinha (+1897), francesa, foi discípula de Teresa de Ávila.

“A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé.” – 29 de junho (Ecclesia Una)

O autor do texto abaixo é Everth Queiroz Oliveira, 14 anos. É estudante, e em seu blog “Ecclesia Una” se afirma como “Cristão Católico”. Admito que  fiquei impressionada com o conteúdo geral do blog deste menino. Ele toca em um assunto que considero muito importante: “um católico/cristão” pode fazer parte da Maçonaria, ou integrar a Ordem Demolay?

É autor do post abaixo, em que fala da “Solenidade de São Pedro e São Paulo”. Em seu blog apresenta o bispo de sua Diocese – Ituiutaba (MG) – Dom Francisco Carlos. Ele, Everth – se descreve assim: “Uma mente medieval em meio ao mundo moderno“.

Peço a Deus-Pai que abençoe este menino extraordinário em seus caminhos, iluminando sempre seus passos.  Que não perca a humildade (cheia de devoção) que transparece em seus escritos e em seu olhar. Que a oração seja o seu escudo no “bom combate”. Amém.

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. Ecclesia Una

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Ecclesia Una (blog)

27/06/2009 por Everth Queiroz Oliveira

A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé. Trata-se de uma das mais importantes festividades da Igreja, onde se lembra – liturgicamente falando – a fundação da Igreja Católica. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). De fato, aqui tudo começou: o ministério apostólico, a missão evangelizadora dos cristãos, a pregação da doutrina. Com essas palavras de Jesus, a Igreja começava a se formar e é hoje que celebramos mais um aniversário da Igreja. Sim. São quase 2000 anos de história, de lutas, de conversões, de testemunhos, de santidade, de vida, de .

Quando passamos a observar a dimensão da Igreja Católica no mundo, observamos o quão grandes somos. Em particular, cada um de nós é um ser humilde, simples; no entanto, por meio da união, evidencia-se na Igreja cristã um Pai Nosso, de todos nós, que protege e guarda o Sumo Pontífice Bento XVI, os cardeais e bispos do mundo inteiro, além, é claro, dos sacerdotes e leigos responsáveis por combater o depósito da fé. De fato, não dá para pensar em Igreja Católica sem se lembrar da figura sempre atuante de Jesus Cristo. Com efeito, a própria Igreja é o Corpo de Cristo. Fundada por Ele, ela segue seu ministério com amor, empenho e dedicação. Não se aflige com os pecados dos seus ministros, pois sabe que esses pecados não interferem e nem mancham a santidade da Igreja, que é, segundo São Paulo, “sem mácula, sem ruga” (Ef 5,27).

Nós, que somos católicos, sentimos um imenso orgulho em participar da união católica, que é evidenciada e completada pelo banquete nupcial: a Eucaristia. E a Igreja é a única a conter esse mistério inefável. O Corpo e o Sangue de Jesus estão verdadeiramente na Santa Sé, na Igreja; e Ela é a única a manter em sua doutrina esse tão belo tesouro. Não existe, aliás, riqueza maior do que Jesus Eucarístico. A plenitude da fé, do amor, da caridade e da santidade só pode acontecer no Santo Sacrifício da Missa, onde celebramos a Eucaristia. Nesse sentido, celebramos a Missa de aniversário da Madre Fiel e pura.

E por que é tão importante celebrar, no contexto da fundação da Igreja, os apóstolos Pedro e Paulo? Eles, de fato, foram personagens de suma importância para a história da difusão da fé cristã no mundo. Primeiramente, Pedro, onde Jesus decidiu edificar a sua Igreja. Segundo a tradição católica, cremos que São Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Da mesma forma, quando falamos disso, não podemos nos esquecer de São Paulo, que tem na Bíblia Sagrada cartas de uma riqueza espiritual incomensurável. São exortações ricas em ensinamentos e conselhos de um homem que experimentou a mais bela conversão da Sagrada Escritura. Aliás, foi a primeira conversão cristã da Bíblia depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Observa-se aqui a importância da festividade dos dois santos.

Ela é analisada não só quando pensamos nos fatores históricos, mas principalmente quando partimos para a liturgia que hoje nos propõe a madre Igreja. A primeira leitura mostra como o Espírito Santo estava com Pedro. Foi ele preso por pregar o Evangelho de Jesus. E aqui é importante pensar que todos os apóstolos – com exceção de São João – morreram martirizados. São Pedro inclusive foi crucificado, assim como Jesus. A missão apostólica naqueles tempos era muito difícil. Preso, São Pedro viria a ser morto. Mas Deus ainda precisava dele para a pregação do Evangelho. Por isso mandou-lhe um anjo para que o libertasse da prisão. Só depois, contudo, ele veio a reconhecer aquilo: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Ainda na primeira leitura, a Pedro o anjo exclama: Levanta-te depressa! Quantos de nós hoje não estamos presos, caídos pelas perseguições do mundo, pelo desânimo que nos impõe o demônio por meio do pecado, da tristeza e do desespero? Nesse momento, Jesus está incessantemente a nos chamar, assim como chamou a Pedro: “Levanta-te!” Não é hora de ficar parado. Deus nos escolheu para sermos vencedores, para batalharmos por Ele. E isso para que depois possamos dizer com Paulo: “Combati o bom combate, (…) guardei a fé” (2Tm 4,7). Depressa: agora é a hora. Precisamos nos converter, nos levantar, mudar de vida? Sim. Mas quando? Agora. E por que agora? Justamente porque não sabemos a hora que Jesus virá para julgar. Deus não quer chegar e nos ver caídos na lama do pecado e do desespero. É mister que estejamos de pé, firmes, para a hora da volta de Cristo.

* * *

Na segunda carta de São Paulo a Timóteo, o apóstolo dos gentios deixa aos leitores da Bíblia uma mensagem final. Se aproximava o momento de sua morte, de seu encontro com Deus. Era realmente momento de ir – e ele bem sabia -, de partir ao encontro do Pai: “eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida” (2Tm 4,6). Mas, de se queixar ele não tinha nada. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Essa frase de São Paulo ao final de sua vida mostra a nós que todo aquele que quer seguir Jesus e pregá-Lo precisa assumir o compromisso de travar um combate contra as trevas. Catolicamente falando, o missionário cristão deve estar com o “escudo da fé” (cf. Ef 6,16) para combater as heresias do mundo moderno e também as insídias armadas por Satanás para destruir a Santa Igreja de Deus.

Esse ato de combater o bom combate é de uma valentia que Jesus admira em seus combatentes. Somos, em meio a esse mundo, verdadeiros “cruzados cristãos”, pessoas que lutam para guardar a fé, para vencer o medo, vencer o mundo, vencer o demônio. Nesse sentido, lembro-me de ter lido uma radiomensagem do Papa Pio XII, no natal de 1942, sobre o assunto. Na ocasião, ele dizia:

29. O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade. Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de “Deus o quer”, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência.

Quando falamos de ser cruzados – que ninguém interprete isso mal – proclamamos a sua coragem, sua fé, sua vontade em combater o bom combate. A construção da Igreja de Deus precisa da vitória nos combates. Ah! E como precisamos de missionários cada vez mais compenetrados pelo amor de Cristo e empenhados em guardar a fé, se preciso for até morrendo pela Igreja!

É esse o exemplo que nos deixa São Paulo Apóstolo. De perseguidor dos cristãos a combatente da fé: esse homem deixa-nos uma lição de vida que deve ser seguida por todos. Com efeito, é só tendo uma vida como a de Paulo que poderemos dizer: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4,8). Sim, porque “a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” será concebida a herança eterna, recompensa de nossas boas atitudes, da fidelidade ao combate de Cristo.

Enfim, chegamos ao Evangelho. E nele observamos a passagem em que Pedro proclama sua fé. Jesus pergunta quem pensam os apóstolos que Ele é. Pedro toma a palavra e responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). É essa confissão de fé que Pedro profere faz com que Jesus dê a ele as chaves do Reino de Deus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).

Aqui Jesus Cristo edifica sua Igreja. Pede a Pedro que guarde a fé de sua Igreja, por isso a ele confia as chaves do Reino. Esse ato de dar as chaves do Reino representa a infalibilidade papal, dogma proclamado oficialmente pela Igreja no Concílio Vaticano I. Veja, meu irmão, essa é a prova bíblica que comprova que quando um Papa trata sobre um assunto de fé e moral, ele não pode errar. Hipocrisia isso? Não. O Espírito Santo foi garantido por Jesus ao Sumo Pontífice, portanto, quando esse vai instruir os fiéis, não erra. E é por isso que as portas do inferno non praevalebunt. Não prevalecerão e nem prevaleceram. E olha que isso já faz 20 séculos! A Igreja, construída sobre a rocha está firme até hoje porque foi fundada por Jesus Cristo, que por sua vez declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja de Deus. Ora, se ela persistiu de pé durante 2000 anos é porque Jesus o garantiu!

Sobre São Pedro, sobre São Paulo, cujas histórias de vida nos recusamos a contar de tão grande é esse belo testemunho, foi construída e edificada a Igreja de Deus. É por meio dela que alcançamos a salvação que Deus tanto quer que recebamos. Ouçamos a voz infalível do Magistério da Igreja, escutemos o que tem a nos falar Jesus Cristo por meio desse tão nobre sacramento de Salvação. Celebremos com a Madre Igreja essa festa tão bela e alegre! Que a Santíssima Virgem Maria continue a cobrir a Igreja com seu manto de amor. Amém.

Graça e paz.

Autor: Everth Queiroz Oliveira

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OBS.: Todos os grifos e partes subinhadas são do autor.

“O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.” – Santa Teresinha do Menino Jesus – Frei Patrício Sciadini (OCD)

Santa Teresinha de Lisieux

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Fonte: Frades Carmelitas Descalços (Ordem dos Carmelitas Descalços-OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Nasceu em 1873, em Alençon, França. Entrou adolescente para o Mosteiro das Carmelitas de Lisieux, com apenas 15 anos, onde se distinguiu particularmente pela humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus e, estas virtudes ensinou-as às noviças, com seu exemplo e palavras. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, oferecendo sua vida pela salvação das almas, a santificação dos sacerdotes e a expansão da Igreja. Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 29 de abril de 1923, que fez dela a “estrela de seu pontificado”. Canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925. E pelo mesmo Papa proclamada Padroeira das Missões em 14 de dezembro de 1927. O Papa João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997. Santa Teresinha, aparentemente pequena aos olhos das criaturas, mas que trazia em si uma alma de gigante. Podemos defini-la como a “Pequena Gigante”.

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

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Fonte: Paróquia Santa Teresinha – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Desde o início, para não confundi-la com Teresa de Ávila, fundadora do Carmelo Descalço, acostumou-se a chamar a carmelita francesa, nascida em Alençon, França, em 1783, pelo nome de Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta menina, que, desde pequena, sentiu-se fortemente atraída por Jesus Cristo e pelo Carmelo, “quis porque quis” ser carmelita aos quinze anos. Conseguiu entrar no Carmelo de Lisieux, onde, no silêncio, na oração, na austeridade de vida, chegou a ser santa.

A palavra que mais usa em seus escritos e que manifesta uma qualidade muito importante para todas as situações da vida é “QUERO”. Sua vontade educada na escola do Carmelo sabe ser firme nos propósitos assumidos. Já antes de entrar para a vida carmelitana, ela afirma que quer “ser santa e uma grande santa”. Conseguiu. É, sem dúvida, uma das santas mais conhecidas e famosas de toda a Igreja. Exerce sobre teólogos, bispos, papas e pessoas simples uma influência toda especial. Há em Teresinha um carisma singular: o da simpatia. Não é possível ler seus escritos sem sentir uma grande comoção interior por sua delicadeza, por sua linguagem terna e perfumada como as flores simples do campo que são cuidadas por Deus.

“Observai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como um deles”(Mt 6, 28s).

Teresinha do Menino Jesus, por trás de sua simplicidade, esconde um caráter firme e decidido. No claustro do Carmelo vai encontrando o sentido escondido de sua vocação, do seu ser Igreja, do porquê da oração e da vida. É no silêncio que ela se faz palavra para o mundo, e é depois de sua morte que, como “missionária”, percorrerá todos os lugares do mundo, ensinando a amar a Cristo e educando-nos para um novo estilo de anunciar o evangelho: “a oração e o sacrifício”. Ousada em suas intuições, ela procura um caminho de santidade que todas as pessoas possam trilhar sem necessidade de penitências que são possíveis para poucas. É o caminho do “abandono e da confiança”, e, para que isto seja compreensível, em sua criatividade escolhe o símbolo do “elevador”, que, sem esforço, leva até os andares mais altos. Os braços de Jesus, sublime elevador, nos levam até o coração de Deus.

A espiritualidade da carmelita de Lisieux não está encerrada numa obra teológica orgânica; ela se encontra na narrativa de sua vida espiritual, com que ela sabe entrar em nosso coração. Não se trata de uma cronologia da vida, mas de momentos importantes do encontro com Deus, que vão acontecendo e que, mais tarde, ela sabe reler como mimos de Deus e, por isso, poderá cantar as misericórdias do Senhor.

Teresinha do Menino Jesus é o divisor entre uma espiritualidade “punitiva”, de um Deus que deve ser aplacado através de sacrifícios e de vítimas para que não envie sofrimentos e dores sobre a terra, e nosso Bom Deus, ávido por nossa salvação. Aquela primeira imagem de Deus não condiz com sua confiança e sua experiência do pai humano que teve. Ela será assim capaz de descobrir que Deus necessita, sim, de vítimas, não para ser aplacado mas para satisfazer sua sede de misericórdia e de amor. O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.

A História de uma Alma, autêntico best seller traduzido em 120 línguas, faz inveja a qualquer escritor. Quantas pessoas encontram nos escritos da pequena Teresa força para continuar o caminho. Em sua doutrina bebem os santos e os pecadores em cuja mesa ela gosta de se sentar. Os ateus buscam em seu livro consolo para suas noites escuras, nas quais não enxergam nada de Deus, embora sejam contemplados pelo mesmo Deus.

Além desta obra-prima da literatura espiritual, considerada uma das “sete maravilhas” da espiritualidade, Teresinha nos oferece poesias, cartas, peças teatrais, de onde transborda seu amor a Deus e ao próximo. Necessitamos hoje, mais do que nunca, nos colocar na escola dos santos simples que sabem falar ao coração mais do que à inteligência entupida de idéias e de auto-suficiência.

A Igreja, considerando sua importância na teologia e na espiritualidade, não encontrou dificuldades em proclamá-la “Doutora da Igreja” e doutora da ciência mais difícil, “Doutora da ciência do amor”, aquela ciência que não se aprende nos livros mas no discipulado de Jesus. Teresinha morre aos 24 anos, aos 30 de setembro de 1897, dizendo: “- Meu Deus, eu vos amo!” Foi proclamada Padroeira das missões pelo Papa Pio XI, que a chamava de estrela de seu pontificado, e Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, aos 19 de outubro de 1997.

Quer conhecer mais sobre Santa Teresinha? Leia História de uma Alma e outras obras que você encontra em todas as editoras católicas.

“Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo…” Santa Teresinha

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Extraído integralmente do site Paróquia Santa Teresinha (OCD) – Higienópolis (São Paulo).

Imaculado Coração de Maria – Devoção (20 de junho) – Mensagem de Fátima

Fonte: Spe Deus

Imaculado Coração e Maria

Sábado, 20 de Junho de 2009

Imaculado Coração de Maria

Esta memória ao Imaculado Coração de Maria não é nova na Igreja; tem as suas profundas raízes no Evangelho que repetidamente chama a nossa atenção para o Coração da Mãe de Deus. Por isto, na Tradição Viva da Igreja encontramos esta devoção confirmada pelos Santos Padres, Místicos da Idade Média, Santos, Teólogos e Papas como João Paulo II.

“Depois ele desceu com eles para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração”. Este relato bíblico que se encontra no Evangelho segundo São Lucas, une-se ao canto de louvor entoado por Maria, o Magnificat; a compaixão e intercessão diante do vinho que havia acabado e a presença de Maria de pé junto a Cruz, revelam-nos a sintonia do Imaculado Coração de Maria para com o Sagrado Coração de Jesus.

Entre os santos, São João Eudes destacou-se como apóstolo desta devoção e, entre os Papas que propagaram esta devoção, destaca-se Pio XII que em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.

As aparições de Nossa Senhora em Fátima no ano de 1917, de tal forma espalharam a devoção ao Coração de Maria que o Cardeal Cerejeira disse um dia: “Qual é precisamente a mensagem de Fátima? Creio que poderá resumir-se nestes termos: a manifestação do Coração Imaculado de Maria ao mundo actual, para o salvar”. Desta forma, pudemos conhecer que o Pai e Jesus querem estabelecer no mundo inteiro a devoção ao Imaculado Coração, que se encontra fundamentada na Consagração e Reparação a este Coração que “no final triunfará”.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Publicada por JPR – Sábado, Junho 20, 2009.

Igrejas cristãs realizam 14º Mutirão de Oração por Crianças e Adolescentes em Situação de Risco nos dias 6 e 7 de junho .

São Luiz Gonzaga (1568-1591)
São Luiz Gonzaga (1568-1591) Beatificado em 1605, canonizado em 1726, e proclamado pelo papa Pio XI, em 1926 - modelo e protetor da juventude
Igrejas cristãs, de origem calvinista ou de outro ramo protestante, no caso autodenominadas evangélicas, demonstraram discernimento quando abandonaram ao longo dos últimos séculos, o viés proselitista, no caso, de anti-catolicismo. Ao invés de serem cristãs, ou seja – efetivamente seguirem a Jesus Cristo – são contrárias ao catolicismo. É o caso da maioria das denominações pentecostais da atualidade. Talvez por esta razão, as Igrejas Batista Betel  e determinada corrente da Igreja Presbiteriana se ocupem do que verdadeiramente agrada a Deus, Criador de todos os seres humanos desde a queda, e Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador: “Amar o próximo”. O que nos “une”, basicamente, é a queda da graça de Deus… E ela atinge a todos… No entanto, temos um Redentor comum. E, por Ele, o amor é fator de união. Então, se queremos viver o amor de Cristo, que Assim Seja.
Gostaria de dar o contexto desta notícia, além do motivo principal, que é sentimento de amor, proteção às crianças.
Recebi em minha caixa de correio a notícia deste evento do ramo cristão evangélico. Após algumas considerações resolvi pela divulgação, ainda que seja um evento “evangélico”. Explico as aspas: acredito que os componentes desta rede de amparo social cristão, assim se autodenominam somente porque integram há muitas gerações a tradição protestante. afinal, nós católicos lemos e meditamos, em essência, os mesmos Evangelhos. Além disso, preocupamo-nos com intensidade idêntica com o sofrimento material e emocional de crianças e adolescentes. Sofrimentos que chegam mesmo à brutalidade, ou violência generalizada contra a infância e a juventude. Portanto o que importa é que esta preocupação comum nos une.
Assim, as ofensas à infância e juventude são tão alarmantes que quaisquer outras questões são menores…
Entendo que tão maléfica quanto a violência física é a psíquica. Prejudicam o desenvolvimento dos “pequenos” de Jesus, e que acabam crescendo no abandono, na injustiça, ou na distorção de valores universais. Entram, em ambos os casos, em um túnel escuro de perdição… Isto é inaceitável.
Assim, há a ação subreptícia de boa parte das produções dos meios de comunicação voltadas ao público infanto-juvenil – vídeos (e vídeo-games), programação de tevê,  e para piorar, a internet. Lembremos que há equipes de trabalho “sofisticadíssimas” envolvidas com sets de filmagem direcionados ao público infantil e adolescente. Há produtores de histórias em quadrinhos (principalmente “mangás” – que incitam em geral à violência e à precocidade sexual). Em uma lancheria vi um desses desenhos: havia um menino bom, com cabelos claros. Ele possuía poderes mágicos… O outro menino que o combatia era mau. Por “coincidência” não era claro e seus cabelos eram escuros… Vestia uma armadura colada ao corpo e um capacete na forma de um unicórnio ou algo assim. Ou seja, para a criança, pessoas más terão esta aparência… Nada é mais irreal.
Desse modo, desgraçadamente, há mais de duas décadas nossos filhos, sobrinhos são as pequenas ovelhas, cordeirinhos destinados a este mercado de lobos… Enriquecem às custas de nossas crianças e jovens, direcionando-os desde o berço para certas  condutas, marcas, entre outras persuasões nefastas. Crianças e jovens, ainda que muito pobres também estão sujeitos a estas visões “mercadológicas” de mundo. Psiquicamente sofrem muito mais com tais pressões porque sentem as limitações de sua condição social – a de pobreza ou pior, a da linha de miséria. A violência de seus comportamentos desde a infância tem como fonte este acúmulo de frustrações… Que Deus nos ajude a reverter este quadro, pouco a pouco. Crianças e jovens devem brincar e estudar em ambientes saudáveis, ainda que simples. Jesus foi um menino pobre, como, em geral, todos de seu tempo. Esta idéia deve unir os cristãos em torno da proteção do mundo infantil e juvenil.
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Fonte: GNotícias

Mutirão de Oração intercede por crianças em situação de risco

Por Renato Cavallera – quinta-feira, 4 junho 2009

Cristãos de todos os cantos do mundo vão orar, neste final de semana, pelas crianças em situação de risco. Entre os motivos de oração está o pedido pelo cumprimento de Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMS), da Organização das Nações Unidas, vinculados à saúde e educação.

O 14o Mutirão Mundial de Oração pelas Crianças e Adolescentes em Situação de Risco é uma iniciativa da Viva, uma organização que apóia o trabalho em rede em favor dessa faixa etária. A Rede Mãos Dadas é a responsável pela mobilização da campanha no Brasil.

O Mutirão de Oração integra, este ano, a Campanha Latino-Americana pelos Bons Tratos da Criança “Ame o seu Próximo – Bons Tratos para a Infância”, que pretende mobilizar igrejas evangélicas da região para que cuidem das crianças em seus espaços e comunidades.

No Mutirão de 2009, cristãos são incentivados a orar pela segurança das escolas de bairro, pela diminuição da pobreza pela metade até 2015, pela melhoria da saúde das gestantes e pela diminuição da mortalidade infantil.

Também são temas de oração o combate à Aids, à malária e outras doenças, a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente, a igualdade entre sexos e a valorização da mulher, o trabalho pelo desenvolvimento.

As principais situações de risco para as crianças são, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a escravidão ou o trabalho infantil, a guerra e outras formas de violência, o abuso e a exploração sexual, a deficiência física e mental, o abandono ou a perda da família, e o jugo de instituições opressivas.

Segundo Viva, de cada cinco crianças no mundo, uma encontra-se em situação de grande risco social. (Fonte: ALC)

Notícia extraída de http://noticias.gospelmais.com.br/.

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Fonte/imagem: A Família Católica (São Luiz Gonzaga – protetor e modelo da juventude).

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A IGREJA DE JESUSCarmelitas Mensageiras do Espírito Santo

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mat. 16,18 )

O Senhor Jesus quis permanecer entre nós através da Sua Igreja, onde Ele é a Cabeça e nós os membros. Através dela estamos unidos a Cristo e aos nossos irmãos. O templo é a construção de pedras ou tijolos, a Igreja somos nós. Nós, Igreja, respeitamos a hierarquia deixada pelo próprio Jesus, ou seja, é presidida pelo Sumo Pontífice, o Papa, sucessor de Pedro, e seus auxiliares, os Bispos; a seguir, os Padres e Religiosas e, por fim, os Leigos. Todos formamos uma grande família, a família de Deus.

A Doutrina e a Tradição asseguram a forte Instituição chamada Igreja Católica Apostólica Romana. Católica, pois é universal; Apostólica, por ter sido divulgada pelos Apóstolos; Romana porque Roma é a sede do Bispo, sucessor de Pedro.

Ao fundá-la, Jesus delega ao Apóstolo Simão a missão de chefiá-la.

Falamos, anteriormente, sobre o nome e a missão conferida a ele. Jesus, ao escolher Simão para governar a Igreja nascente, muda seu nome de Simão para Pedro. Pedro foi o primeiro Papa.

Participar, amar e freqüentar a Igreja faz parte do crescimento espiritual da fé. Através da convivência comunitária somos integrados na grande Família de Deus.

É fácil compreender que o amor ama independentemente de ser amado, mas espera ser retribuído e, quando retribuído, pede fidelidade.

A Igreja e mais especificamente o Sacramento da Eucaristia marcam a presença amorosa de Jesus Cristo entre nós. O Senhor nos ama com amor perfeito e também nos pede fidelidade.

A respeito desse tema podemos ver já no Antigo Testamento o quanto a infidelidade é abominável por Deus. Em Levíticos 19, 31 e 20,8 e ainda em Deuteronômio 18, temos um exemplo disso.

Ainda no Antigo Testamento, podemos atestar que a infidelidade foi a causa da quebra da aliança, da amizade entre Deus e os homens.

O ser humano tem fortes tendências à auto-suficiência, ao orgulho, à vaidade e à infidelidade. Essas tendências são tão antigas quanto o ser humano e continuam fortes atualmente.

Liberdade de crenças ou de religiões não é a mesma coisa de caminhos que levam a Deus. Para melhor entendermos, veremos a seguir: os aspectos gerais das antigas e das novas religiões e em que não compartilham com nossa fé.

As Antigas Religiões

…. Hinduísmo

…. Budismo

…. Judaísmo

…. Cristianismo

…. Islamismo

Aspectos que o católico deve observar

Em que difere o cristianismo das religiões acima apresentadas

Ser Cristão

A Igreja de Jesus

SER CRISTÃOCarmelitas Mensageiras do Espírito Santo

Ser Cristão significa “revestir-se de Cristo”, conhecê-Lo através dos Evangelhos e relatos dos Apóstolos, imitar Sua conduta, seguir Seus exemplos, seguir Seus ensinamentos.

Ser Cristão é deixar de lado o “eu” . É anular-se deixando-se cativar por Seu amor. É experimentar Sua doçura, ouvir Sua voz, sentir Sua presença. Mas isso só é possível quando nos rendemos diante de nós mesmos, buscamos conhecê-Lo e  nos dedicamos à oração, que nada mais é do que falar com Deus.

A oração diária, a freqüência aos Sacramentos, a participação da Santa Missa nos levam ao encontro cada vez mais profundo com nosso Senhor.

A intimidade com nosso Senhor faz toda a diferença em nossa vida, sentimos a transformação a cada dia. Dessa maneira a história da Salvação do nosso futuro será marcada pelo cumprimento da missão à qual fomos chamados por Deus.

Jesus fez a vontade do Pai e a cumpriu até o fim. Pelo Pai, foi glorificado. Em Cristo Jesus também nós seremos glorificados pelo Pai, pois o Espírito Santo nos dará força, perseverança e acima de tudo muito amor ao nosso Deus e irmãos. Como diz o Profeta Isaías: “Caminharemos e não nos cansaremos, correremos e não nos fadigaremos”.

Ser cristão implica em fidelidade. Para ser fiel é preciso conhecer o Mestre através dos Evangelhos e buscar a fidelidade com Deus através da oração permanente.

“Do fruto que se extrai da oração e meditação” – São Pedro de Alcântara (1499-1562)

São Pedro de Alcântara, que viveu entre 1499-1562, foi prior de todos os conventos franciscanos da região de Ávila. Visitava Santa Teresa de Jesus quando vinha em missão administrativa. Nesta época, Santa Teresa estava na faixa dos quarenta anos de idade. Ela sentia profunda amizade e admiração por este frei sexagenário, que também lhe retribuía o afeto. Recebia-o acompanhada de sua amiga viúva, quando o avistava, já nas proximidades do Convento São José. São Pedro de Alcântara vinha a pé da cidade vizinha, e, após uma refeição frugal , se deitava à noite para descansar no piso bruto, embaixo de uma escada do convento. Santa Teresa sentia imensa ternura por tamanho despojamento, ainda que observasse em “Vida” (Livro da Vida) que o Santo, que ela chamava Frei Alcântara, talvez não devesse exigir tanto de seu corpo, já velho e cansado. Esta é uma característica peculiar  à sua personalidade: não era favorável a mortificações, ainda que em nada se opusesse ao que estava prescrito na regra carmelita, e menos ainda censurava o rigor da bula de São Francisco, que São Pedro de Alcântara cumpria à risca. É possível que, para melhor honrar o fundador, ia muito além do ideal ascético-místico estabelecido para os frades franciscanos. Santa Teresa provavelmente observara o rigor de seu velho amigo monge, porque em sua ótica, tinha em mente o excesso, por exemplo, de jejuns, já que para ela, isto inclinava suas noviças e monjas à fraqueza corporal, o que poderia implicar em confusões emocionais ou mentais quanto à percepção.

O trecho abaixo se refere ao primeiro capítulo do escrito de São Pedro de Alcântara, intitulado “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. Dividido em duas partes, a primeira é composta por doze capítulos. Traduzi do espanhol (faltam dois parágrafos deste primeiro capítulo – um curto e outro, bem longo). Mais adiante publicarei o restante. Me incumbi da tradução sem outra pretensão a não ser a de compreender melhor este escrito importante. Meu intento foi o de absorver melhor o sentido dos ensinamentos de São Pedro de Alcântara em seu “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. É evidente que ler em nossa língua facilita bastante este objetivo. O dicionário ficou à mão, já que algumas palavras do idioma espanhol certamente ainda possuem significado paralelo, mas não adequado (no sentido da expressão) para o nosso tempo. Aceito críticas…
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São Pedro de Alcântara

TRATADO SOBRE A ORAÇÃO E A MEDITAÇÃO

Primeira Parte

Capítulo I. Do fruto que se extrai da oração e meditação

Porque este breve tratado fala de oração e meditação, será melhor dizer em poucas palavras o fruto que deste santo exercício se pode extrair, porque com mais alegria de coração  a ele se oferecem os homens.

Coisa notória é que um dos maiores impedimentos que o homem tem para alcançar sua última felicidade e bem-aventurança, é a má inclinação do coração, e, além disso, a dificuldade e o desânimo* que tem para fazer o bem; porque se não fosse isto, facílima coisa lhe seria correr pelo caminho das virtudes e alcançar o fim para que foi criado. Pelo qual disse o Apóstolo (Rom.7,23): alegro-me com a lei de Deus, segundo o homem interior, mas sinto outra inclinação em meus membros, que contradiz a lei de meu espírito. E me faz, assim, cativo da lei do pecado. Esta é, pois, a causa mais universal que há de todo o nosso mal. Pois para acabar com este desânimo* e dificuldade, e facilitar este propósito, uma das coisas mais proveitosas é a devoção. Porque (como disse São Tomás) não é outra coisa a devoção senão a prontidão e a rapidez para fazer o bem, a qual aparta de nossa alma toda esta dificuldade e peso**, e nos torna prontos e rápidos para todo o bem. Porque é um alimento espiritual, um refresco e bálsamo do céu, um sopro e alento do Espírito Santo, além de ser uma afeição sobrenatural; o qual , de tal maneira  regra, anima e transforma o coração do homem, a tal ponto que lhe dá novo gosto e alento para as coisas espirituais, e desgosto e aborrecimento pelas sensoriais***. O qual nos mostra a experiência de cada dia, porque no momento em que uma pessoa espiritual sai de uma profunda e devota oração, ali se renovam todos os bons propósitos; surgem inclinações e determinações de fazer o bem; vem o desejo de agradar e amar a um Senhor tão bom e doce, tal como como na oração se havia se mostrado, e, mais, de padecer novos trabalhos e asperezas, e ainda derramar sangue por Ele. Finalmente, torna verde e se renova todo o frescor de nossa alma. (cont.)

*No original em espanhol: pesadumbre.

**Original: pesadum.

***No original: sensuales.

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Crédito/imagem: http://www.geneall.net/P/per_famous.php?tema_id=21..

“A glória de Nosso Senhor Jesus Cristo se completa com sua Ressurreição e Ascensão” – Santo Agostinho – 24 de maio (“Flos Carmeli”)

Ascensão do Senhor
“Uma vez mais, a liturgia põe diante dos nossos olhos o último dos mistérios da vida de Jesus Cristo entre os homens: a sua Ascensão aos céus”

É Cristo que passa

Sempre me pareceu lógico — e me cumulou de alegria — que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai. Mas penso também que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma manifestação do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Sendo perfeito Deus, Ele se fez homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. E separa-se de nós, indo para o céu. Como não havíamos de notar a sua falta?

É Cristo que passa ! A festa da Ascensão do Senhor sugere-nos também outra realidade: esse Cristo que nos anima a empreender esta tarefa no mundo espera-nos no céu. Por outras palavras: a vida na terra, que nós amamos, não é a realidade definitiva; pois não temos aqui cidade permanente, mas andamos em busca da futura (Heb XIII, 14) cidade imutável.É Cristo que passa, 126, 1 Relembremos agora os dias que se seguiram à Ascensão, na expectativa do Pentecostes.

Os discípulos, cheios de fé pelo triunfo de Cristo ressuscitado, e ansiosos ante a promessa do Espírito Santo, querem sentir-se unidos, e vamos encontrá-los cum Maria, Matre Iesu, com Maria, a Mãe de Jesus (Cfr. Act I, 14). A oração dos discípulos acompanha a oração de Maria; era a oração de uma família unida.É Cristo que passa, 141, 4 Jesus subiu aos céus, dizíamos. Mas pela oração e pela Eucaristia, o cristão pode ter com Ele a mesma intimidade que tinham os primeiros Doze, inflamar-se no seu zelo apostólico, para com ele realizar um serviço de corredenção, que é sempre a paz e a alegria. Servir, portanto, porque o apostolado não é outra coisa.

Se contarmos exclusivamente com as nossas próprias forças, nada obteremos no terreno sobrenatural; se formos instrumentos de Deus, conseguiremos tudo: Tudo posso nAquele que me conforta (Phil IV, 13). Por sua infinita bondade, Deus resolveu servir-se destes instrumentos ineptos. Daí que o Apóstolo não tenha outro fim senão deixar agir o Senhor, mostrar-se inteiramente disponível, para que Deus realize — através das suas criaturas, através da alma escolhida — a sua obra salvadora.

São José Maria Escrivá

Reflexão

“Se és o Filho de Deus, desce da Cruz” (cf. Mt 27, 42; Mc 15, 32). Segundo o Fundador de Claraval, é mal concebida essa proposta para comprovar a origem divina de Jesus, pois a realeza e mais ainda a divindade de um ser, não se torna patente pelo ato de descer, mas muito ao contrário, pelo de subir. E foi exatamente o que sucedeu com Jesus, quarenta dias após sua triunfante Ressurreição. Por isso, debaixo de certo ângulo, a Ascensão do Senhor ao Céu constitui a festa de maior importância ao representar a glorificação suprema de Cristo Jesus. Ele próprio a havia pedido ao Pai:

“Glorifica-Me junto de Ti mesmo, com aquela glória que tive em Ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17, 5); “Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho, para que teu Filho glorifique a Ti” (ibid. v. 1). Daí ser compreensível a manifestação de alegria dos Santos Padres ao comentarem essa glorificação do Cordeiro de Deus.

“A glória de Nosso Senhor Jesus Cristo se completa com sua Ressurreição e Ascensão.

(…) Temos, pois, o Senhor, nosso Salvador, Jesus Cristo, primeiro pendente de um madeiro e agora sentado no Céu. Pendendo no madeiro, pagava o preço de nosso resgate; sentado no Céu, recolhe o que comprou” (Santo Agostinho).

Postado por Flos Carmeli às 06:52.

Papa Bento XVI abençoa a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, na cidade de Madaba (Jordânia)

Igreja Ortodoxa de São Jorge - Madaba (Jordânia)
Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge - Madaba (Jordânia)

Sobre as Universidades, no lançamento da pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, em Madaba, dirigindo-se à rainha Rania, da Jordânia, o Sumo Pontífice  “recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se“.

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Fonte: Rádio Vaticano

Amã, 09 mai (RV) – (…) Do Monte Nebo, o pontífice se dirigiu à cidade de Madaba, onde abençoou a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino.

Ao saudar os presentes, Bento XVI elogiou a política do reino da Jordânia, de privilegiar a educação – missão que envolve em primeira pessoa a Rainha Rania, “cuja dedicação é motivo de inspiração para muitos” – disse o papa.

Falando das Universidades, o Santo Padre recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se.

“A religião é desfigurada, quando é obrigada a servir a ignorância e o preconceito, o desprezo, a violência e o abuso.” Quando isso acontece − explicou o pontífice − não vemos somente a perversão da religião, mas também a corrupção da liberdade humana. “Sem dúvida, quando promovemos a educação, proclamamos a nossa confiança no dom da liberdade” – concluiu o Santo Padre. (BF)

Fonte: http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=285905

Crédito/imagem: http://www.flickr.com/photos/gauiscaecilius/sets/72157607411678227/

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VATICANO – Bento XVI na Terra Santa – Celebração das Vésperas: “A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!”

Amã (Agência Fides – 12.05.2009) – Na Catedral de São Jorge* – greco-melquita, em Amã, no sábado 9 de maio, às 17.30h, o Santo Padre presidiu a oração das vésperas segundo o rito greco-melquita, que contou com a participação de sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e membros de movimentos eclesiais. Estavam presentes sacerdotes, religiosos e fiéis de vários ritos católicos. Na homilia, depois de saudar e agradecer os presentes, o Santo Padre recordou que a “Igreja é um povo peregrino; como tal, durante vários séculos, foi marcado por eventos históricos determinantes e por acontecimentos culturais. Infelizmente alguns deles incluíram períodos de disputa teológica ou de repressão. Todavia, existiram momentos de reconciliação, que fortificaram maravilhosamente a comunhão da Igreja, e tempos de rica retomada cultural aos quais os cristãos orientais contribuíram grandemente… O antigo tesouro vivo das tradições da Igrejas Orientais enriqueceram a Igreja universal e não deve mais ser entendida simplesmente como objeto a ser protegido passivamente. Todos os cristãos são chamados a responder ativamente ao mandato de Deus, como São Jorge fez de maneira segundo testemunho popular, para levar os outros a conhecê-lo e amá-lo”.*

O papa recordou os antigos laços com o patriarcado de Antioquia e suas raízes no Oriente, as numerosas iniciativas de caridade que “se estendem a todos os jordanianos, muçulmanos e outras religiões, e também ao vasto número de refugiados que este reino acolhe tão generosamente”. Falando do Salmo (103), primeiro salmo das vésperas, que apresenta imagens gloriosas de Deus, Criador generoso, ativamente presente em sua criação, e a epístola, que chama a atenção sobre a exigência de vigiar, de ser conscientes das forças do mal que estão na obra para criar escuridão em nosso mundo (cf. Ef 6, 10-20) – o pontífice sublinhou que, além da aparente contradição, “refletindo sobre a experiência humana cotidiana reconhecemos a luta espiritual, advertimos a necessidade cotidiana de entrar na luz de Cristo, de acolher a vida, de buscar a verdade. De fato, este ritmo, nos tira do mal e nos conduz a Deus – e isso celebramos em cada Batismo, entrada na vida cristã, primeiro passo longo o caminho dos discípulos do Senhor”.

Dirigindo-se então aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e às religiosas, e aos fiéis leigos, o Santo Padre recordou que “as respectivas funções de serviço e missão dentro da Igreja são a resposta incansável de um povo peregrino. As suas liturgias, a disciplina eclesiástica e o patrimônio espiritual são um vivo testemunho de sua tradição. Vocês façam ressoar a primeira proclamação do Evangelho, reviver as antigas lembranças das obras de Deus, tornem presentes as suas graças de salvação e difundam novamente o primeiro raio de luz pascal e sensação das chamas de Pentecostes”. Citando a enorme variedade dos trabalhos apostólicos, todos muito apreciados, evidenciou que a sua presença nesta sociedade “é um maravilhoso sinal da esperança que nos qualifica como cristãos” e “tal esperança vai além dos confins de nossas comunidades cristãs”.

Enfim, encorajando os que estão em formação para o sacerdócio e a vida religiosa, o papa disse: “Guiados pela luz do Senhor ressuscitado, inflamados pela sua esperança e revestidos de sua verdade e de seu amor, o seu testemunho dará frutos abundantes de bênçãos àqueles que vocês encontrarão ao longo do caminho”. E exortou todos os jovens cristãos jordanianos: “não tenham medo de dar uma ajuda sábia, comedida e respeitosa à vida pública do reino. A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!” (S.L.) (Agência Fides 12/5/2009)

*Grifos de minha autoria.


“Na esteira dos Profetas, dos Apóstolos e dos Santos, somos chamados a dar testemunho ao Evangelho do amor e da misericórdia universais de Deus…” (Papa Bento XVI – Monte Nebo)

Monte Nebo (Jordânia)  -  Foto: Nader Daoud/AP
Monte Nebo (Jordânia) - Foto: Nader Daoud/AP
Construída na Antiguidade, no Monte Nebo, vista da Basílica.
Vista da Basílica do Memorial de Moisés, no Monte Nebo - construída na Antiguidade.

Crédito/imagem: Basílica Monte Nebo – http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/snpcultura/fotografias/vol_monte_nebo

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Fonte: Agência Internacional FIDES – www.fides.org

VATICANO – Bento XVI na Terra Santa (3) – Na Basílica do memorial de Moisés: “Como Moisés, nós também fomos chamados pelo nome, convidados a empreender um êxodo diário do pecado e da escravidão rumo à vida e a liberdade”

Monte Nebo (Agência Fides) – O primeiro compromisso do Santo Padre no sábado, 9 de maio, foi a visita à antiga Basílica do Memorial de Moisés no Monte Nebo. “É justo que a minha peregrinação tenha início nesta montanha, onde Moisés contemplou de longe a Terra Prometida” disse Bento XVI no seu discurso. “Aqui, no alto do Monte Nebo, a memória de Moisés nos convida a ‘abrir os olhos’ para abraçar com gratidão não somente as obras maravilhosas de Deus no passado, mas também a olhar com fé e esperança para o futuro que ele reservou para nós e para o mundo inteiro. Como Moisés, nós também fomos chamados pelo nome, convidados a empreender um êxodo diário do pecado e da escravidão rumo à vida e a liberdade, e nos é dada uma sólida promessa para orientar o nosso caminho… Desta santa montanha, Moisés orienta o nosso olhar para o alto, na direção do cumprimento de todas as promessas de Deus em Cristo”.

Citando o exemplo de Moisés, que “contemplou a Terra Prometida de longe, no final de sua peregrinação terrena”, o Santo Padre recordou que “nós também fazemos parte da peregrinação sem tempo do Povo de Deus ao longo da história. Na esteira dos Profetas, dos Apóstolos e dos Santos, somos chamados a levar adiante a missão do Senhor, a dar testemunho ao Evangelho do amor e da misericórdia universais de Deus… Sabemos que, assim como Moisés, não veremos a plena realização do plano de Deus durante a nossa vida. Mas, assim mesmo, temos confiança que, fazendo a nossa pequena parte, na fidelidade à vocação que cada um recebeu, contribuiremos para seguir no caminho do Senhor e para saudar a aurora do seu Reino. Sabemos que Deus, que revelou o seu nome a Moisés, com a promessa de estar sempre ao nosso lado, nos dará a força para perseverar com alegre esperança também no sofrimento, na provação e nas atribulações”.

Bento XVI então afirmou querer confirmar com a sua presença a antiga tradição da peregrinação, “baseada no desejo de ver, tocar e saborear na oração e na contemplação, os locais abençoados pela presença física do nosso Salvador, da sua Mãe abençoada, dos Apóstolos e dos primeiros discípulos que o viram ressuscitado dos mortos”. Além de nos levar “a apreciar mais plenamente o dom da nossa fé e a crescer na comunhão que transcende qualquer limite de idioma, raça e cultura”, a peregrinação aos locais santos “nos faz recordar também o vínculo inseparável que une a Igreja ao povo judeu”. O Papa também manifestou o desejo de que esse encontro inspire “um amor renovado pelo cânone da Sagrada Escritura e o desejo de superar qualquer obstáculo que se oponha à reconciliação entre Cristãos e Judeus, no respeito recíproco e na cooperação ao serviço da paz em que a Palavra de Deus nos chama!” (S.L.) (Agência Fides 12/5/2009)

SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Doutora e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

FONTE: http:/ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/2009/04/liturgia-29-de-abril-santa-catarina-de.html

santa-catarina-de-sena

Memória de Santa Catarina de Sena, virgem e Doutora da Igreja e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

Terciária dominicana, e inflamada por um constante diálogo com seu esposo místico, teve uma irradiação maternal sobre seus discípulos, que se beneficiaram de sua doutrina, e exerceu influência decisiva junto ao papa em favor da unidade da Igreja. Santa Catarina nasceu em Sena, no dia 25 de março de 1347.

Na Europa, a peste negra e as guerras semeavam o pânico e a morte. A Igreja sofria por suas divisões internas e pela existência de “antipapas” (chegaram a existir três papas, simultaneamente). Desejando seguir o caminho da perfeição, aos 15 anos, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Viveu um amor apaixonado e apaixonante por Deus e pelo próximo. Lutou ardorosamente pela restauração da paz política e pela harmonia entre os seus concidadãos. Contribuiu para a solução da crise religiosa provocada pelos antipapas, fazendo com que Gregório XI voltasse a Roma.

Embora analfabeta, ditava as suas cartas endereçadas aos papas, aos reis e líderes, como também ao povo humilde. Foi, enfim, uma mulher empenhada social e politicamente e exerceu grande influência religiosa na Igreja de seu tempo. As suas atitudes não deixaram de causar perplexidade nos seus contemporâneos. Adiantou-se séculos aos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente. Deixou-nos o “Diálogo sobre a Divina Providência”, uma exposição clara das suas idéias teológicas e da sua mística, o que coloca Santa Catarina de Sena entre os Doutores da Igreja. Morreu aos 33 anos de idade, no dia 29 de abril de 1380.

“Doze estrelas para chegar à suma perfeição: amor de Deus,amor ao próximo, obediência, castidade, pobreza, assistência ao coro, penitência, humildade, mortificação, oração, silêncio, paz.” São João da Cruz – D154

“Com efeito, não é possível saber se amamos a Deus (embora haja grandes indícios para entender que o amamos); já o amor ao próximo pode ser comprovado. E convencei-vos; quanto mais praticardes este último, tanto mais estareis praticando o amor a Deus. Isso porque é tão grande o amor que Deus nos tem que, para recompensar aquele que demonstramos pelo próximo, faz crescer por mil maneiras o amor que temos por ele. Disso não posso duvidar.” Santa Teresa de Jesus–M 5,3.8

LITURGIA (29 de abril):

Leituras: At 8,1b-8 – Sl 65(66) – Jo 6,35-40

Esta é a vontade de meu Pai: toda pessoa que vê o Filho e nele crê terá a vida eterna.”

Somente essa fé verdadeira, genuína, pregada por Cristo, é capaz de dar um novo significado a toda a nossa vida.

Postado no Blog da OCDS, da Ordem Carmelita Descalça Secular, em 28.04.2009.

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Considerei interessante ampliar nosso conhecimento sobre os termos “ordem terciária” e “ordens ou institutos seculares”. A propósito, conforme nos informa o post do Blog da OCDS, Santa Catarina de Sena era uma leiga consagrada, ou seja, fez parte de uma Ordem Terceira (ou Terciária) reconhecida pela Igreja Católica, no caso a Ordem Terceira Dominicana.Um pouco mais abaixo, há um link que relaciona siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas e seus significados.

“Ordem Terciária: As Ordens Terceiras são associações de leigos católicos, vinculadas às tradicionais ordens religiosas medievais, em particular às dos franciscanos, carmelitas e dominicanos. Reúnem-se em torno à devoção de seu santo padroeiro. Espalharam-se pela América através dos colonizadores e foram um elemento importante na vida social da América portuguesa e espanhola.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_terceira

“Institutos Seculares: Os Institutos Seculares são associações comunitárias de leigos católicos que vivem um tipo de vida consagrada, professando votos evangélicos de pobreza, castidade e obediência e cultivando uma intensa vida de oração.

Sua atuação é no mundo secular, em todas as atividades humanas, e a sua missão é colaborar na santificação do mundo de acordo com os valores evangélicos e cristãos. Isto quer dizer que eles não cultivam um modo de vida enclausurado ou fechado, ao contrário da maior parte das ordens religiosas.

Esta forma de consagração foi aprovada pela Igreja Católica em 1947, através da Constituição Apostólica “Provida Mater Ecclesia“.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_secular

Pesquisa (Wikipédia): “Siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas

É uso corrente na Igreja Católica apor a sigla da ordem ou congregação religiosa logo após o nome do religioso ou da religiosa. Estas letras são, em geral, as iniciais da designação latina da organização.” (Ver siglas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_ordens_e_congrega%C3%A7%C3%B5es_religiosas_cat%C3%B3licas)

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Santa Teresa de Jesus e a Paciência do Amor

Santa Teresa de Ávila - 15 de outubro de 1582
Santa Teresa de Ávila - 15 de outubro de 1582

Não esqueci da data que relembra a partida de Santa Teresa de Ávila para junto d’Aquele que tanto amou, e com amor apaixonado. No dia 15 de outubro, ela foi lembrada especialmente por todas as comunidades católicas, de todo o planeta. No entanto, de minha parte (devo confessar-lhes…) nada havia para postar sobre ela. No dia 16 tentei postar algo com sua imagem, mas sentia-me esgotada e não consegui realizar a tarefa. Esta, tem um pequeno grau de dificuldade mas, ao final, por cansaço, desisti.

Tenho andado entre dois mundos: o da fé (oração) e pelo que me sinto mais acossada ultimamente: a provação. Alguns eventos, atualmente reunidos em um mesmo “balaio”, têm início junho de 2006. Quando postei “De abismos ou quase…”, na verdade , este. foi posterior ao post “Castelo Interior… Pequena Biografia”, que principia com ” A Recusa do Mal”. Eu gravei o conteúdo, postado em torno de maio de 2006, e o excluí, para publicá-lo novamente há dois meses, em 15 de agosto. Isto tem uma razão um tanto dramática, mas que considero inadequado detalhar, por motivos óbvios. Envolvem como me espalho no mundo e que impacto causo sobre as pessoas que me rodeiam. Nem poderia esperar coisa diferente, afinal a vida da Cristandade vem se agitando entre mares revoltos. Dou Graças a Deus por ter evitado correntezas, corredeiras. Minha jornada tem muitos dificuldades vencidas, enquanto outras perduram, principalmente porque “admito sonhar somente meus sonhos”… Sempre preferi rios, e ainda prefiro, ainda que conte com o lado assustador da profundidade… Acredito que por analogia, se trata de nossa vida interior. O que me causou surpresa e mesmo susto foi que, nesta altura do “rio”, não esperava (nem divisava, ao menos) um trecho rochoso, e portanto revoltoso, cheio de perigos em seu curso…

Santa Teresa de Ávila viveu alguns dissabores familiares. Ela dizia que o mundo é para os que são do mundo. Já na idade madura é que viveu uma estreita amizade espiritual com uma de suas irmãs- Dona Maria de Cepeda, que dela se aproximou espiritualmente ao tempo do falecimento do marido. A ajudou com algum dinheiro durante a construção do Carmelo de São José. Esta proximidade se deu com o tempo porque, para ela, quem se dedica à vida consagrada deve deixar em segundo plano a família. Eram, afora seu pai e mãe, bastante ligados às conquistas materiais – as irmãs, e às aventuras, mundo afora – seus irmãos. Um deles foi morto em uma batalha no Peru, devido a lutas de defesa contra invasores. Este, pouco antes de falecer enviou boa quantidade de dinheiro para o Convento das Carmelitas Descalças, já em fase final de construção.

O que sei é que não caí no abismo da decepção, e da posterior tristeza. Penso que somente Cristo pode mudar o conjunto das decisões do arbítrio humano. E, aqui entramos no terreno da boa-vontade. Jesus deixou-nos um legado importante: “Paz na terra aos homens de boa-vontade”.  Prosseguirei e sei que Ele tem ouvido minhas preces…

Para mim, nossa época mergulhou profundamente no individualismo, e, este,  está devorando o “sagrado coração” do nosso viver. Sem Verdade não há Amor. Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Com o ritmo veloz de hoje, o tempo passa rapidamente. Mas a velocidade, ao final, nada diz respeito ao mundo do transcendente. Acredito que, no mundo ocidental, todos estejam cientes da importância da caridade, do amor, enfim, do cuidado que devemos ter uns com os outros, sejam conhecidos ou não… A cultura cristã não foi abolida pelo relógio que marca segundos em em Seul, ou, certamente em Taiwan… Assim, ficaria fora de nosso alcance quem se alimenta do orgulho, da auto-suficiência. Ou seja, o livre-arbítrio sem piedade, volto ao tema – individualismo exacerbado – nos mata um pouco a cada dia.

Eu admito que tenho medo de minha liberdade de escolha (em termos afetivos, emocionais) por viver rodeada de tanta impiedade, tanto pelo que me rodeia, quanto pela cultura que hoje domina todos os setores da vida humana: a do lucro a qualquer custo, a que prioriza a exterioridade. Deus! Me ajude para que a frieza que hoje impera, jamais me torne maquinal, impessoal; para que a indiferença do mundo passe por mim e por meu esposo, ao largo, e nunca tome assento… Que assim seja.

Nunca me senti assim, mas creio que vencerei, em Cristo Jesus estes temores. Tal como Santa Teresa de Jesus afirma em sua prece: “Nada de turbe (…) a paciência tudo alcança. (…) Somente Deus basta!”. Amada Santa Teresa de Jesus – “Ora pro nobis. Amen”.

É confortador o fato de que Jesus Cristo revelou por meio de “visões intelectuais” (termos que ela própria cunhou) que a Santa deveria dedicar o novo Carmelo à Maria, Sua mãe e a José seu pai adotivo, por representarem a Sagrada Família humana. Os dois aderiram ao projeto da Nova Aliança, conforme escreve Santa Teresa de Jesus, isto é, ao perfeito acolhimento da Providência Divina. Vidas voltadas para a vontade do Criador.