Imaculada Conceição de Maria – 8 de dezembro – Solenidade

Publicado em Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

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Solenidade da Imaculada Conceição

Nesta segunda-feira, 8 dezembro, ocorrerá a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a maior comemoração Mariana para toda a Igreja, pois exibe o dogma da fé na concepção sem mácula de Nossa Senhora. Esta comemoração universal foi definida em 1476, fixada no dia 8 de dezembro, próximo ao Natal. Em 1854, o Papa Pio IX, estabeleceu o dogma de fé católica da imaculada concepção de Maria. Embora tenha sido uma data não tão antiga, já se presumia que Maria não tivesse sido concebida com o pecado original, desde os primórdios do cristianismo. Nos anos 300 d.c, o Doutor da Igreja, Efrém da Síria, já havia proposto que apenas Jesus e Maria poderiam ter sido concebidos sem a mácula original.

Que a Mãe Imaculada nos encha com a graça do Nascimento de seu Filho em nossos corações!

Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós!

Por Thiago Camargo – Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

 

“A visão cristã da política – A Igreja evidencia a submissão da política à ética” – Artigo – Vitaliano Mattioli (Zenit.org)

Foto: Reprodução
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Zenit.org

A visão cristã da política

A Igreja evidencia a submissão da política à ética. Quando isso não acontece, a política se transforma em ditadura e totalitarismo.

Vitaliano Mattioli

Jesus com as famosas palavras: “Devolvei a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (MT 22, 21) pôs fim a um sistema de relação entre o Estado e a Religião (Cesaropapismo) ou entre a religião e o Estado (Teocracia).

Entre estas duas tendências, Jesus escolheu o sistema de separação, que não é de oposição, mas de respeito mútuo pelas relativas responsabilidades.

A palavra ‘política’ desde a cultura da Grécia antiga, tem sido entendida como “realização do bem comum da cidadania”. De acordo com esta interpretação, pode-se legitimamente afirmar que a política não desfruta de uma autonomia absoluta, mas sendo uma atividade humana, deve estar dentro dos parâmetros da ética. É neste sentido que existe uma visão cristã da política.

Pio XII, em discurso à União Latina de Alta Moda (08 de novembro de 1957), fez referência também à moral política: “É bem verdade que a moda, como a arte, a ciência, a política e atividades semelhantes, chamadas profanas, tem suas próprias normas para atingir os objetivos imediatos para os quais se destinam; No entanto, o seu sujeito é inevitavelmente o homem, que não pode prescindir de realizar aquelas atividades tendo em vista o último e supremo fim ao qual ele mesmo está essencialmente e totalmente ordenado. Existe, portanto, o problema moral da moda”; por consequência existe o problema moral da política.

A Igreja, perita em humanidade, como costumava expressar Paulo VI, formulou a sua Doutrina Social, na qual também lida com a moralidade da política.

Agora, entre os princípios permanentes da doutrina social da Igreja, que constituem os verdadeiros e próprios gonzos do ensinamento social católico prevalece o princípio da dignidade da pessoa humana no qual todos os demais princípios ou conteúdos da doutrina social da Igreja têm fundamento, do bem comum, da subsidiariedade e da solidariedade.

Estes princípios têm um caráter geral e fundamental, pois que se referem à realidade social no seu conjunto e porque remetem aos fundamentos últimos e ordenadores da vida social. Pela sua permanência no tempo e universalidade de significado, a Igreja os indica como primeiro e fundamental parâmetro de referência para a interpretação e o exame dos fenômenos sociais, necessários porque deles se podem apreender os critérios de discernimento e de orientação do agir social, em todos os âmbitos.

Da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas deriva, antes de tudo, o princípio do bem comum, a que se deve relacionar cada aspecto da vida social para encontrar pleno sentido. Segundo uma primeira e vasta acepção, por bem comum se entende: “o conjunto de condições da vida social que permitem, tanto aos grupos, como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, n. 26).

Uma sociedade que, em todos os níveis, quer intencionalmente estar ao serviço do ser humano é a que se propõe como meta prioritária o bem comum. A pessoa não pode encontrar plena realização somente em si mesma, prescindindo do seu ser “com” e “pelos” outros.

As exigências do bem comum derivam das condições sociais de cada época e estão estreitamente conexas com o respeito e com a promoção integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais. Entre estes direitos fundamentais estão os direitos à vida, a viver uma vida digna dum ser humano, o trabalho, a liberdade religiosa.

Se o bem comum empenha todos os membros da sociedade, ainda mais se identifica com o programa do homem político. Não é possível ser ‘homem político’ sem ter como aspiração a realização do bem comum. Por isso o bem comum é exatamente o contrario do bem próprio e do egoísmo. É neste sentido que a Igreja apresenta a atividade política como diaconia, isto é: serviço.

A responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade política. Na verdade, o Estado deve garantir coesão, unidade e organização à sociedade civil. O fim da vida social é o bem comum historicamente realizável.

Estes princípios gerais são expressados em forma clara especialmente em dois documentos básicos: a constituição conciliar Gaudium et Spes (7 dezembro 1965) e a “Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política” da Congregação para a Doutrina da Fé (24 novembro 2002).

A Gaudium et Spes no n. 76 fala sobre ‘A comunidade política e a Igreja’.

Neste n. 76 são enunciados alguns princípios básicos de grande importância.

Primeiro: “A Igreja que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana”.

Segundo: “No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autônomas. Mas, embora por títulos diversos, ambas servem a vocação pessoal e social dos mesmos homens”.

Terceiro: “O homem não se limita à ordem temporal somente”.

Quarto: ‘É certo que as coisas terrenas e as que, na condição humana, transcendem este mundo, se encontram intimamente ligadas; a própria Igreja usa das coisas temporais, na medida em que a sua missão o exige. […] Ela não coloca a sua esperança nos privilégios que lhe oferece a autoridade civil”.

Quinto: “Sempre lhe deve ser permitido pregar com verdadeira liberdade a fé; ensinar a sua doutrina acerca da sociedade; exercer sem entraves a própria missão entre os homens; e pronunciar o seu juízo moral mesmo acerca das realidades políticas”.

Com estes princípios a Igreja reivindica a sua autonomia do Estado, a trascendência do ser humano, reafirma a moralidade da atividade política.

Em seguida a Igreja escreveu uma Nota em forma ainda mais explícita. Nesta reafirma o primado da pessoa humana, a sua dignidade e declara que o fim da atividade política deve ser a busca do bem comum.

Além disso, evidencia as características do político católico. Ele deve saber que a sua pertença a um partido não pode ser superior à sua pertença à Igreja e que cada expressão legislativa não pode ser a última referência normativa. Se assim não fosse, pode-se chegar a um absurdo: isto é, que alguns homens, com as leis, possam atribuir a si o direito de estabelecer os confins entre o bem e o mal.

Defende também a verdadeira laicidade do Estado, pressuposto fundamental para que o político crente possa expressar a si mesmo em conformidade à sua consciência, e se opõe quando a laicidade se transforma em ideologia.

Agora prefiro citar algumas expressões mais significativas.

“Os fiéis leigos desempenham também a função que lhes é própria de animar

cristãmente a ordem temporal (n. 1).

“A liberdade política não é nem pode ser fundada sobre a ideia relativista, segundo a qual, todas as concepções do bem do homem têm a mesma verdade e o mesmo valor, mas sobre o fato de que as atividades políticas visam, vez por vez, a realização extremamente concreta do verdadeiro bem humano e social, num contexto histórico, geográfico, econômico, tecnológico e cultural bem preciso. […] Se o cristão é obrigado a admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais, é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são “negociáveis. […] A estrutura democrática, sobre que pretende construir-se um Estado moderno, seria um tanto frágil, se não tiver como seu fundamento a centralidade da pessoa (n. 3).

“Não é consentido a nenhum fiel apelar para o princípio do pluralismo e da autonomia dos leigos em política, para favorecer soluções que comprometam ou atenuem a salvaguarda das exigências éticas fundamentais ao bem comum da sociedade. Por si, não se trata de ‘valores confessionais’, uma vez que tais exigências éticas radicam-se no ser humano e pertencem à lei moral natural” (n. 5).

Esta é a visão política da Igreja que emerge analisando os seus documentos. Ela não pede privilégios para si mesma. A única preocupação é de trabalhar para o bem comum da humanidade e de defender o valor absoluto e primário da pessoa humana. Por isso a Igreja evidencia a submissão da política à ética. Quando isso não acontece, a política se transforma em ditadura e totalitarismo. A atividade política não está mais a serviço do homem, mas se transforma num grande seu inimigo, como infelizmente a história do século passado pode testemunhar.

Crato, 25 de Setembro de 2014.

Publicado em Zenit.org.

Santa Teresa de Ávila – Solenidade – 15 de outubro: “Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza, Ele responde”””

Os preparativos para a comemoração dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Ávila (1515-1582)  transcorrem com entusiasmo na cidade de Ávila, na Espanha. Seu legado ainda hoje repercute nas almas que vivem em um mundo conturbado, pouco afeito a escutar o próprio coração, de tão bombardeado que está por informações, em geral, desconexas, desencontradas. Mas, àqueles que resistem e se empenham nesta jornada interior rumo à plena comunhão com Deus, tal como propunha Santa Teresa, é fornecido através de seus escritos, um itinerário de caminhada na oração, de modo que nenhuma perturbação tenha o poder de nos dominar, nenhum obstáculo possa nos afastar deste caminho, que uma vez empreendido se torna presença constante em nossos corações. Santa Teresa de Jesus guiai-nos nesta trajetória  de amor à perfeição, que somente as almas dos filhos de Deus podem querer e almejar! Amém!

Lúcia Barden Nunes

 

Fonte: Portal Paulinas.

15 de Outubro – Santa Teresa de Ávila

Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus Carmelita e doutora da Igreja (1515-1582)
Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus
Carmelita e doutora da Igreja (1515-1582)

Teresa de Cepeda y Ahumada, nascida em Ávila, na Castela Velha, de nobre família, começou cedo a dar prova de temperamento vivaz, fugindo de casa aos sete anos para buscar o martírio entre os mouros da África, por amor de Cristo. Mas aos 16 anos começou a se embelezar por amor de um simples mortal. E o pai, por um compreensível ciúme, para protegê-la, confiou-a a um convento de freiras.

Aos 20 anos, contrariando os programas paternos, decidiu ser freira. Houve poucos anos de vida regular, pois ela também cedeu a certa moda. As vozes interiores não lhe deram tréguas e ela sentiu um desejo sempre mais insistente de retornar ao primitivo rigor dos carmelitas, sendo objeto de extraordinárias experiências místicas, traduzidas depois, por obediência, em vários tratados de oração mental, citados entre os clássicos da literatura espanhola.

Aos 40 anos ocorre a primeira grande virada na vida desta imprevisível santa de idéias generosas. Depois das aflições interiores, dos escrúpulos e daquilo que na mística é chamado de “noite dos sentidos” — quer dizer, trevas interiores, a prova mais dura de uma alma superar —, dá-se o encontro iluminador com dois santos, Francisco de Borja e Pedro de Alcântara. Estes a repõem no bom caminho, na via da total confiança em Deus.

Em 1562, ela funda em Ávila o convento reformado sob o patrocínio de São José. Cinco anos depois, um outro decisivo encontro: João da Cruz, o príncipe da teologia mística. Os dois foram feitos para se entenderem. Inicia assim aquele singular conúbio, em meio a ardentíssimos arrebatamentos místicos e ocupações práticas do dia-a-dia, que dela fazem a santa do bom senso, uma contemplativa imersa na realidade.

Ela possui a chave para entrar no Castelo interior da alma, “cuja porta de ingresso é a oração”, mas ao mesmo tempo sabe tratar egregiamente de matérias econômicas. “Teresa”, diz ela argutamente, “sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma força; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Viaja pela Espanha de alto a baixo (era chamada a “freira viajante”) para erigir novos conventos reformados e revela-se uma hábil organizadora.

Escreve a história da própria vida, um livro de confissões extraordinariamente sinceras: “Como me mandaram escrever o meu modo de fazer oração e as graças que o Senhor me fez, eu queria que me tivessem concedido o poder de contar minuciosamente e com clareza os meus grandes pecados”. Morre pronunciando as palavras: “Sou filha da Igreja”. Em 1970, Paulo VI proclamou-a doutora da Igreja.

Publicado em Portal Paulinas.

Leia também: Canção Nova Formação – Frases de Santa Teresa de Ávila.

Mensagem da aparição de Nossa Senhora em La Salette (na França, em 19 de setembro de 1846) diz muito da realidade que vivemos em nosso tempo (Blog Canção Nova)

19 de setembro – Dia de Nossa Senhora de La Salette

Uma mensagem que veio em forma de profecias, confirmada pelos santos Papas Pio IX (que a aprovou em 1852), Leão XIII e São João Paulo II. Fala do materialismo e das infidelidades no seguimento de Jesus Cristo pelos sacerdotes, prelados, consagrados e consagradas (em grande número se tornariam apóstatas), bem como uma série de advertências aos governantes, que deixariam de lado o senso de justiça, dominados que estariam  pelo espírito materialista, por abandonarem o espírito religioso.

Nossa Senhora em La Salette (França) chora pelos males que recairiam sobre o mundo se não houvesse arrependimento de toda a Humanidade e volta à piedade e devoção.Fala sempre em tom de advertência!

Nossa Senhora de La Salette, fortalecei-nos no combate da Fé!

Lúcia Barden Nunes

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Fonte: Blog Canção Nova

Em sua aparição em La Salette, Nossa Senhora deixou uma mensagem que diz muito da realidade que vivemos em nosso tempo.

Nossa Senhora confiou uma mensagem aos videntes Maximino Giraud e Mélanie Calvat, em sua aparição em La Salette, na França, em 19 de Setembro de 1846. No início da aparição, ambos viram a Santíssima Virgem sentada sobre uma enorme pedra. Ela tinha o rosto entre as mãos e chorava amargamente. As duas crianças foram até a Bela Senhora, que não parava de chorar. A Virgem Maria explicou a Maximino e a Mélanie que chorava pelos pecados da humanidade e que deveríamos rezar para que o braço de seu Filho Jesus não pesasse sobre a Terra. Além, da mensagem, confiada aos dois videntes, pedindo oração e penitência pela humanidade, a Mãe de Deus confiou a Mélanie um segredo, que deveria ser revelado somente em 1858. Em 1852, o Papa Pio IX aprovou a aparição e reconheceu a origem celeste da mensagem. O Papa Leão XIII também reconheceu e apoiou a mensagem de La Salette e o Papa João Paulo II considerou-a como “o coração das profecias de Maria”.

Num primeiro momento, Nossa Senhora fala da infidelidade de muitas almas consagradas a Deus: “Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança. E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo. Não há mais almas generosas, não há mais ninguém digno de oferecer a vítima imaculada ao [Pai] Eterno em favor do mundo”1.

Depois, a Virgem Maria profetiza sobre a família e a sociedade e quais os males que se seguirão. Destas profecias, apresentamos aquelas que são mais significativas e que dizem respeito também ao nosso tempo: “Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência. E o demônio obscureceu suas inteligências. Transformaram-se nessas estrelas errantes, que o velho diabo arrastará com sua cauda para fazê-las perecer. […] Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus. […] Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir a tantos males acumulados. […] Toda ordem e toda justiça serão calcados aos pés. Não se verá outra coisa senão homicídios, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria e sem amor pela família. […] Os governantes civis terão todos um mesmo objetivo, que consistirá em abolir e fazer desaparecer todo princípio religioso para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios. […] Os maus estenderão toda sua malícia. Até nas casas as pessoas matar-se-ão e massacrar-se-ão mutuamente. […] Os justos sofrerão muito. Suas orações, sua penitência e suas lágrimas subirão até o céu e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia. E pedirá minha ajuda e intercessão”2.

Assista programa do Padre Paulo Ricardo sobre “O alerta de Maria para o Brasil(também em áudio):

O apelo àqueles que a Mãe de Deus chama de “Apóstolos dos Últimos Tempos” pode ser o que São João Paulo II chama de “o coração das profecias de Maria”. Este apelo é dirigido aos verdadeiros devotos da Virgem Maria: “Eu dirijo um premente apelo à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus. Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens. Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que levo por assim dizer nos meus braços, que vivem de meu espírito. Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo. É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos amados. Estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças. Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins”3.

A mensagem de Nossa Senhora de La Salette certamente não se dirigia somente às pessoas daquele tempo, pois muitas das suas profecias estão acontecendo em nossos dias. Por isso, sejamos obedientes a Santíssima Virgem, façamos orações, jejuns e penitências na intenção dos sacerdotes, religiosos e religiosas, de todas as almas consagradas a Deus. Façamos o mesmo também pelos nossos governantes, pela nossa sociedade e pelas famílias. O apelo da Virgem Maria é especialmente para aqueles que São Luís Maria Grignion de Montfort chamou de “verdadeiros Apóstolos dos Últimos Tempos, a quem o Senhor das virtudes dará a palavra e a força para operar maravilhas e arrebatar gloriosos despojos ao inimigo”4. É impossível negar que o Segredo de La Salette tem uma particular ligação com o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Segundo o Autor, estes Apóstolos “serão os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, que seguirão as pegadas da sua pobreza, humildade, desprezo do mundo e caridade. Ensinarão o estreito caminho de Deus na pura verdade, segundo o Santo Evangelho e não segundo as máximas do mundo. […] Terão nos lábios a espada de dois gumes, que é a Palavra de Deus; trarão aos ombros o estandarte sangrento da Cruz, o crucifixo na mão direita, o Rosário na esquerda, os sagrados nomes de Jesus e Maria no coração, e a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo em toda a sua conduta”5. Quando e como surgirão estes Apóstolos dos Últimos Tempos? São Luís Maria responde: “Só Deus o sabe. Quanto a nós, apenas nos compete calar, rezar, suspirar e esperar”6: “Esperei ansiosamente o Senhor”7. Nossa Senhora de La Salette, rogai por nós!

Referências:

2 Idem, ibidem.

3 Idem, ibidem.

5 Idem, 59.

6 Idem, ibidem.

7 Sl 39, 2.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia.

Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado

de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então,

ensina esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é o seu maior apostolado.

 

Publicado em Blog Canção Nova.

A tentação da religião fácil – Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP) – Notícias Católicas

Grave engano

A tentação da religião fácil

leiss-das-religioes-sobre-dinheiro-catolicismo.-1pngPor Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP) Não está fácil ser cristão, em várias partes do mundo! Muitos estão sendo cerceados em sua liberdade de consciência, perseguidos e martirizados, apenas por serem discípulos de Jesus Cristo. São muito atuais as palavras de advertência de Jesus, ao encorajar os discípulos, falando-lhes do que os esperava: “sereis perseguidos e odiados por minha causa” (cf Lc 21, 12-19). Jesus não prometeu vida fácil a seus seguidores! A cena de Jesus com seus discípulos no caminho para Jerusalém, retratada no Evangelho de São Mateus (cf Mt 16,21-27), é muito ilustrativa. Jesus lhes fala da própria rejeição pelas autoridades do templo de Salomão, em Jerusalém, de seus sofrimentos, morte na cruz e ressurreição ao terceiro dia. Pedro, cheio de vontade de “defender” o Mestre, quer convencê-lo a desistir do caminho para Jerusalém: “Deus te livre, isso não te acontecerá!” As palavras de Jesus a Pedro são duras: “vá para longe de mim, satanás! És para mim, ocasião de tropeço!” São as mesmas palavras usadas por Jesus para superar a terceira tentação no deserto, antes de iniciar sua missão pública (cf Mt 4,10). Pedro fazia o papel de “tentador” e Jesus o afastou decididamente, continuando seu caminho para Jerusalém: “tu não pensas conforme Deus, mas conforme os homens!” (cf Mt 16,23). De qual tentação tão grave se tratava? Se Jesus desse razão a Pedro, evitaria os sofrimentos anunciados. Qual seria o mal? É que essa tentação implicava em desistir do Evangelho e da missão de Jesus. Pedro, ingenuamente, querendo impedir que algo de mal acontecesse a Jesus, acabaria desviando Jesus do seu caminho, impedindo-o de ser a testemunha fiel da verdade de Deus, de ser coerente e fiel à missão de manifestar o amor de Deus até às últimas consequências. Era uma grande tentação!

Jesus não atrai os discípulos para facilidades, vantagens, prosperidade e glórias terrenas: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga!” (Mt 16,24).

Jesus não atrai os discípulos para facilidades, vantagens, prosperidade e glórias terrenas: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga!” (Mt 16,24). Várias outras passagens do Evangelho retratam o convite a seguir Jesus, não por interesses pessoais, mas a abraçar de coração inteiro o Evangelho do reino de Deus por ele anunciado e tornado presente no mundo. É antiga e sempre atual a tentação de oferecer Jesus como um “produto” para a solução mágica para todos os males, sem a exigência de verdadeira fé e conversão ao reino de Deus. Um cristianismo sem mudança de vida, sem cruz nem renúncia aos próprios projetos, sem sintonia com o projeto de Deus, sem os 10 mandamentos da lei de Deus, seria falsificar Jesus e o Evangelho!

Lembrou o papa Francisco: uma Igreja sem Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, acabaria sendo uma espécie de “ONG do bem”, mas não seria mais a Igreja de Cristo!

Essa tentação insidiosa, mais do que nunca, pode ser atual em nossos dias: pretende-se apresentar um Jesus simpático e atraente, produto falsificado nas vitrines de um mercado religioso sempre mais florescente, para atrair adeptos com toda sorte de facilidades e vantagens. Lembrou o papa Francisco: uma Igreja sem Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, acabaria sendo uma espécie de “ONG do bem”, mas não seria mais a Igreja de Cristo! Tentação perigosa, pois mexe com coisas muito sérias e induz a engano fatal: “de que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?” – pergunta Jesus. (cf Mt 16,26). Quem busca Jesus apenas para ter vantagens pessoais, facilidades, vaidades e riquezas, não “arrisca” nada por ele; não é a Jesus e o reino de Deus que busca, mas apenas a si próprio e a seus projetos pessoais. A “renúncia a si mesmo” equivale, de fato, à primazia absoluta dada a Deus e a seus caminhos. A “religião fácil” é uma tentação perigosa, um grave engano! No final de tudo, se não houve sincera conversão e “renúncia a si mesmo”, mesmo tendo conseguido todas as vantagens do mundo, a frustração poderá ser total.

Por Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo (SP)
Publicado em NOTÍCIAS CATÓLICAS.

Terço da Misericórdia (Missão Fides in Deum)

Conteúdo extraído de Missão Fides in Deum.
Terço da Misericórdia
Reze [preferencialmente] o Terço da Misericórdia todos os dias às 15:00 h…
 
Aprenda a rezar o Terço da Misericórdia:
Pai-Nosso…
Ave-Maria…
Creio…
Nas contas grandes (do Pai Nosso), reza-se:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.
Nas contas pequenas (da Ave-Maria), reza-se:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. (10 vezes)
Depois diga:
Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus, como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós.
Ao final do terço, reza-se:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro (três vezes).
Origem do Terço da Misericórdia
 
Em 13 de setembro de 1935, Santa Faustina Kowalska escreveu: “…vi o Anjo Executor da ira de Deus… Quando vi esse sinal da ira de Deus, que deveria atingir a Terra, comecei a pedir ao anjo que se detivesse por alguns momentos, pois o mundo faria penitência”. No início as orações se revelaram impotentes. Santa Faustina Kowalska, diante da imprevista manifestação da Santíssima Trindade, começou a implorar com profundo recolhimento a Deus, em favor do mundo. A sua oração correspondia às palavras que lhe vinham sugeridas interiormente: Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos pecados do mundo inteiro. Pela sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós (Diário nº 475).
Enquanto Santa Faustina repetia a oração, que misteriosamente lhe foi inspirada, o Anjo se revelava impotente para executar o castigo, para o qual fora designado.
No dia seguinte, na capela, Santa Faustina recebeu instruções de uma voz interior, que lhe pedia para repetir a oração, que anteriormente havia escutado, cada vez que se dirigisse ao Santíssimo Sacramento. Explica-se então o conteúdo tão relevantemente eucarístico daquela invocação.
Santa Faustina teve uma nova inspiração. Foi-lhe pedido que rezasse estas palavras em forma de terço, repetidas nas contas do terço.
 
Eis a promessa que Deus fez a Santa Faustina Kowalska: “Minha filha, exorta as almas a rezarem esse Terço que te dei. Pela recitação deste Terço, agrada-Me dar tudo o que Me peçam. Quando aos pecadores empedernidos o recitarem, encherei de paz as suas almas, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isto para as almas atribuladas: ‘quando uma alma vir e reconhecer a gravidade dos seus pecados, quando se abrir diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não se desespere, mas antes se lance com confiança nos braços da Minha misericórdia, como uma criança no abraço da sua querida mãe’. Essas almas têm primazia à Minha misericórdia. Diz que nenhuma alma que tenha invocação a Minha misericórdia, não se decepcionou, nem experimentou vexame. Tenho predileção especial pela alma que confiou na Minha bondade. Escreve que, quando recitarem esse Terço junto aos agonizantes, Eu Me colocarei entre o Pai e a alma agonizante, não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso” – (Diário nº 1541).
Publicado em Missão Fides in Deum (Fonte: asj.org.br)
 

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), Comissões da CNBB para o Ecumenismo, Laicato e Ação Missionária e Pontifícia Universidade Católica do Paraná realizam 1º Simpósio Ecumenismo e Missão: “A dimensão ecumênica do Concílio Vaticano II” (Rádio Vaticano)

ConcílioVaticanoII
Concílio Vaticano II (1962-1965)

Vargem Grande Paulista (RV) – O segundo dia do 1º Simpósio Ecumenismo e Missão, promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pelas Comissões da CNBB para o Ecumenismo, Laicato e Ação Missionária, e pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, foi marcado por palestras sobre a Conferência do Nordeste e a dimensão ecumênica do Concílio Vaticano II. A iniciativa, que busca resgatar a história do movimento ecumênico no Brasil, acontece em Vargem Grande Paulista (SP), de 21 a 24 de agosto. 

(…)

Concílio Vaticano II

O (…) tema “Dimensão ecumênica do Concílio Vaticano II” foi apresentado pelo Padre Oscar Beozzo, do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação (Ceseep). O sacerdote abordou, de modo especial, a recepção e a atualidade no Brasil do documento conciliar Unitatis Redintegratio. Disse que o texto foi apenas um começo. “Precisamos dar passos concretos. Temos muito caminho a percorrer em favor da unidade”, afirmou.

Para Padre Beozzo, “o Concílio mexeu com a Igreja Católica e com as outras igrejas cristãs e o primeiro impacto foi a unidade dos cristãos.

Entre as principais figuras que garantiram a dimensão ecumênica do Concílio, Padre Beozzo citou o papa João XXIII. Lembrou também da presença de 168 observadores de outras igrejas cristãs, além de teólogos, peritos, leigos e mulheres.

(CNBB-CM)
Com informações das Pontifícias Obras Missionárias.

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/08/24/ do site da Rádio Vaticano.

Papa Francisco concede entrevista a Il Messagero e fala da realidade de Roma, dos comunistas, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política (Il Messagero – ACI Digital)

Papa Francisco concedeu duas longas entrevistas neste semestre. Nesta, é entrevistado pela jornalista italiana Franca Giansoldati,  do Il Messaggero (Roma – Itália). A entrevista foi publicada no dia 29-06-2014  com o título “O comunismo nos roubou a bandeira”. Ao longo da entrevista, traduzida por ACI Digital, e reproduzida pela “Fraternidade O Caminho”, podemos ver que este título pode ser lido tal como o Santo Padre declarou na entrevista: “A bandeira dos pobres é cristã”.

Boa leitura! Que Deus nos abençoe com discernimento e fortaleza nestes tempos de crise moral, econômica, social e política, aliás, uma crise que vem  afetando o mundo inteiro  há pelo menos duas décadas. (LBN)

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Fonte: Fraternidade O Caminho (traduzido por ACI Digital)

Publicado em 1 de julho de 2014

Papa_Francisco_audiencia29ACI Digital oferece a seus leitores e ao público em geral a íntegra em português da entrevista que o Papa Francisco concedeu recentemente ao jornal italiano Il Messagero, publicada no domingo 29 de junho, festa dos Apóstolos Pedro e Paulo. Nesta oportunidade o Santo Padre fala da realidade de Roma, do comunismo, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política.

O texto original da entrevista encontra-se aqui.

E então, na partida a Itália x Uruguai. Santo Padre, para quem torcia?

Eu, para nenhum, na verdade. Prometi à presidenta do Brasil (Dilma Rousseff), que seria neutro.

Começamos por Roma?

Você sabia que eu não conheço Roma? Veja só, eu vi a Capela Sistina pela primeira vez quando participei do Conclave que elegeu Bento XVI (2005). Nem sequer estive nos Museus. O fato é que quando era Cardeal não vinha muito frequentemente. Conheço Santa Maria Maior porque ia sempre. E depois São Lorenzo Extra Muros, onde ia para as confirmações quando estava Dom Giacomo Tantardini. Obviamente conheço Piazza Navona porque sempre me alojei na Via della Scrofa, ali ao lado”.

Há um pouco de romano no Bergoglio argentino?

Pouco e nada. Eu sou mais do Piamonte, essas são as raízes de minha família de origem. Ainda estou começando a me sentir romano. Tenho a intenção de ir visitar o território, as paróquias. Estou descobrindo pouco a pouco esta cidade. É uma metrópole muito formosa, única, com os problemas das grandes metrópoles. Uma pequena cidade possui a estrutura quase inequívoca, uma metrópole, por outro lado, compreende sete ou oito cidades imaginárias, superpostas juntas, em vários níveis. Também em níveis culturais.

Penso, por exemplo, nas tribos urbanas juvenis. Ocorre o mesmo em todas as cidades. Em novembro faremos em Barcelona um congresso dedicado precisamente à pastoral das metrópoles. Na Argentina promoveu-se intercâmbios com o México. Descobriram muitas culturas cruzadas, mas nem tanto devido às migrações, mas porque se tratavam de territórios culturais transversais, feitos de pertences próprios. Cidades dentre de uma cidade. A Igreja deve saber responder a este fenômeno.

Por que S.S. desde o começo quis sublinhar tanto as funções de Bispo de Roma?

O primeiro serviço de Francisco foi este: ser o Bispo de Roma. Todos os títulos do Papa, Pastor universal, Vigário de Cristo, etecetera, são dados ao Papa precisamente porque é Bispo de Roma. É a eleição primitiva. As consequências do Primado do Pedro. Se amanhã o Papa quisesse ser o Bispo de Tivoli, certamente me removeriam.

Há 40 anos, com o Papa Paulo VI, o Vicariato (da diocese de Roma) promoveu o congresso sobre os males de Roma. Dali saiu um quadro da cidade onde os que tinham muito tinham o melhor, e quem tinha pouco, tinha o pior. Hoje, no seu parecer, Quais são os males desta cidade?

São os das metrópoles como Buenos Aires. Estão os mais beneficiados, e aqueles que estão cada vez mais pobres. Não sabia do congresso sobre os males de Roma. Estas são perguntas muito romanas, e eu então tinha 38 anos. Sou o primeiro Papa que não participou do Concílio e, naquela época, para nós a grande luz era Paulo VI. Para mim, a Evangelii Nuntiandi, sempre será um documento pastoral insuperável.

Existe uma hierarquia de valores a ser respeitada na gestão dos assuntos públicos?

É evidente. Tutelar sempre o bem comum. A vocação para qualquer político é esta. Um conceito amplo que inclui, por exemplo, a custódia da vida humana, de sua dignidade. Paulo VI costumava dizer que a missão da política permanece como uma das mais altas da caridade. Hoje o problema da política –não falo só da Itália, mas de todos os países, pois o problema é mundial-, é que se desenvolveu, arruinado pela corrupção, pelo fenômeno dos subornos.

Lembro-me de um documento que publicaram os bispos franceses há 15 anos. Era uma carta pastoral titulada: Reabilitar a política. Confrontava precisamente este argumento. Se não houver um serviço de base, não se pode sequer entender a identidade da política.

Sua Santidade disse que a corrupção cheira a putrefação. Disse também que a corrupção social é o fruto do coração doente e não só de condições externas. Não haveria corrupção sem corações corruptos. O corrupto não tem amigos, apenas idiotas que lhe são úteis. Poderia explicar-nos melhor isso?

Falei durante dois dias seguidos sobre este tema porque comentava a leitura da Vinha de Nabor. Eu gosto de falar sobre as leituras do dia. No primeiro dia confrontei a fenomenologia da corrupção, no segundo dia sobre como acabam os corruptos. O corrupto, portanto, não tem amigos, só tem cúmplices.

Você acredita que se fala tanto de corrupção porque os meios de comunicação insistem neste tema ou porque efetivamente se trata de um mal endêmico e grave?

Não, infelizmente o fenômeno é mundial. Há chefes de estado na prisão precisamente por isso. Perguntei-me muito sobre isto, e cheguei à conclusão que muitos males crescem sobre tudo durante as mudanças de época. Estamos vivendo mais que uma época de mudanças, mas uma mudança de época. E portanto, trata-se de uma mudança de cultura, precisamente desta fase emergem coisas assim. A mudança de época alimenta a decadência moral, não só na política, mas também na vida financeira ou social.

Também os cristãos parecem não brilhar por seu testemunho…

O ambiente é o que facilita a corrupção. Não digo que todos sejam corruptos, mas acredito que é difícil permanecer honestos nesta política. Falo de todo o mundo, não só da Itália. Penso também em outros casos. Às vezes há pessoas que queriam fazer as coisas mais claras, mas depois se encontram com dificuldades, e é como se fossem fagocitados por um fenômeno endêmico, a altos níveis, transversais. Não porque seja esta a natureza da política, mas sim porque em uma mudança de época, as tensões para uma certa deriva moral se tornam fortes.

O que mais o assusta: a pobreza moral ou material de uma cidade?

As duas me assustam. Um faminto, por exemplo, posso ajudá-lo para que não tenha mais fome, mas se tiver perdido o trabalho e não encontra outra ocupação, isso já é outra pobreza. Ele já não tem dignidade. Possivelmente possa ir à Cáritas e levar para casa um pouco de mantimentos, mas experimenta uma pobreza muito grave que arruína o seu coração. Um Bispo auxiliar de Roma me contou que muitas pessoas vão aos refeitórios populares em segredo, cheios de vergonha, e levam para casa a comida. Sua dignidade se empobreceu e vivem em um estado de prostração.

Pelas grandes ruas de Roma vê-se mulheres de apenas 14 anos, frequentemente obrigadas a prostituir-se no meio do descuido geral, enquanto que no metrô vê-se crianças mendigando. A Igreja é ainda fermento para a massa? Sente-se impotente como Bispo ante esta degradação cultural?

Sinto dor. Sinto uma enorme dor. A exploração de crianças me faz sofrer. Também na Argentina ocorre o mesmo. Para alguns trabalhos manuais se utiliza crianças porque têm as mãos menores pequenas. Mas elas também são exploradas sexualmente em hotéis. Uma vez me advertiram sobre uma rua de Buenos Aires onde havia garotinhas, prostitutas de 12 anos. Informei-me e efetivamente era sim. Isto me feriu. Mais ainda ao ver que eram abordadas por automóveis de grande cilindrada conduzidos por idosos. Podiam ser seus avós. Subiam a menina ao carro, davam-lhe 15 pesos que depois eram usados para comprar drogas, uma dose. Para mim as pessoas que fazem isto com meninas são pedófilos. Acontece também em Roma. A cidade eterna que deveria ser um farol no mundo é um espelho da degradação moral da sociedade. Penso que são problemas que se resolve com uma boa política social.

O que pode fazer a política?

Responder limpamente. Por exemplo, com os serviços sociais que permitam que as famílias entendam e tenham acompanhamento para sair de situações difíceis. O fenômeno indica uma deficiência do serviço social na sociedade.

A Igreja está trabalhando muitíssimo…

E deve continuar fazendo-o. Precisamos ajudar as famílias em dificuldade, uma tarefa árdua que requer esforço comum.

Em Roma cada vez menos jovens vão à igreja, não batizam seus filhos, não sabem nem sequer fazer o sinal da cruz. Que estratégia serviria para mudar esta tendência?

A Igreja deve sair às ruas, procurar às pessoas, ir às casas, visitar as famílias, ir às periferias. Não ser uma Igreja que só recebe, mas que oferece.

E os párocos devem então colocar chifres nas ovelhas (ndt: referindo-se a que os cristãos devem ser encorajados pelos párocos a serem mais agressivos no anúncio da Boa Nova)…

(Risadas) Obviamente. Estamos em uma época de missão há dez anos. Devemos insistir nisso.

Preocupa-lhe a cultura da não-natalidade na Itália?

Acredito que é preciso trabalhar mais pelo bem comum da infância. Pôr sobre a família um compromisso, às vezes não é suficiente com um salário, não se chega ao fim do mês. Existe o medo de perder o trabalho ou de não poder pagar mais o aluguel. A política social não ajuda. A Itália tem uma taxa de natalidade muito baixa, a Espanha também. A França vai um pouco melhor, mas também é baixa. É como se a Europa, cansou-se do papel de mãe e preferisse o de avó. Muito depende da crise econômica e não só de uma deriva cultural sobrecarregada no egoísmo e no hedonismo. O outro dia eu lia uma estatística sobre os critérios do gasto da população em nível mundial. Depois da alimentação, vestidos e remédios, três vozes necessárias, seguem a estética e os gastos com os animais domésticos.

As crianças importam menos que os animais?

Trata-se de outro fenômeno de degradação cultural. Isto é porque a relação afetiva com os animais é mais fácil, mais previsível. Um animal não é livre, enquanto que ter um filho é uma coisa complexa.

O Evangelho fala mais aos pobres ou aos ricos para convertê-los?

A pobreza está no centro do Evangelho. Não se pode entender o Evangelho sem entender a pobreza real, tendo em conta que existe também uma pobreza belíssima do espírito: ser pobre perante Deus porque Deus te preenche. O Evangelho se dirige indistintamente a pobres e ricos. E fala tanto de pobreza como de riqueza. Não condena para nada aos ricos, mas sim as riquezas quando se tornam objetos de idolatria. O deus dinheiro, o bezerro de ouro.

Sua Santidade tem fama de ser um Papa comunista, populista. A revista The Economist, que lhe dedicou uma capa, afirma que fala como Lenin. Identifica-se com isto?

Eu digo apenas que os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro do Evangelho. Os pobres estão no centro do Evangelho. Se olharmos Mateus 25, o protocolo sobre o qual seremos julgados: tive fome, tive sede, estive no cárcere, estive doente, nu. Ou olhemos as Bem-aventuranças, que é outra bandeira. Os comunistas dizem que tudo isto é comunista. Sim, como não, vinte séculos depois. Então quando falamos de comunistas, nós poderíamos virar e dizer: então vocês são cristãos! (risadas)

Se me permitir uma crítica…

Claro.

Você possivelmente fala pouco das mulheres e quando fala confronta o argumento só do ponto de vista maternal, a mulher esposa, a mulher mãe, etecetera. E as mulheres já dirigem estados, multinacionais, exércitos. Na Igreja, segundo você, que lugar ocupa as mulheres?

As mulheres são o mais formoso que Deus criou. A Igreja é mulher. Igreja é uma palavra feminina. Não se pode fazer teologia sem esta feminidade. Disto você tem razão, não se fala o suficiente. Estou de acordo que se deve trabalhar mais sobre a teologia da mulher. Eu já disse e se está trabalhando neste sentido.

Não entrevê uma certa misoginia de fundo?

O fato é que a mulher foi tirada de uma costela… (risadas). Brinco, eu só estava brincando. Estou de acordo que é necessário aprofundar mais na questão feminina, do contrário não se pode entender a Igreja em si mesma.

Podemos esperar de você decisões históricas, tipo uma mulher chefe de dicastério, não falo do clero…

(Risadas). Bom, muitas vezes os sacerdotes acabam sob a autoridade das beatas de igreja…

Em agosto S.S. irá a Coréia. É a porta para a China? Está apontando para a Ásia?

Irei à Ásia duas vezes em seis meses. À Coréia em agosto para encontrar aos jovens asiáticos. Em janeiro ao Sri Lanka e Filipinas. A Igreja na Ásia é uma promessa. A Coréia representa muito, tem uma história muito bonita, durante dois séculos não teve sacerdotes e o catolicismo avançou graças aos leigos. Houve também mártires. Quanto à China, trata-se de um desafio cultural grande. Maior. E depois está o exemplo de Matteo Ricci, que fez tanto bem…

Para onde está indo a Igreja de Bergoglio?

Graças a Deus não tenho nenhuma Igreja, sigo a Cristo. Não fundei nada. Do ponto de vista do estilo não mudei comparado a como eu era em Buenos Aires. Sim, possivelmente alguma coisa pequena, porque é devido, mas mudar na minha idade teria sido ridículo. Em meu programa, por outro lado, sigo o que os cardeais pediram durante as congregações gerais antes do Conclave. Vou nessa direção. O Conselho dos oito cardeais, um organismo externo, nasce daí. Haviam pedido para ajudar a reformar a Cúria. Algo por outro lado nada fácil, porque damos um passo, mas logo ocorre algo que mostra que falta isso ou aquilo, e se primeiro era um dicastério depois se converte em quatro… Minhas decisões são o fruto das reuniões Pré-Conclave. Eu não tenho feito nada sozinho.

Isto é uma aproximação democrática…

Foram as escolhas dos cardeais. Não sei se se trata de uma aproximação democrática, diria que foi mais sinodal, ainda que esta palavra para os cardeais não seja a apropriada.

Que deseja aos romanos pela festa dos padroeiros São Pedro e Paulo?

Que continuem sendo bons. São muito simpáticos. Vejo-os nas audiências e quando vou às paróquias. Espero deles que não percam a alegria, a esperança, a fé não obstante as dificuldades. Também o ‘romanaccio’ –dialeto romano-, é bonito.

Wojtyla tinha aprendido a dizer em dialeto romano. ‘nos amemos os uns aos outros, nos ofereçamos a outros’. Você aprendeu alguma frase em romano?

Por enquanto poucas, ´Campa e fa’ campa´ -viva e deixe viver- (termina o Papa com risadas).

Por ACI Digital.

Corpus Christi – O que significa celebrar a Festa ou celebrar a Eucaristia? Quais são as suas consequências? (Catolicismo Online)

Fonte: Catolicismo Online (conteúdo extraído do site Grupo de oração Filhos de Maria)

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Reflexão

O que significa celebrar a Festa de Corpus Christi?

 Quais são as suas consequências?

Postado por Natanael Melo

1. A festa de Corpus Christi é a festa de caridade, porque a Eucaristia significa também o maior amor, a maior generosidade e a maior entrega de Cristo. Honrar o Corpo de Cristo significa também aproximar-se do irmão com o maior respeito e disponibilidade, porque ele também é o Corpo de Cristo (Igreja é o Corpo de Cristo e o Cristo sua cabeça). O Corpo de Cristo é partido em nossos altares para saciar nossas fomes de sentido, mas também para termos mais consciência de sermos mais generosos a exemplo de Cristo.

2. A Eucaristia é uma ceia fraterna na qual todos são tratados como irmãos e irmãs. A ceia fraterna não pode ser entendida sem comunhão fraterna, sem convivência com o Senhor e com os demais comensais ou com as demais pessoas. É certo que a Eucaristia constrói ou edifica a Igreja, mas a constrói ou edifica como comunidade que compartilha. Compartilhar é mais do que repartir o que temos, é mudar nossa forma de pensar e de viver para fazer possível uma convivência fraterna e solidária. Como dizia João Paulo II: “Nossa união com Cristo na Eucaristia deve manifestar-se, no dia de hoje, em nossa existência: em nossas atividades, em nossa conduta, em nosso estilo de vida e na relação com os demais”. Não é possível celebrar ou participar da Eucaristia sem a vivencia do amor fraterno, da caridade mútua e da solidariedade. Um escritor francês disse: “Não se pode crer impunemente”, isto é, não se pode crer sem que tenha consequências em nossa vida. Não se pode comungar o Corpo de Cristo sem que tenha consequências em nossa vida. Compartir o pão com os irmãos, especialmente com os necessitados é comungar com Cristo. Não tomaremos a sério a comunhão se não tomarmos a sério a vida, a justiça, a fraternidade e a honestidade.

3. O Corpo de Cristo significa o Pão que partimos, o pão da vida (Jo 6,52). Mas quando a comunhão é entendida como “minha comunhão”, assunto privado entre Jesus Cristo e minha vida, o Corpo de Cisto que é a Igreja se desintegra: cada um come seu próprio pão e este já não é “pão que partimos”. Não podemos pertencer à Igreja de Cristo como se pertencesse a um clube somente para utilidade própria. A comunhão somente é autêntica quando não se privatiza e se apropria. Comungar Cristo significa comungar com os demais como irmãos porque Jesus Cristo entregou sua vida para a salvação de todos. São Paulo destaca a exigência de unidade que brota da Eucaristia. Todos os que comungam o Corpo e o Sangue de Cristo se fazem com ele um só corpo. A unidade de alimento produz também unidade entre os membros da comunidade que o assimila. As diferenças que humilham uns irmãos contradizem o amor a Cristo e a unidade entre os membros da comunidade. Por isso, hoje é o dia oportuno para uma revisão de nossa vida comunitária vivida na comunhão e na fraternidade que dimana da Eucaristia.

4. Comer o Corpo e beber o Sangue do Senhor significa comer e beber o amor à vida e todo o que se refere à vida: liberdade, justiça, participação, fraternidade, igualdade. Uma Eucaristia que fica reduzida a um mero ato litúrgico é uma traição à última Ceia de Jesus da qual nasceu a Igreja. Trata-se de uma Igreja de irmãos, de apóstolos (enviados), de testemunhas, de mártires. Comer e beber a carne e o sangue de Jesus significa alimentar-se e alimentar uma humanidade necessitada de Jesus, Pão da Vida. É uma humanidade que para poder ser chamada de cristã precisa fazer desaparecer a injustiça, o ódio, a vingança, a discriminação, o racismo e assim por diante. Comungar com Cristo é comungar com sua causa. Todos somos chamados a seguir a Jesus Cristo, a ter fé nele, a caminhar pelo seu caminho. Todos nós sabemos que em Cristo temos o Caminho, a Verdade e a Vida. Na última Ceia Jesus nos recomendou: “Fazei isto em minha memória”. Toda Eucaristia é memorial que faz presente a entrega à morte do Mestre. Na Eucaristia, é o amor no Filho que se entregou para que possamos ter a vida eterna. Quem descobre o amor de um Deus que amou tanto os homens (cf. Jo 3,16), experimenta a chamada para difundir entre os homens este mesmo amor. Não se pode comungar com o gesto supremo de amor e ao mesmo tempo continuar odiando, desprezando os outros.

5. A Eucaristia é o alimento do povo de Deus que peregrina neste mundo. É o Pão do céu que gera a vida além da morte. Precisamente como peregrinos a Eucaristia se torna para nós o viático com o qual o cristão ganha sua força para poder passar deste mundo para a casa do Pai. O viático dá ao cristão a garantia de que sua morte não será o término e sim trânsito para a vida eterna, vida gloriosa.

A partir destes pensamentos e de outros tantos referentes a esta festa, vem a pergunta para cada um de nós: “Comungo o Corpo do Senhor apenas para cumprir o preceito ou tenho consciência de que ao comungar o Corpo do Senhor devo ser outro Cristo para os demais?”.

Fonte: http://www.filhosdemaria.com.br

Publicado em Catolicismo Online.

“[…]Haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca?[…]” – Papa Francisco – 01 de junho – Conferência – XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS (Vaticano)

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Fonte: VATICAN.VA

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro»

[Domingo, 1 de Junho de 2014]

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e econômicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não veem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de autorreferencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efetiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

Franciscus

 

Publicado em VATICAN.VA.

Imagem: Wikipedia.org.

Vamos defender a vida – Vídeo publicado em 30 de maio de 2014 (Padre Paulo Ricardo)

A prática do aborto em hospitais públicos e clínicas particulares do Brasil não vai trazer avanço social algum à vida dos seus habitantes, sejam mulheres, homens e crianças, ricos ou pobres. Esta campanha [a da sua legalização ou descriminalização] vem se desenvolvendo  em nível planetário, com ênfase na América Latina. Obviamente, teve início em regiões desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa, com alto índice de adesão no início da década de 70.

Há, no entanto, recuos após quatro décadas de implementação do aborto legal (em clínicas particulares ou públicas) nestes dois continentes, na forma de campanhas pró-vida, que visam a revogação da lei federal, admitida  em vários estados norte-americanos ou então, através da mudança no ordenamento jurídico de países que atualmente permitem sua prática legal, tais como a Itália, Portugal, Espanha ou no Reino Unido.

Leia a matéria publicada em https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida e saiba com detalhes como podemos deter no Congresso Nacional o avanço dos segmentos de pressão “pró-escolha” (grupos que defendem junto ao Congresso Nacional, a interrupção da gestação pela mulher, por suposto direito sobre o corpo). Tais segmentos (grandes laboratórios e empresas a eles associadas),  buscam  a implementação do aborto legal através de projeto de lei que já tramita, e que possibilitaria a sanção para sua prática nos setores público e privado de saúde em nosso País. (LBN)

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Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida30/05/2014 15:44 |

Vamos defender a vida

Descubra como você pode ajudar a derrubar a Lei Cavalo de Troia e afugentar o aborto do Brasil

Este é um momento importantíssimo de nossa luta em defesa da vida, contra a legalização do aborto no Brasil. No ano passado, a Lei n. 12.845/2013, que aparentemente dispunha “sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual”, foi sancionada pela Presidente da República. Olhando para a linguagem do texto legal, alertamos que esta lei abriria uma brecha para a possibilidade de se fazer o aborto em nosso país. Com razão o então projeto foi apelidado de “Cavalo de Troia”.

O argumento do governo – e até de algumas pessoas do movimento pró-vida – era o de que esta lei se referia tão somente à proteção da mulher e que não tinha nada que ver com o Poder Executivo – ainda que fosse o próprio Ministério da Saúde a propor o projeto de lei.

Acontece que, na última semana, o mesmo Ministério da Saúde, por meio da Portaria n. 415 de 2014, regulamentou a Lei Cavalo de Troia, incluindo na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde a “interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto”, fixando o preço do abortamento em R$ 443,40. O mesmo preço de um parto. (Aparentemente, para essas pessoas, a morte e a vida são a mesma coisa.)

Diante da notoriedade que ganhou a portaria, o Ministério da Saúde acabou por revogá-la esta semana (pela Portaria n. 437), sem apresentar nenhuma justificativa. No entanto, a verdade já havia sido revelada: realmente, a Lei Cavalo de Troia foi concebida para disseminar a prática do aborto no Brasil.

Se a portaria foi felizmente revogada, a Lei Cavalo de Troia, no entanto, continua vigente. Só poderemos cantar um canto de verdadeira vitória quando este texto for totalmente retirado de nosso ordenamento jurídico.

Para isso, é preciso que ajamos, entrando em contato com os parlamentares da Câmara dos Deputados. Há um projeto de lei no Congresso Nacional, de autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que “revoga a Lei n.º 12.845, de 1º de agosto de 2013”: trata-se do Projeto de Lei n. 6033/2013. É importante que todos os brasileiros, independentemente da religião que professam, telefonem e enviem e-mails aos nossos parlamentares, pedindo que aprovem com urgência o PL 6033/13, a fim de varrer do mapa do Brasil a perfídia do aborto e da cultura da morte.

Segue abaixo a lista com os telefones e e-mails de contato das lideranças dos partidos e dos parlamentares de cada estado:

Liderança do Governo
Henrique Fontana (PT-RS) / 0 xx (61) 3215-9001;
lid.govcamara@camara.leg.br

Liderança da Minoria
Domingos Sávio / 0 xx (61) 3215-9820;
lid.min@camara.leg.br

PT Partido dos Trabalhadores
Vicentinho / 0 xx (61) 3215-9102
lid.pt@camara.leg.br

PMDB Partido do Movimento Democrático Brasileiro
Eduardo Cunha / 0 xx (61) 3215-9181 / 80
lid.pmdb@camara.leg.br

PSD Partido Social Democrático
Moreira Mendes / 0 xx (61) 3215-9060 / 9070
lid.psd@camara.leg.br

PSDB Partido da Social Democracia Brasileira
Antonio Imbassahy / 0 xx (61) 3215-9345 / 9346
lid.psdb@camara.leg.br

PP Partido Progressista
Eduardo da Fonte / 0 xx (61) 3215-9421
lid.pp@camara.leg.br

PR Partido da República
Bernardo Santana de Vasconcellos / 0 xx (61) 3215-9550
lid.pr@camara.leg.br

DEM Democratas
Mendonça Filho / 0 xx (61) 3215-9265 / 9281
lid.dem@camara.leg.br

PSB Partido Socialista Brasileiro
Beto Albuquerque / 0 xx (61) 3215-9650
lid.psb@camara.leg.br

SD Solidariedade
Fernando Francischini / 0 xx (61) 3215-5265
lid.solidariedade@camara.leg.br

PROS Partido Republicano da Ordem Social
Givaldo Carimbão / 0 xx (61) 3215-9990
lid.pros@camara.leg.br

PDT Partido Democrata Trabalhista
Vieira da Cunha / 0 xx (61) 3215-9700 / 9701 / 9703
lid.pdt@camara.leg.br

PTB Partido Trabalhista Brasileiro
Jovair Arantes / 0 xx (61) 3215-9502 / 9503
lid.ptb@camara.leg.br

PSC Partido Social Cristão
Andre Moura / 0 xx (61) 3215-9762 / 9771 / 9761
lid.psc@camara.leg.br

PRB Partido Republicano Brasileiro
George Hilton / 0 xx (61) 3215-9880 / 9882 / 9884
lid.prb@camara.leg.br

PV Partido Verde
Sarnye Filho / 0 xx (61) 3215-9790 / Fax: 0 xx (61) 3215-9794
lid.pv@camara.leg.br

E-mails dos Gabinetes das Lideranças …

(clique aqui para acessar links no site https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida

Publicado em padrepauloricardo.org .

“A FÉ EM NOSSO SENHOR” – Conferência de São Pedro Julião Eymard – Apóstolo da Eucaristia e propagador do culto solene à Jesus Sacramentado (Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento da Adoração Perpétua)

Apóstolo da Eucaristia e propagador do culto solene à Jesus Sacramentado, São Pedro Julião Eymard nasceu no norte da França, em Esère, no dia 4 de fevereiro de 1811 e faleceu em 1º de agosto de 1868. A sua memória litúrgica deve ser celebrada em 2 de agosto, um dia após o de sua morte. (LBN)

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st pierre julien eymard

Pensamentos São Pedro Julião Eymard, extraídos de Servos da Eucaristia.

Jesus está na Eucaristia, portanto todos a Ele“.

 

Uma boa hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento produz maior bem do que todas as igrejas de mármore que possamos visitar ou todos os túmulos que possamos venerar.”

 

O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação… Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã… Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!

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Fonte: Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento da Adoração Perpétua (Conferência proferida por São Pedro Julião Eymard)

 

A FÉ EM NOSSO SENHOR

“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, vós fareis as montanhas mudarem de lugar.” [cf. Mt 17,20]

Mas nossa fé que opera tão pouco deve ser bem pequena! Digamos, portanto, como os Apóstolos: Senhor, aumentai a nossa fé [Lc 17,5]. Não peçamos a fé nos milagres, nas verdades, mas em Nosso Senhor Presente. Crê-se nas verdades passadas e distantes que quase não nos tocam. Mas em Nosso Senhor Presente, quase não se tem fé, porque seria necessário amá-LO. Não se acredita em alguém, sem amá-lo, sem honrá-lo. Tem-se medo dos sacrifícios que este amor exige. Ora, todos nós cremos na Eucaristia como verdade, presença – é a salvação. Muitos param aí: fé de conhecimento, fé quase negativa, que quase não honra, que se ocupa muito pouco daquilo que crê. Todos os cristãos têm esta fé; isso não deve bastar ao coração, esta não é uma fé pessoal, é uma fé negativa e especulativa, que não insulta, mas que não honra, ou então que só honra a Nosso Senhor na Igreja – e ainda! Eles entram, não saúdam, ou saúdam de forma ridícula; se tivessem fé, dever-se-ia esbofeteá-los, são insultadores, ou máquinas que não refletem. Se dissessem a si mesmos: “Jesus que lá está é o mesmo que está no Céu! Tudo treme ao Seu olhar, obedece à Sua palavra, Ele tem em sua mão o raio, o trovão”, não se faria o que se faz. Veem-se Igrejas onde os sacristãos, pessoas honestas não fazem nem saudação, nem reverência: é um escândalo. E se eu fosse pagão, vendo isso, jamais me converteria. Vede, a fé, em seu primeiro grau, é o respeito; pois, será que só porque Nosso Senhor Se velou, deve-se faltar com o respeito para com Ele? Pouco respeito significa pouca fé, falta de respeito, impiedade e indiferença. Isto me faz sofrer, crede-me, não falteis jamais com o respeito ao Santíssimo Sacramento. É preferível não vir. As irreverências no lugar santo são sempre punidas neste mundo. Nosso Senhor não pune, Ele quis de tal forma Se esconder!

Depois desta fé na verdade que honra a dignidade, a realeza, que respeita, que é a fé prática, é preciso crer na bondade de Nosso Senhor. Crer na verdade não prende, não cria laços de afeição. Crede em Sua bondade, em Sua misericórdia, em Suas graças. Crede que Ele está lá para conceder Suas graças. Ele não quer guardá-las. Recebei-as ao menos, desembaraçai-O delas. E se credes nesta bondade, doente, vós O consultareis, triste, vós vireis pedir-Lhe a consolação. Na medicina o que melhor cura é o fogo, o éter, o que queima – eis aqui o fogo divino que cauteriza toda ferida.

Vós tendes necessidade de conselhos, vinde a este Amigo, vinde dizer vossas penas corporais e espirituais, o pão para a natureza e para a graça: tudo vem d’Ele nas duas ordens; vós não sois Anjos, tendes necessidades do corpo, pedi a Nosso Senhor. Ele quer fazer pessoas felizes cada dia, Ele quer aplicar o bálsamo, comunicar a força, a luz. Ele é mais feliz em dar, do que nós em receber. Se tivéssemos esta fé, desde que tivéssemos qualquer necessidade, viríamos a Ele. Faz-se tudo ao contrário: vai-se a tudo e termina-se por Ele. Tem-se medo de Sua bondade. Cada um gosta de restituir o que recebe para estar quite. Nosso Senhor dá e não recebe nada, Ele pede somente o reconhecimento. Não gostamos de estar em dívida de reconhecimento. Os Santos sabem disso, ide – eles O fazem trabalhar, desatam-NO, fazem-NO agir. Quase não temos fé, uma vez que permanecemos infelizes longe d’Ele. Digo-vos que temos medo d’Ele. Nada podemos receber de Nosso Senhor sem nos prendermos pelo amor.

Além disso, existe a fé no amor de Nosso Senhor; isto completa a fé na Eucaristia. Crer que Ele está lá por amor, que este amor é tão forte, tão grande, que Ele não pode mais se tornar livre. É um contrato perpétuo. E se Lhe perguntamos: “Por que estais aí?”, Ele não dirá que é para nos fazer o bem, isto nos humilharia. Ele responderá que é por amor, para ser nosso Companheiro, conversar conosco. Se Ele não nos amasse, não estaria lá. A bondade poderia se contentar com os canais dos Sacramentos para nos conceder as graças. O amor não, o amor quer estar lá Ele mesmo. É o fogo que somente Nosso Senhor pode acender e entreter. Também somente o amor vem a Nosso Senhor, ao Seu amor, quero dizer. Se se acreditasse nisso, haveria de que se tornar louco de amor. Jesus Cristo o mesmo que está no Céu! Amando com um amor infinito! Não se poderia mais ir embora. Alguns Santos viviam do êxtase deste amor compreendido.

Nós estamos ainda longe de acreditar que Nosso Senhor está lá, amando-nos como no Céu, mais que isto, consumindo-Se de amor, enquanto que no Céu, Ele não Se consome. O que fazer? Humilhar-se por ter amado mais as criaturas do que Nosso Senhor! por não ter feito por Ele o que fizestes pelo próximo.

Peçamos a fé na bondade, no amor de Nosso Senhor. Devemos pedir que a fé no Santíssimo Sacramento ressurja na terra – eu digo ressurja, porque ela já não existe. Pedi a fé para essas almas que não creem, que estão paralisadas. É isso o que se deve pedir: a fé no coração, na vida de Nosso Senhor. O resto virá, e depressa nos converteremos com isso.

(Conferência feita por São Pedro Julião Eymard em 14 de maio de 1868).

OBRAS COMPLETAS / XII VOLUME)

Publicado em Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento da Adoração Perpétua.

“Ó Maria alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos”. Papa Francisco

Maria_Virgem_maio 2014

“Ó Maria alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos”.

Papa Francisco

Fonte (imagem/texto):  Carmelo Nossa Senhora da Assunção e São José – Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças – Monjas Contemplativas -Curitiba – Paraná – Brasil.

 

Patriarca Latino de Jerusalém presidirá no Santuário de Fátima a peregrinação internacional de 13 de maio (Tarde com Maria)

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Publicado em Tarde com Maria (texto e foto).

O Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, presidirá no Santuário de Fátima a peregrinação internacional de 13 de maio.

Numa entrevista à sala de imprensa do Santuário de Fátima, Dom Twal apresentou as principais intenções de oração que serão feitas num local onde “Maria continua irradiando sua luz, seu amor de Mãe e seus ensinamentos”.

“Irei apresentar a Nossa Senhora as súplicas de seus filhos do Oriente Médio e as de seus filhos do mundo inteiro. De modo especial, pedirei pelas necessidades dos cristãos e de todos os habitantes de sua pátria: a Terra Santa. Peço a todos para que rezem pela Terra de Jesus e de Maria”, frisou o patriarca.

Nas mesmas declarações, Dom Twal falou sobre a primeira viagem do Papa Francisco à Terra Santa de 24 a 26 de maio próximo, afirmando que o Santo Padre irá à Terra Santa “como peregrino da paz e da unidade”, a uma terra “em chamas “, com muros visíveis e invisíveis, difíceis de ultrapassar.

Como gestos concretos para assinalar a peregrinação pontifícia, o Patriarca Latino de Jerusalém pediu liberdade total de acesso aos lugares sagrados para todos os fiéis e liberdade para que as famílias separadas pelo Muro possam se encontrar.

Dom Twal pediu orações pelos cristãos e seu futuro, afirmando que os cristãos no Oriente Médio são uma riqueza para toda a Igreja.

Fonte: Rádio Vaticano.

“Discurso da lua” é proferido espontaneamente pelo Papa João XXIII a fiéis que acorreram à Praça de São Pedro portando velas e em oração, após abertura do Concílio Vaticano II – 11 de outubro de 1962 (YouTube)

“O discurso da lua” é uma das mais famosas intervenções do chamado “Papa bom” ou João XXIII.
Na noite de 11 de Outubro de 1962, após a sessão de abertura do Concílio Vaticano II, uma multidão de fiéis acorreu espontaneamente à Praça de São Pedro com velas e em oração.
Informado pelo seu secretário, Mons. Capovilla, João XXIII aproximou-se à janela, e, emocionado, falou de improviso.
O caráter coloquial e absolutamente inesperado da sua saudação, granjeou-lhe o título de “discurso da lua“, devido à referência que o mesmo fez no início do diálogo. (Fonte: YouTube – Canal João Batista Merc..)