CORPUS CHRISTI – Solenidade: ” “Ninguém seria capaz de expressar a suavidade desse sacracramento (Eucaristia); nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte, e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou conosco em sua Paixão.” – Santo Tomás Aquino – 07.06.2012 (OCDS – Província São José – Brasil)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil

A SOLENIDADE DE HOJE, ECO DA CELEBRAÇÃO DA QUINTA-FEIRA SANTA, FAZ-NOS EXPERIMENTAR DE FORMA MÍSTICA E CONCRETA O MISTÉRIO DA ENTREGA DO SENHOR JESUS.

ESSA CELEBRAÇÃO FOI INSTITUÍDA NA IGREJA PELO DECRETO DO PAPA URBANO IV,EM 1264, NO QUAL AFIRMA QUE A DATA DEVERIA SER NUMA QUINTA-FEIRA, 60 DIAS APÓS A PÁSCOA CRISTÃ, DE MODO QUE FOSSE FEITA A MEMÓRIA DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA POR JESUS.

DESTA FORMA ,CORPUS CHRISTI TORNOU-SE UMA CELEBRAÇÃO DE CARÁTER DEVOCIONAL, UMA VEZ QUE A VERDADEIRA FESTA DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA NA IGREJA É AQUELA DA NOITE DA QUINTA- FEIRA SANTA.

 

COMO AFIRMA SANTO TOMÁS DE AQUINO: “NINGUÉM SERIA CAPAZ DE EXPRESSAR A SUAVIDADE DESSE SACRAMENTO (EUCARISTIA): NELE SE PODE SABOREAR A DOÇURA ESPIRITUAL EM SUA PRÓPRIA FONTE, E TORNA-SE PRESENTE A MEMÓRIA DAQUELE IMENSO E INEFÁVEL AMOR QUE CRISTO DEMONSTROU CONOSCO EM SUA PAIXÃO. ENFIM, PARA QUE A IMENSIDADE DESSE AMOR FICASSE MAIS PROFUNDAMENTE GRAVADA NOS CORAÇÕES DOS FIÉIS, CRISTO INSTITUIU ESSE SACRAMENTO DURANTE A ÚLTIMA CEIA, QUANDO, AO CELEBRAR A PÁSCOA COM SEUS DISCÍPULOS ESTAVA PRESTES A PASSAR DESTE MUNDO PARA O PAI. A EUCARISTIA É O MEMORIAL PERENE DA SUA PAIXÃO, O CUMPRIMENTO PERFEITO DAS FIGURAS DA ANTIGA ALIANÇA E O MAIOR DE TODOS OS MILAGRES QUE CRISTO REALIZOU…”. 

O SENHOR ,QUE TRAZ A PAZ À SUA IGREJA ,NOS DÁ COMO ALIMENTO , A FLOR DO TRIGO.

(…)

Publicado em OCDS (por Maria Eduarda).

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Fonte: Pastoral Vocacional Carmelitana

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Aquela eterna fonte está escondida
neste Pão vivo para dar-nos vida,
mesmo de noite.
Aquela viva fonte que desejo,
neste Pão da vida já a vejo,
mesmo de noite.

Publicado em Pastoral Vocacional Carmelitana.

Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé» (ACI Digital)

O 7° Encontro Mundial de Famílias, que teve início ontem, dia 30 de maio e se estende até 3 de junho, em Milão, acontece em meio ao impacto do lançamento do livro “Sua Santidade”, há quatro dias – 27 de maio, publicado por jornalista italiano, supostamente com base em correspondências particulares de Bento XVI, ainda que não sejam de caráter estritamente pessoal. Foram roubadas de sua residência pelo empregado que era seu assistente pessoal desde 2006. Apesar de se dizer triste, o Papa segue com sua agenda, enquanto seu mordomo está preso. Provavelmente há informações não comprovadas, tal como aconteceu com o romance de ficção “O Código Da Vinci”, escrito por Dan Brown. Este autor apresentou como referências, após o término do romance, vários documentos, no entanto, algum tempo depois muitos deles, senão a maioria, foram declarados como não existentes pelos estudiosos que se dedicaram a encontrar suas fontes bibliográficas. Assim, apesar da gravidade que o quadro representa para aIgreja Católica, ou seja, o roubo das comunicações mantidas principalmente entre o Papa e alguns cardeais de suas relações mais próximas, evidencia um ataque premeditado, ainda que disfarçado de “boas intenções”. Tudo indica que a personalidade decidida do papa Bento XVI, mas ponderada, aliada à inteligência e à perspicácia em assuntos polêmicos, a seu tempo, permitirá que as notícias estampadas como escândalos na imprensa mundial sejam devidamente contextualizadas. Afinal, há uma realidade complexa quanto aos fatos que constituem os aspectos mundanos inerentes ao Estado do Vaticano, e principalmente, quanto ao esforço pela manutenção da unidade da Santa Sé. Esta, mantém a solidez da espiritualidade cristã católica ao longo de 20 séculos, contemplando cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo. Sobre o assunto acesse o link da Agência Ecclesia – Portugal:

Vaticano: Divulgação pública de correspondência dirigida ao Papa foi ataque «muito violento» a Bento XVI : “(…)O arcebispo frisou que o Papa “não perde a serenidade que lhe permite governar a Igreja com determinação e clarividência” e disse esperar que o Encontro Mundial das Famílias, a decorrer até domingo na cidade italiana de Milão, com a presença de Bento XVI a partir de sexta-feira, seja uma ocasião “de festa” e “alegria. (…)” – Agência Ecclesia – Portugal – 31.05.2012.

Leia também: Vaticano: Bento XVI pede aos fiéis para «rezarem pelo sucesso» do 7º Encontro Mundial de Famílias – “Evento começa esta quarta-feira em Milão e o Papa espera que seja uma ocasião para todos descobrirem a sua vocação na Igreja e no mundo” (Agência Eccleia – Portugal – 27.05.2012).

Fonte/imagem: Agência Ecclesia (D.R.).

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Fonte: ACI Digital (Extraído de A Santa Sé – Site Oficial  Vaticano – “Documentos” – Libreria Editrice Vaticana)

Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé»

06 de junho de 2005

Tópicos:O fundamento antropológico da família“, “Matrimônio e família na história da salvação“, “Os filhos“, “A ameaça do relativismo“, “Sacerdócio e vida consagrada.

“Queridos irmãos e irmãs:

Acolhi com muito prazer o convite de introduzir com uma reflexão este congresso diocesano antes de tudo porque me dá a possibilidade de encontrar-me convosco, de ter um contato direto, e depois porque me permite ajudar-vos a aprofundar no sentido e objetivo do caminho pastoral que a Igreja de Roma está percorrendo.

Saúdo com afeto a cada um de vós, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e em particular a vós, leigos e famílias, que assumis conscientemente essas tarefas de compromisso e testemunho cristão que tem sua raiz no sacramento do batismo e para aqueles que estão casados, no do matrimônio. Agradeço de coração ao cardeal vigário e aos esposos Luca e Adriana Pasquale pelas palavras que me dirigiram em vosso nome.

Este congresso, e o ano pastoral ao que oferecerá as linhas guia, constituem uma nova etapa no percurso que a Igreja começou, baseando-se no Sínodo diocesano com a missão cidadã querida por nosso querido Papa João Paulo II em preparação do grande Jubileu do ano 2000. Naquela missão, todas as realidades de nossa diocese –paróquias, comunidades religiosas, associações e movimentos– se mobilizaram não só com motivo de uma missão ao povo de Roma, mas também para ser elas mesmas «povo de Deus em missão», pondo em prática a acertada expressão de João Paulo II, «paróquia, busca-te e encontra-te fora de ti mesma»: ou seja, nos lugares nos quais vive o povo. Deste modo, no transcurso da missão cidadã, muitos milhares de cristãos de Roma, em grande parte leigos, converteram-se em missionários e levaram a palavra da fé em primeiro lugar às famílias dos diferentes bairros da cidade e depois nos diferentes lugares de trabalho, nos hospitais, na escola e nas universidades, nos espaços da cultura e do tempo livre.

Depois do Ano Santo, meu amado predecessor vos pediu para não interromper este caminho e não dispensar as energias apostólicas suscitadas e os frutos de graça recolhidos. Por isso, a partir do ano 2001, a orientação pastoral fundamental da diocese foi a de conformar permanentemente a missão, caracterizando em sentido mais decididamente missionário a vida e as atividades das paróquias e de cada uma das demais realidades eclesiais. Quero dizer-vos antes de tudo que quero confirmar plenamente esta opção: faz-se necessária cada vez mais e sem alternativas, em um contexto social e cultural no qual atuam forças múltiplas que tendem a afastar-nos da fé e da vida cristã.

Há já dois anos, o compromisso missionário da Igreja de Roma se concentrou sobretudo na família, não só porque esta realidade fundamental é submetida hoje a múltiplas dificuldades e ameaças, e portanto tem particular necessidade de ser evangelizada e apoiada concretamente, mas também porque as famílias cristãs constituem um recurso decisivo para a educação na fé, a educação da Igreja como comunhão e sua capacidade de presença missionária nas situações mais variadas da vida, assim como para fermentar em sentido cristão a cultura e as estruturas sociais. Continuaremos com estas orientações também no próximo ano pastoral e por este motivo o tema de nosso congresso é «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé». O pressuposto pelo qual há que começar para compreender a missão da família na comunidade cristã e suas tarefas de formação da pessoa e de transmissão da fé segue sendo sempre o significado que o matrimônio e a família têm no desígnio de Deus, criador e salvador. Este será portanto o miolo de minha reflexão desta tarde, remontando-me ao ensinamento da exortação apostólica «Familiaris consortio» (segunda parte, números 12-16).

O fundamento antropológico da família

Matrimônio e família não são uma construção sociológica casual, fruto de situações particulares históricas e econômicas. Pelo contrário, a questão da justa relação entre o homem e a mulher funde suas raízes na essência mais profunda do ser humano e só pode encontrar sua resposta a partir desta. Não pode separar-se da pergunta sempre antiga e sempre nova do homem sobre si mesmo: quem sou? E esta pergunta, por sua vez, não pode separar-se do interrogante sobre Deus: existe Deus? E, quem é Deus? Como é verdadeiramente seu rosto? A resposta da Bíblia a estas duas perguntas é unitária e consequencial: o homem é criado à imagem de Deus, e Deus mesmo é amor. Por este motivo, a vocação ao amor é o que faz do homem autêntica imagem de Deus: faz-se semelhante a Deus na medida em que se converte em alguém que ama.

Deste laço fundamental entre Deus e o homem se deriva outro: o laço indissolúvel entre espírito e corpo: o homem é, de fato, alma que se expressa no corpo e corpo que é vivificado por um espírito imortal. Também o corpo do homem e da mulher tem, portanto, por assim dizer, um caráter teológico, não é simplesmente corpo, e o que é biológico no homem não é só biológico, mas expressão e cumprimento de nossa humanidade. Do mesmo modo, a sexualidade humana não está ao lado de nosso ser pessoa, mas que lhe pertence. Só quando a sexualidade se integra na pessoa consegue dar-se um sentido a si mesma.

Deste modo, dos dois laços, o do homem com Deus e –no homem– o do corpo com o espírito, surge um terceiro laço: o que se dá entre pessoa e instituição. A totalidade do homem inclui a dimensão do tempo, e o «sim» do homem é um ir mais além do momento presente: em sua totalidade, o «sim» significa «sempre», constitui o espaço de fidelidade. Só em seu interior pode crescer essa fé que dá um futuro e permite que os filhos, fruto do amor, creiam no homem e em seu futuro em tempo difíceis. A liberdade do «sim» se apresenta portanto como liberdade capaz de assumir o que é definitivo: a expressão mais elevada da liberdade não é então a busca do prazer, sem chegar nunca a uma autêntica decisão. Aparentemente, esta abertura permanente parece ser a realização da liberdade, mas não é verdade: a verdadeira expressão da liberdade é pelo contrário a capacidade de decidir-se por um dom definitivo, no qual a liberdade, entregando-se, volta a encontrar-se plenamente a si mesma.

Em concreto, o «sim» pessoal e recíproco do homem e da mulher abre o espaço para o futuro, para a autêntica humanidade de cada um, e ao mesmo tempo está destinado ao dom de uma nova vida. Por este motivo, este «sim» pessoal tem de ser necessariamente um «sim» que é também publicamente responsável, com o qual os cônjuges assumem a responsabilidade pública da fidelidade, que garante também o futuro para a comunidade. Nenhum de nós pertence exclusivamente a si mesmo: portanto, cada um está chamado a assumir no mais íntimo de si sua própria responsabilidade pública. O matrimônio, como instituição, não é portanto uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, uma imposição desde o exterior na realidade mais privada da vida; é pelo contrário uma exigência intrínseca do pacto de amor conjugal e da profundidade da pessoa humana.

As diferentes formas atuais de dissolução do matrimônio, como as uniões livres e o «matrimônio à prova», até o pseudomatrimônio entre pessoas do mesmo sexo, são pelo contrário expressões de uma liberdade anárquica que se apresenta erroneamente como autêntica libertação do homem. Uma pseudoliberdade se baseia em uma banalização do corpo, que inevitavelmente inclui a banalização do homem. Seu pressuposto é que o homem pode fazer de si o que quer: seu corpo se converte deste modo em algo secundário, manipulável desde o ponto de vista humano, que se pode utilizar como se quer. A libertinagem, que se apresenta como descobrimento do corpo e de seu valor, é a realidade um dualismo que faz depreciável o corpo, deixando-o por assim dizer fora do autêntico ser e dignidade da pessoa.

Matrimônio e família na história da salvação

A verdade do matrimônio e da família, que funde suas raízes na verdade do homem, encontrou aplicação na história da salvação, em cujo centro está a palavra: “Deus ama o seu povo!”. A revelação bíblica, na verdade, é antes de tudo expressão de uma história de amor, a história da aliança de Deus com os homens: por este motivo, a história do amor e da união de um homem e uma mulher na aliança do matrimônio pôde ser assumida por Deus como símbolo da história da salvação. O fato inefável, no mistério do amor de Deus pelos homens, toma sua forma lingüística do vocabulário do matrimônio e da família em positivo e em negativo: A aproximação de Deus ao seu povo é apresentada com a linguagem do amor esponsal, enquanto a infidelidade de Israel, a sua idolatria, é designada como adultério e prostituição.

No Novo Testamento, Deus radicaliza seu amor até tornar-se Ele mesmo, no seu Filho, carne da nossa carne, verdadeiro homem. Neste modo, a união de Deus com o homem assumiu a sua forma suprema, irreversível e definitiva. E deste modo se traça também pelo amor humano a sua forma definitiva, esse “sim” recíproco que não se pode revogar: não aliena o homem, mas o liberta da alienações da história por reportá-lo à verdade da criação. A sacramentalidade que o matrimônio assume em Cristo significa, portanto que o dom da criação foi elevado à graça da redenção. A graça de Cristo não se sobrepõe desde fora à natureza do homem, não a violenta, mas a liberta e a restaura, ao elevá-la mais além de suas próprias fronteiras. E como a encarnação do filho de Deus revela o seu verdadeiro significado na cruz, assim o amor humano autêntico é doação de si, não pode existir se evita a cruz.

Queridos irmãos e irmãs, este laço profundo entre Deus e o homem, entre o amor de Deus e o amor humano, é confirmado por algumas tendências e desenvolvimentos negativos, cujo peso experimentamos todos. O envelhecimento do amor humano, a supressão da autêntica capacidade de amar se apresenta em nosso tempo como a arma mais eficaz para que o homem afaste de Deus, para afastar Deus do olhar e do coração do homem. Agora, a vontade de «libertar» a natureza de Deus leva a perder de vista a realidade mesma da natureza, inclusive a natureza do homem, reduzindo-a a um conjunto de funções, das quais se pode dispor segundo seus próprios gostos para construir um suposto mundo melhor e uma suposta humanidade mais feliz, pelo contrário, destrói-se o desígnio do Criador e ao mesmo tempo a verdade de nossa natureza.

Os filhos

Também na procriação dos filhos o matrimônio reflete seu modelo divino, o amor de Deus pelo homem. No homem e na mulher, a paternidade e a maternidade, como sucede com o corpo e com o amor, não se circunscrevem ao aspecto biológico: a vida só se dá totalmente quando com o nascimento se oferecem também o amor e o sentido que fazem possível dizer sim a esta vida. Precisamente por isto, fica claro até que ponto é contrário ao amor humano, à vocação profunda do homem e da mulher, o fechar sistematicamente a própria união ao dom da vida e, ainda mais, suprimir ou manipular a vida que nasce.

Agora, nenhum homem e nenhuma mulher, por si só e só com suas próprias forças, pode dar adequadamente aos filhos o amor e o sentido da vida. Para poder dizer a alguém: «tua vida é boa, ainda que não conheça teu futuro», são necessárias uma autoridade e uma credibilidade superiores, que o indivíduo não pode dar-se por si só. O cristão sabe que esta autoridade é conferida a essa família mais ampla que Deus, através de seu Filho, Jesus Cristo, e do dom do Espírito Santo, criou na história dos homens, ou seja, a Igreja. Reconhece a ação desse amor eterno e indestrutível que assegura à vida de cada um de nós um sentido permanente, ainda que não conheçamos o futuro. Por este motivo, a edificação de cada uma das famílias cristãs se marca no contexto da grande família da Igreja, que a apóia e a acompanha, e garante que há um sentido e que em seu futuro se dará o «sim» do Criador. E reciprocamente a Igreja é edificada pelas famílias, «pequenas Igrejas domésticas», como as chamou o Concílio Vaticano II («Lumen gentium», 11; «Apostollicam actuositatem», 11), redescobrindo uma antiga expressão patrística (São João Crisóstomo, «In Genesim serm.» VI,2; VII,1). Neste sentido, a «Familiaris consortio» afirma que «o matrimônio cristão… constitui o lugar natural dentro do qual se leva a cabo a inserção da pessoa humana na grande família da Igreja» (n. 15).

A família e a Igreja

De tudo isto se deriva uma conseqüência evidente: a família e a Igreja, em concreto as paróquias e as demais formas de comunidade eclesial, estão chamadas à mais íntima colaboração nessa tarefa fundamental que está constituída, inseparavelmente, pela formação da pessoa e a transmissão da fé. Sabemos bem que para que aconteça uma autêntica obra educativa não basta uma teoria justa ou uma doutrina que comunicar. Necessita-se algo muito maior e humano, essa proximidade, vivida diariamente, que é própria do amor e que encontra seu espaço mais propício antes de tudo na comunidade familiar, e depois em uma paróquia ou movimento ou associação eclesial, nos que se encontram pessoas que prestam atenção aos irmãos, em particular às crianças e jovens, assim como aos adultos, anciãos, enfermos, às próprias famílias, porque, em Cristo, amam-nos. O grande patrono dos educadores, São João Bosco, recordava a seus filhos espirituais que «a educação é coisa de coração e que só Deus é seu dono» («Epistolário», 4,209).

A figura do testemunho é central na obra educativa, e especialmente na educação na fé, que é o cume da formação da pessoa e seu horizonte mais adequado: converte-se em ponto de referência precisamente na medida em que sabe dar razão da esperança que fundamenta sua vida. (Cf. 1 Ped 3, 15), na medida em que está envolvido pessoalmente com a verdade que propõe. O testemunho, por outro lado, não se assinala a si mesmo, mas assinala a algo, ou melhor, a Alguém maior que ele, com o qual se encontrou e de quem experimentou uma bondade confiável. Deste modo, todo educador e testemunho encontra seu modelo insuperável em Jesus Cristo, o grande testemunho do Pai, que não dizia nada por si mesmo, mas que falava tal e como o Pai o havia ensinado (Cf. João 8, 28).

Este é o motivo pelo qual no fundamento da formação da pessoa cristã e da transmissão da fé está necessariamente a oração, a amizade pessoal com Cristo e a contemplação nele do rosto do Pai. E o mesmo se pode dizer de todo nosso compromisso missionário, em particular, de nossa pastoral familiar: que a Família de Nazaré seja, portanto, para nossas famílias e comunidades, objeto de constante e confiada oração, assim como modelo de vida.

Queridos irmãos e irmãs, e especialmente vós, queridos sacerdotes: sou consciente da generosidade e a entrega com a qual servis ao Senhor e à Igreja. Vosso trabalho cotidiano pela formação na fé das novas gerações, em íntima união com os sacramentos da iniciação cristã, assim como também pela preparação ao matrimônio e pelo acompanhamento das famílias em seu caminho, que com freqüência, em particular na grande tarefa da educação dos filhos, é o caminho fundamental para regenerar sempre de novo a Igreja e também para vivificar o tecido social de nossa amada cidade de Roma.

A ameaça do relativismo

Segui, portanto, sem deixar-vos desalentar pelas dificuldades que encontrais. A relação educativa é, por sua mesma natureza, algo delicado: implica a liberdade do outro que, ainda que seja com doçura, de todos os modos é provocado a tomar uma decisão. Nem os pais, nem os sacerdotes, nem os catequistas, nem os demais educadores podem substituir a liberdade da criança, do adolescente ou do jovem a quem se dirigem. E a proposta cristã interpela especialmente a fundo a liberdade, chamando-a à fé e à conversão. Um obstáculo particular insidioso na obra educativa é hoje a massiva presença em nossa sociedade e cultura desse tipo de relativismo que, ao não reconhecer nada como definitivo, só tem como medida última o próprio eu com seus gostos e que, com a aparência da liberdade, converte-se para cada um em uma prisão, pois separa dos demais, fazendo que cada um se encontre fechado no próprio «eu». Em um horizonte relativista assim não é possível, portanto, uma autêntica educação: sem a luz da verdade antes ou depois toda pessoa fica condenada a duvidar da bondade de sua mesma vida e das relações que a constituem, da validez de seu compromisso para construir com os demais algo em comum.

Está claro, portanto, que não só temos de tentar superar o relativismo em nosso trabalho de formação de pessoas, mas que estamos também chamados a enfrentarmos seu predomínio destrutivo na sociedade e na cultura. Por isso, é muito importante que, junto à palavra da Igreja, dê-se o testemunho e o compromisso público das famílias cristãs, em particular para reafirmar a inviolabilidade da vida humana desde sua concepção até seu ocaso natural, o valor único e insubstituível da família fundada sobre o matrimônio e a necessidade de medidas legislativas e administrativas que apóiem as famílias na tarefa de engendrar e educar os filhos, tarefa essencial para nosso futuro comum. Por este compromisso vosso também vos agradeço de coração.

Sacerdócio e vida consagrada

A última mensagem que gostaria de deixar-vos afeta a atenção pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada: todos sabemos a necessidade que tem a Igreja! Para que nasçam e amadureçam estas vocações, para que as pessoas chamadas se mantenham sempre dignas de sua vocação, é decisiva antes de tudo a oração, que não deve faltar nunca em cada uma das famílias e na comunidade cristã. Mas também é fundamental o testemunho de vida dos sacerdotes, dos religiosos e das religiosas, a alegria que expressam por haver sido chamados pelo Senhor. E é assim mesmo essencial o exemplo que recebem os filhos dentro de sua própria família e a convicção nas famílias de que a vocação dos filhos é também para elas um grande dom do Senhor. A opção pela virgindade por amor de Deus e dos irmãos, que é exigida para o sacerdócio e a vida consagrada, está acompanhada pela valorização do matrimônio cristão: a uma e a outra, com duas formas diferentes e complementares, fazem em certo sentido visível o mistério da aliança entre Deus e seu povo.

Queridos irmãos e irmãs, confio-vos estas reflexões como contribuição a vosso trabalho nas noites do Congresso e depois durante o próximo ano pastoral. Peço ao Senhor que vos dê valentia e entusiasmo para que nossa Igreja de Roma, cada paróquia, cada comunidade religiosa, associação ou movimento participe intensamente na alegria e no esforço da missão e deste modo cada família e toda a comunidade cristã redescubra no amor do Senhor a chave que abre a porta dos corações e que faz possível uma autêntica educação na fé e na formação das pessoas. Meu afeto e minha benção vos acompanham hoje e no futuro.” (Bento XVI – 06 de junho de 2005).

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Publicado em ACI Digital. Extraído de A Santa Sé – “Documentos” – Site Oficial do Vaticano – Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé» – 06 de junho de 2005.

“Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência.” – Artigo – Mês Mariano – Pe. Stefano M. Pio Manelli – Fundador da Ordem dos Fadres Franciscanos da Imaculada (Agência de Notícias Zenit – Roma – 05.05.2012)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José – Brasil

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Fonte: Agência de Notícias Zenit – Roma

A Virgo Prudens

O fundador dos Frades Franciscanos da Imaculada explica a virtude mariana da prudência

Por Pe. Stefano M. Pio Manelli

ROMA, sábado, 05 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência. Na verdade, nas extraordinárias palavras  de saudação do anjo Gabriel – “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28) – o evangelista São Lucas diz que a Virgem Maria ficou rapidamente amedrontada, tocada ou perturbada. Por quê? Por causa da intervenção da virtude da prudência!

Está na natureza da virtude da prudência, de fato, o dever de alertar a pessoa de toda precipitação ou juízo precipitado das coisas, ajudando a dar-se conta primeiramente do que escuta, do que vê e do que acontece. A estas palavras notáveis do Anjo, a virtude da prudência se fez presente e colocou em guarda a jovem virgem Maria, comprometendo-a a refletir para avaliar prudentemente o significado destas palavras angelicais, em vez de exaltar-se sem dar-se conta do seu real significado.

Literalmente, de fato, o evangelista São Lucas diz que às belas palavras de saudação do Anjo, a Virgem Maria, muito prudentemente, antes de exaltar-se, “pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Prudência e deliberação caminham lado a lado com estas palavras do evangelista, e muito mais, unem-se profundamente no comportamento da virgem Maria.

Junto com a perturbação inicial de Nossa Senhora, de fato, o Anjo Gabriel, em seguida, dá uma explicação, não menos extraordinária também: “Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o rono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33 ).

Nas palavras do Anjo, portanto, continua a revelação de coisas realmente extraordinárias; coisas grandes, coisas enormes, coisas humanamente incríveis, que, querendo, podem ser resumidas nas palavras: Tu, Virgem Maria, serás mãe do mesmo Filho de Deus!
http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com.br/2009/12/liturgia-01-de-janeiro-santa-maria-mae.html
A estas palavras do Anjo, agora, poderíamos pensar que imediatamente, por parte da Virgem Maria, não havia mais nada a fazer, a não ser alegrar-se e exaltar-se até o sétimo céu, regozijando-se de uma alegria divina sem medida. Porém, isso não aconteceu. Por quê?

Maria, de fato, até mesmo depois das outras palavras do Anjo, apresenta-se com a sua prudência e circunspecção, não se exaltando para nada com as palavras tão sublimes que o Anjo Gabriel disse à ela e que diz respeito especificamente ao plano de Deus para ela.

É próprio da virtude da prudência, de fato, observar com cuidado cada coisa, para saber discernir o bem do mal, evitando assim, qualquer risco de dano a si ou aos outros. A este respeito, no entanto, surge uma pergunta: mas era possível que por parte do Anjo Maria recebesse algo de mal ou de inconveniente? Trata-se de um anjo enviado por Deus!

A resposta a esta razoável pergunta fica ainda no ar, porque Maria, refletindo prudentemente nas palavras do Anjo, capta um ponto problemático com relação à sua condição pessoal de virgem consagrada a Deus, e por isso ela pode imediatamente perguntar como acontecerá isso que o Anjo disse, tendo ela já consagrado a sua virgindade a Deus: “Como é possível? Eu não conheço homem”(Lc 1, 34). Isto é: como ela poderá se tornar Mãe do Filho de Deus sem trair a oferta da sua virgindade a Deus? O problema, portanto, era realmente grande para Maria, era crucial.

Se é verdade que ela deveria rapidamente exaltar-se com o projeto de uma tão sublime maternidade divina, como conciliá-lo, no entanto, com a já consagrada virgindade dela a Deus? De alguma forma ela pode tirar de Deus o que já lhe tinha doado e que pertence somente a Ele? Será que Ela pode não mais prestar atenção à sua virgindade dada a Deus? … São perguntas realmente delicadas e intrigantes!

Prudência e circunspecção respondem não. Neste caso, só Deus podia resolver o assunto, porque é sagrado dever da criatura salvaguardar sempre o direito de Deus ao qual pertencia a virgindade que Maria já lhe tinha oferecido.

E aqui estão as últimas palavras do Anjo à Virgem que tem se mostrado tão atenta e prudente: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a potência do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Aquele que nascerá será, portanto, chamado Santo e Filho de Deus”(Lc 1, 35).

Neste ponto, a conclusão desta lição altíssima sobre a virtude cardeal da prudência foi a resposta final de Maria ao Anjo que agora pôde dizer-lhe com toda a sua alma: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra “(Lc 1, 38).

Que a  “Virgo Prudens ” nos ensine também a preciosa virtude cardeal da prudência!

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Publicado em Agência de Notícias Zenit – Roma.

As causas da aprovação do Aborto pelo STF no Brasil – Entrevista com sacerdote diocesano Hélio Luciano, especialista em Bioética e Teologia Moral, pela Espanha e Itália (Agência de Notícias Zenit-Roma, Brasil – 18.04.2012))

Crianças iniciam catequese na Capela São José

Fonte/imagem: Ordem dos Carmelitas Descalços – Boletim de Notícias – Província – Brasil – “Comunidade inicia encontros de catequese

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O assunto é polêmico no mundo inteiro. Logo abaixo, apresento uma entrevista com o Padre Hélio Luciano, publicada na Agência Zenit (.org). hoje, dia 18, sobre a aprovação do aborto de bebês anencéfalos no Brasil, dia 11 deste mês, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na esteira desta aprovação, em breve, o processo de legalização do aborto irrestrito (mas com especificação quanto ao número de meses de gestação) vai seguir seu curso. Há alguns países na Europa principalmente, onde o aborto pode ser realizado legalmente, com apoio da rede pública de saúde, mesmo que a mulher esteja com mais de seis, e mesmo nove meses de gestação.

É bom lembrar que há cerca de quatro anos, na Câmara de Deputados, este processo foi repudiado, através das representações de vários setores da sociedade e das organizações pró-vida. O grupo de deputados e deputadas, chamados “Pró-Escolha” (“Pelo livre direito da mulher de decidir”), descontentes e temerosos diante da pouca receptividade dos movimentos públicos presentes, prometeram trazer o projeto de volta ao Congresso Nacional.

Um aspecto interessante é que em países como os Estados Unidos, em que há cerca de três décadas, o aborto é liberado, e do mesmo modo, na Itália, aumentam os movimentos para a reversão da lei que legalizou a prática do aborto. Na verdade, em geral, quando é livre, aumenta o número de abortos. Na Itália, devido às campanhas “Pró-Vida” (“Pelo direito do nascituro”), o número vem diminuindo, mas ainda é considerado excessivo pelas autoridades italianas. (LBN)

Leia também: “Pela vida da mãe e de seu filho” – Artigo – Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP) – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – 19.03.2012 – Blog “Castelo Interior”.

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Fonte: Agência de Notícias Zenit – Roma

As causas da aprovação do aborto de

anencéfalos pelo STF no Brasil

Por Thácio Siqueira

BRASILIA, quarta-feira, 18 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Diante da aprovação do STF sobre o aborto dos anencéfalos Zenit entrevistou o padre Hélio, experto da área de bioética, com a finalidade de refletir um pouco mais sobre as causas dessa aprovação.

Pe. Hélio é sacerdote diocesano da diocese de Florianópolis (SC), graduado em odontologia pela UFSC, no Brasil, graduado em filosofia e teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, Mestrado em bioética pela mesma Faculdade; Mestrando em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), na Itália, doutorando em bioética pela Faculdade de Medicina do Campus Biomedico di Roma (UNICAMPUS), na Itália e Mebro da Comissão de Bioética da CNBB. Para contato: hélio_bioetica@hotmail.com

A seguir publicamos a entrevista:

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O senhor acaba de retornar ao Brasil depois de um período de estudos na Europa. E chegou bem na hora em que o STF aprovava o aborto de bebês anencéfalos. Ainda que os Ministros Brasileiros tenham se sentido portadores de Novas idéias e Revoluções Éticas e Morais, o senhor não acha que estamos diante de pensamentos antigos, que pelo menos há uns dois ou três séculos invadiram o mundo Cristão Ocidental com mais força?

Sem nenhuma dúvida. Toda essa “pseudo-revolução” atual no Brasil – liderada por “pseudo-intelectuais” – não é nada novo na história da humanidade. São ideias da Idade Moderna (séculos XV a XVIII), que foram redesenhadas na primeira metade do século XX e que agora, atrasadamente, chega ao Brasil com maquiagem de ideias pós-contemporâneas. Insisto que é um movimento liderado por “pseudo-intelectuais”, pois não representam de nenhum modo o pensamento e os valores defendidos pela sociedade brasileira. Estes “líderes” querem colocar em prática ideias da Revolução Francesa com o objetivo de “iluminar” o povo brasileiro – mesmo que seja necessário ir contra a vontade deste povo.

Para o senhor, que acaba de chegar ao Brasil, qual é a impressão que tem ao ver um país com maioria Católica aprovar algo que vai contra a Moralidade Cristã e até mesmo contra a Razão científica e médica? 

Como você bem diz na pergunta, a decisão contra a vida das crianças anencéfalas não foi apenas uma decisão contra valores cristãos ou católicos. Foi uma aberração jurídica, científico-positiva, ética e moral. O Supremo Tribunal Federal não é competente para realizar a interpretação de uma lei de modo contrário à própria letra da lei, principalmente quando o texto está claramente redatado – este é um princípio básico de hermenêutica jurídica. A questão científica é clara: trata-se de uma vida, pois se a criança estivesse morta não haveria nada para ser julgado. Quanto à ética, é de uma lógica natural que não podemos matar a um inocente. Por fim vem a questão moral, que, baseada na ética, pode ir mais além, assumindo também valores próprios de uma religião, no caso do Brasil a religião Católica e de um modo mais geral as religiões cristãs. Ir contra esses valores não é proclamar a laicidade do Estado, mas fechar os olhos para os valores próprios e históricos de uma nação.

Será que mais do que uma aprovação do Aborto não se busca uma afirmação de um Governo Laicista que pretende mostrar o seu poder diante de tudo o que seja Religião, principalmente diante daquela instituição que tem maior presença como é a Igreja Católica?

Voltamos aqui à questão do modernismo/ Iluminismo. A intenção é fazer que o Estado assuma totalmente a função da religião e tentam fazer isso eliminando os valores próprios da Igreja, como se estes valores não tivessem base no próprio modo de ser humano e não constituíssem os valores e a identidade da Nação. Um Estado laico é necessário – a separação entre Igreja e Estado foi um grande avanço para ambas instituições – porém um Estado laicista, que, ao invés de independência da Religião tenta fazer-se contrário à mesma, é um Estado que desrespeita uma dimensão fundamental do homem – a religiosa.

Porém, esquecem que é justamente através dessas manobras laicistas que despertarão “o Gigante brasileiro”, que possui “filhos que não fugirão à luta”.

As vezes parece que, na nossa “sociedade democrática”, todos podem opinar, menos os cristãos e menos ainda os católicos. O senhor acha o mesmo?

Se por democracia entendemos um governo representativo dos valores da população, isso não deveria ser assim. Porém, se a interpretação de “sociedade democrática” for a mesma de “sociedade laicista”, o que haverá – e de fato há – será uma clara discriminação e preconceito a todos os tipos de valores não só religiosos, mas também éticos e morais.

Hoje em dia o único preconceito válido é contra a Igreja e contra os sacerdotes – para este preconceito não existe lei nem punição.

Os argumentos utilizados para defender o aborto do bebê anencéfalo, às vezes, são comoventes e com histórias que parecem convincentes. Escuta-se muito por aí, até mesmo de católicos fervorosos e estudados, que seria muito melhor “interromper” a gestação e que esta interrupção não poderia ser chamada de aborto, já que o ser que estava no ventre materno não estava vivo e nem era uma pessoa. O que o senhor acha disso?

Se não fosse vivo não poderia ser cometido um aborto. Alguns dirão, é vivo, mas não seria humano. Essas pessoas teriam que explicar que espécie de vida seria então – Vegetal? Animal? Com DNA humano?

Os argumentos nesses casos sempre exploram o “sentimentalismo” tão característico do povo brasileiro. Mas não são argumentos racionais e nem mesmo verdadeiros.

Não podemos negar que se trata de uma situação muito complicada para a mãe, pois sabe que o seu filho, que carrega no ventre, não viverá muito tempo. Porém sabemos que mesmo sentimentalmente as mães sofrerão muito mais por terem sido “carrascos” ou mandantes da morte do seu próprio filho do que pela perda natural do mesmo.

Por exemplo, em grandes cadeias de televisão do nosso Brasil mostraram casos de mães que foram “obrigadas” a levar a gestação adiante e que hoje agradecem o governo brasileiro por terem libertado as mães do Brasil desta escravidão, de terem que levar nos seus ventres uma “criatura morta” e sem vida, sem terem a ajuda legal para poder interromper a gestação, ou seja, abortar. O que o senhor acha disso?

Infelizmente alguns meios de comunicação tem se esforçado por difundir ideias consideradas “politicamente corretas”, ainda quando contrárias à natureza própria do ser humano. A estratégia tem sido fazer acreditar que todo o Brasil está de acordo com essas ideias, sendo que o simples telespectador sente-se uma exceção.

Neste caso específico aproveitaram do sofrimento real dessas mães grávidas de anencéfalos para utilizá-las, estrategicamente. Porém não mostraram nenhum caso de mãe que tenha de fato abortado a seu filho anencéfalo, pois essa verdade não ajudaria na estratégia de aprovação.

Outra estratégia foi a de considerar anencéfalos somente os casos mais graves de anencefalia, desconsiderando – e consequentemente não mostrando – crianças anencéfalas já nascidas, como a menina Vitória, por exemplo, que já tem mais de dois anos e estava presente no julgamento do STF. Assim, a opinião pública foi induzida a acreditar que crianças anencéfalas não possuíam nem mesmo cabeça, ao mesmo tempo em que, na prática, se sabe que o diagnóstico de anencefalia é muito difícil de ser auferido e graduado. A partir de agora, todos os casos – inclusive o de crianças como a Vitória – tornaram-se passíveis de aborto.

A lei está aí. Sabemos que lei não é sinônimo de moralidade, mas podem realmente existir leis que vão contra a moralidade?

A lei humana deve sempre responder ao bem do homem e ao bem comum da sociedade. Caso contrário, deixa de ser uma lei e torna-se uma violência contra o homem e a sociedade. Sendo assim, cada pessoa tem a obrigação de desobedece-la.

O nosso dever agora é tentar frear o ativismo legislativo do Supremo Tribunal Federal que surgirá a partir desse juízo. Certamente, decorrente desse último juízo, não tardará a questão do aborto de crianças em outras situações graves. Além disso, de acordo com o voto de muitos dos juízes legitimando o aborto de anencéfalos pela incapacidade dessas crianças de vir a ter consciência plena, não duvidaria que o tema da eutanásia viesse a ser a seguinte polêmica.

Publicado em Zenit.org.

Sobre a decisão do STF quanto à votação do aborto de bebês anencéfalos: “A opção por uma cultura de morte ou de vida vai depender dessas decisões.” – Dom Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) – CNBB (Agência de Notícias Zenit.org – Roma – 17.04.2012)

(…) Mesmo sabendo que nem tudo aquilo que é legal é moral, colocamos diante da sociedade a preocupação com o direcionamento que tem sido dado à sociedade em certos tipos de legislação que, sem dúvida, terá consequências históricas em nossa cultura.(…)” Dom Orani João Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

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Fonte: Zenit.org (17.04.2012)

BRASILIA, terça-feira, 17 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir uma reflexão de Dom Orani Tempesta, tirada do site da CNBB, feita no dia da Votação do Aborto de Bebês anencéfalos, pelo STF, no dia 11 de Abril.

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A opção por uma cultura de morte ou de vida vai depender dessas decisões

Reflexões de Dom Orani Tempesta no dia da Votação do Aborto de Bebês anencéfalos

Dom Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O Supremo Tribunal Federal está prestes a julgar uma das causas mais polêmicas que habitam seus escaninhos: o aborto de meroanencefalia (meros = parte), comumente denominado anencéfalo. E esta polêmica se justifica pelo fato de que este tema envolve aspectos médicos, jurídicos, sociais e culturais.

Além disso, as decisões que aqueles que têm a responsabilidade de bem interpretar a “Constituição Cidadã” terão consequências na história, na compreensão do valor que uma sociedade dá à vida. Realmente é uma gravíssima situação.

Primeiramente, vale esclarecer que a anencefalia é caracterizada pela ausência dos ossos do crânio, com exceção do osso frontal, com má formação (ou ausência) dos hemisférios cerebrais.  A criança nasce com vida, contudo, há curta expectativa de vida extrauterina, embora se tenha notícias de maior durabilidade em alguns casos.

E aqui reside um aspecto relevante para a abordagem do assunto. O anencéfalo possui vida porque há atividade encefálica, atividade esta que deve cessar para que seja declarada a morte do paciente. Além disso, a criança portadora de anencefalia apresenta atividade respiratória, inclusive sem uso de aparelhos, o que reforça a caracterização da vida.

Dessa forma, a antecipação do parto de anencéfalos, como tratado no processo em trâmite no STF, se assemelha ao aborto porque se abrevia a expectativa de vida do nascituro. A propósito, outro aspecto importante é que o ordenamento jurídico pátrio atribui personalidade civil e direitos ao nascituro, como preceitua o Código Civil Brasileiro. Portanto, a legislação brasileira não permite que esses direitos sejam cessados por ato voluntário e arbitrário de quem quer que seja, sob pena de se sujeitar às sanções penais.

Na mesma linha corroborada pelo Código Civil, a própria Constituição Federal enuncia a vida como um direito fundamental, como esculpido no “caput” do artigo 5º. E é fato que nos casos de anencefalia há vida intrauterina, a qual, repise-se, não pode ser cessada ou abreviada por circunstâncias arbitrárias.

Também a Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece a necessidade de proteção legal à criança, antes e depois do nascimento, amparando a vida intrauterina, característica nos casos de anencéfalos. Com efeito, a antecipação do parto dessa natureza se distancia da proteção à criança, de que trata essa Convenção.

Finalmente, é importante ressaltar que a curta expectativa de vida não permite se dispor dos demais direitos do anencéfalo, inclusive o direito à vida, como estabelecido pela Carta Magna. Dessa forma, por todos esses motivos, a antecipação do parto de anencéfalos se distancia de todas as bases e parâmetros sobre os quais foram construídas as normas que regem o Estado Democrático de Direito.

Mesmo sabendo que nem tudo aquilo que é legal é moral, colocamos diante da sociedade a preocupação com o direcionamento que tem sido dado à sociedade em certos tipos de legislação que, sem dúvida, terá consequências históricas em nossa cultura. A opção por uma cultura de morte ou de vida vai depender dessas decisões.

Olhamos com carinho para as mães que sabemos acabam entrando nessa história levadas pelas pressões atuais, e acabam sofrendo muito mais com esse atentado em suas vidas.

Para nós, cristãos e católicos, será triste ver vencer uma cultura de morte justamente na semana da oitava da Páscoa, quando falamos e anunciamos exatamente o contrário – a vida que vence a morte!

Espero que uma história bem imparcial julgue, no futuro, os passos que hoje estão direcionando nossa sociedade.

Fonte CNBB.

Publicado em Agência de Notícias Zenit.org.

Papa Bento XVI em seu 85º aniversário: “A luz do Ressuscitado me faz andar com segurança” – 16 de abril de 2012 (Agência de Notícias Zenit – Roma)

Fonte/imagem: Diocese de Guarulhos

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Fonte: Agência de Notícias Zenit – “O mundo visto de Roma”

A luz do Ressuscitado me faz andar com segurança

No seu 85º aniversário, Bento XVI indica Bernadette Soubirous e o Sábado Santo, como suas referências espirituais.

Por Luca Marcolivio

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 16 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – O 85º aniversário de Bento XVI teve uma manhã cheia de celebrações, visitas e festejos. O Santo Padre, para a ocasião, presidiu a Santa Missa na Capela Paulina do Palácio Apostólico na presença de alguns notáveis e de bispos Bavareses, recebidos depois em audiência privada.

Na saudação inicial, o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício agradeceu o Pontífice pela “dedicação” com a qual exercita o seu “serviço de amor”.

“Não por acaso – acrescentou Sodano – a Sua primeira Encíclica (Deus Caritas est, ndr) foi todo um hino ao Amor que é Deus, como àquele amor que deve animar cada Pastor, chamado a fazer entrar no mundo a luz de Deus e de tal forma também o calor do seu amor”.

Na homilia o Papa indicou em dois santos franceses, as primeiras figuras de referência da sua longa viagem espiritual e pastoral: a vidente de Lourdes, Bernadette Soubirous, e o peregrino mendicante do XVIII século, Bento José Labre.

Outro pilar da própria fé foi indicado pelo Santo Padre no Sábado Santo: pois era justo na vigília de Pascoa que Joseph Ratzinger, no dia 16 de abril de 1927, vinha à luz e recebia o sacramento do Batismo. O Sábado Santo é o dia do silêncio e da aparente ausência de Deus, prelúdio da Ressurreição. O Papa afirmou de sempre ter visto este dia como uma chave de “leitura” da própria existência, antes e depois da eleição pontifícia.

Elogiou em Santa Bernadette a pureza de coração e a capacidade de ver “a Mãe de Deus e nela o reflexo da beleza e da bondade de Deus”. É no coração incontaminado da jovenzinha de Loudes que Nossa Senhora pôde “mostrar-se e, por meio dela, falar ao século e além do mesmo século”.

Assim, seja o Sábado Santo que a vidente de Lourdes, sempre foram, para Bento XVI, um “sinal” do que realmente “devemos ser”, da capacidade de um “olhar simples do coração, capaz de ver o essencial”.

Este “essencial” reside no que Nossa Senhora indica a Bernadette: uma “fonte de água viva e pura”, imagem da “verdade que encontramos pela fé”. É sinal de “nostalgia” de uma vida igualmente pura, “do ser humano sem pecado”.

Bento José Labre, o outro santo citado pelo Pontífice, peregrinou pelos santuários da Europa durante quase toda a sua vida, não fazendo outra coisa que “dar testemunho do que realmente conta”.

Labre, pela vastidão da sua peregrinação, foi um santo autenticamente “europeu” mas foi principalmente um santo que, em nome da fraternidade em Deus, soube derrubar as fronteiras.

Refletindo sobre o Sábado Santo e sobre o próprio batismo, acontecido neste dia, Bento XVI afirmou: “A vida se torna uma verdadeira doação se juntamente com ela pode-se doar também uma promessa que é mais forte do que qualquer desavença que nos possa ameaçar, se ela for imersa numa força que garanta que seja um bem ser um homem”.

Sendo assim o Batismo é sinal de “renascimento”, de “certeza que na verdade é um existir, porque a promessa é mais forte do que as ameaças”, graças à acolhida na “grande, nova família de Deus”.

O Santo Padre afirmou depois de sentir-se “no último trecho do percurso da minha vida e não sei o que me espera”. A luz do Ressuscitado, porém, é “mais forte do que toda escuridão” e ajuda também o Papa a “proceder com segurança”.

Concluindo Bento XVI “agradeceu de coração todos aqueles que continuamente me fazem perceber o ‘sim’ de Deus por meio da sua fé”.

[Tradução Thácio Siqueira]

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É possível enviar email parabenizando

ROMA, segunda-feira, 16 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – “Para o Papa Bento XVI começa uma semana cheira de muitas comemorações”, afirma a edição italiana do L’Osservatore Romano de ontem, 15 de Abril.

O Papa voltou nesta sexta-feira, 13 de abril, de Castel Gandolfo, onde se encontrava desde o Domingo de Páscoa, 48 horas antes do previsto, para estar com o seu irmão Georg Ratzinger, que estará com ele nos próximos dias, marcados por muitas celebrações: nesta segunda-feira, 16 de Abril, o Santo Padre Bento XVI completa 85 anos de vida; na quinta-feira, 19 de Abril, cumpre seu sétimo ano de pontificado e no dia 24 de março o solene início do seu pontificado.

“Bento XVI certamente não está só porque está rodeado pelo afeto de pessoas próximas e distantes e pela amizade dos santos: ad multos annos, beatissime pater, ad multos et felicissimos annos!”, conclui o L’Osservatore Romano do dia 15 de Abril, e ao qual todos nos unimos nesse dia com as nossas orações.

Hoje pela manhã, como informa Rádio Vaticana, a comemoração começou com uma missa celebrada na Capela Paulina do Palácio Apostólico, “com a presença de bispos e personalidades da Baviera”.

Também é possivel enviar um email para o Papa Bento XVI por ocasião do seu 85º aniversário de vida e pelo seu 7º aniversário da eleição à Sumo Pontífice através desse email auguri.benedettoxvi@vatican.va, conforme anunciado na Homepage da Santa Sé www.vatican.va

Publicado por Zenit.org – Agência de Notícias– Roma.

“SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU ,VÃ É NOSSA FÉ”(I COR 15,14.17) – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil.

Desejo a todos uma boa e santa Páscoa, em Cristo Jesus. Lembramos a Sua Paixão, no Calvário, e a Sua Ressurreição, para o perdão de nossas faltas e de toda a Humanidade – do passado, do presente e do futuro!

(Lúcia Barden Nunes)

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Fonte: OCDS – Província São José – Brasil

JESUS CRISTO NOSSA PÁSCOA E NOSSA RESSURREIÇÃO, GARANTIA DE NOSSA UNIÃO DEFINITIVA COM DEUS.

UM TÚMULO ESTÁ VAZIO!!!ALELUIA!!!

NOSSA VIDA É REGIDA PELA VITÓRIA DE JESUS!!!!

“A paixão de Cristo a partir dos olhos de uma mãe” – OCDS – Província São José – Brasil (YouTube)

Sexta-Feira Santa

06.04.2012

Minha profissão de Fé
Gostem ou não os ateístas, misoteístas, e outras tendências que negam o caráter transcendente da vida humana, creio em um resgate, em vida e após a morte. Ele veio através de Jesus Cristo.
Sou jornalista, e tenho pago o preço (e não reclamo!) de afirmar minha fé no Cristianismo. Hoje, Sexta Feira Santa – para muitos apenas um feriado – o mundo ocidental lembra a tragédia humana. Ela fica estampada no sacrifício deste homem fortíssimo, ma manso de coração há mais de dois mil anos no mundo ocidental. Mas gostem ou não, seu legado se afirma, com dificuldades, é verdade, por todo o Oriente (continentes árabe, asiático e africano). Por que temem tanto o que mesmo estes povos aceitam com alegria? Deixo a questão no ar.
Sob outro aspecto, somos capazes de tudo no intento de afirmarmos nossa existência, que, no máximo pode ultrapassar um século (pouco, e raramente). Jesus Cristo continua inspirando vidas no mundo inteiro, apesar das de nossas propensões ao Mal, ao que é destrutivo, ao egoísmo mortífero. Um Mal que pode aniquilar instantaneamente ou a longo prazo uma ou várias vidas, ou, a vida em si. Mas quem o propaga, a si próprio destroi, e de modo quase imperceptível com a passagem do tempo. Só vai lhe restando o vazio. Literalmente, para este, o inferno começa aqui…
A opção pelo relativismo enquanto cultura, no mundo ocidental, que, sob o manto da liberdade vem se impondo, já está dividindo a Humanidade em dois mundos: os que amam a si mesmo e nada mais, e os que amam o Bem e o Belo do espírito humano e da vida. Há muito decidi pela segunda opção e, que Deus me ajude, continuarei arcando com as consequências. Estou bem acompanhada, e por por muitos. Aliás, à revelia da “Babel” atual, sinto-me amparada por aquele que é sacrificado, mas ressuscita, vindo das trevas espirituais na morte física: Jesus Cristo. Ele não vive somente para uma grande parte dentro de todas as denominações o explorarem com venda de livros, cd’s, incitamento a grandes ofertas de dízimo – como numa chantagem para uma vida próspera, etc. Vive para nos resgatar da segunda morte: a do espírito em vida e após o seu término. Este espírito – a alma – vai reencontra a paz. A seu tempo, nossos corpos serão restituídos do sono eterno, e se unirão misteriosamente à alma que não perece – para o seu bem e, para o seu mal. Sua Ressurreição é a efetivação da esperança que alimentamos neste “vale de lágrimas”(*). (LBN)

* Termo da oração Salve Rainha.

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Fonte: ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS SECULARES (OCDS ) – Província São José.

“A PAIXÃO DE CRISTO A PARTIR DOS OLHOS DE UMA MÃE”

“Seis dias antes da Páscoa…” – Reflexões Franciscanas – Frei Almir Ribeiro Guimarães – OFM (2012)

Olá a todos! Amigos, amigas e visitantes!

Entramos na Semana Santa. Deixo, a princípio, uma reflexão do Pe. Antônio Sérgio P. de Magalhães, contida em uma publicação histórica e singela da Igreja Católica, no Brasil (Folhinha do Sagrado Coração de Jesus):

“Diante da cruz, sempre se descobre que Deus está presente, dando tudo: no Corpo e no Sangue, na vida de seu Filho, despojado, sem nada.”

Ceia do Senhor

Mensagem Bíblica

(Is 50, 6)

“Entreguei minhas costas aos que me batiam,

e minhas faces aos que me arrancavam a barba: não escondi o rosto,aos ultrajes e às cuspidas.”

Fonte/imagem: Paróquia São Lucas Evangelista – Servidores do Altar da Arquidiocese de Belém – Pará.

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Segunda-feira, 2 de abril de 2012

Seis dias antes da Páscoa…

Por Frei Almir R. Guimarães, OFM

Estamos em plena Semana Santa. Nossa atenção se volta para os últimos momentos da vida do Senhor Jesus, nossa esperança, nosso redentor e esposo de nossos corações. Sabemos perfeitamente que evocando os momentos da vida do Senhor, mormente, o que está ligado à sua paixão e morte, automaticamente, nosso pensamento voa para a noite da luminosidade, para o dia que o Senhor fez para nós, para Páscoa. Não somos discípulos do Cristo morto, mas do que reviveu para sempre.
Aquele que amamos, aquele que vai ocupando, aos poucos, todos os espaços do que chamamos de vida espiritual é o eleito do Pai, o Filho muito amado, no qual o Pai se compraz. Esse servo descrito por Isaías tem tudo a ver com o Esposo e Amado de nosso coração. “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas… não esmorecerá nem se deixará abater….eu o constitui com centro da aliança do povo, como luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
No final dessa semana uma claridade banhará a terra. Aquele que vai ser transfixado será luminosamente transfigurado.
O salmo de meditação (Sl 26) pode ser colocado nos lábios e no coração de Jesus: “O Senhor é minha luz e minha salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida, perante quem eu tremerei? (…) Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!”. Na silenciosa meditação desses dias escutamos a voz do Amado: “O Senhor é minha luz e minha salvação!”
Seis dias antes da Páscoa o Senhor foi a Betânia. Tinha o coração cheio de interrogações e de apertos. Antes de subir para Jerusalém queria ter a alegria do conforto do encontro com amigos de verdade: Marta, Maria e Lázaro. Estes ofereceram-lhe um jantar, esse momento de calma em que os corações tinham tempo para escutar os sons do interior: apreensão, incentivo e desejo de coragem, vontade de estar com gente fiel. E uma mulher inopinadamente resolve quebrar um frasco de perfume. Judas se mostrou incomodado com tal desperdício. Onde se viu? Tantos necessitados e aquele gasto à toa. O peito de Jesus quase que a estalar de dor teve ainda força de dizer energicamente: “Deixa-a, ela fez isto em vista da minha sepultura. Pobres sempre tereis convosco, enquanto a mim nem sempre me tereis”.
Tudo isso se passou seis dias antes da Páscoa…
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Publicado em Reflexões Franciscanas.

Visita de Bento XVI ao México: “Adeus, fiquem com Deus!” (Agência Zenit – 26.03.2012))

Papa Bento XVI em visita ao México - 24 de março de 2012.

Fonte/imagem: Visita do Papa ao México – Fotos da passagem de Bento XVI no México, onde chegou no último sábado, 24

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VISITA AO MÉXICO

Fonte: Agência Zenit – O mundo visto de Roma

26.03.2012

Adeus, fiquem com Deus!

Bento XVI se despede dos mexicanos, exortando a não acreditar na mentalidade utilitarista

Por Luca Marcolivio

GUANAJUATO, segunda-feira, 26 de março de 2012(ZENIT.org)  – A visita pastoral de Bento XVI ao México foi concluída. Às 8 da manhã, o Santo Padre fez seu discurso de despedida no aeroporto internacional de Guanajuato, na presença do presidente mexicano, Felipe Calderón, e outras autoridades civis, políticas e eclesiásticas, e muitos fiéis.

O Papa definiu a sua visita breve mas intensa e a sua conclusão não é o fim do meu afeto e da minha proximidade a um país que levo no íntimo de mim mesmo. Agradeço a todos que a acolheram nestes três dias e que fizeram possível este evento;  Bento XVI  pediu ao Senhor para que tantos esforços não tenham sido em vão e que com sua ajuda produzam abundantes e duradouros frutos na vida de fé, esperança e caridade de León e Guanajuato, do México e dos países irmãos da América Latina e do Caribe.

Diante da fé em Jesus Cristo e da devoção afetuosa a Maria Santíssima, particularmente venerada no México, o Papa renovou o convite aos mexicanos  para serem fiéis a si mesmos  e não deixarem se intimidar pela força do mal, para serem corajosos e trabalharem  a fim que a seiva de suas raízes cristãs  façam florescer o presente e o futuro.

Quanto à problemática antiga e recente do país centro americano, o Santo Padre afirmou que compartilha seja a alegria, seja a dor dos irmãos mexicanos e que os  coloca  aos pés da Cruz, no coração de Cristo, do qual jorrou a água e o sangue redentor.

A exortação de Bento XVI aos fiéis mexicanos foi a de não ceder à mentalidade utilitarista, que termina sempre com o sacrifício dos mais fracos e indefesos, fazendo um esforço solidário que permita à sociedade, renovar suas bases para alcançar uma vida digna, justa e em paz para todos.

A contribuição ao bem comum, prosseguiu o Papa, é também uma exigência de dimensão essencial do Evangelho que é a promoção humana e uma altíssima expressão da caridade.

E por fim o Santo Padre dirigiu aos mexicanos seu Adios! No verdadeiro sentido da tradicional expressão hispânica: fiquem com Deus! Sempre no amor de Cristo, onde todos nos encontramos e nos encontraremos.

No momento de deixar o território mexicano, a bordo de um B777 da Alitalia, direto para o aeroporto de Santiago de Cuba, Bento XVI dirigiu um telegrama ao presidente Calderón, agradecendo a hospitalidade recebida durante os três dias da visita pastoral.

O Papa confiou os mexicanos e seus governantes à amorosa proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, para que coerentemente com a vigorosa raiz cristã do país, prossigam cultivando por toda parte os valores morais e civis, para que se consolide a vida social por caminhos de paz, de concórdia e solidariedade.

(Tradução:MEM).

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Publicado em Agência Zenit.

“Pela vida da mãe e de seu filho” – Artigo – Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP) – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Fonte: Temas Polêmicos da Igreja Católica: “Aborto Não!” – Artigo (subtítulos):  Cultura de Vida e Aborto, Aborto e Estupro, Aborto de Anencéfalos Aborto – Direito de Decidir?, As Consequências do Aborto, Complicações Tardias do Aborto, Consequência sobre a Criança Não Nascida, Consequências Psicológicas, Consequências Sociais, Mensagem para Reflexão. Home: (16.03.2012)  http://temaspolemicosigreja.blogspot.com.br/2012/03/consolemos-nossa-mae.html

Links encartados na matéria:

http://www.providafamilia.org.br/site/secoes_detalhes.php?sc=52&id=362

http://www.providafamilia.org.br/site/secoes_detalhes.php?sc=50&id=382

http://temaspolemicosigreja.blogspot.com/2010/06/contra-o-sexo-antes-do-casamento.html)

http://www.providafamilia.org.br/site/secoes_detalhes.php?sc=33&id=70

Publicada por Taiana Froes em Junho 24, 2010.

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Línks relacionados (ao lado, no Blogroll do blog “Castelo Interior”, ao final da lista):

“Resources Medical” – Anti-Abortion (http://www.priestsforlife.org)

“This is a Suction Abortion” – Fr. Frank Pavone – “Priests for Life”.

Catholic Home School (Pro-Life Anti-Abortion) – Vídeo “Development of the Unborn Baby” (“Vídeo Pró-Vida; Anti-Aborto: Desenvolvimento de um Bebê por Nascer

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Pela vida da mãe e de seu filho

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

De novo, em pauta a questão do aborto. Estamos num ano eleitoral, os partidos vão costurando suas alianças e, como não podia deixar de ser, na pauta dos ajustes também entram questões polêmicas, em discussão há mais tempo na opinião pública e também no Congresso Nacional.

Há quem gostaria que certos temas delicados não estivessem nos grandes debates político-eleitorais, talvez para não exigir uma tomada de posição clara perante os eleitores; prefere-se, então, qualificá-las como “questões religiosas”, das quais o Estado laico não se deveria ocupar, nem gastar tempo com elas na discussão política… Não penso assim. Decisões sobre a vida e a morte de outros seres humanos, sobre o modelo de casamento, família e educação, sobre justiça social e princípios éticos básicos para o convívio social são questões do mais alto interesse e relevância política. Dizer que são “temas religiosos” significa desqualificar a sua discussão pública, relegando-os à esfera da vida privada, ou ao ativismo de grupos voltados mais para interesses particulares que para o bem comum. Tirar da pauta política esses temas também poderia sugerir que pessoas sem religião não precisam estar vinculadas a valores e convicções éticas, o que é falso e até ofensivo.

Preocupo-me quando ouço que, no Brasil, a cada ano, são realizados mais de um milhão de abortos “clandestinos” e que, tantas mil mulheres (número bem expressivo!), morrem em consequência de abortos mal feitos! Há algo que não convence nesses números e afirmações. Sendo clandestinos, como pode alguém afirmar com tanta certeza dados tão impressionantes? Maior perplexidade ainda é suscitada, quando isso é afirmado por uma autoridade representativa do Estado, mostrando que tem, supostamente, conhecimento seguro de uma violação aberta e grave da lei e nada fazendo para que ela seja respeitada para preservar tantas vidas! De fato, continua valendo a lei que veta o aborto indiscriminado no Brasil.

Esses números assombrosos, ou estão prá lá de superdimensionados e manipulados para pressionar e atingir, de maneira desonesta, objetivos almejados; ou então, alguém está faltando para com seu dever de maneira consciente e irresponsável,  deixando que a lei seja violada impunemente, em casos tão graves, onde vidas humanas inocentes e indefesas são ceifadas, às centenas de milhares, ou até na conta dos milhões!

É lamentável a morte de cada mulher, em conseqüência de um aborto clandestino e mal feito. Lamentável também é, e muito, a sorte trágica de cada ser humano, que tem sua vida tolhida antes mesmo de ter visto a luz. Se há um problema de saúde pública a ser encarado, a solução não deveria ser a instrumentalização dessa tragédia humana para promover a legalização do aborto.

Dar roupagem legal à tragédia curaria a dor e faria sossegar a consciência? Questão de saúde pública deve ser enfrentada com políticas voltadas para a melhoria da saúde e das condições de vida, e não para a promoção da morte seletiva. Uma campanha de conscientização sobre a ilegalidade das práticas abortistas protegeria melhor a mulher e o ser que ela está gerando; haveria muito a fazer para alertar contra os riscos do recurso às clínicas – nem tão clandestinas – de “interrupção da gravidez”. Alguém conhece alguma campanha do Governo, ou alguma política pública para desestimular práticas abortivas contrárias à lei e arriscadas para a saúde da mulher? Não seria o caso de fazer?

Está em curso a discussão sobre a reforma do Código Penal brasileiro; em muitas coisas, certamente, ele deverá ser revisto e adequado. No entanto, chama a atenção e merece uma reflexão atenta da sociedade a proposta relativa ao artigo 128, sobre novos casos de aborto “não puníveis”, além dos dois casos já previstos (risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro; cf http:/migre.me/845Dp).

No inciso I do artigo 128, propõe-se que não haja crime “se houver risco de vida ou à saúde da gestante”. A alusão ao “risco à saúde da mulher” é absolutamente vaga e, por si só, já ofereceria base para a universalização do aborto legal. No inciso II propõe-se que não haja crime se a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego de técnica não-consentida de reprodução assistida”. O que se pretende qualificar como “violação da dignidade sexual”? O delito, neste caso, não aparece configurado e poderia ser facilmente alegado, sem que ninguém fosse capaz de comprovar a real ocorrência dos fatos. Além disso, a “reprodução assistida” já está legalizada e regulamentada no Brasil?

No inciso III do mesmo artigo, propõe-se que não haja punibilidade quando, “comprovada a anencefalia, ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado pelo médico”. Além da anencefalia, já em discussão no STF, acrescentam-se outras “graves e incuráveis anomalias”, o que é preocupante, pois isso abriria as portas para uma inaceitável, do ponto de vista ético, “seleção pré-natal” dos indivíduos considerados “aptos” a viver e o descarte de outros, considerados “inviáveis”. É o controle de qualidade aplicado ao ser humano, já praticado em tempos passados por regimes condenados quase universalmente pelas suas práticas eugênicas. Vamos legalizar isso no Brasil agora?! No inciso IV, propõe-se que, “por vontade da gestante até a 12ª. semana de gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”, o aborto poderia ser praticado, sem penalidades. Passa-se ao médico o peso da decisão sobre a vida ou a morte de seres humanos. Acho isso absolutamente inadequado! É preciso refletir muito, para não legalizar a banalização da vida humana.

Publicado por CNBB em 12 de Março de 2012.


A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa (“Celebrando” – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas – SP – Brasil)

Fonte/imagem/artigo: Missionários Combonianos – Actualidades – “Quaresma 2012 dedicada às boas obras

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Fonte: CELEBRANDO – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas

TEMPO DE QUARESMA 2012

A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa que, com a morte e ressurreição de Jesus, tornou-se o grande referencial da nossa fé, o dia da vitória da Vida sobre a morte. A Quarta-feira de Cinzas marca, também, no Brasil, o início da Campanha da Fraternidade.

1. A Quaresma é o período de 40 dias que começa na quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo de Ramos, este ano no dia 1º de abril, quando tem início a Semana Santa. Nesses 40 dias, somos convidados a reviver a experiência dos 40 anos de travessia do deserto pelo povo de Israel e os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua Missão. Somos convidados a três atitudes que são os pilares da vida cristã: a Oração, relação do homem com Deus; o Jejum, relação do homem consigo mesmo; e a Caridade, relação do homem com o próximo. É um tempo rico de reflexão sobre a nossa vida, buscando valorizar o que temos feito de bom e dar um novo caminho ao que temos feito de ruim ou deixado de fazer. É o convite à conversão.

2. O nosso calendário civil é definido a partir da Festa da Páscoa, por isso a Quaresma varia de ano para ano. A festa da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início do outono. Neste ano de 2012 o outono começa no dia 21 de março, e a primeira lua cheia acontece no dia 06 de abril. Assim, a Festa da Páscoa acontece no domingo seguinte, dia 08 de abril. A partir desta data são definidas a Semana Santa, a Quarta-feira de Cinzas e, também, o Carnaval. A festa da Páscoa era primitivamente um ritual realizado por pastores que, para proteger as suas famílias e seus rebanhos dos espíritos maus, matavam um cordeiro e tingiam a entrada das tendas com o seu sangue. Por volta de 1250 anos antes de Cristo, esse ritual adquiriu um novo sentido, com a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Depois, com a ressurreição de Jesus, a Páscoa se tornou a principal festa dos cristãos, lembrando que Deus liberta seu povo através de Jesus Cristo, o novo cordeiro pascal.

3. Na Quarta-feira de Cinzas, nas missas celebradas nas Paróquias e Comunidades, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveiras ou palmeiras, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. Em procissão, os cristãos e cristãs recebem na fronte um pouco dessas cinzas para expressar o desejo e votos de assumir o processo de conversão que se iniciou no Batismo, por uma vida de oração, esmola e jejum. As cinzas nos lembram que todo orgulho, prepotência, bens materiais não são nada mais do que cinzas após a morte. Conscientes de nossa pequenez, somos chamados a ser agentes de transformação de uma sociedade injusta, desigual e violenta, através de obras, ações, do amor que entrega a própria vida pela vida do outro.

4. A Quarta-feira de Cinzas abre a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB desde 1964, destacando uma situação da realidade social para a reflexão das comunidades e de toda a sociedade. O tema deste ano é “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, um chamado à reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil,em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e na mobilização pela melhoria no sistema público de saúde.

Em todas as Paróquias e Comunidades da nossa região haverá Missa na Quarta-feira de Cinzas. Clique aqui para acessar a Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012.

Desejamos um excelente início de Quaresma!

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Publicado em CELEBRANDO – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas.

Há 50 anos chegava à Região Sul do Brasil, o grupo de Irmãs Carmelitas que fundaria o Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José – Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas.

Publicado em Ordem dos Carmelitas Descalços  Seculares (OCDS) – Comunidade Santa Teresa – Província do Carmo – Sul – Brasil. Pesquisa/fotosCarmelo Nossa Senhora da Assunção e São José – Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas – Curitiba – Paraná.

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Há 50 anos, chegava à Curitiba, no Paraná, mais exatamente, em 10 de fevereiro de 1960, o grupo de Irmãs Carmelitas, provenientes do Carmelo Santa Teresa, de São Paulo, Capital, para fundação  do Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José. O grupo era formado por dez pioneiras:  Madre Leopoldina de Santa Teresa , Madre Isabel dos Anjos, Ir. Inês de São Sebastião, Ir. Genoveva do Imaculado Coração de Maria, Ir. Teresa de Jesus, Ir. Maria de Lourdes, que depois retornou ao Camelo de S. Paulo. As acompanhavam o grupo das formandas Ir. Teresa Cristina de São José, Ir. Regina da Imaculada Conceição,  Ir. Maria de São José Ir. Maria Celina do Menino Jesus. Vieram a pedido do Arcebispo Dom Manuel da Silveira Delboux. Ao chegarem instalaram-se em uma pequena casa provisória.
No dia 18 de março de 1962, após uma solenidade, as Irmãs passaram para o novo prédio.

carmelo curitiba - o começo

. Veja mais abaixo, como está atualmente o Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José – Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas (fotos e texto publicados no site):

Como é Bonito…


Como é bonito Senhor, cada manhã te agradecer.

Mais uma vez teu amor vem me chamar para viver.

Contigo Deus de Amor, eu quero caminhar e assim por onde eu for, irás me acompanhar.

Como é bonito Senhor, cada manhã, ter o meu pão e desejá-lo também a cada um dos meus irmãos.

Como é bonito Senhor, cada manhã recomeçar, tendo a certeza e a fé que tua mão vai me guiar.

 

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Leia também o artigo:

Publicado em: Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas

Ideal Apostólico e Oração

Há uma passagem muito importante no livro Caminho de Perfeição que só agora podemos compreender perfeitamente à luz da teologia dos carismas. Diz assim:
“A princípio, quando se tratou da fundação deste mosteiro, não tive a intenção de estabelecer tanta aspereza no exterior (…). Nesta ocasião, tive notícias dos prejuízos e estragos que faziam os luteranos na França, e o quanto ia crescendo esta desventurada seita. Deu-me grande aflição, e, como se pudesse ou valesse alguma coisa, chorava com o Senhor, suplicando-lhe para remediar tanto mal. Parecia-me que mil vidas daria eu para salvação de uma só alma das muitas que ali se perdiam. Sendo mulher e ruim, senti-me incapaz de trabalhar como desejava para a glória de Deus. Tendo o Senhor tantos inimigos e tão poucos amigos, toda a minha ânsia era, e ainda é, que ao menos estes fossem bons. Determinei-me então a fazer este pouquinho a meu alcance, que é seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que estas poucas irmãs aqui enclausuradas fizessem o mesmo. Confiava na grande bondade de Deus, que nunca falta a quem por ele se decide a tudo deixar. Sendo elas tais como eu as pintava em meus desejos, entre suas virtudes desapareceriam minhas faltas, e assim poderia eu de algum modo contentar ao Senhor. E, ocupadas todas em orações pelos defensores da Igreja, pregadores e letrados que a sustentam, ajudaríamos, no que estivesse a nosso alcance, a este meu Senhor, tão atribulado por aqueles a quem fizera tanto bem. Até parece que esses traidores pretendem crucificá-lo de novo, deixando-o sem ter onde reclinar a cabeça.” (C 1, 1-2).

Clique aqui para ler os livros: Caminho de Perfeição e Castelo Interior

Ao estabelecer esse gênero de vida, feito de oração, penitência, silêncio e solidão, o plano da Santa Madre foi formar amigos fortes e fiéis de Cristo, preparados para fazer por Ele muito mais do que os próprios teólogos e sacerdotes. Bem convencida disto, a Santa prossegue:

“Ó, minhas irmãs no Cristo! ajudai-me a suplicar isto ao Senhor, já que para este fim vos reuniu aqui. Esta é a nossa vocação. Estes hão de ser vossos negócios. Estes, vossos desejos. Aqui se empreguem vossas lágrimas. Sejam estes os vossos pedidos e não, irmãs, súplicas por negócios do mundo” (C 1, 5).

E para que não paire dúvida alguma, acrescenta esta declaração terminante:

“Se vossas orações e desejos, disciplinas e jejuns não se empregarem no que deixei indicado, ficai certas de que não realizais nem cumpris o fim para o qual o Senhor vos reuniu aqui.” (C 3, 10).

Há quem pense que o Carmelo Teresiano atual deixa bastante a desejar em relação à sua vocação específica, pois não produz o mesmo número de místicos que no passado. Mas quem pode afirmá-lo com certeza? À primeira vista, pareceria natural que, dado o número atual de membros da Ordem (13.000 religiosas e 3.000 religiosos, segundo o cálculo de 1979,[4] comparados com 200 e 300 respectivamente do tempo da Santa Teresa), florescessem mais almas místicas do que no passado. Mas, na verdade, estes são dons gratuitos de Deus e só Ele sabe o porquê.

Mais ainda: este modo tão limitado e humano de encarar nossa vocação não é só dos estranhos à Ordem, mas também de seus próprios membros. Na época atual – de tão ativo apostolado no campo social -, não é incomum ouvir queixas e preocupações dos que acreditam que o Carmelo Teresiano moderno não participa como deveria desse apostolado, nem do apostolado missionário e educacional em que a hierarquia da Igreja Católica parece tão empenhada. Também não faltam algumas irmãs nossas de clausura que se sentem um pouco frustradas e sentem suas vidas um pouco vazia se não puderem participar – mesmo em termos limitados – do campo do apostolado social da Igreja junto aos pobres. Da mesma forma muitos leigos tem dificuldade de entender o porquê de “disperdiçar” uma vida ficando “presa por grades” e “sem poder fazer nada de concreto para ajudar quem precisa”.

Como é verdade que não há nada de novo sob o sol! Essas mesmas objeções foram apresentadas à Madre Teresa por algumas irmãs de seu tempo, e a Santa deu-lhes uma resposta concludente:

“A outra objeção é a de que não podeis nem tendes meios de ganhar almas para Deus. De boa vontade o faríeis. Contudo, não vos cabendo ensinar nem pregar a exemplo dos apóstolos, não sabeis como agir. A isso já respondi por escrito mais de uma vez – talvez mesmo neste Castelo, não sei. Como, porém, creio que a dúvida vos passe pela mente, junto com os grandes desejos que o Senhor vos dá, não deixarei de repeti-lo aqui. Já vos disse em outra parte (3M 2, 13) que algumas vezes o demônio nos inspira desejos magnânimos, para deixarmos de lado ocasiões atuais de servir a Nosso Senhor em obras positivas e realizáveis. Ficamos desejando coisas impossíveis. Muito fareis com a vossa oração, não há dúvida. Contudo, já não falo nisso. Só vos digo uma coisa: não queirais ajudar a todo o mundo. Contentai-vos em ajudar aqueles que estão em vossa companhia. A vossa obrigação para com eles é maior. Desse modo, a vossa obra será tanto mais meritória. Julgais que é pouco lucro abrasá-los todos com o fogo de vossa grande humildade, mortificação, diligência em servir às irmãs, caridade sincera para com elas e amor de Deus? Ou se, com as demais virtudes, os encheis de estímulo? Não é pequeno, mas grandíssimo proveito – e muito agradável serviço prestado ao Senhor. Vendo que realizais as obras a vosso alcance, Sua Majestade entenderá que faríeis muito mais se pudésseis. Assim vos dará o prêmio como se lhe tivésseis ganho muitas almas.” (7M 4, 14).

Para evitar mal-entendidos e para que suas filhas não pensassem que se esquivava da questão, a Santa acrescenta com clareza: “Direis que não é converter almas, porque todas aqui são boas e virtuosas. Que tendes vós com isso? Que vos importa? Quanto melhores e mais perfeitas, tanto mais os seus louvores serão agradáveis ao Senhor. Na mesma proporção, tanto mais as suas orações serão de proveito para os próximos. Enfim, minhas irmãs, concluo com este pensamento: não construamos torres sem alicerces firmes. O Senhor não olha tanto a magnificência das obras. Olha mais o amor com que são feitas. Se realizarmos o que está ao nosso alcance, o que depende de nós, Sua Majestade fará com que o continuemos realizando cada dia mais e melhor. Não nos cansemos logo. No breve tempo desta vida – que talvez dure menos do que pensamos – ofereçamos interior e exteriormente ao Senhor o sacrifício que estiver em nossas mãos. Sua Majestade o juntará com a oblação que de si mesmo fez ao Pai na cruz, por todos nós. Assim lhe conferirá o valor merecido por nosso amor, nossa boa vontade, ainda que as obras sejam pequeninas” (7M 4, 15).

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Livros de Santa Teresa de Ávila disponibilizados no site Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José – Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas – “Castelo Interior” e “Caminho de Perfeição“, no link  Livros .

A PARÁBOLA DA INSISTÊNCIA – Aluizio José da Mata – In Memoriam – Sociedade São Vicente de Paulo

 Aluizio José da Mata - Confrade da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) - Sete Lagoas (MG)In Memoriam – Aluizio José da Mata

Confrade da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP)

 Sete Lagoas (MG)

Fonte/imagem/artigo:  Diário Católico – MG

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Logo abaixo, com tristeza, apresento a notícia do falecimento exatamente há um ano atrás, de meu amigo virtual e administrador da lista de oração “Texto-Meditação” – Aluizio da Mata, da qual fui assinante durante cinco anos. Lamentamos sua partida, mas temos o conforto que dele ter sido um homem bom, de Fé sólida, solidário e atuante como confrade da Ordem Secular  Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), de Sete Lagoas, Minas Gerais. (LBN)

Aluizio faleceu aos 27 de Janeiro de 2011.
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Último artigo, em janeiro de 2011…

MARIANA: NÃO DÁ PARA ESPERAR MAIS…  – 13 janeiro 2011

Aluizio da Mata

Não sei se todos os que estão lendo este artigo, conhecem a história da Mariana.
Ela tem seus quatro anos de vida e tem lutado para mantê-la como uma guerreira. Portadora de leucemia, ela passou por todos os tratamentos necessários: quimioterapia, radioterapia, internações e mais internações, espera de um doador de medula óssea compatível…
E muitas orações. Depois de vários meses, foi encontrado o doador que poderá salvar a sua vida. É um menino americano, cujo nome nem sabemos. Depois de muitos preparos, exames e orações o transplante foi feito. A expectativa de que não houvesse rejeição do organismo que recebeu o transplante durou alguns dias e finalmente pôde-se dizer que ele teve o sucesso esperado. A medula da Mariana começou a funcionar. Mas, aí vem o que ninguém esperava. De tantos remédios, de tantos tratamentos, de tantas internações, eis que o quadro físico da Mariana começa a cobrar e ela tem passado a maior parte do tempo sobrevivendo por meio de aparelhos, com as funções dos pulmões muito afetadas, rins sem funcionar, com muito sangramento interno, está toda inchada e drenos em muitas partes do corpo.

É muito sofrimento para uma menina que nem começou a viver direito. Não falo do sofrimento dos pais, parentes e amigos, pois seria desnecessário. Basta o sofrimento dela. Agora mesmo fiquei sabendo que o pai dela, Érico, foi internado com comprometimento muito sério no fígado.

Aí vem o questionamento: Por que será que tudo isso está acontecendo?
Não tenho resposta e duvido que alguém a tenha. Eu pensava em escrever um artigo sobre a Mariana quando ela deixasse o hospital, livre de todo esse pesadelo, mas não dá para esperar mais. Seu estado de saúde se agravou bastante. A finalidade do artigo é de insistir no pedido de orações para ela e para todas as pessoas que estão na mesma situação. Não sei o que Deus tem reservado para ela, mas seja o que for, é preciso que tenhamos fé na misericórdia d’Ele. O pedido insistente de ajuda é válido. Jesus mesmo ensinou isto dizendo que uma pessoa que possa ajudar a outra ajudará mesmo que seja para se livrar do importuno. Como estava se referindo ao ser humano, imagine Deus recebendo nossos insistentes pedidos por uma pessoa doente…

 A PARÁBOLA DA INSISTÊNCIA

Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho que lhe oferecer. E o outro lhe responde lá de dentro, dizendo: a porta já está fechada e os meus filhos comigo já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar; digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos, por ser seu amigo, todavia o fará por causa da importunação, e lhe dará tudo o de que tiver necessidade (Lc 11, 5-8). A compaixão pelo amigo cansado e faminto leva aquele homem a importunar seu amigo vizinho, em momento impróprio. O que o levara a tomar aquela atitude era a situação de grande necessidade do amigo? Ele não decide importunar pelo simples prazer de importunar, mas porque foi constrangido pela necessidade do amigo. Sua insistência foi sua vitória. Veja como esta parábola pode nos ajudar a sermos mais insistentes em nossa vida de oração.

Hoje à tarde, conversando com o confrade Obed, ele me relatou diversos casos que presenciou, onde a mão de Jesus se fez sentir para curar pessoas doentes. Mas, ele disse que sempre houve antes de cada cura muita fé nas orações interpostas. Então, amigos católicos (Vicentinos, participantes de Grupos de Oração, participantes de Grupos na internet), membros de outras igrejas, está na hora de “importunarmos” o nosso Deus para que Ele derrame as graças necessárias para que o quadro clínico da Mariana seja revertido.

Jesus, que curou os leprosos, os coxos, os cegos e tantas outras pessoas que necessitavam de sua ajuda, volte seu olhar para a Mariana. Dê-lhe mais tempo de vida e encaminhe-a para ser um exemplo de Vossa misericórdia.
Amém.

SIMPLICIDADE VICENTINA – 9 janeiro 2011
Texto: Aluizio da Mata

Muitas coisas me encantam na Sociedade de São Vicente de Paulo. Uma delas é a simplicidade.
Uma pessoa que não seja vicentina e esteja acostumada a participar de reuniões de clubes sociais ou políticos há de estranhar, e muito, se assistir a uma reunião de uma de nossas Conferências Vicentinas.

Para começar, não verá tratamento diferenciado para qualquer pessoa, seja um médico, seja um mecânico, seja um grande empresário ou um dono de um pequeno comércio, seja um simples aposentado ou uma dona de casa. Todos são tratados igualmente.
Não há lugar de honra a ser ocupado por ninguém. Se alguém se senta à frente de todos é apenas para dirigir a reunião ou para ajudar o presidente nas tarefas de secretaria e tesouraria.

Todos os demais membros da conferência ficam sentados em cadeiras simples, às vezes até duras demais para corpos tão cansados da labuta do dia a dia. Ninguém se arvora a ser melhor do que qualquer dos confrades ou consócias. Não há diferença de tratamento, mesmo que a pessoa seja uma autoridade ou figura proeminente na sociedade civil. Uma prova do que estou falando vemos em momentos da reunião. Na chamada, os nomes são simplesmente os nomes. Nenhum título é colocado. A coleta financeira semanal é secreta, atitude sábia, pois ninguém sabe o que o outro colocou dentro da sacola. Todos os donativos entregues aos necessitados são em nome da Conferência, mesmo que ele tenha sido dado por um dos seus membros. Talvez, as únicas pessoas que possam ter um tratamento um pouco diferenciado sejam os participantes do clero, não por sua causa pessoal, mas por representar Jesus perante a humanidade. Infelizmente, são poucas as ocasiões que eles nos visitam.

Em qualquer reunião de Conferência, nota-se a simplicidade em tudo. Se olharmos em volta de nós em uma das nossas reuniões semanais, veremos a maioria dos presentes com roupas simples, podemos até dizer, bem ao estilo das pessoas sem vaidades. Todos conversam entre si, antes e depois da reunião. Impera, na grande maioria das vezes, uma amizade sincera. Todos sentem prazer em encontrar alguém e bater aquele papinho.

A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma entidade interessante, pois não procura se engrandecer. Não faz propaganda do seu trabalho semanal e, às vezes, até diário. Quase não se vê reportagem de rádio, televisão, jornal ou revista dando ciência à população do trabalho que fazemos. Nas grandes catástrofes, em qualquer parte do mundo, os Vicentinos estão presentes lá, ajudando; mas, ninguém é entrevistado. Nenhum confrade ou consócia tem seu retrato estampado na mídia. Nessas ocasiões, muitas entidades e clubes de serviço fazem questão de lá comparecer, e isso é bom, pois a caridade não é monopólio de ninguém. Mas, normalmente, elas e eles são destacados pela mídia.

Outra coisa que a SSVP proporciona é a nossa satisfação em poder ajudar, não porque queiramos que haja pobres para efetuarmos o nosso apostolado, mas por sentir que somos úteis, sem esperar nenhum reconhecimento, já que “pobres sempre tereis convosco”, como disse Jesus.

A Sociedade de São Vicente de Paulo incorporou bem os ensinamentos de Jesus, principalmente aquele que diz: “Não saiba a tua mão esquerda o que fez a tua mão direita”, querendo dizer que a divulgação de toda ajuda feita ao necessitado já terá tido a sua recompensa, ao contrário daquela feita em silêncio, que terá a recompensa no Céu. Por ser uma entidade simples, que vive fazendo a caridade, tem ela a proteção de Deus e isso é garantia de que continuará existindo enquanto for movida pela caridade e pela simplicidade.

Textos escritos por  Aluizio da Mata (Confrade da Sociedade São Vicente de Paulo- SSVP – Sete Lagoas – MG)

 

 

IMITAÇÃO DE CRISTO: “Que se deve repousar em Deus acima de todos os bens e dons” – Tomás de Kempis – Livro III – Capítulo XXI

Fonte/imagem/artigo: Carmelo Santa Teresa ( Ordem dos Carmelitas Seculares – Província do Carmo Sul do Brasil)

Artigo: ” O CARMELO E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS”

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IMITAÇÃO DE CRISTO

LIVRO III

CAPÍTULO XXI

Que se deve repousar em Deus acima de todos os bens e dons

O DISCÍPULO

1.Minha alma, em tudo e sobre tudo descansa sempre em Deus, que é o eterno descanso dos Santos.

Dulcíssimo e amantíssimo Jesus, fazei que eu ache mais descanso só em Vós do que em todas as coisas criadas; mais do que na saúde e na formosura; mais do que na glória e na honra; mais do que no poder e nas dignidades; mais do que ciência e na sutileza; mais do que nas riquezas e nas artes; mais do que na alegria e divertimento; mais do que na fama e no louvor; mais do que nas delícias e nos prazeres. Fazei com que eu vos prefira a todas as esperanças  e promessas que nos dais; a todos os merecimentos e bons desejos que podemos ter; a todas as graças e graças e favores de que podeis encher-nos; a todas as consolações e doçuras que podemos receber de Vós. Fazei que eu ame mais descansar em Vós só do que em todos os anjos, esses espíritos celestiais; mais do que todo o visível e invisível; enfim, mais do que em tudo o que há fora de Vós, Deus meu!

2. Porque Vós só sois infinitamente bom; Vós só Altíssimo; Vós só Poderosíssimo; Vós só Suficientíssimo  e Pleníssimo; Vós só Suavíssimo e Amabilíssimo.

Vós só formosíssimo e amantíssimo. Vós só Nobilíssimo e Gloriosíssimo sobre todas as coisas, em que todos os bens sempre estiveram, estão e estarão eternamente juntos em suma perfeição.

Assim, é pouco, insuficiente tudo o que me dais ou prometeis, ou me descobris de Vós mesmo, não vos vendo,nem vos possuindo plenamente.

Porque o meu coração não pode dar-se por cabalmente satisfeito senão elevando-se acima de todas as criaturas, a fim de descansar Vós só.

3. Ó meu Jesus, esposo amabilíssimo e puríssimo amante as almas, Senhor de todas as criaturas!

Quem me dará asas de verdadeira liberdade para voar e descansar em Vós!

Oh! quando serei assaz desapegado  da terra para ver quão suave sois, Deus e Senhor meu!

Quando serei por tal modo absorto em Vós, por tal modo penetrado de vosso amor, que não sinta mais a mim mesmo e não viva mais senão em Vós, nessa união inefável e acima  dos sentidos, que nem todos conhecem!

Agora passo eu a vida nos gemidos e levo com dor o peso da minha miséria!

Porque neste vale de lágrimas encontro tantos males que me perturbam a miúdo, me entristecem e anuviam a alma; muitas vezes me cansam e embaraçam, distraem-me, apoderam-se de mim e me impedem de ter livre entrada junto de Vós; privam-me desses deliciosos amplexos de que gozam sempre e sem obstáculos os espíritos bem-aventurados, que assistem em vossa presença!

Ó meu Deus, ouvi os meus suspiros e tornai-vos sensível a tantos males que sofro sobre a terra!

4. Ó Jesus! Esplendor da eterna glória, alívio da alma aflita neste desterro! Minha boca está diante de Vós, e meu silêncio vos fala por mim!

Até quando tardará o meu Senhor em vir à minha alma?

Venha a mim na extrema pobreza em que jazo e encham-me de alegria. Estenda sua mão e levante este infeliz da miséria em que está prostrado.O DISCÍPULO

Vinde, meu Deus, vinde; sem vós não posso ter dia nem hora alegre, porque sois toda a minha alegria e vós só podeis encher o vazio de meu coração.

Miserável sou, como preso e carregado de ferros, enquanto me não concedeis a luz da vossa presença e me dais a liberdade, mostrando-me vosso doce e amoroso semblante.

5. Busquem outros em lugar  de Vós o que quiserem, que a mim nenhuma outra coisa agrada, nem agradará nunca, senão Vós, Deus meu, esperança minha e minha eterna felicidade.

Gemerei sempre e não deixarei de orar até que a vossa graça volte a mim e vós me faleis no interior.

6. Jesus Cristo – Aqui me tens, filho meu, e venho a ti, pois me chamaste .  As tuas lágrimas e os desejos de tua alma, a humildade e a penitência de teu coração me inclinaram a vir a ti.

O Discípulo – E disse: Senhor, chamei-Vos e desejei gozar-vos, na resolução de desprezar tudo por amor de Vós.

Porém, Vós mesmo me excitastes a buscar-Vos.

Sede, pois, bendito, Senhor, por haver usado com vosso servo de tamanha bondade, segundo Vossa misericórdia infinita.

À vista disto, que resta ao vosso servo senão humilhar-se profundamente em vossa presença, sem perder nunca a lembrança de sua maldade e vileza?

Em toda esta multidão de maravilhas, de que enchestes o céu e a terra, nada há que vos seja semelhante, ó meu Deus!

Todas as vossas obras são perfeitíssimas, “todos os vossos juízos são retos, e o universo  governais por vossa soberana providência” (Salmo 118, 16).

Dê-se, pois, todo o louvor e glória a Vós, que sois a sabedoria do Pai! A minha alma, a minha língua e todas as criaturas juntas vos louvem eternamente.

Fonte: Imitação de Cristo, Tomás de Kempis, Livro III, Capítulo XXI.