Como devemos invocar a Deus no tempo da tribulação (in “Imitação de Cristo”, Capítulo XXIX – Livro III)

Cristo Rei Vitral

IMITAÇÃO DE CRISTO

LIVRO III – Capítulo XXIX

“Como devemos invocar a Deus no tempo da tribulação”

O DISCÍPULO

1. Seja vosso nome para sempre bendito, Senhor, pois quisestes provar-me com esta tribulação.

E porque não posso evitá-la que outra coisa farei senão acolher-me a Vós para que me auxilieis e a convertais em proveito meu?

Senhor, sinto-me atribulado; meu coração está desassossegado por causa desta paixão que o atormenta vivamente.

“Que vos direi agora”, ó Pai amantíssimo! Rodeado estou de angústias. Salvai-me nesta hora” (Jo 12, 27).

Vós permitistes que eu chegasse a este estado para que sejais glorificado quando eu estiver muito abatido e for por por vós livre.

Dignai-Vos, Senhor, socorrer-me: porque, pobre criatura, que posso eu fazer e onde irei sem Vós?

Dai-me paciência, Senhor, ainda desta vez. Estendei-me a vossa mão, Deus meu, e não temerei, por mais forte  que seja a tribulação.

2. Que posso dizer-vos neste estado? “Senhor, faça-se a vossa vontade”. Bem merecido tenho angústias e tribulações em que me vejo (Mt 6, 10).

Convém que as sofra; e oxalá seja com paciência, até que passe a tempestade e venha a bonança.

Poderosa é a vossa mão onipotente para afastar de mim esta tentação e moderar sua violência, para que não sucumba de todo; como tantas vezes tendes feito para comigo, Deus meu, misericórdia minha.

E quanto para mim é mais dificultosa esta mudança, tanto mais fácil é ela para Vós: “porque é obra da direita do Altíssimo” (Sl 76, 11)


Imitação de Cristo – Thomas de Kempis é tido como o autor do terceiro livro “Consolação Interior“. De acordo com o tradutor do texto latino, e autor das reflexões sobre a obra – Pe. J.I. Roquette, Kempis teria sido o “cônego regrante de Santo Agostinho” (que viveu no século V). No “Prólogo”, Pe. Roquette aventa (e a discussão sobre a autoria atravessa séculos…) que os dois primeiros livros e o quarto foram escritos pelos  abades – Gersen  e Gerson – para orientação de seus monges. É interessante observar que em certa parte há menção a São Francisco de Assis (séc. XIII).O consenso, conforme o tradutor do latim e comentador  é que tudo contibuiu para a riqueza espiritual que há nesta pequena, antiga, reconhecida e estimada obra chamada “Imitação de Cristo”. (Editora Ave-Maria, 18ª edição, 1991; Imprimatur 26.11.1928)

São Pedro Crisólogo: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si.” Memória – 30 de julho (Spe Deus)

Fonte: Spe Deus

São Pedro Crisólogo nasceu em Ímola no ano 380 e mereceu o apelido de Crisólogo, isto é, “Palavra de Ouro”, por ser autor de estupendos sermões, ricos de doutrina, que lhe deram também o título de doutor da Igreja, decretado no ano 1729 pelo Papa Bento XIII. Dele se conservam cerca de 200 sermões. Numa homilia define o avarento como “escravo do dinheiro, mas o dinheiro – acrescenta – é o escravo do misericordioso. ” É fácil entender o significado desta prédica. Sua pregação colocava insistentemente em evidência o amor paternal de Deus: “Deus prefere ser amado a ser temido”. Humildes e poderosos escutava-os ele com igual condescendência e caridade. A imperatriz Gala Placídia teve-o como conselheiro e amigo.
Eleito Bispo de Ravena no ano 424, Pedro Crisólogo mostrou-se bom pastor, prudente e sem ambiguidades doutrinais. Sua autoridade era reconhecida em largo raio da Igreja. São Pedro Crisólogo disse certa vez: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si” (op.cit.p.407).

São Pedro Crisólogo morreu no dia 31 de Julho do ano 451, em Ímola.

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Fonte: ROSA BÍBLICA

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 99

“Até que tudo tenha levedado”

Busquemos o sentido profundo desta parábola. A mulher que tomou o
fermento é a Igreja; o fermento que ela tomou é a revelação da doutrina
celeste; as três medidas em que misturou o fermento são a Lei, os Profetas
e os Evangelhos, onde o sentido divino mergulha e se esconde sob termos
simbólicos, a fim de ser agarrado pelo fiel e escapar ao infiel. Quanto às
palavras “até que tudo tenha levedado”, dizem respeito ao que diz o
apóstolo Paulo: “Imperfeita é a nossa ciência, imperfeita também a nossa
profecia. Quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito” (1
Co 13,9). O conhecimento de Deus está agora na massa: espalha-se nos
sentidos, enche os corações, aumenta as inteligências e, tal como todo o
ensinamento, alarga-os, eleva-os e desenvolve-os até às dimensões da
sabedoria celeste. Tudo será levedado em breve. Quando? Na segunda vinda de
Cristo.

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 80

“Não temais”

“Eu sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui”. Assim falava o
anjo às mulheres, ele que tinha aberto o túmulo por essa razão. Não tinha
sido para fazer sair Cristo, que já não estava lá, mas para lhes fazer
saber que Cristo já não estava lá. “Ressuscitou, tal como tinha dito…
Vinde ver o lugar onde o Senhor tinha sido depositado” (Mt 28,5-6). Vinde,
mulheres, vinde. Vede o lugar onde tínheis depositado Adão, onde o género
humano tinha sido sepultado. Compreendei que o seu perdão foi tão grande
quão grande tinha sido a injustiça feita ao Senhor… Quando as mulheres
entram no sepulcro, tomam parte no acto de sepultar Jesus, tornam-se
participantes da própria Paixão. Ao saírem do sepulcro, erguem-se na fé
antes de ressuscitarem na cerne. “Deixaram o túmulo, trémulas e cheias de
alegria”… A Escritura diz: “Servi o Senhor com temor e estremecei de
júbilo por ele” (Sl 2,11).

“E Jesus veio ao seu encontro e disse-lhes: ‘Salve!'” Cristo vem ao
encontro daquelas que correm com fé, para que reconheçam com os seus olhos
Aquele em quem tinham acreditado pela fé. Quer confortar com a sua presença
aquelas que tinham ficado a tremer pelo que lhes tinha sido dito… Vem ao
seu encontro como um mestre, saúda-as como um familiar, devolve-lhes a vida
por amor, guarda-as pelo temor. Saúda-as para que o sirvam amorosamente,
para que o receio não as faça fugir. “Salve!” “Elas aproximaram-se e
agarraram-lhe os pés”… “Salve!”, quer dizer: Toquem-me. Quis ser
agarrado, Ele que suportou que o amarrassem…

Diz-lhes: “Não temais”. O que o anjo tinha dito, o Senhor di-lo também. O
anjo tinha-as confirmado, Cristo vai torná-las mais fortes ainda. “Não
temais. Ide anunciar aos meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá me
verão”. Erguendo-se de entre os mortos, Cristo tomou consigo o homem, não o
abandonou. Chama-lhes, por isso, seus irmãos, àqueles que pelo corpo tinha
tornado seus irmãos de sangue; chama-lhes irmãos, àqueles que adoptou como
filhos de Seu Pai. Chama-lhes irmãos, àqueles que, como herdeiro pleno de
bondade, quis tornar seus co-herdeiros.

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org (texto integral)

«A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério» (Dom Fernando Arêas Rifan – Administração Apostólica São João Maria Vianney) – Zenit

Chapel  of Servants of the Holy Family
Chapel of Servants of the Holy Family
Traditional Catholic Carmelite Convent
Carmelite Monastery of the Sacred Hearts (Traditional Catholic Carmelite Convent)

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Entrevista realizada pela Agência de Notícias  ZENIT – Roma, e publicada em PIME.Net – Pontifício Instituto de Missões no Exterior

BRASIL: 24/03/2008

Liturgia

Falta de espiritualidade séria leva a abusos

Entrevista com o bispo brasileiro responsável por comunidade que celebra missa antiga

Por Alexandre Ribeiro

O bispo de uma comunidade brasileira que celebra a missa antiga (forma litúrgica extraordinária do Rito Romano, liturgia chamada Tridentina ou de São Pio V) considera que os abusos na liturgia são ocasionados pela «falta de uma espiritualidade séria». «A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério», afirma Dom Fernando Arêas Rifan, Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Nesta entrevista a Zenit, o bispo fala, entre outros temas, sobre a beleza e riqueza da missa antiga, cuja faculdade de celebrar Bento XVI estende a toda a Igreja pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007.

Gostaríamos primeiramente que o senhor explicasse, para aqueles que não conhecem, o que é a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney?

Dom Fernando Rifan: A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, situada no Norte do Estado do Rio de Janeiro, com os mesmos limites da Diocese de Campos, é uma circunscrição eclesiástica equiparada pelo Direito às Dioceses imediatamente sujeitas à Santa Sé (cânon 368 e Decreto “Animarum Bonum”), uma porção do povo de Deus, portanto, cujo cuidado pastoral é confiado a um Bispo Administrador Apostólico, que a governa em nome do Sumo Pontífice (cânon 371§2). A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney foi criada pelo Decreto “Animarum bonum”, da Sagrada Congregação para os Bispos, de 18 de janeiro de 2002, oficializando juridicamente a vontade de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, expressa na carta autógrafa “Ecclesiae unitas”, de 25 de dezembro de 2001. Funciona como uma diocese normal, mas de caráter pessoal não territorial, como as Prelazias Pessoais, as Eparquias e Exarcados Orientais e os Ordinariatos Militares, tendo seu Bispo próprio, o Administrador Apostólico, Cúria, Seminário, Sacerdotes, Paróquias, Igrejas e Institutos de Vida Consagrada, como qualquer outra diocese. Essa “Diocese pessoal” foi criada com a finalidade de conservar na unidade eclesial os sacerdotes e fiéis ligados à forma litúrgica extraordinária do Rito Romano (Liturgia chamada Tridentina ou de São Pio V), que eram e são numerosos nessa região.

Na Administração Apostólica se celebra a missa antiga do Rito Romano (anterior à reforma de 1970). Qual é a riqueza e a beleza desse tipo de missa?

Dom Fernando Rifan: O decreto de criação da Administração Apostólica (“Animarum Bonum”, “O Bem das Almas”) assim diz: “É atribuída à Administração Apostólica a faculdade de celebrar a Sagrada Eucaristia, os demais sacramentos, a Liturgia das Horas e outras ações litúrgicas segundo o rito e a disciplina litúrgica, conforme as prescrições de São Pio V, juntamente com as adaptações introduzidas por seus sucessores até o Bem-aventurado João XXIII” (item III). E esse privilégio o Santo Padre Bento XVI agora o estendeu a toda a Igreja pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007.

São várias as razões desse amor, preferência e conservação da forma extraordinária da Liturgia Romana. O então cardeal Joseph Ratzinger, nosso atual Papa, em conferência aos Bispos chilenos, em Santiago, em 13/7/1988, assim as sintetizou: “Se bem que haja numerosos motivos que possam ter levado um grande número de fiéis a encontrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado”. De fato, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações” (como lamentava o Papa João Paulo II na encíclica “Ecclesia de Eucaristia”) e por ser, para nós, melhor expressão litúrgica dos dogmas eucarísticos e sólido alimento espiritual, ela vem a ser uma das riquezas da Liturgia católica, pela qual exprimimos o nosso amor e nossa comunhão para com a Santa Igreja. E a Santa Sé reconhece essa nossa adesão como perfeitamente legítima.

Como são os cantos é qual é o cuidado que se tem com eles na missa antiga?

Dom Fernando Rifan: Na Missa antiga, procura-se pôr em prática as normas dadas pelo Papa João Paulo II no “Quirógrafo pelo centenário do Motu Próprio “Tra Le Sollecitudini”, de São Pio X, onde ele recorda as regras desse santo Papa, de seus sucessores e do Concílio Vaticano II sobre a música sacra. O Papa ensina a necessidade de “purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra”. O Papa recorda a diferença, infelizmente hoje pouco percebida, entre o profano e o sagrado, especialmente na música das Igrejas, e ele lamenta que a música na Igreja hoje chegue “a ponto de incluir repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da mesma liturgia”, afirmando ele que “nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas.”

E como paradigma da verdadeira música sacra, o Papa ensina que “entre as expressões musicais que mais correspondem à qualidade requerida pela noção de música sacra, particularmente a litúrgica, o canto gregoriano ocupa um lugar particular”.

É claro que em nossas missas, segundo as mesmas normas da Santa Sé, usamos também a polifonia clássica e moderna e o canto popular em português, tão amado do nosso povo simples, sempre os sintonizando com o espírito e o momento litúrgico.

A missa antiga poderia ser mais promovida na vida da Igreja, mesmo que de forma extraordinária, como assinala e permite o Motu Proprio “Summorum Pontificum”? Que benefícios isso traria?

Dom Fernando Rifan: Esse já era o desejo do Santo Padre João Paulo II, quando afirmou no seu Motu Próprio “Ecclesia Dei adflicta” de 2/7/1988: “É preciso que todos os Pastores e os demais fiéis tomem nova consciência, não só da legitimidade mas também da riqueza que representa para a Igreja a diversidade de carismas e de tradições de espiritualidade e de apostolado, o que constitui a beleza da unidade na variedade… A todos estes fiéis católicos, que se sentem vinculados a algumas formas litúrgicas e disciplinares precedentes da tradição latina, desejo manifestar também a minha vontade – à qual peço que se associem a dos Bispos e a de todos aqueles que desempenham na Igreja o ministério pastoral – de lhes facilitar a comunhão eclesial, mediante as medidas necessárias para garantir o respeito das suas justas aspirações… além disso, em toda a parte deverá ser respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina, mediante uma ampla e generosa aplicação das diretrizes, já há tempos emanadas pela Sé Apostólica, para o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962.”

Esse desejo foi agora reforçado e ampliado ao mundo inteiro pelo Papa Bento XVI pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”.

E os benefícios da reintrodução e propagação na vida da Igreja dessa forma extraordinária do Rito Romano foram já mencionados pelo Papa atual no seu Motu Próprio: “Na celebração da Missa segundo Missal de Paulo VI, poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que freqüentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo.” Foi exatamente o que ressaltou o Cardeal George, de Chicago: “…O Santo Padre mesmo, há algum tempo, chamou nossa atenção para a beleza e a profundidade do missal de São Pio V… a liturgia de 1962 é um rito autorizado da Igreja Católica e uma fonte preciosa de compreensão litúrgica para todos os outros ritos… Esta liturgia pertence à Igreja inteira como um veículo do espírito que deve se irradiar também na celebração da terceira edição típica do missal romano atual…” (Cardeal Francis George, Arcebispo de Chicago, Estados Unidos, no prefácio às Atas do Colóquio 2002, intituladas A Liturgia e o Sagrado, do CIEL, Centro Internacional de Estudos Litúrgicos”).

Quando participei, em agosto de 2007, do Congresso de Oxford reunido para ensinar a celebração da Missa na forma extraordinária aos mais de 60 padres diocesanos do Reino Unido ali presentes, o Arcebispo de Birminghan, Dom Vincent Nichols, na Missa Solene de abertura ressaltou aos padres participantes que eles, após aprenderem a Missa na forma antiga, mesmo quando nas suas paróquias celebrassem a Missa no rito atual de Paulo VI, a celebrariam muito melhor.

Creio ser o benefício querido pelo Papa no Motu Próprio “Summorum Pontificum”.

Na Agência Zenit nós recebemos muitos e-mails de leitores comentando do descuidado com a liturgia em suas comunidades. Que indicações o senhor dá para frear a banalização e o descuidado com a liturgia?

Dom Fernando Rifan: Falando dos abusos conseqüentes à Reforma Litúrgica, o então Cardeal Joseph Ratzinger lamentava: a “Liturgia se degenera em ‘show’, onde se tenta tornar a religião interessante com a ajuda de asneiras em moda… com sucessos momentâneos no grupo dos fabricantes litúrgicos” (Introdução ao livro La Réforme Liturgique, de Mgr. Klaus Gamber, pag. 6 e 8).

E o Cardeal Eduardo Gagnon era da mesma opinião: “Não se pode entretanto ignorar que a reforma (litúrgica) deu origem a muitos abusos e conduziu em certa medida ao desaparecimento do respeito devido ao sagrado. Esse fato deve ser infelizmente admitido e desculpa bom número dessas pessoas que se afastaram de nossa Igreja ou de sua antiga comunidade paroquial” (…) (“Integrismo e conservatismo” – Entrevista com o Cardeal Gagnon, “Offerten Zitung – Römisches”, nov.dez. 1993, p.35).

Creio que o ponto central dos abusos foi detectado pelo próprio Cardeal Raztinger: a porta aberta que foi deixada a uma falsa criatividade dos celebrantes (entrevista ao L’homme Nouveau, nº 7, outubro de 2001).

Por trás disso, está a falta de uma espiritualidade séria, que pensa que para atrair o povo se deve inventar novidades. A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério. No fundo, trata-se de diminuição da Fé nos mistérios eucarísticos, procurando supri-la por novidades e criatividades. Quando o Celebrante quer se tornar o protagonista da ação litúrgica, começam os abusos. Ele se esquece de que o centro da Missa é Jesus Cristo.

O atual secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Albert Malcolm Ranjith, lamenta: “A Santa Missa é sacrifício, dom, mistério, independentemente do sacerdote que a celebra. É importante, mesmo fundamental, que o sacerdote se coloque de lado: o protagonista da Missa é Cristo. Não compreendo, portanto, as celebrações eucarísticas transformadas em espetáculo com danças, cantos ou aplausos, como infelizmente muitas vezes ocorre com o Novus Ordo”.

A solução para os abusos está nas normas dadas pelo Magistério, especialmente no documento “Redemptionis Sacramentum”, de 25 de março de 2004, que preceitua que “todos procurem, segundo seus meios, que o Santíssimo Sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, e, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a este trabalho” (183).

Mas, como diz Dom Ranjith, “existem tantos documentos (contra esses abusos) que lamentavelmente ficaram letra morta, deixados em estantes cheias de poeira ou, pior ainda, no cesto de lixo”.  (Zenit)

BRASIL: 24/03/2008

Santa Isabel da Hungria: “Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa.” – Terceira franciscana – Roberto Alves Leite (in “O Catolicismo)

Fonte: O Catolicismo

Santa Isabel da Hungria: nobreza e resignação heróica no infortúnio

Nos faustos da corte, piedade. Sob a calúnia e a perseguição, magnanimidade. Na opulência, caridade extremada. E, com a morte, a glória dos altares e da felicidade eterna.

Por Roberto Alves Leite

A vida de um santo é uma cruzada épica, em que ele põe todas as suas forças físicas e espirituais em ação. Quer se tenha convertido na maturidade, quer tenha sido aquinhoado desde pequeno com grandes dons, a partir do momento em que decidiu aprimorar-se nas virtudes e combater seus defeitos para alcançar a santidade o aspecto heróico passará a ser uma característica predominante em sua vida. Tal aspecto pode manifestar-se, às vezes, de forma surpreendente.
Quando Santa Isabel da Hungria nasceu, em 1207, cessaram todas as guerras em seu país natal. Seu pai, o Rei André II, da dinastia dos Arpades, e sua mãe, Gertrudes de Meran, descendente direta de Carlos Magno, tinham motivos para se alegrar por esta feliz coincidência.

Quatro anos depois, o Duque Herman, da Turíngia, enviou magnífica embaixada à Hungria para solicitar ao Rei a mão de Isabel para seu filho Luís, de onze anos.

Isabel passou a viver então na corte da Turíngia, onde, à medida que crescia, ia manifestando sua profunda piedade, que caracterizava todos os seus atos. Quando atingiu a adolescência, foi alvo de críticas da parte de nobres da corte, que a acusaram de ser muito religiosa, reservada, sem os traços mundanos que eles julgavam necessários para uma duquesa. Também diziam que ela iria arruinar o reino com as esmolas que dava.

Aos 13 anos, casou-se com Luís. Este tinha todas as qualidades de um autêntico cruzado, um verdadeiro defensor da Igreja. Em 1227 partiu para a Terra Santa como cruzado, com a elite de sua cavalaria, viagem da qual não haveria de voltar, pois morreu na mesma.

Hospedada no lugar dos porcos…

Viúva aos 20 anos, Isabel viu então a perseguição abater-se sobre ela e seus quatro filhos, um dos quais recém-nascido. O Duque Henrique, seu cunhado, que jurara protegê-la, expulsou-a do palácio com seus filhos e duas damas de honra, que lhe permaneceram fiéis. E proibiu à população recebê-la em suas casas.

Assim, em pleno inverno, Isabel viu-se obrigada a andar pelas ruas e bater de porta em porta, na esperança de que alguma alma caridosa se dispusesse a recebê-la. Só conseguiu entrar numa estalagem, onde o dono lhe destinou o lugar onde estavam os porcos, que foram removidos para ali ficar com seus filhos uma duquesa e princesa real.

No dia seguinte vagueou desamparada pela mesma cidade onde tantas pessoas se tinham beneficiado das esmolas que distribuíra com a prodigalidade que lhe era peculiar. Finalmente um padre, pobre também, resolve acolhê-la e dar-lhe certa proteção. Para que os filhos não morressem de fome, é obrigada a aceitar o conselho de deixá-los em mãos de outras pessoas.

Aparições do Redentor, de Nossa senhora e de São João Batista

Em sua vida de miséria e desamparo, Isabel sofreu muitas humilhações, tantas vezes vindas daquelas mesmas pessoas a quem muito tinha ajudado quando estavam necessitadas. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que a ninguém esquece, aparecia para consolá-la em suas aflições. São João Batista vinha confessá-la, e Nossa Senhora muitas vezes a visitava para a instruir, esclarecer e fortificar. Foi nessa ocasião que decidiu viver apenas para Deus.

Tendo chegado aos ouvidos de seus parentes, na Hungria, as provações por que passava, recebeu ela de seu tio, o Bispo-Príncipe de Bamberg, um castelo à altura de sua posição.

Além disso, os vassalos de seu finado marido, o Príncipe Luís, ao voltarem da Cruzada, dirigiram palavras duras ao usurpador, acusando-o de ter ofendido a Deus e desonrado o Ducado da Turíngia.

Isabel foi então reconduzida aos seus domínios, onde passou a exercer a caridade como desejava; e para melhor fazê-lo, decidiu recolher-se como terceira franciscana.

Virtude heróica: exagero para alguns…

Nesta situação, entretinha-se fiando a lã para dá-la aos pobres. Sua paciência e caridade não tinham limites. Nada a irritava ou descontentava. No atendimento aos doentes, nunca se viu tão maravilhoso triunfo sobre as repugnâncias dos sentidos. Era de espantar ver como a filha de um rei e viúva de um duque tratava os indigentes mais miseráveis. Até pessoas piedosas julgavam que ela exagerava em seus cuidados.

Seu pai, ao saber como vivia, enviou-lhe mensageiros para tentar retirá-la desse “estado miserável”. Ela lhes respondeu que, vivendo assim, era mais feliz que seu pai em sua pompa real. E retomou serenamente seu trabalho de tecer a lã.

Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa. Apesar das fatigantes obras de misericórdia a que se dedicava, sempre encontrava tempo para passar longas horas na oração e na meditação.

Era incansável na distribuição de benefícios materiais e espirituais. A um surdo-mudo ordenou, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dissesse de onde vinha; ao que ele imediatamente obedeceu, contando sua história. Do mesmo modo, cegos, possessos e estropiados eram curados.

Milagres atestam santidade antes e depois da morte

Tinha apenas 24 anos quando Nosso Senhor chamou-a a Si para premiá-la com a glória celestial. Na véspera da morte, sua fisionomia transformou-se. Seu olhar tornou-se resplandecente, manifestando uma alegria e felicidade que cresciam a cada instante. Quando exalou seu último suspiro, um delicioso perfume se espalhou pelo ar, ao mesmo tempo que um coro de vozes do Céu se fez ouvir em cânticos de júbilo. Era o dia 19 de Novembro de 1231.

A notícia de sua morte atraiu verdadeira multidão que desejava contemplá-la pela última vez antes de seu sepultamento. Eram pessoas de todas as condições sociais, que não se constrangiam em arrancar-lhe pedaços das vestes, mechas de cabelo, fragmentos de unhas, etc, guardando-os piedosamente como relíquias.

Para atender a todos foi necessário prolongar a exposição do corpo por quatro dias, durante os quais seu rosto se conservava como o de uma pessoa viva. Na noite que precedeu o enterro, o teto da Igreja se encheu de pássaros desconhecidos, que cantavam melodias inefáveis.

Após sua morte verificaram-se muitos milagres atribuídos à sua intercessão, como a cura de cegos, surdos, leprosos, coxos, paralíticos, etc. Isto suscitou um grande movimento popular pela sua canonização, o que muito contribuiu para que o Papa Gregório IX a elevasse sem demora à honra dos altares, fato ocorrido em tocante cerimônia no dia de Pentecostes, 26 de maio de 1235, decorridos apenas três anos e meio de seu falecimento.

Poucos dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, o Papa publicou a bula de canonização, que foi logo enviada aos Príncipes e aos Bispos de toda a Igreja.
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Fonte de referência:
Conde de Montalembert, Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie, Duchesse de Thuringe, Pierre Téqui, Paris, 1930.

Fonte: O Catolicismo.

Postado em Dezembro 10, 2007 by Feri.

Bento XVI reforça em sua Encíclica “Caritas in Veritate” o compromisso com os migrantes, os quais devem ser considerados sempre “homens e amigos” (Agência Fides – 10.07.2009)

WMCW: World Moviment Christians Workers
WMCW: World Moviment Christians Workers

Me preocupo muito com a situação dos trabalhadores estrangeiros na Europa; também pela razão de manter ligações pessoais estreitas com trabalhadores, homens e mulheres, os quais vivem e trabalham lá há muitos anos.

Encontrei um link muito interessante a respeito deste assunto, que envolve milhares de famílias, e em grande número, brasileiras. Gostaria que , tanto visitantes quanto leitores do “Castelo Interior”, repassassem o endereço eletrônico abaixo – é de um organismo internacional de apoio (como sinal de solidariedade) para pessoas que estão trabalhando na Europa. Em geral, buscam melhores condições de vida, já que seus países as abandonaram à própria sorte. Neste caso, provêm principalmente da Ásia e África. Estas, se veem obrigadas a deixar seus países de origem, muitas vezes porque suas famílias correm risco de vida.Fogem de conflitos étnicos (luta pelo poder), já que os direitos democráticos, quando existentes, são precários.

Outro tipo de trabalhador migrante é aquele que sonha com uma melhor qualidade de vida. Seu único pensamento é: “quero voltar a viver em meu país!”.

Osite a que me refiro é referência para trabalhadores migrantes na Europa: Movimiento Mundial de Trabajadores Cristianos (MMTC) – também disponível nos idiomas inglês, francês e alemão.

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Fonte: Agência FIDES

10.07.2009

Vaticano Bento XVI na Encícilica Caritas in veritate: “Todo migrante é um pessoa humana que, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que devem ser respeitados por todos e em toda situação”; após um século continua o compromisso com os migrantes considerados sempre “homens e amigos’

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em sua última Encíclica “Caritas in veritate”, o Santo Padre Bento XVI, tratando do desenvolvimento humano integral, se deteve sobre o fenômeno das migrações (n. 62), “fenômeno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problemáticas sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dramáticos que coloca às comunidades nacional e internacional”. Escreve o Santo Padre: “Podemos dizer que estamos diante de um fenômeno social de nossa época, que requer uma forte e consistente política de cooperação internacional para ser adequadamente enfrentada. Tal política deve ser desenvolvida a partir de uma colaboração forte entre os países de onde partem os migrantes e os países onde eles chegam; deve ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os vários setores legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias dos imigrantes e ao mesmo tempo, os das sociedades onde os imigrantes chegam. Nenhum país se pode considerar capaz de enfrentar, sozinho, os problemas migratórios do nosso tempo. Todos somos testemunhas da carga de sofrimentos, contrariedades e aspirações que acompanha os fluxos migratórios. Como é sabido, o fenômeno é de gestão complicada; todavia é certo que os trabalhadores estrangeiros, não obstante as dificuldades relacionadas com a sua integração, prestam com o seu trabalho um contributo significativo para o desenvolvimento econômico do país de acolhimento e também do país de origem com as remessas monetárias. Obviamente, tais trabalhadores não podem ser considerados como simples mercadoria ou mera força de trabalho; por isso, não devem ser tratados como qualquer outro fator de produção. Todo o imigrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser respeitados por todos em qualquer situação”.

A este fenômeno a Igreja se interessa diretamente há muito séculos. Jesus foi um migrante, por isso a Igreja sempre teve em seu coração o destino dos migrantes e a sua dignidade, considerando-os sobretudo, homens e amigos, e não estrangeiros. Em 1914 foi o papa São Pio X que instituiu o Dia Nacional das Migrações; o objetivo principal, naquele tempo de guerra, era o de estar unidos e solidários com aqueles que deixavam a Itália por causa do conflito mundial e das péssimas condições de vida. Desde 2004 o Dia Mundial das Migrações é celebrado em todo mundo, estendendo o seu campo de interesse, até considerar todas as pessoas envolvidas na mobilidade, incluindo os imigrantes e os deslocados, os ciganos, os circenses e os artistas de rua…

Foi São Pio X, em 1912, que fundou o primeiro organismo vaticano para os problemas das migrações, enquanto em 1970, Paulo VI instituiu a Pontifícia Comissão da Pastoral das Migrações e do Turismo, que em 1988 se tornou o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes; tarefa do Pontifício Conselho é o cuidado daqueles que “foram obrigados a abandonar a própria pátria”. Papa Paulo VI, em 1969 publicou uma Carta Apostólica em forma de Motu próprio, a Pastoralis Migratorum Cura, com a qual eram dadas novas disposições para a pastoral para os migrantes, delineando na Igreja uma atenção particular ao migrante e ao homem, segundo o momento histórico, as suas necessidades e complexidade. Depois de cerca 35 anos, as suas sugestões foram atualizadas, em 2004 pela Instrução Erga Migrantes Caritas Christi do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, na qual os sinais dos tempos e as mudanças das modalidades das migrações são olhadas com espírito renovado e com a certeza que uma unidade e uma comunhão entre os povos é possível, no recíproco respeito e na defesa da dignidade e da vida humana em todas as suas formas e cores.

Ao Magistério da Igreja em relação ao fenômeno das migrações, a Agência Fides dedica o dossiê que será publicado sábado, 11 de julho. (S.L.) (Agência Fides 10/7/2009)

“O Espírito atua na Igreja de modo a torná-la, sob a proteção dos mesmos apóstolos colocados à sua frente e conduzida pelos seus legítimos sucessores, depositária e fiel mensageira do Evangelho da Vida.” – Memória (29 de junho) – São Pedro e São Paulo (Dom Eurico dos Santos Veloso-CNBB)

Na sub-página “Mundo Católico” há uma breve matéria intitulada “No Angelus, Bento XVI destaca o valor universal da solenidade de São Pedro e São Paulo” – 29.06.2009. Fonte: Rádio do Vaticano.

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Diocese de Franca (imagem)
Dia do Papa e Óbolo de São Pedro

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Fonte: CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)

Solenidade de São Pedro e São Paulo, dia do Papa

Por Dom Eurico dos Santos Veloso

A Solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada desde tempos remotíssimos, ensina-nos que a Igreja, na qual cremos, está alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos, consoante as palavras do próprio Cristo: “Quem vos ouve, a mim ouve”. Sim, a fé que hoje professamos, depois de dois mil anos, é a mesma professada pelos apóstolos escolhidos e enviados por Cristo. O Espírito atua na Igreja de modo a torná-la, sob a proteção dos mesmos apóstolos colocados à sua frente e conduzida pelos seus legítimos sucessores, depositária e fiel mensageira do Evangelho da Vida.

Pedro e Paulo, cada qual a seu modo, contribuíram eficazmente para edificar a Casa de Deus neste mundo como sinal da Morada Eterna que nos é prometida em Cristo. Pedro, escolhido por Jesus para ser o chefe dos apóstolos e de toda a Igreja, soube apascentar as ovelhas e os cordeiros que lhe foram confiados, confirmando-lhes a fé com o derramamento do próprio sangue. Paulo, agraciado com o dom da verdadeira conversão ao Evangelho, tornou-se, por disposição mesma do Senhor, o grande apóstolo dos gentios e o incomparável defensor da gratuidade da salvação, vindo, à semelhança de Pedro, a derramar o seu sangue como supremo testemunho da fé que tão zelosamente anunciava com muitas renúncias e provações.

Ao celebrarmos os dois insignes apóstolos, lembramo-nos naturalmente do Papa, a quem cabe, em primeiro lugar, guardar, defender, anunciar e testemunhar a fé que herdamos de Pedro e Paulo. Bento XVI é hoje o grande apóstolo do Evangelho que nos dá a Vida verdadeira. Como sucessor de Pedro e herdeiro de seu carisma-ministério, preside hoje à caridade, apascentando com zelo os fiéis que lhe são confiados. Mas é também chamado, a exemplo de Paulo, a desgastar-se de todos os modos, a fim de que a Palavra de Deus atinja os corações e, assim, o mundo se renove na esperança que vem da firmeza de Deus. Bento XVI tem desempenhado muito bem seu ofício de propagador da fé e da beleza da salvação. Notáveis são suas palavras e ensinamentos, carregados de profundo significado e sabedoria, dirigidos para um mundo aparentemente mais distante de Cristo e da sua Igreja. Os ensinamentos do Papa são capazes de interpelar as consciências e fazê-las pensar, e a Igreja, sem dúvida, tem sido levada, com Bento XVI, a aprofundar-se no conhecimento de suas raízes.

Que São Pedro e São Paulo intercedam sempre pela Igreja que lhes custou o sangue, proteja o Santo Padre Bento XVI e alcancem para todos nós a graça de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo na aurora do século XXI!

Dom Eurico dos Santos Veloso – CNBB – 23.06.2009

“A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé.” – 29 de junho (Ecclesia Una)

O autor do texto abaixo é Everth Queiroz Oliveira, 14 anos. É estudante, e em seu blog “Ecclesia Una” se afirma como “Cristão Católico”. Admito que  fiquei impressionada com o conteúdo geral do blog deste menino. Ele toca em um assunto que considero muito importante: “um católico/cristão” pode fazer parte da Maçonaria, ou integrar a Ordem Demolay?

É autor do post abaixo, em que fala da “Solenidade de São Pedro e São Paulo”. Em seu blog apresenta o bispo de sua Diocese – Ituiutaba (MG) – Dom Francisco Carlos. Ele, Everth – se descreve assim: “Uma mente medieval em meio ao mundo moderno“.

Peço a Deus-Pai que abençoe este menino extraordinário em seus caminhos, iluminando sempre seus passos.  Que não perca a humildade (cheia de devoção) que transparece em seus escritos e em seu olhar. Que a oração seja o seu escudo no “bom combate”. Amém.

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. Ecclesia Una

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Ecclesia Una (blog)

27/06/2009 por Everth Queiroz Oliveira

A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé. Trata-se de uma das mais importantes festividades da Igreja, onde se lembra – liturgicamente falando – a fundação da Igreja Católica. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). De fato, aqui tudo começou: o ministério apostólico, a missão evangelizadora dos cristãos, a pregação da doutrina. Com essas palavras de Jesus, a Igreja começava a se formar e é hoje que celebramos mais um aniversário da Igreja. Sim. São quase 2000 anos de história, de lutas, de conversões, de testemunhos, de santidade, de vida, de .

Quando passamos a observar a dimensão da Igreja Católica no mundo, observamos o quão grandes somos. Em particular, cada um de nós é um ser humilde, simples; no entanto, por meio da união, evidencia-se na Igreja cristã um Pai Nosso, de todos nós, que protege e guarda o Sumo Pontífice Bento XVI, os cardeais e bispos do mundo inteiro, além, é claro, dos sacerdotes e leigos responsáveis por combater o depósito da fé. De fato, não dá para pensar em Igreja Católica sem se lembrar da figura sempre atuante de Jesus Cristo. Com efeito, a própria Igreja é o Corpo de Cristo. Fundada por Ele, ela segue seu ministério com amor, empenho e dedicação. Não se aflige com os pecados dos seus ministros, pois sabe que esses pecados não interferem e nem mancham a santidade da Igreja, que é, segundo São Paulo, “sem mácula, sem ruga” (Ef 5,27).

Nós, que somos católicos, sentimos um imenso orgulho em participar da união católica, que é evidenciada e completada pelo banquete nupcial: a Eucaristia. E a Igreja é a única a conter esse mistério inefável. O Corpo e o Sangue de Jesus estão verdadeiramente na Santa Sé, na Igreja; e Ela é a única a manter em sua doutrina esse tão belo tesouro. Não existe, aliás, riqueza maior do que Jesus Eucarístico. A plenitude da fé, do amor, da caridade e da santidade só pode acontecer no Santo Sacrifício da Missa, onde celebramos a Eucaristia. Nesse sentido, celebramos a Missa de aniversário da Madre Fiel e pura.

E por que é tão importante celebrar, no contexto da fundação da Igreja, os apóstolos Pedro e Paulo? Eles, de fato, foram personagens de suma importância para a história da difusão da fé cristã no mundo. Primeiramente, Pedro, onde Jesus decidiu edificar a sua Igreja. Segundo a tradição católica, cremos que São Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Da mesma forma, quando falamos disso, não podemos nos esquecer de São Paulo, que tem na Bíblia Sagrada cartas de uma riqueza espiritual incomensurável. São exortações ricas em ensinamentos e conselhos de um homem que experimentou a mais bela conversão da Sagrada Escritura. Aliás, foi a primeira conversão cristã da Bíblia depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Observa-se aqui a importância da festividade dos dois santos.

Ela é analisada não só quando pensamos nos fatores históricos, mas principalmente quando partimos para a liturgia que hoje nos propõe a madre Igreja. A primeira leitura mostra como o Espírito Santo estava com Pedro. Foi ele preso por pregar o Evangelho de Jesus. E aqui é importante pensar que todos os apóstolos – com exceção de São João – morreram martirizados. São Pedro inclusive foi crucificado, assim como Jesus. A missão apostólica naqueles tempos era muito difícil. Preso, São Pedro viria a ser morto. Mas Deus ainda precisava dele para a pregação do Evangelho. Por isso mandou-lhe um anjo para que o libertasse da prisão. Só depois, contudo, ele veio a reconhecer aquilo: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Ainda na primeira leitura, a Pedro o anjo exclama: Levanta-te depressa! Quantos de nós hoje não estamos presos, caídos pelas perseguições do mundo, pelo desânimo que nos impõe o demônio por meio do pecado, da tristeza e do desespero? Nesse momento, Jesus está incessantemente a nos chamar, assim como chamou a Pedro: “Levanta-te!” Não é hora de ficar parado. Deus nos escolheu para sermos vencedores, para batalharmos por Ele. E isso para que depois possamos dizer com Paulo: “Combati o bom combate, (…) guardei a fé” (2Tm 4,7). Depressa: agora é a hora. Precisamos nos converter, nos levantar, mudar de vida? Sim. Mas quando? Agora. E por que agora? Justamente porque não sabemos a hora que Jesus virá para julgar. Deus não quer chegar e nos ver caídos na lama do pecado e do desespero. É mister que estejamos de pé, firmes, para a hora da volta de Cristo.

* * *

Na segunda carta de São Paulo a Timóteo, o apóstolo dos gentios deixa aos leitores da Bíblia uma mensagem final. Se aproximava o momento de sua morte, de seu encontro com Deus. Era realmente momento de ir – e ele bem sabia -, de partir ao encontro do Pai: “eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida” (2Tm 4,6). Mas, de se queixar ele não tinha nada. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Essa frase de São Paulo ao final de sua vida mostra a nós que todo aquele que quer seguir Jesus e pregá-Lo precisa assumir o compromisso de travar um combate contra as trevas. Catolicamente falando, o missionário cristão deve estar com o “escudo da fé” (cf. Ef 6,16) para combater as heresias do mundo moderno e também as insídias armadas por Satanás para destruir a Santa Igreja de Deus.

Esse ato de combater o bom combate é de uma valentia que Jesus admira em seus combatentes. Somos, em meio a esse mundo, verdadeiros “cruzados cristãos”, pessoas que lutam para guardar a fé, para vencer o medo, vencer o mundo, vencer o demônio. Nesse sentido, lembro-me de ter lido uma radiomensagem do Papa Pio XII, no natal de 1942, sobre o assunto. Na ocasião, ele dizia:

29. O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade. Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de “Deus o quer”, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência.

Quando falamos de ser cruzados – que ninguém interprete isso mal – proclamamos a sua coragem, sua fé, sua vontade em combater o bom combate. A construção da Igreja de Deus precisa da vitória nos combates. Ah! E como precisamos de missionários cada vez mais compenetrados pelo amor de Cristo e empenhados em guardar a fé, se preciso for até morrendo pela Igreja!

É esse o exemplo que nos deixa São Paulo Apóstolo. De perseguidor dos cristãos a combatente da fé: esse homem deixa-nos uma lição de vida que deve ser seguida por todos. Com efeito, é só tendo uma vida como a de Paulo que poderemos dizer: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4,8). Sim, porque “a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” será concebida a herança eterna, recompensa de nossas boas atitudes, da fidelidade ao combate de Cristo.

Enfim, chegamos ao Evangelho. E nele observamos a passagem em que Pedro proclama sua fé. Jesus pergunta quem pensam os apóstolos que Ele é. Pedro toma a palavra e responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). É essa confissão de fé que Pedro profere faz com que Jesus dê a ele as chaves do Reino de Deus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).

Aqui Jesus Cristo edifica sua Igreja. Pede a Pedro que guarde a fé de sua Igreja, por isso a ele confia as chaves do Reino. Esse ato de dar as chaves do Reino representa a infalibilidade papal, dogma proclamado oficialmente pela Igreja no Concílio Vaticano I. Veja, meu irmão, essa é a prova bíblica que comprova que quando um Papa trata sobre um assunto de fé e moral, ele não pode errar. Hipocrisia isso? Não. O Espírito Santo foi garantido por Jesus ao Sumo Pontífice, portanto, quando esse vai instruir os fiéis, não erra. E é por isso que as portas do inferno non praevalebunt. Não prevalecerão e nem prevaleceram. E olha que isso já faz 20 séculos! A Igreja, construída sobre a rocha está firme até hoje porque foi fundada por Jesus Cristo, que por sua vez declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja de Deus. Ora, se ela persistiu de pé durante 2000 anos é porque Jesus o garantiu!

Sobre São Pedro, sobre São Paulo, cujas histórias de vida nos recusamos a contar de tão grande é esse belo testemunho, foi construída e edificada a Igreja de Deus. É por meio dela que alcançamos a salvação que Deus tanto quer que recebamos. Ouçamos a voz infalível do Magistério da Igreja, escutemos o que tem a nos falar Jesus Cristo por meio desse tão nobre sacramento de Salvação. Celebremos com a Madre Igreja essa festa tão bela e alegre! Que a Santíssima Virgem Maria continue a cobrir a Igreja com seu manto de amor. Amém.

Graça e paz.

Autor: Everth Queiroz Oliveira

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OBS.: Todos os grifos e partes subinhadas são do autor.

Direitos da Criança – “Para cada criança, um futuro” – Oficina Internacional Católica da Infância – América Latina

O “Dia Mundial da Criança” – 1º de junho – é lembrado em vários continentes nesta data. Há uma razão muito importante para isto.: encontrei na net que neste dia foram assassinadas em campos de concentração nazistas um grande número de crianças. No Museu do Holocausto, em Jerusalém, há o Memorial das Crianças e o “Espaço Janus Korczak”. Ele foi diretor de um orfanato na Polônia.  Pelo fato de se recusar a ver  crianças judias polonesas sob seus cuidados (entre as demais, de outras ascendências)  serem levadas por oficiais do III Reich, as acompanhou…

A propósito de seus direitos, que são universais, há uma página muito interessante (e bem ilustrada), apresentada pela Fiocruz, em alusão à Declaração dos Direitos da Criança, apresentada em 20 de novembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1959.

Voltemos ao Dia Mundial da Criança. Pela declaração da ONU a data oficial – “Dia Internacional da Criança” é 20 de novembro. Mas a data, em países como os Estados, Brasil, etc. tem relação com algum evento da história destes países. No caso do Brasil, 12 de outubro já estava definido em votação no Parlamento na década de 20. Por decreto, foi definido que seria comemorado juntamente com o dia da padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida. Em nosso país, a data, infelizmente,  tem viés comercial, ou seja, venda de brinquedos, tal como acontece em boa parte do mundo… Na rede, comentam que tudo começou nos anos 60 com o lançamento de de uma determinada marca de brinquedos em nosso país. Ainda bem que os organismos envolvidos com a proteção das crianças ignoram a data “festiva” e trabalham o ano inteiro. Se assim não for, há dinheiro público e de doações sendo desperdiçado… Mas, pensemos no melhor, no que edifica, no que as retira de suas tragédias. E há. Leiam o material abaixo. É animador saber que a inspiração divina move um grande número de pessoas. Elas não ficam indiferentes…

Em países como Portugal o “Dia Mundial da Criança” é lembrado em 1º de junho, sendo esta a data para maior parte dos países da Europa, América Latina, leste Europeu, Ásia e África.

As crianças do mundo inteiro, neste dia – 1º de junho –  recebem um foco especial de organismos de auxílio humanitário e estruturalã em relação à situações de risco e sofrimento. Portanto, a data lembra as que morreram sob o regime nazista neste dia e outros, bem como as que são brutalmente asssassinadas, raptadas (desaparecem simplesmente…),  são mortas ou mutiladas por bombas ou minas (e a Convenção de Genebra?), ou ficam em campos de  refugiados na condição de órfãs. Há também as que sofrem maus-tratos dentros das próprias famílias – até o ponto de sucumbirem… Pode haver maior crime? O único consolo que nos resta é que morreram na inocência e estão junto do Criador. Rezam por nós que amamos as crianças do mundo, para que não fiquemos de braços cruzados… Triste, muito triste. Por certo pedem a Deus (todo o tempo, tal como as crianças!), ao chegarem ao Céu que Ele interceda junto aos pais e governantes dos países para que sejam incansáveis na sua proteção…

Portanto, é possível que esteja faltando, infelizmente a nossa parte… O pecado da omissão é grave, em qualquer religião. Nós que cremos em um Deus único – cristãos, judeus, muçulmanos – estendendo a proposta aos budistas, devemos fazer um exame de consciência rigoroso a respeito. O quadro de abandono, mau-tratos e abuso ultrapassa a razão. Nos transformamos em animais… Talvez a consciência do Bem não seja mais a nossa guia…

Leiam por favor o que “pinçei” da rede sobre a ação de um organismo católico, com representação em todo mundo e na América Latina (da qual a CNBB faz parte) – Bureau International Catholique de lÉnfance (BICE) – América Latina. Há opção de leitura, nos idiomas espanhol, francês e inglês.

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Carta de la Oficina Internacional Católica de la Infancia

“Para cada niño, un futuro

Referencias

• Asociación de derecho francés, el Bice es una organización

internacional no gubernamental reconocida por la Santa Sede

como asociación de fieles. Goza de un estatuto consultivo

ante Naciones Unidas. Fue fundado en 1948 por iniciativa de

organizaciones católicas para ayudar a los niños después de

las conmociones de la Segunda Guerra Mundial.

• El Bice trabaja al servicio de todos los niños, sin discriminación ni

proselitismo, respetando su nacionalidad, su cultura, su religión.

« Tiene por objeto el crecimiento integral de todos los niños, dentro

de una perspectiva cristiana y aboga por la humanización de su

suerte.- Se ocupa particularmente de los más desposeídos. » (Art. 3

de los estatutos), Sus colaboradores deben observar un código de

buena conducta.

Las organizaciones católicas comprometidas con los niños

constituyen una red mundial. Son llamadas a formar parte del

Bice así como todos los organismos, cristianos o no, que se

reconozcan en sus objetivos.

• El financiamiento del Bice está asegurado dentro de la más amplia

transparencia por donadores privados, garantes de su independencia y

por proveedores de fondos públicos y privados.

La acción del Bice es duradera. Con todos aquellos que acompañan

a los niños, busca identificar los nuevos riesgos que los amenazan

y las nuevas oportunidades que se les ofrecen. Defendiendo su

dignidad y sus derechos, contribuye en la construcción de un

mundo de justicia y de paz que abre para cada niño un futuro.

http://www.bice.org

Junio 2007

2006_ninos_argentina

Carta de la Oficina Internacional

Católica de la Infancia

« Todo niño que nace es un signo de que Dios

todavía no se ha desesperado de la humanidad »

Rabindranath Tagore, poeta indio, Premio Nobel de literatura en 1913.

Cada niño nos habla a su manera de la belleza y de las heridas de la vida y nos recuerda así nuestra responsabilidad. Su nacimiento representa una nueva esperanza para la humanidad que le debe lo mejor que tiene.

Es por ello que el Bice invierte todas sus fuerzas para promover la dignidad de todos los niños y hacer aplicar sus derechos fundamentales, muy a menudo violados.

Creer en el niño

Afirmar que el niño tiene derechos

Persona humana de verdad, el niño tiene derechos fundamentales inalienables.

Como persona en devenir, es vulnerable y debe ser protegido y acompañado. El Bice lo despierta a su propia dignidad y a sus derechos. Sensibiliza también a los padres, a los que lo rodean y a todos aquellos que intervienen en su desarrollo incluyendo a los poderes públicos.

Favorecer el « dinamismo de vida » propio de cada niño

Cuando los derechos del niño o del adolescente son negados por las condiciones existentes inicuas, cuando sus puntos de referencia están comprometidos, es posible ayudarle a recobrar la confianza en la vida y su propia estima. El niño posee en si mismo importantes recursos. Estos se revelan si puede dialogar, ser escuchado con afecto y respeto, ser defendido.

El Bice favorece esta “resiliencia” que permite al niño reconstruirse.

Velar por el desarrollo del niño en todas sus dimensiones

El niño necesita ser protegido, alimentado, cuidado e instruido. Su bienestar sicológico también es esencial. El vínculo con su familia y su comunidad debe ser preservado. Tiene derecho a la despreocupación, a la risa, al juego, y también a un futuro profesional. El desarrollo integral del niño y de su felicidad demandan aún, cualquiera sea su situación, que pueda reflexionar sobre el sentido de su vida y que se respete la dimensión espiritual que le es propia. La inspiración evangélica del Bice lo incita a este respeto.

Movilizar las competencias para que todos los niños vivan dignamente

Comprometerse radicalmente con los niños en dificultad

En numerosos lugares, los derechos de los niños son negados de manera intolerable explotación mediante el trabajo, situaciones de esclavitud, abandono en la calle, abuso y explotación sexuales, militarización forzada, encarcelamiento, tratamiento inhumano de los niños incapacitados. Estas situaciones producen en los niños y adolescentes violencias y sufrimientos indignantes.

Para combatir en el terreno -en Africa, América Latina, Asia y Europa- el Bice se compromete con socios locales a prevenir todas las formas de violencia y a promover sin descanso los derechos de los niños.

La participación de los niños es el centro de su acción.

Estimular la reflexión y la investigación sobre el niño

El Bice hace el puente entre la experiencia adquirida en el terreno y la investigación científica referente a la infancia, para que se alimenten mutuamente. Es un espacio de reflexión y de cuestionamiento permanente. Gracias a sus publicaciones, a su centro de recursos en Internet, a las instancias de formación que propone, comparte ideas, pericias y buenas prácticas.

Manifestar la voz de los niños

Más que nunca la defensa y la promoción de los derechos de los niños interpelan respuestas concertadas a nivel mundial. El Bice actúa con los niños ante la sociedad civil, los gobiernos y las instancias internacionales: agencias de Naciones Unidas, Consejo de Europa, instituciones de la Unión Europea…

Federando las competencias de varias organizaciones comprometidas en el servicio de los niños, fue uno de los iniciadores de la Convención Internacional de Derechos del Niño. En la actualidad, vela con otras ONG por su aplicación y su evolución.

El interés superior del niño está en el corazón del compromiso del Bice.

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Para não parecer que é somente uma “carta de intenção” deste organismo católico francês, de ação mundial em prol das crianças, leiam por favor o restante do material… Visitem o site. Eles esperam doações. Cá comigo, espero que sejam generosas, afinal as crianças do Brasil e de outros países necessitam de nosso carinho, de nossa adesão à causa… Lembremos que organizações ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão conectadas a BICE.

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El Bice en América Latina



En América Latina, el BICE tiene una importante experiencia acumulada desde hace más de 20 años en las temáticas de los derechos de los niños, las niñas y los/las adolescentes. La Delegación Regional del BICE para América Latina (DRBAL) desarrolla su acción en 12 países, en colaboración con sus 28 organizaciones miembros, socias y colaboradoras. Elabora, gestiona y apoya programas y proyectos a corto, mediano y largo plazo, constituyendo una plataforma de concertación para el intercambio, el apoyo, la investigación y la acción.

La base del trabajo efectuado desde la DRBAL es la visión del niño ya no como “objeto de atención y de asistencia”, sino como “sujeto de derechos“, es decir como actor y persona que tiene un rol en la sociedad, con derechos y responsabilidades.

Especialmente relevante es el trabajo efectuado desde la DRBAL para apoyar el desarrollo de la participación protagónica de los niños, las niñas y los adolescentes. Como respuesta al diagnóstico de la exclusión social, económica y política de los más jóvenes, la DRBAL apoya la creación de espacios que den lugar al nacimiento de una verdadera “ciudadania infantil“: toma de decisión, capacidad de intervención, autonomización, autorreflexión, proyección en la sociedad, creación de una identidad propia, organización, y establecimiento de solidaridades entre niños. Allá surge la cuestión de la representatividad de los niños, niñas y adolescentes, así como la construcción de un nuevo modelo de relaciones intergeneracionales. En definitiva, se trata de escuchar y de respectar las ideas y opiniones de los más jóvenes, dándoles una voz.

La Convención sobre los Derechos del Niño ha permitido progresos innegables desde hace 20 años. Todavía, se verifican retrocesos inquietantes y violaciones muy graves de los derechos de los niños en muchas regiones del mundo. La crisis económica que se propaga a escala planetaria no parece, desgraciadamente, mejorar esta situación.

Por ello, a través de una iniciativa del Bice, personalidades y organizaciones de todo el mundo lanzan un Llamamiento Mundial para una nueva movilización a favor de la Infancia abierto a todos que quieren firmarlo.

Este Llamamiento será lanzado oficialmente el 4 de junio en el Palacio de las Naciones en Ginebra.

www.bice.org

El Bice, una red de Miembros

Los Miembros del Bice constituyen una red al servicio de la infancia. Contribuyen juntos a la defensa y promoción de la dignidad y de los derechos del niño.

Esta red de organizaciones, movimientos, expertos… es también un lugar de encuentro y de intercambios, un espacio de creatividad intelectual, una base de recursos y de pericia sobre las cuestiones relacionadas con los derechos del niño.

Una voz ante las Instituciones

El Bice representa activamente sus Miembros ante las Instituciones internacionales y nacionales, las plataformas y coaliciones de ONG de las cuales es miembro.

Los Miembros participan en las acciones de cabildeo del Bice a favor de la infancia.

Fiel a su vocación de agrupar una amplia red de miembros, con un espíritu de gran apertura, el Bice trabaja hoy – 60 años después de su creación – para reunir especialistas y ONG que se reconocen en su filosofía de acción y aquellas personas que trabajan para la infancia en las iglesias locales, instituciones, servicios o movimientos cristianos.

Miembros efectivos del Bice

* Association Nationale des Éducateurs Sociaux (ANES-Congo), Kinshasa, R.D.C.

* Bayard Presse, Paris, Francia

* Bice Belgique, Bruxelles, Bélgica

* Bice Deutschland e.V., Lahr, Alemania

* Caritas Vlaanderen-Vlaams Welzijnsverbond, Bruselas, Bélgica

* Central Office “Ejjew Ghandi”, La Valletta, Malta

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Brasil

* Congregation of Christian Brothers, Roma, Italia

* Comisión de Apostolado Laico y Pastoral Familiar, Argentina

* Deutscher Caritas Verband, Freiburg-im-Breisgau, Alemania

* Fleurus-Presse, Paris, Francia

* Frères des Écoles Chrétiennes (FEC), Roma, Italia

* Fondation Orphelins Apprentis d’Auteuil, Paris, Francia

* Fundación Navarro Viola, Buenos Aires, Argentina

* Hogar de Christo, Chile

* Religiosos Terciarios Capuchinos, Roma, Italia

TODAS LAS NOTICIAS – SOCIOS…

socios

Fonte: www.bice.org

SOCIO (BRASIL): Centro Educacional Carlos NovareseOrganização de Auxílio Fraterno (OAF)

Destaque BICE

Primeiro lugar para o Centro Educacional Carlo Novarese, da OAF, em Salvador

A experiência da OAF não só mostra que educação de qualidade é possível, mas também permite calcular os custos dos ensinos fundamental e profissional para o Orçamento do Município, do Estado e eventualmente a nível Federal.

O Ministério da Educação divulgou recentemente os resultados das provas feitas em todas as escolas do Brasil para medir a qualidade do ensino através do IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Brasileiro. Este índice avalia o desempenho a nível Estadudal, do Município e de cada escola. Ao mesmo tempo propõe para o Estado, o Município e para cada escola metas crescentes de qualidade até o ano de 2022, quando o Brasil irá comemorar 200 anos de independência.

O Centro Educacional Carlo Novarese da OAF, que já era considerada escola de referência na cidade, obteve a nota mais alta de todo o Município de Salvador, ficando assim com o primeiro lugar na avaliação de 5a à 8a série do ensino fundamental. Alcançou o nível que o mesmo IDEB propõe para Salvador – Bahia, para o ano de 2017.

O Centro Educacional Carlo Novarese é uma Escola conveniada com a Secretaria Municipal de Educação e faz assim parte das escolas Públicas da Cidade de Salvador.

Os alunos são de um bairro particularmente difícil onde dominam a violência, a droga, o abandono, onde há um grande numero de famílias desestruturadas e particularmente pobres, quando não na miséria.

Grande foi evidentemente a satisfação de alunos e professores que viram assim premiados os esforços e os sacrifícios que um estudo sério pede, principalmente nos momentos em que a situação familiar e escolar torna-se difícil e até adversa.

Experiência – Sabe-se, por experiência, que este bom resultado na educação das crianças e adolescentes precisa depois ser integrado com um sério preparo para o mundo do trabalho.

A OAF opera neste setor com o Centro de Formação Profissional de Jovens e Instrutores com cerca de 800 vagas e a possibilidade de receber adolescentes do Juizado, Ministério Público, Entidades de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.

A educação profissional para os adolescentes mais pobres e da periferia com cursos de longa duração é muito rara. Calcula-se que se tem só na cidade de Salvador mais de 150.000 jovens entre 16 e 18 anos que esperam por esta oportunidade e que nunca terão acesso a ela.

Na OAF funciona também a ÚNICA, a Universidade da Criança e Adolescente, onde todo ano cerca de 15.000 alunos vindos preferencialmente das escolas da periferia, têm a possibilidade de uma introdução lúdica e prazerosa à Ciência e Tecnologia.

Na OAF encontramos também o INSTITUTO FENIX que é um instituto de pesquisa e aplicação prática de novas tecnologias pedagógicas destinadas a alunos já excluídos do ensino público ou prestes a ser excluídos.

Estas atividades são conduzidas em conjunto com universidades locais e universidades estrangeiras como a “Universidade de Torino” e a “Sapienza” de Roma.

Para que a educação no Brasil possa alcançar a qualidade desejada, se quisermos um Brasil mais justo, mais rico e com menos violência, temos que aceitar os desafios apresentados e impostos pela educação. Tem-se que exigir das diferentes esferas públicas que a educaçáo seja assumida com a prioridade que merece e com os custos que ela precisa e exige. É indispensável investir muito mais em quem até hoje menos recebeu. A nossa sociedade infelizmente é ainda profundamente injusta e discriminante para com os mais pobres.

Fonte: http://www.bice.org

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Observação: os destaquem em “azul” são de minha autoria.


“Do fruto que se extrai da oração e meditação” – São Pedro de Alcântara (1499-1562)

São Pedro de Alcântara, que viveu entre 1499-1562, foi prior de todos os conventos franciscanos da região de Ávila. Visitava Santa Teresa de Jesus quando vinha em missão administrativa. Nesta época, Santa Teresa estava na faixa dos quarenta anos de idade. Ela sentia profunda amizade e admiração por este frei sexagenário, que também lhe retribuía o afeto. Recebia-o acompanhada de sua amiga viúva, quando o avistava, já nas proximidades do Convento São José. São Pedro de Alcântara vinha a pé da cidade vizinha, e, após uma refeição frugal , se deitava à noite para descansar no piso bruto, embaixo de uma escada do convento. Santa Teresa sentia imensa ternura por tamanho despojamento, ainda que observasse em “Vida” (Livro da Vida) que o Santo, que ela chamava Frei Alcântara, talvez não devesse exigir tanto de seu corpo, já velho e cansado. Esta é uma característica peculiar  à sua personalidade: não era favorável a mortificações, ainda que em nada se opusesse ao que estava prescrito na regra carmelita, e menos ainda censurava o rigor da bula de São Francisco, que São Pedro de Alcântara cumpria à risca. É possível que, para melhor honrar o fundador, ia muito além do ideal ascético-místico estabelecido para os frades franciscanos. Santa Teresa provavelmente observara o rigor de seu velho amigo monge, porque em sua ótica, tinha em mente o excesso, por exemplo, de jejuns, já que para ela, isto inclinava suas noviças e monjas à fraqueza corporal, o que poderia implicar em confusões emocionais ou mentais quanto à percepção.

O trecho abaixo se refere ao primeiro capítulo do escrito de São Pedro de Alcântara, intitulado “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. Dividido em duas partes, a primeira é composta por doze capítulos. Traduzi do espanhol (faltam dois parágrafos deste primeiro capítulo – um curto e outro, bem longo). Mais adiante publicarei o restante. Me incumbi da tradução sem outra pretensão a não ser a de compreender melhor este escrito importante. Meu intento foi o de absorver melhor o sentido dos ensinamentos de São Pedro de Alcântara em seu “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. É evidente que ler em nossa língua facilita bastante este objetivo. O dicionário ficou à mão, já que algumas palavras do idioma espanhol certamente ainda possuem significado paralelo, mas não adequado (no sentido da expressão) para o nosso tempo. Aceito críticas…
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São Pedro de Alcântara

TRATADO SOBRE A ORAÇÃO E A MEDITAÇÃO

Primeira Parte

Capítulo I. Do fruto que se extrai da oração e meditação

Porque este breve tratado fala de oração e meditação, será melhor dizer em poucas palavras o fruto que deste santo exercício se pode extrair, porque com mais alegria de coração  a ele se oferecem os homens.

Coisa notória é que um dos maiores impedimentos que o homem tem para alcançar sua última felicidade e bem-aventurança, é a má inclinação do coração, e, além disso, a dificuldade e o desânimo* que tem para fazer o bem; porque se não fosse isto, facílima coisa lhe seria correr pelo caminho das virtudes e alcançar o fim para que foi criado. Pelo qual disse o Apóstolo (Rom.7,23): alegro-me com a lei de Deus, segundo o homem interior, mas sinto outra inclinação em meus membros, que contradiz a lei de meu espírito. E me faz, assim, cativo da lei do pecado. Esta é, pois, a causa mais universal que há de todo o nosso mal. Pois para acabar com este desânimo* e dificuldade, e facilitar este propósito, uma das coisas mais proveitosas é a devoção. Porque (como disse São Tomás) não é outra coisa a devoção senão a prontidão e a rapidez para fazer o bem, a qual aparta de nossa alma toda esta dificuldade e peso**, e nos torna prontos e rápidos para todo o bem. Porque é um alimento espiritual, um refresco e bálsamo do céu, um sopro e alento do Espírito Santo, além de ser uma afeição sobrenatural; o qual , de tal maneira  regra, anima e transforma o coração do homem, a tal ponto que lhe dá novo gosto e alento para as coisas espirituais, e desgosto e aborrecimento pelas sensoriais***. O qual nos mostra a experiência de cada dia, porque no momento em que uma pessoa espiritual sai de uma profunda e devota oração, ali se renovam todos os bons propósitos; surgem inclinações e determinações de fazer o bem; vem o desejo de agradar e amar a um Senhor tão bom e doce, tal como como na oração se havia se mostrado, e, mais, de padecer novos trabalhos e asperezas, e ainda derramar sangue por Ele. Finalmente, torna verde e se renova todo o frescor de nossa alma. (cont.)

*No original em espanhol: pesadumbre.

**Original: pesadum.

***No original: sensuales.

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Crédito/imagem: http://www.geneall.net/P/per_famous.php?tema_id=21..

Nossa Senhora lembrou ao mundo a necessidade da oração, em resposta a apelo do papa Bento XV aos católicos, em 1917… (OCDS)

Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo

Observem, tal como eu, que o mundo do século XX e início deste, ao que parece, está dando as costas  para seu Criador… Vivemos dentro de uma ótica tão materialista que estaremos caindo no abismo e não nos daremos conta enquanto não encontrarmos o chão… O papa Bento XVI está em Israel, e “peregrina” em meio ao conflito do Oriente Médio, e, com originalidade vai respondendo aos seus contendores. Ele também está clamando por paz entre os povos, exatamente como o papa Bento XV o fez, em 1917.

Entretanto, acredito que a tarefa do nosso atual papa é hercúlea, ou seja, é mais complexa que ao tempo da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu clamor tem caído no vazio, dada ao que considero uma verdadeira “indiferença mundial pela paz”. Ele próprio indica a fonte do problema: o relativismo; o conceito está dentro do ideário “pós-moderno”. Estudiosos de Sociologia e Antropologia afirmam que estamos passando por uma fase de transição – do período “moderno” para o “pós-moderno”. Pessoalmente, ainda não consegui compreender em que se baseia este “determinismo”. É um fato histórico que passamos dos estudos “astrológicos” para os astronômicos – ou seja, da Idade Média para a Moderna. No entanto, o que sempre foi aceito como um valor universal, desde os gregos chegou incólume até a década de 80. Desde o final daquela década  há algo em curso (isto me lembra a “mão invisível” do Adam Smith…), que vem se mostrando inexorável. Algo que quer se firmar como a “Terceira Onda”, de Alvin Tofler, ou “1984”, de George Orwell. Enfim, há uma atmosfera, a meu ver, à lá Kafka. A pós-industrialização, que gerou a globalização, que gerará a virtualização da vida humana… O papa Bento XVI traduz tudo quando critica a relativização de todos os valores até então válidos…

Verifico que o papa Ratzinger tem a seu favor, em termos de defesa do Cristianismo, do catolicismo – a inteligência brilhante e o domínio das Escrituras Sagradas, e quanto a este aspecto, é pós-doutor em Teologia. Além disso, isto é, é um homem de 82 anos, que acumulou uma vasta cultura e, para melhorar seu perfil de Sumo Pontífice, é conhecido como um homem muito simples – o que vem surpreendendo a todos. Sendo assim, é um homem que possui sabedoria, a mesma que é valorizada no Antigo Testamento. No entanto, pede que rezemos continuamente por ele… certamente para que não esmoreça. Ou seja, Bento XVI vem enfrentando “intelectualmente” o combate sistemático da imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é a favor de tudo que não lhe contrarie interesses… Obviamente que há outros grupos que lhe fazem oposição.

A propósito, desde o final do dia de ontem e no dia de hoje, 13 de maio, teve de enfrentar a rejeição de alguns líderes religiosos israelitas quanto ao projeto de estabelecimento de uma sede na Terra Santa – algo em torno de um organismo estatal, o qual representaria o pensamento do Vaticano. A idéia é viabilizar meios que permitam a proteção dos cristãos de todas as nacionalidades, que residem nas áreas de conflito, bem como palestinos, cristãos ou muçulmanos. Esta notícia contrariou o mundo político de Israel, provavelmente porque agradou, por exemplo, reinados muçulmanos, como o da Jordânia. Esta tem como característica o acolhimento “democrático” de cristãos e muçulmanos, tanto no aspecto da prática religioso quanto da educação e cultura que os caracteriza.

Quanto a manifestações de alguns rabinos ultra-conservadores em Israel, não lhes foi permitido entrar com faixas e cartazes no ambiente em que o papa Bento XVI se dirigiria a uma ampla gama de autoridades religiosas e políticas, que compõem o estado de Israel. Pelas notícias, o papa falou de improviso e seu apelo à paz teve argumentação bíblica, que foi acolhida com surpresa pelos presentes…

Voltemos à aparição de Nossa Senhora em Fátima. Em 1917, o papa referido abaixo – Bento XV – clamava ao mundo católico que pedisse a intercessão de Nossa Senhora pela paz, em meio à primeira Guerra Mundial. O mundo não ouviu, tanto que veio uma segunda Grande Guerra, e com uso de uma bomba atômica… Constato que o papa Bento XVI nem ao menos pode apelar a sentimentos como – piedade, compaixão, amor, perdão. Pelo menos com a certeza de que, se não for atendido, será compreendido ou aceito… Podemos ter a certeza de que o papa Bento XV foi compreendido, ainda que não lhe tenham dado ouvidos…

Estamos negando nossa humanidade, cedendo-a, sim, aos apelos do mundo da Ciência e da Tecnologia. Estas, na minha ótica, duas “deusas” que, há cerca de três décadas foram “entronizadas” na vida que adotamos, sem crítica de espécie alguma…

Tenho que admitir a luta – que vai se mostrando inglória, ainda que perseverante, graças a Deus – em todas as áreas da vida humana. Está sendo travada por muitos de nós – ao tentarmos preservar uma “vida interior”. Ou seja, é empreendida, em nosso dia-a-dia, uma verdadeira “batalha” para vivermos com liberdade e autenticidade, em meio a este estado de coisas, nossos ideais de transcendência. O absurdo é que nada é mais humano que esta realidade, já que o instinto de sobrevivência é básico. Por que chegamos a este nível de negação de nós próprios? Acumulação? Prestígio? Nesse sentido, sinto-me “vítima”. O que me consola é que estou bem acompanhada, e por muitos… Assim, chega a parecer piada, dentro do que eu chamo “tirania desumanizante” – afirmarmos nossa religiosidade, nossos anseios espirituais… A “Matéria” em nosso tempo, sufoca, ao cansaço, o “Espírito”; este, no sentido filosófico. Será que a Humanidade ainda pensa que existe alma, e que esta deve aspirar à salvação? Nossa Senhora… ora pro nobis. Amém.

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Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província de São José http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/

Nossa Senhora de Fátima

No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em orações para a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Santíssima Virgem dava a sua resposta, aparecendo a três pastorinhos portugueses. A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira, onde agora se encontra a Capelinha das Aparições, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. (…) Leia mais em http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/.

“O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias (…)” – Carmelo Santa Teresa (SC-Brasil)

Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/index.htm 

Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias
Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Visão de Santo Elias

INÍCIO DA DEVOÇÃO À VIRGEM DO CARMO

Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta.

Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.

Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.

Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias.

Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.

Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima. Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.

A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.

São Metódio, mártir do ano 311, dizia numa de suas homilias: “O Profeta Elias, tendo tido conhecimento da pureza imaculada de Maria, imitando-a em espírito, conquistou para si uma coroa de glória aurifulgente”.

Para Santo Ambrósio, a Virgem estava de fato prefigurada naquela pequena nuvem, de que fala a Escritura.

Disse Santo Alberto Magno: “Maria é essa nuvem pequenina: pequena pela humildade, mas plena pela graça”

A Ordem Carmelita teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem italiana (Sto. Elias) e sua dedicação a Maria. O monte Carmelo se eleva entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Compõe-se por uma série de cadeias montanhosas que medem uns 30 km de comprimento por 12 de largura. O pico mais alto é 600 metros sobre o nível do mar, lugar este que é chamado sacrifício. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente – a fonte de Elias – Elias o maior Profeta do Antigo Testamento. Para a maioria, o termo “Profeta” lembra, sobretudo, a idéia de um homem que anuncia o futuro. Na linguagem bíblica, no entanto, o profeta é um homem inspirado por Deus que comunica aos povos o pensamento e o querer divino. Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 e 850 aC. Seu nome tem o significado de uma profissão de fé: significa “Javé é Deus”. Nasceu em Tesbis, na Transjordânia.

Vários são os episódios que a Bíblia nos oferece sobre o Profeta Elias:

a) Elias por vontade de Deus, se esconde na torrente de Carit, onde os corvos lhe levam comida: 1Reis, 17, 2-6. b) Em Sarepta de Sidon, Elias faz o milagre da farinha e do Azeite: 1Reis, 17, 7-16. c) Em Sarepta, na mesma casa da mulher viúva, ressuscita a seu filho: 1Reis, 17, 17-24. d) Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo: 1Reis, 2, 1-18. e) Vocação do Profeta Eliseu: 1reis, 19, 19-21. Eliseu sucessor de Elias. 2reis 2, 19-21.

Elias no Novo testamento:

Vários livros o nomeiam, por exemplo: Mt 16, 13; 17, 1-12; 27,47. Lc 4, 25 e 9, 33. Jo 1-21. São Tiago 5-17.

Elias é um dos poucos profetas com grande ressonância. Elias dizia:

“Eu me consumo de ZELO pelo SENHOR, o DEUS dos exércitos”.

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou.”

“Elias surgiu como um fogo e sua palavra queimava como uma tocha.”

(Eclo. 48, 1-12)

PRECE AO SENHOR JAVÉ

Vem, Senhor! Tua Face procuro… Como a terra árida pela chuva anseia assim meu ser por ti… Vivo és senhor! E em tua graça estou! Na brisa leve me fala, No Carit me dessedenta.. Vem, Senhor! na aridez do deserto Com o pão me alimenta Fortalece-me na caminhada… Vivo és, Senhor! E teu zelo me consome Na solidão quero encontrar-te E descobrir-te no irmão… Vem, Senhor, e ao clarão de tua face se passe inteira a minha vida, se opere a nossa união…

Imagem: “Transfiguração: Jesus, Moisés e Elias” – http://arthistoryfacts.com/Page8MyArtHistorySite.htm

“Morta minh’alma só minha pele me importa” – Carmina Burana (Carl Orff)

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Penso como Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Foi basicamente com estas palavras que ele se expressou há mais de 15 séculos. Sempre me impressionou a profundidade desta afirmação. Mas a maioria acredita que é simples: quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos, afinal  – não odiamos ninguém, não desejamos o mal para quem quer que seja, mesmo que nos prejudique, ajudamos as pessoas, etc. A meu ver, a questão não é esta; é bem diferente: amar é complicadíssimo. Amar nos limita, e neste limite – o da renúncia ao egocentrismo – voamos nas asas libertadoras do amor… Sim. Ele, o amor, fere nossos interesses mais imediatos, intercepta nossos instintos egoístas, exige que “cortemos em nossa própria carne”, e firamos nosso orgulho, nosso amor-próprio. Isto não quer dizer não ter personalidade diante de quem nos contraria, abrindo mão de nossa visão das coisas. Acredito que “amar” para Santo Agostinho é renunciar à própria razão e dar uma chance ao que está equivocado, até que ele desista de nós, porque não tem nenhum argumento par nos convencer de que está certo ou esgotou todos que pensava serem superiores aos nossos… Nos dois casos, amar exige que suportemos os arrogantes, prepotentes, íntimos ou não, até que se dêem por vencidos ou prefiram ficar com seu auto-engano… Tal como Santa Teresa de Jesus afirma: “a paciência tudo alcança”. Por que estou falando tudo isto? Porque desde jovem (e tenho 48 anos) acreditei naquilo que o papa Bento XVI afirma para se defender pessoalmente das críticas e a defender a doutrina católica quanto a preservativos, anti-concepcionais e aborto:  a “humanização da sexualidade”. Li hoje este termo no L’Osservatore e fiquei impressionada porque ando procurando há anos um termo que exemplifique o que estamos vivendo na atualidade, e não somente em relação à AIDS na África, que está chegando ao nível de uma pandemia. Me refiro às condutas ocidentais em relação ao sexo, ao amor. Não adianta vir com aquele chavão de que falo “carolices”, “beatices”. Não me enquadro em nenhum tipo de espiritualidade artificial – porque externa, ao modo de uma máscara…

Provém do próprio catolicismo (ou veio do protestantismo?) o ditado: “O hábito não faz o monge”. Por isto Santo Agostinho falava do amor e da liberdade. Daí porque, sem fazer alarde de minhas convicções fui amadurecendo no sentido de que precisamos (o mundo cristão) viver o amor com humanidade, ou seja, a liberdade consiste em amar com o coração e não somente com o corpo (volto a mencionar o filme “Coração Valente”). Realisticamente falando, para exemplificar temos a “indústria do sexo”. Não vou me estender, mas a palavra indústria lembra máquina, produto, mercado. Bem, o Papa fala de “humanização da sexualidade”, e me vem à mente a existência da já assimilada indústria de preservativos… Aqui o corpo humano já se tornou, por extensão, uma peça da “maquinaria” chamada – “indústria da pornografia” – na qual o corpo humano é degradado de forma “light” até o nível da bestialidade… Desculpem-me, eu lhes disse que não era “carola”… Por um bom tempo não pretendo voltar a este assunto, por motivos óbvios.

BUSCA DE PIEDADE, SANTIDADE E HUMILDADE

Almejamos a santidade. Jesus disse que devíamos ser santos, perfeitos “como o Pai o é”.  É evidente que nos instigava a, pelo menos, nos arrojarmos em busca do “caminho da perfeição”, tal como também nos aponta Santa Teresa de Ávila. Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”, em suas próprias palavras. Precisamos ouvi-Lo, com coração e mente abertos…

Não espero ser compreendida porque esta “cultura”, a da indiferença, do relativismo moral está impregnada em tudo que vivemos. Nosso século, principalmente depois da Segunda Grande Guerra entrou em um processo delirante de busca de satisfação dos cinco sentidos e, nada mais… Onde foi parar a poesia da vida? É verdade que quando temos out-doors em cada esquina, monitores de vídeo com propagandas, ao lado de arranha céus, ou a patética e traiçoeira “Second  Life” do mundo virtual, além de outras virtualidades empobrecedoras do espírito humano, o quê significa mesmo pensar poeticamente; enfim, o que é viver com poesia?

No meu caso, sou plenamente consciente do que é exterior em grau excessivo no âmbito da espiritualidade. O papa Bento XVI não me perturba, nem a doutrina da Igreja Católica. O amor dá coerência à Doutrina. Acabamos de voltar a Santo Agostinho… Sou jornalista e estudo informalmente temas teológicos, no entanto, nunca fiz parte de nenhum convento, nem mesmo faço parte de uma ordem secular. Tão somente sou uma leiga católica. Tal como se tornou católico meu marido, que, apesar de batizado católico foi criado dentro de fundamentos calvinistas. Quando nos conhecemos, estudávamos em universidades diferentes, e nessa época ele “estava” ateu.. Brinco com ele sobre isto, e ele nem liga porque é uma verdade… Estava como quem apresenta urticária por excesso de condimentos químicos na alimentação. O indivíduo não é alérgico, mas como exigiu demais do organismo, a resposta é o mal-estar da urticária. Creio que esta é uma boa metáfora. A partir  deste “estado” bem humano (o da dúvida, que todos sentiremos enquanto vivermos), lentamente, passou a admitir o cristianismo reformado. Após o término do mestrado fez amplas pesquisas relacionadas com o contexto histórico em que viveram Calvino e Lutero, além de buscar biografias de fontes reconhecidas. Ao deparar com três personalidades piedosas dentro da Reforma, que a meu ver, foram cristãos reformados admiráveis – Armínio e sobre os irmãos Wesley  – começou a ver as coisas de outro modo. A partir destes chegou a São Franscisco de Sales… Armínio teria lido os escritos do Bispo de Sales, na forma de “panfletos”. Estes, visavam demonstrar os equívocos de Calvino em relação ao seu professado anti-catolicismo. Genebra, na Bélgica, era o berço dos calvinistas, e ele fora para lá com o objetivo de estudar suas teses teológicas. Não se tornou católico, mas absorveu a noção de “piedade” de São Francisco de Sales. A história conta que os discípulos de Armínio foram perseguidos e mortos pelos calvinistas. Quanto a John Wesley e seu irmão, provinham de família que fugira da Holanda para a Inglaterra por professarem o ponto de vista dos arminianos. Absorvidos estes conhecimentos, acrescentou à sua bagagem o pietismo do protestante alemão Phillip Spenner. Eu fiquei encantada. entretanto, esta corrente não é influente no luteranismo atual. Chegando ao final do nosso século, meu marido, espantado tomou conhecimento das razões da conversão ao catolicismo de John Neuman, que se tornou o conhecido Cardeal Neuman. Este havia sido incumbido de “confirmar” os postulados que afirmavam a fé anglicana como válida em relação à sucessão e tradição apostólicas. Não conseguiu o intento… Apresentou suas conclusões aos dirigentes anglicanos e, ato contínuo, se tornou sacerdote católico.

Descoberta após descoberta, entre cansaço, estranhamento e fascínio, meu marido importou “Vida Devota” e “Controvérsia Católica”. Eu sofria com esta “inquietação interior”, certamente provocada por muitos anos, desde o berço, de críticas contínuas ao catolicismo. Entretanto, dentro de sua própria família havia e há exceções nesse sentido. É importante frisar que esta é uma realidade pessoal (porque histórica) para centenas de milhões de cristãos reformados e calvinistas.

Ao final, através da argumentação de São Francisco de Sales, o acesso ao conceito de piedade em Cristo, aliado aos de humildade em relação à tradição apostólica e de santidade no dia-a-dia, que são centrais em suas duas obras – fez com deixasse para trás preconceitos quase milenares…

Não tive medo – rezei muito, e o pouco temor que experimentei nesta jornada espiritual surpreendente que ele vivia – simplesmente desapareceu. Também aprendi, amadureci muitas coisas. Acho que, estudiosos de Filosofia, se não permanecerem no ateísmo, podem viver algo como o que Santa Edith Stein, carmelita descalça viveu. A razão abraça a fé. Recentemente deparei com este pensamento dela: “O homem que busca a verdade, mesmo que não consciente, busca a Deus”.

COMBATE ESPIRITUAL

Todos travamos um “combate espiritual”, mesmo que não tenhamos uma noção clara, contínua disto em nossas vidas. Os santos e santas nos ajudam nesta difícil caminhada. A propósito, nem São Francisco de Sales, nem Santa Edith Stein tiveram suas obras traduzidas para a língua portuguesa. Acredito que isto se deva ao nosso bem familiar atraso (ou retrocesso?) cultural… Para concluir, diria que todo verdadeiro amor é feito de renúncias mútuas, porque vem de Deus. Ele, o Todo Poderoso renunciou à ação quando Jesus sangrava por nós no Calvário, na Cruz… Estas idéias não combinam com o século XX e o XXI. Ambos se caracterizam pelo império do hedonismo, do “qualquer coisa é admissível”, ou seja, não há compromisso moral com nada e com ninguém, o que é lamentável para o que sempre foi um ideal humano: a felicidade. A Humanidade está chegando à uma abismal conclusão: amar é complicado demais. Então, tal como se dá na peça musical Carmina Burana, passa a ser natural o absurdo:  “morta minh’alma só minha pele me importa…”.

«A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer» Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Imagem: 14ª Estação – “Jesus é colocado no sepulcro” –

http://www.igrejasaosebastiao.com.br/via_sacra.asp

Secretaria de Estado do Vaticano rebate críticas da Embaixada do Reino da Bélgica a Bento XVI sobre a Aids e o aborto

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FONTE: L’Osservatore Romano

25 de Abril 2009

Comunicado da Secretaria de Estado

O Embaixador do Reino da Bélgica, por instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros, comunicou ao Ex.mo Arcebispo Secretário para as Relações com os Estados a Resolução com a qual a Câmara dos Representantes do próprio País pediu ao governo belga para “condenar as declarações inaceitáveis do Papa por ocasião da sua viagem à África e de protestar oficialmente junto da Santa Sé”. O encontro teve lugar a 15 de Abril corrente.

A Secretaria de Estado toma conhecimento com tristeza deste passo, não habitual nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino da Bélgica. Deplora que uma Assembleia parlamentar tenha considerado oportuno criticar o Santo Padre, com base num extracto de entrevista cortado e isolado do contexto, que foi usado por alguns grupos com evidente intenção intimidatória, quase a dissuadir o Papa de se expressar sobre alguns temas, cuja relevância moral é óbvia, e de ensinar a doutrina da Igreja.

Como se sabe, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta sobre a eficácia e o carácter realista das posições da Igreja em matéria de luta contra a sida, declarou que a solução deve ser procurada em duas direcções: por um lado na humanização da sexualidade e, por outro, numa autêntica amizade e disponibilidade em relação às pessoas que sofrem, ressaltando também o compromisso da Igreja nos dois âmbitos. Sem esta dimensão moral e educativa a batalha contra a sida nunca será vencida.

Enquanto, nalguns Países da Europa, se desencadeava uma campanha mediática sem precedentes sobre o valor preponderante, para não dizer exclusivo, pró-profilático na luta contra a sida, é confortador verificar que as considerações de tipo moral desenvolvidas pelo Santo Padre foram compreendidas e apreciadas, sobretudo pelos africanos e pelos verdadeiros amigos da África, assim como por alguns membros da comunidade científica. Como se pode ler numa recente declaração da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (Cerao): “Estamos gratos pela mensagem de esperança que [o Santo Padre] nos veio confiar nos Camarões e em Angola. Veio encorajar-nos a viver unidos, reconciliados na justiça e na paz, para que a Igreja em África seja ela mesma uma chama ardente de esperança para a vida de todo o continente. E agradecemos-lhe por ter reproposto a todos, com matizes, clareza e acuidade, o ensinamento comum da Igreja em matéria de pastoral dos doentes de sida”.

FONTE: http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#4

Imagens: http://fratresinunum.com/

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Os trechos sublinhados acima são de minha iniciativa, para destaque.

Os dados abaixo, retirados da Wikimedia Commons trazem o mapa da África  e o índice de incidência da Aids, em matiz de cor para cada país deste continente. É um fato estranho que o título se refira à “AIDS”, mas o único mapa é o da África, enquanto há, exatamente ao lado, um gráfico sobre a causa de mortes nos Estados Unidos…  Isto merece nossa análise. Acrescento os seguintes dados, que fixam o significado da sigla em três idiomas e, o endereço eletrônico para outras informações relevantes:

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Aids

Sida (SIDA): Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (em espanhol, português, francês)

Aids (AIDS): Acquired Immunodeficiency Syndrome

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FONTE: http://fratresinunum.com/tag/atualidades/

27 de março de 2009

O Papa na África: “É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”.

de France Presse, em Luanda

O papa Bento 16 pediu neste sábado em Angola aos adeptos da bruxaria que se convertam à religião católica, durante uma missa na igreja de São Paulo da capital angolana.“Muitos de vocês vivem com o medo dos espíritos, de poderes nefastos que os ameaçam, desorientados, e chegam a condenar crianças de rua e até idosos, porque, dizem, são bruxos”, afirmou o pontífice em uma referência clara às várias seitas e religiões tradicionais africanas presentes em Angola, incluindo algumas que celebram rituais de sacrifício humanos.“A eles é preciso anunciar que Cristo venceu a morte e todos estes poderes obscuros”, disse o papa durante a homilia.“Há quem objete que os deixemos em paz, que eles têm a verdade deles e nós a nossa. Que tentemos conviver pacificamente, deixando tudo como está. Estamos convencidos de que não cometemos injustiça alguma se apresentamos Cristo a eles […] É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”, destacou.Diante de bispos, religiosos e representantes dos movimentos católicos e missionários, em uma igreja remodelada e lotada, Bento 16 condenou tais movimentos na África, que na última década representam uma forte concorrência para a Igreja Católica.

POLÊMICA

Em sua primeira viagem pela África –que inclui ainda uma parada em Camarões– o papa não escapou aos temas polêmicos. Ele condenou nesta sexta-feira (20) todas as formas de aborto, ao mesmo tempo em que exigiu medidas econômicas e legislativas em defesa da família, que segundo ele, “está ameaçada”.O papa mencionou o artigo 14 do Protocolo de Maputo, carta sobre os Direitos da Mulher na África que entrou em vigor em 2005 e foi ratificada pelos 20 Estados membros. O artigo se refere ao aborto como um dos métodos para regulamentar as políticas reprodutivas. “Como é amarga a ironia daqueles que promovem o aborto entre as curas para a saúde materna. É desconcertante a tese daqueles que acreditam que a eliminação da vida é um assunto de saúde reprodutiva”, disse.O papa fez as declarações no discurso que dirigiu aos bispos de Angola e São Tomé e Príncipe.Em Camarões, o papa causou grande discussão na comunidade internacional ao dizer que a distribuição de preservativos não ajuda a reduzir o número de pessoas contaminadas com a Aids.Bento 16 afirmou que a Aids “é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas”.

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre se os ensinamentos da Igreja Católica não eram “irrealistas e ineficazes” em relação à Aids. O papa defendeu que a epidemia só pode ser impedida com uma renovação moral no comportamento, a “humanização da sexualidade”, incluindo elementos de fidelidade e autossacrifício.

O papa adota a visão tradicional da Igreja Católica sobre o tema: sexo apenas depois do casamento e a proibição de meios contraceptivos artificiais, como a camisinha e a pílula.

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Cristoaleluia

Imagem: http://fratresinunum.com/



Santa Teresa, Pe. Emannuel-André e “a ignorância entre os cristãos”…

Um texto sobre a visão que o Papa Leão  XIII possuía sobre o seu tempo, segundo a explanação do padre francês Emmanuel-André é antigo, anacrônico? Então, pergunto-lhes o seguinte: por que lemos com tanto proveito as obras de Santa Teresa de Ávila? O artigo abaixo me  parece muito apropriado para o nosso tempo, ainda que escrito no final do século XIX. Padre Emmanuel-André, que nasceu no dia 17 de outubro de 1826, em Bagneux-la Fosse, escreveu-o quando Leão XIII fazia suas exortações finais como pontífice. Pelo conteúdo das encíclicas, percebemos facilmente o temor deste papa – sagaz, decidido e piedoso – ou pior, seu horror em relação às “novidades” que o pensamento liberalizante , chamado à época de “modernismo” prometia implementar no século XX. No horizonte do novo século, não despontara ainda as 1ª e 2ª Guerras mundiais…

Para mim, o papa Leão XIII foi um homem religioso por excelência, e por esta razão estava a frente de seu tempo. Via o que estava ainda em germe…

Infelizmente, nós, que nele nascemos (isto é, no “século passado”…), somos cientes de que engendrou um tipo singular de barbárie. Ela é diferente das que ocorreram em períodos anteriores da história d Humanidade, ou seja, temos vivido uma barbárie disfarçada de progresso… Em outras palavras: em nome do progresso humano, passo a passo temos caminhado para o desmantelamento de nossa dignidade enquanto seres humanos.

Desse modo, desde o início do século XX, quase sem saída, vamos vivendo a perda de nossa dignidade sob a forma da escravidão dissimulada pela máscara do trabalho. Na atualidade, pela falta dele, pelo chamado “fim do emprego”. Isto vem acontecendo dentro do sistema capitalista, de regimes comunistas ou de base marxista. Por outro lado, não menos devastadora é a perda da dignidade que corrói internamente as subjetividades, dada a desumanização que cresce geometricamente. Que esperança nos resta então, já que nos que nos afirmamos cristãos? Acredito que podemos e devemos aprender com o legado dos que nos antecederam e tiveram a visão aguda sobre as ameaças que “espreitam” o  corpo e a alma humanos.

No texto abaixo, há um excerto de Santa Teresa de Ávila, contido em Cartas, no qual Pe. Emannuel-André lembra, através da agudeza de percepção desta sobre o seu tempo, o quanto homens e mulheres cheios de sua própria “sabedoria” podem ser nefastos, e não somente dentro do círculo em que vivem. Pelo contrário, sua “ignorância” – porque desprovida de um exame das coisas sob o ângulo da fé – pode atravessar décadas, senão séculos…

No entanto, confio que serei(seremos) sempre guiados pela Providência Divina em nosso caminho, e, por uma única razão: não confio no meu próprio julgamento, que geralmente é falho. Se entregar a Deus minhas incertezas, Ele há de me conceder a capacidade de discernimento. Há momentos em que não podemos seguir adiante com confiança, se tivermos um momento de hesitação sobre nossos posicionamentos. Esta é a minha prece mais urgente, mais necessária…

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FONTE: http://www.permanencia.org.br/revista/teologia/Emmanuel/ignorancia.htm

A IGNORÂNCIA ENTRE OS CRISTÃOS

Pe. Emmanuel-André

I — As causas da ignorância

O presente século (século XIX — N.T.) concedeu a si mesmo o faustoso título de “século das luzes”. A pretensão é manifesta, o direito não é tão claramente demonstrado. O século XIX não mudou em nada as condições da humanidade dos séculos anteriores; e, se bem que tenhamos a honra (?) de sermos filhos deste grandioso século XIX, no entanto a verdade é que somos filhos de Adão, e que nascemos trazendo conosco o pecado original e o que dele decorre, a ignorância e a concupiscência.

A ignorância! não somente a simples ignorância que é o não-saber, mas a ignorância combinada com a dificuldade de aprender, com a repugnância em fazer esforço para chegar a saber: esta chaga é grande, e em todos os homens ela produz frutos e frutos muito amargos, é preciso convir, mas são frutos que a maior parte dos homens carrega com uma resignação fácil demais e muitas vezes com uma satisfação que se poderia tomar como sinal de uma felicidade idiota.

Os cristãos nascem homens, e humanamente são vítimas da ignorância, a menos que, por felizes circunstâncias, uma educação cuidada, digamos melhor, a menos que a graça de Deus venha tirá-los do estado infeliz em que todos caímos em Adão. A queda, ai de nós, é natural, o reerguer-se é sobrenatural. Reflitamos no estado das populações que permaneceram estranhas ao cristianismo na Ásia, África, Oceania, e teremos uma prova manifesta do que nós dizemos.

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É portanto por uma graça de Deus que as populações cristãs são retiradas da ignorância. O conhecimento de Deus, de nossa criação, de nossa natureza de homens, de nosso fim sobrenatural são luzes muito puras e sobrenaturalmente poderosas para nos retirar da ignorância.

A noção de Deus criador e fim supremo da criatura, é o grande instrumento da luz intelectual; é o sol das inteligências. Saber que Deus é a causa primeira de tudo que é; que Ele é nosso fim, especialmente de nós, criaturas inteligentes; eis o princípio verdadeiro da verdadeira luz, a base sólida de toda instrução. Aí temos um ponto de partida assegurado: aí temos o termo obrigatório de nossa existência; e com esses dois dados, que são imensos para nossas inteligências, nós podemos e devemos orientar nossos espíritos, dirigir nossos pensamentos, regular nossas vontades e nossas afeições, ordenar nossa vida de modo a chegar ao fim que Deus nos assinalou.

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Esta é a ciência da vida: a única indispensável, ciência que nenhuma outra pode substituir e que, se necessário, pode dispensar todas as outras.

O homem só é verdadeiramente instruído quando sabe regular sua vida e regula-la de modo a atingir seu fim. Os conhecimentos mais profundos, os mais variados, os mais raros, não tiram o homem da ignorância se não o ajudam a atingir seu fim. Também há homens que, sob certos aspectos, são verdadeiros sábios; eles sabem línguas, letras, a história, as ciências; e com tudo isso, não tendo a ciência da vida, são realmente ignorantes, e diante de Deus, o Pai das luzes, estão mergulhados em profundas trevas.

Insensíveis à sua própria infelicidade, não tendo olhos senão para suas luzes particulares que irradiam em algum canto de seus espíritos, aplaudem-se por causa das fracas luzes com que tem alguma claridade e pouco sofrem com as trevas onde os mergulha a ignorância em que estão quanto à ciência da vida. Et in caecitate quam tolerant quase in claritate luminis exultant. (S. Greg., in “Job”).

São os cristãos de hoje verdadeiramente filhos da luz como os chamava S. Paulo? Nossa voz seria muito fraca para responder a tal pergunta. Escutemos a voz mais poderosa, uma voz autorizada, uma voz para a qual não há réplica. Ela diz:

“Desde o primeiro dia de nosso pontificado, do alto da Sé Apostólica, voltamos os nossos olhares para a sociedade atual, a fim de conhecer as suas condições, procurar atender as suas necessidades, dar-lhe os remédios. Desde então, deploramos o declínio da verdade, não só aquela conhecida sobrenaturalmente pela fé mas também a conhecida naturalmente pela razão ou pela experiência; deploramos a predominância dos mais funestos erros, e os grandes perigos que corre a sociedade pelas desordens sempre maiores que a perturbam; diríamos que a causa mais poderosa de uma semelhante ruína era a separação procurada, a apostasia estabelecida entre a sociedade atual e o Cristo e sua Igreja”.

É um papa do tempo de Nero ou de Domiciano, que fala assim, deplorando o estado dos povos mergulhados no paganismo? Não, é um papa do século XIX, é o papa de nosso tempo; é Leão XIII.

Que se reflita nisto: o declínio da verdade, a predominância dos mais funestos erros, não são palavras desprovidas de sentido. Pintam uma situação e descrevem-na em termos muito exatos.

Se os mais funestos erros se tornaram predominantes, se a verdade encontra-se em declínio, é preciso reconhecer que nossa ignorância é grande.

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Quais são as causas da ignorância entre os cristãos?

Nunca houve tantas escolas quanto em nossos dias; a causa então não será por falta de escolas. Mas afirmamos sem que se possa desmentir-nos, que em nossas escolas se ensina de tudo, menos a verdade. A verdade está em declínio, foi Leão XIII quem disse.

Em muitas escolas, nós sabemos, há lugar para o catecismo, lugar para a instrução religiosa e moral. Mas, na maior parte das vezes, a instrução religiosa é suplantada, aqui pela gramática, lá pelo diploma.

Então faz-se gramática ou bacharéis, mas cristãos, não! Ali onde a fé não está acima de tudo não existe fé.

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E depois, mesmo onde se ensina o catecismo, é bem possível e infelizmente muito comum: não se ensina a fé. Como pode ser isso, nos dirão? Do seguinte modo: pode-se ensinar materialmente as verdades da fé, por exemplo: que há um só Deus, três pessoas em Deus, duas naturezas em Jesus Cristo, sete sacramentos na Igreja, dirigindo-se tal ensino ou à memória, ou à inteligência ou à fé da criança.

Dirigir-se à memória é o método de quase todas as escolas de nossos dias; com isso se obtém a recitação correta da lição; mas isso não é a fé.

Dirigir-se à inteligência é mais raro: pois é preciso esforço para fazer o aluno saber não a palavra mas a coisa, não a expressão mas a verdade. Por aí se faz atos de inteligência, mas não de fé.

Enfim, podemos, digamos melhor, devemos dirigirmo-nos à fé do aluno. Para isso é preciso que aquele que ensina faça o ato de fé, a fim de estimular um ato semelhante no aluno. Acreditei, diz o salmista, por isso falei. É preciso ensinar às crianças o verbum fidei de São Paulo ou, diríamos em português, a fé falada. Então a criança ouve a palavra e a retém, eis o ofício da memória; compreende o valor da expressão, este é o ofício da inteligência; depois, com toda a sua alma, adere à verdade, é a fé.

Dizíamos que essa maneira de ensinar, a única verdadeira, a única eficaz, é extremamente rara, mesmo nas escolas ditas cristãs; é por isso que essas escolas não produzem cristãos e há entre nós uma tão grande ignorância.

II — Os remédios para a ignorância

A ignorância consiste em não saber; mas não saber, para os cristãos, é qualquer coisa de muito funesto.

Para nós cristãos, não nos basta conhecer por seus termos próprios uma determinada verdade, é preciso conhece-la com fé, é preciso saber e crer, saber crendo e crer sabendo.

O cristão que crescesse e não soubesse poderia ser um cristão com alguma fé; mas não possuindo plenamente a verdade, objeto da fé, seria um cristão ignorante.

Segue-se que para combater a ignorância dos cristãos não basta expor diante deles a verdade, ensiná-la em termos exatos; não basta fazê-los conhecer com precisão; é, além disso, necessário, indispensável, desenvolver neles a fé, esta disposição sobrenatural de receber como reveladas por Deus as santas verdades ensinadas pela Igreja.

Ser cristão é uma grande coisa; na educação de uma alma cristã, há um lado humano e um lado divino. Um lado humano, pelo qual a alma é instituída, ensinada, catequizada; e um lado divino pelo qual a alma recebe, como vida sobrenaturalmente de Deus, a verdade cujos termos lhe são propostos por uma boca humana.

Que ela fale, esta boca humana, que ela ensine, que ela exorte, seu papel é grande e belo. Mas Deus reserva para si, em nossa educação cristã, um papel maior e mais belo ainda, o de nos falar ao coração, o de elevar nossas inteligências até a participação da razão divina, até essa região sublime que se chama fé.

Quando, pois, o educador cristão, seja a família, a escola ou a Igreja, quando o educador cristão fala a uma alma batizada, para tirá-la cada vez mais da ignorância, ele deve, sob pena de nada compreender do trabalho que empreende, rezar, ao mesmo tempo que fala, e pedir a Deus que derrame na alma do batizado a graça interior da fé, ao mesmo tempo que, de seu lado, ele faz chegar aos ouvidos do catequizado a expressão humana da verdade divina.

Se todos aqueles que têm a terrível tarefa de trabalhar na instrução dos cristãos trabalhassem desta maneira, veríamos prontamente a ignorância desaparecer, a fé aumentar, a santidade florescer.

Mas, o que se diz de todos os lados? A santidade desaparece, a fé diminui e a ignorância é assustadora, mais ou menos por toda parte.

A falta é nossa!

Com muita facilidade se imagina ter feito tudo, quando se diz a verdade: isto não é nada. Ter-se-ia feito muito e muito mais se, depois de tê-la feito ouvir, se rezasse e se trabalhasse para que ela fosse crida.

O cristão só é completo sob essa condição.

Quantas crianças, nas escolas ou nos cursos de catecismo, aprendem, recitam e sabem bem a letra do catecismo, no entanto, não se tornam cristão dignos desse nome!

A causa de tão grande infelicidade está inteiramente no vício de educação que assinalamos. Fizeram-nos sábios mas não os fizeram crentes.

Por conseqüência, não tendo a fé lançado raízes fortes nas almas, a criança fica entregue ao sabor das paixões nascentes ou torna-se vítima do meio no qual se encontra.

A fé teria dado o vigor necessário para resistir ao perigo interior ou ao perigo exterior que acabamos de assinalar. Mas, sem a fé, o homem fica entregue à fraqueza e cai. É pela fé que estais de pé, diz o Apóstolo. Fides statis (II Cor., 1, 23).

Então, para trabalhar eficazmente no combate a ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes; precisaríamos de santos que fossem sábios e de sábios que fossem santos.

III — Uma palavra de Santa Teresa

Concluímos nosso artigo sobre a ignorância entre os cristãos por aquelas palavras: “Para trabalhar eficazmente no combate à ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes: precisaríamos de santos que fossem sábios e sábios que fossem santos. Queira Deus no-los dar!”

Isto já estava impresso quando, tendo aberto as Cartas de Santa Teresa, encontramos nas primeiras páginas a seguinte passagem:

Desejo, mais ardentemente do que nunca, que Deus tenha a seu serviço homens que unam à ciência um completo desapego de todas as coisas daqui de baixo, que são a mentira e derrisão; sinto a extrema necessidade que a Igreja tem disto e sou tão vivamente tocada por isso que me parece até brincadeira afligir-me com outra coisa. Por isso não cesso de recomendar a Deus esse assunto, persuadida de que um desses homens perfeitos e verdadeiramente abrasados do fogo de seu amor, dará mais fruto e será mais útil à Santa glória do que um grande número de outros que sejam indiferentes e ignorantes”.

Esse assunto que Santa Teresa não cessa de recomendar a Deus, esse assunto pelo qual o coração da seráfica virgem era tão vivamente tocado, é o pensamento chave da obra de Nossa Senhora da Santa Esperança.

Quis sapiens, et intelliget ista? (Os., XIV, 10) Onde estão os homens a quem Deus deu o espírito de sabedoria e que compreenderão isto? Que Deus se digne entregar-nos a eles ou proporcioná-los a nós.

Estas linhas foram escritas no dia da festa do coração de Santa Teresa (27 de agosto). Recomendamos nossa obra às preces da seráfica padroeira do Carmelo.

Revista Permanência n° 186-187, Maio-Junho de 1984.

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Ver também outros artigos do Pe. Emmanuel-André em :

http://grupoveritas.blogspot.com/2008/08/cartas-sobre-f-dcima-segunda-carta.html

Observação: A cor da fonte do título “A ignorância entre os cristãos”, bem como as palavras e expressões em negrito são da fonte publicadora. São meus o grifo, em itálico e negrito, e e a cor da fonte no excerto do escrito “Cartas”, de Santa Teresa.

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Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.