Saiba mais sobre as 4 semanas do Advento e se prepare para o Natal

A palavra “advento” tem origem latina (“adventus”) e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”

Ao findar do mês de Novembro, a Igreja Católica encerra o Ano Litúrgico (o espaço de tempo em que se celebra todo o mistério de Cristo, sendo: o tempo do Advento, Natal, Epifania, tempo comum, Quaresma, Semana Santa, Páscoa, tempo pascal, Pentecostes e tempo comum até encerrar-se o ciclo no primeiro domingo do Advento) com a Festa de Cristo Rei do Universo. Mais um ciclo em nossa caminhada de fé acaba e um dos símbolos é ter as portas centrais das paróquias fechadas ao final desta celebração.

 Também é momento para se preparar para a segunda maior festa cristã: o Natal do Senhor, tempo em que celebramos duas verdades da fé: as vindas de Jesus. A primeira deu-se com Seu nascimento em Belém; e a segunda, chamada de Parusia, quando Ele virá, em poder e glória, em dia e hora desconhecidos.

Para que o Natal seja vivido de maneira solene e íntegra, devemos nos preparar adequadamente. Para isso existe um caminho que devemos percorrer que é chamado de Tempo do Advento.

 O que é o Advento?

 A palavra “advento” tem origem latina (“adventus”) e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”. Este tempo acontece de acordo com o calendário da solenidade do Natal. Este ano, o Advento começou no primeiro domingo após a Solenidade de Cristo Rei do Universo (02/12) e vai até a tarde anterior ao Natal.

 Os primeiros indícios da existência deste tempo de preparação para o Natal datam do século V, quando o Bispo de Tours, São Perpétuo, decreta um período de três dias de jejum antes do nascimento de Jesus. Mais tarde, o papa São Gregório Magno foi o primeiro a escrever um documento oficial para o Advento.

 É dividido em duas partes, sendo que a primeira, que vai até 16/12, é marcada pela espera alegre da segunda vinda de Jesus (a Parusia). A segunda se destaca pela recordação do nascimento de Jesus.

 Aqui, dois personagens se destacam: Maria e João Batista. Ela, porque foi A escolhida por Deus para ser a progenitora Daquele que viria para salvara humanidade; e João Batista, porque foi o precursor do Messias, responsável por preparar os homens para a chegada do Cordeiro.

 Durante este tempo algumas alterações acontecem na Missa, na decoração das paróquias e nos paramentos: não se reza o Glória, as músicas passam a contar com menos instrumentos, os enfeites são reduzidos para deixar a Igreja mais sóbria e a cor das vestes é roxa. Tudo isso para expressar a ansiedade, o desejo para a chegada em que o tempo do regozijo será pleno.

As paróquias realizam diversos encontros de preparação, Novenas, convidando toda a comunidade a participar destes momentos de reflexão para que a noite do Natal não seja apenas um momento social, mas seja inundado pela fé.

 As quatro semanas do Advento

 O Advento dura um mês. São quatro semanas de preparação, em que somos convidados a refletir sobre o nascimento Daquele que veio nos dar a vida! São quatro domingos celebrativos em que as paróquias vão se transformando, sendo adornadas com o brilho das luzes. O destaque dos altares é a Coroa do Advento, formada por quatro velas, sendo três roxas e uma rosa.

 Mas, por que uma vela de cor diferente? Porque o terceiro domingo do Advento (16/12) é chamado de Domingo da Alegria por causa da Antífona cantada na Procissão de Entrada que diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor!”, mostrando a alegria pela proximidade do Natal. E a vela que o representa é a de cor rosa.

 Vamos conhecer os detalhes de cada uma das semanas que formam este belo tempo do advento, que deve ser vivido intensamente entre as famílias para que a noite de Natal ganhe ainda mais brilho e sentido.

 Primeira semana do Advento

 O início do tempo do Advento convida-nos a estar em constante vigilância na espera pelo Senhor. Dois pontos da Liturgia são destaques: “Vigiai e estai preparados, porque não sabeis a que hora virá o Filho do homem” (Mt 24, 42–44) e “Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22,46). Uma das três velas roxas é acesa, como sinal desta vigilância e do desejo da conversão.

 Segunda semana do Advento

 Ainda dentro do contexto da espera pela segunda vinda do Senhor, a Parusia, nesta semana o convite à conversão fica ainda mais claro, quando se lê nas celebrações: “Fazei penitência, porque está próximo o reino dos céus. Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3, 2-3). Tal ação demonstra o quanto devemos nos esforçar para nos reconciliarmos com Deus. A segunda vela roxa é acesa.

 Terceira semana do Advento

 Esta semana introduz a Igreja na primeira vinda de Jesus. Seu nascimento em Belém. Por isso, a Liturgia nos recorda o SIM de Maria. É nesta semana que celebramos também a Festa da Imaculada Conceição, Aquela que se colocou inteira à disposição dos planos de Deus. Sua entrega inaugurou um novo tempo para a humanidade.

 A Liturgia destaca medita o papel de Maria, jovem virgem prometida a casamento, e a devoção a ela por meio do Rosário: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra”. É nesta semana que a vela rosa da Coroa do Advento é acesa como sinal de esperança.

 Quarta semana do Advento

 Já próximos do Natal do Senhor e com uma caminhada extensa, profunda e importante por este momento tão aguardado, chegamos à última semana deste tempo de preparação, de espera. Nela ouvimos o anúncio do nascimento a José: “Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, porque aquele que foi nela concebido é obra do Espírito Santo” (Mt 1,20).

 Na celebração a última vela da Coroa do Advento é acesa. Ao chegarmos neste ponto, nossas casas, ruas, lojas e paróquias já estão completamente decoradas pelo brilho da luz criada pelo homem, formando um caminho que nos leva ao presépio ainda vazio.

 Sobre a Coroa do Advento

 É o primeiro anúncio do Natal. Sua cor verde, sinal de esperança e vida, é enfeitada com uma fita vermelha, simbolizando a manifestação concreta de Seu amor. Também é sinal do nosso amor a Ele e ao Seu Filho.

Publicado em Nossa Sagrada Família.

Leia também:

O que significam os símbolos do Natal? Entenda (Blog da Família – Nossa Sagrada Família).

Palavra de Vida: “Tende coragem! Eu venci o mundo.” (João 16,33).

Com essas palavras concluem-se os discursos de despedida dirigidos por Jesus aos discípulos na sua última ceia, antes de morrer. Foi um diálogo denso, em que revelou a realidade mais profunda do seu relacionamento com o Pai e da missão que este lhe confiou.

Jesus está prestes a deixar a terra e voltar ao Pai, enquanto que os discípulos permanecerão no mundo para continuar a sua obra. Também eles, como Jesus, serão odiados, perseguidos, até mesmo mortos (cf. Jo 15,18.20; 16,2). Sua missão será difícil, como foi a Dele: “No mundo tereis aflições”, como acabara de dizer (16,33).

Jesus fala aos apóstolos, reunidos ao seu redor para aquela última ceia, mas tem diante de si todas as gerações de discípulos que haveriam de segui-lo, inclusive nós.

É a pura verdade: entre as alegrias esparsas no nosso caminho não faltam as “aflições”: a incerteza do futuro, a precariedade do trabalho, a pobreza e as doenças, os sofrimentos causados pelas calamidades naturais e pelas guerras, a violência disseminada em casa e entre os povos. E existem ainda as aflições ligadas ao fato de alguém ser cristão: a luta diária para manter-se coerente com o Evangelho, a sensação de impotência diante de uma sociedade que parece indiferente à mensagem de Deus, a zombaria, o desprezo, quando não a perseguição aberta, por parte de quem não entende a Igreja ou a ela se opõe.

Jesus conhece as aflições, pois viveu-as em primeira pessoa. Mas diz:

“Tende coragem! Eu venci o mundo.” 

Essa afirmação, tão decidida e convicta, parece uma contradição. Como Jesus pode afirmar que venceu o mundo, quando pouco depois é preso, flagelado, condenado, morto da maneira mais cruel e vergonhosa? Mais do que ter vencido, Ele parece ter sido traído, rejeitado, reduzido a nada e, portanto, ter sido clamorosamente derrotado.

Em que consiste a sua vitória? Com certeza é na ressurreição: a morte não pode mantê-lo cativo. E a sua vitória é tão potente, que faz com que também nós participemos dela: Ele torna-se presente entre nós e nos leva consigo à vida plena, à nova criação.

Mas antes disso ainda, a sua vitória consistiu no ato de amar com aquele amor maior, de dar a vida por nós. É aí, na derrota, que Ele triunfa plenamente. Penetrando em cada canto da morte, libertou-nos de tudo o que nos oprime e transformou tudo o que temos de negativo, de escuridão e de dor, em um encontro com Ele, Deus, Amor, plenitude.

Cada vez que Paulo pensava na vitória de Jesus, parecia enlouquecer de alegria. Se é verdade, como ele dizia, que Jesus enfrentou todas as contrariedades, até a adversidade extrema da morte e as venceu, também é verdade que nós, com Ele e Nele, podemos vencer todo tipo de dificuldade. Mais ainda, graças ao seu amor somos “mais que vencedores”: “Tenho certeza de que nem a morte, nem a vida […], nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus, que está no Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,37; cf. 1Cor 15,57).

Então compreende-se o convite de Jesus a não ter medo de mais nada:

“Tende coragem! Eu venci o mundo.”

Essa frase de Jesus poderá nos infundir confiança e esperança. Por mais duras e difíceis que possam ser as circunstâncias em que nos encontramos, elas já foram vividas e superadas por Jesus.

É verdade que não temos a sua força interior, mas temos a presença Dele mesmo, que vive e luta conosco. “Se tu venceste o mundo” – diremos a Ele nas dificuldades, provações, tentações – “saberás vencer também esta minha ‘aflição’. Para mim, para todos nós, ela parece um obstáculo intransponível. Temos a impressão de não dar conta. Mas com tua presença entre nós encontraremos a coragem e a força, até chegarmos a ser ‘mais que vencedores’”.

Não é uma visão triunfalista da vida cristã, como se tudo fosse fácil e coisa já resolvida. Jesus é vitorioso justamente no drama do sofrimento, da injustiça, do abandono e da morte. A sua vitória é a de quem enfrenta a dor por amor, de quem acredita na vida após a morte.

Talvez também nós, como Jesus e como os mártires, tenhamos de esperar o Céu para ver a plena vitória sobre o mal. Muitas vezes temos receio de falar do Paraíso, como se esse pensamento fosse uma droga para não enfrentar com coragem as dificuldades, uma anestesia para suavizar os sofrimentos, uma desculpa para não lutar contra as injustiças. Ao contrário, a esperança do Céu e a fé na ressurreição são um poderoso impulso para enfrentar qualquer adversidade, para sustentar os outros nas provações, para acreditar que a palavra final é a do amor que venceu o ódio, da vida que derrotou a morte.

Portanto, em qualquer dificuldade, seja ela pessoal ou de outros, renovemos a confiança em Jesus, presente em nós e entre nós: Ele venceu o mundo e nos torna participantes da sua própria vitória, Ele nos escancara o Paraíso, para onde foi preparar-nos um lugar. Desse modo encontraremos a coragem para enfrentar toda provação. Seremos capazes de superar tudo, Naquele que nos dá a força.

Fabio Ciardi 

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Movimento dos Focolares/Brasil.

Publicado em I. Católica.

Dia dos Finados ou dos Fiéis Defuntos: o que é, como vivê-lo e como ganhar as indulgências deste dia

A ORIGEM DA CELEBRAÇÃO do Dia dos Fiéis Defuntos ou de Finados (2 de novembro) remonta aos tempos do Antigo Testamento, quando já os judeus rezavam pelos seus falecidos (conf. Tb 12,12; 2Mc 12,43-46). Encontramos também registros históricos que testemunham como os cristãos da Igreja primitiva rezavam pelos seus mortos, visitando os túmulos dos mártires, desde o final do primeiro século da era cristã.

No século V, a Igreja passou a dedicar um dia do ano para a oração por todos os mortos, principalmente pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém mais se lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, no ano 998, pedia aos monges que rezassem pelos mortos. No século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) introduziram no Calendário Litúrgico um dia para a oração pelos finados; foi, porém, no século XIII que esse dia ganhou uma data definitiva: 2 de novembro. A escolha se deu pelo fato de no primeiro dia de novembro se celebrar a Festa de todos os Santos.

A morte é o cessar definitivo da vida como a conhecemos, e a Igreja dedica este dia especialmente para que as famílias lembrem-se dos seus amados que já não participam do seu convívio, oferecendo a Deus orações e súplicas – para que, se já não estiverem com Deus, possam ser recebidas por Ele o mais breve possível. Para o católico, o Dia de Finados é um dia para ser santificado, embora não seja dia de preceito ou de guarda.

Neste dia, o católico é chamado a moderar os seus hábitos: não é dia para escutar música alta, abusar de bebidas alcoólicas, viagens turísticas, euforia. Dia de Finados não é dia de festa: é dia de oração e silêncio interior. Todavia, mesmo sendo um dia de moderação, recolhimento e respeito, deve ser vivido também com esperança e íntima alegria no SENHOR, pois a fé católica diz que um dia, na Vinda definitiva do Cristo, todos os mortos ressuscitarão. É nesta fé e esperança que rezamos.

O Dia de Finados também não é, absolutamente, ocasião para se “invocar os mortos” (prática abominável aos olhos de Deus), mas sim uma data especial para suplicar a Deus pelas pessoas que já se foram e interceder por elas.

No Dia de Finados existe uma indulgência plenária própria. Se cumprir todas as práticas recomendadas, o fiel católico poderá lucrar esta indulgência e dedicar a uma alma que esteja no Purgatório (saiba mais). Graças a esta importante prática de caridade, neste dia, alguém poderá sair do Purgatório e alcançar o Céu! Veja como:

Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial.

(Enchiridion Indulgentiarum, n.13)

Ainda neste dia, em todas as igrejas e oratórios públicos adquirimos a Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai Nosso e o Creio, fazer a Confissão Sacramental, a receber a Comunhão Eucarística e rezar na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).

(Diretório Litúrgico CNBB, p. 462)

Oração por um querido falecido – para o Dia dos Finados

Pai Santo, Deus eterno e Todo-poderoso, nós vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe felicidade, a luz e a paz. Que este vosso servo, tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na Luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-lo(a) com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no Reino eterno. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

Pai Nosso…

Ave-Maria…

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele(a) a vossa luz.

Amém!

Publicado em O Fiel Católico.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Solenidade – 12 de outubro

Destinado à Nossa Senhora Aparecida, o feriado de 12 de outubro carrega a data simbólica de homenagem à padroeira brasileira. Também conhecida como Nossa Senhora da Conceição, ela foi encontrada por pescadores na segunda quinzena de outubro de 1717, no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Feita de terracota, medindo 36 cm e 2,5kg, a Santa apareceu no rio, e foi assim que deu origem ao seu nome.

Cidade de Nossa Senhora Aparecida

Em 1745, uma capela foi erguida e a Santa começou a atrair devotos. O lugar se tornou uma cidade, conhecida atualmente como Aparecida. Ela foi visitada pelo imperador Dom Pedro I durante sua viagem que terminaria com a declaração de independência brasileira. Na visita, o imperador fez uma promessa: caso se tornasse governante do Brasil, faria da Santa a padroeira do país. Porém isso não veio a calhar, pois quem se tornou padroeiro foi São Pedro de Alcântara.

Visita de Princesa Isabel

O verdadeiro reconhecimento começou a crescer quando a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, onde apareceu pela primeira vez no rio, começou a comentar sobre as histórias de milagres. Por conta disso, em 1868, a Princesa Isabel foi para Aparecida pedir proteção para engravidar de uma criança. Em 1874, completou a gestação de um natimorto e, entre 1875 e 1875, teve três filhos herdeiros.

O manto da Santa

Como forma de doação, em 1888 a Princesa levou uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis e um manto azul, que seria posteriormente usado por um representante do Papa em 1904, que a coroou Rainha do Brasil.

A cerimônia

Por conta da pressão das arquidiocese do Rio de Janeiro e São Paulo para a formalidade do reconhecimento, Nossa Senhora se tornou oficialmente padroeira em 16 de julho de 1930, por um decreto do Papa Pio XI. O decreto foi oficializado em 31 de maio de 1931, em uma missa solene no Rio.

Feriado Nacional

O feriado nacional só veio depois, sancionado pelo Presidente João Figueiredo, o último presidente da ditadura. Foi firmado em 30 de junho de 1980, dia em que o João Paulo II pisou em terras nacionais, sendo o primeiro Papa a fazer isso.

O dia escolhido

Apesar de ter sido encontrada na segunda quinzena de outubro de 1717, o dia escolhido para o feriado foi dia 12, pois é o mesmo dia em que Cristóvão Colombo aportou no continente americano. Além disso, dia 12 de outubro também marca o dia em que Dom Pedro I foi coroado Imperador.

12 milhões de visitas

A cidade de Aparecida e a capela da Santa é visitada por cerca de 12 milhões de romeiros por ano. O lugar já recebeu figuras importantes como João Paulo II, Bento 16 e Papa Francisco, que realizou a missa no Santuário Nacional de Aparecida.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, rogai por nós!

Publicado em Fundação Padre Anchieta (título original da matéria ” Por que Nossa Senhora Aparecida foi considerada padroeira do Brasil?”

13 DE OUTUBRO: DIA MUNDIAL DA COMUNHÃO REPARADORA

 Hoje, dia 13 de outubro, é o dia mundial da comunhão reparadora. Nossa Senhora fez este pedido quando apareceu a Fantanelle -Itália,  à Pierina Gilli, no dia 06 de agosto do ano de 1967, quando se festejava naquele tempo a Festa da Trasnfiguração do Senhor.

Já em Fátima, a Santíssima Virgem havia ensinado na sua terceira aparição na Cova da Iria a 13 de julho de 1917, aos três pastorzinhos Lúcia, Francisco e Jacinta uma oração a ser rezada diariamente quando fizéssemos sacrifícios e penitências pelos pecadores:

Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria!

Os insistentes apelos da Mãe de Deus à reparação nos coloca numa posição de filhos que devem consolar o seu Coração Materno, que é transpassado de dor pelos pecados dos homens ingratos. Ofereçamos à Santíssima Mãe as nossas orações, o nosso amor, as nossas penitências e sacrifícios deste dia, como um verdadeiro ato de reparação e de amor, a fim de que muitos espinhos dolorosos que perfuram o seu amantíssimo Coração sejam tirados. Supliquemos constantemente e diariamente a conversão dos pecadores, começando por nós mesmos, a viver uma vida de acordo com a vontade de Deus, afastando-nos de tudo aquilo que possa desagradar e ofender o seu Sagrado Coração, não fazendo assim Nossa Senhora sofrer, pois não tem maior sofrimento para a Virgem Santa do que ver seu Filho Divino tão ultrajado e ofendido pelos pecados do mundo.

Os pecados que determinaram os castigos da Primeira Guerra Mundial foram:

1. A imoralidade dos costumes;

2. A decadência do clero, devida ao liberalismo e a tendência à boa vida, mesmo no clero mais conservador;

3. E -evidentemente – a heresia no clero mais progressista, isto é, o Mordenismo, condenado por São Pio X, em 1908.

Dissemos que  os pecados foram a primeira causa do primeiro castigo, e, como disse e mostrou Nossa Senhora aos pastorzinhos, muitas almas se perdiam pelos pecados no começo do século XX. Que dirá hoje?

A nossa reparação oferecida a Deus deve ser de coração, de alma e de corpo. Deus está a espera daqueles que queiram se doar pela salvação do seu próximo. O próprio Jesus nos disse: Não tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos! (Jo 15,13). É isto que Deus espera de nós: Dar a vida por seus amigos!…Dar a vida pela conversão e salvação das almas e do mundo! Ser uma luz para os outros que andam nas trevas e que estão morrendo sem fé e sem esperança. Cada ato de amor oferecido a Deus pela salvação do próximo e do mundo é uma reparação por tantos pecados e blasfêmias cometidos contra a sua Majestade Divina. Cada suor derramado pela implantação do reino de amor de Cristo no coração e nas almas, são espinhos tirados do Coração da Virgem Mãe, pois ela é consolada, quando vê os seus filhos que estavam mortos espiritualmente, sendo ressuscitados para o amor e para a graça divina.

O nosso jejum, o nosso sacrifício e a nossa penitência se tornam poderosos, cheios de frutos e das graças de Deus quando são oferecidos com um coração limpo e renovado, com um espírito novo em Deus. Não adianta querermos mudar o mundo se não mudamos o nosso interior primeiramente, e o primeiro passo que devemos dar diante de Deus é o do arrependimento, pedindo perdão dos nossos pecados. Este é o primeiro ato de reparação que fazemos a Deus, quando começamos o nosso caminho de conversão, renunciando ao pecado e ao mundo; deste ato surgirão muitos outros que se complementarão e se transformarão em luz e graça para as nossas vidas. Se queremos que os nossos atos de reparação sejam perfeitos e agradáveis ao Senhor devemos pedir o auxílio e a graça daquela que mais amou e reparou a Majestade Divina, devemos recorrer à Virgem Santa Imaculada, perfeita oferenda de amor que tanto alegrou o Coração de Deus. Em união com a Virgem Maria , a reparação nunca terá presunção, falsidade ou pecado. Nenhuma imperfeição acompanha o que é feito em união com ela. Os que fazem reparação com a Virgem Imaculada, os fazem com sua fé. O que eles executam imperfeitamente, por distração, cansaço ou outra coisa, torna-se perfeito através da Virgem Maria. Precisamos pedir à Santíssima Virgem, sinceramente e de todo o coração, então ela rezará conosco. Quem tem amor-próprio não conseguirá jamais reparar, pois o amor próprio busca somente aos interesses pessoais, enquanto o amor ao próximo busca os interesses de Deus, pela salvação do mundo.

Publicado em A.R.R.P.I – Santuário de Itapiranga.

Como surgiu a devoção à Nossa Senhora do Rosário

No dia 7 de outubro, celebramos a festa de Nossa Senhora do Rosário, que foi instituída, no ano de 1571, em comemoração à vitória na batalha de Lepanto. Nesse dia, os católicos venceram essa difícil batalha contra os turcos muçulmanos, que ameaçavam invadir a Europa. Posteriormente, a festa foi estendida à Igreja universal, em ação de graças pela vitória nessa batalha.

A origem da devoção a Nossa Senhora do Rosário

Segundo a tradição, no século XIII, São Domingos de Gusmão recebeu a oração do Rosário da própria Virgem Maria, como uma arma para vencer as heresias. Dessa forma, a Virgem do Rosário alcançou a São Domingos a vitória sobre a heresia dos cátaros albigenses e o fez o fundador da grande Ordem dos Dominicanos, também conhecida como Ordem dos Pregadores.

No século XVI, como em outros tempos, a Europa vivia na iminência de uma invasão dos muçulmanos. Em 1453, eles já haviam tomado Constantinopla e ameaçavam tomar também Roma, sede da Igreja Católica. Nesse contexto histórico, o Papa São Pio V, que era da Ordem fundada por Domingos, recebeu de Nossa Senhora a revelação de que os católicos venceriam a batalha contra os muçulmanos por meio da oração do Santo Rosário. Cheio de confiança nessa promessa, o Sumo Pontífice pediu, então, que toda a Igreja Católica, inclusive aqueles que participariam das batalhas, rezassem, com fé e devoção, o Rosário.

Conforme prometeu a Virgem do Rosário, no dia 7 de outubro de 1571, os católicos venceram a memorável batalha naval de Lepanto, no litoral da Grécia, contra os turcos muçulmanos. Em honra desta vitória milagrosa, tendo em vista que os muçulmanos envolvidos na batalha eram muito mais numerosos que os católicos, o Santo Padre instituiu, nessa data, a festa de Nossa Senhora do Rosário.

O pedido de Nossa Senhora do Rosário

[…] É particularmente significativo recordar que Maria Santíssima apareceu aos três Pastorinhos – Lúcia e os irmãos Francisco e Jacinta, recentemente canonizados – sob o título de Nossa Senhora do Rosário. Por isso, em Portugal, a devoção a essa aparição é conhecida como a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

A Virgem Maria pediu que os Pastorinhos rezassem o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra.

Como em outros tempos, há várias guerras pelo mundo e também a ameaça da deflagração de uma Terceira Guerra Mundial. Além disso, os cristãos, especialmente os católicos, são perseguidos pelo mundo inteiro, senão pela violência e pelas armas, ao menos pelas ideologias modernas, marcadamente anticristãs. Sendo assim, o apelo de Nossa Senhora para que rezemos, com fé e devoção, o Santo Rosário permanece mais do que atual.

A festa de Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário e a salvação dos pecadores
Em Fátima, Nossa Senhora revelou os dois últimos remédios contra os males deste mundo: o Santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Essas duas devoções nos ajudarão em nossa renovação espiritual, a nos afastar do espírito do mundo e, em consequência, mudar o nosso modo de ser, de vestir e agir, para não mais ofender Deus. Além disso, essas devoções serão também remédios para os males do mundo, para a conversão e a salvação das almas dos pecadores.

[…]

Somos chamados a permanecer devotos de Nossa Senhora do Rosário e a fazer o propósito de rezar o Terço todos os dias. Aquelas pessoas que já o fazem, podem rezar o Rosário completo, ainda que não seja possível todos os dias.

O caráter missionário do Rosário

Outubro é o mês do Rosário e também o mês das Missões. A princípio, parece que essas são duas realidades não estão relacionadas entre si. No entanto, podemos dizer que a oração do Rosário está intimamente ligada ao chamado missionário da Igreja Católica. Ainda que nem todos os católicos sejam chamados a ser missionários, no sentido estrito da palavra, todos nós podemos e, em certo sentido, devemos rezar pelos missionários. Dessa forma, seremos também missionários, pois colaboraremos com a missão da Igreja Católica de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos (cf. Mc 16, 15).

O Rosário também tem seu caráter missionário quando o rezamos em grupo, nas famílias, nas comunidades, nas escolas e faculdades, no ambiente de trabalho, pois a familiaridade com o mistério de Cristo é facilitada pela oração do Rosário. Ao rezar o Terço, “o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do Seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. Nesse sentido, o Rosário é uma verdadeira escola de evangelização, onde se realiza a missionariedade da Igreja.

Assim, como outrora, somos chamados a rezar o Santo Rosário, a meditar os mistérios de Jesus Cristo na companhia da Virgem Maria, em comunhão com toda a Igreja Católica, por todos os missionários espalhados pelo mundo inteiro, pela paz no mundo, pelos cristãos perseguidos, pela conversão e salvação dos pecadores.

Que Nossa Senhora nos alcance as graças necessárias para rezar, com muita fé e devoção, o Santo Rosário, e para perseverar nessa devoção mariana e cristológica.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

1. Cf. PADRE LUÍS KONDOR. Memórias da Irmã Lúcia, p. 176.
2. Revelações feitas pela Irmã Lúcia ao Padre Agustin Fuentes, postulador da causa de beatificação de Francisco e Jacinta, em uma conversa realizada em 26 de dezembro de 1957.
3. PAPA SÃO JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 1.
4. Cf. idem, ibidem.

Fonte: Canção Nova.

Publicado em Diocese de Sete Lagoas – Minas Gerais.

SANTOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

SOLENIDADE

Precisamente hoje, dia 29 de setembro, a Liturgia da Igreja celebra a Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que aparecem nas Sagradas Escrituras com missões importantes que foram determinadas por Deus. Esses três arcanjos representam a alta hierarquia dos anjos-chefes, o seleto grupo dos sete espíritos puros que atendem ao trono de Deus e são os mensageiros dos decretos divinos aqui na terra, “os espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que vão receber a salvação como herança”. (Hb 1,14).

A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a esses três arcanjos, que são os protetores e os intercessores que vêm do Céu em nosso socorro, pois, como nos ensina São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra Arcanjo significa Anjo principal e, por isso, durante as atribulações do nosso cotidiano, nas tempestades e nos vendavais na vida, eles costumam aconselhar-nos e auxiliar-nos, além, é claro, de levar as nossas orações a Deus, trazendo-nos as mensagens da Providência Divina.

Os três arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael “estão diante de Deus, são os nossos companheiros porque têm a mesma vocação no mistério da salvação: levar em frente o mistério da salvação. Adoram a Deus, glorificam a Deus, servem a Deus”. (Papa Francisco, Homilia em 29 de setembro de 2017). Os três nomes dos arcanjos terminam com a palavra “EL” que significa “Deus”, ou seja, Deus está inscrito nos seus nomes e em suas naturezas. Desse modo, eles trazem Deus a nós, abrem o céu para nós, abrindo, ao mesmo tempo, a terra. Por estarem juntos do Deus Altíssimo, eles podem estar também muito próximos de nós, os seres humanos, incentivando-nos a permanecer na presença do Senhor, adorando-O em espírito e verdade.

Miguel significa “ninguém é como Deus”, ou “semelhança de Deus”. Ele é considerado o príncipe guardião, o guerreiro, o defensor do trono celeste, o fiel  escudeiro do Pai Eterno, o chefe supremo do exército celeste e dos anjos fiéis a Deus.

Miguel é o arcanjo da justiça e do arrependimento, o padroeiro da Igreja Católica e o protetor dos fiéis cristãos. A invocação de seu nome costuma ser de grande ajuda no combate contra as forças maléficas. Ele é citado três vezes na Sagrada Escritura e o seu culto é um dos mais antigos da Igreja. Miguel é chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, ele é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse.

Gabriel significa “Deus é meu protetor” ou “homem de Deus”. Ele é o arcanjo anunciador, por excelência, das revelações de Deus e é, talvez, aquele que esteve perto de Jesus na agonia entre as oliveiras. Segundo o profeta Daniel (9, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias.

No desenvolvimento dessa missão, ele apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento de João Batista, o profeta precursor do Cristo que une o Antigo e o Novo testamentos.

Finalmente, ele foi o embaixador que Deus enviou à Virgem Maria, em Nazaré, para proclamar o mistério da encarnação do Verbo. No episódio da anunciação, Gabriel foi o portador de um trecho de uma das orações mais populares e queridas do povo de Deus, a Ave Maria.

Gabriel é o padroeiro da diplomacia e dos trabalhadores dos correios, comumente associado a uma trombeta, indicando que é aquele que transmite a voz de Deus, o portador das boas notícias, o comunicador da plenitude dos tempos.

Rafael, cujo significado é “Deus te cura” ou “cura de Deus”, exerceu a missão de acompanhar o jovem Tobias, em sua viagem, como seu segurança e guia. Ele é considerado o chefe da ordem das virtudes e o guardião da saúde e da cura física e espiritual. É o padroeiro dos cegos, dos médicos, dos sacerdotes e, também, dos viajantes, dos soldados e dos escoteiros.

No Livro de Tobias são narrados a ajuda e o socorro que Rafael lhe prestou. Para cumprir sua missão, Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarias e acompanhou-o em sua viagem, ajudando-a em suas necessidades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa, a jovem Sara.

Aproveitamos a celebração da Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael para refletirmos sobre o ministério angélico na vida da Igreja e em nossas vidas.

Celebrar os três arcanjos que as Escrituras nos dão a conhecer é, na verdade, celebrar esta comunhão que Deus deseja para os seres humanos e o mundo espiritual. É também uma oportunidade de darmos graças a Deus pelo inestimável auxílio que os santos anjos nos prestam no cotidiano da fé.

Peçamos a São Miguel que nos ajude no bom combate em prol da fé e na luta contra o nosso defeito dominante, o mal, o egoísmo e o pecado. Peçamos a São Gabriel que nos traga sempre mais boas notícias, boas novas de salvação, infundindo em nossos corações a plena certeza de que Cristo está conosco nos caminhos da História, a fim de que não permaneçamos parados ou acomodados. Que ele também nos ajude a desempenhar as nossas atividades diárias com serenidade e proveito espiritual. Peçamos a São Rafael que nos conduza pela mão e nos auxilie no caminho da alegria do Evangelho para que não erremos a estrada e saibamos colaborar nos serviços da comunidade da Igreja.

São Miguel, Gabriel e Rafael são os poderosos ministros de Deus que têm a missão de nos defender na luta contra o mal e de nos ajudar na perseverança na fé e na santidade. Peçamos, hoje, amanhã e sempre, que estes ministros de Deus nos obtenham a graça de corresponder sempre mais, com generosidade e zelo, à vontade do Senhor em
nossas vidas. Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

Publicado em Arquidiocese de Brasília.

Cinco fatos que talvez você não saiba sobre o Padre Pio e seu anjo da guarda

[Na última sexta-feira], 23 de setembro, a Igreja [celebrou] a festa de São Pio de Pietrelcina, o sacerdote dos estigmas e um santo que tinha muita devoção e proximidade ao seu anjo da guarda.

Confira a seguir cinco fatos que você talvez não conhecesse sobre Pe. Pio e os anjos:

1. Achava que todos podiam ver seus anjos da guarda

Segundo a Obra dos Santos Anjos, associação católica que difunde entre os fiéis a devoção dos santos Anjos e possui estatutos próprios aprovados pela Santa Sé, diz-se que quando o Pe. Pio ainda era muito pequeno começou a ter visões do seu anjo da guarda, de Jesus e Maria. Sua mãe disse que ele pensava que todo mundo podia vê-los.

2. Juntos contra o demônio

Em certas ocasiões, o demônio manchava as cartas que seu confessor lhe enviava e seguindo o conselho do seu anjo da guarda, quando chegava uma carta, antes de abri-la, o santo a aspergia com água benta e desta maneira podia lê-las.

“O companheiro de minha infância tenta suavizar as dores que me causavam aqueles impuros apóstatas embalando meu espírito como sinal de esperança” (Carta. I,321), destacava o santo sacerdote referindo-se ao seu anjo da guarda.

Não obstante, certa vez o demônio estava batendo no Pe. Pio e o santo chamou várias vezes em voz alta seu anjo da guarda, mas foi inútil. Em seguida, quando o anjo apareceu a consolá-lo, Pe. Pio zangado lhe perguntou por que não o socorreu.

O anjo lhe respondeu: “Jesus permite estes assaltos do diabo porque Sua compaixão te faça querido dele e queria que te assemelhasses com isso ao deserto, o jardim e a cruz” (Carta I, 113).

3. Traduzia as cartas

Quando recebia alguma carta escrita em francês, o anjo da guarda a traduzia. Uma vez, Pe. Pio escreveu: “Se a missão de nosso anjo da guarda é importante, a do meu com certeza é maior, porque também deve ser professor na tradução de outras línguas” (Carta I,304).

4. Seu anjo o despertava e rezava com ele

Narrava o Santo capuchinho: “De noite, fechava meus olhos, via descer o véu e abrir-se diante de mim o paraíso; e, consolado por esta visão, durmo com um sorriso doce e feliz nos lábios e com uma grande tranquilidade no meu semblante, esperando que meu pequeno companheiro de infância venha despertar-me e, desta forma, rezar juntos as orações matutinas ao amado de nossos corações” (Carta I,308).

5. Falava com outros anjos da guarda

“Se precisarem de mim – repetia o santo aos seus filhos espirituais –, podem me mandar seu anjo da guarda”. Certo dia, Frei Alessio Parente (Frei menor capuchinho) aproximou-se de Pe. Pio com algumas cartas na mão a fim de fazer-lhes algumas perguntas e o Pe. Pio não pôde atendê-lo.

Em seguida, o sacerdote dos estigmas o chamou e disse: “Não viu todos aqueles anjos que estavam aqui ao meu redor? Eram os anjos da guarda dos meus filhos espirituais que vieram trazer-me suas mensagens. Tive que responder-lhes rapidamente”.

O venerado Pe. Pio de Pietrelcina sempre reconheceu e agradeceu a missão do anjo da guarda como “mensageiro” e por isso recomendava a devoção a eles.

Fonte: Acidigital

Publicado em Carmelo Cristo Redentor.

Imagem: Associação Regina Fidei – Artigo: “O melhor amigo do Padre Pio: o Anjo da Guarda”.

A paciência tudo alcança

Wikipédia

Uma das súplicas que pedimos e ouvimos com mais frequência é: “Ah, meu Deus, dê-me paciência!”. Incessantemente suplicamos ao Senhor essa virtude, porém nos falta perspicácia suficiente para perceber que Deus concede a virtude aliada à prática.
Nosso Senhor, em sua infinita sabedoria, nos proporciona ocasiões para que sejamos pacientes. O hábito faz a perfeição! Quer ser paciente com seu esposo ou sua esposa, com seu pai e mãe, irmãos e amigos? Então, aproveite as oportunidades que o Senhor lhe concede e pratique a paciência.

Quantas vezes você se deparou com uma situação na qual era suficiente um pouquinho mais de paciência para ser resolvida? Bastava respirar fundo e oxigenar o cérebro ao invés de responder com tanta aspereza. Vejamos a recomendação que a Palavra de Deus nos dá: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação” (Eclesiastes 7,8b-9). Percebe como a pedagogia de Deus é diferente da nossa?

Na oração de Santa Teresa D’Ávila há uma referência sobre a paciência que diz: “a paciência tudo alcança”. Todavia, para alcançar esse “tudo” precisamos de muita luta espiritual, muito silêncio. Se for preciso “engolir um sapo” de vez enquanto, não há problema, o importante é atingir nossa meta principal: a eternidade. Não à toa os santos costumavam dizer que uma das formas de martírio, além da morte de espada, era o da paciência. Assim sendo, ser paciente é uma via segura que nos conduz à santidade. Alcançamos a fortaleza nas adversidades cultivando a paciência. Porém, o sofrimento somente é vencido pela graça de Deus unido a nossa perseverança.
“O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida”.

Esta virtude dos fortes, cada vez mais escassa em nossa convivência, exige, antes de tudo, a confiança em Deus. A paciência é o alimento que sustenta o diálogo. Quando o fio da comunicação familiar se fragiliza, nada melhor do que a prática desta virtude. Quantas famílias se desestruturam, separam-se devido à falta de diálogo, de uma boa conversa ao pé do ouvido com o cônjuge ou com os filhos! Por vezes, trocamos a paciência pelo orgulho. Recordemos novamente: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso” (Ecle 7,8b).

Fixamos uma ideia na cabeça e nada nos faz voltar atrás; não admitimos erros, sejam os nossos ou de outros. Colocamos uma barreira que nos distancia dia após dia. O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida. Nosso erro maior não é falhar por tentar, mas desistir sem ao menos ter tentando. Necessitamos, contudo, de muita coragem para superar essas fragilidades provocadas pela fraqueza humana, e os fortes de espírito encaram esse desafio da convivência familiar na dificuldade, porém com confiança; ao contrário dos fracos, que lhes faltam o equilíbrio e ousadia para, sem medo, arriscar vencer as barreiras.

Outros pensam que, por serem fracos, não conseguirão, pois suas forças são poucas. Além de lhes faltar coragem, falta-lhes confiança na misericórdia de Deus que tudo sonda. Nesta perspectiva, inúmeras famílias, em seu íntimo, carecem de esperança: esperança em pagar as dívidas, esperança na união da família, esperança no obstáculo das drogas e álcool, esperança contra a violência, esperança na fidelidade conjugal e no futuro. O fundamento da esperança está justamente na paciência como ouvimos dizer da Sagrada Escritura: “a paciência prova a fidelidade, e esta comprovada produz esperança. E a esperança não engana” (cf.Romanos 5,4-5). Irmãos, a esperança não engana, pelo contrário, ela elucida a nossa paciência em todas as atribulações, pois, na provação, resta-nos apenas esperar com paciência a graça vinda de Deus.

A paciência também nos salva, pois o Senhor utiliza dela conosco. São Pedro nos afirma: “O Senhor não retarda o cumprimento de suas promessas, como alguns pensam, mas usa dela convosco. Ele não quer que ninguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam” (cf. II Pedro 3,9).
Ora, se nosso Senhor usa de paciência conosco, isso é sinal de misericórdia. Não sejamos diferentes para com aqueles que atravessam nosso caminho, mas sejamos sinais de salvação para quem precisa. Seja paciente e tolerante com a vizinha que insiste em fazer fofoca; seja paciente consigo na luta contra o pecado; tenha paciência nas relações difíceis, porque, no tempo certo, a transformação virá e, então, você colherá os frutos das sementes lançadas nos sulcos da paciência. Só lhe falta a paciência quando lhe falta oração.

Façamos juntos a oração da mística e doutora da Igreja:
Nada te perturbe,
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!

Santa Teresa de Ávila

Fonte: Rodrigo Stankevicz

Publicado em Rádio Fraternidade.

Origem da devoção à Santíssima Virgem Maria

UM LEITOR ANÔNIMO enviou-nos a seguinte pergunta:

“As ações da Igreja Católica falam mais do que mil palavras, por favor, coloque aí no blog relatos dos pais da igreja antes de Constantino que fale a favor de Maria como advocatriz e intercessora, que fale que eles pediam a ajuda dos apóstolos e discípulos quando esses já estavam mortos, chega de muitas palavras, você fala, enrola demais e mostra de menos, quem não lê a bíblia pode até cair no teu conto, mas quem lê a bíblia meu amigo não cai mesmo, afinal é fácil criar dogmas estranhos a palavra de Deus e fazer leigos que não liam a bíblia engolir como lideres católicos já fizeram.Então para um melhor esclarecimento, estou esperando sua postagem com provas reais de que o que a igreja católica prega de diferente do protestantismo seja a correta.

Apesar do tom acusatório e provocativo, ficamos felizes com essa pergunta, porque nos deu a oportunidade de abordar um assunto importante e ainda inédito por aqui. Quando e como começou a devoção à Virgem Maria?

A Igreja sempre viu a mãe de Jesus Cristo como Mãe da própria Igreja, ou foi isso uma invenção posterior? Desde quando Maria é vista como nossa intercessora junto a Deus? Desde quando a Igreja pede proteção à Maria? Para aqueles que leem exclusivamente a Bíblia, estas são perguntas válidas e justas; afinal, as sagradas Escrituras não tratam destas questões explicitamente.


O erro fundamental

Infelizmente, é preciso começar a responder os questionamentos trazidos pelo leitor anônimo com o esclarecimento daquele ponto fundamental que já tivemos que repetir uma dúzia de vezes (ou mais?) por aqui: quando o leitor afirma que “quem lê a Bíblia não cai”, isto é, não aceita as explicações contidas neste site, – que não são nossas, mas representam a doutrina da Igreja Católica, – fica claro que as perguntas estão partindo de alguém que segue “a religião do Livro”. As dificuldades começam logo de cara pelo fato de nós, católicos, seguirmos a Religião do Espírito Santo, que foi derramado sobre a Igreja por nosso Salvador Jesus Cristo.

Há dois mil anos, o Senhor Jesus, glorificado pelo Espírito Santo, entrou no Cenáculo de Jerusalém e derramou o Espírito da Ressurreição sobre a sua Igreja, na pessoa dos Apóstolos: “A paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo!” (Jo 20,19ss).

No Domingo da Páscoa, os Apóstolos tornaram-se realmente cristãos; receberam a vida nova do Cristo Ressuscitado, foram transfigurados em Cristo! Aí nasceu a Igreja: na Ressurreição! Aí ela foi batizada no Espírito e recebeu o poder de batizar: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio!” (Jo 20,21). – Contemplando esta realidade sagrada é que se torna nítida a enorme diferença entre as pessoas que têm uma fé toda engessada, presa às palavras literais do Livro Sagrado, e os membros do Corpo do Cristo.

Segundo aquela mentalidade limitada, só o que está escrito no livro, literalmente, “pode”. O que não estiver escrito no livro, literalmente, “não pode”. Isto é querer reduzir o Caminho de salvação e Comunhão (que é o próprio Cristo) a uma triste piada.

O cristianismo nunca foi religião do Livro. Nós, católicos, temos a Bíblia como sagrada e cremos que ela é Palavra de Deus, sim, a Palavra por escrito. Mas cremos sobretudo que a Palavra, o Verbo de Deus, por excelência, é Jesus Cristo, Deus Vivo, Senhor Ressuscitado, que não se limita à letra, assim como as Sagradas Escrituras nos ensinam que “nem o mundo todo poderia conter os livros que teriam que ser escritos para falar sobre Jesus” (Jo 21,25). Amém!

A mesma Verdade o Apóstolo São Paulo esclarece e aprofunda à perfeição, ao dizer: “Deus nos fez ministros de um Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o Espírito vivifica” (2Cor 3,6).

É claro que o Apóstolo não afirma que a Escritura é morta ou que não tem valor. Ao contrário, a Escritura “é útil para ensinar, repreender, corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3,16). O problema começa quando achamos que exclusivamente o que está escrito é que vale. Perdemo-nos no Caminho quando achamos o que está escrito mais importante do que a Igreja, que é dirigida pelo Espírito de Deus e autora da própria Bíblia.

As tradições meramente humanas, como as dos antigos fariseus e doutores da Lei de Moisés, foram substituídas pela Tradição da Igreja: Tradição esta que gerou a própria Bíblia dos cristãos. Portanto, a autoridade de fé sobre a doutrina de Jesus Cristo está fundamentada na Igreja que Ele edificou sobre a Terra, e não somente na Bíblia Sagrada, que foi produzida, preservada e deve ser interpretada segundo a mesma Igreja.

Estando claros esses pontos fundamentais, entremos, afinal, na questão da devoção à Nossa Senhora. Pelo teor da mensagem, pareceu-nos que o leitor anônimo crê que a devoção à Virgem Maria começou depois de Constantino, ou que foi Constantino quem a “inventou”… Por isso, é pedida alguma prova de que a Igreja que existia antes de Constantino já cultivava tal devoção. Muito bem, vejamos…

A origem está nos Evangelhos

A devoção à Santíssima Virgem Maria começou com o próprio cristianismo. Naquela singelíssima casa de Nazaré, há dois milênios, encontramos o Anjo Gabriel, enviado por Deus, saudando Maria! “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Com estas palavras, vindas diretamente do Céu, começou a devoção mariana. Quem pode negar a evidência deste fato?

“Desde agora, todas as gerações me proclamarão Bem-aventurada!” (Lc 1,48). No Evangelho, Maria faz uma profecia que a Igreja Católica sempre cumpriu, mas as novas “igrejas evangélicas” fazem muita questão de renegar. Maria, cheia do Espírito Santo e grávida do próprio Jesus Cristo, profetiza que será aclamada bem-aventurada por todas as gerações. Já os “pastores evangélicos” a chamam “uma mulher como outra qualquer”.

Quando Maria, única guardiã do anúncio do Anjo, visita Isabel, depois da longa viagem da Galileia até a Judeia, ao ouvir a saudação de Maria, a mãe de João Batista percebe que o menino salta de alegria dentro dela, enquanto o Espírito Santo atravessa sua alma e lhe sugere estas palavras: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem a honra de que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1,42-45). Quem ousa dizer que isso não é a mais pura devoção mariana, registrada no Evangelho? Pois é exatamente o que nós, católicos, pensamos e dizemos de Maria, até hoje.

Vamos à narração do Natal do Senhor. Diz o Evangelho segundo S. Lucas: “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: ‘Vamos a Belém ver o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer’. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura” (Lc 2,15-16). É claro que os pastores, após terem se ajoelhado diante do Menino, devem ter lançado um olhar àquela mãe especialíssima, e podem muito bem ter exclamado: “Bem-aventurada és tu, mãe deste Menino!”. Bem, isso seria uma pura expressão de devoção mariana, e que não teria nada absolutamente a ver com idolatria.

Passemos a S. Mateus evangelista, que para narrar a chegada dos Magos a Belém usou estas palavras: “E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no (Mt 2,9-11)”. Podemos imaginar a emoção dos magos, os quais, após uma longa e aventurosa viagem, tiveram a alegria de ver o Salvador tão esperado. Porém, não nos afastamos da verdade dos fatos e nem nos aproximamos da idolatria se imaginarmos que eles, depois da adoração do Menino, tenham olhado Maria cheios de respeito e admiração: a que mulher poderia ser concedida tamanha graça, de gerar e ser mãe do próprio Deus? Simples: assim é a devoção mariana, percebida claramente nas entrelinhas dos Evangelhos de Nosso Senhor.

Nas passagem das bodas de Caná, vemos que o Senhor “adiantou a sua hora”, – em suas próprias palavras, – especialmente por um pedido de sua mãe, que intercedeu por aqueles noivos. Depois do primeiro milagre de Jesus, os servos, que acompanharam os fatos, podem muito bem ter pedido à Maria, dizendo-lhe: “Jesus te escuta, e até adiantou a sua hora por um pedido teu! Pede a Ele uma bênção para nossas famílias!”… Seria isto algum absurdo? Não. Mais um exemplo do que é a devoção mariana.

Também aqueles noivos certamente devem ter agradecido à intervenção de Maria, afinal, foi a intervenção (intercessão) dela que salvou a festa deles. Claro que o agradecimento principal seria ao próprio Jesus, afinal foi Ele quem tornou a água em vinho. Mas, se Maria não tivesse pedido pelos noivos, Ele não o teria feito, e o Evangelho é muito claro nesse sentido.

Assim é que começa a devoção mariana. E continua, pelos séculos, sem interrupção. A verdade histórica é: Maria, a partir das palavras pronunciadas pelo Anjo Gabriel (que eram as palavras do próprio Deus para ela, afinal o arcanjo é Mensageiro do Criador), foi imediatamente vista com especial admiração, com grande carinho e reverência. E logo sua intercessão foi invocada, pelo motivo óbvio: seu particularíssimo e incomparável vínculo com o Cristo, – o vínculo da maternidade! – Logo, é evidente que quando recorrermos à Maria para pedir algum favor, não nos encontramos fora do contexto do Evangelho, mas totalmente dentro dele.

Sei que aqui alguns questionarão dizendo que Maria não se encontra mais entre nós, e que isso faz toda a diferença. Segundo estes, não é a mesma coisa pedir a oração de um irmão que está ao nosso lado, aqui e agora, e a um santo que morreu há muito tempo, ainda que esta santa, no caso, seja a própria mãe do Senhor. Bem, nós já tratamos deste assunto específico, e você pode ler e comprovar (também biblicamente) que os santos no Céu estão mais vivos do que nós, aqui na Terra, e permanecem em íntima união com Deus. Leia aqui.

Primeira representação conhecida da Virgem Maria
(Catacumbas de Priscilla – século II)

Outras provas: História e Arqueologia

A partir daqui, passamos da demonstração teológica e da fundamentação bíblica para a apresentação das provas históricas, arqueológicas e documentais. Provas históricas da devoção à Virgem Maria, além da própria Bíblia Sagrada, como acabamos de ver, remontam ao início da Igreja, e são muitas. A Mãe do Senhor foi honrada e venerada como Mãe da Igreja desde o início do cristianismo.

Já nos primeiros séculos, a devoção está presente e pode ser reconhecida, por exemplo, nas evidências arqueológicas das catacumbas, que demonstram a veneração que os primeiros cristãos tinham para com a Santíssima Virgem. Tal é o caso de pinturas marianas das catacumbas de Priscila, do século II, local onde os primeiros cristãos se reuniam, ocultos aos romanos: um deles mostra a Virgem com o Menino Jesus ao peito e um profeta, identificado como Isaías, ao seu lado1. Nas catacumbas de S. Pedro e S. Marcelino também se encontra pintura do século III/IV, que mostra Maria entre Pedro e Paulo, com as mãos estendidas em oração.

Outro magnífico exemplo da devoção à Santíssima Virgem nos primórdios do Cristianismo é a oração “Sub Tuum Praesidium” (Sob Vossa Proteção), do século III/IV, que pede a intercessão de Maria junto a Jesus Cristo:

Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen.

Tradução:
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém

Segundo linguistas, esta versão latina, embora comumente usada já no século III, afasta-se um pouco do original. Com efeito, confrontando o papiro encontrado em 1927 no deserto egípcio com o texto da oração em uso na antiquíssima liturgia copta, encontramos a versão cuja tradução literal segue abaixo:

Sob a proteção da tua misericórdia nos refugiamos, Mãe de Deus; não rejeites as súplicas nas dificuldades, mas salva-nos do perigo, única bendita. Amém.2

Os Padres do século IV elogiam de muitos modos a Mãe de Deus. Epifânio refutou o erro de uma seita árabe que tributava idolatria à Maria: depois de rejeitar tal culto, ele escreveu: “Sejam honestos para com Maria! Seja adorado somente o Senhor!”. A mesma distinção vemos em Santo Ambrósio, que, depois de exaltar a “Mãe de todas as virgens”, esclarece com grande propriedade que “Maria é templo de Deus, e não o Deus do templo”; em outras palavras, para prestar sua legítima devoção mariana, livre de enganos, ele distinguiu o lugar devido ao Deus Altíssimo e o lugar da Virgem Maria.

Na Liturgia Eucarística também constam dados confiáveis que demonstram que a menção à Maria nas Orações remonta ao ano 225, e também nas antiquíssimas festas do Senhor, da Encarnação, da Natividade e da Epifania: todas homenageavam a Mãe do Senhor e da Igreja.

O testemunho dos primeiros presbíteros

Orígenes

O primeiro registro escrito da Patrística de que dispomos sobre Maria é o de Santo Inácio de Antioquia (bispo entre os anos 68 e 107 dC). Combatendo os docetistas, defende a realidade humana de Cristo para dizer que pertence à linhagem de Davi, verdadeiramente nascido da Virgem Maria. Afirmando que Cristo foi “concebido em Maria e nascido de Maria”, e que a sua virgindade pertence a “um Mistério escondido no Silêncio de Deus”.

São Justino (martirizado no ano 167) refletiu sobre o paralelismo entre Eva e Maria: “Se por uma mulher, Eva, entrou no mundo o pecado, por uma mulher, Maria, veio ao mundo o Salvador”. No Diálogo com Trifão, insiste sobre a verdade da maternidade de Maria sobre Jesus e, como Santo Inácio de Antioquia, enfatiza a verdade da concepção virginal e incorpora o paralelo Eva-Maria para a sua argumentação teológica.

A teologia mariana é um tema constante dos primeiros presbíteros da Igreja. Santo Irineu de Lyon (nascido no ano 130), em uma polêmica contra os gnósticos e docetistas, salienta a geração de Cristo no ventre de Maria. Também da maternidade divina lança as bases da sua cristologia: é da natureza humana, assumida pelo Filho de Deus no ventre de Maria, que torna possível a morte redentora de Jesus chegar a toda a humanidade. Também digno de nota é sua abordagem sobre o papel maternal de Maria em relação ao novo Adão, em cooperação com o Redentor.

No Norte de África, Tertuliano (nasc. aprox.: ano 155), em sua controvérsia com o gnóstico Marcião, afirma que Maria é a Mãe de Cristo, – portanto Mãe de Deus, – pois o Senhor foi concebido em seu ventre virginal.

No século III começou a ser usado o título Theotokos (Mãe de Deus). Orígenes (185-254 dC) é a primeira testemunha conhecida deste título. Em seus escritos aparece, pela primeira vez, a sentença Sub tuum praesidium, que, como dito acima, é um apelo à intercessão da Virgem Maria. Órígenes também define Maria como “modelo” e “auxílio dos cristãos”. Já no século IV o mesmo título é usado na profissão de fé de Alexandre de Alexandria contra Ário.

A partir daí, muitos e muitos presbíteros explicaram a dimensão teológica desta verdade. – Efrém, Atanásio, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Ambrósio, Agostinho, Proclo de Constantinopla, etc… A tal ponto que o título “Mãe de Deus” torna-se o mais utilizado quando se fala da Santíssima Virgem.

Obviamente, “Mãe de Deus” não implica que Maria é “deusa”, e sim que Jesus Cristo, seu filho, é a um só tempo plenamente homem e plenamente Deus. Se Jesus é Deus, e Maria sua mãe, ela é e será sempre a mais agraciada entre todas as mulheres, pois foi – e é, na perspectiva da eternidade onde se encontra, – a Mãe de Deus e, portanto, de toda a Igreja de Cristo.

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1. LAZAREFF, Victor Nikitich. Studies in the Iconography of the Virgin, The Art Bulletin, London: Pindar Press, pp. 26-65.
2. OSSANNA, Tullio Faustino. A Ave-Maria: História, conteúdo, controvérsias. São Paulo: Loyola, 2006, pp.36.
ofielcatolico.com.br

Publicado em O Fiel Católico.

A presença de Deus é real

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31)

É noite. Os discípulos tentam atravessar o lago de Tiberíades. O barco é agitado pela tempestade e pelo vento contrário. Anteriormente já haviam enfrentado uma situação semelhante, mas o Mestre estava com eles no barco. Dessa vez, não: Ele tinha ficado em terra firme, estava no monte, a rezar.

Mas Jesus não os deixa sozinhos na tempestade. Desce do monte, vai ao encontro deles, caminhando sobre as águas, e os anima: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. Seria realmente Ele ou apenas uma ilusão? Pedro, cheio de dúvida, pede-lhe uma prova: que também ele possa caminhar sobre as águas. Jesus o chama a si. Pedro sai do barco, mas o vento ameaçador o assusta e ele começa a afundar. Então Jesus o segura pela mão, dizendo-lhe:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Como sentir a presença de Deus nas tribulações?

Também hoje Jesus continua dirigindo-nos estas palavras, toda vez que nos sentimos sós e incapazes nas tempestades que frequentemente desabam sobre a nossa vida. São doenças ou graves situações familiares, violências, injustiças… que insinuam no coração a dúvida, quando não, até mesmo, a rebelião: “Por que Deus não vê isso? Por que não me escuta? Por que Ele não vem? Por que não intervém? Onde está aquele Deus Amor no qual acreditei? É apenas um fantasma, uma ilusão?”.

Assim como aconteceu com os discípulos assustados e incrédulos, Jesus continua repetindo agora: “Coragem, sou eu! Não tenham medo”. E assim como Ele desceu do monte daquela vez para estar perto deles nas suas dificuldades, da mesma forma hoje Ele, o Ressuscitado, continua entrando na nossa vida, caminhando ao nosso lado, fazendo-se companheiro. Jamais nos deixa sozinhos na provação: Ele está aí para compartilhá-la conosco. Mas, pode ser que não acreditemos suficientemente; por isso Ele nos repete:

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Estas palavras, além de serem uma censura, são um convite a reavivar a fé. Quando Jesus estava na terra conosco, prometeu-nos muitas coisas. Ele disse, por exemplo: “Pedi e recebereis…”; “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e todo o resto virá por acréscimo”; a quem tiver deixado tudo por Ele será dado cem vezes mais nesta vida e como herança a vida eterna.

Podemos obter tudo, mas precisamos acreditar no amor de Deus. Para poder nos dar algo, Jesus pede que pelo menos reconheçamos que Deus nos ama.

Ao passo que muitas vezes nos afligimos como se tivéssemos de enfrentar a vida sozinhos, como se fôssemos órfãos, sem um Pai. Fazemos como Pedro, dando mais atenção às ondas agitadas que parecem nos engolir do que à presença de Jesus que logo nos segura pela mão.

Se ficarmos parados, analisando aquilo que nos faz sofrer, os problemas, as dificuldades, então afundaremos no medo, na angústia, no desencorajamento. Mas não estamos sós! Acreditamos que existe Alguém que cuida de nós. É Nele que devemos fixar o nosso olhar. Ele está perto de nós, mesmo quando não percebemos a sua presença. Precisamos acreditar Nele, confiar nele, confiar-nos a Ele.

Quando a fé passa por uma prova, lutamos, rezamos, do mesmo modo como Pedro, quando gritou: “Senhor, salva-me!”, ou como os discípulos, numa outra situação semelhante: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Jesus nunca nos deixará faltar a sua ajuda. O seu amor é verdadeiro e Ele assume todos os nossos pesos.

“Homem fraco de fé, por que duvidaste?”

Também Jean Louis era um jovem “fraco de fé”. Apesar de ser cristão, ele duvidava da existência de Deus, ao contrário dos outros membros da família. Vivia bem longe dos pais, em Man, na Costa do Marfim, com os irmãos menores.

Quando a cidade foi tomada por rebeldes, quatro deles entraram na sua casa, saquearam tudo e quiseram recrutar à força o jovem, devido ao seu aspecto atlético. Os irmãos menores suplicavam que o soltassem, mas em vão.

Quando já estavam para sair com Jean Louis, o chefe do grupo mudou de ideia e decidiu deixá-lo. Depois sussurrou para a maiorzinha das irmãs: “Vão embora o quanto antes, porque amanhã nós vamos voltar…”. E indicou a direção que eles deveriam tomar.
Seria o caminho certo? Não seria uma armadilha?, perguntaram-se os adolescentes.

Partiram logo ao amanhecer, sem um tostão no bolso, porém com uma migalha de fé. Caminharam por 45 quilômetros. Encontram alguém que lhes pagou uma passagem de caminhão para chegarem até a casa de seus pais. Pelo caminho, foram acolhidos por pessoas desconhecidas que também lhes deram de comer. Nos postos de controle e ao atravessar a fronteira, ninguém lhes pediu documentos, até que finalmente chegaram em casa.

A mãe conta: “Não estavam em boas condições, mas se sentiam arrebatados pelo amor de Deus!”.

A primeira coisa que Jean Louis fez, foi perguntar onde havia uma Igreja. E disse: “Papai, o teu Deus é realmente forte!”

Chiara Lubich – fundadora do Focolare

Publicado em Arquivo Formação Shalom.

Leia também: Conhecê-lo e conhecer-se (9): Não tenhas medo, eu estou aqui (Opus Dei)

A esperança é a chave para suportar qualquer dificuldade

Em tempos sombrios, tendemos a perder a esperança, especialmente quando eles se prolongam. Até que tentamos ter uma atitude positiva, mas as circunstâncias nem sempre promovem essa virtude.

No entanto, uma das únicas maneiras pelas quais podemos suportar tais dificuldades é ter esperança.

São João Clímaco, um monge cristão do século VI, passou 40 anos levando uma vida solitária, raramente tendo contato as pessoas. Mas, em determinada época, ele foi encarregado de um mosteiro e vários religiosos o procuraram para ter orientação espiritual. Sua sabedoria era profunda e seus escritos continuam a inspirar as pessoas até hoje.

O Papa Bento XVI destacou sua vida em uma audiência geral em 2009, na qual se concentrou em várias lições que podemos tirar da vida do eremita. Em particular, Bento XVI enfatizou a necessidade de ter esperança, citando os pensamentos de São João sobre o assunto:

“A esperança é o poder que impulsiona o amor. Graças à esperança, podemos esperar a recompensa da caridade … A esperança é a porta do amor … A ausência de esperança destrói a caridade: nossos esforços estão ligados a ela, nossos trabalhos são sustentados por ela e, por meio dela, somos envolvidos pela misericórdia de Deus.”

O tipo de esperança sobre a qual São João Clímaco escreve é a esperança sobrenatural, uma firme esperança no futuro e no que Deus tem reservado para seus fiéis discípulos. O Papa Bento XVI explica mais detalhadamente essa virtude fundamental:

“Com razão, João Clímaco diz que somente a esperança nos torna capazes de viver a caridade; esperança na qual transcendemos as coisas de todos os dias, não esperamos sucesso em nossos dias terrestres, mas estamos ansiosos pela revelação do próprio Deus, finalmente. É somente nessa extensão de nossa alma, nessa auto-transcendência, que nossa vida se torna grande e que somos capazes de suportar o esforço e as decepções de todos os dias, que podemos ser gentis com os outros sem esperar qualquer recompensa. Somente se houver Deus, essa grande esperança à qual aspiro, poderei dar os pequenos passos da minha vida e, assim, aprender a caridade.”

Qualquer sofrimento que experimentamos pode ser suportado com a virtude da esperança. Ele nos sustenta em tempos sombrios e nos aponta a direção certa. Em vez de buscar consolo nesta vida terrena, esperamos ansiosamente a vida eterna. Todas as nossas ações podem ser ordenadas para essa esperança, dando sentido e propósito às nossas vidas.

Se você está sofrendo agora, peça a Deus a virtude da esperança, para poder superar as decepções diárias e transmitir a alegria a que somos chamados a experimentar na presença de Deus.

Philip Kosloski / Aleteia 

Publicado em Diocese de Campo Limpo – Uma caminhada de fé, esperança e caridade.

Catequese sobre o Sacramento da Confissão

1. O QUE É A CONFISSÃO?

Confissão ou Penitência é o Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para que os cristãos possam ser perdoados de seus pecados e receberem a graça santificante. Também é chamado de sacramento da Reconciliação. 

2. QUEM INSTITUIU O SACRAMENTO DA CONFISSÃO OU PENITÊNCIA?

O sacramento da Penitência foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo nos ensina o Evangelho de São João: “Depois dessas palavras (Jesus) soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem vocês perdoarem os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). 

3. A IGREJA TEM A AUTORIDADE PARA PERDOAR OS PECADOS ATRAVÉS DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA?

Sim, a Igreja tem esta autoridade porque a recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mt 18,18).  

4. POR QUE ME CONFESSAR E PEDIR O PERDÃO PARA UM HOMEM IGUAL A MIM?  

Só Deus perdoa os pecados. O Padre, mesmo sendo um homem sujeito às fraquezas como outros homens, está ali em nome de Deus e da Igreja para absolver os pecados. Ele é o ministro do perdão, isto é, o intermediário ou instrumento do perdão de Deus, como os pais são instrumentos de Deus para transmitir a vida a seus filhos; e como o médico é um instrumento para restituir a saúde física, etc.  

5. OS PADRES E BISPOS TAMBÉM SE CONFESSAM?  

Sim, obedientes aos ensinamentos de Cristo e da Igreja, todos os Padres, Bispos e mesmo o Papa se confessam com frequência, conforme o mandamento: “Confessai os vossos pecados uns aos outros” (Tg 5,16 ).   

6. O QUE É NECESSÁRIO PARA FAZER UMA BOA CONFISSÃO?

Para se fazer uma boa confissão são necessárias 5 condições:

a) um bom e honesto exame de consciência diante de Deus;

b) arrependimento sincero por ter ofendido a Deus e ao próximo;

c) firme propósito diante de Deus de não pecar mais, mudar de vida, se converter;

d) confissão objetiva e clara a um sacerdote;

e) cumprir a penitência que o padre nos indicar. 

7. COMO DEVE SER A CONFISSÃO?

Diga o tempo transcorrido desde a última confissão. Acuse (diga) seus pecados com clareza, primeiro os mais graves, depois os mais leves. Fale resumidamente, mas sem omitir o necessário. Devemos confessar os nossos pecados e não os dos outros. Porém, se participamos ou facilitamos de alguma forma o pecado alheio, também cometemos um pecado e devemos confessá-lo (por exemplo, se aconselhamos ou facilitamos alguém a praticar um aborto, somos tão culpados como quem cometeu o aborto).  

8. O QUE PENSAR DA CONFISSÃO FEITA SEM ARREPENDIMENTO OU SEM PROPÓSITO DE CONVERSÃO, OU SEJA, SÓ PARA “DESCARREGAR” UM POUCO OS PECADOS?

Além de ser uma confissão totalmente sem valor, é uma grave ofensa à Misericórdia Divina. Quem a pratica comete um pecado grave de sacrilégio. 

9. QUE PECADOS SOMOS OBRIGADOS A CONFESSAR?

Somos obrigados a confessar todos os pecados graves (mortais). Mas é aconselhável também confessar os pecados leves (veniais) para exercitar a virtude da humildade.   

10. O QUE SÃO PECADOS GRAVES (MORTAIS) E SUAS CONSEQUÊNCIAS?

São ofensas graves a Deus ou ao próximo. Eles apagam a caridade no coração do homem e o desviam de Deus. Quem morre em pecado grave (mortal) sem arrependimento, merece a morte eterna, conforme diz a Escritura: “Há pecado que leva à morte” (1Jo 5,16b). 

11. O QUE SÃO PECADOS LEVES (ou também chamados de VENIAIS)?

São ofensas leves a Deus e ao próximo. Embora ofendam a Deus, não destroem a amizade entre Ele e o homem. Quem morre em pecado leve não merece a morte eterna. “Toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte” (1Jo 5, 17). 

12. PODEIS DAR ALGUNS EXEMPLOS DE PECADOS GRAVES?

São pecados graves, por exemplo: O assassinato, o aborto provocado, assistir ou ler material pornográfico, destruir de forma grave e injusta a reputação do próximo, oprimir o pobre, o órfão ou a viúva, fazer mau uso do dinheiro público, o adultério, a fornicação, entre outros.   

13. QUER DIZER QUE TODO AQUELE QUE MORRE EM PECADO MORTAL ESTÁ CONDENADO?

Merece a condenação eterna. Porém, somente Deus, que é justo e misericordioso e que conhece o coração de cada pessoa, pode julgar. 

14. E SE TENHO DÚVIDAS SE COMETI PECADO GRAVE OU NÃO?

Para que haja pecado grave (mortal) é necessário:

a) conhecimento, ou seja, a pessoa deve saber, estar informada que o ato a ser praticado é pecado;

b) consentimento, ou seja, a pessoa tem tempo para refletir, e escolhe (consente) cometer o pecado;

c) liberdade, isto é, significa que somente comete pecado quem é livre para fazê-lo;

d) matéria, ou seja, significa que o ato a ser praticado é uma ofensa grave aos Mandamentos de Deus e da Igreja. 

Estas 4 condições também são aplicáveis aos pecados leves, com a diferença que neste caso a matéria é uma ofensa leve contra os Mandamentos de Deus. 

15. SE ESQUECI DE CONFESSAR UM PECADO QUE JULGO GRAVE?

Se esquecestes realmente, o Senhor te perdoou, mas é preciso acusá-lo ao sacerdote em uma próxima confissão. 

16. E SE NÃO SINTO REMORSO, COMETI PECADO?

Não sentir peso na consciência (remorso) não significa que não tenhamos pecado. Se nós cometemos livremente uma falta contra um Mandamento de Deus, de forma deliberada, nós cometemos um pecado. A falta de remorso pode ser um sinal de um coração duro, ou de uma consciência pouco educada para as coisas espirituais (por exemplo, um assassino pode não ter remorso por ter feito um crime, mas seu pecado é muito grave).   

17. A CONFISSÃO É OBRIGATÓRIA?

O católico deve confessar-se no mínimo uma vez por ano, ao menos a fim de se preparar para a Páscoa. Mas somos também obrigados toda vez que cometemos um pecado mortal. 

18. QUAIS OS FRUTOS DE SE CONFESSAR CONSTANTEMENTE?

Toda confissão apaga completamente nossos pecados, até mesmo aqueles que tenhamos esquecido. E nos dá a graça santificante, tornando-nos naquele instante uma pessoa santa. Tranquilidade de consciência, consolo espiritual. Aumenta nossos méritos diante do Criador. Diminui a influência do demônio em nossa vida. Faz criar gosto pelas coisas do alto. Exercita-nos na humildade e nos faz crescer em todas as virtudes. 

19. E SE TENHO DIFICULDADE PARA CONFESSAR UM DETERMINADO PECADO?

Se somos conhecidos de nosso pároco, devemos neste caso fazer a confissão com outro padre para nos sentirmos mais à vontade. Em todo caso, antes de se confessar converse com o sacerdote sobre a sua dificuldade. Ele usará de caridade para que a sua confissão seja válida sem lhe causar constrangimentos. Lembre-se: ele está no lugar de Jesus Cristo!

20. O QUE SIGNIFICA A PENITÊNCIA DADA NO FINAL DA CONFISSÃO?

A penitência proposta no fim da confissão não é um castigo; mas antes uma expressão de alegria pelo perdão celebrado.  

Padre Wagner Augusto Portugal

Publicado em PRESBÍTEROS – Um site de referência para o clero católico.

NOSSA SENHORA DO CARMO • 16 de julho

Hoje celebramos a festa de Nossa Senhora do Carmo, devoção que tem origem no século XII, em plena Idade Média, quando um grupo de eremitas começou a se reunir para se dedicar à oração e à penitência no Monte Carmelo, na Palestina, na Terra Santa, dando início a um estilo de vida pobre, humilde e simples.

Em razão das perseguições aos cristãos na Terra Santa, o grupo de eremitas teve que buscar um refúgio mais seguro e, por isso, foi obrigado a ir para a Europa, fugindo dos muçulmanos. Eles se estabeleceram na Inglaterra, onde vivia Simão Stock, um também eremita que se uniu a eles.

Em 1251, Simão Stock suplicou à Virgem Maria um sinal de proteção contra os inimigos da fé. Foi ali que Simão recebeu uma visão de Nossa Senhora, que lhe deu um escapulário, assegurando a promessa de proteção para todos aqueles que o usassem. Ela lhe disse: “Recebe, filho amado, este escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para os filhos do Carmelo. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno. Ele é sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna!”.

A partir da aparição de Nossa Senhora do Carmo a Simão Stock, a Ordem do Carmo, em pouco tempo, começou a florescer na Europa, divulgando o uso do escapulário. Logo no início dos tempos modernos, com a colonização da América, essa devoção alcançou também o Novo Mundo, permanecendo firme até os nossos dias.

Oração a Nossa Senhora do Carmo:

“Ó Bendita e Imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo

Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário

Olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção

Fortificai minha fraqueza com vosso poder.

Iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria

Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade

Ornai minha alma com as graças e as virtudes que a torne agradável ao vosso divino Filho

Assisti-me durante a vida.

Consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença

E apresentai-me a Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado

E lá no céu eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda eternidade. Amém”

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Publicado em Arquidiciocese de Londrina.

Leia também: “Nossa Senhora do Carmo” – Artigo – Província São José – Brasil – Ordem dos Carmelitas Descalços – María del Pilar de la Iglesia OCDS – Tradução: Frei José Gregório Lopes Cavalcante Júnior, OCD (imagem do post acima).

SEGUNDA-FEIRA, DIA DE DEVOÇÃO PARA COM AS ALMAS – POSSÍVEIS RAZÕES BÍBLICAS

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

 São Lucas 16,24

“QUEM NESTA VIDA

 MAIS SOCORRER AS ALMAS DO PURGATÓRIO,

 DEUS FARÁ COM QUE SEJA TAMBÉM SOCORRIDO POR OUTRO, 

QUANDO ESTIVER LÁ 

NO MEIO DAQUELAS CHAMAS”

SANTO AGOSTINHO


Não achei informações precisas do motivo pelo qual as segundas-feiras são destinadas às preces pelas almas presas no purgatório, mas é um costume antigo desde a era medieval, incorporado no Brasil até por religiões africanas, devido ao sincretismo religioso.

Procurando na Bíblia os motivos para a devoção tradicional de se rezar pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras, cheguei à seguinte conclusão:

A passagem bíblica, que nos fala do sacrifício pelos mortos, relata que Judas Macabeus encontrou objetos pagãos entre os mortos judeus num domingo e, em seguida, enviou uma doação para Jerusalém para que se fizesse sacrifício ( algo que não deve ter sido feito no mesmo dia, mas no dia seguinte, a segunda-feira). Vejamos o trecho bíblico:

II Macabeus (12, 38- 45):

38De­pois, reunindo Judas o seu exército, alcançou a cidade de Adulam e, che­gado o sétimo dia da semana (SÁBADO), puri­fi­ca­­ram-se segundo o costume e cele­braram ali o sábado. 39No dia se­guinte (DOMINGO), Judas e os seus com­pa­nhei­ros foram levantar os corpos dos mor­tos, para os depositar na sepul­tura, ao lado dos seus pais. 40En­tão, sob a túnica dos que ti­nham tom­bado, encontraram objec­tos con­sagrados aos ídolos de Jâmnia, proi­bidos aos judeus pela lei, e todos reconhece­ram que fora esta a causa da sua morte. 41Bendisseram, pois, a mão do Se­nhor, justo juiz, que faz aparecer as coisas ocultas, 42e puse­ram-se em oração, para lhe implo­rar perdão com­pleto pelo pecado come­tido.

O nobre Judas convocou a multi­dão e exortava-a a evitar qual­quer trans­gressão, tendo diante dos olhos o mal que tinha sucedido aos que, pouco antes, tinham morrido por causa dos pecados. 43E mandou fa­zer uma co­leta, recolhendo cerca de duas mil dracmas, que enviou a Jeru­sa­lém, para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado (SACRIFÍCIO QUE DEVE TER SIDO FEITO NO DIA SEGUINTE- UMA SEGUNDA-FEIRA), agindo digna e santa­mente ao pensar na ressurreição; 44por­que, se não esperasse que os mor­tos ressus­citariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. 45E acre­di­tava que uma bela recom­pensa aguar­da os que morrem piedosa­mente. Era este um pensamento santo e pie­doso. Por isso pediu um sacrifício expia­tó­rio, para que os mor­­tos fossem livres das suas faltas.

Outra passagem bíblica que nos remete ao dia da Segunda-feira e sua relação com as almas, é que Deus fez os céus no segundo dia e nós imploramos que as almas possam entrar nele purificadas:

“E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.”

Gênesis 1,8

A INTERCESSÃO DE JÓ POR SUA FAMÍLIA

A Bíblia diz que Jó tinha sete filhos e três filhas e que cada filho fazia um banquete por vez, e chamava suas três irmãs. E no fim desses dias de baquete, Jó oferecia sacrifícios por seus filhos e filhas. 
Podemos concluir que o fim desse turno de dias equivalha a uma semana, retirando o sábado (dia de descanso dos judeus pela libertação do Egito), logo, o fim do turno de dias, equivaleria a uma segunda-feira.

“Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.”

 Jó 1,5

Do mesmo modo que Jó oferecia sacrifícios pelos seus familiares, para serem livres do pecado, devemos oferecer o sacrifício da Missa pelas almas para se purificarem.

Também podemos pensar que após a Ressurreição do Senhor, no Domingo, todas as almas que estavam no cativeiro (I Pedro 3,18-19) foram levadas ao céu (Ef 4,8), o que é um bom motivo para lembrar das almas do Purgatório na segunda. 

Que do mesmo jeito que na segunda-feira não havia uma alma justa no cativeiro, assim Jesus leve todas as do Purgatório para o céu:

“Por isso diz:Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro,e deu dons aos homens. “

Efésios 4,8

Rezemos por todas as almas, para que tenham sua purificação apressada, “sejam salvas passando pelo fogo” ( I Coríntios 3,15) eles que tiveram sua “casa terrestre desfeita, recebam de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5,1).

Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.

Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.

Oséias 6,1,2



Oração pelas almas do Purgatório.

        Ó DEUS de bondade e de Misericórdia, 
tende piedade das benditas almas dos fiéis, 
que estão sofrendo e que padecem no purgatório, 
aliviai as suas penas, 
dai-lhes, Senhor, o descanso Eterno, 
e Fazei nascer para elas a LUZ perpétua. 
Amém.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

        Ó Maria,  concebida sem pecado, 
rogai por nós que recorremos a Vós.

Publicado em BREVIÁRIO.

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