O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
Tag: "Nada te Turbe" (Santa Teresa de Jesus/de Ávila) – Sacralidade e Música (Mídia-YouTube)
Somos pó e ao pó voltaremos. É com essa lembrança da morte, que a todos nos espera, que a Igreja quer preparar-nos ao longo da Quaresma para a celebração pascal da vida eterna que o Senhor nos mereceu.
Homilia Diária 04:5114 Fev 2024
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 6, 1-6.16-18)
Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.
Iniciamos hoje o Tempo da Quaresma, um período de grande mortificação. E por que a Igreja nos coloca esse tempo de penitência? Em toda Quarta-feira de Cinzas, nós vamos à Igreja para receber cinzas que são colocadas na nossa cabeça, enquanto o padre pronuncia aquelas palavras que ecoam pelos séculos: “Memento homo”, lembra-te, homem, “quia pulvis es et in pulverem reverteris”, tu és pó e ao pó hás de voltar. Com isso, a Igreja nos recorda que um dia o mundo se tornará pó e cinza.
Será que estamos construindo a nossa casa sobre a rocha firme, ou a estamos construindo em cima da areia, e virá o vento, a tempestade, e grande será a ruína? São esses pensamentos que devem nos acompanhar no início da Quaresma. Nós precisamos compreender que estamos neste mundo de passagem, preparando nosso retorno para a Pátria do Céu. Estamos no mundo, mas não somos dele.
Nós, porém, marcados pelo pecado original, esquecemos disso e começamos a nos adaptar ao mundo. Adquirimos uma mentalidade mundana e ignoramos o fato de que nossa pátria não é aqui.
A Igreja, como grande pedagoga, quer que recebamos cinzas na cabeça, feitas com os ramos e folhas de palmeiras abençoados no Domingo de Ramos do ano passado, para nos recordar de uma outra cinza: a que nós seremos quando formos decompostos no túmulo.
Ao longo dos séculos, muitas pessoas foram tomadas de surpresa por esta verdade tão esquecida: a de que vamos morrer. Por isso, precisamos sempre terminar o dia com um exame de consciência, pedindo perdão a Deus e colocando-nos humildemente diante dele, porque não sabemos quando partiremos desta vida.
O Tempo da Quaresma é um período para intensificarmos essa experiência e o conhecimento dessa verdade, para que nos lembremos do quão passageiras são as alegrias deste mundo.
Portanto, façamos propósitos de mortificação, dando um pouco de “morte” aos nossos gostos e à nossa mentalidade mundana, e lembrando-nos de que as alegrias deste mundo são efêmeras, brotam de manhã como a erva e de tarde já murcham e fenecem.
->SANTA CATARINA DE SENA: “Oh! Que tempo diabólico!”
->SERVO DE DEUS, JOÃO DE FOLIGNO Carnaval: “Colheita do diabo.”
->SÃO FRANCISCO DE SALES: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”.
->SÃO VICENTE FERRER:
“O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.”
->SANTO AGOSTINHO:
“…os dias de Carnaval são sacramentais de satanás, sinais visíveis daquilo que o demônio faz com os filhos da Luz.”
->SANTA FAUSTINA
“Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados.
O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias.
Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.”
JESUS DISSE PARA A IRMÃ AMÁLIA:
“Filha, não te esqueças, no dia de hoje, de enviar Maria aos salões de bailes, para dizer aos pecadores que se convertam”
JESUS PEDE A NOSSA COMPAIXÃO
SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE:
->Jesus apareceu, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos.
O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste:
“Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo agora?”
JESUS RECOMPENSA OS REPARADORES DO CARNAVAL
À Santa Gertrudes viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João escrevesse com letras de ouro os atos de virtude feitos por ela no carnaval, afim de a recompensar com graças especialíssimas.
Foi exatamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava rezando e chorando os pecados que se cometiam na quinta-feira gorda, que o Senhor a declarou Sua esposa, em recompensa dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.
O QUE DEVEMOS FAZER? OS SANTOS ENSINAM
SÃO FRANCISCO DE SALES:
Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à COMUNHÃO FREQUENTE.
SÃO PEDRO CLAVER
Disse a um oficial espanhol: “Agora venha comigo; vamos à IGREJA REZAR por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de Carnaval.
SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI:
No tempo do carnaval passava as noites inteiras diante do SANTÍSSIMO SACRAMENTO, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores.
CARLOS BORROMEU:
Nos dias de Carnaval, o santo castigava o seu corpo com disciplinas e PENITÊNCIAS extraordinárias.
BEATO HENRIQUE SUSO: Durante o carnaval guardava um JEJUM rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas.
MEU TESOURO ESPIRITUAL: O DEVOCIONÁRIO COMPLETO DO CATÓLICO
Além de orações para todos os momentos e situações:
Orações da manhã, da tarde e da noite, orações para a Visita ao Santíssimo Sacramento e Santa Missa
Orações para várias devoções, pelas almas do Purgatório e pelos agonizantes
Orações pela Igreja, pela conversão dos pecadores e pelo Brasil
PRÁTICAS REPARADORAS
->VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
Cardeal Lambertini: “O mundo convida-vos às suas diversões, às suas festas; Deus por sua parte chama-vos a seus templos.”
ADORAÇÃO REPARADORA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO NOS DIAS DE CARNAVAL (Padre Reus)
Rezar 6 vezes: Pai Nosso, Ave Maria e o Glória.
->ORAÇÕES
Philip Kosloski: “Orações de reparação também podem ser pensadas como “orações de amor”, proclamando a Jesus o amor que você tem por ele, mesmo quando outros o rejeitam.”
ATO DE DESAGRAVO E REPARAÇÃO PÚBLICA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ( PARA OS DIAS DE CARNAVAL E DE PECADOS PÚBLICOS)
O Coração dulcíssimo de Jesus !…
Coração Hóstia !
Coração vítima !…
Para quem os homens ingratos só têm esquecimento, indiferença e desprezo!…
Permiti que vossos filhos devotos venham neste dia de salvação e de perdão pedir misericórdia a vossos pés e dar-vos reparação pública ,pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois vítima adorável vosso Sacramento de amor!
Ah ! pecadores também, apenas ousamos apresentar-nos!…
Cada um de nós teme, e não se sente com ânimo para elevar a voz em favor de seus irmãos !
Entretanto, o Jesus, confiando na infinita bondade do vosso Coração e prostrando-nos humildemente, perante vossa Majestade ultrajada pelos crimes que inundam a terra
Ousamos dizer-vos : Senhor, não castigueis !… não castigueis !…ou pelo menos não castigueis ainda!…
O vosso indulgente amor perdoará a nossa temeridade!
O Coração de Jesus ! Coração tão generoso e tão terno, Coração tão amante e tão doce !
Perdão primeiramente para nós, perdão para os pobres pecadores! Aceitai o
Nosso desagravo, a nossa reparação pública pelas blasfêmias, com que a terra tremendo ressoa !
Perdão para os blasfemadores !
Reparação pública pelas profanações dos Vossos sacramentos e do santo dia que vos é consagrado…
Graça e perdão para os profanadores !
Reparação pública pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo…
Graça e perdão para os sacrílegos!
Reparação pública pela indiferença que de vós aparta tantos cristãos…
Graça e perdão para os ingratos !
Reparação pública por todos os crimes. ..
Ainda uma vez, meu Deus! graça e perdão para todos os homens !
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso Divino Filho, que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados!
Seja ouvido em nosso favor o seu Sangue preciosíssimo !…
Cessem as ofensas !…
Estabeleça-se o vosso divino amor! reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos os homens reinem um dia convosco no céu! Assim seja.
TERÇO ÀS SANTAS CHAGAS
CREIO
Oh! Jesus, Divino Redentor, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro.
Deus Forte, Deus Santo, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
Graça, Misericórdia, Meu Jesus; nos perigos presentes, cobri-nos com Vosso Preciosíssimo Sangue.
Pai Eterno, tende Misericórdia de nós, pelo Sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho Unigênito, tende Misericórdia de nós, Vos suplicamos. Amém, Amém, Amém.
Em lugar do Pai Nosso: Pai Eterno, eu Vos ofereço as santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo; Para curar as de nossas almas.
Em lugar de cada Ave-Maria: Meu Jesus, perdão e misericórdia: Pelos méritos de Vossas Santas Chagas.
Por fim rezar três vezes: Pai Eterno, eu Vos ofereço as santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo; Para curar as de nossas almas. Amem
ORAÇÃO À DIVINA MISERICÓRDIA
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.
10 x Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro
ORAÇÃO REPARADORA FLECHA DE OURO
3X “Que seja sempre louvado, bendito, amado, adorado, glorificado o Santíssimo, Sacratíssimo, sumamente adorável, incompreensível, inefável Nome de Deus no Céu, na Terra e nos infernos, por todas as criaturas saídas das mãos de Deus e pelo Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar. Assim seja.
MODELO DE ORAÇÃO ENSINADA POR JESUS À IRMÃ AMÁLIA PARA O TEMPO DE CARNAVAL
10X Mãe do Belo Amor, entrega a Deus Pai o Preciosíssimo Sangue de Jesus e os Seus sofrimentos pelos infelizes pecadores
BENDITO SEJA DEUS
– Bendito seja Deus. – Bendito seja o seu santo nome. – Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. – Bendito seja o nome de Jesus. – Bendito seja o seu Sacratíssimo coração. – Bendito seja o seu preciosismo sangue. – Bendito seja Jesus no Santíssimo sacramento do altar. – Bendito seja o Espírito Santo Paráclito. – Bendita seja a grande mãe de Deus, Maria santíssima. – Bendita seja sua santa e imaculada conceição. – Bendita seja sua gloriosa assunção. – Bendito seja o nome de Maria, virgem e mãe. – Bendito seja são José, seu castíssimo esposo. – Bendito seja Deus, nos seus anjos e nos seus santos.
ATO DE DESAGRAVO À SAGRADA FACE
Cristo Sacerdote, Fazei que resplandeça a Vossa Face Sobre nós, Permanecei conosco, Senhor! (3 vezes)
Ó Jesus Cristo sacerdote queremos Vos oferecer nossa vida, sofrimentos e orações, em união com o Imaculado Coração de Maria, em desagravo à Vossa Sagrada Face, pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro, especialmente das pessoas a vós consagradas na vida religiosa e sacerdotal. Aceitai, Senhor, esta nossa humilde reparação por todos os pecados de orgulho, heresia e sensualidade.
Senhor Jesus Cristo Sacerdote, que a luz de Vossa Sagrada Face nos ilumine. Que sua infinita beleza nos atraia.
Que sua força onipotente nos proteja. Que seu amor misericordioso nos perdoe e santifique, levando-nos a sua eterna contemplação nos esplendores do céu. Amém.
ATO DE DESAGRAVO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
Ó Coração Doloroso e Imaculado de Maria, transpassado de dor pelas injúrias com que os pecadores ultrajam vosso santo nome e vossas excelsas prerrogativas; eis prostrado aos vossos pés vosso indigno filho, que, oprimido pelo peso das próprias culpas, vem arrependido com ânimo de reparar as injúrias que, à maneira de penetrantes setas dirigem contra vós os homens ousados e perversos.
Desejo reparar com esse ato de amor e submissão que faço perante o vosso coração amantíssimo, todas as blasfêmias que proferem contra o vosso Augusto nome, todas as ofensas que fazem às vossas excelsas virtudes e todas as ingratidões com que os homens correspondem ao vosso maternal amor e inesgotável misericórdia.
Aceitai, ó Coração Imaculado, esta demonstração de meu fiel carinho e justo reconhecimento, com o firme propósito que faço de ser-vos fiel todos os dias de minha vida, de defender vossa honra quando a veja ultrajada e de propagar com entusiasmo vosso culto e vossas glórias.
Rezar 3 Ave Marias em honra ao poder, sabedoria e misericórdia do puríssimo Coração de Maria, desprezado pelos homens
ORAÇÕES REPARADORAS DO ANJO DE FÁTIMA
Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço Vos a conversão dos pobres pecadores.
3x Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.
ORAÇÃO À NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS
1X Vêde, ó Jesus, que são as lágrimas d’Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.
7 x Meu Jesus, ouvi os nossos rogos, pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima.
ORAÇÃO DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA O TEMPO DO CARNAVAL
Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o Vosso Pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição.
Ah! pelos merecimentos do Vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam. Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se.
Protegei-me sempre com a Vossa poderosa mão, para que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente.
Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo.
Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os Vossos favores como para fazer coisa agradável ao Vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que Vos amam, para Vos desagravar da ingratidão dos homens para conVosco, ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei.
Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-Vos todos os atos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, que fizestes Vós mesmo quando estáveis nesta terra. Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias eu disser:
† Meu Jesus, misericórdia.
― Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai vós este humilde ato de desagravo ao Vosso divino Filho, e por amor do Seu Sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.
† Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
ORAÇÃO PARA OS DIAS DO CARNAVAL
Meu Jesus, que sobre a Cruz perdoastes aqueles que nela Vos pregastes; Vós que da Cruz lançastes um olhar de piedade ao bom ladrão que expirava sobre o patíbulo e o convertestes e salvastes;
Vós que entre as agonias da morte declarastes ter ainda sede de almas, tende piedade de tantos infelizes que seduzidos pelo espírito da mentira nestes dias de falsos prazeres e de escandalosa dissipação estão no caminho da condenação eterna.
Ah! pelos méritos de Vosso preciosíssimo Sangue e da Vossa morte não os abandoneis como merecem nem permitais fique sem remédio o miserável estado em que se vão precipitar.
Reservai para eles um dia de misericórdia e de salvação.
Vós que a São Pedro estendestes prontamente a mão para sustentá-lo, quando submergia, quanto a estes infelizes que estão para cair no abismo infernal; acordai-os, sacudi-os, iluminai-os, convertei-os e salvai-os.
Quanto a nós, tende sempre firme a Vossa destra, para que nunca sejamos seduzidos por tantos escândalos que nos rodeiam; pelo contrário, à semelhança de José do Egito que vivendo num ambiente supersticioso, nunca se afastou da verdade e da justiça, mereçamos nós o Vosso amor, ao passo que outros provocam o Vosso desdém, apliquemo-nos nos exercícios de piedade enquanto que ela é esquecida pelos ingratos filhos do século que terão de chorar para sempre a sua atual estultícia.
Padre nosso, Ave Maria e Glória.
Aos que querem continuar vivendo a reparação, uma devoção importante é a reparação a Sagrada Face de Jesus:
O que devemos pensar, como católicos, a respeito da alegria do Carnaval?
Antes de toda Quaresma há um Carnaval.
Já tivemos a oportunidade de tratar esse assunto aqui, ano passado, quando publicamos uma famosa citação de Santa Faustina Kowalska sobre a festa, juntamente com um vídeo da famosa religiosa norte-americana, Madre Angélica, sobre os foliões que se embebedam e dão escândalo aos mais jovens.
Na ocasião, comentamos que “a grande tragédia de nossa época” é o homem moderno ter transformado “a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada”. No fundo, as pessoas não se entregam ao pecado só numa época do ano para se comportarem bem nas outras. Para muitos, o Carnaval tornou-se praticamente um “estilo de vida”. E essas pessoas não conseguem sequer conceber um outro modo de viver, senão este de brigas, bebedeiras e sexo desregrado.
Nem todas as pessoas que “pulam carnaval” se divertem dessa forma pecaminosa, é verdade. Há carnavais e carnavais, alguém poderia dizer. É possível se divertir honestamente, no fim das contas, evitando o pecado e as ocasiões de cair nele, e o próprio Santo Tomás de Aquino chega a associar o bom divertimento a uma virtude específica em sua Suma Teológica.
Neste vídeo, Pe. Paulo Ricardo fala de forma bem equilibrada a respeito do Carnaval, indicando as diferenças que existem entre:
a alegria pecaminosa em que muitos passam esses dias,
a alegria sadia de quem sabe gozar honestamente das coisas deste mundo e, por fim,
a alegria realmente sobrenatural de quem tem os olhos fixos, não nos bens passageiros desta existência, mas na vida eterna com Cristo.
“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo.” (IPd 1, 18). São Pedro nos exorta sobre o meio pelo qual nós fomos resgatados, os apresentando que fomos salvos pelo Sangue de Jesus Cristo, que na Cruz pagou por nossos pecados. Esta é uma realidade sobre natural que ultrapassa os limites de nossa inteligência, é um mistério que não somos capazes de compreender.
Por nós mesmos não podemos nos salvar, é por garça de Deus que nos vem a salvação (cf Ef 2,5). Nossa salvação custou o Sangue precioso de Jesus, sem Sua intervenção, Sem Seu Sacrifício de amor, estaríamos todos condenados a morte eterna. Cristo ao se encarnar, vir ao mundo, se fazer um como nós, menos no pecado, não o fez por beneficio próprio, mas veio e aceitou pagar o preço para que fossemos salvos. O resgate, o preço pago não foi plano de Deus nem ago que Ele desejou, mas Lhe custou esforço, renúncia e muito sofrimento. Fomos reconciliados com Deus pela more de Seu Filho, (cf. Rm 5,10) e, isto não e coisa qualquer, portanto.
O Sangue precioso de Jesus foi derramado para que eu e você tivéssemos vida! Ele cura as feridas que nós mesmos causamos em nós, por causa dos nossos pecados, erros, omissões… por causa do orgulho nos ferimos e também aqu’Ele que derramou Seu Sangue por nós!
Somos convidados a meditar, contemplar as feridas que causamos em Cristo Jesus , olhar para Seu peito aberto jorrando Sangue e Água preciosos, que nos cura e nos purifica. Somos convidados a reparar Seu Coração chagado, ferido por nossa causa e acima de tudo, somos convidados a nos redimir, mediante o sacrifício de amor de nosso Deus. Seu Sangue nos lava, nos cura e, nos liberta da vida do pecado para a vida nova.
Sem o Sangue de Jesus não há salvação! É o Sangue de Cristo que nos protege de todo mal, nos liberta do pecado e cura as feridas de nossa alma. O Sangue de Jesus foi o alto preço pago para que eu e você tenhamos vida e nos é oferecido, todos os dias, no Santo Sacrifício do altar, na Santa Missa.
Nós vos agradecemos Senhor, por vosso Preciosíssimo Sangue, pelo qual nós fomos salvos e preservados de todo mal. Amém.
S.S. João Paulo II, Audiência Geral das Quartas-feiras; 7 de Abril de 1993.
Que Mistério tão grande é a Paixão de Cristo: Deus feito Homem, sofre para salvar o homem, carregando com toda a tragédia da Humanidade!
S.S. Bento XVI, Santuário de Mariazell; 8 de Setembro del 2007
Jesus transformou a Paixão, o Seu sofrimento e a Sua morte em oração, em acto de amor a Deus e aos homens. Por isso, os braços estendidos de Cristo crucificado são também um gesto de abraço, através do qual nos atrai a Si e com o qual nos quer estreitar nos Seus braços com amor. Deste modo, é imagem do Deus Vivo, é o próprio Deus, e podemos colocar-nos nas Suas mãos.
S. Leão Magno, Sermão 15 sobre a Paixão.
Aquele que quer venerar, de verdade, a Paixão do Senhor deve contemplar, a Jesus crucificado, com os olhos da alma, até ao ponto de reconhecer a sua própria carne na Carne de Jesus.
S.S. João Paulo II XIV Jornada Mundial da Juventude; 28 de Março de 1999
Ao contemplar Jesus na Sua Paixão, vemos, como num espelho, os sofrimentos da Humanidade, assim como as nossas situações pessoais. Cristo, ainda que não tivesse pecado, tomou sobre Si aquilo que o homem não podia suportar: a injustiça, o mal, o pecado, o ódio, o sofrimento e, por último, a morte.
S.S. João Paulo II XV Jornada Mundial da Juventude; 29 de Julho de 1999.
Paixão, quer dizer amor apaixonado, que ao dar-se não faz cálculos: a Paixão de Cristo é o culminar de toda a Sua existência “dada” aos homens para revelar o Coração do Pai. A Cruz, que parece elevar-se da terra, na realidade desce do Céu, como abraço divino que estreita o universo. A Cruz manifesta-se como centro, sentido e fim de toda a história e de cada vida humana.
Quaresma é um período de grande significado no calendário litúrgico católico, representando um tempo de reflexão, penitência e preparação para a celebração da Páscoa. À medida que nos aproximamos da Quaresma de 2024, torna-se crucial considerar como podemos nos preparar para vivenciar este tempo sagrado de maneira profunda e significativa. Este artigo oferece um guia detalhado para uma preparação eficaz, ancorada na Bíblia e na doutrina da fé católica.
Quando começa a Quaresma de 2024?
A Quaresma de 2024 se inicia na quarta-feira , 14 de fevereiro e vai até a quinta-feira, 28 de março.
Compreendendo a Profundidade da Quaresma
A Quaresma, que se inicia na Quarta-feira de Cinzas e se estende por 40 dias até a Páscoa, é um período de singular importância na vida cristã. Este tempo litúrgico não apenas relembra, mas também nos convida a vivenciar, de maneira simbólica, os 40 dias que Jesus passou no deserto. Durante esse tempo, Jesus enfrentou tentações e se preparou para Seu ministério salvífico. É um período que simboliza luta, purificação e preparação espiritual.
O Significado dos 40 Dias
O número 40 tem um significado especial na tradição bíblica. Ele simboliza um período de teste, purificação e transformação. Vemos isso na história do dilúvio, que durou 40 dias e noites, e na peregrinação dos israelitas no deserto, que durou 40 anos. Assim, os 40 dias da Quaresma são um convite para embarcarmos em nossa própria jornada de transformação espiritual, seguindo os passos de Jesus.
Preparação para o Ministério
Ao refletir sobre Jesus no deserto, compreendemos que a Quaresma é um tempo para nossa própria preparação espiritual. Assim como Jesus se preparou para Seu ministério, somos chamados a nos preparar para viver mais plenamente nossa vocação cristã. Este é um período para nos afastarmos das distrações do mundo e nos concentrarmos em nosso crescimento espiritual e nossa relação com Deus.
Reflexão e Arrependimento Profundos
Durante a Quaresma, somos convidados a uma reflexão e arrependimento profundos. Este é um tempo para um exame de consciência sincero, onde avaliamos nossa vida à luz do Evangelho e reconhecemos as áreas onde falhamos.
Contemplação da Paixão de Cristo
A contemplação da Paixão de Cristo é central na Quaresma. Ao meditar sobre o sacrifício de Jesus, somos levados a uma compreensão mais profunda do amor de Deus e da gravidade do pecado. Esta meditação nos ajuda a apreciar o custo da nossa redenção e a responder com um arrependimento sincero e uma conversão genuína.
Práticas de Reflexão
Práticas como a leitura diária da Bíblia oferecem uma oportunidade de ouvir a voz de Deus e de refletir sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus. A oração pessoal intensa nos permite entrar em um diálogo íntimo com Deus, expressando nossas lutas, agradecimentos e desejos de transformação. A meditação sobre os mistérios da fé, especialmente através da prática da Via Sacra, nos ajuda a entrar nos eventos da Paixão de Cristo, tornando-os mais reais e presentes em nossa vida.
O Deserto Espiritual
Durante a Quaresma, os cristãos são convidados a entrar em seu próprio “deserto espiritual”. Isso significa se afastar das distrações e confortos do dia a dia para se concentrar mais intensamente na vida espiritual. Este “deserto” pode ser um lugar de desafios e provações, mas também de profunda comunicação com Deus e autodescoberta.
Reflexão e Arrependimento Profundos
A Quaresma é um tempo para uma reflexão e arrependimento sinceros. Durante este período, os cristãos são incentivados a examinar suas vidas à luz do Evangelho, confrontando honestamente seus erros e pecados.
Contemplação da Paixão de Cristo
A contemplação da Paixão de Cristo é um aspecto crucial da Quaresma. Este é um tempo para meditar sobre o imenso sacrifício de Jesus na cruz. Ao refletir sobre Seu sofrimento e morte, os fiéis são levados a uma compreensão mais profunda do amor e misericórdia de Deus. Esta meditação inspira um arrependimento genuíno e uma gratidão profunda pela salvação oferecida através do sacrifício de Cristo.
Práticas de Reflexão e Arrependimento
Práticas como a leitura diária da Bíblia são fundamentais durante a Quaresma. Elas fornecem alimento espiritual e uma base para a reflexão pessoal. A oração pessoal intensa também é central, criando um espaço para a comunicação íntima com Deus. Esta oração pode assumir muitas formas, incluindo a confissão de pecados, a expressão de gratidão e o pedido de orientação e força. Além disso, a meditação sobre os mistérios da fé, particularmente através da prática da Via Sacra, permite aos fiéis seguir os passos de Jesus em Sua jornada para a cruz.
Jejum, Abstinência e Disciplina Espiritual na Quaresma
O jejum e a abstinência são aspectos fundamentais da Quaresma, servindo como ferramentas poderosas para a disciplina espiritual e a purificação da alma. Estas práticas, enraizadas na tradição da Igreja, oferecem um caminho para uma conexão mais profunda com Deus e um aprofundamento na jornada espiritual.
O Jejum e Seu Significado
O jejum, tradicionalmente entendido como a limitação da ingestão de alimentos a uma refeição principal por dia, é muito mais do que uma prática física. É uma expressão de nossa fome e sede por Deus. Ao jejuar, os fiéis são convidados a experimentar, de maneira física, sua dependência de Deus e a se lembrar de que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4). O jejum é também uma forma de solidariedade com os pobres e necessitados, recordando-nos de nossa responsabilidade em cuidar dos outros.
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A Prática da Abstinência
A abstinência, particularmente a abstinência de carne, é um ato simbólico de renúncia a prazeres terrenos em memória do sacrifício de Cristo. Ao se abster de carne, os cristãos são lembrados do sacrifício e sofrimento de Jesus, e é uma maneira de unir seus próprios pequenos sacrifícios ao sacrifício redentor de Cristo na cruz. Esta prática não é apenas um ato de renúncia, mas também um meio de cultivar o autocontrole e a disciplina, qualidades essenciais na vida espiritual.
Disciplina Espiritual
A disciplina espiritual, cultivada através do jejum e da abstinência, é fundamental para o crescimento na vida de fé. Ela nos ensina a dizer “não” aos nossos desejos e impulsos imediatos, fortalecendo nossa vontade e nossa capacidade de resistir a tentações. Esta disciplina tem um efeito profundo não apenas em nossa vida espiritual, mas também em nossa vida emocional e relacional, pois nos torna mais conscientes e controlados em nossas interações e decisões.
Jejum e Abstinência Como Caminhos para a Oração
O jejum e a abstinência são também intimamente ligados à oração. Ao reduzir as distrações físicas, estas práticas abrem espaço em nossos corações e mentes para uma comunicação mais profunda com Deus. O jejum (*) pode ser visto como uma oração do corpo, uma forma física de expressar nossa necessidade de Deus e nosso desejo de dedicar nossas vidas inteiramente a Ele.
Ampliando a Caridade e o Serviço
A Quaresma é também um tempo para ampliar nossa prática da caridade e do serviço. Viver o segundo maior mandamento de Jesus, amar o próximo como a nós mesmos, pode se manifestar em ações concretas: realizar obras de misericórdia, ajudar os menos afortunados, dedicar-se ao serviço comunitário. Estas ações nos ajudam a desenvolver um coração compassivo e a refletir a luz de Cristo no mundo.
Intensificação da Oração
Intensificar a vida de oração é fundamental durante a Quaresma. A oração nos conecta mais profundamente com Deus e nos ajuda a discernir Sua vontade. Isso pode incluir uma participação mais assídua na Missa, a dedicação ao terço, ou a prática de outras formas de oração contemplativa. É importante encontrar um método de oração que ressoe com seu coração e fortaleça sua relação com Deus.
Busca pelo Sacramento da Reconciliação
A Quaresma é um período ideal para buscar o Sacramento da Reconciliação (Confissão). Este sacramento nos oferece a misericórdia de Deus e a purificação de nossos pecados, proporcionando um novo começo com um coração renovado.
Participação Ativa na Comunidade
A participação ativa na vida da comunidade paroquial é crucial para uma Quaresma frutífera. Isso pode incluir engajar-se em grupos de estudo bíblico, participar de retiros espirituais e outras atividades paroquiais. Estas práticas comunitárias fortalecem nossa fé e nos conectam com outros fiéis, promovendo um crescimento espiritual compartilhado.
Reflexão Sobre a Paixão de Cristo
Dedicar tempo para refletir sobre a Paixão de Cristo é uma prática enriquecedora durante a Quaresma. Isso pode ser feito através da Via Sacra, meditações e leituras focadas na última semana da vida de Jesus. Essas reflexões nos ajudam a compreender melhor o amor sacrificial de Cristo e a profundidade de sua misericórdia.
Conclusão
A preparação para a Quaresma de 2024 é uma jornada espiritual que nos chama à introspecção, ao reavivamento espiritual e a um compromisso renovado com a fé. Adotando práticas como reflexão profunda, jejum, oração intensificada, caridade expandida, participação comunitária e reflexão sobre a Paixão de Cristo, abrimos nossos corações para a transformação que Deus deseja operar em nós. Que esta Quaresma seja um tempo de profunda graça e renovação espiritual, nos aproximando cada vez mais do coração amoroso de Deus.
Publicado em Santos Online.
(*) “Pelas orientações da Igreja, estão obrigados ao jejum os que tiverem completado 18 anos até os 59 completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.” (Fonte: Canção Nova – Código de Direito Canônico – Jejum e abstinência: saiba o que ensina a Igreja sobre o assunto)
A oração do Terço (ou Rosário) é uma oração milenar da igreja. Somente um coração puro, humilde e de fé compreende o valor desta oração. Ela é destinada aos que buscam ter um coração puro como de uma criança. Mas como rezar o terço corretamente?
Muitos têm dúvidas sobre algumas orações das orações recitadas no terço ou mesmo não descobriram ainda a riqueza que é esta oração. Por isso, preparamos este artigo explicando de forma bem didática como rezar o terço e o texto das orações.
A partir da cruz, siga as orações na sequência indicada:
Inicia-se segurando pela cruz, com a oração do Creio
Reza-se um Pai Nosso, seguido de três Ave-Marias (Cada Ave-Maria é precedida de uma oração. Vide orações abaixo)
Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
O terço original possui 5 dezenas de Ave-Marias, contidas nos Mistérios Gozosos, Mistérios Dolorosos e Mistérios Gloriosos. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai Nosso e 10 Ave-Marias. São João Paulo II acrescentou os Mistérios Luminosos.
Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai, seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
Ao concluir, reza-se o agradecimento.
Orações do Santo Terço
Orações do Santo Terço na sequência da oração.
Oferecimento do Terço
Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.
Creio em Deus Pai
Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.
Pai Nosso
Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave Maria
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou [Ave-Maria…]
A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: [Ave-Maria…]
A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: [Ave-Maria…]
Amém.
Glória ao Pai
Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.
Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.
Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:
Mistérios Gozosos(segunda-feira e sábado)
1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora. No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.
2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
3- O nascimento de Jesus em Belém. No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.
4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo. No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.
5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei. No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.
Mistérios Dolorosos(terça-feira e sexta-feira)
1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.
2- A flagelação de Jesus atado à coluna. No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.
3- A coroação de espinhos de Jesus. No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.
4- A subida dolorosa do Calvário. No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.
5- A morte de Jesus. No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mistérios Gloriosos(quarta-feira e domingo)
1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.
2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu. No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.
3- A vinda do Espírito Santo. No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.
4- A assunção de Nossa Senhora no Céu. No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.
5- A coroação de Nossa Senhora no Céu . No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.
Mistérios Luminosos (quinta-feira)
1- Batismo de Jesus no rio Jordão. No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.
2- Auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná. No segundo mistério contemplemos a auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná.
3- Anúncio do Reino de Deus. No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.
4- Transfiguração de Jesus. No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.
5- Instituição da Eucaristia. No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.
Agradecimento
Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:
Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
(via No colo de Maria)
Publicado em Aleteia.
Obs.: Após o Oferecimento do Terço, acrescenta-se as intenções, particulares e gerais, que, a título de exemplo, podem ser as seguintes:
INTENÇÕES DO TERÇO
Em desagravo às ofensas, blasfêmias e indiferenças dirigidas ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.
A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã. Ajuda as pessoas e as comunidades eclesiais a se prepararem dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor.
O período quaresmal é tempo sobremaneira apropriado à conversão de vida e à renovação interior. Aliás, não há Quaresma sem conversão. Converter-se é separar-se do mal e voltar-se para o bem. É mudar radicalmente de vida e de critérios. A conversão radical insere-se no coração da vida. Exige gestos concretos de amor e de misericórdia, de partilha fraterna e de justiça. Podemos dizer que o cristão é um convertido em estado de conversão, pois a conversão dura, enquanto perdurar nosso peregrinar neste mundo.
Converter-se é procurar viver todos os dias a “vida nova”, da qual Cristo nos revestiu, transformando-nos Nele, para fazer um só corpo com Ele e com os irmãos.
Há em nós atitudes que devem morrer. Converter-se cada dia exige morrer aos poucos, sepultar-nos com Cristo para ressuscitarmos com Ele.
O amor de Deus chama-nos à conversão, a renunciar a tudo o que Dele nos afasta. O que mais nos afasta de Deus é o pecado. Pecar é estar no lugar errado, longe da amizade e da graça de Deus.
A conversão quaresmal significa, portanto, crescer na prática das virtudes cristãs. Somos sempre catecúmenos em formação permanente, progredindo no conhecimento e no amor de Cristo.
Ao longo da Quaresma, somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, entrando em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-nos semelhantes a Ele na Sua morte, para alcançarmos a Ressurreição dentre os mortos (cf. Fl 3, 10-11). Isso exige uma transformação profunda pela ação do Espírito Santo, orientando nossa vida segundo a vontade de Deus, libertando-nos de todo egoísmo, superando o instinto de dominação sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo (cf. Bento XVI, Mensagem da Quaresma 2011).
O período quaresmal é ainda tempo favorável para reconhecermos a nossa fragilidade, abeirando-nos do trono da graça, mediante uma purificadora confissão de nossos pecados (cf. Hb 4, 16). Na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência” (Santo Ambrósio). Vale a pena derramar essas lágrimas, através de uma boa confissão sacramental.
Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc, 1, 15).
O itinerário quaresmal é um convite à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna e às obras de caridade (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1438). É igualmente um tempo forte de escuta mais intensa da Palavra de Deus e de oração mais assídua.
Quanto mais fervorosa for a prática dos exercícios quaresmais, maiores e mais abundantes serão os frutos que colheremos e hauriremos do Mistério de nossa redenção.
Também a vivência da Campanha da Fraternidade ajuda a fazermos uma boa preparação para a Páscoa. A CNBB propõe para este ano o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e como Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).
Maria Santíssima, Mãe do Redentor, guie-nos neste itinerário quaresmal, caminho de conversão ao encontro pessoal com Cristo ressuscitado.
Com o coração voltado para Cristo, vencedor da morte e do pecado, vivamos intensamente o período santo e santificador da Quaresma.
Dom Nelson Westrupp, scj – Bispo Diocesano de Santo André – SP
Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais. Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).
Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila. Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus.
Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1).
Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi.
Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.
Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência.
Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra como reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.
A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial.
À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.
Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.
O mês de maio é o “mês de Maria” ou o “mês Mariano” e Nossa Senhora de Fátima é celebrada este mês, no Brasil e no mundo.
Em 13 de maio de 1917, Nossa Senhora fez sua primeira aparição na pequena cidade de Fátima, em Portugal, a três humildes pastores. Eles a descreveram como “uma senhora mais brilhante do que o sol.” Todos os meses, até outubro, sempre no dia 13 de cada mês, aparecia aos pequenos pastores: Lúcia, na época com 10 anos, Francisco com 7 e Jacinta, com 6 anos de idade. Nessas aparições, deixou uma mensagem de fé, de amor a Jesus e um pedido de conversão.
Os três pastorinhos de Fátima
“Rezem o Rosário todos os dias para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra”. E em todas as aparições, repetia a importância e o poder da oração do santo Rosário, ensinando que após cada mistério, rezassem: “Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, especialmente as mais necessitadas’”.
Sua última aparição aconteceu no dia 13 de outubro naquele mesmo ano, perante uma multidão que havia comparecido ao local. Na ocasião, aconteceu o “milagre do sol”, quando todos afirmaram que o céu mudou de cor e que o sol com grande brilho, mas sem ofuscar a vista, se aproximou e afastou da terra por algumas vezes. O fenômeno durou cerca de 10 minutos e foi relatado por inúmeras pessoas presentes no local, mas também por aquelas que estavam distantes do local das aparições. Naquele dia chovia muito e no momento do milagre, muitos foram os que ajoelharam ou se jogaram no chão. Mas, as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva e pela lama, secaram prodigiosamente minutos depois.
As atitudes e mensagens transmitidas por Maria, sempre conduzem a seu Filho Amado. Ao rezar o terço, meditamos sobre as passagens da vida de Jesus. Ela nunca aponta para si mesma, mas para os desígnios de Deus e para que conheçamos melhor o Filho de Deus Encarnado.
Em 1917, o mundo estava em guerra. E, neste ano de 2021, enfrentamos novamente uma situação de guerra, combatendo o coronavírus, inimigo invisível, causando tantas mortes no mundo inteiro. Rezar o terço neste mês de maio é ainda mais necessário. Devemos pedir pelo fim da pandemia, pelos doentes, pelos agonizantes, pelos necessitados e por todos que sofrem neste grave momento da humanidade.
O culto à Nossa Senhora de Fátima é uma das mais significativas devoções marianas. Nas palavras do Papa Francisco: “No dia 13 de maio, dia que celebramos a nossa mãe celestial, com o nome de Nossa Senhora de Fátima, devemos confiarmo-nos a ela, para que possamos continuar a nossa jornada com alegria e generosidade”.
Ave Maria! Bendita sois vós, nossa Mãe, entre as mulheres. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós, que recorremos a vós!
Por Fátima Emerson, membro do Apostolado da Oração.
Publicado em Catedral de São João Batista | Nova Friburgo.
Na Igreja o mês de Maio é dedicado a Bem-aventurada Virgem Mãe de Deus. A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Neste mês, muitas comunidades vivem de maneira toda especial a devoção à Nossa Senhora, com a tradicional oração do santo terço, novenas, e tantas outras práticas devocionais. Nossa Senhora teve sempre na Igreja um lugar de destaque, porque sua pessoa está intimamente ligada a pessoa de Nossa Senhor Jesus Cristo. Maria, enquanto Mãe do Deus-Redentor, está associada a Cristo, cabeça da Igreja, e assim, recebe do Corpo também os louvores que a cabeça é digna de receber. É doutrina comum e certa que a Maria é devido um culto de dulia, ou de hiperdulia, que lhe é próprio, enquanto que é Mãe de Deus[1].
Nossa Senhora, carinhosamente chamada e invocada pela piedade católica, é sobretudo, imagem e personificação da Igreja.
O papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater, afirma que: O Concílio Vaticano II, apresentando Maria no mistério de Cristo, encontra desse modo o caminho para aprofundar também o conhecimento do mistério da Igreja. Maria, de fato, como Mãe de Cristo, está unida de modo especial com a Igreja, «que o Senhor constituiu como seu corpo»[2]Na virgem Maria, a Igreja se encontra, descobre sua imagem, sua missão. Igreja que somos todos nós, que temos um caminho a ser trilhado.
A vida de Nossa Senhora é fonte concreta da ação de Deus e por isso, meditar e horar a Mãe de Deus é também ver a grandeza dele. O papa Bento XVI, nos aponta que, “quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver mais do que de outras maneiras a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos realmente sentir a luz divina neste rosto”[3]. São Lucas, no seu evangelho, ao narrar o encontro de Maria com Isabel, nos coloca um dado importante, “Bem-aventurada aquela que acreditou (Lc 1,45)”, aquela que se
deixou tocar por Deus. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus[4]. É segundo a saudação do Anjo Gabriel, cheia de graça (Lc 1,28), cheia de Deus, cheia do Espírito Santo. Desse modo, fazendo memória de Maria, Mãe de todos nós, pedimos seu auxílio para nossas necessidades particulares, bem como, para toda a Santa Igreja.
A devoção mariana, sobretudo, vivida nesse mês de maio, nos faz reconhecer que Maria é nossa mãe na medida que Deus é nosso Pai. Assim, nos diz S. Luís Maria Grignion de Montfort: Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por Pai, e Maria por mãe; e quem não têm Maria por mãe, não tem Deus por Pai. Na filiação divina, todos nós também recebemos Maria como mãe, assim, o próprio Senhor Jesus nos afirma, “eis aí a tua Mãe” (Jo.19, 26-27). Desse modo, Maria vai se mostrando ao longo dos séculos e das culturas como nossa mãe. Não importando o título ou o nome que ela é invocada, seu rosto, sua cor, ela será sempre a única mãe de Deus, e consequentemente nossa querida mãe.
Na Sagrada Escritura Deus recebe vários títulos, aparece com Deus “poderoso, forte, proeminente” (Gn 7,1, Is 9,6); “Deus Todo-Poderoso”, “O Poderoso de Jacó” (Gn 49, 24; Sl 132, 2-5); “O Senhor dos Exércitos” (Is 1,24; Sl 46,7), e outros nomes. Maria também, ao longo dos séculos recebeu da tradição, dos povos que a amam, títulos e características bem particulares. Nada acrescentam ao que ela é, mas são fórmulas de reconhecimento de sua importância da Obra da salvação, na vida da Igreja e de todos os cristãos. E, também são modos de aproximar a mãe de Jesus aos seus filhos dispersos pelo mundo inteiro.
Os títulos e nomes que Maria recebe na Igreja, possuem 3 origens principais, que partem de detalhes históricos, bíblicos, de tradições populares, dogmáticos, mariofanias. Ao conhecer um pouco desses princípios dos títulos e nomes dados a Nossa Senhora podemos ver a riqueza da devoção mariana. Sobretudo, porque são sinais sólidos da intima ligação de Maria com Cristo, de Cristo e Maria em nós. Ligação da fé com a história, da fé popular com a fé do magistério. Ligação profunda da presença mariana nas várias culturas, tempos, povos. Maria se identifica aos seus filhos. Apresentamos agora, de forma simples e resumida os três grandes princípios dos nomes dados a Maria.
Títulos Bíblicos: Ofício da Imaculada e a Ladainha Lauretana, dão-lhe títulos abundantes, baseados na Bíblia: Trono do Grão Salomão, Arca da Aliança, Porta do Céu, Torre de marfim, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos Aflitos, Auxilio dos Cristãos. Os Títulos que Maria recebe a partir da Sagrada Escritura mostram que ela é participante da história da Salvação, não está isolada de toda a ação de Deus. Seja no Novo e no Antigo Testamento, Maria é invocação como um membro do Povo de Deus. Muitos aspectos marianos que serão desenvolvidos na dogmática mariana partem de princípios bíblicos.
Títulos Dogmáticos: Maria, recebe também títulos e nomes ligados aos Dogmas marianos: Mãe de Deus (Éfeso, 431), Virgindade perpétua (Latrão, 649), Imaculada Conceição (Pio IX, 1854), Assunta ao céu (Pio XII, 1950). Estes são os 4 grandes dogmas marianos, formulados e definidos em concílios ou a partir do magistério infalível do Santo Padre o papa. Estes dogmas, são o fundamento de toda nossa devoção a Maria. Estas definições da Igreja refletem uma madura e profunda reflexão sobre o papel de Maria na história da Salvação, e também buscam salvaguardar a divindade e humanidade de Jesus Cristo.
Títulos de Aparições: Popularmente Maria ficou marcada com os títulos de aparições ou de manifestações de seu poder ao longo dos séculos. O carinho e o amor que o povo católico tem a Virgem Maria em muitos casos parte das aparições (mariofanias) que carregam também características locais, culturais, etnias, etc. Os títulos que Maria receber a partir de suas aparições carregam o nome do lugar, por exemplo: Nossa Senhora de Lourdes (França), Nossa Senhora de Fátima (Portugal), Nossa Senhora de Guadalupe (México), Nossa Senhora Aparecida (Brasil), Nossa Senhora das Graças (França), Nossa Senhora de La Sallete (França).
Sendo assim, como diz a canção, Todas as nossas senhoras são a mesma mãe de Deus. Não importa o nome, o título, a característica física, é sempre a mãe de todos nós. Ao nos deparar com a riqueza da nossa fé, é indispensável nos colocarmos a caminho do projeto belo que Deus tem para todos nós, como assim fez a Santíssima Virgem Maria. Que os títulos, nomes, e invocações à Maria nos aproxime mais de Jesus, nos faça um povo Bem- aventurado porque acredita na Palavra de Deus e na missão que ele nos confia.
Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo.
Muitos vivem a Semana Santa apenas como um feriado, mas não sabem o que é a Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira santa para os cristãos. Este dia faz memória à paixão e morte de Jesus Cristo, e faz parte das festividades da Páscoa, que simboliza a ressurreição do Messias. É considerada uma data móvel, ou seja, não possui um dia específico para ser comemorado anualmente. Por regra, deve ser celebrada na sexta-feira que precede o domingo de Páscoa.
História
Numa sexta-feira, provavelmente no dia 7 de abril do ano 30, os romanos crucificaram, a pedido das autoridades religiosas judaicas, o pregador Jesus de Nazaré, em hebraico, Ieshua ben Ioseph.
Jesus pregava a chegada do Reino de Deus, anunciado nas Escrituras de Israel; afirmava ter vindo de Deus, ser o Filho de Deus. Escolhera Doze discípulos, indicando claramente que, a partir Dele, Israel, o povo das Doze tribos, deveria ser renovado e transformado. Afirmava que aqueles que Nele acreditassem e O aceitassem como Messias e Salvador, que O amassem mais que à própria vida e se abrissem à Sua mensagem sem nenhuma reserva, encontrariam a Luz verdadeira, a Vida verdadeira e venceriam, com Ele e como Ele, a própria morte: as mortes da vida e a Morte última.
Sexta-feira, 7 de abril, Jerusalém, ano 30. Jesus está na cruz, humanamente aniquilado, um farrapo, um trapo de gente. Perdoa Seus inimigos, entrega-Se com total confiança nas mãos do Deus Santo de Israel, a Quem Ele chamava de Pai, e morre. É sepultado. No terceiro dia, Seus discípulos dizem que Ele veio, vivo, ressuscitado, totalmente transfigurado, glorioso, divinizado na Sua natureza humana, ao encontro dos Seus.
Tudo mudou para aqueles Doze, tudo mudou para os discípulos, tudo mudou para Paulo de Tarso, judeu culto, letrado, prudente, que diz ter sido encontrado por Jesus vivo, ressuscitado, vitorioso, no caminho de Damasco… Deste testemunho dos Apóstolos a Igreja vive há dois mil anos; por esse testemunho muitos deram a vida, muitos consagraram toda a existência. Os cristãos creem com todas as forças e com razoáveis motivos: Jesus venceu a morte, ressuscitou, está no Pai e, na potência do Seu Espírito Santo, estará presente à Sua Igreja até o fim dos tempos.
O mistério
Para os cristãos, no entanto, a cruz nos descortina, fundamentalmente, dois mistérios tremendos.
Primeiro, o Mistério da Iniquidade, Mistério do Pecado do mundo, fruto da liberdade humana, que pode de tal modo fechar-se para Deus, levando o homem – cada indivíduo e a humanidade toda -, a tal soberba, a tal autossuficiência, a ponto de matar Deus: “Não queremos que Esse aí reine sobre nós! Não temos outro rei a não ser César!” (Jo 19,15). Isso mesmo: a cruz revela até onde o homem pode ir: ele pode matar Deus! E o está matando, continua a matá-Lo, erradicando-O da cultura, da sociedade, das repartições públicas, dos meios de comunicação, das escolas, das famílias, dos corações.
Mas, a cruz revela também um outro mistério: o Mistério da Piedade! Mistério de um Deus tão grande no Seu amor, tão humilde no profundo respeito pela liberdade humana, que é capaz de Se entregar à morte para salvar essa humanidade tola e prepotente: “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17). Na cruz revela-se até onde Deus está disposto a ir por nós: um Deus solidário, que entra na nossa vida, que assume as nossas contradições, que sofre conosco e morre conosco para nos fazer ressuscitar com Ele, mantendo-nos sempre aberto o caminho da salvação.
Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo…
Oração, silêncio, jejum, abstinência, diante do Mistério!
Aqui começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a Vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.
Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes Sacramentos da Ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote; mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a Salvação que Ele conquistou com a sua Morte e Ressurreição.
Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22,15).
Na celebração da Páscoa, após instituir o Sacramento da Eucaristia, ele disse aos Discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras Ele instituiu o Sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribui-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 17-19).
Na noite em que foi traído, mais nos amou; bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou” (Jo 13,1).
Depois que Jesus passou por toda a terrível paixão e morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.
Aos mesmos discípulos ele vai dizer depois no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava assim instituída também a sagrada Confissão, o sacramento da Penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o seu Sangue.
(…)
Na noite da Ceia Pascal o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que no seu Reino “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver. Quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade, que o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva, é a que nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.
Nesta mesma noite Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que institui sobre Pedro e os Apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isto a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paula chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado até hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14, 16-17).
Que promessa maravilhosa: o Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que um dia a Igreja errou o caminho. Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.
“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 25-26).
Na última Ceia o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.
E na mesma santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16, 12-13).
Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas assegura-lhes que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.
São essas Promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e de costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os Sacramentos da Eucaristia e da Ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, ele concluiu a obra que o Pai lhe confiou, antes de consumar sua missão na Cruz.
A noite fica mais escura quando está perto de amanhecer
Hoje é Quarta-Feira Santa e encerra-se oficialmente o período da Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas. Neste dia celebra-se o Ofício chamado de “Trevas” (Tenebrae), que é uma tradição herdada desde a Igreja medieval, para relembrar aos fiéis que a escuridão vai descer sobre a Terra com a morte daquele que É: o Cristo, a Luz do mundo.
Neste dia, é importante que cada cristão já se prepare concretamente para a Paixão do Nosso Senhor, de maneira sóbria e vigilante. O uso de aparelhos eletrônicos deve ser diminuído, de forma que o silêncio já seja perceptível no lar de cada um que espera a redenção que passa pelo calvário. O recolhimento para a oração também precisa acontecer de forma mais intensa — uma vez que chegou a hora de viver os últimos momentos de Jesus nessa peregrinação terrestre. Leituras espirituais serão muito bem vindas, principalmente aquelas que levem o fiel batizado a meditar nos momentos finais de Cristo antes da consolidação do seu objetivo final.
Depois dos quarenta dias no deserto, enfim a verdadeira Luz já se aproxima, no entanto, “a noite parece mais escura quando está perto de amanhecer”. Muitas são as más inclinações que rebaixam o homem à sua condição mais miserável, no entanto, é tempo de descer com Jesus às sombras da morte, para com ele também ressuscitar. Neste dia, um bom exame de consciência é muito bem vindo, seguido de uma contrição perfeita, de um arrependimento autêntico, que conduza a alma a uma verdadeira conversão.
Depois de muitas quedas e avanços no período quaresmal, chegou a hora de fazer propósitos concretos que não vão mais durar somente durante o período da quaresma — mas que vão acompanhar o fiel batizado até a Vida Eterna, o destino que lhe aguarda. É essencial reconhecer aquilo que não deu certo durante as últimas semanas: as quedas não devem ser motivo de escrúpulos, mas de confiança na misericórdia divina que tudo perdoa e que sempre dá a cada alma a possibilidade do recomeço.
O Tríduo Pascal já se aproxima — e nele o centro da salvação humana — o “sim” humilde que foi capaz de dar um novo destino para cada homem pecador. A Quarta-Feira de trevas não deve ser um dia triste, mas uma espera cheia de sentido, com a certeza de que a salvação está mais próxima do que antes. É tempo de voltar ao essencial através do jejum, da esmola, da oração e da recitação do Santo Terço. Eis o dia propício para agradecer pela encarnação do Verbo, que habitou entre os homens e que agora toma os seus filhos pela mão para retirá-los deste vale de lágrimas. A esperança já se aproxima — a noite escura já perde a força porque uma nova aurora deseja despontar.
Este é o segundo post da série de meditações de D. Javier Echevarría sobre a Semana Santa, originalmente transmitidas pela Rádio EWTN, de Miami.
O Evangelho da Missa termina com o anúncio de que os Apóstolos deixariam Cristo só durante a Paixão. A Simão Pedro que, cheio de presunção, afirmava: eu darei a minha vida por ti, o Senhor respondeu: tu darás a tua vida por mim? Eu te asseguro que não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes.
Em poucos dias cumpriu-se a predição. Todavia, poucas horas antes, o Mestre tinha-lhes dado uma lição clara, preparando-os para os momentos de escuridão que se avizinhavam.
Ocorreu no dia seguinte ao da entrada triunfal em Jerusalém. Jesus e os Apóstolos tinham saído muito cedo de Betânia e, com a pressa, talvez não tivessem comido nada. O caso é que, como relata São Marcos, o Senhor sentiu fome. Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. Disse então: «Nunca mais ninguém coma fruto de ti.» E os discípulos ouviram isto.
Ao entardecer regressaram à aldeia. Devia ser já tarde avançada e não repararam na figueira amaldiçoada. Mas no dia seguinte, terça-feira, ao voltar de novo a Jerusalém, todos contemplaram aquela árvore, antes frondosa, que mostrava os ramos nus e secos. Pedro fê-lo notar a Jesus: “Olha, Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou!” Jesus disse-lhes: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: «Sai daí e lança-te ao mar», e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz vai se realizar, assim acontecerá”.
Durante a sua vida pública, para realizar milagres, Jesus pedia uma só coisa: fé. Aos cegos que lhe suplicavam a cura, tinha-lhes perguntado: credes que posso fazer isso? – Sim, Senhor, responderam-lhe. Então tocou-lhes os olhos dizendo: que se faça em vós conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes os olhos. E contam os Evangelhos que, em muitos lugares, não realizou prodígios, porque às pessoas lhes faltava fé.
Também nós temos de nos interrogar: como é a nossa fé? Confiamos plenamente na palavra de Deus? Pedimos na oração o que necessitamos, seguros de consegui-lo se é para nosso bem? Insistimos nas súplicas, o que seja preciso, sem desfalecer?
São Josemaria comentava esta cena do Evangelho. “Jesus – escreve – aproxima-se de ti e aproxima-se de mim. Jesus tem fome e sede de almas. Do alto da cruz clamou: sitio!, tenho sede. Sede de nós, do nosso amor, das nossas almas e de todas as almas que lhe devemos levar pelo caminho da Cruz, que é o caminho da imortalidade e da glória do Céu”.
Aproximou-se da figueira, não achando senão folhas (Mt 21, 19). É lamentável isto. É assim na nossa vida? Será que, tristemente, falta fé, vibração de humildade, será que não aparecem sacrifícios nem obras?
Os discípulos maravilharam-se com o milagre, mas de nada lhes serviu: poucos dias depois negariam o seu Mestre. A fé deve informar a vida inteira. “Jesus Cristo estabelece esta condição”, prossegue São Josemaria: “que vivamos da fé, porque depois seremos capazes de remover montanhas. E há tantas coisas para remover… no mundo e, antes de mais nada, no nosso coração. Tantos obstáculos à graça! Tenhamos, pois, fé. Fé com obras, fé com sacrifício, fé com humildade”.
Maria, com a sua fé, tornou possível a obra da Redenção. João Paulo II afirma que no centro deste mistério, no mais vivo desta admiração de fé está Maria, Santa Mãe do Redentor (Redemptoris Mater, 51). Ela acompanha constantemente todos os homens pelos caminhos que conduzem à vida eterna. “A Igreja, escreve o Papa, contempla Maria profundamente inserida na história da humanidade, na eterna vocação do homem segundo o desígnio providencial que Deus predispôs eternamente para ele; vê-a maternalmente presente e participante nos múltiplos e complexos problemas que acompanham hoje a vida dos indivíduos, das famílias e das nações; vê-a socorrendo o povo cristão na luta incessante entre o bem e o mal, para que «não caia» ou, se caiu, para que «se erga»”. (Redemptoris Mater, 52).
Maria, Mãe nossa: alcança-nos com a tua intercessão poderosa uma fé sincera, uma esperança segura, um amor ardente.
Fonte: http://opusdei.org/
Livros relacionados: A Cruz de Cristo e Falar com Deus – Tomo II, ambos de Francisco Fernández-Carvajal.
Publicado em A Quadrante Editora. É uma entidade sem fins lucrativos, que iniciou as atividades no ano de 1964, em São Paulo, com a publicação do livro Caminho, de São Josemaria Escrivá.