Bento XVI: “Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.” – Discurso no Pontifício Conselho das Comunicações (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem/texto: Arquidiocese de São Paulo  –“Igreja Católica se prepara para usar novas mídias”

____________________________________________________________________________________________

Fonte: Rádio Vaticano

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) – Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.

Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.

Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendidade e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.

Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.

As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda:
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”

Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos:
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”

Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação:
“A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje.”

Bento XVI reiterou que a “relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas”, sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos “valores espirituais” uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.

Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher “tudo aquilo que existia de positivo” na tradição daquele povo, e “animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo”. A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir “horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar” – concluiu o Santo Padre. (RL)

Publicado em Rádio Vaticano.

São Vicente de Paulo – Memória – 27 de fevereiro (Evangelho Quotidiano)

Fonte/imagem/biografia: Educandário Santa Teresa

____________________________________________________________________________________________

Fonte: Evangelho Quotidiano

Domingo, dia 27 de Fevereiro de 2011

8ª Domingo do Tempo Comum – Ano A (semana IV do saltério)
Hoje a Igreja celebra : S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, confessor, +1862,  S. Leandro, bispo, +600

Ver comentário em baixo (…)
São Vicente de Paulo : Procurai primeiro o reino de Deus

Evangelho segundo S. Mateus 6,24-34.

Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» «Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas
Conferência de 21/02/1659 (trad. a partir de Seuil 1960, p. 547)

Procurai primeiro o reino de Deus

«Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo.» […] Por conseguinte é dito que procuremos o reino de Deus. «Procurai-o» é apenas uma palavra, mas parece-me significar muitas coisas. Quer dizer […] trabalhar incessantemente para o reino de Deus, e não permanecer num estado ocioso e estático, prestar atenção ao interior para bem o regrar, e não aos divertimentos exteriores. […] Procurai a Deus dentro de vós, visto que Santo Agostinho confessa que, enquanto O procurou fora dele, não O encontrou. Procurai na vossa alma, como Sua morada agradável e base onde os Seus servos procuram pôr em prática todas as virtudes. A vida interior é imprescindível, e é necessário ampliá-la; se não tivermos vida interior, nada temos. […] Procuremos tornar-nos interiores. […] Procuremos a glória de Deus, procuremos o reino de Jesus Cristo. […]

«Mas [dir-me-ão] há tanto a fazer, tantos trabalhos em casa, tantos empregos na cidade, no campo; trabalho por toda a parte; será então necessário deixar tudo para pensar unicamente em Deus?» Não, mas é necessário santificar estas ocupações procurando a Deus nelas, e fazê-las para O encontrar, mais do que para as ver feitas. Nosso Senhor quer, antes de tudo, que procuremos a Sua glória, o Seu reino, a Sua justiça, e, por isso, que o nosso tesouro seja a vida interior, a fé, a confiança, o amor, os exercícios espirituais […], os trabalhos e as dores com vista a Deus, nosso soberano Senhor. […] Uma vez assim constituídos na procura da glória de Deus, temos a certeza de que o resto se seguirá.

Publicado em Evangelho Quotidiano.

Jovem congregação de religiosas engajadas no combate ao tráfico de jovens nas Filipinas (Agência Fides)

Crianças filipinas em momento de oração

Fonte/imagem: Missão Portas Abertas

_____________________________________________________________________________________________

Fonte: Agência Fides

23.02.2011

ÁSIA/FILIPINAS – Jovem congregação de religiosas engajadas no combate ao tráfico de jovens, a partir da raiz

Cebu (Agência Fides) – As Filipinas são o quarto dentre os dez países com o maior índice de prostituição infantil. Esta chaga muito grave envolve moças de 15 a 20 anos, mas não poupa meninas de apenas 8 anos. Segundo uma informação enviada à Agência Fides pela Catholic News Agency, Irmã Irene Baquiran, da Congregação da Arquidiocese de Cebu “Immaculate Mary Queen of Heaven Missionaries”, IMQHM, engajada na evangelização dos oprimidos, declarou que as vítimas são obrigadas a ter de 5 a 10 encontros sexuais por noite, por 2 dólares cada. A maior parte das jovens é drogada ou narcotizada por seus exploradores, para suportar o horror. Para combater a pobreza desde suas raízes, as irmãs missionárias IMQHM visitam as aldeias onde os exploradores recrutam as jovens e lhes prometem um bom trabalho na cidade. Através do programa-piloto Feeding of the Good Shepherd Foundation, tentam tirá-las da prostituição oferecendo ajuda. Quando estão em missão, as irmãs caminham em pares e não usam o hábito religioso. Uma das duas entra em um bar e se aproxima da jovem que provavelmente precisa de ajuda, a outra permanece fora para assinalar eventuais riscos. Se conseguem fazer amizade com a menor que quer sair do túnel da prostituição, as irmãs a encaminham ao orfanato onde pode ser hospedada e receber instrução. Irmã Irene relata que as irmãs transformaram seu instituto de Cebu na “Casa do Amor”, ou MQHM Rehabilitation and Livelihood Training Center, onde oferecem abrigo, alimentos, instrução, assistência de saúde e formação profissional às ex-prostitutas e seus filhos. Atualmente, as irmãs hospedam 20 vítimas do tráfico. As irmãs oferecem também instrução a 800 estudantes da escola fundamental e 275 da escola superior. As IMQHM têm grandes projetos para a missão: querem realizar um centro de acolhimento maior, para hospedar até 500 mulheres e crianças menores de cinco anos. Até 2012 esperam introduzir cursos vocacionais e classes de estudo superior. A ordem, fundada em 1996 por Irmã Corazon Salazar, conta oito irmãs professas, 11 com votos temporários e três noviças. Seu carisma é dirigido às mulheres e crianças vítimas da prostituição e da luta à pobreza, causa principal da prostituição. (AP) (23/2/2011 Agência Fides)

Publicado em Agência Fides.

“Foi um momento em que minha incredulidade abalou-se. O judaísmo obscureceu-se e Cristo levantou-se luminoso diante de meus olhos: Cristo no mistério da Cruz” – Edith Stein – Revista Mundo e Missão

Fonte: http://www.pimenet.org.br/mundoemissao/espiritmissaoedith.htm

Revista ” Mundo e Missão”
Espiritualidade e Missão

Edith Stein 

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

TRAJETÓRIA

Edith Stein, de família judia, nasce em 1891, em Breslau (Alemanha), hoje Wroclau (Polônia). Órfã de pai aos dois anos, Edith herda da mãe a austera formação judaica e a paixão pelos estudos. Cursa filosofia em Breslau e em Gottinga na Alemanha. Em 1915, integra a Cruz Vermelha para tratar de feridos da Primeira Guerra Mundial. Os campos de guerra da Moravia lançam-lhe a semente da cruz.

Ela escreverá: “Foi um momento em que minha incredulidade abalou-se. O judaísmo obscureceu-se e Cristo levantou-se luminoso diante de meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. No ano seguinte, passa a ser assistente de Edmund Husserl, cujo pensamento fenomenológico a influencia profundamente. Em 1921, a leitura da Autobiografia de Teresa D’Ávila é a água que lhe faz germinar na alma a semente cristã, semeada em Moravia. É batizada no início do ano seguinte, rompendo com a família, que passou a considerá-la infiel a seus irmãos perseguidos.

Para ela, porém, a perseguição aos judeus era a perseguição à humanidade de Jesus. Imitando-o, ela via a possibilidade de vencer o mal pelo bem. Tal vitória não seria a fuga do sofrimento, mas – aceitando-o na força da cruz – a solidariedade com os que sofrem. Leciona filosofia em Speyer e em Münster até 1933, quando Hitler proíbe os judeus de lecionar. No mesmo ano, ingressa no Carmelo, em Colônia. Em 1938, faz os votos perpétuos e transfere-se para Echt, na Holanda. Os alemães ocupam a Holanda em 1940 e, no dia 2 de agosto de 1942, os judeus católicos são de lá deportados.

Com eles, seguem Edith e sua irmã Rosa, da ordem terceira do Carmelo. Na rápida passagem pelo campo de concentração de Westerbork (norte da Holanda), Edith escreve à priora: “Estou feliz por tudo. Só podemos adquirir a ciência da cruz, experimentando a cruz até o fim… repito no meu coração: ave, ó cruz, única esperança”. De lá, as irmãs são levadas, em 7 de agosto, para Auschwitz, na Polônia. Dois ou três dias depois, morrem na câmara de gás, com outros prisioneiros, cujos corpos são cremados.

A CIÊNCIA DA CRUZ

Sempre mergulhada nos livros, Edith descobre, no Carmelo, que “não é a atividade humana que pode nos salvar, mas só a paixão de Cristo. Participar da paixão do Senhor: eis o desejo”. E escreve: “O caminho da fé nos dá mais que o caminho do pensamento filosófico: nos dá Deus, tão próximo como uma pessoa que nos ama e se compadece de nós, e nos dá esta segurança que não é própria de nenhum outro conhecimento natural. Porém, o caminho da fé é obscuro”.

Seu caminho espiritual é a mística de Teresa D’Ávila e João da Cruz, o pai espiritual das Carmelitas Descalças. Não à toa, ela recebe, no Carmelo de Colônia, o nome de Teresa Benedita da Cruz. E lá surge, entre outros escritos, o seu testamento espiritual: A Ciência da Cruz – Um estudo sobre São João da Cruz, no qual explora a essência da pessoa humana: o eu, a liberdade e a pessoa, de um lado; o espírito, a fé e a contemplação, do outro.

Valem para ela as palavras com que descreve seu guia espiritual: “para aquele místico… a alma está unida a Cristo, e viverá a vida de Cristo, ao conseguir entregar-se completamente a ele, seguindo-lhe inteiramente o caminho da cruz” (A Ciência da Cruz). “Também nós, somente com santa reverência poderemos nos aproximar dos segredos divinos que se passam no íntimo da alma recolhida. Uma vez levantado o véu, não é permitido continuar em silêncio; eis diante de nós… a união beatificante da alma que terminou a via crucis”. Os últimos capítulos do livro não são escritos; são vividos no calvário de Auschwitz.

Frei Romeu Leuven, OCD, é sucinto: “Sua obra, centro de sua vida e lugar de união mística, radica em Deus o princípio e a finalidade da vida de todas as pessoas”. Edith Stein é canonizada em 10 de outubro de 1998, pelo papa João Paulo II, no Vaticano.

Publicado em “Revista Mundo e Missão“.

“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas” – Papa Bento XVI em Audiência Geral (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

16/02/2011

São João da Cruz – tema da audiência geral desta quarta-feira

(16/2/2011) Bento XVI apelou hoje à “purificação” da humanidade, afirmando que a santidade não é “privilégio” de poucas pessoas.
Na audiência publica semanal, realizada na manhã desta quarta feira o Papa apresentou uma reflexão sobre São João da Cruz, espanhol nascido em 1542 e falecido em 1591, religioso carmelita que é visto como uma das referências da história da espiritualidade da Igreja Católica
O Papa destacou o facto deste santo ser “um dos mais importantes poetas líricos espanhóis” e disse que as suas obras propõem “um caminho de purificação da alma pela acção misteriosa do Espírito Santo até à união do amor com Deus”.
“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas”, prosseguiu.
Para Bento XVI, “a santidade não é um privilégio de alguns, é a vocação a que cada cristão é chamado”.
Escutemos Bento XVI falando em português:
“Queridos irmãos e irmãs,
Há duas semanas apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus; hoje gostaria de falar de São João da Cruz, reformador junto com ela da Ordem Carmelita. Nasceu em uma família pobre, tendo ficado órfão de pai ainda jovem. Devido às suas qualidades humanas e resultados no estudo, foi admitido no Colégio dos Jesuítas em Medina do Campo. Terminada a sua formação, decidiu fazer-se Carmelita. Após ter sido ordenado sacerdote, conheceu Santa Teresa, a qual lhe expôs o plano reformador para a sua ordem religiosa, que daria origem aos Carmelitas Descalços. Contudo, a sua adesão à reforma, devido a injustiças e incompreensões, causou-lhe muito sofrimento. Por fim, depois de fazer parte do governo geral da família teresiana, morreu em 1591 [mil quinhentos e noventa e um], dizendo aos seus confrades que recitavam o Ofício Matutino: “Hoje vou cantar o Ofício no céu”. Suas principais obras, nas quais apresenta a sua profunda doutrina mística, são: Subida ao Monte Carmelo; Noite Escura; Cântico Espiritual e Chama viva de Amor.

Amados peregrinos de língua portuguesa: a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!”
Após a catequese, Bento XVI saudou as Missionárias da Caridade, congregação religiosa fundada pela “inesquecível” Madre Teresa de Calcutá, agradecendo-lhes pelo seu “alegre testemunho cristão”.
Presentes na grande aula das audiências do Vaticano, com capacidade para mais de seis mil pessoas, estavam também os coordenadores regionais do chamado «Apostolado do Mar», a quem o Papa encorajou a “encontrar respostas pastorais adequadas aos problemas dos marítimos e das suas famílias”.
Ainda nas saudações em italiano, Bento XVI dirigiu-se aos representantes de uma instituição bancária, pedindo “um compromisso cada vez maior ao serviço das verdadeiras necessidades sociais”.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila” – Catequese do Papa Bento XVI para a audiência geral (Flos Carmeli)

Fonte: Flos Carmeli

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Catequese do Santo Padre Bento XVI – Tema : Santa Teresa de Jesus

Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila

Queridos irmãos e irmãs:

Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.

E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais.

Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila.

Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9).

A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor.

É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.

A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.

Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).

Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.

Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais,

Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,

Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.

CIDADE DO VATICANO, 02 Fev, 2011 – catequese dirigida aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana

Publicado em Flos Carmeli.

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem: Congregação das Irmãs de São Pedro Canísio – Biografia

______________________________________________________________________________________________

Fonte: Rádio Vaticano

09/02/2011 12.08.49

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral

O anúncio cristão, e o ministério dos padres e fiéis, “é incisivo e produz nos corações frutos de salvação, só se o pregador for testemunha pessoal de Jesus e souber ser instrumento de vida moral, através da oração incessante e do amor; isto vale para qualquer cristão que queira viver com empenho e fidelidade a sua adesão a Cristo”. Considerações de Bento XVI, na audiência geral desta quarta-feira, dedicada a São Pedro Canísio (1521-1597), “doutor da Igreja”, jesuíta holandês que actuou sobretudo na Alemanha, nos tempos da Reforma protestante.
“A vida cristã não cresce – sublinhou o Papa – se não for alimentada pela participação na liturgia e pela oração pessoal quotidiana, pelo contacto pessoal com Deus: no meio das mil actividades e dos múltiplos estímulos do dia a dia, é necessário encontrar cada dia momentos de recolhimento perante o Senhor, para O escutar e falar com Ele” – recomendou.
Bento XVI explicou as características de pregador de São Pedro Canísio, cujos catecismos formaram gerações e gerações de católicos, ao longo de séculos. “Em tempos de fortes contrastes confessionais (observou), ele evitava asperezas e a retórica da ira”, expondo a doutrina o mais possível numa linguagem bíblica e sem tons polémicos. Revelando um amplo e penetrante conhecimento da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, as obras de São Pedro Canísio, de uma austera espiritualidade, visavam propor simplesmente os conteúdos da fé católica, revitalizando a fé da Igreja.

Mas ouçamos o resumo que desta catequese Bento XVI pronunciou em português e a saudação dirigida aos peregrinos lusófonos:

“Queridos irmãos e irmãs,
São Pedro Canísio, sacerdote jesuíta e doutor da Igreja, nasceu em Nimega, na Holanda, no ano 1521. Interveio em acontecimentos decisivos do seu tempo, como o Concílio de Trento, e exerceu uma influência especial com os seus escritos. A sua obra mais difundida é o Catecismo, onde aparece a doutrina exposta sob a forma de breves perguntas e respostas, elaboradas em termos bíblicos e sem tons polêmicos. E dele preparou três versões: uma para pessoas com elementares noções de teologia; outra para crianças sem escolaridade; e a terceira para estudantes liceais ou universitários. Nisto se revela uma das características de Pedro Canísio: sabia harmonizar a fidelidade aos princípios dogmáticos com o respeito devido a cada pessoa.

“Amados peregrinos de língua portuguesa, para todos a minha saudação amiga e encorajadora! Antes de vós, veio peregrino a Roma Pedro Canísio para invocar a intercessão dos Apóstolos São Pedro e São Paulo sobre a missão que lhe fora confiada na Alemanha, o seu campo de apostolado mais longo. No seu diário, descreve como aqui sentiu a graça divina que fazia dele um continuador da missão dos Apóstolos. Como ele, todos nós, cristãos, somos enviados a evangelizar, mas para isso precisamos de permanecer unidos com Jesus e com a Igreja. Sobre vós e a vossa família, desça a minha Bênção.”

No final da audiência, após as variadas saudações aos mais de cinco mil peregrinos presentes na Aula Paulo VI, do Vaticano, Bento XVI dirigiu-se particularmente os bispos participantes no encontro promovido pelo Movimento dos Focolares: congratulando-se com “esta oportunidade” de “confrontarem experiências eclesiais de diversas zonas do mundo”, o Papa fez votos de que “estas jornadas de oração e reflexão possam produzir abundantes frutos” para as respectivas comunidades.
Bento XVI saudou também os membros da Associação “Novos Horizontes”, recentemente reconhecida pelo Pontifício Conselho para os Leigos como associação internacional de fiéis.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.” Miguel Yañez – Pontifícia Gregoriana de Roma (Agência Ecclesia)

Fonte: Agência Ecclesia

“Igreja não pode calar a sua voz profética”

Miguel Yañez, professor de teologia moral da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, fala sobre a educação católica

Fórum EMRC

O padre Miguel Yañez, professor de teologia moral na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no Fórum de Educação Moral e Religiosa Católica.

Durante o encontro, realizado entre 28 e 30 de Janeiro, em Fátima, o religioso jesuíta proferiu duas conferências: «A fractura social: pobreza e as opções da Igreja» e «A fractura ideológica: a sexualidade no contexto da antropologia cristã».

Em entrevista à agência Ecclesia, o professor de teologia moral afirma a importância que a Igreja tem na educação e o “papel profético” através dos seus ensinamentos e do testemunho dos cristãos

AE – As duas conferências que proferiu no Fórum EMRC focam duas fracturas, uma social e uma ideológica. Como é que elas se manifestam?

MY – Encontramos brechas numa sociedade pluralista, onde se destacam formas distintas de ver a pessoa humana e as suas relações.

Encontramo-nos numa sociedade onde a globalização se impõe e que é uma conquista. Mas precisamos distinguir entre estas conquistas, que são irreversíveis e representam uma grande oportunidade para toda a humanidade e para a Igreja, do que podemos chamar de uma certa ideologia que parece estar na base de auto poderes que actuam na sociedade e impõem um certo modo de ver a vida, de ver a pessoa, e deixa um pouco a desejar, pelo menos do ponto de vista cristã e humano.

Crescemos muito no século XX, no que à tecnologia e ciência diz respeito. Contudo parece-me que a humanidade tem de dar um salto qualitativo sobre a moralidade pessoal e social.

AE – Que papel tem a Igreja no meio destas duas fracturas?

MY – Antes de mais tem um papel profético com os seus ensinamentos e também com o testemunho dos cristãos. A Igreja não pode calar a sua voz mas, sobretudo através de todos os cristãos inseridos na sociedade, deve tornar presente um estilo de vida que me parece ser, naturalmente, contra-cultural.

No meu entender, (a Igreja deve optar por) um estilo de vida marcado pela promoção da pessoa, diferente do individualismo reinante que tem sido estimulado e tem sido veiculado pelos meios de comunicação social.

AE – A opção preferencial pelos pobres é indicada pelo magistério da Igreja. Como propor esta opção em âmbito escolar?

MY – A formulação da opção preferencial pelos pobres é nova mas a ideia subjacente é sublinhada em toda a Escritura, em especial no Evangelho. Contém uma carga humanista e ética, que filósofos e também políticos incorporaram com outros termos.

Se uma sociedade deseja realmente ser justa – creio que é algo inquestionável – tem de colocar no centro da sua preocupação os mais desfavorecidos e desprotegidos.

Uma sociedade de capitalismo pós-industrial gera uma massa de gente que é expulsa do mercado laboral, do mercado de produção e de consumo. A sociedade não sabe o que fazer com estas pessoas. Como integrá-las nesta dinâmica vertiginosa de crescimento económico, mobilizado pela tecnologia que oferece oportunidades inéditas na história da humanidade – pensemos por exemplo na Internet, nos meios de comunicação social?

Tudo isto é uma grande batalha com uma brecha imensa. É uma questão que agrava a dignidade da pessoa humana.

AE – E como se pode propor a opção pela pobreza em ambiente escolar, tanto na pedagogia como nos conteúdos?

MY – Tem de ser uma proposta a vários níveis. Primeiro temos de mudar de paradigma na actividade profissional. A excelência é, no fundo, um meio para alcançar um êxito pessoal e alcançar uma competitividade que se revela selvagem.

A Igreja tem aqui de propor uma excelência baseada na solidariedade, como afirmou o Papa João Paulo II e o próprio Bento XVI.

Por outro lado são necessárias estratégias concretas e contactos reais com situações de pobreza, com as pessoas que estão excluídas: o voluntariado tem crescido muito, em especial na Europa, e pode ser uma resposta na ajuda do conhecimento de uma realidade que esperamos, depois, possa envolver as pessoas, cada uma no seu local de trabalho e no âmbito da sua profissão.

Precisamos de mudar de sistema, o que será muito difícil. Ou pensar na correcção do actual para que realmente possa ser mais humano.

AE – A educação insere-se nesta fractura ideológica que traçou, no contraste entre a proposta da Igreja Católica e do Estado. Em Portugal vivemos uma situação de constrangimento orçamental que põe em causa a coexistência de duas propostas. Que consequências pode esta situação trazer para o futuro da educação e da sociedade?

MY – Não conheço a situação portuguesa, mas posso falar no que acontece na Argentina. O serviço que a Igreja presta na educação é de caridade. Não porque nós o dizemos, nem pela quantidade de pedidos dos alunos que recebemos.

É um serviço oferecido a todos os níveis sociais que a Igreja desenvolve, um trabalho de integração social muito importante. E também de qualidade, sobretudo nos níveis populares, onde, pelo menos no meu país, a oferta estatal é deficiente.

Se realmente queremos uma promoção dos mais pobres e mais débeis, a educação é uma arma imprescindível. A Igreja, oferecendo um serviço social não deveria ser penalizada e descriminada, mas antes apoiada. É preciso inteligência na concepção política de uma sociedade.

AE – A Igreja pede também aos cristãos que ajudem a sobrevivência destas escolas. Até que ponto a proposta cristã da educação é valorizada?

MY – É fundamental. Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.

LS

Publicado em Agência Ecclesia.

As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus . A solidariedade do Papa aos doentes de lepra e apoio aqueles que os curam , e o pedido de projectos concretos de paz para a Terra Santa

(30/1/2011)

Dirigindo-se aos milhares de pessoas congregadas ao meio dia na Praça de S. Pedro para a recitação do Angelus, Bento XVI comentou o Evangelho deste quarto domingo do Tempo Comum que apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige á multidão das suaves colinas á volta do lago da Galileia.
Jesus proclama bem aventurados “os pobres que o são no seu intimo, os aflitos, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os puros de coração, os que sofrem perseguição”….
Não se trata – salientou o Papa – de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do alto e toca a condição humana, precisamente aquela que o Senhor incarnando-se quis assumir, para a salvar.

As bem-aventuranças são um novo programa de vida para nos libertarmos dos falsos valores do mundo e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros. De facto quando Deus consola, sacia a fome e sede de justiça, enxuga as lágrimas dos aflitos, significa que, para além de recompensar cada um de maneira sensível abre o Reino dos Céus. As Bem aventuranças são a transposições da cruz e da ressurreição para a existência dos discípulos , disse o Papa citando uma passagem do seu livro “Jesus de Nazaret”.São espelho da vida do Filho de Deus que se deixa perseguir, desprezar até á condenação á morte, para que seja dada a salvação aos homens.

Bento XVI salientou depois que o Evangelho das bem-aventuranças se comenta com a própria historia da Igreja, a historia da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – “o que é fraco, segundo o mundo, é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que é vil e desprezível no mundo, é que Deus escolheu como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são” ( 1 Cor 1,27-28) .
Por isso a Igreja não teme a pobreza, o desprezo, a perseguição numa sociedade muitas vezes atraída pelo bem estar material e pelo poder mundano – disse Bento XVI a concluir.

-Depois da recitação do Angelus o Papa recordou que neste domingo se celebra o dia mundial dos doentes de lepra, promovido nos anos 50 do século passado por Raul Follereau e reconhecido oficialmente pela ONU.
“A lepra, – salientou Bento XVI- embora esteja a regredir, infelizmente atinge ainda muitas pessoas em condições de grave miséria. A todos os doentes asseguro uma oração especial, que estendo a todos aqueles que os assistem e de varias maneiras se empenham a vencer o morbo de Hansen. Saúdo em particular – acrescentou o Santo Padre – a associação italiana dos Amigos de Raul Follereau que completa 50 anos de actividade

Bento XVI recordou ainda que nos próximos dias em vários países do Extremo Oriente se celebra com alegria, especialmente na intimidade das famílias, o novo ano lunar. A todos aqueles grandes povos o Papa desejou de coração serenidade e prosperidade.
Outra efeméride á qual Bento XVI quis referir-se foi a jornada internacional de oração pela Paz na Terra Santa.
Associo-me – disse o Santo Padre – ao Patriarca Latino de Jerusalém e ao Custodio da Terra Santa no convite dirigido a todos, a pedir ao Senhor para que faça convergir as mentes e os corações para projectos concretos de paz.
Simbolicamente, no final do Angelus, duas crianças lançaram pombas brancas desde a janela do apartamento do Papa, sobre a Praça de São Pedro, numa iniciativa promovida pela Acção Católica de Roma.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011 (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

INTENÇÃO MISSIONÁRIA

29.01.2011

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Durante sua vida terrena, Jesus sempre esteve próximo ao sofrimento humano. A experiência da cura dos enfermos ocupou boa parte de sua missão pública. Para Ele levaram os doentes, os aleijados, os cegos e leprosos. Uma cadeia de dor vivida muitas vezes na exclusão social e considerado o resultado do pecado pessoal ou de seus pais (Cf. Jo 9, 2). Santo Agostinho amava chamar Jesus de “o médico humilde”. Ele passou pelo mundo fazendo o bem e curando as doenças. Bento XVI disse: “Apesar de a doença fazer parte da experiência humana, a ela não conseguimos nos acostumar, não só porque às vezes é realmente pesada e grave, mas essencialmente porque somos criados para a vida, para a vida completa. Justamente, o nosso instinto interior nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, aliás, como Vida eterna e perfeita (Angelus de 8 de fevereiro de 2009). Às vezes a dor e impotência causada pela doença podem colocar à prova a fé. Os fiéis têm o dever de ajudar seus irmãos a encontrar o significado do sofrimento na cruz de Jesus Cristo e continuar a rezar para pedir a Deus a graça de “saber sofrer”. Precisamos ser  para eles a proximidade de Deus na dor. Diante da pergunta colocada pela doença, Deus respondeu em Cristo Jesus: “Deus – que nos revelou seu rosto – é o Deus da vida que nos liberta de todo mal. Os sinais de sua força de amor são as curas que realiza demonstra assim que o Reino de Deus está próximo, restituindo aos homens e mulheres sua integridade de espírito e corpo” (Bento XVI, ibid). Mas essas curas físicas não um fim a si mesmo. São sinais que falam da necessidade de uma cura mais profunda. A doença mais grave que afeta os seres humanos de todos os tempos é a ausência de Deus, fonte da verdade e do amor. Em Cristo, Deus se tornou Bom Samaritano para nós. Através da encarnação tornou-se o “nosso próximo”, ele nos pegou sobre seus ombros de Bom Pastor e nos trouxe para a estalagem, que é símbolo da Igreja. Ele curou as nossas feridas com o óleo dos sacramentos, para recuperar a nossa saúde. Falando do sentido pleno do ministério de Cristo, o Papa afirma que “só a reconciliação com Deus pode nos dar a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem Amor sem verdade não seria a vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e do amor, e assim é cura no profundo de nosso ser. Entende-se, portanto, porque a sua pregação e as curas que faz estejam sempre unidas: formam uma única mensagem de esperança e salvação” (Bento XVI, ibid.). O ministério de Cristo continua na Igreja. Ela continua a curar o ser humano com a graça dos sacramentos, enquanto, envolvida em milhares de atividades beneficentes, atenua o dor daqueles que sofrem, sendo para eles a presença amorosa de Deus Rezemos para que muitos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – que cuidam dos doentes em várias partes do mundo, continuem sendo as mãos e o coração de Cristo para seus irmãos nos países de missão. “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. (Mt 25, 40). (Agência Fides 29/1/2011)

“Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar” – Artigo – Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

Fonte:  http://teresadejesus.carmelitas.pt/

Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar

Caminhar está na moda e é saudável. E o mundo está sulcado de caminhos que cruzam como chicotadas a pele do planeta. Caminham os que emigram procurando melhores condições de vida; caminhamos peregrinos por diferentes motivos; caminhamos para mantermos a linha; caminhamos ao passear pelos nossos parques e cidades.

E no dia em que temos de pegar na bengala, damo-nos conta de que caminhar é aprendizagem da vida, um sinal de liberdade e todo um sofrimento ou prazer, dependendo de que lado o vejamos.

Teresa gostava de caminhar. A sua vida abre-se aos nossos olhos com o episódio infantil da escapada a terras de mouros. Um episódio real e simbólico, do Caminho que Teresa fará ao andar (viver); ao morrer (ouvem-na dizer: “já chegou a hora desejada, já é tempo de que nos vejamos, Senhor meu, já é tempo de caminhar”).

Mulher andarilha por todos os caminhos, nunca vai só. Na infância, o companheiro foi seu irmão Rodrigo; em adulta, serão seus irmãs e irmãs que lhe seguem os passos, e, finalmente, quando morre, será esse Senhor, que a Si próprio Se definiu como Caminho, quem Se vai converter para ela em companheiro de viagem – na própria viagem e meta.

Um belo dia, brotará da sua ágil pena um “Caminho”, procurando o ideal da infância, porque nos recordará, ao Carmelo, que “viemos para morrer por Cristo”, e nele nos fará a grande confidência da sua vida: que a oração é um caminho, que este caminho é a vida e que esta vida é a verdade.

A imagem teresiana de um caminho que nos aperfeiçoa e que é, ao mesmo tempo, perfeito, torna-se acessível e atractiva para os que compreendemos que a oração é esse Caminho, e que orar é viver em companhia amorosa, lado a lado com os irmãos e com Jesus, sendo este “um caminho real para o Céu”. Cada passo que damos aproxima-nos um pouco mais da meta, a de ganhar um grande tesouro: Deus. Um Deus que “basta”, um “mar de maravilhas sem fim”, “uma formosura que contém em si todas as formosuras” …

E embora este caminho tenha os seus perigos e custe caminhar, “não parar até chegar à meta (o fim da vida), aconteça o que acontecer, custe o que custar, pareça bem ou mal aos outros, ainda que morramos no empenho, ainda que nos cansemos e… ainda que o mundo se afunde”, merece a pena suportar os incómodos e peripécias que nele se encontram.
A bagagem é leve, poucas coisas são precisas: “amor de umas para com as outras, despojamento das coisas criadas (liberdade) e verdadeira humildade”. O amor é-nos necessário a todos nós que caminhamos, para atenuar os choques inevitáveis e deixar que brote a amizade. O estar apaixonados por Deus e olhar o afecto pelas coisas com distância e respeito dá-nos uma grande liberdade. E a humildade, que é a verdade, ou seja, o reconhecimento de que não somos nem melhores nem superiores aos outros. Não precisamos de muito mais na mochila. É questão de convicções, desejos e propósitos.

O caminho é longo, árduo, custoso e “quem caminha, caminhará pouco e com trabalho se não tiver bons pés e coragem e ousadia nisso mesmo”, dirá João da Cruz. E o mesmo santo sentenciará que, para chegar ao cume, “é necessário estar apaixonado por Deus”.

Ambos, como guias experimentados descrevem-nos a meta, o cume, em termos de beleza irresistível: “só Deus basta” – dirá Teresa, e João responderá: “Por toda a formosura, nunca eu me perderei senão por um não sei quê que se alcança por ventura”.

E, enquanto caminhamos (vivemos), vamos trilhando a rota do Pai-Nosso, aproximando-nos cada vez mais da última paragem, essa que na petição orante soa como “livrai-nos de todo o mal”, essa que é sinónimo de felicidade, de bem-aventurança, de felicidade, de gozo. Essa que é encontro e abraço, e descanso e festa. Essa que é “chegar a casa”.
Teresa, andarilha por todos os caminhos, a ti que seguiste o Caminho e gostavas de caminhar, concede-nos um pouco da tua coragem para seguir o Mestre como tu fizeste.

Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

2010-12-18

Publicado em  Santa Teresa de Jesus -“Para Vós Nasci”

Situação dos Cristãos no Oriente Médio é Tema de Encontro do CMI (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

26/01/2011

SITUAÇÃO DOS CRISTÃOS NO ORIENTE MÉDIO TEMA DO ENCONTRO DO CMI

Genebra, 26 jan (RV) – “Construir comunidades em favor da paz justa entre homens e mulheres” é o tema da próxima sessão da Comissão Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) que se realizará de 16 a 22 de fevereiro próximo, em Genebra, na Suíça.

A comissão refletirá sobre a difícil situação dos cristãos no Oriente Médio e será apresentado o documento “Apelo ecumênico pela paz justa”, em vista do encontro ecumênico internacional pela paz que se realizará de 17 a 25 de maio próximo, em Kingston, capital da Jamaica.

O apelo pela paz, cujo documento foi escrito na assembleia do CMI realizada, em 2006, em Porto Alegre, convida a comunidade cristã no mundo a promover a paz justa e se baseia nas indicações emersas durante a Década Ecumênica “Vencer a violência”, concluída em 2010.

A Comissão Central deverá decidir o tema da 10ª Assembleia do CMI que se realizará, em Busan, na Coreia do Sul, em 2013. (MJ)

Publicado em Rádio Vaticano.

“Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. (…)” – Papa Bento XVI (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

24.01.2011

VATICANO – “Também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente da parte quem anuncia”: Mensagem para o Dia das Comunicações Sociais

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.” É um trecho da mensagem do Santo Padre Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano se celebra no domingo 5 de junho sobre o tema “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”. A mensagem sublinha que “as novas tecnologias estão mudando não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma”. No mundo digital, o comunicar é considerado sobretudo “como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas”, todavia isto se confronta com alguns limites: “a parcialidade da interação, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo”. O Papa evidencia como são sobretudo os jovens a viverem este radical mudança da comunicação, marcada pelo “ envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network” e prossegue: “a presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual”. A oportunidade de encontrar-se “além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando assim um inteiro novo mundo de potenciais amizades” requer todavia alguns riscos dos quais o Santo Padre evidencia, para concluir: “É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida”.
Na segunda parte da Mensagem o Papa recorda que “também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva”, aliás, “existe um estilo cristão de presença também no mundo digital… Comunicar o Evangelho através da nova mídia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia”.
Na parte conclusiva, Bento XVI ressalta que “a verdade do Evangelho não é algo que possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária.. Também neste campo somos chamados a anunciar a nossa fé que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história… A verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network”. (SL) (Agência Fides 24/01/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em italiano

Publicado em Agência Fides.

São Francisco de Sales – Memória – 24 de janeiro – Patrono da Imprensa Católica

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro Oeste

São Francisco de Sales

São Francisco de Sales nasceu no castelo de sua família em Thorens, Savoy França em 1567. Ele estudou em Annecy, Paris e em Pádua na Itália ,e recebeu o doutorado em leis na idade de 24 anos. Recusou uma brilhante carreira e resolveu estudar para sacerdote apesar da oposição da família.

Ordenado em 1593 ele tornou-se reitor em Genebra, Suíça e foi depois para Chablai onde trouxe 8.000 [calvinistas] de volta à Igreja. Em 1599 Francisco foi indicado como bispo coadjutor em Genebra.

Ele sucedeu o bispo em 1602 e tornou-se uma figura líder da “Contra-reforma” e ficou famoso pelos sua sabedoria e ensinamentos.

Um confessor notável, ele dirigiu Santa Joana de Chantal. Ele também fundou varias escolas e estabilizou a Igreja na região.

Com a Santa Joana de Chantal ele fundou a Ordem da Visitação em 1610. Ele faleceu em Lyons, na França em 1622. Foi beatificado no ano que faleceu e foi a primeira beatificação a ser formalizada na Basílica de São Pedro.

Ele foi canonizado em 1653 e declarado Doutor da Igreja em 1877.

Dois dos seus escritos “Introdução a Vida Devota” e o “Tratado do amor de Deus” são considerados clássicos espirituais. Em 1923 foi declarado patrono da imprensa católica.

São Francisco de Sales…rogai por nós!

Publicado em Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro Oeste.

O papa Bento XVI enviou, nesta sexta-feira, 14, uma mensagem de solidariedade às vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro (Flos Carmeli)

Fonte: Flos Carmeli

Mensagem do Santo Padre às Vitimas

O papa Bento XVI enviou, nesta sexta-feira, 14, uma mensagem de solidariedade às vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Em telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, o papa se diz “consternado com as trágicas consequências das fortes chuvas que atingiram a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, particularmente Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo”.

Bento XVI manifesta sua solidariedade espiritual ao querido povo fluminense, nessa hora difícil” e “recomenda as vítimas a Deus misericordioso e implora a assistência e consolação divina para os desalojados e quantos sofrem física e moralmente, enviando-lhes uma propiciadora bênção apostólica”. O telegrama foi enviado ao bispo de Petrópolis, dom Filippo Santoro.

Os números da maior tragédia climática do país não param de crescer. Os mortos já passam de 700 e são milhares de desabrigados e desalojados na região serrana do Rio.

A Igreja pede ajuda aos que sofrem.

Faça a sua doação:

Cáritas Arquidiocesana – Rio de Janeiro
Banco Bradesco
agência 0814-1
conta 48500-4.

Campanha “SOS Serra” – Diocese de Petrópolis
Banco Bradesco
Agência 4014
conta 11.4134-1

Campanha “SOS Nova Friburgo” – Diocese de Nova Friburgo
Banco Bradesco
Agencia 540
conta 114.000-0

Campanha “SOS Teresópolis – Donativos” – Prefeitura de Teresópolis
Banco do Brasil
agência 0741
conta é 110000-9

Publicado em Flos Carmeli,