Sábado Santo: dia de recolhimento e espera

Nesse dia, os fiéis são convidados a refletir e esperar, seguindo o exemplo de Maria, a mãe de Jesus, enquanto também recordam a perplexidade dos apóstolos diante da morte de Cristo.

Papa Francisco na celebração da Vigília Pascal   (Vatican Media)

Descrito pelos Padres da Igreja como “o mais longo dos dias”, o Sábado Santo propõe uma espera silenciosa, que revive a angústia dos discípulos após a crucificação. A reforma litúrgica realizada por Pio XII restaurou esse dia como tempo de recolhimento, no qual cada cristão reflete sobre a morte de Cristo e sobre a finitude da existência humana. Nesse momento, a fé é posta à prova: o Messias morreu, e o desfecho permanece desconhecido. Só resta confiar que o vazio interior será um dia preenchido.

Cristo permanece em ação

Mesmo em silêncio, Cristo não deixa de agir. Segundo uma antiga tradição, Ele desce à morada dos mortos, atravessa as sombras da morte e resgata a humanidade. Vai ao encontro de Adão — figura que representa todos os homens —, o desperta e anuncia a salvação, oferecida a todos. Assim, constrói uma ponte entre o túmulo e o Reino dos Céus. Com a Cruz em mãos, vence a morte por meio da própria morte.

O padre Diogo Shishito, da Diocese de Mogi das Cruzes (SP), doutorando em Liturgia na Universidade Sant’Anselmo, em Roma, nos convida a contemplar o silêncio fecundo deste dia, repleto de sentido e esperança.

(…)

“O que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.”

Assim começa uma homilia do século IV que a Igreja retoma no Ofício das Leituras em cada Sábado Santo e da qual nasce o costume de chamar esse dia como o “Dia do Grande Silêncio”. De fato, diante do Mistério Pascal de Jesus, o silenciar parece ser natural para a nossa pequenez humana, uma vez que não se encontram palavras para expressar o misto de surpresa e gratidão que move interiormente quem se coloca diante de tamanha Graça.

O Silêncio é o lugar da ação do Espírito Santo

O silêncio parece apresentar-se como único caminho para aqueles que são inundados de um amor sem igual manifestado na entrega sem reservas do Deus feito homem que, ao dar seu último suspiro no alto da cruz, rasgou de cima abaixo o véu que separava a habitação divina da sua criatura predileta. É o silêncio de quem faz espaço para acolher algo de novo e nunca antes presenciado no tempo. O silêncio de quem, admirado, não encontra no elenco das reações uma atividade capaz de responder ao que se apresenta diante de seus olhos. Mas o silêncio, diferentemente do que muitas vezes se pensa, não é vazio.

No silêncio se encontra aquele espaço necessário entre uma ação e outra que nos permite comunicar a multiforme expressão de vida presente em cada um de nós. O silêncio é a pausa sem a qual a comunicação não seria possível, pois é ela que separa as palavras e dá clareza ao discurso. Só com o silêncio se pode passar de um conceito a outro, de uma ideia à outra. O grande silêncio desse dia faz passar da morte à Vida, do tempo à eternidade. Por isso podemos dizer que o Silêncio é o lugar da ação do Espírito Santo. Quando o Verbo cala, o Espírito trabalha no germinar de uma realidade nova.

Fé e expectativa

No alto da Cruz, com o calar-se do Verbo divino, a Palavra Eterna transformou-se em silêncio, produzindo na humanidade um sentimento de expectativa… Uma espera que brota da fé, que nasce da confiança sem reservas na promessa feita pelo próprio Senhor de que estaria conosco sempre. Para os Discípulos, que não sabiam como seriam as coisas depois da cruz e não imaginavam que a ressurreição se daria, esse silêncio certamente produziu dúvidas e medos, mas também é certo que, assim como quando um discurso é interrompido, fica a expectativa de como seria sua continuidade, no coração de cada um deles brotava também a esperança de que o Senhor, de algum modo, daria sentido àquilo que eles não conseguiam entender ainda.

Esperar com Maria

Olhando para Maria, que sabia com clareza que Jesus é o Filho de Deus, podemos pensar que o silêncio que brota da morte do Senhor tenha levado seu pensamento à doce espera da sua chegada, àquele silêncio de contemplação da surpreendente ação divina que realiza o que aos critérios humanos parecia impossível, de maneira que aquele silêncio se tornasse mais uma vez um ato de espera do próximo passo na história da Salvação. Para a Igreja, no entanto, esse silêncio é memorial da nossa fé, é a ação que reconhece a grandeza do mistério pascal de Cristo e abre espaço para o agir transformador de Deus que faz germinar, a partir dos nossos limites, o amor gerador de uma nova realidade. O amor verdadeiro daquele que nos amou até o fim e que manifestou a sua graça à humanidade quando estava ainda imersa no pecado.

O túmulo está vazio — a morte foi vencida, e a vida triunfa eternamente.

O túmulo está vazio — a morte foi vencida, e a vida triunfa eternamente.   (©gabriffaldi – stock.adobe.com)

O Senhor venceu a morte

De fato, por suas qualidades, uma pessoa pode ser admirada, mas só pelas suas limitações que pode ser acolhida e amada. É fácil acolher alguém quando tudo vai de acordo com o que nos agrada; somente quando o outro se mostra diferente do que gostaríamos é que a acolhida de suas inconstâncias se torna amor. Imbuídos da certeza da ressurreição, cada um de nós é chamado, através do silêncio, a abrir espaço para que o Senhor transforme em nosso interior as situações de morte fazendo brotar a vida nova e eterna que é Dele e da qual podemos participar pela sua misericórdia.

Peçamos então que o nosso silenciar possa de verdade dar espaço à ação silenciosa do Espírito Santo, que revigora em nós a graça dos que têm a vida escondida com Cristo em Deus e que o ressoar do esperado Aleluia dessa noite santa renove em nosso interior a força de ser no mundo uma voz que proclama o centro da nossa fé: o Senhor venceu a morte e está vivo no meio de nós.

Por Thulio Fonseca.

Publicado em Vatican News.

A devoção dos cinco primeiros sábados do mês ao Imaculado Coração de Maria

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05 de abril de 2025 (Primeiro sábado do mês de abril)*

Além de ser um ano jubilar, 2025 marca o centenário do pedido de Nossa Senhora à Irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, para a instituição da devoção dos cinco primeiros sábados como reparação pelas ofensas feitas ao Seu Imaculado Coração.

Oito anos após as aparições da Virgem aos três pastorinhos de Fátima, Maria teria reaparecido à Irmã Lúcia no convento de Pontevedra, na Espanha, no dia 10 de dezembro de 1925. Durante essa aparição, a Virgem Maria teria solicitado a instituição da devoção dos cinco primeiros sábados como reparação pelas ofensas feitas ao Seu Imaculado Coração.

Ela teria dito à irmã Lúcia: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos com que os homens ingratos me ferem a todo o momento com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e digo que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos mistérios do Rosário, com o fim de me fazerem reparações.”

Desde séculos, o sábado é um dia da semana dedicado à Maria. Segundo uma tradição antiga atribuída ao monge beneditino Alcuíno (735-804), conselheiro de Carlos Magno, a liturgia consagra os sábados à Virgem Maria. Em 1905, o Papa Pio X concedeu indulgências para os fiéis que praticassem uma devoção mariana aos primeiros sábados de doze meses consecutivos em honra da Imaculada Conceição. Em 1917, durante a aparição de 13 de julho em Fátima, a Virgem menciona pela primeira vez “os primeiros sábados”: “Para evitar a guerra, Eu virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados”. Essa devoção foi difundida pela Irmã Lúcia, mas ainda não obteve uma aprovação oficial da Igreja Católica.

Um ato de reparação

Em que consiste exatamente essa devoção? Ela envolve quatro gestos, a serem realizados no primeiro sábado de cada mês durante cinco meses consecutivos: confessar-se, comungar, rezar um terço e meditar por quinze minutos sobre os quinze mistérios do rosário. Esses quatro atos devem ser realizados com o intuito de reparar as ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria.

A devoção dos cinco primeiros sábados é, acima de tudo, um ato de reparação: os cinco sábados são necessários para reparar os cinco tipos de ofensas e blasfêmias cometidas contra o Imaculado Coração de Maria. Essas ofensas incluem as blasfêmias contra a Imaculada Conceição, contra sua virgindade, contra sua maternidade divina, contra aqueles que tentam incutir nos corações das crianças indiferença, desprezo ou ódio por Maria, e finalmente, as ofensas contra as santas imagens de Maria.

A prática dessa devoção também teria o poder de garantir a salvação pessoal. A Virgem promete assistir na hora da morte todos aqueles que realizarem plenamente a devoção dos cinco sábados.

Uma devoção necessária para alcançar a paz

Além da reparação das ofensas e da salvação pessoal, há um terceiro aspecto fundamental ligado a essa devoção: a paz no mundo. Em uma carta datada de 19 de março de 1939, a Irmã Lúcia escreveu ao Padre Aparício que “da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz do mundo.” Em tempos tão conturbados por diversos conflitos, a Aliança Salve Corda, uma iniciativa laica lançada em 2016 por Régis de Lassus, convida a redescobrir essa devoção e a formar ou participar de grupos locais e autônomos, chamados “Cidades do 1º sábado do mês”, onde os membros se encontram a cada primeiro sábado para cumprir as quatro solicitações da Virgem Maria.

Além disso, por ocasião do Jubileu e do Centenário da devoção, os primeiros sábados de cada mês serão solenemente celebrados em 2025 em um grande santuário mariano. Uma peregrinação local será organizada e os fiéis do mundo inteiro são convidados a se unir realizando os atos solicitados a partir de seu local de residência, em união com o santuário. Doze santuários foram escolhidos, cada um relacionado a um dos doze mistérios do Rosário.

Publicado em Aleteia.

* Acréscimo meu. Também fiz o acréscimo “ao Imaculado Coração de Maria” no título publicado pela Aleteia.

Observações: (1) A Memória do Imaculado Coração de Maria se deu no primeiro sábado de 2025, em 04 de janeiro. (Fonte: Internet) (2) “Em 25 de março de 2022, o papa Francisco consagrou a Rússia ao Imaculado Coração ao lado da Ucrânia, com os dois países explicitamente mencionados em meio à Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, durante a Guerra Russo-Ucraniana.” (Fonte: Wikipédia).

Leia também:

Fátima, os primeiros sábados e a consagração da Rússia (Aleteia): “Muitos esquecem que Nossa Senhora de Fátima pediu que a devoção dos primeiros sábados fosse amplamente observada para garantir a conversão da Rússia“.

Ucrânia (Aleteia).

Reze a Via Sacra de Santo Afonso Maria de Ligório

14.03.2025

Que nesta Quaresma possamos viver essa meditação com fervor, renovando nosso coração para celebrar com alegria a Páscoa do Senhor!

A Via Sacra é uma das práticas espirituais mais profundas da Igreja, especialmente durante a Quaresma, quando somos chamados a contemplar os sofrimentos de Cristo. Dentre as diversas formas de meditar esse caminho de dor e amor, uma das mais conhecidas e ricas espiritualmente é a Via Sacra composta por Santo Afonso Maria de Ligório.

Esse grande santo e doutor da Igreja nos deixou uma série de meditações que nos ajudam a refazer espiritualmente a via dolorosa de Jesus, levando-nos a um encontro íntimo com o Seu amor redentor.

Convidamos você a rezar e meditar cada estação com Santo Afonso, unindo-se ao sacrifício de Cristo e permitindo que essa experiência transforme seu coração.

Como Rezar a Via Sacra de Santo Afonso?

A Via Sacra tradicionalmente possui 14 estações, cada uma representando um momento do caminho de Cristo até o Calvário. Ao meditar essa devoção, você pode:

– Escolher um local tranquilo para rezar com recolhimento.
– Meditar cada estação com as orações de Santo Afonso.
– Fazer essa oração diante de um crucifixo, em uma igreja ou ao ar livre.
– Oferecer a Via Sacra por uma intenção especial, como pela sua conversão ou pela conversão de alguém.

Meditação das 14 Estações com Santo Afonso Maria de Ligório

Oração inicial. — Senhor Jesus Cristo, vós com tanto amor entrastes nesta via para morrerdes por mim; eu porém tantas vezes vos desprezei! Agora, de toda a minha alma vos amo e, porque vos amo, arrependo-me do fundo do coração de ter-vos ofendido. Perdoai-me e permiti que vos acompanhe nesta via. Vós, por amor a mim, caminhais para o lugar em que por mim haveis de morrer, e eu também, por amor a vós, desejo acompanhar-vos para convosco morrer, amantíssimo Redentor. Ó meu Jesus, desejo convosco viver e morrer!

🔹 1ª Estação: Jesus é condenado à morte

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus Cristo, já flagelado e coroado de espinhos, foi por fim injustamente condenado à morte por Pilatos.

Oração. — Ó Jesus adorável, não foi Pilatos, mas minha vida iníqua que vos condenou à morte. Pelo mérito deste tão penoso itinerário, no qual entrais rumo ao monte Calvário, peço-vos que benignamente me acompanheis no caminho pelo qual minha alma se dirige à eternidade. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, mais do que a mim mesmo, e do fundo do coração me arrependo de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente me separe de vós. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes. O que vos for agradável também o será para mim.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

A morrer crucificado,
Teu Jesus é condenado
Por teus crimes, pecador.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 2ª Estação: Jesus carrega a cruz

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus Cristo, levando a Cruz aos ombros, lembrava-se no caminho de oferecer por nós ao Pai eterno a morte que havia de sofrer.

Oração. — Ó amabilíssimo Jesus, abraço todas as adversidades que, por vossa vontade, hei de tolerar até a morte e, pelo duro sofrimento que suportastes carregando a Cruz, peço-vos que me deis forças para que também eu possa carregar, com ânimo forte e paciente, minha própria cruz. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que novamente me separe de ti. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Com a Cruz é carregado,
E do peso acabrunhado,
Vai morrer por teu amor.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a primeira queda de Jesus sob o peso da Cruz. Tinha Ele a carne, por causa da cruenta flagelação, ferida de muitos modos e a cabeça coroada de espinhos; derramara ainda tanto sangue, que mal podia mover os pés por falta de forças. E porque era oprimido pelo grave peso da Cruz e açulado sem clemência pelos soldados, por isso aconteceu-lhe de cair muitas vezes por terra ao longo do caminho.

Oração. — Ó meu Jesus, não é o peso da Cruz, mas o dos meus pecados que de tantas dores vos cobre. Rogo-vos, por esta vossa primeira queda, que me protejais de toda queda em pecado. Amo-vos, ó Jesus, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não me permitais novamente cair em pecado. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Pela Cruz tão oprimido,
Cai Jesus, desfalecido,
Pela tua salvação.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 4ª Estação: Jesus encontra Sua Mãe

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como deve ter sido o encontro, neste caminho, do Filho e da Mãe. Jesus e Maria se olharam entre si, e os olhares mudos que trocaram foram outras tantas setas a atravessar o coração amante de ambos.

Oração. — Ó amantíssimo Jesus, pela dor acerba que experimentastes neste encontro, tornai-me, eu vos peço, verdadeiramente devoto de vossa Mãe santíssima. E vós, ó minha dolorosa Rainha, intercedei por mim e alcançai-me uma tal memória dos suplícios de vosso Filho, que minha mente esteja para sempre detida na piedosa contemplação deles. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não me permitais novamente pecar contra vós. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

De Maria lacrimosa,
No encontro lastimosa,
Vê a imensa compaixão.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 5ª Estação: Simão Cireneu ajuda Jesus a carregar a cruz

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como os judeus obrigaram Simão de Cirene a carregar a Cruz atrás do Senhor, vendo Jesus quase expirar a cada passo devido ao cansaço e temendo, por outra parte, que morresse no caminho aquele que queriam ver pregado à Cruz.

Oração. — Ó dulcíssimo Jesus, não quero, como o Cirineu, repudiar a Cruz. De bom grado a abraço e tomo sobre mim; abraço especialmente a morte que para mim estabelecestes, com todas as dores que ela trará consigo. Uno minha morte à vossa e, assim unida, ofereço-a a vós em sacrifício. Vós morrestes por amor a mim; quero também eu morrer por amor a vós, com a intenção de vos agradar. Vós, porém, ajudai-me com a vossa graça. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Em extremo desmaiado,
Teve auxílio, tão cansado,
Recebendo o Cireneu.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 6ª Estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como aquela santa mulher Verônica, vendo Jesus abatido pelas dores, com o rosto banhado em suor e sangue, estendeu-lhe um pano em que, purificada a face, Ele deixou impressa sua imagem.

Oração. — Ó meu Jesus, formosa era antes a vossa face; mas agora não aparece assim, tão deformada está por feridas e sangue! Ai de mim, como era formosa também minha alma, quando recebi a vossa graça pelo Batismo: mas, pecando, tornei-a disforme. Vós somente, meu Redentor, lhe podeis restituir a antiga beleza. Para que o façais, rogo-vos pelo mérito de vossa Paixão. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

O seu rosto ensanguentado,
Por Verônica enxugado,
Eis, no pano, apareceu.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a segunda queda de Jesus sob o peso da Cruz, na qual se lhe aprofundam todas as chagas da venerável cabeça e de todo o corpo, e se renovam todas as angústias do doloroso Senhor.

Oração. — Ó mansíssimo Jesus, quantas vezes me concedestes o perdão! Eu, porém, recaí nos mesmos pecados e renovei minhas ofensas contra vós. Pelo mérito desta vossa nova queda, ajudai-me a perseverar em vossa graça até a morte. Fazei, em todas as tentações que avançarão contra mim, que em vós sempre me refugie. Amo-vos de todo o meu coração, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Outra vez desfalecido,
Pelas dores abatido,
Cai por terra o Salvador.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como estas mulheres, vendo Jesus morto de cansaço e coberto de sangue, são tocadas de comiseração e choram copiosamente. Mas, voltando-se a elas, Ele diz: “Não choreis por mim; antes, chorai por vós mesmas e por vossos filhos”.

Oração. — Ó doloroso Jesus, choro os pecados que cometi contra vós, não só pelas penas de que me fizeram digno, mas sobretudo pela tristeza que vos causaram a vós, que tanto me amastes. Ao choro me move menos o inferno que o amor a vós. Ó meu Jesus, amo-vos mais do que a mim mesmo; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Das mulheres piedosas,
De Sião filhas chorosas,
É Jesus consolador.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a terceira queda de Cristo sob o peso da Cruz. Caiu porque era demasiada a sua fraqueza e excessiva a crueldade dos algozes, que lhe queriam acelerar a marcha, embora Ele mal pudesse dar um passo.

Oração. — Ó Jesus tão maltratado, pelo mérito desta falta de forças que quisestes padecer no caminho do Calvário, confortai-me, eu vos peço, com tanto vigor, que já não tenha respeito algum às opiniões dos homens e domine minha natureza viciosa: porque ambas as coisas foram a causa por que desprezei outrora a vossa amizade. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Cai, terceira vez, prostrado,
Pelo peso redobrado
Dos pecados e da Cruz.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 10ª Estação: Jesus é despojado de Suas vestes

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos com que violência arrancaram as vestes a Cristo. Como o traje interior estivesse muito pegado à carne, aberta pelos flagelos, os carnífices, ao puxarem-lha, rasgaram-lhe também a pele. Tenhamos compaixão de Nosso Senhor e lhe falemos assim:

Oração. — Ó inocentíssimo Jesus, pelo mérito da dor que padecestes nesta espoliação, ajudai-me, eu vos peço, a despir-me de todo afeto às coisas criadas e, com toda a inclinação de minha vontade, converter-me somente a vós, que sois tão digno do meu amor. Amo-vos de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Dos vestidos despojado,
Por algozes maltratado,
Eu vos vejo, meu Jesus.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 11ª Estação: Jesus é pregado na cruz

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus é arremessado sobre a Cruz e, de braços estendidos, oferece sua vida ao Pai eterno em sacrifício pela nossa salvação. Os carnífices o pregam à Cruz e, depois de erguerem esta, deixam-no levantado num infame patíbulo, abandonado a uma morte cruel.

Oração. — Ó Jesus tão desprezado, pregai meu coração aos vossos pés, para que, com vínculo de amor, eu permaneça sempre a vós ligado e jamais seja de vós separado. Amo-vos mais do que a mim mesmo, arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Sois por mim na Cruz pregado,
Insultado, blasfemado,
Com cegueira e com furor.
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 12ª Estação: Jesus morre na cruz

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos Jesus preso à nossa Cruz. Após três horas de luta, consumido enfim pelas dores, Ele deu o corpo à morte e, de cabeça inclinada, entregou o espírito.

Oração. — Ó Jesus morto, movido por íntimos afetos de piedade, beijo esta Cruz em que vós, por minha causa, cumpristes o curso de vossa vida. Pelos pecados cometidos, mereci uma morte infeliz; mas vossa morte é minha esperança. Pelos méritos de vossa morte, concedei-me, peço-vos, que, abraçado aos vossos pés e abrasado de amor por vós, eu entregue um dia meu espírito. Amo-vos de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Por meus crimes padecestes,
Meu Jesus, por mim morrestes,
Oh, quão grande é minha dor!
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 13ª Estação: Jesus é descido da cruz e entregue a Maria

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como dois dos discípulos de Jesus, José e Nicodemos, o tiram exânime da Cruz e o colocam nos braços de sua Mãe dolorosa, que recebe o Filho morto com grande amor e o abraça ternamente.

Oração. — Ó Mãe das Dores, pelo amor com que amais o vosso Filho, recebei-me como servo vosso e rogai a Ele por mim. E vós, ó meu Redentor, porque por mim morrestes, fazei, benignamente, com que eu vos ame; a vós somente desejo nem quero nada fora de vós. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Do madeiro vos tiraram
E à Mãe vos entregaram
Com que dor e compaixão!
Pela Virgem dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus.

🔹 14ª Estação: Jesus é sepultado

℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como os discípulos levam Jesus exânime ao lugar da sepultura. Triste, a Mãe os acompanha e com as próprias mãos acomoda o corpo do Filho à sepultura. Fecha-se este, enfim, e todos vão-se embora.

Oração. — Ó Jesus sepultado, beijo esta pedra que vos acolheu; mas, após três dias, haveis de ressurgir! Por vossa ressurreição, fazei-me, eu vos peço, ressurgir glorioso convosco no último dia e ir para o Céu, onde, unido a vós para sempre, vos hei de louvar e amar por toda a eternidade. Amo-vos e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

No sepulcro vos deixaram,
Sepultado, vos choraram,
Magoado o coração.
Meu Jesus, por vossos passos,
Recebei em vossos braços
A mim, pobre pecador.

A Graça da Via Sacra na Nossa Vida

Rezar a Via Sacra de Santo Afonso Maria de Ligório é uma experiência profunda de união com os sofrimentos de Cristo. Ao meditar cada estação, aprendemos que a dor e o sofrimento não são o fim, mas o caminho para a ressurreição.

Esta oração nos ensina a confiar na misericórdia de Deus, a carregar nossas cruzes com amor e a permanecer fiéis a Cristo, mesmo nas dificuldades.

Que nesta Quaresma possamos viver essa meditação com fervor, renovando nosso coração para celebrar com alegria a Páscoa do Senhor!

Publicado em Paróquia Coração de Maria – Londrina – PR.

O que é Sexta-feira da Paixão?

Por Dom Henrique Soares da Costa

Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo.

Muitos vivem a Semana Santa apenas como um feriado, mas não sabem o que é a Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira santa para os cristãos. Este dia faz memória à paixão e morte de Jesus Cristo, e faz parte das festividades da Páscoa, que simboliza a ressurreição do Messias. É considerada uma data móvel, ou seja, não possui um dia específico para ser comemorado anualmente. Por regra, deve ser celebrada na sexta-feira que precede o domingo de Páscoa.

História

Numa sexta-feira, provavelmente no dia 7 de abril do ano 30, os romanos crucificaram, a pedido das autoridades religiosas judaicas, o pregador Jesus de Nazaré, em hebraico, Ieshua ben Ioseph.

Jesus pregava a chegada do Reino de Deus, anunciado nas Escrituras de Israel; afirmava ter vindo de Deus, ser o Filho de Deus. Escolhera Doze discípulos, indicando claramente que, a partir Dele, Israel, o povo das Doze tribos, deveria ser renovado e transformado. Afirmava que aqueles que Nele acreditassem e O aceitassem como Messias e Salvador, que O amassem mais que à própria vida e se abrissem à Sua mensagem sem nenhuma reserva, encontrariam a Luz verdadeira, a Vida verdadeira e venceriam, com Ele e como Ele, a própria morte: as mortes da vida e a Morte última.

Sexta-feira, 7 de abril, Jerusalém, ano 30. Jesus está na cruz, humanamente aniquilado, um farrapo, um trapo de gente. Perdoa Seus inimigos, entrega-Se com total confiança nas mãos do Deus Santo de Israel, a Quem Ele chamava de Pai, e morre. É sepultado. No terceiro dia, Seus discípulos dizem que Ele veio, vivo, ressuscitado, totalmente transfigurado, glorioso, divinizado na Sua natureza humana, ao encontro dos Seus.

Tudo mudou para aqueles Doze, tudo mudou para os discípulos, tudo mudou para Paulo de Tarso, judeu culto, letrado, prudente, que diz ter sido encontrado por Jesus vivo, ressuscitado, vitorioso, no caminho de Damasco… Deste testemunho dos Apóstolos a Igreja vive há dois mil anos; por esse testemunho muitos deram a vida, muitos consagraram toda a existência. Os cristãos creem com todas as forças e com razoáveis motivos: Jesus venceu a morte, ressuscitou, está no Pai e, na potência do Seu Espírito Santo, estará presente à Sua Igreja até o fim dos tempos.

O mistério

Para os cristãos, no entanto, a cruz nos descortina, fundamentalmente, dois mistérios tremendos.

Primeiro, o Mistério da Iniquidade, Mistério do Pecado do mundo, fruto da liberdade humana, que pode de tal modo fechar-se para Deus, levando o homem – cada indivíduo e a humanidade toda -, a tal soberba, a tal autossuficiência, a ponto de matar Deus: “Não queremos que Esse aí reine sobre nós! Não temos outro rei a não ser César!” (Jo 19,15). Isso mesmo: a cruz revela até onde o homem pode ir: ele pode matar Deus! E o está matando, continua a matá-Lo, erradicando-O da cultura, da sociedade, das repartições públicas, dos meios de comunicação, das escolas, das famílias, dos corações.

Mas, a cruz revela também um outro mistério: o Mistério da Piedade! Mistério de um Deus tão grande no Seu amor, tão humilde no profundo respeito pela liberdade humana, que é capaz de Se entregar à morte para salvar essa humanidade tola e prepotente: “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17). Na cruz revela-se até onde Deus está disposto a ir por nós: um Deus solidário, que entra na nossa vida, que assume as nossas contradições, que sofre conosco e morre conosco para nos fazer ressuscitar com Ele, mantendo-nos sempre aberto o caminho da salvação.

Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo…

Oração, silêncio, jejum, abstinência, diante do Mistério!

+ Dom Henrique Soares da Costa

Publicado em Comunidade Shalom (Formação).

Imagem: Diocese de Crato.