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Archive for the ‘A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo’ Category

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Santa Sexta-feira da Paixão do Senhor


HOJE É UM dos dias mais importantes de todo o calendário cristão. É o dia de celebrar o Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo pela salvação de nossas almas.

Por isso mesmo, é triste observar certas comunidades católicas que caem na monotonia, que celebram seus momentos e datas mais importantes sem emoção, sem verdadeira entrega e sem entrar no espírito da celebração. Isso é válido para todos os momentos do Calendário Litúrgico, e mais ainda na ocasião das vésperas da Páscoa do Senhor, o momento máximo da Igreja, quando ela inteira vem celebrando a Semana Santa. É uma ocasião simplesmente, literalmente, maravilhosa para renovarmos nossa espiritualidade e nossa fé cristã! Uma Semana que começou contemplativa, segue agora introspectiva e se encerrará em grande festa.

Na expectativa do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor, vivemos quarenta dias de contrição, interiorização e penitência, para comemorar enfim a grande Vitória sobre o pecado e a morte. Vencendo as forças das trevas, Jesus ressurgiu triunfal, para nos garantir a vida eterna! Mas antes do momento de celebrar nossa imensa alegria cristã, por sermos católicos e por termos sido feitos filhos de Deus, precisamos viver a Sexta-Feira da Paixão do Senhor.

Este é o segundo dia do Tríduo Pascal. O que Jesus realizou ontem nos ritos da Santa Ceia, Ele hoje realiza na dureza e angústia da Cruz: entregou-se totalmente por nós, consumou por nós a sua vida, numa total entrega ao Pai, que nos reconcilia com o Pai. Hoje não é dia de reuniões festivas nem de se empanturrar com bacalhoadas e consumo das bebidas alcoólicas. Hoje, o verdadeiro cristão católico jejua e se abstém de carne.

A Liturgia de hoje é solene e dramática. O Altar é desnudo, sem nenhum ornamento. De fato, não há palavras para exprimir o imenso Mistério que celebramos: o Filho eterno, Deus Santo, Vivo e Verdadeiro, nesta Tarde sacratíssima, por cada um de nós se entregou à morte, – e morte de cruz! Para contemplar o Mistério hoje celebrado, tomemos, então, com temor e tremor, as palavras da Epístola aos Hebreus, que escutamos. Hoje não se celebra a Eucaristia, mas, às 15h, os cristãos se reúnem em santa assembleia para fazer memória da Paixão e Morte do Senhor, exaltando a Santa Cruz. Que o dia de hoje seja de silêncio, oração e penitência. São as leituras do dia:

• Is 52,13 – 53,12
• Sl 30
• Hb 4,14-16; 5,7-9
• Jo 18,1–19,42

Mesmo sendo Deus e Filho de Deus, o Cristo aprendeu o que significa a obediência a Deus a partir da experiência humana, até as últimas consequências. Eis aqui uma realidade que jamais poderemos compreender totalmente! O Filho Eterno, o Filho que viveu sempre na intimidade do Pai, o Filho infinitamente amado pelo Pai, no seu caminho neste mundo aprendeu a descobrir, a cada dia, a vontade do Pai Celeste e a ser a ela obediente! Mais ainda: esta obediência lhe custou lágrimas, angústias, humilhação, dores e sofrimento extremo! Toda a existência do Senhor Jesus foi uma total dedicação ao Pai, uma absoluta entrega, no dia-a-dia, nas pequenas coisas… Jesus foi procurando e descobrindo a vontade do Pai nos acontecimentos, nas pessoas, nas Escrituras. E pouco a pouco foi percebendo que esta Vontade ia levá-lo à cruz. E nosso Deus Salvador, ao mesmo tempo Poderoso e Forte, e doce, manso e humilde de coração, foi se entregando, se esvaziando, se abandonando por Amor a cada um de nós.

Abba! Pai! Tudo é possível para Ti: afasta de mim este cálice; porém não o que eu quero, mas o que Tu queres!” (Mc 14,36). Para o Senhor Jesus Cristo, como para nós, a Vontade do Pai muitas vezes pareceu enigmática, e Ele teve que discerni-la e descobri-la entre trevas densas e dolorosas. Mas, ao fim, como nos comove a entrega total do Cristo: “Pai, em tuas Mãos entrego o meu Espírito!” (Lc 23, 46). Em tuas Mãos, amado Pai, eu me abandono! Para nós, o Filho é modelo e caminho de amor ao Pai. Ser cristão é entregar-se ao Senhor Deus como ele se entregou. E esta entrega total foi por nós: “Cristo, por nós, fez-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8).

“Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Isto é, tornado perfeito na obediência, consumando toda a sua existência humana de modo amoroso e total, entregando-se ao Pai por nós, ele se tornou causa da nossa salvação! Vejam, irmãos: não se oferecem mais ao Pai sacrifícios de vítimas irracionais e impessoais! Agora é o próprio Cordeiro santo e imaculado que, com todo o amor de seu Coração, com toda a dedicação de sua Alma, se oferece livremente por nós todos! Façamos também nós, de nossas vidas, uma entrega total ao Pai, com Jesus: entrega de nossos atos, de nossos pensamentos, de nossos afetos, de nossos negócios, de nossa vida familiar e profissional, de nossas decisões e escolhas, de nossas relações humanas, de nossas alegrias e sofrimentos. Tudo, absolutamente tudo, ofereçamos ao Pai com Jesus e por Jesus, e entraremos na salvação que Ele nos trouxe por sua cruz!

Nesta santíssima Sexta-Feira da Paixão, somos convidados a não somente contemplar, admirados, a entrega total do Filho ao Pai amado, mas também somos chamados a participar dessa mesma entrega. É assim que Cristo é causa de salvação para nós!

Senhor Jesus, que o teu sublime exemplo de amor ao Pai e a nós, nos comova e converta o coração, tire-nos da preguiça espiritual e nos livre de uma vida cristã morna e falsa! Senhor, obrigados por tão grande prova de Amor a nós e ao mundo todo! Obrigados por tuas dores, obrigados por tua cruz, obrigados por tua morte e por tua sepultura!

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Fonte: O Fiel Católico.

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A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Magistério da Igreja (www.passioiesus.org)

Jesus no Horto das Oliveiras

A Igreja, sempre fiel ao seu Mestre, guia-nos, por meio do Espírito Santo, para a verdade total. Ela própria nasceu do lado aberto do Salvador.

« Esta obra da redenção humana e da glorificação perfeita de Deus, prefigurada pelas suas grandes obras no povo do Antigo Testamento, realizou-a Cristo, Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa Ascensão, em que, ‘morrendo, destruiu a nossa morte e ressurgindo restaurou a nossa vida’. Pois do lado aberto de Cristo, morto na Cruz, nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz, que nasceu ‘o sacramento admirável de toda a Igreja’ » (SC 5). É por isso que, na Liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação ». (CIC 1067; CV II, SC 5)

A Igreja nunca cessa de nos recordar que “a obra mais excelente da misericórdia de Deus foi a justificação que nos foi merecida pela Paixão de Cristo”(CIC 2020).

Por isso, não podemos deixar de considerar a importância primordial que tem o meditar na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. De facto, o Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que “o cristão deve meditar regularmente” (CIC 2707); com muita mais razão devemos meditar na misericórdia de Cristo que “pela sua paixão nos libertou de Satanás e do pecado. Nos mereceu a vida nova no Espírito Santo. A Sua graça restaura em nós aquilo que o pecado destruiu” (CIC 1708).

Devido à importância que tem este tema, quisemos acrescentar as seguintes secções:

Os Papas e a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Paixão_Santos02

S.S. João Paulo II,
Audiência Geral das Quartas-feiras;
7 de Abril de 1993.
  Que Mistério tão grande é a Paixão de Cristo: Deus feito Homem, sofre para salvar o homem, carregando com toda a tragédia da Humanidade!
S.S. Bento XVI,
Santuário de Mariazell;
8 de Setembro del 2007
  Jesus transformou a Paixão, o Seu sofrimento e a Sua morte em oração, em acto de amor a Deus e aos homens. Por isso, os braços estendidos de Cristo crucificado são também um gesto de abraço, através do qual nos atrai a Si e com o qual nos quer estreitar nos Seus braços com amor. Deste modo, é imagem do Deus Vivo, é o próprio Deus, e podemos colocar-nos nas Suas mãos.
S. Leão Magno,
Sermão 15 sobre a Paixão.
 
  Aquele que quer venerar, de verdade, a Paixão do Senhor deve contemplar, a Jesus crucificado, com os olhos da alma, até ao ponto de reconhecer a sua própria carne na Carne de Jesus.
S.S. João Paulo II
XIV Jornada Mundial da Juventude;
28 de Março de 1999
  Ao contemplar Jesus na Sua Paixão, vemos, como num espelho, os sofrimentos da Humanidade, assim como as nossas situações pessoais. Cristo, ainda que não tivesse pecado, tomou sobre Si aquilo que o homem não podia suportar: a injustiça, o mal, o pecado, o ódio, o sofrimento e, por último, a morte.
S.S. João Paulo II
XV Jornada Mundial da Juventude;
29 de Julho de 1999.
  Paixão, quer dizer amor apaixonado, que ao dar-se não faz cálculos: a Paixão de Cristo é o culminar de toda a Sua existência “dada” aos homens para revelar o Coração do Pai. A Cruz, que parece elevar-se da terra, na realidade desce do Céu, como abraço divino que estreita o universo. A Cruz manifesta-se como centro, sentido e fim de toda a história e de cada vida humana.

 

pedro_alcantara01

São Pedro de Alcântara

Os Santos e a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

É muito importante saber que não há nenhum santo que tenha chegado ao cume da vida espiritual sem ter meditado frequentemente na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Muitos deles, no início da sua vida espiritual, atribuíram à meditação da Paixão de Nosso Senhor, o facto de se terem entregado totalmente a Deus e à Sua Vontade Santíssima. Algumas vezes, nos seus escritos, eles dizem que se avança mais no caminho da santidade com a ajuda da meditação da Paixão de Nosso Senhor, que com a ajuda de qualquer outro meio. Naturalmente, não podemos dizer que supere o grande meio dos Sacramentos, porém pode-se dizer que estes não obteriam toda a sua eficácia sem a ajuda da meditação da Paixão, porque os próprios Sacramentos são os frutos preciosíssimos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quisemos, portanto, dedicar aqui um espaço no qual colocámos várias citações daquilo que dizem os Santos a respeito da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esperamos que possam fazer bem às nossas almas.

S. Afonso Maria de Ligório,
Meditações sobre a Paixão de Jesus Cristo, Cadernos Palavra, pág. 18.
  “Alma devota, se queres crescer sempre mais na virtude e de graça em graça, procura meditar todos os dias a Paixão de Jesus Cristo”. Isto é de S. Boaventura, e acrescenta: “Não existe exercício mais apropriado para santificar a tua alma que a meditação dos sofrimentos de Jesus Cristo”. E S. Agostinho diz “que vale mais uma lágrima derramada em memória da Paixão de Cristo que fazer uma peregrinação a Jerusalém e jejuar a pão e água durante um ano”.
Beato Rafael,
  “A Ti cuspiram-Te, insultaram-Te, açoitaram-Te, cravaram-Te num madeiro, e sendo Deus, humildemente, perdoavas, calavas e oferecias-Te…! O que poderei dizer eu da Tua Paixão!… Mais vale não dizer nada e que no meu íntimo medite naquelas coisas que o homem nunca poderá chegar a compreender”.
Santa Teresa de Lisieux,
“O canto do sofrimento unido aos Seus sofrimentos é aquilo que mais cativa o Seu coração.Jesus arde de amor por nós…! Olha a Sua Face adorável…! Olha os Seus olhos apagados e baixos…! Olha essas chagas… Olha a Face de Jesus… Ali verás como nos ama”.
S. José Maria Escrivá de Balaguer  “Na meditação, a Paixão de Cristo eleva-se além do limite frio da história ou a piedosa consideração, para se apresentar diante dos olhos, terrível, aflitiva, cruel, sangrenta…, cheia de Amor… E sente-se que o pecado não se reduz a uma pequena “falta de ortografia”: é crucificar, pregar com marteladas as mãos e os pés do Filho de Deus, e fazer-lhe saltar o coração.
S. Paulo da Cruz,
Cartas e diário espiritual.
“A recordação da Paixão Santíssima de Jesus Cristo e a meditação das Suas virtudes… conduzem a alma à união íntima com Deus, ao recolhimento interior e à contemplação mais sublime… A Paixão de Jesus Cristo é a obra mais maravilhosa do Amor de Deus. A Paixão de Jesus Cristo é o melhor meio para levar as almas à conversão, até mesmo as mais empedernidas. Conservem cuidadosamente a piedosa recordação dos sofrimentos do Filho de Deus e viverão eternamente.

O caminho mais rápido para chegar à santidade cristã é o de se perder, totalmente, no oceano dos sofrimentos do Filho de Deus.

No imenso oceano da Paixão de Jesus Cristo a alma cristã pesca as pérolas preciosas de todas as virtudes
e faz seus os sofrimentos do seu amado Bem.

El recuerdo de la Pasión Santísima de Jesucristo y la meditación de sus virtudes… conducen al alma a la unión íntima con Dios, al recogimiento interior y a la contemplación más sublime…

S. Pedro de AlcântaraSão seis as coisas que se devem meditar na Paixão de Cristo: A grandeza das Suas dores, para nos compadecermos delas. A gravidade do nosso pecado, que é a sua causa, para o detestarmos. A grandeza do benefício, para o agradecer. A excelência da Divina bondade e caridade, que se descobre nela, para a amar. A conveniência do mistério, para se maravilhar dele. E a multidão das virtudes de Cristo, que resplandecem nela, para as imitar.

De acordo com isto, quando vamos meditando devemos ir inclinando o nosso coração, umas vezes compadecendo-nos das dores de Cristo, pois foram as maiores do mundo, quer pela delicadeza do Seu Corpo, quer pela grandeza do Seu Amor, como também por padecer sem nenhuma forma de consolação, como está dito noutra parte.

Umas vezes, devemos ter em atenção o tirar desta motivos de dor pelos nossos pecados, considerando que eles foram a causa de que Ele padecesse tantas e tão graves dores como padeceu. Outras vezes, devemos tirar dela motivos de amor e agradecimento, considerando a grandeza do Amor que Ele através dela nos manifestou e a grandeza do benefício que nos fez redimindo-nos tão copiosamente, com tanto suor da sua parte e tanto proveito para nós.

S. Alberto Furtado,
Qual não terá sido o seu horror quando se olhou e não se reconheceu, quando se encontrou semelhante a um impuro, a um pecador detestável, portanto coberto de corrupção que O cobria desde a Sua cabeça, até à orla da Sua túnica! Qual não seria a sua confusão quando viu que os Seus olhos, as Suas mãos, os Seus pés, os Seus lábios, o Seu coração eram como os membros do malvado e não os do Filho de Deus! São estas as mãos do Cordeiro de Deus antes inocentes e agora roxas com mil actos bárbaros e sangrentos? São estes os lábios do Cordeiro, os olhos profanados por visões malignas, por fascinações idolátricas pelas quais os homens abandonaram o seu Criador? Os Seus ouvidos escutam o ruído de festas e combates. O Seu coração chagado pela avareza, a crueldade e a incredulidade… A Sua memória está carregada com a memória de todos os pecados cometidos desde Eva, em todas as partes da terra. A luxúria de Sodoma, a dureza dos egípcios, a ingratidão e desprezo de Israel… Todos os pecados dos vivos e dos mortos, dos que ainda não nasceram, dos condenados e dos escolhidos: Todos estavam lá.
S. Francisco de Sales,
Tratado do amor de Deus.
A Paixão de Nosso Senhor é o motivo mais doce e mais forte que pode mover os nossos corações nesta vida mortal… lá em cima, na glória, depois do motivo da Bondade divina conhecida e considerada em si mesma, e da morte do Salvador será o mais poderoso, para arrebatar o espírito dos Bem-aventurados no Amor de Deus.
Tomás de KempisO cristão que medite, atentamente, na Vida, Paixão e Morte do Senhor, encontrará ali, em abundância, tudo aquilo que lhe é necessário, para progredir na sua vida espiritual, sem necessidade de ir a buscar fora de Jesus algo que lhe possa aproveitar mais.
S. Afonso Maria de LigórioUm certo dia um cavaleiro encontrou (a S. Francisco de Assis) gemendo e gritando e tendo-lhe perguntado qual era a razão, respondeu: “Choro as dores, e a ignomínia do meu Senhor, e o que mais me faz chorar é que os homens não se recordam de Quem tanto padeceu por eles… por esta razão exortava, continuamente, os seus irmãos a pensarem sempre na Paixão de Jesus Cristo.
S. João da Cruz
Epistolário, carta 10
Acerca da Paixão do Senhor, procure… não querer fazer a sua vontade e gosto em nada, pois ela foi a causa da Sua Paixão e Morte.
S. Luís Beltran o.p
Obras e Sermões;
Meditações sobre a Paixão de Jesus; Tomo I
Saboreia o livro da Paixão de Cristo e captarás a sua doçura, porém quando o digerires experimentarás a amargura grande que existe nele. Contempla essa Paixão. Avalia o preço da tua redenção.
Beata Ângela de Foligno,
O Livro da vida.
Se a tua mente não se eleva à contemplação desse Homem-Deus crucificado, volta atrás e, começando desde início até ao fim, rumina todos os caminhos da Paixão e da Cruz do Homem-Deus vilipendiado. E se não podes retomar e falar de novo destas coisas com o coração, repete-as frequentemente e amorosamente com os lábios, porque aquilo que se repete com frequência com os lábios, dá calor e fervor ao coração.
S. Máximo de Turim,
Cristo dia sem ocaso;
Sermão 53, 1-2.4
A Paixão do Salvador tira-nos do abismo, eleva-nos acima do que é terreno e coloca-nos no mais alto dos Céus.
S. Boaventura
Legenda maior;
Conversão de S. Francisco, n.1.4.
Um dia em que (S. Francisco de Assis) estava a orar […] apareceu-lhe Cristo Jesus em figura de Crucificado, penetrando-o com eficácia aquelas palavras do Evangelho: “Aquele que quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e siga-Me”…, diante de tal visão…gravou-se-lhe, no mais íntimo do seu coração, a memória da Paixão de Cristo, que quase continuamente via com os olhos da alma as chagas do Senhor crucificado e apenas podia conter externamente as lágrimas e os gemidos.
S. Francisco de Sales,
Introdução à Vida devota.
Aconselho-te a oração mental e cordial e particularmente sobre a Vida e a Paixão de Nosso Salvador. Se frequentemente a contemplas na meditação, encherá a tua alma, aprenderás a Sua modéstia e modelarás as tuas acções pelo modelo das Suas. Ele é a Luz do mundo e n’Ele, por Ele e para Ele devemos ser instruídos e iluminados.
S. João de Ávila,
Audi Filha. II. Et Vide;
Frutos da meditação da Paixão.
Porque não existe nenhum livro tão eficaz para ensinar o homem todo o género de virtude, e quanto deve ser odiado o pecado e amada a virtude, como a Paixão do Filho de Deus; e também porque é extremo ser ingrato pôr em dúvida um tão imenso benefício de amor como foi o padecer por nós.

Através dos quais queremos proporcionar-lhes, ainda que brevemente, uma ajuda extra, para poder aprofundar a meditação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Publicado em As Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (www.passioiesus.org)

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“Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu.” (São João da Cruz – Exaltação da Santa Cruz (OCD)

Exaltação da Santa Cruz

São João da Cruz

“Para expressar a onipotência do Santíssimo Deus e sua personalidade única e indizível, os autores sacros dizem que Deus habita nos altos céus.

Oh percepção do espaço… que me permite conhecer as distâncias, das infinitas extensões aos ínfimos intervalos, dos prolongados caminhos aos curtos atalhos, da ausência de quem está longe, à intimidade de quem se faz próximo.
Oh espaço, categoria que descerra uma pequena fresta do insondável mundo de Deus e que me induz a balbuciá-lo algumas preces e a dizer com o salmo 143: “do alto estende a tua mão, salva-me das águas torrenciais”, ou com o salmo 9: “eu me alegro e exulto em ti, e toco ao teu nome, ó Altíssimo.”
Deus é altíssimo, habita nos céus – nos mais altos céus, melhor ainda, acima dos mais altos céus. Os céus são o nosso limite, ainda por descobrir e decifrar. Mas não há limites para a infinita glória de Deus. E’ o que reza o salmo 113: “Elevado sobre os povos todos è Iahweh, sua gloria está acima do céu”.

E, porque Deus habita nas alturas, è para o alto que os corações de homens piedosos se voltavam, que as mãos de Moisés se estendiam para implorar o favor divino sobre o povo de Deus na vitória sobre os Amalecitas, era para o alto que a fumaça dos incensos se dirigia, era para o alto que soou o primeiro grande clamor do sangue inocente de Abel, ou a malicia de Nínive, quando Deus disse: “quia ascendit malitia ejus coram me”, pois a sua maldade subiu e chegou aos meus ouvidos. Era nos altos lugares que se construíam os altares e templos, e era nos píncaros das montanhas que os homens de Deus subiam para comunicarem-se com Ele. De fato foi no monte Moriá que o nosso pai na fé, Abraão, sentiu o chamado de Deus (Gn 22,1-19) e para o alto do monte levou Isaque para ser sacrificado. Foi no alto do Horeb que Moisés falou com Deus face a face e onde Deus assinou a aliança com o seu povo. O monte Sião, em Jerusalém, elevado acima das montanhas, foi o símbolo do desejo de congregar todos os dispersos de Israel e todos os povos da terra, em Deus. Foi no alto que o Filho de Deus revelou sua glória, estabeleceu sua nova lei das bem-aventuranças e realizou a suprema obra da nossa redenção. O alto nos fascina. Dá-nos a sensação de sentirmo-nos perto de Deus, quando do alto vemos por primeiro o nascer do sol, e por [ultimo o entardecer do dia. O dia parece ser mais longo na montanha, acende em nós a nostalgia da eternidade.

O que nos atrai no calvário?

“Quando eu for elevado atrairei todos a mim”.

Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu. Estar na Cruz é o que Deus, no seu amor, deve ao homem que é crucificado. Porque o amor conhece muitos deveres, mas o primeiro dos deveres de quem ama é o de estar junto da pessoa amada. Qualquer outro gesto poderia nos dar uma falsa imagem de Deus. Somente a Cruz tira-nos toda dúvida, porque é a revelação suprema de Deus, de um Deus que desce. A Cruz é o abismo onde Deus torna-se o amante.

Subi, oh carmelitas, para o alto, onde habita a glória de Deus, pelo único atalho que não nos fará deter, nem demorar, o mesmo perseguido pelo Cristo, que no alto jaz, nu, só, sem apegos, sem bens, solus cum Deus solus, porque só Deus permanece, tudo o mais passa. Santo Padre João da Cruz recita, feliz e convicto, o caminho: nada… nada… nada… nada… nada… e ainda, no Monte, nada.”

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Boletim de notícias da Província São José – Sudeste do Brasil

 

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