CELEBRAR A PÁSCOA É FESTEJAR A AÇÃO LIBERTADORA DE DEUS NA VIDA,PAIXÃO,MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS E CONTEMPLAR ESTA FORÇA DO AMOR MATERNAL DE DEUS ATUANDO EM NÓS E EM TODO UNIVERSO, RECRIANDO-O COM UMA NOVA CRIAÇÃO, RENOVADA PELA RESSURREIÇÃO DE JESUS – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil.

Desejo a todos uma boa e Santa Páscoa! Viva Jesus!

Lembramos nesta semana, a Sua Paixão, no Calvário, e damos graças pela Sua Ressurreição! Damos graças, portanto, por nos mostrar Seu Amor Infinito no sofrimento da Cruz, para o perdão de nossos pecados e de toda a Humanidade – do passado, do presente e do futuro!

Lúcia Barden Nunes

“Viva Jesus”: Expressão cunhada por São Francisco de Sales – Patrono da Imprensa Católica.

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Fonte: OCDS – Província São José – Brasil

Sábado, 30 de março de 2013

JESUS RESSUSCITOU!!! ALELUIA!!! ESTÁ VIVO!!!

RELEMBREMOS A EXPERIÊNCIA DAS MULHERES QUE FORAM DE MADRUGADA AO SEPULCRO E ENCONTRARAM O TÚMULO VAZIO E OS ANJOS DIZENDO :
“ELE NÃO ESTÁ MAIS AQUI.RESSUSCITOU !”
UMA DAS EXPRESSÕES MAIS FORTES NESTES DIAS É O “ALELUIA”,PALAVRA HEBRAICA QUE SIGNIFICA SIMPLESMENTE “LOUVOR A DEUS”.

NOSSA VIDA É REGIDA PELA VITÓRIA DE JESUS!!!!

NOSSA PÁSCOA E NOSSA RESSURREIÇÃO, GARANTIA DE NOSSA UNIÃO

DEFINITIVA COM DEUS.

Publicado em OCDS – Província São José – Brasil.

“Edificar a paz e construir pontes” – Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé – 22 de março de 2013 (Agência Zenit – Roma)

Papa Francisco celebra Missa na presença de funcionários do Vaticano, que vieram a partir de seu convite na manhã de 22 de março de 2013 (GaudiumPress.org)

Zenit.org

Edificar a paz e construir pontes

Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé

Cidade do Vaticano, 22 de Março de 2013 – Às 11 desta manhã, na Sala Regia do Palácio Apostólico Vaticano, o Santo Padre Francisco recebeu em Audiência os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, por ocasião do início de seu Ministério Petrino. Apresentamos a seguir, os palavras do Papa.

Excelências,

Senhoras e Senhores,

De coração agradeço ao vosso Decano, Embaixador Jean-Claude Michel, as amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos e com alegria vos recebo para uma simples, mas ao mesmo tempo intensa, troca de cumprimentos, que, idealmente, pretende ser o abraço do Papa ao mundo. Na realidade, por vosso intermédio, encontro os vossos povos e deste modo posso, em certa medida, alcançar cada um dos vossos concidadãos com suas alegrias, dramas, expectativas e desejos.

A vossa presença, numerosa, é também um sinal de que as relações que os vossos países mantêm com a Santa Sé são profícuas, são verdadeiramente uma ocasião de bem para a humanidade. Na verdade, é isto mesmo o que a Santa Sé tem a peito: o bem de todo o homem que vive nesta terra. E é precisamente com este entendimento que o Bispo de Roma começa o seu ministério, sabendo que pode contar com a amizade e benevolência dos países que representais, e na certeza de que compartilhais tal propósito. Ao mesmo tempo, espero que se revele também ocasião para iniciar um caminho com os poucos países que ainda não têm relações diplomáticas com a Santa Sé, alguns dos quais – de coração lhes agradeço – quiseram estar presentes na Missa de início do meu ministério ou enviaram mensagens como gesto de proximidade.

Como sabeis, há vários motivos que, ao escolher o meu nome, me levaram a pensar em Francisco de Assis, uma figura bem conhecida mesmo além das fronteiras da Itália e da Europa, inclusive entre os que não professam a fé católica. Um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres. Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas! A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar, em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que se empenham na ajuda aos doentes, aos órfãos, aos sem-abrigo e a quantos são marginalizados, e deste modo trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas.

Mas há ainda outra pobreza: é a pobreza espiritual dos nossos dias, que afecta gravemente também os países considerados mais ricos. É aquilo que o meu Predecessor, o amado e venerado Bento XVI, chama a ditadura do relativismo(*), que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens. E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra.

Um dos títulos do Bispo de Roma é Pontífice, isto é, aquele que constrói pontes, com Deus e entre os homens. Desejo precisamente que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar. Além disso, as minhas próprias origens impelem-me a trabalhar por construir pontes. Na verdade, como sabeis, a minha família é de origem italiana; e assim está sempre vivo em mim este diálogo entre lugares e culturas distantes, entre um extremo do mundo e o outro, actualmente cada vez mais próximos, interdependentes e necessitados de se encontrarem e criarem espaços efectivos de autêntica fraternidade.

Neste trabalho, é fundamental também o papel da religião. Com efeito, não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo Deus; e vice-versa: não se podem viver verdadeiras ligações com Deus, ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões; penso, antes de tudo, ao diálogo com o Islão. Muito apreciei a presença, durante a Missa de início do meu ministério, de tantas autoridades civis e religiosas do mundo islâmico. E é também importante intensificar o diálogo com os não crentes, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos.

Lutar contra a pobreza, tanto material como espiritual, edificar a paz e construir pontes: são como que os pontos de referimento para um caminho que devemos percorrer, desejando convidar cada um dos países que representais a tomar parte nele. Um caminho que será difícil, se não aprendermos a amar cada vez mais esta nossa terra. Também neste caso me serve de inspiração o nome de Francisco: ele ensina-nos um respeito profundo por toda a criação, ensina-nos a guardar este nosso meio ambiente, que muitas vezes não usamos para o bem, mas desfrutamos com avidez e prejudicando um ao outro.

Queridos Embaixadores,
Senhoras e Senhores,

Novamente obrigado por todo o trabalho que realizais, juntamente com a Secretaria de Estado, para edificar a paz e construir pontes de amizade e fraternidade. Por vosso intermédio, desejo renovar aos vossos Governos o meu agradecimento pela sua participação nas celebrações por ocasião da minha eleição, com votos de um frutuoso trabalho comum. O Senhor Todo-Poderoso cumule com os seus dons a cada um de vós, às vossas famílias e aos povos que representais.

Libreria Editrice Vaticana

Publicado em Zenit.org.

(*) Grifo meu.

Papa Francisco: simplicidade, colhida no exemplo do “pobrezinho de Assis” e nutrida pela espiritualidade inaciana- Artigo – 19 de março de 2013 (Rádio Vaticano)

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Fonte: Rádio Vaticano

Papa Francisco, resposta à Nova Evangelização

Por Pe. César Augusto dos Santos S.J.

Cidade do Vaticano (RV – 19.03.2013) – Quando rezávamos para que os cardeais se deixassem iluminar pelo Espírito Santo durante o Conclave, muitos jornalistas e pessoas até da Igreja nos procuravam para saber por quem torcíamos e também para conhecer o nosso prognóstico. Mais uma vez dizíamos que a eleição do Sumo Pontífice não se enquadrava nos moldes de uma eleição a um cargo de poder político, mundano e transitório, mas lidávamos com o Transcendente. O resultado foi a eleição de um bispo nascido no Continente americano e tendo ali o seu pastoreio. Isso reforça a fé de que o Divino Espírito Santo governa a Igreja.

Se fizermos uma revisão na vida recente da Igreja, veremos que a Conferência de Aparecida, realizada em 2007, nos fala da Missão Continental, da necessidade de aprofundarmos a Evangelização realizada no subcontinente Latino-americano e Caribenho. Mais tarde, o Papa Bento XVI criou o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, com o principal objetivo de evangelizar novamente os países de antiga tradição cristã. Ano passado, em outubro, tivemos o Sínodo para a Nova Evangelização, que procurou debater, refletir e discutir a partir da experiência dos Padres Sinodais, buscando caminhos novos para a Evangelização no Terceiro Milênio.

Por outro lado, sabemos que a América intensificou sua contribuição missionária em favor da Evangelização na Europa e outros continentes, sobretudo a partir de 1957 com a Carta Encíclica Fidei Donum, do Papa Pio XII, em que mesmo as Igrejas que não dispunham tanto de sacerdotes e de religiosos começaram a partilhar seus recursos humanos. Nesse momento começamos a perceber o retorno da ação evangelizadora e catequética proporcionada cinco séculos atrás pelos cristãos da Península Ibérica, pelo Velho Mundo, em favor das terras recém achadas no Novo Mundo, concretamente, a América Central, a América do Sul e a América do Norte. Essa atitude de contribuição do Novo Mundo ao Velho, que lhe comunicou a existência do Deus único e verdadeiro, do seu extremo amor pelos homens dando Seu Filho Único – Jesus Cristo – em redenção de todos e da presença Confortadora e Iluminadora de Seu Santo Espírito, tem seu ponto alto quando os cardeais do mundo inteiro, iluminados por esse mesmo Espírito e ajudados pela oração de todos os cristãos, elegem, um latino-americano para a função de Sumo Pontífice, com a missão de confirmar na fé todos os evangelizados.

É um eloquente sinal da Providência que provê as necessidades de seus filhos e governa a Sua Igreja, possibilitar que o início do Pontificado desse Papa americano comece no dia de São José, Patrono da Igreja Universal, Provedor das necessidades da Família de Nazaré e engrandecedor da missão de José do Egito de alimentar o Povo de Deus, faminto de pão.

O Papa Francisco em sua simplicidade, colhida no exemplo do “pobrezinho de Assis” e nutrida pela espiritualidade inaciana –  que busca “maior glória de Deus”, isto é, o serviço da caridade aos homens – possa imprimir no coração de cada um o quanto todos, sem exceção, são amados por Deus.

Pe. César Augusto dos Santos S.J.

Publicado em Rádio Vaticano.

Papa adverte sobre o mal, o sofrimento e a corrupção perante a Cúria (Agência EFE)

Fonte: EFE – Portugal
VATICANO QUARESMA

Papa adverte sobre o mal, o sofrimento e a corrupção perante a Cúria

 Cidade do Vaticano, 24 fev (EFE).- O papa Bento XVI afirmou que “o demônio sempre tenta sujar a criação de Deus” através “do mal deste mundo, do sofrimento e da corrupção”, perante os membros da Cúria romana e o cardeal Gianfranco Ravasi, diretor dos exercícios espirituais.

“Escuridão e sujeira. O mal trabalha para escurecer, para sujar a beleza de Deus”, afirmou o papa, que em 28 de fevereiro renunciará a seu pontificado, após uma semana de exercícios espirituais na capela “Redemptoris Mater” do Vaticano.

O sumo pontífice durante uma visita ao santuário de Fátima (Portugal) em 2012. EFE/Arquivo

O sumo pontífice durante uma visita ao santuário de Fátima (Portugal) em 2012.

EFE/Arquivo

“Mas da escuridão e da lama – continuou – emerge com a fé que ajuda a encontrar a bússola entre as trevas, a mão de Deus, para redescobrir o amor e a verdade”, acrescentou.

O líder religioso se referiu ao Deus que cria o mundo para no final ver que “tudo é muito lindo”, disse.

Tudo isso, afirmou o papa, “está em contradição com o mal neste mundo, o sofrimento, a corrupção (…) como se o diabo quisesse contaminar permanentemente a criação, para contradizer Deus e brigar com sua verdade e sua beleza”.

Após a experiência espiritual dos últimos dias, o papa Bento XVI agradeceu à Cúria por esses oito anos que levaram com ele, “com grande competência, afeto, amor e fé o peso de ministério petrino”.

Depois, em sua primeira aparição depois uma semana de exercícios espirituais, o papa recebeu em audiência privada de pouco mais de meia hora o presidente da República da Itália, Giorgio Napolitano e sua esposa.

Bento XVI disse a Napolitano que rezará pela Itália, agradeceu por sua amizade e manifestou seus melhores votos para o bem da Itália, “particularmente nestes tempos”.

Napolitano transmitiu a gratidão do povo italiano pelo magistério que Bento XVI desempenhou e garantiu ao pontífice que a gratidão e o afeto do povo italiano o acompanharão pelos próximos anos.

Por outro lado, a Secretaria de Estado da Santa Sé rejeitou hoje as “tentativas de condicionar os cardeais, com vistas ao Conclave, com a divulgação de notícias frequentemente não verificadas ou verificáveis e, portanto, falsas, com grande prejuízo a pessoas e instituições”.

A Secretaria de Estado da Santa Sé, mediante uma nota publicada no site da “Rádio Vaticana”, lembrou que “a liberdade” do Colégio Cardinalício, “cuja missão é a de proporcionar um novo papa à Igreja Católica, sempre foi defendida pela Igreja, para garantir uma eleição baseada unicamente em decisões em prol da Igreja”.

O modo atual com que se tenta influir nos cardeais mudou – afirma – e, atualmente, “tenta-se alterar a opinião pública através de argumentos e valorações que não refletem a atmosfera espiritual que a Igreja está vivendo”.

“É deplorável que, ao se aproximar a data do Conclave, se multiplique a divulgação de notícias frequentemente não verificadas que causam um grande prejuízo à instituição e a seus integrantes”, concluiu.

Por sua vez, o porta-voz vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, também denunciou hoje a existência das mesmas pressões que a Secretaria de Estado lamenta, para condicionar o livre exercício de voto no Conclave, já que vários cardeais estão sendo “considerados indesejáveis por uma razão ou por outra”.

Além de um editorial escrito hoje para a “Rádio Vaticana”, em que Lombardi declara que “o caminho da Igreja nas últimas semanas do pontificado do papa Bento XVI, até a eleição do novo papa através da Sé Vacante” e o Conclave, é “muito difícil, dada a novidade da situação”, o jesuíta compareceu em uma breve entrevista coletiva no Vaticano.

Lombardi assegurou que nem todos os meios de comunicação podem ser acusados de publicar rumores, mas indicou que é o caso de alguns veículos italianos e de vários estrangeiros que continuam difamando, são notícias que falam de uma “forma negativa e premeditada”.

E o representante fez um apelo à imprensa para informar com comedimento sobretudo quanto ao que acontece na Igreja Católica. (Agência EFE – 27.02.2013)

PAPA BENTO XVI – AUDIÊNCIA GERAL – Discurso proferido no Vaticano – 13 de Fevereiro de 2013 (Site do Vaticano)

PAPA BENTO XVIAUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013.

“Queridos irmãos e irmãs,
Como sabeis, decidi… – obrigado pela vossa amizade! – decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou no dia 19 de Abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter longamente rezado e ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem ciente da gravidade de tal acto mas igualmente ciente de já não ser capaz de desempenhar o ministério petrino com a força que o mesmo exige. Anima-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o Qual não lhe deixará jamais faltar a sua orientação e a sua solicitude. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. Obrigado! Nestes dias, não fáceis para mim, senti quase fisicamente a força da oração que me proporciona o amor da Igreja, a vossa oração. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor vos guiará.


As tentações de Jesus e a conversão para o Reino dos Céus

Amados irmãos e irmãs

Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, damos início ao Tempo litúrgico da Quaresma, quarenta dias que nos preparam para a celebração da Santa Páscoa; é um tempo de compromisso particular no nosso caminho espiritual. O número quarenta aparece várias vezes na Sagrada Escritura. De modo particular, como sabemos, ele evoca os quarenta anos durante os quais o povo de Israel peregrinou no deserto: um longo período de formação para se tornar o povo de Deus, mas também um longo período em que a tentação de ser infiel à aliança com o Senhor estava sempre presente. Quarenta foram também os dias de caminho do profeta Elias para chegar ao Monte de Deus, o Horeb; assim como o período que Jesus passou pelo deserto antes de começar a sua vida pública e onde foi tentado pelo diabo. Na Catequese hodierna, gostaria de meditar precisamente sobre este momento da vida terrena do Senhor, que leremos no Evangelho do próximo domingo.

Antes de tudo o deserto, onde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem permanece desprovido das ajudas materiais e se encontra diante dos pedidos fundamentais da existência, é impelido a ir ao essencial e, precisamente por isso, é-lhe mais fácil encontrar Deus. Mas o deserto é inclusive o lugar da morte, pois onde não há água também não há vida, e é o lugar da solidão, onde o homem sente mais intensa a tentação. Jesus vai ao deserto, e ali padece a tentação de deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outras veredas, mais fáceis e mundanas (cf. Lc 4, 1-13). Assim, Ele assume as nossas tentações, traz consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e para nos abrir o caminho rumo a Deus, a senda da conversão.

Meditar sobre as tentações às quais Jesus foi submetido no deserto é um convite para cada um de nós a responder a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na minha vida? (continuar lendo…)


Missa de Cinzas – Última Homilia do Papa Bento XVI – 13.02.2013 – Basílica de São Pedro (Rede Aparecida)

Missa de Cinzas – Última Homilia do Papa Bento XVI – 13 de Fevereiro de 2013 – Basílica de São Pedro

Publicado por Rede Aparecida (em 14/02/2013).

Transcrição – texto completo em Português: http://www.vatican.va/holy_father/ben…

Nossa Senhora das Graças – Solenidade – 27 de novembro (A Medalha Milagrosa e seu Significado – Vídeo – YouTube – 2012)

A Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças e seu Significado

12 de Outubro – Dia das Crianças e Dia da Padroeira do Brasil – Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto (Portal da Família) – Entrevista: Norma Técnica ministerial pode legalizar o aborto no Brasil? (Blog Teologia e Corpo – Agência Zenit)

Dia Nacional do Nascituro – 08 de outubro –
Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto (2012).

Foto:Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto

Fonte/artigo:  Portal da Família –  “Cronologia da morte: Principais fatos da história que contribuíram para introduzir o aborto no mundo e no Brasil”Portal da Família –   O dia 12 de outubro – Dia da Padroeira do BrasilEspecial Dia das CriançasComo surgiu o Dia das Crianças  Passe um dia diferente ao lado de seu filho   Piquenique: Uma boa alternativa para o dia 12  Declaração dos Direitos da Criança   Brinquedos que você mesmo pode fazer  – 15 de Outubro – Dia dos Professores – Você sabe como surgiu o Dia do Professor?Ser Mestre   Mestre   Oração do Professor   Aos Professores    O Professor sempre está errado

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Fonte: Teologia e Corpo ( extraído de Agência Zenit)

Norma Técnica ministerial pode legalizar o aborto no Brasil?

Publicado a 1 de Outubro de 2012

Entrevista com Dra. Renata Gusson

Por Thácio Siqueira

SAO PAULO, segunda-feira, 01 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir uma entrevista que a Dra. Renata Gusson, bioquímica e mestre em ciências, concedeu a ZENIT sobre o tema do aborto no Brasil.

Dra. Renata Gusson é Farmacêutica-Bioquímica, especialista em Biologia Molecular e mestre em Ciências pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

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ZENIT: Dra. Renata, explique-nos como uma Norma Técnica ministerial pode legalizar o aborto no Brasil uma vez que a população é majoritariamente contrária ao aborto?

Dra. Renata: é realmente de pasmar qualquer cidadão que vive em uma democracia, não é mesmo? O assunto não é simples, e quem considera o aborto apenas um “problema de saúde pública” não tem a menor ideia das implicações realmente profundas que ele tem na geopolítica. Como é um tema complexo, eu não poderia em poucas linhas apresentar de forma adequada sua gravidade. Sugiro a leitura do documento “Maio de 2012, a nova estratégia mundial da Cultura da Morte”, publicado recentemente pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB. Entretanto, para não deixar o leitor sem uma resposta, eu posso adiantar que, devido à altíssima resistência à legalização do aborto verificada na América Latina, criou-se uma nova estratégia para vencer esse obstáculo. Trata-se de normatizar que, a fim de garantir uma política que vise “reduzir os danos” de um aborto clandestino mal-provocado, o Sistema de Saúde brasileiro deve passar a acolher e orientar as mulheres que desejam abortar. A essa mulher seria explicado como tomar um medicamento abortivo e, tão logo começasse o processo de expulsão da criança, ela se dirigisse a um hospital que seria obrigado a recebê-la de forma “humanizada” e completar o procedimento. Seria proibido ao médico denunciar um caso de aborto provocado. É justamente isso que, na prática, se traduz como uma legalização do aborto. Os idealizadores de tal estratégia afirmam que é preciso burlar a lei para modificar a lei. Portanto, uma vez que essa política tenha sido implantada e largamente difundida, ficará muito mais fácil promover mudanças na legislação. É uma manobra astuta.

ZENIT: Dados divulgados por organizações pró-aborto afirmam que anualmente são feitos no Brasil mais de um milhão de abortos e que 200.000 mil mulheres morrem todos os anos devido a abortos clandestinos.

Dra. Renata: Eu costumo dizer que quem advoga pela morte dos inocentes já perdeu faz tempo o compromisso com a verdade. Esses dados realmente são difundidos a plenos pulmões por organizações pró-aborto. O que dizer deles? Dizer a verdade: são falsos. E não sou eu, que sou contrária à legalização do aborto que digo isso. São os próprios abortistas e o próprio Sistema Único de Saúde que assim afirmam. Para citar um exemplo: em 2010, a “Pesquisa Nacional do Aborto” realizada pela Universidade de Brasília em parceria com a ANIS (uma ONG pró-aborto), mostrou que de cada 2 mulheres que cometem aborto, uma acaba sendo internada. Dados do SUS revelam que, no mesmo ano, foram realizadas cerca de 200.000 curetagens devidas a abortos (tanto provocados como espontâneos). Médicos que trabalham em emergências obstétricas de hospitais públicos em todo o Brasil afirmam que cerca de, no máximo, 20-25% das curetagens são devidas a abortos provocados. A grande maioria é por abortos espontâneos. Vamos então raciocinar: se anualmente são feitas 200.000 curetagens e dessas, no máximo, 25% são devidas a abortos provocados, chegamos a um número de 50.000 abortos provocados. Se a pesquisa da UnB afirma que de cada 2 mulheres que abortam uma acaba recorrendo ao serviço de saúde, temos que são realizados, de fato, cerca de 100.000 abortos anualmente no Brasil. Esse número representa então, apenas 10% dos tão propalados um milhão de abortos no Brasil. Mas essa é uma estratégia já há muito conhecida: é preciso inflacionar a realidade para chocar a opinião pública. Outra inverdade contada para nós: o número de mortes maternas por aborto. O DataSus revela que no ano de 2011 ocorreram  95 mortes maternas devido a abortos (novamente aqui, tanto abortos espontâneos quanto provocados). Então, só nos resta perguntar: o que ocorreu com as mais de 199.900 mulheres que os abortistas afirmam terem morrido em decorrência de abortos mal-provocados? Elas simplesmente despareceram? Mentiras e mais mentiras. Isso é tudo o que os abortistas contam para nós.

ZENIT: Realmente, são informações importantes para o conhecimento da população.  Deixe uma mensagem para os leitores de Zenit.

Dra. Renata: Eu quero dizer que não podemos cair na mentira de aceitar o aborto como algo inevitável; como se fosse uma realidade que veio para ficar e contra a qual nada ou muito pouco podemos fazer. Muitíssimo pelo contrário. Ficou evidente no que acima foi dito, que os abortistas contrariam o bom senso, a verdade, a boa-fé. O avanço da agenda abortista só é possível se nós não fizermos absolutamente nada em contrário. Basta um pouquinho de atuação para que as coisas sigam o rumo certo. A verdade carrega uma força em si mesma. Quando você mostra para uma pessoa o que é o aborto e ela apreende a maldade do ato, nunca mais ela cairá na mentira de aceitar o aborto como, por exemplo, um direito da mulher. Então, eu sugiro aos leitores que divulguem para seus contatos vídeos sobre o aborto, como por exemplo, o “grito silencioso”, produzido por um médico ex-abortista norte-americano. É preciso fazer as pessoas verem sobre o que se trata o aborto: a morte dos inocentes mais indefesos. Outra importante iniciativa é contactar o seu representante político e cobrar dele uma atuação pró-vida com o poder que o seu voto deu a ele. Estamos em uma luta real. Não podemos nos deixar anestesiar ou fazer de conta que não existe problema algum. Para vencer uma batalha, a primeira coisa a fazer, é tomar consciência que não se vive tempos de paz. O nosso tempo, apesar de não se caracterizar por uma luta armada entre exércitos inimigos, caracteriza-se sim por uma luta velada contra os inocentes. O volume de sangue derramado pelo aborto já ultrapassou e muito qualquer outra guerra existente. Eu ousaria dizer que já ultrapassou, inclusive, o volume total de sangue derramado por todas as guerras já existentes. De que lado vamos lutar?
Publicado em Teologia e Corpo (extraído de Agência Zenit).

Pró-Vida: Vídeo Anti-Aborto – “Desenvolvimento de um Bebê Não-nascido” (“Pro-life Anti-Abortion Video: Development of the Unborn Baby” – catholichomeschool – YouTube)

Fonte: http://www.youtube.com/user/catholichomeschool

STJ 500 – “Para Vós Nasci” – V Centenário de Santa Teresa de Jesus (Ávila, Espanha) entrevista as Madres Carmelitas Descalças de Fátima, Portugal – 11.07.2012 (Facebook – YouTube)

Fonte: STJ 500 – Para Vós Nasci – V Centenário – Santa Teresa de Jesus https://www.facebook.com/paravos.naci

V Centenário STJ (Santa Teresa de Jesus) – Entrevista: Madres Carmelitas Descalças de Fátima, Portugal.

Ato de Confiança e Consagração dos Sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria- Papa Bento XVI (Fátima – Portugal) – Devoção ao Imaculado Coração de Maria – Solenidade – 16 de junho de 2012 (Portal Santuário Nossa Senhora do Carmo e Comunidade Santa Teresa-OCDS-Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil)

Sagrado Coração de Jesus – Imaculado Coração de Maria

Fonte/imagem: Blog Ensina-me a Rezar! – “Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria
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Fonte: Santuário Nossa Senhora do Carmo

Devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Coração de Maria começou já no início da Igreja, desenvolvendo-se na Idade Média. Com as aparições em Fátima, ganhou grande destaque. A devoção ao Coração de Maria está associada à devoção ao Coração de Jesus, pois esses Dois Corações se uniram no Mistério da Encarnação, Paixão e Morte do Verbo Encarnado.

Honrar o Coração de Maria é honrar o Coração que foi preparado por Deus para ser uma digna morada do Espírito Santo, que formaria a seu tempo o Redentor no ventre imaculado da Virgem Maria.

Esta devoção ao Coração de Maria é devoção à própria Mãe de Jesus. É também veneração dos santos sentimentos e afetos, a ardente caridade de Maria para com Deus, para com seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante.

Assim, louvamos e agradecemos a Deus por nos haver dado por Mãe e intercessora Aquela que acreditou.

O Coração de Maria na Bíblia

Lc 2,19 – Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. (sobre a adoração dos pastores que falavam da manifestação dos Anjos sobre o Menino)

Lc 2,35b – E uma espada transpassará a tua alma. (profecia de Simeão, dirigida a Maria)

Lc 2,51b – Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. (depois do encontro de Jesus no Templo, ensinando os doutores da Lei)
A Aliança dos Dois Corações

Jo 19,34 – Mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (símbolo místico da origem dos sacramentos da Igreja)

Esta passagem exemplifica também a profunda união mística do Coração de Jesus com o Coração de Maria na obra da Redenção. Essa união começou quando, pelo poder do Espírito Santo, Maria concebeu o Coração de Jesus em Seu próprio Coração. Esse Sagrado Coração começou a pulsar no ventre de Maria, como eco às batidas de Seu Coração Imaculado. O Coração de Jesus existe pelo consentimento da Virgem Santíssima na Anunciação. Foi o sangue de Maria que alimentou esse Coração Sagrado do Filho de Deus feito homem.

Essa união de amor inefável é consumada quando, ao mesmo tempo, esses Dois Corações são imolados por nossa salvação. Quando o Coração de Jesus foi traspassado pela lança do soldado, o Coração de Maria foi traspassado espiritualmente, cumprindo a profecia de Simeão (Lc 2,35b).

Todas essas passagens indicam claramente a admirável Aliança desses Dois Corações (como já citou João Paulo II), que trabalharam pela salvação do mundo: o Coração de Jesus, que sofreu a ponto de ser traspassado para derramar-Se sobre todos os que nEle crerem; e o Coração de Maria, sempre se voltando ao Seu Divino Filho, Coração predestinado por Deus a sofrer com Jesus pela salvação da humanidade.
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Leia também…

Fonte: Comunidade Santa Teresa – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil
Consagração dos Sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria

Partilhamos esta oração de consagração dos sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria que foi rezada pela Sua Santidade, Papa Bento XVI, na Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, Portugal.


ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES
                AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

  “Mãe Imaculada,
                    neste lugar de graça,
                    convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
                    Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
                    filhos no Filho e seus sacerdotes,
                    consagramo-nos ao vosso Coração materno,
                    para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.

                                Estamos cientes de que, sem Jesus,
                                nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
                                e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
                                seremos para o mundo
                                instrumentos de salvação.

                                Esposa do Espírito Santo,
                                alcançai-nos o dom inestimável
                                da transformação em Cristo.
                                Com a mesma força do Espírito que,
                                estendendo sobre Vós a sua sombra,
                                Vos tornou Mãe do Salvador,
                                ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
                                nasça em nós também.

                                E assim possa a Igreja
                                ser renovada por santos sacerdotes,
                                transfigurados pela graça d’Aquele
                                que faz novas todas as coisas.

                                Mãe de Misericórdia,
                                foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
                                para nos tornarmos como Ele:
                                luz do mundo e sal da terra
                                (cf. Mt 5, 13-14).

                                Ajudai-nos,
                                com a vossa poderosa intercessão,
                                a não esmorecer nesta sublime vocação,
                                nem ceder aos nossos egoísmos,
                                às lisonjas do mundo
                                e às sugestões do Maligno.

                                Preservai-nos com a vossa pureza,
                                resguardai-nos com a vossa humildade
                                e envolvei-nos com o vosso amor materno,
                                que se reflecte em tantas almas
                                que Vos são consagradas
                                e se tornaram para nós
                                verdadeiras mães espirituais.

                                Mãe da Igreja,
                                nós, sacerdotes,
                                queremos ser pastores
                                que não se apascentam a si mesmos,
                                mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
                                nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
                                Queremos,
                                não só por palavras mas com a própria vida,
                                repetir humildemente, dia após dia,
                                o nosso « eis-me aqui».

                                Guiados por Vós,
                                queremos ser Apóstolos
                                da Misericórdia Divina,
                                felizes por celebrar cada dia
                                o Santo Sacrifício do Altar
                                e oferecer a quantos no-lo peçam
                                o sacramento da Reconciliação.
                                Advogada e Medianeira da graça,
                                Vós que estais totalmente imersa
                                na única mediação universal de Cristo,
                                solicitai a Deus, para nós,
                                um coração completamente renovado,
                                que ame a Deus com todas as suas forças
                                e sirva a humanidade como o fizestes Vós.

                                Repeti ao Senhor aquela
                                vossa palavra eficaz:
                                « não têm vinho » (Jo 2, 3),
                                para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
                                como que numa nova efusão,
                                o Espírito Santo.

                                Cheio de enlevo e gratidão
                                pela vossa contínua presença no meio de nós,
                                em nome de todos os sacerdotes quero,
                                também eu, exclamar:
                                « Donde me é dado que venha ter comigo
                                a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).

                                Mãe nossa desde sempre,
                                não Vos canseis de nos visitar,
                                consolar, amparar.
                                Vinde em nosso socorro
                                e livrai-nos de todo o perigo
                                que grava sobre nós.
                                Com este acto de entrega e consagração,
                                queremos acolher-Vos de modo
                                mais profundo e radical,
                                para sempre e totalmente,
                                na nossa vida humana e sacerdotal.

                                Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
                                das nossas solidões e brilhar o sol
                                sobre as nossas trevas,
                                faça voltar a calma depois da tempestade,
                                para que todo o homem veja a salvação
                                do Senhor,
                                que tem o nome e o rosto de Jesus,
                                reflectida nos nossos corações,
                                para sempre unidos ao vosso!

                                Assim seja!”

ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI

Igreja da Santíssima Trindade – Fátima

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Publicado em Comunidade Santa Teresa – OCDS – Província Nossa Senhpra do Carmo – Sul – Brasil.                            

Sagrado Coração de Jesus – Santo Afonso Maria de Ligório – Solenidade – 15 de junho (Sobre a Devoção e Festa do Sagrado Coração)

Sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Por Santo Afonso Maria de Ligório
Ignem veni mittere in terram: et quid volo, nisi ut accendatur? ― «Eu vim trazer fogo à terra, e que quero senão que ele se acenda?» (Lc 12, 49)
Sumário. A devoção entre todas as devoções, a mais perfeita, é o amor a Jesus Cristo, com a recordação frequente do amor que nos dedicou e ainda sempre dedica. Exatamente para se fazer amar é que o Verbo Eterno quis que nestes últimos tempos se instituísse e propagasse a devoção ao seu Coração, com a promessa das graças mais assinaladas aos que a praticassem. Felizes se estivermos do número destes devotos. Podemos estar certos de que o divino Coração nos abençoará em tudo o que empreendermos, e em todas as ocorrências será o nosso seguro abrigo.
I. A devoção das devoções é o amor a Jesus Cristo, com a recordação freqüente do amor que nos dedicou e ainda dedica o nosso amável Redentor. Com razão se queixa um devoto autor de que muitas pessoas praticam diversas devoções e se descuidam desta, ao passo que o amor de Jesus Cristo deve ser a principal, para não dizer a única, devoção do cristão. ― Este descuido é causa do pouco progresso que as almas fazem nas virtudes, da contínua languidez nos mesmos defeitos e das freqüentes recaídas em culpas graves. Pouco se aplicam, e raras vezes são exortadas a adquirirem o amor a Jesus Cristo, sendo todavia o amor o laço que une e liga as almas a Deus.
Foi exatamente para se fazer amar que o Verbo Eterno quis que se instituísse e propagasse na Igreja a devoção a seu Sacratíssimo Coração. Lemos na vida de Santa Margarida Maria Alacoque, que, quando esta devota virgem estava um dia em oração diante do Santíssimo Sacramento, Jesus Cristo lhe mostrou o seu Coração num trono de chamas, cercado de espinhos e encimado por uma cruz. «Eis aqui», disse ele, «o Coração que tanto amou os homens, e nada poupou até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor; e em reconhecimento, não recebe da maior parte senão ingratidões e irreverências neste Sacramento de amor. Mas, o que ainda mais sinto, é serem corações a mim consagrados que assim praticam».
Ordenou-lhe em seguida, que se empregasse em fazer celebrar, na primeira sexta-feira depois da oitava da festa do Corpo de Deus, uma festa particular em honra do seu divino Coração, e isto para três fins: O primeiro, para que os fiéis lhe dêem ações de graças pelo grande dom que lhes fez na adorável Eucaristia. O segundo, para que as almas fervorosas reparem, pela sua afetuosa devoção, as irreverências e os desprezos que ele recebeu e recebe neste Sacramento da parte dos pecadores. O terceiro, enfim, para que lhe ofereçam compensação pela honra e culto que os homens deixam de lhe dar em muitas igrejas. Assim, a devoção ao Coração de Jesus não é senão um exercício de amor para com este amável Senhor.
II. Para compreendermos os bens imensos que nos provêm da devoção ao Coração de Jesus, basta que nos lembremos das promessas feitas por Jesus Cristo aos que a praticarem.
«Eu» ― assim disse o Senhor a Santa Margarida ― «darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias para o cumprimento dos deveres do seu estado; farei reinar a paz nas suas famílias; eu os consolarei nas suas aflições e lhes serei um refúgio na vida e na morte; lançarei abundantes bênçãos sobre todas as suas empresas, e o que no passado não puderam realizar com as suas diligências repetidas e perseverantes, obtê-lo-ão por meio desta devoção salutar»[1].
Se nós também queremos ter parte nestas promessas, avivemos a devoção ao Sagrado Coração, especialmente neste mês que lhe é consagrado. Guardemo-nos, por amor dele, das faltas deliberadas; pratiquemos alguma mortificação interna e externa; visitemos a miúde o Santíssimo Sacramento e preparemo-nos para a festa do Sagrado Coração por meio de uma devota novena. Cada manhã unamos as nossas ações do dia com as do divino Coração de Jesus, e façamos o oferecimento delas, dizendo:
† «Meu Senhor Jesus Cristo, em união com a divina intenção coma qual destes, na terra, louvor a Deus por vosso Sacratíssimo Coração, e lh’o continuais a dar agora sem interrupção até a consumação dos séculos, por todo o universo, no sacramento da Eucaristia, eu também, durante todo este dia, sem excetuar a mínima parte dele, à imitação do santíssimo Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria Imaculada, Vos ofereço com alegria todas as minhas intenções e pensamentos, todas as minhas afeições e desejos, todas as minhas obras e palavras. † Amado seja por toda a parte o Sagrado Coração de Jesus. † Louvado, adorado, amado e agradecido seja a todo o instante o Coração Eucarístico de Jesus em todos os tabernáculos do mundo, até à consumação dos séculos. Assim seja»[2]. (*II 409.)
[1] Acrescentaremos aqui mais algumas promessas de Jesus Cristo: «Eu abençoarei as casas onde se achar exposta e venerada a imagem do meu sagrado Coração; os pecadores acharão no meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia; as almas tíbias se tornarão fervorosas; os religiosos se elevarão a uma alta perfeição; darei aos sacerdotes o talento de tocar os corações mais empedernidos; as pessoas que propagarem esta devoção terão para sempre o seu nome inscrito no meu Coração».
[2] Cada uma destas orações tem 100 dias de indulgências.
Nota: Quem durante o mês de junho honrar, privada ou publicamente, o Sagrado Coração de Jesus, ganha cada dia uma indulgência de 7 anos, e uma plenária uma vez no dia da própria escolha, debaixo das condições da confissão, comunhão e oração segundo a intenção do Santo Padre.
LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 338-341.

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Festa do Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus,
tenho confiança em Vós.
(300 dias de indulgência)

Que é a festa do Sagrado Coração?

É uma solenidade instituída para honrar a um tempo o Coração de Jesus, que lhe animou a vida e deu o sangue salvador do mundo, e o amor infinito de Cristo para com os homens, amor cujo órgão e foco tem sido o Sagrado Coração.
A pessoa inteira de Nosso Senhor era digna de adoração; sua carne, seu sangue, e sobretudo, seu Coração, hipostaticamente unidos à sua natureza divina, mereciam as adorações: assim crê e ensina a Igreja. Ora, o coração, universalmente considerado entre os homens como órgão mais nobre, deve especialmente participar das nossas homenagens. Mas o coração, considerado como centro e foco de amor divino, merece respeito e amor agradecido: dali a devoção ao Sagrado Coração. Entretanto, a festa destinada a lembrar essas verdades foi instituída somente no século XVIII. Segundo a sua própria palavra, Nosso Senhor quis guardar essa devoção para nossos dias, afim de reanimar o fervor amortecido da sociedade.
Para os fins do século XVII, uma santa religiosa da Visitação, chamada Margarida Maria, foi o instrumento que Deus empregou para dar a conhecer o desejo que nutria Nosso Senhor de ver mais amado e melhor glorificado o seu Sagrado Coração.
Em 1765, o clero da França adotou essa devoção. Clemente XIII aprovou com a festa um Ofício do Sagrado Coração. A festa, segundo o pedido feito à santa Margarida Maria, celebra-se na sexta-feira imediata à oitava do santíssimo Sacramento.
Quais são os sentimentos do verdadeiro cristão ao festejar o Sagrado Coração?
Para o bom cristão, a festa do Sagrado Coração há de ser um dia de desagravo pelos ultrajes que Jesus recebe na Eucaristia.
De acordo com os desejos do próprio Nosso Senhor, a festa do Sagrado Coração deve ser festa de reparação. Queixou-se da ingratidão, do desprezo, da frieza, dos sacrilégios que muitas vezes sofre, na Eucaristia, por parte de pessoas que se julgam piedosas. Pediu comunhões fervorosas e reparadoras, atos de desagravo, e especialmente, uma festa de reparação.
Mais ainda do que a festa do Corpo de Deus, a festa do Sagrado Coração servirá, pois, a manifestar a Jesus Cristo o nosso amor e a nossa gratidão; nossa presença nos ofícios e na procissão que se faz também nesse dia, será um desagravo pelos ultrajes que recebe no sacramento do seu amor, por nossa frieza e irreverência para com a Eucaristia.
Monsenhor CAULY. Curso de Instrução Religiosa: Tomo I – Catecismo explicado: Dogma, Moral, Sacramentos, Culto. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1924, p.576-578.

Publicado em Mulher Católica.

CORPUS CHRISTI – Solenidade: ” “Ninguém seria capaz de expressar a suavidade desse sacracramento (Eucaristia); nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte, e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou conosco em sua Paixão.” – Santo Tomás Aquino – 07.06.2012 (OCDS – Província São José – Brasil)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil

A SOLENIDADE DE HOJE, ECO DA CELEBRAÇÃO DA QUINTA-FEIRA SANTA, FAZ-NOS EXPERIMENTAR DE FORMA MÍSTICA E CONCRETA O MISTÉRIO DA ENTREGA DO SENHOR JESUS.

ESSA CELEBRAÇÃO FOI INSTITUÍDA NA IGREJA PELO DECRETO DO PAPA URBANO IV,EM 1264, NO QUAL AFIRMA QUE A DATA DEVERIA SER NUMA QUINTA-FEIRA, 60 DIAS APÓS A PÁSCOA CRISTÃ, DE MODO QUE FOSSE FEITA A MEMÓRIA DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA POR JESUS.

DESTA FORMA ,CORPUS CHRISTI TORNOU-SE UMA CELEBRAÇÃO DE CARÁTER DEVOCIONAL, UMA VEZ QUE A VERDADEIRA FESTA DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA NA IGREJA É AQUELA DA NOITE DA QUINTA- FEIRA SANTA.

 

COMO AFIRMA SANTO TOMÁS DE AQUINO: “NINGUÉM SERIA CAPAZ DE EXPRESSAR A SUAVIDADE DESSE SACRAMENTO (EUCARISTIA): NELE SE PODE SABOREAR A DOÇURA ESPIRITUAL EM SUA PRÓPRIA FONTE, E TORNA-SE PRESENTE A MEMÓRIA DAQUELE IMENSO E INEFÁVEL AMOR QUE CRISTO DEMONSTROU CONOSCO EM SUA PAIXÃO. ENFIM, PARA QUE A IMENSIDADE DESSE AMOR FICASSE MAIS PROFUNDAMENTE GRAVADA NOS CORAÇÕES DOS FIÉIS, CRISTO INSTITUIU ESSE SACRAMENTO DURANTE A ÚLTIMA CEIA, QUANDO, AO CELEBRAR A PÁSCOA COM SEUS DISCÍPULOS ESTAVA PRESTES A PASSAR DESTE MUNDO PARA O PAI. A EUCARISTIA É O MEMORIAL PERENE DA SUA PAIXÃO, O CUMPRIMENTO PERFEITO DAS FIGURAS DA ANTIGA ALIANÇA E O MAIOR DE TODOS OS MILAGRES QUE CRISTO REALIZOU…”. 

O SENHOR ,QUE TRAZ A PAZ À SUA IGREJA ,NOS DÁ COMO ALIMENTO , A FLOR DO TRIGO.

(…)

Publicado em OCDS (por Maria Eduarda).

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Fonte: Pastoral Vocacional Carmelitana

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Aquela eterna fonte está escondida
neste Pão vivo para dar-nos vida,
mesmo de noite.
Aquela viva fonte que desejo,
neste Pão da vida já a vejo,
mesmo de noite.

Publicado em Pastoral Vocacional Carmelitana.

Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé» (ACI Digital)

O 7° Encontro Mundial de Famílias, que teve início ontem, dia 30 de maio e se estende até 3 de junho, em Milão, acontece em meio ao impacto do lançamento do livro “Sua Santidade”, há quatro dias – 27 de maio, publicado por jornalista italiano, supostamente com base em correspondências particulares de Bento XVI, ainda que não sejam de caráter estritamente pessoal. Foram roubadas de sua residência pelo empregado que era seu assistente pessoal desde 2006. Apesar de se dizer triste, o Papa segue com sua agenda, enquanto seu mordomo está preso. Provavelmente há informações não comprovadas, tal como aconteceu com o romance de ficção “O Código Da Vinci”, escrito por Dan Brown. Este autor apresentou como referências, após o término do romance, vários documentos, no entanto, algum tempo depois muitos deles, senão a maioria, foram declarados como não existentes pelos estudiosos que se dedicaram a encontrar suas fontes bibliográficas. Assim, apesar da gravidade que o quadro representa para aIgreja Católica, ou seja, o roubo das comunicações mantidas principalmente entre o Papa e alguns cardeais de suas relações mais próximas, evidencia um ataque premeditado, ainda que disfarçado de “boas intenções”. Tudo indica que a personalidade decidida do papa Bento XVI, mas ponderada, aliada à inteligência e à perspicácia em assuntos polêmicos, a seu tempo, permitirá que as notícias estampadas como escândalos na imprensa mundial sejam devidamente contextualizadas. Afinal, há uma realidade complexa quanto aos fatos que constituem os aspectos mundanos inerentes ao Estado do Vaticano, e principalmente, quanto ao esforço pela manutenção da unidade da Santa Sé. Esta, mantém a solidez da espiritualidade cristã católica ao longo de 20 séculos, contemplando cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo. Sobre o assunto acesse o link da Agência Ecclesia – Portugal:

Vaticano: Divulgação pública de correspondência dirigida ao Papa foi ataque «muito violento» a Bento XVI : “(…)O arcebispo frisou que o Papa “não perde a serenidade que lhe permite governar a Igreja com determinação e clarividência” e disse esperar que o Encontro Mundial das Famílias, a decorrer até domingo na cidade italiana de Milão, com a presença de Bento XVI a partir de sexta-feira, seja uma ocasião “de festa” e “alegria. (…)” – Agência Ecclesia – Portugal – 31.05.2012.

Leia também: Vaticano: Bento XVI pede aos fiéis para «rezarem pelo sucesso» do 7º Encontro Mundial de Famílias – “Evento começa esta quarta-feira em Milão e o Papa espera que seja uma ocasião para todos descobrirem a sua vocação na Igreja e no mundo” (Agência Eccleia – Portugal – 27.05.2012).

Fonte/imagem: Agência Ecclesia (D.R.).

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Fonte: ACI Digital (Extraído de A Santa Sé – Site Oficial  Vaticano – “Documentos” – Libreria Editrice Vaticana)

Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé»

06 de junho de 2005

Tópicos:O fundamento antropológico da família“, “Matrimônio e família na história da salvação“, “Os filhos“, “A ameaça do relativismo“, “Sacerdócio e vida consagrada.

“Queridos irmãos e irmãs:

Acolhi com muito prazer o convite de introduzir com uma reflexão este congresso diocesano antes de tudo porque me dá a possibilidade de encontrar-me convosco, de ter um contato direto, e depois porque me permite ajudar-vos a aprofundar no sentido e objetivo do caminho pastoral que a Igreja de Roma está percorrendo.

Saúdo com afeto a cada um de vós, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e em particular a vós, leigos e famílias, que assumis conscientemente essas tarefas de compromisso e testemunho cristão que tem sua raiz no sacramento do batismo e para aqueles que estão casados, no do matrimônio. Agradeço de coração ao cardeal vigário e aos esposos Luca e Adriana Pasquale pelas palavras que me dirigiram em vosso nome.

Este congresso, e o ano pastoral ao que oferecerá as linhas guia, constituem uma nova etapa no percurso que a Igreja começou, baseando-se no Sínodo diocesano com a missão cidadã querida por nosso querido Papa João Paulo II em preparação do grande Jubileu do ano 2000. Naquela missão, todas as realidades de nossa diocese –paróquias, comunidades religiosas, associações e movimentos– se mobilizaram não só com motivo de uma missão ao povo de Roma, mas também para ser elas mesmas «povo de Deus em missão», pondo em prática a acertada expressão de João Paulo II, «paróquia, busca-te e encontra-te fora de ti mesma»: ou seja, nos lugares nos quais vive o povo. Deste modo, no transcurso da missão cidadã, muitos milhares de cristãos de Roma, em grande parte leigos, converteram-se em missionários e levaram a palavra da fé em primeiro lugar às famílias dos diferentes bairros da cidade e depois nos diferentes lugares de trabalho, nos hospitais, na escola e nas universidades, nos espaços da cultura e do tempo livre.

Depois do Ano Santo, meu amado predecessor vos pediu para não interromper este caminho e não dispensar as energias apostólicas suscitadas e os frutos de graça recolhidos. Por isso, a partir do ano 2001, a orientação pastoral fundamental da diocese foi a de conformar permanentemente a missão, caracterizando em sentido mais decididamente missionário a vida e as atividades das paróquias e de cada uma das demais realidades eclesiais. Quero dizer-vos antes de tudo que quero confirmar plenamente esta opção: faz-se necessária cada vez mais e sem alternativas, em um contexto social e cultural no qual atuam forças múltiplas que tendem a afastar-nos da fé e da vida cristã.

Há já dois anos, o compromisso missionário da Igreja de Roma se concentrou sobretudo na família, não só porque esta realidade fundamental é submetida hoje a múltiplas dificuldades e ameaças, e portanto tem particular necessidade de ser evangelizada e apoiada concretamente, mas também porque as famílias cristãs constituem um recurso decisivo para a educação na fé, a educação da Igreja como comunhão e sua capacidade de presença missionária nas situações mais variadas da vida, assim como para fermentar em sentido cristão a cultura e as estruturas sociais. Continuaremos com estas orientações também no próximo ano pastoral e por este motivo o tema de nosso congresso é «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé». O pressuposto pelo qual há que começar para compreender a missão da família na comunidade cristã e suas tarefas de formação da pessoa e de transmissão da fé segue sendo sempre o significado que o matrimônio e a família têm no desígnio de Deus, criador e salvador. Este será portanto o miolo de minha reflexão desta tarde, remontando-me ao ensinamento da exortação apostólica «Familiaris consortio» (segunda parte, números 12-16).

O fundamento antropológico da família

Matrimônio e família não são uma construção sociológica casual, fruto de situações particulares históricas e econômicas. Pelo contrário, a questão da justa relação entre o homem e a mulher funde suas raízes na essência mais profunda do ser humano e só pode encontrar sua resposta a partir desta. Não pode separar-se da pergunta sempre antiga e sempre nova do homem sobre si mesmo: quem sou? E esta pergunta, por sua vez, não pode separar-se do interrogante sobre Deus: existe Deus? E, quem é Deus? Como é verdadeiramente seu rosto? A resposta da Bíblia a estas duas perguntas é unitária e consequencial: o homem é criado à imagem de Deus, e Deus mesmo é amor. Por este motivo, a vocação ao amor é o que faz do homem autêntica imagem de Deus: faz-se semelhante a Deus na medida em que se converte em alguém que ama.

Deste laço fundamental entre Deus e o homem se deriva outro: o laço indissolúvel entre espírito e corpo: o homem é, de fato, alma que se expressa no corpo e corpo que é vivificado por um espírito imortal. Também o corpo do homem e da mulher tem, portanto, por assim dizer, um caráter teológico, não é simplesmente corpo, e o que é biológico no homem não é só biológico, mas expressão e cumprimento de nossa humanidade. Do mesmo modo, a sexualidade humana não está ao lado de nosso ser pessoa, mas que lhe pertence. Só quando a sexualidade se integra na pessoa consegue dar-se um sentido a si mesma.

Deste modo, dos dois laços, o do homem com Deus e –no homem– o do corpo com o espírito, surge um terceiro laço: o que se dá entre pessoa e instituição. A totalidade do homem inclui a dimensão do tempo, e o «sim» do homem é um ir mais além do momento presente: em sua totalidade, o «sim» significa «sempre», constitui o espaço de fidelidade. Só em seu interior pode crescer essa fé que dá um futuro e permite que os filhos, fruto do amor, creiam no homem e em seu futuro em tempo difíceis. A liberdade do «sim» se apresenta portanto como liberdade capaz de assumir o que é definitivo: a expressão mais elevada da liberdade não é então a busca do prazer, sem chegar nunca a uma autêntica decisão. Aparentemente, esta abertura permanente parece ser a realização da liberdade, mas não é verdade: a verdadeira expressão da liberdade é pelo contrário a capacidade de decidir-se por um dom definitivo, no qual a liberdade, entregando-se, volta a encontrar-se plenamente a si mesma.

Em concreto, o «sim» pessoal e recíproco do homem e da mulher abre o espaço para o futuro, para a autêntica humanidade de cada um, e ao mesmo tempo está destinado ao dom de uma nova vida. Por este motivo, este «sim» pessoal tem de ser necessariamente um «sim» que é também publicamente responsável, com o qual os cônjuges assumem a responsabilidade pública da fidelidade, que garante também o futuro para a comunidade. Nenhum de nós pertence exclusivamente a si mesmo: portanto, cada um está chamado a assumir no mais íntimo de si sua própria responsabilidade pública. O matrimônio, como instituição, não é portanto uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, uma imposição desde o exterior na realidade mais privada da vida; é pelo contrário uma exigência intrínseca do pacto de amor conjugal e da profundidade da pessoa humana.

As diferentes formas atuais de dissolução do matrimônio, como as uniões livres e o «matrimônio à prova», até o pseudomatrimônio entre pessoas do mesmo sexo, são pelo contrário expressões de uma liberdade anárquica que se apresenta erroneamente como autêntica libertação do homem. Uma pseudoliberdade se baseia em uma banalização do corpo, que inevitavelmente inclui a banalização do homem. Seu pressuposto é que o homem pode fazer de si o que quer: seu corpo se converte deste modo em algo secundário, manipulável desde o ponto de vista humano, que se pode utilizar como se quer. A libertinagem, que se apresenta como descobrimento do corpo e de seu valor, é a realidade um dualismo que faz depreciável o corpo, deixando-o por assim dizer fora do autêntico ser e dignidade da pessoa.

Matrimônio e família na história da salvação

A verdade do matrimônio e da família, que funde suas raízes na verdade do homem, encontrou aplicação na história da salvação, em cujo centro está a palavra: “Deus ama o seu povo!”. A revelação bíblica, na verdade, é antes de tudo expressão de uma história de amor, a história da aliança de Deus com os homens: por este motivo, a história do amor e da união de um homem e uma mulher na aliança do matrimônio pôde ser assumida por Deus como símbolo da história da salvação. O fato inefável, no mistério do amor de Deus pelos homens, toma sua forma lingüística do vocabulário do matrimônio e da família em positivo e em negativo: A aproximação de Deus ao seu povo é apresentada com a linguagem do amor esponsal, enquanto a infidelidade de Israel, a sua idolatria, é designada como adultério e prostituição.

No Novo Testamento, Deus radicaliza seu amor até tornar-se Ele mesmo, no seu Filho, carne da nossa carne, verdadeiro homem. Neste modo, a união de Deus com o homem assumiu a sua forma suprema, irreversível e definitiva. E deste modo se traça também pelo amor humano a sua forma definitiva, esse “sim” recíproco que não se pode revogar: não aliena o homem, mas o liberta da alienações da história por reportá-lo à verdade da criação. A sacramentalidade que o matrimônio assume em Cristo significa, portanto que o dom da criação foi elevado à graça da redenção. A graça de Cristo não se sobrepõe desde fora à natureza do homem, não a violenta, mas a liberta e a restaura, ao elevá-la mais além de suas próprias fronteiras. E como a encarnação do filho de Deus revela o seu verdadeiro significado na cruz, assim o amor humano autêntico é doação de si, não pode existir se evita a cruz.

Queridos irmãos e irmãs, este laço profundo entre Deus e o homem, entre o amor de Deus e o amor humano, é confirmado por algumas tendências e desenvolvimentos negativos, cujo peso experimentamos todos. O envelhecimento do amor humano, a supressão da autêntica capacidade de amar se apresenta em nosso tempo como a arma mais eficaz para que o homem afaste de Deus, para afastar Deus do olhar e do coração do homem. Agora, a vontade de «libertar» a natureza de Deus leva a perder de vista a realidade mesma da natureza, inclusive a natureza do homem, reduzindo-a a um conjunto de funções, das quais se pode dispor segundo seus próprios gostos para construir um suposto mundo melhor e uma suposta humanidade mais feliz, pelo contrário, destrói-se o desígnio do Criador e ao mesmo tempo a verdade de nossa natureza.

Os filhos

Também na procriação dos filhos o matrimônio reflete seu modelo divino, o amor de Deus pelo homem. No homem e na mulher, a paternidade e a maternidade, como sucede com o corpo e com o amor, não se circunscrevem ao aspecto biológico: a vida só se dá totalmente quando com o nascimento se oferecem também o amor e o sentido que fazem possível dizer sim a esta vida. Precisamente por isto, fica claro até que ponto é contrário ao amor humano, à vocação profunda do homem e da mulher, o fechar sistematicamente a própria união ao dom da vida e, ainda mais, suprimir ou manipular a vida que nasce.

Agora, nenhum homem e nenhuma mulher, por si só e só com suas próprias forças, pode dar adequadamente aos filhos o amor e o sentido da vida. Para poder dizer a alguém: «tua vida é boa, ainda que não conheça teu futuro», são necessárias uma autoridade e uma credibilidade superiores, que o indivíduo não pode dar-se por si só. O cristão sabe que esta autoridade é conferida a essa família mais ampla que Deus, através de seu Filho, Jesus Cristo, e do dom do Espírito Santo, criou na história dos homens, ou seja, a Igreja. Reconhece a ação desse amor eterno e indestrutível que assegura à vida de cada um de nós um sentido permanente, ainda que não conheçamos o futuro. Por este motivo, a edificação de cada uma das famílias cristãs se marca no contexto da grande família da Igreja, que a apóia e a acompanha, e garante que há um sentido e que em seu futuro se dará o «sim» do Criador. E reciprocamente a Igreja é edificada pelas famílias, «pequenas Igrejas domésticas», como as chamou o Concílio Vaticano II («Lumen gentium», 11; «Apostollicam actuositatem», 11), redescobrindo uma antiga expressão patrística (São João Crisóstomo, «In Genesim serm.» VI,2; VII,1). Neste sentido, a «Familiaris consortio» afirma que «o matrimônio cristão… constitui o lugar natural dentro do qual se leva a cabo a inserção da pessoa humana na grande família da Igreja» (n. 15).

A família e a Igreja

De tudo isto se deriva uma conseqüência evidente: a família e a Igreja, em concreto as paróquias e as demais formas de comunidade eclesial, estão chamadas à mais íntima colaboração nessa tarefa fundamental que está constituída, inseparavelmente, pela formação da pessoa e a transmissão da fé. Sabemos bem que para que aconteça uma autêntica obra educativa não basta uma teoria justa ou uma doutrina que comunicar. Necessita-se algo muito maior e humano, essa proximidade, vivida diariamente, que é própria do amor e que encontra seu espaço mais propício antes de tudo na comunidade familiar, e depois em uma paróquia ou movimento ou associação eclesial, nos que se encontram pessoas que prestam atenção aos irmãos, em particular às crianças e jovens, assim como aos adultos, anciãos, enfermos, às próprias famílias, porque, em Cristo, amam-nos. O grande patrono dos educadores, São João Bosco, recordava a seus filhos espirituais que «a educação é coisa de coração e que só Deus é seu dono» («Epistolário», 4,209).

A figura do testemunho é central na obra educativa, e especialmente na educação na fé, que é o cume da formação da pessoa e seu horizonte mais adequado: converte-se em ponto de referência precisamente na medida em que sabe dar razão da esperança que fundamenta sua vida. (Cf. 1 Ped 3, 15), na medida em que está envolvido pessoalmente com a verdade que propõe. O testemunho, por outro lado, não se assinala a si mesmo, mas assinala a algo, ou melhor, a Alguém maior que ele, com o qual se encontrou e de quem experimentou uma bondade confiável. Deste modo, todo educador e testemunho encontra seu modelo insuperável em Jesus Cristo, o grande testemunho do Pai, que não dizia nada por si mesmo, mas que falava tal e como o Pai o havia ensinado (Cf. João 8, 28).

Este é o motivo pelo qual no fundamento da formação da pessoa cristã e da transmissão da fé está necessariamente a oração, a amizade pessoal com Cristo e a contemplação nele do rosto do Pai. E o mesmo se pode dizer de todo nosso compromisso missionário, em particular, de nossa pastoral familiar: que a Família de Nazaré seja, portanto, para nossas famílias e comunidades, objeto de constante e confiada oração, assim como modelo de vida.

Queridos irmãos e irmãs, e especialmente vós, queridos sacerdotes: sou consciente da generosidade e a entrega com a qual servis ao Senhor e à Igreja. Vosso trabalho cotidiano pela formação na fé das novas gerações, em íntima união com os sacramentos da iniciação cristã, assim como também pela preparação ao matrimônio e pelo acompanhamento das famílias em seu caminho, que com freqüência, em particular na grande tarefa da educação dos filhos, é o caminho fundamental para regenerar sempre de novo a Igreja e também para vivificar o tecido social de nossa amada cidade de Roma.

A ameaça do relativismo

Segui, portanto, sem deixar-vos desalentar pelas dificuldades que encontrais. A relação educativa é, por sua mesma natureza, algo delicado: implica a liberdade do outro que, ainda que seja com doçura, de todos os modos é provocado a tomar uma decisão. Nem os pais, nem os sacerdotes, nem os catequistas, nem os demais educadores podem substituir a liberdade da criança, do adolescente ou do jovem a quem se dirigem. E a proposta cristã interpela especialmente a fundo a liberdade, chamando-a à fé e à conversão. Um obstáculo particular insidioso na obra educativa é hoje a massiva presença em nossa sociedade e cultura desse tipo de relativismo que, ao não reconhecer nada como definitivo, só tem como medida última o próprio eu com seus gostos e que, com a aparência da liberdade, converte-se para cada um em uma prisão, pois separa dos demais, fazendo que cada um se encontre fechado no próprio «eu». Em um horizonte relativista assim não é possível, portanto, uma autêntica educação: sem a luz da verdade antes ou depois toda pessoa fica condenada a duvidar da bondade de sua mesma vida e das relações que a constituem, da validez de seu compromisso para construir com os demais algo em comum.

Está claro, portanto, que não só temos de tentar superar o relativismo em nosso trabalho de formação de pessoas, mas que estamos também chamados a enfrentarmos seu predomínio destrutivo na sociedade e na cultura. Por isso, é muito importante que, junto à palavra da Igreja, dê-se o testemunho e o compromisso público das famílias cristãs, em particular para reafirmar a inviolabilidade da vida humana desde sua concepção até seu ocaso natural, o valor único e insubstituível da família fundada sobre o matrimônio e a necessidade de medidas legislativas e administrativas que apóiem as famílias na tarefa de engendrar e educar os filhos, tarefa essencial para nosso futuro comum. Por este compromisso vosso também vos agradeço de coração.

Sacerdócio e vida consagrada

A última mensagem que gostaria de deixar-vos afeta a atenção pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada: todos sabemos a necessidade que tem a Igreja! Para que nasçam e amadureçam estas vocações, para que as pessoas chamadas se mantenham sempre dignas de sua vocação, é decisiva antes de tudo a oração, que não deve faltar nunca em cada uma das famílias e na comunidade cristã. Mas também é fundamental o testemunho de vida dos sacerdotes, dos religiosos e das religiosas, a alegria que expressam por haver sido chamados pelo Senhor. E é assim mesmo essencial o exemplo que recebem os filhos dentro de sua própria família e a convicção nas famílias de que a vocação dos filhos é também para elas um grande dom do Senhor. A opção pela virgindade por amor de Deus e dos irmãos, que é exigida para o sacerdócio e a vida consagrada, está acompanhada pela valorização do matrimônio cristão: a uma e a outra, com duas formas diferentes e complementares, fazem em certo sentido visível o mistério da aliança entre Deus e seu povo.

Queridos irmãos e irmãs, confio-vos estas reflexões como contribuição a vosso trabalho nas noites do Congresso e depois durante o próximo ano pastoral. Peço ao Senhor que vos dê valentia e entusiasmo para que nossa Igreja de Roma, cada paróquia, cada comunidade religiosa, associação ou movimento participe intensamente na alegria e no esforço da missão e deste modo cada família e toda a comunidade cristã redescubra no amor do Senhor a chave que abre a porta dos corações e que faz possível uma autêntica educação na fé e na formação das pessoas. Meu afeto e minha benção vos acompanham hoje e no futuro.” (Bento XVI – 06 de junho de 2005).

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Publicado em ACI Digital. Extraído de A Santa Sé – “Documentos” – Site Oficial do Vaticano – Discurso do Papa Bento XVI na Basílica de São João de Latrão na abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma sobre «Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé» – 06 de junho de 2005.

As causas da aprovação do Aborto pelo STF no Brasil – Entrevista com sacerdote diocesano Hélio Luciano, especialista em Bioética e Teologia Moral, pela Espanha e Itália (Agência de Notícias Zenit-Roma, Brasil – 18.04.2012))

Crianças iniciam catequese na Capela São José

Fonte/imagem: Ordem dos Carmelitas Descalços – Boletim de Notícias – Província – Brasil – “Comunidade inicia encontros de catequese

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O assunto é polêmico no mundo inteiro. Logo abaixo, apresento uma entrevista com o Padre Hélio Luciano, publicada na Agência Zenit (.org). hoje, dia 18, sobre a aprovação do aborto de bebês anencéfalos no Brasil, dia 11 deste mês, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na esteira desta aprovação, em breve, o processo de legalização do aborto irrestrito (mas com especificação quanto ao número de meses de gestação) vai seguir seu curso. Há alguns países na Europa principalmente, onde o aborto pode ser realizado legalmente, com apoio da rede pública de saúde, mesmo que a mulher esteja com mais de seis, e mesmo nove meses de gestação.

É bom lembrar que há cerca de quatro anos, na Câmara de Deputados, este processo foi repudiado, através das representações de vários setores da sociedade e das organizações pró-vida. O grupo de deputados e deputadas, chamados “Pró-Escolha” (“Pelo livre direito da mulher de decidir”), descontentes e temerosos diante da pouca receptividade dos movimentos públicos presentes, prometeram trazer o projeto de volta ao Congresso Nacional.

Um aspecto interessante é que em países como os Estados Unidos, em que há cerca de três décadas, o aborto é liberado, e do mesmo modo, na Itália, aumentam os movimentos para a reversão da lei que legalizou a prática do aborto. Na verdade, em geral, quando é livre, aumenta o número de abortos. Na Itália, devido às campanhas “Pró-Vida” (“Pelo direito do nascituro”), o número vem diminuindo, mas ainda é considerado excessivo pelas autoridades italianas. (LBN)

Leia também: “Pela vida da mãe e de seu filho” – Artigo – Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP) – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – 19.03.2012 – Blog “Castelo Interior”.

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Fonte: Agência de Notícias Zenit – Roma

As causas da aprovação do aborto de

anencéfalos pelo STF no Brasil

Por Thácio Siqueira

BRASILIA, quarta-feira, 18 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Diante da aprovação do STF sobre o aborto dos anencéfalos Zenit entrevistou o padre Hélio, experto da área de bioética, com a finalidade de refletir um pouco mais sobre as causas dessa aprovação.

Pe. Hélio é sacerdote diocesano da diocese de Florianópolis (SC), graduado em odontologia pela UFSC, no Brasil, graduado em filosofia e teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, Mestrado em bioética pela mesma Faculdade; Mestrando em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), na Itália, doutorando em bioética pela Faculdade de Medicina do Campus Biomedico di Roma (UNICAMPUS), na Itália e Mebro da Comissão de Bioética da CNBB. Para contato: hélio_bioetica@hotmail.com

A seguir publicamos a entrevista:

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O senhor acaba de retornar ao Brasil depois de um período de estudos na Europa. E chegou bem na hora em que o STF aprovava o aborto de bebês anencéfalos. Ainda que os Ministros Brasileiros tenham se sentido portadores de Novas idéias e Revoluções Éticas e Morais, o senhor não acha que estamos diante de pensamentos antigos, que pelo menos há uns dois ou três séculos invadiram o mundo Cristão Ocidental com mais força?

Sem nenhuma dúvida. Toda essa “pseudo-revolução” atual no Brasil – liderada por “pseudo-intelectuais” – não é nada novo na história da humanidade. São ideias da Idade Moderna (séculos XV a XVIII), que foram redesenhadas na primeira metade do século XX e que agora, atrasadamente, chega ao Brasil com maquiagem de ideias pós-contemporâneas. Insisto que é um movimento liderado por “pseudo-intelectuais”, pois não representam de nenhum modo o pensamento e os valores defendidos pela sociedade brasileira. Estes “líderes” querem colocar em prática ideias da Revolução Francesa com o objetivo de “iluminar” o povo brasileiro – mesmo que seja necessário ir contra a vontade deste povo.

Para o senhor, que acaba de chegar ao Brasil, qual é a impressão que tem ao ver um país com maioria Católica aprovar algo que vai contra a Moralidade Cristã e até mesmo contra a Razão científica e médica? 

Como você bem diz na pergunta, a decisão contra a vida das crianças anencéfalas não foi apenas uma decisão contra valores cristãos ou católicos. Foi uma aberração jurídica, científico-positiva, ética e moral. O Supremo Tribunal Federal não é competente para realizar a interpretação de uma lei de modo contrário à própria letra da lei, principalmente quando o texto está claramente redatado – este é um princípio básico de hermenêutica jurídica. A questão científica é clara: trata-se de uma vida, pois se a criança estivesse morta não haveria nada para ser julgado. Quanto à ética, é de uma lógica natural que não podemos matar a um inocente. Por fim vem a questão moral, que, baseada na ética, pode ir mais além, assumindo também valores próprios de uma religião, no caso do Brasil a religião Católica e de um modo mais geral as religiões cristãs. Ir contra esses valores não é proclamar a laicidade do Estado, mas fechar os olhos para os valores próprios e históricos de uma nação.

Será que mais do que uma aprovação do Aborto não se busca uma afirmação de um Governo Laicista que pretende mostrar o seu poder diante de tudo o que seja Religião, principalmente diante daquela instituição que tem maior presença como é a Igreja Católica?

Voltamos aqui à questão do modernismo/ Iluminismo. A intenção é fazer que o Estado assuma totalmente a função da religião e tentam fazer isso eliminando os valores próprios da Igreja, como se estes valores não tivessem base no próprio modo de ser humano e não constituíssem os valores e a identidade da Nação. Um Estado laico é necessário – a separação entre Igreja e Estado foi um grande avanço para ambas instituições – porém um Estado laicista, que, ao invés de independência da Religião tenta fazer-se contrário à mesma, é um Estado que desrespeita uma dimensão fundamental do homem – a religiosa.

Porém, esquecem que é justamente através dessas manobras laicistas que despertarão “o Gigante brasileiro”, que possui “filhos que não fugirão à luta”.

As vezes parece que, na nossa “sociedade democrática”, todos podem opinar, menos os cristãos e menos ainda os católicos. O senhor acha o mesmo?

Se por democracia entendemos um governo representativo dos valores da população, isso não deveria ser assim. Porém, se a interpretação de “sociedade democrática” for a mesma de “sociedade laicista”, o que haverá – e de fato há – será uma clara discriminação e preconceito a todos os tipos de valores não só religiosos, mas também éticos e morais.

Hoje em dia o único preconceito válido é contra a Igreja e contra os sacerdotes – para este preconceito não existe lei nem punição.

Os argumentos utilizados para defender o aborto do bebê anencéfalo, às vezes, são comoventes e com histórias que parecem convincentes. Escuta-se muito por aí, até mesmo de católicos fervorosos e estudados, que seria muito melhor “interromper” a gestação e que esta interrupção não poderia ser chamada de aborto, já que o ser que estava no ventre materno não estava vivo e nem era uma pessoa. O que o senhor acha disso?

Se não fosse vivo não poderia ser cometido um aborto. Alguns dirão, é vivo, mas não seria humano. Essas pessoas teriam que explicar que espécie de vida seria então – Vegetal? Animal? Com DNA humano?

Os argumentos nesses casos sempre exploram o “sentimentalismo” tão característico do povo brasileiro. Mas não são argumentos racionais e nem mesmo verdadeiros.

Não podemos negar que se trata de uma situação muito complicada para a mãe, pois sabe que o seu filho, que carrega no ventre, não viverá muito tempo. Porém sabemos que mesmo sentimentalmente as mães sofrerão muito mais por terem sido “carrascos” ou mandantes da morte do seu próprio filho do que pela perda natural do mesmo.

Por exemplo, em grandes cadeias de televisão do nosso Brasil mostraram casos de mães que foram “obrigadas” a levar a gestação adiante e que hoje agradecem o governo brasileiro por terem libertado as mães do Brasil desta escravidão, de terem que levar nos seus ventres uma “criatura morta” e sem vida, sem terem a ajuda legal para poder interromper a gestação, ou seja, abortar. O que o senhor acha disso?

Infelizmente alguns meios de comunicação tem se esforçado por difundir ideias consideradas “politicamente corretas”, ainda quando contrárias à natureza própria do ser humano. A estratégia tem sido fazer acreditar que todo o Brasil está de acordo com essas ideias, sendo que o simples telespectador sente-se uma exceção.

Neste caso específico aproveitaram do sofrimento real dessas mães grávidas de anencéfalos para utilizá-las, estrategicamente. Porém não mostraram nenhum caso de mãe que tenha de fato abortado a seu filho anencéfalo, pois essa verdade não ajudaria na estratégia de aprovação.

Outra estratégia foi a de considerar anencéfalos somente os casos mais graves de anencefalia, desconsiderando – e consequentemente não mostrando – crianças anencéfalas já nascidas, como a menina Vitória, por exemplo, que já tem mais de dois anos e estava presente no julgamento do STF. Assim, a opinião pública foi induzida a acreditar que crianças anencéfalas não possuíam nem mesmo cabeça, ao mesmo tempo em que, na prática, se sabe que o diagnóstico de anencefalia é muito difícil de ser auferido e graduado. A partir de agora, todos os casos – inclusive o de crianças como a Vitória – tornaram-se passíveis de aborto.

A lei está aí. Sabemos que lei não é sinônimo de moralidade, mas podem realmente existir leis que vão contra a moralidade?

A lei humana deve sempre responder ao bem do homem e ao bem comum da sociedade. Caso contrário, deixa de ser uma lei e torna-se uma violência contra o homem e a sociedade. Sendo assim, cada pessoa tem a obrigação de desobedece-la.

O nosso dever agora é tentar frear o ativismo legislativo do Supremo Tribunal Federal que surgirá a partir desse juízo. Certamente, decorrente desse último juízo, não tardará a questão do aborto de crianças em outras situações graves. Além disso, de acordo com o voto de muitos dos juízes legitimando o aborto de anencéfalos pela incapacidade dessas crianças de vir a ter consciência plena, não duvidaria que o tema da eutanásia viesse a ser a seguinte polêmica.

Publicado em Zenit.org.