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Leão XIII declarou São Camilo de Lellis “Patrono dos Enfermos e Hospitais” (Memória – 14 de julho)

SÃO CAMILO DE LELLIS - Patrono dos Enfermos e Hospitais

SÃO CAMILO DE LELLIS - Patrono dos Enfermos e Hospitais

No Rio Grande do Sul, residimos por alguns anos em Sapucaia do Sul. Na cidade ao lado, o hospital que atendia o município foi construído por uma ordem camiliana. Passou por várias crises financeiras o Hospital São Camilo. Espero que sua situação atual seja diferente, em honra aos esforços de São Camilo de Lellis, que é lembrado neste dia – 14 de julho.

Casualmente, na cidade que residimos, em Santa Catarina, o hospital do município também se chama “São Camilo”. Também vem atravessando sucessivas crises. Peço a São Camilo de Lellis que interceda junto a Deus e Jesus Cristo para que as Irmãs Camilianas sejam fortalecidas, com a ajuda do Espírito Santo, e que encontrem medidas que sejam saneadoras, em definitivo, dos problemas que vêm enfrentando há muitos anos. Peço a Deus que tudo se dê à altura de seu Patrono. Amém.

Aproveito este momento para pedir que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Nossa Senhora e São Camilo de Lellis consolem os pais da criança vitimada pela gripe H1N1 em Sapucaia do Sul. Esta criança de nove anos foi internada em hospital de Porto Alegre. Não conhecemos sua família, e pelos meus cálculos era um bebê de colo quando saímos do RS (em 2000).

Meus pais perderam dois filhos, depois de meu nascimento e de meu irmão. Depois vieram minhas duas duas irmãs, ambas na faixa dos 40 anos.

Um deles não resistiu a um grave problema cardíaco e, no outro ano, outro irmãozinho se foi para junto de Deus Pai, em decorrência de pneumonia dupla.Eram bebês, mas receberam nome e batismo. Minha mãe sempre mencionava a ocorrência do aniversário de cada um deles, com muita tristeza. Nunca soube o que dizer, para consolá-la. Certa vez, já na faixa dos 40 anos, me veio à mente falar-lhe o seguinte (meu pai estava ao lado dela): “Mãe, eu creio que eles estão lá no Céu e recebem notícias de vocês pelos Anjos, e rezam, e pedem, sem descanso, que Deus cuide, em especial, de vocês,seus pais. De certo modo, eles são como que “anjos” (pela inocência, ainda que humanos)”. Fiz 49 anos e, já há algum tempo dei-me conta que ela deixou de falar destas duas perdas dolorosas. Certamente lembra do dia em que nasceram, mas tem o vislumbre de que estão junto d’Aquele que protege e ama, incondicionalmente, todas as Suas criaturas.

Por acreditar piamente que meus irmãozinhos estão lá no Céu, peço aos Anjos, neste momento de minha vida, em especial, que levem a eles a premente necessidade de que rezem por mim. Não por egoísmo, e sim, para que eu saiba ouvir a voz de Deus e a esta Voz consiga ser obediente, sem temor de espécie alguma. Os Anjos da Corte Celeste sabem o que precisa ser acrescentado a este pedido especial. Amém.

Como jornalista não me sinto à vontade para revelar o nome da cidade que resido com meu marido, por segurança. A internet, o mundo são lugares perigosos… Que São Bento de Núrcia e Santo Isidoro de Sevilla (Patrono da internet) nos proteja. Talvez seja um excesso de minha parte, mas jamais forneço minha localização exata; apenas a região. Peço a proteção de São Miguel Arcanjo, para que eu continue o caminho a que Deus me conduziu ainda muito jovem, e que proteja a todos de meu convívio. Amém.

Que São Camilo de Lellis continue cuidando lá do Alto dos hospitais, enfermos e enfermas, médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, bem como funcionários e funcionárias. Também há de pedir, em meio à pandemia de gripe H1N1 – que Deus Pai abençoe as consagradas e os consagrados de todas as ordens que administram hospitais. Que jamais desanimem, mesmo diante de todo o fardo. Que, enfim, os “cuidadores” nunca percam de vista sua missão especial, ou seja, cuidado e respeito “magnânimos” para com os doentes. E quanto a estes, em sua fragilidade, que São Camilo lhes conforte na situação de saúde em que se encontrem. Acredito que tudo se dá tal como Santa Teresa de Jesus intitulou em um de seus belos poemas: todos estamos “Nas Mãos de Deus”…

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Fonte: “Cada dia tem seu Santo” (A. de França Andrade) – Internet

Terça-feira, 14 de julho de 2009

São Camilo de Lellis, Confessor

(+ Roma, 1614)

Pertencia a uma nobre família mas, infelizmente, não se portou bem no início da vida. Foi militar e revelou mau caráter, sendo expulso da tropa. Viciado em jogo, perdeu todos os bens e decaiu até à condição de mendigo. Foi nesse ponto que a graça o tocou. Arrependeu-se profundamente de seus pecados e passou a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. Fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. Foi declarado por Leão XIII –  “Patrono dos Enfermos e Hospitais”, juntamente com o português São João de Deus.

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Santa Isabel da Hungria: “Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa.” – Terceira franciscana – Roberto Alves Leite (in “O Catolicismo)

Fonte: O Catolicismo

Santa Isabel da Hungria: nobreza e resignação heróica no infortúnio

Nos faustos da corte, piedade. Sob a calúnia e a perseguição, magnanimidade. Na opulência, caridade extremada. E, com a morte, a glória dos altares e da felicidade eterna.

Por Roberto Alves Leite

A vida de um santo é uma cruzada épica, em que ele põe todas as suas forças físicas e espirituais em ação. Quer se tenha convertido na maturidade, quer tenha sido aquinhoado desde pequeno com grandes dons, a partir do momento em que decidiu aprimorar-se nas virtudes e combater seus defeitos para alcançar a santidade o aspecto heróico passará a ser uma característica predominante em sua vida. Tal aspecto pode manifestar-se, às vezes, de forma surpreendente.
Quando Santa Isabel da Hungria nasceu, em 1207, cessaram todas as guerras em seu país natal. Seu pai, o Rei André II, da dinastia dos Arpades, e sua mãe, Gertrudes de Meran, descendente direta de Carlos Magno, tinham motivos para se alegrar por esta feliz coincidência.

Quatro anos depois, o Duque Herman, da Turíngia, enviou magnífica embaixada à Hungria para solicitar ao Rei a mão de Isabel para seu filho Luís, de onze anos.

Isabel passou a viver então na corte da Turíngia, onde, à medida que crescia, ia manifestando sua profunda piedade, que caracterizava todos os seus atos. Quando atingiu a adolescência, foi alvo de críticas da parte de nobres da corte, que a acusaram de ser muito religiosa, reservada, sem os traços mundanos que eles julgavam necessários para uma duquesa. Também diziam que ela iria arruinar o reino com as esmolas que dava.

Aos 13 anos, casou-se com Luís. Este tinha todas as qualidades de um autêntico cruzado, um verdadeiro defensor da Igreja. Em 1227 partiu para a Terra Santa como cruzado, com a elite de sua cavalaria, viagem da qual não haveria de voltar, pois morreu na mesma.

Hospedada no lugar dos porcos…

Viúva aos 20 anos, Isabel viu então a perseguição abater-se sobre ela e seus quatro filhos, um dos quais recém-nascido. O Duque Henrique, seu cunhado, que jurara protegê-la, expulsou-a do palácio com seus filhos e duas damas de honra, que lhe permaneceram fiéis. E proibiu à população recebê-la em suas casas.

Assim, em pleno inverno, Isabel viu-se obrigada a andar pelas ruas e bater de porta em porta, na esperança de que alguma alma caridosa se dispusesse a recebê-la. Só conseguiu entrar numa estalagem, onde o dono lhe destinou o lugar onde estavam os porcos, que foram removidos para ali ficar com seus filhos uma duquesa e princesa real.

No dia seguinte vagueou desamparada pela mesma cidade onde tantas pessoas se tinham beneficiado das esmolas que distribuíra com a prodigalidade que lhe era peculiar. Finalmente um padre, pobre também, resolve acolhê-la e dar-lhe certa proteção. Para que os filhos não morressem de fome, é obrigada a aceitar o conselho de deixá-los em mãos de outras pessoas.

Aparições do Redentor, de Nossa senhora e de São João Batista

Em sua vida de miséria e desamparo, Isabel sofreu muitas humilhações, tantas vezes vindas daquelas mesmas pessoas a quem muito tinha ajudado quando estavam necessitadas. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que a ninguém esquece, aparecia para consolá-la em suas aflições. São João Batista vinha confessá-la, e Nossa Senhora muitas vezes a visitava para a instruir, esclarecer e fortificar. Foi nessa ocasião que decidiu viver apenas para Deus.

Tendo chegado aos ouvidos de seus parentes, na Hungria, as provações por que passava, recebeu ela de seu tio, o Bispo-Príncipe de Bamberg, um castelo à altura de sua posição.

Além disso, os vassalos de seu finado marido, o Príncipe Luís, ao voltarem da Cruzada, dirigiram palavras duras ao usurpador, acusando-o de ter ofendido a Deus e desonrado o Ducado da Turíngia.

Isabel foi então reconduzida aos seus domínios, onde passou a exercer a caridade como desejava; e para melhor fazê-lo, decidiu recolher-se como terceira franciscana.

Virtude heróica: exagero para alguns…

Nesta situação, entretinha-se fiando a lã para dá-la aos pobres. Sua paciência e caridade não tinham limites. Nada a irritava ou descontentava. No atendimento aos doentes, nunca se viu tão maravilhoso triunfo sobre as repugnâncias dos sentidos. Era de espantar ver como a filha de um rei e viúva de um duque tratava os indigentes mais miseráveis. Até pessoas piedosas julgavam que ela exagerava em seus cuidados.

Seu pai, ao saber como vivia, enviou-lhe mensageiros para tentar retirá-la desse “estado miserável”. Ela lhes respondeu que, vivendo assim, era mais feliz que seu pai em sua pompa real. E retomou serenamente seu trabalho de tecer a lã.

Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa. Apesar das fatigantes obras de misericórdia a que se dedicava, sempre encontrava tempo para passar longas horas na oração e na meditação.

Era incansável na distribuição de benefícios materiais e espirituais. A um surdo-mudo ordenou, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dissesse de onde vinha; ao que ele imediatamente obedeceu, contando sua história. Do mesmo modo, cegos, possessos e estropiados eram curados.

Milagres atestam santidade antes e depois da morte

Tinha apenas 24 anos quando Nosso Senhor chamou-a a Si para premiá-la com a glória celestial. Na véspera da morte, sua fisionomia transformou-se. Seu olhar tornou-se resplandecente, manifestando uma alegria e felicidade que cresciam a cada instante. Quando exalou seu último suspiro, um delicioso perfume se espalhou pelo ar, ao mesmo tempo que um coro de vozes do Céu se fez ouvir em cânticos de júbilo. Era o dia 19 de Novembro de 1231.

A notícia de sua morte atraiu verdadeira multidão que desejava contemplá-la pela última vez antes de seu sepultamento. Eram pessoas de todas as condições sociais, que não se constrangiam em arrancar-lhe pedaços das vestes, mechas de cabelo, fragmentos de unhas, etc, guardando-os piedosamente como relíquias.

Para atender a todos foi necessário prolongar a exposição do corpo por quatro dias, durante os quais seu rosto se conservava como o de uma pessoa viva. Na noite que precedeu o enterro, o teto da Igreja se encheu de pássaros desconhecidos, que cantavam melodias inefáveis.

Após sua morte verificaram-se muitos milagres atribuídos à sua intercessão, como a cura de cegos, surdos, leprosos, coxos, paralíticos, etc. Isto suscitou um grande movimento popular pela sua canonização, o que muito contribuiu para que o Papa Gregório IX a elevasse sem demora à honra dos altares, fato ocorrido em tocante cerimônia no dia de Pentecostes, 26 de maio de 1235, decorridos apenas três anos e meio de seu falecimento.

Poucos dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, o Papa publicou a bula de canonização, que foi logo enviada aos Príncipes e aos Bispos de toda a Igreja.
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Fonte de referência:
Conde de Montalembert, Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie, Duchesse de Thuringe, Pierre Téqui, Paris, 1930.

Fonte: O Catolicismo.

Postado em Dezembro 10, 2007 by Feri.

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Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/index.htm (página principal – “Visão de Santo Elias”) – Nova Fundação em Brusque-SC – http://www.carmelosantateresa.com/links/novafundacao.htm (doações)

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Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Visão de Santo Elias

INÍCIO DA DEVOÇÃO À VIRGEM DO CARMO

Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta.

Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.

Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.

Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias.

Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.

Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima. Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.

A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.

São Metódio, mártir do ano 311, dizia numa de suas homilias: “O Profeta Elias, tendo tido conhecimento da pureza imaculada de Maria, imitando-a em espírito, conquistou para si uma coroa de glória aurifulgente”.

Para Santo Ambrósio, a Virgem estava de fato prefigurada naquela pequena nuvem, de que fala a Escritura.

Disse Santo Alberto Magno: “Maria é essa nuvem pequenina: pequena pela humildade, mas plena pela graça”

A Ordem Carmelita teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem italiana (Sto. Elias) e sua dedicação a Maria. O monte Carmelo se eleva entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Compõe-se por uma série de cadeias montanhosas que medem uns 30 km de comprimento por 12 de largura. O pico mais alto é 600 metros sobre o nível do mar, lugar este que é chamado sacrifício. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente – a fonte de Elias – Elias o maior Profeta do Antigo Testamento. Para a maioria, o termo “Profeta” lembra, sobretudo, a idéia de um homem que anuncia o futuro. Na linguagem bíblica, no entanto, o profeta é um homem inspirado por Deus que comunica aos povos o pensamento e o querer divino. Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 e 850 aC. Seu nome tem o significado de uma profissão de fé: significa “Javé é Deus”. Nasceu em Tesbis, na Transjordânia.

Vários são os episódios que a Bíblia nos oferece sobre o Profeta Elias:

a) Elias por vontade de Deus, se esconde na torrente de Carit, onde os corvos lhe levam comida: 1Reis, 17, 2-6. b) Em Sarepta de Sidon, Elias faz o milagre da farinha e do Azeite: 1Reis, 17, 7-16. c) Em Sarepta, na mesma casa da mulher viúva, ressuscita a seu filho: 1Reis, 17, 17-24. d) Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo: 1Reis, 2, 1-18. e) Vocação do Profeta Eliseu: 1reis, 19, 19-21. Eliseu sucessor de Elias. 2reis 2, 19-21.

Elias no Novo testamento:

Vários livros o nomeiam, por exemplo: Mt 16, 13; 17, 1-12; 27,47. Lc 4, 25 e 9, 33. Jo 1-21. São Tiago 5-17.

Elias é um dos poucos profetas com grande ressonância. Elias dizia:

“Eu me consumo de ZELO pelo SENHOR, o DEUS dos exércitos”.

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou.”

 

“Elias surgiu como um fogo e sua palavra queimava como uma tocha.”

(Eclo. 48, 1-12)

 

PRECE AO SENHOR JAVÉ

Vem, Senhor! Tua Face procuro… Como a terra árida pela chuva anseia assim meu ser por ti… Vivo és senhor! E em tua graça estou! Na brisa leve me fala, No Carit me dessedenta.. Vem, Senhor! na aridez do deserto Com o pão me alimenta Fortalece-me na caminhada… Vivo és, Senhor! E teu zelo me consome Na solidão quero encontrar-te E descobrir-te no irmão… Vem, Senhor, e ao clarão de tua face se passe inteira a minha vida, se opere a nossa união…

 

 

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Imagem: “Transfiguração: Jesus, Moisés e Elias” – http://arthistoryfacts.com/Page8MyArtHistorySite.htm

 

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Jesus e a tempestade

Jesus e a tempestade

Na medidas das circunstâncias, tudo corre bem. Estamos vivos e inteiros, como dizem por aí, e isto é muito importante. Creiam nisto, sim? Estamos seguindo nosso roteiro, e Deus cuida de nós, ainda que venham acidentes, doenças, incompreensões, discórdias, limitações materiais, sensações de vazio (que algumas vezes passam por nossa mente), dúvidas sobre o sentido de tudo que nos envolve e sobre o que, de fato, significamos como criaturas de Deus.

Penso que esta vida é ao mesmo tempo maravilhosa e, inexoravelmente, tenebrosa. Vivemos entre luz e trevas… Mesmo os Santos e Santas que viveram tão somente para Deus, dentro da vida monástica e fora dela, conheceram “A Noite Escura da Alma”, parafraseando São João da Cruz. O título de seu famoso escrito é revelador, já que em sua santidade visava o perfeiçoamento da Cristandade. Esta, a seu tempo também vivia em constante luta contra o egoísmo, em meio a uma  pretensa auto suficiência. É um mal que tem nos acompanhado ao longo dos tempos. Quanto a esta auto suficiência humana, já culturalmente aceita, é horrível pensar que, de algum modo, entre distraída e deslumbrada com pequenas conquistas, me deixei ficar, ainda que por um breve tempo neste patamar… Mas nossa alma sabe, se o deseja obviamente, ordenar para que as feras desistam de seu intento. Santa Teresa de Jesus nos dá a conhecer nossa superioridade, em Deus, para que avancemos com consciência e fortaleza sobre os inimigos de nossa alma. Eles têm muitos ardis, mas agem com sutileza… São invisíveis, e como São Pedro alertava:”(…) rugem à nossa volta, para nos devorar”. Temos que nos decidir a dizer muitas vezes “não”! A oração, o pensamento voltado para as coisas sagradas – que vem de Deus: o amor, a amizade, o perdão, no que depende de nós, nos salvam. Creio que fazem uma barreira contra esta verdadeira avalanche de “informações”, que contêm obscenidades, culto à violência, ofertas de consumo, enfim, contra a superficialidade de nossa sociedade.

Desse modo, nós que estamos mergulhados até o pescoço neste ritmo de coisas, temos como aliada o que os teólogos denominam Teologia da Revelação – o Antigo e o Novo Testamentos. Assim, sabemos, na profundidade de nossos corações que enfrentamos um combate espiritual que se dá no dia-a-dia. São Paulo nos lembra” O bem que quero não faço, e o mal que não quero, este, sim, faço (…)”. Esta batalha espiritual e física, se dá primeiramente contra nós próprios (nossas inclinações, as que não nos propendem à santidade – falar, agir, etc.). Em seguida, é contra o mundo que nos cerca que se dá o combate interior. A vida atual, muito mais que no passado, foi tornada cada vez mais profana. Lembremos da “queda da Graça do Criador”: o pecado original. Esta luta é contínua; há uma cultura que busca subverter as ações voltadas para o Bem. Lembram de Santa Teresa de Calcutá? Envolveram-na, sem sucesso em suspeitas de corrupção… Vi o filme sobre sua vida. Um grupo, formado por leigos voluntários foi criado por um sacerdote apoiador, para angariar fundos. Ela não gostava de lidar com dinheiro, mas discordava quanto a dar controle a um grupo, até que cedeu à idéia deste sacerdote, seu amigo, com aprovação do bispo. No ano 2000 já era uma “corporação”… Em 2003 retirou a autoridade do grupo, desfazendo-o, desta vez com o apoio do mesmo sacerdote e o reconhecimento de que ela sempre esteve certa. Para ela, a simplicidade traz paz, alegria a qualquer iniciativa voltada para o bem.

Vivemos atualmente oprimidos pelas exigências de um modo de vida desumano e desumanizador, que inúmeras vezes depõem contra nossos valores. Mas o discernimento se mostra pela nossa consciência (segundo os valores atemporais do Cristianismo). E, esta (a consciência) racionalmente nos apresenta a melhor escolha: a que não nos trará qualquer arrependimento. Sugiro que vejam o filme “O Maquinista”.

Por vezes, esta “harmonia interior” balança nosso edifício (ou castelo?) , já que as pressões tornaram o viver humano uma elegia à vida profana, tal como uma moeda que tem uma única face. Do outro lado… nada. É esquisito dizer isto, mas é o que ocorre na atualidade: o sagrado não inspira as ações, as decisões. No entanto, esta realidade é questionável, porque afinal somos livres, temos livre-arbítrio. Não somos “zumbis”, ou, igualmente ruim, “brinquedos robóticos” de lojas de departamento… Ele [o Sagrado] é vital para a paz interior de quem não admite abdicar de sua humanidade. Acredito piamente que sempre é tempo para reverter qualquer processo. A propósito procurem algo sobre Santa Maria do Egito, a eremita, que viveu por mais de 40 anos no deserto. Absolutamente só, soube se proteger de perigos – nos desertos há cavernas, todos sabemos, com leões, serpentes, escorpiões. Alimentava-se de gafanhotos e outros insetos. Teria sido uma linda mulher, que até os 17 anos vivia satisfeita com sua vida mundana. Certo dia abandonou tudo. Foi encontrada por um monge chamado Zósimo, era um padre do deserto que, casualmente por lá peregrinava. Vivia dignamente, mal coberta por trapos. Apresentava uma magreza que espantou o monge. Também, possuía grande sabedoria, e para admiração de todos conhecia a Bíblia. Isto se passou no ano 500 da era cristã. É venerada no Oriente, mas pouco conhecida no Ocidente.

Assim, é nosso direito sonhar com um mundo justo, com o amor de alguém em especial, com, pelo menos, a expectativa de confiança básica naqueles que depositamos nossos afetos (e que consideramos recíprocos), tanto na relação familial, quanto dentro da comunidade em que vivemos. Em todo caso, na pior das hipóteses, afirmemos com Santa Teresa de Jesus : “Somente Deus basta.”

Não é nem um pouco fácil, mas, já que vivemos quase que desumanizados, em defesa de minha integridade pessoal, tenho a tendência, desde muito jovem, a ter rejeição a qualquer gueto de idéias, estilos, modos de vida, etc., que deixem de lado a possibilidade da busca do amor, em tudo e em todos. Há somente, pelo menos para mim, uma condição: ser um ser humano de boa-vontade. A meu ver, este critério faz cair as frutas podres do pomar que há em nosso coração… Levei tempo para compreender isto interiormente e ficar em paz comigo mesma. Portanto, não faço concessões.

Voltemos nosso foco às “Moradas”. Santa Teresa de Jesus não desperdiça a alma de ninguém em seus escritos, mas suas admoestações demonstram a evidência de que podemos mais, mais, mais… A cada dia podemos, no que depende de nossa vontade, buscar nosso aperfeiçoamento como pessoas. Temos a vida toda para empreender este desafio. Este é o objetivo dela em “Castelo Interior – Moradas”, e ele não vale somente para quem decidiu entrar para um convento, ou para o monastério. São patamares que devemos ultrapassar, e que na elaboração de Santa Teresa de Jesus são sete. Na verdade, ela se refere a moradas espirituais. Ela vai nos incentivando a subir os degraus de nosso castelo interior… A meta é a perfeição. Não se trata de vaidade: eu acrescentaria (com certo constrangimento, pela ousadia), aquilo que me vem à mente neste momento: Jesus Cristo disse: “Sede perfeitos como meu Pai O é.”

No post anterior, prometi que publicaria neste blog o que Santa Teresa de Ávila deixou escrito sobre “Provas”. Este termo compõe o Índice Analítico de as Obras Completas, no qual qual ela se refere às provações que sofremos na vida (in Teresa de Jesus, “Obras Completas”, texto estabelecido por Frei Tomas Alvarez, Ordem Carmelita de Descalços(O.C.D.); em sua edição brasileira o texto foi revisado e anotado por Frei Tomas de La Cruz (O.C.D.), Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1997. Edições Carmelitanas. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1995; 2ª edição 2002).

Provas

“O Senhor quer provar aos que O amam antes de colocar neles seus grandes tesouros [V 11,11]; mesmo os mais elevados na oração, Deus os quer provar  algum tempo, parece que Sua Majestade os deixa [V15, 12]; algumas vezes permite o Senhor que caiamos… para provar se nos pesa muito tê-lo ofendido [M, 2, 1, 8]; provemo-nos a nós mesmos antes que nos prove o Senhor [M 3, 2, 3] Sabe Deus provar se não nos provamos a nós mesmos [M 3,1, 7];  Deus dá licença ao demônio para provar-nos [M 6, 1, 9]; Nosso Senhor a quer provar para ver o amor que Lhe tem [Cta 329, 2]; muitas vezes o Senhor prova para ver se as palavras se conformam com as obras [Cta 264, 3.”

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