“A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé.” – 29 de junho (Ecclesia Una)

O autor do texto abaixo é Everth Queiroz Oliveira, 14 anos. É estudante, e em seu blog “Ecclesia Una” se afirma como “Cristão Católico”. Admito que  fiquei impressionada com o conteúdo geral do blog deste menino. Ele toca em um assunto que considero muito importante: “um católico/cristão” pode fazer parte da Maçonaria, ou integrar a Ordem Demolay?

É autor do post abaixo, em que fala da “Solenidade de São Pedro e São Paulo”. Em seu blog apresenta o bispo de sua Diocese – Ituiutaba (MG) – Dom Francisco Carlos. Ele, Everth – se descreve assim: “Uma mente medieval em meio ao mundo moderno“.

Peço a Deus-Pai que abençoe este menino extraordinário em seus caminhos, iluminando sempre seus passos.  Que não perca a humildade (cheia de devoção) que transparece em seus escritos e em seu olhar. Que a oração seja o seu escudo no “bom combate”. Amém.

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. Ecclesia Una

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Ecclesia Una (blog)

27/06/2009 por Everth Queiroz Oliveira

A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé. Trata-se de uma das mais importantes festividades da Igreja, onde se lembra – liturgicamente falando – a fundação da Igreja Católica. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). De fato, aqui tudo começou: o ministério apostólico, a missão evangelizadora dos cristãos, a pregação da doutrina. Com essas palavras de Jesus, a Igreja começava a se formar e é hoje que celebramos mais um aniversário da Igreja. Sim. São quase 2000 anos de história, de lutas, de conversões, de testemunhos, de santidade, de vida, de .

Quando passamos a observar a dimensão da Igreja Católica no mundo, observamos o quão grandes somos. Em particular, cada um de nós é um ser humilde, simples; no entanto, por meio da união, evidencia-se na Igreja cristã um Pai Nosso, de todos nós, que protege e guarda o Sumo Pontífice Bento XVI, os cardeais e bispos do mundo inteiro, além, é claro, dos sacerdotes e leigos responsáveis por combater o depósito da fé. De fato, não dá para pensar em Igreja Católica sem se lembrar da figura sempre atuante de Jesus Cristo. Com efeito, a própria Igreja é o Corpo de Cristo. Fundada por Ele, ela segue seu ministério com amor, empenho e dedicação. Não se aflige com os pecados dos seus ministros, pois sabe que esses pecados não interferem e nem mancham a santidade da Igreja, que é, segundo São Paulo, “sem mácula, sem ruga” (Ef 5,27).

Nós, que somos católicos, sentimos um imenso orgulho em participar da união católica, que é evidenciada e completada pelo banquete nupcial: a Eucaristia. E a Igreja é a única a conter esse mistério inefável. O Corpo e o Sangue de Jesus estão verdadeiramente na Santa Sé, na Igreja; e Ela é a única a manter em sua doutrina esse tão belo tesouro. Não existe, aliás, riqueza maior do que Jesus Eucarístico. A plenitude da fé, do amor, da caridade e da santidade só pode acontecer no Santo Sacrifício da Missa, onde celebramos a Eucaristia. Nesse sentido, celebramos a Missa de aniversário da Madre Fiel e pura.

E por que é tão importante celebrar, no contexto da fundação da Igreja, os apóstolos Pedro e Paulo? Eles, de fato, foram personagens de suma importância para a história da difusão da fé cristã no mundo. Primeiramente, Pedro, onde Jesus decidiu edificar a sua Igreja. Segundo a tradição católica, cremos que São Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Da mesma forma, quando falamos disso, não podemos nos esquecer de São Paulo, que tem na Bíblia Sagrada cartas de uma riqueza espiritual incomensurável. São exortações ricas em ensinamentos e conselhos de um homem que experimentou a mais bela conversão da Sagrada Escritura. Aliás, foi a primeira conversão cristã da Bíblia depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Observa-se aqui a importância da festividade dos dois santos.

Ela é analisada não só quando pensamos nos fatores históricos, mas principalmente quando partimos para a liturgia que hoje nos propõe a madre Igreja. A primeira leitura mostra como o Espírito Santo estava com Pedro. Foi ele preso por pregar o Evangelho de Jesus. E aqui é importante pensar que todos os apóstolos – com exceção de São João – morreram martirizados. São Pedro inclusive foi crucificado, assim como Jesus. A missão apostólica naqueles tempos era muito difícil. Preso, São Pedro viria a ser morto. Mas Deus ainda precisava dele para a pregação do Evangelho. Por isso mandou-lhe um anjo para que o libertasse da prisão. Só depois, contudo, ele veio a reconhecer aquilo: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Ainda na primeira leitura, a Pedro o anjo exclama: Levanta-te depressa! Quantos de nós hoje não estamos presos, caídos pelas perseguições do mundo, pelo desânimo que nos impõe o demônio por meio do pecado, da tristeza e do desespero? Nesse momento, Jesus está incessantemente a nos chamar, assim como chamou a Pedro: “Levanta-te!” Não é hora de ficar parado. Deus nos escolheu para sermos vencedores, para batalharmos por Ele. E isso para que depois possamos dizer com Paulo: “Combati o bom combate, (…) guardei a fé” (2Tm 4,7). Depressa: agora é a hora. Precisamos nos converter, nos levantar, mudar de vida? Sim. Mas quando? Agora. E por que agora? Justamente porque não sabemos a hora que Jesus virá para julgar. Deus não quer chegar e nos ver caídos na lama do pecado e do desespero. É mister que estejamos de pé, firmes, para a hora da volta de Cristo.

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Na segunda carta de São Paulo a Timóteo, o apóstolo dos gentios deixa aos leitores da Bíblia uma mensagem final. Se aproximava o momento de sua morte, de seu encontro com Deus. Era realmente momento de ir – e ele bem sabia -, de partir ao encontro do Pai: “eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida” (2Tm 4,6). Mas, de se queixar ele não tinha nada. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Essa frase de São Paulo ao final de sua vida mostra a nós que todo aquele que quer seguir Jesus e pregá-Lo precisa assumir o compromisso de travar um combate contra as trevas. Catolicamente falando, o missionário cristão deve estar com o “escudo da fé” (cf. Ef 6,16) para combater as heresias do mundo moderno e também as insídias armadas por Satanás para destruir a Santa Igreja de Deus.

Esse ato de combater o bom combate é de uma valentia que Jesus admira em seus combatentes. Somos, em meio a esse mundo, verdadeiros “cruzados cristãos”, pessoas que lutam para guardar a fé, para vencer o medo, vencer o mundo, vencer o demônio. Nesse sentido, lembro-me de ter lido uma radiomensagem do Papa Pio XII, no natal de 1942, sobre o assunto. Na ocasião, ele dizia:

29. O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade. Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de “Deus o quer”, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência.

Quando falamos de ser cruzados – que ninguém interprete isso mal – proclamamos a sua coragem, sua fé, sua vontade em combater o bom combate. A construção da Igreja de Deus precisa da vitória nos combates. Ah! E como precisamos de missionários cada vez mais compenetrados pelo amor de Cristo e empenhados em guardar a fé, se preciso for até morrendo pela Igreja!

É esse o exemplo que nos deixa São Paulo Apóstolo. De perseguidor dos cristãos a combatente da fé: esse homem deixa-nos uma lição de vida que deve ser seguida por todos. Com efeito, é só tendo uma vida como a de Paulo que poderemos dizer: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4,8). Sim, porque “a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” será concebida a herança eterna, recompensa de nossas boas atitudes, da fidelidade ao combate de Cristo.

Enfim, chegamos ao Evangelho. E nele observamos a passagem em que Pedro proclama sua fé. Jesus pergunta quem pensam os apóstolos que Ele é. Pedro toma a palavra e responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). É essa confissão de fé que Pedro profere faz com que Jesus dê a ele as chaves do Reino de Deus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).

Aqui Jesus Cristo edifica sua Igreja. Pede a Pedro que guarde a fé de sua Igreja, por isso a ele confia as chaves do Reino. Esse ato de dar as chaves do Reino representa a infalibilidade papal, dogma proclamado oficialmente pela Igreja no Concílio Vaticano I. Veja, meu irmão, essa é a prova bíblica que comprova que quando um Papa trata sobre um assunto de fé e moral, ele não pode errar. Hipocrisia isso? Não. O Espírito Santo foi garantido por Jesus ao Sumo Pontífice, portanto, quando esse vai instruir os fiéis, não erra. E é por isso que as portas do inferno non praevalebunt. Não prevalecerão e nem prevaleceram. E olha que isso já faz 20 séculos! A Igreja, construída sobre a rocha está firme até hoje porque foi fundada por Jesus Cristo, que por sua vez declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja de Deus. Ora, se ela persistiu de pé durante 2000 anos é porque Jesus o garantiu!

Sobre São Pedro, sobre São Paulo, cujas histórias de vida nos recusamos a contar de tão grande é esse belo testemunho, foi construída e edificada a Igreja de Deus. É por meio dela que alcançamos a salvação que Deus tanto quer que recebamos. Ouçamos a voz infalível do Magistério da Igreja, escutemos o que tem a nos falar Jesus Cristo por meio desse tão nobre sacramento de Salvação. Celebremos com a Madre Igreja essa festa tão bela e alegre! Que a Santíssima Virgem Maria continue a cobrir a Igreja com seu manto de amor. Amém.

Graça e paz.

Autor: Everth Queiroz Oliveira

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OBS.: Todos os grifos e partes subinhadas são do autor.

“O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.” – Santa Teresinha do Menino Jesus – Frei Patrício Sciadini (OCD)

Santa Teresinha de Lisieux

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Fonte: Frades Carmelitas Descalços (Ordem dos Carmelitas Descalços-OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Nasceu em 1873, em Alençon, França. Entrou adolescente para o Mosteiro das Carmelitas de Lisieux, com apenas 15 anos, onde se distinguiu particularmente pela humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus e, estas virtudes ensinou-as às noviças, com seu exemplo e palavras. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, oferecendo sua vida pela salvação das almas, a santificação dos sacerdotes e a expansão da Igreja. Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 29 de abril de 1923, que fez dela a “estrela de seu pontificado”. Canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925. E pelo mesmo Papa proclamada Padroeira das Missões em 14 de dezembro de 1927. O Papa João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997. Santa Teresinha, aparentemente pequena aos olhos das criaturas, mas que trazia em si uma alma de gigante. Podemos defini-la como a “Pequena Gigante”.

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

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Fonte: Paróquia Santa Teresinha – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Desde o início, para não confundi-la com Teresa de Ávila, fundadora do Carmelo Descalço, acostumou-se a chamar a carmelita francesa, nascida em Alençon, França, em 1783, pelo nome de Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta menina, que, desde pequena, sentiu-se fortemente atraída por Jesus Cristo e pelo Carmelo, “quis porque quis” ser carmelita aos quinze anos. Conseguiu entrar no Carmelo de Lisieux, onde, no silêncio, na oração, na austeridade de vida, chegou a ser santa.

A palavra que mais usa em seus escritos e que manifesta uma qualidade muito importante para todas as situações da vida é “QUERO”. Sua vontade educada na escola do Carmelo sabe ser firme nos propósitos assumidos. Já antes de entrar para a vida carmelitana, ela afirma que quer “ser santa e uma grande santa”. Conseguiu. É, sem dúvida, uma das santas mais conhecidas e famosas de toda a Igreja. Exerce sobre teólogos, bispos, papas e pessoas simples uma influência toda especial. Há em Teresinha um carisma singular: o da simpatia. Não é possível ler seus escritos sem sentir uma grande comoção interior por sua delicadeza, por sua linguagem terna e perfumada como as flores simples do campo que são cuidadas por Deus.

“Observai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como um deles”(Mt 6, 28s).

Teresinha do Menino Jesus, por trás de sua simplicidade, esconde um caráter firme e decidido. No claustro do Carmelo vai encontrando o sentido escondido de sua vocação, do seu ser Igreja, do porquê da oração e da vida. É no silêncio que ela se faz palavra para o mundo, e é depois de sua morte que, como “missionária”, percorrerá todos os lugares do mundo, ensinando a amar a Cristo e educando-nos para um novo estilo de anunciar o evangelho: “a oração e o sacrifício”. Ousada em suas intuições, ela procura um caminho de santidade que todas as pessoas possam trilhar sem necessidade de penitências que são possíveis para poucas. É o caminho do “abandono e da confiança”, e, para que isto seja compreensível, em sua criatividade escolhe o símbolo do “elevador”, que, sem esforço, leva até os andares mais altos. Os braços de Jesus, sublime elevador, nos levam até o coração de Deus.

A espiritualidade da carmelita de Lisieux não está encerrada numa obra teológica orgânica; ela se encontra na narrativa de sua vida espiritual, com que ela sabe entrar em nosso coração. Não se trata de uma cronologia da vida, mas de momentos importantes do encontro com Deus, que vão acontecendo e que, mais tarde, ela sabe reler como mimos de Deus e, por isso, poderá cantar as misericórdias do Senhor.

Teresinha do Menino Jesus é o divisor entre uma espiritualidade “punitiva”, de um Deus que deve ser aplacado através de sacrifícios e de vítimas para que não envie sofrimentos e dores sobre a terra, e nosso Bom Deus, ávido por nossa salvação. Aquela primeira imagem de Deus não condiz com sua confiança e sua experiência do pai humano que teve. Ela será assim capaz de descobrir que Deus necessita, sim, de vítimas, não para ser aplacado mas para satisfazer sua sede de misericórdia e de amor. O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.

A História de uma Alma, autêntico best seller traduzido em 120 línguas, faz inveja a qualquer escritor. Quantas pessoas encontram nos escritos da pequena Teresa força para continuar o caminho. Em sua doutrina bebem os santos e os pecadores em cuja mesa ela gosta de se sentar. Os ateus buscam em seu livro consolo para suas noites escuras, nas quais não enxergam nada de Deus, embora sejam contemplados pelo mesmo Deus.

Além desta obra-prima da literatura espiritual, considerada uma das “sete maravilhas” da espiritualidade, Teresinha nos oferece poesias, cartas, peças teatrais, de onde transborda seu amor a Deus e ao próximo. Necessitamos hoje, mais do que nunca, nos colocar na escola dos santos simples que sabem falar ao coração mais do que à inteligência entupida de idéias e de auto-suficiência.

A Igreja, considerando sua importância na teologia e na espiritualidade, não encontrou dificuldades em proclamá-la “Doutora da Igreja” e doutora da ciência mais difícil, “Doutora da ciência do amor”, aquela ciência que não se aprende nos livros mas no discipulado de Jesus. Teresinha morre aos 24 anos, aos 30 de setembro de 1897, dizendo: “- Meu Deus, eu vos amo!” Foi proclamada Padroeira das missões pelo Papa Pio XI, que a chamava de estrela de seu pontificado, e Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, aos 19 de outubro de 1997.

Quer conhecer mais sobre Santa Teresinha? Leia História de uma Alma e outras obras que você encontra em todas as editoras católicas.

“Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo…” Santa Teresinha

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Extraído integralmente do site Paróquia Santa Teresinha (OCD) – Higienópolis (São Paulo).

19 de junho – Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Me ausentei um pouco. Estou chocada com este abalo em nossa democracia e em minha vida profissional, em  minha vocação. Com a ajuda de Deus reagi e manifestei na web, no Observatório da Imprensa minha tristeza com os rumos que estamos tomando, minha contrariedade e inconformismo. Se trata de uma decisão infelizmente histórica para o exercício do bom Jornalismo no Brasil: nesta quarta-feira, dia 17, após muitos anos de idas e vindas entre instâncias jurídicas, polêmicas, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 8 votos favoráveis e um contrário ao fim da exigência legal do diploma para atuação como Jornalista. Votaram pela inconstitucionalidade, por concordarem com a tese patronal e de outros grupos de profissionais de que a exigência de diploma “cerceia” a liberdade de expressão. Na verdade querem aviltar salários e manipular os que “escrevem bem”… Jornalismo é mais que isso: são quatro anos de estudos de Humanidades e técnicas de reportagem e redação (além dos gastos com mensalidades, alimentação e transporte). Obtive minha formação em 1990 em universidade do RS. Foi sacrificado, mas me orgulho muito da conquista do diploma porque, no meu caso, havia um objetivo principal: dar voz àqueles que ficam à margem de tudo…

A Lei que instituiu o diploma para atuar como Jornalista é de 1969, portanto em plena ditadura militar no Brasil. No entanto, este argumento é tendencioso, já que jornais tinham censores civis e militares dentro das redações, e muitos jornalistas foram perseguidos, banidos do país, alguns torturados, dados como desaparecidos. Wladimir Herzog amanheceu morto, enforcado com sua própria gravata, pendurado na grade com as pernas esticadas há cerca de dez ou vinte centímetros do chão… O silêncio impera porque os registros sobre este período ainda não foram liberados ao livre acesso dos pesquisadores, familiares e pesquisadores.

Meu registro profissional ńo Ministério do Trabalho – MTb/RS é 7142. Há milhares na minha condição, e ao que parece é irreversível a decisão do STF. Não perdemos nosso registro, mas perdemos em termos de credibilidade, valorização de nossa profissão. O ministro Gilmar Mendes, do STF, fez inclusive alusões a profissões que não precisam de regulamentação como por exemplo – cozinheiro… Outro alegou que Medicina e Engenharia, etc. são profissões compostas de “saber científico”,  e além colocariam a vida humana em risco. Quanto ao Jornalismo não haveria qualquer implicação, já que tem base no intelecto… O ministro gilmar Mendes ontem ameaçava com a possibilidade de eliminação da necessidade de diploma para outras habilitações.

Me conforta a mensagem transmitida à Santa Margarida Maria Alacoque por Jesus. Na devoção ao Sagrado Coração de Jesus há tudo que se pode imaginar de mais sutil, poético e consolador, mesmo em meio aos sofrimentos da vida.

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Fonte/imagem:Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província S.José

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Leituras: Os 11,1.3-4.8c-9 – Sl (Is 12,2-6) – Ef 3,8-12.14-19 – Jo 19,31-37

“Do coração de Jesus aberto pela lança, na cruz, saiu sangue e água.”

Tanto o sangue como a água são pensados simbolicamente. Fazem referência a dois grandes sacramentos da Igreja: o Batismo e a Eucaristia.

“Tal é o amor que Deus pediu a Davi ao dizer: Cria em mim, ó Deus, um coração puro (Sl 50,12), porque a pureza de coração não é outra coisa senão o amor e graça de Deus. Nosso Salvador chama bem-aventurados aos puros de coração, o que é tanto como chamá-los enamorados, pois a bem-aventurança não se dá por menos que por amor.”
São João da Cruz – 2N 12,1

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Fonte: Wikipédia

Santa_Margherita_Maria_Alacoque

Santa Margarida Maria Alacoque (Verosvres, 22 de Agosto de 1647 – Paray-le-Monial, 17 de Outubro de 1690) é uma santa católica.

Margarida Maria Alacoque, nasceu no dia 22 de Agosto de 1647 em Verosvres, na Borgonha. Seu pai, juiz e tabelião, morreu quando Margarida ainda era muito jovem.a Após a morte de seu pai Claudio de Alacoque foi morar com na casa de seu tio Toussant(tussã). Sofreram ela e sua mae dona Felizberta de Alacoque. Assim ela conheceu a humilhação da necessidade, vivendo ao capricho de parentes pouco generosos e nada propensos a consentir que ela realizasse o seu desejo de fechar-se no convento. Recebeu a comunhão aos nove anos e aos 22, a confirmação, para a qual quis preparar-se com confissão geral: ficando quinze dias preparando-se, escrevendo num caderninho a grande lista de seus pecados e faltas, para ler depois ao confessor. Na festividade de São João Evangelista de 1673, uma moça de vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do Santíssimo Sacramento, teve o singular privilégio da primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e apontando com o dedo seu Coração, exclamou:

Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles“.

Margarida Maria Alacoque, escolhida por Jesus para ser a mensageira do Sagrado Coração, já fazia um ano que vestira o hábito das monjas da Visitação em Paray-le-Monial. No último período de sua vida, nomeada mestra das noviças, ela teve a consolação de ver propagar-se a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e os próprios opositores de outrora mudarem-se em fervorosos propagadores. Morreu em 17 de Outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada em 1920, mas a data da sua festa foi antecipada por um dia para não coincidir com a de Santo Inácio de Antioquia.

Memória (13 de junho) – Santo Antônio de Pádua (Lisboa): “A Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis.” – Frei Hugo D. Baggio (OFM)

santoantonio_avandyckFonte: Província Franciscana Imaculada Conceição do Brasil

Santo Antônio, esse desconhecido

por Frei Hugo D. Baggio (OFM)

1. O risco de ser taumaturgo
2.
Santo Antônio Pregador
3.
Santo Antônio místico
4.
Santo Antônio apologeta e exegeta
5.
Conclusão

2. Santo Antônio Pregador

Conhecemos o zelo missionário de Santo Antônio pelas duas tentativas de ir à África pregar o Cristo e, à imitação dos primeiros mártires franciscanos, dos quais haurira a vocação franciscana, ali derramar seu sangue em testemunho de fé. Deus, porém, em seus desígnios, que Antônio perfeitamente entendeu, queria outra prova de fé e impeliu-o para as terras da Itália, transformando-o numa das mais poderosas vozes do século XIII, na difusão do Evangelho e na conversão aos bons costumes, naquela fase da história tão desconhecida e atacada, mas, ao mesmo tempo, tão rica e gloriosa.

São Francisco de Assis provocara uma revolução na eloqüência sacra pela sua espontaneidade e pela sua intuição, numa sábia mistura de piedade e jogral, conseguindo atrair sábios e simples, cardeais e humildes campônios, deixando em cada um a mensagem quente, cuja ascendência verbal transparece até em seu poder de subjugar aves e lobos.

Na simplicidade que o Senhor lhe dera, criou, em verdade, uma escola e, até hoje, tudo quanto leva a adjetivação de franciscano fica bem caracterizado pela simplicidade, doçura, delicadeza, verdade, fraternismo, comunhão total, amor aos homens e a Deus e uma efusão sublime de poesia. O espírito e a forma se entrelaçam e realizam o binômio feliz para levar o Evangelho à vivência.

Mas logo após São Francisco, “o primeiro a fundir a elevação doutrinária com a simplicidade popular, numa eloqüência irresistível, foi Santo Antônio de Pádua”, afirma o Pe. Gemelli (1). Com esta afirmação, o Pe. Gemelli nos alerta que, na jovem Ordem Franciscana, acabava de aparecer alguém com dotes intelectuais e recursos teológicos para transformar a pregação numa arte, sem deixar suas características de simplicidade franciscana.

Lembremos que Antônio, antes de fazer-se franciscano, estivera por 10 anos com os agostinianos em Portugal, haurindo ali uma sólida formação religiosa, teológica e científica, o que lhe serviu de subsídio valioso, quando eleito por São Francisco primeiro Professor e Mestre de Teologia, o que vale dizer, recebeu a tarefa de explicar as teses franciscanas às gerações novas que iam entrando na Ordem.

Além, desta séria e metódica preparação científica, teve um noviciado de solidão e de silêncio, antes de lançar-se à pregação, que lhe serviu de aprofundamento e reflexão das verdades, em Montepaulo. Assim, aos 26 anos de idade, quando Deus o revelou aos confrades e o largou pelo vasto mundo da pregação, estava ele perfeitamente maduro para dizer e rebater, para ensinar e entrar na controvérsia com a heresia que campeava orgulhosa naquela altura da história, e explanar a ortodoxia, pois, em sua bagagem trazia a Sagrada Escritura, a Patrística, os Clássicos pagãos, as ciências de seu tempo.

Lendo os sermões de Santo Antônio, fica-se pasmo ante a ciência do franciscano e sua perícia em manejar as ciências auxiliares da Teologia. Vinha ele, é verdade, da Península Ibérica, onde os árabes haviam deixado marcas acentuadas de conhecimentos científicos e começara a trabalhar numa Itália, onde floresciam os estudos em várias universidades de renome. Por isso, diz o Pe. Gemelli, “ele tem um pensamento teológico preciso e, algumas vezes, precursor, uma eloquência arrojada e substanciosa, uma fantasia de artista, uma viva e quase moderna compreensão do valor da cultura. Ele toma do Evangelho e dos Padres a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que transmite a São Boaventura; a devoção ao nome de Jesus, que transmite a São Bernardino de Sena; a devoção ao Sangue de Cristo, que transmite a São Tiago da Marca; a devoção a Cristo, Rei da Criação e da Redenção, que transmite a Scotus” (2).

Lançado de alma e corpo à pregação, procurado e assediado pelas multidões, peregrino errante da Palavra, não podia deter-se em especulações, pois a problemática que o envolvia roía a realidade, ali mesmo onde ele estava pisando. Devia lançar-se ao concreto da vida, desta vida que se lhe abria diante dos olhos, com seus vícios múltiplos, seus aleijões e distorções, que o realismo franciscano fazia ver num concretismo mais audacioso: os usuários e os hipócritas, os violentos e os luxuriosos, os dominadores e os exploradores do povo, os religiosos corruptos tanto de Ordens como da Igreja em geral, o clero simoníaco e os bispos que não desempenhavam sua missão religiosa.

Creio ser difícil encontrar sermões mais violentos contra os maus administradores dos mistérios da Igreja do que na boca de Santo Antônio, pois “contra o relaxamento do clero era inflexível”, e naquele tempo, infelizmente, tinha razões para tanto, a julgar pela veemência de sua linguagem cáustica.

“Suas observações – diz ainda Gemelli – sobre a gulodice, a vaidade, a simonia, “contra praelatos et malitiam eorum”, são tão severas a ponto de fazer pensar que Santo Antônio as tenha pronunciado não em público, mas só a um auditório particular. Esta atitude – nova que eu saiba – na pregação franciscana dos primeiros tempos – rara também depois –, mostra-nos a virilidade da alma antoniana”.

Em verdade, depois de ler os sermões do Santo, fica difícil aceitá-lo nas imagens doces e ternas, suaves e meigas, jovens e quase infantis com que a arte o retrata. A leitura o deixa imaginar com traços bem mais fortes, com feições mais severas e com expressões de olhar mais agressivas. Pois não imagino que aquela linguagem violenta não viesse sublinhada por gestos e expressões correspondentes. Um dos acontecimentos preparatórios às festas dos 750 anos de morte de Santo Antônio, foi a exumação de seus restos mortais, autorizada por João Paulo 2º, no mês de janeiro de 1981. A partir do exame científico, dizem os noticiários, foi possível reconstituir também seu perfil físico: dotado de físico excepcional para um homem da Idade Média: 1,70 metro de altura e ombros largos. Tinha pernas fortes, habituadas a atravessar países inteiros a pé… Um catedrático chegou a reconstituir o rosto do Santo: comprido e estreito, nariz fino, alongado e levemente convexo, saindo logo abaixo dos olhos encavados sob a fronte proeminente. Seus cabelos eram pretos.

Continuando a encarar Santo Antônio como pregador, gostaríamos de lembrar que um dos títulos que o povo cristão lhe conferiu e a liturgia adotou é o de Martelo dos Hereges, significando plasticamente, o orador e sua oratória, pois martelo não expressa nenhum instrumento forte e violento, que certeiro é capaz de fazer o prego penetrar a madeira mais dura, o que em Santo Antônio indica: a Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis. Tal imagem nos traz à lembrança as campanhas moralizadoras pela Itália, mas, sobretudo, as sustentadas ao Sul da França contra os hereges, onde, segundo conta seus Fioretti teve até que recorrer à irracionalidade da mula para quebrar a cabeçudice de um deles.

Não queria apenas dobrar à força dos argumentos, mas levava à convicção através de processos pessoais próprios, o que empresta, ainda hoje, um sabor todo especial à leitura de seus sermões, pois, como escreve Gemelli, “a exemplo dos escritores sacros de seu tempo, usa e abusa de símbolos e símiles e aguça seu engenho nas concordâncias bíblicas. Mas até nesta, que é uma forma peculiar da oratória medieval, ele imprime a sua personalidade inconfundível.O símbolo é o seu modo de ver a realidade, de descobrir o eterno no contingente, o espírito na matéria, o que ama no que lhe é útil. E como não lhe falta imaginação artística, o símile ultrapassa o símbolo e é considerado por si mesmo, pela sua própria formosura”.

Creio que nossos auditórios de hoje não suportariam a crueza de certos símiles, ou comparações, ou tropos usados por Santo Antônio contra o pecado, ou contra sacerdotes indignos ou contra bispos simoníacos. Certos tópicos, custa-nos crer tenham sido proferidos pelo Santo, a quem a religiosidade popular revestiu de tanta suavidade.

Havia em seus sermões uma preocupação bem dele: combinar o Evangelho do dia com o restante da Liturgia da Missa e do Ofício Divino, alcançando uma arquitetura rítmica dentro do sermão, sem perder a unidade, muito do gosto medieval, recorrendo, inclusive, a expedientes que atenuavam o peso do assunto e tornavam a exposição menos cansativa.

Por isso, emprestava grande vivacidade mediante exemplos que ele, como bom franciscano, buscava na natureza. Para que a palavra de Deus se não tornasse insípida, lançava mão de seu vasto saber e o colocava ao alcance de seus ouvintes e a serviço da pregação, não num rompante de vaidade e sim como critério de apostolado: a Palavra de Deus lhe merecia toda a veneração e o auditório todo o respeito.

Daí Gemelli afirmar: “A oratória deste humílimo e grande doutor tem a sua justificativa no gosto do público a que se dirigia e que era exigentíssimo, pronto a se enfadar, chasquear, desprezar e terrivelmente crítico. Antes que a Renascença espalhasse o gosto pela forma, este franciscano do século XIII, com o seu amor pelo belo e com a sua intuição do valor da beleza, que são peculiares à sua espiritualidade, afirma a necessidade da palavra polida, rebuscada, e combina a ciência sagrada com a profana sem a perturbação, porque para os seus olhos de franciscano, a natureza não é profana, mas obra mirável de Deus, e estudá-la é dever de gratidão e prazer de admiração e contemplação”.

Extraído integralmente de Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil – Vida Cristã (São Paulo – Brasil)

Direitos da Criança – “Para cada criança, um futuro” – Oficina Internacional Católica da Infância – América Latina

O “Dia Mundial da Criança” – 1º de junho – é lembrado em vários continentes nesta data. Há uma razão muito importante para isto.: encontrei na net que neste dia foram assassinadas em campos de concentração nazistas um grande número de crianças. No Museu do Holocausto, em Jerusalém, há o Memorial das Crianças e o “Espaço Janus Korczak”. Ele foi diretor de um orfanato na Polônia.  Pelo fato de se recusar a ver  crianças judias polonesas sob seus cuidados (entre as demais, de outras ascendências)  serem levadas por oficiais do III Reich, as acompanhou…

A propósito de seus direitos, que são universais, há uma página muito interessante (e bem ilustrada), apresentada pela Fiocruz, em alusão à Declaração dos Direitos da Criança, apresentada em 20 de novembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1959.

Voltemos ao Dia Mundial da Criança. Pela declaração da ONU a data oficial – “Dia Internacional da Criança” é 20 de novembro. Mas a data, em países como os Estados, Brasil, etc. tem relação com algum evento da história destes países. No caso do Brasil, 12 de outubro já estava definido em votação no Parlamento na década de 20. Por decreto, foi definido que seria comemorado juntamente com o dia da padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida. Em nosso país, a data, infelizmente,  tem viés comercial, ou seja, venda de brinquedos, tal como acontece em boa parte do mundo… Na rede, comentam que tudo começou nos anos 60 com o lançamento de de uma determinada marca de brinquedos em nosso país. Ainda bem que os organismos envolvidos com a proteção das crianças ignoram a data “festiva” e trabalham o ano inteiro. Se assim não for, há dinheiro público e de doações sendo desperdiçado… Mas, pensemos no melhor, no que edifica, no que as retira de suas tragédias. E há. Leiam o material abaixo. É animador saber que a inspiração divina move um grande número de pessoas. Elas não ficam indiferentes…

Em países como Portugal o “Dia Mundial da Criança” é lembrado em 1º de junho, sendo esta a data para maior parte dos países da Europa, América Latina, leste Europeu, Ásia e África.

As crianças do mundo inteiro, neste dia – 1º de junho –  recebem um foco especial de organismos de auxílio humanitário e estruturalã em relação à situações de risco e sofrimento. Portanto, a data lembra as que morreram sob o regime nazista neste dia e outros, bem como as que são brutalmente asssassinadas, raptadas (desaparecem simplesmente…),  são mortas ou mutiladas por bombas ou minas (e a Convenção de Genebra?), ou ficam em campos de  refugiados na condição de órfãs. Há também as que sofrem maus-tratos dentros das próprias famílias – até o ponto de sucumbirem… Pode haver maior crime? O único consolo que nos resta é que morreram na inocência e estão junto do Criador. Rezam por nós que amamos as crianças do mundo, para que não fiquemos de braços cruzados… Triste, muito triste. Por certo pedem a Deus (todo o tempo, tal como as crianças!), ao chegarem ao Céu que Ele interceda junto aos pais e governantes dos países para que sejam incansáveis na sua proteção…

Portanto, é possível que esteja faltando, infelizmente a nossa parte… O pecado da omissão é grave, em qualquer religião. Nós que cremos em um Deus único – cristãos, judeus, muçulmanos – estendendo a proposta aos budistas, devemos fazer um exame de consciência rigoroso a respeito. O quadro de abandono, mau-tratos e abuso ultrapassa a razão. Nos transformamos em animais… Talvez a consciência do Bem não seja mais a nossa guia…

Leiam por favor o que “pinçei” da rede sobre a ação de um organismo católico, com representação em todo mundo e na América Latina (da qual a CNBB faz parte) – Bureau International Catholique de lÉnfance (BICE) – América Latina. Há opção de leitura, nos idiomas espanhol, francês e inglês.

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Carta de la Oficina Internacional Católica de la Infancia

“Para cada niño, un futuro

Referencias

• Asociación de derecho francés, el Bice es una organización

internacional no gubernamental reconocida por la Santa Sede

como asociación de fieles. Goza de un estatuto consultivo

ante Naciones Unidas. Fue fundado en 1948 por iniciativa de

organizaciones católicas para ayudar a los niños después de

las conmociones de la Segunda Guerra Mundial.

• El Bice trabaja al servicio de todos los niños, sin discriminación ni

proselitismo, respetando su nacionalidad, su cultura, su religión.

« Tiene por objeto el crecimiento integral de todos los niños, dentro

de una perspectiva cristiana y aboga por la humanización de su

suerte.- Se ocupa particularmente de los más desposeídos. » (Art. 3

de los estatutos), Sus colaboradores deben observar un código de

buena conducta.

Las organizaciones católicas comprometidas con los niños

constituyen una red mundial. Son llamadas a formar parte del

Bice así como todos los organismos, cristianos o no, que se

reconozcan en sus objetivos.

• El financiamiento del Bice está asegurado dentro de la más amplia

transparencia por donadores privados, garantes de su independencia y

por proveedores de fondos públicos y privados.

La acción del Bice es duradera. Con todos aquellos que acompañan

a los niños, busca identificar los nuevos riesgos que los amenazan

y las nuevas oportunidades que se les ofrecen. Defendiendo su

dignidad y sus derechos, contribuye en la construcción de un

mundo de justicia y de paz que abre para cada niño un futuro.

http://www.bice.org

Junio 2007

2006_ninos_argentina

Carta de la Oficina Internacional

Católica de la Infancia

« Todo niño que nace es un signo de que Dios

todavía no se ha desesperado de la humanidad »

Rabindranath Tagore, poeta indio, Premio Nobel de literatura en 1913.

Cada niño nos habla a su manera de la belleza y de las heridas de la vida y nos recuerda así nuestra responsabilidad. Su nacimiento representa una nueva esperanza para la humanidad que le debe lo mejor que tiene.

Es por ello que el Bice invierte todas sus fuerzas para promover la dignidad de todos los niños y hacer aplicar sus derechos fundamentales, muy a menudo violados.

Creer en el niño

Afirmar que el niño tiene derechos

Persona humana de verdad, el niño tiene derechos fundamentales inalienables.

Como persona en devenir, es vulnerable y debe ser protegido y acompañado. El Bice lo despierta a su propia dignidad y a sus derechos. Sensibiliza también a los padres, a los que lo rodean y a todos aquellos que intervienen en su desarrollo incluyendo a los poderes públicos.

Favorecer el « dinamismo de vida » propio de cada niño

Cuando los derechos del niño o del adolescente son negados por las condiciones existentes inicuas, cuando sus puntos de referencia están comprometidos, es posible ayudarle a recobrar la confianza en la vida y su propia estima. El niño posee en si mismo importantes recursos. Estos se revelan si puede dialogar, ser escuchado con afecto y respeto, ser defendido.

El Bice favorece esta “resiliencia” que permite al niño reconstruirse.

Velar por el desarrollo del niño en todas sus dimensiones

El niño necesita ser protegido, alimentado, cuidado e instruido. Su bienestar sicológico también es esencial. El vínculo con su familia y su comunidad debe ser preservado. Tiene derecho a la despreocupación, a la risa, al juego, y también a un futuro profesional. El desarrollo integral del niño y de su felicidad demandan aún, cualquiera sea su situación, que pueda reflexionar sobre el sentido de su vida y que se respete la dimensión espiritual que le es propia. La inspiración evangélica del Bice lo incita a este respeto.

Movilizar las competencias para que todos los niños vivan dignamente

Comprometerse radicalmente con los niños en dificultad

En numerosos lugares, los derechos de los niños son negados de manera intolerable explotación mediante el trabajo, situaciones de esclavitud, abandono en la calle, abuso y explotación sexuales, militarización forzada, encarcelamiento, tratamiento inhumano de los niños incapacitados. Estas situaciones producen en los niños y adolescentes violencias y sufrimientos indignantes.

Para combatir en el terreno -en Africa, América Latina, Asia y Europa- el Bice se compromete con socios locales a prevenir todas las formas de violencia y a promover sin descanso los derechos de los niños.

La participación de los niños es el centro de su acción.

Estimular la reflexión y la investigación sobre el niño

El Bice hace el puente entre la experiencia adquirida en el terreno y la investigación científica referente a la infancia, para que se alimenten mutuamente. Es un espacio de reflexión y de cuestionamiento permanente. Gracias a sus publicaciones, a su centro de recursos en Internet, a las instancias de formación que propone, comparte ideas, pericias y buenas prácticas.

Manifestar la voz de los niños

Más que nunca la defensa y la promoción de los derechos de los niños interpelan respuestas concertadas a nivel mundial. El Bice actúa con los niños ante la sociedad civil, los gobiernos y las instancias internacionales: agencias de Naciones Unidas, Consejo de Europa, instituciones de la Unión Europea…

Federando las competencias de varias organizaciones comprometidas en el servicio de los niños, fue uno de los iniciadores de la Convención Internacional de Derechos del Niño. En la actualidad, vela con otras ONG por su aplicación y su evolución.

El interés superior del niño está en el corazón del compromiso del Bice.

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Para não parecer que é somente uma “carta de intenção” deste organismo católico francês, de ação mundial em prol das crianças, leiam por favor o restante do material… Visitem o site. Eles esperam doações. Cá comigo, espero que sejam generosas, afinal as crianças do Brasil e de outros países necessitam de nosso carinho, de nossa adesão à causa… Lembremos que organizações ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão conectadas a BICE.

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El Bice en América Latina



En América Latina, el BICE tiene una importante experiencia acumulada desde hace más de 20 años en las temáticas de los derechos de los niños, las niñas y los/las adolescentes. La Delegación Regional del BICE para América Latina (DRBAL) desarrolla su acción en 12 países, en colaboración con sus 28 organizaciones miembros, socias y colaboradoras. Elabora, gestiona y apoya programas y proyectos a corto, mediano y largo plazo, constituyendo una plataforma de concertación para el intercambio, el apoyo, la investigación y la acción.

La base del trabajo efectuado desde la DRBAL es la visión del niño ya no como “objeto de atención y de asistencia”, sino como “sujeto de derechos“, es decir como actor y persona que tiene un rol en la sociedad, con derechos y responsabilidades.

Especialmente relevante es el trabajo efectuado desde la DRBAL para apoyar el desarrollo de la participación protagónica de los niños, las niñas y los adolescentes. Como respuesta al diagnóstico de la exclusión social, económica y política de los más jóvenes, la DRBAL apoya la creación de espacios que den lugar al nacimiento de una verdadera “ciudadania infantil“: toma de decisión, capacidad de intervención, autonomización, autorreflexión, proyección en la sociedad, creación de una identidad propia, organización, y establecimiento de solidaridades entre niños. Allá surge la cuestión de la representatividad de los niños, niñas y adolescentes, así como la construcción de un nuevo modelo de relaciones intergeneracionales. En definitiva, se trata de escuchar y de respectar las ideas y opiniones de los más jóvenes, dándoles una voz.

La Convención sobre los Derechos del Niño ha permitido progresos innegables desde hace 20 años. Todavía, se verifican retrocesos inquietantes y violaciones muy graves de los derechos de los niños en muchas regiones del mundo. La crisis económica que se propaga a escala planetaria no parece, desgraciadamente, mejorar esta situación.

Por ello, a través de una iniciativa del Bice, personalidades y organizaciones de todo el mundo lanzan un Llamamiento Mundial para una nueva movilización a favor de la Infancia abierto a todos que quieren firmarlo.

Este Llamamiento será lanzado oficialmente el 4 de junio en el Palacio de las Naciones en Ginebra.

www.bice.org

El Bice, una red de Miembros

Los Miembros del Bice constituyen una red al servicio de la infancia. Contribuyen juntos a la defensa y promoción de la dignidad y de los derechos del niño.

Esta red de organizaciones, movimientos, expertos… es también un lugar de encuentro y de intercambios, un espacio de creatividad intelectual, una base de recursos y de pericia sobre las cuestiones relacionadas con los derechos del niño.

Una voz ante las Instituciones

El Bice representa activamente sus Miembros ante las Instituciones internacionales y nacionales, las plataformas y coaliciones de ONG de las cuales es miembro.

Los Miembros participan en las acciones de cabildeo del Bice a favor de la infancia.

Fiel a su vocación de agrupar una amplia red de miembros, con un espíritu de gran apertura, el Bice trabaja hoy – 60 años después de su creación – para reunir especialistas y ONG que se reconocen en su filosofía de acción y aquellas personas que trabajan para la infancia en las iglesias locales, instituciones, servicios o movimientos cristianos.

Miembros efectivos del Bice

* Association Nationale des Éducateurs Sociaux (ANES-Congo), Kinshasa, R.D.C.

* Bayard Presse, Paris, Francia

* Bice Belgique, Bruxelles, Bélgica

* Bice Deutschland e.V., Lahr, Alemania

* Caritas Vlaanderen-Vlaams Welzijnsverbond, Bruselas, Bélgica

* Central Office “Ejjew Ghandi”, La Valletta, Malta

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Brasil

* Congregation of Christian Brothers, Roma, Italia

* Comisión de Apostolado Laico y Pastoral Familiar, Argentina

* Deutscher Caritas Verband, Freiburg-im-Breisgau, Alemania

* Fleurus-Presse, Paris, Francia

* Frères des Écoles Chrétiennes (FEC), Roma, Italia

* Fondation Orphelins Apprentis d’Auteuil, Paris, Francia

* Fundación Navarro Viola, Buenos Aires, Argentina

* Hogar de Christo, Chile

* Religiosos Terciarios Capuchinos, Roma, Italia

TODAS LAS NOTICIAS – SOCIOS…

socios

Fonte: www.bice.org

SOCIO (BRASIL): Centro Educacional Carlos NovareseOrganização de Auxílio Fraterno (OAF)

Destaque BICE

Primeiro lugar para o Centro Educacional Carlo Novarese, da OAF, em Salvador

A experiência da OAF não só mostra que educação de qualidade é possível, mas também permite calcular os custos dos ensinos fundamental e profissional para o Orçamento do Município, do Estado e eventualmente a nível Federal.

O Ministério da Educação divulgou recentemente os resultados das provas feitas em todas as escolas do Brasil para medir a qualidade do ensino através do IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Brasileiro. Este índice avalia o desempenho a nível Estadudal, do Município e de cada escola. Ao mesmo tempo propõe para o Estado, o Município e para cada escola metas crescentes de qualidade até o ano de 2022, quando o Brasil irá comemorar 200 anos de independência.

O Centro Educacional Carlo Novarese da OAF, que já era considerada escola de referência na cidade, obteve a nota mais alta de todo o Município de Salvador, ficando assim com o primeiro lugar na avaliação de 5a à 8a série do ensino fundamental. Alcançou o nível que o mesmo IDEB propõe para Salvador – Bahia, para o ano de 2017.

O Centro Educacional Carlo Novarese é uma Escola conveniada com a Secretaria Municipal de Educação e faz assim parte das escolas Públicas da Cidade de Salvador.

Os alunos são de um bairro particularmente difícil onde dominam a violência, a droga, o abandono, onde há um grande numero de famílias desestruturadas e particularmente pobres, quando não na miséria.

Grande foi evidentemente a satisfação de alunos e professores que viram assim premiados os esforços e os sacrifícios que um estudo sério pede, principalmente nos momentos em que a situação familiar e escolar torna-se difícil e até adversa.

Experiência – Sabe-se, por experiência, que este bom resultado na educação das crianças e adolescentes precisa depois ser integrado com um sério preparo para o mundo do trabalho.

A OAF opera neste setor com o Centro de Formação Profissional de Jovens e Instrutores com cerca de 800 vagas e a possibilidade de receber adolescentes do Juizado, Ministério Público, Entidades de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.

A educação profissional para os adolescentes mais pobres e da periferia com cursos de longa duração é muito rara. Calcula-se que se tem só na cidade de Salvador mais de 150.000 jovens entre 16 e 18 anos que esperam por esta oportunidade e que nunca terão acesso a ela.

Na OAF funciona também a ÚNICA, a Universidade da Criança e Adolescente, onde todo ano cerca de 15.000 alunos vindos preferencialmente das escolas da periferia, têm a possibilidade de uma introdução lúdica e prazerosa à Ciência e Tecnologia.

Na OAF encontramos também o INSTITUTO FENIX que é um instituto de pesquisa e aplicação prática de novas tecnologias pedagógicas destinadas a alunos já excluídos do ensino público ou prestes a ser excluídos.

Estas atividades são conduzidas em conjunto com universidades locais e universidades estrangeiras como a “Universidade de Torino” e a “Sapienza” de Roma.

Para que a educação no Brasil possa alcançar a qualidade desejada, se quisermos um Brasil mais justo, mais rico e com menos violência, temos que aceitar os desafios apresentados e impostos pela educação. Tem-se que exigir das diferentes esferas públicas que a educaçáo seja assumida com a prioridade que merece e com os custos que ela precisa e exige. É indispensável investir muito mais em quem até hoje menos recebeu. A nossa sociedade infelizmente é ainda profundamente injusta e discriminante para com os mais pobres.

Fonte: http://www.bice.org

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Observação: os destaquem em “azul” são de minha autoria.


“Do fruto que se extrai da oração e meditação” – São Pedro de Alcântara (1499-1562)

São Pedro de Alcântara, que viveu entre 1499-1562, foi prior de todos os conventos franciscanos da região de Ávila. Visitava Santa Teresa de Jesus quando vinha em missão administrativa. Nesta época, Santa Teresa estava na faixa dos quarenta anos de idade. Ela sentia profunda amizade e admiração por este frei sexagenário, que também lhe retribuía o afeto. Recebia-o acompanhada de sua amiga viúva, quando o avistava, já nas proximidades do Convento São José. São Pedro de Alcântara vinha a pé da cidade vizinha, e, após uma refeição frugal , se deitava à noite para descansar no piso bruto, embaixo de uma escada do convento. Santa Teresa sentia imensa ternura por tamanho despojamento, ainda que observasse em “Vida” (Livro da Vida) que o Santo, que ela chamava Frei Alcântara, talvez não devesse exigir tanto de seu corpo, já velho e cansado. Esta é uma característica peculiar  à sua personalidade: não era favorável a mortificações, ainda que em nada se opusesse ao que estava prescrito na regra carmelita, e menos ainda censurava o rigor da bula de São Francisco, que São Pedro de Alcântara cumpria à risca. É possível que, para melhor honrar o fundador, ia muito além do ideal ascético-místico estabelecido para os frades franciscanos. Santa Teresa provavelmente observara o rigor de seu velho amigo monge, porque em sua ótica, tinha em mente o excesso, por exemplo, de jejuns, já que para ela, isto inclinava suas noviças e monjas à fraqueza corporal, o que poderia implicar em confusões emocionais ou mentais quanto à percepção.

O trecho abaixo se refere ao primeiro capítulo do escrito de São Pedro de Alcântara, intitulado “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. Dividido em duas partes, a primeira é composta por doze capítulos. Traduzi do espanhol (faltam dois parágrafos deste primeiro capítulo – um curto e outro, bem longo). Mais adiante publicarei o restante. Me incumbi da tradução sem outra pretensão a não ser a de compreender melhor este escrito importante. Meu intento foi o de absorver melhor o sentido dos ensinamentos de São Pedro de Alcântara em seu “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. É evidente que ler em nossa língua facilita bastante este objetivo. O dicionário ficou à mão, já que algumas palavras do idioma espanhol certamente ainda possuem significado paralelo, mas não adequado (no sentido da expressão) para o nosso tempo. Aceito críticas…
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São Pedro de Alcântara

TRATADO SOBRE A ORAÇÃO E A MEDITAÇÃO

Primeira Parte

Capítulo I. Do fruto que se extrai da oração e meditação

Porque este breve tratado fala de oração e meditação, será melhor dizer em poucas palavras o fruto que deste santo exercício se pode extrair, porque com mais alegria de coração  a ele se oferecem os homens.

Coisa notória é que um dos maiores impedimentos que o homem tem para alcançar sua última felicidade e bem-aventurança, é a má inclinação do coração, e, além disso, a dificuldade e o desânimo* que tem para fazer o bem; porque se não fosse isto, facílima coisa lhe seria correr pelo caminho das virtudes e alcançar o fim para que foi criado. Pelo qual disse o Apóstolo (Rom.7,23): alegro-me com a lei de Deus, segundo o homem interior, mas sinto outra inclinação em meus membros, que contradiz a lei de meu espírito. E me faz, assim, cativo da lei do pecado. Esta é, pois, a causa mais universal que há de todo o nosso mal. Pois para acabar com este desânimo* e dificuldade, e facilitar este propósito, uma das coisas mais proveitosas é a devoção. Porque (como disse São Tomás) não é outra coisa a devoção senão a prontidão e a rapidez para fazer o bem, a qual aparta de nossa alma toda esta dificuldade e peso**, e nos torna prontos e rápidos para todo o bem. Porque é um alimento espiritual, um refresco e bálsamo do céu, um sopro e alento do Espírito Santo, além de ser uma afeição sobrenatural; o qual , de tal maneira  regra, anima e transforma o coração do homem, a tal ponto que lhe dá novo gosto e alento para as coisas espirituais, e desgosto e aborrecimento pelas sensoriais***. O qual nos mostra a experiência de cada dia, porque no momento em que uma pessoa espiritual sai de uma profunda e devota oração, ali se renovam todos os bons propósitos; surgem inclinações e determinações de fazer o bem; vem o desejo de agradar e amar a um Senhor tão bom e doce, tal como como na oração se havia se mostrado, e, mais, de padecer novos trabalhos e asperezas, e ainda derramar sangue por Ele. Finalmente, torna verde e se renova todo o frescor de nossa alma. (cont.)

*No original em espanhol: pesadumbre.

**Original: pesadum.

***No original: sensuales.

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Crédito/imagem: http://www.geneall.net/P/per_famous.php?tema_id=21..

Nossa Senhora lembrou ao mundo a necessidade da oração, em resposta a apelo do papa Bento XV aos católicos, em 1917… (OCDS)

Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo

Observem, tal como eu, que o mundo do século XX e início deste, ao que parece, está dando as costas  para seu Criador… Vivemos dentro de uma ótica tão materialista que estaremos caindo no abismo e não nos daremos conta enquanto não encontrarmos o chão… O papa Bento XVI está em Israel, e “peregrina” em meio ao conflito do Oriente Médio, e, com originalidade vai respondendo aos seus contendores. Ele também está clamando por paz entre os povos, exatamente como o papa Bento XV o fez, em 1917.

Entretanto, acredito que a tarefa do nosso atual papa é hercúlea, ou seja, é mais complexa que ao tempo da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu clamor tem caído no vazio, dada ao que considero uma verdadeira “indiferença mundial pela paz”. Ele próprio indica a fonte do problema: o relativismo; o conceito está dentro do ideário “pós-moderno”. Estudiosos de Sociologia e Antropologia afirmam que estamos passando por uma fase de transição – do período “moderno” para o “pós-moderno”. Pessoalmente, ainda não consegui compreender em que se baseia este “determinismo”. É um fato histórico que passamos dos estudos “astrológicos” para os astronômicos – ou seja, da Idade Média para a Moderna. No entanto, o que sempre foi aceito como um valor universal, desde os gregos chegou incólume até a década de 80. Desde o final daquela década  há algo em curso (isto me lembra a “mão invisível” do Adam Smith…), que vem se mostrando inexorável. Algo que quer se firmar como a “Terceira Onda”, de Alvin Tofler, ou “1984”, de George Orwell. Enfim, há uma atmosfera, a meu ver, à lá Kafka. A pós-industrialização, que gerou a globalização, que gerará a virtualização da vida humana… O papa Bento XVI traduz tudo quando critica a relativização de todos os valores até então válidos…

Verifico que o papa Ratzinger tem a seu favor, em termos de defesa do Cristianismo, do catolicismo – a inteligência brilhante e o domínio das Escrituras Sagradas, e quanto a este aspecto, é pós-doutor em Teologia. Além disso, isto é, é um homem de 82 anos, que acumulou uma vasta cultura e, para melhorar seu perfil de Sumo Pontífice, é conhecido como um homem muito simples – o que vem surpreendendo a todos. Sendo assim, é um homem que possui sabedoria, a mesma que é valorizada no Antigo Testamento. No entanto, pede que rezemos continuamente por ele… certamente para que não esmoreça. Ou seja, Bento XVI vem enfrentando “intelectualmente” o combate sistemático da imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é a favor de tudo que não lhe contrarie interesses… Obviamente que há outros grupos que lhe fazem oposição.

A propósito, desde o final do dia de ontem e no dia de hoje, 13 de maio, teve de enfrentar a rejeição de alguns líderes religiosos israelitas quanto ao projeto de estabelecimento de uma sede na Terra Santa – algo em torno de um organismo estatal, o qual representaria o pensamento do Vaticano. A idéia é viabilizar meios que permitam a proteção dos cristãos de todas as nacionalidades, que residem nas áreas de conflito, bem como palestinos, cristãos ou muçulmanos. Esta notícia contrariou o mundo político de Israel, provavelmente porque agradou, por exemplo, reinados muçulmanos, como o da Jordânia. Esta tem como característica o acolhimento “democrático” de cristãos e muçulmanos, tanto no aspecto da prática religioso quanto da educação e cultura que os caracteriza.

Quanto a manifestações de alguns rabinos ultra-conservadores em Israel, não lhes foi permitido entrar com faixas e cartazes no ambiente em que o papa Bento XVI se dirigiria a uma ampla gama de autoridades religiosas e políticas, que compõem o estado de Israel. Pelas notícias, o papa falou de improviso e seu apelo à paz teve argumentação bíblica, que foi acolhida com surpresa pelos presentes…

Voltemos à aparição de Nossa Senhora em Fátima. Em 1917, o papa referido abaixo – Bento XV – clamava ao mundo católico que pedisse a intercessão de Nossa Senhora pela paz, em meio à primeira Guerra Mundial. O mundo não ouviu, tanto que veio uma segunda Grande Guerra, e com uso de uma bomba atômica… Constato que o papa Bento XVI nem ao menos pode apelar a sentimentos como – piedade, compaixão, amor, perdão. Pelo menos com a certeza de que, se não for atendido, será compreendido ou aceito… Podemos ter a certeza de que o papa Bento XV foi compreendido, ainda que não lhe tenham dado ouvidos…

Estamos negando nossa humanidade, cedendo-a, sim, aos apelos do mundo da Ciência e da Tecnologia. Estas, na minha ótica, duas “deusas” que, há cerca de três décadas foram “entronizadas” na vida que adotamos, sem crítica de espécie alguma…

Tenho que admitir a luta – que vai se mostrando inglória, ainda que perseverante, graças a Deus – em todas as áreas da vida humana. Está sendo travada por muitos de nós – ao tentarmos preservar uma “vida interior”. Ou seja, é empreendida, em nosso dia-a-dia, uma verdadeira “batalha” para vivermos com liberdade e autenticidade, em meio a este estado de coisas, nossos ideais de transcendência. O absurdo é que nada é mais humano que esta realidade, já que o instinto de sobrevivência é básico. Por que chegamos a este nível de negação de nós próprios? Acumulação? Prestígio? Nesse sentido, sinto-me “vítima”. O que me consola é que estou bem acompanhada, e por muitos… Assim, chega a parecer piada, dentro do que eu chamo “tirania desumanizante” – afirmarmos nossa religiosidade, nossos anseios espirituais… A “Matéria” em nosso tempo, sufoca, ao cansaço, o “Espírito”; este, no sentido filosófico. Será que a Humanidade ainda pensa que existe alma, e que esta deve aspirar à salvação? Nossa Senhora… ora pro nobis. Amém.

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Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província de São José http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/

Nossa Senhora de Fátima

No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em orações para a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Santíssima Virgem dava a sua resposta, aparecendo a três pastorinhos portugueses. A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira, onde agora se encontra a Capelinha das Aparições, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. (…) Leia mais em http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/.

“O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias (…)” – Carmelo Santa Teresa (SC-Brasil)

Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/index.htm 

Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias
Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Visão de Santo Elias

INÍCIO DA DEVOÇÃO À VIRGEM DO CARMO

Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta.

Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.

Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.

Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias.

Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.

Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima. Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.

A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.

São Metódio, mártir do ano 311, dizia numa de suas homilias: “O Profeta Elias, tendo tido conhecimento da pureza imaculada de Maria, imitando-a em espírito, conquistou para si uma coroa de glória aurifulgente”.

Para Santo Ambrósio, a Virgem estava de fato prefigurada naquela pequena nuvem, de que fala a Escritura.

Disse Santo Alberto Magno: “Maria é essa nuvem pequenina: pequena pela humildade, mas plena pela graça”

A Ordem Carmelita teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem italiana (Sto. Elias) e sua dedicação a Maria. O monte Carmelo se eleva entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Compõe-se por uma série de cadeias montanhosas que medem uns 30 km de comprimento por 12 de largura. O pico mais alto é 600 metros sobre o nível do mar, lugar este que é chamado sacrifício. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente – a fonte de Elias – Elias o maior Profeta do Antigo Testamento. Para a maioria, o termo “Profeta” lembra, sobretudo, a idéia de um homem que anuncia o futuro. Na linguagem bíblica, no entanto, o profeta é um homem inspirado por Deus que comunica aos povos o pensamento e o querer divino. Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 e 850 aC. Seu nome tem o significado de uma profissão de fé: significa “Javé é Deus”. Nasceu em Tesbis, na Transjordânia.

Vários são os episódios que a Bíblia nos oferece sobre o Profeta Elias:

a) Elias por vontade de Deus, se esconde na torrente de Carit, onde os corvos lhe levam comida: 1Reis, 17, 2-6. b) Em Sarepta de Sidon, Elias faz o milagre da farinha e do Azeite: 1Reis, 17, 7-16. c) Em Sarepta, na mesma casa da mulher viúva, ressuscita a seu filho: 1Reis, 17, 17-24. d) Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo: 1Reis, 2, 1-18. e) Vocação do Profeta Eliseu: 1reis, 19, 19-21. Eliseu sucessor de Elias. 2reis 2, 19-21.

Elias no Novo testamento:

Vários livros o nomeiam, por exemplo: Mt 16, 13; 17, 1-12; 27,47. Lc 4, 25 e 9, 33. Jo 1-21. São Tiago 5-17.

Elias é um dos poucos profetas com grande ressonância. Elias dizia:

“Eu me consumo de ZELO pelo SENHOR, o DEUS dos exércitos”.

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou.”

“Elias surgiu como um fogo e sua palavra queimava como uma tocha.”

(Eclo. 48, 1-12)

PRECE AO SENHOR JAVÉ

Vem, Senhor! Tua Face procuro… Como a terra árida pela chuva anseia assim meu ser por ti… Vivo és senhor! E em tua graça estou! Na brisa leve me fala, No Carit me dessedenta.. Vem, Senhor! na aridez do deserto Com o pão me alimenta Fortalece-me na caminhada… Vivo és, Senhor! E teu zelo me consome Na solidão quero encontrar-te E descobrir-te no irmão… Vem, Senhor, e ao clarão de tua face se passe inteira a minha vida, se opere a nossa união…

Imagem: “Transfiguração: Jesus, Moisés e Elias” – http://arthistoryfacts.com/Page8MyArtHistorySite.htm

“Morta minh’alma só minha pele me importa” – Carmina Burana (Carl Orff)

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Penso como Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Foi basicamente com estas palavras que ele se expressou há mais de 15 séculos. Sempre me impressionou a profundidade desta afirmação. Mas a maioria acredita que é simples: quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos, afinal  – não odiamos ninguém, não desejamos o mal para quem quer que seja, mesmo que nos prejudique, ajudamos as pessoas, etc. A meu ver, a questão não é esta; é bem diferente: amar é complicadíssimo. Amar nos limita, e neste limite – o da renúncia ao egocentrismo – voamos nas asas libertadoras do amor… Sim. Ele, o amor, fere nossos interesses mais imediatos, intercepta nossos instintos egoístas, exige que “cortemos em nossa própria carne”, e firamos nosso orgulho, nosso amor-próprio. Isto não quer dizer não ter personalidade diante de quem nos contraria, abrindo mão de nossa visão das coisas. Acredito que “amar” para Santo Agostinho é renunciar à própria razão e dar uma chance ao que está equivocado, até que ele desista de nós, porque não tem nenhum argumento par nos convencer de que está certo ou esgotou todos que pensava serem superiores aos nossos… Nos dois casos, amar exige que suportemos os arrogantes, prepotentes, íntimos ou não, até que se dêem por vencidos ou prefiram ficar com seu auto-engano… Tal como Santa Teresa de Jesus afirma: “a paciência tudo alcança”. Por que estou falando tudo isto? Porque desde jovem (e tenho 48 anos) acreditei naquilo que o papa Bento XVI afirma para se defender pessoalmente das críticas e a defender a doutrina católica quanto a preservativos, anti-concepcionais e aborto:  a “humanização da sexualidade”. Li hoje este termo no L’Osservatore e fiquei impressionada porque ando procurando há anos um termo que exemplifique o que estamos vivendo na atualidade, e não somente em relação à AIDS na África, que está chegando ao nível de uma pandemia. Me refiro às condutas ocidentais em relação ao sexo, ao amor. Não adianta vir com aquele chavão de que falo “carolices”, “beatices”. Não me enquadro em nenhum tipo de espiritualidade artificial – porque externa, ao modo de uma máscara…

Provém do próprio catolicismo (ou veio do protestantismo?) o ditado: “O hábito não faz o monge”. Por isto Santo Agostinho falava do amor e da liberdade. Daí porque, sem fazer alarde de minhas convicções fui amadurecendo no sentido de que precisamos (o mundo cristão) viver o amor com humanidade, ou seja, a liberdade consiste em amar com o coração e não somente com o corpo (volto a mencionar o filme “Coração Valente”). Realisticamente falando, para exemplificar temos a “indústria do sexo”. Não vou me estender, mas a palavra indústria lembra máquina, produto, mercado. Bem, o Papa fala de “humanização da sexualidade”, e me vem à mente a existência da já assimilada indústria de preservativos… Aqui o corpo humano já se tornou, por extensão, uma peça da “maquinaria” chamada – “indústria da pornografia” – na qual o corpo humano é degradado de forma “light” até o nível da bestialidade… Desculpem-me, eu lhes disse que não era “carola”… Por um bom tempo não pretendo voltar a este assunto, por motivos óbvios.

BUSCA DE PIEDADE, SANTIDADE E HUMILDADE

Almejamos a santidade. Jesus disse que devíamos ser santos, perfeitos “como o Pai o é”.  É evidente que nos instigava a, pelo menos, nos arrojarmos em busca do “caminho da perfeição”, tal como também nos aponta Santa Teresa de Ávila. Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”, em suas próprias palavras. Precisamos ouvi-Lo, com coração e mente abertos…

Não espero ser compreendida porque esta “cultura”, a da indiferença, do relativismo moral está impregnada em tudo que vivemos. Nosso século, principalmente depois da Segunda Grande Guerra entrou em um processo delirante de busca de satisfação dos cinco sentidos e, nada mais… Onde foi parar a poesia da vida? É verdade que quando temos out-doors em cada esquina, monitores de vídeo com propagandas, ao lado de arranha céus, ou a patética e traiçoeira “Second  Life” do mundo virtual, além de outras virtualidades empobrecedoras do espírito humano, o quê significa mesmo pensar poeticamente; enfim, o que é viver com poesia?

No meu caso, sou plenamente consciente do que é exterior em grau excessivo no âmbito da espiritualidade. O papa Bento XVI não me perturba, nem a doutrina da Igreja Católica. O amor dá coerência à Doutrina. Acabamos de voltar a Santo Agostinho… Sou jornalista e estudo informalmente temas teológicos, no entanto, nunca fiz parte de nenhum convento, nem mesmo faço parte de uma ordem secular. Tão somente sou uma leiga católica. Tal como se tornou católico meu marido, que, apesar de batizado católico foi criado dentro de fundamentos calvinistas. Quando nos conhecemos, estudávamos em universidades diferentes, e nessa época ele “estava” ateu.. Brinco com ele sobre isto, e ele nem liga porque é uma verdade… Estava como quem apresenta urticária por excesso de condimentos químicos na alimentação. O indivíduo não é alérgico, mas como exigiu demais do organismo, a resposta é o mal-estar da urticária. Creio que esta é uma boa metáfora. A partir  deste “estado” bem humano (o da dúvida, que todos sentiremos enquanto vivermos), lentamente, passou a admitir o cristianismo reformado. Após o término do mestrado fez amplas pesquisas relacionadas com o contexto histórico em que viveram Calvino e Lutero, além de buscar biografias de fontes reconhecidas. Ao deparar com três personalidades piedosas dentro da Reforma, que a meu ver, foram cristãos reformados admiráveis – Armínio e sobre os irmãos Wesley  – começou a ver as coisas de outro modo. A partir destes chegou a São Franscisco de Sales… Armínio teria lido os escritos do Bispo de Sales, na forma de “panfletos”. Estes, visavam demonstrar os equívocos de Calvino em relação ao seu professado anti-catolicismo. Genebra, na Bélgica, era o berço dos calvinistas, e ele fora para lá com o objetivo de estudar suas teses teológicas. Não se tornou católico, mas absorveu a noção de “piedade” de São Francisco de Sales. A história conta que os discípulos de Armínio foram perseguidos e mortos pelos calvinistas. Quanto a John Wesley e seu irmão, provinham de família que fugira da Holanda para a Inglaterra por professarem o ponto de vista dos arminianos. Absorvidos estes conhecimentos, acrescentou à sua bagagem o pietismo do protestante alemão Phillip Spenner. Eu fiquei encantada. entretanto, esta corrente não é influente no luteranismo atual. Chegando ao final do nosso século, meu marido, espantado tomou conhecimento das razões da conversão ao catolicismo de John Neuman, que se tornou o conhecido Cardeal Neuman. Este havia sido incumbido de “confirmar” os postulados que afirmavam a fé anglicana como válida em relação à sucessão e tradição apostólicas. Não conseguiu o intento… Apresentou suas conclusões aos dirigentes anglicanos e, ato contínuo, se tornou sacerdote católico.

Descoberta após descoberta, entre cansaço, estranhamento e fascínio, meu marido importou “Vida Devota” e “Controvérsia Católica”. Eu sofria com esta “inquietação interior”, certamente provocada por muitos anos, desde o berço, de críticas contínuas ao catolicismo. Entretanto, dentro de sua própria família havia e há exceções nesse sentido. É importante frisar que esta é uma realidade pessoal (porque histórica) para centenas de milhões de cristãos reformados e calvinistas.

Ao final, através da argumentação de São Francisco de Sales, o acesso ao conceito de piedade em Cristo, aliado aos de humildade em relação à tradição apostólica e de santidade no dia-a-dia, que são centrais em suas duas obras – fez com deixasse para trás preconceitos quase milenares…

Não tive medo – rezei muito, e o pouco temor que experimentei nesta jornada espiritual surpreendente que ele vivia – simplesmente desapareceu. Também aprendi, amadureci muitas coisas. Acho que, estudiosos de Filosofia, se não permanecerem no ateísmo, podem viver algo como o que Santa Edith Stein, carmelita descalça viveu. A razão abraça a fé. Recentemente deparei com este pensamento dela: “O homem que busca a verdade, mesmo que não consciente, busca a Deus”.

COMBATE ESPIRITUAL

Todos travamos um “combate espiritual”, mesmo que não tenhamos uma noção clara, contínua disto em nossas vidas. Os santos e santas nos ajudam nesta difícil caminhada. A propósito, nem São Francisco de Sales, nem Santa Edith Stein tiveram suas obras traduzidas para a língua portuguesa. Acredito que isto se deva ao nosso bem familiar atraso (ou retrocesso?) cultural… Para concluir, diria que todo verdadeiro amor é feito de renúncias mútuas, porque vem de Deus. Ele, o Todo Poderoso renunciou à ação quando Jesus sangrava por nós no Calvário, na Cruz… Estas idéias não combinam com o século XX e o XXI. Ambos se caracterizam pelo império do hedonismo, do “qualquer coisa é admissível”, ou seja, não há compromisso moral com nada e com ninguém, o que é lamentável para o que sempre foi um ideal humano: a felicidade. A Humanidade está chegando à uma abismal conclusão: amar é complicado demais. Então, tal como se dá na peça musical Carmina Burana, passa a ser natural o absurdo:  “morta minh’alma só minha pele me importa…”.

«A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer» Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Imagem: 14ª Estação – “Jesus é colocado no sepulcro” –

http://www.igrejasaosebastiao.com.br/via_sacra.asp

Secretaria de Estado do Vaticano rebate críticas da Embaixada do Reino da Bélgica a Bento XVI sobre a Aids e o aborto

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FONTE: L’Osservatore Romano

25 de Abril 2009

Comunicado da Secretaria de Estado

O Embaixador do Reino da Bélgica, por instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros, comunicou ao Ex.mo Arcebispo Secretário para as Relações com os Estados a Resolução com a qual a Câmara dos Representantes do próprio País pediu ao governo belga para “condenar as declarações inaceitáveis do Papa por ocasião da sua viagem à África e de protestar oficialmente junto da Santa Sé”. O encontro teve lugar a 15 de Abril corrente.

A Secretaria de Estado toma conhecimento com tristeza deste passo, não habitual nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino da Bélgica. Deplora que uma Assembleia parlamentar tenha considerado oportuno criticar o Santo Padre, com base num extracto de entrevista cortado e isolado do contexto, que foi usado por alguns grupos com evidente intenção intimidatória, quase a dissuadir o Papa de se expressar sobre alguns temas, cuja relevância moral é óbvia, e de ensinar a doutrina da Igreja.

Como se sabe, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta sobre a eficácia e o carácter realista das posições da Igreja em matéria de luta contra a sida, declarou que a solução deve ser procurada em duas direcções: por um lado na humanização da sexualidade e, por outro, numa autêntica amizade e disponibilidade em relação às pessoas que sofrem, ressaltando também o compromisso da Igreja nos dois âmbitos. Sem esta dimensão moral e educativa a batalha contra a sida nunca será vencida.

Enquanto, nalguns Países da Europa, se desencadeava uma campanha mediática sem precedentes sobre o valor preponderante, para não dizer exclusivo, pró-profilático na luta contra a sida, é confortador verificar que as considerações de tipo moral desenvolvidas pelo Santo Padre foram compreendidas e apreciadas, sobretudo pelos africanos e pelos verdadeiros amigos da África, assim como por alguns membros da comunidade científica. Como se pode ler numa recente declaração da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (Cerao): “Estamos gratos pela mensagem de esperança que [o Santo Padre] nos veio confiar nos Camarões e em Angola. Veio encorajar-nos a viver unidos, reconciliados na justiça e na paz, para que a Igreja em África seja ela mesma uma chama ardente de esperança para a vida de todo o continente. E agradecemos-lhe por ter reproposto a todos, com matizes, clareza e acuidade, o ensinamento comum da Igreja em matéria de pastoral dos doentes de sida”.

FONTE: http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#4

Imagens: http://fratresinunum.com/

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Os trechos sublinhados acima são de minha iniciativa, para destaque.

Os dados abaixo, retirados da Wikimedia Commons trazem o mapa da África  e o índice de incidência da Aids, em matiz de cor para cada país deste continente. É um fato estranho que o título se refira à “AIDS”, mas o único mapa é o da África, enquanto há, exatamente ao lado, um gráfico sobre a causa de mortes nos Estados Unidos…  Isto merece nossa análise. Acrescento os seguintes dados, que fixam o significado da sigla em três idiomas e, o endereço eletrônico para outras informações relevantes:

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Aids

Sida (SIDA): Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (em espanhol, português, francês)

Aids (AIDS): Acquired Immunodeficiency Syndrome

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FONTE: http://fratresinunum.com/tag/atualidades/

27 de março de 2009

O Papa na África: “É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”.

de France Presse, em Luanda

O papa Bento 16 pediu neste sábado em Angola aos adeptos da bruxaria que se convertam à religião católica, durante uma missa na igreja de São Paulo da capital angolana.“Muitos de vocês vivem com o medo dos espíritos, de poderes nefastos que os ameaçam, desorientados, e chegam a condenar crianças de rua e até idosos, porque, dizem, são bruxos”, afirmou o pontífice em uma referência clara às várias seitas e religiões tradicionais africanas presentes em Angola, incluindo algumas que celebram rituais de sacrifício humanos.“A eles é preciso anunciar que Cristo venceu a morte e todos estes poderes obscuros”, disse o papa durante a homilia.“Há quem objete que os deixemos em paz, que eles têm a verdade deles e nós a nossa. Que tentemos conviver pacificamente, deixando tudo como está. Estamos convencidos de que não cometemos injustiça alguma se apresentamos Cristo a eles […] É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”, destacou.Diante de bispos, religiosos e representantes dos movimentos católicos e missionários, em uma igreja remodelada e lotada, Bento 16 condenou tais movimentos na África, que na última década representam uma forte concorrência para a Igreja Católica.

POLÊMICA

Em sua primeira viagem pela África –que inclui ainda uma parada em Camarões– o papa não escapou aos temas polêmicos. Ele condenou nesta sexta-feira (20) todas as formas de aborto, ao mesmo tempo em que exigiu medidas econômicas e legislativas em defesa da família, que segundo ele, “está ameaçada”.O papa mencionou o artigo 14 do Protocolo de Maputo, carta sobre os Direitos da Mulher na África que entrou em vigor em 2005 e foi ratificada pelos 20 Estados membros. O artigo se refere ao aborto como um dos métodos para regulamentar as políticas reprodutivas. “Como é amarga a ironia daqueles que promovem o aborto entre as curas para a saúde materna. É desconcertante a tese daqueles que acreditam que a eliminação da vida é um assunto de saúde reprodutiva”, disse.O papa fez as declarações no discurso que dirigiu aos bispos de Angola e São Tomé e Príncipe.Em Camarões, o papa causou grande discussão na comunidade internacional ao dizer que a distribuição de preservativos não ajuda a reduzir o número de pessoas contaminadas com a Aids.Bento 16 afirmou que a Aids “é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas”.

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre se os ensinamentos da Igreja Católica não eram “irrealistas e ineficazes” em relação à Aids. O papa defendeu que a epidemia só pode ser impedida com uma renovação moral no comportamento, a “humanização da sexualidade”, incluindo elementos de fidelidade e autossacrifício.

O papa adota a visão tradicional da Igreja Católica sobre o tema: sexo apenas depois do casamento e a proibição de meios contraceptivos artificiais, como a camisinha e a pílula.

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Cristoaleluia

Imagem: http://fratresinunum.com/



Santa Teresa, Pe. Emannuel-André e “a ignorância entre os cristãos”…

Um texto sobre a visão que o Papa Leão  XIII possuía sobre o seu tempo, segundo a explanação do padre francês Emmanuel-André é antigo, anacrônico? Então, pergunto-lhes o seguinte: por que lemos com tanto proveito as obras de Santa Teresa de Ávila? O artigo abaixo me  parece muito apropriado para o nosso tempo, ainda que escrito no final do século XIX. Padre Emmanuel-André, que nasceu no dia 17 de outubro de 1826, em Bagneux-la Fosse, escreveu-o quando Leão XIII fazia suas exortações finais como pontífice. Pelo conteúdo das encíclicas, percebemos facilmente o temor deste papa – sagaz, decidido e piedoso – ou pior, seu horror em relação às “novidades” que o pensamento liberalizante , chamado à época de “modernismo” prometia implementar no século XX. No horizonte do novo século, não despontara ainda as 1ª e 2ª Guerras mundiais…

Para mim, o papa Leão XIII foi um homem religioso por excelência, e por esta razão estava a frente de seu tempo. Via o que estava ainda em germe…

Infelizmente, nós, que nele nascemos (isto é, no “século passado”…), somos cientes de que engendrou um tipo singular de barbárie. Ela é diferente das que ocorreram em períodos anteriores da história d Humanidade, ou seja, temos vivido uma barbárie disfarçada de progresso… Em outras palavras: em nome do progresso humano, passo a passo temos caminhado para o desmantelamento de nossa dignidade enquanto seres humanos.

Desse modo, desde o início do século XX, quase sem saída, vamos vivendo a perda de nossa dignidade sob a forma da escravidão dissimulada pela máscara do trabalho. Na atualidade, pela falta dele, pelo chamado “fim do emprego”. Isto vem acontecendo dentro do sistema capitalista, de regimes comunistas ou de base marxista. Por outro lado, não menos devastadora é a perda da dignidade que corrói internamente as subjetividades, dada a desumanização que cresce geometricamente. Que esperança nos resta então, já que nos que nos afirmamos cristãos? Acredito que podemos e devemos aprender com o legado dos que nos antecederam e tiveram a visão aguda sobre as ameaças que “espreitam” o  corpo e a alma humanos.

No texto abaixo, há um excerto de Santa Teresa de Ávila, contido em Cartas, no qual Pe. Emannuel-André lembra, através da agudeza de percepção desta sobre o seu tempo, o quanto homens e mulheres cheios de sua própria “sabedoria” podem ser nefastos, e não somente dentro do círculo em que vivem. Pelo contrário, sua “ignorância” – porque desprovida de um exame das coisas sob o ângulo da fé – pode atravessar décadas, senão séculos…

No entanto, confio que serei(seremos) sempre guiados pela Providência Divina em nosso caminho, e, por uma única razão: não confio no meu próprio julgamento, que geralmente é falho. Se entregar a Deus minhas incertezas, Ele há de me conceder a capacidade de discernimento. Há momentos em que não podemos seguir adiante com confiança, se tivermos um momento de hesitação sobre nossos posicionamentos. Esta é a minha prece mais urgente, mais necessária…

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FONTE: http://www.permanencia.org.br/revista/teologia/Emmanuel/ignorancia.htm

A IGNORÂNCIA ENTRE OS CRISTÃOS

Pe. Emmanuel-André

I — As causas da ignorância

O presente século (século XIX — N.T.) concedeu a si mesmo o faustoso título de “século das luzes”. A pretensão é manifesta, o direito não é tão claramente demonstrado. O século XIX não mudou em nada as condições da humanidade dos séculos anteriores; e, se bem que tenhamos a honra (?) de sermos filhos deste grandioso século XIX, no entanto a verdade é que somos filhos de Adão, e que nascemos trazendo conosco o pecado original e o que dele decorre, a ignorância e a concupiscência.

A ignorância! não somente a simples ignorância que é o não-saber, mas a ignorância combinada com a dificuldade de aprender, com a repugnância em fazer esforço para chegar a saber: esta chaga é grande, e em todos os homens ela produz frutos e frutos muito amargos, é preciso convir, mas são frutos que a maior parte dos homens carrega com uma resignação fácil demais e muitas vezes com uma satisfação que se poderia tomar como sinal de uma felicidade idiota.

Os cristãos nascem homens, e humanamente são vítimas da ignorância, a menos que, por felizes circunstâncias, uma educação cuidada, digamos melhor, a menos que a graça de Deus venha tirá-los do estado infeliz em que todos caímos em Adão. A queda, ai de nós, é natural, o reerguer-se é sobrenatural. Reflitamos no estado das populações que permaneceram estranhas ao cristianismo na Ásia, África, Oceania, e teremos uma prova manifesta do que nós dizemos.

* * *

É portanto por uma graça de Deus que as populações cristãs são retiradas da ignorância. O conhecimento de Deus, de nossa criação, de nossa natureza de homens, de nosso fim sobrenatural são luzes muito puras e sobrenaturalmente poderosas para nos retirar da ignorância.

A noção de Deus criador e fim supremo da criatura, é o grande instrumento da luz intelectual; é o sol das inteligências. Saber que Deus é a causa primeira de tudo que é; que Ele é nosso fim, especialmente de nós, criaturas inteligentes; eis o princípio verdadeiro da verdadeira luz, a base sólida de toda instrução. Aí temos um ponto de partida assegurado: aí temos o termo obrigatório de nossa existência; e com esses dois dados, que são imensos para nossas inteligências, nós podemos e devemos orientar nossos espíritos, dirigir nossos pensamentos, regular nossas vontades e nossas afeições, ordenar nossa vida de modo a chegar ao fim que Deus nos assinalou.

* * *

Esta é a ciência da vida: a única indispensável, ciência que nenhuma outra pode substituir e que, se necessário, pode dispensar todas as outras.

O homem só é verdadeiramente instruído quando sabe regular sua vida e regula-la de modo a atingir seu fim. Os conhecimentos mais profundos, os mais variados, os mais raros, não tiram o homem da ignorância se não o ajudam a atingir seu fim. Também há homens que, sob certos aspectos, são verdadeiros sábios; eles sabem línguas, letras, a história, as ciências; e com tudo isso, não tendo a ciência da vida, são realmente ignorantes, e diante de Deus, o Pai das luzes, estão mergulhados em profundas trevas.

Insensíveis à sua própria infelicidade, não tendo olhos senão para suas luzes particulares que irradiam em algum canto de seus espíritos, aplaudem-se por causa das fracas luzes com que tem alguma claridade e pouco sofrem com as trevas onde os mergulha a ignorância em que estão quanto à ciência da vida. Et in caecitate quam tolerant quase in claritate luminis exultant. (S. Greg., in “Job”).

São os cristãos de hoje verdadeiramente filhos da luz como os chamava S. Paulo? Nossa voz seria muito fraca para responder a tal pergunta. Escutemos a voz mais poderosa, uma voz autorizada, uma voz para a qual não há réplica. Ela diz:

“Desde o primeiro dia de nosso pontificado, do alto da Sé Apostólica, voltamos os nossos olhares para a sociedade atual, a fim de conhecer as suas condições, procurar atender as suas necessidades, dar-lhe os remédios. Desde então, deploramos o declínio da verdade, não só aquela conhecida sobrenaturalmente pela fé mas também a conhecida naturalmente pela razão ou pela experiência; deploramos a predominância dos mais funestos erros, e os grandes perigos que corre a sociedade pelas desordens sempre maiores que a perturbam; diríamos que a causa mais poderosa de uma semelhante ruína era a separação procurada, a apostasia estabelecida entre a sociedade atual e o Cristo e sua Igreja”.

É um papa do tempo de Nero ou de Domiciano, que fala assim, deplorando o estado dos povos mergulhados no paganismo? Não, é um papa do século XIX, é o papa de nosso tempo; é Leão XIII.

Que se reflita nisto: o declínio da verdade, a predominância dos mais funestos erros, não são palavras desprovidas de sentido. Pintam uma situação e descrevem-na em termos muito exatos.

Se os mais funestos erros se tornaram predominantes, se a verdade encontra-se em declínio, é preciso reconhecer que nossa ignorância é grande.

* * *

Quais são as causas da ignorância entre os cristãos?

Nunca houve tantas escolas quanto em nossos dias; a causa então não será por falta de escolas. Mas afirmamos sem que se possa desmentir-nos, que em nossas escolas se ensina de tudo, menos a verdade. A verdade está em declínio, foi Leão XIII quem disse.

Em muitas escolas, nós sabemos, há lugar para o catecismo, lugar para a instrução religiosa e moral. Mas, na maior parte das vezes, a instrução religiosa é suplantada, aqui pela gramática, lá pelo diploma.

Então faz-se gramática ou bacharéis, mas cristãos, não! Ali onde a fé não está acima de tudo não existe fé.

* * *

E depois, mesmo onde se ensina o catecismo, é bem possível e infelizmente muito comum: não se ensina a fé. Como pode ser isso, nos dirão? Do seguinte modo: pode-se ensinar materialmente as verdades da fé, por exemplo: que há um só Deus, três pessoas em Deus, duas naturezas em Jesus Cristo, sete sacramentos na Igreja, dirigindo-se tal ensino ou à memória, ou à inteligência ou à fé da criança.

Dirigir-se à memória é o método de quase todas as escolas de nossos dias; com isso se obtém a recitação correta da lição; mas isso não é a fé.

Dirigir-se à inteligência é mais raro: pois é preciso esforço para fazer o aluno saber não a palavra mas a coisa, não a expressão mas a verdade. Por aí se faz atos de inteligência, mas não de fé.

Enfim, podemos, digamos melhor, devemos dirigirmo-nos à fé do aluno. Para isso é preciso que aquele que ensina faça o ato de fé, a fim de estimular um ato semelhante no aluno. Acreditei, diz o salmista, por isso falei. É preciso ensinar às crianças o verbum fidei de São Paulo ou, diríamos em português, a fé falada. Então a criança ouve a palavra e a retém, eis o ofício da memória; compreende o valor da expressão, este é o ofício da inteligência; depois, com toda a sua alma, adere à verdade, é a fé.

Dizíamos que essa maneira de ensinar, a única verdadeira, a única eficaz, é extremamente rara, mesmo nas escolas ditas cristãs; é por isso que essas escolas não produzem cristãos e há entre nós uma tão grande ignorância.

II — Os remédios para a ignorância

A ignorância consiste em não saber; mas não saber, para os cristãos, é qualquer coisa de muito funesto.

Para nós cristãos, não nos basta conhecer por seus termos próprios uma determinada verdade, é preciso conhece-la com fé, é preciso saber e crer, saber crendo e crer sabendo.

O cristão que crescesse e não soubesse poderia ser um cristão com alguma fé; mas não possuindo plenamente a verdade, objeto da fé, seria um cristão ignorante.

Segue-se que para combater a ignorância dos cristãos não basta expor diante deles a verdade, ensiná-la em termos exatos; não basta fazê-los conhecer com precisão; é, além disso, necessário, indispensável, desenvolver neles a fé, esta disposição sobrenatural de receber como reveladas por Deus as santas verdades ensinadas pela Igreja.

Ser cristão é uma grande coisa; na educação de uma alma cristã, há um lado humano e um lado divino. Um lado humano, pelo qual a alma é instituída, ensinada, catequizada; e um lado divino pelo qual a alma recebe, como vida sobrenaturalmente de Deus, a verdade cujos termos lhe são propostos por uma boca humana.

Que ela fale, esta boca humana, que ela ensine, que ela exorte, seu papel é grande e belo. Mas Deus reserva para si, em nossa educação cristã, um papel maior e mais belo ainda, o de nos falar ao coração, o de elevar nossas inteligências até a participação da razão divina, até essa região sublime que se chama fé.

Quando, pois, o educador cristão, seja a família, a escola ou a Igreja, quando o educador cristão fala a uma alma batizada, para tirá-la cada vez mais da ignorância, ele deve, sob pena de nada compreender do trabalho que empreende, rezar, ao mesmo tempo que fala, e pedir a Deus que derrame na alma do batizado a graça interior da fé, ao mesmo tempo que, de seu lado, ele faz chegar aos ouvidos do catequizado a expressão humana da verdade divina.

Se todos aqueles que têm a terrível tarefa de trabalhar na instrução dos cristãos trabalhassem desta maneira, veríamos prontamente a ignorância desaparecer, a fé aumentar, a santidade florescer.

Mas, o que se diz de todos os lados? A santidade desaparece, a fé diminui e a ignorância é assustadora, mais ou menos por toda parte.

A falta é nossa!

Com muita facilidade se imagina ter feito tudo, quando se diz a verdade: isto não é nada. Ter-se-ia feito muito e muito mais se, depois de tê-la feito ouvir, se rezasse e se trabalhasse para que ela fosse crida.

O cristão só é completo sob essa condição.

Quantas crianças, nas escolas ou nos cursos de catecismo, aprendem, recitam e sabem bem a letra do catecismo, no entanto, não se tornam cristão dignos desse nome!

A causa de tão grande infelicidade está inteiramente no vício de educação que assinalamos. Fizeram-nos sábios mas não os fizeram crentes.

Por conseqüência, não tendo a fé lançado raízes fortes nas almas, a criança fica entregue ao sabor das paixões nascentes ou torna-se vítima do meio no qual se encontra.

A fé teria dado o vigor necessário para resistir ao perigo interior ou ao perigo exterior que acabamos de assinalar. Mas, sem a fé, o homem fica entregue à fraqueza e cai. É pela fé que estais de pé, diz o Apóstolo. Fides statis (II Cor., 1, 23).

Então, para trabalhar eficazmente no combate a ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes; precisaríamos de santos que fossem sábios e de sábios que fossem santos.

III — Uma palavra de Santa Teresa

Concluímos nosso artigo sobre a ignorância entre os cristãos por aquelas palavras: “Para trabalhar eficazmente no combate à ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes: precisaríamos de santos que fossem sábios e sábios que fossem santos. Queira Deus no-los dar!”

Isto já estava impresso quando, tendo aberto as Cartas de Santa Teresa, encontramos nas primeiras páginas a seguinte passagem:

Desejo, mais ardentemente do que nunca, que Deus tenha a seu serviço homens que unam à ciência um completo desapego de todas as coisas daqui de baixo, que são a mentira e derrisão; sinto a extrema necessidade que a Igreja tem disto e sou tão vivamente tocada por isso que me parece até brincadeira afligir-me com outra coisa. Por isso não cesso de recomendar a Deus esse assunto, persuadida de que um desses homens perfeitos e verdadeiramente abrasados do fogo de seu amor, dará mais fruto e será mais útil à Santa glória do que um grande número de outros que sejam indiferentes e ignorantes”.

Esse assunto que Santa Teresa não cessa de recomendar a Deus, esse assunto pelo qual o coração da seráfica virgem era tão vivamente tocado, é o pensamento chave da obra de Nossa Senhora da Santa Esperança.

Quis sapiens, et intelliget ista? (Os., XIV, 10) Onde estão os homens a quem Deus deu o espírito de sabedoria e que compreenderão isto? Que Deus se digne entregar-nos a eles ou proporcioná-los a nós.

Estas linhas foram escritas no dia da festa do coração de Santa Teresa (27 de agosto). Recomendamos nossa obra às preces da seráfica padroeira do Carmelo.

Revista Permanência n° 186-187, Maio-Junho de 1984.

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Ver também outros artigos do Pe. Emmanuel-André em :

http://grupoveritas.blogspot.com/2008/08/cartas-sobre-f-dcima-segunda-carta.html

Observação: A cor da fonte do título “A ignorância entre os cristãos”, bem como as palavras e expressões em negrito são da fonte publicadora. São meus o grifo, em itálico e negrito, e e a cor da fonte no excerto do escrito “Cartas”, de Santa Teresa.

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Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.

Jesus Cristo vive!

Eu nunca gostei do clichê: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Não mudei de opinião porque, para mim, esta idéia simplifica demais as coisas, banaliza-as. Aliás, combina, em excesso, com a incensada “civilização da imagem”. A propósito, para aumentar a confusão nas almas humanas, temos atualmente, virtualmente, até “oferta” de uma segunda vida…Mas, aos devidamente avisados, tais vidas virtuais são propostas vãs no fluir de uma vida verdadeira, integral. Por outro lado, temos que reconhecer que o bom uso da tecnologia acrescenta qualidade às nossas vidas. Assim, imagens em  sequência , transmitem uma ou várias ideias, desde que concatenadas. Imagens paradoxais, mostradas em conjunto também “falam”, dialogam com quem as vê.

Apresento a vocês uma composição visual que, aliás, produzi “entre tentativa e erro” ao manipular algumas imagens e fazê-las representar uma cruz. Posso dizer que, pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Parece ser óbvio o motivo: fala em essência da Cristandade.  Em seu conjunto, concluímos que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, através do “sim” corajoso e total de nossa Mãe Santíssima – a Virgem Maria.

Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos:  “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“… (LBN)

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Crédito/imagens (autorização indireta, no site):

http://www.turnbacktogod.com/jesus

A Paixão de Jesus Cristo na visão do Carmelo Descalço Secular (OCDS)

Fonte: ORDEM CARMELITA DOS DESCALÇOS SECULARES(OCDS)

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO NA VISÃO DO CARMELO DESCALÇO SECULAR


JEJUM E ABSTINÊNCIA
Cor litúrgica: Vermelho
Ofício próprio
Liturgia das Horas:
359-417
Oração das Horas: 396-418

Leituras: Is 52,13-53,12 – Sl 30(31) – Hb 4,14-16;5,7-9 – Jo 18,1-19,42
Ação litúrgica solene: leitura da Paixão, segundo São João, Orações solenes,

Adoração da Cruz, Comunhão

“Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.”
Jesus é apresentado como “o servo de Deus” que caminha para a paixão como o cordeiro ao matadouro, sem abrir a boca.

“O amor possui igualdade e semelhança.”
São João da Cruz – 1S 5,1

13ª Estacao

Extraído do Blog da OCDS  – Ordem Carmelita dos Descalços Seculares – Abril/2009

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Recebi com carinho o registro da presença da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil, no Link de Entrada e dos  “Frades Carmelitas Descalços” – Carmelo Descalço, também da Província São José , que oferece aos interessados em ingressar ou conhecer a vida consagrada carmelita descalça –  o Blog “Pastoral Vocacional Carmelitana”.

A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares é formada por leigos e leigas carmelitas. Em seu conjunto, contam com a orientação espiritual de um religioso integrante da Ordem dos Carmelitas Descalços. É importante lembrar que Santa Teresa de Ávila estabeleceu em estatutos o funcionamento, já em seu tempo, de Ordens Terceiras carmelitanas. Assim, eles têm muita história para contar. Confiram o rico conteúdo no “Blog da OCDS – Provícia São José” http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/, repleto da história da Ordem Carmelita dos Descalços – Consagrada e Secular no mundo, além de vivências e orientações, principalmente sobre a Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destaco também o blog dos Frades Carmelitas Descalços http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/ceia-do-senhor-quinta-feira-santa.html , cujo site da “Ordem Carmelita DescalçaProvíncia São José” pode ser encontrado no endereço – http://www.carmelo.com.br/. Ambos contém conteúdos inspiradores nesta Paixão e Páscoa. Há também o boletim http://provsjose.zip.net/. Traz notícias de atividades juvenis das paróquias carmelitanas, além da história dos carmelitas descalços e temas da espiritualidade carmelitana. Vale a pena conferir também o site do “Centro Teresiano de Espiritualidade”http://www.carmeloteresiano.com.br/. Dele faz parte como assessor Frei Sciadini (OCD). Ele coordenou e fez o prefácio de “Obras Completas – Santa Teresa de Jesus” – Edições Carmelitanas, publicado por Edições Loyola, 2002 (edição esgotada).

A propósito, a equipe diretiva está organizando uma comitiva para a reunião geral da Ordem, que, de acordo com as informações do site, se dará pela primeira vez fora do Brasil. Com destino à cidade de Fátima, em Portugal, cerca de 140 membros farão parte da comitiva da OCDS. Lá permanecem de 17 de abril até pouco além de 13 de maio (dia da aparição de Nossa Senhora, em Fátima).

Boa viagem a todos. Rezem por nós, leigos seculares ou não, que amam o Reino de Deus. Nós brasileiros, que vivemos em um país abandonado pelos governantes, precisamos muito das orações das consagradas e consagrados carmelitas descalços – em sua clausura abençoada por Deus. Esta é uma afirmação de Santa Teresa de Jesus! Necessitamos também, neste mundo cheio de confusão, das orações dos leigos carmelitas seculares, em Fátima e em seus encontros no Brasil. Que a paz e o amor da Trindade Santa esteja com vocês da OCDS, nesta e em outras missões pelo mundo. Amém.

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Fé: sentido e impermanência

Sunset Over Victoria Falls - Photo by:Adam Annfield - Wikicommons
Sunset Over Victoria Falls - Photo by:Adam Annfield - Wikicommons

Em um mundo materialista e hedonista, não há lugar para uma “vida interior”. Este é o tempo em que vivemos. Se não nos esforçamos, com determinação, para alcançar os “andares superiores” de nossa existência, andaremos vazios pelos caminhos do mundo (e são vários, muitos deles, sem sombra de dúvida, sem volta, tenebrosos!). Ou seja, se não ficarmos atentos aos apelos de nossa alma por transcendência – pouco ou nada – restará em termos de paz ou contentamento em nosso íntimo. Santa Teresa de Jesus faz este alerta: a vida cristã está aí no sentido formal, material (a Igreja), mas nossa luta principal se dá em nosso interior. No reduto de nossa alma. Este é o castelo, com seus patamares. Cada andar (e são sete para Santa Teresa – um número metafórico, mas significativo) tem dificuldades, desafios e mistérios. O Espírito Santo nos guarda, nos protege em cada um deles e nos incentiva misteriosamente para que avancemos, mesmo em meio a cansaços, decepções, tristezas, enfim, nos protege do desânimo… Desde o Antigo Testamento, homens e mulheres vêm empenhando todos os seus esforços para não seguirem a rota vertiginosa da vida centrada somente na conquista de bens materiais. Com a vinda de Jesus em carne humana, nós cristãos fazemos parte do corpo de Cristo, que é a Igreja, e que primitivamente foi dirigida pelo Apóstolo São Pedro. Temos, na atualidade, o papa Bento XVI como sucessor daquele na condução do “rebanho”. Creio que a Igreja Católica é santa e imperfeita como nós que a integramos. Se nossa alma é o “castelo” de nossa existência “interior”, esta vida interior estará em conformidade, em essência, com o “castelo”, que é a Igreja, que representa a manifestação a um só tempo “exterior” e “interior” da espiritualidade humana.

A santidade, o último patamar do “castelo” deve ser buscada durante toda a nossa vida. O mesmo está acontecendo com a Igreja de Cristo, Una e Santa com Ele, ainda que imperfeita como cada um que, de um modo ou outro dela faz parte.

Amar a Igreja é amar a nós próprios e aos nossos semelhantes (ainda que seja, inúmeras vezes, quanto ao relacionamento humano, um desafio que traz contradições à nossa alma…). Penso que nestas mesmas contradições (em nossa alma, no convívio interpessoal e em relação a fatos ligados à Igreja Católica), vamos nos tornando melhores como seres humanos, como que, redimidos pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, nossa cruz consiste, a meu ver, em carregarmos nossas próprias contradições e as de nossos semelhantes… Há também privações, limitações, sobrecargas. Tudo deve ser compreendido à luz da mensagem que Ele deixou aos Apóstolos. Não sendo assim, não somos cristãos – somos do mundo – o que é lamentável porque nos lança de um vazio para outro.

Desse modo, buscar a santidade transcende a “parecer” alguma coisa: é transformar o sofrimento em um Bem para a nossa alma. É um desafio constante, e será assim até o final de nossa existência. Foi assim com Jesus Cristo, os Profetas, os Apóstolos e Santos. O mesmo se dá conosco em “situações-limite” no decorrer de nosas vidas. Para tanto, temos que lutar para superarmos a condição de sermos ou nos tornarmos tão somente ‘compradores’ em um momento e ‘vendedores’ em outro. Continuamente estaremos comprando ou vendendo bens que são passageiros – e nada mais… No entanto, estes “bens” podem ser imateriais, tais como viver segundo as aparências, prestígio, sucesso, entre outras vaidades humanas.

O resultado de “andarmos contra a corrente”  é que andaremos mais sozinhos que a média. O que consola, a meu ver, é que esta é a nossa única saída para a conquista da paz interior, senão para a felicidade que é possível neste tempo. Ou seja, para uma vida plena, não há outro caminho. O certo é que haverá isolamento, ainda que estejamos cercados de pessoas, em qualquer lugar do mundo… É a marca de uma vida cristã, mesmo entre cristãos… Isto é positivo, ainda que não seja aparentemente normal… Entretanto, entendo que este é o custo (que não é dispêndio…) por “lutarmos” por uma vida espiritual, que vai muito além da “luta” aceita, aplaudida por uma próspera vida material. E, tudo acontece em meio ao caos relativamente “organizado” do mundo de hoje… Que Deus nos ajude. Amém.

Bom domingo e boa semana a todos, parceiros e parceiras nesta árdua jornada…