Da Cruz Misericórdia e perdão – Cardeal Geraldo Majella Agnelo (CNBB) -Artigo sobre a Semana Santa – 30.03.2010

Fonte/imagem: PASTORAL VOCACIONAL CARMELITANA – Província São José

(clique na imagem)

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Ter, 30 de Março de 2010

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

Da Cruz Misericórdia e perdão

Hoje, entramos na Semana Santa. A comemoração do ingresso de Jesus em Jerusalém. Recordamos o mistério de Cristo Salvador que dá a vida por nós, e aprofundamos o sentido de nosso ser cristãos. A celebração de hoje é ao mesmo tempo Domingo de Ramos e Domingo da Paixão do Senhor. Por desejo do Papa é também Jornada mundial da Juventude.

Os ramos constituem o aspecto mais vistoso e sugestivo do acontecimento: palmas e ramos de oliveira recordam o ingresso triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos eram sinal de alegria, porque o povo tinha em Jesus o seu rei e messias. Nós abençoaremos os ramos de oliveira e os levaremos para nossas casas como recordação de Cristo vencedor da morte.

A Jornada da Juventude. Foram os jovens sobretudo com seu entusiasmo a proclamar o triunfo de Jesus em seu ingresso em Jerusalém. É também o reconhecimento da Igreja ao papel dos jovens no anúncio do Evangelho. O apóstolo João na sua Segunda Carta dirige-se aos jovens com plena confiança: “Escrevi a vós, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus habita em vós, e vencestes o maligno”. Eles são capazes de entusiasmo, de disponibilidade com o seu tempo, o seu empenho, de criatividade: sabem ser originais e doar-se.

Na primeira leitura da missa, (Isaias 50,4-7), o profeta do tempo da deportação dos hebreus para a Babilônia, descreve um personagem obscuro, chamado “Servo Sofredor”, que é perseguido por seus inimigos, mas põe sua confiança em Deus. Descreve antecipadamente a vida e a paixão do Senhor Jesus.

Na segunda leitura (Filipenses 2,6-11), Paulo convida os cristãos de Filipos a terem em si “os mesmos sentimentos que foram em Cristo Jesus”. Ele soube viver a obediência ao Pai, e o serviço aos irmãos, até ao dom supremo da vida. Por isso o Pai o proclamou Senhor.

Hoje, lemos por inteiro o relato da Paixão do Senhor, narrado por Lucas 22-14-23,56. Lucas, evangelista da misericórdia de Deus, evidencia como o amor do Senhor, a sua divina capacidade de perdão, tiveram plena manifestação no momento crucial da Paixão. Jesus repõe a orelha do servo do sumo sacerdote ferido pela espada; dirige a Pedro depois da traição um olhar de perdão; demonstra compreensão também para o bom ladrão; os judeus que o escarneciam; o centurião que o põe na cruz. Naquele doloroso momento até Herodes e Pilatos tornaram-se amigos. Jesus não opõe violência à violência, mas escolhe a vida da mansidão e do perdão.

Podemos imaginar o relato da Paixão segundo Lucas como articulado em seis momentos: A hora da amizade: Jesus na última ceia, doa-se a seus amigos; revela com delicadeza a presença de um traidor; confirma Pedro no papel de chefe dos apóstolos. A hora da angústia: Jesus em oração no Horto das Oliveiras experimenta a amargura do abandono, enquanto os seus discípulos dormem. A hora da traição: Judas com um beijo entrega Jesus a seus inimigos. A hora do julgamento: Jesus inocente é processado e condenado pelos homens pecadores. A hora da morte: Jesus é crucificado com dois malfeitores, promete o paraíso ao bom ladrão, abandona-se com confiança ao Pai e morre. A hora do silêncio:Jesus é sepultado por seus amigos em um túmulo novo, à espera da ressurreição.

Escutaremos com atenção, gratidão e afeto, sabendo que o Senhor morreu por cada um de nós.

Uma vez conhecida esta imagem de um Deus que sofre, todas as demais não nos bastam. Se no jardim das oliveiras Jesus consumou a sua paixão moral, no Calvário consumou a sua paixão física. Ele está portanto vizinho também a quem sofre no corpo.  A paixão de Cristo, liturgicamente se renova nesta semana, nos ritos sobretudo da Missa que celebramos, mas de fato, materialmente se renova cada dia, em toda parte em que exista uma pessoa se debatendo-se nos tormentos da violência. Quem sofre pode estar seguro de ser compreendido por Jesus, também quando não tem nada a fazer  e grita a Deus, “Por que, por que, por que?”

O relato evangélico não termina aqui. O último momento é a hora da ressurreição. Nós a celebraremos com alegria no domingo próximo, festa da Páscoa.

(CNBB- Cardeal Geraldo Majella Agnelo – 30.03.2010)

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PARA REFLETIR….

História da Igreja e a ação de Deus

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Dom Orani João Tempesta

A ação de Deus na História

Ultimamente o debate sobre os passos do Concílio Vaticano II nos fazem refletir sobre a importância desse acontecimento eclesial.  Como recordou muitas vezes o Papa Bento XVI, infelizmente tivemos muitas interpretações errôneas dos textos conciliares que levaram a Igreja a muitas dificuldades. De outro lado, também escutamos as dificuldades em colocar em prática não só a letra, mas também o espírito desse importante evento. Passados alguns decênios e devido a tantas discussões atuais, seria interessante que pudéssemos estar sempre voltados para a ação do Espírito Santo na sua Igreja e descobrir esses sinais.

Nos inícios do século XX, o interesse pela Igreja renascia nas almas com renovado vigor. O “Movimento litúrgico” esforçava-se por colocar ao alcance de todos o profundo significado da ação litúrgica da Igreja, e a memorável encíclica do Papa Pio XII, “Mystici Corporis”, recolhendo a contribuição de aprofundados estudos e avanços da teologia, ressaltou a dimensão teológica e mística, que, com a dimensão visível e institucional, identifica a Igreja em sua unidade profunda.

Talvez em nenhum outro século a Igreja tenha se voltado para si mesma e refletido sobre sua própria identidade e missão com tanta intensidade e profusão de estudos teológicos e documentos do magistério eclesiástico como no século XX. Mas o que marcou o século XX para a Igreja foi, de fato, o Concílio Vaticano II. A Igreja foi aí o grande tema: a Igreja em si mesma e em sua relação com o mundo; a Igreja em sua unidade fundamental e diversidade de expressões; a Igreja como depositária do Evangelho do Deus vivo revelado em Jesus.

Um dos grandes documentos do Concílio é a Constituição Dogmática “Lumen gentium”. Temos aí uma fonte da qual somos chamados a beber continuamente. A constituição oferece, em linguagem acessível, o que a Igreja pensa sobre si mesma. Toda a riqueza teológica sobre a Igreja, presente nas Escrituras, ressaltada pelos Santos Padres, vivida pelos santos, estudada e sistematizada pelo labor dos teólogos ao longo dos séculos, isto é, toda a tradição de fé a respeito da Igreja encontra na “Lumen gentium” uma vigorosa síntese. Logo no início do documento, a Igreja é apontada como sendo, em Cristo, “como que o sacramento, ou o sinal e instrumento, da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (n.1). Essas breves palavras revelam já o teor e a profundidade das reflexões contidas ao longo de todo o texto.

Quem deseja unir-se intimamente a Cristo, Deus feito homem, não pode ignorar a Igreja que Ele quis. Cristo e a Igreja são, na verdade, inseparáveis. Aqueles que querem Cristo não podem rejeitar a Igreja. O Plano de Salvação de Deus é sacramental, isto é, Deus houve por bem dispensar-nos a salvação valendo-se de sinais sensíveis, de modo que o invisível viesse a nós por meio das coisas visíveis. A humanidade de Cristo é o primeiro grande sinal visível da salvação de Deus. Cristo é o grande e primordial sacramento de Deus no meio de nós. A visibilidade da salvação continua na Igreja, que, com seus sacramentos, a Palavra que anuncia, o serviço da caridade e a sua organização visível, é o grande sinal de Cristo ao longo da história.

(…)Somos convidados a conhecer melhor a Igreja. Sim; ela é a Esposa de Cristo. Nós, batizados, como Povo de Deus a caminho, somos seus membros vivos, em comunhão com os que nos precederam na mesma fé e que hoje estão na glória do céu ou se purificam no purgatório para a visão de Deus. (…)Não podemos ficar indiferentes à Igreja que Ele amou e conquistou com o Seu sangue. A Igreja é a família de Deus, é a mãe que nos gera para a fé em Cristo. Ela nos ensina a amá-Lo, servi-Lo, celebrá-Lo e esperá-Lo vigilantes. Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, disse: “A Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do Povo de Deus, e recordar também aos fiéis deste Continente que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

Que o século XXI possa continuar a empreitada do século XX, fazendo de nosso tempo uma ocasião propícia para um continuado aprofundamento da nossa identidade de cristãos e católicos, membros vivos da Igreja de Cristo. Que a Constituição “Lumen gentium” do Vaticano II nos sirva de farol e guia, já que o revigoramento do verdadeiro sentido de Igreja em nossos corações significa o revigoramento de Cristo em nossas vidas.

(CNBB – Dom Orani João Tempesta – 18.12.2009)

Domingo de Ramos: “”Como nos amastes, ó Pai Bondoso!… Entregaste teu Filho Único à morte por nós, ímpios pecadores! Como nos amastes! Foi por nosso Amor que Ele, não tendo como usurpação o ser igual a Vós, se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz, Ele, o Único que, entre os mortos, estava isento da morte, o Único que tinha Poder de entregar a Vida e de retomá-la!(…) – Santo Agostinho – (OCDS-28.03.2010)

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DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR – 28/03/10 (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares(OCDS)

LITURGIA DIÁRIA
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A Semana Santa que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

EVANGELHO (São Lucas 19, 28-40)

Naquele tempo, 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monteperto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: 30“Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. 32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” 34Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. 35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. 36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. 37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” 39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!” 40Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor!

MEDITANDO O EVANGELHO DO DIA

“Como nos amastes, ó Pai Bondoso!… Entregaste teu Filho Único à morte por nós, ímpios pecadores! Como nos amastes! Foi por nosso Amor que Ele, não tendo como usurpação o ser igual a Vós, se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz, Ele, o Único que, entre os mortos, estava isento da morte, o Único que tinha Poder de entregar a Vida e de retomá-la! Foi, diante de Vós, o nosso Sacerdote e sacrifício: e foi Sarcedote por que foi sacrifício. De escravos fez-nos vossos filhos; e serviu-nos, apesar de ter nascido de Vós. Com razão Nele coloco toda a minha firme confiança, esperando que curais todas as minhas enfermidades por intermédio Daquele que, sentando à Vossa Direita, intercede por nós. Sem Ele eu desesperaria! Ah! São muitas e grandes as minhas fraquezas, mas maior é o Poder da Vossa Medicina.” (Santo Agostinho)


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Vamos refletir um pouco mais sobre a Paixão de Jesus? (LBN)

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FLOS CARMELI – FLOR DO CARMELO

Meditação – Ano Litúrgico 2009

Reflexão – Por que a Cruz?

Ensina-nos quem somos

Recorda-nos o Amor Divino

O sinal do cristão

Contemplar a cruz com fé nos salva

Força de Deus

Síntese do Evangelho

(Fonte: ACIDigital)

Este post foi publicado em Flos Carmeli.

Cardeal Vincent Nichols, de Westminster, disse que o papa introduziu grandes mudanças no direito da Igreja em sua época de cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; entre elas a inclusão do Direito Canônico do delito contra as crianças cometido através da internet – Juan Lara, da Agência EFE), sobre declarações do cardeal de Westminster ao “L’Osservatore Romano”.

O blog “Castelo Interior” não tem qualquer fim comercial, direto ou indireto.
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Confiram também esta impressionate notícia…

* Revistas alemãs oferecem até 1 milhão de euros para quem caluniar o Santo Padre.

(Fonte: Blog Shalom – Comunidade Shalom – março de 2010)

E, dentro do mesmo site, a publicação original no site católico alemão Kreuz.Net

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Fonte: Yahoo Brasil – Notícias

Vaticano diz que “ninguém fez tanto” contra a pedofilia quanto Bento XVI

Sáb, 27 Mar, 02h58

Juan Lara

Cidade do Vaticano, 27 mar (EFE).- “Ninguém fez tanto” como Bento XVI na luta contra os abusos sexuais contra menores por parte de sacerdotes, afirmou hoje o jornal vaticano “L’Osservatore Romano”, que publicou as declarações do cardeal de Westminster, Vincent Nichols, em defesa do Pontífice.

O religioso disse que o papa introduziu grandes mudanças no direito da Igreja em sua época de cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, entre elas a inclusão do Direito Canônico do delito contra as crianças cometido através da internet.

Outras medidas foram a extensão dos delitos de abusos de crianças até os 18 anos, a renúncia caso por caso da prescrição e a elaboração de um sistema para a redução rápida do estado clerical dos sacerdotes acusados.

“O papa não é um observador ocioso, suas ações falam tanto como suas palavras”, afirmou Nichols em sua defesa de Bento XVI.

Segundo o jornal, o Cardeal afirmou que desde 2001 na Inglaterra e Gales a política seguida pelos bispos é a de informar a Polícia e os serviços sociais de todas as acusações de abusos de crianças, independente do tempo transcorrido.

Ele completou que os abusos sexuais contra menores são inaceitáveis e que a Igreja Católica cometeu “erros graves”.

Hoje o cardeal vigário para o estado da Cidade do Vaticano, Angelo Comastri, pediu que os fiéis dediquem todas as suas preces e o rosário a Bento XVI “neste momento difícil”, em referência as acusações feitas por vários meios de comunicação de que o papa supostamente ocultou casos de pedofilia.

O novo porta-voz do vaticano, Federico Lombardi, também saiu hoje em defesa de Bento XVI e afirmou que os “ataques midiáticos” aos padres pedófilos causaram um grande dano à Igreja, e que a autoridade do papa e o compromisso da Santa Sé para lutar contra esses abusos “saem fortalecidos”.

O porta-voz afirmou que a atenção que a imprensa internacional deu aos casos dos padres pedófilos denunciados na Europa nos últimos dias “não é uma surpresa”. Há pouco tempo o papa publicou uma carta para os católicos da Irlanda, outro país onde se registraram centenas de abusos sexuais contra menores.

Lombardi reconheceu que embora esses casos tenham acontecido há dezenas de anos atrás, “reconhecê-los é o preço para restabelecer a Justiça e purificar a memória. Permite olhar com um compromisso renovado, com humildade e confiança, para o futuro”.

Segundo o porta-voz, as respostas que estão chegando das diferentes conferências episcopais, entre elas a dos Estados Unidos, sobre medidas para uma gestão correta e a prevenção dos abusos são uma “boa notícia”.

Nos últimos dias o papa se viu cercado pelo assunto depois que o jornal “New York Times” afirmou que quando era o encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé ele encobriu o sacerdote americano Lawrence C. Murphy, acusado de abusar sexualmente de mais de 200 menores entre 1950 e 1970 em uma escola para crianças surdas do estado de Wisconsin.

O “New York Times” também afirmou ontem que na década de 1980, quando Ratzinger era arcebispo de Munique, ele autorizou que um sacerdote com antecedentes de pedofilia e que tinha sido expulso por isso do bispado da cidade alemã de Essen, trabalhasse na capital bávara.

Lombardi e os meios de comunicação da Santa Sé desmentiram categoricamente essas informações e denunciaram uma “campanha ignóbil” para golpear o papa Ratzinger “custe o que custar”.(Agência EFE)

Boatos contra o Papa fazem parte da agenda de lobbies laicistas e anticatólicos, devido à eficaz ação de defesa da vida e da família pela Igreja, afirma vaticanista a respeito de publicação no New York Times,no dia 25 de março de 2010.

Oração a São Miguel Arcanjo

Época: Séc. XIX

São Miguel Arcanjo,
protegei-nos no combate,
defendei-nos com o vosso escudo
contra as armadilhas
e ciladas do demónio.
Deus o submeta,
instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da milícia celeste,
pelo divino poder,
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que andam pelo mundo
procurando perder as almas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.

[Nota: O Papa Leão XIII, durante a celebração de uma missa particular, teve uma visão segundo a qual soube que o Demónio pediu permissão para submeter a Igreja a um período de provações. Deus concedeu-lhe permissão para provar a Igreja por um século (este século). Assim que o Demónio se afastou, Deus chamou Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo e lhes disse:
“Dou-vos, agora, a incumbência de contrabalançar a obra nefasta do Demónio.”

O Papa a seguir compôs a oração a São Miguel Arcanjo, ordenando depois que fosse rezada de joelhos, no fim de cada Santa Missa.

Fonte: http://www.paroquias.org/oracoes/?o=230

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A esta informação agrego outra: o Papa Leão XIII, na Missa referida acima, teria ficado pálido por ouvir a conversação entre Deus e o demônio, e além disso, após a bênção final, ter acompanhado a aparição do Maligno (a quem Jesus se refere). Nesta visão, Satã caminhava entre as pilastras, ao fundo da catedral. Logo a seguir, o Papa, como um ser humano normal, adentra a Sacristia, de acordo com relatos, apavorado. Ajoelha-se imediatamente no genuflexório, e pede ao padre que o auxiliava que registrasse no papel suas palavras. O escrito resultou na oração que conhecemos como “Oração a São Miguel Arcanjo”, publicada mais acima, neste post.

Nosso século é materialista, lógico, mas a Igreja Católica afirma que este evento é extraordinário (e outros), e por tal razão os denomina como “visão mística”. Na História da Igreja Católica há milhares deles, e foram reconhecidos como tal porque em nada contradizem os cânones (as Escrituras Sagradas, a Tradição Apostólica, o Direito Canônico).

Parece que chegou o momento de atentarmos para o combate espiritual severo que este pontífice, o Papa Bento XVI está travando, praticamente sem trégua. Façamos o que ele nos pediu logo que assumiu seu Pontificado: “Rezem por mim”. Afinal, somos membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja Católica.

Que Deus  dê ao Papa Bento XVI fortaleza na sua difícil tarefa e, quanto a nós,  que o Espírito Santo nos alerte e ilumine para que não deixemos de lado a parte que nos cabe neste combate. Ainda que  esta batalha seja visível, lembremos das exortações de São Paulo para o fato de que não lutamos contra a a”carne” e sim contra “potestades”.  No entanto,  nada devemos temer, já que a vitória já foi conquistada por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.

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Fonte: Zenit.org (Roma)

Lobby laicista contra Papa: grande boato do “New York Times”

Por Massimo Introvigne

ROMA, quinta-feira, 25 de março de 2010 (ZENIT.org).- Se existe um jornal que me vem à mente quando se fala de lobbies laicistas e anticatólicos, este é o New York Times. No dia 25 de março de 2010, o jornal de Nova York confirmou esta vocação sua com um incrível boato relativo a Bento XVI e ao cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

Segundo o jornal, em 1996, os cardeais Ratzinger e Bertone teriam ocultado o caso – indicado à Congregação para a Doutrina da Fé pela arquidiocese de Milwaukee – relativo a um padre pedófilo, Lawrence Murphy. Incrivelmente – após anos de esclarecimentos e depois que o documento foi publicado e comentado amplamente em meio mundo, desvelando as falsificações e erros de tradução dos lobbies laicistas –, o New York Times ainda acusa a instrução Crimen sollicitationis, de 1962 (na verdade, 2ª edição de um texto de 1922) de ter agido para impedir que o caso Murphy fosse levado à atenção das autoridades civis.

Os fatos são um pouco diferentes. Por volta de 1975, Murphy foi acusado de abusos particularmente graves e desagradáveis em um colégio para menores surdos. O caso foi imediatamente denunciado às autoridades civis, que não encontraram provas suficientes para proceder contra Murphy. A Igreja, nesta questão mais severa que o Estado, continuou com persistência indagando sobre Murphy e, dado que suspeitava que ele fosse culpado, limitou de diversas formas seu exercício do ministério, apesar de que a denúncia contra ele tinha sido arquivada pela magistratura correspondente.

Vinte anos depois dos fatos, em 1995 – em um clima de fortes polêmicas sobre os casos dos “padres pedófilos” –, a arquidiocese de Milwaukee considerou oportuno indicar o caso à Congregação para a Doutrina da Fé. A indicação era relativa a violações da disciplina da confissão, matéria de competência da Congregação, e não tinha nada a ver com a investigação civil, que havia sido levada a cabo e que havia sido concluída 20 anos antes. Também é preciso observar que, nos 20 anos precedentes a 1995, não houve nenhum fato novo nem novas acusações feitas a Murphy. Os fatos sobre os quais se discutia eram ainda aqueles de 1975.

A arquidiocese indicou também a Roma que Murphy estava moribundo. A Congregação para a Doutrina da Fé certamente não publicou documentos e declarações 20 anos depois dos fatos, mas recomendou que se continuasse limitando as atividades pastorais de Murphy e que lhe fosse pedido que admitisse publicamente sua responsabilidade. Quatro meses depois da intervenção romana, Murphy faleceu.

Este novo exemplo de jornalismo lixo confirma como funcionam os “pânicos morais”. Para desonrar a pessoa do Santo Padre, desenterra-se um episódio de 35 anos atrás, conhecido e discutido pela imprensa local já na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.

De quantas destas ‘descobertas’ ainda temos necessidade para perceber que o ataque contra o Papa não tem nada a ver com a defesa das vítimas dos casos de pedofilia – certamente graves, inaceitáveis e criminais, como Bento XVI recordou com tanta severidade –, mas que tenta desacreditar um pontífice e uma Igreja que incomodam os lobbies pela sua eficaz ação de defesa da vida e da família? (ZENIT-25.03.2010))

“Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.” – A. de França Andrade – Hagiografia

Fonte/imagem: Câmara Municipal de Lamego (séc. XVI) – Portugal

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Quinta-feira (Santa), 25 de março de 2010

Anunciação do Anjo e Encarnação do Verbo

Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.

Quando a Santíssima Virgem respondeu ao Arcanjo São Gabriel “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (São Lucas, 1,38), o próprio Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, “se fez carne e habitou entre nós” (São João, 1,14).

Tinha assim início o processo de Redenção do gênero humano, o qual culminaria no Calvário, com a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade – Artpress.

Meditação para a Quaresma – “A Sagrada Face do Senhor” – (Flos Carmeli)

No site Flos Carmeli há um interessante resgate histórico sobre a Ordem Terceira e a Ordem do Carmo, que publico aqui, na íntegra, logo abaixo.

Dentro do espírito da Quaresma, também este site carmelita nos apresenta a especial devoção de Santa Teresinha do Menino Jesus à “Sagrada Face”. Esta, ao entrar no Carmelo Descalço passa a assinar seus escritos como  “Ir. Teresa do Menino Jesus da Sagrada Face”. Hà uma boa razão para esta decisão. Sua piedade é profundamente espiritual em relação à imagem de Jesus que se mostra com os olhos semi-cerrados, e com uma coroa de espinhos cravada em sua cabeça, enfim, a própria face do sofrimento. Ela vê nesta imagem o uma analogia com o sofrimento humano, tanto na enfermidade quanto nas provações. Contemplava a “Sagrada Face”, que reproduziu a partir de um quadro,e colocou no cortinado de seu quarto, na condição de enferma.

Pessoalmente, vejo na imagem que Santa Verônica obteve ao colocar um lenço na face de Jesus, rumo ao Calvário, toda a decepção, toda tristeza que Ele sentiu pela carga pesadíssima de pecados da Humanidade, do passado, de seu tempo e dos tempos terríveis que viriam no futuro. Por certo, sabia da tendência futura quanto ao apego ao que é passageiro no mundo. Afinal, Ele mesmo afirmava que era o “Alfa e o Ômega”. Resta-nos refletir:  o que somos nós neste mundo de aparências? O materialismo está nos tornando mais e mais miseráveis…

Senhor, tende piedade de nós! Amém.

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Leia mais sobre a “Sagrada Face” em  Meditação para Quaresma V – A Sagrada Face do Senhorhttp://flordocarmelo.blogspot.com/2010/03/meditacao-para-quaresma-v-sagrada-face.html

Fonte: Flos Carmeli (Flor do Carmelo)

Quem são os carmelitas

A Venerável Ordem Terceira do Carmo (ou chamada Ordem dos Terceiros Carmelitas) é um ramo da Ordem do Carmo composto pelo grupo de membros leigos dos Carmelitas da Antiga Observância, os quais encontram-se sempre unidos em comunhão espiritual e fraterna com os frades contemplativos e com as freiras de clausura da sua ordem religiosa.

A Ordem Terceira do Carmo usufrui do carisma carmelita primitivo da Antiga Observância, ainda que partilhe a riqueza espiritual do ramo reformado por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.

A instituição da Ordem Terceira do Carmo, depois também chamada de Venerável (devido ao fato de se tratar da maior ordem religiosa mariana), remonta ao tempo de São Simão Stock que, além de ter sido um importante instrumento na expansão da Ordem do Carmo, foi quem recebeu das mãos de Nossa Senhora o Escapulário, sob a promessa das graças que concedidas aos seus confrades que o usassem com devoção.

Nossa Senhora anunciou-lhe: “Meu filho muito amado: eis o escapulário que será o distintivo da minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno“. A partir daí, São Simão Sotck passou a difundir, com toda a sua dedicação, esta piedosa devoção mariana pelo mundo inteiro, tendo inclusive sido ele que extendeu a devoção do do Escapulário aos leigos, e obtido, por parte da Rainha Celestial, especial proteção na fundação da confraria de Nossa Senhora do Carmo (no ano de 1251), acolhendo também os devotos leigos que passaram a participar dos grandes privilégios inerentes ao Escapulário.

O Beato João Soreth foi quem instituiu os conventos femininos das Irmãs Carmelitas de clausura e da própria Ordem Terceira do Carmo . Na realidade, tal deve-se ao fato de que, em meados do século XV, apesar dessas comunidades religiosas já existirem, estas viviam sem Regra definida e foi ele quem deu-lhes a devida forma canónica. Foi o Beato João Soreth quem, na primeira pessoa, empreendeu todos os esforços necessários e obteve do Papa a aprovação dos estatutos legais e o reconhecimento da Ordem das Irmãs Carmelitas de clausura e da Ordem Terceira do Carmo (sendo esta última composta maioritariamente por homens e mulheres leigos, mas que estão ligados espiritualmente, e de modo bastante particular, aos restantes membros da Ordem do Carmo).

Breve Histórico da Ordem do Carmo
Quanto à origem da ordem carmelitana, remonta tempos muito antigos. O culto especial e a devoção à Santa Mãe de Deus, remonta a origem da congregação carmelitana aos tempos do profeta Elias. Na Ordem Carmelitana, é guardada a tradição, na qual o profeta Elias, ao ver aquela nuvenzinha que se levantava no mar e a pegada d’homem, teria nela reconhecido a figura da futura Mãe do Salvador.

Segundo uma tradição, aprovada pela liturgia da Igreja (dia de Pentecostes), um grupo de homens devotos aos profetas Eliseu e Elias, foram preparados por São João Batista para o advento do Salvador, ocasião em que abraçaram o cristianismo e construíram junto ao Monte Carmelo, um santuário à SS. Virgem, no mesmo lugar onde Elias vira aparecer aquela nuvenzinha, anunciadora da fecundidade da Mãe de Deus.

Historicamente documentado, temos que no século XII, o calabrês Bertoldo estabeleceu-se no Monte Carmelo com mais alguns companheiros, não sabendo-se se lá encontraram-se com a Congregação dos Servos de Maria ou se fundaram uma com este nome. Em 1209, Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém escreveu as regras da Ordem, e por isto é considerado o primeiro legislador da Ordem Carmelita. Alguns anos depois, São Simão Stok, um eremita que vivia em solidão, e que tinha por morada um tronco oco de madeira, dirigiu-se ao Monte Carmelo, onde encontrou-se com os Servos de Maria e decidiu agregar-se à Congregação. Foi ele quem levou a regra escrita por Santo Alberto ao conhecimento do Papa Honório III, que aprovou e reconheceu a Ordem Carmelita. Fundou a Irmandade do Escapulário a pedido de Nossa Senhora do Carmo.

A instituição oficial das Irmãs Carmelitas e da ordem Terceira do Carmo deve-se ao Beato João Soreth. Apesar de já estarem presentes, em meados do século XV, deu forma canônica e empreendeu todos os esforços junto à Santa Sé para obter do Papa o reconhecimento e aprovação dos Institutos legais.

No século XVI, durante o pontificado de Gregório XIII, Santa Tereza Dávila reformou a Ordem Carmelita, tendo pessoalmente escrito a regra para o segmento feminino. Pediu auxílio de São João da Cruz que, ficou incumbido de escrever as regras do segmento masculino. Desde então, existem dois segmentos: Os da Antiga Observância, e os Descalços (ou Reformados).

Post publicado em Flos Carmeli.

Dom Orani Tempesta afirma: “Os cristãos ‘participam na vida pública como cidadãos’. A Igreja venera entre os seus Santos numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas atividades políticas e de governo. Também os políticos podem ser santos!” – Artigo publicado no novo site da CNBB (03.03.2010)

"Movimentos: evangelizar a cultura, com testemunho de santidade, oração e formação!" É o que pede no Brasil o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada - Província Franciscana Nossa Senhora da Assunção - Bacabal - MA

Fonte/imagem/notícia: http://www.franciscanosmapi.org.br/ – Publicado em 18/12/2008 – Atualizado em 07.03.2010.

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Fonte: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – “Artigos dos Bispos”

O nosso futuro

Qua, 03 de Março de 2010

A nossa Conferência Episcopal, ecoando um grito de todo o nosso povo, aprovou, coletou assinaturas e entregou ao Congresso Nacional o projeto de lei popular denominado “Ficha Limpa”. É uma iniciativa da Igreja em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, congregando mais de 50 organizações da sociedade civil.

É interessante que quando foi iniciado o processo houve muitas pressões para que não ocorresse. É claro que ele indica uma direção que a sociedade está tentando encontrar para que o nosso processo político seja mais transparente e possa dar frutos democraticamente para o bem social e justo do nosso país. Estamos todos aguardando os passos que os nossos legisladores irão dar para a aprovação desse projeto de lei.

Nas eleições (que a cada dois anos acontece), as tensões políticas acirram os ânimos com as várias denúncias, e ocorre também uma certa paralisia das instituições que começam desde o início a disputa, e com as leis eleitorais, a partir da metade do ano, os projetos e iniciativas são cerceados justamente para tentar barrar aproveitadores da situação, mas que, ao mesmo tempo, emperram a caminhada das instituições e a caminhada do país.

A nossa Conferência Episcopal tem intensificado o seu trabalho em favor de uma verdadeira política para atender aos anseios da população, que necessita de verdadeiras políticas para a educação, saúde, trabalho, habitação, cultura, lazer, em uma sociedade que se privilegia o capital em detrimento à pessoa humana.

Os cristãos “participam na vida pública como cidadãos”. A Igreja venera entre os seus Santos numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas atividades políticas e de governo. Também os políticos podem ser santos!

As sociedades democráticas atuais, onde, louvavelmente, todos participam na gestão da coisa pública num clima de verdadeira liberdade, exigem novas e mais amplas formas de participação na vida pública da parte dos cidadãos, cristãos e não cristãos. Todos podem, de fato, contribuir através do voto na eleição dos legisladores e dos governantes e, também de outras formas na definição das orientações políticas e das opções legislativas que, no seu entender, melhor promovam o bem comum. Num sistema político democrático, a vida não poderia processar-se de maneira profícua sem o envolvimento ativo, responsável e generoso de todos, “mesmo na diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades”.

Nossa “polis” encontra-se hoje dentro de um processo cultural complexo, que evidencia o fim de uma época e a incerteza relativamente à nova que desponta no horizonte. As grandes conquistas de que se é espectadores obrigam a rever o caminho positivo que a humanidade percorreu no progresso e na conquista de condições de vida mais humanas. Constata-se hoje certo relativismo cultural, que apresenta sinais evidentes da sua presença quando teoriza e defende um pluralismo ético que sanciona a decadência e a dissolução da razão e dos princípios da lei moral natural.

Do concreto da realização e da diversidade das circunstâncias brota necessariamente a pluralidade de orientações e de soluções, que, porém, devem ser moralmente aceitáveis. Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam. Se o cristão é obrigado a “admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais”, é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são “negociáveis”.

A busca da verdade e do bem comum faz com que muitas vezes as nossas posições sejam confundidas com as de outros que também defendem posições parecidas em alguns campos, mas contrários aos princípios cristãos em outra realidade. Isso ocorre nos dois lados do processo político, e a Igreja sempre sofre por tomar posições que, se de um lado podem assemelhar-se a de outros grupos, no entanto faz parte de uma totalidade de mentalidade que contradiz outras situações. Estamos sempre em “companhias” que os adversários não aceitam e que outros aplaudem e vice-versa.

A fé em Jesus Cristo, que Se definiu a Si mesmo “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), nos indica o esforço de nos empenharmos mais decididamente na construção de uma cultura que, inspirada no Evangelho, proponha o patrimônio de valores e conteúdos da Tradição cristã e católica, que no fundo são os valores verdadeiros da pessoa humana.

Porém, é insuficiente e redutivo pensar que o empenho social dos católicos possa limitar-se a uma simples transformação das estruturas, porque, não existindo na sua base uma cultura capaz de acolher, justificar e projetar as instâncias que derivam da fé e da moral, as transformações apoiar-se-iam sempre em alicerces frágeis.

A fé não pretende manietar num esquema rígido os conteúdos sociopolíticos, bem sabendo que a dimensão histórica em que o homem vive impõe que se admita a existência de situações não perfeitas e, em muitos casos, em rápida mudança. Neste âmbito, há que recusar as posições políticas e os comportamentos que se inspiram numa visão utópica que, ao transformar a tradição da fé bíblica numa espécie de profetismo sem Deus, instrumentaliza a mensagem religiosa, orientando a consciência para uma esperança unicamente terrena que anula ou redimensiona a tensão cristã para a vida eterna. Isso não significa uma alienação das realidades do mundo, nem tampouco excluir essas preocupações, mas, pelo contrário, dar o verdadeiro peso das realidades humanas com as quais nos comprometemos justamente por causa do Reino dos Céus.

Assim, o político que professa a fé católica é aquele que, acima dos programas partidários, tem um compromisso inalienável com os aspectos da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e a vida, entre o evangelho e a cultura. O Concílio Vaticano II exorta os fiéis “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que, pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, creem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”. Queiram os fiéis “poder exercer as suas atividades terrenas, unindo numa síntese vital todos os esforços humanos, familiares, profissionais, científicos e técnicos, com os valores religiosos, sob cuja altíssima jerarquia tudo coopera para a glória de Deus”.

Que neste ano eleitoral os católicos olhem bem a trajetória política de seus candidatos, para os valores que defende ou aprova, verifique se o tipo de sociedade que ele projeta é realmente o mundo que queremos viver e entregar aos nossos descendentes, se ele sabe utilizar os bens públicos para o bem do povo, e tenham a coragem de votar em candidatos de acordo com a nossa iluminada consciência bem formada.

Dom Orani João Tempesta

Publicado em “Artigos dos Bispos” – Site da CNBB.

“Será o fim do mundo?” – Editorial – Agência Ecclesia (Portugal) – 02.03.2010

Fonte: Agência Ecclesia Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal

02.03.2010

Será o fim do mundo?

Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água oceano incomensurável de Deus

Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contrário. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabeça que não vem a propósito, um assunto que chegou ao fim mal concluído, um problema novo que se interpôs a todos, alguma sensação de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal. Para não falar no que está por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tensões, com o ego de rastos, a triste sensação de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansaço que desaba e parece bloquear qualquer saída para qualquer problema. E tudo se enrola numa visão mais alargada na profissão, na família, no país de aspecto insolúvel, na economia que parece de terra queimada, na corrupção e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre. E depois o fio da história, o bem e o mal, a incerteza do fim, a dúvida sobre o amanhã, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resistência, a alegria, a relação com os outros, a estima por si próprio. E uma sequência de tragédias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais não sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refeição, numa selecção quase sádica e macabra de acontecimentos como se não houvesse outra forma de pintar a história a não ser em cores de sangue e dor, com tiros, lágrimas e gemidos lancinantes à mistura.

Será esta uma representação real da vida ou estaremos marcados pela náusea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a fúria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depressão e ansiedade dum pós modernismo insano?

Bem diferente é a teoria de Jesus. E a sua prática: o desprendimento dos “lírios do campo”, a providência sobre “os cabelos da vossa cabeça”,a certeza de que “nada do que pedimos é em vão”, a confiança “no pão que nos concede” em vez do escorpião, a certeza de que Ele venceu o mundo – tudo isso que nos sustenta – e nos projecta para além do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma visão azeda da história. Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água oceano incomensurável de Deus. Há negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.

Autor: António Rego
Editorial | António Rego | 2010-03-02 | 11:11:09 | Reflexo

Postado em Agência Ecclesia – Portugal.

Apelo internacional: “O sangue de nossos filhos, que são filhos do Iraque, o sangue de nossos bispos e sacerdotes continuará sendo derramado impunemente, sem a prisão dos assassinos? O Estado permanecerá indiferente?” – Declaração feita por Dom Georges Casmoussa, Arcebispo sírio-católico de Mosul à Agência Fides (Vaticano)

Fonte: Agência Fides – Vaticano

22.02.2010

ÁSIA/IRAQUE – Mensagem dos Bispos cristãos de Mosul ao governo: “O sangue dos cristãos será derramado impunemente?”

Mosul (Agência Fides) – “As autoridades devem assumir plena responsabilidade a fim de salvaguardar a presença cristã em Mosul. Precisamos de uma intervenção internacional a fim de impulsionar o governo central e local a agir imediatamente”: é o que declara à Agência Fides Dom Georges Casmoussa, Arcebispo sírio-católico de Mosul, enquanto na cidade não param os seqüestros e homicídios contra os cristãos. No último sábado, a quinta vítima em uma semana, Adnan al Dahan, um cristão ortodoxo de 57 anos, seqüestrado há uma semana, foi encontrado morto.

Por isto, os bispos cristãos de Mosul escreveram e entregaram ao governo local um apelo com palavras muito claras. Dom Casmoussa lustro à Agência Fides os conteúdos da mensagem, assinada por Dom Gregorios Saliba, Arcebispo sírio-ortodoxo, por Dom Georges Casmoussa, e por Dom Emile Nona, Arcebispo caldeu-católico.
A mensagem denuncia a violência contra “os nossos filhos cristãos na cidade de Mosul”, com o assassinato de pessoas pacíficas e inocentes, mostrando “um plano premeditado a fim de pressionar as Igrejas cristãs a fazerem uma agenda”. “Todos os esforços dos líderes religiosos da cidade, cristãos e muçulmanos, não serviram para cessar as violências contra os fiéis em Cristo” – ressalta o texto: “Estes atos repetitivos nos fazem pensar que não somos bem aceitos nesta cidade, que é a nossa Pátria”.
Os bispos recordam que “os cristãos participaram diretamente e com grande eficiência na edificação da civilização em Mosul”, na cidade e em toda a região, oferecendo uma fecunda contribuição na arte, na cultura, no pensamento, na criatividade, no âmbito econômico e social. São reconhecidos por todos como “elementos pacíficos e construtivos na sociedade”. E se perguntam: “Desta maneira somos recompensados? Com a violência em nossa cidade, com a exclusão da vida pública, com a expulsão de nossa terra?”.
O texto prossegue: “O sangue de nossos filhos, que são filhos do Iraque, o sangue de nossos bispos e sacerdotes continuará sendo derramado impunemente, sem a prisão dos assassinos? O Estado permanecerá indiferente?”

“Por isto – escrevem os bispos – pedimos ao governo de Mosul e ao governo central de Bagdá para que assumam plena responsabilidade, que trabalhem pela segurança dos cidadãos, especialmente dos fiéis de minorias cristãs, que são vulneráveis e os mais pacíficos entre os pacíficos”. A mensagem conclui: “exigimos que os homens de governo dêem prioridade ao respeito pela lei e pelo Estado, tutelando a segurança e a confiança dos cidadãos”. “Pedimos aos governantes para que não gastem inutilmente suas forças em lutas pelo poder e hegemonia”, mas que “sejam condenadas as ações criminosas e sejam conduzidos perante a justiça os executores e os mandantes das violências”. (PA) (Agência Fides 22/02/2010)

ÁSIA/IRAQUE – Sacerdote caldeu pede que Mosul não se torne um cemitério de cristãos

19.02.2010

Mosul (Agência Fides) – “Medo e choque são os sentimentos dominantes entre os cristãos de Mosul” – disse à Fides um sacerdote caldeu da Igreja local que pede o anonimato por motivos de segurança.

A ferocidade e a frieza das “verdadeiras e próprias execuções frias” que eliminaram quatro cristãos nos últimos quatro dias parecem ter deixado o sinal na comunidade de fiéis. “é uma limpeza étnica que vai adiante a cada dia, no silêncio e na indiferença geral. Estamos no desconforto mais profundo também porque as autoridades e a polícia não fazem nada para acabar com este massacre” – ressalta. A gente sente um sentimento de desespero que obriga as famílias a deixar o Iraque, a emigrar com a esperança de salvar seus próprios filhos: “Mosul se tornou um cemitério de para os cristãos, é terrível”, diz amargurado o sacerdote. Os assassinos vieram em pleno dia: 14 de fevereiro foi assassinado Rayan Salem Elias, 43 anos, comerciante caldeu.

No dia seguinte Mounir Fatoukhi, tembém ele comerciante de 40 anos, foi imobilizado por desconhecidos e foi morto dentro de seu carro. No dia 16 de fevereiro dos primos cristãos assírios, Ziya Toma de 21 anos e Ramsen Shmael de 22 anos, ambos estudantes, foram mortos metralhados no centro da cidade.O primeiro morreu imediatamente, o segundo ficou ferido gravemente, com poucas esperanças de vida. Em 17 de fevereiro Wissam George, cristão de 20 anos, foi morto no bairro Sul da cidade. “É uma banho de sangue sem limites, e os assassinos estão totalmente livres. Somos vítimas indefesas: podemos ler o terror nos olhos das famílias cristãs que se perguntam: quem será o próximo?”, ressalta à fonte de Fides.

Segundo alguns analistas, a violência está de alguma forma ligada às próximas eleições políticas e ao ressurgir do extremismo, mas parece evidente que “alguns pretendem dizimar os cristãos em Mosul”, por obscuros motivos políticos.

Dom Sleiman, Arcebispo de Bagdá dos Latinos, lançou o alarme, pedindo para “romper o silêncio em relação aos cristãos iraquianos”, constatando “um novo êxodo dos fiéis do país, obrigados a fugir do radicalismo imperante”. Desde 2008, os homicídios mirados são pelo menos 40. Em Mosul, os católicos Caldeus, segundo dados oficiais, mais de 18 mil, e os sírio-católicos cerca de 30 mil. Nos últimos dois anos, porém, pelo menos 12 mil fieis deixaram a cidade, e a presença cristã está se reduzindo. (PA) (Agência Fides 19/2/2010)

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Confira também:

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071009_iraque_blackwater_mv.shtml

Mulheres pertenciam à minoria cristã da capital iraquiana

Seguranças privados são acusados de matar mulheres em BagdáMulheres pertenciam à minoria cristã da capital iraquiana
A Polícia do Iraque acusou nesta terça-feira agentes ligados a uma empresa de segurança privada de terem matado, enquanto escoltavam um comboio, duas mulheres cristãs em Bagdá. (2007/10-BBC/Brasil)

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O livro  “BlackWater – A Ascensão do Exército mercenário mais poderoso do mundo”, foi escrito em 2008 pelo jornalista norte-americano  Jeremy Scahill, que atuou em coberturas internacionais no Iraque, na ex-Ioguslávia e na Nigéria. E obteve por sua atuação, o renomado prêmio jornalístico George Polk de 2007.

“BlackWater” descreve a ação da empresa privada de segurança que leva este nome, que não demonstra qualquer compromisso com a noção de “crimes de guerra”. Existe desde a era G.W. Bush, e disputa entre as centenas que agem com forças mercenárias, a captação de milhões de dólares em contratos de segurança para-militar desde a invasão do Itaque. É líder absolutas na “concorrência”. Suas ações armadas, ainda em 2010, se caracterizam pelo absoluto desrespeito aos direitos humanos.

Esta companhia, é dirigida por Eric Prince, católico ultra-conservador, que faz parte de uma rede composta por dirigentes denominados como “católicos- evangélicos”, acompanhados por “cristãos evangélicos”. Afirmam suas atividades  como “guerra global ao terror”, tal como afirma o editor do livro “Black Water”.

Os fundadores e políticos ligados a esta corrente fazem parte da estratégia de privatização da guerra, ou seja, privatização do aparato militar norte-americano. Esta companhia é formada por combatentes mercenários de todas as nacionalidades (o mesmo se dá com outras empresas), que segundo o editor do livro, se constitui em um verdadeiro sucesso empresarial. Tanto os dirigentes quanto seus “agentes da morte” visam acima de tudo, muito dinheiro. O alto escalão possui fortunas bilionárias e os mercenários, se não morrem em campo, ganham milhares de dólares por dia.

O jornalista Jeremy Scahill faz um alerta sobre o rumo assustador que os combates tomaram no Oriente Médio. Como seus mentores são sectários, justificam a eliminação sumária de civis muçulmanos, principalmente homens, mas não poupam nem mesmo crianças e mulheres, sem qualquer motivo. Acatam ordens, e para tanto fazem um rastro de morte… Os dirigentes das companhias de segurança privada no Oriente Médio se consideram “cruzados”, e são conhecidos muito recentemente como como “teocon”. Seus “soldados” são atípicos. Se caracterizam pela super-especialização em tecnologias de guerrra e táticas de gueriilha, agindo em pequenos gupos, sem uniforme. Entre eles vale o lema “no mercy, no fear, no remorse”, ou seja, “sem misericórdia, sem medo, sem remorso”… Novos tempos ou fim dos tempos? (LBN)

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Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071002_blackwaterrelatoriobg.shtml

Relatório critica empresa de segurança por violência no Iraque

Bruno Garcez
De Washington, 02 de outubro, 2007 – 16h02 GMT (13h02 Brasília)n – BBC.co.uk/Brasil

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Papa Bento XVI em mensagem na reza do Angelus salienta a atuação de São Francisco de Sales, no dia de sua memória litúrgica- 24 de janeiro: “Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja.” (Agência ZENIT – Roma)

São Francisco de Sales, doutor da Igreja

Fonte/imagem/biografia: Franciscanos – Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo

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Transcrevo excerto da mensagem proferida durante a reza do Angelus pelo Papa Bento XVI, por ocasião do 44º Dia das Comunicações Sociais, em que fala de São Francisco de Sales e sua relevância no contexto do revigoramento da evangelização católica entre meados de 1590 até seu falecimento em 1622. A mensagem papal é proferida a cada ano no dia 24 de Janeiro, quando celebramos a memória litúrgica de São Francisco de Sales – santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

A bênção final de Bento XVI também revigora nossa atuação como jornalistas católicos, através dos meios que dispomos, tal como o fez nosso protetor São Francisco de Sales à sua época. Este, através de  “panfletinhos” conquistou milhares de cristãos que, há quase cem anos estavam afastados da fé católica.

São Francisco de Sales interceda junto a Nosso Jenhor Jesus Cristo para que tenhamos a coragem de dar nosso testemunho, através de nossas atividades, tendo o Bem em vista em todas as circunstâncias, e decididamente, evitando a propagação, ou seja, a banalização do mal. Amém.

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Fonte/imagem: Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo (OFMCap) - MA, PA, AP

Papa Bento XVI: “(…)Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (24.01.2010)

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Fonte: Agência ZENIT http://zenit.org/article-23892?l=portuguese

Bento XVI: Igreja, organismo rico e vital, não uniforme

Intervenção com motivo do Angelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu este domingo, ao rezar o Angelus com os peregrinos na Praça de São Pedro.

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“Caros irmãos e irmãs!

Dentre as leituras bíblicas da liturgia de hoje, há o célebre texto da Primeira Carta aos Coríntios, na qual São Paulo compara a Igreja ao corpo humano. Assim escreve o apóstolo: “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1 Cor 12,12-13). A Igreja é concebida como um corpo, do qual Cristo é a cabeça, e que com Ele constitui um todo. Todavia, o que o apóstolo pretende comunicar é a ideia de unidade na multiplicidade dos carismas, que são os dons do Espírito Santo. Graças a estes, a Igreja se apresenta como um organismo rico e vital, não uniforme, fruto do único Espírito que conduz a todos a uma unidade profunda, assumindo a diversidade sem a abolir, e realizando assim um conjunto harmonioso. Ela prolonga através da história a presença do Senhor ressuscitado, em particular por meio dos sacramentos, da Palavra de Deus, dos carismas e ministérios distribuídos pela comunidade. Portanto, é precisamente em Cristo e no Espírito que a Igreja é una e santa, isto é, numa comunhão íntima que transcende as capacidades humanas e as sustenta.

Gosto de sublinhar este aspecto no momento em que vivemos a “Semana de oração pela unidade dos cristãos”, que se conclui amanhã, ocasião da Festa de Conversão de São Paulo. Seguindo a tradição, celebrarei, durante a tarde, a Oração das Vésperas do lado de fora da Basílica de São Paulo, com a participação de representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma.

Invocaremos ao Senhor o dom da plena unidade entre todos os discípulos de Cristo, e em particular, de acordo com o tema deste ano, renovaremos nosso empenho em sermos, conjuntamente, testemunhas do Cristo crucificado e ressuscitado (cfr Lc 24,48). A comunhão dos cristãos, de fato, confere credibilidade e torna mais eficaz o anúncio do Evangelho, conforme afirmou o próprio Jesus, ao orar ao Pai na vigília de sua morte: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia” (Gv 17,21).

Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

[Traduzido por ZENIT

© Libreria Editrice Vaticana]

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Fonte: Agência Ecclesia (Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal) – http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=77039

Vaticano lembra «Igreja que não é notícia»

Um editorial do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, questiona o motivo pelo qual a imprensa não eclesial ignorou o assassinato de 37 missionários em 2009.

“Nos últimos dez anos nunca foi alcançado um número assim tão alto, e a cifra não é definitiva porque provavelmente outras mortes não tiveram repercussão”, escreve o jornal na edição de 4-5 de Janeiro.

De acordo com o editorial, a notícia não teve relevo porque contradiz a imagem dominante da Igreja nos meios de comunicação social: “uma estrutura rica e potente, que quer impor as suas leis também a quem não se sente parte do universo católico, uma oligarquia que é incapaz de entender como o mundo mudou”.

A generalidade dos media considera que a Igreja é uma instituição antiga e rígida, ignorando ou esquecendo que é composta por pessoas seriamente comprometidas com uma missão difícil, e muitas vezes perigosa, “que perdem a vida por causa dessa escolha de caridade corajosa”, lê-se no artigo assinado pela professora Lucetta Scaraffia, docente de História Contemporânea da Universidade La Sapienza, de Roma.

”Sem armas, e frequentemente com pouquíssimos meios, os missionários mártires testemunham que outro mundo é possível, um mundo de solidariedade e verdade, de amor gratuito. E isso já é suficiente para torná-los um alvo mortal”, destaca o Osservatore Romano, citando as histórias dos padres mortos por morarem e actuarem sem protecção em regiões violentas.

Tratam-se de “locais pouco visitados e que poderiam ser definidos como estando abandonados por Deus, mas onde os missionários estão presentes para provar que Deus jamais abandona alguém”, assinala o jornal. “Esta é a verdadeira Igreja, aquela que não faz notícia”, conclui o editorial.

Com Rádio Vaticano
Internacional | Agência Ecclesia | 2010-01-05 | 13:58:53 | Santa Sé

«Fazei, Senhor – reza Hilário, movido pela inspiração – que me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo de minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu vos adore, Pai nosso, e junto a vós, o vosso Filho; que seja merecedor do vosso Espírito Santo, que procede de vós através do vosso Unigênito… Amém» («De Trinitate» 12, 57) – Santo Hilário de Poitiers (Catequese – +367 d.C) – Homilia do Papa Bento XVI – Memória litúrgica – 13 de janeiro

Santo Hilário de Poitiers, Bispo, confessor e doutor da Igreja (+ 367)
Lutou tenazmente contra os hereges arianos, que negavam a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso chamado “o Atanásio do Ocidente”. Como Santo Atanásio foi perseguido e exilado. Escreveu numerosos livros sobre a Santíssima Trindade.

Fonte: http://www.pastoraldafamilia.com.br/temas/santosesantas/janeiro.htm

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Fonte: Apostolado Veritatis Splendor

SANTO HILÁRIO DE POITIERS

Por Papa Bento XVI

Tradução: Zenit

Fonte: Vaticano/Zenit

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje quero falar de um grande padre da Igreja do Ocidente, Santo Hilário de Poitiers, uma das grandes figuras de bispos do século IV. Ante os arianos, que consideravam o Filho de Deus como uma criatura, ainda que excelente, mas só uma criatura, Hilário consagrou toda sua vida à defesa da fé na divindade de Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus como o Pai, que o gerou desde a eternidade.

Não contamos com dados seguros sobre a maior parte da vida de Hilário. As fontes antigas dizem que nasceu em Poitiers, provavelmente por volta do ano 310. De família acomodada, recebeu uma formação literária, que pode reconhecer-se com clareza em seus escritos. Parece que não foi criado em um ambiente cristão. Ele mesmo nos fala de um caminho de busca da verdade, que o levou pouco a pouco ao reconhecimento do Deus criador e do Deus encarnado, morto para dar-nos a vida eterna. Batizado por volta do ano 345, foi eleito bispo de sua cidade natal em torno de 353-354.

Nos anos seguintes, Hilário escreveu sua primeira obra, o «Comentário ao Evangelho de Mateus». Trata-se do comentário mais antigo em latim que nos chegou desse Evangelho. No ano 356, ele assistiu como bispo ao sínodo de Béziers, no sul da França, o «sínodo dos falsos apóstolos», como ele mesmo o chama, pois a assembléia estava dominada por bispos filoarianos, que negavam a divindade de Jesus Cristo. Estes «falsos apóstolos» pediram ao imperador Constâncio que condenasse ao exílio o bispo de Poitiers. Dessa forma, Hilário se viu obrigado a abandonar a Gália no verão do ano 356.

Exilado na Frígia, na atual Turquia, Hilário entrou em contato com um contexto religioso totalmente dominado pelo arianismo. Também lá sua solicitude como pastor o levou a trabalhar sem descanso a favor do restabelecimento da unidade da Igreja, baseando-se na reta fé formulada pelo Concílio de Nicéia. Com este objetivo, empreendeu a redação de sua obra dogmática mais importante e conhecida: o «De Trinitate» (sobre a Trindade).

Nela, Hilário expõe seu caminho pessoal para o conhecimento de Deus e se preocupa por mostrar que a Escritura testifica claramente a divindade do Filho e sua igualdade com o Pai não só no Novo Testamento, mas também em muitas páginas do Antigo Testamento, nas quais já se apresenta o mistério de Cristo. Ante os arianos, insiste na verdade dos nomes do Pai e do Filho e desenvolve toda sua teologia trinitária partindo da fórmula do Batismo que o próprio Senhor nos entregou: «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

O Pai e o Filho são da mesma natureza. E ainda que algumas passagens do Novo Testamento poderiam levar a pensar que o Filho é inferior ao Pai, Hilário oferece regras precisas para evitar interpretações equívocas: alguns textos da Escritura falam de Jesus como Deus, outros sublinham sua humanidade. Alguns se referem a Ele em sua pré-existência junto ao Pai; outros levam em consideração o estado de abaixamento («kénosis»), sua descida até a morte; outros, por último, o contemplam na glória da ressurreição.

Nos anos de seu exílio, Hilário escreveu também o «Livro dos Sínodos», no qual reproduz e comenta para os irmãos bispos da Gália as confissões de fé e outros documentos de sínodos reunidos no Oriente ao redor da metade do século IV. Sempre firme na oposição aos arianos radicais, Santo Hilário se assemelha ao Pai na essência, naturalmente tentando levá-los sempre para a plena fé, segundo a qual não se dá só uma semelhança, mas uma verdadeira igualdade entre o Pai e o Filho na divindade.

Isso também nos parece característico: seu espírito de conciliação trata de compreender quem ainda não chegou à verdade plena e os ajuda, com grande inteligência teológica, a alcançar a plena fé na verdadeira divindade do Senhor Jesus Cristo.

No ano 360 ou 361, Hilário pôde finalmente regressar do exílio à sua pátria e imediatamente voltou a empreender a atividade pastoral em sua Igreja, mas o influxo de seu magistério se estendeu, de fato, muito além dos confins da mesma.

Um sínodo celebrado em Paris no ano 360 ou 361 retomou a linguagem do Concílio de Nicéia. Alguns autores antigos consideram que esta mudança antiariana do episcopado da Gália se deveu em boa parte à fortaleza e mansidão do bispo de Poitiers.

Esta era precisamente sua qualidade: conjugar a fortaleza na fé com a mansidão na relação interpessoal. Nos últimos anos de sua vida, ele compôs os «Tratados sobre os Salmos», um comentário a 58 salmos, interpretados segundo o princípio sublinhado na introdução: «Não cabe dúvida de que todas as coisas que se dizem nos salmos devem ser entendidas segundo o anúncio evangélico, de forma que, independentemente da voz com a qual o espírito profético falou, tudo se refere ao conhecimento da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, encarnação, paixão e reino, e à glória e potência de nossa ressurreição» («Instructio Psalmorum» 5).

Ele vê em todos os salmos esta transparência do mistério de Cristo e de seu Corpo, que é a Igreja. Em várias ocasiões, Hilário se encontrou com São Martinho: precisamente o futuro bispo de Tours fundou um mosteiro perto de Poitiers, que ainda existe hoje. Hilário faleceu no ano 367. Sua memória litúrgica é celebrada em 13 de janeiro. Em 1851, o beato Pio IX o proclamou doutor da Igreja.

Para resumir o essencial de sua doutrina, quero dizer que o ponto de partida da reflexão teológica de Hilário é a fé batismal. Em «De Trinitate», Hilário escreve: Jesus «mandou batizar ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (cf. Mateus 28, 19), ou seja, confessando o Autor, o Unigênito e o Dom. Só há um Autor de todas as coisas, pois só há um Deus Pai, de quem tudo procede. E um só Senhor nosso, Jesus Cristo, por quem tudo foi feito (I Coríntios 8, 6), e um só Espírito (Efésios 4, 4), dom em todos… Não se pode encontrar nada que falte a uma plenitude tão grande, na qual convergem no Pai, no Filho e no Espírito Santo a imensidão no Eterno, a revelação na Imagem, a alegria no Dom» («De Trinitate» 2, 1).

Deus Pai, sendo todo amor, é capaz de comunicar em plenitude sua divindade ao Filho. Considero particularmente bela esta formulação de Santo Hilário: «Deus só sabe ser amor, e só sabe ser Pai. E quem ama não é invejoso, e quem é Pai o é totalmente. Este nome não admite compromissos, como se Deus só fosse Pai em certos aspectos e em outros não» (ibidem 9, 61).

Por este motivo, o Filho é plenamente Deus sem falta ou diminuição alguma: «Quem procede do perfeito é perfeito, porque quem tem tudo lhe deu tudo» (ibidem 2, 8). Só em Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, a humanidade encontra a salvação. Assumindo a natureza humana, uniu consigo todo homem; Ele «se tornou a carne de todos nós» («Tractatus in Psalmos» 54, 9); «assumiu a natureza de toda carne e, convertido assim na videira verdadeira, é a raiz de todo ramo» (ibidem 51, 16).

Precisamente por este motivo o caminho para Cristo está aberto a todos, porque Ele atraiu todos em seu ser homem, ainda que sempre seja necessária a conversão pessoal: «Através da relação com sua carne, o acesso a Cristo está aberto a todos, com a condição de que deixem para trás o homem velho (cf. Efésios 4, 22) e o encravem em sua cruz (cf. Colossenses 2, 14); com a condição de que abandonem as obras de antes e se convertam para ficar sepultados com Ele em seu batismo, frente à vida (cf. Colossenses 1, 12; Romanos 6, 4)» (Ibidem 91, 9).

A fidelidade a Deus é um dom de sua graça. Por isso, Santo Hilário pede ao final de seu tratado sobre a Trindade poder manter-se sempre fiel à fé do batismo. É uma característica deste livro: a reflexão se transforma em oração e a oração se torna reflexão. Todo o livro é um diálogo com Deus. Quero concluir a catequese de hoje com uma dessas orações, que se converte também em oração nossa: «Fazei, Senhor – reza Hilário, movido pela inspiração – que me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo de minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu vos adore, Pai nosso, e junto a vós, o vosso Filho; que seja merecedor do vosso Espírito Santo, que procede de vós através do vosso Unigênito… Amém» («De Trinitate» 12, 57).

Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

Para citar este artigo:

PAPA, Bento XVI. Apostolado Veritatis Splendor: SANTO HILÁRIO DE POITIERS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4999. Desde 23/06/2008.

“As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa.(…) O país símbolo desde ano é o Senegal.” – Pontifícias Obras da Infância Missionária (Agência Fides – Cidade do Vaticano – 04.01.2010)

Fonte/imagem/artigo: Jesus abraçava as crianças… – Evangelho Comentado http://www.cantodapaz.com.br/blog/2009/10/02/jesus-criancas-evangelho-comentado/ .Site franciscano, dedicado a Santa Clara e São Franscisco  e temas católicos (esclarecem que os “anúncios Google” são de empresas externas ao site). Confira também: Peça orações às Clarissas, no mesmo site.

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Fonte: Agência Internacional FIDES – News

EUROPA/ALEMANHA Os Cantores da Estrela da Infância Missionária alemã participam da missa de Ano Novo com Bento XVI Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Uma delegação de 22 crianças e jovens provenientes da Arquidiocese de Colônia, membros dos “Cantores da Estrela” da Infância Missionária alemã, participou, em 1º de janeiro, da missa de Ano Novo com o Santo Padre Bento XVI na basílica de São Pedro. A direção nacional alemã das Pontifícias Obras Missionárias o comunicou à Agência Fides. Durante o ofertório, três jovens da delegação, vestidos com os trajes dos Reis Magos, levaram dons ao altar. A delegação das paróquias de Santo Estevão e São Pancrácio, da arquidiocese de Colônia, estavam acompanhados, em sua permanência em Roma, pelo diretor nacional da Infância Missionária, Mons. Winfrid Pilz.
Esta é a sexta vez, desde 2001, que uma delegação de crianças alemãs participa da missa de Ano Novo com o papa. Nesta ocasião, eles comunicam ao Santo Padre o valor de sua coleta em favor de seus coetâneos mais carentes em todo o mundo. As crianças também participarão da audiência geral com o papa. Vestindo os trajes dos Reis Magos, com sua estrela cometa e cantos, no tempo natalino e nos primeiros dias do ano novo os “Cantores da Estrela” batem às portas das casas alemãs. Cerca de meio milhão de crianças nas paróquias católicas da Alemanha levarão às famílias, nestes dias, a benção “C+M+B” (“Christus mansionem benedicat – Cristo abençoe esta casa”= às benedica questa casa”), recolhendo ofertas para seus coetâneos que sofrem em todo o mundo. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides, 04/01/2010)

EUROPA/ALEMANHA – “As crianças encontram novos caminhos: o Senegal é o país símbolo da 52ª Campanha dos “Cantores da Estrela” (Sternsinger) Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Pela 52ª vez, nos dias que antecedem e sucedem a Epifania, os “Cantores da Estrela” (Sternsinger) da Infância Missionária Alemã, estão nas ruas do país com seus cantos natalinos. “As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa. O país símbolo da coleta deste ano, que envolve as crianças alemãs empenhadas por seus coetâneos que sofrem, é o Senegal. Com o lema “Utub yoon bu bees – As crianças encontram novos caminhos”, a campanha de 2010 quer recordar que sobretudo as crianças dos chamados países em vias de desenvolvimento devem encontrar sempre novos caminhos para seu progresso, para construir seu futuro e tomar suas vidas em suas mãos. Graças ao empenho dos “Cantores da Estrela”, em muitas partes do mundo, crianças podem ter a chance de encontrar um caminho de formação escolar e profissional. No Senegal, país símbolo da campanha de 2010, elas tem que percorrer um longo caminho desde as áreas rurais às cidades, onde estão as escolas. Junto a parceiros locais, a Pontifícia Obra da Infância Missionária alemã atua também para garantir que crianças dos países da África Ocidental tenham acesso às novas formas de comunicação, como internet e e-mail. Para preparar a campanha e apoiar a iniciativa, de 15 de setembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, uma van típica colorida, senegalesa, está rodando pela Alemanha. Parando em praças e ruas de várias cidades alemãs, os colaboradores da Missio informam sobre a vida das crianças no Senegal. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides 4/01/2010)

Links: 
Para mais informações e subsídios, visite
 www.kindermissionswerk.de

Postado por Agência Internacional Fides – Cidade do Vaticano.

*Grifos meus.

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“DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS”

Fonte/imagem/artigo: Dicionário da Fé
http://www.dicionariodafe.com.br/artigos/comunhao_7anos.htm: “A Primeira Comunhão aos sete anos ou mesmo antes” – Cardeal Darío Castrillón Hoyos -Prefeito da Congregação do Clero – janeiro de 2005

Carl Vogel von Vogelstein – Galeria de Arte Moderna, Florença

A propósito das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária, agrego a vida de São Judas Tadeu, irmão de de São Simão (que é posterior à linha dos doze Apóstolos). Foi um verdadeiro missionário porque pregou o Evangelho de Jesus Cristo em vários países do Oriente, da Pérsia à Mesopotâmia. A íntegra do artigo está contida no Blog da OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

Uma “historinha” pessoal: quando criança, por sugestão de minha mãe, roguei a São Judas Tadeu, que dizem ser o santo das “causas impossíveis”.. Minha professora, bastante “alterada”, não tinha paciência comigo porque eu, com 11 anos, começava a chorar quando não conseguia resolver (creio que por timidez, nervosismo) uma “quilométrica” conta de divisão… Isto aconteceu várias vezes. Aos meus pés ficava um círculo de lágrimas, e logo que ela me mandava sentar, me via obrigada a pedir para ir para casa devido à dores de barriga, que não cessavam… A vice-diretora, certa vez, irrompeu na sala devido aos seu descontrole… Afinal, tínhamos uma ditadura nos anos 70 no Brasil… Explica mas não justifica, não?

Foi minha professora na 5ª série, e somente falo deste recorte de minha história de vida porque está ligado, por milagre, a São Judas Tadeu e à minha infância, além, é claro, de uma experiência de sofrimento muito marcante. Certamente, segundo a sabedoria divina, deve ter me fortalecido. Creio que me deu um “choque de realidade”. Simples assim. No passado da Humanidade criança não contava… Aliás, isto ainda é comum, infelizmente em nossos dias: as crianças: ou elas passam fome ou são indigentes afetivas, e na pior das hipóteses são expostas a tormentos que lhes tiram a dignidade em mercados que se utilizam até da internet. É o caos. É nosso dever combater estas trevas por todos os meios que dispomos!

No caso de minha professora, compreendi que ela não sabia lidar com sua pesada cruz … A perdoei com a facilidade própria da criança que eu era, já que estava com 11 anos. O evento ficou registrado somente em minha memória. Nada ficou em meu coração sobre sua ação. Explico: era mãe de duas filhas (gêmeas). elas possuíam algum atraso mental, usavam óculos pesados, creio que aos 13, 14 anos, e apresentavam  dificuldades de locomoção. Talvez por este quadro pessoal, tenha projetado o mal-estar que sentia com sua vida… Casualmente, era evangélica: ela mantinha um rabo de cavalo que lhe descia à cintura e sempre vestia saias. enquanto isto, eu apresentava o visual típico dos anos 60, à la “Rita Pavone”, ou seja, bem curtinho… Não guardo mágoa porque quando ela chegava em seu “DKW” com as duas filhas, quase maiores que ela, observava que ela não tinha uma vida “normal”. Possuía compleição física forte – ainda bem… Mas parecia bem difícil sua missão como mãe. Sei lá. Eu era ainda uma criança, mas não tinha raiva dela, e sabia como seria minha tarde se ele me chamasse ao quadro. Me resignava a observar, ao longe, o sofrimento dela… Penso que ela jamais percebeu este fato. O estranho é que, não a vi pedir ajuda e, em contrapartida, ninguém a ajudava… Tenho a imagem quase fotográfica da dificuldade que enfrentava para tirá-las de dentro do carro e levá-las à secretaria. Creio que estudavam em outra escola pela manhã.

Conclusão: a diretora chamou minha mãe pelas dores de barriga frequentes, e principalmente, pelo fato de que minhas notas poderiam impedir-me de passar, no final do ano que estava próximo, para o nível fundamental. Fiz a oração a São Judas Tadeu com fervor, no caso, infantil! Consegui a nota necessária: nem um décimo a mais, nem um décimo a menos! Mesmo assim, a diretora, querida Dona Yolanda não queria me liberar porque acreditava que não conseguiria acompanhar o conteúdo da 6ª série na outra escola. Minha mãe apelou, e ela pelos boletins dos anos anteriores, me liberou! Tem mais: o “milagre” que São Judas Tadeu me concedeu se estendeu à 6ª série: o professor, pai de dois adolescentes, muito brincalhão, por incrível que possa parecer, fez o gesto contrário ao dela: eu me saí tão bem na matemática da 6ª série que ele me chamava ao quadro para “ensinar” os colegas… Nunca esqueci de seu nome: Prof. Cavalcante. Que Deus o abençoe sempre (deve estar com uns 75 anos), e que São Judas Tadeu rogue sempre por ele e sua família! Amém.

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Fonte: OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares)

Liturgia – 18 de outubro
29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia Mundial das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária

(…)

Leituras : Is 53, 10-11 – Sl 32(33) – Hb 4,14-16 – Mc 10, 35-45
“Mestre, queremos que nos conceda tudo o que te pedimos.”

É nosso dever reconhecer todo dia quanto bem Deus nos faz.

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Liturgia – 28 de outubro – Ss. SIMÃO E JUDAS TADEU

Leituras próprias: Ef 2,19-22 – Sl 18(19) – Lc 6, 12-19
“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e entre eles escolheu doze.”
O grupo dos doze constitui o núcleo inicial do novo povo de Deus e nos relembra as doze tribos de Israel.

Festa dos Santos Apóstolos Simão e Judas. Simão é chamado “o Zelota” por São Lucas, pois provavelmente pertencia ao partido que tinha este nome, muito ligado à idéia teocrática e messiânica de Israel. Judas, com o sobrenome de Tadeu, foi o que perguntou a Cristo por que ele se tinha manifestado aos Apóstolos e não ao mundo, e recebeu em resposta a garantia da manifestação divina àqueles que O amam (cf. Jo 14,23).
Simão e Judas aparecem juntos nas diversas listas dos “doze”. Na lista dos doze, Simão vem no undécimo lugar em Marcos e Mateus e no décimo em Lucas; Judas no undécimo em Lucas e no décimo em Marcos e Mateus. Dão a este o cognome de Tadeu. O lugar no fim da lista leva a pensar nos trabalhadores contratados às cinco horas da tarde. (Mt 20,6). “São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, o filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu …” (Mateus 10,1ss.). A respeito de Simão, apenas sabemos que era originário de Caná e era chamado Zelota. Certamente Simão teria pertencido ao partido radical e nacionalista dos zelotas, opositores intransigentes do domínio romano na Palestina. Quanto a Judas, chamado Tadeu, sabemos pelo Evangelho que, na Última Ceia, perguntou a Jesus: “‘Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?’ Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará, e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou”.Segundo S. Jerónimo, Judas pregara em Osroene (região de Edessa). Teria evangelizado a Mesopotâmia. S. Paulino de Nola tinha-o como apóstolo na Líbia. Fortunato de Poitiers julgava-o enterrado na Pérsia. Os martirológios latinos conservam esta notícia, utilizando uma narração que o reúne a Simão.

Postado por OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

Memória: Santos Inocentes – Mártires – 28 de dezembro – in “Catolicismo”

Fonte/imagem/matéria: Campanha “Nascer é um Direito”

Matéria – Entrevista com Padre Luiz Lodi da Cruz: “Aborto, jamais. Nenhuma circunstância o justifica”. Aconselhamento.
9/6/2008 – Revista Catolicismo

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Hoje, 30 de dezembro, ante-véspera das comemorações do “Final de Ano”, que se darão no mundo inteiro, é um bom dia para pensarmos nas crianças que nascem sob a égide da injustiça. Há cinco dias comemoramos o Natal (onde o “papai-noel” foi o centro da festa”…), e recordamos a “saga” do Menino Jesus, da concepção à fuga para o Egito. No final das contas, Jesus Menino era um “refugiado” já no ventre da Virgem Maria, acompanha de seu esposo, São José. Estes, certamente são protetores especiais de todos que por eles clamam, porque estão em trânsito, de um país a outro, tanto por perigo de extermínio, quanto, por melhores condições de vida.

Sob outro aspecto, os bebês, as crianças pobres de nosso tempo terão uma heróica mãe subnutrida, desnutrida para os amamentar. E, isto vem se espalhando pelos quatro cantos do planeta, em meio ao prometido e alardeado progresso do binômio “Ciência&Tecnologia”, de fato, não cumprido. é quase um clichê na boca dos tecnocratas e dos burocratas políticos. Não se restringe portanto tão somente aos chamados “Terceiro” e Quarto” Mundos. O “problema”, ou seja, povos itinerantes, trazido pela “ambígua” globalização (ambiguidadade proposital, sem dúvida) começa a minar suas próprias economias nacionais – as do “Primeiro”. Efeito reverso…

Tudo se passa com um indiferença brutal em bairros paupérrimos, na África, na Ásia, e mais recentemente em redutos de pessoas que fogem da miséria de seu país. Nestes guetos, situados em países ricos, não há mais compaixão pela situação em que vivem, salvo exceções. É graça divina o fato de existirem (sem desistência) – iniciativas individuais, de organismos não governamentais sérios, da Igreja Católica e outras igrejas cristãs.

No caso, dos guetos do “Primeiro Mundo”, ao final e ao cabo, por não serem brancos, estes bebês se tornarão trabalhadores “escravos” de pessoas abastadas… São por elas exploradas devido à sua condição de ilegalidade, que remonta a seus pais, avós, tios, etc.. Moram em antros, abandonados pelo poder público que não os legaliza, perseguindo-os como animais, desde os jovens aos mais velhos. Enquanto bebês e crianças não têm direito à assistência pública ampla do país em que são chamados “apátridas”, isto é, sem país. A contradição é que seus pais e familiares lá residem há décadas… Eu diria que os governos fazem “vista grossa” porque, geração após geração, se tornam mão-de-obra barata… Quem vai recolher o lixo, varrer as ruas, limpar prédios turísticos antigos, servir e preparar os jantares, com requintes mantidos há séculos?

O texto abaixo também menciona a naturalização ou banalização, por parte das autoridades públicas, em âmbito mundial, que se dá a partir de propaganda e iniciativas a favor da legalização do aborto. No mundo, a partir desta realidade mais recente (porque, ao que parece, orquestrada…), milhões de bebês-embriões, em clínicas, legais ou ilegais, afora os ambientes sem quaisquer condições de higiene são privados do direito mais elementar: nascer!

Levam faixas e nas ruas gritam suas teorias “pró-escolha”, mas diariamente, de fato, dizem um silencioso e nefasto NÃO à VIDA!

Lembro então que, tudo, desde o início dos tempos, está sendo escrito no Livro da Vida, tanto o bem que fazemos, quanto o mal que perpetramos e não nos arrependemos diante de Deus, o Criador de tudo, de todas as vidas…

Pensando bem, a Humanidade há muito não tem o que comemorar. Esqueceu deliberadamente de praticar o bem que é possível, do amor e de sua partilha…

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Dia dos SANTOS INOCENTES – MÁRTIRES

28 de dezembro

Neste dia a Igreja recorda os meninos inocentes de Belém e arredores, de idade inferior a dois anos, os quais, conforme o relato do Evangelho, foram arrancados de suas mães e assassinados cruelmente, por ordem de Herodes. Embora não tivessem uso da razão, morreram por Cristo Jesus, e por isso a Igreja os honra com o título de mártires.

Em nossos dias, assistimos a uma nova matança dos inocentes, desta vez – é triste reconhecê-lo – tantas e tantas vezes perpetrada pelas próprias mães desnaturadas! De fato, em que consiste o aborto voluntariamente provocado? Consiste, pura e simplesmente, no assassinato do filho pela própria mãe. O feto, ou seja, o ser humano desde o momento da concepção até o do nascimento, é um ser distinto de sua mãe. Eliminar o embrião, seja em que fase for de seu desenvolvimento, é um assassinato que viola os direitos humanos. Ora, com toda a naturalidade se vai disseminando a prática pecaminosa do aborto, consagrada e protegida pelas legislações! E em alguns casos são legalmente punidos médicos ou enfermeiras católicos que em consciência se recusam a participar desses crimes!

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade.

Bispo auxiliar do patriarcado da Igreja Católica no Iraque faz apelo de solidariedade, em passagem pelo Vaticano, à comunidade cristã mundial: necessitam de ações mais decididas para proteção dos fiéis cristãos e outros cidadãos, e para reconstrução e restauração de igrejas e edifícios pastorais em Bagdá ( Agência Ecclesia -Portugal – 20.12.2009)

Fonte/imagem: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=10159

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Fonte: Agência Ecclesia (Agência de Notícias da Igreja Católica de Portugal)

20.12.2009

«Não nos abandonem», pede bispo iraquiano

O bispo auxiliar do patriarcado de Babilónia dos Caldeus (Iraque), D. Shlemon Warduni, lançou um apelo “a todos os cristãos do mundo”: “Não nos abandonem!”.

O pedido foi proferido durante a visita ao Vaticano, que decorre durante estes dias. A estadia faz parte de uma viagem que o prelado está a fazer pela Europa, com o objectivo de pedir solidariedade e ajuda para a reconstrução e recuperação das igrejas e edifícios pastorais de Bagdad, que foram danificados com os atentados dos últimos meses.

A situação dos fiéis iraquianos “provoca preocupação e dor”, declarou o bispo auxiliar. A instabilidade política e a ingovernabilidade, seguidas das “guerras” e “ocupação militar”, geraram miséria e destruição.

Por isso, afirmou D. Warduni, “muitos cristãos, como tantos outros milhares de cidadãos, tiveram que deixar o país. Perdemos aproximadamente um terço de nossa comunidade”.

O prelado denunciou que a “falta de planejamento político faz crescer o terrorismo, que quer ainda desestabilizar o país”.

“A Igreja no Iraque – acrescentou – pede à comunidade internacional um apoio mais forte e mais decidido. É urgente uma pressão firme dos governos ocidentais para a estabilização do quadro iraquiano e a retomada da legalidade e da segurança”.

Com Rádio Vaticano

Internacional | Agência Ecclesia | 2009-12-18 | 16:59:13| Ásia

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=76826

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Veja também:

Agência Ecclesia: Novo atentado contra igreja no Iraque http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=55356

Agência ZENIT:   “Iraque: igrejas continuam sob ataque”http://www.zenit.org/article-23590?l=portuguese

São João da Cruz, o “Doutor Místico” – 14 de dezembro (memória) – Site “Igrejas Católicas Orientais”

Fonte/imagem-textos: Igrejas Católicas Orientais http://www.igrejascatolicasorientais.com/ : “Una, Santa, Católica e Apostólica – A Igreja de Jesus Cristo)   –  http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm

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SÃO JOÃO DA CRUZ: O DOUTOR MÍSTICO

Conheçamos mais um dos baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador, São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de junho, em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.  Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina Del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina Del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina Del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.

Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da “Noite Escura da alma”, da “Subida do monte Carmelo”, do “Cântico Espiritual” e da “Chama de amor viva”.

A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena ““.Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor “, disse o Santo”.Fomos feitos para o amor ““.O único instrumento do qual Deus se serve é o amor ““.Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus ““.

O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes.  Seu corpo foi trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI. Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: “Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal”.Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência”. Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa a forte influência que dele recebeu: “Ah, que luzes hauri nas obras de Nosso Pai São João da Cruz!… Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual…” (MA 83r).

PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Extraídos do livro “O Amor não cansa nem se cansa”, seleção de textos feita por Frei Patrício Scidiani, ocd, Editora Paulus, 2a. ed.

Dizem assim:

Para chegares a saborear tudo,

Não queiras ter gosto em coisa alguma.

Para chegares a possuir tudo,

Não queiras possuir coisa alguma.

Para chegares a ser tudo,

Não queiras ser coisa alguma.

Para chegares, a saber, tudo,

Não queiras saber coisa alguma.

Para chegares ao que não gostas,

Hás de ir por onde não gostas.

Para chegares ao que não sabes,

Hás de ir por onde não sabes.

Para vires ao que não possuis,

Hás de ir por onde não possuis.

Para chegares ao que não és,

Hás de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:

Quando reparas em alguma coisa,

Deixas de arrojar-te ao tudo.

Porque para vir de todo ao tudo,

Hás de negar-te de todo em tudo.

E quando vieres a tudo ter,

Hás de tê-lo sem nada querer.

Porque se queres ter alguma coisa em tudo,

Não tens puramente em Deus teu tesouro.

Que mais queres, ó alma, e que mais buscas fora de ti,

se encontras em teu próprio ser a riqueza, a satisfação,

a fartura e o reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas?

….

Em teu recolhimento interior, regozija-te com ele, pois ele está muito perto de ti.

A alma que verdadeiramente ama a Deus não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada.

Ó Senhor, Deus meu! Quem te buscará com amor tão puro e singelo que deixe de te encontrar, conforme o desejo de sua vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e a sair ao encontro daqueles que te desejam?

A alma que busca a Deus e permanece em seus desejos e comodismo, busca-o de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois o busca de dia.

Quando a pessoa abre e se liberta de todo condicionamento, e une perfeitamente sua vontade à de Deus, transforma-se naquele que lhe comunica o ser sobrenatural, de tal maneira que se parece com o próprio Deus e se deixa possuir totalmente por ele.

O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é ele.

A pessoa, cujo estado de perfeição não corresponde à sua própria capacidade, jamais gozará da verdadeira paz e satisfação, porque, em suas faculdades, não chegou ainda àquele grau de despojamento, que se requer para a simples união.

O centro da alma é Deus. Quando a pessoa se encontra com ele, em todas as suas faculdades, energias e desejos, terá atingido o cerne e a raiz mais profunda de si mesma, que é Deus.

Nesta desnudez acha o espírito sua quietação e descanso, pois nada cobiçando, nada o fatiga para cima e nada o oprime para baixo, por estar no centro de sua humildade. Porque quando alguma coisa cobiça, nisto mesmo se cansa e atormenta.

Quanto mais a pessoa se aproxima de Deus, mais profundas são as trevas que sente, e maior a escuridão, por causa de sua própria fraqueza. Assim, quanto mais alguém se aproxima do sol, sentirá, com seu grande resplendor, maior obscuridade e sofrimento, em razão da fraqueza e incapacidade de seus olhos.

Quem não procura senão a Deus não anda nas trevas, por mais fraco e pobre que seja.

Todo poder e liberdade do mundo, comparados com a soberania e a independência do espírito de Deus, são completa servidão, angústia e cativeiro.

Deus é inacessível. Não repares, portanto, no que as tuas faculdades podem compreender, nem teus sentidos experimentar, para que não te satisfaças com menos e assim perderes a presteza necessária para chegar a ele.

As visões e apreensões dos sentidos não têm proporção alguma com Deus: não podem servir de meio para a união com ele.

Quando a pessoa ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele.
A criatura atormenta, e o espírito de Deus gera alegria.
A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.
O caminho da vida é de muito pouco ativismo e barulho. Requer mais mortificação da vontade do que muito saber. Caminhará mais quem carregar consigo menos coisas e desejos.
Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo.
A fé e o amor são os dois guias de cego que te conduzirão, através de caminhos desconhecidos, até os segredos de Deus.
O caminho que conduz a vós, Senhor, é caminho santo que se percorre na pureza da fé.
A esperança em Deus só pode ser perfeita quando se afasta da memória tudo o que se contrapõe a Deus.
O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado.
Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos.
Criatura alguma merece amor senão pelo bem que nela há. Amar desse modo é amar segundo a vontade de Deus e com grande liberdade; e se este amor nos une à criatura, mais fortemente ainda nos une ao Criador.
Quanto mais se acredita em Deus e se serve a ele sem testemunhos e sinais, tanto mais ele é exaltado pelo homem.
O amor não cansa nem se cansa.
Onde não há amor, põe amor e colherás amor.
Para quem ama, a morte não pode ser amarga, pois nela se encontram todas as doçuras e alegrias do amor. Sua lembrança não é triste, mas traz alegria. Não apavora nem causa sofrimento, pois é o término de todas as dores e o início de todo bem.
Para se progredir, o que mais se necessita é saber calar diante de Deus… A linguagem que ele melhor ouve é a do silêncio de amor.
No ocaso da vida serás examinado sobre o amor. Aprende a amar a Deus como ele quer ser amado.
Quando tiveres teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis.
O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.
À medida que Deus prova o espírito e o sentido, a pessoa vai adquirindo, com sofrimento, virtudes, forças e perfeição.
Enquanto a pessoa não se despojar de tudo, não terá capacidade para receber o espírito de Deus em pura transformação.
O que busca satisfação em alguma coisa não está livre para que Deus o plenifique de seu inefável sabor.
Ainda que estejas no sofrimento, não queiras fazer a tua vontade, pois terás assim o dobro de sofrimento.
Quanto mais Deus quer-se dar, tanto mais desperta em nós o desejo dele, até deixar-nos vazios para encher-nos de seus bens.
A amplidão do deserto ajuda muito o espírito e o corpo. O Senhor se compraz quando também o espírito tem o seu deserto.
Sofrer por Deus é melhor que fazer milagres.
É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.
Põe a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa particular a seu respeito.
Quando a alma deseja a Deus com toda a sinceridade, já possui o seu Amado.
Abandone-se a alma nas mãos de Deus e não queira ficar em suas próprias mãos; fazendo assim e deixando livres as potências, caminhará segura.
Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo.
Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala.
Queres alguma palavra de consolação? Olha o meu Filho, submisso, humilhado, por meu amor, e verás quantas palavras te responde.
Não é bem orientado o espírito que quer caminhar por doçuras e facilidades, fugindo de imitar a Cristo.
A pessoa crucificada interior e exteriormente com Cristo viverá feliz e satisfeita e, na paciência, possuirá a sua alma.
Se quiseres chegar a possuir Cristo, jamais o busques sem a cruz.
Não te detenhas em coisas mesquinhas, nem repares nas migalhas que caem da mesa de teu Pai. Sai, e gloria-te em tua glória; esconde-te nela e aí goza, e alcançarás os pedidos de teu coração.
O amor é a união do Pai e do Filho: e assim é a união da alma com Deus.

Embora a alma tenha altíssimas revelações divinas, a mais elevada contemplação, a ciência de todos os mistérios… Se lhe falta amor, de nada lhe servirá para unir-se a Deus.

Deus só coloca sua graça e predileção numa alma, na medida da vontade e do amor da mesma alma.

O olhar de Deus é amar e conceder favores.

Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua suavidade e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta.

Como a alma já possui, enfim, perfeito amor, é chamada Esposa do Filho de Deus.

Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo o seu lucro.

Não basta que Deus que nos ame para dar-nos virtudes; é preciso que, de nossa parte, também o amemos, a fim de podermos recebê-las e conservá-las.

É próprio do perfeito amor nada querer admitir ou tomar para si, nem se atribuir coisa alguma, mas tudo referir ao Amado. Se nos amores da terra é assim, quanto mais no amor de Deus.

Para Deus, amar a alma é, de certa maneiram integrá-la em si mesmo, igualando-a consigo; ama, então, essa alma, nele e com ele, com o próprio amor com que se ama.

O olhar de Deus produz na alma quatro bens, isto é, a purificam, a favorecem, a enriquecem e a iluminam. É como o sol que, dardejando na terra os seus raios, seca, aquece, embeleza e faz resplandecer os objetos.

Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde.

Amado meu, tudo o que é difícil e trabalhoso o quero para mim, e tudo o que é suave e saboroso o quero para ti.

Na união com o Amado, à alma verdadeiramente se rejubila e louva a Deus, com o mesmo Deus, e assim este louvor é perfeitíssimo e muito agradável a ele.

Oh, que bens serão aqueles que gozaremos com o olhar da SANTÍSSIMA TRINDADE!

Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade do que todas as ações que realizas por ele.

O falar distrai e o silêncio na ação leva ao recolhimento e dá força ao espírito.

Nenhuma representação ou imaginação serve de meio próximo para a união com Deus; portanto, deve a alma despojar-se de todas elas.

Aprendam a permanecer em Deus, com atenção amorosa, com calma, sem se preocuparem com a imaginação e com as imagens que ela forma. Assim, as faculdades descansam e não atuam; recebem passivamente a ação divina.

Grande mal é olhar mais para os bens de Deus do que para o próprio Deus. Ele pede oração e despojamento.

Ao que está desprendido, não lhe pesam cuidados, na hora da oração ou fora dela.

Para entrar no caminho do espírito (que é a contemplação) deve a pessoa espiritual deixar o caminho da imaginação e da meditação sensível.

O Senhor se comunica passivamente ao espírito, assim como a luz se comunica passivamente a quem não faz mais que abrir os olhos para recebê-la.

É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.

(São João da Cruz)

SÃO JOÃO DA CRUZ – ” O ROUXINOL DO CARMELO”, CRONOLOGIA, OBRAS E SÍNTESE ESPIRITUAL

a) CRONOLOGIA
1542: Nasce em Fontiveros (Ávila), talvez no dia 24 de junho, filho do casal Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez.

1548: Vai residir em Arévalo.

1551: Muda com a família para Medina Del Campo.

1559-63: Cursa humanidades com os Jesuítas de Medina.

1563: Veste o hábito carmelitano, recebendo o nome de Fr. Juan de San Matias, em Medina Del Campo.

1564-68: Professa os votos e estuda em Salamanca na Universidade e no Colégio de San Andrés.

1567: Ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa em Medina.

1567: Em setembro se encontra com a Santa Madre Teresa, que lhe fala sobre o projeto da Reforma da Ordem, também entre os religiosos.

1568.28.11: Em Duruelo começa a Reforma com o PE Antonio de Jesús Heredia.

1568-71: Mestre dos noviços em Duruelo, Mancera e Pastrana.

1569: Abre-se o convento de Pastrana e o Santo vai para lá, a fim de suavizar a excessiva dureza de sua vida.

1570: A comunidade de Duruelo se transfere para Mancera

1571: Abril.  Nomeado Reitor do Colégio de Alcalá.

1572-77: Confessor e Vigário na Encarnação, em Ávila.

1577: Na noite de três para 4 de dezembro é levado para o cárcere de Toledo, onde ficará até 15 de agosto de 1578.

Outubro. Prior de Calvano (Jaén).

1579. Reitor do colégio de Baeza.

1581: Março. No Capítulo de Alcalá é nomeado terceiro Definidor, Provincial e Prior de Granada.

1583: Maio. Reeleito Prior de Granada.

1585: Maio. Em Lisboa foi eleito segundo Definidor e em outubro o nomeiam Vigário Provincial de Andaluzia.

1586: Faz a fundação dos padres em Córdoba, Manchuela e Caravaca.

1587: No Capítulo de Valladolid o nomeiam pela terceira vez Prior de Granada.

1588: Junho. No Primeiro Capítulo Geral celebrado em Madrid é nomeado Primeiro Definidor Geral, Prior de Segóvia e Terceiro Conselheiro de consulta.

1591: Junho. Assiste ao Capítulo Geral em Madri e terminam todos os seus cargos.

1591.14.12: Morre em Ubeda (Jaén), à meia-noite, aos 49 anos.

1593: Maio.  Seu corpo é trasladado para Segóvia.Segóvia

1618: Primeira edição de suas obras em Alcalá.

1675.25.1: Beatificado por Clemente X.

1726.27.12: Canonizado por Bento XIII.

1926.24.8: Declarado Doutor Místico da Igreja por Pio Xl.

1952.21.3: Proclamado patrono dos poetas espanhóis.

b) RETRATO DO SANTO
Parece que não se conserva nenhum retrato pessoal, feito a pincel, nenhum desenho.

Mas se conservam maravilhosas descrições de muitos que conviveram com ele e apresentaram depoimentos para o seu processo de beatificação.

Certamente a mais bela e completa descrição foi-nos deixada pelo PE Eliseu dos Mártires, que conviveu com o santo no Colégio de Baeza. Ele nos diz:

“Tinha estatura média, dono de rosto sério e venerável, um pouco moreno e de boa fisionomia; bom no trato e de boa conversação, agradável, homem muito espiritual que trazia muito proveito para os que o ouviam e com ele se comunicavam. E isto o fez tão de modo tão especial e singular, que todos que o procuravam, homens e mulheres, saiam espiritualizados, piedosos e cheios de virtudes.”

Viveu intensamente a oração como trato com Deus. Todas as questões que lhe eram apresentadas sobre estas questões eram respondidas com alta sabedoria, deixando àqueles que o consultavam muitos satisfeitos.

Foi amigo da vida em recolhimento e do pouco falar. Seu riso não era muito freqüente. Era uma pessoa compenetrada.

Quando Superior, o que foi muitas vezes, quando precisava repreender, o fazia com doce severidade, exortando com amor paternal, movido por admirável serenidade e seriedade.

c) PINCELADAS DE SANTA TERESA

* O padre Frei João da Cruz é uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celeste.

* Ainda criança, tornou-se grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque toda sua vida foi de grande penitência. Muito me animou a virtude e o espírito que o Senhor lhe deu. Tem uma vida farta em oração e um bom entendimento das coisas de Deus.

* Todos têm Frei João da Cruz como santo.

* “Os ossos daquele pequeno corpo farão milagres”.

d) SUAS OBRAS
Poucos falaram dos mistérios sublimes de Deus na alma e da alma em Deus como este angelical Carmelita de Fontiveros.

Sua prosa e sua poesia são divinas e, como muito bem disse Menéndez y Pelayo, “não se podem avaliar com critérios literários, porque o espírito de Deus embelezou-lhe tudo”.

I. -OBRAS MAIORES:

1. Subida ao Monte Carmelo: É sua obra fundamental. É quase uma única obra com a Noite Escura, começada no Calvário de Jaén, em 1578, e depois continuada em Baeza e Granada.

2. Noite Escura da alma:
A) Livro primeiro, Noite passiva do sentido; consta de 14 cap.
B) Libro segundo: Noite passiva do espírito, consta de 25 cap.

3. Cântico Espiritual. É a mais bela obra do santo. 30 estrofes foram escritas no cárcere. Trata da união com Deus. Consta de 40 estrofes e se divide em três partes.

4. Chama Viva de Amor. Escrita em Granada entre 1585 e 1587, em quinze dias. É o livro mais ardente de todos. Consta de quatro canções com seis versos cada uma.

II. OBRAS MENORES:

1. Avisos: Conselhos que dava às monjas de Beas, quando era seu Confessor.
2. Cautelas: Escreveu-as para as mesmas monjas.
3. Quatro conselhos a um religioso.
4. Cartas: Conservam-se apenas 32 cartas. Devido ao processo que abriram contra ele, muitas cartas foram destruídas.
5. Poesias: As principais são as que aparecem nos grandes tratados: Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama.
É sem dúvida o que melhor se escreveu em espanhol.

6. DITOS DE LUZ E AMOR:

Frases de direção para suas carmelitas, que o Santo escrevia ocasionalmente.

A obra sanjuanista – escreveu um ilustre teresianista – se divide em duas partes: “A ensinar os métodos para se conseguir o vazio dos sentidos e as potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os dois primeiros tratados de profunda doutrina espiritual e forte consistência: A Subida e a Noite.

Ninguém cantou melhor os amores divinos que o rouxinol do Carmelo. Algumas poesias imediatamente inflamam a alma no mesmo amor em que Deus se abrasa. Sobre seu inspirado lirismo, sobrevoa seu profundo sentido místico.

7) SUA ESPIRITUALIDADE
Impossível sintetizar o maravilhoso magistério vivo e ensinado pelo Doutor Místico em tão breves linhas. O Doutor é a máxima figura mística do Carmelo. À vida ele une a doutrina e a ciência. A santa vida e a ciência sagrada ou a teologia mística são uma só realidade, como o provam suas magníficas obras. Pio XI, que lhe deu o título de Doutor Místico da Igreja, batizou suas obras como “Código e escola da alma fiel que se propõe a empreender uma vida mais perfeita”.  Aqui seguem algumas observações sobre sua rica espiritualidade:

O Santo, em seus escritos, tem sempre presente o fim da vida espiritual, ou seja, Deus, levar as almas a Deus. E subjetivamente uni-las a ele por amor, quer dizer, deseja levar a transformação perfeita em Deus por amor o quanto é possível nesta vida seguindo-se a Jesus Cristo.

Em sua admirável obra recorda a seus leitores freqüentemente o cume daquela montanha e deseja que todos a subam. Ela é a sublime perfeição à qual os encaminha com suas palavras e exemplos convincentes.

Seu raciocínio demonstra que esta subida é necessária porque é um meio indispensável para se despojar de todas as outras coisas, obstáculos para a suprema transformação da alma em Deus.

João da Cruz era um profundo conhecedor do coração humano. Por isso, “como o amor de Deus e o amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino”.

E tanto maior será este investimento e plenitude, quanto maior for o vazio da criatura que acha na alma: “Olvido do que é criado, memória do criador, atenção ao interior, e estás amando o Amado”.

Ao ensino os métodos para conseguir este vazio nos sentidos e potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os tratados “Subida ao Monte Carmelo” e “Noite Escura da Alma”, ambos de profunda doutrina espiritual e de forte liame lógico.

No Cântico Espiritual e na Chama Viva do Amor, entre metáforas e comparações esplêndidas, tomadas da natureza, vai-se descortinando pouco a pouco as excelências do amor divino nas almas desde os graus inferiores aos mais altos do esposamento e matrimônio espiritual.

Em síntese, pode-se dizer que a grande originalidade do magistério espiritual sanjuanista e o segredo de sua vitalidade encontra-se precisamente na íntima relação entre abnegação e união na vida sobrenatural e, para usar sua terminologia clássica, entre o nada o tudo, que se fundem um no outro.

São João da Cruz, o Doutor Místico, influenciou grandemente a espiritualidade cristã. Alimentou, quando vivo, através de sua direção espiritual e depois de falecido com seus escritos imortais.

Especialmente depois que foi declarado Doutor da Igreja Universal em 1926, suas obras são lidas e citadas por todos os autores espirituais.

Inclusive nossos irmãos da Igreja Anglicana, da Comunidade de Taizé e da Igreja Ortodoxa confessam sua predileção pelo carmelita de Fontiveros.

Literatos, poetas, cientistas e até não-crentes ficam admirados ante a profundidade e a beleza que brotam dos escritos sanjuanistas.

Sua Mensagem

Que Descubramos o tesouro da Cruz;

Que a oração e o silêncio nos levem a descobrir a Deus;

Que sejamos dóceis às inspirações do alto;

Que saibamos perdoar a todos os que nos ofendem.

….

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
Saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!
A ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma coisa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!
Ó Noite amável mais do que a alvorada!
Ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

….

Tradução de Jorge de Sena [poema].

Postado por “Igrejas Católicas Orientais” – http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm