“O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias (…)” – Carmelo Santa Teresa (SC-Brasil)

Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/index.htm 

Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias
Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Visão de Santo Elias

INÍCIO DA DEVOÇÃO À VIRGEM DO CARMO

Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta.

Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.

Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.

Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias.

Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.

Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima. Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.

A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.

São Metódio, mártir do ano 311, dizia numa de suas homilias: “O Profeta Elias, tendo tido conhecimento da pureza imaculada de Maria, imitando-a em espírito, conquistou para si uma coroa de glória aurifulgente”.

Para Santo Ambrósio, a Virgem estava de fato prefigurada naquela pequena nuvem, de que fala a Escritura.

Disse Santo Alberto Magno: “Maria é essa nuvem pequenina: pequena pela humildade, mas plena pela graça”

A Ordem Carmelita teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem italiana (Sto. Elias) e sua dedicação a Maria. O monte Carmelo se eleva entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Compõe-se por uma série de cadeias montanhosas que medem uns 30 km de comprimento por 12 de largura. O pico mais alto é 600 metros sobre o nível do mar, lugar este que é chamado sacrifício. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente – a fonte de Elias – Elias o maior Profeta do Antigo Testamento. Para a maioria, o termo “Profeta” lembra, sobretudo, a idéia de um homem que anuncia o futuro. Na linguagem bíblica, no entanto, o profeta é um homem inspirado por Deus que comunica aos povos o pensamento e o querer divino. Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 e 850 aC. Seu nome tem o significado de uma profissão de fé: significa “Javé é Deus”. Nasceu em Tesbis, na Transjordânia.

Vários são os episódios que a Bíblia nos oferece sobre o Profeta Elias:

a) Elias por vontade de Deus, se esconde na torrente de Carit, onde os corvos lhe levam comida: 1Reis, 17, 2-6. b) Em Sarepta de Sidon, Elias faz o milagre da farinha e do Azeite: 1Reis, 17, 7-16. c) Em Sarepta, na mesma casa da mulher viúva, ressuscita a seu filho: 1Reis, 17, 17-24. d) Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo: 1Reis, 2, 1-18. e) Vocação do Profeta Eliseu: 1reis, 19, 19-21. Eliseu sucessor de Elias. 2reis 2, 19-21.

Elias no Novo testamento:

Vários livros o nomeiam, por exemplo: Mt 16, 13; 17, 1-12; 27,47. Lc 4, 25 e 9, 33. Jo 1-21. São Tiago 5-17.

Elias é um dos poucos profetas com grande ressonância. Elias dizia:

“Eu me consumo de ZELO pelo SENHOR, o DEUS dos exércitos”.

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou.”

“Elias surgiu como um fogo e sua palavra queimava como uma tocha.”

(Eclo. 48, 1-12)

PRECE AO SENHOR JAVÉ

Vem, Senhor! Tua Face procuro… Como a terra árida pela chuva anseia assim meu ser por ti… Vivo és senhor! E em tua graça estou! Na brisa leve me fala, No Carit me dessedenta.. Vem, Senhor! na aridez do deserto Com o pão me alimenta Fortalece-me na caminhada… Vivo és, Senhor! E teu zelo me consome Na solidão quero encontrar-te E descobrir-te no irmão… Vem, Senhor, e ao clarão de tua face se passe inteira a minha vida, se opere a nossa união…

Imagem: “Transfiguração: Jesus, Moisés e Elias” – http://arthistoryfacts.com/Page8MyArtHistorySite.htm

“AVE MARIA, GRATIA PLENA” (Schubert), interpretada por Andrea Bocelli (YouTube)

"Virgem de Guadalupe"
"Virgem de Guadalupe"

Ave Maria

Gratia plena

Dominus tecum

Benedicta tu in

mulieribus

Et benedictus

fructus ventris

Tui, Jesus

Sancta Maria

Mater Dei

Ora pro nobis

peccatoribus

Nunc et in hora

mortis nostrae

Amen.”

“Ave Maria” – clássica peça musical de Schubert, é interpretada pelo tenor italiano Andrea Bocelli. Todos sabemos que este cantor de música clássica e lírica é cego, o que torna mais impressionante ainda sua performance. No vídeo , ouvimos somente sua voz, a um só tempo, grave e suave. Considero sua voz encantadora e como intérprete, Andrea Bocelli se mostra versátil porque  empresta a canções populares sua profunda sensibilidade e nas peças clássicas, principalmente de inspiração religiosa, dá um tom quase celestial. Sua interpretação é acompanhada por imagens da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Outras imagens da Virgem Maria – também  muito belas – são apresentadas no vídeo; algumas delas trazem Nossa Senhora com o Menino Jesus aos braços.

Que a Virgem de Guadalupe, Mãe da Humanidade, ore pelo México e pelo mundo inteiro…  Amém.

Imagem: Basílica de Santa María de Guadalupe (site oficial) –

http://www.virgendeguadalupe.org.mx/noticias/Breves_2009/oracion_virgen_influenza_09.htm

Postado em 26 de abril de 2007-(http://www.youtube.com/sanctaorg).

Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.

“Castelo Interior – Moradas”: Santa Teresa de Ávila. Breve Biografia.

A RECUSA DO MAL

Santa Teresa de Ávila foi leitora de as Confissões de Santo Agostinho, tendo privado com São Pedro de Alcântara vez por outra. Este monge reformador, já em idade avançada, teve sobre monja Teresa forte influência, dada a reconhecida sabedoria que o velho monge apresentava à sua época. Eram tempos de devassidão e pobreza dentro e fora da vida religiosa. Ensinava e exigia a necessidade da austeridade que, em sua visão, era essencial à vida monástica. Além desta grande influência sobre as obras de Teresa de Ávila, a história registra a forte impressão que causou a personalidade de São João da Cruz e de seus escritos.

Ela nos apresenta um itinerário de conquista, passo-a-passo, da libertação de nossa própria alma das garras do mundo. No mundo de hoje, fora da clausura daqueles tempos, este esforço é vital para a saúde de nossa psique. Isto se faz necessário porque em meio ao caos de tantas informações desconexas, tal busca, a da paz interior vai se dar até o último momento de nossa existência. A rigor, temos tudo, menos vida interior…

Dentro de outro ângulo de análise da obra de Santa Teresa de Ávila, é admissível pensar à luz das Escrituras Sagradas que nosso espírito anseia livrar-se do pecado original. Ele é uma marca, isto é, algo como que um “vírus espiritual”. A partir da leitura, principalmente do Antigo Testamento sabemos que tal pecado de origem foi herdado e transmitido de geração em geração, em decorrência da rebeldia da criatura humana contra o seu Criador. Um pecado de origem, mas não sem conseqüências. Adentramos em relatos ainda cheios de mistério, de enigmas, tal como a vida o é em si mesma. O que temos é a decisão livre de afastamento da criatura racional do convívio íntimo com seu Criador. Ainda que confundidos, tanto homens quanto mulheres pelas sugestões de um ser espiritual, externo à criatura, a aniquilação interior (a morte seria a conseqüência física) foi irreversível. Desde lá, isto é, desde aquele remoto passado da humanidade, tal influência auto-destrutiva perdura no presente. Há em cada um de nós uma auto-suficiência absurda. Somos rebeldes até mesmo na decadência física natural…  Cristo, os santos e santas da Antiga Lei e da Nova Aliança, sempre sugeriram humildade diante d’Ele, de escuta interior, e portanto, de busca da santidade, já a partir daqui, de nossas vidas. Afinal, vivemos todos uma aventura individual e coletiva sob a face da Terra. Esta jornada tem consistido em uma constante batalha espiritual.

Para tanto, o que está em jogo é o exercício de nosso livre-arbítrio (direito que a cada um de nós foi concedido). Podemos dar ouvidos ou não ao apelo, à voz de Deus em nosso interior. É esta a intenção de Santa Teresa de Ávila – Teresa de Jesus, ou seja, de maneira racional e carinhosa vai traçando este itinerário de paz interior possível já aqui neste mundo. Conquistado o interior, o castelo já faz parte do Reino de Deus, o Reino de Jesus Cristo.

A partir do que lhe era comunicado pela pessoa de Jesus Cristo (Santa Teresa de Ávila afirmava se tratarem de visões intelectuais, e estas foram reconhecidas pela Igreja Católica já à sua época), sem rodeios, assumiu a dificílima missão de reforma do Carmelo. Em fazendo isto, mesmo aos leigos, oferece objetivamente instruções sobre o caminho a ser trilhado para a conquista de nossas próprias almas. Se assim o quisermos, com carinho nos anima, já que afirma que sempre teremos a ajuda do Espírito Santo de Deus, que mora neste castelo… Converso (minha razão, meu espírito)  com quem quem via um pouco mais além da terra e do céu terrenos…

UMA BREVE BIOGRAFIA

Castelo Interior – Moradas – nos foi presenteado por Teresa de Ahumada, nascida em Ávila, no século XVI, na Espanha. Monja carmelita, do convento de Nossa Senhora do Carmo, que, ao ali entrar tomou o nome de Teresa de Jesus, e empreendeu uma verdadeira aventura espiritual, porque recheada de perigos externos (Inquisição) e sofrimentos. Mundialmente, no entanto, é conhecida como Santa Teresa de Ávila (1515-1582). Suas experiências místicas ao serem relatadas a alguns superiores causaram espanto, expondo-a até mesmo ao risco de ser levada à fogueira. À parte disso (e até alheia ao fato), na verdade, esta santa católica viveu muitas contradições interiores, dado o seu fervor místico e ao mesmo tempo, sua extrema humildade. Ao mesmo tempo que tinha visões mentais em que via e conversava com Cristo, no início destes encontros espirituais, pela pressão da época, sua alma vivia em uma quase constante perturbação. No início de tudo, pensava que as visões eram frutos de sua vaidade, pela qual se condenava. Com o tempo compreendeu, bem como seus confessores, que o Maligno (tal como Jesus denomina em sua pregação) não teria capacidade de, continuada e coerentemente, falar como Cristo. Ensina-nos que os Padres da Igreja sempre enfatizaram: sua capacidade se limita a influenciar as almas, na tentativa de afastá-las do encontro face-a-face com Deus Pai, o Criador do Universo.

Este foi o convite gentil de Santa de Ávila (carmelita, Doutora da Igreja): todos devemos viver constantemente na busca de uma proximidade com Deus e Seu Filho, Jesus Cristo. Este, que resgatou e continua resgatando as criaturas humanas da perdição se suas almas no mundo. Castelo Interior – “Moradas” é sua obra-prima, de acordo com os estudiosos da Igreja. Uma obra que é fruto de sua maturidade espiritual e que foi composta no final de sua jornada de vida(1582), dando-a por concluída em 29 de novembro de 1577.

“EM BUSCA DO INFINITO E DO DESEJO DE DEUS”

Assim define o conjunto da obra de Santa Teresa de Ávila, o coordenador da publicação das Obras Completas, Frei Patrício Sciadini, OCD. No prefácio da edição brasileira ele comenta:

“(…)Com seus escritos, Teresa rompe os limites do mundo dos carmelitas descalços e das monjas carmelitas descalças. Seu nome, sua mensagem ultrapassam a Igreja e conquistam pessoas de todas as raças e religiões, em busca do Infinito e do desejo de Deus.

A melhor forma de compreender a figura dessa mulher é aproximar-se de seus escritos em atitude de simplicidade, sem esquecer que Madre Teresa (Teresa de Jesus) fala mais ao coração que à inteligência. A sua afetividade encontra pleno transbordamento no íntimo diálogo com Deus. O método de oração teresiano é o caminho que devemos seguir para obter a água da fonte para regar o jardim de nossa alma.”

Frei Patrício (OCD) nos oferece ainda esta pequena oração de Santa Teresa de Ávila, já bastante conhecida, mas que sempre nos encanta e alenta:

Nada te turbe,

nada te espante.

Tudo se pasa.

Dios no se muda.

La paciencia

todo lo alcanza.

Quien a Dios tiene

nada le falta.

Sólo Dios basta!

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