TERÇA-FEIRA SANTA: COMO É A NOSSA FÉ?

Este é o segundo post da série de meditações de D. Javier Echevarría sobre a Semana Santa, originalmente transmitidas pela Rádio EWTN, de Miami.

O Evangelho da Missa termina com o anúncio de que os Apóstolos deixariam Cristo só durante a Paixão. A Simão Pedro que, cheio de presunção, afirmava: eu darei a minha vida por ti, o Senhor respondeu: tu darás a tua vida por mim? Eu te asseguro que não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes.

Em poucos dias cumpriu-se a predição. Todavia, poucas horas antes, o Mestre tinha-lhes dado uma lição clara, preparando-os para os momentos de escuridão que se avizinhavam.

Ocorreu no dia seguinte ao da entrada triunfal em Jerusalém. Jesus e os Apóstolos tinham saído muito cedo de Betânia e, com a pressa, talvez não tivessem comido nada. O caso é que, como relata São Marcos, o Senhor sentiu fome. Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. Disse então: «Nunca mais ninguém coma fruto de ti.» E os discípulos ouviram isto.

Ao entardecer regressaram à aldeia. Devia ser já tarde avançada e não repararam na figueira amaldiçoada. Mas no dia seguinte, terça-feira, ao voltar de novo a Jerusalém, todos contemplaram aquela árvore, antes frondosa, que mostrava os ramos nus e secos. Pedro fê-lo notar a Jesus: “Olha, Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou!” Jesus disse-lhes: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: «Sai daí e lança-te ao mar», e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz vai se realizar, assim acontecerá”.

Durante a sua vida pública, para realizar milagres, Jesus pedia uma só coisa: fé. Aos cegos que lhe suplicavam a cura, tinha-lhes perguntado: credes que posso fazer isso? – Sim, Senhor, responderam-lhe. Então tocou-lhes os olhos dizendo: que se faça em vós conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes os olhos. E contam os Evangelhos que, em muitos lugares, não realizou prodígios, porque às pessoas lhes faltava fé.

Também nós temos de nos interrogar: como é a nossa fé? Confiamos plenamente na palavra de Deus? Pedimos na oração o que necessitamos, seguros de consegui-lo se é para nosso bem? Insistimos nas súplicas, o que seja preciso, sem desfalecer?

São Josemaria comentava esta cena do Evangelho. “Jesus – escreve – aproxima-se de ti e aproxima-se de mim. Jesus tem fome e sede de almas. Do alto da cruz clamou: sitio!, tenho sede. Sede de nós, do nosso amor, das nossas almas e de todas as almas que lhe devemos levar pelo caminho da Cruz, que é o caminho da imortalidade e da glória do Céu”.

Aproximou-se da figueira, não achando senão folhas (Mt 21, 19). É lamentável isto. É assim na nossa vida? Será que, tristemente, falta fé, vibração de humildade, será que não aparecem sacrifícios nem obras?

Os discípulos maravilharam-se com o milagre, mas de nada lhes serviu: poucos dias depois negariam o seu Mestre. A fé deve informar a vida inteira. “Jesus Cristo estabelece esta condição”, prossegue São Josemaria: “que vivamos da fé, porque depois seremos capazes de remover montanhas. E há tantas coisas para remover… no mundo e, antes de mais nada, no nosso coração. Tantos obstáculos à graça! Tenhamos, pois, fé. Fé com obras, fé com sacrifício, fé com humildade”.

Maria, com a sua fé, tornou possível a obra da Redenção. João Paulo II afirma que no centro deste mistério, no mais vivo desta admiração de fé está Maria, Santa Mãe do Redentor (Redemptoris Mater, 51). Ela acompanha constantemente todos os homens pelos caminhos que conduzem à vida eterna. “A Igreja, escreve o Papa, contempla Maria profundamente inserida na história da humanidade, na eterna vocação do homem segundo o desígnio providencial que Deus predispôs eternamente para ele; vê-a maternalmente presente e participante nos múltiplos e complexos problemas que acompanham hoje a vida dos indivíduos, das famílias e das nações; vê-a socorrendo o povo cristão na luta incessante entre o bem e o mal, para que «não caia» ou, se caiu, para que «se erga»”. (Redemptoris Mater, 52).

Maria, Mãe nossa: alcança-nos com a tua intercessão poderosa uma fé sincera, uma esperança segura, um amor ardente.

Fonte: http://opusdei.org/

Livros relacionados: A Cruz de Cristo e Falar com Deus – Tomo II, ambos de Francisco Fernández-Carvajal.

Publicado em A Quadrante Editora. É uma entidade sem fins lucrativos, que iniciou as atividades no ano de 1964, em São Paulo, com a publicação do livro Caminhode São Josemaria Escrivá.

Segunda-feira Santa

Na Segunda-feira Santa contemplamos a caminhada do Nosso Senhor dos Passos rumo ao calvário. Nosso Senhor dos Passos é uma invocação de Jesus Cristo e uma devoção especial na Igreja Católica. Essa procissão faz memória ao trajeto percorrido por Jesus Cristo desde sua condenação à morte no pretório até o seu sepultamento, após ter sido crucificado no Calvário.

Significado do nome Nosso Senhor dos Passos

A palavra Senhor quer dizer dono, aquele que tem o domínio e o poder sobre tal coisa. A palavra Passos, neste contexto, vem do latim e quer dizer Paixão, no passivo, no sentido de Sofrimento. Portanto, esta invocação quer dizer: Senhor, dono, dominador do Sofrimento. Ele se entregou livremente ao sofrimento por nossa causa.

Alguns textos bíblicos referentes ao Nosso Senhor dos Passos

Porque aprouve a Deus fazer habitar nEle toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus. (Colossenses 1, 19)

Ele carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados. (1 Pedro 2, 24)

A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (1 Coríntios 1, 18)

Oração a Nosso Senhor dos Passos

Ó Jesus, relembro tua Paixão, teu Calvário, tuas dores. Olhando as imagens do Senhor carregando a Cruz. Imagem com a qual te invocamos sob o título de Nosso Senhor dos Passos e veneramos como símbolos de teu sacrifício e representação de teu ato de amor salvífico, que foi teu sacrifício na cruz, te pedimos como teu discípulo Pedro: Senhor, salva-nos. Salva-nos por tua Cruz, Salva-nos por teu sangue; salva-nos por tua misericórdia; salva-nos por teu amor e cura-nos de nossas feridas tanto físicas quanto espirituais, emocionais e psíquicas. Amém.

Publicado em Fundação Terra dos Servos de Deus.

Semana Santa

semana_santa

Semana Santa

A Semana Santa é uma tradição religiosa católica que celebra a Paixão, a Morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Ela se inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no domingo de Páscoa.

Os dias da Semana Santa

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos e entrou na cidade como um rei, mas sentado num jumentinho – o símbolo da humildade – e foi aclamado pela população como o Messias, o rei de Israel. A multidão o aclamava: “Hosana ao Filho de Davi!” Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição. A Páscoa Cristã celebra então a Ressurreição de Jesus Cristo.

Segunda-Feira Santa

É o segundo dia que vem depois de Domingo de Ramos onde se recorda a prisão de Jesus Cristo. Estando na casa de seu amigo Lázaro (a quem Ele havia ressuscitado), e de Marta e Maria Madalena. (Jo 12, 1-11). Faltavam seis dias para a Páscoa. E, enquanto estavam a jantar, Maria tomou um vaso de nardo (um perfume autêntico e muito caro), e ungiu Jesus nos pés, e depois enxugou-os com seus cabelos.
Tal gesto foi de imediato criticado por Judas Iscariotes. Jesus ignorou a crítica e, saindo em defesa de Maria, justificou o ato: “Antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. Asseguro-vos que em qualquer parte do mundo onde se proclame o evangelho, se recordará o que ela fez”.

Terça-Feira Santa

O terceiro dia da Semana Santa, onde são celebradas as Sete dores de Nossa Senhora Virgem Maria. E muito comum também por ser o dia de penitência no qual os cristãos cumprem promessas de vários tipos ou o dia da memória do encontro de Jesus e Maria no caminho do Calvário.
É o dia, em que com grande tristeza, Jesus anuncia a sua morte, causando grande sofrimento aos seus discípulos. Anuncia também a traição, e indica o traidor. Com isto Jesus, manifesta em pleno o Seu amor por todos nós, e consciente aceita o destino que O aguarda, como forma de mostrar ao mundo a glória de Deus, e assim, para que a Sua salvação chegue até aos últimos confins da terra.

Quarta-Feira Santa

É o quarto dia da Semana Santa. Em algumas igrejas celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebram o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da morte de Jesus.
No evangelho deste dia, é-nos apresentada a traição de Judas, descrevendo-nos como este foi ter com os chefes dos sacerdotes, a quem se ofereceu para trair o Jesus. Aceita assim, trinta moedas de prata como recompensa da sua traição.

Quinta-Feira da Ceia

O quinto dia da Semana Santa e, na manhã deste dia, nas catedrais das dioceses, o bispo se reúne com o seu clero para celebrar a Celebração do Crisma, na qual são abençoados os óleos que serão usados na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Com essa celebração se encerra a Quaresma. Neste mesmo dia, à noite, são relembrados os três gestos de Jesus durante a Última Ceia: a Instituição da Eucaristia, o exemplo do Lava-pés, com a instituição de um novo mandamento (ou “ordenança”) segundo algumas denominações cristãs, e a instituição do sacerdócio. É neste momento que Judas Iscariotes sai para entregar Jesus por trinta moedas de prata. E é nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e, no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado. A igreja fica em vigília ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos de Jesus, que tiveram início nesta noite. A igreja já se reveste de luto e tristeza, desnudando os altares (quando são retirados todos os enfeites, toalhas, flores e velas), tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontecer. Também cobrem-se todas as imagens existentes no templo, com panos de cor roxa.

Sexta-Feira Santa

Também chamada de Sexta-Feira da Paixão, é quando a Igreja recorda a morte de Jesus. É celebrada a Solene Ação Litúrgica, Paixão e a Adoração da Cruz. A recordação da morte de Jesus consiste em quatro momentos: A Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão. Presidida por presbítero ou bispo, os paramentos para a celebração são de cor vermelha.
Neste dia, é praticado o jejum, e a abstinência da carne em sinal de penitência e respeito pela morte de Jesus Cristo. È recitada a Via Sacra no seu ponto mais alto.

Sábado Santo

Também era chamado de Sábado de Aleluia, é o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam sua ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, como disse Santo Agostinho, que se inicia com a Bênção do Fogo Novo e também do Círio Pascal; proclama-se a Páscoa através do canto do Exultet e faz-se a leitura de 8 passagens da Bíblia (4 leituras e 4salmos) percorrendo-se toda história da salvação, desde Adão até o relato dos primeiros cristãos. Entoa-se o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o batismo daqueles adultos que se prepararam durante toda a quaresma. A celebração se encerra com a Liturgia Eucarística, o ápice de todas as missas.

Domingo de Páscoa

É o dia mais importante para a fé cristã, pois é o dia da ressurreição, onde Jesus se levanta de sua sepultura, e vence a morte. É o dia do grande milagre! O dia em que Cristo volta à vida através da Sua Ressurreição de entre os mortos. É o dia em que se celebra a vida, o amor e a misericórdia de Deus. Após morrer na cruz, o corpo de Cristo é colocado em um sepulcro, onde permaneceu por três dias, até o Domingo de Páscoa, altura em que Ele Ressuscita.
“Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito!” Esse dia é estendido por mais cinqüenta dias até o Domingo de Pentecostes.

Publicado em Prefeitura de Maricá.

DOAR-NOS AOS OUTROS POR AMOR A DEUS É A RECEITA PARA SERMOS FELIZES TAMBÉM NA TERRA

*QUARESMA

Doar-nos aos outros por amor a Deus é a receita para sermos felizes também na terra.

Chegamos ao limiar da Semana Santa. Daqui a poucos dias, ao assistirmos às cerimônias litúrgicas do solene Tríduo Pascal, participaremos das últimas horas da vida terrena de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando se ofereceu ao Pai Eterno como Sacerdote e Vítima da Nova Aliança, selando com o seu Sangue a reconciliação de todos os homens com Deus. Apesar da sua carga dramática, à qual não podemos nem devemos nos acostumar – o Inocente carregado com as culpas dos pecadores, o Justo que morre no lugar dos injustos! –, a tragédia da Semana Santa é fonte da mais pura alegria para os cristãos: Feliz culpa, que mereceu tal Redentor! (1), canta a Igreja no Pregão pascal a propósito do pecado dos nossos primeiros pais e – dizemo-lo nós – dos nossos erros pessoais diários, na medida em que servem para que retifiquemos, cheios de dor de amor, e para que cresçamos em espírito de compunção.

Minhas filhas e meus filhos, nestes dias que se avizinham, aconselho-os a que procurem fomentar nas suas almas muitos atos de reparação e de dor – dor de amor –, pedindo ao Senhor perdão pelas faltas de vocês e pelas da humanidade inteira. Ponham-se junto de Cristo com o pensamento e com o desejo naquelas provas amargas da Paixão, e procurem consolá-lo com as suas palavras cheias de carinho, com as suas obras fiéis, com a sua mortificação e com a sua penitência generosa, sobretudo no cumprimento fiel dos deveres de cada momento. Se assim o fizerem, podem ter a certeza de que ajudarão Jesus a levar a Cruz – essa Cruz que pesa e que pesará sobre o Corpo místico de Cristo até o final dos séculos –, sendo corredentores com Ele. Participarão da glória da sua Ressurreição, porque padeceram com Ele (2), e ficarão repletos de alegria, de uma alegria que nada nem ninguém poderá tirar-lhes (3).

Filhas e filhos da minha alma, nunca esqueçamos que o gaudium cum pace, a alegria e a paz que o Senhor nos prometeu se somos fiéis, não depende do nosso bem-estar material nem de que as coisas corram na medida dos nossos desejos. Não se fundamenta em motivos de saúde nem no êxito humano. Em todo caso, essa seria uma felicidade efêmera, perecedoura, ao passo que nós aspiramos a uma bem-aventurança eterna. A alegria profunda que preenche completamente a alma tem a sua origem na união com Nosso Senhor. Lembrem-se daquelas palavras que o nosso amadíssimo Fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá, repetiu numa das suas últimas tertúlias: «Se queres ser feliz, sê santo; se queres ser mais feliz, sê mais santo; se queres ser muito feliz – já na terra! –, sê muito santo» (4).

Minha filha, meu filho: a receita está muito experimentada, porque o nosso santo Fundador, que tanto sofreu pelo Senhor, foi felicíssimo na terra. Melhor dito: precisamente por ter-se unido intimamente a Jesus Cristo na Santa Cruz – nisto consiste a santidade, em identificarmo-nos com Cristo crucificado –, recebeu o prêmio da alegria e da paz.

Escutai o que nos confiava em 1960, pregando uma meditação na Sexta-feira Santa. Na sua oração pessoal, rememorava essa forja de sofrimentos que foi a sua vida e animava-nos a não termos «medo da dor, nem da desonra, sem pontos de soberba. O Senhor, quando chama uma criatura para que seja dEle, faz que ela sinta o peso da Cruz. Sem pôr-me como exemplo, posso dizer-vos que, ao longo da minha vida, sofri dor, amargura. Mas, em meio a tudo isso, encontrei-me sempre feliz, Senhor, porque Tu foste o meu Cireneu.

«Rejeita o medo da Cruz, meu filho! Tu vês Cristo pregado nela e, apesar disso, procuras apenas aquilo que é prazeroso? Isso não está certo! Não te lembras de que o discípulo não é mais do que o Mestre? (cf. Mt 10, 24).

«Senhor, mais uma vez renovamos a aceitação de tudo aquilo que, na ascética, se chama tribulação, embora eu não goste desta palavra. Eu não tinha nada: nem idade, nem experiência, nem dinheiro; sentia-me humilhado, não era… nada, nada! E, dessa dor, chegavam respingos aos que estavam ao meu lado. Foram anos tremendos, mas jamais me senti desgraçado. Senhor, que os meus filhos aprendam da minha pobre experiência. Sendo miserável, nunca estive amargurado. Caminhei sempre feliz! Feliz, chorando; feliz, com penas. Obrigado, Jesus! E perdoa-me por não ter sabido aproveitar melhor a lição» (5).

Ao meditarmos nestas palavras do São Josemaria, a conclusão que temos de tirar é clara: nunca, em nenhuma circunstância, devemos perder a alegria sobrenatural que emana da nossa condição de filhos de Deus. Se alguma vez ela vier a faltar-nos, recorreremos imediatamente à oração e à direção espiritual, ao exame de consciência bem feito, a fim de descobrirmos a causa e aplicarmos o remédio oportuno.

É verdade que, por vezes, essa ausência de alegria pode nascer da doença ou do cansaço; então, é obrigação grave dos diretores facilitar a esses seus irmãos o descanso e os cuidados oportunos, estando atentos para que ninguém – por causa de uma sobrecarga excessiva de trabalho, por falta de sono, por esgotamento ou por qualquer outra razão – chegue a uma situação que ocasione um dano à sua resposta interior.

Em outros momentos, como o São Josemaria nos assinalava, a perda da alegria esconde raízes ascéticas. Sabeis qual é a mais frequente? A preocupação excessiva pela própria pessoa, o dar voltas e mais voltas em torno de si mesmo. Se cada um de nós é tão pouca coisa, como pode passar pela sua cabeça, meu filho, minha filha, girar em torno do próprio eu? «Se amamos a nós mesmos de um modo desordenado», escreve o São Josemaria, «há motivo para estarmos tristes. Quanto fracasso, quanta pequenez! A posse dessa nossa miséria tem de causar-nos tristeza, desalento. Mas se amamos a Deus sobre todas as coisas e os outros e nós mesmos em Deus e por Deus, quantos motivos de alegria!» (6).

Esse foi o exemplo do Mestre, que entregou a sua vida por nós. Correspondamos ao que Deus nos pede da mesma maneira, por Ele e pelos outros. Afastemos qualquer preocupação pessoal do nosso horizonte cotidiano; e se alguma nos assaltar, abandoná-la-emos com plena confiança no Sagrado Coração de Jesus e no Coração Dulcíssimo de Maria, nossa Mãe, e ficaremos tranquilos. Minhas filhas e meus filhos, temos de preocupar-nos – melhor dito, temos de ocupar-nos – somente das coisas de Deus, que são as coisas da Igreja, da Obra, das almas. Não percebeis que, até humanamente, saímos ganhando? E, além disso, somente assim estaremos sempre cheios do gaudium cum pace, da alegria e da paz, e atrairemos muitas outras pessoas ao nosso caminho.

Permiti-me que insista nisto com outras considerações do São Josemaria, tomadas da tertúlia a que me referia anteriormente. «Ser santo», repisava, «é ser feliz, também aqui na terra. Padre, e o senhor foi sempre feliz? Eu, sem mentir, dizia há poucos dias […] que nunca tive uma alegria completa; quando chega uma alegria, dessas que satisfazem o coração, o Senhor fez-me sentir sempre a amargura de estar na terra; como uma faísca do Amor… E, contudo, nunca fui infeliz, não recordo ter sido infeliz nunca. Percebo que sou um grande pecador, um pecador que ama Jesus Cristo com toda a sua alma» (7).

Você e eu, minha filha, meu filho, nós, sim, somos pecadores. Mas amamos o Senhor com toda a nossa alma? Esforçamo-nos para retificar uma vez e outra – felix culpa! –, tirando motivos de mais amor, de maior compunção, dos nossos tropeços?

Notas:

  1. Missal Romano, Vigília Pascal (Pregão pascal)
  1. Cf. Rm 8, 18.
  1. Cf. Jo 16, 22.
  1. São Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 7/06/1975 (AGP, biblioteca, P01, VII-1975, pág. 219).
  1. São Josemaria, Notas de uma meditação, 15/04/1960.
  1. São Josemaria, Carta, 24/03/1931, n. 25.
  2. São Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 07/06/1975 (AGP, biblioteca, P01, VII-1975, pág. 219).

Fonte: Álvaro del Portillo, Caminhar com Jesus ao longo do tempo litúrgico. Quadrante, 2016.

Publicado em Quadrante Editora (Entidade sem fins lucrativos, que iniciou as atividades no ano de 1964, em São Paulo, com a publicação do livro Caminho, de São Josemaria Escrivá).

  • Grifo meu.

Solenidade da Anunciação do Senhor

“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 26-38)

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

Celebramos com grande alegria a solenidade da Anunciação do Senhor. No dia de hoje — 25 de março —, a nove meses do Natal, nós podemos dizer: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A entrada de Deus neste mundo, a Encarnação do Filho de Deus, aconteceu num evento quase que secreto, numa pequena casa em Nazaré, e a Tradição cristã de séculos, muitos padres da Igreja veem que aqui existe uma coincidência. Sim, no mesmo dia, 25 de março, em que o Filho de Deus entrou neste mundo, também, 33 anos depois, no mesmo dia, 25 de março, Ele morreu no Calvário.

Assim, então, o evento da Encarnação e o evento da Redenção coincidiriam na mesma data: é isto que dizem Padres da Igreja como Santo Agostinho, como São Beda, o Venerável; ou seja, existe aqui uma conjunção da história, de tal forma que a entrada do Filho de Deus neste mundo coincide com a sua saída num círculo perfeito. Mas e por que 25 de março? Bom, lá na terra de Jesus, 25 de março é o início da primavera, ou seja, ali o nascimento — a vinda no mundo, mais do que o nascimento — a vinda no mundo do Filho de Deus e a saída deste mundo do Filho de Deus, é como que um evento que faz coincidir o calendário dos astros como se a Criação estivesse toda esperando aquele momento. É a Criação que obedece ao seu Criador.

Jesus vem e vem na primavera do mundo, Jesus morre na Cruz e é uma primavera também, porque é a primavera de nossa salvação. Se nós olharmos essa longa tradição de que o dia da Anunciação, em que o Anjo fala com Nossa Senhora e Ela responde: “Eis aqui a serva do Senhor”, é o mesmo dia em que Jesus, 33 anos depois, no Calvário, diz: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”, se nós vermos a coincidência destas duas datas, então, celebrar a solenidade da Anunciação do Senhor no meio da Quaresma não é quebrar o ritmo quaresmal, mas é exatamente o contrário, é iluminar a Quaresma com a luz da Encarnação.

Jesus veio a este mundo para morrer. Jesus veio a este mundo e a finalidade de sua vinda é oferecer o sacrifício redentor do Calvário, de tal forma que o seu primeiro instante de existência dentro do ventre de Maria coincide com o seu último instante de existência nesta forma de servo aqui na existência miserável de nossas dores; e Ele ofereceu durante estes 33 anos um único sacrifício de amor.

Sim, porque basta um segundo de existência de Deus neste mundo para nos salvar: a humilhação de Jesus que toma a nossa natureza humana e começa, já no ventre de Maria, a viver as debilidades, as misérias, a pequenez de nossa humanidade, este sacrifício de Deus que se encarna já seria suficiente para nos salvar, mas Deus não quis que parasse por aí, Ele quis que esse sacrifício redentor que, como que escondido em Nazaré, aconteceu longe dos olhos humanos, fosse levado para o topo de uma montanha, no Calvário, para que no extremo da dor, do sacrifício e da injustiça, fosse visto o amor de Deus por nós.

“Tendo amado os seus, amou-os até o fim”. Ele veio e veio para nos amar: “Eis que eu venho, Senhor, fazer a vossa vontade. Fizeste para mim um corpo.” E ao fazer, ao dar ao seu Filho um corpo, esse Filho diz: “Eu vim fazer a vontade”, e a vontade de Deus é essa morte de amor, a Encarnação e a Redenção na Cruz, intimamente ligados.

Que a Virgem Santíssima, também ela protagonista de toda esta história de amor — aquela que estava em Nazaré dizendo sim ao Anjo e estava aos pés da Cruz, no Calvário, dizendo o seu sim extremo à vontade divina —, nos ajude também a fazer com que as nossas vidas sejam alinhadas com a vontade de Deus.

Como no dia de hoje os astros se alinham, o nascimento se alinha com a morte de Cristo no Calvário — a primavera da sua vinda ao mundo coincide com a primavera de sua morte redentora —, também nós possamos alinhar o nosso coração desajustado e dizer, com Jesus, servo obediente, e com Maria, humilde serva do Senhor: “Faça-se a vossa vontade”.

Publicado em Padre Paulo Ricardo – Homilia Diária.

Imagem: Aleteia.

A guerra que não podemos perder de vista

ESPIRITUALIDADE

A guerra que não podemos perder de vista

Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada. Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

Se procurarmos na literatura cristã motivos para rezar e fazer jejum, não nos faltarão explicações, e uma melhor do que a outra. Mas a simplicidade com que Santo Tomás de Aquino trata do tema é incomparável.

Comentando o nono mandamento, o Aquinate ensina alguns meios de combater a concupiscência, contra a qual ele adverte ser importante “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”. E um desses meios é justamente a perseverança na oração. Ele explica:

Há que rezar com insistência, porque “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem” (Sl 126, 1); “Consciente de não poder possuir a sabedoria [continência], a não ser por dom de Deus” (Sb 8, 21); “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17, 21). Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne.

Estão aqui resumidos todos os tratados de teologia ascética e mística. Há dentro de nós uma batalha sendo travada, e é preciso jejuar (trabalho negativo) e rezar (trabalho positivo) para enfraquecer a carne e fortalecer o espírito, respectivamente.

“Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

Agora, atenção, porque o espírito de que fala Santo Tomás não é simplesmente a alma humana, mas, sim, o lugar onde Deus habita em nosso coração. Trata-se mais propriamente da graça, da vida divina e sobrenatural em nós. O que está em jogo nessa “luta constante” de que fala o Doutor Angélico, portanto, é nada menos do que o nosso estado de graça e a nossa salvação eterna, que se encontram o tempo todo ameaçados pelo drama do pecado e do afastamento de Deus. Não estamos falando de uma batalha qualquer, mas de um duelo de vida e morte (mors et vita duello), graça e desgraça, céu e inferno. 

Mas a pergunta que precisa ser feita é: ainda cremos nisso? Ainda temos fé nessas coisas que foram cridas pelos católicos de outros tempos e lugares, a ponto de muitos deles derramarem o próprio sangue só para não as negarem?

A questão é importante porque há uma doutrina errônea sendo propagada, infelizmente já absorvida por muitos católicos, segundo a qual uma bondade meramente teórica e natural basta para nos salvarmos. Essa ideia está “no ar”: é visível no desleixo com que tratamos os sacramentos, em especial a Eucaristia; na indiferença com que falamos da nossa religião, como se fossem todas iguais; e no modo laxo com que tantos, dentro da Igreja, falam de pecado e salvação. 

É como se a batalha de que falam o Doutor Angélico, todos os santos e o próprio Santo dos santos (cf. Mt 26, 41: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”) fosse apenas uma metáfora, um “pano de fundo” geral para entendermos que é preciso ser bom e honesto, mas em linhas gerais, e não em todas as particularidades do que exigem os Mandamentos. (Para as nossas faltas, poderíamos contar com uma abstrata “misericórdia” superna, que tudo aceita, que tudo tolera, que tudo desculpa. Mesmo se não estivermos arrependidos dos nossos pecados. Mesmo se houvermos feito deles um projeto de vida. O céu não tem “alfândega” nem “controle de imigração” e o inferno… ah! “o inferno está vazio”.)

Nessa matéria, o correto seria dar ouvido àquilo que a Igreja sempre ensinou, porque é isso o que Jesus deixou a ela em última instância, de modo que apartar-se da doutrina católica de sempre nada mais é do que afastar-se da verdade de Cristo, que liberta e salva. O correto, portanto, seria: 

  • voltarmos a falar de inferno, porque o Evangelho fala dele (cf. Mt 18, 9: “É melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena”; Mt 23, 33: “Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?”; Mt 25, 46: “E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”); e
  • lembrarmos que há pecados bem comuns que privam da vida eterna (cf. 1Cor 6, 9: “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”); 
  • que as pessoas precisam se arrepender verdadeiramente dos seus pecados para ganhar de volta a graça perdida; 
  • que precisam se confessar a um sacerdote para receber o perdão de Deus; e 
  • que, se não quiserem fazer isso, não devem se aproximar da mesa da Comunhão (cf. 1Cor 11, 28: “Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice”).  

Se olharmos para as Escrituras, para a história da Igreja, para a sua prática ao longo dos séculos, para o que ensinaram o Concílio de Trento e, reiterando essa doutrina, também o Papa São João Paulo II, especialmente na encíclica Veritatis Splendor e na exortação Reconciliatio et Poenitentia, seremos capazes de observar um crescimento orgânico da doutrina cristã, um desenvolvimento que ao longo dos séculos foi deixando mais claro o que no Evangelho estava enunciado em algumas poucas sentenças. É a semente humilde que se transformou em árvore frondosa.

Mas hoje… onde se fala de pecado, de Confissão, de estado de graça e de inferno? Em muitos lugares, a bela árvore da verdadeira doutrina católica foi substituída por um espantalho. Daí os relativismos e as concessões, os “panos quentes” e até mesmo a promoção e exaltação do mal. Por essas e outras a “nova igreja” que colocaram no lugar da santa Igreja Católica não fala mais nem de oração nem de jejum. A sua batalha não é mais a batalha espiritual de que falam Santo Tomás e Nosso Senhor; o inimigo da vez não é o diabo, o mundo e a carne, mas a opressão do “sistema”, as queimadas e desmatamentos e o que quer que interesse às causas do momento.

Contra esses ares de mudança que sufocam a Igreja, o que está ao nosso alcance fazer é, em primeiro lugar, crer. E crer não em qualquer coisa, mas somente naquilo que sabemos ser a doutrina sólida e segura deixada por Cristo Nosso Senhor aos Apóstolos e seus sucessores. Entre essas coisas nas quais devemos crer está o praelium continuum, a luta incessante que travam nesta vida a nossa carne corrompida e o Espírito Santo de Deus em nós. Não nos deixemos seduzir por um discurso que declara guerra aos quatro cantos do mundo, mas que deixa intacto nosso egoísmo, e talvez até o afague um pouco, com uma mentirinha religiosa bem elaborada aqui e acolá. 

Não, o que Cristo ensinou há dois mil anos continua valendo para nós hoje. Continua sendo necessário, para a nossa salvação, entrar pela porta estreita, mortificar os nossos sentidos, resistir às tentações e rezar com afinco pela nossa fidelidade. Se é a paz do céu o que queremos, não nos esqueçamos: para a nossa condição decaída, o que Jesus primeiro veio trazer foi a espada (cf. Mt 10, 34). Da guerra contra nós mesmos depende tudo. Se perdermos essa luta, perdendo a graça de Deus, toda esta nossa vida não terá servido de nada.

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo)

LUTAR SEMPRE!

Nossa vida é um combate diário

Nossa vida é um combate diário, por isso precisamos usar as armas necessárias de cada dia e enfrentar o combate de cabeça erguida. Lutar sempre, desistir jamais, é isso que quero partilhar com você. Sei que não é fácil, mas é possível, sim, enfrentar o combate diário. Somos templo do Espírito Santo e Deus está em nós. Deus habita em nosso coração, em nossa casa. Não precisamos ter medo, por maior que seja a batalha. Vamos fechar todas as brechas do coração e da nossa casa para o inimigo não entrar.

Meu coração e o seu coração precisam estar vibrantes, desejando o Céu, pois fomos feitos para a eternidade. O Céu é o nosso lugar. Isso é fundamental para entendermos os combates pelos quais passamos. Quando tenho um olhar espiritual, entendo que sou do Céu, mas como peregrino neste mundo, preciso permanecer firme e com foco em Jesus. Isso me ajuda a não desistir e a entender que tudo vai passar.Nossa vida é um combate diário

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Diante do Evangelho de Mateus, eu me pergunto e pergunto a você: como está o meu desejo de Céu? Como está o meu desejo de entrar no Céu? Viver é bom, mas só vale a pena se for para viver com Cristo. Diariamente, tenho orado para que eu nunca tire dos meus olhos esse desejo de trilhar e chegar à meta do homem perfeito, da estatura do homem perfeito, Jesus. Chegar ao Céu é uma luta diária.

É só na oração que vencemos o combate

Aqui, na Canção Nova, aprendemos que a nossa vida precisa ser uma vida de oração, porque é só na oração que vencemos o combate, e a oração nos traz disciplina, determinação, coragem para não pararmos nos problemas que enfrentamos. Ou eu assumo que tudo posso Naquele que me fortalece ou não adianta nem proclamar essa frase.

Deus tem para nós a obra de salvação, mas o inimigo tem a obra da destruição. Ele tira das famílias o desejo do Céu, a oração, e destrói a família que vive intensamente a Palavra do Senhor. Satanás quer fazer com que você e eu desistamos do Céu, da santidade. Nossa vida é um combate, sim, mas nós somos vencedores!

Largue tudo, não tenha medo, traga a vocação primária, que é a santidade. Queira ser um homem diferente, uma mulher diferente, para que as pessoas consigam olhar para você e falar: aquele homem é um homem de Deus, aquele casal busca o Céu.

(…)

Se você é um cristão autêntico, tem que passar por tribulações, pois essa é a garantia para se chegar à vitória. Quando eu entendo o Céu, eu assumo a cruz e não a largo de jeito nenhum. Todos nós devemos viver intensamente correndo atrás da nossa santidade, enfrentando as batalhas de cada dia, carregando a cruz de cada dia e acreditando que Deus está conosco. Não sabemos quando o Senhor virá, e por isso devemos orar e vigiar diariamente. Porém, eu só viverei assim se tiver um entendimento concreto de que o Céu é o meu lugar e de que estou neste mundo, mas não pertenço a ele.

Peço ao Senhor que você seja impregnado da certeza do Céu, do desejo do Céu. Por isso, coragem, nossa vida em Deus é um combate diário, mas vamos vencer.

Trecho extraído do livro “Lutar sempre desistir jamais“, de padre Bruno Costa.

Publicado em Formação Canção Nova.

Solenidade da Epifania do Senhor

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos neste domingo, dia 2 de janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 6 e agora celebrada no domingo entre 2 a 8 de janeiro. Esse ano é logo no dia 2, após a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, devido ao calendário civil. No outro domingo, dia 9 de janeiro, já celebraremos a Festa do Batismo do Senhor, encerrando o tempo do Natal.

Epifania significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho para o mundo e se manifestou universalmente na figura de um menino. A Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós e, por meio do nascimento de um menino, a humanidade é chamada a viver o amor.

A Solenidade da Epifania remonta ao dia em que os três reis magos, guiados pela estrela, chegam a Belém e adoram o menino Deus. O nome dos três reis magos são Baltazar, Melchior e Gaspar. Hoje, cada um de nós é convidado a ir ao presépio e adorar o menino Deus e oferecer-Lhe os nossos presentes. O maior presente que poderemos oferecer ao menino Deus é o nosso coração.

Os magos oferecem ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra. Eles ofereceram os seus próprios dons que traziam consigo, da mesma forma nós hoje somos convidados a oferecer os nossos dons ao Senhor. Os dons que ofereceremos ao Senhor nessa Eucaristia não são mais o ouro, o incenso e a mirra, mas o dom da fé diante do corpo e sangue do Senhor que nos é oferecido na Eucaristia.

A primeira leitura da missa de hoje é do livro do profeta Isaías (Is 60, 1 – 6). O profeta pede para o povo levantar-se e acender as luzes, pois a luz chegou. O profeta Isaías, anos antes do nascimento de Jesus, prevê o que aconteceria com o nascimento de Jesus, a luz iluminaria as trevas e aqueles que andavam sob a sombra do pecado, encontrariam a luz. O profeta prevê a manifestação de Deus sobre Israel e sobre o mundo. E, ainda, que tempos de paz surgiriam com o nascimento de Jesus. Nós hoje da mesma forma devemos nos alegrar com essa luz que vem do Senhor.

O salmo responsorial é o 71 (72). Deus se manifesta a todos os povos e todos os povos devem adora-Lo. Deus quis manifestar-se a todas as nações, Ele não quis revelar-se a apenas uma nação, por isso, todos os povos devem buscar N’Ele a salvação.

A segunda leitura é da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 3, 2-3a. 5-6). O apóstolo revela que a salvação de Deus é para todos e para todos aqueles que de coração sincero se abrissem ao arrependimento. Deus concede ao apóstolo a missão de levar adiante a mensagem do Evangelho da salvação e que a salvação não é somente para Israel, mas para todos os povos do mundo.

O Evangelho é de São Mateus (Mt 2, 1-12). Mateus relata como os três reis magos buscaram informações a respeito do nascimento de Jesus, a partir do momento em que viram brilhar a estrela no céu. Foram até Jerusalém ter com Herodes e perguntaram se ali que deveria nascer o “Rei dos Judeus”. Herodes fica nervoso, pois achava que somente ele deveria ser o Rei de Israel e, evidentemente, não entende que o reinado de Jesus não era de maneira alguma igual ao dele.

Herodes se reúne com os sumos sacerdotes e mestres da Lei e começam a pesquisar onde deveria nascer o “rei dos Judeus”. Eles chegam à conclusão que seria em Belém de Judá. Herodes procura saber dos Magos quando a estrela apareceu e os envia a Belém para que depois eles lhes trouxessem informações a respeito do nascimento do menino. Mas os magos foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes, pois ele tinha a intenção de matar o menino Jesus, pois estava com raiva.

Os magos chegam ao local onde se encontrava o menino com Maria e José e se prostram diante dele e o adoram. Os magos lhe oferecem presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro por causa da realeza do Menino Jesus, o incenso devido a sua divindade e a mirra devido a sua humanidade, pois além de Deus, ele era Humano. E a mirra seria o mesmo óleo que Jesus seria ungido após a sua morte. Os magos oferecem ao menino Jesus tudo aquilo que eles tinham de mais sagrado, de mais valioso.

Podemos nos perguntar: o que eu ofereço ao Senhor? Que presente eu trago para dar a ele? Com certeza não é mais ouro, incenso ou mirra, mas poderemos oferecer a ele o presente mais valioso que é a nossa vida. Dedicarmos tempo ao Senhor, colocá-lo em primeiro lugar e não em segundo plano. E viver uma vida longe do pecado.

Participemos com alegria da missa da Solenidade da Epifania do Senhor, dentro, ainda, do tempo do Natal. Olhemos para o presépio e adoremos o menino Deus que acabara de nascer. Que Ele se manifeste a cada um de nós e à humanidade inteira, revelando o plano de amor para todos os povos.

Que a Virgem Maria interceda por nós em nossa caminhada e ela nos ajude a conservarmos e guardar tudo em nosso coração.

Publicado em vaticannews.va.

Imagem: Gaudium PressEpifania: um convite a sermos gratos ao Senhor (02.01.2022)

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus!

01.01.2022

Iniciamos o ano civil com a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (Theotókos). Esta comemoração ocorre dentro das festividades de Natal , para relembrarmos o nascimento de Jesus, o Filho de Deus. De acordo com a tradição, é a primeira Festa Mariana da Igreja Ocidental e começou a ser celebrada em Roma no século VI. Desta forma, esta Festa Mariana encontra seu marco litúrgico no Natal e ao mesmo tempo em que todos os católicos começam o ano novo pedindo a proteção da Santíssima Virgem Maria.

O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso. Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura, recordando este nascimento, diz: Envolveu-o em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que o amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo nascimento deste Primogênito. O anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já o anunciara a Maria; não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (cf. Lc 1,35 Vulg.), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.

São Paulo em sua carta aos Gálatas 4, 4 diz de Jesus: “… mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a lei“, para indicar que, como um homem de Deus, necessariamente, tinha que ter uma mãe. É a grande demonstração de um Deus que nos amou e assumiu nossa humanidade, exceto o pecado. Aqui podemos observar que Maria aparece ligada ao mistério central da reconciliação. Esse relacionamento único é trazido com particular importância no momento da chegada de Deus na história humana, através da cooperação livre da Mulher, que é a Virgem Maria. Ela é o ponto de união entre o céu e a Terra. Dessa forma, Maria nos une a Deus e às pessoas, os homens e as mulheres de boa vontade.

Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo.

Texto: com informações de Academia Marial de Aparecida

Publicado em Basílica Santuário de Nazaré – Padres Barnabitas.

Hoje é celebrada a Solenidade de Cristo Rei do Universo

REDAÇÃO CENTRAL, 21 nov. 21 / 05:00 am (ACI).- “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo” (Jo 18,37). Com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a Igreja Católica conclui o Ano Litúrgico recordando aos fiéis e ao mundo que ninguém e nenhuma lei está acima de Deus.

A Solenidade de Cristo Rei foi instituída pelo papa Pio XI em 1925 e celebra Cristo como o Rei bondoso e singelo que, como pastor, guia sua Igreja peregrina para o Reino Celestial e lhe outorga a comunhão com este Reino para que possa transformar o mundo no qual peregrina.

Por ocasião desta solenidade, em 2012, ao presidir a missa, o papa Bento XVI explicou que “neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja nos convida a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo”.

A possibilidade de alcançar o Reino de Deus foi estabelecida por Jesus Cristo ao nos deixar o Espírito Santo que nos concede as graças necessárias para obter a santidade e transformar o mundo no amor. Essa é a missão que Jesus deixou à Igreja ao estabelecer seu Reino.

Em um mundo onde prima a cultura de morte e o crescimento de uma sociedade hedonista, a festividade anual de Cristo Rei anima uma doce esperança nos corações humanos, já que impulsiona à sociedade a voltar-se para Salvador.

Conforme declarou Bento XVI, “com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: nele nos tornamos verdadeiros filhos adotivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo. Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus”.

E, recordando a oração do Pai-Nosso, o agora papa Emérito sublinhou “as palavras ‘Venha a nós o vosso reino’, que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor”.

Publicado em ACI DIGITAL.

%d blogueiros gostam disto: