“Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu.” (São João da Cruz – Exaltação da Santa Cruz (OCD)

Exaltação da Santa Cruz

São João da Cruz

“Para expressar a onipotência do Santíssimo Deus e sua personalidade única e indizível, os autores sacros dizem que Deus habita nos altos céus.

Oh percepção do espaço… que me permite conhecer as distâncias, das infinitas extensões aos ínfimos intervalos, dos prolongados caminhos aos curtos atalhos, da ausência de quem está longe, à intimidade de quem se faz próximo.
Oh espaço, categoria que descerra uma pequena fresta do insondável mundo de Deus e que me induz a balbuciá-lo algumas preces e a dizer com o salmo 143: “do alto estende a tua mão, salva-me das águas torrenciais”, ou com o salmo 9: “eu me alegro e exulto em ti, e toco ao teu nome, ó Altíssimo.”
Deus é altíssimo, habita nos céus – nos mais altos céus, melhor ainda, acima dos mais altos céus. Os céus são o nosso limite, ainda por descobrir e decifrar. Mas não há limites para a infinita glória de Deus. E’ o que reza o salmo 113: “Elevado sobre os povos todos è Iahweh, sua gloria está acima do céu”.

E, porque Deus habita nas alturas, è para o alto que os corações de homens piedosos se voltavam, que as mãos de Moisés se estendiam para implorar o favor divino sobre o povo de Deus na vitória sobre os Amalecitas, era para o alto que a fumaça dos incensos se dirigia, era para o alto que soou o primeiro grande clamor do sangue inocente de Abel, ou a malicia de Nínive, quando Deus disse: “quia ascendit malitia ejus coram me”, pois a sua maldade subiu e chegou aos meus ouvidos. Era nos altos lugares que se construíam os altares e templos, e era nos píncaros das montanhas que os homens de Deus subiam para comunicarem-se com Ele. De fato foi no monte Moriá que o nosso pai na fé, Abraão, sentiu o chamado de Deus (Gn 22,1-19) e para o alto do monte levou Isaque para ser sacrificado. Foi no alto do Horeb que Moisés falou com Deus face a face e onde Deus assinou a aliança com o seu povo. O monte Sião, em Jerusalém, elevado acima das montanhas, foi o símbolo do desejo de congregar todos os dispersos de Israel e todos os povos da terra, em Deus. Foi no alto que o Filho de Deus revelou sua glória, estabeleceu sua nova lei das bem-aventuranças e realizou a suprema obra da nossa redenção. O alto nos fascina. Dá-nos a sensação de sentirmo-nos perto de Deus, quando do alto vemos por primeiro o nascer do sol, e por [ultimo o entardecer do dia. O dia parece ser mais longo na montanha, acende em nós a nostalgia da eternidade.

O que nos atrai no calvário?

“Quando eu for elevado atrairei todos a mim”.

Atrai-nos, na exaltação da Santa Cruz, a descida de Deus, que dos céus desce à terra até na Cruz ser cravado. E daí Jesus não descerá, senão pelas nossas mãos. Qualquer homem, qualquer rei, podendo, desceria da Cruz, para aí não morrer. Ele não. Só Deus não desce do madeiro, só o nosso Deus, que entra na morte porque lá se encontra cada amado filho seu. Sobe a cruz para estar comigo e como eu. Estar na Cruz é o que Deus, no seu amor, deve ao homem que é crucificado. Porque o amor conhece muitos deveres, mas o primeiro dos deveres de quem ama é o de estar junto da pessoa amada. Qualquer outro gesto poderia nos dar uma falsa imagem de Deus. Somente a Cruz tira-nos toda dúvida, porque é a revelação suprema de Deus, de um Deus que desce. A Cruz é o abismo onde Deus torna-se o amante.

Subi, oh carmelitas, para o alto, onde habita a glória de Deus, pelo único atalho que não nos fará deter, nem demorar, o mesmo perseguido pelo Cristo, que no alto jaz, nu, só, sem apegos, sem bens, solus cum Deus solus, porque só Deus permanece, tudo o mais passa. Santo Padre João da Cruz recita, feliz e convicto, o caminho: nada… nada… nada… nada… nada… e ainda, no Monte, nada.”

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Boletim de notícias da Província São José – Sudeste do Brasil

 

Da Cruz Misericórdia e perdão – Cardeal Geraldo Majella Agnelo (CNBB) -Artigo sobre a Semana Santa – 30.03.2010

Fonte/imagem: PASTORAL VOCACIONAL CARMELITANA – Província São José

(clique na imagem)

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Ter, 30 de Março de 2010

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

Da Cruz Misericórdia e perdão

Hoje, entramos na Semana Santa. A comemoração do ingresso de Jesus em Jerusalém. Recordamos o mistério de Cristo Salvador que dá a vida por nós, e aprofundamos o sentido de nosso ser cristãos. A celebração de hoje é ao mesmo tempo Domingo de Ramos e Domingo da Paixão do Senhor. Por desejo do Papa é também Jornada mundial da Juventude.

Os ramos constituem o aspecto mais vistoso e sugestivo do acontecimento: palmas e ramos de oliveira recordam o ingresso triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos eram sinal de alegria, porque o povo tinha em Jesus o seu rei e messias. Nós abençoaremos os ramos de oliveira e os levaremos para nossas casas como recordação de Cristo vencedor da morte.

A Jornada da Juventude. Foram os jovens sobretudo com seu entusiasmo a proclamar o triunfo de Jesus em seu ingresso em Jerusalém. É também o reconhecimento da Igreja ao papel dos jovens no anúncio do Evangelho. O apóstolo João na sua Segunda Carta dirige-se aos jovens com plena confiança: “Escrevi a vós, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus habita em vós, e vencestes o maligno”. Eles são capazes de entusiasmo, de disponibilidade com o seu tempo, o seu empenho, de criatividade: sabem ser originais e doar-se.

Na primeira leitura da missa, (Isaias 50,4-7), o profeta do tempo da deportação dos hebreus para a Babilônia, descreve um personagem obscuro, chamado “Servo Sofredor”, que é perseguido por seus inimigos, mas põe sua confiança em Deus. Descreve antecipadamente a vida e a paixão do Senhor Jesus.

Na segunda leitura (Filipenses 2,6-11), Paulo convida os cristãos de Filipos a terem em si “os mesmos sentimentos que foram em Cristo Jesus”. Ele soube viver a obediência ao Pai, e o serviço aos irmãos, até ao dom supremo da vida. Por isso o Pai o proclamou Senhor.

Hoje, lemos por inteiro o relato da Paixão do Senhor, narrado por Lucas 22-14-23,56. Lucas, evangelista da misericórdia de Deus, evidencia como o amor do Senhor, a sua divina capacidade de perdão, tiveram plena manifestação no momento crucial da Paixão. Jesus repõe a orelha do servo do sumo sacerdote ferido pela espada; dirige a Pedro depois da traição um olhar de perdão; demonstra compreensão também para o bom ladrão; os judeus que o escarneciam; o centurião que o põe na cruz. Naquele doloroso momento até Herodes e Pilatos tornaram-se amigos. Jesus não opõe violência à violência, mas escolhe a vida da mansidão e do perdão.

Podemos imaginar o relato da Paixão segundo Lucas como articulado em seis momentos: A hora da amizade: Jesus na última ceia, doa-se a seus amigos; revela com delicadeza a presença de um traidor; confirma Pedro no papel de chefe dos apóstolos. A hora da angústia: Jesus em oração no Horto das Oliveiras experimenta a amargura do abandono, enquanto os seus discípulos dormem. A hora da traição: Judas com um beijo entrega Jesus a seus inimigos. A hora do julgamento: Jesus inocente é processado e condenado pelos homens pecadores. A hora da morte: Jesus é crucificado com dois malfeitores, promete o paraíso ao bom ladrão, abandona-se com confiança ao Pai e morre. A hora do silêncio:Jesus é sepultado por seus amigos em um túmulo novo, à espera da ressurreição.

Escutaremos com atenção, gratidão e afeto, sabendo que o Senhor morreu por cada um de nós.

Uma vez conhecida esta imagem de um Deus que sofre, todas as demais não nos bastam. Se no jardim das oliveiras Jesus consumou a sua paixão moral, no Calvário consumou a sua paixão física. Ele está portanto vizinho também a quem sofre no corpo.  A paixão de Cristo, liturgicamente se renova nesta semana, nos ritos sobretudo da Missa que celebramos, mas de fato, materialmente se renova cada dia, em toda parte em que exista uma pessoa se debatendo-se nos tormentos da violência. Quem sofre pode estar seguro de ser compreendido por Jesus, também quando não tem nada a fazer  e grita a Deus, “Por que, por que, por que?”

O relato evangélico não termina aqui. O último momento é a hora da ressurreição. Nós a celebraremos com alegria no domingo próximo, festa da Páscoa.

(CNBB- Cardeal Geraldo Majella Agnelo – 30.03.2010)

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PARA REFLETIR….

História da Igreja e a ação de Deus

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CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – Artigos dos Bispos

Dom Orani João Tempesta

A ação de Deus na História

Ultimamente o debate sobre os passos do Concílio Vaticano II nos fazem refletir sobre a importância desse acontecimento eclesial.  Como recordou muitas vezes o Papa Bento XVI, infelizmente tivemos muitas interpretações errôneas dos textos conciliares que levaram a Igreja a muitas dificuldades. De outro lado, também escutamos as dificuldades em colocar em prática não só a letra, mas também o espírito desse importante evento. Passados alguns decênios e devido a tantas discussões atuais, seria interessante que pudéssemos estar sempre voltados para a ação do Espírito Santo na sua Igreja e descobrir esses sinais.

Nos inícios do século XX, o interesse pela Igreja renascia nas almas com renovado vigor. O “Movimento litúrgico” esforçava-se por colocar ao alcance de todos o profundo significado da ação litúrgica da Igreja, e a memorável encíclica do Papa Pio XII, “Mystici Corporis”, recolhendo a contribuição de aprofundados estudos e avanços da teologia, ressaltou a dimensão teológica e mística, que, com a dimensão visível e institucional, identifica a Igreja em sua unidade profunda.

Talvez em nenhum outro século a Igreja tenha se voltado para si mesma e refletido sobre sua própria identidade e missão com tanta intensidade e profusão de estudos teológicos e documentos do magistério eclesiástico como no século XX. Mas o que marcou o século XX para a Igreja foi, de fato, o Concílio Vaticano II. A Igreja foi aí o grande tema: a Igreja em si mesma e em sua relação com o mundo; a Igreja em sua unidade fundamental e diversidade de expressões; a Igreja como depositária do Evangelho do Deus vivo revelado em Jesus.

Um dos grandes documentos do Concílio é a Constituição Dogmática “Lumen gentium”. Temos aí uma fonte da qual somos chamados a beber continuamente. A constituição oferece, em linguagem acessível, o que a Igreja pensa sobre si mesma. Toda a riqueza teológica sobre a Igreja, presente nas Escrituras, ressaltada pelos Santos Padres, vivida pelos santos, estudada e sistematizada pelo labor dos teólogos ao longo dos séculos, isto é, toda a tradição de fé a respeito da Igreja encontra na “Lumen gentium” uma vigorosa síntese. Logo no início do documento, a Igreja é apontada como sendo, em Cristo, “como que o sacramento, ou o sinal e instrumento, da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (n.1). Essas breves palavras revelam já o teor e a profundidade das reflexões contidas ao longo de todo o texto.

Quem deseja unir-se intimamente a Cristo, Deus feito homem, não pode ignorar a Igreja que Ele quis. Cristo e a Igreja são, na verdade, inseparáveis. Aqueles que querem Cristo não podem rejeitar a Igreja. O Plano de Salvação de Deus é sacramental, isto é, Deus houve por bem dispensar-nos a salvação valendo-se de sinais sensíveis, de modo que o invisível viesse a nós por meio das coisas visíveis. A humanidade de Cristo é o primeiro grande sinal visível da salvação de Deus. Cristo é o grande e primordial sacramento de Deus no meio de nós. A visibilidade da salvação continua na Igreja, que, com seus sacramentos, a Palavra que anuncia, o serviço da caridade e a sua organização visível, é o grande sinal de Cristo ao longo da história.

(…)Somos convidados a conhecer melhor a Igreja. Sim; ela é a Esposa de Cristo. Nós, batizados, como Povo de Deus a caminho, somos seus membros vivos, em comunhão com os que nos precederam na mesma fé e que hoje estão na glória do céu ou se purificam no purgatório para a visão de Deus. (…)Não podemos ficar indiferentes à Igreja que Ele amou e conquistou com o Seu sangue. A Igreja é a família de Deus, é a mãe que nos gera para a fé em Cristo. Ela nos ensina a amá-Lo, servi-Lo, celebrá-Lo e esperá-Lo vigilantes. Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, disse: “A Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do Povo de Deus, e recordar também aos fiéis deste Continente que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

Que o século XXI possa continuar a empreitada do século XX, fazendo de nosso tempo uma ocasião propícia para um continuado aprofundamento da nossa identidade de cristãos e católicos, membros vivos da Igreja de Cristo. Que a Constituição “Lumen gentium” do Vaticano II nos sirva de farol e guia, já que o revigoramento do verdadeiro sentido de Igreja em nossos corações significa o revigoramento de Cristo em nossas vidas.

(CNBB – Dom Orani João Tempesta – 18.12.2009)

Boatos contra o Papa fazem parte da agenda de lobbies laicistas e anticatólicos, devido à eficaz ação de defesa da vida e da família pela Igreja, afirma vaticanista a respeito de publicação no New York Times,no dia 25 de março de 2010.

Oração a São Miguel Arcanjo

Época: Séc. XIX

São Miguel Arcanjo,
protegei-nos no combate,
defendei-nos com o vosso escudo
contra as armadilhas
e ciladas do demónio.
Deus o submeta,
instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da milícia celeste,
pelo divino poder,
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que andam pelo mundo
procurando perder as almas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.

[Nota: O Papa Leão XIII, durante a celebração de uma missa particular, teve uma visão segundo a qual soube que o Demónio pediu permissão para submeter a Igreja a um período de provações. Deus concedeu-lhe permissão para provar a Igreja por um século (este século). Assim que o Demónio se afastou, Deus chamou Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo e lhes disse:
“Dou-vos, agora, a incumbência de contrabalançar a obra nefasta do Demónio.”

O Papa a seguir compôs a oração a São Miguel Arcanjo, ordenando depois que fosse rezada de joelhos, no fim de cada Santa Missa.

Fonte: http://www.paroquias.org/oracoes/?o=230

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A esta informação agrego outra: o Papa Leão XIII, na Missa referida acima, teria ficado pálido por ouvir a conversação entre Deus e o demônio, e além disso, após a bênção final, ter acompanhado a aparição do Maligno (a quem Jesus se refere). Nesta visão, Satã caminhava entre as pilastras, ao fundo da catedral. Logo a seguir, o Papa, como um ser humano normal, adentra a Sacristia, de acordo com relatos, apavorado. Ajoelha-se imediatamente no genuflexório, e pede ao padre que o auxiliava que registrasse no papel suas palavras. O escrito resultou na oração que conhecemos como “Oração a São Miguel Arcanjo”, publicada mais acima, neste post.

Nosso século é materialista, lógico, mas a Igreja Católica afirma que este evento é extraordinário (e outros), e por tal razão os denomina como “visão mística”. Na História da Igreja Católica há milhares deles, e foram reconhecidos como tal porque em nada contradizem os cânones (as Escrituras Sagradas, a Tradição Apostólica, o Direito Canônico).

Parece que chegou o momento de atentarmos para o combate espiritual severo que este pontífice, o Papa Bento XVI está travando, praticamente sem trégua. Façamos o que ele nos pediu logo que assumiu seu Pontificado: “Rezem por mim”. Afinal, somos membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja Católica.

Que Deus  dê ao Papa Bento XVI fortaleza na sua difícil tarefa e, quanto a nós,  que o Espírito Santo nos alerte e ilumine para que não deixemos de lado a parte que nos cabe neste combate. Ainda que  esta batalha seja visível, lembremos das exortações de São Paulo para o fato de que não lutamos contra a a”carne” e sim contra “potestades”.  No entanto,  nada devemos temer, já que a vitória já foi conquistada por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.

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Fonte: Zenit.org (Roma)

Lobby laicista contra Papa: grande boato do “New York Times”

Por Massimo Introvigne

ROMA, quinta-feira, 25 de março de 2010 (ZENIT.org).- Se existe um jornal que me vem à mente quando se fala de lobbies laicistas e anticatólicos, este é o New York Times. No dia 25 de março de 2010, o jornal de Nova York confirmou esta vocação sua com um incrível boato relativo a Bento XVI e ao cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

Segundo o jornal, em 1996, os cardeais Ratzinger e Bertone teriam ocultado o caso – indicado à Congregação para a Doutrina da Fé pela arquidiocese de Milwaukee – relativo a um padre pedófilo, Lawrence Murphy. Incrivelmente – após anos de esclarecimentos e depois que o documento foi publicado e comentado amplamente em meio mundo, desvelando as falsificações e erros de tradução dos lobbies laicistas –, o New York Times ainda acusa a instrução Crimen sollicitationis, de 1962 (na verdade, 2ª edição de um texto de 1922) de ter agido para impedir que o caso Murphy fosse levado à atenção das autoridades civis.

Os fatos são um pouco diferentes. Por volta de 1975, Murphy foi acusado de abusos particularmente graves e desagradáveis em um colégio para menores surdos. O caso foi imediatamente denunciado às autoridades civis, que não encontraram provas suficientes para proceder contra Murphy. A Igreja, nesta questão mais severa que o Estado, continuou com persistência indagando sobre Murphy e, dado que suspeitava que ele fosse culpado, limitou de diversas formas seu exercício do ministério, apesar de que a denúncia contra ele tinha sido arquivada pela magistratura correspondente.

Vinte anos depois dos fatos, em 1995 – em um clima de fortes polêmicas sobre os casos dos “padres pedófilos” –, a arquidiocese de Milwaukee considerou oportuno indicar o caso à Congregação para a Doutrina da Fé. A indicação era relativa a violações da disciplina da confissão, matéria de competência da Congregação, e não tinha nada a ver com a investigação civil, que havia sido levada a cabo e que havia sido concluída 20 anos antes. Também é preciso observar que, nos 20 anos precedentes a 1995, não houve nenhum fato novo nem novas acusações feitas a Murphy. Os fatos sobre os quais se discutia eram ainda aqueles de 1975.

A arquidiocese indicou também a Roma que Murphy estava moribundo. A Congregação para a Doutrina da Fé certamente não publicou documentos e declarações 20 anos depois dos fatos, mas recomendou que se continuasse limitando as atividades pastorais de Murphy e que lhe fosse pedido que admitisse publicamente sua responsabilidade. Quatro meses depois da intervenção romana, Murphy faleceu.

Este novo exemplo de jornalismo lixo confirma como funcionam os “pânicos morais”. Para desonrar a pessoa do Santo Padre, desenterra-se um episódio de 35 anos atrás, conhecido e discutido pela imprensa local já na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.

De quantas destas ‘descobertas’ ainda temos necessidade para perceber que o ataque contra o Papa não tem nada a ver com a defesa das vítimas dos casos de pedofilia – certamente graves, inaceitáveis e criminais, como Bento XVI recordou com tanta severidade –, mas que tenta desacreditar um pontífice e uma Igreja que incomodam os lobbies pela sua eficaz ação de defesa da vida e da família? (ZENIT-25.03.2010))

“Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.” – A. de França Andrade – Hagiografia

Fonte/imagem: Câmara Municipal de Lamego (séc. XVI) – Portugal

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Quinta-feira (Santa), 25 de março de 2010

Anunciação do Anjo e Encarnação do Verbo

Na humildade e no recolhimento de um lar de Nazaré se passou o mais transcendente acontecimento da História.

Quando a Santíssima Virgem respondeu ao Arcanjo São Gabriel “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (São Lucas, 1,38), o próprio Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, “se fez carne e habitou entre nós” (São João, 1,14).

Tinha assim início o processo de Redenção do gênero humano, o qual culminaria no Calvário, com a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade – Artpress.

Meditação para a Quaresma – “A Sagrada Face do Senhor” – (Flos Carmeli)

No site Flos Carmeli há um interessante resgate histórico sobre a Ordem Terceira e a Ordem do Carmo, que publico aqui, na íntegra, logo abaixo.

Dentro do espírito da Quaresma, também este site carmelita nos apresenta a especial devoção de Santa Teresinha do Menino Jesus à “Sagrada Face”. Esta, ao entrar no Carmelo Descalço passa a assinar seus escritos como  “Ir. Teresa do Menino Jesus da Sagrada Face”. Hà uma boa razão para esta decisão. Sua piedade é profundamente espiritual em relação à imagem de Jesus que se mostra com os olhos semi-cerrados, e com uma coroa de espinhos cravada em sua cabeça, enfim, a própria face do sofrimento. Ela vê nesta imagem o uma analogia com o sofrimento humano, tanto na enfermidade quanto nas provações. Contemplava a “Sagrada Face”, que reproduziu a partir de um quadro,e colocou no cortinado de seu quarto, na condição de enferma.

Pessoalmente, vejo na imagem que Santa Verônica obteve ao colocar um lenço na face de Jesus, rumo ao Calvário, toda a decepção, toda tristeza que Ele sentiu pela carga pesadíssima de pecados da Humanidade, do passado, de seu tempo e dos tempos terríveis que viriam no futuro. Por certo, sabia da tendência futura quanto ao apego ao que é passageiro no mundo. Afinal, Ele mesmo afirmava que era o “Alfa e o Ômega”. Resta-nos refletir:  o que somos nós neste mundo de aparências? O materialismo está nos tornando mais e mais miseráveis…

Senhor, tende piedade de nós! Amém.

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Leia mais sobre a “Sagrada Face” em  Meditação para Quaresma V – A Sagrada Face do Senhorhttp://flordocarmelo.blogspot.com/2010/03/meditacao-para-quaresma-v-sagrada-face.html

Fonte: Flos Carmeli (Flor do Carmelo)

Quem são os carmelitas

A Venerável Ordem Terceira do Carmo (ou chamada Ordem dos Terceiros Carmelitas) é um ramo da Ordem do Carmo composto pelo grupo de membros leigos dos Carmelitas da Antiga Observância, os quais encontram-se sempre unidos em comunhão espiritual e fraterna com os frades contemplativos e com as freiras de clausura da sua ordem religiosa.

A Ordem Terceira do Carmo usufrui do carisma carmelita primitivo da Antiga Observância, ainda que partilhe a riqueza espiritual do ramo reformado por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.

A instituição da Ordem Terceira do Carmo, depois também chamada de Venerável (devido ao fato de se tratar da maior ordem religiosa mariana), remonta ao tempo de São Simão Stock que, além de ter sido um importante instrumento na expansão da Ordem do Carmo, foi quem recebeu das mãos de Nossa Senhora o Escapulário, sob a promessa das graças que concedidas aos seus confrades que o usassem com devoção.

Nossa Senhora anunciou-lhe: “Meu filho muito amado: eis o escapulário que será o distintivo da minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno“. A partir daí, São Simão Sotck passou a difundir, com toda a sua dedicação, esta piedosa devoção mariana pelo mundo inteiro, tendo inclusive sido ele que extendeu a devoção do do Escapulário aos leigos, e obtido, por parte da Rainha Celestial, especial proteção na fundação da confraria de Nossa Senhora do Carmo (no ano de 1251), acolhendo também os devotos leigos que passaram a participar dos grandes privilégios inerentes ao Escapulário.

O Beato João Soreth foi quem instituiu os conventos femininos das Irmãs Carmelitas de clausura e da própria Ordem Terceira do Carmo . Na realidade, tal deve-se ao fato de que, em meados do século XV, apesar dessas comunidades religiosas já existirem, estas viviam sem Regra definida e foi ele quem deu-lhes a devida forma canónica. Foi o Beato João Soreth quem, na primeira pessoa, empreendeu todos os esforços necessários e obteve do Papa a aprovação dos estatutos legais e o reconhecimento da Ordem das Irmãs Carmelitas de clausura e da Ordem Terceira do Carmo (sendo esta última composta maioritariamente por homens e mulheres leigos, mas que estão ligados espiritualmente, e de modo bastante particular, aos restantes membros da Ordem do Carmo).

Breve Histórico da Ordem do Carmo
Quanto à origem da ordem carmelitana, remonta tempos muito antigos. O culto especial e a devoção à Santa Mãe de Deus, remonta a origem da congregação carmelitana aos tempos do profeta Elias. Na Ordem Carmelitana, é guardada a tradição, na qual o profeta Elias, ao ver aquela nuvenzinha que se levantava no mar e a pegada d’homem, teria nela reconhecido a figura da futura Mãe do Salvador.

Segundo uma tradição, aprovada pela liturgia da Igreja (dia de Pentecostes), um grupo de homens devotos aos profetas Eliseu e Elias, foram preparados por São João Batista para o advento do Salvador, ocasião em que abraçaram o cristianismo e construíram junto ao Monte Carmelo, um santuário à SS. Virgem, no mesmo lugar onde Elias vira aparecer aquela nuvenzinha, anunciadora da fecundidade da Mãe de Deus.

Historicamente documentado, temos que no século XII, o calabrês Bertoldo estabeleceu-se no Monte Carmelo com mais alguns companheiros, não sabendo-se se lá encontraram-se com a Congregação dos Servos de Maria ou se fundaram uma com este nome. Em 1209, Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém escreveu as regras da Ordem, e por isto é considerado o primeiro legislador da Ordem Carmelita. Alguns anos depois, São Simão Stok, um eremita que vivia em solidão, e que tinha por morada um tronco oco de madeira, dirigiu-se ao Monte Carmelo, onde encontrou-se com os Servos de Maria e decidiu agregar-se à Congregação. Foi ele quem levou a regra escrita por Santo Alberto ao conhecimento do Papa Honório III, que aprovou e reconheceu a Ordem Carmelita. Fundou a Irmandade do Escapulário a pedido de Nossa Senhora do Carmo.

A instituição oficial das Irmãs Carmelitas e da ordem Terceira do Carmo deve-se ao Beato João Soreth. Apesar de já estarem presentes, em meados do século XV, deu forma canônica e empreendeu todos os esforços junto à Santa Sé para obter do Papa o reconhecimento e aprovação dos Institutos legais.

No século XVI, durante o pontificado de Gregório XIII, Santa Tereza Dávila reformou a Ordem Carmelita, tendo pessoalmente escrito a regra para o segmento feminino. Pediu auxílio de São João da Cruz que, ficou incumbido de escrever as regras do segmento masculino. Desde então, existem dois segmentos: Os da Antiga Observância, e os Descalços (ou Reformados).

Post publicado em Flos Carmeli.

Papa Bento XVI reafirma que Deus “(…) não é um deus qualquer, ou pior, um ídolo em sociedades materialistas nas quais a idolatria é semelhante à da antiguidade, mas o Deus que se revelou a Moisés, isto é, a Palavra que se fez carne em Jesus.” – Homilia (L”Osservatore Romano – Vaticano)

O artigo “O Papa e o mistério da lua“, escrito por Giovanni Maria Vian, e publicado no L’Osservatore Romano, quando o papa Bento XVI iniciava seu quinto ano de pontificado – em 2009, é atemporal. Fala das reações, muitas vezes desfavoráveis,  à proposição do Papa, em todos os cantos do mundo, além do católico, em “progredir no caminho ecuménico”, e que esta proposta manifesta sua “vontade de amizade e de busca religiosa comum com o povo judaico”, acelerando, conforme o articulista, “o confronto com as outras grandes religiões, com a atenção dirigida sobretudo às raízes culturais; de forma que este confronto dê frutos reais sobre temas concretos, do respeito da liberdade religiosa ao da dignidade da pessoa humana, como acontece agora com os muçulmanos”. Para ele, por esta razão, isto faz com que este procedimento do Papa, por ele considerado “límpido,  seja ignorado e que continue a representar, sobretudo em alguns Países europeus, Bento XVI e os católicos em chave negativa e hostil.”

Dentre do âmbito deste artigo, publico a notícia da morte, no dia de ontem, de uma figura de destaque no Oriente Médio dentro do diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas, intermediado pelo Vaticano – xeique de Al-Azhar, Muhammad Sayyed Tantawi . Na página “Mundo” ela foi replicada. Na página “Mundo Católico”, publico notícias, entre outras, que demonstram  o desenvolvimento das várias crises enfrentadas pela Igreja Católica, dentro de um mundo notoriamente materialista, ou seja, com forte tendência ao relativismo moral, que resulta em indiferença ao Cristianismo na própria esfera do mundo ocidental, e como o Vaticano enfrenta tais dilemas.

Sua morte, já que detinha a presidência do grupo formado pela união de duas iniciativas – Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo, deve afetar os direcionamentos propostos na última reunião deste grupo. Presidiu o encontro, realizado entre os dias 23 e 24 de fevereiro último, no Cairo. Publiquei as notícias referentes aos apelos dos líderes religiosos frente à violência e morte por motivos religiosos, bem como sobre o encontro presidido pelo xeique falecido ontem –  Muhammad Sayyed Tantawi, presidente do grupo ecumênico. Neste encontro foi definido que na mesma data, em 2011, haverá nova reunião.

Os encontros entre o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo  procuram atender aos apelos dos líderes religiosos do Oriente Médio frente aos assassínios de cristãos e de fiéis de outras religiões monoteístas. A violência e a morte de civis têm sido perpetrada por  grupos terroristas em nome da religião, e de grupos para-militares, em todo Oriente Médio. Mas estas ações, que, deliberadamente são de extermínio, incluem o Paquistão, a Índia, em outra faixa do Oriente, além da África onde, cristãos  são perseguidos, sequestrados e assassinados. Para piorar, suas igrejas são queimadas, principalmente, no Quênia, na Somália e Sudão. A única saída é buscarem ajuda entre as comunidades cristãs, principalmente do Quênia, que possuem melhor estrutura para darem abrigo aos cristãos africanos que buscam  por proteção neste país. No entanto, sabemos que as comunidades cristãos do Quênia, em ondas, sofrem também a dor da violência e morte em atentados sob o comando de milícias étnicas, avessas ao Cristianismo. No caso de famílias inteiras que conseguem sobreviver a machetes e queimas de povoados, os missionários católicos e de outras denominações providenciam a fuga para lugares seguros em outros países. Por tais razões há registros de inúmeras mortes de clérigos e religiosas católicos, bem como de líderes cristãos nesta faixa de nosso planeta.

O que podemos fazer como leigos e leigas católicos? Encaminhar contribuições, doações por pequenas que sejam (se possível, mensais) às Ordens ou outras denominações que enfrentam perigos mortais em suas Missões. Elas realizam contemporaneamente, de fato, o que Jesus ordenou: “Ide e evangelizai”.

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11-03-2010
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Pêsames do Papa pela morte do xeique de Al-Azhar

Muhammad Sayyed Tantawi foi um impulsor do diálogo com os cristãos

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 11 de março de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI enviou ao xeique Muhammad Abd al-Aziz Wasil, wakil de Al-Azhar, do Cairo (Egito), uma mensagem de condolências pelo falecimento do grande imame e xeique de Al-Azhar, Muhammad Sayyed Tantawi.

O texto foi assinado pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, quem explica que o pontífice, após ter recebido a notícia da repentina morte do xeique, pediu que transmitisse “à sua comunidade e à família do xeique suas mais sentidas condolências”.

O Santo Padre, acrescenta, “recorda a figura relevante deste líder religioso que, durante muitos anos, foi um interlocutor precioso no diálogo entre muçulmanos e cristãos”.

O cardeal Bertone expressa também suas próprias condolências e recorda “com agradecimento o impulso que o falecido xeique deu aos encontros entre o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo”, presidido pelo xeique a quem se dirige a mensagem papal.

O último destes encontros aconteceu no Cairo, nos dias 23 e 24 de fevereiro deste ano. O xeique Tantawi recebeu os participantes no final, acolhendo o agradecimento do cardeal Tauran, presidente do dicastério vaticano, por ter condenado os atos de violência que provocaram a morte de 6 cristãos e de um policial muçulmano em Naga Hamadi, durante o Natal ortodoxo, e de ter expressado solidariedade aos familiares das vítimas, reafirmando a igualdade dos direitos e deveres de todos os cidadãos, independentemente da religião que professam.

Naquela ocasião, o xeique Tantawi declarou que havia feito somente aquilo que considerava “seu dever diante daqueles trágicos acontecimentos”.

Publicado em ZENIT.org.

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FONTE : L’Osservatore Romano – Vaticano

O Papa e o mistério da lua

Giovanni Maria Vian

Inicia o quinto ano de pontificado de Bento XVI, eleito com uma rapidez quase sem precedentes pelo conclave mais numeroso que jamais se reuniu. E contudo o novo Papa não celebrou a sua eleição com tons triunfais, e na homilia da missa inaugural do seu serviço como Bispo de Roma pronunciou uma frase surpreendente: “Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos”. Uma imagem forte, cujo significado se compreende sobretudo nestes últimos meses atormentados.

Conhecedor da tradição, o Pontífice sabe que as vicissitudes da Igreja neste mundo são como as fases alternadas da lua, que continuamente cresce e decresce, cujo esplendor depende da luz do sol, ou seja, de Cristo. Assim, o mistério da lua descrito pelos antigos autores cristãos é o da Igreja, muitas vezes perseguida, com frequência obscurecida pela sujidade por causa dos pecados de muitos dos seus filhos, tal como Joseph Ratzinger denunciou pouco antes da sua eleição, mas que cresce sempre de novo, iluminada pelo seu Senhor. Levar e mostrar a luz de Cristo à obscuridade do mundo como fez várias vezes o Bispo de Roma no escuro inicial da vigília pascal, com um gesto repetido em todos os recantos da terra é a tarefa essencial do Papa.

Consciente de que em muitos Países, também nos de longa tradição cristã, esta luz corre o risco de se apagar, como escreveu na última carta aos bispos. Confirmando, com tonalidades de dolorosa admiração perante o falseamento dos factos, as prioridades menosprezadas do seu pontificado. Antes de tudo, o testemunho e o anúncio de que Deus não está distante de cada pessoa humana e que é verdadeiramente, como repetem incessantemente as liturgias orientais, amigo dos homens. Por isso Bento XVI pede para não excluir o transcendente do horizonte da história, por isso pede com a mesma confiança dos seus predecessores para não se fechar pelo menos à possibilidade, razoável, de Deus. Que não é um deus qualquer ou, pior, um ídolo em sociedades materialistas nas quais a idolatria é semelhante à da antiguidade mas o Deus que se revelou a Moisés, isto é, a Palavra que se fez carne em Jesus. Para falar de Deus, Bento XVI celebra-o na liturgia e explica-o como poucos bispos de Roma souberam fazer, solícito da paz na Igreja que deseja restabelecer, como fez com uma oferta de misericórdia e de reconciliação que está em perfeita continuidade com o Vaticano II em relação aos bispos lefebvrianos.

Por isso o Papa deseja progredir no caminho ecuménico, por isso confirmou a vontade de amizade e de busca religiosa comum com o povo judaico, por isso acelera o confronto com as outras grandes religiões, com a atenção dirigida sobretudo às raízes culturais; de forma que este confronto dê frutos reais sobre temas concretos, do respeito da liberdade religiosa ao da dignidade da pessoa humana, como acontece agora com os muçulmanos. Então fere que este proceder límpido seja ignorado e se continue a representar, sobretudo em alguns Países europeus, Bento XVI e os católicos em chave negativa e hostil. Como aconteceu com o obscurecimento da viagem em África e com o silêncio mediático face às homilias pascais. Mas o Papa não tem medo dos lobos. E não está sozinho porque é apoiado pelas orações da Igreja. Que, como a lua, sempre tira a sua luz do sol.

(Vaticano – 25.04.2009)

Publicado em L’Osservatore Romano.

Dom Orani Tempesta afirma: “Os cristãos ‘participam na vida pública como cidadãos’. A Igreja venera entre os seus Santos numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas atividades políticas e de governo. Também os políticos podem ser santos!” – Artigo publicado no novo site da CNBB (03.03.2010)

"Movimentos: evangelizar a cultura, com testemunho de santidade, oração e formação!" É o que pede no Brasil o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada - Província Franciscana Nossa Senhora da Assunção - Bacabal - MA

Fonte/imagem/notícia: http://www.franciscanosmapi.org.br/ – Publicado em 18/12/2008 – Atualizado em 07.03.2010.

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Fonte: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – “Artigos dos Bispos”

O nosso futuro

Qua, 03 de Março de 2010

A nossa Conferência Episcopal, ecoando um grito de todo o nosso povo, aprovou, coletou assinaturas e entregou ao Congresso Nacional o projeto de lei popular denominado “Ficha Limpa”. É uma iniciativa da Igreja em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, congregando mais de 50 organizações da sociedade civil.

É interessante que quando foi iniciado o processo houve muitas pressões para que não ocorresse. É claro que ele indica uma direção que a sociedade está tentando encontrar para que o nosso processo político seja mais transparente e possa dar frutos democraticamente para o bem social e justo do nosso país. Estamos todos aguardando os passos que os nossos legisladores irão dar para a aprovação desse projeto de lei.

Nas eleições (que a cada dois anos acontece), as tensões políticas acirram os ânimos com as várias denúncias, e ocorre também uma certa paralisia das instituições que começam desde o início a disputa, e com as leis eleitorais, a partir da metade do ano, os projetos e iniciativas são cerceados justamente para tentar barrar aproveitadores da situação, mas que, ao mesmo tempo, emperram a caminhada das instituições e a caminhada do país.

A nossa Conferência Episcopal tem intensificado o seu trabalho em favor de uma verdadeira política para atender aos anseios da população, que necessita de verdadeiras políticas para a educação, saúde, trabalho, habitação, cultura, lazer, em uma sociedade que se privilegia o capital em detrimento à pessoa humana.

Os cristãos “participam na vida pública como cidadãos”. A Igreja venera entre os seus Santos numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas atividades políticas e de governo. Também os políticos podem ser santos!

As sociedades democráticas atuais, onde, louvavelmente, todos participam na gestão da coisa pública num clima de verdadeira liberdade, exigem novas e mais amplas formas de participação na vida pública da parte dos cidadãos, cristãos e não cristãos. Todos podem, de fato, contribuir através do voto na eleição dos legisladores e dos governantes e, também de outras formas na definição das orientações políticas e das opções legislativas que, no seu entender, melhor promovam o bem comum. Num sistema político democrático, a vida não poderia processar-se de maneira profícua sem o envolvimento ativo, responsável e generoso de todos, “mesmo na diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades”.

Nossa “polis” encontra-se hoje dentro de um processo cultural complexo, que evidencia o fim de uma época e a incerteza relativamente à nova que desponta no horizonte. As grandes conquistas de que se é espectadores obrigam a rever o caminho positivo que a humanidade percorreu no progresso e na conquista de condições de vida mais humanas. Constata-se hoje certo relativismo cultural, que apresenta sinais evidentes da sua presença quando teoriza e defende um pluralismo ético que sanciona a decadência e a dissolução da razão e dos princípios da lei moral natural.

Do concreto da realização e da diversidade das circunstâncias brota necessariamente a pluralidade de orientações e de soluções, que, porém, devem ser moralmente aceitáveis. Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam. Se o cristão é obrigado a “admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais”, é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são “negociáveis”.

A busca da verdade e do bem comum faz com que muitas vezes as nossas posições sejam confundidas com as de outros que também defendem posições parecidas em alguns campos, mas contrários aos princípios cristãos em outra realidade. Isso ocorre nos dois lados do processo político, e a Igreja sempre sofre por tomar posições que, se de um lado podem assemelhar-se a de outros grupos, no entanto faz parte de uma totalidade de mentalidade que contradiz outras situações. Estamos sempre em “companhias” que os adversários não aceitam e que outros aplaudem e vice-versa.

A fé em Jesus Cristo, que Se definiu a Si mesmo “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), nos indica o esforço de nos empenharmos mais decididamente na construção de uma cultura que, inspirada no Evangelho, proponha o patrimônio de valores e conteúdos da Tradição cristã e católica, que no fundo são os valores verdadeiros da pessoa humana.

Porém, é insuficiente e redutivo pensar que o empenho social dos católicos possa limitar-se a uma simples transformação das estruturas, porque, não existindo na sua base uma cultura capaz de acolher, justificar e projetar as instâncias que derivam da fé e da moral, as transformações apoiar-se-iam sempre em alicerces frágeis.

A fé não pretende manietar num esquema rígido os conteúdos sociopolíticos, bem sabendo que a dimensão histórica em que o homem vive impõe que se admita a existência de situações não perfeitas e, em muitos casos, em rápida mudança. Neste âmbito, há que recusar as posições políticas e os comportamentos que se inspiram numa visão utópica que, ao transformar a tradição da fé bíblica numa espécie de profetismo sem Deus, instrumentaliza a mensagem religiosa, orientando a consciência para uma esperança unicamente terrena que anula ou redimensiona a tensão cristã para a vida eterna. Isso não significa uma alienação das realidades do mundo, nem tampouco excluir essas preocupações, mas, pelo contrário, dar o verdadeiro peso das realidades humanas com as quais nos comprometemos justamente por causa do Reino dos Céus.

Assim, o político que professa a fé católica é aquele que, acima dos programas partidários, tem um compromisso inalienável com os aspectos da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e a vida, entre o evangelho e a cultura. O Concílio Vaticano II exorta os fiéis “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que, pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, creem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”. Queiram os fiéis “poder exercer as suas atividades terrenas, unindo numa síntese vital todos os esforços humanos, familiares, profissionais, científicos e técnicos, com os valores religiosos, sob cuja altíssima jerarquia tudo coopera para a glória de Deus”.

Que neste ano eleitoral os católicos olhem bem a trajetória política de seus candidatos, para os valores que defende ou aprova, verifique se o tipo de sociedade que ele projeta é realmente o mundo que queremos viver e entregar aos nossos descendentes, se ele sabe utilizar os bens públicos para o bem do povo, e tenham a coragem de votar em candidatos de acordo com a nossa iluminada consciência bem formada.

Dom Orani João Tempesta

Publicado em “Artigos dos Bispos” – Site da CNBB.

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR) e o Comitê Permanente para o Diálogo entre as religiões monoteístas da Universidade al-Azhar, do Cairo (Egito), assinaram um comunicado conjunto em que condenam a utilização da religião para justificar a violência (Agência Ecclesia/Portugal – 02.03.2010)

TÚNEL DO TEMPO

Papa em encontro com lideres religiosos na Igreja da Anunciação, em Nazaré, na Galiléia (Israel - 14.05.2009)

Fonte: Site Papa na Terra Santa

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Mensagem contra o fanatismo e a violência

De visita a Nazaré, na Galileia, o Papa apelou hoje à protecção das crianças do fanatismo e da violência, à coragem dos cristãos na Terra Santa e à convivência pacífica entre as diferentes religiões.

Bento XVI reafirmou o desejo de ver unidos cristãos, judeus, muçulmanos e outras religiões a favor de uma cultura de paz.

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Fonte: Gaudium Press/Radio Vaticana

12.05.2009

Na Esplanada das Mesquitas, Papa encontra líderes muçulmanos e aponta valores comuns entre as religiões monoteístas
(…)
Muro das Lamentações
(…)

Eis o conteúdo do bilhete depositado pelo Santo Padre:

“Deus de todos os tempos,
na minha visita a Jerusalém, a “Cidade da Paz”,
morada espiritual para judeus, cristãos e muçulmanos,
trago diante de Ti as alegrias, as esperanças e as aspirações,
as angústias, os sofrimentos e as dores de todo o Teu povo espalhado pelo mundo.
Deus de Abraão, Isaac e Jacó,
escuta o clamor dos aflitos, dos amedrontados, dos desesperados,
manda a Tua paz sobre esta Terra Santa, sobre o Oriente Médio,
sobre toda a família humana;
desperta o coração de todos aqueles que chamam o Teu nome
para que queiram caminhar humildemente no caminho da justiça e da piedade.
“O Senhor é bom para quem nele confia,para aquele que o busca”. (Lm 3, 25)”

Publicado em Gaudium Press.

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Fonte: Agência Ecclesia – (Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal)

02.03.2010

Católicos e muçulmanos juntos contra a violência

Declaração conjunta assinada pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e a Universidade al-Azhar

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (CPDIR) e o Comité Permanente para o Diálogo entre as religiões monoteístas da Universidade al-Azhar, do Cairo (Egipto), assinaram um comunicado conjunto em que condenam a utilização da religião para justificar a violência.

Entre os pontos sublinhados no documento, indica-se a necessidade de “prestar mais atenção ao facto de a instrumentalização da religião para fins políticos poder ser uma fonte de violência”, pelo que deve ser evitada “a discriminação com base na identidade religiosa”.

O documento foi divulgado pelo Vaticano e resulta da reunião realizada na capital egípcia, nos dias 23 e 24 de Fevereiro. A delegação católica foi liderada pelo presidente do CPDIR, Cardeal Jean-Louis Tauran.

O Imã da Universidade, Muhammad Sayyed Tantawi, condenou a morte de seis cristãos e de um polícia muçulmano, ocorrida em Janeiro.

O evento serviu para reafirmar a “igualdade de todos os cidadãos em matéria de direitos e deveres, independentemente de sua pertença religiosa”, lê-se na declaração final.

Ambas as partes ressaltam os valores do perdão recíproco e da reconciliação, como “condições necessárias para uma convivência serena e fecunda“, assim como define o reconhecimento das semelhanças e o respeito pelas diferenças “um pré-requisito para uma cultura do diálogo sobre a base de valores comuns“.

A declaração conjunta convida católicos e muçulmanos a combater “qualquer acção que crie tensões, divisões e conflitos na sociedade”, promovendo “uma cultura de respeito recíproco e de diálogo, através da educação em casa, na escola, nas igrejas e nas mesquitas“.

O próximo encontro bilateral foi programado para 23 e 24 de Fevereiro de 2011, em Roma.

Octávio Carmo

Publicado em Agência Ecclesia – Internacional | Octávio Carmo | 2010-03-02 | 15:33:05 | Diálogo inter-religioso.

* Grifos meus.

“Será o fim do mundo?” – Editorial – Agência Ecclesia (Portugal) – 02.03.2010

Fonte: Agência Ecclesia Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal

02.03.2010

Será o fim do mundo?

Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água oceano incomensurável de Deus

Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contrário. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabeça que não vem a propósito, um assunto que chegou ao fim mal concluído, um problema novo que se interpôs a todos, alguma sensação de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal. Para não falar no que está por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tensões, com o ego de rastos, a triste sensação de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansaço que desaba e parece bloquear qualquer saída para qualquer problema. E tudo se enrola numa visão mais alargada na profissão, na família, no país de aspecto insolúvel, na economia que parece de terra queimada, na corrupção e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre. E depois o fio da história, o bem e o mal, a incerteza do fim, a dúvida sobre o amanhã, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resistência, a alegria, a relação com os outros, a estima por si próprio. E uma sequência de tragédias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais não sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refeição, numa selecção quase sádica e macabra de acontecimentos como se não houvesse outra forma de pintar a história a não ser em cores de sangue e dor, com tiros, lágrimas e gemidos lancinantes à mistura.

Será esta uma representação real da vida ou estaremos marcados pela náusea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a fúria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depressão e ansiedade dum pós modernismo insano?

Bem diferente é a teoria de Jesus. E a sua prática: o desprendimento dos “lírios do campo”, a providência sobre “os cabelos da vossa cabeça”,a certeza de que “nada do que pedimos é em vão”, a confiança “no pão que nos concede” em vez do escorpião, a certeza de que Ele venceu o mundo – tudo isso que nos sustenta – e nos projecta para além do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma visão azeda da história. Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água oceano incomensurável de Deus. Há negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.

Autor: António Rego
Editorial | António Rego | 2010-03-02 | 11:11:09 | Reflexo

Postado em Agência Ecclesia – Portugal.

Mensagem para a Quaresma de 2010: “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” – Papa Bento XVI (OCDS – Província N.Sra. do Carmo – Sul – Brasil)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Comunidade Santa Teresa – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil

MENSAGEM PARA A QUARESMA

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE,  O PAPA BENTO XVI, PARA A QUARESMA DE 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo”
(cf. Rom 3, 21–22 )

Queridos irmãos e irmãs,

“Todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos . Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cf. Rom 3,21 – 22 ).

Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança. (…)

De onde vem a injustiça?

O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativo ao alimento, podemos entrever nas reações dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior.

Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação: Esta maneira de pensar – admoesta Jesus – é ingênua e míope. A injustiça, fruto do mal , não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista:”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl. 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro.

Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto–suficiência , daquele estado profundo de fechamento, que á a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efetuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente a realizar. (…)

Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cf. Gal 3,13-14). (…)

Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.

Compreende-se então como a fé não é um fato natural, cômodo, obvio: é  necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitencia e da Eucaristia. Graças á ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor (cf. Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.

Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.

Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autentica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.”

BENEDICTUS PP. XVI

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Leia a mensagem completa no site da Comunidade Santa Teresa.

Postado por Comunidade Santa Teresa – OCDS – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil.

Papa Bento XVI em mensagem na reza do Angelus salienta a atuação de São Francisco de Sales, no dia de sua memória litúrgica- 24 de janeiro: “Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja.” (Agência ZENIT – Roma)

São Francisco de Sales, doutor da Igreja

Fonte/imagem/biografia: Franciscanos – Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo

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Transcrevo excerto da mensagem proferida durante a reza do Angelus pelo Papa Bento XVI, por ocasião do 44º Dia das Comunicações Sociais, em que fala de São Francisco de Sales e sua relevância no contexto do revigoramento da evangelização católica entre meados de 1590 até seu falecimento em 1622. A mensagem papal é proferida a cada ano no dia 24 de Janeiro, quando celebramos a memória litúrgica de São Francisco de Sales – santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

A bênção final de Bento XVI também revigora nossa atuação como jornalistas católicos, através dos meios que dispomos, tal como o fez nosso protetor São Francisco de Sales à sua época. Este, através de  “panfletinhos” conquistou milhares de cristãos que, há quase cem anos estavam afastados da fé católica.

São Francisco de Sales interceda junto a Nosso Jenhor Jesus Cristo para que tenhamos a coragem de dar nosso testemunho, através de nossas atividades, tendo o Bem em vista em todas as circunstâncias, e decididamente, evitando a propagação, ou seja, a banalização do mal. Amém.

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Fonte/imagem: Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo (OFMCap) - MA, PA, AP

Papa Bento XVI: “(…)Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (24.01.2010)

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Fonte: Agência ZENIT http://zenit.org/article-23892?l=portuguese

Bento XVI: Igreja, organismo rico e vital, não uniforme

Intervenção com motivo do Angelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu este domingo, ao rezar o Angelus com os peregrinos na Praça de São Pedro.

* * *

“Caros irmãos e irmãs!

Dentre as leituras bíblicas da liturgia de hoje, há o célebre texto da Primeira Carta aos Coríntios, na qual São Paulo compara a Igreja ao corpo humano. Assim escreve o apóstolo: “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1 Cor 12,12-13). A Igreja é concebida como um corpo, do qual Cristo é a cabeça, e que com Ele constitui um todo. Todavia, o que o apóstolo pretende comunicar é a ideia de unidade na multiplicidade dos carismas, que são os dons do Espírito Santo. Graças a estes, a Igreja se apresenta como um organismo rico e vital, não uniforme, fruto do único Espírito que conduz a todos a uma unidade profunda, assumindo a diversidade sem a abolir, e realizando assim um conjunto harmonioso. Ela prolonga através da história a presença do Senhor ressuscitado, em particular por meio dos sacramentos, da Palavra de Deus, dos carismas e ministérios distribuídos pela comunidade. Portanto, é precisamente em Cristo e no Espírito que a Igreja é una e santa, isto é, numa comunhão íntima que transcende as capacidades humanas e as sustenta.

Gosto de sublinhar este aspecto no momento em que vivemos a “Semana de oração pela unidade dos cristãos”, que se conclui amanhã, ocasião da Festa de Conversão de São Paulo. Seguindo a tradição, celebrarei, durante a tarde, a Oração das Vésperas do lado de fora da Basílica de São Paulo, com a participação de representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma.

Invocaremos ao Senhor o dom da plena unidade entre todos os discípulos de Cristo, e em particular, de acordo com o tema deste ano, renovaremos nosso empenho em sermos, conjuntamente, testemunhas do Cristo crucificado e ressuscitado (cfr Lc 24,48). A comunhão dos cristãos, de fato, confere credibilidade e torna mais eficaz o anúncio do Evangelho, conforme afirmou o próprio Jesus, ao orar ao Pai na vigília de sua morte: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia” (Gv 17,21).

Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

[Traduzido por ZENIT

© Libreria Editrice Vaticana]

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Fonte: Agência Ecclesia (Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal) – http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=77039

Vaticano lembra «Igreja que não é notícia»

Um editorial do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, questiona o motivo pelo qual a imprensa não eclesial ignorou o assassinato de 37 missionários em 2009.

“Nos últimos dez anos nunca foi alcançado um número assim tão alto, e a cifra não é definitiva porque provavelmente outras mortes não tiveram repercussão”, escreve o jornal na edição de 4-5 de Janeiro.

De acordo com o editorial, a notícia não teve relevo porque contradiz a imagem dominante da Igreja nos meios de comunicação social: “uma estrutura rica e potente, que quer impor as suas leis também a quem não se sente parte do universo católico, uma oligarquia que é incapaz de entender como o mundo mudou”.

A generalidade dos media considera que a Igreja é uma instituição antiga e rígida, ignorando ou esquecendo que é composta por pessoas seriamente comprometidas com uma missão difícil, e muitas vezes perigosa, “que perdem a vida por causa dessa escolha de caridade corajosa”, lê-se no artigo assinado pela professora Lucetta Scaraffia, docente de História Contemporânea da Universidade La Sapienza, de Roma.

”Sem armas, e frequentemente com pouquíssimos meios, os missionários mártires testemunham que outro mundo é possível, um mundo de solidariedade e verdade, de amor gratuito. E isso já é suficiente para torná-los um alvo mortal”, destaca o Osservatore Romano, citando as histórias dos padres mortos por morarem e actuarem sem protecção em regiões violentas.

Tratam-se de “locais pouco visitados e que poderiam ser definidos como estando abandonados por Deus, mas onde os missionários estão presentes para provar que Deus jamais abandona alguém”, assinala o jornal. “Esta é a verdadeira Igreja, aquela que não faz notícia”, conclui o editorial.

Com Rádio Vaticano
Internacional | Agência Ecclesia | 2010-01-05 | 13:58:53 | Santa Sé

“As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa.(…) O país símbolo desde ano é o Senegal.” – Pontifícias Obras da Infância Missionária (Agência Fides – Cidade do Vaticano – 04.01.2010)

Fonte/imagem/artigo: Jesus abraçava as crianças… – Evangelho Comentado http://www.cantodapaz.com.br/blog/2009/10/02/jesus-criancas-evangelho-comentado/ .Site franciscano, dedicado a Santa Clara e São Franscisco  e temas católicos (esclarecem que os “anúncios Google” são de empresas externas ao site). Confira também: Peça orações às Clarissas, no mesmo site.

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Fonte: Agência Internacional FIDES – News

EUROPA/ALEMANHA Os Cantores da Estrela da Infância Missionária alemã participam da missa de Ano Novo com Bento XVI Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Uma delegação de 22 crianças e jovens provenientes da Arquidiocese de Colônia, membros dos “Cantores da Estrela” da Infância Missionária alemã, participou, em 1º de janeiro, da missa de Ano Novo com o Santo Padre Bento XVI na basílica de São Pedro. A direção nacional alemã das Pontifícias Obras Missionárias o comunicou à Agência Fides. Durante o ofertório, três jovens da delegação, vestidos com os trajes dos Reis Magos, levaram dons ao altar. A delegação das paróquias de Santo Estevão e São Pancrácio, da arquidiocese de Colônia, estavam acompanhados, em sua permanência em Roma, pelo diretor nacional da Infância Missionária, Mons. Winfrid Pilz.
Esta é a sexta vez, desde 2001, que uma delegação de crianças alemãs participa da missa de Ano Novo com o papa. Nesta ocasião, eles comunicam ao Santo Padre o valor de sua coleta em favor de seus coetâneos mais carentes em todo o mundo. As crianças também participarão da audiência geral com o papa. Vestindo os trajes dos Reis Magos, com sua estrela cometa e cantos, no tempo natalino e nos primeiros dias do ano novo os “Cantores da Estrela” batem às portas das casas alemãs. Cerca de meio milhão de crianças nas paróquias católicas da Alemanha levarão às famílias, nestes dias, a benção “C+M+B” (“Christus mansionem benedicat – Cristo abençoe esta casa”= às benedica questa casa”), recolhendo ofertas para seus coetâneos que sofrem em todo o mundo. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides, 04/01/2010)

EUROPA/ALEMANHA – “As crianças encontram novos caminhos: o Senegal é o país símbolo da 52ª Campanha dos “Cantores da Estrela” (Sternsinger) Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Pela 52ª vez, nos dias que antecedem e sucedem a Epifania, os “Cantores da Estrela” (Sternsinger) da Infância Missionária Alemã, estão nas ruas do país com seus cantos natalinos. “As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa. O país símbolo da coleta deste ano, que envolve as crianças alemãs empenhadas por seus coetâneos que sofrem, é o Senegal. Com o lema “Utub yoon bu bees – As crianças encontram novos caminhos”, a campanha de 2010 quer recordar que sobretudo as crianças dos chamados países em vias de desenvolvimento devem encontrar sempre novos caminhos para seu progresso, para construir seu futuro e tomar suas vidas em suas mãos. Graças ao empenho dos “Cantores da Estrela”, em muitas partes do mundo, crianças podem ter a chance de encontrar um caminho de formação escolar e profissional. No Senegal, país símbolo da campanha de 2010, elas tem que percorrer um longo caminho desde as áreas rurais às cidades, onde estão as escolas. Junto a parceiros locais, a Pontifícia Obra da Infância Missionária alemã atua também para garantir que crianças dos países da África Ocidental tenham acesso às novas formas de comunicação, como internet e e-mail. Para preparar a campanha e apoiar a iniciativa, de 15 de setembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, uma van típica colorida, senegalesa, está rodando pela Alemanha. Parando em praças e ruas de várias cidades alemãs, os colaboradores da Missio informam sobre a vida das crianças no Senegal. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides 4/01/2010)

Links: 
Para mais informações e subsídios, visite
 www.kindermissionswerk.de

Postado por Agência Internacional Fides – Cidade do Vaticano.

*Grifos meus.

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“DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS”

Fonte/imagem/artigo: Dicionário da Fé
http://www.dicionariodafe.com.br/artigos/comunhao_7anos.htm: “A Primeira Comunhão aos sete anos ou mesmo antes” – Cardeal Darío Castrillón Hoyos -Prefeito da Congregação do Clero – janeiro de 2005

Carl Vogel von Vogelstein – Galeria de Arte Moderna, Florença

A propósito das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária, agrego a vida de São Judas Tadeu, irmão de de São Simão (que é posterior à linha dos doze Apóstolos). Foi um verdadeiro missionário porque pregou o Evangelho de Jesus Cristo em vários países do Oriente, da Pérsia à Mesopotâmia. A íntegra do artigo está contida no Blog da OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

Uma “historinha” pessoal: quando criança, por sugestão de minha mãe, roguei a São Judas Tadeu, que dizem ser o santo das “causas impossíveis”.. Minha professora, bastante “alterada”, não tinha paciência comigo porque eu, com 11 anos, começava a chorar quando não conseguia resolver (creio que por timidez, nervosismo) uma “quilométrica” conta de divisão… Isto aconteceu várias vezes. Aos meus pés ficava um círculo de lágrimas, e logo que ela me mandava sentar, me via obrigada a pedir para ir para casa devido à dores de barriga, que não cessavam… A vice-diretora, certa vez, irrompeu na sala devido aos seu descontrole… Afinal, tínhamos uma ditadura nos anos 70 no Brasil… Explica mas não justifica, não?

Foi minha professora na 5ª série, e somente falo deste recorte de minha história de vida porque está ligado, por milagre, a São Judas Tadeu e à minha infância, além, é claro, de uma experiência de sofrimento muito marcante. Certamente, segundo a sabedoria divina, deve ter me fortalecido. Creio que me deu um “choque de realidade”. Simples assim. No passado da Humanidade criança não contava… Aliás, isto ainda é comum, infelizmente em nossos dias: as crianças: ou elas passam fome ou são indigentes afetivas, e na pior das hipóteses são expostas a tormentos que lhes tiram a dignidade em mercados que se utilizam até da internet. É o caos. É nosso dever combater estas trevas por todos os meios que dispomos!

No caso de minha professora, compreendi que ela não sabia lidar com sua pesada cruz … A perdoei com a facilidade própria da criança que eu era, já que estava com 11 anos. O evento ficou registrado somente em minha memória. Nada ficou em meu coração sobre sua ação. Explico: era mãe de duas filhas (gêmeas). elas possuíam algum atraso mental, usavam óculos pesados, creio que aos 13, 14 anos, e apresentavam  dificuldades de locomoção. Talvez por este quadro pessoal, tenha projetado o mal-estar que sentia com sua vida… Casualmente, era evangélica: ela mantinha um rabo de cavalo que lhe descia à cintura e sempre vestia saias. enquanto isto, eu apresentava o visual típico dos anos 60, à la “Rita Pavone”, ou seja, bem curtinho… Não guardo mágoa porque quando ela chegava em seu “DKW” com as duas filhas, quase maiores que ela, observava que ela não tinha uma vida “normal”. Possuía compleição física forte – ainda bem… Mas parecia bem difícil sua missão como mãe. Sei lá. Eu era ainda uma criança, mas não tinha raiva dela, e sabia como seria minha tarde se ele me chamasse ao quadro. Me resignava a observar, ao longe, o sofrimento dela… Penso que ela jamais percebeu este fato. O estranho é que, não a vi pedir ajuda e, em contrapartida, ninguém a ajudava… Tenho a imagem quase fotográfica da dificuldade que enfrentava para tirá-las de dentro do carro e levá-las à secretaria. Creio que estudavam em outra escola pela manhã.

Conclusão: a diretora chamou minha mãe pelas dores de barriga frequentes, e principalmente, pelo fato de que minhas notas poderiam impedir-me de passar, no final do ano que estava próximo, para o nível fundamental. Fiz a oração a São Judas Tadeu com fervor, no caso, infantil! Consegui a nota necessária: nem um décimo a mais, nem um décimo a menos! Mesmo assim, a diretora, querida Dona Yolanda não queria me liberar porque acreditava que não conseguiria acompanhar o conteúdo da 6ª série na outra escola. Minha mãe apelou, e ela pelos boletins dos anos anteriores, me liberou! Tem mais: o “milagre” que São Judas Tadeu me concedeu se estendeu à 6ª série: o professor, pai de dois adolescentes, muito brincalhão, por incrível que possa parecer, fez o gesto contrário ao dela: eu me saí tão bem na matemática da 6ª série que ele me chamava ao quadro para “ensinar” os colegas… Nunca esqueci de seu nome: Prof. Cavalcante. Que Deus o abençoe sempre (deve estar com uns 75 anos), e que São Judas Tadeu rogue sempre por ele e sua família! Amém.

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Fonte: OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares)

Liturgia – 18 de outubro
29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia Mundial das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária

(…)

Leituras : Is 53, 10-11 – Sl 32(33) – Hb 4,14-16 – Mc 10, 35-45
“Mestre, queremos que nos conceda tudo o que te pedimos.”

É nosso dever reconhecer todo dia quanto bem Deus nos faz.

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Liturgia – 28 de outubro – Ss. SIMÃO E JUDAS TADEU

Leituras próprias: Ef 2,19-22 – Sl 18(19) – Lc 6, 12-19
“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e entre eles escolheu doze.”
O grupo dos doze constitui o núcleo inicial do novo povo de Deus e nos relembra as doze tribos de Israel.

Festa dos Santos Apóstolos Simão e Judas. Simão é chamado “o Zelota” por São Lucas, pois provavelmente pertencia ao partido que tinha este nome, muito ligado à idéia teocrática e messiânica de Israel. Judas, com o sobrenome de Tadeu, foi o que perguntou a Cristo por que ele se tinha manifestado aos Apóstolos e não ao mundo, e recebeu em resposta a garantia da manifestação divina àqueles que O amam (cf. Jo 14,23).
Simão e Judas aparecem juntos nas diversas listas dos “doze”. Na lista dos doze, Simão vem no undécimo lugar em Marcos e Mateus e no décimo em Lucas; Judas no undécimo em Lucas e no décimo em Marcos e Mateus. Dão a este o cognome de Tadeu. O lugar no fim da lista leva a pensar nos trabalhadores contratados às cinco horas da tarde. (Mt 20,6). “São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, o filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu …” (Mateus 10,1ss.). A respeito de Simão, apenas sabemos que era originário de Caná e era chamado Zelota. Certamente Simão teria pertencido ao partido radical e nacionalista dos zelotas, opositores intransigentes do domínio romano na Palestina. Quanto a Judas, chamado Tadeu, sabemos pelo Evangelho que, na Última Ceia, perguntou a Jesus: “‘Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?’ Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará, e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou”.Segundo S. Jerónimo, Judas pregara em Osroene (região de Edessa). Teria evangelizado a Mesopotâmia. S. Paulino de Nola tinha-o como apóstolo na Líbia. Fortunato de Poitiers julgava-o enterrado na Pérsia. Os martirológios latinos conservam esta notícia, utilizando uma narração que o reúne a Simão.

Postado por OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

“Acreditando na Providência Divina, juntamente com a contribuição do Povo de Deus, construiremos este novo Mosteiro.” – Nova fundação do Carmelo Santa Teresa em Brusque(SC) – Irmãzinhas Carmelitas Descalças

Fonte: Carmelo Santa Teresa – Irmãzinhas Carmelitas Descalças – Itajaí(SC)

Após completar 22 anos de história, o Carmelo Santa Teresa inicia os preparativos para as obras do novo Carmelo Santa Teresa, na cidade de Brusque/SC, na obediência das regras do claustro, pois a obra de Itajaí, foi realizada (adaptada) em construção já existente, não obedecendo suas estruturas as formas gerais pré-estabelecidas para um mosteiro carmelita.

Desejou-se adaptar na cidade de Itajaí as formas obrigatórias de construção, mas em virtude do crescimento da cidade e das casas noturnas na praia Brava, o som provenientes das mesmas e da própria praia devido ao turismo, não oferece o silêncio e a paz, tão necessárias à vida da comunidade Carmelita,  cuja raiz principal é: A vida contemplativa.

Com aprovação das monjas e da Arquidiocese de Florianópolis, foi escolhida a cidade de Brusque/SC, onde a vida é pacata e o local oferece um ambiente próprio e ideal à escuta da Palavra de Deus.

Acreditando na Providência Divina, juntamente com a contribuição do Povo de Deus, construiremos este novo Mosteiro.  As obras de terraplanagem na iniciaram e seu andamento, agora, depende sobretudo, das orações da comunidade e da sua generosidade.

Contribua também, especialmente com as suas orações. Caso queira colaborar com as Irmãzinhas com qualquer quantia, a fim de socorrê-las também em suas necessidades cotidianas, poderá colaborar com qualquer valor através depósito bancário. Nossa conta corrente é: 28.620-6, agência 0401-4 (Banco do Brasil – Brusque/SC),  de titularidade da S. B. Carmelita Santa Teresa.

Qualquer oração ou valor, por menor que seja, representa para nós uma grande ajuda, seja no campo espiritual, seja no material. E desde já agradecemos, pedindo ao Senhor que conceda a todos os visitantes deste portal, copiosas bênçãos, paz na família e sucesso nas suas tribulações e necessidades, sobretudo no campo espiritual. Acompanhe conosco a seguir, as fotos do andamento das obras do novo Mosteiro:

SERVIÇO DE TERRAPLANAGEM PARA O NOVO MOSTEIRO EM BRUSQUE/SC (…)

Postado por Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC).

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(*) Grifo meu.
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Escapulario entregue por Nossa Senhora a São Simão Stock

Se considerarmos que o mundo é a casa onde Deus habita, poderíamos dizer que o Carmelo é este espaço que Ele reserva só para si; a divisão que Ele não mostra aos de “fora”, porque o que está lá dentro Lhe pertence só a Ele”. (Santa Teresa)

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CARMELO SANTA TERESA
Irmãzinhas Carmelitas Descalças  – Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC)

Republicado… (LBN)

Saiba mais sobre o “segredo” que existe na clausura, de acordo com as palavras das irmãs carmelitas descalças, no singelo e interessante site do Carmelo Santa Teresa.

Podem me chamar do que quiserem (os inconvenientes, é claro!):  elas têm um espaço com “velas virtuais”! Adoro ambientes de quietude, em que a chama de uma vela parece iluminar nosso interior. Ela nos lembra a Luz que é Cristo – Aquele que ilumina as nossas trevas, para que as conheçamos, e as que nos circundam – as do mundo. Não acho isto antigo, carola ou “beatice”. Infelizmente, há milhares, milhões de pessoas (mesmo cristãs) fascinadas pelos falsos “brilhos” do mundo…

Deus  criou o  éter… Há uma singela beleza em uma vela acesa dentro de uma pequena igreja; nas catedrais há dezenas, em algumas, centenas. Há muita luz artificial, e pouca lucidez… As velas iluminam o suficiente quando queremos refletir…  A oração pede recolhimento. Mas estamos saturados de imagens e inflacionados por informações desencontradas nas programações televisivas, na internet. Há  letreiros em neon  nas avenidas, luzes que piscam para chamar atenção de qualquer coisa, e por aí vai.  Luminosidades e obscuridades se interseccionando, o tempo todo. Por isto, gosto de velas e castiçais… Dão uma visão poética à vida. Lembram que a vida é um mistério, que a paz pode nos envolver, que temos vida interior…

Em geral, nós, do lado de fora destas grades, ainda que “aprisionados” no deserto desta verdadeira “Babel high-tech”, temos a pretensão de considerar a vida reclusa “um tanto estranha”. Eu penso diferente. Talvez por ter tido o privilégio de ser bisneta de uma aspirante ao noviciado carmelita, no RS. Conheci a intensidade, bondade e serenidade  de sua pessoa, e soube da profunda e sofrida história de vida dessa queridíssima bisavó (materna) – ela faleceu quando eu tinha 17 anos. Além disso, meu avô (aliás, seu filho mais velho), foi seminarista da Companhia de Jesus, também no RS. O fato de serem ambos, mãe e filho “ex-postulantes” nos indica que Deus sussurra em nosso coração um “chamado” especial. No entanto, nos deixa livres quanto à decisão, tal como se dá em todos os âmbitos de nossas vidas. Não há predestinação, e, para mim, esta é a Sua maior prova de amor: a  liberdade. Somos suas criaturas frágeis, miseráveis, e em geral, em meio aos inúmeros afazeres, isto se nos afigura apenas em lampejos. Ainda assim, apesar de nosso reiterado  desinteresse pelo sagrado – as atividades, as preocupações, enfim, o contínuo “fazer” mundano – acredito que Ele cuida de “tudo” suave e discretamente , na tentativa de evitar que nos extraviemos… Por isto acredito em Anjos, sempre prontos, segundo a Vontade de Deus, a nos auxiliar em situações especiais, sem esquecer, é claro, de nosso amado Anjo da Guarda individual, que nos acompanhará até o último sopro de vida (e não sei muito bem), talvez até um pouco mais adiante…

O mundo tem enganado a muitos que associam “fragilidade e miséria humanas” à infelicidade… Esta negação, esta “auto-suficiência” atrelada a uma vida de exterioridades têm levado muitos à perda de si próprios… Estamos todos reclusos dentro do mundo; nossas “celas” são bem diferentes das habitadas pelas  irmãs consagradas… Mas Deus, não nos quis sós, erráticos, sem amparo depois da queda: temos o Espírito Santo, que nos defende, por misericórdia de nosso Salvador e Senhor , Cristo Jesus. Ele que venceu o mundo, sempre ouvirá nossas súplicas. Amém.

No site do Carmelo Santa Teresa elas afirmam convictas: [As Carmelitas estão “escondidas com Cristo em Deus”.]

Memória: Santos Inocentes – Mártires – 28 de dezembro – in “Catolicismo”

Fonte/imagem/matéria: Campanha “Nascer é um Direito”

Matéria – Entrevista com Padre Luiz Lodi da Cruz: “Aborto, jamais. Nenhuma circunstância o justifica”. Aconselhamento.
9/6/2008 – Revista Catolicismo

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Hoje, 30 de dezembro, ante-véspera das comemorações do “Final de Ano”, que se darão no mundo inteiro, é um bom dia para pensarmos nas crianças que nascem sob a égide da injustiça. Há cinco dias comemoramos o Natal (onde o “papai-noel” foi o centro da festa”…), e recordamos a “saga” do Menino Jesus, da concepção à fuga para o Egito. No final das contas, Jesus Menino era um “refugiado” já no ventre da Virgem Maria, acompanha de seu esposo, São José. Estes, certamente são protetores especiais de todos que por eles clamam, porque estão em trânsito, de um país a outro, tanto por perigo de extermínio, quanto, por melhores condições de vida.

Sob outro aspecto, os bebês, as crianças pobres de nosso tempo terão uma heróica mãe subnutrida, desnutrida para os amamentar. E, isto vem se espalhando pelos quatro cantos do planeta, em meio ao prometido e alardeado progresso do binômio “Ciência&Tecnologia”, de fato, não cumprido. é quase um clichê na boca dos tecnocratas e dos burocratas políticos. Não se restringe portanto tão somente aos chamados “Terceiro” e Quarto” Mundos. O “problema”, ou seja, povos itinerantes, trazido pela “ambígua” globalização (ambiguidadade proposital, sem dúvida) começa a minar suas próprias economias nacionais – as do “Primeiro”. Efeito reverso…

Tudo se passa com um indiferença brutal em bairros paupérrimos, na África, na Ásia, e mais recentemente em redutos de pessoas que fogem da miséria de seu país. Nestes guetos, situados em países ricos, não há mais compaixão pela situação em que vivem, salvo exceções. É graça divina o fato de existirem (sem desistência) – iniciativas individuais, de organismos não governamentais sérios, da Igreja Católica e outras igrejas cristãs.

No caso, dos guetos do “Primeiro Mundo”, ao final e ao cabo, por não serem brancos, estes bebês se tornarão trabalhadores “escravos” de pessoas abastadas… São por elas exploradas devido à sua condição de ilegalidade, que remonta a seus pais, avós, tios, etc.. Moram em antros, abandonados pelo poder público que não os legaliza, perseguindo-os como animais, desde os jovens aos mais velhos. Enquanto bebês e crianças não têm direito à assistência pública ampla do país em que são chamados “apátridas”, isto é, sem país. A contradição é que seus pais e familiares lá residem há décadas… Eu diria que os governos fazem “vista grossa” porque, geração após geração, se tornam mão-de-obra barata… Quem vai recolher o lixo, varrer as ruas, limpar prédios turísticos antigos, servir e preparar os jantares, com requintes mantidos há séculos?

O texto abaixo também menciona a naturalização ou banalização, por parte das autoridades públicas, em âmbito mundial, que se dá a partir de propaganda e iniciativas a favor da legalização do aborto. No mundo, a partir desta realidade mais recente (porque, ao que parece, orquestrada…), milhões de bebês-embriões, em clínicas, legais ou ilegais, afora os ambientes sem quaisquer condições de higiene são privados do direito mais elementar: nascer!

Levam faixas e nas ruas gritam suas teorias “pró-escolha”, mas diariamente, de fato, dizem um silencioso e nefasto NÃO à VIDA!

Lembro então que, tudo, desde o início dos tempos, está sendo escrito no Livro da Vida, tanto o bem que fazemos, quanto o mal que perpetramos e não nos arrependemos diante de Deus, o Criador de tudo, de todas as vidas…

Pensando bem, a Humanidade há muito não tem o que comemorar. Esqueceu deliberadamente de praticar o bem que é possível, do amor e de sua partilha…

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Dia dos SANTOS INOCENTES – MÁRTIRES

28 de dezembro

Neste dia a Igreja recorda os meninos inocentes de Belém e arredores, de idade inferior a dois anos, os quais, conforme o relato do Evangelho, foram arrancados de suas mães e assassinados cruelmente, por ordem de Herodes. Embora não tivessem uso da razão, morreram por Cristo Jesus, e por isso a Igreja os honra com o título de mártires.

Em nossos dias, assistimos a uma nova matança dos inocentes, desta vez – é triste reconhecê-lo – tantas e tantas vezes perpetrada pelas próprias mães desnaturadas! De fato, em que consiste o aborto voluntariamente provocado? Consiste, pura e simplesmente, no assassinato do filho pela própria mãe. O feto, ou seja, o ser humano desde o momento da concepção até o do nascimento, é um ser distinto de sua mãe. Eliminar o embrião, seja em que fase for de seu desenvolvimento, é um assassinato que viola os direitos humanos. Ora, com toda a naturalidade se vai disseminando a prática pecaminosa do aborto, consagrada e protegida pelas legislações! E em alguns casos são legalmente punidos médicos ou enfermeiras católicos que em consciência se recusam a participar desses crimes!

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade.

“AO NASCIMENTO DE JESUS”, “PARA A NATIVIDADE”, “AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS” – Poesias XI-XIII-XIV – Santa Teresa de Jesus

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
A caminho de Belém..

Fonte/imagens: Blog da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José (Liturgia)

“Deus se faz um Menino indefeso a fim de vencer a soberba, a violência, o ímpeto de possuir do homem.”

(Bento XVI – 23/12/2009)

Frase extraída do Blog da OCDS.
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Fonte: Obras Completas – Santa Teresa de Jesus – Edição brasileira estabelecida a partir de texto revisado e anotado por Frei Tomas de La Cruz O.C.D.  Editorial Monte carmelo, Burgos, 1997. Edições Loyola,  2002 (2ª edição), São Paulo, Brasil.

Nota 1 (pg.983) – Poesia XI Nas poesias que tratam do nascimento do Menino Deus, Santa Teresa figura os pastores (Gil, Vicente, Pascoal, Brás, Menga, etc.) falando entre si.

XI

AO NASCIMENTO DE JESUS

Ò pastores que velais,

A guardar vosso rebanho, Eis que vos nasce um Cordeiro,

Filho de Deus soberano.

Vem pobre, vem desprezado,

Tratai logo de o guardar.

Porque o lobo o há de levar

sem que o tenhamos gozado.

– Gil, dá-me aquele cajado.

Vou tê-lo nas mãos todo o ano,

Não se nos leve o Cordeiro:

Não vês que é Deus Soberano?

Sinto-me todo aturdido

De gozo e pena. e pergunto:

– Se é Deus o que hoje é nascido,

Como pode ser defunto?

É que é homem e Deus junto;

governa o destino humano;

Olha que o nosso Cordeiro

Filho é Deus Soberano.

Não sei para que é que o pedem,

Pois lhe dão depois tal guerra.

-Olha, Gil melhor será

Que se torne à sua terra…

Mas se todo o bem encerra,

E apaga o pecado humano,

Já que é nascido, padeça

Este Deus tão soberano.

Pouco te dói sua pena!

Tanto é certo que esquecemos

O que os outros por nós sofrem,

Se proveito recebemos!

No vês que um dia o teremos

Pastor do gênero humano?

Contudo é coisa tremenda

Que morra Deus soberano.

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XIII

PARA A NATIVIDADE

Já Deus nos há dado

O amor: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

Seu Único Filho

O Pai nos envia:

Nasce hoje na lapa,

Da Virgem Maria.

O homem – que alegria!

É Deus: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Olha bem, Viente:

Que amor! e que brio!

Vem Deus, inocente,

A padecer de frio;

Deixa o senhorio

Que tem; assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Mas como Pascoal,

tem tanta franqueza,

Que veste saial,

Deixando riqueza?

Mais quer a pobreza!

Sigamo-lo pois:

Se já vem feito homem,

Morramos os dois.

Mas qual sua paga

Por tanta grandeza?

– Só grandes açoites

Com muita crueza.

– Que imensa tristeza

Teremos depois!

Ah! se isto é verdade,

Morramos os dois.

– Mas como se atrevem,

sendo Onipotente?

– Será morto um dia

Por perversa gente.

–  Se assim é, Vicente,

Furtemo-lo pois:

-Não vês que o deseja?

Morramos os dois!

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XIV

AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS

Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

– Grande rumos ouço ao longe

Que parece cantilena,

– vamos ver, Brás, – que amanhece –

A Zagala tão serena.

–  Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

Será do alcaide parenta?

Ou quem é esta donzela?

É Filha do Eterno Padre

E reluz como uma estrela.

Galego, quem chama aí fora?

São Anjos, à luz da aurora.