Cristo Vive! Eis o Conteúdo da Nossa Fé! Domingo de Páscoa – Ano C – Homilia de Mons. José Maria Pereira

Cristo ressuscitou! A paz esteja convosco!

Hoje se celebra o grande Mistério, fundamento da fé e da esperança cristã: Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. O anúncio feito aos Anjos, naquela aurora do primeiro dia, depois do sábado, à Maria Madalena e às mulheres que foram ao sepulcro, ouvimo-lo, hoje, com renovada emoção: “Por que buscais entre os mortos o Vivente? Não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24, 5-6).

O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia! Cristo vive! Essa é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. O que morreu na Cruz, ressuscitou; triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. A nossa humanidade já está glorificada na Humanidade Santíssima ressuscitada de Jesus.

A todos formulo cordiais votos de Páscoa, com as palavras de Santo Agostinho: “A Ressurreição do Senhor é a nossa esperança”. Com essa afirmação, Santo Agostinho explicava aos seus fiéis que Jesus ressuscitou, para que nós, apesar de destinados à morte, não desesperássemos, pensando que a vida acaba, totalmente, com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar a esperança. Graças à Morte e à Ressurreição de Cristo, também nós, hoje, ressurgimos para uma vida nova e, unindo a nossa voz à d’Ele, proclamamos que queremos ficar para sempre com Deus, nosso Pai, infinitamente bom e misericordioso.

A Ressurreição gloriosa do Senhor é a chave para interpretarmos toda a sua vida e o fundamento da nossa fé. Sem essa vitória sobre a morte, diz S. Paulo, vazia seria a nossa pregação e vã a nossa fé (1Cor 15,14).

A Ressurreição do Senhor é uma realidade central da nossa fé católica, e como tal foi pregada,desde o começo do cristianismo. A importância desse milagre é tão grande, que os Apóstolos são, antes de mais nada, testemunhas da Ressurreição de Jesus. Esse é o núcleo de toda pregação, e isto é o que, depois de mais de vinte séculos, nós anunciamos ao mundo: Cristo vive! A Ressurreição é a prova suprema da divindade de Cristo. Jesus ressuscitou, não para que a sua memória permaneça viva no coração dos seus discípulos, mas para que Ele mesmo viva em nós, e, n’Ele, possamos já saborear a alegria da vida eterna. Na manhã de Páscoa, tudo se renovou. “Morte e vida defrontaram – se num prodigioso combate: O Senhor da vida estava morto; mas agora, vivo, triunfa” (Sequência Pascal). Eis a novidade! Uma novidade que muda a vida de quem a acolhe, como sucedeu com os santos. Assim aconteceu, por exemplo, com São Paulo.

Portanto, a Ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua “Páscoa”, da sua “passagem”, que abriu um “caminho novo” entre a Terra e o Céu (Hb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que, ao pôr do sol de Sexta–feira, foi descido da Cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De fato, ao alvorecer do primeiro dia, depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram–no também os dois discípulos de Emaús, ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite, no Cenáculo, e depois, a muitos outros discípulos, na Galileia.

A Liturgia Pascal lembra, na primeira leitura, um dos mais comoventes discursos de Pedro,sobre a Ressurreição de Jesus: “Deus O ressuscitou no terceiro dia, concedendo-Lhe manifestar-se… às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,40-41). Surge, nessas palavras, a vibrante emoção do chefe dos Apóstolos pelos grandes acontecimentos de que foi testemunha, pela intimidade com Cristo ressuscitado, sentando-se à mesma mesa, comendo e bebendo com Ele.

A Ressurreição é a grande luz para todo o mundo: “Eu sou a luz” (Jo 8,12), dissera Jesus; luz para o mundo, para cada época da história, para cada sociedade, para cada homem.

No Evangelho (Jo 20,1-9), vemos que a Boa Nova da Ressurreição provocou, num primeiro momento, um temor e um espanto tão fortes, que as mulheres “saíram e fugiram do túmulo… e não disseram nada a ninguém, porque tinham medo”. Entre elas, porém, encontrava-se Maria Madalena que viu a pedra retirada do túmulo e correu a dar a notícia a Pedro e a João: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde O colocaram” (Jo 20,2). “Os dois saem correndo para o sepulcro e, entrando no túmulo, observaram as faixas que estavam no chão e o lençol…” (Jo 20,6-7). “Ele viu, e acreditou” (Jo 20,8).  É o primeiro ato de fé da Igreja nascente em Cristo Ressuscitado, originado pela solicitude de uma mulher e pelos sinais do lençol, das faixas de linho, no sepulcro vazio. Se se tratasse de um roubo, quem se teria preocupado em despir o cadáver e colocar o lençol, com tanto cuidado? Deus serve-se de coisas bem simples para iluminar os discípulos que “ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,9), nem compreendiam ainda o que o próprio Jesus tinha predito acerca da Sua ressurreição.

Ainda que sob outro aspecto, os “sinais” da Ressurreição veem-se ainda presentes no mundo: a fé heroica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da igreja que as perseguições externas e as lutas internas não chegam a enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Jesus ressuscitado, que continua a atrair a Si todos os homens. Pertence a cada um dos homens vislumbrar e aceitar esses sinais, acreditar como acreditam os Apóstolos e tornar cada vez mais firme a sua fé.

A Ressurreição do Senhor é um apelo muito forte: lembra-nos, sempre, que vivemos neste mundo, como peregrinos e que estamos em viagem para a verdadeira pátria, a eterna. Cristo ressuscitou para levar consigo os homens, na Sua Ressurreição, para onde Ele vive,eternamente, fazendo-os participantes da Sua glória.

O Senhor Ressuscitado faça–se presente em todo lugar com a sua força de vida, de paz e de liberdade. Hoje, a todos são dirigidas as palavras com as quais, na manhã da Páscoa, o Anjo tranquilizou os corações amedrontados das mulheres: “Não tenhais medo! Não está aqui; ressuscitou” (Mt 28, 5-6). Jesus ressuscitou e concede–nos a paz. Ele mesmo é a paz. Por isso, vigorosamente, a Igreja repete: “Cristo Ressuscitou”! Que a humanidade do Terceiro Milênio não tenha medo de abrir–Lhe o coração! O Seu Evangelho sacia plenamente a sede de paz e de felicidade que habita em todo o coração humano. Agora Cristo está vivo e caminha conosco. Um Mistério imenso de Amor! Aleluia!

Devemos, constantemente, renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque, em Cristo ressuscitado é-nos dada a certeza da nossa Ressurreição. A notícia da sua Ressurreição dos mortos, não envelhece, e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. “A fé dos cristãos, observa Santo Agostinho, é a Ressurreição de Jesus Cristo”. O enfraquecimento da fé na Ressurreição de Jesus, consequentemente, torna débil o testemunho dos crentes. Ao contrário, a adesão do coração e da mente, a Cristo morto e ressuscitado, muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos. Não é, porventura, a certeza de que Cristo ressuscitou que dá coragem, audácia profética e perseverança aos mártires de todos os tempos? Não é o encontro com Jesus vivo que converte e fascina tantos homens e mulheres, que, desde o início do cristianismo,continuam a deixar tudo para O seguir e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho?

O sepulcro vazio é o pressuposto da fé cristã, para a qual o destino do ser humano não é a morte, mas a ressurreição dos mortos. Leia-se São Paulo em 1Cor 15,14: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé”. Quem nega a ressurreição dos mortos, nega, também, a ressurreição do Filho. Continua São Paulo: “Se é só para essa vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão”(1Cor,15,19). A fé na ressurreição nos faz viver a vida nova, com esperança. Esta fé ajuda-nos a correr em meio às nossas noites escuras à procura de Jesus que é a Luz verdadeira.

O Papa Francisco reconhece que, mesmo em meio às graves dificuldades, “é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta, mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias” (Evangelii Gaudium, 6). Mas ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou! Ele vive! Não é uma figura que passou e foi embora, deixando apenas recordações e exemplos. Não pertence ao passado. Jesus não apenas sofreu e morreu por nós e foi sepultado. Ele ressuscitou realmente! Vive e reina para sempre! Esta é a verdade que enche de conteúdo a nossa fé! A Páscoa é motivo de uma alegria permanente para o coração dos cristãos. Reavivamos a surpresa da Páscoa, de que Ele está vivo. Ressuscitou como disse. Agora, podemos vê-Lo pela fé, podemos procurá- Lo, encontrá –Lo, tratar com Ele, depois O veremos como Rei do Universo. A Ressurreição de Jesus é a verdade central da nossa fé, sem a qual toda a sua vida e seus ensinamentos perderiam sentido e a vida seria um absurdo.

Maria, a Mãe de Jesus, que acompanhou o Filho nas mais terríveis e duras horas da Paixão; junto da Cruz, emudecida de dor, não soubera o que dizer; agora, com a Ressurreição, emudecida de alegria, não consegue falar. Procuremos estar unidos a essa imensa alegria da nossa Mãe. Toda a esperança na Ressurreição de Jesus, que restava sobre a terra, tinha-se refugiado no seu coração. Com toda a igreja, neste tempo pascal, saudemos a Virgem Maria: “Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio ressuscitou como disse, aleluia!…”

Somos chamados a ser testemunhas da Morte e Ressurreição de Cristo; deixemo-nos conquistar pelo fascínio da sua Ressurreição. Não podemos conservar para nós a grande notícia! Devemos levá-la ao mundo inteiro: “Vimos o Senhor” (Jo 20, 25). Ajude-nos a Virgem Maria a sermos mensageiros da luz e da alegria da Páscoa para com tantos irmãos nossos; amparados pela força do Espírito Santo, tornemo-nos capazes de a difundir, por nossa vez, onde quer que vivamos e trabalhemos.

Uma Feliz Páscoa para todos!
 
Dom José Maria Pereira

Publicado em PRESBÍTEROS.org.br (*).

(*) Obs: “Por anos este site foi orientado pelo seu criador, o então Pe. Antônio Carlos Rossi Keller, da Arquidiocese de São Paulo, hoje Bispo da Diocese de Frederico Westphalen – RS. A partir de 2007, contou com a colaboração de leigos do apostolado Veritatis Splendor até o início de 2009, quando assumiu a direção o Pe. Demétrio Gomes, sacerdote da Arquidiocese de Niterói – RJ. O objetivo do site é oferecer uma ampla biblioteca para formação permanente, sobretudo dos sacerdotes, com temas de espiritualidade, pastoral, teologia, direito canônico e liturgia, além de roteiros homiléticos e diversos outros materiais de interesse para auxiliá-los em seu ministério, sempre em total sintonia com o Magistério da Igreja“.

Imagem: Paróquia Santíssimo Sacramento – Adoração Perpétua.


 

Jesus nasceu! Nasceu o Redentor! Que Sua luz e Seu amor permaneçam em nossos corações e neles façam morada durante todo ano que se inicia! Feliz e abençoado Natal!

Imagem: Nativity Mural, Bethlehem, Israel. By Paul Fisher.

Que presente podemos dar a Jesus neste Natal?

    Os reis magos vieram da Pérsia, iluminados por uma estrela no céu e por uma luz interior que os guiava e os dirigia para Cristo, o Messias que eles sabiam que os judeus esperavam. A tradição diz que eram reis de pequenos reinos, entendidos em ler as estrelas. Enquanto em Jerusalém ninguém esperava e acreditava, eles, na fé, procuravam o esperado Menino, sua Mãe e seu Pai em Belém. “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,1-2). São Mateus diz que o rei Herodes ficou perturbado e com ele toda a Jerusalém.

    E a misteriosa estrela os guiava até chegarem onde estava o Menino. Encontrando-O, prostraram-se diante d’Ele, “abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes ouro, incenso em mirra”. O ouro é dado ao Rei, o incenso a Deus, e a mirra à vítima a ser imolada um dia no Calvário. Que mistério!

    Que presente podemos dar a Jesus neste Natal?

    Foto ilustrativa: ArtistGNDphotography by Getty Images

    A epifania é esta manifestação de Jesus como Messias, Filho de Deus e Salvador do mundo. Esses “magos”, representantes das religiões pagãs, representam as primeiras nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação do Verbo. A vinda deles a Jerusalém para “adorar ao Rei dos Judeus” mostra que eles procuram, em Israel, a luz do Messias da estrela de Davi, aquele que será o Rei das nações. Isso significa que “a plenitude dos pagãos entra na família dos patriarcas” e adquire a mesma dignidade dos judeus.

    Como escolher um presente para Jesus?

    Os reis magos, que eram pagãos, souberam ver no Menino o Deus Salvador, por isso O adoraram e Lhe deram presentes. E nós, o que devemos dar a Jesus? Antes de tudo, precisamos seguir a sua Luz, a sua Estrela.

    Ora, São João da Cruz disse que “amor só se paga com amor”. Jesus só nos deu amor: Sua vida, Sua morte, Sua ressurreição. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Ele é o amor! Nossos presentes ao grande Menino devem ser presentes de amor.

    Ele disse na Santa Ceia: “Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Então, a primeira disposição nossa deve ser de renovar o desejo de ouvir a Sua voz e obedecer-Lhe. São Jerônimo disse que “quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus”. O primeiro passo é conhecer o que Ele ensinou; o segundo é viver o que Ele manda.

    (…)

    Entregue seu coração para Ele!

    Jesus veio para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,29); Ele é o Cordeiro imolado pelos nossos pecados. Então, o melhor presente que você pode colocar na Sua manjedoura é o propósito firme de lutar, sem tréguas, sem desanimar, sem se cansar, contra os seus pecados, pois o pecado é a única ação que pode afastá-Lo do seu coração, onde Ele quer sempre estar.

    Olhe para você mesmo diante do Presépio, e pergunte ao divino Menino o que Ele quer que você mude na sua vida. Peça-lhe a sua graça, para ouvir a sua voz e ter a graça de obedecer-Lhe. Ofereça esse propósito como o seu ouro, incenso e mirra. Ele vai gostar!

    Mais do que os presentes e as microlâmpadas piscando, Ele quer seu coração; todo, inteiro, sem divisão. Então, o melhor presente é entregar-Lhe o coração determinado a amá-Lo.

    Prof. Felipe Aquino

    Publicado em Formação Canção Nova.

    Ao colocar o Menino Jesus no presépio, reze em família

    À meia-noite de 25 de dezembro, muitas famílias se reúnem para colocar a imagem do Menino Jesus no presépio. É um momento para rezar juntos, pedindo que o Senhor nasça também nos corações de cada um. Por isso, a ACI Digital selecionou estas duas orações para serem rezadas diante do presépio.

    Oração da família diante do presépio

    Menino Jesus, Deus que se fez pequeno por nós, diante da cena do teu nascimento, do presépio, estamos reunidos em família para rezar.

    Mesmo que fisicamente falte alguém, em espírito somos uma só alma.

    Olhando Maria, tua Mãe Santíssima, rezamos pelas mulheres da família, que cada uma delas acolha com amor a palavra de Deus, sem medo e sem reservas, que elas lutem pela harmonia e paz em nossa casa.

    Vendo teu pai adotivo, São José, pedimos ó Menino Deus, pelos homens desta família, que eles transmitam segurança e proteção, estejam sempre atentos às necessidades mais urgentes, que saibam proteger nossos lares de tudo que não provém de ti.

    Diante dos pastores e reis magos, pedimos por todos nós, para que saibamos render-te graças, louvar-te sempre em todas as circunstâncias, e que não nos cansemos de te procurar, mesmo por caminhos difíceis.

    Menino Jesus, contemplando tua face serena, teu sorriso de criança, bendizemos tua ação em nossas vidas.

    Que nesta noite santa, possamos esquecer as discórdias, os rancores, possamos nos perdoar.

    Jesus querido, abençoa nossa família, cura os enfermos que houver, cura as feridas de relacionamentos.

    Fazemos hoje o propósito de nos amar mais.

    Que neste Natal a bênção divina recaia sobre nós.

    Amém.

    Natal Feliz é Natal com Cristo

    Menino das palhas, Menino Jesus, Menino de Maria, aqui estamos diante de ti. Tu vieste de mansinho, na calada da noite, no silêncio das coisas que não fazem ruído.

    Tu é o Menino amável e santíssimo, deitado nas palhas porque não havia lugar para ti nas casas dos homens tão ocupados e tão cheios de si.

    Dá a nossos lábios a doçura do mel e à nossas vozes o brilho do cantar da cotovia, para dizer que vieste encher de sentido os dias de nossas vidas.

    Não estamos mais sós: tu és o companheiro de nossas vidas. Tu choras as nossas lágrimas e te alegras com nossas alegrias, porque tu és nosso irmão.

    Tu vieste te instalar feito um posseiro dentro de nós e não queremos que teu lugar seja ocupado pelo egoísmo que nos mata e nos aniquila, pelo orgulho que sobe à cabeça, pelo desespero.

    Sei, Menino de Maria, que a partir de agora, não há mais razão para desesperar porque Deus grande, belo, Deus magnífico e altíssimo se tornou nosso irmão.

    Santa Maria, Mãe do Senhor e Palácio de Deus, tu estás perto do Menino que envolves em paninhos quentes.

    José, bom José, carpinteiro de mãos duras e guarda de nosso Menino, protege esse Deus que se tornou mendigo de nosso amor.

    Menino Jesus, hoje é festa de claridade e dia de luz. Tu nasceste para os homens na terra de Belém.

    FONTE ACI DIGITAL

    Publicado em Associação Católica Gospa Mira.

    Junho: mês do Sagrado Coração de Jesus

    coracaodejesus

    Neste mês de junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, somos convidados pela Igreja a contemplar e experimentar, nesta devoção, o infinito amor de Deus por nós.

    “Na encíclica «Deus caritas est», citei a afirmação da primeira carta de São João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e cremos nele» para sublinhar que, na origem da vida cristã, está o encontro com uma Pessoa (cf. n.1). Dado que Deus se manifestou da maneira mais profunda por meio da encarnação de Seu Filho, fazendo-se «visível» n’Ele.

    Na relação com Cristo, podemos reconhecer quem é verdadeiramente Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 29,41; encíclica «Deus caritas est», 12-15). Mais ainda, dado que o amor de Deus encontrou sua expressão mais profunda na entrega que Cristo fez de sua vida por nós na Cruz. Ao contemplarmos seu sofrimento e morte, podemos reconhecer, de maneira cada vez mais clara, o amor sem limites de Deus por nós: «tanto amou Deus ao mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que crer nele não pereça, mas que tenha vida eterna» (João 3,16).

    Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

    Por outro lado, esse mistério do amor de Deus por nós não constitui só o conteúdo do culto e da devoção ao Coração de Jesus: é, ao mesmo tempo, o conteúdo de toda verdadeira espiritualidade e devoção cristã. Portanto, é importante sublinhar que o fundamento dessa devoção é tão antigo como o próprio cristianismo. De fato, só se pode ser cristão dirigindo o olhar à Cruz de nosso Redentor, «a quem transpassaram» (João 19, 37; cf. Zacarias 12, 10).

    A encíclica «Haurietis aquas» lembra que a ferida do lado e as dos pregos foram para numeráveis almas os sinais de um amor que transformou, cada vez mais incisivamente, sua vida (cf. número 52). Reconhecer o amor de Deus no Crucificado se converteu para elas em uma experiência interior, o que as levou a confessar junto a Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!» (João 20,28), permitindo-lhes alcançar uma fé mais profunda na acolhida sem reservas do amor de Deus (cf. encíclica «Haurietis aquas», 49).

    Experimentar o amor de Deus

    O significado mais profundo desse culto ao amor de Deus só se manifesta quando se considera mais atentamente sua contribuição não só ao conhecimento, mas também, e sobretudo, à experiência pessoal desse amor na entrega confiada a seu serviço (cf. encíclica «Haurietis aquas», 62). Obviamente, experiência e conhecimento não podem separar-se: um faz referência ao outro. Também é necessário sublinhar que um autêntico conhecimento do amor de Deus só é possível no contexto de uma atitude de oração humilde e de disponibilidade generosa.

    Partindo dessa atitude interior, o olhar posto no lado transpassado da lança se transforma em silenciosa adoração. O olhar no lado transpassado do Senhor, do qual saem «sangue e água» (cf. Gv 19, 34), ajuda-nos a reconhecer a multidão de dons de graça que daí procedem (cf. encíclica «Haurietis aquas», 34-41) e nos abre a todas as demais formas de devoção cristã que estão compreendidas no culto ao Coração de Jesus.

    A fé é um dom que vem do amor

    A fé, compreendida como fruto do amor de Deus experimentado, é uma graça, um dom divino. O homem, no entanto, poderá experimentar a fé como uma graça só na medida em que ele a aceita dentro de si como um dom, e procura vivê-lo. O culto do amor de Deus, ao que convidava aos fiéis a encíclica «Haurietis aquas» (cf. ibidem, 72), deve nos ajudar a recordar incessantemente que Ele carregou com este sofrimento voluntariamente «por nós», «por mim».

    Quando praticamos este culto, não só reconhecemos com gratidão o amor de Deus, mas continuamos nos abrindo a esse amor, de maneira que a nossa vida vai ficando cada vez mais modelada por ele. Deus, que derramou seu amor «em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (cf. Romanos 5, 5), convida-nos, incansavelmente, a acolher seu amor. O convite a entregar-se totalmente ao amor salvífico de Cristo (cf. ibidem, n. 4) tem como primeiro objetivo a relação com Deus. Por esse motivo, esse culto totalmente orientado ao amor de Deus que se sacrifica por nós tem uma importância insubstituível para nossa fé e para nossa vida no amor.”

    (Trecho da Carta de Bento XVI ao padre Peter-Hans Kolvenbach, Companhia de Jesus.)

    Frede Silvério de Oliveira (agente da Pascom)

    Publicado em Paróquia São José – Ressaquinha – MG.

    O que é Sexta-feira da Paixão?

    Por Dom Henrique Soares da Costa

    Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo.

    Muitos vivem a Semana Santa apenas como um feriado, mas não sabem o que é a Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira santa para os cristãos. Este dia faz memória à paixão e morte de Jesus Cristo, e faz parte das festividades da Páscoa, que simboliza a ressurreição do Messias. É considerada uma data móvel, ou seja, não possui um dia específico para ser comemorado anualmente. Por regra, deve ser celebrada na sexta-feira que precede o domingo de Páscoa.

    História

    Numa sexta-feira, provavelmente no dia 7 de abril do ano 30, os romanos crucificaram, a pedido das autoridades religiosas judaicas, o pregador Jesus de Nazaré, em hebraico, Ieshua ben Ioseph.

    Jesus pregava a chegada do Reino de Deus, anunciado nas Escrituras de Israel; afirmava ter vindo de Deus, ser o Filho de Deus. Escolhera Doze discípulos, indicando claramente que, a partir Dele, Israel, o povo das Doze tribos, deveria ser renovado e transformado. Afirmava que aqueles que Nele acreditassem e O aceitassem como Messias e Salvador, que O amassem mais que à própria vida e se abrissem à Sua mensagem sem nenhuma reserva, encontrariam a Luz verdadeira, a Vida verdadeira e venceriam, com Ele e como Ele, a própria morte: as mortes da vida e a Morte última.

    Sexta-feira, 7 de abril, Jerusalém, ano 30. Jesus está na cruz, humanamente aniquilado, um farrapo, um trapo de gente. Perdoa Seus inimigos, entrega-Se com total confiança nas mãos do Deus Santo de Israel, a Quem Ele chamava de Pai, e morre. É sepultado. No terceiro dia, Seus discípulos dizem que Ele veio, vivo, ressuscitado, totalmente transfigurado, glorioso, divinizado na Sua natureza humana, ao encontro dos Seus.

    Tudo mudou para aqueles Doze, tudo mudou para os discípulos, tudo mudou para Paulo de Tarso, judeu culto, letrado, prudente, que diz ter sido encontrado por Jesus vivo, ressuscitado, vitorioso, no caminho de Damasco… Deste testemunho dos Apóstolos a Igreja vive há dois mil anos; por esse testemunho muitos deram a vida, muitos consagraram toda a existência. Os cristãos creem com todas as forças e com razoáveis motivos: Jesus venceu a morte, ressuscitou, está no Pai e, na potência do Seu Espírito Santo, estará presente à Sua Igreja até o fim dos tempos.

    O mistério

    Para os cristãos, no entanto, a cruz nos descortina, fundamentalmente, dois mistérios tremendos.

    Primeiro, o Mistério da Iniquidade, Mistério do Pecado do mundo, fruto da liberdade humana, que pode de tal modo fechar-se para Deus, levando o homem – cada indivíduo e a humanidade toda -, a tal soberba, a tal autossuficiência, a ponto de matar Deus: “Não queremos que Esse aí reine sobre nós! Não temos outro rei a não ser César!” (Jo 19,15). Isso mesmo: a cruz revela até onde o homem pode ir: ele pode matar Deus! E o está matando, continua a matá-Lo, erradicando-O da cultura, da sociedade, das repartições públicas, dos meios de comunicação, das escolas, das famílias, dos corações.

    Mas, a cruz revela também um outro mistério: o Mistério da Piedade! Mistério de um Deus tão grande no Seu amor, tão humilde no profundo respeito pela liberdade humana, que é capaz de Se entregar à morte para salvar essa humanidade tola e prepotente: “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17). Na cruz revela-se até onde Deus está disposto a ir por nós: um Deus solidário, que entra na nossa vida, que assume as nossas contradições, que sofre conosco e morre conosco para nos fazer ressuscitar com Ele, mantendo-nos sempre aberto o caminho da salvação.

    Sexta-Feira Santa; da Paixão! Em Cristo, Deus e o homem estão crucificados, Deus e o homem sofrem juntos, gritam juntos, morrem juntos! Na cruz aparece o amor de Deus e a esperança para o mundo…

    Oração, silêncio, jejum, abstinência, diante do Mistério!

    + Dom Henrique Soares da Costa

    Publicado em Comunidade Shalom (Formação).

    Imagem: Diocese de Crato.