O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
O Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, presidirá no Santuário de Fátima a peregrinação internacional de 13 de maio.
Numa entrevista à sala de imprensa do Santuário de Fátima, Dom Twal apresentou as principais intenções de oração que serão feitas num local onde “Maria continua irradiando sua luz, seu amor de Mãe e seus ensinamentos”.
“Irei apresentar a Nossa Senhora as súplicas de seus filhos do Oriente Médio e as de seus filhos do mundo inteiro. De modo especial, pedirei pelas necessidades dos cristãos e de todos os habitantes de sua pátria: a Terra Santa. Peço a todos para que rezem pela Terra de Jesus e de Maria”, frisou o patriarca.
Nas mesmas declarações, Dom Twal falou sobre a primeira viagem do Papa Francisco à Terra Santa de 24 a 26 de maio próximo, afirmando que o Santo Padre irá à Terra Santa “como peregrino da paz e da unidade”, a uma terra “em chamas “, com muros visíveis e invisíveis, difíceis de ultrapassar.
Como gestos concretos para assinalar a peregrinação pontifícia, o Patriarca Latino de Jerusalém pediu liberdade total de acesso aos lugares sagrados para todos os fiéis e liberdade para que as famílias separadas pelo Muro possam se encontrar.
Dom Twal pediu orações pelos cristãos e seu futuro, afirmando que os cristãos no Oriente Médio são uma riqueza para toda a Igreja.
“O discurso da lua” é uma das mais famosas intervenções do chamado “Papa bom” ou João XXIII.
Na noite de 11 de Outubro de 1962, após a sessão de abertura do Concílio Vaticano II, uma multidão de fiéis acorreu espontaneamente à Praça de São Pedro com velas e em oração.
Informado pelo seu secretário, Mons. Capovilla, João XXIII aproximou-se à janela, e, emocionado, falou de improviso.
O caráter coloquial e absolutamente inesperado da sua saudação, granjeou-lhe o título de “discurso da lua“, devido à referência que o mesmo fez no início do diálogo. (Fonte: YouTube – Canal João Batista Merc..)
Trecho do discurso inaugural do pontificado do Papa João Paulo II. Apresenta o tema que foi marcante em sua condução pastoral: “Não tenhais medo!” O texto na íntegra pode ser encontrado aqui: http://www.vatican.va/holy_father/joh…
neste dia de Páscoa, é com o coração cheio de júbilo que faço memória e atualizo a fé em que acredito: creio na ressurreição dos mortos e na vida do mundo que há de vir. Sim, Jesus, dou-Te graças infindas, pois, porque deste voluntariamente a Tua vida, retomaste-a e retomaste-a para mim. Eu ressuscito e ressuscitarei para a vida eterna graças à Tua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição. O coração não cabe em mim de tanta alegria por esta certeza. Que ela inunde a minha vida, sare as minhas feridas, cure os meus desgostos e alivie as minhas dores, porque a Vida venceu a morte, o mal e todo o pecado. E a vida é a Vida de Deus, que Tu derramaste no meu coração e está em mim presente, agora e sempre!
A indiferença e o individualismo como fontes da falta de compaixão
Lúcia Barden Nunes
Nosso tempo é marcado por duas características: a indiferença e o individualismo. Ambos já permeiam até mesmo o convívio familiar. Falas ou mensagens rápidas pelo celular; e-mails raros e telegráficos – cartas, nem pensar, e visitas – bem, a agenda está cheia para a maioria. Não devia ser assim porque o tempo deve ser vivido por nós e não o contrário – ele nos apressar, até quando não é necessário. Vivemos em uma sociedade superficial e volúvel. Não devíamos abrir mão de nossos afetos por uma suposta falta de tempo. Quando nosso coração está partido, ou enfrentamos todo tipo de dificuldades que podem surpreender-nos ao longo da vida, podemos “estranhamente” receber a mesma falta de tempo…
Acredito que não é uma regra, mas a pressa, a superficialidade estão pautando os relacionamentos. Fica um vazio que nada preenche, simplesmente porque nada pode preencher o lugar do amor. As cidades estão cheias de pessoas vazias por sua própria conta, enquanto outras se encontram esvaziadas de amor…
Padre Antônio Francisco Bohn, em um pequeno texto na Folhinha do Sagrado Coração, afirma o seguinte:
“A compaixão é que torna o coração verdadeiramente humano. Ela é uma virtude. (….) Inicie suas atividades com o pensamento voltado para o Sagrado Coração de Jesus. Você é a beleza da vida, obra-prima do Criador, a síntese de seu amor. Jesus deve estar em seu pensamento e no seu caminho. Nele você deve confiar todos os seus atos em cada minuto deste dia. Só um espírito bom pode ser compassivo. Quem se compadece dos outros, de si próprio se lembra. A compaixão se manifesta por atos e nela é essencial a bondade. Quando a pessoa tem compaixão das demais, Jesus tem compaixão dela. A compaixão é a misericórdia que se inclina sobre a miséria e mostra a grandeza da alma.”
Tenho pensado que a compaixão parece que deixou de ser um valor universal, e lamentavelmente, a razão pode se dever ao fato, entre outros, de nos permitirmos viver com um um mínimo de afetividade. Vamos ficando cada vez mais vez mais áridos, vazios.
Talvez precisemos retomar o “trabalho da formiguinha”: cada um de nós pode não ter mais influência na cultura de falta de compaixão, indiferença já instaladas, mas, é certo que podemos fazer a nossa parte… Podemos nos dar uma chance de termos compaixão quando a circunstância se apresenta à nossa frente. Podemos ter a certeza de que nosso peito se aquecerá neste gesto…
Na atualidade, esta abordagem é polêmica, principalmente em relação à insistente proposta de questionamento da constituição natural da família humana, que consiste na união entre um homem e uma mulher, daí derivando o nascimento de crianças. Muito tem sido falado da imposição em âmbito mundial da chamada “agenda de gênero”, que promove a união entre pessoas de mesmo sexo, e se, unidos legalmente, a possibilidade de adoções por estes casais. As uniões homossexuais são uma realidade, ainda que no mundo ocidental este regime não tenha sido aceito em vários países. A propósito, o Papa Francisco com sua fala na Audiência Geral, firma o posicionamento da Igreja Católica em relação, ao que parece em um primeiro momento, à instituição do matrimônio católico, confirmando sua indissolubilidade, diante da Bíblia e diante da lógica do amor, que vem de Deus. Isto, o torna mais forte que qualquer “litígio”, aliás, palavra utilizada pelo Sumo Pontífice. (Lúcia Barden Nunes)
Na audiência geral desta quarta-feira o Papa Francisco dedicou a sua catequese ao sacramento do Matrimônio concluindo assim um ciclo de catequeses dedicado aos sacramentos:
“Fomos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. E na união conjugal o homem e a mulher realizam esta vocação no sentido da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.”
O sacramento do Matrimônio conduz-nos ao coração do desígnio de Deus – continuou o Santo Padre – que é um desígnio de Aliança e de comunhão: fomos criados para amar, como reflexo do Amor de Deus.
“Deus faz dos dois esposos uma só existência – a Bíblia diz “uma única carne”…
Neste sacramento – observou o Papa Francisco – Deus faz da união dos esposos – numa só carne – um sinal do seu amor, um reflexo da comunhão que existe no seio da Santíssima Trindade, onde as Três Pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – vivem desde sempre e para sempre em união perfeita.
O Matrimônio é também uma missão – definiu o Santo Padre: o amor entre os esposos, manifestado nas coisas simples da vida quotidiana, torna visível o amor com que Cristo ama a Igreja:
“Os esposos, com efeito, por força do Sacramento, são investidos de uma verdadeira missão, porque podem fazer visível, a partir das coisas simples e normais, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela, na fidelidade e no serviço.”
É necessário manter viva a união com Deus, que está na base da união conjugal – considerou o Santo Padre – que logo indicou o seu segredo para uma vida matrimonial serena – o amor é mais forte do que qualquer litígio:
“O amor é mais forte do que os momentos de litígio. Por isso eu aconselho aos casais que não acabem o dia sem fazer a paz…”
“e para fazer a paz não são precisas as Nações Unidas, uma carícia basta!”
“E assim é a vida, levá-la para a frente com a coragem de querer viver juntos. E isto é belo!”
E o Papa Francisco concluiu a sua catequese reiterando as suas já bem conhecidas três palavras-chave para uma saudável vida conjugal – com licença, obrigado e desculpa:
“Uma coisa que ajuda tanto a vida matrimonial são três palavras – três palavras que se devem dizer sempre: com licença, obrigado, desculpa!”
“Que o Senhor vos abençoe e rezai por mim!”
No final da audiência o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:
“Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos grupos escolares de Portugal e à delegação ítalo-brasileira. Rezemos por todas as famílias, especialmente por aquelas que passam por dificuldades, na certeza de que estas são um dom de Deus nas nossas comunidades cristãs. Que Deus vos abençoe!”
Nas saudações aos peregrinos polacos, presentes hoje na Praça de São Pedro, para a audiência geral, o Papa Francisco evocou a figura de João Paulo II, falecido faz hoje precisamente 9 anos. O Santo Padre recordou a próxima canonização do Papa polaco, convidando todos a prepararem-se espiritualmente para esse momento de graça para toda a Igreja.
ONU: Quando a política é distorcida pela ideologia
Stefano Gennarini C- Fam conta como a ideologia contrária à vida e à família natural é capaz de formular e condicionar os documentos das Comissões das Nações Unidas
Roma, 07 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) Junno Arocho
Tem causado polêmica no âmbito internacional o Relatório do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança que critica fortemente a Igreja Católica. O que é mais surpreendente é que o Comitê da ONU não se limitou apenas a lançar críticas venenosas, mas pretendeu que a Santa Sé se retire da oposição às políticas abortivas e pare de se opor aos casamentos e adoções por casais homossexuais. Mons. Silvano Maria Tomasi, Observador permanente da Santa Sé junto aos Departamentos da ONU em Genebra, argumentou que o relatório em questão foi formulado e escrito por pessoas que têm fortes preconceitos contra o Vaticano.
Stefano Gennarini , diretor do Centro de Estudos Legais C- FAM , também está convencido de que o relatório da Comissão tenha sido escrito e utilizado como uma ferramenta contra a Igreja Católica. C- FAM, “Instituto para a família e os Direitos Humanos” com sede em Nova York e Washington, foi fundada em 1990 como resposta ao apelo do Beato João Paulo II para que os católicos estejam presentes em praça pública. Para saber mais detalhes, ZENIT entrevistou Stefano Gennarini.
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ZENIT: O que é o C- FAM e qual é o papel que desempenha na ONU?
Gennarini: C -FAM está comprometida todos os dias em seguir e aprofundar tudo o que acontece nas Nações Unidas, com particular ênfase para as questões da família e da vida. As informações e entrevistas coletadas são difundidas por um boletim semanal conhecido como “Friday Fax” (O fax da sexta-feira). Como associação, C- FAM participou dos principais encontros e conferências relativas aos temas sociais, como a Conferência do Cairo do 1994, e é reconhecida junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.
ZENIT: O que você acha das recomendações divulgadas pelo Comitê das Nações Unidas sobre os direitos da Criança?
Gennarini: Eu estou acostumado a ver como os funcionários dos departamentos das Nações Unidas conseguem elaborar documentos extravagantes. Neste caso, estou preocupado com aqueles que irão ler estas observações. É uma pena que o Comitê sobre os Direitos da Criança tenha escolhido tomar esse caminho. Dessa forma, estão minando o trabalho da ONU na promoção e no respeito dos direitos humanos. Com este documento a credibilidade deste departamento foi posta em discussão: agora nenhum país tomará a sério as observações do Comitê, porque é evidente que se trata de um documento politicamente e ideologicamente tendencioso.
ZENIT: Portanto, você não está surpreso por este comportamento?
Gennarini: Realmente não. Há anos existem grupos ideologicamente militantes do aborto e do matrimônio e adoção gay; grupos que são maioria nos departamentos de organismos das Nações Unidas. Estes grupos gozam de generosas doações provenientes dos países do Norte e daqueles europeus. Sua ideologia distorce a realidade, de tal forma que embora nenhum tratado mencione o aborto a orientação sexual e questões semelhantes, eles são capazes de inserir argumentações ideológicas nos documentos oficiais. Inserindo argumentações ideológicas distorcem a interpretação jurídica. É uma pena, porque as indicações dos comitês de vigilância dos departamentos da ONU poderiam desempenhar um papel importante no ajudar os países a fazer respeitar os direitos humanos. Pelo contrário, o debate foi todo dirigido à promoção do aborto e da homossexualidade. Este modo de atuar alimenta o ceticismo daqueles que criticam as Nações Unidas e especialmente o Departamento para a promoção e o respeito dos Direitos Humanos. O ataque contra a Igreja Católica estava no ar. Os partidários de certas ideologias estão sempre tentando manchar a imagem pública da Santa Sé. Para eles, o Vaticano é o inimigo público número um. Não suportam que a Santa Sé se oponha a violações da dignidade humana. Se não fosse o trabalho da delegação vaticana junto às Nações Unidas e da Secretaria de Estado, o aborto e a sodomia[*] poderiam já ter sido declarados como direitos humanos universais. A Santa Sé é a única delegação da ONU que não aceita qualquer ambiguidade sobre questões que afetam a dignidade dos meninos e das meninas. Em geral, as delegações dos diferentes Países não estão dispostas a lutar para defender o nascituro.
ZENIT: Mons. Tomasi, Observador Permanente da Santa Sé na ONU, em Genebra, disse em uma entrevista que o relatório “foi escrito” antes mesmo de que a Santa Sé fizesse a sua apresentação à comissão. É verdade?
Gennarini: É um fato. Mons. Tomasi está simplesmente afirmando o que muitos daqueles que trabalham nas Nações Unidas já sabem. A verdade é que os documentos não são escritos por especialistas que compõem o corpo de monitoramento dos tratados. Esses especialistas não são compensados pelo trabalho que fazem e trabalham sobre estas questões apenas um par de semanas por ano. Quem está realmente no controle desses processos é o pessoal das Nações Unidas e do Departamento do Alto Comissariado para os Direitos Humanos que trabalham em tempo integral em Genebra para preparar relatórios, observações e recomendações. Assim, quando os especialistas reuniram-se com a Santa Sé em janeiro e falaram com Mons. Tomasi , elogiaram o trabalho da Santa Sé para proteger as crianças. E, no entanto, foi tudo inútil, porque os burocratas das Nações Unidas já tinha decidido as suas observações.
ZENIT: Então é verdade o que disse o arcebispo, ou seja, que detrás das observações do Comitê tinha uma boa parte das organizações não governamentais prováveis a favor do casamento gay e do aborto?
Gennarini: Sem dúvida. Os países nas Nações Unidas reclamaram muitas vezes a falta de transparência na forma como os comités de vigilância interagem com as organizações não-governamentais. Muitas vezes, as informações fornecidas pelos países membros são ignoradas e as Comissões se baseiam quase exclusivamente em informações provenientes desses grupos. A mesma Comissão acusou a Santa Sé de provocar as violências contra os homossexuais, condenou a Rússia por ter emanado uma lei que protege os menores de informações que poderiam influenciar negativamente a sua saúde, enganando-lhes que os atos homossexuais são iguais aos de uma relação sexual entre um homem e uma mulher. Grupos homossexuais querem que as suas escolhas sexuais sejam abraçadas por toda a sociedade e por isso a ONU é um outro instrumento para alcançar este objetivo. É uma pena que uma série de organizações que promovem o aborto e o matrimônio gay, os direitos sexuais para as crianças e coisas do tipo tenham conseguido uma tal força dentro dos organismos das Nações Unidas. Estamos falando de organizações fortes e mundialmente respeitadas como Amnesty International e a Comissão Internacional dos juristas e de outros grupos de mais recente formação, como o Centro para os direitos reprodutivos e Human Rights Watch. O que aconteceu nos últimos 30 anos é que muitas organizações para os direitos humanos – cujo objetivo era afirmar direitos civis e políticos durante a Guerra fria – se encontraram sem causa após a queda do Muro de Berlim. Então, concentraram a sua atenção sobre os direitos sexuais. O que eles querem é transformar a autonomia sexual desenfreada em uma norma fundamental dos direitos humanos. O aborto e o homossexualismo são simplesmente as manifestações mais extremas da autonomia sexual desenfreada. Nos países ocidentais, onde esta autonomia sexual ganhou um lugar privilegiado, essas organizações foram financiadas por mais de 20 anos com bilhões de dólares colocados à sua disposição para pagar litígios, educação, lobby e outros projetos para promover as suas causas.
ZENIT: Neste contexto como é que C- FAM atua como uma instituição voltada para os direitos humanos e familiares? Como vocês têm a intenção de reagir a este relatório da ONU?
Gennarini: C -FAM lançou uma petição em apoio da Santa Sé: http://www.defendthevatican.org . Esperamos apontar aos nossos amigos nas Nações Unidas mais um exemplo de abuso por parte de comitês da ONU. Nos últimos três anos, temos trabalhado em estreita colaboração com os diplomatas na Assembleia Geral das Nações Unidas para reformar os órgãos previstos pelo tratado e permitir-lhes funcionar corretamente no futuro. É importante que estes especialistas tenham em conta este trabalho. É o único modo de garantir que se evite no futuro opiniões extravagantes desse tipo. Até que os especialistas possam interpretar os tratados como quiserem, isso continuará a acontecer. E, naturalmente, continuaremos a tratar esses temas em www.c-fam.org
Evangelho segundo S. Marcos 2,13-17. Naquele tempo, Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os.
Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus.
Depois, quando se encontrava à mesa em casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores também se puseram à mesma mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam.
Mas os doutores da Lei do partido dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos discípulos: «Porque é que Ele come com cobradores de impostos e pecadores?»
Jesus ouviu isto e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»
Pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu, pie JesuQui tollis peccata mundiDona eis requiem, dona eis requiemPie Jesu, pie Jesu, pie Jesu, pie JesuQui tollis peccata mundiDona eis requiem, dona eis requiem
Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei
Qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem, dona eis requiem
Dona eis requiem
Sempiternam
Dona eis requiem
Sempiternam
Requiem
Piedoso Jesus
Piedoso Jesus, piedoso Jesus, piedoso Jesus,Que tirais o pecado do mundo,Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descansoPiedoso Jesus, piedoso Jesus, piedoso Jesus,Que tirais o pecado do mundo,Dá-lhes o descanso, dá-lhes o descanso
Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus
Entraremos na semana do Natal dentro de poucos dias, quando todo o mundo ocidental-cristão, tradicionalmente, comemora um acontecimento ocorrido há dois mil anos: o nascimento de uma criança, de um menino – Jesus. Ainda que o sentido da festa esteja comprometido em razão do apelo comercial excessivo, o significado da vinda do Jesus – “Homem”, continua sendo muito significativo em todas as partes do mundo.
Por pensar deste modo, apresento a vocês uma composição visual que, admito, produzi, com certa dificuldade. É fruto da manipulação de algumas imagens muito belas que encontrei no site que refiro mais abaixo, com o fito de representar uma cruz. Posso dizer que pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Acredito ser óbvio o motivo (pelo menos, para mim o é): fala em essência da Cristandade. Em seu conjunto, podemos concluir que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, que se deu através do “sim” corajoso e total da Virgem Maria.
Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“.
Preparemo-nos interiormente para o verdadeiro sentido do Natal. (LBN)
“A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.“
São João da Cruz nasceu em 1542 em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.
Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.
Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da “Noite Escura da alma”, da “Subida do monte Carmelo”, do “Cântico Espiritual” e da “Chama de amor viva”.
A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena”. “Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus”.
O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.
Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado e declarado Doutor da Igreja por Pio XI . Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.
Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: “Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal..” Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência”. Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz.
“JESUS MISERICORDIOSO – Eu confio em Vós”: Impressão poligráfica, replicada a partir da pintura revelada por Jesus a Santa Faustina Kowalska (1931), em visão mística (e, oficialmente aprovada pela Igreja Católica). Pintura restaurada em 2005.
Com a recém anunciada Exortação Apostólica – Evangelii Gaudium, o Papa Francisco traz o que no mundo católico é tido como uma verdadeira boa nova. Ela vem para conquistar as consciências de homens e mulheres que se lançam à evangelização em tempos voláteis, relativistas. Esta é a “Nova Evangelização” há muito aguardada por leigos e consagrados, e vem com um tom surpreendentemente positivo numa época permeada pelo que os especialistas chamam de “cultura da morte”. Evangelii Gaudium fala de alegria no anúncio do Evangelho.
Poderia não ter tido esta ênfase, mas o Papa quer trazer uma visão positiva da vida no mundo, justamente para resgatá-lo de suas obscuridades. Certamente, quer alcançar os jovens e os que se afastaram até mesmo da vida cristã devido às pressões de uma cultura voltada à busca de satisfações imediatas (consumo desenfreado) ou, então, estão alijados porque perdidos no emaranhado de caminhos que sugerem facilidades, mas que na verdade, confundem as mentes com sugestões de auto-aniquilamento (em nome de uma suposta mudança de paradigma).
Também não ficam fora do foco da Exortação Apostólica – Evangelii Gaudium – os indivíduos que não estão sendo alcançados pela evangelização porque se encontram em situações de pobreza crônica. O desperdício em nossas sociedades, que anda ao lado da indigência ou linha da miséria o deixa escandalizado. Papa Francisco, nesse sentido, não admite o esquecimento de nenhuma ovelha perdida; quer trazer todas de volta o aprisco. Assim, todos somos convocados a buscá-las e encontrando-as, não ter outra atitude que não a do acolhimento irrestrito em nome Igreja – o corpo de Cristo, que é a cabeça. E, mais, é católica porque sua vocação é a acolhida, já que o termo katholikos traz o significado de “geral” ou “universal”. (LBN)
Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)
No Domingo de Cristo Rei, 24 de novembro, o papa Francisco brindou a Igreja com uma bela Exortação Apostólica sobre a evangelização, chamada: Evangelii gaudium – “A Alegria do Evangelho”. É um presente feito à Igreja no encerramento do Ano da Fé, ao longo do qual ela procurou, em todas as suas comunidades, recobrar o fervor da fé.
A Exortação Apostólica traz as contribuições e impulsos da assembleia do Sínodo dos Bispos de outubro de 2012, sobre o tema da “nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Mas também representa uma palavra pessoal do Papa Francisco e retrata sua experiência pessoal de “nova evangelização” na América Latina, especialmente, aquela do Documento de Aparecida.
O Evangelho de Jesus, acolhido com fé verdadeira, traz alegria incontida e precisa ser partilhado com outras pessoas. Quem encontrou Jesus, o Salvador e Senhor, fica de tal modo marcado e fascinado, que não pode segurar só para si essa boa experiência da fé; como os pastores da noite do nascimento de Jesus, em Belém (cf Lc 2,8-20), ou como os apóstolos, no início da pregação do Evangelho (cf At 4,20), também a Igreja sente-se impulsionada a comunicar também aos outros “o que viu e ouviu”.
Assim aconteceu no tempo de Jesus e dos Apóstolos e continuou a acontecer, ao longo da História, em tantas ocasiões e com uma multidão de pessoas. E acontece ainda hoje que homens e mulheres que acolhem com fé e alegria o Evangelho de Cristo, orientando suas vidas para Ele. Muitas pessoas batizadas fazem a experiência de sentir-se amadas por Deus e despertam para um generoso compromisso missionário e evangelizador.
O Evangelho é boa notícia para o nosso mundo e assim deve ser anunciado. A alegria da fé, nascida do Evangelho, continua a levar a Igreja a anunciar e a compartilhar com outros o dom recebido, mesmo a custo de muitos sacrifícios e cruzes.
No encerramento do Ano da Fé, somos todos novamente enviados em missão, como “discípulos do Reino de Deus”. Anunciar o Evangelho e testemunhar a força e a eficácia de sua ação transformadora não deveria ser uma obrigação pesada, mas uma necessidade que brota do coração agradecido de quem encontrou as razões para crer: “ai de mim, se eu não pregar o Evangelho!” (1Cor, 9,16).
No Brasil, a solenidade de Cristo Rei e, neste ano, o encerramento do Ano da Fé, coincidiram com o início da Campanha Nacional para a Evangelização. Durante três semanas, somos convidados a refletir sobre a realidade da evangelização no Brasil, a rezar e a nos empenhar para que ela aconteça em todos os cantos de nosso País; no terceiro Domingo do Advento, faz-se a coleta em favor da evangelização, como gesto concreto de apoio a esta obra prioritária da Igreja.
Nada mais justo e acertado: o encontro renovado com Cristo Senhor aprofunda os laços da nossa fé; e esta leva-nos a anunciar a alegria do Evangelho, para ajudar outras pessoas a também se aproximarem de Deus. A evangelização é missão deve envolver a todos os batizados; todos eles têm parte na missão de anunciar o Evangelho, de muitas maneiras. A transmissão da fé e a iniciação à vida cristã são desafios urgentes, que todos os membros da Igreja precisam assumir de forma renovada.
A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – “A Alegria do Evangelho” – vem em boa hora para estimular e orientar a todos!
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Publicado em Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM DO SANTO PADRE FRANCISCO AO EPISCOPADO, AO CLERO
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E AOS FIÉIS LEIGOS
SOBRE
O ANÚNCIO DO EVANGELHO
NO MUNDO ACTUAL
Não a uma economia da exclusão [53-54]
Não à nova idolatria do dinheiro [55-56]
Não a um dinheiro que governa em vez de servir [57-58]
Não à desigualdade social que gera violência [59-60]
Alguns desafios culturais [61-67]
Desafios da inculturação da fé [68-70]
Desafios das culturas urbanas [71-75]
Sim ao desafio duma espiritualidade missionária [78-80]
Não à acédia egoísta [81-83]
Não ao pessimismo estéril [84-86]
Sim às relações novas geradas por Jesus Cristo [87-92]
Não ao mundanismo espiritual [93-97]
Não à guerra entre nós [98-101]
Outros desafios eclesiais [102-109]
Um povo para todos [112-114]
Um povo com muitos rostos [115-118]
Todos somos discípulos missionários [119-121]
A força evangelizadora da piedade popular [122-126]
De pessoa a pessoa [127-129]
Carismas ao serviço da comunhão evangelizadora [130-131]
Cultura, pensamento e educação [132-134]
O culto da verdade [146-148]
A personalização da Palavra [149-151]
A leitura espiritual [152-153]
À escuta do povo [154-155]
Recursos pedagógicos [156-159]
Uma catequese querigmática e mistagógica [163-168]
O acompanhamento pessoal dos processos de crescimento [169-173]
Ao redor da Palavra de Deus [174-175]
Unidos a Deus, ouvimos um clamor [187-192]
Fidelidade ao Evangelho, para não correr em vão [193-196]
O lugar privilegiado dos pobres no povo de Deus [197-201]
Economia e distribuição das entradas [202-208]
Cuidar da fragilidade [209-216]
O tempo é superior ao espaço [222-225]
A unidade prevalece sobre o conflito [226-230]
A realidade é mais importante do que a ideia [231-233]
O todo é superior à parte [234-237]
O diálogo entre a fé, a razão e as ciências [242-243]
O diálogo ecuménico [244-246]
As relações com o Judaísmo [247-249]
O diálogo inter-religioso [250-254]
O diálogo social num contexto de liberdade religiosa [255-258]
O encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva [264-267]
O prazer espiritual de ser povo [268-274]
A acção misteriosa do Ressuscitado e do seu Espírito [275-280]
A força missionária da intercessão [281-283]
Já estamos celebrando nesta Eucaristia a liturgia da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. A liturgia da festa Cristo Rei nos convida a contemplar o mistério de Cristo, Senhor da História, Juiz e Salvador da humanidade.
O texto do Apocalipse que escutamos apresenta Jesus como a testemunha fiel que nos revelou e nos revela que Deus é amor, Deus é Pai e nós somos seus filhos pelo Espirito Santo derramado em nossos corações, que clama no nosso íntimo: Abbá – isto é – Pai. Jesus Cristo é o primeiro que ressuscitou dos mortos, venceu a morte, o pecado, o demônio e elevado aos céus à direita do Pai, Ele nos precedeu na glória dos céus, como prometeu aos seus discípulos: “quando eu for e vos tiver preparado um lugar, voltarei para levar-vos comigo, para que estejais onde eu estou” (Jo 14, 2-3)
No evangelho, diante de Pilatos, representante na Judeia, de Cesar, imperador romano, Jesus não nega que é rei, mas afirma que seu reino não é deste mundo. Seu reino não tem origem na terra. Seu poder não se apoia na força, nem no poder deste mundo. Sua realeza vem do céu, é espiritual; “é o poder divino de dar a vida eterna, de libertar do mal, de derrotar o domínio da morte” (Bento XVI). Seu reinado se manifesta no amor, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; “não há prova maior de amor do que dar a vida pelos seus amigos.” Seu reinado se manifesta no serviço: “eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos.” Seu reino é um reino de paz: “felizes os que constroem a paz.”
Quem se tornou discípulo de Jesus, quem fez dele a opção de sua vida, deve assumir as mesmas atitudes de Jesus: testemunhar a verdade, a justiça, a solidariedade, o amor e a paz. “Escolher Cristo não garante o sucesso segundo os critérios do mundo (poder, dinheiro, fama, prestígio), mas assegura aquela paz e alegria que só Ele pode dar.” (Bento XVI).
Peçamos a Maria, Rainha do Céu e da Terra, que nos ajude a seguir Jesus, nosso Rei, como Ela o fez e a dar testemunho Dele com toda a nossa existência. (…)
Publicado por Dom Damasceno (26 de novembro de 2012).
Publicamos a seguir as palavras do Papa pronunciadas aos fieis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, hoje às 12hs durante a tradicional oração do Angelus.
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Caros irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus com os saduceus, que negavam a ressurreição. E é justamente sobre este tema que eles fazem uma pergunta a Jesus, para coloca-lo em dificuldade e ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos. Partem de um caso imaginário: “Uma mulher teve sete maridos, mortos um depois do outro”, e perguntam a Jesus: “De quem será esposa esta mulher depois da sua morte?”. Jesus, sempre humilde e paciente, primeiramente responde que a vida depois da morte não tem os mesmos parâmetros daquela terrena. A vida eterna é uma outra vida, em uma outra dimensão onde, entre outras coisas, não existirá mais o matrimônio, que está ligado à nossa existência neste mundo. Os ressuscitados – disse Jesus – serão como os anjos, e viverão em um estado diferente, que agora não podemos experimentar e nem sequer imaginar. E assim explica Jesus.
Mas, depois, Jesus, por assim dizer, passa ao contra ataque. E o faz citando a Sagrada Escritura, com uma simplicidade e uma originalidade que nos deixam cheios de admiração pelo nosso Mestre, o único Mestre! A prova da ressurreição, Jesus a encontra no episódio de Moisés e da sarça ardente (cf. Ex 3, 1-6), lá onde Deus se revela como o Deus de Abrão, de Isaque e de Jacó. O nome de Deus está ligado aos nomes dos homens e das mulheres com os quais Ele se liga, e esta ligação é mais forte do que a morte. E nós podemos falar também da relação de Deus conosco, com cada um de nós: Ele é o nosso Deus! Ele é o Deus de cada um de nós! Como se Ele tivesse o nosso nome. Ele gosta de dizer, e esta é a aliança. Eis porque Jesus afirma: “Deus não é dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem por ele” (Lc 20, 38). E esta é a ligação decisiva, a aliança fundamental, a aliança com Jesus: Ele mesmo é a Aliança, Ele mesmo é a Vida e a Ressurreição, porque com o seu amor crucificado venceu a morte. Em Jesus Deus nos dá a vida eterna, a dá a todos, e todos, graças a Ele têm a esperança de uma vida ainda mais verdadeira do que esta. A vida que Deus nos prepara não é um simples embelezamento desta atual: essa supera a nossa imaginação, porque Deus nos surpreende continuamente com o seu amor e com a sua misericórdia.
Portanto, o que acontecerá é justamente o contrário do que esperavam os fariseus. Não é esta vida que é referência para a vida eterna, para a outra vida, aquela que nos espera, mas é a eternidade – aquela vida – que ilumina e dá esperança à vida eterna de cada um de nós! Se olhamos somente com olhos humanos, somos levados a dizer que o caminho do homem vai da vida à morte. Isso se vê! Mas somente é assim se o olhamos com olhos humanos. Jesus muda esta perspectiva e afirma que a nossa peregrinação vai da morte à vida: a vida plena! Nós estamos em caminho, em peregrinação em direção à vida plena, e aquela vida plena é aquela que nos ilumina no nosso caminho! Portanto, a morte está atrás, nas costas, não diante de nós. Diante de nós está o Deus dos vivos, o Deus da aliança, o Deus que traz o meu nome, o nosso nome, como Ele disse: “eu sou o Deus com o meu nome, com o teu nome, com o teu nome…, com o nosso nome. Deus dos vivos!… Eis a derrota definitiva do pecado e da morte, o começo de um novo tempo de alegria e de luz sem fim. Mas já nessa terra, na oração, nos Sacramentos, na fraternidade, nós encontramos Jesus e o seu amor, e assim podemos degustar algo da vida ressuscitada. A experiência que fazemos do seu amor e da sua fidelidade acende como um fogo no nosso coração e aumenta a nossa fé na ressurreição. De fato, se Deus é fiel e ama, não pode sê-lo por tempo limitado: a fidelidade é eterna, não pode mudar. O amor de Deus é eterno, não pode mudar! Não é ao mesmo tempo limitado: é para sempre! É para seguir adianta! Ele é fiel para sempre e Ele nos espera, cada um de nós, acompanha a cada um de nós com esta fidelidade eterna.”
Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» – disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. (Mateus 14, 22-32)
Às primeiras horas da madrugada, o som de um alarme de incêndio interrompeu o silêncio e, no momento exato, despertou uma família para o choque de ver a sua casa envolvida pelas chamas. Sem tempo para salvar o que quer que fosse a não ser as suas próprias vidas, desceram as escadas a correr e escaparam para a escuridão. Ainda a recuperar o fôlego, o pai contava os filhos: «João, Ana, Maria, Miguel… – onde está o Miguel?»
Naquele preciso momento, Miguel, de cinco anos, chorava de uma das janelas do primeiro andar: «Mãe! Pai! Onde estão?»
Era demasiado tarde para voltar a entrar – a casa estava um inferno – pelo que o pai respondeu: «Salta, Miguel, que eu seguro-te».
Entre soluços, a criança chorava: «Mas eu não consigo ver-te, papá!»
O pai respondeu-lhe calmamente: «Eu sei que não me consegues ver, filho, mas eu vejo-te. Salta!»
Durante alguns instantes não houve nada a não ser o silêncio. Então o rapaz saltou para a escuridão e encontrou a segurança nos braços do pai.
***
Nós somos aquela criança, todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair, sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo andar sobre a água em direção a Jesus, mas hesitamos e deixamo-nos submergir.
“O medo é inútil», disse muitas vezes Jesus. “O que é preciso é fé”. Está certo, mas a fé de que Ele fala não é o que muitos de nós pensamos. Não se tratam de abstrações teológicas. Trata-se de nos confiarmos às mãos de Deus porque sabemos que Ele nos ama mais do que nós nos amamos a nós mesmos.
Mas ainda que esta ideia esteja clara, podemos ainda ficar desorientados por pensarmos que, ao confiar em Deus, Ele nos protege do fracasso e da dor. A promessa não é essa. A promessa de Deus para aqueles que n’Ele confiam é esta: Ele dar-nos-á a força para enfrentar todos os problemas que surgirem, e nunca deixará que sejamos destruídos por eles, ainda que morramos.
Mas a fé tem ainda outro lado: os talentos e dons que Deus nos deu porque Ele teve fé em nós. Pedro perdeu a fé nos dons que Deus lhe havia dado e esperou que Deus resolvesse o problema. Resultado: afundou-se! Confiar em Deus significa também confiar nos seus dons. E confiar nos seus dons significa usá-los.
Há uma antiga expressão que diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário, mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons. Pode ajudar recordar as palavras escritas há mais de 50 anos na parede do gueto de Varsóvia:
Acredito no sol, ainda que não brilhe.
Acredito no amor, ainda que não o sinta.
Acredito em Deus, ainda que não O veja.
Confie em Deus e confie nos dons que Ele lhe deu. Ou seja, use os seus dons. E então salte! E nunca olhe para trás!