Como devemos invocar a Deus no tempo da tribulação (in “Imitação de Cristo”, Capítulo XXIX – Livro III)

Cristo Rei Vitral

IMITAÇÃO DE CRISTO

LIVRO III – Capítulo XXIX

“Como devemos invocar a Deus no tempo da tribulação”

O DISCÍPULO

1. Seja vosso nome para sempre bendito, Senhor, pois quisestes provar-me com esta tribulação.

E porque não posso evitá-la que outra coisa farei senão acolher-me a Vós para que me auxilieis e a convertais em proveito meu?

Senhor, sinto-me atribulado; meu coração está desassossegado por causa desta paixão que o atormenta vivamente.

“Que vos direi agora”, ó Pai amantíssimo! Rodeado estou de angústias. Salvai-me nesta hora” (Jo 12, 27).

Vós permitistes que eu chegasse a este estado para que sejais glorificado quando eu estiver muito abatido e for por por vós livre.

Dignai-Vos, Senhor, socorrer-me: porque, pobre criatura, que posso eu fazer e onde irei sem Vós?

Dai-me paciência, Senhor, ainda desta vez. Estendei-me a vossa mão, Deus meu, e não temerei, por mais forte  que seja a tribulação.

2. Que posso dizer-vos neste estado? “Senhor, faça-se a vossa vontade”. Bem merecido tenho angústias e tribulações em que me vejo (Mt 6, 10).

Convém que as sofra; e oxalá seja com paciência, até que passe a tempestade e venha a bonança.

Poderosa é a vossa mão onipotente para afastar de mim esta tentação e moderar sua violência, para que não sucumba de todo; como tantas vezes tendes feito para comigo, Deus meu, misericórdia minha.

E quanto para mim é mais dificultosa esta mudança, tanto mais fácil é ela para Vós: “porque é obra da direita do Altíssimo” (Sl 76, 11)


Imitação de Cristo – Thomas de Kempis é tido como o autor do terceiro livro “Consolação Interior“. De acordo com o tradutor do texto latino, e autor das reflexões sobre a obra – Pe. J.I. Roquette, Kempis teria sido o “cônego regrante de Santo Agostinho” (que viveu no século V). No “Prólogo”, Pe. Roquette aventa (e a discussão sobre a autoria atravessa séculos…) que os dois primeiros livros e o quarto foram escritos pelos  abades – Gersen  e Gerson – para orientação de seus monges. É interessante observar que em certa parte há menção a São Francisco de Assis (séc. XIII).O consenso, conforme o tradutor do latim e comentador  é que tudo contibuiu para a riqueza espiritual que há nesta pequena, antiga, reconhecida e estimada obra chamada “Imitação de Cristo”. (Editora Ave-Maria, 18ª edição, 1991; Imprimatur 26.11.1928)

“Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” – São João Maria Vianney (Cura d’Ars), in Flos Carmeli – Ano Sacerdotal

Vale a pena conferir no Blog Flos Carmeli, as informações acerca do Ano Sacerdotal, instituído pelo papa Bento XVI, e cujo patrono é São João Maria Vianney – o Cura D’ Ars. A meu ver, ele foi um sacerdote – e santo – extraordinário! A propósito, foi criado um selo especial no “Flos Carmeli” – “Celebrando o Ano Sacerdotal”.

Ao lado, no Blogroll, está disponível o link de acesso para o site criado pelo Vaticano, intitulado “Annus Sacerdotalis”.

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Fonte: FLOS CARMELI  (ANO SACERDOTAL)

18.7.09

São João Maria Vianey

O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.

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Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor idéia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars… Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu”. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado.

Chamava-se Jean-Marie Vianney. Nascera trinta e dois anos antes (1786), numa aldeia situada a umas dez léguas, Dardilly, onde os pais eram gente dedicada ao campo; e gente piedosa, como ainda havia tantos na França. Por curiosa coincidência, um dia sentara-se à mesa deles São Bento Labre, “o anjo andrajoso”, no decurso da sua grande peregrinação. Já aos sete anos, o pequeno Jean-Marie mostrara uma inclinação tão evidente para a oração que se falara de fazer dele frade ou padre. Levava para os campos onde guardava algumas vacas uma imagenzinha de Nossa Senhora, que colocava no buraco de um salgueiro para se ajoelhar diante dela. Com a Revolução, viera a grande caça aos padres. O pequeno tivera de aprender o catecismo às escondidas e de fazer a primeira comunhão clandestinamente, numa casa com a porta e as janelas fechadas. E o espetáculo da resistência do clero francês à perseguição acabara de enraizar nele a vocação religiosa. Mais ainda: uma vocação para o heroísmo, o sacrifício, a grandeza espiritual.

Infelizmente, para ser padre e ter o direito e os meios de “ganhar almas para Deus”, não basta a boa vontade, não basta o impulso do coração: é preciso estudar, aprender latim, liturgia, teologia e tantas coisas mais! Nesse campo, Jean-Marie Vianney mostrara-se muito decepcionante. O seu cérebro, maravilhosamente capaz de fixar os fatos da vida prática e de penetrar nos seres, era radicalmente incapaz de armazenar as declinações latinas e as mais elementares noções de dogmática! Se não tivesse encontrado no seu caminho um homem para o compreender, não há dúvida de que nunca teria chegado a vencer os sucessivos obstáculos que o separavam do sacerdócio. Nos seminários de Verrières e, depois, no de Santo Ireneu, perto de Lyon, que fraca figura tinha feito o pobre pequeno! Mas M. Belley velara por ele, M. Belley, pároco de Ecully, abelha operária de uma dessas equipes de missionários que, em pleno Terror, o pe. Linsolas, vigário geral de Lyon, tivera a audácia de fundar. Graças a Belley, Jean-Marie conseguira receber o diaconado, em 1814, e, no ano seguinte (a 13 de agosto), a ordenação sacerdotal, na capela do Seminário Menor de Grenoble, algumas semanas depois da queda do Império. Coadjutor em Ecully, acabara de se preparar junto do seu mestre para uma existência sacerdotal inteiramente devotada às almas e também cheia de práticas de piedade e ascese: flagelações, jejuns, cilício. Era de Ecully que chegava, nesse entardecer brumoso de 9 de fevereiro de 1818, à minúscula aldeia de Ars. E lá iria ficar durante quarenta e um anos…

Fisicamente, era um corpanzil rústico, de andar pesado, rosto alongado e magro, cujas “maçãs” se iam adelgaçando até ao queixo esguio, e em que o nariz ossudo despontava sobre uns lábios finos. O único dado apreciável dos seus traços sem graça eram os olhos, olhos de um azul-cinzento, de uma limpidez e uma capacidade de concentração igualmente extraordinárias. Mais tarde, quando estiver no auge da sua celebridade, uma toleirona burguesa, vinda expressamente de Paris para admirar o grande homem, vendo-o assim, exclamará: “É só isto, o Cura d´Ars?!” Pois só isso, esse camponês bronco, mal vestido, com uma batina remendada e esverdeada à força de uso, esse homenzinho facilmente brincalhão e que se chamava a si próprio o burrinho ou o idiota da aldeia?! Como não deixar desconcertada uma parisiense! E essa reputação de ignorante, de caranguejo com orelhas de burro, que o seguia desde o seminário e que ele mesmo parecia cultivar com prazer…

Mas a verdade desse homem não estava aí. É óbvio que era exatamente o contrário desse minus habens, desse “primário intelectual” de que falariam os redatores da Idée libre. A inteligência não se mede só pela dose de conhecimentos livrescos que pode assimilar, e, quanto a tudo o que pertencia à vida e não ao impresso, Jean-Marie Vianney era uma inteligência fora de série. E, sobretudo, havia nele alguma coisa superior à inteligência: uma forma de “ver as coisas do alto”, como disse o cardeal de Bonald, um dom de intuição que escapava a toda a lógica, mas que se revelava quase infalível, uma grandeza que se impunha ao interlocutor mais obtuso ou mais hostil: numa palavra, uma força soberana, a par da simplicidade mais natural e da mais autêntica humildade. “Para crer na presença do Sobrenatural – pôde alguém dizer dele -, basta olhá-lo”. Todos os que o viram deram o mesmo testemunho da sua irradiação espiritual, da misteriosa “aura” que rodeava o seu corpo sem prestígio. Uma palavra resume tudo sobre a realidade profunda que o sustentava. Foi dita pelo bispo de Belley, num dia em que alguns padres deploravam diante dele, cheios de compaixão, a ignorância do seu confrade, a nulidade que era em matéria de teologia e de casuística: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”.

Assim era, pois, aquele que Ars-en-Dombes ia guardar durante quarenta e um anos seguidos, aquele que viria a identificar-se tão totalmente, tão plenamente, com essa ínfima aldeia, que iria como que ser absorvido por ela, perder até o nome de família a favor do seu pobre título, não ficando a ser, “tanto no futuro como no Céu”, nada mais que o Cura d´Ars. Quarenta e um anos, “e sempre contra vontade” – diz a excelente Catherine Lassagne, que o acompanhou no seu presbitério. Porque, torturado pela angústia de não ser digno da pesada missão de padre, esse humilde diante de Deus há de fugir da paróquia pelo menos três vezes, decidido a deixar o lugar “a alguém menos ignorante”, e serão os próprios paroquianos que o reterão, à custa de mil e uma astúcias. Quarenta e um anos de uma vida que, aparentemente, parecerá a mais banal, a mais monótona que se possa imaginar, mas na qual se desenrolará, num plano que já não pertence à terra, a aventura mística mais espantosa da sua época.

Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensangüentada, manchas vermelhas nas paredes… E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”…

Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a freqüentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?

E, no entanto, Jean-Marie Vianney não era grande orador; o que servia aos seus ouvintes não eram grandes trechos de eloqüência. Tinha a voz gutural; tendia a gritar; muitas vezes perdia o fio do discurso, parava e depois retomava a palavra fosse lá como fosse; por fim, como não sabia como acabar, cortava o sermão e descia do púlpito subitamente. Quanto à matéria dos sermões, nada tinha de original. O mesmo se diga da catequese, que dava a crianças e adultos várias vezes por semana. Não tinha escrúpulo em ir buscar material às coletâneas de Bonnardel, de Joly, de Billot, do pe. Lejeune, sermonários de largo uso na época, assim como ao catecismo do campo. Copiava um parágrafo aqui, outro acolá, harmonizava-os conforme podia; mas, sobre todo esse mosaico, punha a sua marca, transformando as frases excessivamente bem construídas em fórmulas simples, populares, com comparações e imagens que impressionavam o ouvinte. Por exemplo: para mostrar a ação do pecado na alma, comparava-o a uma mancha de azeite num pano de lã: mesmo que a lavemos dez vezes, não sai! E, ao passarem pelos seus lábios – todos os que o ouviram concordam nisto –, esses pobres sermões ganhavam um poder de sugestão extraordinário. Podia anunciar os castigos do Juízo Final, ou falar interminavelmente do amor de Deus pelos homens, da sua infinita misericórdia, que encontrava sempre, como por instinto, as palavras que iam até ao fundo das almas. E que dom de descobrir fórmulas! Pelo menos uma delas ficou a pertencer ao mais raro florilégio do pensamento cristão. Ouvindo certo dia uma viúva que estava angustiada porque o marido se tinha lançado ao rio e se afogara, e que tremia convencida de que ele se condenara, que lhe respondeu o Cura de Ars? Simplesmente isto: “Entre a ponte e a água, houve tempo para o arrependimento e o perdão”. Entre a ponte e a água…

Era assim o padre que a aldeia de Ars conservou por quarenta e um anos. O padre. E esta única palavra diz tudo. Porque Jean-Marie Vianney não foi senão um padre, um simples padre, todo ele entregue às almas, devorado pela sua missão, integralmente fiel à sua vocação. Nada mais que isso; nada menos que isso. Mas esse sacerdócio, que estivera a ponto de lhe ser recusado, fê-lo ele subir a um nível tão alto que se revelou inigualável. Nunca ninguém falou melhor que ele acerca do padre, da grandeza da sua função, do seu papel sobrenatural. “Ah! Como o padre é qualquer coisa de grande! O padre só poderá ser compreendido no Céu. Se o compreendêssemos neste mundo, morreríamos – não de terror, mas de amor… Depois de Deus, o padre é tudo! Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: hão de adorar os animais!

Mas também ninguém disse melhor que ele o que há de terrível para um homem em ser depositário do poder de Deus, em ter o direito de absolver e o de fazer o próprio Deus descer à hóstia. “Como é terrível ser padre!” – repetia muitas vezes –, e o seu rosto inundava-se de lágrimas. “Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” Um padre. Apenas padre. Aí reside o caráter extraordinário da sua aventura. Foi só por não ter sido nada mais que padre que Jean-Marie Vianney se tornou uma glória da terra, antes de ser um santo.

Sim. Pouco a pouco, ou melhor, bem depressa, o renome do Cura d´Ars transbordou do quadro estreito da sua minúscula paróquia. Chamavam-no aqui, ali, acolá, para falar, para confessar. E, sobretudo, espontaneamente, havia homens e mulheres que se lançavam à estrada, por terem ouvido dizer que, algures nos Dombes, numa aldeia perdida, havia um padre que falava de Deus, confessava, confortava. Menos de dez anos depois de ter chegado, a corrente de peregrinos que afluía a Ars tomara a força de um acontecimento, não somente regional, mas nacional e internacional. Calcula-se em 80.000, em média, os peregrinos que, ano após ano, e durante trinta anos, se sucederam em Ars. No último ano, que foi o da morte do santo, foram para cima de 100.000. A aldeia mais que duplicou. À volta da igreja, conforme se vê nas gravuras da época, multiplicaram-se as “pensões burguesas” e as lojas onde se vendiam objetos de devoção.

Quem eram esses que acorriam a Ars? Vinham de todos os países, pertenciam a todas as classes sociais. Aquele a quem os companheiros de seminário chamavam pobre de espírito, aquele de quem alguns colegas de sacerdócio troçavam por ser intelectualmente nulo, era procurado por homens notáveis que o vinham consultar: intelectuais de alto nível, almas comprovadamente espirituais, como, por exemplo, o pe. Lacordaire, preocupado com o futuro da sua Ordem, ou o pe. Chevrier, fundador, em Lyon, do Prado, ou o pe. Muard, que iria fundar os beneditinos da Pierre-qui-Vire, ou mons. Ségur, o bispo cego, ou mons. Ullathorne, inglês convertido, discípulo de Wiseman, por este enviado a Roma para resolver a questão do restabelecimento da Hierarquia na Inglaterra e que parou em Ars e chegou a pensar em nunca mais sair de lá… Não havia ninguém que não se retirasse consolado, encorajado, guiado. Ninguém que não pudesse dizer, como certo humilde vinhateiro do Mâcon: “Vi Deus num homem”.

Esse prodigioso afluxo teve, para o Cura d´Ars, uma conseqüência penosa. A sua vida tornou-se a vida de um forçado de Cristo, noite e dia preso a uma tarefa cuja amplitude ia além das forças humanas. É certo que lhe tinham dado um auxiliar, que, de resto, pelo seu temperamento, foi para ele, muita vez, ocasião de penitências suplementares… E até se constituiu um grupo de missionários destinado a ajudá-lo. Mas era ele, só ele, quem os inúmeros fiéis queriam ver; só a ele queriam confiar as suas misérias; só dele esperavam esperança e paz.

Então, devorado pelo zelo das almas, Jean-Marie Vianney fez-se escravo do confessionário. Nessa pequena caixa de madeira em que no inverno gelava e no verão abafava, passava horas, dias, meses, anos inteiros… Chegou a ficar lá dezoito horas seguidas! Também chegou a desmaiar, sufocado com a falta de ar e o mau cheiro. Os dias eram para ele “regulados como uma pauta de música”. Pouco depois da meia noite, ia para a igreja, de lanterna na mão. Já a multidão o esperava à porta e logo começava o desfile. Foi preciso organizar um serviço de ordem! As mulheres eram atendidas no confessionário, que ficava numa capela lateral. Os homens que não gostavam de ser vistos iam à sacristia. Os padres – o próprio bispo de Belley – ajoelhavam-se por trás do altar-mor. Quer a confissão fosse longa ou curta, a exortação do padre era sempre breve, mas bastava para que o penitente ficasse transtornado e, muitas vezes, se retirasse de rosto banhado em lágrimas. Nesse desenrolar atrozmente monótono de feios pecados, de impurezas grandes ou pequenas, só duas interrupções: uma, para a missa, pelas quatro da manhã; outra, para o catecismo, às onze. E isso durou mais de trinta anos…

Semelhante heroísmo seria ainda deste mundo? À volta desse homem de Deus, o sobrenatural surgia em tudo. Uma coisa era certa: ele tinha o dom de ler nos corações. Bem o descobriam à sua custa aqueles que tentavam trapacear com Deus, calar pesadas faltas, diminuir um pouco a conta dos anos em que não se tinham confessado: com um olhar, o padre trespassava-os como um raio de luz, e, em duas palavras, situava-os diante da triste verdade da sua miséria.

Veria ele ainda mais alguma coisa, outras realidades? Ferozmente mudo sobre este ponto, fugindo a todas as perguntas, recusava-se a dizer se era verdade que tivera visões de Nossa Senhora, de São João Batista, de alguns outros santos talvez, como insistentemente se dizia. “Uma impressão que tive muitas vezes – diz um dos seus íntimos, que freqüentemente o ajudava à missa – é que ele via aquilo que adorava”. Mas havia outro capítulo sobre o qual o santo era um pouco mais loquaz: o da luta terrível, que, por mais de trinta anos, sustentou com o adversário, o próprio Satanás, a quem chamava, com um termo saboroso, “le grappin” [“a fisga”], e que reconhecia ter encontrado tanta vez que eram “como dois velhos camaradas”. Quanto aos seus milagres, dos quais o processo de canonização consideraria uns trinta, todos eles tinham um ar de simplicidade que devemos dizer evangélica: multiplicação do pão para o orfanato da paróquia, cura de enfermos, leituras do futuro. Em todos eles se encontrava, como diziam os cristãos da primitiva Igreja, “o bom odor de Cristo”.

A glória humana acompanhou essa glória celeste, singularmente manifestada na terra. Os peregrinos de Ars difundiam-na ao longe e ao largo, de modo que vinham pelas estradas das Dombes curiosos, até descrentes, que, na maior parte dos casos, de lá voltavam adivinhados, confusos, demudados. A imprensa falava. Nas lojas próximas da igreja, vendiam-se estampas com a figura do santo cura, o que bastava para o fazer zangar-se: “É o meu carnaval”, dizia ele, mostrando-as. Pôs no olho da rua o escultor que teve a imprudente audácia de lhe pedir licença para fazer a sua estátua. Quando o bispo lhe enviou a murça de cônego honorário, o santo agradeceu-lhe muito amavelmente, mas logo vendeu o inútil ornamento e pôs o dinheiro ao serviço dos pobres. Quanto à Legião de Honra que o sub-prefeito de Trévoux conseguiu para ele, recusou-se evidentemente a colocá-la ao peito e imediatamente a deu de presente, visto que era um objeto sem valor comercial e inútil para as suas obras de caridade. Nada lhe iria faltar para entrar na lenda em vida. Nada: nem sequer a ácida inveja de alguns dos seus confrades, ou a gritaria daqueles a quem incomodava, ou até as cartas anônimas e as injúrias. A todos os ataques respondia afirmando que os piores tratamentos eram ainda suaves demais para um asno e um pecador da sua laia, o que deixava envergonhados os cínicos.

Nos últimos dias de julho de 1859, a morte, cuja chegada anunciara, veio arrancá-lo por fim à sua tarefa sem medida. Morreu na noite de 3 de agosto, de olhos voltados para o Céu, “com uma expressão extraordinária de fé e de felicidade”, no dizer de uma testemunha. E logo acorreram multidões, massas imensas de gente, em que se misturavam os ricos e os pobres, entre eles o novo bispo de Belley, que se deslocou a pé desde Meximieux, a quarenta quilômetros, “sem fôlego, comovido, rezando em voz alta”. Ars bem sabia que tinha acabado de perder um santo.

Fonte : Eclesia Una

Postado por Flos Carmeli às Sábado, Julho 18, 2009

“Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino.(…)” in Institutum Carmelitanum (Roma, 1972) – Tradução Frei Wilmar Santin (0.Carm.) – Ecclesia Brasil

Fonte: Ecclesia Brasil

O Profeta Elias

Tradução: (…) Frei WILMAR SANTIN

  1. A figura de Elias
  2. Elias na tradição Judaica
  3. Elias nas obras dos Padres
  4. Elias no Islão
  5. Elias e o ideal monástico
  6. Elias como inspirador da vida eremítica
  7. A pureza de coração
  8. A vida de oração
  9. Elias e os carmelitas
  10. Culto a Elias
  11. Iconografia sobre Elias
  12. Folclore sobre Elias

Título original: Elia Profeta, em Santi del Carmelo, Institutum Carmelitanum, Roma 1972, p. 136-153)

(…)

No dia 20 de julho se reúne no Monte Carmelo uma grande multidão de devotos de Elias: cristãos de vários ritos, judeus e muçulmanos. Todos sobem ali com os mais variados meios de locomoção ou a pé, para cumprir seus votos, para apresentar suas crianças ao batismo e principalmente para cantar e dançar em honra do profeta. Do interior do monastério se escuta o rumor de uma grande feira: toda aquela gente tão diferenciada se reúne ali cada ano em nome de Elias, o qual continua exercendo sua fascinação e sua notável influência na vida e nas crenças daqueles povos. (Parágrafo final)

Francesco Spadafora

A figura de Elias

próprio nome Elias, que significa “Yahweh é Deus” ou “Yahweh é meu Deus”, já expressa seu caráter e sua função na história bíblica. Ele foi um campeão do monoteísmo de Yahweh. É ele quem mantém a fé em Yahweh entre o povo e quem luta com vigor pelos Seus direitos. Sua árdua luta contra todo sincretismo religioso faz deste profeta, que “surgiu como fogo e cuja palavra queimava como uma tocha”, uma figura de primeira linha na sucessão das duas Alianças. Enquanto o livro do Eclesiástico (48,1-11) canta suas glórias, os livros dos Reis nos contam sua vida de forma ampla. Nesta narração distinguem-se dois ciclos: “o ciclo de Elias” (1Rs 17 – 2Rs 1,18), que se centra na atividade do profeta, e o “ciclo de Eliseu” (2Rs 2-13), que começa com o arrebatamento de Elias, momento em que Eliseu o sucede.

Originário de Tesbi, Elias exerceu seu ministério no reino do Norte, no século IX a. C., em tempos de Acab e de Ocozias.

Primeiro descendente da família de Amri, Acab, que subiu ao trono no ano de 874 a. C., havia desposado Jezabel, filha de Etbaal, rei de Tiro e grande sacerdote de Astarté (1Rs 16,31). Acab pagou as vantagens políticas dessa união submetendo-se à vontade de Jezabel, que demonstrou dominar seu marido impondo-lhe violentamente o culto à Baal e fazendo-o matar a Nabot, que o impedia de estender suas propriedades na zona de Jezrael (1Rs 21,1-16).

Nestas circunstâncias chega Elias, enviado pelo Senhor, para anunciar a Acab a lei do talião (1Rs 21,21-24), lei que depois, por causa da penitência pública do rei, foi aplicada somente à sua mulher e aos seus filhos (1Rs 21,29; 2Rs 9,7-10.26.36-37). A ira de Jezabel contra Elias se desencadeia com a matança dos profetas de Yahweh (1Rs 18,4.13; 19,10). Elias respondeu anunciando uma seca de três anos, durante os quais ele se refugiou primeiro na torrente de Carit, na Transjordânia, onde os corvos o alimentaram, e depois em Sarepta, 15 quilômetros ao sul de Sidônia, onde uma viúva lhe deu de comer; Elias multiplicou milagrosamente o azeite e a farinha dessa viúva e também ressuscitou seu filho (1Rs 17).

A prova indiscutível de que “o Senhor é o verdadeiro Deus” acontece no confronto que Elias estabelece com Baal de Jezabel, em um lugar que uma antiga tradição situa em El-Muhraqah, a sudeste do monte Carmelo. No momento em que Elias rezava, um raio queima o holocausto oferecido a Yahweh, enquanto que os gritos, as danças e as mutilações dos 450 profetas de Baal não obtinham resultado algum. Como conseqüência disto os profetas do ídolo são degolados junto à torrente Quison (1Rs 18). Para evitar a vingança de Jezabel, Elias deve fugir para o sul, onde é milagrosamente alimentado por um anjo e alcança o monte Horeb. Já no cume de Gebel Musa, numa teofania recebe uma tríplice missão: a de investir Hazael como rei de Damasco, a Jeú como rei de Israel e a Eliseu como profeta (1Rs 19). Morto Acab (852 a. C.) num combate em Ramot de Galaad, (1Rs 22,1-40), lhe sucede seu filho Ocozias. E quando este, após sofrer um grave acidente, envia mensageiros para que consultem a Baal-Zebub, deus de Acaron, se irá sarar, Elias intervém novamente e lhes anuncia a morte do rei (2Rs 1,2-4).

Chegando ao fim de sua vida, Elias deixa Gálgala, acompanhado por Eliseu e um grupo de profetas, faz paradas em Betel e Jericó. Ao rio Jordão atravessa a pé enxuto, dividindo as águas com seu manto. Apenas Eliseu, destinado a sucedê-lo, é quem o segue. O fim misterioso de Elias é descrito como um arrebatamento por um carro de fogo (2Rs 2,2-13). Desta descrição se originou a antiga crença hebraica de que o profeta haveria de regressar antes do “Grande dia de Yahweh” ou da “parusia” do Messias, crença que encontrou eco inclusive entre os Padres da Igreja e entre escritores eclesiásticos (Mc 6,14-16; 9,11; Lc 9,7ss.; Jo 1,21; Enoc etíope 89,52; 90,31; IV Esdras 6,26; Justino, Dial. 8,4; 49,1).

O prudente parecer expressado por Flávio Josefo (Ant. IX, 2, 2): “Elias desapareceu dentre os homens e, até o dia de hoje, nada se sabe sobre sua morte”, e sobre tudo a atitude de Jesus, relatada nos Evangelhos, nos leva a considerar a descrição do arrebatamento de Elias como um caso de êxtase profético de Eliseu para significar a especial assistência divina na morte do profeta. Na realidade, o fim de Elias está descrito tal como apareceu aos olhos de Eliseu (cf. 1Mac 2,58) que foi o único que presenciou: Elias desapareceu em um turbilhão. O mesmo verbo laqah (=tomar), usado para indicar o arrebatamento de Elias, expressa em outros lugares a intervenção de Deus na morte serena do justo (Gn 5,24; Salmo 49,16; Is 53,8). Os demais elementos são simbólicos: pensa-se, por exemplo, na visão que teve S. Bento da alma de sua irmã, Santa Escolástica, que voava ao céu como uma pomba, no mesmo dia de sua morte.

Em Malaquias 3,1-24 (hebr. 4,5ss) se diz que Elias virá como precursor do Messias. Esta profecia se realiza em João Batista (Lc 1,17), que é o precursor profetizado (Mt 11,10; 17,10-13). Ele encarnou o “caráter forte” de Elias, o qual foi tão só sua figura. Também Jeremias (23,5) e Ezequiel (34,23) preanunciaram o Messias chamando-o “meu servo (de Yahweh), Davi”.

Na transfiguração de Jesus no Tabor, Elias aparece junto com Moisés (Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36), também favorecido por uma teofania no Sinai. Elias permanece ligado a Moisés na Antiga Aliança, da qual um é o legislador que a conclui, e o outro é o profeta que a conserva intacta e pura. A presença de ambos no Tabor é destinada a testemunhar, na antecipada exaltação de Jesus, que a nova Aliança é o coroamento da Antiga.

Elias, finalmente, é apresentado também no NT como modelo de oração eficaz. (Tg 5,17).

Tarcisio Stramare.

Elias como inspirador da vida eremítica

Se Elias não é o fundador, em sentido estrito, da vida monástica, pode ser considerado como seu autêntico precursor. É um mestre, diz Santo Ambrósio, e os monges são seus discípulos (Ep. 63, 82, PL 16, 1211b). Sobre esta primazia escreve São Jerônimo: “Os nossos príncipes Elias e Eliseu e nossos chefes os filhos dos profetas, que habitavam no campo e na solidão, construíam suas tendas perto do rio Jordão” (Ep. 58, ad Paulinum, PL 22, col. 583). E na Vita sancti Pauli ele apresenta, como opinião de alguns, a origem profética da vida monástica:

“Com freqüência muitos se perguntam qual foi o monge que morou por primeiro num ermo. E alguns, remontando-se mais longe, encontraram seu começo no beato Elias e em João Batista” (PL 23, col. 17a). A mesma idéia nos repete Sozomeno como opinião corrente: “Os mestres desta excelente filosofia foram, como dizem alguns, Elias profeta e São João Batista” (l. c., I, 12, PG 67, col. 894a). São Nilo de Ancira chamará a Elias “iniciador de toda vida ascética” (Ep. 181, PG 79, col. 152c). “Eles estabeleceram as primeiras bases desta profissão”, disse Cassiano falando de Elias e de Eliseu, que colocaram os seus fundamentos iniciais” (De institutis coenobiorum, I, 2, PL 49, col. 61a; cf. o comentário de Hervé da Encarnação, loco cit., p. 194-195).

A pureza do coração

A pureza do coração é o ideal monástico. Seguindo uma tradição hebraica, desde o princípio a virgindade é atribuída a Elias. Santo Ambrósio o faz na fé (PL 16, col. 192a). São Jerônimo atribui a virgindade também aos filhos dos profetas: “Virgens foram Elias, Eliseu e muitos dos filhos dos profetas” (Ep. 22, 21, ad Eustochium, PL 22, col. 408). São Gregório Magno (Hom. in Evangelia II, 29, 6, PL 76, col. 1217b) e São Nilo (Ep. 181, PG 79, col. 152c) vêem no arrebatamento de Elias a recompensa de sua pureza. De outro lado, esta deve ser entendida no sentido da pureza monástica, da “apátheia”. Elias, amando “os segredos da solidão e a pureza do coração”, realizou o ideal de um monge: “sabemos que ele se uniu familiarissimamante a Deus pelo silêncio da solidão”. (Cassiano, Collationes 14, 4, PL 49, col. 957a). A respeito desta plena disposição de um coração puro remetemos ao belíssimo texto de Afraates, de inspiração eliana, citado em Élie (t. I, p. 165-166). Além do mais, na vida de Elias se encontram os principais exercícios atléticos do eremita: a solidão, o jejum (cf. S. Ambrósio, De Elia et ieiunio, PL 14, cols. 697-728) e a oração.

A vida de oração

Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino. “Até quando vais estar mancando?”, com estas palavras do profeta, Orsiesio exorta a seus monges (Doctrina de institutione monachorum 28, PG 40, col. 882c). A oração de Elias, um homem como nós, foi poderosíssima, por isso, sob este aspecto, se constitui num exemplo completo. O vidente do Horeb e do Tabor é também o exemplo de grande intimidade com o Senhor. Para Máximo, o Confessor, a visão do glorioso Elias na sua gruta é um símbolo da mística apofática:

O Horeb representa… um exercício habitual das virtudes num espírito de graça. A caverna é o mistério da sabedoria escondida na alma, e seu santuário. Quem nela penetra terá a intuição profunda e mística do saber “que supera toda ciência” e na qual se manifesta a presença de Deus. Pois se alguém, como o grande profeta Elias, busca verdadeiramente a Deus, deve não somente “subir ao Horeb” (e é evidente que quem se consagrou à ação deve também aplicar-se à virtude), como também “penetrar no interior da caverna” situada sobre o Horeb, isto é, estar completamente dedicado à contemplação, na obscuridade e no mistério mais profundo da sabedoria, fundada sobre uma prática habitual da virtude” (2 Centuria, citado por François de Sainte-Marie, em Les plus vieux textes du Carmel, 47ss). Convém também citar um famoso texto místico de São Gregório Magno (In Ezechielem, II, 1, 17, PL 76, col. 948a).

A mística hesicasta, que vê o lugar místico na luz do Tabor (cf. art. Contemplation, DS, II, cols. 1851-1854), pode igualmente refazer-se no exemplo de Elias. Pedro o Atonita (séc. VIII) é, talvez, o primeiro dos hesicastas a quem se elogia com estas palavras: “Tu decidiste habitar no monte Athos como Elias no Carmelo, para buscar a Deus no silêncio” (citado por Théodosy Spasky, Le culte de prophète Élie et sa figure dans la tradition orientale, em Élie, I, 222).

No Oriente, na celebração litúrgica, é aplicado a Elias o título dos santos monges: “anjo terrestre e homem celestial” (ibid., p. 221). No Ocidente se encontra apenas algum rastro de um culto litúrgico tributado ao Santo Elias (B. Botte, Le culte du prophète Élie dans l’Église chrétienne, em Élie, I, 213-6). Entre os próprios Carmelitas a festa de Elias é bastante tardia (Pascal Kallenberg, Le culte liturgique d’Élie dans l’Ordre du Carmel, em Élie, II, p. 138). O prefácio próprio da festa de Santo Elias cantava (até a última reforma litúrgica): “coloquei os fundamentos da vida monástica”.

Elias e os Carmelitas

No tempo das cruzadas, alguns soldados se retiraram ao Monte Carmelo, atraídos pela beleza do lugar, pela sua posição geográfica e também pela lembrança do profeta. Tiago de Vitry, a princípios do século XIII, traçou um quadro retrospectivo do renascimento espiritual da Terra Santa depois das cruzadas dos séculos XI e XII:

“Devotos peregrinos e homens santos de diversas partes do mundo, compareciam a Terra Santa… Varões santos, renunciando ao século, impulsionados por vários sentimentos, desejos e tomados pelo fervor religioso, escolhiam os lugares mais aptos para seu santo propósito e devoção… Alguns, a exemplo e imitação do santo e solitário varão Elias profeta, no Monte Carmelo e particularmente naquela parte que domina a cidade de Porfiria que hoje se chama Haifa, junto à fonte chamada de Elias e não longe do monastério da virgem Santa Margarida, levavam uma vida solitária em alvéolos de pequenas celas, elaborando qual abelhas do Senhor o mel da doçura espiritual” (Historia orientalis sive hierosolymitana, I, caps. 51-52; ed. J. Bongars, Gesta Dei per Francos, Hanoviae 1611, p. 1075).

Entre os anos 1206-1214, um grupo de monges latinos, que viviam “junto à fonte no Monte Carmelo”, receberam das mãos de Alberto, patriarca de Jerusalém, uma “norma de vida”, confirmada depois pelo papa Honório III em 1226. Estes viriam a ser os Carmelitas, os irmãos de Nossa Senhora do Carmelo e os filhos de Elias. Não é certo que fora a veneração do profeta Elias o que atraiu estes eremitas ao Monte Carmelo. A Regra não fala de uma inspiração eliana da vida carmelitana. Mais tarde, Nicolau Gálico, ao expressar seu desejo de que os Carmelitas recobrassem a pureza da vida eremítica, não invoca em sua Ignea sagitta o exemplo do grande solitário do AT. É mais provável que o nascimento e desenvolvimento da devoção a Santo Elias tenha surgido do fato de habitarem o Monte Carmelo e, mais tarde, a lembrança conservada. Só ao longo da história é que o tema de Elias se tornou “parte integrante” da espiritualidade carmelitana. Alguma alusão à lenda sobre uma vida eremítica ininterrupta no Monte Carmelo desde o tempo de Elias até as Cruzadas, se encontra na rúbrica prima das Constituições do Capítulo de Londres do ano 1281:

“E assim dizemos, dando testemunho da verdade, que a partir dos profetas Elias e Eliseu, devotos habitantes do Monte Carmelo, alguns santos padres, tanto do Velho como do Novo Testamento, realmente apaixonados pela solidão deste monte, tão adequado à contemplação das coisas celestiais, viveram ali, sem dúvida, de modo digno de louvor, junto à fonte de Elias, em santa penitência, praticada sem interrupção com santos resultados. E nos tempos de Inocêncio III, Alberto patriarca da igreja de Jerusalém reuniu numa comunidade (“collegium”) os seus sucessores e lhes escreveu uma regra, que o Papa Honório, sucessor de Inocêncio, e numerosos outros depois dele, aprovando esta Ordem a confirmaram tão devotamente, como o atestam suas bulas. E nesta profissão que nós, seus discípulos, servimos ao Senhor até o dia de hoje nas diversas partes do mundo” (texto latino em AnalOC, XV [1950], p. 208).

Se havia ainda uma diferença entre os primeiros eremitas do Antigo e do Novo Testamento e seus sucessores da época de Inocêncio III, na primeira rubrica das Constituições de 1324, os sucessores aparecem já nos tempos de Cristo. É assim que se forma a idéia da ininterrupta sucessão hereditária da Ordem do Carmelo. Esta convicção desembocará no tão penoso litígio entre os Carmelitas e Daniel Papenbroek. Entretanto, a figura de Elias foi se tornando cada vez mais significativa na espiritualidade da Ordem. No século XV Tomás Waldense escreve, sem ulteriores correções: “nossa profissão religiosa nos estimula a viver segundo sua inspiração” (Mhc, p. 446).

Tudo indica que foi João Baconthorp, morto em 1346, quem pela primeira vez uniu a devoção mariana da Ordem do Carmelo com a lembrança do profeta Elias:

“Segundo os profetas (as profecias?), os Frades do Carmelo nasceram especialmente para venerar à Santíssima Virgem Maria… E posto que [a Virgem Maria] é honrada e pregada através do Carmelo, convém que no Carmelo, dado a ela, exista os carmelitas que a venerem de um modo especial. E assim foi na antiguidade. Na realidade as profecias se compreendem à luz dos acontecimentos… Quantos profetas e reis estiveram no Carmelo rendendo honras à Senhora do lugar, a bem-aventurada Maria! Para continuar o culto à Virgem Maria em seu Carmelo, nasceu a Ordem dos Irmãos do Carmelo. Porque o culto celebrado nos lugares dos santos é tributado primeiro a Deus e depois aos próprios santos… Mas também se todos aqueles que deveriam ser salvos na época dos profetas honraram ao futuro Filho da Virgem Maria…, com muito maior razão os religiosos do Carmelo, venerando no tempo de Elias e Eliseu aquele que havia de vir, instauraram no Carmelo sua Ordem da bem-aventurada Maria… Consequentemente é para este culto que tiveram origem” (Speculum de institutione Ordinis, cap. I; texto latino também em Élie, II, p. 42-43).

A forma mais completa desta espiritualidade eliana e profética encontra-se num escrito do séc. XIV, o Liber de institutione primorum monachorum (texto também em AnalOC, II [1914-16], p. 347-49).

Cosmas Peters

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Postado em Ecclesia Brasil.

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Imagem: Província Carmelitana de Santo Elias

“Com sua singeleza, pureza e entrega, N. Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade.” Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho (OCDS)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS)

A Mãe apresentada pelas Filhas – Nossa Senhora do Carmo

Diversos e diferentes títulos são ofertados Àquela que, em frações de segundos não hesitou em dizer o “Sim” mais importante da história da salvação e da humanidade. Com sua singeleza, pureza e entrega, Nossa Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade. Após este momento fulgural toda uma teologia desenvolveu-se culminando com a morte e ressurreição de Jesus.

No Carmelo, a flor mimosa e bela, desde os remotos tempos do Profeta e Santo Elias, passando pela presença junto à São Simão Stock, tem sido sempre notada pela presença discreta e decisiva em importantes momentos da vida de diversos Santos e Santas.

Com a reforma Teresiana do Carmelo sempre ficou evidente o amor e carinho não somente da Madre como de São João da Cruz, mas também de suas filhas carmelitas à Virgem Maria. Então, como estas filhas se dirigiram a sua Mãe e Virgem do Carmo? Apenas para ilustrar esta relação de amor filial, de veneração e de carinho, podemos pelos frutos admirar ainda mais a frondosa árvore.

Durante seus poucos anos de vida no mundo, Teresa de Jesus dos Andes, nos apresenta uma Mãe generosa e uma guia espiritual. Nos diz: “Mãe minha, mostra que és minha Mãe. Ouve o grito de minha alma pecadora arrependida, que sofre e leva até o fim o cálice da dor. Mãe, consola-me, alenta-me, aconselha-me, acompanha-me e abençoa-me”. Ainda em outro momento de seus textos nos mostra algumas das virtudes da Virgem. Oh Mãe, celestial Madonna que nos guia. Tu deixaste cair de tuas mãos maternais raios de céu. Minha alma, extasiada a teus pés virginais, te escutava. Tua linguagem era terna, era de céu, quase divino”.

E como a Santa de Lisieux se dirigia a sua Mãezinha? Na poesia número 7, Canto de gratidão à Virgem do Carmo, ela nos ensina:

Desde o primeiro instante de minha vida
me tomaste em teus braços,
e desde aquele momento,
minha amada Mãe,
me proteges aqui na terra.
Para guardar intata minha inocência,
me escondeste em um suave e doce ninho,
guardaste minha infância
à bendita sombra
de um claustro retirado.

E mais tarde, ao chegar
minha juventude em seus primeiros dias,
escutei o chamado de Jesus.
Me mostraste o Carmelo
com inefável ternura.
“Venha imolar-te por teu Salvador
– me dizias, então com doçura –
perto de mim te sentiras feliz,
Venha imolar-te por teu Salvador”

Perto de ti, oh minha terna Mãe,
encontrei a paz do coração,
nesta terra nada mais desejo,
Só Jesus é toda minha ventura.
Se alguma vez me assaltam
a tristeza ou o medo,
em minha debilidade, tu me sustenta
e sempre, minha Mãe, me abençoa.

Alcançai-me a graça de manter-me fiel
a meu divino Esposo, Jesus
Para que um dia
eu escute sua voz doce
quando eu voar me convide a sentar-me
entre seus eleitos.
Então já não haverá
nem desterro, nem mais sofrimento.
Já no céu,
eu voltarei a cantar-te
meu amor e gratidão,
doce e amável Rainha do Carmelo.

Também podemos admirar e constatar a beleza da Mãe pelos dizeres da Beata Elisabete da SS. Trindade que tão bem expressou os seus sentimentos de amor a Virgem do Carmo, quando nos fala: “Quem mais terna, mais misericordiosa que Maria? Ela sofreu tanto por nós! Podia demonstrar-nos de modo melhor o seu amor? Vejo-a contemplando o seu Jesus morto que repousa em seus braços. Quanto sofre esse coração de Mãe! Seria eu capaz de recusar-lhe o meu consolo?”.

Assim, neste dia 16 pedimos a mimosa e admirável flor do Carmelo, Maria, que continue a abençoar com seu manto sagrado e com o Santo escapulário, a todas as suas filhas e filhos carmelitas e a todos que peregrinam rumo a morada celestial.

Professor Hercílio Martelli Júnior e Irmã Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus, OCD.

Publicado por Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS).

Leão XIII declarou São Camilo de Lellis “Patrono dos Enfermos e Hospitais” (Memória – 14 de julho)

SÃO CAMILO DE LELLIS - Patrono dos Enfermos e Hospitais
SÃO CAMILO DE LELLIS - Patrono dos Enfermos e Hospitais

No Rio Grande do Sul, residimos por alguns anos em Sapucaia do Sul. Na cidade ao lado, o hospital que atendia o município foi construído por uma ordem camiliana. Passou por várias crises financeiras o Hospital São Camilo. Espero que sua situação atual seja diferente, em honra aos esforços de São Camilo de Lellis, que é lembrado neste dia – 14 de julho.

Casualmente, na cidade que residimos, em Santa Catarina, o hospital do município também se chama “São Camilo”. Também vem atravessando sucessivas crises. Peço a São Camilo de Lellis que interceda junto a Deus e Jesus Cristo para que as Irmãs Camilianas sejam fortalecidas, com a ajuda do Espírito Santo, e que encontrem medidas que sejam saneadoras, em definitivo, dos problemas que vêm enfrentando há muitos anos. Peço a Deus que tudo se dê à altura de seu Patrono. Amém.

Aproveito este momento para pedir que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Nossa Senhora e São Camilo de Lellis consolem os pais da criança vitimada pela gripe H1N1 em Sapucaia do Sul. Esta criança de nove anos foi internada em hospital de Porto Alegre. Não conhecemos sua família, e pelos meus cálculos era um bebê de colo quando saímos do RS (em 2000).

Meus pais perderam dois filhos, depois de meu nascimento e de meu irmão. Depois vieram minhas duas duas irmãs, ambas na faixa dos 40 anos.

Um deles não resistiu a um grave problema cardíaco e, no outro ano, outro irmãozinho se foi para junto de Deus Pai, em decorrência de pneumonia dupla.Eram bebês, mas receberam nome e batismo. Minha mãe sempre mencionava a ocorrência do aniversário de cada um deles, com muita tristeza. Nunca soube o que dizer, para consolá-la. Certa vez, já na faixa dos 40 anos, me veio à mente falar-lhe o seguinte (meu pai estava ao lado dela): “Mãe, eu creio que eles estão lá no Céu e recebem notícias de vocês pelos Anjos, e rezam, e pedem, sem descanso, que Deus cuide, em especial, de vocês,seus pais. De certo modo, eles são como que “anjos” (pela inocência, ainda que humanos)”. Fiz 49 anos e, já há algum tempo dei-me conta que ela deixou de falar destas duas perdas dolorosas. Certamente lembra do dia em que nasceram, mas tem o vislumbre de que estão junto d’Aquele que protege e ama, incondicionalmente, todas as Suas criaturas.

Por acreditar piamente que meus irmãozinhos estão lá no Céu, peço aos Anjos, neste momento de minha vida, em especial, que levem a eles a premente necessidade de que rezem por mim. Não por egoísmo, e sim, para que eu saiba ouvir a voz de Deus e a esta Voz consiga ser obediente, sem temor de espécie alguma. Os Anjos da Corte Celeste sabem o que precisa ser acrescentado a este pedido especial. Amém.

Como jornalista não me sinto à vontade para revelar o nome da cidade que resido com meu marido, por segurança. A internet, o mundo são lugares perigosos… Que São Bento de Núrcia e Santo Isidoro de Sevilla (Patrono da internet) nos proteja. Talvez seja um excesso de minha parte, mas jamais forneço minha localização exata; apenas a região. Peço a proteção de São Miguel Arcanjo, para que eu continue o caminho a que Deus me conduziu ainda muito jovem, e que proteja a todos de meu convívio. Amém.

Que São Camilo de Lellis continue cuidando lá do Alto dos hospitais, enfermos e enfermas, médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, bem como funcionários e funcionárias. Também há de pedir, em meio à pandemia de gripe H1N1 – que Deus Pai abençoe as consagradas e os consagrados de todas as ordens que administram hospitais. Que jamais desanimem, mesmo diante de todo o fardo. Que, enfim, os “cuidadores” nunca percam de vista sua missão especial, ou seja, cuidado e respeito “magnânimos” para com os doentes. E quanto a estes, em sua fragilidade, que São Camilo lhes conforte na situação de saúde em que se encontrem. Acredito que tudo se dá tal como Santa Teresa de Jesus intitulou em um de seus belos poemas: todos estamos “Nas Mãos de Deus”…

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Fonte: “Cada dia tem seu Santo” (A. de França Andrade) – Internet

Terça-feira, 14 de julho de 2009

São Camilo de Lellis, Confessor

(+ Roma, 1614)

Pertencia a uma nobre família mas, infelizmente, não se portou bem no início da vida. Foi militar e revelou mau caráter, sendo expulso da tropa. Viciado em jogo, perdeu todos os bens e decaiu até à condição de mendigo. Foi nesse ponto que a graça o tocou. Arrependeu-se profundamente de seus pecados e passou a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. Fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. Foi declarado por Leão XIII –  “Patrono dos Enfermos e Hospitais”, juntamente com o português São João de Deus.

Santa Isabel da Hungria: “Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa.” – Terceira franciscana – Roberto Alves Leite (in “O Catolicismo)

Fonte: O Catolicismo

Santa Isabel da Hungria: nobreza e resignação heróica no infortúnio

Nos faustos da corte, piedade. Sob a calúnia e a perseguição, magnanimidade. Na opulência, caridade extremada. E, com a morte, a glória dos altares e da felicidade eterna.

Por Roberto Alves Leite

A vida de um santo é uma cruzada épica, em que ele põe todas as suas forças físicas e espirituais em ação. Quer se tenha convertido na maturidade, quer tenha sido aquinhoado desde pequeno com grandes dons, a partir do momento em que decidiu aprimorar-se nas virtudes e combater seus defeitos para alcançar a santidade o aspecto heróico passará a ser uma característica predominante em sua vida. Tal aspecto pode manifestar-se, às vezes, de forma surpreendente.
Quando Santa Isabel da Hungria nasceu, em 1207, cessaram todas as guerras em seu país natal. Seu pai, o Rei André II, da dinastia dos Arpades, e sua mãe, Gertrudes de Meran, descendente direta de Carlos Magno, tinham motivos para se alegrar por esta feliz coincidência.

Quatro anos depois, o Duque Herman, da Turíngia, enviou magnífica embaixada à Hungria para solicitar ao Rei a mão de Isabel para seu filho Luís, de onze anos.

Isabel passou a viver então na corte da Turíngia, onde, à medida que crescia, ia manifestando sua profunda piedade, que caracterizava todos os seus atos. Quando atingiu a adolescência, foi alvo de críticas da parte de nobres da corte, que a acusaram de ser muito religiosa, reservada, sem os traços mundanos que eles julgavam necessários para uma duquesa. Também diziam que ela iria arruinar o reino com as esmolas que dava.

Aos 13 anos, casou-se com Luís. Este tinha todas as qualidades de um autêntico cruzado, um verdadeiro defensor da Igreja. Em 1227 partiu para a Terra Santa como cruzado, com a elite de sua cavalaria, viagem da qual não haveria de voltar, pois morreu na mesma.

Hospedada no lugar dos porcos…

Viúva aos 20 anos, Isabel viu então a perseguição abater-se sobre ela e seus quatro filhos, um dos quais recém-nascido. O Duque Henrique, seu cunhado, que jurara protegê-la, expulsou-a do palácio com seus filhos e duas damas de honra, que lhe permaneceram fiéis. E proibiu à população recebê-la em suas casas.

Assim, em pleno inverno, Isabel viu-se obrigada a andar pelas ruas e bater de porta em porta, na esperança de que alguma alma caridosa se dispusesse a recebê-la. Só conseguiu entrar numa estalagem, onde o dono lhe destinou o lugar onde estavam os porcos, que foram removidos para ali ficar com seus filhos uma duquesa e princesa real.

No dia seguinte vagueou desamparada pela mesma cidade onde tantas pessoas se tinham beneficiado das esmolas que distribuíra com a prodigalidade que lhe era peculiar. Finalmente um padre, pobre também, resolve acolhê-la e dar-lhe certa proteção. Para que os filhos não morressem de fome, é obrigada a aceitar o conselho de deixá-los em mãos de outras pessoas.

Aparições do Redentor, de Nossa senhora e de São João Batista

Em sua vida de miséria e desamparo, Isabel sofreu muitas humilhações, tantas vezes vindas daquelas mesmas pessoas a quem muito tinha ajudado quando estavam necessitadas. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que a ninguém esquece, aparecia para consolá-la em suas aflições. São João Batista vinha confessá-la, e Nossa Senhora muitas vezes a visitava para a instruir, esclarecer e fortificar. Foi nessa ocasião que decidiu viver apenas para Deus.

Tendo chegado aos ouvidos de seus parentes, na Hungria, as provações por que passava, recebeu ela de seu tio, o Bispo-Príncipe de Bamberg, um castelo à altura de sua posição.

Além disso, os vassalos de seu finado marido, o Príncipe Luís, ao voltarem da Cruzada, dirigiram palavras duras ao usurpador, acusando-o de ter ofendido a Deus e desonrado o Ducado da Turíngia.

Isabel foi então reconduzida aos seus domínios, onde passou a exercer a caridade como desejava; e para melhor fazê-lo, decidiu recolher-se como terceira franciscana.

Virtude heróica: exagero para alguns…

Nesta situação, entretinha-se fiando a lã para dá-la aos pobres. Sua paciência e caridade não tinham limites. Nada a irritava ou descontentava. No atendimento aos doentes, nunca se viu tão maravilhoso triunfo sobre as repugnâncias dos sentidos. Era de espantar ver como a filha de um rei e viúva de um duque tratava os indigentes mais miseráveis. Até pessoas piedosas julgavam que ela exagerava em seus cuidados.

Seu pai, ao saber como vivia, enviou-lhe mensageiros para tentar retirá-la desse “estado miserável”. Ela lhes respondeu que, vivendo assim, era mais feliz que seu pai em sua pompa real. E retomou serenamente seu trabalho de tecer a lã.

Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa. Apesar das fatigantes obras de misericórdia a que se dedicava, sempre encontrava tempo para passar longas horas na oração e na meditação.

Era incansável na distribuição de benefícios materiais e espirituais. A um surdo-mudo ordenou, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dissesse de onde vinha; ao que ele imediatamente obedeceu, contando sua história. Do mesmo modo, cegos, possessos e estropiados eram curados.

Milagres atestam santidade antes e depois da morte

Tinha apenas 24 anos quando Nosso Senhor chamou-a a Si para premiá-la com a glória celestial. Na véspera da morte, sua fisionomia transformou-se. Seu olhar tornou-se resplandecente, manifestando uma alegria e felicidade que cresciam a cada instante. Quando exalou seu último suspiro, um delicioso perfume se espalhou pelo ar, ao mesmo tempo que um coro de vozes do Céu se fez ouvir em cânticos de júbilo. Era o dia 19 de Novembro de 1231.

A notícia de sua morte atraiu verdadeira multidão que desejava contemplá-la pela última vez antes de seu sepultamento. Eram pessoas de todas as condições sociais, que não se constrangiam em arrancar-lhe pedaços das vestes, mechas de cabelo, fragmentos de unhas, etc, guardando-os piedosamente como relíquias.

Para atender a todos foi necessário prolongar a exposição do corpo por quatro dias, durante os quais seu rosto se conservava como o de uma pessoa viva. Na noite que precedeu o enterro, o teto da Igreja se encheu de pássaros desconhecidos, que cantavam melodias inefáveis.

Após sua morte verificaram-se muitos milagres atribuídos à sua intercessão, como a cura de cegos, surdos, leprosos, coxos, paralíticos, etc. Isto suscitou um grande movimento popular pela sua canonização, o que muito contribuiu para que o Papa Gregório IX a elevasse sem demora à honra dos altares, fato ocorrido em tocante cerimônia no dia de Pentecostes, 26 de maio de 1235, decorridos apenas três anos e meio de seu falecimento.

Poucos dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, o Papa publicou a bula de canonização, que foi logo enviada aos Príncipes e aos Bispos de toda a Igreja.
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Fonte de referência:
Conde de Montalembert, Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie, Duchesse de Thuringe, Pierre Téqui, Paris, 1930.

Fonte: O Catolicismo.

Postado em Dezembro 10, 2007 by Feri.

“A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé.” – 29 de junho (Ecclesia Una)

O autor do texto abaixo é Everth Queiroz Oliveira, 14 anos. É estudante, e em seu blog “Ecclesia Una” se afirma como “Cristão Católico”. Admito que  fiquei impressionada com o conteúdo geral do blog deste menino. Ele toca em um assunto que considero muito importante: “um católico/cristão” pode fazer parte da Maçonaria, ou integrar a Ordem Demolay?

É autor do post abaixo, em que fala da “Solenidade de São Pedro e São Paulo”. Em seu blog apresenta o bispo de sua Diocese – Ituiutaba (MG) – Dom Francisco Carlos. Ele, Everth – se descreve assim: “Uma mente medieval em meio ao mundo moderno“.

Peço a Deus-Pai que abençoe este menino extraordinário em seus caminhos, iluminando sempre seus passos.  Que não perca a humildade (cheia de devoção) que transparece em seus escritos e em seu olhar. Que a oração seja o seu escudo no “bom combate”. Amém.

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. Ecclesia Una

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Ecclesia Una (blog)

27/06/2009 por Everth Queiroz Oliveira

A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé. Trata-se de uma das mais importantes festividades da Igreja, onde se lembra – liturgicamente falando – a fundação da Igreja Católica. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). De fato, aqui tudo começou: o ministério apostólico, a missão evangelizadora dos cristãos, a pregação da doutrina. Com essas palavras de Jesus, a Igreja começava a se formar e é hoje que celebramos mais um aniversário da Igreja. Sim. São quase 2000 anos de história, de lutas, de conversões, de testemunhos, de santidade, de vida, de .

Quando passamos a observar a dimensão da Igreja Católica no mundo, observamos o quão grandes somos. Em particular, cada um de nós é um ser humilde, simples; no entanto, por meio da união, evidencia-se na Igreja cristã um Pai Nosso, de todos nós, que protege e guarda o Sumo Pontífice Bento XVI, os cardeais e bispos do mundo inteiro, além, é claro, dos sacerdotes e leigos responsáveis por combater o depósito da fé. De fato, não dá para pensar em Igreja Católica sem se lembrar da figura sempre atuante de Jesus Cristo. Com efeito, a própria Igreja é o Corpo de Cristo. Fundada por Ele, ela segue seu ministério com amor, empenho e dedicação. Não se aflige com os pecados dos seus ministros, pois sabe que esses pecados não interferem e nem mancham a santidade da Igreja, que é, segundo São Paulo, “sem mácula, sem ruga” (Ef 5,27).

Nós, que somos católicos, sentimos um imenso orgulho em participar da união católica, que é evidenciada e completada pelo banquete nupcial: a Eucaristia. E a Igreja é a única a conter esse mistério inefável. O Corpo e o Sangue de Jesus estão verdadeiramente na Santa Sé, na Igreja; e Ela é a única a manter em sua doutrina esse tão belo tesouro. Não existe, aliás, riqueza maior do que Jesus Eucarístico. A plenitude da fé, do amor, da caridade e da santidade só pode acontecer no Santo Sacrifício da Missa, onde celebramos a Eucaristia. Nesse sentido, celebramos a Missa de aniversário da Madre Fiel e pura.

E por que é tão importante celebrar, no contexto da fundação da Igreja, os apóstolos Pedro e Paulo? Eles, de fato, foram personagens de suma importância para a história da difusão da fé cristã no mundo. Primeiramente, Pedro, onde Jesus decidiu edificar a sua Igreja. Segundo a tradição católica, cremos que São Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Da mesma forma, quando falamos disso, não podemos nos esquecer de São Paulo, que tem na Bíblia Sagrada cartas de uma riqueza espiritual incomensurável. São exortações ricas em ensinamentos e conselhos de um homem que experimentou a mais bela conversão da Sagrada Escritura. Aliás, foi a primeira conversão cristã da Bíblia depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Observa-se aqui a importância da festividade dos dois santos.

Ela é analisada não só quando pensamos nos fatores históricos, mas principalmente quando partimos para a liturgia que hoje nos propõe a madre Igreja. A primeira leitura mostra como o Espírito Santo estava com Pedro. Foi ele preso por pregar o Evangelho de Jesus. E aqui é importante pensar que todos os apóstolos – com exceção de São João – morreram martirizados. São Pedro inclusive foi crucificado, assim como Jesus. A missão apostólica naqueles tempos era muito difícil. Preso, São Pedro viria a ser morto. Mas Deus ainda precisava dele para a pregação do Evangelho. Por isso mandou-lhe um anjo para que o libertasse da prisão. Só depois, contudo, ele veio a reconhecer aquilo: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Ainda na primeira leitura, a Pedro o anjo exclama: Levanta-te depressa! Quantos de nós hoje não estamos presos, caídos pelas perseguições do mundo, pelo desânimo que nos impõe o demônio por meio do pecado, da tristeza e do desespero? Nesse momento, Jesus está incessantemente a nos chamar, assim como chamou a Pedro: “Levanta-te!” Não é hora de ficar parado. Deus nos escolheu para sermos vencedores, para batalharmos por Ele. E isso para que depois possamos dizer com Paulo: “Combati o bom combate, (…) guardei a fé” (2Tm 4,7). Depressa: agora é a hora. Precisamos nos converter, nos levantar, mudar de vida? Sim. Mas quando? Agora. E por que agora? Justamente porque não sabemos a hora que Jesus virá para julgar. Deus não quer chegar e nos ver caídos na lama do pecado e do desespero. É mister que estejamos de pé, firmes, para a hora da volta de Cristo.

* * *

Na segunda carta de São Paulo a Timóteo, o apóstolo dos gentios deixa aos leitores da Bíblia uma mensagem final. Se aproximava o momento de sua morte, de seu encontro com Deus. Era realmente momento de ir – e ele bem sabia -, de partir ao encontro do Pai: “eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida” (2Tm 4,6). Mas, de se queixar ele não tinha nada. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Essa frase de São Paulo ao final de sua vida mostra a nós que todo aquele que quer seguir Jesus e pregá-Lo precisa assumir o compromisso de travar um combate contra as trevas. Catolicamente falando, o missionário cristão deve estar com o “escudo da fé” (cf. Ef 6,16) para combater as heresias do mundo moderno e também as insídias armadas por Satanás para destruir a Santa Igreja de Deus.

Esse ato de combater o bom combate é de uma valentia que Jesus admira em seus combatentes. Somos, em meio a esse mundo, verdadeiros “cruzados cristãos”, pessoas que lutam para guardar a fé, para vencer o medo, vencer o mundo, vencer o demônio. Nesse sentido, lembro-me de ter lido uma radiomensagem do Papa Pio XII, no natal de 1942, sobre o assunto. Na ocasião, ele dizia:

29. O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade. Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de “Deus o quer”, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência.

Quando falamos de ser cruzados – que ninguém interprete isso mal – proclamamos a sua coragem, sua fé, sua vontade em combater o bom combate. A construção da Igreja de Deus precisa da vitória nos combates. Ah! E como precisamos de missionários cada vez mais compenetrados pelo amor de Cristo e empenhados em guardar a fé, se preciso for até morrendo pela Igreja!

É esse o exemplo que nos deixa São Paulo Apóstolo. De perseguidor dos cristãos a combatente da fé: esse homem deixa-nos uma lição de vida que deve ser seguida por todos. Com efeito, é só tendo uma vida como a de Paulo que poderemos dizer: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4,8). Sim, porque “a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” será concebida a herança eterna, recompensa de nossas boas atitudes, da fidelidade ao combate de Cristo.

Enfim, chegamos ao Evangelho. E nele observamos a passagem em que Pedro proclama sua fé. Jesus pergunta quem pensam os apóstolos que Ele é. Pedro toma a palavra e responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). É essa confissão de fé que Pedro profere faz com que Jesus dê a ele as chaves do Reino de Deus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).

Aqui Jesus Cristo edifica sua Igreja. Pede a Pedro que guarde a fé de sua Igreja, por isso a ele confia as chaves do Reino. Esse ato de dar as chaves do Reino representa a infalibilidade papal, dogma proclamado oficialmente pela Igreja no Concílio Vaticano I. Veja, meu irmão, essa é a prova bíblica que comprova que quando um Papa trata sobre um assunto de fé e moral, ele não pode errar. Hipocrisia isso? Não. O Espírito Santo foi garantido por Jesus ao Sumo Pontífice, portanto, quando esse vai instruir os fiéis, não erra. E é por isso que as portas do inferno non praevalebunt. Não prevalecerão e nem prevaleceram. E olha que isso já faz 20 séculos! A Igreja, construída sobre a rocha está firme até hoje porque foi fundada por Jesus Cristo, que por sua vez declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja de Deus. Ora, se ela persistiu de pé durante 2000 anos é porque Jesus o garantiu!

Sobre São Pedro, sobre São Paulo, cujas histórias de vida nos recusamos a contar de tão grande é esse belo testemunho, foi construída e edificada a Igreja de Deus. É por meio dela que alcançamos a salvação que Deus tanto quer que recebamos. Ouçamos a voz infalível do Magistério da Igreja, escutemos o que tem a nos falar Jesus Cristo por meio desse tão nobre sacramento de Salvação. Celebremos com a Madre Igreja essa festa tão bela e alegre! Que a Santíssima Virgem Maria continue a cobrir a Igreja com seu manto de amor. Amém.

Graça e paz.

Autor: Everth Queiroz Oliveira

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OBS.: Todos os grifos e partes subinhadas são do autor.

Memória (13 de junho) – Santo Antônio de Pádua (Lisboa): “A Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis.” – Frei Hugo D. Baggio (OFM)

santoantonio_avandyckFonte: Província Franciscana Imaculada Conceição do Brasil

Santo Antônio, esse desconhecido

por Frei Hugo D. Baggio (OFM)

1. O risco de ser taumaturgo
2.
Santo Antônio Pregador
3.
Santo Antônio místico
4.
Santo Antônio apologeta e exegeta
5.
Conclusão

2. Santo Antônio Pregador

Conhecemos o zelo missionário de Santo Antônio pelas duas tentativas de ir à África pregar o Cristo e, à imitação dos primeiros mártires franciscanos, dos quais haurira a vocação franciscana, ali derramar seu sangue em testemunho de fé. Deus, porém, em seus desígnios, que Antônio perfeitamente entendeu, queria outra prova de fé e impeliu-o para as terras da Itália, transformando-o numa das mais poderosas vozes do século XIII, na difusão do Evangelho e na conversão aos bons costumes, naquela fase da história tão desconhecida e atacada, mas, ao mesmo tempo, tão rica e gloriosa.

São Francisco de Assis provocara uma revolução na eloqüência sacra pela sua espontaneidade e pela sua intuição, numa sábia mistura de piedade e jogral, conseguindo atrair sábios e simples, cardeais e humildes campônios, deixando em cada um a mensagem quente, cuja ascendência verbal transparece até em seu poder de subjugar aves e lobos.

Na simplicidade que o Senhor lhe dera, criou, em verdade, uma escola e, até hoje, tudo quanto leva a adjetivação de franciscano fica bem caracterizado pela simplicidade, doçura, delicadeza, verdade, fraternismo, comunhão total, amor aos homens e a Deus e uma efusão sublime de poesia. O espírito e a forma se entrelaçam e realizam o binômio feliz para levar o Evangelho à vivência.

Mas logo após São Francisco, “o primeiro a fundir a elevação doutrinária com a simplicidade popular, numa eloqüência irresistível, foi Santo Antônio de Pádua”, afirma o Pe. Gemelli (1). Com esta afirmação, o Pe. Gemelli nos alerta que, na jovem Ordem Franciscana, acabava de aparecer alguém com dotes intelectuais e recursos teológicos para transformar a pregação numa arte, sem deixar suas características de simplicidade franciscana.

Lembremos que Antônio, antes de fazer-se franciscano, estivera por 10 anos com os agostinianos em Portugal, haurindo ali uma sólida formação religiosa, teológica e científica, o que lhe serviu de subsídio valioso, quando eleito por São Francisco primeiro Professor e Mestre de Teologia, o que vale dizer, recebeu a tarefa de explicar as teses franciscanas às gerações novas que iam entrando na Ordem.

Além, desta séria e metódica preparação científica, teve um noviciado de solidão e de silêncio, antes de lançar-se à pregação, que lhe serviu de aprofundamento e reflexão das verdades, em Montepaulo. Assim, aos 26 anos de idade, quando Deus o revelou aos confrades e o largou pelo vasto mundo da pregação, estava ele perfeitamente maduro para dizer e rebater, para ensinar e entrar na controvérsia com a heresia que campeava orgulhosa naquela altura da história, e explanar a ortodoxia, pois, em sua bagagem trazia a Sagrada Escritura, a Patrística, os Clássicos pagãos, as ciências de seu tempo.

Lendo os sermões de Santo Antônio, fica-se pasmo ante a ciência do franciscano e sua perícia em manejar as ciências auxiliares da Teologia. Vinha ele, é verdade, da Península Ibérica, onde os árabes haviam deixado marcas acentuadas de conhecimentos científicos e começara a trabalhar numa Itália, onde floresciam os estudos em várias universidades de renome. Por isso, diz o Pe. Gemelli, “ele tem um pensamento teológico preciso e, algumas vezes, precursor, uma eloquência arrojada e substanciosa, uma fantasia de artista, uma viva e quase moderna compreensão do valor da cultura. Ele toma do Evangelho e dos Padres a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que transmite a São Boaventura; a devoção ao nome de Jesus, que transmite a São Bernardino de Sena; a devoção ao Sangue de Cristo, que transmite a São Tiago da Marca; a devoção a Cristo, Rei da Criação e da Redenção, que transmite a Scotus” (2).

Lançado de alma e corpo à pregação, procurado e assediado pelas multidões, peregrino errante da Palavra, não podia deter-se em especulações, pois a problemática que o envolvia roía a realidade, ali mesmo onde ele estava pisando. Devia lançar-se ao concreto da vida, desta vida que se lhe abria diante dos olhos, com seus vícios múltiplos, seus aleijões e distorções, que o realismo franciscano fazia ver num concretismo mais audacioso: os usuários e os hipócritas, os violentos e os luxuriosos, os dominadores e os exploradores do povo, os religiosos corruptos tanto de Ordens como da Igreja em geral, o clero simoníaco e os bispos que não desempenhavam sua missão religiosa.

Creio ser difícil encontrar sermões mais violentos contra os maus administradores dos mistérios da Igreja do que na boca de Santo Antônio, pois “contra o relaxamento do clero era inflexível”, e naquele tempo, infelizmente, tinha razões para tanto, a julgar pela veemência de sua linguagem cáustica.

“Suas observações – diz ainda Gemelli – sobre a gulodice, a vaidade, a simonia, “contra praelatos et malitiam eorum”, são tão severas a ponto de fazer pensar que Santo Antônio as tenha pronunciado não em público, mas só a um auditório particular. Esta atitude – nova que eu saiba – na pregação franciscana dos primeiros tempos – rara também depois –, mostra-nos a virilidade da alma antoniana”.

Em verdade, depois de ler os sermões do Santo, fica difícil aceitá-lo nas imagens doces e ternas, suaves e meigas, jovens e quase infantis com que a arte o retrata. A leitura o deixa imaginar com traços bem mais fortes, com feições mais severas e com expressões de olhar mais agressivas. Pois não imagino que aquela linguagem violenta não viesse sublinhada por gestos e expressões correspondentes. Um dos acontecimentos preparatórios às festas dos 750 anos de morte de Santo Antônio, foi a exumação de seus restos mortais, autorizada por João Paulo 2º, no mês de janeiro de 1981. A partir do exame científico, dizem os noticiários, foi possível reconstituir também seu perfil físico: dotado de físico excepcional para um homem da Idade Média: 1,70 metro de altura e ombros largos. Tinha pernas fortes, habituadas a atravessar países inteiros a pé… Um catedrático chegou a reconstituir o rosto do Santo: comprido e estreito, nariz fino, alongado e levemente convexo, saindo logo abaixo dos olhos encavados sob a fronte proeminente. Seus cabelos eram pretos.

Continuando a encarar Santo Antônio como pregador, gostaríamos de lembrar que um dos títulos que o povo cristão lhe conferiu e a liturgia adotou é o de Martelo dos Hereges, significando plasticamente, o orador e sua oratória, pois martelo não expressa nenhum instrumento forte e violento, que certeiro é capaz de fazer o prego penetrar a madeira mais dura, o que em Santo Antônio indica: a Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis. Tal imagem nos traz à lembrança as campanhas moralizadoras pela Itália, mas, sobretudo, as sustentadas ao Sul da França contra os hereges, onde, segundo conta seus Fioretti teve até que recorrer à irracionalidade da mula para quebrar a cabeçudice de um deles.

Não queria apenas dobrar à força dos argumentos, mas levava à convicção através de processos pessoais próprios, o que empresta, ainda hoje, um sabor todo especial à leitura de seus sermões, pois, como escreve Gemelli, “a exemplo dos escritores sacros de seu tempo, usa e abusa de símbolos e símiles e aguça seu engenho nas concordâncias bíblicas. Mas até nesta, que é uma forma peculiar da oratória medieval, ele imprime a sua personalidade inconfundível.O símbolo é o seu modo de ver a realidade, de descobrir o eterno no contingente, o espírito na matéria, o que ama no que lhe é útil. E como não lhe falta imaginação artística, o símile ultrapassa o símbolo e é considerado por si mesmo, pela sua própria formosura”.

Creio que nossos auditórios de hoje não suportariam a crueza de certos símiles, ou comparações, ou tropos usados por Santo Antônio contra o pecado, ou contra sacerdotes indignos ou contra bispos simoníacos. Certos tópicos, custa-nos crer tenham sido proferidos pelo Santo, a quem a religiosidade popular revestiu de tanta suavidade.

Havia em seus sermões uma preocupação bem dele: combinar o Evangelho do dia com o restante da Liturgia da Missa e do Ofício Divino, alcançando uma arquitetura rítmica dentro do sermão, sem perder a unidade, muito do gosto medieval, recorrendo, inclusive, a expedientes que atenuavam o peso do assunto e tornavam a exposição menos cansativa.

Por isso, emprestava grande vivacidade mediante exemplos que ele, como bom franciscano, buscava na natureza. Para que a palavra de Deus se não tornasse insípida, lançava mão de seu vasto saber e o colocava ao alcance de seus ouvintes e a serviço da pregação, não num rompante de vaidade e sim como critério de apostolado: a Palavra de Deus lhe merecia toda a veneração e o auditório todo o respeito.

Daí Gemelli afirmar: “A oratória deste humílimo e grande doutor tem a sua justificativa no gosto do público a que se dirigia e que era exigentíssimo, pronto a se enfadar, chasquear, desprezar e terrivelmente crítico. Antes que a Renascença espalhasse o gosto pela forma, este franciscano do século XIII, com o seu amor pelo belo e com a sua intuição do valor da beleza, que são peculiares à sua espiritualidade, afirma a necessidade da palavra polida, rebuscada, e combina a ciência sagrada com a profana sem a perturbação, porque para os seus olhos de franciscano, a natureza não é profana, mas obra mirável de Deus, e estudá-la é dever de gratidão e prazer de admiração e contemplação”.

Extraído integralmente de Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil – Vida Cristã (São Paulo – Brasil)

Igrejas cristãs realizam 14º Mutirão de Oração por Crianças e Adolescentes em Situação de Risco nos dias 6 e 7 de junho .

São Luiz Gonzaga (1568-1591)
São Luiz Gonzaga (1568-1591) Beatificado em 1605, canonizado em 1726, e proclamado pelo papa Pio XI, em 1926 - modelo e protetor da juventude
Igrejas cristãs, de origem calvinista ou de outro ramo protestante, no caso autodenominadas evangélicas, demonstraram discernimento quando abandonaram ao longo dos últimos séculos, o viés proselitista, no caso, de anti-catolicismo. Ao invés de serem cristãs, ou seja – efetivamente seguirem a Jesus Cristo – são contrárias ao catolicismo. É o caso da maioria das denominações pentecostais da atualidade. Talvez por esta razão, as Igrejas Batista Betel  e determinada corrente da Igreja Presbiteriana se ocupem do que verdadeiramente agrada a Deus, Criador de todos os seres humanos desde a queda, e Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador: “Amar o próximo”. O que nos “une”, basicamente, é a queda da graça de Deus… E ela atinge a todos… No entanto, temos um Redentor comum. E, por Ele, o amor é fator de união. Então, se queremos viver o amor de Cristo, que Assim Seja.
Gostaria de dar o contexto desta notícia, além do motivo principal, que é sentimento de amor, proteção às crianças.
Recebi em minha caixa de correio a notícia deste evento do ramo cristão evangélico. Após algumas considerações resolvi pela divulgação, ainda que seja um evento “evangélico”. Explico as aspas: acredito que os componentes desta rede de amparo social cristão, assim se autodenominam somente porque integram há muitas gerações a tradição protestante. afinal, nós católicos lemos e meditamos, em essência, os mesmos Evangelhos. Além disso, preocupamo-nos com intensidade idêntica com o sofrimento material e emocional de crianças e adolescentes. Sofrimentos que chegam mesmo à brutalidade, ou violência generalizada contra a infância e a juventude. Portanto o que importa é que esta preocupação comum nos une.
Assim, as ofensas à infância e juventude são tão alarmantes que quaisquer outras questões são menores…
Entendo que tão maléfica quanto a violência física é a psíquica. Prejudicam o desenvolvimento dos “pequenos” de Jesus, e que acabam crescendo no abandono, na injustiça, ou na distorção de valores universais. Entram, em ambos os casos, em um túnel escuro de perdição… Isto é inaceitável.
Assim, há a ação subreptícia de boa parte das produções dos meios de comunicação voltadas ao público infanto-juvenil – vídeos (e vídeo-games), programação de tevê,  e para piorar, a internet. Lembremos que há equipes de trabalho “sofisticadíssimas” envolvidas com sets de filmagem direcionados ao público infantil e adolescente. Há produtores de histórias em quadrinhos (principalmente “mangás” – que incitam em geral à violência e à precocidade sexual). Em uma lancheria vi um desses desenhos: havia um menino bom, com cabelos claros. Ele possuía poderes mágicos… O outro menino que o combatia era mau. Por “coincidência” não era claro e seus cabelos eram escuros… Vestia uma armadura colada ao corpo e um capacete na forma de um unicórnio ou algo assim. Ou seja, para a criança, pessoas más terão esta aparência… Nada é mais irreal.
Desse modo, desgraçadamente, há mais de duas décadas nossos filhos, sobrinhos são as pequenas ovelhas, cordeirinhos destinados a este mercado de lobos… Enriquecem às custas de nossas crianças e jovens, direcionando-os desde o berço para certas  condutas, marcas, entre outras persuasões nefastas. Crianças e jovens, ainda que muito pobres também estão sujeitos a estas visões “mercadológicas” de mundo. Psiquicamente sofrem muito mais com tais pressões porque sentem as limitações de sua condição social – a de pobreza ou pior, a da linha de miséria. A violência de seus comportamentos desde a infância tem como fonte este acúmulo de frustrações… Que Deus nos ajude a reverter este quadro, pouco a pouco. Crianças e jovens devem brincar e estudar em ambientes saudáveis, ainda que simples. Jesus foi um menino pobre, como, em geral, todos de seu tempo. Esta idéia deve unir os cristãos em torno da proteção do mundo infantil e juvenil.
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Fonte: GNotícias

Mutirão de Oração intercede por crianças em situação de risco

Por Renato Cavallera – quinta-feira, 4 junho 2009

Cristãos de todos os cantos do mundo vão orar, neste final de semana, pelas crianças em situação de risco. Entre os motivos de oração está o pedido pelo cumprimento de Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMS), da Organização das Nações Unidas, vinculados à saúde e educação.

O 14o Mutirão Mundial de Oração pelas Crianças e Adolescentes em Situação de Risco é uma iniciativa da Viva, uma organização que apóia o trabalho em rede em favor dessa faixa etária. A Rede Mãos Dadas é a responsável pela mobilização da campanha no Brasil.

O Mutirão de Oração integra, este ano, a Campanha Latino-Americana pelos Bons Tratos da Criança “Ame o seu Próximo – Bons Tratos para a Infância”, que pretende mobilizar igrejas evangélicas da região para que cuidem das crianças em seus espaços e comunidades.

No Mutirão de 2009, cristãos são incentivados a orar pela segurança das escolas de bairro, pela diminuição da pobreza pela metade até 2015, pela melhoria da saúde das gestantes e pela diminuição da mortalidade infantil.

Também são temas de oração o combate à Aids, à malária e outras doenças, a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente, a igualdade entre sexos e a valorização da mulher, o trabalho pelo desenvolvimento.

As principais situações de risco para as crianças são, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a escravidão ou o trabalho infantil, a guerra e outras formas de violência, o abuso e a exploração sexual, a deficiência física e mental, o abandono ou a perda da família, e o jugo de instituições opressivas.

Segundo Viva, de cada cinco crianças no mundo, uma encontra-se em situação de grande risco social. (Fonte: ALC)

Notícia extraída de http://noticias.gospelmais.com.br/.

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Fonte/imagem: A Família Católica (São Luiz Gonzaga – protetor e modelo da juventude).

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A IGREJA DE JESUSCarmelitas Mensageiras do Espírito Santo

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mat. 16,18 )

O Senhor Jesus quis permanecer entre nós através da Sua Igreja, onde Ele é a Cabeça e nós os membros. Através dela estamos unidos a Cristo e aos nossos irmãos. O templo é a construção de pedras ou tijolos, a Igreja somos nós. Nós, Igreja, respeitamos a hierarquia deixada pelo próprio Jesus, ou seja, é presidida pelo Sumo Pontífice, o Papa, sucessor de Pedro, e seus auxiliares, os Bispos; a seguir, os Padres e Religiosas e, por fim, os Leigos. Todos formamos uma grande família, a família de Deus.

A Doutrina e a Tradição asseguram a forte Instituição chamada Igreja Católica Apostólica Romana. Católica, pois é universal; Apostólica, por ter sido divulgada pelos Apóstolos; Romana porque Roma é a sede do Bispo, sucessor de Pedro.

Ao fundá-la, Jesus delega ao Apóstolo Simão a missão de chefiá-la.

Falamos, anteriormente, sobre o nome e a missão conferida a ele. Jesus, ao escolher Simão para governar a Igreja nascente, muda seu nome de Simão para Pedro. Pedro foi o primeiro Papa.

Participar, amar e freqüentar a Igreja faz parte do crescimento espiritual da fé. Através da convivência comunitária somos integrados na grande Família de Deus.

É fácil compreender que o amor ama independentemente de ser amado, mas espera ser retribuído e, quando retribuído, pede fidelidade.

A Igreja e mais especificamente o Sacramento da Eucaristia marcam a presença amorosa de Jesus Cristo entre nós. O Senhor nos ama com amor perfeito e também nos pede fidelidade.

A respeito desse tema podemos ver já no Antigo Testamento o quanto a infidelidade é abominável por Deus. Em Levíticos 19, 31 e 20,8 e ainda em Deuteronômio 18, temos um exemplo disso.

Ainda no Antigo Testamento, podemos atestar que a infidelidade foi a causa da quebra da aliança, da amizade entre Deus e os homens.

O ser humano tem fortes tendências à auto-suficiência, ao orgulho, à vaidade e à infidelidade. Essas tendências são tão antigas quanto o ser humano e continuam fortes atualmente.

Liberdade de crenças ou de religiões não é a mesma coisa de caminhos que levam a Deus. Para melhor entendermos, veremos a seguir: os aspectos gerais das antigas e das novas religiões e em que não compartilham com nossa fé.

As Antigas Religiões

…. Hinduísmo

…. Budismo

…. Judaísmo

…. Cristianismo

…. Islamismo

Aspectos que o católico deve observar

Em que difere o cristianismo das religiões acima apresentadas

Ser Cristão

A Igreja de Jesus

SER CRISTÃOCarmelitas Mensageiras do Espírito Santo

Ser Cristão significa “revestir-se de Cristo”, conhecê-Lo através dos Evangelhos e relatos dos Apóstolos, imitar Sua conduta, seguir Seus exemplos, seguir Seus ensinamentos.

Ser Cristão é deixar de lado o “eu” . É anular-se deixando-se cativar por Seu amor. É experimentar Sua doçura, ouvir Sua voz, sentir Sua presença. Mas isso só é possível quando nos rendemos diante de nós mesmos, buscamos conhecê-Lo e  nos dedicamos à oração, que nada mais é do que falar com Deus.

A oração diária, a freqüência aos Sacramentos, a participação da Santa Missa nos levam ao encontro cada vez mais profundo com nosso Senhor.

A intimidade com nosso Senhor faz toda a diferença em nossa vida, sentimos a transformação a cada dia. Dessa maneira a história da Salvação do nosso futuro será marcada pelo cumprimento da missão à qual fomos chamados por Deus.

Jesus fez a vontade do Pai e a cumpriu até o fim. Pelo Pai, foi glorificado. Em Cristo Jesus também nós seremos glorificados pelo Pai, pois o Espírito Santo nos dará força, perseverança e acima de tudo muito amor ao nosso Deus e irmãos. Como diz o Profeta Isaías: “Caminharemos e não nos cansaremos, correremos e não nos fadigaremos”.

Ser cristão implica em fidelidade. Para ser fiel é preciso conhecer o Mestre através dos Evangelhos e buscar a fidelidade com Deus através da oração permanente.

Direitos da Criança – “Para cada criança, um futuro” – Oficina Internacional Católica da Infância – América Latina

O “Dia Mundial da Criança” – 1º de junho – é lembrado em vários continentes nesta data. Há uma razão muito importante para isto.: encontrei na net que neste dia foram assassinadas em campos de concentração nazistas um grande número de crianças. No Museu do Holocausto, em Jerusalém, há o Memorial das Crianças e o “Espaço Janus Korczak”. Ele foi diretor de um orfanato na Polônia.  Pelo fato de se recusar a ver  crianças judias polonesas sob seus cuidados (entre as demais, de outras ascendências)  serem levadas por oficiais do III Reich, as acompanhou…

A propósito de seus direitos, que são universais, há uma página muito interessante (e bem ilustrada), apresentada pela Fiocruz, em alusão à Declaração dos Direitos da Criança, apresentada em 20 de novembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1959.

Voltemos ao Dia Mundial da Criança. Pela declaração da ONU a data oficial – “Dia Internacional da Criança” é 20 de novembro. Mas a data, em países como os Estados, Brasil, etc. tem relação com algum evento da história destes países. No caso do Brasil, 12 de outubro já estava definido em votação no Parlamento na década de 20. Por decreto, foi definido que seria comemorado juntamente com o dia da padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida. Em nosso país, a data, infelizmente,  tem viés comercial, ou seja, venda de brinquedos, tal como acontece em boa parte do mundo… Na rede, comentam que tudo começou nos anos 60 com o lançamento de de uma determinada marca de brinquedos em nosso país. Ainda bem que os organismos envolvidos com a proteção das crianças ignoram a data “festiva” e trabalham o ano inteiro. Se assim não for, há dinheiro público e de doações sendo desperdiçado… Mas, pensemos no melhor, no que edifica, no que as retira de suas tragédias. E há. Leiam o material abaixo. É animador saber que a inspiração divina move um grande número de pessoas. Elas não ficam indiferentes…

Em países como Portugal o “Dia Mundial da Criança” é lembrado em 1º de junho, sendo esta a data para maior parte dos países da Europa, América Latina, leste Europeu, Ásia e África.

As crianças do mundo inteiro, neste dia – 1º de junho –  recebem um foco especial de organismos de auxílio humanitário e estruturalã em relação à situações de risco e sofrimento. Portanto, a data lembra as que morreram sob o regime nazista neste dia e outros, bem como as que são brutalmente asssassinadas, raptadas (desaparecem simplesmente…),  são mortas ou mutiladas por bombas ou minas (e a Convenção de Genebra?), ou ficam em campos de  refugiados na condição de órfãs. Há também as que sofrem maus-tratos dentros das próprias famílias – até o ponto de sucumbirem… Pode haver maior crime? O único consolo que nos resta é que morreram na inocência e estão junto do Criador. Rezam por nós que amamos as crianças do mundo, para que não fiquemos de braços cruzados… Triste, muito triste. Por certo pedem a Deus (todo o tempo, tal como as crianças!), ao chegarem ao Céu que Ele interceda junto aos pais e governantes dos países para que sejam incansáveis na sua proteção…

Portanto, é possível que esteja faltando, infelizmente a nossa parte… O pecado da omissão é grave, em qualquer religião. Nós que cremos em um Deus único – cristãos, judeus, muçulmanos – estendendo a proposta aos budistas, devemos fazer um exame de consciência rigoroso a respeito. O quadro de abandono, mau-tratos e abuso ultrapassa a razão. Nos transformamos em animais… Talvez a consciência do Bem não seja mais a nossa guia…

Leiam por favor o que “pinçei” da rede sobre a ação de um organismo católico, com representação em todo mundo e na América Latina (da qual a CNBB faz parte) – Bureau International Catholique de lÉnfance (BICE) – América Latina. Há opção de leitura, nos idiomas espanhol, francês e inglês.

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Carta de la Oficina Internacional Católica de la Infancia

“Para cada niño, un futuro

Referencias

• Asociación de derecho francés, el Bice es una organización

internacional no gubernamental reconocida por la Santa Sede

como asociación de fieles. Goza de un estatuto consultivo

ante Naciones Unidas. Fue fundado en 1948 por iniciativa de

organizaciones católicas para ayudar a los niños después de

las conmociones de la Segunda Guerra Mundial.

• El Bice trabaja al servicio de todos los niños, sin discriminación ni

proselitismo, respetando su nacionalidad, su cultura, su religión.

« Tiene por objeto el crecimiento integral de todos los niños, dentro

de una perspectiva cristiana y aboga por la humanización de su

suerte.- Se ocupa particularmente de los más desposeídos. » (Art. 3

de los estatutos), Sus colaboradores deben observar un código de

buena conducta.

Las organizaciones católicas comprometidas con los niños

constituyen una red mundial. Son llamadas a formar parte del

Bice así como todos los organismos, cristianos o no, que se

reconozcan en sus objetivos.

• El financiamiento del Bice está asegurado dentro de la más amplia

transparencia por donadores privados, garantes de su independencia y

por proveedores de fondos públicos y privados.

La acción del Bice es duradera. Con todos aquellos que acompañan

a los niños, busca identificar los nuevos riesgos que los amenazan

y las nuevas oportunidades que se les ofrecen. Defendiendo su

dignidad y sus derechos, contribuye en la construcción de un

mundo de justicia y de paz que abre para cada niño un futuro.

http://www.bice.org

Junio 2007

2006_ninos_argentina

Carta de la Oficina Internacional

Católica de la Infancia

« Todo niño que nace es un signo de que Dios

todavía no se ha desesperado de la humanidad »

Rabindranath Tagore, poeta indio, Premio Nobel de literatura en 1913.

Cada niño nos habla a su manera de la belleza y de las heridas de la vida y nos recuerda así nuestra responsabilidad. Su nacimiento representa una nueva esperanza para la humanidad que le debe lo mejor que tiene.

Es por ello que el Bice invierte todas sus fuerzas para promover la dignidad de todos los niños y hacer aplicar sus derechos fundamentales, muy a menudo violados.

Creer en el niño

Afirmar que el niño tiene derechos

Persona humana de verdad, el niño tiene derechos fundamentales inalienables.

Como persona en devenir, es vulnerable y debe ser protegido y acompañado. El Bice lo despierta a su propia dignidad y a sus derechos. Sensibiliza también a los padres, a los que lo rodean y a todos aquellos que intervienen en su desarrollo incluyendo a los poderes públicos.

Favorecer el « dinamismo de vida » propio de cada niño

Cuando los derechos del niño o del adolescente son negados por las condiciones existentes inicuas, cuando sus puntos de referencia están comprometidos, es posible ayudarle a recobrar la confianza en la vida y su propia estima. El niño posee en si mismo importantes recursos. Estos se revelan si puede dialogar, ser escuchado con afecto y respeto, ser defendido.

El Bice favorece esta “resiliencia” que permite al niño reconstruirse.

Velar por el desarrollo del niño en todas sus dimensiones

El niño necesita ser protegido, alimentado, cuidado e instruido. Su bienestar sicológico también es esencial. El vínculo con su familia y su comunidad debe ser preservado. Tiene derecho a la despreocupación, a la risa, al juego, y también a un futuro profesional. El desarrollo integral del niño y de su felicidad demandan aún, cualquiera sea su situación, que pueda reflexionar sobre el sentido de su vida y que se respete la dimensión espiritual que le es propia. La inspiración evangélica del Bice lo incita a este respeto.

Movilizar las competencias para que todos los niños vivan dignamente

Comprometerse radicalmente con los niños en dificultad

En numerosos lugares, los derechos de los niños son negados de manera intolerable explotación mediante el trabajo, situaciones de esclavitud, abandono en la calle, abuso y explotación sexuales, militarización forzada, encarcelamiento, tratamiento inhumano de los niños incapacitados. Estas situaciones producen en los niños y adolescentes violencias y sufrimientos indignantes.

Para combatir en el terreno -en Africa, América Latina, Asia y Europa- el Bice se compromete con socios locales a prevenir todas las formas de violencia y a promover sin descanso los derechos de los niños.

La participación de los niños es el centro de su acción.

Estimular la reflexión y la investigación sobre el niño

El Bice hace el puente entre la experiencia adquirida en el terreno y la investigación científica referente a la infancia, para que se alimenten mutuamente. Es un espacio de reflexión y de cuestionamiento permanente. Gracias a sus publicaciones, a su centro de recursos en Internet, a las instancias de formación que propone, comparte ideas, pericias y buenas prácticas.

Manifestar la voz de los niños

Más que nunca la defensa y la promoción de los derechos de los niños interpelan respuestas concertadas a nivel mundial. El Bice actúa con los niños ante la sociedad civil, los gobiernos y las instancias internacionales: agencias de Naciones Unidas, Consejo de Europa, instituciones de la Unión Europea…

Federando las competencias de varias organizaciones comprometidas en el servicio de los niños, fue uno de los iniciadores de la Convención Internacional de Derechos del Niño. En la actualidad, vela con otras ONG por su aplicación y su evolución.

El interés superior del niño está en el corazón del compromiso del Bice.

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Para não parecer que é somente uma “carta de intenção” deste organismo católico francês, de ação mundial em prol das crianças, leiam por favor o restante do material… Visitem o site. Eles esperam doações. Cá comigo, espero que sejam generosas, afinal as crianças do Brasil e de outros países necessitam de nosso carinho, de nossa adesão à causa… Lembremos que organizações ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão conectadas a BICE.

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El Bice en América Latina



En América Latina, el BICE tiene una importante experiencia acumulada desde hace más de 20 años en las temáticas de los derechos de los niños, las niñas y los/las adolescentes. La Delegación Regional del BICE para América Latina (DRBAL) desarrolla su acción en 12 países, en colaboración con sus 28 organizaciones miembros, socias y colaboradoras. Elabora, gestiona y apoya programas y proyectos a corto, mediano y largo plazo, constituyendo una plataforma de concertación para el intercambio, el apoyo, la investigación y la acción.

La base del trabajo efectuado desde la DRBAL es la visión del niño ya no como “objeto de atención y de asistencia”, sino como “sujeto de derechos“, es decir como actor y persona que tiene un rol en la sociedad, con derechos y responsabilidades.

Especialmente relevante es el trabajo efectuado desde la DRBAL para apoyar el desarrollo de la participación protagónica de los niños, las niñas y los adolescentes. Como respuesta al diagnóstico de la exclusión social, económica y política de los más jóvenes, la DRBAL apoya la creación de espacios que den lugar al nacimiento de una verdadera “ciudadania infantil“: toma de decisión, capacidad de intervención, autonomización, autorreflexión, proyección en la sociedad, creación de una identidad propia, organización, y establecimiento de solidaridades entre niños. Allá surge la cuestión de la representatividad de los niños, niñas y adolescentes, así como la construcción de un nuevo modelo de relaciones intergeneracionales. En definitiva, se trata de escuchar y de respectar las ideas y opiniones de los más jóvenes, dándoles una voz.

La Convención sobre los Derechos del Niño ha permitido progresos innegables desde hace 20 años. Todavía, se verifican retrocesos inquietantes y violaciones muy graves de los derechos de los niños en muchas regiones del mundo. La crisis económica que se propaga a escala planetaria no parece, desgraciadamente, mejorar esta situación.

Por ello, a través de una iniciativa del Bice, personalidades y organizaciones de todo el mundo lanzan un Llamamiento Mundial para una nueva movilización a favor de la Infancia abierto a todos que quieren firmarlo.

Este Llamamiento será lanzado oficialmente el 4 de junio en el Palacio de las Naciones en Ginebra.

www.bice.org

El Bice, una red de Miembros

Los Miembros del Bice constituyen una red al servicio de la infancia. Contribuyen juntos a la defensa y promoción de la dignidad y de los derechos del niño.

Esta red de organizaciones, movimientos, expertos… es también un lugar de encuentro y de intercambios, un espacio de creatividad intelectual, una base de recursos y de pericia sobre las cuestiones relacionadas con los derechos del niño.

Una voz ante las Instituciones

El Bice representa activamente sus Miembros ante las Instituciones internacionales y nacionales, las plataformas y coaliciones de ONG de las cuales es miembro.

Los Miembros participan en las acciones de cabildeo del Bice a favor de la infancia.

Fiel a su vocación de agrupar una amplia red de miembros, con un espíritu de gran apertura, el Bice trabaja hoy – 60 años después de su creación – para reunir especialistas y ONG que se reconocen en su filosofía de acción y aquellas personas que trabajan para la infancia en las iglesias locales, instituciones, servicios o movimientos cristianos.

Miembros efectivos del Bice

* Association Nationale des Éducateurs Sociaux (ANES-Congo), Kinshasa, R.D.C.

* Bayard Presse, Paris, Francia

* Bice Belgique, Bruxelles, Bélgica

* Bice Deutschland e.V., Lahr, Alemania

* Caritas Vlaanderen-Vlaams Welzijnsverbond, Bruselas, Bélgica

* Central Office “Ejjew Ghandi”, La Valletta, Malta

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Brasil

* Congregation of Christian Brothers, Roma, Italia

* Comisión de Apostolado Laico y Pastoral Familiar, Argentina

* Deutscher Caritas Verband, Freiburg-im-Breisgau, Alemania

* Fleurus-Presse, Paris, Francia

* Frères des Écoles Chrétiennes (FEC), Roma, Italia

* Fondation Orphelins Apprentis d’Auteuil, Paris, Francia

* Fundación Navarro Viola, Buenos Aires, Argentina

* Hogar de Christo, Chile

* Religiosos Terciarios Capuchinos, Roma, Italia

TODAS LAS NOTICIAS – SOCIOS…

socios

Fonte: www.bice.org

SOCIO (BRASIL): Centro Educacional Carlos NovareseOrganização de Auxílio Fraterno (OAF)

Destaque BICE

Primeiro lugar para o Centro Educacional Carlo Novarese, da OAF, em Salvador

A experiência da OAF não só mostra que educação de qualidade é possível, mas também permite calcular os custos dos ensinos fundamental e profissional para o Orçamento do Município, do Estado e eventualmente a nível Federal.

O Ministério da Educação divulgou recentemente os resultados das provas feitas em todas as escolas do Brasil para medir a qualidade do ensino através do IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Brasileiro. Este índice avalia o desempenho a nível Estadudal, do Município e de cada escola. Ao mesmo tempo propõe para o Estado, o Município e para cada escola metas crescentes de qualidade até o ano de 2022, quando o Brasil irá comemorar 200 anos de independência.

O Centro Educacional Carlo Novarese da OAF, que já era considerada escola de referência na cidade, obteve a nota mais alta de todo o Município de Salvador, ficando assim com o primeiro lugar na avaliação de 5a à 8a série do ensino fundamental. Alcançou o nível que o mesmo IDEB propõe para Salvador – Bahia, para o ano de 2017.

O Centro Educacional Carlo Novarese é uma Escola conveniada com a Secretaria Municipal de Educação e faz assim parte das escolas Públicas da Cidade de Salvador.

Os alunos são de um bairro particularmente difícil onde dominam a violência, a droga, o abandono, onde há um grande numero de famílias desestruturadas e particularmente pobres, quando não na miséria.

Grande foi evidentemente a satisfação de alunos e professores que viram assim premiados os esforços e os sacrifícios que um estudo sério pede, principalmente nos momentos em que a situação familiar e escolar torna-se difícil e até adversa.

Experiência – Sabe-se, por experiência, que este bom resultado na educação das crianças e adolescentes precisa depois ser integrado com um sério preparo para o mundo do trabalho.

A OAF opera neste setor com o Centro de Formação Profissional de Jovens e Instrutores com cerca de 800 vagas e a possibilidade de receber adolescentes do Juizado, Ministério Público, Entidades de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.

A educação profissional para os adolescentes mais pobres e da periferia com cursos de longa duração é muito rara. Calcula-se que se tem só na cidade de Salvador mais de 150.000 jovens entre 16 e 18 anos que esperam por esta oportunidade e que nunca terão acesso a ela.

Na OAF funciona também a ÚNICA, a Universidade da Criança e Adolescente, onde todo ano cerca de 15.000 alunos vindos preferencialmente das escolas da periferia, têm a possibilidade de uma introdução lúdica e prazerosa à Ciência e Tecnologia.

Na OAF encontramos também o INSTITUTO FENIX que é um instituto de pesquisa e aplicação prática de novas tecnologias pedagógicas destinadas a alunos já excluídos do ensino público ou prestes a ser excluídos.

Estas atividades são conduzidas em conjunto com universidades locais e universidades estrangeiras como a “Universidade de Torino” e a “Sapienza” de Roma.

Para que a educação no Brasil possa alcançar a qualidade desejada, se quisermos um Brasil mais justo, mais rico e com menos violência, temos que aceitar os desafios apresentados e impostos pela educação. Tem-se que exigir das diferentes esferas públicas que a educaçáo seja assumida com a prioridade que merece e com os custos que ela precisa e exige. É indispensável investir muito mais em quem até hoje menos recebeu. A nossa sociedade infelizmente é ainda profundamente injusta e discriminante para com os mais pobres.

Fonte: http://www.bice.org

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Observação: os destaquem em “azul” são de minha autoria.


Agência Ecclesia traz tema sobre esquecimentos das crianças (01 de junho – Dia Mundial da Criança)

Fonte: Agência Ecclesia – Portugal

Não ao esquecimento das crianças

A Associação Famílias acusa a justiça de “olhar mais às leis do que ao amor” pelas crianças. No âmbito do Dia Mundial da Criança, que se celebra no próximo dia 1 de Junho, a associação lamenta que este dia sirva apenas para lembrar “o esquecimento dos direitos das crianças”. Numa mensagem enviada à Agência ECCLESIA, a Associação Famílias afirma que os governos esquecem o direito à vida. “Esquecem as diferenças fisiológicas (das crianças, ndr), económicas e sociais pela não promulgação de medidas que facilitem o seu acesso à educação formal e à cultura”.

Também as famílias “esquecem a responsabilidade de educar pelo exemplo”, exprime o comunicado. “A criança tem uma personalidade própria, mas que essa personalidade se constrói e não se impõe”.

As crianças aparecem como “estatísticas” mas depois “a sociedade esquece-se de lhes proporcionar uma integração normativamente orientada”, em “conformidade com os valores de uma colectividade”.

A Associação Famílias critica ainda os media que se “esquecem de formar” deixando isso ao cuidado “das famílias e da escola”. Também a publicidade “esquece que as oportunidades não estão disponíveis de igual forma acarretando conflitos interiores”.

A resposta para esta ausência sobre as crianças deve ser revertida através da “educação dos governos e das famílias”, de forma a que as crianças “sejam educadas e formadas em consciência desenvolvendo a autonomia do pensamento e a consciência moral”.

Nacional | Agência Ecclesia | 2009-05-28 | 11:01:05 | Criança

“As nossas diversas tradições religiosas têm em si notáveis potencialidades em relação à promoção de uma cultura da paz, especialmente mediante o ensino e a pregação dos valores espirituais mais profundos da nossa comum humanidade.” (Papa Bento XVI – Galiléia – 14.05.2009)

Fonte: http://www.vaticanradio.org/bra/Articolo.asp?c=287722

14/05/2009 20.08.36

PAPA NO ENCONTRO COM CHEFES RELIGIOSOS DA GALILÉIA: A PAZ É DOM DE DEUS, MAS NÃO PODE SE REALIZAR SEM ESFORÇO DO HOMEM

Nazaré, 14 mai (RV) – Bento XVI manteve esta tarde, às 16h30 locais, no auditório do Santuário da Anunciação, de Nazaré, um encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

O vigário patriarcal latino de Jerusalém, Dom Giacinto-Boulos Marcuzzo, saudou o Santo Padre, ressaltando a importância de sua peregrinação na Terra Santa, e a alegria deste cordial encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

Agradecendo pelas palavras de boas-vindas a ele dirigidas e pelo caloroso acolhimento, o Santo Padre saudou os líderes das diversas comunidades presentes: cristãos, muçulmanos, judeus, drusos e outros.

Após ressaltar perceber como uma bênção particular poder visitar a cidade venerada pelos cristãos como o lugar onde o anjo anunciou à Virgem Maria que conceberia por obra do Espírito Santo, e que ali o Menino Jesus “crescia em sabedoria e graça diante de Deus” (Lc 2, 40), o papa frisou que o mundo, longe de ser um fato cego, foi querido por Deus e revela o seu esplendor glorioso.

Dito isso, o pontífice acrescentou:

“No coração de toda tradição religiosa encontra-se a convicção de que a própria paz é um dom de Deus, embora esta não possa ser alcançada sem o esforço humano. Uma paz duradoura provém do reconhecimento que o mundo não é nossa propriedade, mas, sobretudo, o horizonte no qual somos convidados a participar do amor de Deus e a cooperar na condução do mundo e da história sob a sua inspiração.”

Bento XVI advertiu ainda que não podemos fazer com o mundo tudo aquilo que nos apraz; aliás, somos chamados a conformar as nossas escolhas segundo as complexas e, todavia, perceptíveis leis escritas no universo pelo Criador, e a modelar as nossas ações segundo a bondade divina presente no reino da criação – ressaltou.

O pontífice prosseguiu recordando que a Galiléia, uma terra conhecida pela sua heterogeneidade étnica e religiosa, é a pátria de um povo que conhece bem os esforços exigidos para viver em harmoniosa coexistência.

“As nossas diversas tradições religiosas – destacou – têm em si notáveis potencialidades em relação à promoção de uma cultura da paz, especialmente mediante o ensino e a pregação dos valores espirituais mais profundos da nossa comum humanidade”.

Em seguida, o Santo Padre fez questão de observar que plasmando o coração dos jovens, plasmamos o futuro da própria humanidade, acrescentando que os cristãos se unem a judeus, muçulmanos, drusos e pessoas de outras religiões no desejo de salvaguardar as crianças do fanatismo e da violência, ao tempo em que os preparam para que sejam construtores de um mundo melhor.

Por fim, o pontífice fez uma exortação aos chefes religiosos da Galiléia:

“Meus caros amigos, sei que vocês acolhem com alegria e com a saudação da paz os muitos peregrinos que chegam à Galiléia. Encorajo-os a continuarem exercendo o respeito recíproco, ao tempo em que trabalham para aliviar as tensões concernentes aos lugares de culto, garantindo assim um ambiente sereno para a oração e a meditação, aqui e em toda a Galiléia. Representando diversas tradições religiosas, vocês partilham o desejo comum de contribuir para o melhoramento da sociedade e testemunham assim os valores religiosos e espirituais que ajudam a fortalecer a vida pública.”

Bento XVI concluiu assegurando o compromisso da Igreja Católica de participar dessa nobre tarefa.

Após o encontro com os chefes religiosos da Galiléia, o Santo Padre deixou o auditório do Santuário da Anunciação, transferindo-se para a Basílica Inferior do Santuário de Nazaré, onde, acolhido pelo Ministro Geral dos Franciscanos, foi acompanhado até a Gruta da Anunciação, momento marcado de grande comoção. Ali, o papa se deteve por alguns instantes em oração e recolhimento. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano

Nossa Senhora lembrou ao mundo a necessidade da oração, em resposta a apelo do papa Bento XV aos católicos, em 1917… (OCDS)

Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo

Observem, tal como eu, que o mundo do século XX e início deste, ao que parece, está dando as costas  para seu Criador… Vivemos dentro de uma ótica tão materialista que estaremos caindo no abismo e não nos daremos conta enquanto não encontrarmos o chão… O papa Bento XVI está em Israel, e “peregrina” em meio ao conflito do Oriente Médio, e, com originalidade vai respondendo aos seus contendores. Ele também está clamando por paz entre os povos, exatamente como o papa Bento XV o fez, em 1917.

Entretanto, acredito que a tarefa do nosso atual papa é hercúlea, ou seja, é mais complexa que ao tempo da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu clamor tem caído no vazio, dada ao que considero uma verdadeira “indiferença mundial pela paz”. Ele próprio indica a fonte do problema: o relativismo; o conceito está dentro do ideário “pós-moderno”. Estudiosos de Sociologia e Antropologia afirmam que estamos passando por uma fase de transição – do período “moderno” para o “pós-moderno”. Pessoalmente, ainda não consegui compreender em que se baseia este “determinismo”. É um fato histórico que passamos dos estudos “astrológicos” para os astronômicos – ou seja, da Idade Média para a Moderna. No entanto, o que sempre foi aceito como um valor universal, desde os gregos chegou incólume até a década de 80. Desde o final daquela década  há algo em curso (isto me lembra a “mão invisível” do Adam Smith…), que vem se mostrando inexorável. Algo que quer se firmar como a “Terceira Onda”, de Alvin Tofler, ou “1984”, de George Orwell. Enfim, há uma atmosfera, a meu ver, à lá Kafka. A pós-industrialização, que gerou a globalização, que gerará a virtualização da vida humana… O papa Bento XVI traduz tudo quando critica a relativização de todos os valores até então válidos…

Verifico que o papa Ratzinger tem a seu favor, em termos de defesa do Cristianismo, do catolicismo – a inteligência brilhante e o domínio das Escrituras Sagradas, e quanto a este aspecto, é pós-doutor em Teologia. Além disso, isto é, é um homem de 82 anos, que acumulou uma vasta cultura e, para melhorar seu perfil de Sumo Pontífice, é conhecido como um homem muito simples – o que vem surpreendendo a todos. Sendo assim, é um homem que possui sabedoria, a mesma que é valorizada no Antigo Testamento. No entanto, pede que rezemos continuamente por ele… certamente para que não esmoreça. Ou seja, Bento XVI vem enfrentando “intelectualmente” o combate sistemático da imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é a favor de tudo que não lhe contrarie interesses… Obviamente que há outros grupos que lhe fazem oposição.

A propósito, desde o final do dia de ontem e no dia de hoje, 13 de maio, teve de enfrentar a rejeição de alguns líderes religiosos israelitas quanto ao projeto de estabelecimento de uma sede na Terra Santa – algo em torno de um organismo estatal, o qual representaria o pensamento do Vaticano. A idéia é viabilizar meios que permitam a proteção dos cristãos de todas as nacionalidades, que residem nas áreas de conflito, bem como palestinos, cristãos ou muçulmanos. Esta notícia contrariou o mundo político de Israel, provavelmente porque agradou, por exemplo, reinados muçulmanos, como o da Jordânia. Esta tem como característica o acolhimento “democrático” de cristãos e muçulmanos, tanto no aspecto da prática religioso quanto da educação e cultura que os caracteriza.

Quanto a manifestações de alguns rabinos ultra-conservadores em Israel, não lhes foi permitido entrar com faixas e cartazes no ambiente em que o papa Bento XVI se dirigiria a uma ampla gama de autoridades religiosas e políticas, que compõem o estado de Israel. Pelas notícias, o papa falou de improviso e seu apelo à paz teve argumentação bíblica, que foi acolhida com surpresa pelos presentes…

Voltemos à aparição de Nossa Senhora em Fátima. Em 1917, o papa referido abaixo – Bento XV – clamava ao mundo católico que pedisse a intercessão de Nossa Senhora pela paz, em meio à primeira Guerra Mundial. O mundo não ouviu, tanto que veio uma segunda Grande Guerra, e com uso de uma bomba atômica… Constato que o papa Bento XVI nem ao menos pode apelar a sentimentos como – piedade, compaixão, amor, perdão. Pelo menos com a certeza de que, se não for atendido, será compreendido ou aceito… Podemos ter a certeza de que o papa Bento XV foi compreendido, ainda que não lhe tenham dado ouvidos…

Estamos negando nossa humanidade, cedendo-a, sim, aos apelos do mundo da Ciência e da Tecnologia. Estas, na minha ótica, duas “deusas” que, há cerca de três décadas foram “entronizadas” na vida que adotamos, sem crítica de espécie alguma…

Tenho que admitir a luta – que vai se mostrando inglória, ainda que perseverante, graças a Deus – em todas as áreas da vida humana. Está sendo travada por muitos de nós – ao tentarmos preservar uma “vida interior”. Ou seja, é empreendida, em nosso dia-a-dia, uma verdadeira “batalha” para vivermos com liberdade e autenticidade, em meio a este estado de coisas, nossos ideais de transcendência. O absurdo é que nada é mais humano que esta realidade, já que o instinto de sobrevivência é básico. Por que chegamos a este nível de negação de nós próprios? Acumulação? Prestígio? Nesse sentido, sinto-me “vítima”. O que me consola é que estou bem acompanhada, e por muitos… Assim, chega a parecer piada, dentro do que eu chamo “tirania desumanizante” – afirmarmos nossa religiosidade, nossos anseios espirituais… A “Matéria” em nosso tempo, sufoca, ao cansaço, o “Espírito”; este, no sentido filosófico. Será que a Humanidade ainda pensa que existe alma, e que esta deve aspirar à salvação? Nossa Senhora… ora pro nobis. Amém.

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Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província de São José http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/

Nossa Senhora de Fátima

No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em orações para a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Santíssima Virgem dava a sua resposta, aparecendo a três pastorinhos portugueses. A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira, onde agora se encontra a Capelinha das Aparições, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. (…) Leia mais em http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/.

13 de maio de 1917 – Aparição de Nossa Senhora em Fátima.

Descobri hoje o site oficial do Santuário de Fátima, que traz a mensagem de Nossa Senhora, a partir de sua aparição em 13 de maio de 1917 a três crianças camponesas. A mensagem foi recebida na cidade de Fátima, em Portugal, e obteve o reconhecimento de sua veracidade pela Igreja Católica, após o exame dos documentos, logo após o evento. Um dado histórico extraordinário, já que há fotos e relatos da época, além dos testemunhos das crianças envolvidas – Lúcia dos Santos e seus primos Jacinta e Francisco Marto. Cada uma delas foi ouvida à parte, e tiveram que repetir por várias vezes o que viram e ouviram. Algum tempo depois, foi examinado o relato por escrito de uma delas – Irmã Lúcia, que se tornou religiosa carmelita descalça. Esta, foi beatificada, e seus primos estão na lista de candidatos à beatificação.

Mais detalhes vocês encontrão logo abaixo, que traz a mensagem de Nossa Senhora, apresentada pelo site do Santuário de Fátima – texto integral, com informações amplas sobre seu conteúdo. Há muita polêmica em torno dos “segredos” anunciados em Fátima. Esta é uma oportunidade para esclarecer dúvidas e, melhor, por intermédio de uma fonte segura – o site oficial do Santuário.

Confesso que estou curiosa para ler os seis arquivos (links), que trazem informações oficiais (as últimas) sobre este impressionante acontecimento religioso, de alcance mundial. Já se passaram 90 anos, mas o miraculoso evento continua intrigando o mundo atual, apesar da ênfase materialista vigente. Há o posicionamento, linkado ao site do Vaticano, a respeito da mensagem de Nossa Senhora.

Atualmente tenho informações disponibilizadas aqui e ali na internet, mas conheço desde a minha infância como tudo se passou em Fátima. Lia anuários católicos. Inclusive vi, lá pelos meus dez anos, um filme muito antigo sobre a aparição de Nossa Senhora, em Fátima(para mim, este filme foi marcante, tanto quanto o da aparição da Virgem Maria em Lourdes, que também assisti quando criança). Lembro ainda do “milagre do sol”, que se “movimentava”, o que me deixou muito impressionada. Se não foi filmado, as imagens dos anuários ficaram gravadas, obviamente em preto e branco, a ponto de, em minha mente pensar que vi o filme… Será coisa de criança… Em todo caso, já devia ter “mentalidade jornalística”, ou seja, via tudo “cinematograficamente”… Minha intenção ao relatar algo de minha infância é de tão somente comunicar o quanto uma criança está “antenada” a tudo que está ligado ao mundo espiritual. Infelizmente, se não bem orientada, inclusive aderirá à festa do “dia das bruxas” ou “Halloween”. No Brasil, este apelo comercial está se propagando… Sei que outros países também “copiam” o modelo cultural norte-americano. Lamentável. E, pior, pais e professoras não veem nada de ruim… Acho esta apologia à magia nefasta para a mente de uma criança. É fácil perceber que crianças católicas, pelo menos até o evento da televisão, eram, pelo menos pias… Eu era, mesmo com a televisão; depois fui perdendo esta qualidade já na juventude. Mas meu Anjo da Guarda não descansou (e continua não descansando) sequer um minuto para que eu mantenha, ainda que com ruídos em meio a esta Babel, a necessária e imprescindível sintonia com Deus, nosso Criador!

Não era regra a piedade entre as crianças antes e logo depois do advento da televisão (existe há mais de sessenta anos!). Mas, a evidência disto, é a plena entrega dos três pastorinhos ao que Nossa Senhora recomendava, passo-a-passo, além da recitação determinada do terço… Mesmo na época, eram crianças especiais, com toda certeza.

Voltemos ao impacto deste acontecimento na atualidade. Creio que devemos pensar com cuidado sobre o seu conteúdo, preparado especialmente pelo site oficial do Santuário de Fátima. Lembro a todos que ao final da mensagem, há a indicação do endereço eletrônico do Santuário, de onde foi retirado, na íntegra o conteúdo abaixo.

Confiram também o site do “Carmelo Santa Teresa – Coimbra”, que traz detalhes sobre a Irmã Lúcia e o processo de sua beatificação.

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Movimento da Mensagem de Fátima
Movimento da Mensagem de Fátima

Santuário de Fátima (Site Oficial)

MENSAGEM DE FÁTIMA

A Mensagem de Fátima é um convite e uma escola de salvação. Foi iniciada pelo Anjo da Paz (1916) e completada por Nossa Senhora (1917). Foi vivida de maneira histórica pelos Três Pastorinhos – Lúcia, Francisco e Jacinta.

A mensagem de Fátima sublinha os seguintes pontos:

– a conversão permanente;

– a oração e nomeadamente o rosário,

– o sentido da responsabilidade coletiva e a prática da reparação.

A aceitação desta mensagem traz consigo a Consagração ao Coração Imaculado de Maria, que é símbolo de um compromisso de fidelidade e de apostolado. As orações ensinadas em Fátima pelo Anjo e Nossa Senhora ajudam a viver a Mensagem, que, como disse João Paulo II, em Fátima em 1982, é a conversão e a vivência na graça de Deus.

Links:

Mensagem de Fátima (Segredo) http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2413

Mensagem de Fátima – Oraçõeshttp://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2414

Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2415

O Rosáriohttp://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2645

Nossa Senhora de Fátima no Mundohttp://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2419

Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria –  http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=15355

Mensagem de Fátima, anexo II dos Estatutos do Santuáriohttp://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=15361

Fonte: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1238

Secretaria de Estado do Vaticano rebate críticas da Embaixada do Reino da Bélgica a Bento XVI sobre a Aids e o aborto

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FONTE: L’Osservatore Romano

25 de Abril 2009

Comunicado da Secretaria de Estado

O Embaixador do Reino da Bélgica, por instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros, comunicou ao Ex.mo Arcebispo Secretário para as Relações com os Estados a Resolução com a qual a Câmara dos Representantes do próprio País pediu ao governo belga para “condenar as declarações inaceitáveis do Papa por ocasião da sua viagem à África e de protestar oficialmente junto da Santa Sé”. O encontro teve lugar a 15 de Abril corrente.

A Secretaria de Estado toma conhecimento com tristeza deste passo, não habitual nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino da Bélgica. Deplora que uma Assembleia parlamentar tenha considerado oportuno criticar o Santo Padre, com base num extracto de entrevista cortado e isolado do contexto, que foi usado por alguns grupos com evidente intenção intimidatória, quase a dissuadir o Papa de se expressar sobre alguns temas, cuja relevância moral é óbvia, e de ensinar a doutrina da Igreja.

Como se sabe, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta sobre a eficácia e o carácter realista das posições da Igreja em matéria de luta contra a sida, declarou que a solução deve ser procurada em duas direcções: por um lado na humanização da sexualidade e, por outro, numa autêntica amizade e disponibilidade em relação às pessoas que sofrem, ressaltando também o compromisso da Igreja nos dois âmbitos. Sem esta dimensão moral e educativa a batalha contra a sida nunca será vencida.

Enquanto, nalguns Países da Europa, se desencadeava uma campanha mediática sem precedentes sobre o valor preponderante, para não dizer exclusivo, pró-profilático na luta contra a sida, é confortador verificar que as considerações de tipo moral desenvolvidas pelo Santo Padre foram compreendidas e apreciadas, sobretudo pelos africanos e pelos verdadeiros amigos da África, assim como por alguns membros da comunidade científica. Como se pode ler numa recente declaração da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (Cerao): “Estamos gratos pela mensagem de esperança que [o Santo Padre] nos veio confiar nos Camarões e em Angola. Veio encorajar-nos a viver unidos, reconciliados na justiça e na paz, para que a Igreja em África seja ela mesma uma chama ardente de esperança para a vida de todo o continente. E agradecemos-lhe por ter reproposto a todos, com matizes, clareza e acuidade, o ensinamento comum da Igreja em matéria de pastoral dos doentes de sida”.

FONTE: http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#4

Imagens: http://fratresinunum.com/

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Os trechos sublinhados acima são de minha iniciativa, para destaque.

Os dados abaixo, retirados da Wikimedia Commons trazem o mapa da África  e o índice de incidência da Aids, em matiz de cor para cada país deste continente. É um fato estranho que o título se refira à “AIDS”, mas o único mapa é o da África, enquanto há, exatamente ao lado, um gráfico sobre a causa de mortes nos Estados Unidos…  Isto merece nossa análise. Acrescento os seguintes dados, que fixam o significado da sigla em três idiomas e, o endereço eletrônico para outras informações relevantes:

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Aids

Sida (SIDA): Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (em espanhol, português, francês)

Aids (AIDS): Acquired Immunodeficiency Syndrome

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FONTE: http://fratresinunum.com/tag/atualidades/

27 de março de 2009

O Papa na África: “É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”.

de France Presse, em Luanda

O papa Bento 16 pediu neste sábado em Angola aos adeptos da bruxaria que se convertam à religião católica, durante uma missa na igreja de São Paulo da capital angolana.“Muitos de vocês vivem com o medo dos espíritos, de poderes nefastos que os ameaçam, desorientados, e chegam a condenar crianças de rua e até idosos, porque, dizem, são bruxos”, afirmou o pontífice em uma referência clara às várias seitas e religiões tradicionais africanas presentes em Angola, incluindo algumas que celebram rituais de sacrifício humanos.“A eles é preciso anunciar que Cristo venceu a morte e todos estes poderes obscuros”, disse o papa durante a homilia.“Há quem objete que os deixemos em paz, que eles têm a verdade deles e nós a nossa. Que tentemos conviver pacificamente, deixando tudo como está. Estamos convencidos de que não cometemos injustiça alguma se apresentamos Cristo a eles […] É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”, destacou.Diante de bispos, religiosos e representantes dos movimentos católicos e missionários, em uma igreja remodelada e lotada, Bento 16 condenou tais movimentos na África, que na última década representam uma forte concorrência para a Igreja Católica.

POLÊMICA

Em sua primeira viagem pela África –que inclui ainda uma parada em Camarões– o papa não escapou aos temas polêmicos. Ele condenou nesta sexta-feira (20) todas as formas de aborto, ao mesmo tempo em que exigiu medidas econômicas e legislativas em defesa da família, que segundo ele, “está ameaçada”.O papa mencionou o artigo 14 do Protocolo de Maputo, carta sobre os Direitos da Mulher na África que entrou em vigor em 2005 e foi ratificada pelos 20 Estados membros. O artigo se refere ao aborto como um dos métodos para regulamentar as políticas reprodutivas. “Como é amarga a ironia daqueles que promovem o aborto entre as curas para a saúde materna. É desconcertante a tese daqueles que acreditam que a eliminação da vida é um assunto de saúde reprodutiva”, disse.O papa fez as declarações no discurso que dirigiu aos bispos de Angola e São Tomé e Príncipe.Em Camarões, o papa causou grande discussão na comunidade internacional ao dizer que a distribuição de preservativos não ajuda a reduzir o número de pessoas contaminadas com a Aids.Bento 16 afirmou que a Aids “é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas”.

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre se os ensinamentos da Igreja Católica não eram “irrealistas e ineficazes” em relação à Aids. O papa defendeu que a epidemia só pode ser impedida com uma renovação moral no comportamento, a “humanização da sexualidade”, incluindo elementos de fidelidade e autossacrifício.

O papa adota a visão tradicional da Igreja Católica sobre o tema: sexo apenas depois do casamento e a proibição de meios contraceptivos artificiais, como a camisinha e a pílula.

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Cristoaleluia

Imagem: http://fratresinunum.com/