A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa (“Celebrando” – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas – SP – Brasil)

Fonte/imagem/artigo: Missionários Combonianos – Actualidades – “Quaresma 2012 dedicada às boas obras

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Fonte: CELEBRANDO – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas

TEMPO DE QUARESMA 2012

A Igreja Católica inicia na próxima quarta-feira, dia 22 de fevereiro, o Tempo da Quaresma, período de preparação para a festa da Páscoa que, com a morte e ressurreição de Jesus, tornou-se o grande referencial da nossa fé, o dia da vitória da Vida sobre a morte. A Quarta-feira de Cinzas marca, também, no Brasil, o início da Campanha da Fraternidade.

1. A Quaresma é o período de 40 dias que começa na quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo de Ramos, este ano no dia 1º de abril, quando tem início a Semana Santa. Nesses 40 dias, somos convidados a reviver a experiência dos 40 anos de travessia do deserto pelo povo de Israel e os 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua Missão. Somos convidados a três atitudes que são os pilares da vida cristã: a Oração, relação do homem com Deus; o Jejum, relação do homem consigo mesmo; e a Caridade, relação do homem com o próximo. É um tempo rico de reflexão sobre a nossa vida, buscando valorizar o que temos feito de bom e dar um novo caminho ao que temos feito de ruim ou deixado de fazer. É o convite à conversão.

2. O nosso calendário civil é definido a partir da Festa da Páscoa, por isso a Quaresma varia de ano para ano. A festa da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início do outono. Neste ano de 2012 o outono começa no dia 21 de março, e a primeira lua cheia acontece no dia 06 de abril. Assim, a Festa da Páscoa acontece no domingo seguinte, dia 08 de abril. A partir desta data são definidas a Semana Santa, a Quarta-feira de Cinzas e, também, o Carnaval. A festa da Páscoa era primitivamente um ritual realizado por pastores que, para proteger as suas famílias e seus rebanhos dos espíritos maus, matavam um cordeiro e tingiam a entrada das tendas com o seu sangue. Por volta de 1250 anos antes de Cristo, esse ritual adquiriu um novo sentido, com a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Depois, com a ressurreição de Jesus, a Páscoa se tornou a principal festa dos cristãos, lembrando que Deus liberta seu povo através de Jesus Cristo, o novo cordeiro pascal.

3. Na Quarta-feira de Cinzas, nas missas celebradas nas Paróquias e Comunidades, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveiras ou palmeiras, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. Em procissão, os cristãos e cristãs recebem na fronte um pouco dessas cinzas para expressar o desejo e votos de assumir o processo de conversão que se iniciou no Batismo, por uma vida de oração, esmola e jejum. As cinzas nos lembram que todo orgulho, prepotência, bens materiais não são nada mais do que cinzas após a morte. Conscientes de nossa pequenez, somos chamados a ser agentes de transformação de uma sociedade injusta, desigual e violenta, através de obras, ações, do amor que entrega a própria vida pela vida do outro.

4. A Quarta-feira de Cinzas abre a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB desde 1964, destacando uma situação da realidade social para a reflexão das comunidades e de toda a sociedade. O tema deste ano é “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, um chamado à reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil,em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e na mobilização pela melhoria no sistema público de saúde.

Em todas as Paróquias e Comunidades da nossa região haverá Missa na Quarta-feira de Cinzas. Clique aqui para acessar a Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012.

Desejamos um excelente início de Quaresma!

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Publicado em CELEBRANDO – Revista Virtual de Liturgia – Arquidiocese de Campinas.

Peça publicitária da Igreja Católica – sem fins lucrativos, veiculada em tevês pelo mundo, reconverte católicos em uma semana nos EUA – YouTube – Blog ” In Nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti”

Este vídeo, de 2009, é apresentado do seguinte modo no YouTube:  “Peça publicitária da Igreja Católica, veiculada em Tvs pelo mundo. (…) Categoria: Sem fins lucrativos/ativismo”.

Acredito que é válida a sua divulgação, já que na atualidade, há a publicização de vídeos também “non-profit”,  em circuito global, de temas favoráveis sobre as “vantagens” que  multinacionais,  a maioria poluidoras, oferecem a países com desemprego, ou, igualmente prejudiciais, de extração de madeira em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, e pela mesma razão. Em seus países de origem as campanhas da população influenciam as decisões parlamentares pela não-instalação de seus parques industriais, em seu próprio solo. Outro exemplo é o da “indústria” do aborto,  que através do ativismo pró-escolha (com representações na ONU), lutam por sua legalização em nível global. Têm também o suporte de “lobbies” nos Parlamentos, através de todos os tipos de  organizações não-governamentais (ONGs).  Em nome dos “direitos da mulher”, tentam persuadir a todos através de um “pacote” de idéias, teorias, pesquisas que têm como pano de fundo um novo conceito, o de “Gênero”. No entanto, há estudos que afirmam que a tese de “Gênero” é, na verdade, mais  uma ideologia que vem sendo apresentada e propagandeada, principalmente nas áreas de educação e cultura. Inclusive, é trazido à tona que órgão de fomento mundial, atrelam a liberação de empréstimos a partir da publicização das idéias que compões o conceito de “Gênero”.

Ainda sobre a legalização do aborto, entre outras teorias relativistas, fundadas em concepções ditas pós-modernas, há a tentativa de convencimento de que estes sistemas de idéias poderiam vir a substituir a cultura judaico-cristã.  O termo denominado “cultura” evidencia tanto uma racionalidade quanto uma subjetividade, que perdura há  dois mil anos, por ter em essência, valores desde sempre reconhecidos como universais.  Tal cultura, a judaico-cristã, firmou concepções sobre o que é um ser humano, uma pessoa, e seus direitos inalienáveis, sejam os de um não-nascido, uma criança, uma mulher ou um homem.

Em seu conjunto, devemos estar atentos para a tentativa atual de banimento do Cristianismo. Diante do “novíssimo” caldo cultural da pós-modernidade, a base conceitual da fé cristã está ultrapassada. Entretanto, vale lembrar, que desde a sua origem lançou as bases da constituição do que entendemos como “família”, aliás, vigentes sem contestação até o final do século XX. Estamos portanto diante de uma campanha mundial de instauração de uma “nova” bagagem  de ideias e teorias sobre o que crianças devem “aprender” e adultos devem tomar como “verdade” enquanto seres humanos.. Adolf Hitler, mentor do nazismo também buscava “relativizar” a importância da cultura religiosa monoteísta do Judaísmo e do Cristianismo. Tinha em mente uma nova era para a Humanidade… (LBN)

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Apresento o blog abaixo como fonte publicadora da peça publicitária “pró-Cristianismo”, que também pode ser encontrada no YouTube:

IN NOMINE PATRIS, ET FILII, ET SPIRITUS SANCTI (Blog)

In Nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sanctii –  htp://paternoster10.blogspot.com/

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“Papa apela ao silêncio no dia dos jornalistas” – 24 de janeiro – Dia de São Francisco de Sales – Padroeiro dos jornalistas e escritores católicos

Fonte: www.expresso.pt

13:00 Terça feira, 24 de janeiro de 2012

Papa apela ao silêncio no dia dos jornalistas

É dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. E Bento XVI aproveita a oportunidade para lembrar como “o silêncio é precioso”.
Rosa Pedroso Lima


Bento XVI: «É necessário criar um ambiente propício,

quase uma espécie de ‘ecossistema’ capaz de equilibrar

silêncio, palavra, imagem e sons»
Pier Paolo Cito/AP

Como já vem sendo habitual, Bento XVI volta a supreender com um discurso que está bem longe do main stream. Aproveitando o dia de São Francisco Sales – que a Igreja designou como padoreiro dos jornalistas – o Papa apresentou a sua mensagem ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano se celebrará a 20 de Maio.

“Silêncio e palavra: caminho de evangelização” é o título dado à mensagem papal. E, retomando a antiga tradição – aliás patente em várias religiões – que destaca o papel do silêncio na comunicação humana, Bento XVI apela a que se encontre um equilíbrio entre os momentos de palavra e os momentos de silêncio. Trata-se, segundo o Papa, de “dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas”.

“O silêncio é parte integrante da comunicação”, afirma, sublinhando que é na parte não dita da Comunicação que se “abre um espaço de escuta recíproca e se torna possível uma relação humana mais plena”. Para além, claro, de ser no silêncio que “escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos”.

Depois de já ter sublinhado a importância das novas tecnologias no desenvolvimento das comunicações e de ter ‘aberto’ o Vaticano às novas tecnologias – como o Twitter ou as páginas online – o Papa defende uma espécie de nova ordem da comunicação. “O homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidade que não sente”, esclarece o Papa. “É necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de ‘ecossistema’ capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagem e sons”, conclui.

Publicado em http://www.expresso.pt/.
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Fonte/imagem: Salesianos de Dom Bosco  
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Fonte: http://oblatosamlat.cybermeme.net/ 

A VIDA DE SÃO FRANCISCO DE SALES

Os anos convulsionados na França, depois da Reforma Protestante, formaram o pano de fundo da vida de Francisco de Sales. Ele nasceu no dia 21 de agosto de 1567 de uma família nobre, no reino da Sabóia, situado entre a França, Itália e Suíça. Ele estudou no Colégio de Clermont dos Jesuítas, em Paris, e na Universidade de Pádua, onde se doutorou no Direito Canônico e  Civil.

Sendo estudante em Paris, teve que enfrentar a tempestade de uma severa crise espiritual, ao sofrer a tentação de desespero referente à predestinação.

Para o seu pai, foi uma grande decepção que Francisco não aceitou uma carreira esplêndida no mundo, mas preferiu o sacerdócio. Depois da ordenação, o seu bispo oenviou como jovem missionário para Chablais, distrito da Sabóia, por quatro anos. Lá ficou famoso por seus folhetos em defesa da fé e, mal e mal, se escapou de um atentado contra sua vida. Os seus escritos dessa  época foram publicados com o título

Controvérsias e a Defesa do Estandarte da Santa Cruz. Ao finalizar o seu apostolado de missionário, ele tinha persuadido cerca de 72.000 Calvinistas a voltar para a Igreja Católica.

Foi ordenado bispo de Genebra em 1602, mas residia em Annecy (agora situada na França), já que  Genebra estava sob o domínio dos Calvinistas e ficou fechada para ele.

Sua diocese tornou-se muito conhecida na Europa por motivo de sua organização eficiente, seu clero zeloso e os leigos bem esclarecidos — uma realização monumental naquela época. A sua fama como diretor espiritual e escritor aumentava.

Convenceram-no que reunisse, organizasse e expandisse suas muitas cartas sobre assuntos espirituais e as publicasse. É o que ele fez em 1609, com o título Introdução à Vida Devota. Essa se tornou a sua obra mais famosa e, ainda hoje, é uma obra clássica que se encontra nas livrarias no mundo inteiro. Mas o seu projeto especial foi o escrito do Tratado do Amor de Deus, fruto de anos de oração e trabalho. Este também continua sendo publicado hoje. Ele queria escrever também uma obra paralela ao Tratado, ou seja, sobre o amor ao próximo, mas a sua morte no dia 28 de dezembro de 1622, aos 55 anos de idade, o impossibilitou. Além das obras mencionadas acima, suas cartas, pregações e palestras ocupam cerca de 30 volumes. O valor permanente e a popularidade dos seus escritos levou a Igreja a conceder-lhe o título de Padroeirode Escritores Católicos.

Francisco aceitou em sua casa um jovem com dificuldade de audição e criou uma linguagem de símbolos para possibilitar a comunicação. Essa obra de caridade conduziu a Igreja a dar-lhe um outro título, ou seja, o de Padroeiro dos de Difícil Audição.

Ele colaborou com Santa Francisca de Chantal na fundação da ordem religiosa das Irmãs da Visitação de Santa Maria, conhecidas pela simplicidade da sua regra e tradições e por sua abertura especial a viúvas. Foi através da persistência de uma destas irmãs, uns 250 anos mais tarde, a Madre Maria de Sales Chappuis, que um sacerdote de Troyes, na França, Luís Brisson, fundou os Oblatos de São Francisco de Sales, uma comunidade de sacerdotes e irmãos, dedicados à vida  e divulgação do espírito e dos ensinamentos de São Francisco de Sales. Padre Brisson fundou também uma comunidade de irmãs com o mesmo nome, Oblatas de São Francisco de Sales.

O espírito e a fama de Francisco e a influência dos seus escritos se estenderam rapidamente depois de sua morte. A Igreja o declarou santo formalmente em 1665 e  lhe deu o título excepcional de Doutor da Igreja em 1867 – um título outorgado só a uns 30  santos na história da Igreja que são famosos por seus escritos. A sua festa a Igreja celebra no dia 24 de janeiro.

Diferente de muitos santos,cujas vidas,repletas de acontecimentos maravilhosos, parecem estar fora do alcance de cristãos comuns, a vida de Francisco de Sales não apresenta nada de sensacional. Os seus ideais de moderação e caridade, de gentileza e humildade, de alegria e entrega à vontade de Deus são expressos com uma sensatez que anima os fracos e alimenta os fortes, ocasionando-lhe o reputação como o Santo Cavalheiro.

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O ESPÍRITO DE SÃO FRANCISCO DE SALES
(extraído dos seus escritos)

Publicado em http://oblatosamlat.cybermeme.net/ .

IMITAÇÃO DE CRISTO: “Que se deve repousar em Deus acima de todos os bens e dons” – Tomás de Kempis – Livro III – Capítulo XXI

Fonte/imagem/artigo: Carmelo Santa Teresa ( Ordem dos Carmelitas Seculares – Província do Carmo Sul do Brasil)

Artigo: ” O CARMELO E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS”

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IMITAÇÃO DE CRISTO

LIVRO III

CAPÍTULO XXI

Que se deve repousar em Deus acima de todos os bens e dons

O DISCÍPULO

1.Minha alma, em tudo e sobre tudo descansa sempre em Deus, que é o eterno descanso dos Santos.

Dulcíssimo e amantíssimo Jesus, fazei que eu ache mais descanso só em Vós do que em todas as coisas criadas; mais do que na saúde e na formosura; mais do que na glória e na honra; mais do que no poder e nas dignidades; mais do que ciência e na sutileza; mais do que nas riquezas e nas artes; mais do que na alegria e divertimento; mais do que na fama e no louvor; mais do que nas delícias e nos prazeres. Fazei com que eu vos prefira a todas as esperanças  e promessas que nos dais; a todos os merecimentos e bons desejos que podemos ter; a todas as graças e graças e favores de que podeis encher-nos; a todas as consolações e doçuras que podemos receber de Vós. Fazei que eu ame mais descansar em Vós só do que em todos os anjos, esses espíritos celestiais; mais do que todo o visível e invisível; enfim, mais do que em tudo o que há fora de Vós, Deus meu!

2. Porque Vós só sois infinitamente bom; Vós só Altíssimo; Vós só Poderosíssimo; Vós só Suficientíssimo  e Pleníssimo; Vós só Suavíssimo e Amabilíssimo.

Vós só formosíssimo e amantíssimo. Vós só Nobilíssimo e Gloriosíssimo sobre todas as coisas, em que todos os bens sempre estiveram, estão e estarão eternamente juntos em suma perfeição.

Assim, é pouco, insuficiente tudo o que me dais ou prometeis, ou me descobris de Vós mesmo, não vos vendo,nem vos possuindo plenamente.

Porque o meu coração não pode dar-se por cabalmente satisfeito senão elevando-se acima de todas as criaturas, a fim de descansar Vós só.

3. Ó meu Jesus, esposo amabilíssimo e puríssimo amante as almas, Senhor de todas as criaturas!

Quem me dará asas de verdadeira liberdade para voar e descansar em Vós!

Oh! quando serei assaz desapegado  da terra para ver quão suave sois, Deus e Senhor meu!

Quando serei por tal modo absorto em Vós, por tal modo penetrado de vosso amor, que não sinta mais a mim mesmo e não viva mais senão em Vós, nessa união inefável e acima  dos sentidos, que nem todos conhecem!

Agora passo eu a vida nos gemidos e levo com dor o peso da minha miséria!

Porque neste vale de lágrimas encontro tantos males que me perturbam a miúdo, me entristecem e anuviam a alma; muitas vezes me cansam e embaraçam, distraem-me, apoderam-se de mim e me impedem de ter livre entrada junto de Vós; privam-me desses deliciosos amplexos de que gozam sempre e sem obstáculos os espíritos bem-aventurados, que assistem em vossa presença!

Ó meu Deus, ouvi os meus suspiros e tornai-vos sensível a tantos males que sofro sobre a terra!

4. Ó Jesus! Esplendor da eterna glória, alívio da alma aflita neste desterro! Minha boca está diante de Vós, e meu silêncio vos fala por mim!

Até quando tardará o meu Senhor em vir à minha alma?

Venha a mim na extrema pobreza em que jazo e encham-me de alegria. Estenda sua mão e levante este infeliz da miséria em que está prostrado.O DISCÍPULO

Vinde, meu Deus, vinde; sem vós não posso ter dia nem hora alegre, porque sois toda a minha alegria e vós só podeis encher o vazio de meu coração.

Miserável sou, como preso e carregado de ferros, enquanto me não concedeis a luz da vossa presença e me dais a liberdade, mostrando-me vosso doce e amoroso semblante.

5. Busquem outros em lugar  de Vós o que quiserem, que a mim nenhuma outra coisa agrada, nem agradará nunca, senão Vós, Deus meu, esperança minha e minha eterna felicidade.

Gemerei sempre e não deixarei de orar até que a vossa graça volte a mim e vós me faleis no interior.

6. Jesus Cristo – Aqui me tens, filho meu, e venho a ti, pois me chamaste .  As tuas lágrimas e os desejos de tua alma, a humildade e a penitência de teu coração me inclinaram a vir a ti.

O Discípulo – E disse: Senhor, chamei-Vos e desejei gozar-vos, na resolução de desprezar tudo por amor de Vós.

Porém, Vós mesmo me excitastes a buscar-Vos.

Sede, pois, bendito, Senhor, por haver usado com vosso servo de tamanha bondade, segundo Vossa misericórdia infinita.

À vista disto, que resta ao vosso servo senão humilhar-se profundamente em vossa presença, sem perder nunca a lembrança de sua maldade e vileza?

Em toda esta multidão de maravilhas, de que enchestes o céu e a terra, nada há que vos seja semelhante, ó meu Deus!

Todas as vossas obras são perfeitíssimas, “todos os vossos juízos são retos, e o universo  governais por vossa soberana providência” (Salmo 118, 16).

Dê-se, pois, todo o louvor e glória a Vós, que sois a sabedoria do Pai! A minha alma, a minha língua e todas as criaturas juntas vos louvem eternamente.

Fonte: Imitação de Cristo, Tomás de Kempis, Livro III, Capítulo XXI.

“Céus, escutai! Terra, ouve com atenção! Que todas as criaturas, e sobretudo o homem, sejam arrebatadas de admiração e irrompam em louvores: «Jesus Cristo, Filho de Deus, nasce em Belém da Judeia” – Primeiro Sermão para a Vigília de Natal – São Bernardo (1091-1153) – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Fortaleza-CE – 24 de dezembrode 2011

Fonte (imagem/texto): Paróquia Santo Cristo dos Milagres (Capuchinhos) – Fonseca – Niterói-RJ. Texto: “Natal: O Nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo’.

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O Natal perdeu há pelos três décadas, em todo o mundo cristão, o seu verdadeirro significado: a data que marca a chegada do Messias, o Salvador, o Filho de Deus, Jesus Cristo. Foi anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Ele nasceria de uma virgem, e seria concebido envolto em mistério.

Veio em carne, para redimir a Humanidade do passado, da sua época e do futuro. E, além disso, apesar de nada acrescentar à Lei dada pelo próprio Criador a Moisés, explicou-a pelo viés do Amor, da Miserricórida. Este legado é contado, através de vários ângulos, pelos Apóstolos. Já estabelecida com uma mínima hierarquia na Igreja Primitiva, na qual São Pedro foi o primeiro representante da comunidade cristã. Ele e seus sucessores, guardaram os escritos que viriam formar o Novo Testamento. Reunidos, após cerca de quatro séculos de perseguições e martírios pelos pagãos, a Igreja Católica, já instituída  (denominada desse modo no sentido de ser universal), tem, na atualidade, como representante de Cristo, enquanto aguardamos sua segunda vinda, o Papa Bento XVI. Este continuamente nos insta a prestarmos a atenção na pessoa de Jesus de Nazaré, na essência de sua Palavra, aplicando-a em nossas vidas, ainda que o mundo ocidental tenha dado as costas a praticamente tudo que herdou da herança cristã.

Os presentes e a confraternização (em geral, com muito álcool), incentivados há semanas por apelos comerciais, darão o tom da festa, infelizmente. Cristo vai estar ausente nos corações da maioria que comemora este Natal, e, ao que parece, o mesmo se repetirá nos próximos. Para quem pode, será uma festa cada vez mais ostentatória… Penso que, já seria um alento que o mundo cristão se desse conta que entregou seu coração à irreligiosidade, e voltasse Jesus Cristo: “Caminho, Verdade e Vida”.

Desejo a todos que o Natal seja inspirado no nascimento do Menino Jesus, que nasce no tempo humano e nos nossos corações para nos trazer amor, luz e paz! (LBN)

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Fonte (imagem/texto):  Agência de Notícias AFP: Cidade do Vaticano  – Santa Sé -“Papa: é preciso recobrar a humildade diante do consumismo”.

Copyright © 2011 AFP- Permissão de divulgação sem fins comerciais.

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Fonte: Blog da Comunidade Rainha do Carmelo (OCDS) – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares -Fortaleza-CE

24.12.2011

Comentário ao Evangelho do dia feito por : São Bernardo (1091-1153), monge cistercense e doutor da Igreja

Primeiro sermão para a Vigília de Natal

Céus, escutai! Terra, ouve com atenção! Que todas as criaturas, e sobretudo o homem, sejam arrebatadas de admiração e irrompam em louvores: «Jesus Cristo, Filho de Deus, nasce em Belém da Judeia». […] Haverá notícia mais bela a anunciar à terra? […] Alguma vez se ouviu coisa parecida, alguma vez o mundo soube de alguma coisa semelhante? «Em Belém da Judeia nasce Jesus Cristo, o Filho de Deus.» Tão poucas palavras para exprimir a vinda do Verbo, a Palavra de Deus feita criança, mas que doçura nestas palavras! […] «Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasce em Belém.» Nascimento de uma santidade incomparável: honra do mundo inteiro, exaltação de todos os homens devido ao bem imenso que Ele lhes traz, admiração dos anjos por causa da profundidade deste mistério de uma novidade sem paralelo (cf Ef 3,10). […]

«Jesus Cristo, Filho de Deus, nasce em Belém da Judeia». Vós que estais deitados na poeira, erguei-vos e louvai Deus! Eis o Senhor que chega com a salvação, eis a vinda do Ungido do Senhor, do Seu Messias, ei-Lo que vem na Sua glória. […] Feliz daquele que se sente atraído por Ele e que «acorre à fragrância dos Seus perfumes» (Ct 1,4 LXX): ele verá «a glória que lhe vem do Pai como Filho único» (Jo 1,14).

Vós que estais perdidos, respirai! Jesus vem salvar o que perecera. Vós, os doentes, voltai a ser saudáveis: Cristo vem estender o bálsamo da Sua misericórdia sobre a chaga dos vossos corações. Estremecei de alegria, todos vós que sentis grandes desejos: o Filho de Deus vem a vós para fazer de vós co-herdeiros do Seu Reino (Rm 8,17). Sim, Senhor, peço-Te, cura-me e ficarei curado; salva-me e serei salvo (Jr 7,14); glorifica-me e ficarei verdadeiramente na glória. Sim, «que a minha alma bendiga o Senhor e que tudo em mim bendiga o Seu santo nome» (Sl 102,1). […] O Filho de Deus faz-Se homem para fazer dos homens filhos de Deus.

Publicado em Blog da Comunidade Rainha do Carmelo (OCDS) – Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Fortaleza-CE.

“O anúncio da Boa Nova cristã, da beleza da fé em Cristo, precisa de pessoas que, com coerência de vida e fidelidade, testemunhada se necessário ao dom de si mesmo, manifestem a primazia absoluta do Amor em qualquer circunstância.” – Papa Bento XVI – 01.12.2011 (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

01.12.2011

VATICANO

Bento XVI: “Ontem como hoje, o sangue dos mártires toca o coração do ser humano e o torna fecundo”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “O anúncio da Boa Nova cristã, da beleza da fé em Cristo, precisa de pessoas que, com coerência de vida e fidelidade, testemunhada se necessário ao dom de si mesmo, manifestem a primazia absoluta do Amor em qualquer circunstância.” Foi o que disse o Santo Padre Bento XVI em sua mensagem para a 16ª Sessão Pública das Pontifícias Academias realizada, no Vaticano, na tarde desta quarta-feira, sobre o tema “Testemunhos e testemunhas. Os mártires e os campeões da fé”, realizada na tarde de 30 de novembro. O Papa sublinha: “Se observarmos com atenção o exemplo dos mártires, corajosas testemunhas da antiguidade cristã, e de várias testemunhas do nosso tempo, notamos que foram pessoas profundamente livres, livres acordos e laços egoístas, conscientes da importância e da beleza de sua vida, e por isso, capazes de amar a Deus e aos outros de maneira heróica, vivendo a santidade cristã”. Detendo-se sobre o tema da Sessão Pública, o Papa sublinha a importância da historicidade do cristianismo, “o seu envolvimento contínuo com a história para transformá-la profundamente graças ao fermento do Evangelho e da santidade vivida e testemunhada”. O estudo atento dos testemunhos do passado permite “redescobrir não poucos aspectos da vida das gerações passadas como também da experiência de fé das antigas comunidades cristãs”. Dentre os sítios arqueológicos em que emergem os sinais da presença cristã, o Pontífice citou de maneira particular a Terra Santa e a cidade de Roma, onde os mártires “atestam não só uma genérica presença cristã, mas sobretudo, um forte testemunho dos cristãos e daqueles que por Cristo deram suas vidas, os mártires … As numerosas intervenções monumentais e artísticas dedicadas aos mártires, documentadas pelas escavações arqueológicas e todas as outras pesquisas relacionadas, decorrem de uma convicção sempre presente na comunidade cristã, de ontem e de hoje: o Evangelho fala ao coração humano e se comunica principalmente através do testemunho vivo dos fiéis”.

Enfim, Bento XVI sublinhou que “também hoje se a Igreja deseja falar eficazmente ao mundo, se quer continuar anunciando fielmente o Evangelho e fazer sentir sua presença amiga aos homens e mulheres que vivem sua existência sentindo-se peregrinos da verdade e da paz, deve ser, também nos contextos aparentemente difíceis ou indiferentes ao anúncio do Evangelho, testemunha da credibilidade da fé, oferecendo testemunhos concretos e proféticos através de sinais eficazes e transparentes de coerência, fidelidade e amor incondicionado a Cristo, não desligada da autêntica caridade, do amor ao próximo. Ontem como hoje, o sangue dos mártires, seu tangível e eloqüente testemunho toca o coração humano e o torna fecundo, capaz de frutificar em si uma vida nova, acolher a vida do Ressuscitado para levar ressurreição e esperança ao mundo ao seu redor”. (SL) (Agência Fides 1/12/2011)

“Não que se oponham ambos os aspectos da experiência teresiana: pelo contrário, falar da escritora pressupõe fazer referências constantes à sua doutrina espiritual, como, por outro lado, falar da experiência mística de Teresa é entrar na linguagem literária que traduziu tal experiência.(…)” – Seminário – María de la Concepción Piñero Valverde (FFLCHUSP)

Fonte/texto/imagem: Da Mihi Animas (Padre Marcelo Tenório) – Notícia da Agência Fides:  Papa propõe Santa Teresa de Jesus como “mestra espiritual” hoje

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Fonte: http://www.hottopos.com/seminario/sem2/concha.htm#_ftn1 (Artigo Completo)

Aproximação à Obra Literária de
Santa Teresa de Jesus

María de la Concepción Piñero Valverde
(Livre-Docente FFLCHUSP)

As reflexões que se seguem procuraram servir de breve apresentação da obra literária de Santa Teresa de Jesus a um público de jovens estudantes universitários brasileiros. Não houve, portanto, a pretensão de desenvolver análise literária da obra teresiana e muito menos de apresentar toda a sua riqueza para a espiritualidade cristã. O que se buscou, somente, foi oferecer uma primeira visão da obra de uma extraordinária mulher que, apesar de universalmente conhecida como grande mística, é ainda pouco estudada como a grande escritora que também foi. Não que se oponham ambos os aspectos da experiência teresiana: pelo contrário, falar da escritora pressupõe fazer referências constantes à sua doutrina espiritual, como, por outro lado, falar da experiência mística de Teresa é entrar na linguagem literária que traduziu tal experiência. Podemos, pois, reconhecer desde já que o estudo de Teresa, a escritora, é inseparável do estudo de Teresa, a mística. Assim, ao concentrar a atenção na expressão literária teresiana, que é o que se pretende agora, espera-se oferecer elementos que permitam apreciar melhor também sua doutrina e espiritualidade.

Teresa de Jesus: mulher do século XVI que se expressou por meio de obra escrita. E obra escrita de grande valor literário. Por outras palavras, o que Teresa escreveu, além do valor religioso, tem valor estético. Teresa, como Agostinho e Pascal, está entre os autores espirituais que foram também grandes escritores, autores de textos lidos até mesmo por pessoas estranhas à prática religiosa.

Buscar as raízes da beleza que encontramos nas páginas teresianas é lembrar que Teresa de Cepeda e Ahumada nasce em Ávila, uma das mais belas cidades de Castela, rodeada de antigas e famosas muralhas. A paisagem da cidade natal lhe inspiraria, mais tarde, a nitidez das imagens de uma de suas maiores obras, as Moradas ou Castelo Interior. É precisamente como um castelo rodeado de muralhas que Teresa expressará o íntimo da vida humana, o lugar onde se dá o encontro com o divino.

Teresa desde o berço contemplou o belo à sua volta e também desde muito cedo começou a experimentar o fascínio da palavra poética. Palavra que conheceu, antes de mais nada, por meio de seus pais, cristãos fervorosos, que lhe fizeram familiar a dos salmos, dos cânticos, das parábolas evangélicas. As Escrituras Sagradas, as divinae litterae, foram, pois, a porta pela qual Teresa entrou no mundo da literatura.

(…)

Obra-prima das mais conhecidas é a que se intitula Las Moradas o Castillo Interior, tratado destinado a auxiliar os que desejam aprender a oração. Logo que foi redigido, em 1577, um carmelita descalço amigo de Teresa, Jerónimo Gracián, cuidou de esconder a obra em Sevilha, para salvá-la de ser apreendida pela Inquisição, que dois anos antes havia recolhido a autobiografia de Teresa. O texto salvo foi depois publicado pelo grande poeta do século XVI, frei Luis de León, em sua edição das obras teresianas. Característica das Moradas é a variedade de destinatários, o que condiciona de modo decisivo seu estilo. Este vai mudando, segundo a pessoa a quem a escritora se dirige (por exemplo, aos cristãos todos, às carmelitas e ao próprio Deus). É notável que ao falar com Deus, o estilo de Teresa não perde as características de quem se dirige aos interlocutores visíveis: pelo contrário, torna-se muito mais afetivo. “Rey mío”, “Dios mío”, “Señor de mi alma”, “Padre y Criador mío”, são algumas expressões de Teresa, que poderiam formar uma lista inesgotável.

Mas a organização do texto das Moradas tem como chave o simbolismo do “castelo interior” ou castelo da alma. A figura do castelo era imagem antiga na tradição literária cristã, mas havia também sido usada, em tempos próximos de Teresa, por alguns autores que ela provavelmente leu na biblioteca de seu pai, como Bernardino de Laredo. A crítica vem lembrando, ainda, que a imagem do castelo é um dos símbolos da mística muçulmana: e nós sabemos a importância da presença muçulmana na cultura espanhola medieval. Mas não podemos esquecer também a importância dos castelos nas novelas de cavalaria, tão apreciadas por Teresa. Nem podemos esquecer o que já se disse, isto é, que Teresa cresceu vendo as célebres muralhas de Ávila, sua cidade natal. Provavelmente todas essas lembranças confluíram na criação da imagem literária do castelo teresiano. Seja qual for a origem dessa imagem, certo é que ela se tornou um dos recursos literários de maior êxito para explicar o processo da vida espiritual de interiorização e união. O castelo teresiano é esférico, formado por sete moradas concêntricas e “en el centro y mitad de todas éstas tiene la más principal, que es adonde pasan las cosas de mucho secreto entre Dios y el alma” (Moradas, I,1,3). Isso simboliza a caminhada mística, que parte, nas primeiras moradas, de uma fase de purificação e chega aos desposórios místicos nas últimas moradas.

Em todos os escritos de Santa Teresa, como já se havia dito, vemos refletir-se toda a sua vida espiritual e toda a sua vida de fundadora do Carmelo reformado. Mas, como já se disse também, essa obra não tem valor somente como documento histórico, biográfico ou espiritual. É uma obra importantíssima pelo valor literário, como havia percebido seu primeiro editor, o poeta frei Luis de León, já citado. Ele é quem louva a dicção castiça da Santa, chamando a atenção para a beleza da linguagem teresiana, uma beleza quase “caseira”. Isso acontece justamente porque Santa Teresa escrevia com propriedade e sem afetação a língua que havia aprendido desde menina.

Apesar desse reconhecimento inicial, o valor literário da obra teresiana acabou ofuscado por seu valor espiritual e foi ficando relativamente esquecido. Chegou mesmo a pesar sobre os escritos teresianos uma opinião um tanto sumária, segundo a qual os textos da Santa estariam redigidos em “estilo ermitaño”, isto é, em estilo despojado e pobre, como o de um ermitão que apresentasse a mensagem espiritual em termos rudimentares. Este preconceito desmoronou há mais de um século, quando o grande crítico Menéndez Pidal chamou a atenção para um aspecto revolucionário da linguagem teresiana, ou seja: o desvio da norma, a ruptura com o vocabulário erudito geralmente empregado nos textos espirituais em sua época. A simplicidade do vocabulário, segundo o crítico, longe de mostrar pobreza da escritora indicava seu desejo de expressar com liberdade sua experiência pessoal, sem se vincular à terminologia abstrata. Teresa revaloriza, com um novo sentido, termos comuns que estavam desgastados no vocabulário convencional. Além disso, já vimos que o estilo teresiano é rico em alegorias, comparações e símbolos, é o caso do castelo interior, imagens cuja beleza traduz a experiência pessoal da escritora. É preciso notar ainda que os escritos de Santa Teresa estão muitas vezes marcados por emendas e correções que ela mesma fazia, o que revela seu cuidado em escrever de modo claro e apropriado.

Nestes últimos anos, percebeu-se afinal toda a importância da obra literária teresiana. Para a crítica recente, o que é autenticamente original na literatura de Santa Teresa é a liberdade de expressão. Na literatura espiritual anterior, partia-se de um sistema de princípios, que em um segundo momento era aplicado à situação individual. Teresa de Jesus inverte esse processo. Ela parte não de princípios abstratos, mas de um fato da sua experiência, que se esforça por entender e expressar. Assim ela se afasta das teorias dos letrados e inaugura, na espiritualidade européia, a modernidade renascentista.

Mas já é tempo de ir concluindo estas reflexões. Como eu disse de início, nosso assunto era Santa Teresa escritora. A grandeza mística de Santa Teresa e sua importância para a história da Igreja já vinham sendo reconhecidas há muito tempo. Mas em nossos dias, quando se valoriza a contribuição feminina para todas as artes e ciências, mais do que nunca os estudiosos se têm voltado para Teresa como escritora. Ou seja, como mulher que soube criar beleza através de seus escritos. Em conclusão, no momento em que se redescobre a presença feminina na literatura, pode-se, com boas razões, falar em redescoberta literária de Santa Teresa.

[1] Os textos teresianos aqui citados seguem esta edição: Santa Teresa de Jesús, Obras Completas, Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1962.

Autora: María de la Concepción Piñero Valverde
(Livre-Docente FFLCHUSP)
concha@centrodeartes.com.br

Fonte: http://www.hottopos.com/seminario/sem2/concha.htm#_ftn1 (Artigo Completo)

“Nada te perturbe” – Oração – Santa Teresa de Jesus – Vídeo clipe (Gloria.tv) – 02.11.2011

Fonte: Gloria.tv

Olá a todos!

Temos hoje, como ofício de memória da Igreja, a lembrança de nossos entes já falecidos. Peçamos a Deus que aqueles que o temeram, por obediência, e lutaram para fazer o bem que Ele plantou em seus corações, pelo menos, tenham a oportunidade de merecer o Céu. Que o mesmo valha para nós, na nossa hora.  Amém.

Era o que Santa Teresa pedia para seus amigos e amigas, incluindo o mundo inteiro em suas orações. Isto, tal como todos os carmelitas, descalços e calçados também o fazem na oração : a salvação de todas as almas que amam e amaram ao Criador, Nosso Pai, e Seu Filho, Cristo Jesus.

Apresento-lhes, a propósito, um vídeo clipe.

Entramos repetidas vezes em contradição com exemplos de santos e santas que tem lugar especial em nosso coração… Acredito que assim será enquanto vivermos. No entanto, tal como Santa  Teresa de Jesus nos alertava, temos sempre que estar atentos para que nosso coração não seja vítima da tentação do medo, da falta de confiança no amor, na misericórdia de Deus Pai e Seu Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Temos ainda a proteção maternal e intercessora de Nossa Senhora, nossa Mãe Santíssima. Vejamos o vídeo da oração mais conhecida de Santa Teresa de Ávila (e difícil, para nós que vivemos no mundo), quase que permantemente “atormentados” por toda sorte de perturbações. Sem o concurso da oração – tal como ela enfatizava – a  nossa missão, a nossa  jornada estará mais distante do  “Caminho, Verdade e Vida”, que é Jesus Cristo e seu legado de amor e salvação. Que Ele, por meio de seu Santo Espírito nos ilumine e abençoe.  Amém.

Vídeo clipe de Santa Tereza de Jesus – 15 de Outubro Ofício da Memória

http://pt.gloria.tv/?media=103267

 

 

A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã (Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas)

Fonte: Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas

Quaresma: A CAMINHO DA PÁSCOA DO SENHOR

A CAMINHO DA PÁSCOA DO SENHOR

A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã. Ajuda as pessoas e as comunidades eclesiais a se prepararem dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor.

O período quaresmal é tempo sobremaneira apropriado à conversão de vida e à renovação interior. Aliás, não há Quaresma sem conversão. Converter-se é separar-se do mal e voltar-se para o bem. É mudar radicalmente de vida e de critérios. A conversão radical insere-se no coração da vida. Exige gestos concretos de amor e de misericórdia, de partilha fraterna e de justiça. Podemos dizer que o cristão é um convertido em estado de conversão, pois a conversão dura, enquanto perdurar nosso peregrinar neste mundo.

Converter-se é procurar viver todos os dias a “vida nova”, da qual Cristo nos revestiu, transformando-nos Nele, para fazer um só corpo com Ele e com os irmãos.

Há em nós atitudes que devem morrer. Converter-se cada dia exige morrer aos poucos, sepultar-nos com Cristo para ressuscitarmos com Ele.

O amor de Deus chama-nos à conversão, a renunciar a tudo o que Dele nos afasta. O que mais nos afasta de Deus é o pecado. Pecar é estar no lugar errado, longe da amizade e da graça de Deus.

A conversão quaresmal significa, portanto, crescer na prática das virtudes cristãs. Somos sempre catecúmenos em formação permanente, progredindo no conhecimento e no amor de Cristo.

Ao longo da Quaresma, somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, entrando em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-nos semelhantes a Ele na Sua morte, para alcançarmos a Ressurreição dentre os mortos (cf. Fl 3, 10-11). Isso exige uma transformação profunda pela ação do Espírito Santo, orientando nossa vida segundo a vontade de Deus, libertando-nos de todo egoísmo, superando o instinto de dominação sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo (cf. Bento XVI, Mensagem da Quaresma 2011).

O período quaresmal é ainda tempo favorável para reconhecermos a nossa fragilidade, abeirando-nos do trono da graça, mediante uma purificadora confissão de nossos pecados (cf. Hb 4, 16). Na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência” (Santo Ambrósio). Vale a pena derramar essas lágrimas, através de uma boa confissão sacramental.

Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc, 1, 15).

O itinerário quaresmal é um convite à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna e às obras de caridade (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1438). É igualmente um tempo forte de escuta mais intensa da Palavra de Deus e de oração mais assídua.

Quanto mais fervorosa for a prática dos exercícios quaresmais, maiores e mais abundantes serão os frutos que colheremos e hauriremos do Mistério de nossa redenção.

Também a vivência da Campanha da Fraternidade ajuda a fazermos uma boa preparação para a Páscoa. A CNBB propõe para este ano o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e como Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).

Maria Santíssima, Mãe do Redentor, guie-nos neste itinerário quaresmal, caminho de conversão ao encontro pessoal com Cristo ressuscitado.

Com o coração voltado para Cristo, vencedor da morte e do pecado, vivamos intensamente o período santo e santificador da Quaresma.

Dom Nelson Westrupp, scj – Bispo Diocesano de Santo André – SP

(fonte: http://senhorbomjesus.net)

Publicado ems Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas.

Bento XVI: “Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.” – Discurso no Pontifício Conselho das Comunicações (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem/texto: Arquidiocese de São Paulo  –“Igreja Católica se prepara para usar novas mídias”

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Fonte: Rádio Vaticano

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) – Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.

Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.

Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendidade e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.

Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.

As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda:
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”

Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos:
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”

Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação:
“A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje.”

Bento XVI reiterou que a “relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas”, sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos “valores espirituais” uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.

Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher “tudo aquilo que existia de positivo” na tradição daquele povo, e “animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo”. A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir “horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar” – concluiu o Santo Padre. (RL)

Publicado em Rádio Vaticano.

“Traços da vida secular de Santa Teresa de Jesus” – OCDS – Textos Carmelitanos

Fonte: OCDS – Província São José – Sudeste – Brasil

TRAÇOS DA VIDA SECULAR DE SANTA TERESA DE JESUS

Introdução

A proposta de levar ao conhecimento, dos interessados, sobre a vida dos Santos Carmelitas constitui um desafio deveras agradável. O Carmelo é um jardim com muitas e variadas flores, com matizes e perfumes diferentes, o que o torna atraente. Particularizando-se uma a uma, principalmente naquilo que mais requer ação de um jardineiro habilidoso, mergulha-se, então, num mistério que somente a ação divina pode elaborar. A riqueza espiritual de cada uma, as podas, as securas, a aridez, a irrigação, convidam, aos admiradores, a contemplar as belezas operadas pelo Bom Jardineiro numa alma que se deixa tocar. Assim aconteceu com esta belíssima flor chamada Teresa de Ahumada y Cepeda, ou melhor, Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja.

Santa Teresa de Jesus. Nasceu em Ávila, na Espanha, Desde os seis anos de idade já sabia ler, foi muito influenciada pela leitura da vida dos Santos, e dominada pelo desejo do martírio . Aos 18 anos entrou no Carmelo da Encarnação (Ávila) que reformou, não obstante as dificuldades sem conta que teve de superar. Coadjuvada por São João da Cruz, empreendeu depois a reforma das demais casas da Ordem, que de modo geral responderam ao seu apelo. No arroubo de amor divino, que constituía a atmosfera permanente em que vivia, impôs-se o voto de fazer sempre o que julgasse mais perfeito. “Como a alma sente no corpo o cativeiro e a miséria da vida! Sente-se uma escrava vendida para um país estrangeiro”– escrevia ela. Elevou-se pela oração ao mais alto grau da vida mística e era nesse exercício que hauria particulares luzes sobre a ciência católica, a ponto de ser com freqüência equiparada, pelos Sumos Pontífices, aos mais renomados Doutores da Igreja. “A oração mais bem feita e mais agradável a Deus é a que deixa na alma efeitos mais salutares, que se conhecem pelos frutos que dão e não pelos sentimentos que despertam.” A ação desta humilde virgem, que só por si converteu milhares de almas, basta para demonstrar o papel preponderante que à vida contemplativa cabe na reintegração do nosso tempo..

Ela não nasceu totalmente acabada e emoldurada pela santidade. Foi o longo caminho da perfeição que contribuiu para que tal façanha acontecesse. Vamos, pois, particularizar alguns aspectos de sua vida até o momento em que entra para o convento.

Cenários da Espanha no Século XVI

O século dezesseis, caracterizou-se fortemente pelo rompimento e reformas das estruturas, então vigentes em toda a Europa, que se desenvolveram ao longo dos séculos anteriores.
No final do século XV, Cristóvão Colombo descobriu o novo mundo e Vasco da Gama, o caminho marítimo para as Índias, abrindo, assim, a ação da Igreja, novas e vastas regiões que a compensaram das perdas sofridas na Europa pela Reforma Protestante.
Ao longo do século XVI, a Igreja sofreu profunda e dolorosamente este impacto.. O paganismo renascente, o protestantismo e o jansenismo arrastavam como um flagelo muitos de seus filhos, enquanto o Islão lançava, dos minaretes de Constantinopla para as bandas da Itália, o olhar cada vez mais ávido. Entre os numerosos mártires que morreram nas mãos dos hereges, lembramos aqui os de Gorcum nos Países-Baixos e São João Fisher e São Tomás More na Inglaterra. Para combater o espírito do mal que ameaçava subverter a sociedade, Deus suscitou S. Inácio de Loyola, o primeiro geral da Companhia de Jesus,
Santo Inácio, nobre espanhol, converteu-se aos 30 anos de idade, depois de uma breve mas brilhante carreira nas armas, fundou a Companhia de Jesus. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas. No século em que o protestantismo arrebatou à verdadeira Religião um terço da Europa, Santo Inácio foi, sem dúvida, o lutador requerido pela Providência para atender , de modo pleno, às necessidades da Igreja e que foi, para esse tempo, e continua a sê-lo ainda a mais terrível milícia da Igreja e de Cristo. Santo Inácio e São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres florões espanhóis que honraram, neste século, as suas fileiras.
São Francisco Xavier foi um dos primeiros discípulos arregimentados por Santo Inácio de Loyola, e estava entre os fundadores da Companhia de Jesus. Pregou na Índia, no Japão e em outras nações do Oriente. Converteu e batizou muitos milhares de pagãos e praticou milagres portentosos. Faleceu aos 46 anos de idade, no momento em que se aproximava das costas da China, que pretendia conquistar para Nosso Senhor Jesus Cristo..
São Francisco de Borja pertencia a uma das famílias mais nobres da Espanha. Era duque de Gandia e exerceu elevadas funções de vice-rei da Catalunha. Certa ocasião, foi incumbido de acompanhar o transporte do cadáver da imperatriz Isabel, que falecera em Toledo, até Granada, onde se faria o sepultamento. O transporte foi lento e durou quinze dias. No momento de sepultar a imperatriz, o protocolo exigia que fosse aberto o caixão para ser reconhecido o cadáver; aquela que fora admirada por sua beleza deslumbrante estava reduzida a um amontoado de podridão. Tocado pela graça a propósito daquela cena chocante, Francisco compreendeu a vaidade de toda a glória mundana, e decidiu que se algum dia enviuvasse, se consagraria inteiramente a Deus. Assim de fato aconteceu. Enviuvou aos 40 anos de idade, renunciou a todos os seus títulos e bens e ingressou na Companhia de Jesus como filho espiritual de Santo Inácio de Loyola,
Santo Inácio, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres valores espanhóis jesuítas que honraram, naquele século, as fileiras da Igreja.
São Pedro de Alcântara, rigoroso no espírito de pobreza e mortificação, reformou os frades menores, dando-lhes nova vida à então decadente espiritualidade franciscana. Dormia apenas duas horas por noite, comia somente um dia sim outro não, e costumava colocar cinza sobre a comida para não sentir nenhum prazer no alimento. Pregou na Espanha e em Portugal. Assistiu aos últimos momentos do piedoso rei D. João III, de Portugal, e muitas vezes respondeu a consultas que lhe fez o imperador Carlos V. À hora de morrer, ardendo em febre, recusou um copo de água que lhe ofereciam porque Jesus Cristo também sofrera sede. Pouco depois expirou e Santa Teresa, de quem tinha sido amigo e confidente, teve uma visão de sua alma subindo ao Céu. É padroeiro principal do Brasil. A Família Real portuguesa e a Imperial brasileira sempre tiveram grande devoção por esse Santo admirável. Lembre-se, de passagem, que o imperador D. Pedro II tinha o nome de Pedro de Alcântara em homenagem a ele.
São João de Deus – Português natural do Alentejo, fundou, em Granada, a Ordem da Caridade, que depois ficou mais conhecida como Ordem dos Irmãos Hospitalários de São João de Deus. É patrono dos enfermeiros e dos hospitais católicos. A oração da Missa alude ao milagre do incêndio dum hospital, em que o Santo, atravessando imunemente as chamas, salvou todos os doentes.
São Pascoal Bailão – Nascido no Reino de Aragão, era irmão leigo franciscano e se destacou pela humildade, pela obediência e sobretudo pela devoção ao Santíssimo Sacramento, diante do qual permanecia longas horas em adoração. É padroeiro dos Congressos Eucarísticos.

Cenário Musical

É interessante notar que também a música tenha contribuído também para a formação de sensibilidade de Teresa, pois como freqüentadora da corte palaciana dos reis católicos, tentou mesmos algumas pequenos versos. Irá, mais tarde, estimular sua verve poética , nas recreações conventuais.
A “zarzuela” é a irmã espanhola da opereta francesa e vienense; nas suas formas mais exigentes se aproxima evidentemente da ópera cômica, tal qual em Paris e Viena. Mas a sua história, quase desconhecida fora da península ibérica, é muito mais velha que a de suas irmãs francesa e vienense. Talvez se inicie com as famosas “’Eglogas” de Juan del Encina, que viveu durante o reinado dos soberanos católicos e foi, por conseguinte, contemporâneo de Colombo e Magalhães.
A “zarzuela” adotou como característico o número de dois atos, só passando muito depois para o de três; como a opereta, mistura figuras sérias e jocosas, canções e danças, palavras faladas e cantadas. Mas as cenas que a opereta prefere fazer desenrolar em países estrangeiros, desenrolam-se sempre na Espanha. Com a progressiva popularização, envereda a “zarzuela” por mau caminho, e passa por um período de decadência que dura até boa parte do século XIX.
O século XVI é um século de transição para a música: lado a lado, deparam-se-nos o antigo e o moderno. Mas cada vez mais nítido se esboça o futuro desenvolvimento. A música deixa de escravizar-se a outras idéias e ergue-se à altura de arte, repleta de individualismo e nacionalismo; o religioso e o profano separam-se e, enquanto a música litúrgica cada vez mais se retira, conquista a profana posição definida na vida artística, substituindo as artes plásticas, até então fiel expressão do espírito da época e do sentimento popular.
É preciso reconhecer que a genial invenção de Guttenberg exerceu influência decisiva no desenvolvimento musical. Foi Petrucci, em Veneza, em 1500, quem pela primeira vez imprimiu notas musicais.
Também a Espanha conheceu uma época de florescimento. Ao lado do grande Cervantes, vivem músicos de extraordinária reputação: Tomás Luís de Victoria ((1548?-1611), colega de escola de Palestrina, e Antonio de Cabezón (1510-1566), organista cego e tocador de clavicórdio na corte de Carlos V e Filipe II, verdadeiro Bach do século XVI e hoje injustamente esquecido…

Pintura

Muito embora El Greco tenha nascido em 1541 na ilha de Creta, e depois se transferido para a Espanha, os nobres já se deixavam retratar por pintores. El Greco aparece bem depois da vida secular de Teresa, numa época de transição, em que se mesclam as culturas bizantina, italiana e espanhola. Domenikos Theotokopoulos, conhecido como El Greco, amadurece seu talento pictórico na Espanha, reduto da Contra Reforma e do poder sagrado, sede da reação às transformações que se processavam na Europa. Quando, mais tarde, já no mosteiro, Teresa é retratada por Frei Miséria e critica-o por pintá-la “feia e remelenta.”

A Família de Teresa

Toledo, centro comercial de incomparável beleza, tinha a fama e a virtude de embelezar a pele e de transluzir os rostos lavados com a água do rio. Era também celebrada a formosura de suas mulheres juntamente com a castidade e honestidade. Não menos era admirável a sua religiosidade.
Nesta cidade, nasceu, por volta de 1440, Juan Sánchez de Toledo, filho de um mercador, judeu converso e casado com Dona Inés de Cepeda, oriunda das Tordesilhas Negociava ele tecidos e sedas. Teve, durante muitos anos, concessão de direitos reais e eclesiásticos que eram reservados aos fidalgos.
Por motivos religiosos, após cumprir penitência, imposta pela Inquisição, muda-se com sua família para Ávila. Dela são conhecidos os nomes de Alvaro, Pedro, Elvira, Lorenzo e Francisco, Hernando morava em Salamanca e Alvaro que ficou em Toledo. Estes toledanos eram considerados como “filhos de bons fidalgos e parentes de bons cavaleiros”.
O pai de Teresa chamado Alonso Sánchez, antes conhecido Pyna, teve dois filhos do casamento com Catalina del Peso y Henao, falecida em 1507, e que eram Maria de Cepeda (1506) e Juan Vásquez de Cepeda (1507). Após a morte da primeira mulher casou-se com Beatriz de Ahumada, mulher singular, quinze anos mais moça e prima terceira da falecida, com quem teve os filhos: Hernando de Ahumada (1510), Rodrigo de Cepeda (1513), Teresa de Ahumada, na madrugada primaveril de 28 de março de 1515, quinta-feira Santa, Lourenzo de Cepeda (1519), Antonio de Ahumada (1521), Jerônimo de Cepeda (1522), Agustin de Ahumada (1527) e Juana de Ahumada (1528). Dona Beatriz morreu em 1543.

O caráter de Teresa

Conforme Ana da Encarnação testemunha nos Processos, Teresa “foi criada e doutrinada pelos pais com grande virtude e recolhimento.”
De seu pai Alonso, Teresa herdou a honradez, a honestidade, a dignidade pessoal, a união familiar e a bondade, retidão moral, finas maneiras docilidade e determinação.
Dona Beatriz de Ahumada, mãe de Teresa, casou-se aos quatorze anos de idade. Era uma bela mulher, frágil, de traços finos e quase infantis, educação discreta, dedicada às leituras excessivas de romances de cavalaria para aliviar seu espírito. Religiosa e devota do rosário educava os filhos com mais liberdade. Graças à corrente cultural promovida pela Rainha, acumulava uma discreta cultura. Dela, Teresa, “a mais querida do pai”, herdou a formosura, a devoção ao rosário e o prazer de ler os romances de cavalaria, escondida do pai. Levou também consigo as enfermidades e enxaquecas. da mãe.
Do avó paterno, Teresa herdou um temperamento aberto, vivência e praticidade de vida, caráter empreendedor e extrovertido, de presença marcante em qualquer negócio e em toda a família. De sua avó materna, o nome Teresa.
O caráter de Teresa formou-se, portanto, de uma mescla de amplitude e de austeridade, de carinho extremo, até mesmo no empreendimento da fuga para o martírio, com seu irmão Rodrigo, e para o convento com o auxílio de outro irmão, Antonio Ahumada, Era devota de Nossa Senhora e outros Santos também, tais como: São José, Santo Alberto, São Cirilo, Todos os Santos , Santos Anjos, Anjo da Guarda, Santos Patriarcas, São Domingos, São Jerônimo, Rei Davi, Santa Maria Madalena, Santo André, O dez mil Mártires, São João Batista, São João Evangelista, São Pedro e São Paulo, Santo Agostinho, São Sebastião, Santa Ana, São Francisco, Santa Clara, São Gregório, São Bartolomeu, Jó, Santa Maria Egípcia, Santa Catarina Mártir, Santa Catarina de Sena, Santo Estêvão, Santo Hilário, Santa Úrsula, Santa Isabel da Hungria, São Miguel Arcanjo, São Martinho, e São Joaquim. Suas devoções advinham da leitura do Flos Sanctorum (Vida dos Santos) que lia com seu irmão Rodrigo. Foi ele o seu maior incentivador nas brincadeira de ermidas, nas leituras ouvidas, nos entretenimentos piedosos, nas cruzes e altares, nos santíssimos nomes de Jesus e de Maria.

cont./

Características físicas

A educação

As amizades

Relacionamento com os irmãos

A morte de Dona Beatriz

A vocação de Teresa

Resumo

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA:

OBRAS COMPLETAS – Teresa de Jesus – Edições Loyola – 1995
TIEMPO Y VIDA DE SANTA TERESA – Efrén de la Madre de Dios y Otger Steggink
Biblioteca de Autores Cristianos – Madrid – 1996
(Tradução livre e não autorizada, mas sem fins lucrativos)

(Pesquisa elaborada por Dyonísio da Silva para o curso de formação da Comunidade Maria, Mãe e Rainha do Carmelo – São Paulo, Jabaquara)

Postado por Luciano Dídimo.

Publicado em OCDS -Província São José – Sudeste – Brasil.

Bento XVI, em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal afirmou: “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”

Imagem:Wikimedia Commons

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VATICANO – “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”: Bento XVI à Cúria Romana

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal, em 20 de dezembro, o Santo Padre Bento XVI recordou, como de costume, nesta ocasião, os principais acontecimentos do ano passado. Em primeiro lugar, o Papa citou o Ano Sacerdotal que renovou nos sacerdotes e leigos “a consciência do dom que representa o sacerdócio da Igreja Católica, que nos foi confiado pelo Senhor”. No entanto, destacou o Santo Padre, “ficamos chocados quando este ano e numa dimensão para nós inimaginável, tivemos conhecimento de abusos contra menores cometidos por sacerdotes, que desvirtuam o Sacramento, sob o manto do sagrado ferem profundamente a pessoa humana na sua infância, prejudicando-a por toda a vida”. Citando uma visão de Santa Hildegarda de Bingen, o Papa disse: “Na visão de Santa Hildegarda, o rosto da Igreja está coberto de poeira, e é assim que nós, o temos visto. A sua roupa está rasgada – por causa da culpa dos sacerdotes. Assim como ela viu e expressou, o vimos este ano. Devemos aceitar essa humilhação como um chamado à verdade e um chamado à renovação”. Após reiterar que “estamos conscientes da especial gravidade deste pecado cometido por sacerdotes e de nossa co-responsabilidade”, o Santo Padre convidou a olhar para o contexto do nosso tempo: “existe um mercado da pornografia concernente às crianças, que de alguma forma parece ser considerado sempre mais pela sociedade como uma coisa normal. Dos bispos de países do Terceiro Mundo ouço sempre de novo como turismo sexual ameaça toda uma geração e a danifica em sua liberdade e em sua dignidade humana … Neste contexto, se coloca o problema da droga, que com força crescente estende seus tentáculos de polvo ao redor do globo terrestre”. “O segundo tema de reflexão em causa foi o da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, que começou com a viagem a Chipre para a entrega do Instrumentum Laboris aos bispos dos países que se reuniram ali. “No Sínodo o olhar se deteve sobre todo o Oriente Médio – disse o Papa -, onde convivem fiéis pertencentes a diferentes religiões e também muitos ritos e tradições… Nos acontecimentos dos últimos anos foi abalada a história de partilha, as tensões e as divisões aumentaram de modo que sempre de novo com espanto somos testemunhas de atos de violência que já não respeita o que para o outro é sagrado, no qual aliás caem as elementares regras da humanidade. Na situação atual, os cristãos são a minoria mais oprimida e atormentada… Com base no espírito de fé e na racionalidade, o Sínodo desenvolveu um grande conceito do diálogo, perdão e aceitação mútua, um conceito que agora quero gritar ao mundo. O ser humano é um e a humanidade é uma só. O que em qualquer lugar é feito contra o homem, no final prejudica a todos. Assim, as palavras e os pensamentos do Sínodo devem ser um grito forte às pessoas com a responsabilidade política ou religiosa para que acabem com a cristãofobia; para que se levantem para defender os refugiados e os que sofrem e revitalizar o espírito de reconciliação. Em última análise, a cura pode vir somente de uma fé profunda no amor reconciliador de Deus. “Dar força a esta fé, nutri-la e deixá-la brilhar é a principal tarefa da Igreja nesta hora”. Enfim, Bento XVI falou de sua viagem no Reino Unido, recordando o encontro com o mundo da cultura na Westminster Hall, e a beatificação do Cardeal John Henry Newman. Além disso, mencionou a viagem a Malta, Portugal e Espanha, onde “se tornou visível novamente que a fé não é uma coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora. “Ele nos chama em questão e se opõe à nossa preguiça, e nos abre o caminho para a verdadeira alegria”. (SL) (Agência Fides 21/12/2010)

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“Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz.” (Carmelo Online – Solenidade – 14 de dezembro)

Fonte: Carmelo Online – Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro-Oeste

SOLENIDADE

14 de Dezembro:

São João da Cruz

Ele nasceu como João de Ypes de Alvares em Fontiveros, Castilha, Espanha e foi criado pela sua mãe após a morte de seu pai, quando ainda era menino.

Ele estudou no Colégio Jesuíta em Medina e já era aprendiz com a idade de 15 anos no hospital de Nossa Senhora da Conceição.

Desde a infância o distinguiu sempre uma terna devoção a Maria Santíssima, que mais uma vez lhe salvou a vida, milagrosamente. O que raramente se observa em meninos: O desejo da mortificação, em João era bem pronunciado, quando contava apenas 9 anos. Escolhendo para si um leito duro, poucas horas de sono dava ao corpo, castigando-o ainda com jejuns assaz rigorosos. Estudante , ainda tinha por ocupação predileta visitar doentes nos hospitais e prestar-lhes serviços de enfermeiro.

Em 1563 ele entrou para o Monastério das dos Carmelitas em Medina do Campo e tomou o nome de João de São Mathias, e após o noviciado foi enviado para o monastério Carmelita perto da Universidade de Salamanca. Ele estudou ali de 1564 a 1568 e foi ordenado em 1567.

Uma vez feito religioso, não se satisfazia com as praxes disciplinares usuais: Tinha o intento de moldar a vida religiosa pelo rigor antigo da Ordem . Tendo chegado o dia da celebração da primeira Missa, examinou a consciência com o maior escrúpulo;  não achando falta com que tivesse gravemente ofendido a Deus, deu muitas graças, pedindo a Nosso Senhor, que o preservasse sempre do pecado mortal. Esta oração foi ouvida, concedendo-lhe Deus a graça da inocência até a morte. Alcançou na perfeição um grau tão elevado, que na sua vida não há exemplo de pecado venial deliberado.

João sentiu que os Carmelitas estavam com excesso de frouxidão e ele considerou passar para a Ordem mais dura dos Cartuzianos, mas foi dissuadido por Santa Tereza d‘Ávila (Santa Tereza de Jesus).

A Ordem dos Cartuxos (do latim Ordo Cartusiensis, O.Cart.) é uma ordem religiosa católica semi-eremítica fundada em 1084, por São Buno, em França.

No passado, esta ordem religiosa dividia-se em dois grupos: os padres e os irmãos leigos. Cada monge tinha acesso à sua própria cela a qual, poucas vezes, abandonava. Três vezes por semana não comiam pão, água ou sal e faziam, muitas vezes por ano, longos jejuns. Os monges cartuxos permaneciam sempre num regime de estrito silêncio e o consumo da carne e do vinho eram-lhes proibidos.

Presentemente, os monges cartuxos continuam ainda a prática, com pequenas modificações, de tal austeridade.

Em Portugal, ainda existe um mosteiro desta Ordem onde se praticam tais costumes, é o Convento de Santa Maria Scala Coeli, em Évora. No Brasil existe também um mosteiro cartuxo, na cidade de Ivorá, RS.

Santa Teresa de Jesus, que foi sua contemporânea, considerava-o santo, e afirma que nunca lhe observou a mínima falta. A mesma Santa conheceu São João da Cruz, por ocasião da fundação dum convento em Medina del Campo. João, levado pela inclinação à vida austera, tencionava entrar na Ordem dos  Cartuxos, mas  antes de tomar qualquer resolução definitiva neste sentido,  pediu o conselho de Santa Teresa. Esta lhe disse, que  mais acertado, andaria por ser mais do agrado de Deus, se permanecesse na Ordem Carmelita, e se incumbisse também da reforma da disciplina regular; era esta a vontade de Deus. João apresentou este  plano a Deus nas orações e ao confessor, e decidiu seguir a opinião de Santa Teresa.  Em pouco tempo, conseguiu a graça de Deus a  reforma de alguns conventos da Ordem.  A opiniões contrárias fechava os ouvidos,  dizendo que o caminho estreito para o Céu,  não exigia causa de menos  valor.

João imediatamente conseguiu permissão para aderir ao rígido ascetismo da regra original da ordem e imediatamente se juntou a Santa Teresa em sua causa. Os dois se tornaram bons amigos e eles em pouco tempo estabeleceram o primeiro monastério dos Descalços em Duruelo, adotando ao mesmo tempo o nome de João da Cruz.

O resto de sua vida foi devotado a promoção, reformas e escritos. De 1571 ele foi o reitor do monastério em Alcala ,de 1572 a 1577 foi o confessor do convento da Incarnação em Ávila e conseguiu em 1579 a separação das Carmelitas em Carmelitas Calçadas e Descalças, duas comunidades separadas, sendo a Segunda com regras bem mais duras.

De 1579 a 1582 ele foi o Reitor do Colégio que ele fundou em Baeza e depois Reitor em Granada e Prior em Segovia. Através dos anos João sofreu grandes provações. Sofreu vários julgamentos e severas oposição às suas reformas mesmo dentro da Ordem, especialmente daqueles frades que recusavam a validade dos Carmelitas Descalços e tramavam intrigas e esquemas contra Santa Tereza de Jesus e São João da Cruz.

Em 1577, por exemplo, ele ficou preso em uma cela no Monastério de Toledo, escapando após nove meses com um corda feita de pedaços de pano e subiu para a liberdade no dia da Festa da Ascensão.

Ele se refugiou no Monastério de El Calvário em Andaluzia . Ele viveu em constante ameaça da Inquisição Espanhola e foi muito maltratado por Nicola Doria eleito superior da Ordem dos Carmelitas Descalços em 1583.

A política de Doria era tão cruel que João se opôs a ele no Conselho Geral em 1791. Isto levou a Doria a retirar dele todos os postos e bani-lo para o Monastério de La Peneula, em Andaluzia. João morreu em 14 de dezembro de 1591 no Monastério de Ubeba.

Conhecido como Doutor em Teologia Mística, João era um místico, teólogo e poeta que compôs ricos trabalhos onde encontramos profundas expressões místicas em tratados, em forma de poemas com comentários teológicos. Estes renomados poemas incluem o “Cântico Espiritual “, “Ascensão ao Monte Carmel”, “Chama de Amor” e “Noite Sombria da Alma”. Através destes trabalhos João apresenta o desenvolvimento da alma humana através da purgação, iluminação e união com Jesus.

Ele permanece um dos mais expressivos e profundos teólogos místicos da historia da Igreja.

Foi beatificado em 1675,
Canonizado em 1726 pelo Papa Benedito XIII
Ddeclarado Doutor da Igreja em 1926 pelo Papa Pio XI.
Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: “Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal..” Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência”. Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz.

Publicado em Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro-Oeste.

“Advento significa portanto fazer memória da primeira vinda do Senhor na carne, significa reconhecer que Cristo presente entre nós se faz nosso companheiro de viagem na vida da Igreja que celebra o seu mistério.” – Homilia de Bento XVI sobre o Advento (Flos Carmeli – 03.12.2010)

Fonte: Flos Carmeli

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Reflexão para o Tempo do Advento

Homilia de Bento XVI
“Com este primeiro domingo de Advento, entramos naquele tempo de quatro semanas com o qual inicia um novo ano litúrgico e que imediatamente nos prepara para a festa do Natal, memória da encarnação de Cristo na história. Mas a mensagem espiritual do Advento é mais profunda e projecta-nos já para a vinda gloriosa do Senhor, no final da história. Adventus é a palavra latina que se poderia traduzir por “chegada”, “vinda”, “presença”. Na linguagem do mundo antigo era uma palavra técnica que indicava a chegada de um funcionário, em particular a visita de reis ou de imperadores às províncias, mas também podia ser utilizada para o aparecimento de uma divindade, que saía da sua habitação escondida e assim manifestava o seu poder divino: a sua presença era celebrada solenemente no culto.
Adoptando a palavra Advento, os cristãos pretendiam expressar a relação especial que os unia a Cristo crucificado e ressuscitado. Ele é Rei que, tendo entrado nesta província chamada terra, nos fez o dom da sua visita e, depois, da sua ressurreição e ascensão connosco: sentimos esta sua misteriosa presença na assembleia litúrgica. Celebrando a Eucaristia, proclamamos de facto que Ele não se retirou do mundo e não nos deixou sozinhos e, mesmo se não o podemos ver nem tocar como acontece com as realidades materiais e sensíveis, contudo Ele está connosco e entre nós; aliás, está em nós, porque pode atrair a si e comunicar a própria vida a cada crente que lhe abre o coração.
Advento significa portanto fazer memória da primeira vinda do Senhor na carne, significa reconhecer que Cristo presente entre nós se faz nosso companheiro de viagem na vida da Igreja que celebra o seu mistério. Esta consciência, queridos irmãos e irmãs, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, deveria ajudar-nos a ver o mundo com olhos diferentes, a interpretar cada um dos acontecimentos da vida e da história como palavras que Deus nos dirige, como sinais do seu amor que nos garantem a sua proximidade em cada situação; nesta consciência, sobretudo, deveria preparar-nos para O acolher quando “vier de novo na glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim”, como repetiremos daqui a pouco no Credo. Nesta perspectiva o Advento torna-se para todos os cristãos um tempo de expectativa e de esperança, um tempo privilegiado de escuta e de reflexão, sob a condição de que nos deixemos guiar pela liturgia que convida a ir ao encontro do Senhor que vem.
“Vinde, Senhor Jesus”: esta fervorosa invocação da comunidade cristã do início deve tornar-se, queridos amigos, também a nossa aspiração constante, a aspiração da Igreja de todas as épocas, que anseia e se prepara para o encontro com o seu Senhor; iluminai-nos, dai-nos a paz, ajudai-nos a vencer a violência. Vinde, Senhor, rezamos precisamente nestas semanas
(…)
Preparar-nos para o advento de Cristo é também uma exortação que tiramos do Evangelho de hoje: “Vigiai”, diz-nos Jesus na breve parábola do dono de casa que parte mas não se sabe quando regressará (cf. Mc 13, 33-37). Vigiar significa seguir o Senhor, escolher o que Cristo escolheu, amar o que Ele amou, conformar a própria vida com a sua; vigiar exige que se transcorra cada momento do nosso tempo no horizonte do seu amor, sem nos deixarmos abater pelas inevitáveis dificuldades e problemas quotidianos. Assim fez São Lourenço, assim devemos fazer nós e peçamos ao Senhor que nos conceda a sua graça para que o Advento seja estímulo para que todos caminhem nesta direcção.”
I Domingo de Advento, 30 de Novembro de 2008 – Trecho da Homilia de Bento XVI proferida na Basílica de São Lourenço Fora dos Muros.

Postado por Flos Carmeli.

Publicado por Flos Carmeli.

Você conhece as figuras do Advento? (Canto da Paz – 02.12.2010)

Fonte: Canto da Paz

2 Dezembro 2010

(A Sagrada Família de Bartolomeo Esteban Murillo. 1650)

As Figuras do Advento: você conhece?

No advento existem algumas Figuras principais, que vão aparecer ao longo dos domingos até a chegada do Natal. Estas Figuras do Advento são:

a) O PROFETA ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 – 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.

As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.

b) JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, “mais que um profeta”, “o maior entre os que nasceram de mulher”, o mensageiro que veio diante d’Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 – 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).

A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-LO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.

João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

c) MARIA, A MÃE DE JESUS
Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do “sim” de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso “sim” para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se “preparou” para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.

Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.

d) JOSÉ, ESPOSO DE MARIA
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de “Filho de Davi”.

José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.

(texto extraído de: Comunidade Shalom – http://www.comshalom.org/formacao/liturgia/o_tempo_advento.html)

Publicado em Canto da Paz.