O verdadeiro sentido do Natal para os católicos (Catolicismo Romano)

Há muito anda esquecido o Menino Jesus no Natal. Ele não é convidado, apesar de ser a razão da festa. Isto deve nos levar a uma reflexão profunda sobre a nossa conversão à Palavra de redenção que Jesus Cristo veio trazer  ao mundo há mais de dois mil anos.

O texto abaixo não deixa de ser um tanto irreverente em alguns trechos, mas este é um tempo de contradições, e graves.

Assim, ao lê-lo até o final, percebemos que faz muito sentido nessa época de neo-paganismo, que exalta o consumo, seja na forma  de presentes, seja na corrida aos supermercados para a “ceia de Natal”. Na verdade, o que temos são festas de confraternização entre familiares e amigos, onde não haverá moderação na comida , nem de bebidas alcoólicas, infelizmente. O sentido do Natal fica perdido em meio aos excessos.

Uma reflexão já é um passo importante no resgate do verdadeiro sentido do Natal: Jesus Cristo.

Desejo a todos que acompanham este blog um santo e abençoado Natal.

Lúcia Barden Nunes.

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Natal_adoraçao

Fonte: Catolicismo Romano

O verdadeiro sentido do Natal para os católicos

O verdadeiro Natal nunca muda, pois não muda também a compreensão do que é o Natal na alma dos católicos de verdade.

Nessas almas, mais do que o consumismo estúpido, mais do que a vermelha figura do Papai Noel, em seu trenó deslizante no verão brasileiro, mais do que a maçante Gingle Bells, exaustivamente tocada nas lojas com descartáveis produtos coloridos, ressoa o hino cantado pelos anjos “Glória in excelsis Deo”.

Ressoam as puras notas do “Puer natus est nobis, et filium nobis est datum”. Porque, para nós que “habitávamos nas sombras da morte, para nós brilhou uma grande luz”.

Que se entende, hoje, que é um “Feliz natal, para você” ? No máximo da inocência, um regabofe em família, com presentinhos, beijinhos e indigestão.

E quando o Natal não é tão inocente…

Quando o Natal não é tão inocente se realiza o canto pagão e naturalista; “Adeus ano velho. Feliz ano novo. Muito dinheiro no bolso. Saúde para dar e vender”.

Eis a felicidade pagã: dinheiro, saúde, prazer.

Sem Deus. Sem Redenção. Sem alma. Que triste Natal esse!

Que infeliz e decrépito ano novo, tão igual aos velhos anos do paganismo!

Será que o povo que habitava nas sombras da morte já não vê a grande luz que brilhou para ele em Belém?

Até a luz do Natal está ofuscada. E quão poucos compreendem essa luz!

No presépio se conta tudo.

Tudo está lá bem resumido. Mas o povo olha as pequenas figuras e não compreende o que significa que um Menino nos foi dado, que um Filho nasceu para nós.

No presépio se vê um Menino numa manjedoura, entre um boi e um burro…

A Virgem Maria, Mãe de Deus adorando seu Filhinho que é o Verbo de Deus encarnado, envolto em panos. São José, contemplando o Deus Menino tiritante de frio, à luz de uma tosca lanterna.

Um anjo esvoaçante sobre a cabana rústica. Uma estrela. Pastores com suas ovelhas, cabras e bodes. Um galo que canta na noite. Os Reis que chegam olhando a estrela, seguindo a estrela, para encontrar o Menino com sua Mãe.

Tudo envolto no cântico celeste dos anjos;

“Glória a Deus nas alturas! E paz, na terra, aos homens que têm boa vontade” (Luc. II, 14)

Isso aconteceu nos dias de Herodes, quando César Augusto decretou um recenseamento.

E como não havia lugar para Maria e José na estalagem, em Bethleem, terra de Davi, eles tiveram que se refugiar numa cocheira, entre um boi e um burro.

Porque assim se realizaram as profecias:

* “E tu, Bethleem Efrata, tu és a mínima entre as milhares de Judá, mas de ti há de me sair Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o Princípio, desde os dias da eternidade”, como profetizou o Profeta Miquéias (Mi. V, 1).

** ”O Senhor vos dará este sinal: uma Virgem conceberá, e dará à luz um filho, e seu nome será Emanuel” (Is. VII,14)

*** “O Boi conhece o seu dono, e o burro conhece o presépio de seu senhor, mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência” profetizou Isaías muitos séculos antes (Is. I,3).

E Cristo, nos dias de Herodes, nasceu em Bethleem que quer dizer casa do pão (Beth = casa. Lêem = pão).

Cristo devia nascer em Belém, casa do pão, porque Ele é o pão que desceu dos céus, para nos alimentar. Por isso foi posto numa manjedoura, para alimentar os homens.

Devia nascer num estábulo, porque recebemos a Cristo como pão do Céu na Igreja, representada pelo estábulo, visto que nas cocheiras, os animais deixam a sujeira no chão, e comem no cocho. E na Igreja os católicos deixam a sujeira de seus pecados no confessionário, e, depois, comem o Corpo e bebem o Sangue de Jesus Cristo presente na Hóstia consagrada, na mesa da comunhão.

Jesus devia nascer de uma mulher, Maria, para provar que era homem como nós. Mas devia nascer de uma Virgem — coisa impossível sem milagre — para provar que era Deus. Este era o sinal, isto é, o milagre que anunciaria a chegada do Redentor: uma Virgem seria Mãe. Nossa Senhora é Virgem Mãe. E para os protestantes, que não crêem na virgindade perpétua de Maria Santíssima, para eles Maria não foi dada por Mãe, no Calvário. Pois quem não tem a Maria por Mãe, não tem a Deus por Pai.

E por que profetizou Isaías sobre o boi e o burro no presépio?

Que significam o boi e o burro?

O boi era o animal usado então, para puxar o arado na lavoura da terra.

Terra é o homem. Adão foi feito de terra. Trabalhar a terra é símbolo de santificar o homem. Ora, os judeus tinham sido chamados por Deus para ser o sal da terra e a luz do mundo, isto é, para dar vida (sal) espiritual, santidade, aos homens, e ensinar-lhes a verdade (luz).

O boi era então símbolo do judeu.

O burro, animal que simboliza falta de sabedoria, era o símbolo do povo gentio, dos pagãos, homens sem sabedoria.

Mas Deus veio salvar objetivamente a todos os homens, judeus e pagãos. Por isso, no presépio de Cristo, deviam estar o boi (o judeu) e o burro (o pagão).

Foi também por isso que Jesus subiu ao Templo montado num burrico que jamais havia sido montado, isto é, um povo pagão que não fora sujeito ao domínio de Deus. E os judeus não gostaram que o burro fosse levado ao Templo, isto é, que Cristo pretendesse levar também os pagãos à casa de Deus, à religião verdadeira. Por isso foi escrito: “mas Israel não me conheceu e o meu povo não teve inteligência”.

Como também o povo católico, hoje, já não tem inteligência para compreender o Natal, pois “coisas espantosas e estranhas se tem feito nesta terra: os profetas profetizaram a mentira, e os sacerdotes do Senhor os aplaudiram com as suas mãos. E o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá, pois, sobre essa gente, no fim disso tudo?” (Jer. V, 30-31).

Pois se chegou a clamar: “Glória ao Homem, já rei da Terra e agora príncipe do céu”, só porque o homem fora até a Lua num foguete, única maneira do homem da modernidade subir ao céu.

No Natal de Cristo, tudo mostra como Ele era Deus e homem ao mesmo tempo.

Como já lembramos, Ele nasceu de uma mulher, para provar que era homem como nós. Nasceu de uma Virgem, para provar que era Deus.

Como um bebê, Ele era incapaz de andar e de se mover sozinho. Como Deus, Ele movia as estrelas.

Como criança recém nascida era incapaz de falar. Como Deus fazia os anjos cantarem.

Ele veio salvar objetivamente a todos, mas nem todos o aceitaram. E Herodes quis matá-lo.

Ele chamou para junto de si, no presépio, os pastores e os Reis, para condenar a Teologia da Libertação e os demagogos pauperistas que pregam que Cristo nasceu como que exclusivamente para os pobres. É falso!

Assim como o sol brilha para todos, Deus quis salvar a todos sem acepção de pessoa. Por isso chamou os humildes e os poderosos junto à manjedoura de Belém.

Mas, dirá um seguidor do bizarro frei Betto ou do ex frei Boff, que nada compreendem do Evangelho pois o lêem com os óculos heréticos e assassinos de Fidel e de Marx, sendo “cegos ao meio dia” (Deut. XXVIII, 29): Deus tratou melhor os pastores pobres, pois lhes mandou um anjo, do que os reis poderosos, exploradores do povo, aos quais chamou só por meio de uma estrela. É verdade!!!

Deus tratou melhor aos pastores. Mas não porque eram pastores, e sim porque eram judeus. Sendo judeus, por terem a Fé verdadeira, então, mandou-lhes um sinal espiritual. Aos reis magos, porque pertenciam a um povo sem a religião verdadeira, mandou-lhes um sinal material: a estrela.

No presépio havia ovelhas e bodes, porque Deus veio salvar os bons e os pecadores.

E a Virgem envolveu o menino em panos.

Fez isso, é claro, porque o pequeno tinha frio, e por pudor.

Mas simbolicamente porque aquele Menino —que era o Verbo de Deus feito homem—, que era a palavra de Deus humanada, tinha que ser envolta em panos, pois que a palavra de Deus, na Sagrada Escritura, aparece envolta em mistério, pois não convém que a palavra de Deus seja profanada. Daí estar escrito: “A glória de Deus consiste em encobrir a palavra; e a glória dos reis está em investigar o discurso” (Prov, XXV, 2).

E “Um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado, e o império foi posto sobre os seus ombros, e seu nome será maravilhoso, Deus Poderoso, Conselheiro, o Deus eterno, o Príncipe da Paz” (Is. IX, 5).

Porque todos os homens, em Adão, haviam adquirido uma dívida infinita para com Deus, já que toda culpa gera dívida conforme a pessoa ofendida. E a ofensa de Adão a Deus produzira dívida infinita, que nenhum homem poderia pagar, pois todo mérito humano é finito. Só Deus tem mérito infinito. Portanto, desde Adão, nenhum homem poderia salvar-se. Todos nasceriam, viveriam e iriam para o inferno. E a humanidade jazia então nas sombras da morte.

Mas porque Deus misericordiosamente se fez homem, no seio de Maria, era um Homem que pagaria a dívida dos homens, porque esse Menino, sendo Deus, teria mérito infinito, podendo pagar a dívida do homem. Por isso, quando Ele morreu por nós, foi condenado por Pilatos, representando o maior poder humano — o Império — que O apresentou no tribunal dizendo: “Eis o Homem”. (Jo XIX, 5)

Ele era O Homem.

Era um homem que pagava os pecados dos homens assumindo a nossa natureza e nossas culpas, mas sem o pecado. Era Deus-Menino sofrendo frio e fome por nossos confortos ilícitos e nossa gula, na pobreza e no desprezo, por nossa ambição e nosso orgulho.

E os pastores e os Reis O encontraram com Maria sua Mãe, para mostrar que só encontra a Cristo quem O busca com sua Mãe.

E para demonstrar que diante de Jesus, ainda que Menino, todo poder deve dobrar o joelho.

E os pastores levaram ao Deus Menino suas melhores ovelhas, e seus melhores cabritos, enquanto os Reis Lhe levaram mirra, incenso e ouro. A mirra da penitência. O incenso da adoração. O ouro do poder.

Tudo é de Cristo.

Todos, levando esses dons, reconheciam que Ele era Deus, o Senhor de todas as coisas, Ele que dá todas as ovelhas e cabras aos pastores. Ele que dá aos Reis o poder e o ouro.

Deus é o Supremo Senhor de todas as coisas. Ele é o Soberano Absoluto a quem devemos tudo. E para reconhecer que Ele é a fonte de todos os bens que temos é que devemos levar-Lhe em oferta o melhor do que temos.

Publicado em Catolicismo Romano.

Imagem: WikiCommons.

PÁSCOA, FESTA DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO

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“Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

A Páscoa já era celebrada solenemente pelo povo judeu desde Moisés, para comemorar a passagem do Mar Vermelho, onde sucumbiram as forças do Faraó que perseguia o povo de Deus. Foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. Por isso os judeus a celebravam, e ainda celebram solenemente.

Cristo celebrava a Páscoa como bom judeu, fiel às Sagradas Escrituras, e celebrou-a juntamente com os seus Apóstolos na Última Ceia, onde nos deixou o memorial da sua Paixão: a Eucaristia.

A Páscoa cristã, que tem as sua imagem na dos judeus, é a celebração da Ressurreição de Cristo, a vitória da Vida sobre a morte, o triunfo da graça sobre o pecado, da luz sobre as trevas. Cristo desceu à mansão da morte para destruir a morte. “Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

Esta é a alegria e a esperança cristã. O verdadeiro cristão jamais se dá por vencido porque sabe que já é vitorioso Naquele que venceu a morte.

Cada criança ao ser batizada participa desta Morte e da mesma Ressurreição de Cristo; é regenerada; e vive uma vida nova na liberdade dos filhos de Deus.

Jesus, sendo Deus e Homem ao mesmo tempo, trazendo em si de modo harmonioso as duas naturezas, pôde morrer como homem e oferecer á Justiça divina, como Deus,  um sacrifício de valor Infinito, e assim pôde conquistar para todos os homens de todos os lugares e de todos os tempos, o resgate do pecado e da morte.

Após a Ressurreição Jesus instituiu no mesmo domingo desta, o Sacramento do perdão, a Confissão; na verdade Ele estava ansioso para distribuir aos homens o perdão que Ele haveria de conquistar com sua morte e Ressurreição; por isso no mesmo dia em que ressurgiu dos mortos Ele enviou os seus Apóstolos a perdoar aos pecados em seu Nome. “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados serão perdoados” (João 20,22).

Cristo ressuscitou e vive entre nós; isto é um fato histórico que os Evangelhos narram. São Paulo afirma na Carta aos Coríntios que “Ele apareceu para mais de quinhentos, dos quais muitos ainda são vivos”.

A verdade da Ressurreição de Cristo é que explica a força dos Apóstolos a saírem pelo mundo pregando Jesus vivo e presente entre eles. Nesta certeza eles enfrentaram o império romano e o tornaram cristão. Nesta certeza eles enfrentaram os dentes dos leões sob Nero, Diocleciano, Vespasiano, Domiciano e outros imperadores que os massacraram. Foi na força da Ressurreição de Jesus que a Igreja sempre venceu todos os seus inimigos: as heresias, o comunismo, o nazismo, o ateísmo, o racionalismo, as perseguições terríveis da Revolução Francesa e as do século XX na Espanha e no México.

Acreditar que a Igreja chegou até nós com 2000 anos de vitórias, sem acreditar na Ressurreição de Cristo, seria acreditar num milagre maior do que a própria Ressurreição.

Cristo Ressuscitou e vive entre nós. Ele disse aos Apóstolos antes da Ascensão ao Céu: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Coragem meu irmão, Jesus venceu a morte, venceu a dor, venceu o pecado … não tenha medo, porque Ele caminha conosco.
Feliz Páscoa!

Prof. Felipe Aquino

Publicado em Cleófas.

Sexta Feira Santa: “Jesus derrotou a violência sem opor a ela uma violência maior ainda – ‘Victor quia victima’ – ‘vencedor porque vítima’.” – Homilia do Frei Cantalamessa (Rádio do Vaticano)

Sexta-feira Santa: homilia do Frei Cantalamessa

Cidade do Vaticano (RV) – Segue, na íntegra, a homilia do Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, proferida nesta Sexta-feira Santa, na Basílica de São Pedro.”Eis o homem!”Acabamos de ouvir o relato do julgamento de Jesus perante Pilatos. Há nele um momento que nos pede uma atenção especial.

“Pilatos mandou então flagelar Jesus. Os soldados teceram de espinhos uma coroa, puseram-na sobre a sua cabeça e o cobriram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Ecce homo! Eis o homem!” (Jo 19,1-5).

Entre as muitas pinturas que retratam o Ecce Homo, há uma que sempre me impressionou. É de Jan Mostaert, pintor flamengo do século XVI, e está na National Gallery de Londres. Tentarei descrevê-la. Ela nos ajudará a imprimir melhor na mente o episódio, já que o pintor transcreve fielmente, em cores, os dados do relato evangélico, especialmente do relato de Marcos (Mc 15,16-20).

Jesus tem na cabeça uma coroa de espinhos. Um feixe de arbustos espinhosos que estava no pátio, talvez para fazer fogo, deu aos soldados a ideia dessa cruel zombaria da sua realeza. Da cabeça de Jesus descem gotas de sangue. Sua boca está semiaberta, como que lutando para respirar. Sobre os ombros, sulcados pelos golpes recentes da flagelação, um manto pesado e desgastado, mais próximo da lata que da estopa. Ele tem os pulsos amarrados por uma corda grosseira; em uma das mãos, eles colocaram um pedaço de pau a fazer as vezes de cetro e, na outra, um feixe de varetas, símbolos que ridicularizavam a sua majestade. Jesus não pode mover sequer um dedo; é o homem reduzido à total impotência, o protótipo de todos os algemados da história.

Meditando sobre a Paixão, o filósofo Blaise Pascal escreveu certa vez estas palavras: “Cristo está em agonia até o fim do mundo: não podemos dormir durante este tempo”. Há um sentido em que estas palavras se aplicam à pessoa de Jesus mesmo, ou seja, à cabeça do corpo místico e não apenas aos membros. Não apesar de Ele ter ressuscitado e estar vivo, mas justamente porque Ele ressuscitou e está vivo. Deixemos de lado, no entanto, este significado misterioso demais para nós e falemos do sentido mais claro daquelas palavras. Jesus está em agonia até o fim do mundo em cada homem ou mulher submetidos aos mesmos tormentos. “Vós o fizestes a mim” (Mt 25, 40): Ele não disse esta frase apenas sobre quem acredita nele; ele a disse sobre cada homem e cada mulher famintos, nus, maltratados, presos.

Ao menos por uma vez, não pensemos nos males sociais, coletivos: a fome, a pobreza, a injustiça, a exploração dos fracos. Desses males já se fala muitas vezes, embora nunca o suficiente, e há o risco de se tornarem abstrações. Categorias, não pessoas. Pensemos agora no sofrimento dos indivíduos, das pessoas com nome e identidade concreta; nas torturas decididas a sangue frio e infligidas voluntariamente, neste exato momento, por seres humanos contra outros seres humanos, inclusive crianças.

Quantos “Ecce homo” no mundo! Meu Deus, quantos “Ecce homo”! Quantos prisioneiros na mesma condição de Jesus no pretório de Pilatos: sozinhos, algemados, torturados, à mercê de soldados ásperos e cheios de ódio, que se entregam a todo tipo de crueldade física e psicológica, divertindo-se em ver sofrer. “Não podemos dormir, não podemos deixá-los sós!”.

A exclamação “Ecce homo!” não se aplica somente às vítimas, mas também aos carnífices. Ela quer dizer: eis aqui do que o homem é capaz! Com temor e tremor, digamos ainda: eis do que somos capazes nós, homens! Muito distante da marcha inexorável do Homo sapiens sapiens, o homem que, segundo alguns, nasceria da morte de Deus e tomaria o seu lugar.

Os cristãos não são, certamente, as únicas vítimas da violência homicida que há no mundo, mas não se pode ignorar que, em muitos países, eles são as vítimas marcadas e mais frequentes. Jesus disse um dia aos seus discípulos: “Chegará uma hora em que aqueles que vos matarem julgarão estar honrando a Deus” (Jo 16, 2). Talvez estas palavras nunca tenham achado na história um cumprimento tão pontual quanto hoje.

Um bispo do século III, Dionísio de Alexandria, nos deixou o testemunho de uma Páscoa celebrada pelos cristãos durante a feroz perseguição do imperador romano Décio: “Eles nos exilaram e, sozinhos entre todos, fomos perseguidos e lançados à morte. Mas, ainda assim, celebramos a Páscoa. Todo lugar em que se sofria tornou-se para nós um lugar de celebração da festa: fosse um acampamento, um deserto, um navio, uma pousada, uma prisão. Os mártires perfeitos celebraram a mais esplêndida das festas pascais ao ser admitidos no banquete celeste”. Será assim para muitos cristãos também na Páscoa deste ano, 2015 depois de Cristo.

Houve alguém que teve a coragem de denunciar, como leigo, a indiferença perturbadora das instituições mundiais e da opinião pública em face de tudo isto, lembrando a quais consequências essa indiferença já levou no passado. Corremos todos o risco, tanto instituições quanto pessoas do mundo ocidental, de ser Pilatos que lavam as mãos.

A nós, no entanto, não é permitido fazer qualquer denúncia neste dia. Trairíamos o mistério que estamos celebrando. Jesus morreu gritando: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Esta oração não é simplesmente murmurada; é gritada para ser bem ouvida. Na verdade, não é sequer uma oração, mas uma exigência imperativa, feita com a autoridade de quem é Filho: “Pai, perdoa-os!”. E como Ele mesmo disse que o Pai escuta todas as suas orações (Jo 11,42), devemos acreditar que Ele ouviu também esta última feita na cruz, e que, portanto, aqueles que crucificaram o Cristo foram perdoados por Deus (é claro que não sem antes se arrependerem de alguma forma) e estão com Ele no paraíso, testemunhando para toda a eternidade o ponto até o qual pode chegar o amor de Deus.

Essa ignorância, como tal, estava só nos soldados. Mas a oração de Jesus não se limita a eles. A grandeza divina do seu perdão consiste no fato de que o perdão também é oferecido aos seus inimigos mais ferozes. É para eles que Jesus alega a desculpa da ignorância. Mesmo que eles tenham agido com astúcia e malícia, eles realmente não sabiam o que faziam, não pensavam que estavam crucificando um homem que era de fato o Messias e Filho de Deus! Em vez de acusar os seus adversários, ou de os perdoar confiando ao Pai Celestial o cuidado de vingá-lo, Ele os defende.

Seu exemplo sugere aos discípulos uma generosidade infinita. Perdoar com a sua mesma grandeza de alma não pode envolver simplesmente uma atitude negativa, de renunciar a querer o mal para quem faz o mal; deve traduzir-se, em vez disso, em uma vontade positiva de lhes fazer o bem, mesmo que apenas com uma oração dirigida a Deus em seu favor. “Orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5, 44). Esse perdão não deve procurar compensação nem sequer na esperança de um castigo divino. Deve ser inspirado por uma caridade que desculpa o próximo, mesmo sem fechar os olhos para a verdade, e que tenta parar os maus para que eles não façam mais mal aos outros nem a si mesmos.

Quereríamos dizer: “Senhor, o que nos pedes é impossível!”, mas Ele nos responderia: “Eu sei. E morri para vos dar o que vos peço. Não vos dei apenas o mandado de perdoar, nem apenas um exemplo heroico de perdão; com a minha morte, eu vos dei a graça que vos torna capazes de perdoar. Eu não deixei ao mundo apenas um ensinamento sobre a misericórdia, como tantos outros também deixaram. Eu sou Deus e, para vós, fiz brotarem da minha morte rios de misericórdia. Deles podeis beber a mãos cheias no Ano Jubilar da Misericórdia que tendes pela frente”.

Então, indagará alguém, seguir a Cristo é sempre um resignar-se passivamente à derrota e à morte? Pelo contrário! “Tende coragem”, disse Ele aos apóstolos antes da Paixão: “Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Cristo venceu o mundo vencendo o mal do mundo. A vitória definitiva do bem sobre o mal, que se manifestará no fim dos tempos, já aconteceu, de fato e de direito, na cruz de Cristo. “Esta é hora do juízo deste mundo” (Jo 12, 31). Desde aquele dia, o mal é o perdedor: tanto mais perdedor quanto mais parece triunfar. O mundo já foi julgado e condenado em última instância, com sentença inapelável.

Jesus derrotou a violência sem opor a ela uma violência maior ainda, e sim sofrendo-a e revelando toda a sua injustiça e inutilidade. Ele inaugurou um novo tipo de vitória, que Santo Agostinho resumiu em três palavras: “Victor quia victima” – “vencedor porque vítima”. Foi ao “vê-lo morrer assim” que o centurião romano exclamou: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!” (Mc 15, 39). Os outros se perguntavam o que significava o alto brado que Jesus tinha dado ao morrer (Mc 15, 37). O centurião, que era experiente em lutas e lutadores, reconheceu de imediato que aquele era um grito de vitória.

O problema da violência nos persegue, nos choca, inventando formas novas e espantosas de crueldade e de barbárie. Nós, cristãos, reagimos horrorizados à ideia de que se possa matar em nome de Deus. Alguém poderia objetar: mas a Bíblia também não está cheia de histórias de violência? Deus mesmo não é chamado de “Senhor dos Exércitos”? Não é atribuída a Ele a ordem de exterminar cidades inteiras? Não é Ele quem decreta, na Lei mosaica, numerosos casos de pena de morte?

Se tivessem dirigido a Jesus, durante a sua vida, esta mesma objeção, Ele certamente teria respondido o que respondeu sobre o divórcio: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim” (Mt 19,8). Também sobre a violência, “no princípio não foi assim”. O primeiro capítulo do Gênesis mostra um mundo onde a violência não é sequer pensável, nem dos seres humanos entre si, nem entre homens e animais. Nem sequer para vingar a morte de Abel, e assim punir um assassino, é lícito matar (cf. Gn 4, 15).

Publicado em  Vatican Radio.

Às voltas com Deus: 5.º Centenário do Nascimento de S. Teresa de Jesus (PARA VÓS NASCI – Carmelitas – Portugal)

Às voltas com Deus: 5.º Centenário do Nascimento de S. Teresa de Jesus

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 O centenário do nascimento de S. Teresa de Jesus deveria reconduzir-nos a nós próprios, ao nosso interior, onde reside a nossa verdade e a verdade das relações com os outros. Quanto mais densa vida interior na oração, mais real será a entrega às causas humanas. A experiência do Espírito remete sempre para o amor concreto. E a espiritualização autêntica redunda sempre em humanização.

A Ordem dos Padres e Madres Carmelitas Descalços, do Carmelo Secular e da vasta família teresiana está, desde o dia 15 de outubro de 2014 até ao 15 de outubro de 2015, a celebrar o 5.º centenário do nascimento da sua fundadora, S. Teresa de Jesus, nascida em Ávila a 28 de março de 1515.

É uma oportunidade única para ela falar aos nossos contemporâneos com o poder da sua experiência de Deus e com a paixão do seu amor à Igreja. Teresa não tinha elevada formação intelectual. A sua especialidade é o vivido. O que será a narrativa fundadora de um novo estilo de vida espiritual e religiosa está constituído pela «história da sua alma» no autobiográfico “Livro da Vida”, pelas lições de vida fraterna no “Caminho de Perfeição” e pela comunicação da sua experiência de Deus no livro “Moradas” ou “Castelo Interior”. É esta a grande trilogia da sua obra escrita. Dessa narrativa emergem, depois de resistências, a rendição ao amor de Deus, a descoberta n’Ele da própria verdade de mulher e de filha da Igreja.

A sua não é uma espiritualidade de virtudes heroicas, de integridade moral, de empolgantes ações sociais. Ela é mestra na experiência de Deus, partilhada com os leitores, convidados a darem sentido à vida. Foi providencial que os confessores e teólogos a quem ela se abria a tivessem mandado escrever sob obediência. De não ter sido assim, teríamos perdido uma das mais estimulantes propostas de relações humanas e de relação com a transcendência.

Num mundo cada vez mais focado em ambições de poder e em omnipotências de ter e de prazer – que, ao fim e ao cabo, nos deixam talvez de coração vazio mas certamente reduzidos às imprevisíveis irrupções e aos inevitáveis embates da radical fragilidade humana –, o alerta de Teresa soa assim: não estamos ocos; somos habitados por Aquele que quer dar sentido último à nossa existência.

O ser humano de hoje tem dificuldade em encontrar Deus, talvez porque tem dificuldade em encontrar-se a si mesmo. Anda perdido ou distraído com o barulho mediático e informático à sua volta. Um pouco por isso, Deus tornou-se «um estranho em nossa casa» – como diz o monge beneditino Lluís Duch. Ora, S. Teresa propõe que entremos na zona mais nobre da nossa intimidade para aí reconhecermos o Deus que está à nossa espera. Enquanto Ele for «um estranho na nossa morada» ou nela for considerado uma presença irrelevante, estamos a ignorar algo determinante na vida: desperdiçamos a intimidade da morada de Deus em nós. Para S. Teresa, o ser humano é no seu interior “outro céu, onde só Sua Majestade mora” (“7Moradas” 1,3). É um ser «capaz de Deus», capaz de amar como Deus o ama: quando orienta a sua vida para Deus, seguindo o Jesus do evangelho, é mais fiel à sua verdade de humano, precisamente porque Teresa vê Jesus como o rosto de Deus e «a Verdade» dos humanos.

Na sua mensagem a toda a Ordem, o Padre Geral dos Carmelitas Descalços proclama que a atualidade deste 5º centenário é recordar à Igreja e à sociedade que o centro do ser humano é Deus e que o centro de Deus é o ser humano. Costuma-se ver S. Teresa como a grande «mística». E é, se entendermos a “mística” em sentido forte. Ela abriu-se totalmente a Deus, deixando que Deus fosse tudo nela e vivendo em contínua comunhão com o mistério. Mas a sua mística não era para poucos eleitos. Simplesmente repropõe aos leitores a alegria, a frescura e o poder humanizante do evangelho.

Como o P. Geral da Ordem continua a meditar, Teresa partilhou com os perdidos num mundo distraído o que ela, tão atenta, encontrou: um caminho e uma morada, precisamente os títulos de seus dois grandes livros. São as duas perspetivas fundamentais que qualquer vida precisa de ter para singrar orientada e com um objetivo que lhe dê felicidade autêntica. Ela percebeu que o que orienta e ilumina o “caminho” é o ardente desejo de habitar a rica e esplêndida “morada” definitiva. Percebeu o evangelho. Viu-se a si própria como morada do amor de Deus: «Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o “amará” e viremos a ele e estabeleceremos “morada” nele». Mas também viu Deus como morada para ela: Na casa de meu Pai há muitas moradas» (João 14,2.23).

O facto de a Faculdade de Teologia da Universidade Católica promover várias atividades, entre as quais um curso “e-learning” sobre S. Teresa de Ávila, está a indicar que a mais preciosa herança e o melhor presente do seu 500.º aniversário são os seus escritos, para encontrarmos na “Vida” de hoje o nosso “Caminho de Perfeição” e a “Morada” do nosso “Castelo Interior”, que é o reino do amor: amor de Deus para connosco, fonte de amor para com os outros.

O centenário do nascimento de S. Teresa de Jesus deveria reconduzir-nos a nós próprios, ao nosso interior, onde reside a nossa verdade e a verdade das relações com os outros. Quanto mais densa vida interior na oração, mais real será a entrega às causas humanas. A experiência do Espírito remete sempre para o amor concreto. E a espiritualização autêntica redunda sempre em humanização. “E quando as obras ativas saem desta raiz que é o interior, são admiráveis e muito cheirosas flores. Procedem desta árvore do amor de Deus; e só por ele, sem nenhum interesse próprio, espalha-se o odor destas flores para proveito de muitos; e é perfume que dura” (Teresa de Jesus, “Conceitos do amor de Deus”, 7,3).

Armindo dos Santos Vaz

Sacerdote carmelita teresiano (Ordem dos Padres Descalços) e doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, é professor associado da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa).

Publicado em PARA VÓS NASCIV Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Jesus (Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal). Extraído originalmente de SNPC – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Portugal.

“Vivamos o grande retiro da Quaresma, tempo do deserto e do combate espiritual, com abertura para estes valores que nos aproximam de Deus pelo próximo.” – Artigo – Cardeal Orani João Tempesta Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) – (CNBB)

Quaresma: Tempo de Luta Espiritual

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Exorto-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12, 1s).

 A Quaresma tem um sentido eminentemente pascal: é um tempo de caminho de conversão a Cristo, período de cristificação. “Morremos com o Cristo; trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós”. “Já não vivemos, portanto, nossa própria vida, mas a vida de Cristo, vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes”. “Ressuscitamos com o Cristo; vivamos, pois, com ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra nosso calcanhar”. (Santo Ambrósio, Tratado sobre a Fuga do Mundo).

Esta cristificação é ação do Espírito Santo: o homem não pode atingir tal escopo sem a graça do Santo Espírito, único que pode testemunhar Jesus em nós e conformar-nos a Cristo. Por isso mesmo, a busca da cristificação é um combate espiritual: combate porque é luta contra as tendências desencontradas do homem velho, que ainda persistem em nós; espiritual porque é combate na força do Espírito do Cristo: “Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda a mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado” (São Basílio Magno, Tratado sobre o Espírito Santo).

A Quaresma é, pois, tempo do combate espiritual, tempo de uma ascese mais cuidadosa, ascese de caráter cristo-pneumatológico, tendo como fim a divinização (a vida de filhos do Pai). Sendo assim, esse tempo nada mais é que uma intensificação daquilo que é e deve ser toda a vida do cristão. São Bento, por exemplo, dizia a seus monges que a vida deles deveria ser uma contínua quaresma (ou seja, uma contínua preparação para a Páscoa).

Aproveitemos para viver esse combate espiritual com algumas atitudes de ascese.

Temos várias atitudes e comportamentos que podem nos ajudar, como por exemplo, o jejum: meio de tomar consciência da dependência de Deus; meio de domar nossas paixões, meio de atingir a educação de nossos instintos, modo de nos sensibilizarmos para a fome alheia.

Faz parte também a vida de oração: como modo de nos abrir para Deus e sua Presença; como meio de nos fazer sensíveis à sua Palavra; como modo de nos ajudar a compreender sua santa vontade; como meio de tudo avaliar com o coração de Deus; como modo privilegiado de fazer-se dócil à ação do Espírito Santo.

Uma atitude de desprendimento importante para hoje é a esmola, pois nos abre para os outros; é sinal da própria comunhão trinitária; é remédio contra nossas concupiscências; descentra-nos.

Outra prática não muito comum entre nós são as vigílias, que nos ajudam a vigiar pela vinda do Reino; no combate à preguiça espiritual; faz-nos intercessores pelo mundo que dorme e nos ajudam no autodomínio.

Vivamos o grande retiro da Quaresma, tempo do deserto e do combate espiritual, com abertura para estes valores que nos aproximam de Deus pelo próximo.

No Ano Arquidiocesano da Esperança sejamos portadores da boa notícia do Reino de Deus e aproveitemos do tempo favorável para vivermos a caminhada de conversão, sendo ajudados pela penitência física e silenciosa do jejum. Jejum não só de carne e de alimentos às sextas-feiras, mas jejum da maldade, jejum da perversidade, jejum dos maus atos e pensamentos, jejum da desagregação e jejum da intolerância religiosa.

Sejamos generosos com as obras de caridade da Igreja, doando o que deixamos de comer, como gesto concreto em favor dos mais pobres e das necessidades das obras caritativas da Igreja (de maneira especial no Domingo de Ramos, dia da Coleta da Solidariedade). A oração que é ouvida por Deus é aquela que é acompanhada destes gestos concretos.

Boa Quaresma e profunda conversão rumo à Páscoa!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Segunda, 09 de Março de 2015.

Publicado em CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

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4ª-feira da 3ª Semana da Quaresma
Cor: Roxo 1ª Leitura – Dt 4,1.5-9 Cumpri e praticai as leis e decretos. Leitura do Livro do Deuteronômio (4,1.5-9):

Moisés falou ao povo, dizendo:
1 ‘Agora, Israel, ouve as leis e os decretos
que eu vos ensino a cumprir,
para que, fazendo-o, vivais
e entreis na posse da terra prometida
que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar.
5 Eis que vos ensinei leis e decretos
conforme o Senhor meu Deus me ordenou,
para que os pratiqueis na terra em que ides entrar
e da qual tomareis posse.
6 Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática,
porque neles está vossa sabedoria
e inteligência perante os povos,
para que, ouvindo todas estas leis, digam:
‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!
7 Pois, qual é a grande nação
cujos deuses lhe são tão próximos
como o Senhor nosso Deus,
sempre que o invocamos?
8 E que nação haverá tão grande
que tenha leis e decretos tão justos,
como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?
9 Mas toma cuidado!
Procura com grande zelo não te esqueceres
de tudo o que viste com os próprios olhos,
e nada deixes escapar do teu coração
por todos os dias de tua vida;
antes, ensina-o a teus filhos e netos.

Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 147, 12-13. 15-16. 19-20 (R. 12a)

R. Glorifica o Senhor, Jerusalém!
12 Glorifica o Senhor, Jerusalém!*
Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!
13 Pois reforçou com segurança as tuas portas,*
e os teus filhos em teu seio abençoou. R.15 Ele envia suas ordens para a terra,*
e a palavra que ele diz corre veloz.
16 ele faz cair a neve como a lã *
e espalha a geada como cinza. R.19 Anuncia a Jacó sua palavra,*
seus preceitos suas leis a Israel.
20 Nenhum povo recebeu tanto carinho,*
a nenhum outro revelou os seus preceitos.

Evangelho – Mt 5,17-19

Jesus fala aos discipulos.Aquele que praticar e ensinar os mandamentos,
este será considerado grande.+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (5,17-19)Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
17 Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.
18 Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.
l9 Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 5, 17-29

Todos nós estamos de acordo que devemos obedecer a Deus, mas não estamos muito de acordo se perguntarmos por que devemos obedecer a Deus. Isto porque existem duas formas de obediência. A primeira é a obediência de quem reconhece o poder de quem manda e se submete a este poder por causa das vantagens da obediência ou das conseqüências da desobediência. É aquele que diz que manda quem pode e obedece quem tem juízo. A segunda é de quem reconhece os valores que motivam a autoridade e assume esses valores como próprios, vendo na obediência a grande forma de concretização desses valores. Jesus não veio mudar a lei, mas mostrar as suas motivações, os seus valores, a fim de que a sua observância não seja um jugo, mas uma forma de realização pessoal.
Fonte: Paróquia Nossa Senhora do Resgate (extraído de CNBB).

“O Natal é, portanto, a nossa festa, onde aquele dia glorioso nos toca através da liturgia que realizamos. Sim, o Natal é para nós um dia glorioso. Andávamos nas trevas. Tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, desconhecíamos o modelo a partir do qual fomos criados. Para isso o Verbo se fez carne, para revelar ao homem o seu mistério, para nos dizer o que significa ser homem e mulher.” Homilia – Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

As comemorações natalinas que se dão em família ou dentro das relações de amizade, por mais que tenham se sofisticado, devido aos detalhes, na realidade, têm perdido quase totalmente  o seu  sentido original, aliás, um significado que  permaneceu vivo para a Cristandade por quase dois mil anos: o nascimento do Menino Jesus, em uma gruta de Belém. No entanto, desde a década de sessenta, ou talvez, um pouco antes, a partir da segunda metade do século XX, com o incremento de propagandas por meio do rádio, impressos e com o surgimento da televisão, o abandono do seu verdadeiro sentido foi pouco a pouco sendo firmado. O resultado disso foi a intensa exploração comercial da  figura do Papai Noel, que, paulatinamente, acabou  dessacralizando a data de 25 de dezembro nos meios de comunicação do mundo inteiro, e, por extensão, mesmo dentro das famílias cristãs.

Ainda que seja assim, sem qualquer sinal de uma reversão desta realidade, mais e mais distorcida, cada um de nós pode repensar o conteúdo que envolve o período de festas de fim de ano, e, assim, proporcionar a si próprio e aos semelhantes mais próximos, uma oportunidade de viver o sentido original da comemoração da vinda de Jesus Cristo à face da Terra.

Amor, perdão e redenção envolvem-nos a cada Natal. Nada deveria ser mais  importante. Assim, vivamos o Natal acompanhados da amizade de Jesus, relembrando sua pequenez na manjedoura, para que vivamos o ano todo envolvidos pela pureza de seu Amor, que em Sua Paixão e Ressurreição nos resgatou para a verdadeira vida!

Um abençoado Natal a  todos!

Lúcia Barden Nunes

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Fonte: Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Homilia: Natal do Senhor

24/12/2014

“Nosso Salvador, amados filhos, nasceu hoje; alegremo-nos. Não pode haver tristeza quando nasce a vida: dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nessa felicidade; a causa da alegria é comum a todos porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte, não tendo encontrado nenhum homem isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória. Rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão. Reanime-se o gentio, porque é chamado à vida.”

O texto de São Leão Magno citado acima nos dá o sentido da festa que celebramos. Não celebramos o Natal como um fato passado. Não se trata de um aniversário, porque o aniversário de alguém ou de algum acontecimento nos representa um fato passado, que fica cada vez mais no passado e cujo acontecimento fundante nós não podemos tocar de novo. O Natal de Nosso Senhor, ao contrário, tendo acontecido uma vez por todas não pode se repetir, mas nós o experimentamos de forma misteriosa na sua celebração anual. As celebrações se repetem, não o mistério de Deus. Em cada ano, é sempre o mesmo e único mistério do Natal do Senhor que nos toca e renova a nossa vida. O mesmo São Leão nos recorda em outra passagem: “(…) o retorno do ano apresenta-nos de novo o sacramento de nossa salvação que, prometido desde o início dos tempos, foi dado no fim para perdurar sem fim.” É o Natal do Senhor, o Natal da cabeça, mas também o Natal o Corpo. O Natal é, portanto, a nossa festa, onde aquele dia glorioso nos toca através da liturgia que realizamos. Sim, o Natal é para nós um dia glorioso. Andávamos nas trevas. Tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, desconhecíamos o modelo a partir do qual fomos criados. Para isso o Verbo se fez carne, para revelar ao homem o seu mistério, para nos dizer o que significa ser homem e mulher (cf. GS 22). Aquele que nos criou de modo admirável, de modo ainda mais admirável restabeleceu a nossa dignidade, nos recorda a oração coleta dessa eucaristia.

Deus hoje nos presenteia com a abundância da sua palavra. Ao ouvirmos o profeta o nosso coração transborda numa grande confirmação, num grande Amém, porque de fato “os confins da terra viram a salvação do nosso Deus”. Em íntima unidade com a profecia, o salmista canta a beleza dessa manifestação gloriosa de Deus. Isaías pensa aqui no retorno do exílio, uma grande Páscoa para Israel. Todavia, o profeta tem também os seus olhos voltados para a expectativa do Messias, Aquele que salvará definitivamente Israel. Para nós, em Cristo, essa espera chegou ao fim e já temos em nosso meio Aquele que é a nossa Salvação.

Gostaria de me ater, sobretudo, ao Evangelho que ouvimos. Trata-se do prólogo do Evangelho de João. João nos apresenta a preexistência do Filho. Ele é a Palavra eterna do Pai. Seu lógos, gerado da própria substância do Pai. Igual ao Pai na sua divindade. E o Filho sempre esteve com Deus. Não houve um tempo em que o Pai não fosse Pai porque Ele sempre teve junto de si o Filho (Orígenes). Faz parte da própria essência de Deus ser Pai e do Filho, ser Filho. É a vida trinitária antes da criação. O Pai que ama seu Filho gerando-o e o Filho que ama o Pai submetendo-se totalmente à sua vontade. Essa circulação de amor entre os dois chama-se Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho como rezávamos ontem no Credo. Todavia, a Trindade quer se abrir à criação. E o Pai cria o mundo pelo poder da sua Palavra. No Filho, na Palavra, tudo foi criado. Ele é o mediador da criação e, quando o mundo caiu em trevas, Ele que é a luz dos homens, a “luz da luz” como também rezávamos ontem no Credo, veio ao mundo nos iluminar, nos devolver de novo a visão que havíamos perdido pelo pecado. Ele, que outrora se manifestava a Moisés na transitoriedade da tenda, armou definitivamente a sua tenda no meio dos homens (v. 14). Assumiu a nossa humanidade realmente. Fez da nossa humanidade uma habitação para si. Não que Ele tivesse apenas se revestido aparentemente de nossa humanidade, mas que assumiu verdadeiramente como morada para si a nossa humanidade. A sua divindade ungiu e divinizou a nossa humanidade. E nós, que tínhamos nos solidarizado com Adão e Eva no pecado em virtude da participação na sua mesma natureza, temos o Filho que se solidariza conosco, que se compadece de nós, e assume a nossa humanidade, para reerguer-nos das trevas onde havíamos caído. E nós que o recebemos, nos tornamos filhos de Deus. Eis a nossa dignidade devolvida.

Ele é o “esplendor da glória do Pai” como nos diz a carta aos Hebreus. Nós o olhamos na humildade do presépio, no sacrifício da cruz, na luz da ressurreição e dizemos: Ele é “o esplendor da glória do Pai”. A Deus, ou seja, ao Pai, ninguém jamais viu. O AT nos fala que ninguém pode ser a Deus e continuar vivo. De nosso lado, porque sendo pecadores não podemos contemplar o Santo. Do lado de Deus, Ele não se deixa ver para que não caíamos no erro de querer manipulá-lo como se fosse um objeto. Mas, Cristo nos revelou Àquele que não podíamos, por nossas próprias forças contemplar. Ele que está na intimidade do Pai, voltado para o seu coração, nos “contou”, nos “interpretou” o Pai, porque por força de nossa própria inteligência não podíamos chegar sozinhos ao “tudo” que Deus é.

Devemos conscientizar-nos, como nos ensina São Leão, da nossa dignidade. Procuremos não somente imitá-lo exteriormente, de fora para dentro. Mas, tomemos consciência do que aconteceu em nós pelo seu nascimento, de como fomos transformados no mais íntimo de nós mesmos. E assim, poderemos externar, manifestar, a glória do Senhor com a nossa vida.

NATAL DO SENHOR

1ª Leitura: Is 52,7-10
Sl 97
2ª Leitura: Hb 1,1-6
Evangelho: Jo 1,1-18

Padre Fábio Siqueira

Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida.

Publicado em Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Imagem: Menino Jesus na manjedoura –  Paróquia Santo Antônio do Pari.

Papa Francisco envia uma mensagem aos cristãos do Oriente Médio para encorajá-los neste período de “lágrimas e suspiros” (23.12.2014 – Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

Papa Francisco \ Documentos

Sem medo e vergonha de ser cristão: Papa quer visitar Oriente Médio

Cristãos iraquianos que fugiram de Mosul e agora se encontram no campo de refugiados em Erbil, no norte do país.

Cidade do Vaticano (RV) –23.12.2014 – Solidariedade e esperança: às vésperas do Natal, o Papa Francisco enviou uma mensagem aos cristãos do Oriente Médio para encorajá-los neste período de “lágrimas e suspiros”.

“A aflição e a tribulação não faltaram, infelizmente, no passado mesmo recente do Oriente Médio. Mas agravaram-se nos últimos meses por causa dos conflitos que atormentam a Região e, sobretudo, pela atuação duma organização terrorista mais recente e preocupante, de dimensões antes inconcebíveis, que comete toda a espécie de abusos e práticas indignas do homem, atingindo de forma particular alguns de vós que foram brutalmente expulsos das suas terras, onde os cristãos têm estado presentes desde a época apostólica”, escreve o Papa em sua mensagem.

Francisco afirma que acompanha diariamente as notícias do sofrimento de tantas pessoas no Oriente Médio. De modo especial, cita as crianças, as mães, os idosos, os deslocados e os refugiados, os que sofrem a fome, e os que têm de enfrentar a dureza do inverno sem um teto para se protegerem.

“Este sofrimento brada a Deus e faz apelo ao compromisso de todos nós por meio da oração e de todo o tipo de iniciativa. Desejo exprimir a todos unidade e solidariedade, minha e da Igreja, e oferecer uma palavra de consolação e de esperança.”

O Papa indica o caminho do diálogo como o único possível para tentar resolver os conflitos. “Não há outra estrada. O diálogo baseado numa atitude de abertura, na verdade e no amor é também o melhor antídoto contra a tentação do fundamentalismo religioso, que é uma ameaça para os crentes de todas as religiões. Simultaneamente, o diálogo é um serviço à justiça e uma condição necessária para a tão desejada paz.”

O Pontífice cita os inúmeros problemas, como o sequestro de pessoas – inclusive de bispos –, o tráfico de armas e a inércia internacional, mas também os sinais de esperança, como o testemunho dos membros da Igreja e a assistência humanitária.

“Não tenhais medo nem vergonha de ser cristãos”, encoraja Francisco, que se pergunta quanto tempo deverá ainda sofrer o Oriente Médio por carência de paz. “Não podemos resignar-nos aos conflitos, como se não fosse possível uma mudança!”, conclui o Papa, garantindo sua oração diária por todos os cristãos e manifestando o desejo de visitar em breve pessoalmente a região.

(BF)

Publicado em Rádio Vaticano.

 

“O Espírito do Advento consiste em boa parte em vivermos unidos à Virgem Maria neste tempo em que Ela traz Jesus em seu seio.” – Homilia do Mons. José Maria – IV Domingo do Advento (Site Presbíteros)

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Jesus, Maria e José em Belém

Fonte: PRESBÍTEROS

Homilia do Mons. José Maria – IV Domingo do Advento

A Virgem e o Emanuel

No Quarto Domingo do Advento entra em cena Maria. Seu Filho é o Deus conosco e já se faz presente, ainda de modo velado, mas real, no seio da Virgem, que concebeu por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1, 18 – 24).

Ao descrever a genealogia de Jesus, Mateus demonstra que é verdadeiro homem, filho de Davi, filho de Abraão; ao narrar o Seu nascimento de Maria Virgem, que foi mãe por virtude do Espírito Santo, afirma que é verdadeiro Deus; e, finalmente, ao citar o profeta Isaias, declara que Ele é o Salvador prometido pelos profetas, o Emanuel, o Deus conosco.
Nossa Senhora fomenta na alma a alegria, porque, quando procuramos a sua intimidade, leva-nos a Cristo. Ela é Mestra de esperança. Maria proclama que a chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc. 1, 18).
Dentro de poucos dias veremos Jesus reclinado numa manjedoura, o que é uma prova de misericórdia e do amor de Deus. Poderemos dizer: “Nesta noite de Natal, tudo pára dentro de mim. Estar diante dEle; não há nada mais do que Ele na branca imensidão. Não diz nada, mas está aí… Ele é o Deus amando-me. E se Deus se faz homem e me ama, como não procurá-Lo? Como perder a esperança de encontrá-Lo, se é Ele que me procura? Afastemos todo o possível desalento; as dificuldades exteriores e a nossa miséria pessoal não podem nada diante da alegria do Natal que se aproxima.
Faltam poucos dias para que vejamos no presépio Aquele que os profetas predisseram, que a Virgem esperou com amor de mãe, que João anunciou estar próximo e depois mostrou presente entre os homens.
Desde o presépio de Belém até o momento da sua Ascensão aos céus, Jesus Cristo proclama uma mensagem de esperança. Ele é a garantia plena de que alcançaremos os bens prometidos. Olhamos para a gruta de Belém, em vigilante espera, e compreendemos que somente com Ele poderemos aproximar-nos confiadamente de Deus Pai.
Nas festas que celebramos por ocasião do Natal, lutemos com todas as nossas forças, agora e sempre, contra o desânimo na vida espiritual, o consumismo exagerado, e a preocupação quase exclusiva pelos bens materiais. Na medida em que o mundo se cansar da sua esperança cristã, a alternativa que lhe há de restar será o materialismo, do tipo que já conhecemos; isso e nada mais. Por isso, nenhuma nova palavra terá atrativo para nós se não nos devolver à gruta de Belém, para que ali possamos humilhar o nosso orgulho, aumentar a nossa caridade e dilatar o nosso sentimento de reverência com a visão de uma pureza deslumbrante.
O Espírito do Advento consiste em boa parte em vivermos unidos à Virgem Maria neste tempo em que Ela traz Jesus em seu seio.
A devoção a Nossa Senhora é a maior garantia de que não nos faltarão os meios necessários para alcançarmos a felicidade eterna a que fomos destinados. Maria é verdadeiramente “porto dos que naufragam, consolo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos” (Santo Afonso M. de Ligório). Nestes dias que precedem o Natal e sempre, peçamos-Lhe a graça de saber permanecer, cheios de fé, à espera do seu Filho Jesus Cristo, o Messias anunciado pelos Profetas.

Mons. José Maria Pereira

Publicado em PRESBÍTEROS.

Imagem: Canção Nova (Artigo: O caminho com Jesus, Maria e José, com link para a homilia do Padre Paulo Ricardo sobre a “Visitação de Nossa Senhora – 4º Domingo do Advento“)

Papa recebeu padre Jorge Hernandez, pároco de Gaza – Entrevista à Rádio Vaticano (30.08.2014)

Fonte: Rádio Vaticano (30.08.2014)

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Nesta sexta-feira, o Papa Francisco recebeu, na Casa de Santa Marta, do Vaticano, o padre Jorge Hernández, pároco católico em Gaza. Interpelado por Alessandro Gisotti, padre Hernandez mostrou-se impressionado pela “força” e “coragem” transmitidas pelo Papa, assim como pela preocupação com que acompanha a conjuntura em que se encontra a minoria cristã em Gaza, e o seu “empenho” pela paz na Terra Santa.

– Alguma palavra do Papa Francisco o tocou em particular neste encontro?

Justamente sobre o testemunho cristão. Ele disse: ‘o Evangelho exige sacrifícios que Jesus Cristo pede a cada um de nós, em diversos locais. A vocês é testemunhar Jesus Cristo ali, na terra que o viu sofrer, que o viu morrer e que também o viu ressuscitar. Portanto, força, coragem, em frente!’ – foram estas as palavras do Papa Francisco que nos tocaram profundamente.

– Portanto, sobretudo uma palavra de encorajamento a manter este testemunho forte nesta terra assim martirizada pelo sofrimento….

Sim, sobretudo na vida vivida no sofrimento. O Papa Francisco tem consciência de que nós somos minoria: falamos de 1.300 cristãos entre dois milhões de habitantes, dos quais apenas 136 são católicos. Assim, a nossa paróquia compreende 136 fiéis. Evidentemente, as nossas relações com os ortodoxos são absolutamente boas: nós não fazemos diferença, mas isto já é sabido. E seguimos em frente assim.

– Claramente, o Papa Francisco deu tudo de si pela paz na Terra Santa, com a sua viagem, e também a imagem muito forte no Muro de Belém e após o encontro de paz aqui, a poucos metros, nos Jardins do Vaticano. Como é percebido, também pelos não-cristãos, este esforço de Francisco?

É um compromisso de vida, um compromisso existencial e concreto, de dizer que a paz é possível, que todos os dois povos podem viver em paz, testemunhando sobretudo o Príncipe da Paz, que é Jesus Cristo. Os frutos da peregrinação do Papa nós vemos já agora e os veremos mais adiante: o facto de ter conquistado os corações das pessoas, de ter deixado uma palavra boa para todos, os dois Estados, foi para todos nós uma graça imensa.

– Agora há uma trégua, após tantos mortos, após tanta violência. Qual a esperança em relação a esta trégua? O que a população, os fiéis da paróquia, esperam dela?

Esperamos que seja duradoura, longa, que seja para sempre. Basta ver o sofrimento dos dois povos…. e é necessário entender uma coisa, que absolutamente é necessário entender: numa guerra, ninguém vence. Ninguém. Cada uma das duas partes deverá pagar as consequências, de um modo ou de outro… Porém, fundamentalmente, com a guerra ninguém ganha: todos a perdemos. Esperemos que Deus nos abençoe com a força necessária para recomeçar de zero.

– Que apelo quer fazer aos ouvintes da Rádio Vaticano, a favor da sua população, da sua terra?

Sobretudo, procurar construir a paz na justiça. A paz é possível, a paz requer sacrifícios, requer o testemunho de um e de outro e o reconhecimento do próximo. Mas é possível. Sobretudo para os cristãos, não é verdade? Nós somos cristãos, somos seguidores do Príncipe da paz, na terra de Jesus Cristo: pensemos em Israel, pensemos na Palestina… Portanto, sermos fortes e firmes no testemunho que Jesus nos pede, que quer que o demos ali: quer em Israel quer na Palestina.
Gostaria de acrescentar uma palavra de agradecimento: não sei como agradecer a tantas pessoas da Itália, de todo o mundo, que estiveram próximas de nós. Sobretudo os doentes, que ofereceram os seus sofrimentos, rezando e suplicando por esta paz. Nós, todos os cristãos das paróquias de Gaza, também rezamos pelas pessoas que rezam por nós, quer na Missa, que com o terço, quer na Adoração Eucarística… Queria aproveitar para dizer obrigado. E que Deus os abençoe.

O padre Jorge Hernández – que tal como o Papa tem nacionalidade argentina – está ligado ao Instituto do Verbo Incarnado e tem acompanhado diariamente o drama a que estão sujeitas as comunidades católicas da Paróquia da Sagrada Família, no bairro de Al-Zeitun, na cidade de Gaza.
Recorde-se que já em julho, o Papa Francisco escrevera ao padre Jorge Hernández, transmitindo o seu “encorajamento” e assegurando a sua oração por todos os elementos da comunidade cristã de Gaza.

 

Publicado em Rádio Vaticano.

Terço da Misericórdia (Missão Fides in Deum)

Conteúdo extraído de Missão Fides in Deum.
Terço da Misericórdia
Reze [preferencialmente] o Terço da Misericórdia todos os dias às 15:00 h…
 
Aprenda a rezar o Terço da Misericórdia:
Pai-Nosso…
Ave-Maria…
Creio…
Nas contas grandes (do Pai Nosso), reza-se:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.
Nas contas pequenas (da Ave-Maria), reza-se:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. (10 vezes)
Depois diga:
Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus, como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós.
Ao final do terço, reza-se:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro (três vezes).
Origem do Terço da Misericórdia
 
Em 13 de setembro de 1935, Santa Faustina Kowalska escreveu: “…vi o Anjo Executor da ira de Deus… Quando vi esse sinal da ira de Deus, que deveria atingir a Terra, comecei a pedir ao anjo que se detivesse por alguns momentos, pois o mundo faria penitência”. No início as orações se revelaram impotentes. Santa Faustina Kowalska, diante da imprevista manifestação da Santíssima Trindade, começou a implorar com profundo recolhimento a Deus, em favor do mundo. A sua oração correspondia às palavras que lhe vinham sugeridas interiormente: Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos pecados do mundo inteiro. Pela sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós (Diário nº 475).
Enquanto Santa Faustina repetia a oração, que misteriosamente lhe foi inspirada, o Anjo se revelava impotente para executar o castigo, para o qual fora designado.
No dia seguinte, na capela, Santa Faustina recebeu instruções de uma voz interior, que lhe pedia para repetir a oração, que anteriormente havia escutado, cada vez que se dirigisse ao Santíssimo Sacramento. Explica-se então o conteúdo tão relevantemente eucarístico daquela invocação.
Santa Faustina teve uma nova inspiração. Foi-lhe pedido que rezasse estas palavras em forma de terço, repetidas nas contas do terço.
 
Eis a promessa que Deus fez a Santa Faustina Kowalska: “Minha filha, exorta as almas a rezarem esse Terço que te dei. Pela recitação deste Terço, agrada-Me dar tudo o que Me peçam. Quando aos pecadores empedernidos o recitarem, encherei de paz as suas almas, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isto para as almas atribuladas: ‘quando uma alma vir e reconhecer a gravidade dos seus pecados, quando se abrir diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não se desespere, mas antes se lance com confiança nos braços da Minha misericórdia, como uma criança no abraço da sua querida mãe’. Essas almas têm primazia à Minha misericórdia. Diz que nenhuma alma que tenha invocação a Minha misericórdia, não se decepcionou, nem experimentou vexame. Tenho predileção especial pela alma que confiou na Minha bondade. Escreve que, quando recitarem esse Terço junto aos agonizantes, Eu Me colocarei entre o Pai e a alma agonizante, não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso” – (Diário nº 1541).
Publicado em Missão Fides in Deum (Fonte: asj.org.br)
 

Papa Francisco concede entrevista a Il Messagero e fala da realidade de Roma, dos comunistas, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política (Il Messagero – ACI Digital)

Papa Francisco concedeu duas longas entrevistas neste semestre. Nesta, é entrevistado pela jornalista italiana Franca Giansoldati,  do Il Messaggero (Roma – Itália). A entrevista foi publicada no dia 29-06-2014  com o título “O comunismo nos roubou a bandeira”. Ao longo da entrevista, traduzida por ACI Digital, e reproduzida pela “Fraternidade O Caminho”, podemos ver que este título pode ser lido tal como o Santo Padre declarou na entrevista: “A bandeira dos pobres é cristã”.

Boa leitura! Que Deus nos abençoe com discernimento e fortaleza nestes tempos de crise moral, econômica, social e política, aliás, uma crise que vem  afetando o mundo inteiro  há pelo menos duas décadas. (LBN)

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Fonte: Fraternidade O Caminho (traduzido por ACI Digital)

Publicado em 1 de julho de 2014

Papa_Francisco_audiencia29ACI Digital oferece a seus leitores e ao público em geral a íntegra em português da entrevista que o Papa Francisco concedeu recentemente ao jornal italiano Il Messagero, publicada no domingo 29 de junho, festa dos Apóstolos Pedro e Paulo. Nesta oportunidade o Santo Padre fala da realidade de Roma, do comunismo, do papel da mulher na Igreja, da corrupção e a política.

O texto original da entrevista encontra-se aqui.

E então, na partida a Itália x Uruguai. Santo Padre, para quem torcia?

Eu, para nenhum, na verdade. Prometi à presidenta do Brasil (Dilma Rousseff), que seria neutro.

Começamos por Roma?

Você sabia que eu não conheço Roma? Veja só, eu vi a Capela Sistina pela primeira vez quando participei do Conclave que elegeu Bento XVI (2005). Nem sequer estive nos Museus. O fato é que quando era Cardeal não vinha muito frequentemente. Conheço Santa Maria Maior porque ia sempre. E depois São Lorenzo Extra Muros, onde ia para as confirmações quando estava Dom Giacomo Tantardini. Obviamente conheço Piazza Navona porque sempre me alojei na Via della Scrofa, ali ao lado”.

Há um pouco de romano no Bergoglio argentino?

Pouco e nada. Eu sou mais do Piamonte, essas são as raízes de minha família de origem. Ainda estou começando a me sentir romano. Tenho a intenção de ir visitar o território, as paróquias. Estou descobrindo pouco a pouco esta cidade. É uma metrópole muito formosa, única, com os problemas das grandes metrópoles. Uma pequena cidade possui a estrutura quase inequívoca, uma metrópole, por outro lado, compreende sete ou oito cidades imaginárias, superpostas juntas, em vários níveis. Também em níveis culturais.

Penso, por exemplo, nas tribos urbanas juvenis. Ocorre o mesmo em todas as cidades. Em novembro faremos em Barcelona um congresso dedicado precisamente à pastoral das metrópoles. Na Argentina promoveu-se intercâmbios com o México. Descobriram muitas culturas cruzadas, mas nem tanto devido às migrações, mas porque se tratavam de territórios culturais transversais, feitos de pertences próprios. Cidades dentre de uma cidade. A Igreja deve saber responder a este fenômeno.

Por que S.S. desde o começo quis sublinhar tanto as funções de Bispo de Roma?

O primeiro serviço de Francisco foi este: ser o Bispo de Roma. Todos os títulos do Papa, Pastor universal, Vigário de Cristo, etecetera, são dados ao Papa precisamente porque é Bispo de Roma. É a eleição primitiva. As consequências do Primado do Pedro. Se amanhã o Papa quisesse ser o Bispo de Tivoli, certamente me removeriam.

Há 40 anos, com o Papa Paulo VI, o Vicariato (da diocese de Roma) promoveu o congresso sobre os males de Roma. Dali saiu um quadro da cidade onde os que tinham muito tinham o melhor, e quem tinha pouco, tinha o pior. Hoje, no seu parecer, Quais são os males desta cidade?

São os das metrópoles como Buenos Aires. Estão os mais beneficiados, e aqueles que estão cada vez mais pobres. Não sabia do congresso sobre os males de Roma. Estas são perguntas muito romanas, e eu então tinha 38 anos. Sou o primeiro Papa que não participou do Concílio e, naquela época, para nós a grande luz era Paulo VI. Para mim, a Evangelii Nuntiandi, sempre será um documento pastoral insuperável.

Existe uma hierarquia de valores a ser respeitada na gestão dos assuntos públicos?

É evidente. Tutelar sempre o bem comum. A vocação para qualquer político é esta. Um conceito amplo que inclui, por exemplo, a custódia da vida humana, de sua dignidade. Paulo VI costumava dizer que a missão da política permanece como uma das mais altas da caridade. Hoje o problema da política –não falo só da Itália, mas de todos os países, pois o problema é mundial-, é que se desenvolveu, arruinado pela corrupção, pelo fenômeno dos subornos.

Lembro-me de um documento que publicaram os bispos franceses há 15 anos. Era uma carta pastoral titulada: Reabilitar a política. Confrontava precisamente este argumento. Se não houver um serviço de base, não se pode sequer entender a identidade da política.

Sua Santidade disse que a corrupção cheira a putrefação. Disse também que a corrupção social é o fruto do coração doente e não só de condições externas. Não haveria corrupção sem corações corruptos. O corrupto não tem amigos, apenas idiotas que lhe são úteis. Poderia explicar-nos melhor isso?

Falei durante dois dias seguidos sobre este tema porque comentava a leitura da Vinha de Nabor. Eu gosto de falar sobre as leituras do dia. No primeiro dia confrontei a fenomenologia da corrupção, no segundo dia sobre como acabam os corruptos. O corrupto, portanto, não tem amigos, só tem cúmplices.

Você acredita que se fala tanto de corrupção porque os meios de comunicação insistem neste tema ou porque efetivamente se trata de um mal endêmico e grave?

Não, infelizmente o fenômeno é mundial. Há chefes de estado na prisão precisamente por isso. Perguntei-me muito sobre isto, e cheguei à conclusão que muitos males crescem sobre tudo durante as mudanças de época. Estamos vivendo mais que uma época de mudanças, mas uma mudança de época. E portanto, trata-se de uma mudança de cultura, precisamente desta fase emergem coisas assim. A mudança de época alimenta a decadência moral, não só na política, mas também na vida financeira ou social.

Também os cristãos parecem não brilhar por seu testemunho…

O ambiente é o que facilita a corrupção. Não digo que todos sejam corruptos, mas acredito que é difícil permanecer honestos nesta política. Falo de todo o mundo, não só da Itália. Penso também em outros casos. Às vezes há pessoas que queriam fazer as coisas mais claras, mas depois se encontram com dificuldades, e é como se fossem fagocitados por um fenômeno endêmico, a altos níveis, transversais. Não porque seja esta a natureza da política, mas sim porque em uma mudança de época, as tensões para uma certa deriva moral se tornam fortes.

O que mais o assusta: a pobreza moral ou material de uma cidade?

As duas me assustam. Um faminto, por exemplo, posso ajudá-lo para que não tenha mais fome, mas se tiver perdido o trabalho e não encontra outra ocupação, isso já é outra pobreza. Ele já não tem dignidade. Possivelmente possa ir à Cáritas e levar para casa um pouco de mantimentos, mas experimenta uma pobreza muito grave que arruína o seu coração. Um Bispo auxiliar de Roma me contou que muitas pessoas vão aos refeitórios populares em segredo, cheios de vergonha, e levam para casa a comida. Sua dignidade se empobreceu e vivem em um estado de prostração.

Pelas grandes ruas de Roma vê-se mulheres de apenas 14 anos, frequentemente obrigadas a prostituir-se no meio do descuido geral, enquanto que no metrô vê-se crianças mendigando. A Igreja é ainda fermento para a massa? Sente-se impotente como Bispo ante esta degradação cultural?

Sinto dor. Sinto uma enorme dor. A exploração de crianças me faz sofrer. Também na Argentina ocorre o mesmo. Para alguns trabalhos manuais se utiliza crianças porque têm as mãos menores pequenas. Mas elas também são exploradas sexualmente em hotéis. Uma vez me advertiram sobre uma rua de Buenos Aires onde havia garotinhas, prostitutas de 12 anos. Informei-me e efetivamente era sim. Isto me feriu. Mais ainda ao ver que eram abordadas por automóveis de grande cilindrada conduzidos por idosos. Podiam ser seus avós. Subiam a menina ao carro, davam-lhe 15 pesos que depois eram usados para comprar drogas, uma dose. Para mim as pessoas que fazem isto com meninas são pedófilos. Acontece também em Roma. A cidade eterna que deveria ser um farol no mundo é um espelho da degradação moral da sociedade. Penso que são problemas que se resolve com uma boa política social.

O que pode fazer a política?

Responder limpamente. Por exemplo, com os serviços sociais que permitam que as famílias entendam e tenham acompanhamento para sair de situações difíceis. O fenômeno indica uma deficiência do serviço social na sociedade.

A Igreja está trabalhando muitíssimo…

E deve continuar fazendo-o. Precisamos ajudar as famílias em dificuldade, uma tarefa árdua que requer esforço comum.

Em Roma cada vez menos jovens vão à igreja, não batizam seus filhos, não sabem nem sequer fazer o sinal da cruz. Que estratégia serviria para mudar esta tendência?

A Igreja deve sair às ruas, procurar às pessoas, ir às casas, visitar as famílias, ir às periferias. Não ser uma Igreja que só recebe, mas que oferece.

E os párocos devem então colocar chifres nas ovelhas (ndt: referindo-se a que os cristãos devem ser encorajados pelos párocos a serem mais agressivos no anúncio da Boa Nova)…

(Risadas) Obviamente. Estamos em uma época de missão há dez anos. Devemos insistir nisso.

Preocupa-lhe a cultura da não-natalidade na Itália?

Acredito que é preciso trabalhar mais pelo bem comum da infância. Pôr sobre a família um compromisso, às vezes não é suficiente com um salário, não se chega ao fim do mês. Existe o medo de perder o trabalho ou de não poder pagar mais o aluguel. A política social não ajuda. A Itália tem uma taxa de natalidade muito baixa, a Espanha também. A França vai um pouco melhor, mas também é baixa. É como se a Europa, cansou-se do papel de mãe e preferisse o de avó. Muito depende da crise econômica e não só de uma deriva cultural sobrecarregada no egoísmo e no hedonismo. O outro dia eu lia uma estatística sobre os critérios do gasto da população em nível mundial. Depois da alimentação, vestidos e remédios, três vozes necessárias, seguem a estética e os gastos com os animais domésticos.

As crianças importam menos que os animais?

Trata-se de outro fenômeno de degradação cultural. Isto é porque a relação afetiva com os animais é mais fácil, mais previsível. Um animal não é livre, enquanto que ter um filho é uma coisa complexa.

O Evangelho fala mais aos pobres ou aos ricos para convertê-los?

A pobreza está no centro do Evangelho. Não se pode entender o Evangelho sem entender a pobreza real, tendo em conta que existe também uma pobreza belíssima do espírito: ser pobre perante Deus porque Deus te preenche. O Evangelho se dirige indistintamente a pobres e ricos. E fala tanto de pobreza como de riqueza. Não condena para nada aos ricos, mas sim as riquezas quando se tornam objetos de idolatria. O deus dinheiro, o bezerro de ouro.

Sua Santidade tem fama de ser um Papa comunista, populista. A revista The Economist, que lhe dedicou uma capa, afirma que fala como Lenin. Identifica-se com isto?

Eu digo apenas que os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro do Evangelho. Os pobres estão no centro do Evangelho. Se olharmos Mateus 25, o protocolo sobre o qual seremos julgados: tive fome, tive sede, estive no cárcere, estive doente, nu. Ou olhemos as Bem-aventuranças, que é outra bandeira. Os comunistas dizem que tudo isto é comunista. Sim, como não, vinte séculos depois. Então quando falamos de comunistas, nós poderíamos virar e dizer: então vocês são cristãos! (risadas)

Se me permitir uma crítica…

Claro.

Você possivelmente fala pouco das mulheres e quando fala confronta o argumento só do ponto de vista maternal, a mulher esposa, a mulher mãe, etecetera. E as mulheres já dirigem estados, multinacionais, exércitos. Na Igreja, segundo você, que lugar ocupa as mulheres?

As mulheres são o mais formoso que Deus criou. A Igreja é mulher. Igreja é uma palavra feminina. Não se pode fazer teologia sem esta feminidade. Disto você tem razão, não se fala o suficiente. Estou de acordo que se deve trabalhar mais sobre a teologia da mulher. Eu já disse e se está trabalhando neste sentido.

Não entrevê uma certa misoginia de fundo?

O fato é que a mulher foi tirada de uma costela… (risadas). Brinco, eu só estava brincando. Estou de acordo que é necessário aprofundar mais na questão feminina, do contrário não se pode entender a Igreja em si mesma.

Podemos esperar de você decisões históricas, tipo uma mulher chefe de dicastério, não falo do clero…

(Risadas). Bom, muitas vezes os sacerdotes acabam sob a autoridade das beatas de igreja…

Em agosto S.S. irá a Coréia. É a porta para a China? Está apontando para a Ásia?

Irei à Ásia duas vezes em seis meses. À Coréia em agosto para encontrar aos jovens asiáticos. Em janeiro ao Sri Lanka e Filipinas. A Igreja na Ásia é uma promessa. A Coréia representa muito, tem uma história muito bonita, durante dois séculos não teve sacerdotes e o catolicismo avançou graças aos leigos. Houve também mártires. Quanto à China, trata-se de um desafio cultural grande. Maior. E depois está o exemplo de Matteo Ricci, que fez tanto bem…

Para onde está indo a Igreja de Bergoglio?

Graças a Deus não tenho nenhuma Igreja, sigo a Cristo. Não fundei nada. Do ponto de vista do estilo não mudei comparado a como eu era em Buenos Aires. Sim, possivelmente alguma coisa pequena, porque é devido, mas mudar na minha idade teria sido ridículo. Em meu programa, por outro lado, sigo o que os cardeais pediram durante as congregações gerais antes do Conclave. Vou nessa direção. O Conselho dos oito cardeais, um organismo externo, nasce daí. Haviam pedido para ajudar a reformar a Cúria. Algo por outro lado nada fácil, porque damos um passo, mas logo ocorre algo que mostra que falta isso ou aquilo, e se primeiro era um dicastério depois se converte em quatro… Minhas decisões são o fruto das reuniões Pré-Conclave. Eu não tenho feito nada sozinho.

Isto é uma aproximação democrática…

Foram as escolhas dos cardeais. Não sei se se trata de uma aproximação democrática, diria que foi mais sinodal, ainda que esta palavra para os cardeais não seja a apropriada.

Que deseja aos romanos pela festa dos padroeiros São Pedro e Paulo?

Que continuem sendo bons. São muito simpáticos. Vejo-os nas audiências e quando vou às paróquias. Espero deles que não percam a alegria, a esperança, a fé não obstante as dificuldades. Também o ‘romanaccio’ –dialeto romano-, é bonito.

Wojtyla tinha aprendido a dizer em dialeto romano. ‘nos amemos os uns aos outros, nos ofereçamos a outros’. Você aprendeu alguma frase em romano?

Por enquanto poucas, ´Campa e fa’ campa´ -viva e deixe viver- (termina o Papa com risadas).

Por ACI Digital.

Corpus Christi – O que significa celebrar a Festa ou celebrar a Eucaristia? Quais são as suas consequências? (Catolicismo Online)

Fonte: Catolicismo Online (conteúdo extraído do site Grupo de oração Filhos de Maria)

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Reflexão

O que significa celebrar a Festa de Corpus Christi?

 Quais são as suas consequências?

Postado por Natanael Melo

1. A festa de Corpus Christi é a festa de caridade, porque a Eucaristia significa também o maior amor, a maior generosidade e a maior entrega de Cristo. Honrar o Corpo de Cristo significa também aproximar-se do irmão com o maior respeito e disponibilidade, porque ele também é o Corpo de Cristo (Igreja é o Corpo de Cristo e o Cristo sua cabeça). O Corpo de Cristo é partido em nossos altares para saciar nossas fomes de sentido, mas também para termos mais consciência de sermos mais generosos a exemplo de Cristo.

2. A Eucaristia é uma ceia fraterna na qual todos são tratados como irmãos e irmãs. A ceia fraterna não pode ser entendida sem comunhão fraterna, sem convivência com o Senhor e com os demais comensais ou com as demais pessoas. É certo que a Eucaristia constrói ou edifica a Igreja, mas a constrói ou edifica como comunidade que compartilha. Compartilhar é mais do que repartir o que temos, é mudar nossa forma de pensar e de viver para fazer possível uma convivência fraterna e solidária. Como dizia João Paulo II: “Nossa união com Cristo na Eucaristia deve manifestar-se, no dia de hoje, em nossa existência: em nossas atividades, em nossa conduta, em nosso estilo de vida e na relação com os demais”. Não é possível celebrar ou participar da Eucaristia sem a vivencia do amor fraterno, da caridade mútua e da solidariedade. Um escritor francês disse: “Não se pode crer impunemente”, isto é, não se pode crer sem que tenha consequências em nossa vida. Não se pode comungar o Corpo de Cristo sem que tenha consequências em nossa vida. Compartir o pão com os irmãos, especialmente com os necessitados é comungar com Cristo. Não tomaremos a sério a comunhão se não tomarmos a sério a vida, a justiça, a fraternidade e a honestidade.

3. O Corpo de Cristo significa o Pão que partimos, o pão da vida (Jo 6,52). Mas quando a comunhão é entendida como “minha comunhão”, assunto privado entre Jesus Cristo e minha vida, o Corpo de Cisto que é a Igreja se desintegra: cada um come seu próprio pão e este já não é “pão que partimos”. Não podemos pertencer à Igreja de Cristo como se pertencesse a um clube somente para utilidade própria. A comunhão somente é autêntica quando não se privatiza e se apropria. Comungar Cristo significa comungar com os demais como irmãos porque Jesus Cristo entregou sua vida para a salvação de todos. São Paulo destaca a exigência de unidade que brota da Eucaristia. Todos os que comungam o Corpo e o Sangue de Cristo se fazem com ele um só corpo. A unidade de alimento produz também unidade entre os membros da comunidade que o assimila. As diferenças que humilham uns irmãos contradizem o amor a Cristo e a unidade entre os membros da comunidade. Por isso, hoje é o dia oportuno para uma revisão de nossa vida comunitária vivida na comunhão e na fraternidade que dimana da Eucaristia.

4. Comer o Corpo e beber o Sangue do Senhor significa comer e beber o amor à vida e todo o que se refere à vida: liberdade, justiça, participação, fraternidade, igualdade. Uma Eucaristia que fica reduzida a um mero ato litúrgico é uma traição à última Ceia de Jesus da qual nasceu a Igreja. Trata-se de uma Igreja de irmãos, de apóstolos (enviados), de testemunhas, de mártires. Comer e beber a carne e o sangue de Jesus significa alimentar-se e alimentar uma humanidade necessitada de Jesus, Pão da Vida. É uma humanidade que para poder ser chamada de cristã precisa fazer desaparecer a injustiça, o ódio, a vingança, a discriminação, o racismo e assim por diante. Comungar com Cristo é comungar com sua causa. Todos somos chamados a seguir a Jesus Cristo, a ter fé nele, a caminhar pelo seu caminho. Todos nós sabemos que em Cristo temos o Caminho, a Verdade e a Vida. Na última Ceia Jesus nos recomendou: “Fazei isto em minha memória”. Toda Eucaristia é memorial que faz presente a entrega à morte do Mestre. Na Eucaristia, é o amor no Filho que se entregou para que possamos ter a vida eterna. Quem descobre o amor de um Deus que amou tanto os homens (cf. Jo 3,16), experimenta a chamada para difundir entre os homens este mesmo amor. Não se pode comungar com o gesto supremo de amor e ao mesmo tempo continuar odiando, desprezando os outros.

5. A Eucaristia é o alimento do povo de Deus que peregrina neste mundo. É o Pão do céu que gera a vida além da morte. Precisamente como peregrinos a Eucaristia se torna para nós o viático com o qual o cristão ganha sua força para poder passar deste mundo para a casa do Pai. O viático dá ao cristão a garantia de que sua morte não será o término e sim trânsito para a vida eterna, vida gloriosa.

A partir destes pensamentos e de outros tantos referentes a esta festa, vem a pergunta para cada um de nós: “Comungo o Corpo do Senhor apenas para cumprir o preceito ou tenho consciência de que ao comungar o Corpo do Senhor devo ser outro Cristo para os demais?”.

Fonte: http://www.filhosdemaria.com.br

Publicado em Catolicismo Online.

“(…)O diagnóstico do cenário mundial comprova o quanto o mundo sofre com os conflitos advindos de exclusão, marginalização e pobreza, como também pelas razões econômicas, políticas, ideológicas e até religiosas.(…)”- Artigo – Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

A cultura do encontro

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Belo Horizonte (RV) – A sociedade contemporânea, mesmo diante dos muitos recursos existentes e oportunidades disponíveis, particularmente pelos avanços tecnológicos, continua marcada por grandes desencontros. É verdade que se testemunha, com frequência, a partir dos atuais instrumentos, experiências bem-sucedidas de encontros, desdobrando-se em cooperação, concretização de projetos sociais, políticos e humanitários. No entanto, causa perplexidade, outros tantos exemplos de descompassos da sociedade moderna, que a colocam na contramão de grandes oportunidades. Há de se perguntar, permanentemente, a razão desses desencontros, para impulsionar a busca por soluções diante de cenários desanimadores.

Uma triste realidade que enjaula a cidadania numa esfera de privatização individualista, instaurando um “pé de guerra” entre grupos, povo e governos, dirigentes e operários. É estabelecido, assim, um caos que desassossega homens e mulheres de boa vontade.

Esse quadro desolador é facilmente verificado quando são submetidos a avaliações a atuação de governos, a grave realidade do descrédito aos políticos e o êxodo prejudicial das esferas de participação cidadã responsável. Uma triste realidade que enjaula a cidadania numa esfera de privatização individualista, instaurando um “pé de guerra” entre grupos, povo e governos, dirigentes e operários. É estabelecido, assim, um caos que desassossega homens e mulheres de boa vontade. De fato, quando se analisa o desânimo dos cidadãos na avaliação de governos, ou quando emitem juízos a respeito do esperado legado da Copa, compreende-se que falam mais forte os desencontros e os descompassos. Assim não pode ser e permanecer.

A “pátria de chuteiras”, pensando o Brasil apaixonado pelo futebol, às vésperas do início da Copa do Mundo, está decidida a pisar forte sobre tudo o que está comprometendo essa possibilidade, tão esperada, de um legado maior, global e capaz de colocar o Brasil, de fato, numa nova etapa política e social.

Urge uma reação cidadã, com incidências transformadoras em vários níveis, sem mesmo poder eximir desse processo de mudança a vida pessoal e familiar. Na contramão desse caminho, será fortalecida uma cultura de tecido duvidoso e prejudicial para o sentido autêntico de liberdade e autonomia. Crescerá a violência e o desrespeito à dignidade. A civilização estará ainda mais distante do indispensável sentido de altruísmo, de patriotismo e de pertença cidadã à nação. A “pátria de chuteiras”, pensando o Brasil apaixonado pelo futebol, às vésperas do início da Copa do Mundo, está decidida a pisar forte sobre tudo o que está comprometendo essa possibilidade, tão esperada, de um legado maior, global e capaz de colocar o Brasil, de fato, numa nova etapa política e social.

Os descompassos produzidos por tantos desencontros, explicados por erros de estratégia na atuação, por equívocos nas escolhas das prioridades sociais, por falta de competência humanística e ajustada visão antropológica de muitos profissionais da política; por falta de sensibilidade humanitária e visão mesquinha do dinheiro, resultam na incapacidade para gerar redes de solidariedade.

Sofre-se pela falta de lideranças com estatura, em diferentes níveis. Encontra-se, com mais facilidade, quem engrossa a voz dos coros de lamentação ou das ações vandálicas. Há uma carência de pessoas que se dedicam a uma atuação mais criativa, corajosamente inovadora e cidadã, especialmente no âmbito governamental, primeiro responsável pelo bem comum. Os descompassos produzidos por tantos desencontros, explicados por erros de estratégia na atuação, por equívocos nas escolhas das prioridades sociais, por falta de competência humanística e ajustada visão antropológica de muitos profissionais da política; por falta de sensibilidade humanitária e visão mesquinha do dinheiro, resultam na incapacidade para gerar redes de solidariedade.

Torna-se urgente investir, permanentemente, na cultura do encontro, indicação prioritária no ensinamento e no testemunho do Papa Francisco. A propósito da celebração anual do Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa trata o tema central da comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro. Não há outro caminho em busca da superação das divisões muito acentuadas na humanidade, responsáveis por abominações que pesam sobre as sociedades, sacrificando mais os pobres, inocentes e indefesos. O diagnóstico do cenário mundial comprova o quanto o mundo sofre com os conflitos advindos de exclusão, marginalização e pobreza, como também pelas razões econômicas, políticas, ideológicas e até religiosas.

É hora, pois, de uma ação transformadora, aproveitando os meios de comunicação, os megaeventos mundiais como a Copa do Mundo, e tantos outros de maior ou menor alcance e relevância, para recuperar o sentido perdido do outro, particularmente dos pobres, excluídos e vítimas dessas dinâmicas perversas alimentadas pela corrupção, pelas opções governamentais equivocadas, pela burocracia repugnante que retarda urgências, pela mesquinhez do individualismo exacerbado, sempre seguindo o princípio do “salve-se quem puder”.

É hora, pois, de uma ação transformadora, aproveitando os meios de comunicação, os megaeventos mundiais como a Copa do Mundo, e tantos outros de maior ou menor alcance e relevância, para recuperar o sentido perdido do outro, particularmente dos pobres, excluídos e vítimas dessas dinâmicas perversas alimentadas pela corrupção, pelas opções governamentais equivocadas, pela burocracia repugnante que retarda urgências, pela mesquinhez do individualismo exacerbado, sempre seguindo o princípio do “salve-se quem puder”. A comunicação produzida pela mídia no decorrer da Copa do Mundo não pode ser apenas estimuladora da euforia. É prioritário alimentar a sensibilidade social e política, em ano eleitoral, para fomentar discussões e posicionamentos em torno das questões mais urgentes que estão afligindo a vida do povo brasileiro.

Essa oportunidade não pode ser perdida, nem mal usada, sob pena de serem retardadas as respostas urgentes, de se impulsionar a violência nascida de revoltas desajuizadas, de se conviver com o inadequado desempenho de políticos. A sociedade brasileira está sinalizando que o esperado legado da Copa, razão de descontentamento geral, não pode ficar diluído nos estádios bilionários construídos. Um evento da magnitude de uma Copa do Mundo não pode ser apenas mais um carnaval que passou. Por princípios cidadãos e irrefutável força da fé, pelos debates e gestos concretos, agora é hora de recomposição do tecido social e político, no caminho da cooperação e proximidade, transformando o país a partir da cultura do encontro.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/06/06/a_cultura_do_encontro/bra-805009
do site da Rádio Vaticano

“[…]Haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca?[…]” – Papa Francisco – 01 de junho – Conferência – XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS (Vaticano)

Aldeia_Global_Wikipedia

Fonte: VATICAN.VA

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro»

[Domingo, 1 de Junho de 2014]

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e econômicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não veem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de autorreferencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efetiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

Franciscus

 

Publicado em VATICAN.VA.

Imagem: Wikipedia.org.

Vamos defender a vida – Vídeo publicado em 30 de maio de 2014 (Padre Paulo Ricardo)

A prática do aborto em hospitais públicos e clínicas particulares do Brasil não vai trazer avanço social algum à vida dos seus habitantes, sejam mulheres, homens e crianças, ricos ou pobres. Esta campanha [a da sua legalização ou descriminalização] vem se desenvolvendo  em nível planetário, com ênfase na América Latina. Obviamente, teve início em regiões desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa, com alto índice de adesão no início da década de 70.

Há, no entanto, recuos após quatro décadas de implementação do aborto legal (em clínicas particulares ou públicas) nestes dois continentes, na forma de campanhas pró-vida, que visam a revogação da lei federal, admitida  em vários estados norte-americanos ou então, através da mudança no ordenamento jurídico de países que atualmente permitem sua prática legal, tais como a Itália, Portugal, Espanha ou no Reino Unido.

Leia a matéria publicada em https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida e saiba com detalhes como podemos deter no Congresso Nacional o avanço dos segmentos de pressão “pró-escolha” (grupos que defendem junto ao Congresso Nacional, a interrupção da gestação pela mulher, por suposto direito sobre o corpo). Tais segmentos (grandes laboratórios e empresas a eles associadas),  buscam  a implementação do aborto legal através de projeto de lei que já tramita, e que possibilitaria a sanção para sua prática nos setores público e privado de saúde em nosso País. (LBN)

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Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida30/05/2014 15:44 |

Vamos defender a vida

Descubra como você pode ajudar a derrubar a Lei Cavalo de Troia e afugentar o aborto do Brasil

Este é um momento importantíssimo de nossa luta em defesa da vida, contra a legalização do aborto no Brasil. No ano passado, a Lei n. 12.845/2013, que aparentemente dispunha “sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual”, foi sancionada pela Presidente da República. Olhando para a linguagem do texto legal, alertamos que esta lei abriria uma brecha para a possibilidade de se fazer o aborto em nosso país. Com razão o então projeto foi apelidado de “Cavalo de Troia”.

O argumento do governo – e até de algumas pessoas do movimento pró-vida – era o de que esta lei se referia tão somente à proteção da mulher e que não tinha nada que ver com o Poder Executivo – ainda que fosse o próprio Ministério da Saúde a propor o projeto de lei.

Acontece que, na última semana, o mesmo Ministério da Saúde, por meio da Portaria n. 415 de 2014, regulamentou a Lei Cavalo de Troia, incluindo na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde a “interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto”, fixando o preço do abortamento em R$ 443,40. O mesmo preço de um parto. (Aparentemente, para essas pessoas, a morte e a vida são a mesma coisa.)

Diante da notoriedade que ganhou a portaria, o Ministério da Saúde acabou por revogá-la esta semana (pela Portaria n. 437), sem apresentar nenhuma justificativa. No entanto, a verdade já havia sido revelada: realmente, a Lei Cavalo de Troia foi concebida para disseminar a prática do aborto no Brasil.

Se a portaria foi felizmente revogada, a Lei Cavalo de Troia, no entanto, continua vigente. Só poderemos cantar um canto de verdadeira vitória quando este texto for totalmente retirado de nosso ordenamento jurídico.

Para isso, é preciso que ajamos, entrando em contato com os parlamentares da Câmara dos Deputados. Há um projeto de lei no Congresso Nacional, de autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que “revoga a Lei n.º 12.845, de 1º de agosto de 2013”: trata-se do Projeto de Lei n. 6033/2013. É importante que todos os brasileiros, independentemente da religião que professam, telefonem e enviem e-mails aos nossos parlamentares, pedindo que aprovem com urgência o PL 6033/13, a fim de varrer do mapa do Brasil a perfídia do aborto e da cultura da morte.

Segue abaixo a lista com os telefones e e-mails de contato das lideranças dos partidos e dos parlamentares de cada estado:

Liderança do Governo
Henrique Fontana (PT-RS) / 0 xx (61) 3215-9001;
lid.govcamara@camara.leg.br

Liderança da Minoria
Domingos Sávio / 0 xx (61) 3215-9820;
lid.min@camara.leg.br

PT Partido dos Trabalhadores
Vicentinho / 0 xx (61) 3215-9102
lid.pt@camara.leg.br

PMDB Partido do Movimento Democrático Brasileiro
Eduardo Cunha / 0 xx (61) 3215-9181 / 80
lid.pmdb@camara.leg.br

PSD Partido Social Democrático
Moreira Mendes / 0 xx (61) 3215-9060 / 9070
lid.psd@camara.leg.br

PSDB Partido da Social Democracia Brasileira
Antonio Imbassahy / 0 xx (61) 3215-9345 / 9346
lid.psdb@camara.leg.br

PP Partido Progressista
Eduardo da Fonte / 0 xx (61) 3215-9421
lid.pp@camara.leg.br

PR Partido da República
Bernardo Santana de Vasconcellos / 0 xx (61) 3215-9550
lid.pr@camara.leg.br

DEM Democratas
Mendonça Filho / 0 xx (61) 3215-9265 / 9281
lid.dem@camara.leg.br

PSB Partido Socialista Brasileiro
Beto Albuquerque / 0 xx (61) 3215-9650
lid.psb@camara.leg.br

SD Solidariedade
Fernando Francischini / 0 xx (61) 3215-5265
lid.solidariedade@camara.leg.br

PROS Partido Republicano da Ordem Social
Givaldo Carimbão / 0 xx (61) 3215-9990
lid.pros@camara.leg.br

PDT Partido Democrata Trabalhista
Vieira da Cunha / 0 xx (61) 3215-9700 / 9701 / 9703
lid.pdt@camara.leg.br

PTB Partido Trabalhista Brasileiro
Jovair Arantes / 0 xx (61) 3215-9502 / 9503
lid.ptb@camara.leg.br

PSC Partido Social Cristão
Andre Moura / 0 xx (61) 3215-9762 / 9771 / 9761
lid.psc@camara.leg.br

PRB Partido Republicano Brasileiro
George Hilton / 0 xx (61) 3215-9880 / 9882 / 9884
lid.prb@camara.leg.br

PV Partido Verde
Sarnye Filho / 0 xx (61) 3215-9790 / Fax: 0 xx (61) 3215-9794
lid.pv@camara.leg.br

E-mails dos Gabinetes das Lideranças …

(clique aqui para acessar links no site https://padrepauloricardo.org/blog/vamos-defender-a-vida

Publicado em padrepauloricardo.org .

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