A REFORMA TERESIANA, PLENITUDE DA VIDA DO CARMELO – Flos Carmeli

Santa Teresa de Jesus: visão de Cristo Ressuscitado

Fonte/imagem: http://teresadejesus.carmelitas.pt

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Fonte: Flos Carmeli

A REFORMA TERESIANA, PLENITUDE DA VIDA DO CARMELO

(Carmelo São José)

Entre todas as tentativas de reforma na Ordem do Carmo, a mais definitiva e eficaz foi a empreendida por Santa Teresa de Jesus, na cidade espanhola de Ávila dos Cavaleiros. O que não conseguiram homens santos e sábios, o conseguiu esta mulher, lutando contra marés, graças à ajuda divina mais que humana.

A – Causas que motivaram a Reforma Teresiana

Fonte/imagem: evangelhoquotidiano.org

Santa Teresa de Ávila havia tomado o hábito carmelitano no mosteiro da Encarnação no dia 2 de novembro de 1536. Mas não estava contente com o gênero de vida que ali se levava. Havia demasiada relaxação entre as religiosas: muitas visitas, muitas saídas, muita liberdade e pouca observância e vida interior. Isto começou a preocupá-la muito. E “pensava que poderia fazer por Deus, e pensei que o primeiro era seguir o chamamento que sua majestade me havia feito à religião, guardando minha Regra com maior perfeição que pudesse. E embora na casa onde estava havia muitas servas de Deus e era muito servido nela a causa de ter grande necessidade, saíam às monjas muitas vezes a partes onde com toda honestidade podíamos estar, e também não estava fundada em seu primeiro rigor a Regra, senão que se guardava segundo a Bula de relaxação, e também outros inconvenientes, que me parecia a mim ter muito regalo por ser casa tão grande e deleitosa (…) Havendo um dia comungado, mandou-me muito Sua majestade o procurasse com todas as minhas forças, fazendo-me grandes

promessas de que não se deixaria de fazer o mosteiro”.

E assim aconteceu. Ao ver a vontade clara do Senhor, Teresa pôs mãos à obra. Quando as companheiras do convento e quando mais tarde os avileses se inteiraram das intenções de Teresa, valha-me Deus o que se armou: murmurações, insultos, vexames de todas as classes contra a fundadora e reformadora. Até a chamaram de “mulher inquieta e andarilha”, isto o disse o Núncio. Ela aguentou tudo e deixou tudo nas mãos de Deus. E como era da vontade do Senhor que a reforma se fizesse, pois à hora marcada ela aconteceu. E em 24 de agosto de 1562, se erguia o primeiro mosteiro reformado sob o patrocínio de São José na cidade de Ávila berço da reforma. Aquele dia vestiu o hábito de Descalças as quatro “grandes servas de Deus”. A simplicidade do mobiliário, a vida fervorosa e até a reza do Ofício Divino, eram o ambiente apropriado para a oração constante da nascente reforma, que exigia principalmente isso: intimidade com Deus, oração contínua com Ele e vida de família com as irmãs, que haveriam de ser poucas em cada convento, doze ou treze no máximo. Com este novo modo de vida, o Carmelo de São José era insignificante, contrastante, com as formas aparatosas dos antigos mosteiros.

Anos depois chegava à Espanha o Geral da Ordem, João Batista Rúbeo de Rávena, quem trazia autorização do papa Pio V para reformar o Carmelo. Grande foi sua alegria ao conhecer a obra de Teresa. Tanto que a animou a fundar novos Carmelos. Até lhe concedeu autoridade para fundar conventos de homens com o mesmo estilo de vida, homens que como reza a patente de autorização, foram “claros espelhos, lâmpadas ardentes, tochas acesas, estrelas resplandecentes capazes de esclarecer e guiar aos viajantes deste mundo”.

Havia em Salamanca um jovem Freizinho Carmelita que andava dando voltas para entrar na Cartuxa. Chamava-se Frei João de Yepes. A reformadora se entrevista com ele, lhe fala com entusiasmo de seus intentos e o convence. Frei João lhe põe só uma condição: que fosse logo. Que mais queria a Santa? Aos poucos dias, 28 de novembro de 1568, se abria já em Duruelo o primeiro convento de Carmelitas Descalços. Como Prior foi nomeado o Pe. Antonio de Jesus, outra conquista da Madre e a João da Cruz encarregava da direção dos noviços, embora de momento não tivesse nenhum (…) E assim foram colocadas as primeiras pedras da Reforma entre os frades. E que reforma! Uma mulher fazendo “as barbas a homens estudados”, como dizia mais tarde um frade.

S. Teresa de Jesus e S. João da Cruz

A semente lançada pela mão de Teresa foi crescendo segura e firme, de tal maneira que quando morria já se haviam levantado 17 mosteiros de monjas e 15 de frades.

B – Propósito que teve Santa Teresa ao empreender a reforma
A Teresa Reformadora empreende sua obra entre as monjas, graças ao seu zelo eclesial que vibrava em seu peito. Ela mesma nos conta em seu livro “Caminho de Perfeição”:

“Neste tempo recebi notícias dos danos na França e os estragos que haviam feitos estes luteranos e quanto ia aumentando esta desventurada seita. Deu-me grande fadiga, e como se eu pudesse algo ou fosse algo, chorava com o Senhor e lhe suplicava remediasse tanto mal. Parecia-me que mil mortes colocaria eu para remédio de uma alma das muitas que ali se perdiam. E como me vi mulher e ruim e impossibilitada de aproveitar em que eu queria no serviço do Senhor, e toda minha ânsia era, e ainda é, pois que tem tantos inimigos e tão poucos amigos, que eles fossem bons… determinei fazer esse pouquinho que havia em mim, que é seguir os Conselhos Evangélicos com toda perfeição que eu pudesse e procurar que essas pouquinhas que estão aqui fizessem o mesmo, confiante na bondade de Deus, que nunca falta de ajudar a quem por Ele se determina a deixar tudo (…) e que todas ocupadas em oração pelos que são defensores da Igreja e pregadores e letrados que a defendem, ajudássem os no que pudéssemos a este Senhor meu…” (1,2). “Não me deixa de quebrar o coração tantas almas que se perdem (…) Oh, irmãs minhas, em Cristo! Ajudem-me a suplicar a este Senhor, que para isto às juntou aqui, esta é vossa vocação, estes irão ser os vossos negócios, estes hão de ser os vossos desejos, aqui vossas lágrimas, estas vossas preces” (1,5).

O propósito da Santa reformadora está, pois, claro: junta a suas monjas em um pequeno convento para orar por tantas almas que se perdem e pelos defensores da Igreja, pregadores e estudiosos que a defendem. Quer dizer, um motivo de oração completamente eclesial.

O ideal que a Santa buscava na reforma dos Freis é mais ou menos semelhante: ter defensores, pregadores e estudiosos da Igreja para a extensão do reino de Deus e salvação das almas; diretores espirituais de suas irmãs Carmelitas e, como uma arma, a oração e intimidade com Deus.

C – Dificuldades por parte dos calçados
Os primeiros 10 anos foram de tremendas lutas entre Descalços e Calçados ou Padres da Antiga Observância, devida a incompreensões, cuja raiz era a duvidosa legitimidade da nova Reforma. O certo é que no Capítulo Geral da Ordem, em Plasência, Itália 1575, os reformados foram submetidos ao velho tronco da Ordem. Momento terrível para a nascente Reforma. Santa Teresa foi confinada no mosteiro de Toledo, com proibição de sair dali. É São João da Cruz, encarcerado durante nove meses na prisão conventual dos Calçados, também em Toledo, e graças ao Rei Felipe II, a quem depois de Deus se deve a salvação dos Descalços e Descalças, a tempestade diminuiu em 1577 quando o Rei negou seu palacete ao Padre Tostado, encarregado de por em prática os decretos do Capítulo de Plasência.

Em 1578, o Padre Jerônimo Gracian reunia os Descalços em Almodóvar Del Campo, e ali se origina sua província autônoma. Após muitas amarguras, foi aprovada a Reforma Teresiana pela Santa Sé em 1580, fato que causou imensa alegria a Teresa Fundadora, que morria tranqüila, dois anos mais tarde. Em 1587 foi nomeado um Vigário Geral da Ordem e no Capítulo Geral de Cremona, celebrado em 1593, aprovou a separação total da Reforma Teresiana.

D – Contratempos Internos
Lamentavelmente, logo começaram as lutas internas no Carmelo Reformado. Uma dupla corrente, semelhante à surgida na emigração dos Carmelitas à Europa se levantou, capitaneando ambos os lados duas figuras eximias da Descalces Teresiana: os Padres Nicolau Dória e Jerônimo Gracian. O primeiro grande financista que solucionou o caos econômico do império de Felipe II. Era italiano. Liderava o lado dos estritos que gritavam observância e penitência e não admitiam fundações fora da Espanha por temor ao relaxamento. O Padre Gracian, grande amigo e confidente de Santa Teresa e líder da corrente oposta, tinha uma visão mais ampla, conforme o pensamento Teresiano, aberto ao apostolado.

A contenda foi tremenda e o assunto chegou ao Vaticano de tal maneira que para acabar com o assunto, o Papa Clemente VIII erigiu duas Congregações dentro do Carmelo Reformado: a Italiana e a Espanhola. Era no ano de 1600.

– A Congregação de Santo Elias. Tinha tendências apostólicas; além das casas em Gênova e Roma, fundou na Pérsia, Mesopotâmia, Malabar, Mogol, China, Moçambique, Síria e Palestina. Personagens ilustres desta Congregação foram os PP, Pedro de la M. de Dios, primeiro Vigário, Fernando de Santa Maria, João de Jesus Maria, o calagurritano, Tomás de Jesus e Domingo Ruzola de Jesus Maria.

– A Congregação espanhola de São José se limitou ao solo da Espanha; aqui vivia Dória. Distinguiu-se por uma consagração quase exclusiva à vida contemplativa e estabeleceu desertos, que deram muita glória à Ordem. Praticamente o que buscava era voltar à vida eremítica do Monte Conte Carmelo. Apesar da divisão, as relações entre ambas eram boas.

E – Unificação das duas Congregações
As perseguições liberais e revoluções políticas do século XIX extinguiram praticamente a Ordem na Espanha e da Congregação espanhola não ficou oficialmente nada. Perdeu-se o rico arquivo do convento de São Hermenegildo de Madrid, que não mais pertence à Ordem. Ao voltar à restauração, uma vez amainada a tormenta, a Congregação Espanhola extinguida não renasce senão que os conventos que se vão restaurando passam a formar parte da Ordem existente, ano de 1868. Alma desta restauração foi o Padre Manuel de Santa Teresa. Expulsado da Espanha, foi à França e era então Prior do convento francês de Agén.

Graças a esta unificação, a Ordem veio fortalecendo-se e estendendo-se lentamente, porque o golpe da revolução contra o pessoal da Congregação Espanhola foi fatal. Hoje a reforma Teresiana conta com 4.000 religiosos no mundo, com umas 30 províncias vicariatos e delegações e com uma vida missionária rigorosa. Prova de uma fecundidade são também as Irmãs Carmelitas em torno de 15.000, e as numerosas Congregações de Irmãs como as Carmelitas Missionárias, fundadas pelo Padre Palau, OCD, a Companhia de Santa Teresa de Padre Henrique de Ossó, a Instituição Teresiana do Padre Poveda, e muitos outros ramos nascidos das fontes da Espiritualidade e Carisma eliano-teresiano, inclusive há umas cinco congregações brasileiras de inspiração carmelitana.

Fonte/imagem: http://carmelofatima.carmelitas.pt/

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A Ordem do Carmo não Reformada
Enquanto teve lugar este grande acontecimento da Reforma Teresiana com o processo que vimos, como ficou o velho tronco da Ordem do Carmo, não reformados, chamado de Antiga Observância?

A – A Ordem e a Revolução Francesa
A Revolução Francesa foi um abalo que comoveu toda a Igreja, reduzindo a cinzas obras e instituições particulares. A Ordem do Carmo como as demais Ordens, sentiram a agonia. De 54 províncias que contava no século XVIII, ficaram em fins do mesmo século somente em 08.

Ao longo daquele século fatal se nota, em toda Europa, uma decadência geral do espírito religioso, com a conseqüente deturpação dos costumes. Neste ambiente nasce a Revolução Francesa, que nega os direitos de Deus e amplia os direitos do homem.

A famosa Constituição Civil do Clero aboliu a vida religiosa em nome da liberdade (1789/1790). Pouco depois (1795) aumentou a influência até a vinda do Diretório e de Napoleão.

O resultado final foi à supressão de todas as Ordens Religiosas do território Francês. O Carmelo tinha ali 08 províncias e 130 conventos. Alguns religiosos se submeteram ao juramento civil imposto pela Revolução ao Clero, enquanto que outros preferiram derramar seu sangue em testemunho de sua fé.

A Revolução Francesa se propagou como um regato de pólvora por toda a Europa, chegando inclusive a repercutir na América. Propagou-se por meio do Exército de Napoleão que passeou triunfalmente por toda a Europa, deixando atrás de si seus germes envenenados.

Ao apoderar-se da Itália, Napoleão suprimiu, em 1830, as Ordens Religiosas; contudo a supressão definitiva chega a ter vigência com o novo governo do Piemonte, de 1854 em diante. Por obra sua se extinguiu o Carmelo Italiano com seus 344 conventos (63 de monjas) da antiga observância, e 119 da reforma de Santa Teresa (29 de monjas).

Uma lei de 1796 terminou com a Ordem na Bélgica e Holanda. Só o convento de Boxmeer sobreviveu e logo foi o ponto de partida para a restauração atual do Carmelo Holandês.

Em 1802 desapareceram as duas províncias da Alemanha.

As demais províncias da Europa Central e Oriental foram desaparecendo, ficando somente um ou outro convento em miseráveis condições.

Em fins do século XVIII desapareceram quase totalmente as províncias: Polônia, Rússia, Lituânia e Boêmia.

Em Portugal foi suprimida a Ordem em 1832, com a conseqüente decadência de suas missões no Brasil.

Excetuando Malta, nada ficou intacto. As províncias inglesas não se restauraram mais depois da Reforma Protestante. Somente em 1827 a Irlanda começava sua restauração.

A perseguição contra os religiosos foi maior na Espanha que em qualquer outra parte. A lei iníqua do governo de Mendizábal do ano de 1835 despojou a Igreja de suas propriedades e declarou abolidas as Ordens Monásticas. Os conventos carmelitas desapareceram por completo.

O balanço da Revolução Francesa é pavoroso: de 466 províncias, 782 conventos e 15.000 religiosos com que contava o Carmelo da Antiga Observância quase nada subsistiu.

B – Restauração
Antes de tudo se tratou de dar a Ordem uma nova existência material.Em 1827 se restaura o Carmelo Irlandês.

Em alguma parte, como Itália, se leva a cabo a restauração com relativa facilidade, graças ao Geral da Ordem Luis M. Galli (1899/1900).

Apenas restaurada a monarquia na Espanha com a chegada de Alfonso XII, se iniciou também em 1875 a restauração carmelitana. Fundou-se em Palma de Mallorca um convento que pouco subsistiu; em 1880 se funda em forma definitiva em Jerez de la Frontera, (Andaluzia), de onde se propaga o novo Carmelo pós Espanha e outros países.

Em alguns países a restauração se iniciou com maiores dificuldades, como em França e Bélgica. Em 1876 se fundou em Montpellier, mas fracassou ao vir à lei de exclaustração de 1880. Na Bélgica nem sequer se tentou a restauração.

Holanda começou partindo do convento de Brexmeer, estendendo-se logo para a Alemanha.

Em 1863 entram os Carmelitas em Lewenworth (Kansas) USA.

Em 1881 fundam na Austrália os padres Irlandeses.

C – Atualmente
Atualmente a Ordem da Antiga Observância está florescendo em vários países:

Na Itália conta a Ordem com 4 províncias.

Malta tem 1 província e 1 missão no Peru (1949).

Na Espanha tem 4 províncias, casas em Portugal, Porto Rico (1920) Argentina (1947), Venezuela (1922), Brasil (1933), Colômbia (1957). Na Revolução Espanhola de 1936 sofreram o martírio 54 religiosas.

Brasil conta com duas províncias, Pernambuco, onde estão desde 1580 e Rio de Janeiro. No Paraná, Curitiba, está o Comissariado, com várias casas, que pertencem a uma província alemã.

Holanda é a Província principal da Ordem com cerca de 500 religiosos. Seu êxito se deve ao incremento dos estudos que tem favorecido sempre a vida religiosa. Holanda tem uma missão na Indonésia e casas em diversos países. Entre os holandeses se destaca o Pe. Tito Brandsma, mártir da imprensa católica, morreu vítima do ódio nazista nos campos de Concentração Nazista em Dachau, no ano de 1942. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 03 de novembro de 1985.

O Carmelo alemão tem casas na Áustria,Tcheco-Eslováquia e Brasil.

Polônia, apesar do regime ateu, todas as ordens estão florescendo.

A Província Irlandesa se estendeu para a Austrália e USA. Austrália é província autônoma e tem casas em Nova Zelândia.

Nos USA há duas províncias: a de Nova York, de origem irlandesa e de Chicago, a mais florescente; em 1949 fundou casas no Peru e Chile.

Com a Reforma Teresiana os Carmelitas e as Carmelitas estão em diversas partes do mundo, nos cinco continentes.

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Publicado em Flos Carmeli (Fonte de pesquisa: Carmelo São José, texto publicado em http://www.clerus.org/clerus/)

“Nesta primeira perseguição, de caráter local, morreram os apóstolos Pedro(crucificado ) e Paulo (decapitado por ser cidadão romano).”, in As Perseguições – A Lex Romana (Blog Missio Fides – Pe. Edson Ausier – Brasil)

Fonte: MISSIO FIDES – TOTUS TUUS (Pe.Edson Ausier. Arquidiocese de Manaus, Amazonas, Brasil)

Confira também:

MISSIO FIDES – TOTUS TUUS – “Ícone: Janela para a Eternidade” – quinta-feira, 29 de julho de 2010

PERSEGUIÇÕES- A LEX ROMANA

No ano 186 a C. o senado romano reagiu contra os cultos forâneos (= externos) proibindo as Bacchanalia (=festas em honra de Baco, deus do vinho),e perseguindo duramente os seus seguidores; vários milhares deles foram executados. Proibia-se a associação dos crentes de Baco, a não ser em grupos de dois homens e não mais de três mulheres. Os que não cumprissem estas normas sofreriam a pena capital..

173 a C. para frear os progressos da superstitio populi (= superstição do povo) e restaurar a credibilidade dos deuses pátrios o Senado romano viu-se obrigado a emitir decretos de expulsão contra mestres de retórica e filósofos gregos.

Cícero(-63) em De legibus (= sobre as leis) mantém que a única religião pública é aquela que recebe o reconhecimento do poder político. Os deuses romanos eram cidadãos que podiam ser naturalizados, ou privados de cidadania, segundo decisão, ou conveniência do Estado. Ele afirmava que “nossos antepassados nunca foram mais sábios nem melhor inspirados pelos deuses, que quando decidiram que as mesmas pessoas que presidem a religião governem o Estado”. Daí ao cesaropapismo(= uma única pessoa assume todos os poderes cívicos e religiosos) só um passo, ou um tempo.

Lucrecio ( de Rerum Natura) é um defensor da religião pública frente a toda forma de superstição.

59 a C. o Senado mandou destruir os altares a Isis e Osiris, dentro do pomoerium (direito de alojamento) e do capitólio (= uma das sete colinas de Roma na qual estava o templo de Júpiter, protetor da cidade, chamada também Tarpeya, pela rocha célebre desde que se atiravam os meninos com defeitos no nascimento); proibição que se repetiu em anos posteriores.

29 a C., Augusto, ou melhor Caio Octávio, que reformou seu nome para Caio Julio César Octaviano e recebeu o sobrenome de Augusto, como é conhecido na História, recebe todo o poder político em suas mãos, aceitando o título de princeps senatus( príncipe do Senado).. Recebe o título de Imperator, general vitorioso, encarnação viva de Júpiter, o deus supremo dos romanos. No ano 37 recebe o título de Augustus, (= divino) com autoridade para ser o garante dos auspícios. No ano 12 recebe o título de Pontifex máximus, ( pontífice máximo),uma vez morto Lépido, ficando como único e máximo reponsável de toda a religião romana. Assim neste mesmo ano mandou destruir 2 mil oráculos diversos quando transferiu para o templo de Apolo Palatino os livros sibilinos (da Sibila, mulher sábia com poderes proféticos). A religião romana se transformou num dos apoios mais sólidos do regime imperial. Com exceção de Calígula e Nero, os demais imperadores do século I, apenas se afastaram das normas marcadas por Augusto, apresentando-se como máximos protetores da religião tradicional: a tríade capitolina (Júpiter,Juno, Minerva) a deusa Roma e o Imperador divinizado especialmente em províncias.

Tibério (14-37 )mandou destruir o templo de Isis-Serapis e jogar no Tibre a estátua da deusa. Como continuador da obra de Augusto perseguiu os magos, astrólogos e matemáticos (= no tempo considerados como adivinhos), judeus e outros seguidores de deuses orientais.

Claudio (43) ordena uma perseguição de judeus em Roma por causa de tumultos provocados por enfrentamentos com os cristãos. Entre eles Áquila (At 18,2).

Nero (64) inicia a primeira perseguição contra os cristãos não por motivos religiosos mas por causa do incêndio de Roma do qual são acusados. Nela morrem Pedro e Paulo. Segundo Tertuliano,(final sec II) Nero decretou o Institutum Neronianum( Decreto neroniano) que permitia às autoridades romanas perseguir os cristãos pelo fato mesmo de praticar sua religião, embora os autores modernos o neguem. Porém se propagou entre o povo a idéia de que os cristãos eram ateus (ver o caso de Sócrates) porque rejeitavam os deuses e as religiões, especialmente as tradicionais, sem cujos ritos os males sobrevinham sobre Roma e portanto eram culpáveis dos mesmos. Também que em seus cultos comiam carne de crianças e organizavam orgias sexuais, o qual apontava os banquetes eucarísticos, que eram confundidos com os orientais como os cultos de Mitra ou Baco.

A LEX ROMANA – AS PERSEGUIÇÕES (cont.)

No ano 304 a C. existia uma lei promulgada pela autoridade do Senado que proibia sem ordem do mesmo Senado ou dos tribunos da plebe, dedicar templo ou altar algum privadamente. Cícero explica dizendo que ninguém pode separar-se da cidade no culto aos deuses como ninguém pode infringir suas leis, ou negar-lhe seu serviço, sem deixar, ipso facto, de ser cidadão e cair sob sua justa vingança.

Tertuliano ( autor cristão no fim do século II) é o único que afirma que existiu um decreto de Nero que afirmava Ut christiani non sint(= não é lícito ser cristiano). Não se encontrou outro testemunho e por isso muitos autores o rejeitam. Nero culpou do incêndio de Roma aos cristãos à semelhança do acontecido na Roma do século II a C. quando um incêndio de umas casas vizinhas esteve a ponto de destruir o templo de Vesta, onde se guardava o fogo sempiterno da cidade. O cônsul (magistrado da república com suprema autoridade por um ano; era também chefe do exército), mandado pelo Senado para pesquisar as causas, acusou os habitantes de Cápua, que então visitavam Roma como causantes, porque Cápua era aliada de Aníbal, e esperava ser cabeça da Itália contra os interesses de Roma. Nesta primeira perseguição, de caráter local, morreram os apóstolos Pedro(crucificado ) e Paulo (decapitado por ser cidadão romano). Foram os mais ilustres mártires, de quem Caio (198-217), presbítero romano, escreve: “Dá fé desta história a inscrição, conservada até hoje dos seus sepulcros….que acharás se te aproximas ao Vaticano”. Modernamente nas escavações feitas no subsolo da basílica atual do Vaticano se descobriu um sepulcro com ossos do 1º século de um velho de 70 anos, com moedas desde o 1º século, e a inscrição Petros eini em grego(Pedro está aqui).

Do ano 64 até o 313, ano este em que o cristianismo gozou de liberdade no Império, houve estes períodos de perseguição: Século I 6 anos de perseguição (domiciano) e 28 de tolerância. – Século II: 86 anos de perseguição e 14 de tolerância.- Século III: 24 anos de perseguição e 74 de tolerância. –Século IV: 13 anos de perseguição Total: 129 anos de perseguição e 120 de tolerância. As perseguições mais importantes são as de Domiciano (5 anos) cujo motivo foi que eram molitores rerum novarum, (maquinadores de coisas novas) e que poderíamos traduzir como suspeitosos contra o regime, em que a nobreza romana pela primeira vez foi mártir de Cristo..

250 Décio, descendene de uma família senatorial romana, oficial do Illirico (Yugoslávia atual) tentou reavivar o culto em torno à figura do imperador. No momento em que assumiu o império ditou um edito obrigando a todos os cristãos a realizar atos públicos de submissão religiosa ao imperador e aos deuses oficiais. Aos que o faziam entregava um certificado(libellus)para não serem molestados de novo; e os que se negavam podiam ser encarcerados, torturados e mortos. No fim de um ano as medidas começaram a ser suavizadas, devido à opinião pública impressionada pelos excessos cometidos. Mártires: Fabião, papa em Roma, Ágata na Sicília, Dionísio em Paris. Alguns como Pablo se esconderam no deserto, outros compraram o libello ou apostataram, daí o problema dos lapsi (caídos).

Em 257, Valeriano – O velho Valeriano, no início tolerante, incitado por Macrino, ministro da fazenda que ambicionava os bens eclesiásticos, iniciou uma perseguição mais seletiva., de modo que só se obrigava a oferecer sacrifícios aos membros da hierarquia eclesiástica. Um segundo decreto ia dirigido contra os cristãos da classe alta em 258. Tudo terminou em 260 ao cair Valeriano nas mãos dos persas. Total 3 anos. Seu filho Galiano devolveu aos cristãos as igrejas e iniciou uma paz de quase 50 anos. Mártires: Sixto II em Roma com seu diácono Lourenço. Frutuoso na Espanha, Cipriano em Cartago.

A última perseguição foi a de Diocleciano(10 anos) – um gigante de corpo, de espírito organizador. Instaurou a tetrarquia, que estava acompanhada de um rearme moral e religioso. Sua mulher e filha eram cristãs. Esta perseguição, que teve início por dois incêndios perto da casa imperial, foi a mais cruenta e duradoura. Iniciada em 303, a instigação de seu colega Galério, César do Oriente, alcançou enorme dureza, exceto nas Gálias e Britannia, onde César Constâncio, colega do Augusto Maximiano, se limitou a destruir alguns lugares de culto. Em 305, Diocleciano abdicou e a perseguição só se manteve no Oriente através dos dois césares Galério e Maximino, sendo que no Ocidente cessou praticamente. Em 311, Galério, pouco antes de morrer, ditou um edito de tolerância. Licínio, Constantino e Majêncio o aprovaram. Só Maximino. de modo parcial e por pouco tempo, reiniciou as medidas anticristãs. Mártires: Sebastião em Roma, Lucia em Siracusa.

AS PERSEGUIÇÕES (Sobre os mártires)

O NÚMERO DOS MÁRTIRES.: O número de mártires que conhecemos com nomes próprios é um pouco mais de duzentos. O número conhecido pelas Acta Martyrum (atas dos mártires), pelo culto, ou outras fontes, se aproxima do milhar. Algumas atas e alguns mártires são famosos. No ano 117, Ignácio de Antioquia em Roma. No ano 156, Policarpo de Esmirna.. Em 165, Justino. Em 177, os mártires de Lion nas Gálias, França atual, entre eles S Blondina, escrava. No ano de.180 Perpétua e Felicidade( esta escrava) em Cartago. No século III, temos Cipriano, bispo de Cartago e Frutuoso, bispo de Tarragona. Finalmente, na perseguição de Diocleciano, Vicente, diácono de Zaragoza. São mártires cujas atas conhecemos. Outros, cujo martírio é conhecido pelo culto antigo como os grandes mártires romanos Inés, Sebastião, Pancrácio, dos que temos a igreja a eles dedicada, com seu sepulcro e inscrições e notícias litúrgicas. Muitos são desconhecidos. Para os mais moderados, seu número total nos IV primeiros séculos está mais perto dos 10 mil que dos 100 mil. Talvez foram muitos mais os que, sem ser mortos, tiveram que afrontar a confiscação de bens, o desterro, os cárceres e as minas. Como nota: no primeiro semestre da guerra civil na Espanha, foram mortos 12 bispos, 4 mil sacerdotes seculares e mais de 2 mil religiosos, entre eles 250 escolápios.

[Leia mais neste artigo – LBN]:

OS CÁRCERES

A TORTURA

AS MINAS.-AS CATACUMBAS

A FRAGILIDADE HUMANA – O Pão dos Fortes, Os Lapsi, Tipos de Lapsi, Os Confessores.

A ÚLTIMA PERSEGUIÇÃO – Diocleciano e o Baixo Império, A Perseguição, Galério, Morte de Galério, Licínio, Consequências.

FIM DAS PERSEGUIÇÕES – Constantino (285-337),  Batalha da Ponte Mílvio, Edito de Milão, Batismo e Morte de Constantino.

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Postado no site Missio Fides, por Pe.Edson Ausier, em 30 de abril de 2007.

Vídeo – Santo Antônio de Pádua – 13 de junho – Memória

Santo Antônio de Pádua nasceu em uma família da nobreza de Lisboa. Quando São Francisco de Assis o conheceu, devido à sua erudição e humildade, o nomeou mestre dos franciscanos, contrariando sua decisão de que a Ordem se limitaria aos estudos da Bíblia. Santo Antônio também possuía domínio da oratória, o que para São Francisco acrescentaria ao seu ideal, que, aliás, seguia fielmente o que Jesus Cristo disse aos Apóstolos: “Ide e pregai ao mundo inteiro”.

Além destes dons recebidos do Céu, realizou milagres. Morreu jovem, aos 36 anos de idade, junto a seus irmãos, em Pádua.  Reunia em sua pessoa virtudes como a pureza, a piedade e a humildade, e além disso, foi um pregador de rara inteligência e um hábil orador.

Por tantas graças, Santo Antônio, que veio de Lisboa, e viveu em Pádua, nós, do mundo inteiro, te agradecemos por todas as intercessões que fizeste e fazes  junto a Deus Pai.

Santo Antônio, aconselha-nos nas adversidades e roga por nós! Amém!

No “Arquivo” do blogue “Castelo Interior”, você encontrará uma explanação completa sobre os “feitos”de Santo Antônio de Pádua (com links complementares, que remetem para o site de origem). Vale a pena saber mais sobre este franciscano “por adoção”. Sua vida é surpreendente, já que no post que cito aqui, fica evidente seu potencial de conversão, o que acrescenta, e muito, à idéia que temos dele, ou seja, que era todo o tempo suave, tal como o vemos nas imagens com o menino Jesus que carrega ao colo. Era suave, mas sua pregação era firme e forte.

Desnutrição alarmante das crianças do Níger e Apelo internacional do Papa frente à violência no Oriente Médio (assassinato de Dom Luigi Padovese, em 03 de junho, na Turquia) – Agência Fides/Roma – 09.06.2010

Dom Luigi Padovese, presidente da Conferência Episcopal da Turquia, foi assassinado na última quinta-feira, dia 3 de junho, dia em que celebramos Corpus Christi – Corpo de Deus – o sacrifício e a Ressurreição de Jesus Cristo. Uma data terrivelmente emblemática para a morte de um homem consagrado ao serviço da construção do Reino de Cristo, até Sua vinda. Lembremos de Dom Luigi em nossas orações.

Creio que seu martírio representa a grave crise, que toma o disfarce de religiosa, mas que visa, de fato, tomada de poder entre grupos que, historicamente, vivem em conflito pelo domínio de uma terra que é chamada Santa, Jerusalém. No caso, todo seu amplo entorno, que afinal, se estende por todo o Oriente Médio. Ao que parece os cristãos chamam a atenção para o diálogo entre as várias vertentes, tanto entre muçulmanos, quanto judaicas, com chave negativa em relação à visão do Estado de Israel. No entanto, salvo melhor avaliação, os cristãos no Oriente Médio, apesar de serem numericamente quase ínfimos naqueles países, são incômodos, e infelizmente, alvo fácil.

Leia, logo abaixo o apelo internacional do Papa Bento XVI para o enfrentamento da violência no Oriente Médio, principalmente contra os cristãos.

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Sempre houve muita fome e miséria na África, principalmente devido à desestruturação social decorrente de centenas de anos de escravidão sofrida e perpetrada, com raras exceções pelo mundo inteiro. No entanto, a cultura africana é propícia à manutenção da violência entre elites tribais, ainda que em meio a arranha-céus… A corrupção é moeda corrente, e a decorrência disso é o frequente esfacelamento dos tecidos sociais.As crianças do Níger passam fome ou sobrevivem desnutridas. Há uma “super-dieta” que está em vias de não poder ser mantida. Uma organização internacional importante está enfrentando a ausência de uma estrutura permanente de assistência – via setor público, devido a uma simples questão: os homens não admitem que suas mulheres se afastem das áreas de colheita, para ajudá-los.  O resultado é que as crianças com saúde mais crítica, não conseguem receber adequadamente a alimentação que lhes é reservada. Por certo, há indiferença dos setores públicos, que, além de aceitarem passivamente a dependência de iniciativas internacionais, não garantem que a cadeia de ajuda humanitária seja mantida. Seria o caso de aplicar multas pesadas sobre os habitantes que desfazem do trabalho de Ongs em geral e de iniciativas, tanto católicas, quanto de outras igrejas cristãs.

Logo abaixo, leia a notícia de hoje sobre a situação em Níger, com cidades que, por falta de transporte chegam a exigir três dias de viagem para ir aos centros de distribuição de alimentação das crianças, e três para a volta.

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Fonte: AGÊNCIA FIDES – Roma

Imagem: "Palco da Vida"-Cabo Verde

ÁFRICA/NÍGER Toda criança tem direito a alimentação e assistência médica

Niamey (Agência Fides) – A falta de meios de transporte, o estilo de vida rural e a pressão exercida sobre as mulheres para trabalhar nos campos, ajudam a piorar as formas de desnutrição nas crianças do Níger que não podem levar a termo os programas de alimentação terapêutico aos quais são submetidos. Em algumas áreas rurais remotas, os centros de saúdem onde são realizados tais tratamentos, estão muito longe. Isso faz com que uma criança desnutrida a cada cinco que participa destes programas, nas províncias de Zinder e Maradi, interrompe o tratamento porque proveniente da Nigéria. A terapia intensiva dura oito semanas. Por causa da interrupção, o número de crianças gravemente desnutridas que são registradas nos programas terapêuticos aumenta semana após semana. Foram verificados 8 mil casos na última semana. Segundo o coordenador do UNICEF, na capital, Niamey, desde o início do ano as agências humanitárias cuidam de 84 crianças gravemente desnutridas. Na província de Diffa, onde trabalha a Ong Save the Children, a situação está piorando. A organização está programando aumentar as ajudas em todos os centros de saúde nos distritos deDiffa onde trabalha.

De Zinder e Maradi é preciso muito tempo para ir e voltar do centro, além disso os maridos não querem que suas mulheres e crianças fiquem ali muito tempo sozinhos e em vista da estação da colheita, as mulheres que trabalham nos campos, são obrigadas a voltar para suas casas. Em algumas áreas, 70% dos povoados distam mais de 15 km dos centros de saúde, outros 50 km, tornando necessário 3 dias para ir e 3 para voltar!

O índice de desnutrição aguda geral em Diffa é o mais alto da região, com 17.4%. Na zona norte da província acontece que ao voltar ao povoado depois de um mês ele não mais existe. As crianças em terapia devem ser controladas pelo menos uma vez por semana para verificar se estão perdendo peso, que não tenham contraído outras complicações, e que a comida hiper-calórica a eles destinados não seja dada aos outros membros da família. No Níger, a assistência de saúde oferecida às crianças com menos de cinco anos e às mulheres grávidas é gratuito, todavia, os remédios não são suficientes. (AP) (8/6/2010 Agência Fides)

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Imagem: Loyola Notícias
Papa Bento XVI no Memorial de Moisés, no Monte Nebo - Basílica (Jordânia) - 08.05.2009. Imagem: Loyola Notícias

Fonte: AGÊNCIA FIDES – Roma

2010-06-07

VATICANO Apelo do Papa em favor do “esforço internacional urgente e intrépido a fim de resolver as tensões que continuam no Oriente Médio, sobretudo na Terra Santa, antes que tais conflitos conduzam a um maior espargimento de sangue”

Nicósia (Agência Fides) – “Renovo o meu apelo pessoal pelo esforço internacional urgente e intrépido a fim de resolver as tensões que continuam no Oriente Médio, sobretudo na Terra Santa, antes que tais conflitos conduzam a um maior espargimento de sangue.” São as palavras proferidas pelo Santo Padre Bento XVI no domingo, 6 de junho, no final da Santa Missa celebrada no Palácio do Esporte Eleftheria de Nicósia, antes da entrega do Instrumentum laboris da próxima Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que se celebrará em outubro.

Em seu discurso o Santo Padre recordou Dom Luigi Padovese, Presidente da Conferência Episcopal da Turquia, assassinado em 3 de junho. O Papa recordou que o prelado contribuiu na preparação doInstrumentum Laboris e acrescentou: “Confio a sua alma à misericórdia de Deus Onipotente, recordando seu compromisso, especialmente como Bispo, pela compreensão mútua no âmbito inter-religioso e cultural e pelo diálogo entre as Igrejas. A sua morte é um lúcido chamado à vocação que todos os cristãos partilham em ser, em toda circunstância, testemunhas corajosas de tudo aquilo que é bom, nobre e justo”. O Papa evidenciou como o Oriente Médio tenha “um lugar especial no coração de todos os cristãos, a partir do momento que foi ali que Deus se manifestou aos nossos pais na fé”. A mensagem do Evangelho se difundiu no mundo inteiro e “os cristãos em cada lugar continuam olhando o Oriente Médio com reverência especial, por causa dos profetas e dos patriarcas, dos apóstolos e dos mártires, aos quais devemos tanto, aos homens e às mulheres que ouviram a Palavra de Deus, que deram testemunho dela, e a entregaram a nós pertencentes à grande família da Igreja”.

Falando sobre a próxima Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, o Santo Padre evidenciou que ela “buscará aprofundar os laços de comunhão entre os membros das Igrejas locais, como também a comunhão destas Igrejas entre si e com a Igreja universal”. Será um encorajamento no testemunho de fé em Cristo, vivida nos países onde esta fé nasceu e cresceu. “A Assembleia Especial é uma ocasião para todos os cristãos do resto do mundo de oferecer uma ajuda espiritual e uma solidariedade para seus irmãos e irmãs do Oriente Médio” – prosseguiu o Santo Padre. É uma ocasião para ressaltar o valor importante da presença e do testemunho cristão nos países da Bíblia, não somente para a comunidade cristã no mundo, mas igualmente para todos os vizinhos e concidadãos. Contribuam de várias formas ao bem comum, por exemplo, através da educação, do cuidado pelos doentes e a assistência social. Trabalham em favor da construção da sociedade. Vivam em paz e harmonia com seus próximos judeus e muçulmanos.

Muitas vezes vocês agem como artesãos da paz no difícil processo de reconciliação. Vocês merecem o reconhecimento pela função inestimável que desempenham. Espero que os seus direitos sejam sempre respeitados, incluindo o direito à liberdade de culto e a liberdade religiosa, e que vocês não sofram discriminações de todos os tipos. Rezo para que os trabalhos da Assembleia Especial chame a atenção da comunidade internacional sobre a condição dos cristãos no Oriente Médio, que sofrem por causa de sua fé, para que possam encontrar soluções justas e duradouras aos conflitos que causa tantos sofrimentos”. (SL) (Agência Fides 7/06/2010)

“(…)A fé diz-nos que é o próprio Cristo que continua dando o seu corpo e o seu sangue por amor a nós, como garantia de salvação para todos.” (SpeDeus – 03 de junho – Festa de Corpus Christi – Corpo de Deus)

Ceia do Senhor

Fonte: “Instituição da Eucaristia” – Achiropita.org.br

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Fonte: SpeDeus

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Festa do Corpo de Deus

A Igreja coloca a festa da Eucaristia na semana seguinte ao domingo da Trindade. Tem tudo a ver. A coerência da liturgia corresponde à coerência da fé.

Se Deus é amor, se Ele assim se revelou no seu mistério da Trindade, que é a comunhão divina no seu amor, este amor foi manifestado para nós pela maneira como Cristo nos amou. E diz o Evangelho que ele nos amou até o fim! Deu por inteiro a sua vida por amor.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”, disse Jesus. Disse e fez. Deu por inteiro sua vida. E tornou perene este seu gesto de amor, colocando-o como sua memória para ser celebrada para sempre.

Isto é a Eucaristia. Ela recolhe o amor de Cristo, que continua dando a sua vida por nós e para nós. Também nisto se mostra a coerência do mistério de Deus. Deus é amor. Tendo assumido um corpo humano, o Filho de Deus fez do seu corpo uma expressão de amor. E, para mostrar que queria partilhar connosco o seu amor, fez do seu corpo alimento para nossas vidas, à semelhança de pão para comer e de vinho para beber. Sob estas aparências, a fé diz-nos que é o próprio Cristo que continua dando o seu corpo e o seu sangue por amor a nós, como garantia de salvação para todos.

A coerência de amor divino convida-nos à coerência de nossa fé. No pão consagrado e no cálice abençoado reconhecemos a presença viva do próprio Senhor, que nos envolve em seu amor e nos fortalece em sua comunhão.

A Eucaristia é o grande sinal do amor de Deus, que Cristo nos testemunhou e nos comunica por seu Santíssimo Sacramento.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)
Publicada por JPR em Quinta-feira, Junho 03, 2010 (SpeDeus).

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Papa Bento XVI

Oremus pro Pontifice nostro Benedicto
Dominus conservet eum et vivificet eum et
beatum faciat eum in terra
et non tradat eum in animam inimicorum eius

Tradução:

Oremos pelo nosso Papa Bento.
O Senhor o conserve e lhe dê vida e saúde,
O faça feliz na terra
E o guarde de todos os males. Amen.

(Tradução de JPR a partir da versão italiana)

«A Cruz de Cristo será a ruína do demónio; e por isso Jesus não deixa de ensinar aos seus discípulos que, para se entrar na Sua glória, deve sofrer muito, ser rejeitado, condenado e crucificado (cf. Lc 24, 26), pois o sofrimento é parte integrante da sua missão.»

«Jesus sofre e morre na Cruz por amor. Deste modo, considerando bem, deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres em todas as épocas compreenderam e assumiram como seu, experimentando uma profunda serenidade, mesmo na amargura perante duras provas físicas e morais.»

(Tradução de JPR a partir da versão espanhola)

Angelus de 1 de Fevereiro de 2009.

(Tradução de JPR a partir do site da Santa Sé e das versões italiana e espanhola)

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Fonte: SpeDeus
Tema para reflexão
A nossa vida em Deus (1)

Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor transborde para fora d’Ele na Sua actuação. Toda a actuação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, dado que se distinguem apenas no interior de Deus. Não obstante, cada uma imprime nas acções divinas “ad extra” a sua ( ) característica pessoal. Com uma imagem, poder-se-ia dizer que a acção divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só acto; mas, para quem conhece as pessoas que formam essa família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por elas na prenda única.

Este reconhecimento é possível, porque conhecemos as Pessoas divinas na Sua distinção pessoal mediante as missões, quando Deus Pai enviou juntamente o Filho e o Espírito Santo na história (cf. Jo 3, 16-17 e 14, 26), para que se fizessem presentes entre os homens: «São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas» (Catecismo, 258). Eles são como que as duas mãos do Pai que abraçam os homens de todos os tempos, para os levar ao seio do Pai. Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões do Filho e do Espírito fazem-se presentes de uma forma nova . A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno Dom que Deus faz de Si mesmo, revelando na Sua morte a íntima dinâmica do Amor que une as três Pessoas.

(GIULIO MASPERO)
Agradecimento: António Mexia Alves
Publicada por JPR em Quinta-feira, Junho 03, 2010 (SpeDeus).

“Urge uma intervenção das Nações Unidas para proteger os cristãos no Iraque.” – Arcebispo sírio-católico, de Mosul, Dom George Casmoussa declara à Agência Fides, após grave atentado a três ônibus em que viajavam estudantes cristãos (03.05.2010)

Fonte: AGÊNCIA FIDES – Roma

ÁSIA/IRAQUE – “Uma intervenção da ONU para proteger os cristãos” – invoca o Arcebispo de Mossul

Mossul (Agência Fides) – “Urge uma intervenção das Nações Unidas para proteger os cristãos no Iraque. Temos a intenção de pedi-la. Se as autoridades civis e militares não nos tutelam, temos que pedir ajuda em sedes internacionais”: é o que diz à Agência Fides Dom George Casmoussa, Arcebispo sírio-católico de Mossul, depois do grave atentado que atingiu três ônibus cheios de estudantes cristãos que viajavam de Qaraqosh a Mossul.

Em declarações à Fides, o Bispo expressa a sua preocupação: “Há meses, a cada semana, todos os dias, os cristãos sofrem ataques de certa gravidade. Na comunidade cristã reina o medo. Estamos cansados e provados pela violência contínua, pelo terror e a insegurança. Se a situação continuar assim, não poderemos mais viver nesta terra, em nossa amada terra. Sofremos esta injustiça na indiferença geral. São necessários gestos concretos, medidas claras e fortes para restituir a paz e a segurança à minoria cristã no Iraque. Agradecemos aqueles que nos expressaram solidariedade e esperamos poder construir um futuro melhor, se permitirem aos cristãos permanecer no Iraque e oferecer sua contribuição ao bem comum”. (PA) (Agência Fides 3/5/2010)

“Da pureza e simplicidade do coração” – IMITAÇÃO DE CRISTO (Livro II, Cap. IV)

Alguns contratempos, graças a Deus, já devidamente resolvidos, além de meu envolvimento em uma revisão de texto longo e complexo (que está na metade), me impediram de movimentar o Blog “Castelo Interior”, dedicado a Santa Teresa de Avila (de Jesus), santa fundadora do Carmelo Descalço (viveu no século XVI).

Saúdo a todos,  tal como Jesus Cristo nos ensinou: “Que a Paz reine nesta casa”. Amém.

Por gentileza, aproveito para pedir a todos os visitantes que este meu voto repercuta em seus corações, e pensem também em mim e meu esposo. A Igreja nos ensina que devemos rezar uns pelos outros. A petição dos (as) amigos(as) é valiosa para os “ouvidos” de nosso Criador, que é Pai Misericordioso, e de Seu Filho, Jesus, Nosso Senhor e Salvador. Nossa casa deve ser um reduto de amor, um refúgio nestes tempos tão contraditórios e difíceis. A propósito, penso na Sagrada Família: Jesus, Nossa Senhora – a Virgem Maria e São José. Como é importante (e Santa Teresa frisa este aspecto) contar com a proteção de nossa Mãe Santíssima e o pai adotivo, amadíssimo por Jesus  – São José! Nossas famílias e as do mundo inteiro estão enfrentando crises terríveis:  materialismo (gerado pela descrença), relativismo moral, drogas, alcoolismo (talvez nestes dois casos, a situação seja tão crítica, devido ao desemprego vivido pelos jovens, ou, em boa parte dos casos, ausência total de educação religiosa, etc.), descaso público com a pobreza e a miséria de dois terços da humanidade, desamor… Em nossas orações lembremos dos que sofrem, perto ou longe de nossos olhos.

Voltarei a postar (por enquanto com menor frequência). Então, Paz e Bem a todos, e, tal como Santa Teresa escreveu em seus poemas, lembremos, todos os dias, se possível a cada hora: “Só Deus basta!”.

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IMITAÇÃO DE CRISTO*

Capítulo IV

Da pureza e simplicidade do coração

1. Tem o homem duas asas com que se levanta acima das coisas terrenas, que são simplicidade e pureza.

A simplicidade há de estar na intenção, e a pureza no afeto.

A simplicidade busca a Deus; a pureza o abraça e nele se compraz.

Nenhuma boa obra te impedirá de voar, se interiormente estiveres livre de todo o afeto desordenado.

Se não quiseres senão o que Deus quer e o que é útil ao próximo, gozarás da liberdade interior.

Sendo o teu coração reto, tens em qualquer criatura um espelho de vida e um livro de santa doutrina.

Não há criatura tão pequena e tão vil que não represente a bondade de Deus.

2. Se fosses bom e puro no interior, logo verias e entenderias bem todas as coisas sem impedimento.

O coração limpo penetra o céu e o inferno.

Cada um julga as coisas exteriores, segundo suas disposições interiores.

Se há alegria no mundo, sem dúvida que a possui o homem de coração puro.

E se em algum lugar há tribulação e angústia, a má consciência é que melhor conhece.

Assim como o ferro metido no fogo perde a ferrugem e fica todo em brasa, assim o homem que inteiramente se converte

a Deus, se desentorpece e se muda em novo homem.

3. Quando o homem começa a afrouxar, teme ainda o menor trabalho, e recebe com gosto a consolação interior.

Porém, quando começa perfeitamente a vencer-se e a andar com valor no caminho de Deus, logo tem por ligeiras as coisas que antes lhe pareciam pesadas.

REFLEXÕES

(“Imitação de Cristo” – Livro II – pg. 143)

Quando Jesus Cristo quis propor um modelo a seus discípulos, escolheu-o por ventura entre os homens sábios e poderosos? Não: “chamou um menino, pô-lo no meio deles e disse-lhes: em verdade vos digo, se não vos converterdes e vós não fizerdes como meninos, não entrarei no reino dos Céus” (MT 18, 2-3).

Ora, que vês num menino? A simplicidade, a pureza. Ele crê, ama e age, sem pensar em si mesmo, pelo primeiro movimento do coração; e eis que agrada a Deus. ele não pede nem longas orações, nem eloquentes discursos, nem meditações profundas, mas uma vontade reta, uma intenção pura, um amor inocente. Não ter outros desejos senão os seus, esquecer-te inteiramente de si mesmo, submeter-se aos decretos de sua adorável Providência, sem buscar investigá-los – que pode haver mais puro que esta resignação, que esta singela obediência?Por isso, será grande a recompensa dos que assim praticarem: ” Bem-aventurados, diz o Salvador, os que têm o coração puro, porque eles verão a Deus” (MT 5,8).

Dai-me, Deus meu, a simplicidade das almas puras, para que minha boca possa dignamente cantar os vossos louvores e anunciar a vossa grandeza. “Louva minha alma, o Senhor, e todas as minhas entranhas bendigam o seu nome santo. Louva, minha alma, o Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Não, a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai glória” (Sl 102, 1-2:; 112,9)

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* IMITAÇÃO DE CRISTO – Livro II – Capítulo IV, pg.141.

“A celebração da Páscoa é certeza para nós de que a vida vence a morte, a alegria vence a dor! Portanto, nunca se deixe abater, lembre que depois da Cruz vem a glória. E, como diz um canto que cantamos em nossas celebrações: [em Jesus temos a razão do sofrer que traz salvação]” – Carmelo Sagrado Coração de Jesus – Carmelo de Santo Ângelo (RS – Brasil – segunda-feira – 05 de abril de 2010)

PÁSCOA ETERNA

Jesus Cristo – a nossa Páscoa – ressuscitou! Ele veio, em nome do Amor, para nos mostrar o caminho da Eternidade!

N’ Ele nossas aflições têm descanso… Somos provados para poder acompanhá-lo, com nossos passos vacilantes, desde agora até a implantação definitiva do Reino de Deus, Seu Pai, nosso por adoção. Reino de Misericórdia! Amém!

(L.B.N.)

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Segunda-feira, 5 de abril de 2010

Feliz Páscoa!

(Santo Ângelo-RS-Brasil)

“Somente no silêncio a pessoa penetra nas profundezas de Deus, sua base original. Somente no silêncio ela capta grandes relações, sente a dor, a busca, os anseios e a alegria do outro. Se nos afastamos, é para enxergarmos mais longe. Para abranger na totalidade do amor de Deus, o mistério do mundo tão carente de amor e de paz. O mistério dos homens e mulheres, nossos irmãos e irmãs; especialmente dos excluídos.

Nas dificuldades da vida nunca deixe de olhar mais além!

No horizonte sempre brilha uma nova luz!”

Post publicado em “Carmelo de Santo Ângelo”.

“Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu.” (São João da Cruz – Exaltação da Santa Cruz (OCD)

Exaltação da Santa Cruz

São João da Cruz

“Para expressar a onipotência do Santíssimo Deus e sua personalidade única e indizível, os autores sacros dizem que Deus habita nos altos céus.

Oh percepção do espaço… que me permite conhecer as distâncias, das infinitas extensões aos ínfimos intervalos, dos prolongados caminhos aos curtos atalhos, da ausência de quem está longe, à intimidade de quem se faz próximo.
Oh espaço, categoria que descerra uma pequena fresta do insondável mundo de Deus e que me induz a balbuciá-lo algumas preces e a dizer com o salmo 143: “do alto estende a tua mão, salva-me das águas torrenciais”, ou com o salmo 9: “eu me alegro e exulto em ti, e toco ao teu nome, ó Altíssimo.”
Deus é altíssimo, habita nos céus – nos mais altos céus, melhor ainda, acima dos mais altos céus. Os céus são o nosso limite, ainda por descobrir e decifrar. Mas não há limites para a infinita glória de Deus. E’ o que reza o salmo 113: “Elevado sobre os povos todos è Iahweh, sua gloria está acima do céu”.

E, porque Deus habita nas alturas, è para o alto que os corações de homens piedosos se voltavam, que as mãos de Moisés se estendiam para implorar o favor divino sobre o povo de Deus na vitória sobre os Amalecitas, era para o alto que a fumaça dos incensos se dirigia, era para o alto que soou o primeiro grande clamor do sangue inocente de Abel, ou a malicia de Nínive, quando Deus disse: “quia ascendit malitia ejus coram me”, pois a sua maldade subiu e chegou aos meus ouvidos. Era nos altos lugares que se construíam os altares e templos, e era nos píncaros das montanhas que os homens de Deus subiam para comunicarem-se com Ele. De fato foi no monte Moriá que o nosso pai na fé, Abraão, sentiu o chamado de Deus (Gn 22,1-19) e para o alto do monte levou Isaque para ser sacrificado. Foi no alto do Horeb que Moisés falou com Deus face a face e onde Deus assinou a aliança com o seu povo. O monte Sião, em Jerusalém, elevado acima das montanhas, foi o símbolo do desejo de congregar todos os dispersos de Israel e todos os povos da terra, em Deus. Foi no alto que o Filho de Deus revelou sua glória, estabeleceu sua nova lei das bem-aventuranças e realizou a suprema obra da nossa redenção. O alto nos fascina. Dá-nos a sensação de sentirmo-nos perto de Deus, quando do alto vemos por primeiro o nascer do sol, e por [ultimo o entardecer do dia. O dia parece ser mais longo na montanha, acende em nós a nostalgia da eternidade.

O que nos atrai no calvário?

“Quando eu for elevado atrairei todos a mim”.

Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu. Estar na Cruz é o que Deus, no seu amor, deve ao homem que é crucificado. Porque o amor conhece muitos deveres, mas o primeiro dos deveres de quem ama é o de estar junto da pessoa amada. Qualquer outro gesto poderia nos dar uma falsa imagem de Deus. Somente a Cruz tira-nos toda dúvida, porque é a revelação suprema de Deus, de um Deus que desce. A Cruz é o abismo onde Deus torna-se o amante.

Subi, oh carmelitas, para o alto, onde habita a glória de Deus, pelo único atalho que não nos fará deter, nem demorar, o mesmo perseguido pelo Cristo, que no alto jaz, nu, só, sem apegos, sem bens, solus cum Deus solus, porque só Deus permanece, tudo o mais passa. Santo Padre João da Cruz recita, feliz e convicto, o caminho: nada… nada… nada… nada… nada… e ainda, no Monte, nada.”

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Boletim de notícias da Província São José – Sudeste do Brasil

 

Da Cruz Misericórdia e perdão – Cardeal Geraldo Majella Agnelo (CNBB) -Artigo sobre a Semana Santa – 30.03.2010

Fonte/imagem: PASTORAL VOCACIONAL CARMELITANA – Província São José

(clique na imagem)

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Ter, 30 de Março de 2010

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

Da Cruz Misericórdia e perdão

Hoje, entramos na Semana Santa. A comemoração do ingresso de Jesus em Jerusalém. Recordamos o mistério de Cristo Salvador que dá a vida por nós, e aprofundamos o sentido de nosso ser cristãos. A celebração de hoje é ao mesmo tempo Domingo de Ramos e Domingo da Paixão do Senhor. Por desejo do Papa é também Jornada mundial da Juventude.

Os ramos constituem o aspecto mais vistoso e sugestivo do acontecimento: palmas e ramos de oliveira recordam o ingresso triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos eram sinal de alegria, porque o povo tinha em Jesus o seu rei e messias. Nós abençoaremos os ramos de oliveira e os levaremos para nossas casas como recordação de Cristo vencedor da morte.

A Jornada da Juventude. Foram os jovens sobretudo com seu entusiasmo a proclamar o triunfo de Jesus em seu ingresso em Jerusalém. É também o reconhecimento da Igreja ao papel dos jovens no anúncio do Evangelho. O apóstolo João na sua Segunda Carta dirige-se aos jovens com plena confiança: “Escrevi a vós, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus habita em vós, e vencestes o maligno”. Eles são capazes de entusiasmo, de disponibilidade com o seu tempo, o seu empenho, de criatividade: sabem ser originais e doar-se.

Na primeira leitura da missa, (Isaias 50,4-7), o profeta do tempo da deportação dos hebreus para a Babilônia, descreve um personagem obscuro, chamado “Servo Sofredor”, que é perseguido por seus inimigos, mas põe sua confiança em Deus. Descreve antecipadamente a vida e a paixão do Senhor Jesus.

Na segunda leitura (Filipenses 2,6-11), Paulo convida os cristãos de Filipos a terem em si “os mesmos sentimentos que foram em Cristo Jesus”. Ele soube viver a obediência ao Pai, e o serviço aos irmãos, até ao dom supremo da vida. Por isso o Pai o proclamou Senhor.

Hoje, lemos por inteiro o relato da Paixão do Senhor, narrado por Lucas 22-14-23,56. Lucas, evangelista da misericórdia de Deus, evidencia como o amor do Senhor, a sua divina capacidade de perdão, tiveram plena manifestação no momento crucial da Paixão. Jesus repõe a orelha do servo do sumo sacerdote ferido pela espada; dirige a Pedro depois da traição um olhar de perdão; demonstra compreensão também para o bom ladrão; os judeus que o escarneciam; o centurião que o põe na cruz. Naquele doloroso momento até Herodes e Pilatos tornaram-se amigos. Jesus não opõe violência à violência, mas escolhe a vida da mansidão e do perdão.

Podemos imaginar o relato da Paixão segundo Lucas como articulado em seis momentos: A hora da amizade: Jesus na última ceia, doa-se a seus amigos; revela com delicadeza a presença de um traidor; confirma Pedro no papel de chefe dos apóstolos. A hora da angústia: Jesus em oração no Horto das Oliveiras experimenta a amargura do abandono, enquanto os seus discípulos dormem. A hora da traição: Judas com um beijo entrega Jesus a seus inimigos. A hora do julgamento: Jesus inocente é processado e condenado pelos homens pecadores. A hora da morte: Jesus é crucificado com dois malfeitores, promete o paraíso ao bom ladrão, abandona-se com confiança ao Pai e morre. A hora do silêncio:Jesus é sepultado por seus amigos em um túmulo novo, à espera da ressurreição.

Escutaremos com atenção, gratidão e afeto, sabendo que o Senhor morreu por cada um de nós.

Uma vez conhecida esta imagem de um Deus que sofre, todas as demais não nos bastam. Se no jardim das oliveiras Jesus consumou a sua paixão moral, no Calvário consumou a sua paixão física. Ele está portanto vizinho também a quem sofre no corpo.  A paixão de Cristo, liturgicamente se renova nesta semana, nos ritos sobretudo da Missa que celebramos, mas de fato, materialmente se renova cada dia, em toda parte em que exista uma pessoa se debatendo-se nos tormentos da violência. Quem sofre pode estar seguro de ser compreendido por Jesus, também quando não tem nada a fazer  e grita a Deus, “Por que, por que, por que?”

O relato evangélico não termina aqui. O último momento é a hora da ressurreição. Nós a celebraremos com alegria no domingo próximo, festa da Páscoa.

(CNBB- Cardeal Geraldo Majella Agnelo – 30.03.2010)

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PARA REFLETIR….

História da Igreja e a ação de Deus

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Dom Orani João Tempesta

A ação de Deus na História

Ultimamente o debate sobre os passos do Concílio Vaticano II nos fazem refletir sobre a importância desse acontecimento eclesial.  Como recordou muitas vezes o Papa Bento XVI, infelizmente tivemos muitas interpretações errôneas dos textos conciliares que levaram a Igreja a muitas dificuldades. De outro lado, também escutamos as dificuldades em colocar em prática não só a letra, mas também o espírito desse importante evento. Passados alguns decênios e devido a tantas discussões atuais, seria interessante que pudéssemos estar sempre voltados para a ação do Espírito Santo na sua Igreja e descobrir esses sinais.

Nos inícios do século XX, o interesse pela Igreja renascia nas almas com renovado vigor. O “Movimento litúrgico” esforçava-se por colocar ao alcance de todos o profundo significado da ação litúrgica da Igreja, e a memorável encíclica do Papa Pio XII, “Mystici Corporis”, recolhendo a contribuição de aprofundados estudos e avanços da teologia, ressaltou a dimensão teológica e mística, que, com a dimensão visível e institucional, identifica a Igreja em sua unidade profunda.

Talvez em nenhum outro século a Igreja tenha se voltado para si mesma e refletido sobre sua própria identidade e missão com tanta intensidade e profusão de estudos teológicos e documentos do magistério eclesiástico como no século XX. Mas o que marcou o século XX para a Igreja foi, de fato, o Concílio Vaticano II. A Igreja foi aí o grande tema: a Igreja em si mesma e em sua relação com o mundo; a Igreja em sua unidade fundamental e diversidade de expressões; a Igreja como depositária do Evangelho do Deus vivo revelado em Jesus.

Um dos grandes documentos do Concílio é a Constituição Dogmática “Lumen gentium”. Temos aí uma fonte da qual somos chamados a beber continuamente. A constituição oferece, em linguagem acessível, o que a Igreja pensa sobre si mesma. Toda a riqueza teológica sobre a Igreja, presente nas Escrituras, ressaltada pelos Santos Padres, vivida pelos santos, estudada e sistematizada pelo labor dos teólogos ao longo dos séculos, isto é, toda a tradição de fé a respeito da Igreja encontra na “Lumen gentium” uma vigorosa síntese. Logo no início do documento, a Igreja é apontada como sendo, em Cristo, “como que o sacramento, ou o sinal e instrumento, da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (n.1). Essas breves palavras revelam já o teor e a profundidade das reflexões contidas ao longo de todo o texto.

Quem deseja unir-se intimamente a Cristo, Deus feito homem, não pode ignorar a Igreja que Ele quis. Cristo e a Igreja são, na verdade, inseparáveis. Aqueles que querem Cristo não podem rejeitar a Igreja. O Plano de Salvação de Deus é sacramental, isto é, Deus houve por bem dispensar-nos a salvação valendo-se de sinais sensíveis, de modo que o invisível viesse a nós por meio das coisas visíveis. A humanidade de Cristo é o primeiro grande sinal visível da salvação de Deus. Cristo é o grande e primordial sacramento de Deus no meio de nós. A visibilidade da salvação continua na Igreja, que, com seus sacramentos, a Palavra que anuncia, o serviço da caridade e a sua organização visível, é o grande sinal de Cristo ao longo da história.

(…)Somos convidados a conhecer melhor a Igreja. Sim; ela é a Esposa de Cristo. Nós, batizados, como Povo de Deus a caminho, somos seus membros vivos, em comunhão com os que nos precederam na mesma fé e que hoje estão na glória do céu ou se purificam no purgatório para a visão de Deus. (…)Não podemos ficar indiferentes à Igreja que Ele amou e conquistou com o Seu sangue. A Igreja é a família de Deus, é a mãe que nos gera para a fé em Cristo. Ela nos ensina a amá-Lo, servi-Lo, celebrá-Lo e esperá-Lo vigilantes. Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, disse: “A Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do Povo de Deus, e recordar também aos fiéis deste Continente que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

Que o século XXI possa continuar a empreitada do século XX, fazendo de nosso tempo uma ocasião propícia para um continuado aprofundamento da nossa identidade de cristãos e católicos, membros vivos da Igreja de Cristo. Que a Constituição “Lumen gentium” do Vaticano II nos sirva de farol e guia, já que o revigoramento do verdadeiro sentido de Igreja em nossos corações significa o revigoramento de Cristo em nossas vidas.

(CNBB – Dom Orani João Tempesta – 18.12.2009)

“Uma maré de cristãos vindos de todos os continentes chegou hoje a Jerusalém e desceu o Monte das Oliveiras batendo palmas e balançando galhos de oliveira na alegre procissão do Domingo de Ramos, que marca o início das celebrações da Semana Santa.” – Yahoo Notícias

Fonte: http://comunicacionpatrimoniomundial.blogia.com/2007/031401-governo-israelita-chamado-a-suspender-obras-em-jerusalem.php

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Fonte: Yahoo Notícias

Cristãos de todo o mundo celebram Domingo de Ramos em Jerusalém

Dom, 28 Mar, 04h37

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 28 mar (EFE).- Uma maré de cristãos vindos de todos os continentes chegou hoje a Jerusalém e desceu o Monte das Oliveiras batendo palmas e balançando galhos de oliveira na alegre procissão do Domingo de Ramos, que marca o início das celebrações da Semana Santa.

A cerimônia começou na igreja de Betfagé, levantada em uma aldeia palestina na encosta nordeste do Monte das Oliveiras sobre a pedra na qual, segundo a tradição, Jesus se apoiou para subir no lombo do burro em que entrou em Jerusalém.

Ali se juntou uma comitiva de peregrinos e religiosos de distintas igrejas cristãs que entoavam cantos em diversos idiomas enquanto desciam pela corrente de Cedrón até o Portão dos Leões ou de São Estavão.

Essa entrada de pedra branca dá acesso à velha cidade de Jerusalém pela Via Dolorosa, caminho percorrido por Jesus desde o palácio de Pilatos até o Gólgota, onde ele foi crucificado e hoje se encontra a Igreja do Santo Sepulcro.

Grupos de jovens palestinos com uniformes coloridos animavam a caminhada marchando ritmicamente, enquanto os vizinhos muçulmanos da localidade se juntavam nas janelas e terraços para apreciar o espetáculo.

“Hoje é um dia de glória, de festa e pode-se ver no ambiente que é um dia de alegria no qual o povo lembra esse grande acontecimento, a chegada de Jesus desde Jericó e sua entrada solene em Jerusalém”, disse à agência Efe o franciscano Artemio Vítores, padre da Custódia da Terra Santa.

O religioso destacou que uma das partes mais bonitas da procissão é “a chegada ao Dominus Flevit (em latim: O Senhor chorou) onde Jesus chorou sobre Jerusalém e onde os fiéis cantam: ‘Alegra-te Jerusalém’ e ‘Que alegria quando me disseram, vamos à casa do senhor’, entre outras canções em lembrança dos antigos peregrinos que vinham à Cidade Santa”.

Vítores aponta que Deus quis que os peregrinos pudessem desfrutar hoje do encontro em um clima ensolarado, após dois dias nublados e com chuva em Jerusalém.

Muitos dançavam entoando cânticos ou recitando salmos em idiomas como o árabe, espanhol, inglês, francês e grego, enquanto outros encorajavam o desfile tocando pequenos pandeiros, tambores, violões e até violinos, para expressar sua alegria de estar em Jerusalém em um dia como hoje.

Dezenas de policiais e soldados israelenses rodeavam as ruas pelas quais a procissão passava e helicópteros sobrevoavam a cidade para garantir que a jornada transcorresse sem incidentes.

Na vizinha Cisjordânia, palestinos cristãos fizeram um protesto contra a proibição de acesso imposta por Israel, que impede que centenas de milhares de fiéis residentes nesse território ocupado possam tomar parte das celebrações religiosas da Semana Santa.

A partir de hoje até o final da semana todos os acessos da Cisjordânia (onde se encontra a cidade de Belém), salvo casos humanitários, os 1,8 mil trabalhadores religiosos e estudantes e professores com permissões especiais, estão fechados.

Este ano a Semana Santa cristã coincide com a Pessach, a Páscoa judaica, que celebra a libertação da escravidão no Egito faraônico há 3,5 mil anos e a chegada da primavera. (EFE)

Domingo de Ramos: “”Como nos amastes, ó Pai Bondoso!… Entregaste teu Filho Único à morte por nós, ímpios pecadores! Como nos amastes! Foi por nosso Amor que Ele, não tendo como usurpação o ser igual a Vós, se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz, Ele, o Único que, entre os mortos, estava isento da morte, o Único que tinha Poder de entregar a Vida e de retomá-la!(…) – Santo Agostinho – (OCDS-28.03.2010)

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DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR – 28/03/10 (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares(OCDS)

LITURGIA DIÁRIA
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A Semana Santa que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

EVANGELHO (São Lucas 19, 28-40)

Naquele tempo, 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monteperto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: 30“Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. 32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” 34Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. 35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. 36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. 37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” 39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!” 40Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor!

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA

“Como nos amastes, ó Pai Bondoso!… Entregaste teu Filho Único à morte por nós, ímpios pecadores! Como nos amastes! Foi por nosso Amor que Ele, não tendo como usurpação o ser igual a Vós, se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz, Ele, o Único que, entre os mortos, estava isento da morte, o Único que tinha Poder de entregar a Vida e de retomá-la! Foi, diante de Vós, o nosso Sacerdote e sacrifício: e foi Sarcedote por que foi sacrifício. De escravos fez-nos vossos filhos; e serviu-nos, apesar de ter nascido de Vós. Com razão Nele coloco toda a minha firme confiança, esperando que curais todas as minhas enfermidades por intermédio Daquele que, sentando à Vossa Direita, intercede por nós. Sem Ele eu desesperaria! Ah! São muitas e grandes as minhas fraquezas, mas maior é o Poder da Vossa Medicina.” (Santo Agostinho)


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Vamos refletir um pouco mais sobre a Paixão de Jesus? (LBN)

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FLOS CARMELI – FLOR DO CARMELO

Meditação – Ano Litúrgico 2009

Reflexão – Por que a Cruz?

Ensina-nos quem somos

Recorda-nos o Amor Divino

O sinal do cristão

Contemplar a cruz com fé nos salva

Força de Deus

Síntese do Evangelho

(Fonte: ACIDigital)

Este post foi publicado em Flos Carmeli.

“Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.” – A. de França Andrade – Hagiografia

Fonte/imagem: Câmara Municipal de Lamego (séc. XVI) – Portugal

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Quinta-feira (Santa), 25 de março de 2010

Anunciação do Anjo e Encarnação do Verbo

Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.

Quando a Santíssima Virgem respondeu ao Arcanjo São Gabriel “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (São Lucas, 1,38), o próprio Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, “se fez carne e habitou entre nós” (São João, 1,14).

Tinha assim início o processo de Redenção do gênero humano, o qual culminaria no Calvário, com a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade – Artpress.

Papa Bento XVI reafirma que Deus “(…) não é um deus qualquer, ou pior, um ídolo em sociedades materialistas nas quais a idolatria é semelhante à da antiguidade, mas o Deus que se revelou a Moisés, isto é, a Palavra que se fez carne em Jesus.” – Homilia (L”Osservatore Romano – Vaticano)

O artigo “O Papa e o mistério da lua“, escrito por Giovanni Maria Vian, e publicado no L’Osservatore Romano, quando o papa Bento XVI iniciava seu quinto ano de pontificado – em 2009, é atemporal. Fala das reações, muitas vezes desfavoráveis,  à proposição do Papa, em todos os cantos do mundo, além do católico, em “progredir no caminho ecuménico”, e que esta proposta manifesta sua “vontade de amizade e de busca religiosa comum com o povo judaico”, acelerando, conforme o articulista, “o confronto com as outras grandes religiões, com a atenção dirigida sobretudo às raízes culturais; de forma que este confronto dê frutos reais sobre temas concretos, do respeito da liberdade religiosa ao da dignidade da pessoa humana, como acontece agora com os muçulmanos”. Para ele, por esta razão, isto faz com que este procedimento do Papa, por ele considerado “límpido,  seja ignorado e que continue a representar, sobretudo em alguns Países europeus, Bento XVI e os católicos em chave negativa e hostil.”

Dentre do âmbito deste artigo, publico a notícia da morte, no dia de ontem, de uma figura de destaque no Oriente Médio dentro do diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas, intermediado pelo Vaticano – xeique de Al-Azhar, Muhammad Sayyed Tantawi . Na página “Mundo” ela foi replicada. Na página “Mundo Católico”, publico notícias, entre outras, que demonstram  o desenvolvimento das várias crises enfrentadas pela Igreja Católica, dentro de um mundo notoriamente materialista, ou seja, com forte tendência ao relativismo moral, que resulta em indiferença ao Cristianismo na própria esfera do mundo ocidental, e como o Vaticano enfrenta tais dilemas.

Sua morte, já que detinha a presidência do grupo formado pela união de duas iniciativas – Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo, deve afetar os direcionamentos propostos na última reunião deste grupo. Presidiu o encontro, realizado entre os dias 23 e 24 de fevereiro último, no Cairo. Publiquei as notícias referentes aos apelos dos líderes religiosos frente à violência e morte por motivos religiosos, bem como sobre o encontro presidido pelo xeique falecido ontem –  Muhammad Sayyed Tantawi, presidente do grupo ecumênico. Neste encontro foi definido que na mesma data, em 2011, haverá nova reunião.

Os encontros entre o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo  procuram atender aos apelos dos líderes religiosos do Oriente Médio frente aos assassínios de cristãos e de fiéis de outras religiões monoteístas. A violência e a morte de civis têm sido perpetrada por  grupos terroristas em nome da religião, e de grupos para-militares, em todo Oriente Médio. Mas estas ações, que, deliberadamente são de extermínio, incluem o Paquistão, a Índia, em outra faixa do Oriente, além da África onde, cristãos  são perseguidos, sequestrados e assassinados. Para piorar, suas igrejas são queimadas, principalmente, no Quênia, na Somália e Sudão. A única saída é buscarem ajuda entre as comunidades cristãs, principalmente do Quênia, que possuem melhor estrutura para darem abrigo aos cristãos africanos que buscam  por proteção neste país. No entanto, sabemos que as comunidades cristãos do Quênia, em ondas, sofrem também a dor da violência e morte em atentados sob o comando de milícias étnicas, avessas ao Cristianismo. No caso de famílias inteiras que conseguem sobreviver a machetes e queimas de povoados, os missionários católicos e de outras denominações providenciam a fuga para lugares seguros em outros países. Por tais razões há registros de inúmeras mortes de clérigos e religiosas católicos, bem como de líderes cristãos nesta faixa de nosso planeta.

O que podemos fazer como leigos e leigas católicos? Encaminhar contribuições, doações por pequenas que sejam (se possível, mensais) às Ordens ou outras denominações que enfrentam perigos mortais em suas Missões. Elas realizam contemporaneamente, de fato, o que Jesus ordenou: “Ide e evangelizai”.

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11-03-2010
Permalink: http://www.zenit.org/article-24322?l=portuguese

Pêsames do Papa pela morte do xeique de Al-Azhar

Muhammad Sayyed Tantawi foi um impulsor do diálogo com os cristãos

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 11 de março de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI enviou ao xeique Muhammad Abd al-Aziz Wasil, wakil de Al-Azhar, do Cairo (Egito), uma mensagem de condolências pelo falecimento do grande imame e xeique de Al-Azhar, Muhammad Sayyed Tantawi.

O texto foi assinado pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, quem explica que o pontífice, após ter recebido a notícia da repentina morte do xeique, pediu que transmitisse “à sua comunidade e à família do xeique suas mais sentidas condolências”.

O Santo Padre, acrescenta, “recorda a figura relevante deste líder religioso que, durante muitos anos, foi um interlocutor precioso no diálogo entre muçulmanos e cristãos”.

O cardeal Bertone expressa também suas próprias condolências e recorda “com agradecimento o impulso que o falecido xeique deu aos encontros entre o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo”, presidido pelo xeique a quem se dirige a mensagem papal.

O último destes encontros aconteceu no Cairo, nos dias 23 e 24 de fevereiro deste ano. O xeique Tantawi recebeu os participantes no final, acolhendo o agradecimento do cardeal Tauran, presidente do dicastério vaticano, por ter condenado os atos de violência que provocaram a morte de 6 cristãos e de um policial muçulmano em Naga Hamadi, durante o Natal ortodoxo, e de ter expressado solidariedade aos familiares das vítimas, reafirmando a igualdade dos direitos e deveres de todos os cidadãos, independentemente da religião que professam.

Naquela ocasião, o xeique Tantawi declarou que havia feito somente aquilo que considerava “seu dever diante daqueles trágicos acontecimentos”.

Publicado em ZENIT.org.

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FONTE : L’Osservatore Romano – Vaticano

O Papa e o mistério da lua

Giovanni Maria Vian

Inicia o quinto ano de pontificado de Bento XVI, eleito com uma rapidez quase sem precedentes pelo conclave mais numeroso que jamais se reuniu. E contudo o novo Papa não celebrou a sua eleição com tons triunfais, e na homilia da missa inaugural do seu serviço como Bispo de Roma pronunciou uma frase surpreendente: “Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos”. Uma imagem forte, cujo significado se compreende sobretudo nestes últimos meses atormentados.

Conhecedor da tradição, o Pontífice sabe que as vicissitudes da Igreja neste mundo são como as fases alternadas da lua, que continuamente cresce e decresce, cujo esplendor depende da luz do sol, ou seja, de Cristo. Assim, o mistério da lua descrito pelos antigos autores cristãos é o da Igreja, muitas vezes perseguida, com frequência obscurecida pela sujidade por causa dos pecados de muitos dos seus filhos, tal como Joseph Ratzinger denunciou pouco antes da sua eleição, mas que cresce sempre de novo, iluminada pelo seu Senhor. Levar e mostrar a luz de Cristo à obscuridade do mundo como fez várias vezes o Bispo de Roma no escuro inicial da vigília pascal, com um gesto repetido em todos os recantos da terra é a tarefa essencial do Papa.

Consciente de que em muitos Países, também nos de longa tradição cristã, esta luz corre o risco de se apagar, como escreveu na última carta aos bispos. Confirmando, com tonalidades de dolorosa admiração perante o falseamento dos factos, as prioridades menosprezadas do seu pontificado. Antes de tudo, o testemunho e o anúncio de que Deus não está distante de cada pessoa humana e que é verdadeiramente, como repetem incessantemente as liturgias orientais, amigo dos homens. Por isso Bento XVI pede para não excluir o transcendente do horizonte da história, por isso pede com a mesma confiança dos seus predecessores para não se fechar pelo menos à possibilidade, razoável, de Deus. Que não é um deus qualquer ou, pior, um ídolo em sociedades materialistas nas quais a idolatria é semelhante à da antiguidade mas o Deus que se revelou a Moisés, isto é, a Palavra que se fez carne em Jesus. Para falar de Deus, Bento XVI celebra-o na liturgia e explica-o como poucos bispos de Roma souberam fazer, solícito da paz na Igreja que deseja restabelecer, como fez com uma oferta de misericórdia e de reconciliação que está em perfeita continuidade com o Vaticano II em relação aos bispos lefebvrianos.

Por isso o Papa deseja progredir no caminho ecuménico, por isso confirmou a vontade de amizade e de busca religiosa comum com o povo judaico, por isso acelera o confronto com as outras grandes religiões, com a atenção dirigida sobretudo às raízes culturais; de forma que este confronto dê frutos reais sobre temas concretos, do respeito da liberdade religiosa ao da dignidade da pessoa humana, como acontece agora com os muçulmanos. Então fere que este proceder límpido seja ignorado e se continue a representar, sobretudo em alguns Países europeus, Bento XVI e os católicos em chave negativa e hostil. Como aconteceu com o obscurecimento da viagem em África e com o silêncio mediático face às homilias pascais. Mas o Papa não tem medo dos lobos. E não está sozinho porque é apoiado pelas orações da Igreja. Que, como a lua, sempre tira a sua luz do sol.

(Vaticano – 25.04.2009)

Publicado em L’Osservatore Romano.

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR) e o Comitê Permanente para o Diálogo entre as religiões monoteístas da Universidade al-Azhar, do Cairo (Egito), assinaram um comunicado conjunto em que condenam a utilização da religião para justificar a violência (Agência Ecclesia/Portugal – 02.03.2010)

TÚNEL DO TEMPO

Papa em encontro com lideres religiosos na Igreja da Anunciação, em Nazaré, na Galiléia (Israel - 14.05.2009)

Fonte: Site Papa na Terra Santa

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Mensagem contra o fanatismo e a violência

De visita a Nazaré, na Galileia, o Papa apelou hoje à protecção das crianças do fanatismo e da violência, à coragem dos cristãos na Terra Santa e à convivência pacífica entre as diferentes religiões.

Bento XVI reafirmou o desejo de ver unidos cristãos, judeus, muçulmanos e outras religiões a favor de uma cultura de paz.

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Fonte: Gaudium Press/Radio Vaticana

12.05.2009

Na Esplanada das Mesquitas, Papa encontra líderes muçulmanos e aponta valores comuns entre as religiões monoteístas
(…)
Muro das Lamentações
(…)

Eis o conteúdo do bilhete depositado pelo Santo Padre:

“Deus de todos os tempos,
na minha visita a Jerusalém, a “Cidade da Paz”,
morada espiritual para judeus, cristãos e muçulmanos,
trago diante de Ti as alegrias, as esperanças e as aspirações,
as angústias, os sofrimentos e as dores de todo o Teu povo espalhado pelo mundo.
Deus de Abraão, Isaac e Jacó,
escuta o clamor dos aflitos, dos amedrontados, dos desesperados,
manda a Tua paz sobre esta Terra Santa, sobre o Oriente Médio,
sobre toda a família humana;
desperta o coração de todos aqueles que chamam o Teu nome
para que queiram caminhar humildemente no caminho da justiça e da piedade.
“O Senhor é bom para quem nele confia,para aquele que o busca”. (Lm 3, 25)”

Publicado em Gaudium Press.

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Fonte: Agência Ecclesia – (Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal)

02.03.2010

Católicos e muçulmanos juntos contra a violência

Declaração conjunta assinada pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e a Universidade al-Azhar

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (CPDIR) e o Comité Permanente para o Diálogo entre as religiões monoteístas da Universidade al-Azhar, do Cairo (Egipto), assinaram um comunicado conjunto em que condenam a utilização da religião para justificar a violência.

Entre os pontos sublinhados no documento, indica-se a necessidade de “prestar mais atenção ao facto de a instrumentalização da religião para fins políticos poder ser uma fonte de violência”, pelo que deve ser evitada “a discriminação com base na identidade religiosa”.

O documento foi divulgado pelo Vaticano e resulta da reunião realizada na capital egípcia, nos dias 23 e 24 de Fevereiro. A delegação católica foi liderada pelo presidente do CPDIR, Cardeal Jean-Louis Tauran.

O Imã da Universidade, Muhammad Sayyed Tantawi, condenou a morte de seis cristãos e de um polícia muçulmano, ocorrida em Janeiro.

O evento serviu para reafirmar a “igualdade de todos os cidadãos em matéria de direitos e deveres, independentemente de sua pertença religiosa”, lê-se na declaração final.

Ambas as partes ressaltam os valores do perdão recíproco e da reconciliação, como “condições necessárias para uma convivência serena e fecunda“, assim como define o reconhecimento das semelhanças e o respeito pelas diferenças “um pré-requisito para uma cultura do diálogo sobre a base de valores comuns“.

A declaração conjunta convida católicos e muçulmanos a combater “qualquer acção que crie tensões, divisões e conflitos na sociedade”, promovendo “uma cultura de respeito recíproco e de diálogo, através da educação em casa, na escola, nas igrejas e nas mesquitas“.

O próximo encontro bilateral foi programado para 23 e 24 de Fevereiro de 2011, em Roma.

Octávio Carmo

Publicado em Agência Ecclesia – Internacional | Octávio Carmo | 2010-03-02 | 15:33:05 | Diálogo inter-religioso.

* Grifos meus.