O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
Tag: “Ama a Deus Pai acima de tudo – e a teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus Cristo)
O fundador dos Frades Franciscanos da Imaculada explica a virtude mariana da prudência
Por Pe. Stefano M. Pio Manelli
ROMA, sábado, 05 de maio de 2012 (ZENIT.org) – Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência. Na verdade, nas extraordinárias palavras de saudação do anjo Gabriel – “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28) – o evangelista São Lucas diz que a Virgem Maria ficou rapidamente amedrontada, tocada ou perturbada. Por quê? Por causa da intervenção da virtude da prudência!
Está na natureza da virtude da prudência, de fato, o dever de alertar a pessoa de toda precipitação ou juízo precipitado das coisas, ajudando a dar-se conta primeiramente do que escuta, do que vê e do que acontece. A estas palavras notáveis do Anjo, a virtude da prudência se fez presente e colocou em guarda a jovem virgem Maria, comprometendo-a a refletir para avaliar prudentemente o significado destas palavras angelicais, em vez de exaltar-se sem dar-se conta do seu real significado.
Literalmente, de fato, o evangelista São Lucas diz que às belas palavras de saudação do Anjo, a Virgem Maria, muito prudentemente, antes de exaltar-se, “pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Prudência e deliberação caminham lado a lado com estas palavras do evangelista, e muito mais, unem-se profundamente no comportamento da virgem Maria.
Junto com a perturbação inicial de Nossa Senhora, de fato, o Anjo Gabriel, em seguida, dá uma explicação, não menos extraordinária também: “Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o rono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33 ).
Nas palavras do Anjo, portanto, continua a revelação de coisas realmente extraordinárias; coisas grandes, coisas enormes, coisas humanamente incríveis, que, querendo, podem ser resumidas nas palavras: Tu, Virgem Maria, serás mãe do mesmo Filho de Deus! http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com.br/2009/12/liturgia-01-de-janeiro-santa-maria-mae.html
A estas palavras do Anjo, agora, poderíamos pensar que imediatamente, por parte da Virgem Maria, não havia mais nada a fazer, a não ser alegrar-se e exaltar-se até o sétimo céu, regozijando-se de uma alegria divina sem medida. Porém, isso não aconteceu. Por quê?
Maria, de fato, até mesmo depois das outras palavras do Anjo, apresenta-se com a sua prudência e circunspecção, não se exaltando para nada com as palavras tão sublimes que o Anjo Gabriel disse à ela e que diz respeito especificamente ao plano de Deus para ela.
É próprio da virtude da prudência, de fato, observar com cuidado cada coisa, para saber discernir o bem do mal, evitando assim, qualquer risco de dano a si ou aos outros. A este respeito, no entanto, surge uma pergunta: mas era possível que por parte do Anjo Maria recebesse algo de mal ou de inconveniente? Trata-se de um anjo enviado por Deus!
A resposta a esta razoável pergunta fica ainda no ar, porque Maria, refletindo prudentemente nas palavras do Anjo, capta um ponto problemático com relação à sua condição pessoal de virgem consagrada a Deus, e por isso ela pode imediatamente perguntar como acontecerá isso que o Anjo disse, tendo ela já consagrado a sua virgindade a Deus: “Como é possível? Eu não conheço homem”(Lc 1, 34). Isto é: como ela poderá se tornar Mãe do Filho de Deus sem trair a oferta da sua virgindade a Deus? O problema, portanto, era realmente grande para Maria, era crucial.
Se é verdade que ela deveria rapidamente exaltar-se com o projeto de uma tão sublime maternidade divina, como conciliá-lo, no entanto, com a já consagrada virgindade dela a Deus? De alguma forma ela pode tirar de Deus o que já lhe tinha doado e que pertence somente a Ele? Será que Ela pode não mais prestar atenção à sua virgindade dada a Deus? … São perguntas realmente delicadas e intrigantes!
Prudência e circunspecção respondem não. Neste caso, só Deus podia resolver o assunto, porque é sagrado dever da criatura salvaguardar sempre o direito de Deus ao qual pertencia a virgindade que Maria já lhe tinha oferecido.
E aqui estão as últimas palavras do Anjo à Virgem que tem se mostrado tão atenta e prudente: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a potência do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Aquele que nascerá será, portanto, chamado Santo e Filho de Deus”(Lc 1, 35).
Neste ponto, a conclusão desta lição altíssima sobre a virtude cardeal da prudência foi a resposta final de Maria ao Anjo que agora pôde dizer-lhe com toda a sua alma: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra “(Lc 1, 38).
Que a “Virgo Prudens ” nos ensine também a preciosa virtude cardeal da prudência!
O assunto é polêmico no mundo inteiro. Logo abaixo, apresento uma entrevista com o Padre Hélio Luciano, publicada na Agência Zenit (.org). hoje, dia 18, sobre a aprovação do aborto de bebês anencéfalos no Brasil, dia 11 deste mês, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na esteira desta aprovação, em breve, o processo de legalização do aborto irrestrito (mas com especificação quanto ao número de meses de gestação) vai seguir seu curso. Há alguns países na Europa principalmente, onde o aborto pode ser realizado legalmente, com apoio da rede pública de saúde, mesmo que a mulher esteja com mais de seis, e mesmo nove meses de gestação.
É bom lembrar que há cerca de quatro anos, na Câmara de Deputados, este processo foi repudiado, através das representações de vários setores da sociedade e das organizações pró-vida. O grupo de deputados e deputadas, chamados “Pró-Escolha” (“Pelo livre direito da mulher de decidir”), descontentes e temerosos diante da pouca receptividade dos movimentos públicos presentes, prometeram trazer o projeto de volta ao Congresso Nacional.
Um aspecto interessante é que em países como os Estados Unidos, em que há cerca de três décadas, o aborto é liberado, e do mesmo modo, na Itália, aumentam os movimentos para a reversão da lei que legalizou a prática do aborto. Na verdade, em geral, quando é livre, aumenta o número de abortos. Na Itália, devido às campanhas “Pró-Vida” (“Pelo direito do nascituro”), o número vem diminuindo, mas ainda é considerado excessivo pelas autoridades italianas. (LBN)
BRASILIA, quarta-feira, 18 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Diante da aprovação do STF sobre o aborto dos anencéfalos Zenit entrevistou o padre Hélio, experto da área de bioética, com a finalidade de refletir um pouco mais sobre as causas dessa aprovação.
Pe. Hélio é sacerdote diocesano da diocese de Florianópolis (SC), graduado em odontologia pela UFSC, no Brasil, graduado em filosofia e teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, Mestrado em bioética pela mesma Faculdade; Mestrando em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), na Itália, doutorando em bioética pela Faculdade de Medicina do Campus Biomedico di Roma (UNICAMPUS), na Itália e Mebro da Comissão de Bioética da CNBB. Para contato: hélio_bioetica@hotmail.com
A seguir publicamos a entrevista:
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O senhor acaba de retornar ao Brasil depois de um período de estudos na Europa. E chegou bem na hora em que o STF aprovava o aborto de bebês anencéfalos. Ainda que os Ministros Brasileiros tenham se sentido portadores de Novas idéias e Revoluções Éticas e Morais, o senhor não acha que estamos diante de pensamentos antigos, que pelo menos há uns dois ou três séculos invadiram o mundo Cristão Ocidental com mais força?
Sem nenhuma dúvida. Toda essa “pseudo-revolução” atual no Brasil – liderada por “pseudo-intelectuais” – não é nada novo na história da humanidade. São ideias da Idade Moderna (séculos XV a XVIII), que foram redesenhadas na primeira metade do século XX e que agora, atrasadamente, chega ao Brasil com maquiagem de ideias pós-contemporâneas. Insisto que é um movimento liderado por “pseudo-intelectuais”, pois não representam de nenhum modo o pensamento e os valores defendidos pela sociedade brasileira. Estes “líderes” querem colocar em prática ideias da Revolução Francesa com o objetivo de “iluminar” o povo brasileiro – mesmo que seja necessário ir contra a vontade deste povo.
Para o senhor, que acaba de chegar ao Brasil, qual é a impressão que tem ao ver um país com maioria Católica aprovar algo que vai contra a Moralidade Cristã e até mesmo contra a Razão científica e médica?
Como você bem diz na pergunta, a decisão contra a vida das crianças anencéfalas não foi apenas uma decisão contra valores cristãos ou católicos. Foi uma aberração jurídica, científico-positiva, ética e moral. O Supremo Tribunal Federal não é competente para realizar a interpretação de uma lei de modo contrário à própria letra da lei, principalmente quando o texto está claramente redatado – este é um princípio básico de hermenêutica jurídica. A questão científica é clara: trata-se de uma vida, pois se a criança estivesse morta não haveria nada para ser julgado. Quanto à ética, é de uma lógica natural que não podemos matar a um inocente. Por fim vem a questão moral, que, baseada na ética, pode ir mais além, assumindo também valores próprios de uma religião, no caso do Brasil a religião Católica e de um modo mais geral as religiões cristãs. Ir contra esses valores não é proclamar a laicidade do Estado, mas fechar os olhos para os valores próprios e históricos de uma nação.
Será que mais do que uma aprovação do Aborto não se busca uma afirmação de um Governo Laicista que pretende mostrar o seu poder diante de tudo o que seja Religião, principalmente diante daquela instituição que tem maior presença como é a Igreja Católica?
Voltamos aqui à questão do modernismo/ Iluminismo. A intenção é fazer que o Estado assuma totalmente a função da religião e tentam fazer isso eliminando os valores próprios da Igreja, como se estes valores não tivessem base no próprio modo de ser humano e não constituíssem os valores e a identidade da Nação. Um Estado laico é necessário – a separação entre Igreja e Estado foi um grande avanço para ambas instituições – porém um Estado laicista, que, ao invés de independência da Religião tenta fazer-se contrário à mesma, é um Estado que desrespeita uma dimensão fundamental do homem – a religiosa.
Porém, esquecem que é justamente através dessas manobras laicistas que despertarão “o Gigante brasileiro”, que possui “filhos que não fugirão à luta”.
As vezes parece que, na nossa “sociedade democrática”, todos podem opinar, menos os cristãos e menos ainda os católicos. O senhor acha o mesmo?
Se por democracia entendemos um governo representativo dos valores da população, isso não deveria ser assim. Porém, se a interpretação de “sociedade democrática” for a mesma de “sociedade laicista”, o que haverá – e de fato há – será uma clara discriminação e preconceito a todos os tipos de valores não só religiosos, mas também éticos e morais.
Hoje em dia o único preconceito válido é contra a Igreja e contra os sacerdotes – para este preconceito não existe lei nem punição.
Os argumentos utilizados para defender o aborto do bebê anencéfalo, às vezes, são comoventes e com histórias que parecem convincentes. Escuta-se muito por aí, até mesmo de católicos fervorosos e estudados, que seria muito melhor “interromper” a gestação e que esta interrupção não poderia ser chamada de aborto, já que o ser que estava no ventre materno não estava vivo e nem era uma pessoa. O que o senhor acha disso?
Se não fosse vivo não poderia ser cometido um aborto. Alguns dirão, é vivo, mas não seria humano. Essas pessoas teriam que explicar que espécie de vida seria então – Vegetal? Animal? Com DNA humano?
Os argumentos nesses casos sempre exploram o “sentimentalismo” tão característico do povo brasileiro. Mas não são argumentos racionais e nem mesmo verdadeiros.
Não podemos negar que se trata de uma situação muito complicada para a mãe, pois sabe que o seu filho, que carrega no ventre, não viverá muito tempo. Porém sabemos que mesmo sentimentalmente as mães sofrerão muito mais por terem sido “carrascos” ou mandantes da morte do seu próprio filho do que pela perda natural do mesmo.
Por exemplo, em grandes cadeias de televisão do nosso Brasil mostraram casos de mães que foram “obrigadas” a levar a gestação adiante e que hoje agradecem o governo brasileiro por terem libertado as mães do Brasil desta escravidão, de terem que levar nos seus ventres uma “criatura morta” e sem vida, sem terem a ajuda legal para poder interromper a gestação, ou seja, abortar. O que o senhor acha disso?
Infelizmente alguns meios de comunicação tem se esforçado por difundir ideias consideradas “politicamente corretas”, ainda quando contrárias à natureza própria do ser humano. A estratégia tem sido fazer acreditar que todo o Brasil está de acordo com essas ideias, sendo que o simples telespectador sente-se uma exceção.
Neste caso específico aproveitaram do sofrimento real dessas mães grávidas de anencéfalos para utilizá-las, estrategicamente. Porém não mostraram nenhum caso de mãe que tenha de fato abortado a seu filho anencéfalo, pois essa verdade não ajudaria na estratégia de aprovação.
Outra estratégia foi a de considerar anencéfalos somente os casos mais graves de anencefalia, desconsiderando – e consequentemente não mostrando – crianças anencéfalas já nascidas, como a menina Vitória, por exemplo, que já tem mais de dois anos e estava presente no julgamento do STF. Assim, a opinião pública foi induzida a acreditar que crianças anencéfalas não possuíam nem mesmo cabeça, ao mesmo tempo em que, na prática, se sabe que o diagnóstico de anencefalia é muito difícil de ser auferido e graduado. A partir de agora, todos os casos – inclusive o de crianças como a Vitória – tornaram-se passíveis de aborto.
A lei está aí. Sabemos que lei não é sinônimo de moralidade, mas podem realmente existir leis que vão contra a moralidade?
A lei humana deve sempre responder ao bem do homem e ao bem comum da sociedade. Caso contrário, deixa de ser uma lei e torna-se uma violência contra o homem e a sociedade. Sendo assim, cada pessoa tem a obrigação de desobedece-la.
O nosso dever agora é tentar frear o ativismo legislativo do Supremo Tribunal Federal que surgirá a partir desse juízo. Certamente, decorrente desse último juízo, não tardará a questão do aborto de crianças em outras situações graves. Além disso, de acordo com o voto de muitos dos juízes legitimando o aborto de anencéfalos pela incapacidade dessas crianças de vir a ter consciência plena, não duvidaria que o tema da eutanásia viesse a ser a seguinte polêmica.
“(…) Mesmo sabendo que nem tudo aquilo que é legal é moral, colocamos diante da sociedade a preocupação com o direcionamento que tem sido dado à sociedade em certos tipos de legislação que, sem dúvida, terá consequências históricas em nossa cultura.(…)” Dom Orani João Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
BRASILIA, terça-feira, 17 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir uma reflexão de Dom Orani Tempesta, tirada do site da CNBB, feita no dia da Votação do Aborto de Bebês anencéfalos, pelo STF, no dia 11 de Abril.
A opção por uma cultura de morte ou de vida vai depender dessas decisões
Reflexões de Dom Orani Tempesta no dia da Votação do Aborto de Bebês anencéfalos
Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
O Supremo Tribunal Federal está prestes a julgar uma das causas mais polêmicas que habitam seus escaninhos: o aborto de meroanencefalia (meros = parte), comumente denominado anencéfalo. E esta polêmica se justifica pelo fato de que este tema envolve aspectos médicos, jurídicos, sociais e culturais.
Além disso, as decisões que aqueles que têm a responsabilidade de bem interpretar a “Constituição Cidadã” terão consequências na história, na compreensão do valor que uma sociedade dá à vida. Realmente é uma gravíssima situação.
Primeiramente, vale esclarecer que a anencefalia é caracterizada pela ausência dos ossos do crânio, com exceção do osso frontal, com má formação (ou ausência) dos hemisférios cerebrais. A criança nasce com vida, contudo, há curta expectativa de vida extrauterina, embora se tenha notícias de maior durabilidade em alguns casos.
E aqui reside um aspecto relevante para a abordagem do assunto. O anencéfalo possui vida porque há atividade encefálica, atividade esta que deve cessar para que seja declarada a morte do paciente. Além disso, a criança portadora de anencefalia apresenta atividade respiratória, inclusive sem uso de aparelhos, o que reforça a caracterização da vida.
Dessa forma, a antecipação do parto de anencéfalos, como tratado no processo em trâmite no STF, se assemelha ao aborto porque se abrevia a expectativa de vida do nascituro. A propósito, outro aspecto importante é que o ordenamento jurídico pátrio atribui personalidade civil e direitos ao nascituro, como preceitua o Código Civil Brasileiro. Portanto, a legislação brasileira não permite que esses direitos sejam cessados por ato voluntário e arbitrário de quem quer que seja, sob pena de se sujeitar às sanções penais.
Na mesma linha corroborada pelo Código Civil, a própria Constituição Federal enuncia a vida como um direito fundamental, como esculpido no “caput” do artigo 5º. E é fato que nos casos de anencefalia há vida intrauterina, a qual, repise-se, não pode ser cessada ou abreviada por circunstâncias arbitrárias.
Também a Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece a necessidade de proteção legal à criança, antes e depois do nascimento, amparando a vida intrauterina, característica nos casos de anencéfalos. Com efeito, a antecipação do parto dessa natureza se distancia da proteção à criança, de que trata essa Convenção.
Finalmente, é importante ressaltar que a curta expectativa de vida não permite se dispor dos demais direitos do anencéfalo, inclusive o direito à vida, como estabelecido pela Carta Magna. Dessa forma, por todos esses motivos, a antecipação do parto de anencéfalos se distancia de todas as bases e parâmetros sobre os quais foram construídas as normas que regem o Estado Democrático de Direito.
Mesmo sabendo que nem tudo aquilo que é legal é moral, colocamos diante da sociedade a preocupação com o direcionamento que tem sido dado à sociedade em certos tipos de legislação que, sem dúvida, terá consequências históricas em nossa cultura. A opção por uma cultura de morte ou de vida vai depender dessas decisões.
Olhamos com carinho para as mães que sabemos acabam entrando nessa história levadas pelas pressões atuais, e acabam sofrendo muito mais com esse atentado em suas vidas.
Para nós, cristãos e católicos, será triste ver vencer uma cultura de morte justamente na semana da oitava da Páscoa, quando falamos e anunciamos exatamente o contrário – a vida que vence a morte!
Espero que uma história bem imparcial julgue, no futuro, os passos que hoje estão direcionando nossa sociedade.
No seu 85º aniversário, Bento XVI indica Bernadette Soubirous e o Sábado Santo, como suas referências espirituais.
Por Luca Marcolivio
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 16 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – O 85º aniversário de Bento XVI teve uma manhã cheia de celebrações, visitas e festejos. O Santo Padre, para a ocasião, presidiu a Santa Missa na Capela Paulina do Palácio Apostólico na presença de alguns notáveis e de bispos Bavareses, recebidos depois em audiência privada.
Na saudação inicial, o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício agradeceu o Pontífice pela “dedicação” com a qual exercita o seu “serviço de amor”.
“Não por acaso – acrescentou Sodano – a Sua primeira Encíclica (Deus Caritas est, ndr) foi todo um hino ao Amor que é Deus, como àquele amor que deve animar cada Pastor, chamado a fazer entrar no mundo a luz de Deus e de tal forma também o calor do seu amor”.
Na homilia o Papa indicou em dois santos franceses, as primeiras figuras de referência da sua longa viagem espiritual e pastoral: a vidente de Lourdes, Bernadette Soubirous, e o peregrino mendicante do XVIII século, Bento José Labre.
Outro pilar da própria fé foi indicado pelo Santo Padre no Sábado Santo: pois era justo na vigília de Pascoa que Joseph Ratzinger, no dia 16 de abril de 1927, vinha à luz e recebia o sacramento do Batismo. O Sábado Santo é o dia do silêncio e da aparente ausência de Deus, prelúdio da Ressurreição. O Papa afirmou de sempre ter visto este dia como uma chave de “leitura” da própria existência, antes e depois da eleição pontifícia.
Elogiou em Santa Bernadette a pureza de coração e a capacidade de ver “a Mãe de Deus e nela o reflexo da beleza e da bondade de Deus”. É no coração incontaminado da jovenzinha de Loudes que Nossa Senhora pôde “mostrar-se e, por meio dela, falar ao século e além do mesmo século”.
Assim, seja o Sábado Santo que a vidente de Lourdes, sempre foram, para Bento XVI, um “sinal” do que realmente “devemos ser”, da capacidade de um “olhar simples do coração, capaz de ver o essencial”.
Este “essencial” reside no que Nossa Senhora indica a Bernadette: uma “fonte de água viva e pura”, imagem da “verdade que encontramos pela fé”. É sinal de “nostalgia” de uma vida igualmente pura, “do ser humano sem pecado”.
Bento José Labre, o outro santo citado pelo Pontífice, peregrinou pelos santuários da Europa durante quase toda a sua vida, não fazendo outra coisa que “dar testemunho do que realmente conta”.
Labre, pela vastidão da sua peregrinação, foi um santo autenticamente “europeu” mas foi principalmente um santo que, em nome da fraternidade em Deus, soube derrubar as fronteiras.
Refletindo sobre o Sábado Santo e sobre o próprio batismo, acontecido neste dia, Bento XVI afirmou: “A vida se torna uma verdadeira doação se juntamente com ela pode-se doar também uma promessa que é mais forte do que qualquer desavença que nos possa ameaçar, se ela for imersa numa força que garanta que seja um bem ser um homem”.
Sendo assim o Batismo é sinal de “renascimento”, de “certeza que na verdade é um existir, porque a promessa é mais forte do que as ameaças”, graças à acolhida na “grande, nova família de Deus”.
O Santo Padre afirmou depois de sentir-se “no último trecho do percurso da minha vida e não sei o que me espera”. A luz do Ressuscitado, porém, é “mais forte do que toda escuridão” e ajuda também o Papa a “proceder com segurança”.
Concluindo Bento XVI “agradeceu de coração todos aqueles que continuamente me fazem perceber o ‘sim’ de Deus por meio da sua fé”.
ROMA, segunda-feira, 16 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – “Para o Papa Bento XVI começa uma semana cheira de muitas comemorações”, afirma a edição italiana do L’Osservatore Romano de ontem, 15 de Abril.
O Papa voltou nesta sexta-feira, 13 de abril, de Castel Gandolfo, onde se encontrava desde o Domingo de Páscoa, 48 horas antes do previsto, para estar com o seu irmão Georg Ratzinger, que estará com ele nos próximos dias, marcados por muitas celebrações: nesta segunda-feira, 16 de Abril, o Santo Padre Bento XVI completa 85 anos de vida; na quinta-feira, 19 de Abril, cumpre seu sétimo ano de pontificado e no dia 24 de março o solene início do seu pontificado.
“Bento XVI certamente não está só porque está rodeado pelo afeto de pessoas próximas e distantes e pela amizade dos santos: ad multos annos, beatissime pater, ad multos et felicissimos annos!”, conclui o L’Osservatore Romano do dia 15 de Abril, e ao qual todos nos unimos nesse dia com as nossas orações.
Hoje pela manhã, como informa Rádio Vaticana, a comemoração começou com uma missa celebrada na Capela Paulina do Palácio Apostólico, “com a presença de bispos e personalidades da Baviera”.
Também é possivel enviar um email para o Papa Bento XVI por ocasião do seu 85º aniversário de vida e pelo seu 7º aniversário da eleição à Sumo Pontífice através desse email auguri.benedettoxvi@vatican.va, conforme anunciado na Homepage da Santa Sé www.vatican.va
Publicado por Zenit.org – Agência de Notícias– Roma.
Desejo a todos uma boa e santa Páscoa, em Cristo Jesus. Lembramos a Sua Paixão, no Calvário, e a Sua Ressurreição, para o perdão de nossas faltas e de toda a Humanidade – do passado, do presente e do futuro!
Minha profissão de Fé
Gostem ou não os ateístas, misoteístas, e outras tendências que negam o caráter transcendente da vida humana, creio em um resgate, em vida e após a morte. Ele veio através de Jesus Cristo.
Sou jornalista, e tenho pago o preço (e não reclamo!) de afirmar minha fé no Cristianismo. Hoje, Sexta Feira Santa – para muitos apenas um feriado – o mundo ocidental lembra a tragédia humana. Ela fica estampada no sacrifício deste homem fortíssimo, ma manso de coração há mais de dois mil anos no mundo ocidental. Mas gostem ou não, seu legado se afirma, com dificuldades, é verdade, por todo o Oriente (continentes árabe, asiático e africano). Por que temem tanto o que mesmo estes povos aceitam com alegria? Deixo a questão no ar.
Sob outro aspecto, somos capazes de tudo no intento de afirmarmos nossa existência, que, no máximo pode ultrapassar um século (pouco, e raramente). Jesus Cristo continua inspirando vidas no mundo inteiro, apesar das de nossas propensões ao Mal, ao que é destrutivo, ao egoísmo mortífero. Um Mal que pode aniquilar instantaneamente ou a longo prazo uma ou várias vidas, ou, a vida em si. Mas quem o propaga, a si próprio destroi, e de modo quase imperceptível com a passagem do tempo. Só vai lhe restando o vazio. Literalmente, para este, o inferno começa aqui…
A opção pelo relativismo enquanto cultura, no mundo ocidental, que, sob o manto da liberdade vem se impondo, já está dividindo a Humanidade em dois mundos: os que amam a si mesmo e nada mais, e os que amam o Bem e o Belo do espírito humano e da vida. Há muito decidi pela segunda opção e, que Deus me ajude, continuarei arcando com as consequências. Estou bem acompanhada, e por por muitos. Aliás, à revelia da “Babel” atual, sinto-me amparada por aquele que é sacrificado, mas ressuscita, vindo das trevas espirituais na morte física: Jesus Cristo. Ele não vive somente para uma grande parte dentro de todas as denominações o explorarem com venda de livros, cd’s, incitamento a grandes ofertas de dízimo – como numa chantagem para uma vida próspera, etc. Vive para nos resgatar da segunda morte: a do espírito em vida e após o seu término. Este espírito – a alma – vai reencontra a paz. A seu tempo, nossos corpos serão restituídos do sono eterno, e se unirão misteriosamente à alma que não perece – para o seu bem e, para o seu mal. Sua Ressurreição é a efetivação da esperança que alimentamos neste “vale de lágrimas”(*). (LBN)
Entramos na Semana Santa. Deixo, a princípio, uma reflexão do Pe. Antônio Sérgio P. de Magalhães, contida em uma publicação histórica e singela da Igreja Católica, no Brasil (Folhinha do Sagrado Coração de Jesus):
“Diante da cruz, sempre se descobre que Deus está presente, dando tudo: no Corpo e no Sangue, na vida de seu Filho, despojado, sem nada.”
Ceia do Senhor
Mensagem Bíblica
(Is 50, 6)
“Entreguei minhas costas aos que me batiam,
e minhas faces aos que me arrancavam a barba: não escondi o rosto,aos ultrajes e às cuspidas.”
Estamos em plena Semana Santa. Nossa atenção se volta para os últimos momentos da vida do Senhor Jesus, nossa esperança, nosso redentor e esposo de nossos corações. Sabemos perfeitamente que evocando os momentos da vida do Senhor, mormente, o que está ligado à sua paixão e morte, automaticamente, nosso pensamento voa para a noite da luminosidade, para o dia que o Senhor fez para nós, para Páscoa. Não somos discípulos do Cristo morto, mas do que reviveu para sempre.
Aquele que amamos, aquele que vai ocupando, aos poucos, todos os espaços do que chamamos de vida espiritual é o eleito do Pai, o Filho muito amado, no qual o Pai se compraz. Esse servo descrito por Isaías tem tudo a ver com o Esposo e Amado de nosso coração. “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas… não esmorecerá nem se deixará abater….eu o constitui com centro da aliança do povo, como luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
No final dessa semana uma claridade banhará a terra. Aquele que vai ser transfixado será luminosamente transfigurado.
O salmo de meditação (Sl 26) pode ser colocado nos lábios e no coração de Jesus: “O Senhor é minha luz e minha salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida, perante quem eu tremerei? (…) Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!”. Na silenciosa meditação desses dias escutamos a voz do Amado: “O Senhor é minha luz e minha salvação!”
Seis dias antes da Páscoa o Senhor foi a Betânia. Tinha o coração cheio de interrogações e de apertos. Antes de subir para Jerusalém queria ter a alegria do conforto do encontro com amigos de verdade: Marta, Maria e Lázaro. Estes ofereceram-lhe um jantar, esse momento de calma em que os corações tinham tempo para escutar os sons do interior: apreensão, incentivo e desejo de coragem, vontade de estar com gente fiel. E uma mulher inopinadamente resolve quebrar um frasco de perfume. Judas se mostrou incomodado com tal desperdício. Onde se viu? Tantos necessitados e aquele gasto à toa. O peito de Jesus quase que a estalar de dor teve ainda força de dizer energicamente: “Deixa-a, ela fez isto em vista da minha sepultura. Pobres sempre tereis convosco, enquanto a mim nem sempre me tereis”.
Uma vista aérea mostra o papa Bento 16 chegando à Praça da Revolução para celebrar uma missa em Havana (Reuters)Fiéis católicos mexicanos aguardam a celebração da Missa pelo Papa Bento XVI - 28.03.2012.Povo católico mexicano saúda chegada do Papa Bento XVI à Cuba - 26.03.2012.Papa Bento XVI se prepara para a celebração da Missa em Havana - 28.03.2012
Em Cuba: Bento XVI – A razão do homem é feita para a verdade
Quarta-feira, Março 28, 2012
Homilia do Santo Padre na Missa celebrada na Plaza de la Revolucion, em Havana, Cuba.
Amados irmãos e irmãs!
«Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais (…). Bendito o vosso nome glorioso e santo» (Dn 3, 52). Este hino de bênção do livro de Daniel ressoa hoje na nossa liturgia, convidando-nos repetidamente a bendizer e louvar a Deus. Somos parte da multidão daquele coro que celebra o Senhor sem cessar. Unimo-nos a este concerto de ação de graças, oferecendo a nossa voz jubilosa e confiante, que procura fundar no amor e na verdade o caminho da fé.
«Bendito seja Deus» que nos reúne nesta praça emblemática, para mergulharmos mais profundamente na sua vida. Sinto uma grande alegria por estar hoje no vosso meio e presidir a Santa Missa no coração deste Ano Jubilar dedicado à Virgem da Caridade do Cobre.
Saúdo cordialmente o Cardeal Jaime Ortega y Alamino, Arcebispo de Havana, e agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigem em nome de todos. Estendo a minha saudação aos Senhores Cardeais, aos meus irmãos Bispos de Cuba e doutros países que quiseram participar nesta solene celebração. Saúdo também os sacerdotes, os seminaristas, os religiosos e todos os fiéis aqui reunidos, bem como as autoridades que nos acompanham.
Na primeira leitura que foi proclamada, os três jovens, perseguidos pelo soberano babilonense, antes preferem morrer queimados pelo fogo que trair a sua consciência e a sua fé. Eles encontraram a força de «louvar, glorificar e bendizer a Deus» na convicção de que o Senhor do universo e da história não os abandonaria à morte e ao nada. De fato, Deus nunca abandona os seus filhos, nunca os esquece. Está acima de nós e é capaz de nos salvar com o seu poder; ao mesmo tempo, está perto do seu povo e, por meio do seu Filho Jesus Cristo, quis habitar entre nós.
«Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará» (Jo 8, 31). No texto do Evangelho que foi proclamado, Jesus revela-Se como o Filho de Deus Pai, o Salvador, o único que pode mostrar a verdade e dar a verdadeira liberdade. Mas o seu ensinamento gera resistência e inquietação entre os seus interlocutores, e Ele acusa-os de procurarem a sua morte, aludindo ao supremo sacrifício da Cruz, já próximo. Ainda assim, exorta-os a acreditar, a permanecer na sua Palavra para conhecerem a verdade que redime e dignifica.
Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer.
Entretanto há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na «sua verdade» e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: «Crucifica-o!» (cf. Jo 19, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios.
Além disso, a verdade sobre o homem é um pressuposto imprescindível para alcançar a liberdade, porque nela descobrimos os fundamentos duma ética com que todos se podem confrontar, e que contém formulações claras e precisas sobre a vida e a morte, os deveres e direitos, o matrimônio, a família e a sociedade, enfim sobre a dignidade inviolável do ser humano. É este patrimônio ético que pode aproximar todas as culturas, povos e religiões, as autoridades e os cidadãos, os cidadãos entre si, os crentes em Cristo com aqueles que não crêem n’Ele.
Ao ressaltar os valores que sustentam a ética, o cristianismo não impõe mas propõe o convite de Cristo para conhecer a verdade que nos torna livres. O fiel é chamado a dirigir este convite aos seus contemporâneos, como fez o Senhor, mesmo perante o sombrio presságio da rejeição e da Cruz. O encontro pessoal com Aquele que é a verdade em pessoa impele-nos a partilhar este tesouro com os outros, especialmente através do testemunho.
Queridos amigos, não hesiteis em seguir Jesus Cristo. N’Ele encontramos a verdade sobre Deus e sobre o homem. Ajuda-nos a superar os nossos egoísmos, a sair das nossas ambições e a vencer o que nos oprime.Aquele que pratica o mal, aquele que comete pecado é escravo do pecado e nunca alcançará a liberdade (cf. Jo 8, 34). Somente renunciando ao ódio e ao nosso coração endurecido e cego é que seremos livres, e uma vida nova germinará em nós.
Com a firme convicção de que a verdadeira medida do homem é Cristo e sabendo que n’Ele se encontra a força necessária para enfrentar toda a provação, desejo anunciar-vos abertamente o Senhor Jesus como Caminho, Verdade e Vida. N’Ele todos encontrarão a liberdade plena, a luz para compreender profundamente a realidade e transformá-la com o poder renovador do amor.
A Igreja vive para partilhar com os outros a única coisa que possui: o próprio Cristo, esperança da glória (cf. Col 1, 27). Para realizar esta tarefa, é essencial que ela possa contar com a liberdade religiosa, que consiste em poder proclamar e celebrar mesmo publicamente a fé, comunicando a mensagem de amor, reconciliação e paz que Jesus trouxe ao mundo. Há que reconhecer, com alegria, os passos que se têm realizado em Cuba para que a Igreja cumpra a sua irrenunciável missão de anunciar, publica e abertamente, a sua fé. Mas é preciso avançar ulteriormente. E desejo encorajar as instâncias governamentais da Nação a reforçarem aquilo que já foi alcançado e a prosseguirem por este caminho de genuíno serviço ao bem comum de toda a sociedade cubana.
O direito à liberdade religiosa, tanto na sua dimensão individual como comunitária, manifesta a unidade da pessoa humana, que é simultaneamente cidadão e crente, e legitima também que os crentes prestem a sua contribuição para a construção da sociedade. O seu reforço consolida a convivência, alimenta a esperança de um mundo melhor, cria condições favoráveis para a paz e o desenvolvimento harmonioso, e ao mesmo tempo estabelece bases firmes para garantir os direitos das gerações futuras.
Quando a Igreja põe em relevo este direito, não está a reclamar qualquer privilégio. Pretende apenas ser fiel ao mandato do seu Fundador divino, consciente de que, onde se torna presente Cristo, o homem cresce em humanidade e encontra a sua consistência. Por isso, a Igreja procura dar este testemunho na sua pregação e no seu ensino, tanto na catequese como nos ambientes formativos e universitários. Esperemos que também aqui chegue brevemente o momento em que a Igreja possa levar aos diversos campos do saber os benefícios da missão que o seu Senhor lhe confiou e que ela não pode jamais negligenciar.
Ínclito exemplo deste trabalho foi o insigne sacerdote Félix Varela, educador e professor, filho ilustre desta cidade de Havana, que passou à história de Cuba como o primeiro que ensinou o seu povo a pensar. O padre Varela indica-nos o caminho para uma verdadeira transformação social: formar homens virtuosos para forjar uma nação digna e livre, já que esta transformação dependerá da vida espiritual do homem; de fato, «não há pátria sem virtude» (Cartas a Elpídio, carta sexta, Madrid 1836, 220). Cuba e o mundo precisam de mudanças, mas estas só terão lugar se cada um estiver em condições de se interrogar acerca da verdade e se decidir a enveredar pelo caminho do amor, semeando reconciliação e fraternidade.
Invocando a proteção maternal de Maria Santíssima, peçamos que, participando regularmente na Eucaristia, nos tornemos também testemunhas da caridade que responde ao mal com o bem (cf. Rm12, 21), oferecendo-nos como hóstia viva a Quem amorosamente Se entregou por nós. Caminhemos na luz de Cristo, que pode dissipar as trevas do erro. Supliquemos-Lhe que, com o valor e o vigor dos santos, cheguemos a dar uma resposta livre, generosa e coerente a Deus, sem medos nem rancores. Amém.
Bento XVI se despede dos mexicanos, exortando a não acreditar na mentalidade utilitarista
Por Luca Marcolivio
GUANAJUATO, segunda-feira, 26 de março de 2012(ZENIT.org) – A visita pastoral de Bento XVI ao México foi concluída. Às 8 da manhã, o Santo Padre fez seu discurso de despedida no aeroporto internacional de Guanajuato, na presença do presidente mexicano, Felipe Calderón, e outras autoridades civis, políticas e eclesiásticas, e muitos fiéis.
O Papa definiu a sua visita breve mas intensa e a sua conclusão não é o fim do meu afeto e da minha proximidade a um país que levo no íntimo de mim mesmo. Agradeço a todos que a acolheram nestes três dias e que fizeram possível este evento; Bento XVI pediu ao Senhor para que tantos esforços não tenham sido em vão e que com sua ajuda produzam abundantes e duradouros frutos na vida de fé, esperança e caridade de León e Guanajuato, do México e dos países irmãos da América Latina e do Caribe.
Diante da fé em Jesus Cristo e da devoção afetuosa a Maria Santíssima, particularmente venerada no México, o Papa renovou o convite aos mexicanos para serem fiéis a si mesmos e não deixarem se intimidar pela força do mal, para serem corajosos e trabalharem a fim que a seiva de suas raízes cristãs façam florescer o presente e o futuro.
Quanto à problemática antiga e recente do país centro americano, o Santo Padre afirmou que compartilha seja a alegria, seja a dor dos irmãos mexicanos e que os coloca aos pés da Cruz, no coração de Cristo, do qual jorrou a água e o sangue redentor.
A exortação de Bento XVI aos fiéis mexicanos foi a de não ceder à mentalidade utilitarista, que termina sempre com o sacrifício dos mais fracos e indefesos, fazendo um esforço solidário que permita à sociedade, renovar suas bases para alcançar uma vida digna, justa e em paz para todos.
A contribuição ao bem comum, prosseguiu o Papa, é também uma exigência de dimensão essencial do Evangelho que é a promoção humana e uma altíssima expressão da caridade.
E por fim o Santo Padre dirigiu aos mexicanos seu Adios! No verdadeiro sentido da tradicional expressão hispânica: fiquem com Deus! Sempre no amor de Cristo, onde todos nos encontramos e nos encontraremos.
No momento de deixar o território mexicano, a bordo de um B777 da Alitalia, direto para o aeroporto de Santiago de Cuba, Bento XVI dirigiu um telegrama ao presidente Calderón, agradecendo a hospitalidade recebida durante os três dias da visita pastoral.
O Papa confiou os mexicanos e seus governantes à amorosa proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, para que coerentemente com a vigorosa raiz cristã do país, prossigam cultivando por toda parte os valores morais e civis, para que se consolide a vida social por caminhos de paz, de concórdia e solidariedade.
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)
De novo, em pauta a questão do aborto. Estamos num ano eleitoral, os partidos vão costurando suas alianças e, como não podia deixar de ser, na pauta dos ajustes também entram questões polêmicas, em discussão há mais tempo na opinião pública e também no Congresso Nacional.
Há quem gostaria que certos temas delicados não estivessem nos grandes debates político-eleitorais, talvez para não exigir uma tomada de posição clara perante os eleitores; prefere-se, então, qualificá-las como “questões religiosas”, das quais o Estado laico não se deveria ocupar, nem gastar tempo com elas na discussão política… Não penso assim. Decisões sobre a vida e a morte de outros seres humanos, sobre o modelo de casamento, família e educação, sobre justiça social e princípios éticos básicos para o convívio social são questões do mais alto interesse e relevância política. Dizer que são “temas religiosos” significa desqualificar a sua discussão pública, relegando-os à esfera da vida privada, ou ao ativismo de grupos voltados mais para interesses particulares que para o bem comum. Tirar da pauta política esses temas também poderia sugerir que pessoas sem religião não precisam estar vinculadas a valores e convicções éticas, o que é falso e até ofensivo.
Preocupo-me quando ouço que, no Brasil, a cada ano, são realizados mais de um milhão de abortos “clandestinos” e que, tantas mil mulheres (número bem expressivo!), morrem em consequência de abortos mal feitos! Há algo que não convence nesses números e afirmações. Sendo clandestinos, como pode alguém afirmar com tanta certeza dados tão impressionantes? Maior perplexidade ainda é suscitada, quando isso é afirmado por uma autoridade representativa do Estado, mostrando que tem, supostamente, conhecimento seguro de uma violação aberta e grave da lei e nada fazendo para que ela seja respeitada para preservar tantas vidas! De fato, continua valendo a lei que veta o aborto indiscriminado no Brasil.
Esses números assombrosos, ou estão prá lá de superdimensionados e manipulados para pressionar e atingir, de maneira desonesta, objetivos almejados; ou então, alguém está faltando para com seu dever de maneira consciente e irresponsável, deixando que a lei seja violada impunemente, em casos tão graves, onde vidas humanas inocentes e indefesas são ceifadas, às centenas de milhares, ou até na conta dos milhões!
É lamentável a morte de cada mulher, em conseqüência de um aborto clandestino e mal feito. Lamentável também é, e muito, a sorte trágica de cada ser humano, que tem sua vida tolhida antes mesmo de ter visto a luz. Se há um problema de saúde pública a ser encarado, a solução não deveria ser a instrumentalização dessa tragédia humana para promover a legalização do aborto.
Dar roupagem legal à tragédia curaria a dor e faria sossegar a consciência? Questão de saúde pública deve ser enfrentada com políticas voltadas para a melhoria da saúde e das condições de vida, e não para a promoção da morte seletiva. Uma campanha de conscientização sobre a ilegalidade das práticas abortistas protegeria melhor a mulher e o ser que ela está gerando; haveria muito a fazer para alertar contra os riscos do recurso às clínicas – nem tão clandestinas – de “interrupção da gravidez”. Alguém conhece alguma campanha do Governo, ou alguma política pública para desestimular práticas abortivas contrárias à lei e arriscadas para a saúde da mulher? Não seria o caso de fazer?
Está em curso a discussão sobre a reforma do Código Penal brasileiro; em muitas coisas, certamente, ele deverá ser revisto e adequado. No entanto, chama a atenção e merece uma reflexão atenta da sociedade a proposta relativa ao artigo 128, sobre novos casos de aborto “não puníveis”, além dos dois casos já previstos (risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro; cf http:/migre.me/845Dp).
No inciso I do artigo 128, propõe-se que não haja crime “se houver risco de vida ou à saúde da gestante”. A alusão ao “risco à saúde da mulher” é absolutamente vaga e, por si só, já ofereceria base para a universalização do aborto legal. No inciso II propõe-se que não haja crime se a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego de técnica não-consentida de reprodução assistida”. O que se pretende qualificar como “violação da dignidade sexual”? O delito, neste caso, não aparece configurado e poderia ser facilmente alegado, sem que ninguém fosse capaz de comprovar a real ocorrência dos fatos. Além disso, a “reprodução assistida” já está legalizada e regulamentada no Brasil?
No inciso III do mesmo artigo, propõe-se que não haja punibilidade quando, “comprovada a anencefalia, ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado pelo médico”. Além da anencefalia, já em discussão no STF, acrescentam-se outras “graves e incuráveis anomalias”, o que é preocupante, pois isso abriria as portas para uma inaceitável, do ponto de vista ético, “seleção pré-natal” dos indivíduos considerados “aptos” a viver e o descarte de outros, considerados “inviáveis”. É o controle de qualidade aplicado ao ser humano, já praticado em tempos passados por regimes condenados quase universalmente pelas suas práticas eugênicas. Vamos legalizar isso no Brasil agora?! No inciso IV, propõe-se que, “por vontade da gestante até a 12ª. semana de gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”, o aborto poderia ser praticado, sem penalidades. Passa-se ao médico o peso da decisão sobre a vida ou a morte de seres humanos. Acho isso absolutamente inadequado! É preciso refletir muito, para não legalizar a banalização da vida humana.
SÃO JOSÉ E O PRIMADO DA VIDA INTERIOR (Da Exortação Apostólica do Venerável Papa João Paulo II)
“Também quanto ao trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré se estende o mesmo clima de silêncio, que acompanha tudo aquilo que se refere à figura de José. Trata-se, contudo, de um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura.
Os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José «fez»; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava cotidianamente em contato com o mistério «escondido desde todos os séculos», que «estabeleceu a sua morada» sob o teto da sua casa.
Isto explica, por exemplo, a razão por que Santa Teresa de Jesus, a grande reformadora do Carmelo contemplativo, se tornou promotora da renovação do culto de São José na cristandade ocidental.”
O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na «sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal, aceitando a condição, a responsabilidade e o peso da família e renunciando, por um incomparável amor virgíneo, ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família».
Esta submissão a Deus, que é prontidão de vontade para se dedicar às coisas que dizem respeito ao seu serviço, não é mais do que o exercício da devoção, que constitui uma das expressões da virtude da religião.
A comunhão de vida entre José e Jesus leva-nos a considerar ainda o mistério da Incarnação precisamente sob o aspecto da humanidade de Cristo, instrumento eficaz da divindade para a santificação dos homens: «Por força da divindade, as ações humanas de Cristo foram salutares para nós, produzindo em nós a graça, quer em razão do mérito, quer por uma certa eficácia».
Entre estas ações os Evangelistas privilegiam aquelas que dizem respeito ao mistério pascal; mas não deixam de frisar bem a importância do contacto físico com Jesus em ordem às curas de enfermidades (cf., por exemplo, Mc 1, 41) e a influência por ele exercida sobre João Baptista, quando ambos estavam ainda no seio materno (cf. Lc 1, 41-44).
O testemunho apostólico não transcurou — como já se viu — a narração do nascimento de Jesus, da circuncisão, da apresentação no templo, da fuga para o Egito e da vida oculta em Nazaré, por motivo do «mistério» de graça contido em tais «gestos», todos eles salvíficos, porque todos participavam da mesma fonte de amor: a divindade de Cristo. Se este amor se irradiava, através da sua humanidade, sobre todos os homens, certamente eram por ele beneficiados, em primeiro lugar, aqueles que a vontade divina tinha posto na sua maior intimidade: Maria, sua Mãe, e José, seu pai putativo .
Uma vez que o amor «paterno» de José não podia deixar de influir sobre o amor «filial» de Jesus e, vice-versa, o amor «filial» de Jesus não podia deixar de influir sobre o amor «paterno» de José, como chegar a conhecer as profundezas desta singularíssima relação? Justamente, pois, as almas mais sensíveis aos impulsos do amor divino vêem em José um exemplo luminoso de vida interior.
Mais ainda, a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela protecção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.”
Publicado por http://comsantateresa.org.br (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – OCDS – Comunidade Santa Teresa – Província do Carmo – Sul – Brasil).
«Uma alma que discute com o seu eu,
que se ocupa com as suas sensibilidades,
que persegue um inútil pensamento,
ou um qualquer desejo,
esta alma dispersa as suas forças,
e não está inteiramente ordenada a Deus:
a sua lira não vibra em uníssono com o Mestre;
quando a toca, não pode tirar dela harmonias divinas,
pois há demasiado de humano e é uma dissonância.»
B. Isabel da Trindade, Último Retiro, 3
Senhor, há tanto de miserável em mim,
Tanto barulho que me dispersa e afasta de Ti…
Unifica o meu ser,
Retira de mim todo o pecado que me desfigura,
Lança sobre mim a Tua graça,
Para que encontre beleza e harmonia a Teus olhos
E vibre como uma lira
Ao suave toque da tua mão
Que me salva e cura.
Lisboa, 29 fev 2012 (Ecclesia) – Três responsáveis da diplomacia do Vaticano lançaram apelos ao fim imediato da violência na Síria que, segundo a ONU, provocou mais de 7500 mortos nos últimos meses.
Em declarações à Rádio Vaticano, o observador permanente da Santa Sé Conselho da ONU para os Direitos Humanos, D. Silvano Maria Tomasi, disse hoje que “nunca é demasiado tarde para pôr fim ao uso da violência”.
Para este responsável, não é “aceitável uma violação sistemática dos Direitos Humanos das pessoas, através da repressão violenta, do uso da força contra manifestantes e do assassinato de tantos civis, incluindo crianças”.
O arcebispo italiano destaca que a situação síria tem consequências nos “equilíbrios internos no Médio Oriente”, pedindo o “fim do uso da força”.
Os confrontos entre manifestantes e o regime do presidente Bashar al-Assad são particularmente visíveis na cidade de Homs, 160 km a norte de Damasco, sob bombardeamento das forças do Governo.
D. Silvano Maria Tomasi falou esta terça-feira, perante os membros do referido Conselho da ONU, lamentando os “dramáticos e crescentes episódios de violência na Síria que causaram tantas vítimas e grave sofrimento”.
O núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Damasco, D. Mario Zenari, afirma, por seu lado, ter ficado “impressionado ao ver as crianças vítimas deste conflito”.
Segundo o diplomata, a situação é “grave” pela falta de alimentos ou medicamentos, sendo difícil “socorrer e curar os feridos, enterrar os mortos”.
D. Michael Fitzgerald, núncio apostólico no Egito e observador da Santa Sé na Liga Árabe, Dom, sublinha a necessidade de “permitir a entrada de médicos, medicamentos e alimentos para as pessoas”.
O prelado considera que a decisão de enviar Kofi Annan como enviado especial conjunto da ONU e da Liga Árabe “para ver se é possível negociar” na Síria é “muito importante”.
No último dia 12, Bento XVI lançou um “apelo urgente” pedindo o fim da violência e do “derramamento de sangue” na Síria.
“Sigo com muita apreensão os dramáticos e crescentes episódios de violência na Síria”, disse o Papa, após a recitação da oração do Angelus com milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Vaticano.
Falando em “numerosas vítimas”, nas quais se incluem “algumas crianças”, Bento XVI lembrou ainda os feridos e “quantos sofrem as consequências de um conflito cada vez mais preocupante”.
A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa que, com a morte e ressurreição de Jesus, tornou-se o grande referencial da nossa fé, o dia da vitória da Vida sobre a morte. A Quarta-feira de Cinzas marca, também, no Brasil, o início da Campanha da Fraternidade.
1. A Quaresma é o período de 40 dias que começa na quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo de Ramos, este ano no dia 1º de abril, quando tem início a Semana Santa. Nesses 40 dias, somos convidados a reviver a experiência dos 40 anos de travessia do deserto pelo povo de Israel e os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua Missão. Somos convidados a três atitudes que são os pilares da vida cristã: a Oração, relação do homem com Deus; o Jejum, relação do homem consigo mesmo; e a Caridade, relação do homem com o próximo. É um tempo rico de reflexão sobre a nossa vida, buscando valorizar o que temos feito de bom e dar um novo caminho ao que temos feito de ruim ou deixado de fazer. É o convite à conversão.
2. O nosso calendário civil é definido a partir da Festa da Páscoa, por isso a Quaresma varia de ano para ano. A festa da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início do outono. Neste ano de 2012 o outono começa no dia 21 de março, e a primeira lua cheia acontece no dia 06 de abril. Assim, a Festa da Páscoa acontece no domingo seguinte, dia 08 de abril. A partir desta data são definidas a Semana Santa, a Quarta-feira de Cinzas e, também, o Carnaval. A festa da Páscoa era primitivamente um ritual realizado por pastores que, para proteger as suas famílias e seus rebanhos dos espíritos maus, matavam um cordeiro e tingiam a entrada das tendas com o seu sangue. Por volta de 1250 anos antes de Cristo, esse ritual adquiriu um novo sentido, com a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Depois, com a ressurreição de Jesus, a Páscoa se tornou a principal festa dos cristãos, lembrando que Deus liberta seu povo através de Jesus Cristo, o novo cordeiro pascal.
3. Na Quarta-feira de Cinzas, nas missas celebradas nas Paróquias e Comunidades, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveiras ou palmeiras, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. Em procissão, os cristãos e cristãs recebem na fronte um pouco dessas cinzas para expressar o desejo e votos de assumir o processo de conversão que se iniciou no Batismo, por uma vida de oração, esmola e jejum. As cinzas nos lembram que todo orgulho, prepotência, bens materiais não são nada mais do que cinzas após a morte. Conscientes de nossa pequenez, somos chamados a ser agentes de transformação de uma sociedade injusta, desigual e violenta, através de obras, ações, do amor que entrega a própria vida pela vida do outro.
4. A Quarta-feira de Cinzas abre a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB desde 1964, destacando uma situação da realidade social para a reflexão das comunidades e de toda a sociedade. O tema deste ano é “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, um chamado à reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil,em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e na mobilização pela melhoria no sistema público de saúde.
Em todas as Paróquias e Comunidades da nossa região haverá Missa na Quarta-feira de Cinzas. Clique aqui para acessar a Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012.
Desejamos um excelente início de Quaresma!
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Publicado em CELEBRANDO – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas.