Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica – L’Osservatore Romano(Vaticano) – 31.10.2009

VATICANO  –  L’Osservatore Romano

31.10.2009

Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica

Amizade natural entre fé e razão

Valores e dinamismo dos povos africanos “Entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação”, afirmou o Papa na audiência geral de quarta-feira, 28 de Outubro, na Praça de São Pedro, falando sobre teologia monástica e teologia escolástica que floresceram no século XII.

Queridos irmãos e irmãs!
Detenho-me hoje a falar sobre uma interessante página de história, relativa ao florescimento da teologia latina no século xii, que se verificou devido a uma série providencial de coincidências. Nos países da Europa ocidental reinava então uma paz relativa, que garantia à sociedade desenvolvimento económico e consolidação das estruturas políticas, e favorecia uma vivaz actividade cultural graças também aos contactos com o Oriente. No interior da Igreja sentiam-se os benefícios da vasta acção conhecida como “reforma gregoriana”, a qual, promovida vigorosamente no século precedente, tinha contribuído com uma maior pureza evangélica para a vida da comunidade eclesial, sobretudo no clero, e tinha restituído à Igreja e ao Papado uma autêntica liberdade de acção. Além disso ia-se difundindo uma vasta renovação espiritual, apoiada pelo vigoroso desenvolvimento da vida consagrada:  nasciam e expandiam-se novas Ordens religiosas, enquanto que as que já existiam conheciam uma retomada prometedora.

Refloresceu trambém a teologia adquirindo maior consciência da própria natureza:  apurou o método, enfrentou problemas novos, progrediu na contemplação dos Mistérios de Deus, produziu obras fundamentais, inspirou iniciativas importantes da cultura, da arte e da literatura, e preparou as obras-primas do século seguinte, o século de Tomás de Aquino e de Boaventura de Bagnoregio. Foram dois os ambientes nos quais se desenvolveram esta fervorosa actividade teológica:  os mosteiros e as escolas das cidades, as scholae, algumas das quais deram depressa vida às Universidades, que constituem uma das “invenções” típicas da Idade Média cristã. Precisamente a partir destes dois ambientes, os mosteiros e as scholae, pode-se falar de dois modelos diferentes de teologia:  a “teologia monástica” e a “teologia escolástica”. Os representantes da teologia monástica eram monges, em geral Abades, dotados de sabedoria e de fervor evangélico, dedicados essencialmente a suscitar e a alimentar o desejo amoroso de Deus. Os representantes da teologia escolástica eram homens cultos, apaixonados pela pesquisa; magistri desejosos de mostrar a racionalidade e o fundamento dos Mistérios de Deus e do homem, acreditados com a fé, sem dúvida, mas compreendidos também pela razão. A finalidade diversa explica a diferença do seu método e do seu modo de fazer teologia.

Nos mosteiros do século xii o método teológico estava ligado principalmente à explicação da Sagrada Escritura, da sacra pagina para nos expressar como os autores daquele período; praticava-se especialmente a teologia bíblica. Isto é, os monges eram todos devotos ouvintes e leitores das Sagradas Escrituras, e uma das suas principais ocupações consistia na lectio divina, ou seja, na leitura pregada da Bíblia. Para eles a simples leitura do Texto sagrado não era suficiente para compreender o seu sentido profundo, a sua unidade interior e a sua mensagem transcendente. Portanto, era preciso praticar uma “leitura espiritual”, guiada com docilidade ao Espírito Santo. Na escola dos Padres, a Bíblia era assim  interpretada  alegoricamente,  para  descobrir  em  cada  página, quer do Antigo quer do Novo Testamento, o que diz de Cristo e da sua obra de salvação.

O Sínodo dos Bispos do ano passado sobre a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” recordou a importância da abordagem espiritual das Sagradas Escrituras. Com esta finalidade, é útil valorizar a teologia monástica, uma ininterrupta exegese bíblica, assim como as obras compostas pelos seus representantes, preciosos comentários ascéticos aos livros da Bíblia. Portanto, a teologia monástica unia a preparação literária à espiritual. Estava portanto consciente de que uma leitura meramente teórica e profana não era suficiente:  para entrar no coração da Sagrada Escritura, ela deve ser lida no espírito com o qual foi escrita e criada. A preparação literária era necessária para conhecer o significado exacto das palavras e facilitar a compreensão do texto, afinando a sensibilidade gramatical e filológica. O estudioso beneditino do século passado Jean Leclercq intitulou do seguinte modo o ensaio com o qual apresenta as características da teologia monástica:  L’amour des lettres et le désir de Dieu (O amor às letras e o desejo de Deus). De facto, o desejo de conhecer e de amar a Deus, que vem ao nosso encontro através da sua Palavra que deve ser acolhida, meditada e praticada, leva a procurar aprofundar os textos bíblicos em todas as suas dimensões. Há depois outra aptidão sobre a qual insistem quantos praticam a teologia monástica, isto é, uma profunda atitude orante, que deve preceder, acompanhar e completar o estudo da Sagrada Escritura. Dado que, em última análise, a teologia monástica é escuta da Palavra de Deus, não se pode deixar de purificar o coração para a acolher e, sobretudo, não se pode deixar de estimular nele o fervor para encontrar o Senhor. A teologia torna-se portanto meditação, oração, canto de louvor e chama a uma conversão sincera. Não poucos representantes da teologia monástica chegaram, por este caminho, às metas mais altas da experiência mística, e constituem um convite também para nós a alimentar a nossa existência com a Palavra de Deus, por exemplo, mediante a escuta mais atenta das leituras e do Evangelho, sobretudo na Missa dominical. É importante, além disso, dedicar todos os dias um certo tempo à meditação da Bíblia, para que a Palavra de Deus seja lâmpada que ilumina o nosso caminho quotidiano sobre a terra.

Pelo contrário, a teologia escolástica como disse era praticada nas scholae, que surgiram ao lado das grandes catedrais da época, para a preparação do clero, ou em volta de um mestre de teologia e dos seus discípulos, para formar profissionais da cultura, numa época na qual o saber era cada vez mais apreciado. No método dos escolásticos era central a quaestio, ou seja, o problema que se apresenta ao leitor ao enfrentar as palavras da Escritura e da Tradição. Face ao problema que estes textos influentes apresentam, levantam-se questões e nasce o debate entre o mestre e os estudantes. Neste debate surgem por um lado os argumentos da autoridade, por outro os da razão e o debate desenvolve-se no sentido de encontrar, no final, uma síntese mais profunda da palavra de Deus. A este propósito, São Boaventura diz que a teologia é “per additionem” (cf. Commentaria in quatuor libros sententiarum, i, proem., q. 1, concl.), ou seja, a teologia acrescenta a dimensão da razão à palavra de Deus e assim cria uma fé mais profunda, mais pessoal e, por conseguinte, também mais concreta na vida do homem. Neste sentido, encontravam-se diversas soluções e formavam-se conclusões que começavam a construir um sistema de teologia. A organização das quaestiones levava à compilação de sínteses cada vez mais extensas, ou seja, compunham-se as diversas quaestiones com as respostas que surgiam, criando assim uma síntese, as chamadas summae, que eram, na realidade, amplos tratados teológico-dogmáticos nascidos do confronto da razão humana com a palavra de Deus. A teologia escolástica tinha como objectivo apresentar a unidade e a harmonia da Revelação cristã com um método, chamado precisamente “escolástico”, da escola, que concede confiança à razão humana:  a gramática e a filologia estão ao serviço do saber teológico, mas ainda mais está a lógica, que é a disciplina que estuda o “funcionamento” do raciocínio humano, de modo que sobressaia a verdade de uma proposição. Ainda hoje, lendo as summae escolásticas permanecemos admirados com a ordem, a clareza, o nexo lógico dos argumentos e a profundidade de algumas intuições. Com linguagem técnica é atribuído a cada palavra um significado claro e, entre o crer e o compreender, estabelece-se um recíproco movimento de esclarecimento.

Queridos irmãos e irmãs, fazendo eco ao convite da Primeira Carta de Pedro, a teologia escolástica estimula-nos a estar sempre prontos a responder a quem quer que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. 3, 15). Ao ouvir as perguntas como se fossem nossas e assim ser capazes também de dar uma resposta. Recorda-nos que entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação. O Servo de Deus João Paulo ii, no incipit da Encíclica Fides et ratio escreve:  “A fé e a razão são como duas asas, com as quais o espírito humano se eleva rumo à contemplação da verdade”. A fé está aberta ao esforço de compreensão da parte da razão; a razão, por sua vez, reconhece que a fé não a mortifica, aliás, estimula-a para horizontes mais amplos e elevados. Insere-se aqui a perene lição da teologia monástica. Fé e razão, em recíproco diálogo, vibram de alegria quando ambas estão animadas pela busca da união íntima com Deus. Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido pela razão, alarga-se. A verdade é procurada com humildade, acolhida com estupefacção e gratidão:  numa palavra, o conhecimento cresce unicamente se ama a verdade. O amor torna-se inteligência e a teologia, autêntica sabedoria do coração, que orienta e ampara a fé e a vida dos crentes. Rezemos portanto para que o caminho do conhecimento e do aprofundamento dos Mistérios de Deus seja sempre iluminado pelo amor divino.

Também em português a catequese do Papa

Novidade na audiência geral:  pela primeira vez Bento XVI pronunciou também em português a síntese da catequese. Até agora era feita só em francês, inglês, alemão e espanhol. A novidade foi acolhida com entusiasmo pelos grupos que falam esta língua sobretudo pelo coro juvenil da arquidiocese brasileira de Maringá aos quais o Papa dirigiu a seguinte saudação:

Amados peregrinos do Porto e demais pessoas de língua portuguesa, sede bem-vindos! Uma saudação particular ao coro infanto-juvenil de Maringá e aos grupos paroquais de Santa Cruz, em Belém, e de nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade de Deus. Procurai iluminar o vosso caminho com a Palavra divina, ouvindo-a atentamente na Eucaristia do domingo e reservando alguns momentos em cada dia para a sua meditação. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.

Publicado por L’Osservatore Romano – 31 de Outubro de 2009.

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OPINIÃO

O que eu penso sobre um rito que me permita elevar minha alma às alturas, tenho plena certeza que a poucos  interessa… Entretanto, faço questão que saibam, aqui neste espaço virtual,  o que acho mais adequado em termos “formais e espirituais” em relação ao rituais, toda a Liturgia que envolve a Santa Missa. Entendo agora o que certo comentário publicado no l”Osservatore procura dar a saber sobre o Papa Bento XVI, que  pedia em abril deste ano: “Rezem por mim…”, em seu quinto ano de Pontificado. Certamente, os “lobos” mencionados no artigo,  são os grupos que se opõem a missas austeras, além de afrontas de outros grupos, os quais são mais “liberalizantes” que católicos… Assim,  Papa Bento XVI menciona a pressão midiática contra os valores cristãos, mas sabemos que há adversários internos. Entretanto,  o Papa é sagaz e político, e além disso, rezamos por ele, não? Ele precisa: dentro da própria Igreja Católica há quem não tenha outro objetivo a não ser que tudo corra sem controle algum…  A propósito, penso que devemos nos conformar (sem subserviência) à tradição apostólica, que representa a sabedoria acumulada por séculos, iluminados pelo Espírito Santo. Este termo “tradição “apostólica”,  para mim, é emblemático para o Catolicismo, já que sempre se baseou em indicações bíblicas, e estudos aprofundados por teólogos, sacerdotes estudiosos (p.ex., São Tomás de Aquino),  bispos, papas, alguns santificados. Todos operavam em nível de excelência. Em contrapartida, se assim não for, cada um interpreta o significado dos Dez Mandamentos, ao bel prazer, entre outros temas polêmicos, sem ao menos procurar informações sobre o que os “antigos” nos legaram. além disso, há fundamentação bíblica em cada dogma anunciado pela Igreja Católica… Por esta razão, já que não há explicações ou tentativas de explicar o sentido de um dogma, acabamos lendo por aí que “isto é dogmático”… Ora, dogma é uma expressão religiosa, portanto, na medida em que ela surge fora do mundo religioso, deve haver o devido esclarecimento da inadequação de seu uso. Por uma simples razão: acusação de obscurantismo… Não esperemos que o ramo protestante parta em busca desta pesquisa, que tem por base dois mil anos de Cristianismo… Dos seminários católicos saíram sacerdotes  que deixaram bulas papais, encíclicas, documentos orientadores para nós, o rebanho de Cristo Jesus…

A absurda adesão católica à festa de Halloweenn no Brasil e no mundo

Pasmem: nos Estados Unidos a atual visão da Liturgia “multicultural” adaptou a “missa” à “festa de halloween”, que se deu há três dias… Meu Deus! Não penso como muita gente estar “update” com a fé católica, com a vontade de Deus… Pelo contrário, comungo espiritualmente porque sou casada há 24 anos com um ex-ateu (quando o conheci), que depois se revelou protestante (por parte de pai), e que, devido à mãe foi batizado no catolicismo. Há quatro anos é ex-protestante, leitor e devoto de Francisco de Sales e Santa Joanna de Chantal. O problema reside agora no rito, que ambos temos dificuldade em nos sentir à vontade, dada a superficialidade. Desculpem a sinceridade. Simplificando: vocês não acham que há muita invenção e pouca devoção?

Cliquem nas fotos (algumas, pois há links nos títulos) e terão informações adicionais sobre o “Rito Gregoriano”. Entre elas, a de que o Brasil não possui um grupo firmado “frontal e corajosamente” a favor do rito romano. O grupo, fundado por leigos na Espanha, é apoiado pelo Papa Bento XVI , que sugeriu aos bispos que autorizassem grupos de leigos que quisessem missas celebradas segundo o “Rito Gregoriano” ou “Tridentino”. Obviamente que, para cada país há a especificidade da cultura em que este rito “básico” seria  inserido. O grupo leigo espanhol, que leva à frente a iniciativa de divulgação do “Rito Tridentino” se chama “Una Voce”.

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Fonte: Una Voce en España

Con el objetivo de coordinar esfuerzos y unir a distintas asociaciones de laicos vinculados a la Misa Gregoriana, llamada por el Santo Padre Benedicto XVI Forma Extraordinaria del Rito Romano, nace la Federación Una Voce Hispania. Una Voce Hispania es el capítulo español de la Federación Internacional Una Voce y su objetivo es el de reunir en este mismo capítulo a todas las asociaciones afines que vayan surgiendo en España, para mejor cumplir los fines de todas y cada una que pueden resumirse en el mantenimiento, defensa y difusión de la liturgia romana extraordinaria en todas sus expresiones y, particularmente, la Misa Gregoriana, así como de todo el entorno artístico y musical que la rodea.

La primera asociación que hubo en España vinculada a Una Voce Internacional fue la asociación Roma Aeterna, de Barcelona, a la que siguieron Una Voce Sevilla, Una Voce Madrid, Una Voce Málaga, Una Voce La Coruña y Una Voce Reino de Castilla. La promulgación del Motu Proprio Summorum Pontificum por el Santo Padre Benedicto XVI ha supuesto el renacimiento en España de un interés renovado por la Forma Extraordinaria de la Misa, lo que ha propiciado el nacimiento de asociaciones similares por diversos puntos de nuestra geografía.

Una Voce Hispania, ahora que se cumple un año de la entrada en vigor de Summorum Pontificum, nace además con vocación de estimular la creación de nuevas asociaciones que quieran promover la liturgia tradicional, y también para velar por la correcta aplicación de Summorum Pontificum en nuestro país, tratando de aunar la voz de distintos grupos de fieles españoles interesados en la herencia latina de la Iglesia Católica y sirviendo, mediante el diálogo, de vehículo para su expresión ante nuestros pastores y la sociedad en general.

El 14 de septiembre de 2008, Festividad de la Exaltación de la Santa Cruz y primer aniversario de la entrada en vigor del Motu Proprio Summorum Pontificum, las seis primeras asociaciones miembros del capítulo español de Una Voce decidimos lanzar a la Red esta sencilla página, que en el dominio de unavoce.es, irá creciendo con el tiempo, D. m., dotándose de contenidos y que esperamos que produzca buenos y abundantes frutos, para mayor gloria de Dios, en España.

UNA VOCE en el mundo

EN ESPAÑA

UNA VOCE HISPANIA. Federación de Una Voce para España.
UNA VOCE CÁDIZ.
UNA VOCE CÓRDOBA.
UNA VOCE LA CORUÑA.
UNA VOCE MADRID.
UNA VOCE MÁLAGA.
UNA VOCE REINO DE CASTILLA.
UNA VOCE SEVILLA.
ROMA AETERNA “UNA VOCE”, en Barcelona.

EN EUROPA

Una Voce Austria, en Austria.
Una Voce Czech Republic, en la República Checa.
Una Voce Deutschland, en Alemania.
Una Voce Estonia, en Estonia.
Una Voce Finlandia, en Finlandia.
Una Voce France, en Francia.
Una Voce Helvetica – Deutchsprachig, en Suiza.
Una Voce Helvetica – Francophone, en Suiza.
Una Voce Italia, en Italia.
Una Voce Norge, en Noruega.
Una Voce Polonia, en Polonia.
Una Voce Russia, en Rusia.
Una Voce Scotland, en Escocia.
Una Voce Venetia, en Venecia.
Una Voce Vlaanderen, en Bélgica.
Ecclesia Dei Delft. Asociación holandesa afiliada a Una Voce Internacional.
Cumann an Aifrinn Laidinigh – Latin Mass Society of Ireland. Afiliada de Irlanda.
Grupo San Carlos Borromeo. Asociación danesa, afiliada a Una Voce internacional.
Inter Multiplices Una Vox. Asociación de Una Voce en Italia.
Pro Missa Tridentina. Afiliada de Alemania.
St. Conleth’s Catholic Heritage Association. Afiliada de Irlanda.
The Latin Mass Society. Afiliada para Inglaterra y Gales.
Verein Mariae Namen. Afiliada de Suiza.

EN AMÉRICA

Asociación Una Voce América. Federación de Una Voce para los Estados Unidos de América.
Una Voce Central Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Northern Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Albany: Kateri Tekakwitha, en New York (USA)
Una Voce Altoona/Johnstown, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Los Ángeles, en California (USA)
Una Voce Ann Arbor/Ypsilanti, en Michigan (USA)
Una Voce Argentina. Asociación Una Voce de Argentina.
Una Voce Northwest Arkansas, en Arkansas (USA)
Una Voce Ashtabula, en Ohio (USA)
Una Voce Berkshire County, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston: St. Patrick, en Massachusetts (USA)
Una Voce Bridgeport, en Connecticut (USA)
Una Voce Brighton, en Michigan (USA)
Una Voce Bronx, en New York (USA)
Una Voce Brooklyn, en New York (USA)
Una Voce Buffalo, en New York (USA)
Una Voce Central Coast of California, en California (USA)
Una Voce Cape Cod, en Massachusetts (USA)
Una Voce Carmel, en Indiana (USA)
Una Voce Cedar Rapids, en Iowa (USA)
Una Voce Charlotte, en North Carolina (USA)
Una Voce Chesapeake, en Virginia (USA)
Una Voce Chicago, en Illinois (USA)
Una Voce Columbus, en Ohio (USA)
Una Voce Metro Detroit East, en Michigan (USA)
Una Voce Metro Detroit West, en Michigan (USA)
Una Voce del Noreste de Florida, en Florida (USA)
Una Voce Fresno, en California (USA)
Una Voce Gallatin Valley, en Montana (USA)
Una Voce Georgia, en Georgia (USA)
Una Voce Grand Rapids, en Michigan (USA)
Una Voce Greenville, en South Carolina (USA)
Una Voce Hartford, en Connecticut (USA)
Una Voce Hawaii, en Hawaii (USA)
Una Voce Houston, en Texas (USA)
Una Voce Northern Illinois: St. Peter’s, en Illinois (USA)
Una Voce Kansas City: Pope Pius XII, en Kansas (USA)
Una Voce Lafayette, en Indiana (USA)
Una Voce Lafayette LA, en Louisiana (USA)
Una Voce Western Maine, en Maine (USA)
Una Voce México. Asociación Una Voce de México.
Una Voce Michigan, en Michigan (USA)
Una Voce Central Minnesota, en Minnesota (USA)
Una Voce Southern Mississippi, en Mississippi (USA)
Una Voce Western Montana, en Montana (USA)
Una Voce Monterrey, en México.
Una Voce Muncie, en Indiana (USA)
Una Voce Naples,en Florida (USA)
Una Voce Sacred Heart, en West Virginia (USA)
Una Voce Southern Nevada, en Nevada (USA)
Una Voce New Hampshire, en New Hampshire (USA)
Una Voce Newark, en New Jersey (USA)
Una Voce North Bay, en Ontario (USA)
Una Voce Northeastern Oklahoma, en Oklahoma (USA)
Una Voce of Orange County, en California (USA)
Una Voce Central Oregon, en Oregon (USA)
Una Voce Ozarks,en Arkansas (USA)
Una Voce Palo Alto, en California (USA)
Una Voce Central Pennsylvania, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Philadelphia, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Piedmont, en North Carolina (USA)
Una Voce Pittsburgh, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Powell, en Wyoming (USA)
Una Voce Quad Cities, en Iowa (USA)
Una Voce Rapid City: St Michael’s, en South Dakota (USA)
Una Voce Rhode Island, en Rhode Island (USA)
Una Voce Rochester, en New York (USA)
Una Voce San Bernardino, en California (USA)
Una Voce Springfield Area, en Missouri (USA)
Una Voce St. John’s, en Newfoundland (USA)
Una Voce St. Louis, en Missouri (USA)
Una Voce Syracuse, en New York (USA)
Una Voce Upper Peninsula, Lake Superior Chapter, en Michigan (USA)
Una Voce Ventura: Blessed Junipero Serra, en California (USA)
Una Voce Western Washington, en Washhington (USA)
Una Voce Westchester, en New York (USA)
Ad Altare Dei. De la Sociedad Gregoriana de Baltimore, afiliada a Una Voce América.
Coalition in Support of Ecclesia Dei, afiliada de Illinois (USA)
Comunidad San Juan Bautista en defensa de la Misa Tradicional. Filial en Arkansas(USA)
Credo of the Catholic Laity, afiliada de Missouri (USA)
Ecclesia Dei Society of Southwest Florida, afiliada de Florida (USA)
Fresno Traditional Mass Society. Capítulo de Una Voce en Fresno (USA)
Gregorian Society of Baltimore, afiliada de Maryland (USA)
League of St. Anthony, afiliada de Indiana (USA)
Magnificat Chili. Afiliada de Chile.
Mysterium Fidei Catholic Community, afiliada de Louisiana (USA)
Rockford Latin Mass Community, afiliada de Illinois (USA)
The Saint Gregory Society of New Haven. Afiliada a Una Voce América.
The St. Joseph Foundation. Afiliada de Texas (USA)
The St. John Fisher Forum. Librería católica vinculada a Una Voce América.
Vancouver Traditional Mass Society. Afiliada de Canadál.

EN ÁFRICA

Una Voce South Africa. Asociación de Una Voce en Sudáfrica.
Ecclesia Dei Society of Nigeria. Afiliada de Nigeria.

EN ASIA

Una Voce Singapore. Asociación de Una Voce en Singapur.
All India Laity Congress. Afiliada de la India.

EN OCEANÍA

Una Voce Australia. Asociación de Una Voce en Australia.
Ecclesia Dei Society of New Zealand.Afiliada de Nueva Zelanda.

Postado por Mons.Lebrum às 16:21

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Fonte: Missa Tidentina em Portugal

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PAPA BENTO XVI CONVIDA A REDESCOBRIR O VALOR E A IMPORTÂNCIA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

(15/2/2009) Antes da recitação do Angelus do meio dia, juntamente com os milhares de fieis congregados na Praça de S. Pedro O Papa Bento XVI comentou o trecho do Evangelho segundo São Marcos que a Liturgia nos apresenta neste sexto domingo do tempo comum: a cura do leproso.O Santo Padre recordou antes de mais que segundo a antiga lei judaica a lepra era considerada não só uma doença, mas a forma mais grave de impureza para o culto. Tocava aos sacerdotes diagnosticá-la e declarar imundo o doente, o qual devia ser afastado da comunidade e estar fora da povoação até à eventual e bem certificada cura.A lepra portanto constituía uma espécie de morte religiosa e civil e a sua cura uma espécie de ressurreição. Na lepra – salientou depois o Papa – é possível entrever um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração capaz de nos afastar de Deus. Efectivamente não é a doença física da lepra que nos separa de Deus , mas a culpa, o mal espiritual e moral….Os pecados que cometemos afastam-nos de Deus, e se não são confessados humildemente confiando na misericórdia divina chegam ao ponto de produzir a morte da alma. Este milagre reveste então – acrescentou o Papa – uma forte valência simbólica. Jesus, como profetizara Isaías é o servo que tomou sobre si as nossa doenças, carregou as nossas dores.

Na sua paixão, tornar-se-á como um leproso, tornado impuro pelos nossos pecados, separado de Deus: tudo isto fará por amor, para nos obter a reconciliação, o perdão e a salvação.

No sacramento da penitencia – salientou Bento XVI – Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com a sua misericórdia infinita, restitui-nos à comunhão com o Pai celeste e com os irmãos, concede-nos o dom do seu amor, da sua alegria e da sua paz.

A concluir o Santo Padre convidou a invocar a Virgem Maria, que Deus preservou de toda a mancha de pecado, para que nos ajude a evitar o pecado e a recorrer frequentemente ao Sacramento da Confissão, o Sacramento do Perdão, que hoje deve ser redescoberto ainda mais no seu valor e na sua importância para a nossa vida cristã.

Não faltou neste Domingo uma saudação do Papa em língua portuguesa Saúdo com afecto o grupo das paróquias do Barreiro e Vale de Figueira, em Portugal, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vossa romagem vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

Postado por Mons.Lebrum às 22:03

MÉTODO DE PARTICIPAR NA SANTA MISSA PELA MEDITAÇÃO DA PAIXÃO

“Sempre que participardes dos Mistérios Sagrados, anunciareis a Morte do Senhor”
(I Cor XI, 26).Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de fazenda com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manipulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.

Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais. representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.

O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manipulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.

O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração, todo pensamento alheio a tão tremendo Mistério.

O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se, a face contra a terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou a si nossos pecados, com toda a amargura inerente.

A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.

O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!

Ai de mim! nunca o traí eu?… Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões?… E, no entanto, Ele muito me amou!

Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.

O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! quantas vezes não o reneguei eu, à sua verdade, à sua lei, às minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.

O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.

O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.

Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.

O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, em presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei de meu espírito pela vossa Verdade, rei de meu coração pelo vosso Amor, rei de meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.

Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.

O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a graça. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.

Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Padre Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.

O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.

O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem de Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face, e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!

No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.

O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.

Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. E Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.

Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!

Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.

Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.

O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. E Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.

Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.

O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.

No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.

No “Libera nos “, o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.

O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.

É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.

O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.

O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.

São Pedro Julião Eymard
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.

Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.

Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.

O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.

O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.

O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.

O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.

Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.

Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.

Postado por Mons.Lebrum às 10:57

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE
Do Rorate Cæli
Traduzido por Apologeta:Em acréscimo a petição on-line, contra a absura investida midiática contra Sua Santidade Bento XVI, a FSSP(Fraternidade Sacerdotal São Pedro) convoca a todos a unirem-se em uma novena a favor do Papa por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, 22 de Fevereiro, iniciando-se portanto em 14 de Fevereiro (hoje) e encerrando-se no Domingo, onde somos todos chamados a oferecer nossa comunhão com as intenções do Sumo Pontífice e de toda a Igreja.Novena para o papa
Pater Noster, 3 Ave Maria, Gloria PatriV. Orémus pro Pontífice nostro Benedícto.

R. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum eius.

V. Tu es Petrus.
R. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam

Orémus
Omnípotens sempitérne Deus, miserére fámulo tuo Pontífici nostro Benedícto : et dírige eum secúndum tuam cleméntiam in viam salútis ætérnæ : ut, te donánte, tibi plácita cúpiat, et tota virtúte perfíciat.

R. Amen.

Mater Ecclésiæ, ora pro nobis..
Sancte Petre, ora pro nobis.
Um Pai Nosso, 3 Ave Marias e um Glória ao Pai, seguidos desta oração.

V: Oremos para o nosso Papa Bento.

R: Que o Senhor o guarde e fortaleça, e o faça abençoado nesta terra, e não o abandone ante a perversidade de seus inimigos.

V. Tu és Pedro,
R. E sobre esta pedra edificarei minha Igreja.

Oremos,
Omnipotente e eterno Deus, tem piedade de teu servo, Bento, nosso Soberano Pontífice, e guia-o conforme tua bondade, a caminho da vida eterna, de modo que, com a assistência da sua graça, ele possa velar pelo rebanho que lhe foi confiado, alcançando junto com ele a salvação; Através de Cristo, Nosso Senhor.

R. Ámen.

V. Mãe da Igreja, R. Rogai por nós

V. São Pedro, R. Rogai por nós

Postado por Mons.Lebrum às 10:39

«Somos as crianças do mundo. Ouvem as nossas vozes?» (Congresso da SIGNIS – Associação Católica Mundial para a Comunicação – 17 a 21 de outubro-Tailândia (Agência Ecclesia)

"Congresso Mundial da Signis 2009 fez dos direitos da infância uma prioridade"

Pax Christi International

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Fonte: Agência Ecclesia Agência de notícias da Igreja Católica em Portugal

26.10.2009

SIGNIS - Asociación Católica Mundial para la Comunicación

Conclusão

«Somos as crianças do mundo. Ouvem as nossas vozes?»

Crianças ainda são demasiadamente invisíveis nos meios de comunicação social

Cerca de 660 participantes de 70 países participaram no Congresso da SIGNIS, Associação Católica Mundial para a Comunicação, que se reuniu entre 17 e 21 de Outubro em Chiang Mai, Tailândia. O encontro teve como tema “Media para uma cultura de paz: Direitos das crianças, uma promessa para o amanhã”.

A assembleia acolheu igualmente uma centena de estudantes entre os 13 e 15 anos, provenientes das escolas da região, que participaram num atelier sobre “direitos da criança num mundo digital”. O congresso contou também com a presença de dez jovens jornalistas de vários países asiáticos.

A infância foi também evocada através da exibição de 200 lenços com mensagens e impressões de palmas das mãos de crianças de todo o mundo.

“As crianças e a juventude desafiaram a SIGNIS a assumir seriamente o nosso papel na promoção dos direitos dos mais novos, no contexto de sociedades que estão a ser transformadas através dos media”, afirmou o secretário-geral da organização, Alvito de Souza.

Promessa de amanhãs melhores

O presidente do comité organizador do congresso, Chainarong Monthienvichienchai, lembrou que “quando perguntavam ao futebolista Johan Cruyff o que fazia dele um jogador excepcional, ele respondia que ia para onde a bola se dirigia, e não para onde ela estava. Este ponto de vista tornou-se o lema de todos aqueles que estão comprometidos nas comunicações sociais, isto é, ir para onde está o futuro”, ou seja, para junto “das crianças, que são a nossa promessa de amanhã”.

A SIGNIS, por seu lado, “terá que se adaptar para continuar a ser relevante e activa num panorama digital em mudança”, defendeu Alvito de Souza.

“Com as crianças, para as crianças, dando voz aos sem voz: apesar destas intenções tantas vezes repisadas, as crianças são ainda demasiadamente invisíveis nos media; devemos fazer mais”, afirmou o presidente da SIGNIS no discurso de abertura do congresso.

“As autoridades eclesiais, em particular, devem renovar o seu apoio aos profissionais leigos que trabalham nos meios de comunicação católicos e que se encontram numa posição única para assumir de maneira criativa os desafios de um mundo digital, para o bem das nossas crianças”, que são a “promessa de amanhãs melhores”, referiu Augustine Loorthusamy.

Na mensagem dirigida ao Congresso, Bento XVI assinalou que a maneira como as crianças são formadas pelos media e o modo como os mais novos são educados a dar-lhes uma resposta apropriada “devem estar no centro das preocupações dos profissionais da comunicação”.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, enviou uma saudação de boas-vindas aos participantes, escrevendo que os “os media têm uma grande influência nos comportamentos, e neste mundo sem fronteiras podem ajudar a preparar as gerações futuras a construir a paz e a harmonia”.

Vídeo dedicado aos direitos das criançasBICE - Bureau International Católica da Infância

Os participantes do congresso assistiram à exibição de um vídeo sobre os direitos da infância, produzido pela SIGNIS e pelo Gabinete Internacional Católico para a Infância.

O documentário apresenta os comentários de crianças de treze países sobre questões relacionadas com respeito, pobreza, violência, família, trabalho, educação, saúde, deficiências físicas, justice e tecnologia.
Internacional | Rui Martins | 2009-10-26 | 16:04:05  Comunicações Sociais

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SIGNIS reflecte sobre «Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã»

Agência Ecclesia

A influência que os media exercem nas crianças pode conduzi-las a uma progressiva desumanização ou, pelo contrário, a contribuírem para a edificação da paz. É esta ambivalência que a SIGNIS (Associação Católica Mundial para a Comunicação) debate desde Sábado no seu congresso mundial, que se realiza em Chiang Mai, Tailândia.

Na mensagem que dirigiu aos participantes, Bento XVI afirma que a relação dos mais novos com os meios de comunicação social “pode perceber-se em duas direcções: por um lado são os media que formam as crianças; por outro, as crianças estão cada vez mais predispostas a responder adequadamente aos media”.

O encontro de 2009 será “um congresso de transformação”, prometeu o presidente da SIGNIS, Augustine Loorthusamy, na alocução de boas vindas.

“Se o tema do nosso congresso são os media para um cultura de paz, é porque o nosso mundo ainda está marcado por conflitos sangrentos e destrutivos. Continua-se a explorar, abusar e a matar as pessoas. A busca da paz é a razão da nossa existência. Isso é ser Igreja no mundo de hoje”, afirmou o responsável.

Construir pontes

O presidente da SIGNIS recordou que “dois terços da população mundial é jovem. São o nosso futuro e, portanto, devem ser a nossa preocupação. Se queremos que este encontro seja de transformação, tem que ser um congresso para construir pontes.”

Augustine Loorthusamy recordou que essas ligações também devem ser estabelecidas entre pessoas de diferentes credos. “Não é por acaso que este congresso se realiza num país budista. Se a SIGNIS é o braço comunicativo da Igreja, então deve levar por diante a sua missão com povos de diferentes confissões.”

O congresso, que terminará a 21 de Outubro, reúne centenas de profissionais da comunicação de todo o mundo. “Questões globais actuais sobre direitos humanos e direitos das crianças”, “Novas perspectivas sobre media e transformação social” e “O desafio de crescer numa era digital” são alguns dos temas a abordar durante o encontro.

Com Rádio Vaticano

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Associação Católica Mundial para a Comunicação fala dos direitos das crianças

Agência Ecclesia

19.10.2009

Desenvolvimento dos Debates

Está a decorrer em Chiang Mai, na Tailândia, o Congresso Mundial da Associação Católica Mundial para a Comunicação (SIGNIS). O tema em debate é “Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã”.

Na mensagem de boas-vindas, o presidente da Associação, Augustine Loorthusamy, afirmou que a edição 2009 será diferente, pois será “um Congresso de transformação”.

“Se o tema do nosso Congresso são os media para um cultura de paz é porque o nosso mundo ainda está marcado por conflitos sangrentos e destrutivos; os direitos de milhões de pessoas são violados”, disse.

Para o presidente da SIGNIS, este será um Congresso diferente porque no centro da atenção estão os direitos das crianças: “Dois terços da população mundial é jovem. São o nosso futuro e, portanto, devem ser a nossa preocupação. Se queremos que este Congresso seja de transformação, tem de ser um Congresso para construir pontes.”

A cerimónia de boas-vindas contou com a presença do núncio apostólico na Tailândia, D. Salvatore Pennacchio, que pediu aos comunicadores católicos que sejam servidores de Deus. Durante a celebração, realizada com danças e músicas tradicionais do norte do país, foi lida a mensagem do presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, D. Claudio Maria Celli.

“Intercâmbios pessoais, profissionais e culturais são muito importantes e, sem dúvida, vão criar novo entusiasmo no nosso trabalho de comunicadores”, afirma o arcebispo italiano, que aprovou o envolvimento de jovens e crianças em vários workshops.

“É muito importante ouvir os jovens e aprender com eles, principalmente porque frequentemente eles são os primeiros e a usar e desenvolver os media interactivos, até mesmo ensinando os adultos”.

Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança no Brasil (*), foi a responsável pela conferência de ontem, falando sobre a experiência da Pastoral da Criança no campo da Comunicação e da Educação. (Com Rádio Vaticano)

Internacional | Agência Ecclesia | 2009-10-19 | 14:12:15 Comunicações Sociais

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Papa saúda Congresso da SIGNIS

Agência Ecclesia

16.10.2009

Abertura

Profissionais da comunicação juntam-se na Tailândia para debater os direitos das crianças na era da comunicação

Bento XVI enviou uma mensagem de saudação aos participantes do Congresso Mundial 2009 da Signis. O encontro que vai juntar profissionais dos media, a partir do dia 17 em Chiang Mai, na Tailândia, vai centrar-se no tema «Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã».

“A necessidade de uma responsabilidade no uso da mensagem e dos métodos atraem em particular os jovens”, afirma Bento XVI na sua mensagem. “A sua relação com os media pode perceber-se em duas direcções: por um lado são os media que formam as crianças; por outro as crianças estão cada vez mais predispostas a responder adequadamente aos media”, evidencia o Papa recordando aqui a sua mensagem, de 2007, para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Bento XVI dá conta da sua oração para que os “trabalhos do Congresso prossigam a favor da promoção dos direitos das crianças e de forma a incentivar as comunidades a ver os direitos como uma prioridade do seu trabalho diário a favor de uma cultura de paz”.

O Congresso da Signis decorre até ao dia 21 de Outubro. São esperados centenas de profissionais da comunicação de todo o mundo e em causa vão estar «Questões globais actuais sobre direitos humanos e direitos das crianças», «Novas perspectivas sobre media e transformação social» e «O desafio de crescer numa era digital».

Internacional | Agência Ecclesia | 2009-10-16 | 10:47:54 |Comunicações Sociais

Postados por Agência Ecclesia – Portugal.

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(*) Grifo meu.

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

 

Virgem do Rosário

Domingo, 04 de outubro de 2009

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa ‘Coroa de Rosas’. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário. A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados. (Fonte: ACI Digital)

“Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação…Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”. Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”. Santa Teresa de Ávila

Postado por Flos Carmeli às 13:46.

“Nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.” – sobre Santa Teresa de Ávila (ou de Jesus) – Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC)

Para relembrar: a citação da fonte traz a íntegra de um tema – jamais é um resumo; se assim fosse se chamaria matéria jornalística, que se baseia em várias fontes, sejam impressas ou factuais, certo? Confira o site do Carmelo Santa Teresa em sua totalidade. Prima pela simplicidade e a o mesmo tempo, profundidade e beleza. Nunca fui até o Mosteiro das Irmãzinhas Carmelitas Descalças de Itajaí-SC, e por isto não sei explicar, mas, no conjunto do site, as irmãs consagradas  me inspiram o seguinte: sensibilidade, despojamento, sinceridade. Portanto, mostram amor às criaturas e à natureza. Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz queriam isto das congregações que fundaram. Que Deus continue contemplando as suas necessidades, e que sempre  as abençoe com muito amor e com toda a paz que é possível neste mundo. Amém.

Esta biografia de Santa Teresa é muito rica em detalhes, além de estar carregada de intenso amor pela “madre e mestra” das Carmelitas Descalças; este carinho que se estende ao ramo masculino, fundado por São João da Cruz. Em breve publicarei algo mais sobre este santo, que, na minha visão era um religioso cândido, muito inteligente, simples, obstinado e extremado no amor a Deus Pai, nosso Criador.

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Fonte: CARMELO SANTA TERESA – MOSTEIRO DAS IRMÃZINHAS CARMELITAS DESCALÇAS (Itajaí-SC)

Santa Teresa Dávila (ou de Jesus)

Santa Tereza nasceu em Ávila, na Espanha, no ano de 1515. A educação que os pais deram a ela e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina  não conhecia maior  encanto que o da vida dos  santos mártires.   Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio, combinou com o irmão a fuga da casa paterna, plano que  realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais.

A idéia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da  menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora,  exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe.  Aceitai esta pobre órfazinha no número das vossas  filhas”.  A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte de Maria Santíssima,  prova que esse pedido foi atendido.

Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a  uma leitura profana, que poderia  pôr-lhe em perigo a alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes, um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadio da vaidade.  O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor,  entregar-se ao bem-estar, companheiro fiel da ociosidade, sem entretanto chegar ao extremo de perder  a inocência.

O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha,  entregou-a aos cuidados  das  religiosas agostinianas.  A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a  voltar para a casa paterna. Durante esta doença, percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e  servir a Deus, na solidão dum claustro. O pai, porém,  opôs-se a esse plano, no que foi contrariado por Teresa, que fugiu de casa, para se internar num mosteiro das Carmelitas, em Ávila. No meio do caminho lhe sobreveio uma grande repugnância pela vida religiosa, e por um pouco teria desistido da idéia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens,  seguiu resolutamente o caminho e ao transpor o limiar do mosteiro,  os receios e  escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração.

Durante o tempo do noviciado,  foi provada por outro relaxamento no fervor religioso que, aliás,  pouco tempo durou.  Deus mais uma vez lhe tocou o coração, mas de uma maneira tão sensível que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse; “ Senhor, não me levanto do lugar onde estou,  enquanto não me concederdes a graça e fortaleza  bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”.  A oração foi ouvida e de uma vez para sempre, ficou extinto no coração de Teresa o amor ao mundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus, do seu santo serviço.

Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Maria Santíssima e  de São José. Por isso, teve sempre profunda devoção a S. José e muito trabalhou para difundir este culto na Igreja.

Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as penitências que fazia, se bem que os confessores  opinassem que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave.   Em visões lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse seguido o caminho das vaidades. De tal maneira se  impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra carmelitana,  em todo o rigor primitivo. Esse plano, embora tivesse a aprovação do papa Pio IV,  a mais decisiva resistência encontrou da parte do clero e  dos religiosos. Teresa, porém,  tendo a intenção de agir por vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu.

Trinta e dois  mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados.  Em todos, tanto no convento dos religiosos, como das religiosas, entrou em vigor a  antiga regra. São João da Cruz foi quem assumiu e escreveu as regras para o segmento masculino, a pedido de Santa Teresa.

Em sua biografia há capítulos ( os 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade da  sua vida interior.  O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a  quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.

Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de agosto.

Doloroso foi o caminho da cruz pelo qual a  Divina Providência a quis levar e não faltou quem lhe envenenasse as  mais retas intenções, quem em suas medidas de  reforma visse obra do demônio, e intervenção direta diabólica. A calma lhe voltou, quando em 1559, se confiou à direção de São Pedro de Alcântara.

Não tardou que, em 1576, no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a reforma. Veio a proibição de novas fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos conventos.  Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: Foi, quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província carmelitana descalça.

Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a  execução da vontade divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos.

Santa Teresa teve o dom de  ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.

Sob  o impulso de uma graça especial fez o voto de fazer sempre aquilo que a consciência lhe dizia ser o mais alto grau da vida mística. Os numerosos escritos, asseguraram-lhe um dos primeiros lugares entre os místicos.

Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem  a todos os conventos de sua fundação ao ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta: “ Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a  felicidade de ver-vos eternamente.“ – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.”   – Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.

Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.

Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.

“São Pedro de Alcântara, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição.” – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (19 de outubro)

São Pedro de Alcântara, monge e prior franciscano, confessor, diretor espiritual, e idoso amigo de Santa Teresa de Jesus. Co-Padroeiro do Brasil.

Fonte:  Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

SÃO PEDRO DE ALCÃNTARA

Dados biográficos

Atualidade de São Pedro de Alcântara

O Padroeiro do Brasil

Sobre São Pedro

Oração

“Para dentro e para fora da Ordem”

Sua vida tem duas vertentes bem diferenciadas e, ao mesmo tempo, complementares: para dentro e para fora da Ordem. Para dentro, foi homem de governo, desempenhando o ofício de guardião, mestre de noviços, definidor provincial e ministro provincial; e reformador da vida franciscana em seus aspectos fundamentais. Para fora, foi homem de conselho e de discernimento, acompanhando espiritualmente homens e mulheres que, sabedores de sua santidade e vida espiritual, a ele recorriam: Carlos V, que o chamou a Yuste para falar de sua alma; reis e infantes de Portugal; condes de Oropesa; Rodrigo de Chaves, a quem dedicou seu “Tratado da Oração e Meditação”; Santa Teresa de Ávila e São Francisco Borja.

Frei Pedro viveu um momento histórico, um tempo marcado por intensa inquietude espiritual e grande desejo de renovação de vida. Tempo, como diz um cronista da época, “em que todo o mundo queria entrar no paraíso”. Eram tempos carregados de intensa vida eclesial: celebração de dois Concílios ecumênicos: o Latrão V e o de Trento; três anos santos: o de 1500, com Alexandre VI, o de 1525, com Clemente VII, e o de 1550, com Júlio III; nascimento de numerosas Ordens religiosas: mínimos, barnabitas, teatinos, jesuítas, irmãos de São João de Deus, ursulinas. Tempos de grandes iniciativas missionárias, particularmente na América por obra dos mendicantes, e na Ásia, pelos jesuítas. Eram tempos também de grandes reformas ao interno da Igreja, particularmente a reforma teresiana, e de muitas outras reformas contra a Igreja: a de Martinho Lutero, na Alemanha; a de Henrique VIII, na Inglaterra e Irlanda; a de Calvino, na Escócia; a da igreja nacional na Holanda.

A Ordem dos Frades Menores participou plenamente dessas ânsias de profunda renovação e de dinamismo missionário: início da reforma capuchinha; fortaleceu-se o trabalho missionário da Ordem no Novo Mundo, iniciado pelos chamados “XII Apóstolos”, que saíram para o México em 1523, renovou-se e cresceu com a chegada de mais 150 missionários; na Espanha consolidou-se a reforma dos descalços, iniciada por Frei Juan de Puebla e Frei Juan de Guadalupe e estruturada definitivamente por Frei Pedro de Alcântara com suas Ordenações. Uma reforma que logo se estendeu pela Espanha inteira, Portugal, Brasil, México e Filipinas e que tinha como motor a “estreitíssima observância” da Regra Bulada de São Francisco, lida à luz do Testamento, sem glosas nem comentários acomodatícios.

Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “É preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”

A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se  aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres. Frei Pedro escreveu o “Tratado da Oração e Meditação”.

Frei Pedro foi testemunha privilegiada de todos esses acontecimentos e participou ativamente em muitos deles. Apesar de seu gosto pela solidão e pela oração, não se recusou aos pedidos de conselho e orientação que pequenos e grandes, nobres e plebeus, santos e pecadores lhe faziam para se sentirem seguros nos caminhos da santidade.

São Pedro, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição. No momento em que muitos de seus conterrâneos se lançavam à descoberta e conquista de novos mundos e glórias humanas, Frei Pedro de Alcântara, como um dia fizeram Paulo de Tarso e Francisco de Assis, deixou tudo para ganhar Cristo e viver nele (cf. Fl 3,8).

Sua memória histórica continua viva por onde passou: El Palancar (Cáceres), lugar despojado, rico de solidão e recolhimento, pedra angular de sua reforma, modelo e referência de todas as outras fundações. Frei Pedro, que considerava a alegria espiritual “remo sem o qual não se pode navegar”, começou aqui a última etapa de sua vida; Arrábida, em Portugal, experiência de vida penitente e contemplativa, na qual o importante era manter vivo o “espírito de oração e devoção” com gestos concretos, com a busca intensa da presença de Deus, com “a mente e o coração voltados para o Senhor” (Rnb 22,19); Solitudine, em Piedimonte Matese (Itália), lugar de rigoroso silêncio, de intensa oração e penitência; Arenas de San Pedro (Ávila), com suas ermidas e capelas para recolhimento e solidão orante, onde repousam os restos mortais deste homem que, apesar de sua “áspera penitência – no dizer de Santa Teresa era muito afável… e de privilegiada inteligência”.

Frei Giacomo Bini, então Ministro Geral da OFM,  em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.

“A dimensão apostólica da vida contemplativa é « amar e fazer amar o Amor!»” – Santa Teresa de Jesus (Solenidade – 15 de outubro – Carmelo Santa Teresa-Coimbra)

Fonte: Carmelo de Santa Teresa – Coimbra

“Vossa sou para Vós nasci, que quereis Senhor de mim?” teresa_carmelocoimbra

Santa Teresa de Jesus

No dia 15 de Outubro, o Carmelo celebra
a Solenidade de Santa Teresa de Jesus.

No Carmelo de Santa Teresa
a Eucaristia será às 18.00 horas,
presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

Convidamos todos os nossos amigos a unirem-se à
nossa alegria e gratidão a esta grande Carmelita.

VIDA

NASCIMENTO E PRIMEIROS ANOS

Teresa, quando e onde nasceste?

Nasci em Ávila, Espanha, no dia 28 de Março de 1515. O meu pai chamava-se António Sánches de Cepeda e a minha mãe Beatriz de Ahumada.

Quantos irmãos eram?

Eramos três raparigas e nove rapazes. Do primeiro casamento do meu pai nasceu: o João, a Maria e o Pedro. Ficando viúvo muito cedo voltou a casar com a minha mãe de cujo casamento nasceram: o Fernando, o Rodrigo, eu, o Lorenço António, o Pedro, o Jerónimo, o Agostinho e a Joana. A todos estimava muito e era muito querida de todos, mas o meu companheiro preferido nas brincadeiras era o Rodrigo, com o qual tinha várias aventuras!

Podias contar-nos alguma?

Sim! Juntamente com Rodrigo lia muitas vidas de Santos e um dia, quando eu tinha 7 anos de idade, despertou em nós o desejo de ganhar depressa o céu, então, os dois juntos, decidimos fugir para terra de mouros à procura do martírio. Não conseguimos, porque o meu tio, D. Francisco, nos encontrou à saída de Ávila  e arrastou-nos para casa!

Quantos anos tinhas quando ficaste sem a tua mãe?

Tinha então 14 anos, quando me apercebi do que tinha acontecido a minha primeira reacção foi ir junto de uma imagem de Nossa Senhora e pedir-lhe que daí em diante fosse a minha Mãe. Parece-me que embora o tenha feito com ingenuidade valeu-me de muito, porque sempre encontrei ajuda junto dela.

COLEGIAL E CARMELITA

Quando entraste no Colégio das Irmã Agostinhas?

Quando tinha 16 anos o meu pai, receando que me entregasse demasiado às vaidades próprias da sociedade de então, decidiu meter-me neste Colégio a fim de que aí recebesse a boa educação e formação que minha mãe já não me podia dar.

Então o teu pai queria que fosses Religiosa?

Não, pelo contrário! Quando eu, aos 20 anos, decidi optar pela vida religiosa o meu pai negou-se terminantemente a dar-me licença, o que me forçou a fugir de casa na madrugada do dia 2 de Novembro de 1935, para entrar no Convento das Carmelitas da Encarnação em Ávila.

Como foram os primeiros tempos de Carmelita?

Como se sabe no Convento da Encarnação viviam mais de cento e cinquenta monjas, foi no meio delas que comecei o meu Noviciado precisamente um ano depois de entrar e fiz a Profissão a 3 de Novembro de 1537. Foi um tempo vivido com muito fervor e alegria, até que fiquei doente… O meu pai levou-me a Bacedas para me curar, mas voltei a Ávila ainda pior!

É verdade que foste considerada como morta durante três dias?

Por incrível que pareça, é verdade! Chegaram a pôr-me cera nos olhos, como então se fazia aos cadáveres. O meu estado era grave e os médicos davam-me por perdida. Como me vi paralisada com tão pouca idade e no que haviam dado comigo os médicos da terra, determinei-me a recorrer aos do Céu, para que me sarassem, pois desejava a saúde, embora sofresse com muito alegria a sua falta. Pensava algumas vezes que, se estando boa me havia de condenar, melhor seria estar assim. Pensava, no entanto que serviria muito mais a Deus com saúde. Tomei por advogado S. José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, desta necessidade, como de outras maiores, este pai me tirou com maior bem do que lhe sabia pedir. Embora tenha ficado ainda três anos paralisada e sempre mais ou menos doente, o que é isto comparado com a alegria de continuar a servir o Senhor!

Durante a viagem que fizeste a Bacedas para te curares aconteceu algo importante…

Sim, o meu tio deu-me um livro “O terceiro abecedário” que ensinava a praticar a oração de recolhimento; eu sempre fui muito amiga de livros, mas este devorei-o com especial predilecção e posso dizer que influenciou muito na minha espiritualidade e nas decisões futuras. Outro acontecimento importante foi a morte do meu pai, em 1543. Fui prestar-lhe assistência durante alguns dias e aí conheci o P. Barrón, O. P., que me ajudou a regressar à prática da oração e dos Sacramentos, de que andava um pouco distraída.

REFORMADORA E ESCRITORA

Quando começaste a reforma do Carmelo?

O primeiro Carmelo, de S. José, foi fundado em Ávila no dia 24 de Agosto de 1562, tinha então 47 anos. Aí passei os cinco anos mais tranquilos da minha vida na companhia das Irmãs que partilhavam o mesmo ideal de vida e santidade que eu.

Como surgiu a «ideia» de reformar a Ordem do Carmo?

Ao saber das rupturas na Igreja deste séc. XVI, ao ter notícias de tantos povos sem Evangelho no «novo mundo», comecei a pensar o que poderia fazer por todos eles… depois, numa conversa entre amigas, uma jovem lançou a pergunta: « E porque não fazer uma fundação, com poucas monjas, de vida mais solitária?» Não o tinha pensado, mas o Senhor mandou-me muito que o fizesse.

Quais foram as características principais que desejas-te incutir nas Carmelitas Descalças ou Reformadas?

Quis que o Convento de S. José, assim como os que lhe seguiram, fosse uma fiel IMITAÇÃO DO COLÉGIO DE CRISTO, apenas 12 Irmãs e a Prioresa, favorecendo assim o espírito fraterno, o clima familiar e a ajuda mutua. Aqui todas hão-de ser amigas, todas se hão-de amar no amor d’ Aquele que aqui nos juntou. Ao contrário da maioria dos Convento então existentes que viviam de rendas fixas, quis fundar este Convento em POBREZA, para que as que nele vivessem esperassem tudo, espiritual e material, apenas do Senhor, que nunca falta a quem O ama. Outra característica foi o clima de SILÊNCIO alternado com tempos de CONVÍVIO ENTRE AS IRMÃS, para assim favorecer a oração, a intimidade com o Senhor e alcançarmos melhor o fim para o qual o Senhor nos juntou aqui.

Foram muitas as contradições?

Sim! Quase todos se opuseram, o povo de Ávila que não queria ver-se obrigado a dar esmolas a mais um Convento, nessa altura eram às dezenas naquela cidade, alguns Sacerdotes e até as próprias freiras do Convento da Encarnação, que queriam continuar com a vida mitigada e achavam que o facto de eu querer mais radicalidade era uma injúria para elas, embora algumas me tivessem acompanhado na fundação do Convento de S. José.

Quantos Conventos fundaste em vida?

Com a ajuda e a graça do Senhor e apesar da minha fraca saúde, fundei 16 Conventos de Carmelitas Descalças em Espanha.

Fundou-se mais algum em que não tenhas ido pessoalmente?

Sim. O de Granada, que não podendo ir eu pessoalmente foi a Madre Ana de Jesus com um grupo de Irmãs e Fr. João da Cruz, primeiro Padre Carmelita Descalço.

Como se realizavam as fundações?

Com inumeráveis trabalhos e sacrifícios, cruzando os caminhos de Espanha juntamente com as Irmãs fundadoras, sempre em carros de cavalos. Por vezes o frio ou o calor eram em demasia, outras vezes os caminhos eram péssimos,… Enfim, tudo se passava com ânimo e confiança, pois tínhamos os olhos postos n’ Aquele que nos enviava e que esperava por nós no destino.

Por quem rezam as Carmelitas?

A nossa oração deve abraçar toda a humanidade, todos aqueles que pelo mundo fora mais precisam dela e aqueles que diariamente se dirigem aos Carmelos pedindo a oração das Irmãs, no entanto, temos especialmente presente duas grandes intenções: a conversão dos pecadores (aqueles que andam mais afastados de Deus, que mais O ofendem e se condenam pelos seus próprios actos) e  a santificação dos Sacerdotes. Estas intenções que o Senhor, no séc. XVI, me inspirou a pedir às Carmelitas que tivessem presentes na oração continuam a ser de maior importância, urgência e necessidade no séc. XXI.

Foi por estas alturas que começaste a escrever…

Comecei a escrever ainda estava em S. José, a pedido das Irmãs e por vontade dos meus confessores. Não foi sem algum sacrifício que o fiz entre as canseiras das fundações, o peso da doença e a falta de tempo, mas fi-lo para cumprir a vontade de Deus e sempre com o desejo de, com a minha experiência de vida, poder ajudar quem os lesse.

Sem contar as poesias, as muitas cartas e outras pequenas obras, escreveste vários livros, podias enumerá-los?

O primeiro foi o «Livro da Vida», a minha autobiografia;

depois o «Caminho de Perfeição» especialmente dedicado às minhas Irmãs que me pediam continuamente que lhes escrevesse sobre a oração;
o «Livro das Fundações» onde conto o que nelas de mais notável acontecia;
o «Castelo Interior» que eu considero uma das maiores “luzes” que o Senhor me deu; entre outros…

No final da fundação de Burgos, talvez a mais difícil de todas, Teresa chega a Alba de Tormes esgotada. A 4 de Outubro de 1582 (que passará a ser 15 pela reforma do calendário ocorrida nesse dia) ela entra definitivamente na vida para desfrutar de todo o trabalho que teve pela expansão do Reino e principalmente pelo bem da Ordem do Carmelo e da igreja. Depois de passar com valentia por aventuras, obstáculos, negociações, difamações, ameaças a si própria e à reforma iniciada, ela parte feliz exclamando:

Enfim, morro filha da Igreja!”

SANTA E DOUTORA DA IGREJA

Onde se conserva o corpo de Teresa?

Os seus restos mortais encontram-se à veneração dos fieis no Convento das Carmelitas Descalças de Alba de Tormes, onde morreu.

Quando foi beatificada?

No dia 24 de Abril de 1614, por Paulo V.

Quando foi canonizada?

No dia 12 de Março de 1622, pelo Papa Gregório XV.

Quando e porquê foi, S. Teresa de Jesus, proclamada Doutora da Igreja?

No dia 27 de Setembro de 1970, por Paulo VI. Foi a primeira mulher  a quem a Igreja atribuiu este título, porque reconheceu na sua vida um modelo exemplar e os seus escritos alcançaram um lugar eminente na literatura universal da Igreja. Assim,  a doutrina de Teresa passa a ser, não só do Carmelo, mas de toda a Igreja, que pode e deve encontrar nela ajuda e luz.

MISSÃO

“A Carmelita não tem um lugar para viver,

ela vive pelo mundo.”

«A vocação das Carmelitas  é essencialmente eclesial e apostólica.
O apostolado a que S. Teresa quis que se dedicassem suas filhas  é puramente contemplativo e consiste na oração e na imolação com a Igreja e pela Igreja” ( Const. 126 )

« Iluminados pelo testemunho de S. Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, todos os Carmelos procurarão fomentar o espírito missionário , que deve animar a sua vida contemplativa. » ( Const. 127 )

O Carmelo define assim a sua missão:

Buscar e viver neste mundo a presença do Deus vivo e verdadeiro que,

na pessoa de Cristo, habitou entre nós. Mediante a nossa vida esforçamo-nos por ser

testemunhas desta verdade escatológica,

sensibilizando os outros para descobrirem

a presença de Deus nas suas Vidas.

A dimensão apostólica da vida contemplativa é

« amar e fazer amar o Amor!»

(S. Teresa do Menino Jesus)

As Carmelitas apresentam a Deus na oração “as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias da humanidade actual.” ( G.S. )

A Carmelita é missionária, porque  tem o coração no mundo inteiro,
porque sabe que existe para os outros.

Ser Carmelita é ser Igreja com a Igreja é ter o coração aberto a todas a humanidade!

CARISMA

ESCUTA DA PALAVRA

Os primeiros ermitas do Monte Carmelo
identificaram-se como grupo ou fraternidade,
quando se uniram por um ideal comum:
Viver em obséquio de Jesus Cristo”. velinha

Tinham que realizá-lo adquirindo uma
docilidade especial ao Espírito
que se manifesta na Palavra
e que transmite a mensagem
radical do Evangelho.

Para que a palavra seja eficaz
e se converta em acção
há que aceitá-la e encarná-la.

IRMANDADE MARIANA

Quando foi exigido aos Carmelitas um nome ou

uma identificação que os distinguisse dos outros

religiosos, eles definiram-se como

“Irmãos da Bem-Aventurada Virgem

Maria do Monte Carmelo” .

Esta eleição, que vem praticamente das origens,

foi escolhida, não como distintivo honorífico,

mas como conteúdo espiritual definido,

tendo como ideal a perfeição evangélica em comunhão

com a Santa Mãe de Deus.

EM ESPÍRITO E VIRTUDE DE ELIAS

O  «eleanismo» juntamente com o marianismo definem e qualificam todos os Carmelitas.

O começo histórico da Ordem na montanha bíblica do
profeta cria uma espécie de enlace entre o Carmelo e Elias.

« Ardo de zelo pela glória do Senhor, Deus do Universo »

Deus não está nem no furacão , nem no terramoto :

o Profeta Elias encontrou-O na brisa suave.

ENCONTRO DOS IRMÃOS

A Palavra aceite com docilidade na Contemplação

traduz-se necessariamente em acção.

O Carmelo existe em favor da Igreja e dos Irmãos,  por isso projecta a sua vida de maneira a que o contacto com Deus se converta em busca do bem do próximo.

“Ora, quando o Arcanjo Miguel discutia com o demónio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda” (Jd 1,9) – (Senhora da Nazaré – “Sobre São Miguel Arcanjo” – Portugal)

Por uma questão de espaço, acesse o novamente, ao final do post, o blog da Capelinha de Nossa Senhora de Nazaré – “Sobre São Miguel Arcanjo”, que traz a íntegra da Novena de São Miguel Arcanjo e dos Nove Coros d’Anjos, aprovada pelo papa Pio IX. No texto, logo abaixo, ele afirma:“Deus, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São Miguel, devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta actual terminará triunfante e também, como outrora, com o socorro e ajuda deste Arcanjo bendito!”. Por admiração ao papa Leão XIII, publiquei o 5º dia, que é denominado “Exorcismo de Leão XIII”.

Acredito, por pesquisas que fui encontrando na internet, que a aparição de Nossa Senhora em Fátima tem estreita ligação com São Miguel Arcanjo, devido à batalha espiritual que ambos travaram, na Anunciação e no combate celeste, respectivamente. Jesus se referiu ao Maligno, dizendo que por esta razão veio até nós: para que os poderes das trevas não triunfassem sobre as criaturas de Deus. Devemos aprofundar mais este “elo espiritual” de Nossa Senhora e o Arcanjo São Miguel porque, a meu ver, envolve a minha, a nossa salvação em Cristo Jesus. São inúmeros os perigos a que nossa alma está exposta. Alguns são sutis, outros se mostram dramáticos, e pior, a maioria deles são insidiosos porque nos distraem da vontade de Deus… Santa Teresa de Jesus fala bastante da ameaça real de nem “merecermos” o purgatório das almas… A Eternidade será nossa companhia; o mundo passará…

Durante a minha infância lia, ou melhor, esquadrinhava o “Almanaque Santo Antônio” e outra publicação jesuíta “Anuário Inaciano”. Nestas leituras encantadoras descobri os relatos sobre as aparições de Nossa Senhora, em Fátima. Foram leituras inesquecíveis. Meu avô materno havia entrado para o seminário Cristo Rei, na região do Vale do Rio dos Sinos, mais especificamente em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Com sua saída para casar com minha avó, por certo comprou as publicações quando minha mãe e meu tio foram alfabetizados. Minha mãe buscou as novas publicações, por assinatura, nos anos posteriores. No início de minha adolescência assinou a “Revista Família Cristã”. Agradeço a ela por tais iniciativas (pelo que me lembro  somente eu e ela líamos…). São tentativas de compor a bagagem religiosa dos filhos. Mulheres inteligentes, quando se tornam mães , põem em prática o que o Espírito Santo lhes sopra com sutileza… Para minhas irmãs bem mais novas e meu irmão não surtiu um contínuo e vivo interesse. É o que dizem: todos temos livre-arbítrio. Talvez passassem os olhos pelos anuários. Hoje, se fossem meu filhos, este gesto mínimo já me agradaria.

Havia notícias do  mundo católico e textos, algumas bem antigos (história de santos, santas, do Padre João Baptista Reus, por exemplo, me fascinavam…). Portanto, tive formação religiosa sólida através de minha mãe, que sempre recitou o Rosário.Há algum tempo, uma doença a pegou de surpresa, mas agora está praticamente recuperada. Que Deus a ilumine, a fortifique na Fé, que nos traz o discernimento, necessário a todos, e a abençoe. Amém. Afinal, ninguém, nem nada poderá nos afastar do Amor de Deus, como dizem os sacerdotes ao interpretarem as palavras das Escrituras Sagradas. Amém.

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Logo abaixo haverá menção ao Confiteor (palavra que tem origem no latim, bem como a oração). Como não teria condições (pelo teclado) de publicá-la, ofereço a versão em língua portuguesa. Esta oração precede a novena, quando se formula o pedido , de acordo com  minha pesquisa sobre o “Confiteor”, e depois se recita três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai. A seguir recita-se a oração do dia.

CONFITEOR (CONFESSO-ME)

Eu pecador confesso-me a Deus Todo-Poderoso, à Bem-Aventurada Virgem Maria, ao Bem-Aventurado São Miguel Arcanjo, Ao Bem-Aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos, São Pedro e São Paulo. a todos os santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras (bate-se por três vezes no peito), por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à Bem-Aventurada Virgem Maria, ao Bem-Aventurado São Miguel Arcanjo, ao Bem-Aventurado São João Batista, aos santos Apóstolos, São Pedro e São Paulo, a todos os Santos e avós, Padre, que rogueis a Nosso Senhor por mim.

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São Miguel Arcanjo combate o anjo rebelde e o expulsa do Céu.

Fonte: Senhora da Nazaré – Capelinha de Nossa Senhora da Nazaré (Fátima – Portugal)

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Sobre São Miguel Arcanjo

“Quem como Deus”

“Quis ut Deus”

“Eu sou o chefe dos exércitos do Senhor” (Js 5,14)

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protector dos filhos do seu povo. Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento” (Dn 12,1)

“O chefe do reino persa resistiu-me durante vinte e um dias; porém Miguel, um dos principais chefes, veio em meu socorro” (Dn 10,13)

“Contra esses adversários não há ninguém que me defenda a não ser Miguel, vosso chefe” (Dn 10,22)

“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles.” (Ap 12,7-8)

“Ora, quando o Arcanjo Miguel discutia com o demónio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda” (Jd 1,9)

Disse o Papa Beato Pio IX: “São Miguel é quem tem maior capacidade para exterminar as forças malditas, filhas de satanás, que geraram a ruína da sociedade cristã”.

O Papa São Pio X disse: “Deus, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São Miguel, devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta actual terminará triunfante e também, como outrora, com o socorro e ajuda deste Arcanjo bendito!”.

O Papa Pio XII proclamou em 08 de maio de 1940, que: “era urgente hoje, mais do que nunca, recorrer à protecção de São Miguel, lembrando que ele é o protector e o defensor da igreja e dos fiéis, o guardião do Paraíso, o apresentador das almas junto de DEUS; o Anjo da Paz e o Vencedor de satanás”.E no dia 08 de maio de 1945, fez novamente outro apelo: “Desfraldai o Estandarte do insigne Arcanjo, repeti o seu grito: QUEM É COMO DEUS?”.

São Francisco de Sales dizia: “A veneração a São Miguel é o maior remédio contra a rebeldia e a desobediência aos mandamentos de Deus, e contra o ateísmo, asceticismo e a infidelidade.” Precisamente, estes vícios são muitos evidentes nos nossos tempos. Mais do que nunca na nossa era actual necessitamos da ajuda de São Miguel a fim de mantermos fieis a Fé. O ateísmo e a falta de fé estão infiltrado todos os sectores da sociedade humana. É nossa missão como fieis católicos confessar nossa fé com valentia e gozo, e demonstrar com zelo nosso amor por Jesus Cristo”

E São Boaventura disse: “Nossa Senhora nos manda o Príncipe São Miguel com todos os Anjos, para que imediatamente os defenda das investiduras dos demónios e recebam as almas de todos os que a Ela continuamente se têm encomendado.”

Novena de São Miguel Arcanjo e dos Nove Coros d’Anjos

Conforme o testemunho piedoso do arquidiácono d’Évreux, o Sr. Boudon, o mais fervoroso apóstolo dos Santos Anjos no séc. XVIII, essa prática devocional obtém “graças extraordinárias”. Por causa dela, ele presenciara “maravilhas… e a ruina dos poderes demoníacos nos misteres mais importantes”. Além disso afiança que esse é um meio eficacíssimo para lograr o socorro do Céu durante as calamidades públicas e as dificuldades pessoais.A Novena de São Miguel e dos Nove Coros d’Anjos pode se fazer a qualquer tempo, em comum ou sozinho. Não há fórmulas prescritas. Propomos tão-somente as orações abaixo. Pode-se, se for do agrado, adotá-las outras.
Nas condições ordinárias, pode-se lucrar uma indulgência plenária no curso da novena (em dia a se escolher) ou depois de oito dias consecutivos.
Pio IX, 26 de novembro de 1876.
A cada dia:
Recitar o Confiteor, formular o pedido, depois recitar três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai.
O Confiteor

1. Confiteor (Eu me confesso)

O que é o Confiteor?

Uma oração na qual nos reconhecemos diante de Deus como pecadores.

É uma ciência se saber pecador?

É uma ciência rara e preciosa, a qual só podemos alcançar por uma  graça gratuita de Deus.

A que nos conduz essa tão rara ciência?

Pedir e obter de Deus o perdão de nossos pecados.

E o que é o Confiteor nessa ciência?

É como o resumo dessa ciência, é a penitência em prática, ou melhor, é o ato de contrição dramatizado.

Porque dramatizado?

Porque nele está a constituição de um grande tribunal, a instrução da causa, a defesa dos advogados e enfim uma sentença que não é nunca uma condenação.

Isso pede uma explicação.

2. O tribunal

Qual é esse tribunal mencionado no Confiteor?

É o tribunal do próprio Deus, o soberano Juiz, tendo como assessores toda a corte celeste.

Porque razão pomos no papel de juizes todos os santos do céu?

Porque Deus nos assegura que os santos julgarão com ele e também por uma razão que descobriremos depois.

Quais são os santos designados no Confiteor?

Primeiramente a Santíssima Virgem, depois são Miguel, o primeiro dos Anjos, são João Batista, o primeiro dos santos, são Pedro o primeiro dos apóstolos e dos Papas, são  Paulo seu companheiro de apostolado e de martírio, depois todos os santos do céu.

Mas não se nomeia também o padre?

Sim, o padre é nomeado depois de Deus e dos santos.

Porque?

Porque no sacramento da Penitência ele é o ministro de Deus para pronunciar a sentença que é a do próprio Deus.

3. A instrução da causa

Como se faz a instrução da causa nos tribunais humanos?

Ouvindo as testemunhas e a confrontação das testemunhas com o que diz o acusado.

É a mesma coisa no tribunal de Deus?

Não, porque aqui toda a instrução consiste na acusação do culpado, confissão que está significada desde o começo pelas palavras: Eu me confesso, Confiteor.

Quais são as acusações do culpado?

Ele confessa seus pecados de pensamento, palavras e atos.

Quais são as conseqüências dessas acusações?

Estando o tribunal suficientemente instruído, segue em frente e  ouve a  defesa.

Mas como encontrar defensores se o pecador já confessou tudo?

É precisamente a confissão do culpado que vai se tornar o grande meio da defesa. Assim quis a eterna bondade do Deus de misericórdia.

4. A defesa

Quais serão os defensores do culpado?

Todos os assessores do soberano Juiz.

Como podem os juizes se transformarem em advogados?

Ao pedido da oração do pecador, todos os santos se voltarão para Deus e pedirão misericórdia.

Como o pecador os incita a lhe prestarem tão bom oficio?

Como os nomeou na primeira vez para juízes, nomeia todos na mesma ordem, lhes suplicando que sejam seus intercessores junto ao Senhor nosso Deus.

E os santos aceitarão esse convite?

Sem dúvida, sua caridade para conosco os levarão a isso e acolherão sempre nossos pedidos com tanto mais empenho quanto mais completa nossa confissão.

E Deus, escutará sua defesa em nosso favor?

Sim, porque está escrito que ele não quer a morte do pecador, mas que ele viva (Ez.XXX,11)

5. A sentença

Depois disso, qual será a sentença?

O pecador que se confessa, que põe sua confiança na bondade de Deus e na intercessão dos santos, indica por si mesmo a fórmula.

Como ele concebe a sentença?

Ele reclama para si mesmo uma sentença de perdão, e a pede ao Deus todo poderoso e misericordioso.

E o próprio Deus julga assim?

Sim, porque Nele, todo homem penitente encontra graça e misericórdia

Sendo assim, como devemos dizer nosso Confiteor?

Devemos dize-lo com o pensamento no julgamento final onde tudo será revelado, tudo será julgado; mas então será um julgamento de justiça, e agora imploramos um julgamento de misericórdia.

Podemos afastar de nós o julgamento de justiça?

Sim, pedindo agora a misericórdia de Deus, recebendo a sentença de nosso perdão na absolvição do padre.

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Novena de São Miguel Arcanjo e dos Nove Coros d’Anjos

A cada dia:
Recitar o Confiteor, formular o pedido, depois recitar três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai.
Encerrar com a seguinte oração (conforme o dia)…

PRIMEIRO DIA (em honra aos Serafins)

SEGUNDO DIA (em honra aos Querubins)

TERCEIRO DIA (em honra aos Tronos)

QUARTO DIA (em honra das Dominações

QUINTO DIA (em honra às Potestades)

São Miguel Arcanjo, a quem a Santa Igreja venera como guardião e protetor, a vós o Senhor confiou a missão de introduzir na celeste felicidade as almas resgatadas. Implorai ao Deus da Paz para calcar satanás a nossos pés, a fim de que não possa mais reter os homens em cadeias e lesar a Santa Madre Igreja. Apresentai ao Altíssimo nossas orações, para que instantemente o Senhor faça-nos a misericórdia. A vós também imploramos, vós que aprisionastes o dragão, o diabo-satã da antiga serpente, e que o lançastes acorrentado no abismo, para que não mais seduzisse as nações. Ámen. (Exorcismo de Leão XIII)

SEXTO DIA(em honra às Virtudes)

SÉTIMO DIA (em honra aos Principados)

São Miguel Arcanjo, que tendes por missão reunir as orações, dirigir os combates e pesar as almas, presto homenagem à vossa beleza – em tudo semelhante a beleza de Deus e que, segundo o Verbo Eterno, como vós não há outro espírito igual. Presto homenagem ainda a vosso poder sem limites em favor daqueles que são vossos devotos, e à vossa vontade toda em harmonia com o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, para o bem dos homens [1]. Defendei-me contra os inimigos da alma e do corpo. Tornai-me sensível à consolação de vossa assistência invisível e aos efeitos de vossa terna vigilância. Ámen.
[1] Ven. Filomena de Santa Colomba.

OITAVO DIA(em honra aos Arcanjo

NONO DIA (em honra aos Anjos)

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Segundo uma antiga fórmula de oração.

Nihil Obstat :Constantiis, die 18 a feb. 1949L. LERIDEZc. d.Imprimatur+ JEANÉvêque de Coutances et Avranches

“Glorioso Arcanjo São Miguel, Príncipe da Milícia Celeste, protector das almas, eu vos chamo e invoco para que me livres de toda adversidade e de todo pecado, fazendo-me progredir no serviço de Deus e conseguindo-me Dele a graça da perseverança final, para que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida.Amém.”

Publicada por Senhora da Nazaré (Portugal).

“Tanto a ermida, como a cela, assim como os espaços verdes e solitários são, por assim dizer lugares privilegiados do eremitismo carmelitano, contudo, é sempre bom repetir que o deserto “pessoal” da monja, o lugar concreto que a Regra defende a todo o custo, é a cela.” (in Carmelo da SS. Trindade da Guarda)

Fonte: O DESERTO (do Carmelo)

“Estudos e Formação”Carmelo da SS. Trindade da Guarda

SÍNTESE
1.Visão geral
A espiritualidade do deserto
Atitude de quem é chamado ao deserto

2.Modalidades de Eremitismo
Anacoretismo
Eremitismo professado sob obediência

3.O deserto carmelitano – O “preceito da cela”
(Bibliografia)

1. VISÃO GERAL
Rompendo com a civilização da sua época, houve homens[1] e mulheres[2] que se retiraram para o deserto ou lugares solitários, para aí se entregarem plenamente a DEUS. Estamos a falar dos anos 300 d.c.

No princípio, estes homens e mulheres, eram apenas uns pouquinhos – recordemos os padres do deserto do Egipto ou os da Palestina – mas mais tarde, outros, atraídos por esta maneira de viver, começaram a pedir orientação a estes primeiros eremitas no deserto, constituindo, com o tempo, verdadeiras colónias monásticas. Em pouco tempo, estas experiências individuais e excêntricas, acabaram paradoxalmente por constituírem verdadeiros ‘centros’ monásticos.

Claro está que, com a aglomeração de todos estes homens que, necessitados de solidão e de silêncio para se dedicarem a Deus, foram impelidos para o deserto, foi necessário em primeiro lugar, encontrar ritmos de vida que conciliassem as exigências de uma vida ao ‘lado’ uns dos outros no deserto, com as suas peculiares exigências de solidão.

O ritmo de vida mais comumente adoptado consistia em passar a semana inteira em seu ermitério (cela separada) e na noite de sábado para domingo encontrarem-se na Igreja ou nas dependências dela para, em conjunto, cantarem o Ofício nocturno, celebrarem no Domingo a Eucaristia e fazerem algumas gestões necessárias, como sejam o colóquio espiritual, alguma ‘palavra de sabedoria’ dado pelo eremita mais sábio (a sabedoria do espírito) ou simplesmente chamar a atenção para alguma falta.

Cada um dos eremitas devia viver do seu trabalho manual, NÃO UM TRABALHO QUALQUER, mas um trabalho que fosse compatível com o deserto e com as exigências da oração contínua e do recolhimento. Este trabalho consistia no fabrico manual de cestos, cordas e esteiras que o ‘guardião’ da Comunidade de eremitas era encarregado de vender para obter, em troca, alimentos.

Foram estes bem-aventurados padres, os iniciadores e mestres da vida dos monges. Podemos também apontar alguns nomes femininos como exemplos pré-monásticos como sejam Stª Tecla, Stª Macrina- iniciadora da vida eremítica feminina, Stª Synclética, a mais famosa das ‘Madres do deserto’[3]

Muito mais posteriormente, por volta do ano 1150 – sabendo que houve sempre eremitas como vocação peculiar e especial na Igreja – um grupo de homens, depois de haverem participado na reconquista dos lugares santos, instalaram-se como eremitas , na Palestina, nomeadamente na Montanha do Carmelo, junto a uma fonte, para se dedicarem plenamente à contemplação de Deus, como fizeram aqueles 1ºs padres do deserto.

Estes homens pretenderam inserir-se na tradição monástica oriental mais antiga[4], que se inspirava nos exemplos do profeta Elias e dos seus discípulos, segundo o testemunho dado por S. Jerónimo, que viveu também esta excepcional espiritualidade de Elias, na tradição Monástica oriental. Diz ele: “Nosso modelo é Elias, modelo é Eliseo, nossos guias aqueles filhos dos profetas”

Estes nossos 1ºs irmãos eremitas do monte Carmelo, no início, contentaram-se apenas com um conjunto de prescrições tomadas dessa grande tradição monástica oriental. Contudo, por volta do ano 1209, amadurecidos e experimentados na vida solitária, pediram ao então Patriarca de Jerusalém Stº Alberto de Av. uma norma ou uma regra de vida concreta para eles, salvaguardando sempre o peculiar da vida solitária com a sua oração contínua.

A Regra recebida do Patriarca de Jerusalém, codifica um género de vida em activo, de carácter estritamente eremítico e contemplativo. a) A Espiritualidade do deserto ou da vida solitária

O fim da vida solitária, ou eremítica ou de deserto que tudo significa praticamente o mesmo, é CONTEMPLAR, pura e constantemente a Deus; é AMAR fervorosamente e sem desânimo a Deus. Esta é a OCUPAÇÃO PRINCIPAL daquele que é chamado à vida solitária: dedicar-se, unir-se, gozar e abraçar perfeita e assiduamente a Deus, fazendo-se pouco a pouco uma só ‘coisa’ com Ele.

Os primeiros padres do deserto, assim como todos os eremitas e anacoretas posteriores[5], abandonaram os lugares habitados para, no silêncio e em solidão, se entregarem ASSIDUAMENTE e CADA VEZ MAIS INTENSAMENTE a Deus, evitando por meio da solidão distracções que prejudicassem essa união com Deus, manifestada na oração contínua. A ORAÇÃO CONTÍNUA É A MARCA DO EREMITISMO.

O ‘DESERTO’, O ‘ERMO’, O ‘ESPAÇO DESABITADO’ é muito mais do que um lugar de retiro, já que, pela sua extensão ou configuração, e pela sua ‘aspereza’ ou ‘austeridade’, tem VALORES PRÓPRIOS.

Todos esses ‘lugares’ levam em si, o sinal da pobreza, da austera beleza que aponta a simplicidade mais absoluta, tornando-se num sinal da total impotência do homem, que descobre a sua fragilidade porque não pode subsistir sozinho no deserto, daí que ele se veja obrigado a procurar a sua única força somente em Deus.

Permanecer nestes lugares é como uma tentativa de AVANÇO, mas despido, desprendido de todo o apoio humano, na carência de todo o sustento egocêntrico e incluso espiritual (as noites), para encontrar DEUS. O homem necessita, aqui, de muita determinação.

Os dias no deserto são um ensaio, uma tentativa cheia de confiança para pedir a Deus que nos venha buscar, na nossa impotência, para levar-nos a Ele.

O deserto implica necessariamente o desprendimento total. O homem só permanece no deserto para se tornar totalmente ‘presa’ de Deus, de contrário, a sua vida corre o perigo de se afundar no vazio.

O deserto leva consigo a ruptura com o próprio habitat: deixa-se o mundo das relações sociais e das comodidades para encontrar-se sozinho num ambiente ‘despido’ onde se privilegia a união com DEUS. Quem é chamado ao ‘deserto’ não só deve pacificar o seu espírito apagando os desejos inúteis e o lamento da ‘escravidão’, mas erigir o ABSOLUTO DE DEUS, relativizando os outros valores e rejeitando os ídolos.

Daí que, o ‘deserto’ seja um período (lugar) de prova e de tentação, a fim de desocupar o coração humano dos ídolos, e poder experimentar, que SÓ DEUS CONTA: Ele é o Absoluto, é o Senhor da VIDA, o DADOR da salvação anelada, pedida, implorada, desejada…

É necessário pois, que Deus ponha esse coração em situações difíceis, de ‘morte’, a fim de que se manifestem as intenções do homem, este as conheça e se submeta ao tratamento purificador da Bondade infinita e então Deus converte-se em maná que nutre, em água viva que tira a sede.. converte-se em Cristo que salva…

Este absoluto, que é Deus, manifesta-se como AMOR que atrai a SI, numa comunhão íntima, singular, e como ALIANÇA ETERNA. O DESERTO, portanto, converte-se num tempo de REVELAÇÃO DE DEUS e de REVELAÇÃO DO HOMEM, de renovação da aliança e da restauração da santidade.[6]b) Atitude de quem é chamado ao ‘deserto’

Quem vai ao deserto para nele perseverar, vai pela SEDE DE ESTAR CARA A CARA COM DEUS. Foi esta a atitude – que é a única válida – de Jesus quando se retirava discretamente para os lugares solitários. Este desejo de intimidade com Deus é o único móbil que deve levar o homem à solidão do ermo, a retirar-se da barafunda da vida e das mil e uma distracções que o impediriam de realizar este anseio fundo que a sua própria vocação lhe proporciona. Assim procederam tanto os anacoretas verdadeiros do deserto nos seus primórdios, como todos os outros posteriores até aos nossos contemporâneos (ex: Charles de F.)

O deserto, situação e lugar privilegiado, põe o homem frente a si mesmo. Privado de todos os seus hábitos de vida, das suas forças e potências, que se faziam valer na vida social, é impulsionado fortemente a enfrentar-se com a Presença de Deus no maior despojamento possível, e somente o desejo da intimidade com Deus é que lhe vai suster nesta luta entre o seu nada e o Absoluto de Deus. Todo o homem que penetra no deserto, melhor dito, que se deixa penetrar no deserto e ser purificado no fogo divino, alcançará a pureza de coração…só assim poderá ‘ver’ a Deus.

Sintetizando: o Único motivo que deve animar a nossa procura de solidão e silêncio é DEUS, É ALCANÇAR A INTIMIDADE COM DEUS.

Todos os primeiros eremitas do Monte Carmelo, tiveram esta excelente experiência de solidão, como procura incessante de Deus. Como já foi dito, nos seus primórdios, estes nossos irmãos contentaram-se com umas reduzidas prescrições que orientaram a sua vida solitária – como aconteceu aos 1ºs padres do deserto quando depararam com abundantes discípulos. Claro está que, com a aglomeração de discípulos, havia que estabelecer-se normas concretas para defender o silêncio e a solidão que cada um procurou, quando deixou tudo e abraçou o eremitismo.

Esta vida solitária amadureceu levando-os a pedir ao Patriarca de Jerusalém Stº Alberto, que lhes desse uma regra de vida, respeitando quanto possível a vida eremítica e a oração contínua, que vinham experimentando havia anos.

Stº Alberto, ao dar-lhes uma regra de vida, tendo em conta o seu modo de viver, juntou-lhes 2 elementos, a saber: o oratório e o refeitório (rezar em comum e comer em comum) e pô-los sob a obediência de um superior, E ISTO PORQUÊ?

2. Modalidades de eremitismo

O anacoretismo

Como diz o Ecl IV,5 “ai daquele que está só, que, se cai, não tem quem o levante”. De facto S. Jerónimo já dizia : “no deserto, muito facilmente nasce a soberba, pela liberdade que existe em agir segundo o próprio parecer”

Só os homens e mulheres muito acrisolados na virtude e na vida do espírito é que podiam permanecer no deserto sem sucumbirem; é o caso dos chamados “padres ou madres do deserto”. Uma delas, a “Amma Sara” dizia de si mesma quando um dos anciãos, também anacoreta, foi ter com ela para a humilhar : “pela natureza sou mulher, mas não no espírito…”[7]. Foi destes homens e mulheres fortes na fé e no discernimento, possuídos pelo Espírito Santo, que Stº Agostinho dizia: “Os que moram no deserto gozam dos divinos colóquios de Deus, a Quem se entregaram com pureza de alma; devem jejuar boas temporadas a pão e água”.

Esta vida eremítica completamente isolada nos seus primórdios, constitui a 1ª modalidade, pois foi a 1ª forma aparecida nos desertos, montanhas ou lugares solitários junto dos rios. A estes eremitas chamam-se ‘anacoretas’.

O Eremitismo sob Obediência

Contudo, a partir desta 1ª modalidade, surgiu mais tarde o eremitismo que se professa debaixo da obediência, pois a experiência anacorética[8] foi mostrando quantos erros se pode cometer quando o eremita não está “sujeito” à obediência. S.Jerónimo, destes que vivem sujeitos diz :”Não poderão fazer o que querem, mas aquilo que se lhes mande; terão unicamente aquilo que se lhes der… e assim conseguirão servir e amar a Deus com filial amor..”

Nesta 2ª modalidade, o eremita, logo à partida, pode não possuir essa tal virtude acrisolada que se exige para o anacoretismo, mas recebe a aprendizagem que a “obediência” lhe proporciona para poder entrar na solidão, no silêncio e na oração contínua, orientado apenas pela Vontade de Deus. O eremitismo vivido sob a obediência impede o homem de extraviar-se pelo labirinto do orgulho, da vaidade e dos caprichos da sensibilidade; ajuda-o a sair vitorioso na luta contra o “inimigo de Cristo” como dizia uma das madres do deserto referindo-se ao mau espírito, e contra si próprio, já que esta, é a guerra mais tenaz e encarniçada que o eremita tem que travar. Só a obediência lhe pode conferir a certeza moral de caminhar sob a Vontade de Deus, a única que o purifica, a única que o salva.

3.O deserto carmelitano – O “preceito da cela”
(Bibliografia)

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Postado por Carmelo da SS. Trindade da Guarda.

Papa Bento XVI sobre São Gregório Magno:”(…)A esperança do cumprimento em Cristo de todas as coisas é um pensamento constante do grande pontífice e acaba por converter-se em motivo inspirador de todo seu pensamento e atividade. Daqui brotam seus incessantes chamados à vigilância e ao empenho nas boas obras.(…)” – Veritatis Splendor (03 de setembro-Memória)

Fonte: Apostolado Veritatis Splendor

Tradução: Élison Santos (Fonte: Zenit)

SÃO GREGÓRIO I DE ROMA

São Gregório Magno (São Gregório I de Roma)
São Gregório Magno

Por Papa Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada, falei de um Padre da Igreja pouco conhecido no Ocidente, Romano o Meloda; hoje desejo apresentar a figura de um dos maiores Padres da história da Igreja, um dos quatro doutores do Ocidente, o Papa São Gregório, que foi bispo de Roma entre o ano 590 e 604, e que mereceu da parte da tradição o título Magnus/Grande. Gregório foi verdadeiramente um grande Papa e um grande Doutor da Igreja! Nasceu em Roma, em torno de 540, de uma rica família patrícia da gens Anicia, que se distinguia não só pela nobreza de sangue, mas também pelo apego à fé cristã e pelos serviços prestados à Sé Apostólica. Desta família procediam dois Papas: Félix III (483-492), tataravô de Gregório, e Agapito (535-536). A casa na qual Gregório cresceu se levantava na Clivus Scauri, rodeada de solenes edifícios que testemunhavam a grandeza da antiga Roma e a força espiritual do cristianismo. Para inspirar-lhe elevados sentimentos cristãos estiveram também os exemplos de seus pais Giordiano e Silvia, ambos venerados como santos, e os de suas tias paternas Emiliana e Tarsília, que viviam na própria casa como virgens consagradas em um caminho compartilhado de oração e ascese.

Gregório ingressou logo na carreira administrativa, que havia seguido também seu pai, e em 572 alcançou o cume, convertendo-se em prefeito da cidade. Este cargo, complicado pela tristeza daqueles tempos, permitiu-lhe aplicar-se em um amplo raio a todo tipo de problemas administrativos, obtendo deles luz para suas futuras tarefas. Em particular ficou nele um profundo sentido da ordem e da disciplina: já como Papa, sugerirá aos bispos que tomem como modelo na gestão dos assuntos eclesiásticos a diligência e o respeito das leis próprias dos funcionários civis. Aquela vida não lhe devia satisfazer, visto que, não muito depois, decidiu deixar todo cargo civil para retirar-se em sua casa e começar a vida de monge, transformando a casa de família no mosteiro de Santo André. Desse período de vida monástica, vida de diálogo permanente com o Senhor na escuta de sua palavra, ficou nele uma perene nostalgia que sempre de novo e cada vez mais aparece em suas homilias: em meio às preocupações pastorais, ele recordará várias vezes em seus escritos como um tempo feliz de recolhimento em Deus, de dedicação à oração, de serena imersão no estudo. Pôde assim adquirir esse profundo conhecimento da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, do qual se serviu depois em suas obras.

Mas o retiro claustral de Gregório não durou muito. A preciosa experiência amadurecida na administração civil em um período carregado de graves problemas, as relações que teve nesta tarefa com os bizantinos, a estima universal que havia ganhado, induziram o Papa Pelágio a nomeá-lo diácono e a enviá-lo a Constantinopla como seu «apocrisiario» – hoje se diria «Núncio Apostólico» – para favorecer a superação dos últimos restos de controversa monofisista e sobretudo para obter o apoio do imperador no esforço de conter a pressão longobarda. A permanência em Constantinopla, onde havia reiniciado a vida monástica com um grupo de monges, foi importantíssima para Gregório, pois lhe permitiu ganhar experiência direta no mundo bizantino, assim como se aproximar do problema dos Longobardos, que depois colocaria à prova sua habilidade e sua energia nos anos do Pontificado. Passados alguns anos, foi chamado de novo a Roma pelo Papa, que o nomeou seu secretário. Eram anos difíceis: as contínuas chuvas, o transbordamento dos rios e a carestia atingiam muitas áreas da Itália e da própria Roma. No final se desatou a peste, que causou numerosas vítimas, entre elas também o Papa Pelágio II. O clero, o povo e o senado foram unânimes em eleger como seu sucessor na Sede de Pedro precisamente ele, Gregório. Tentou resistir, inclusive buscando a fuga, mas tudo foi inútil: ao final teve de ceder. Era o ano de 590.

Reconhecendo que havia sucedido a vontade de Deus, o novo pontífice se pôs imediatamente ao trabalho com empenho. Desde o princípio revelou uma visão singularmente lúcida da realidade com a qual devia medir-se, uma extraordinária capacidade de trabalho ao enfrentar os assuntos tanto eclesiais como civis, um constante equilíbrio nas decisões, também valentes, que sua missão lhe impunha. Conserva-se de seu governo uma ampla documentação graças ao Registro de suas cartas (aproximadamente 800), nas quais se reflete o enfrentamento diário dos complexos interrogantes que chegavam à sua mesa. Eram questões que procediam dos bispos, dos abades, dos clérigos, e também das autoridades civis de toda ordem e grau. Entre os problemas que afligiam naquele tempo a Itália e Roma, havia um de particular relevância no âmbito tanto civil como eclesial: a questão longobarda. A ela o Papa dedicou toda a energia possível com vistas a uma solução verdadeiramente pacificadora. Ao contrário do Imperador bizantino, que partia do pressuposto de que os Longobardos eram só indivíduos depredadores a quem era preciso derrotar ou exterminar, São Gregório via estas pessoas com os olhos do bom pastor, preocupado por anunciar-lhes a palavra de salvação, estabelecendo com eles relações de fraternidade orientadas a uma futura paz fundada no respeito recíproco e na serena convivência entre italianos, imperiais e longobardos. Preocupou-se pela conversão dos jovens povos e da nova organização civil da Europa: os Visigodos da Espanha, os Francos, os Saxões, os imigrantes na Bretanha e os Lonbogardos foram os destinatários privilegiados de sua missão evangelizadora. Ontem celebramos a memória litúrgica de Santo Agostinho de Canterbury, guia de um grupo de monges aos que Gregório encomendou ir a Bretanha para evangelizar a Inglaterra.

Para obter uma paz efetiva em Roma e na Itália, o Papa se empenhou a fundo – era um verdadeiro pacificador – empreendendo uma estreita negociação com o rei longobardo Agilulfo. Tal conversa levou a um período de trégua que durou cerca de três anos (598-601), após os quais foi possível estipular em 603 um armistício mais estável. Este resultado positivo se conseguiu graças também aos contatos paralelos que, entretanto, o Papa mantinha com a rainha Teodolinda, que era uma princesa bávara e, ao contrário dos chefes dos outros povos germanos, era católica, profundamente católica. Conserva-se uma série de cartas do Papa Gregório a esta rainha, nas quais ele mostra sua estima e sua amizade para com ela. Teodolinda conseguiu, pouco a pouco, orientar o rei para o catolicismo, preparando assim o caminho para a paz. O Papa se preocupou também de enviar-lhe as relíquias para a basílica de São João Batista que ela levantou em Monza, e não deixou de felicitar e oferecer preciosos presentes para a mesma catedral de Monza por ocasião do nascimento e do batismo de seu filho Adoaloaldo. A vicissitude desta rainha constitui um belo testemunho sobre a importância das mulheres na história da Igreja. No fundo, os objetivos sobre os que Gregório apontou constantemente foram três: conter a expansão dos Longobardos na Itália, subtrair a rainha Teodolinda da influência dos cismáticos e reforçar a fé católica, assim como mediar entre Longobardos e Bizantinos com vistas a um acordo que garantisse a paz na península e consentisse desenvolver uma ação evangelizadora entre os próprios Longobardos. Portanto, foi dupla sua constante orientação na complexa situação: promover acordos no plano diplomático-político e difundir o anúncio da verdadeira fé entre as populações.

Junto à ação meramente espiritual e pastoral, o Papa Gregório foi ativo protagonista também de uma multiforme atividade social. Com as rendas do conspícuo patrimônio que a Sede romana possuía na Itália, especialmente na Sicília, comprou e distribuiu trigo, socorreu quem se encontrava em necessidade, ajudou sacerdotes, monges e monjas que viviam na indigência, pagou resgates de cidadãos que eram prisioneiros dos Longobardos, adquiriu armistícios e tréguas. Também desenvolveu tanto em Roma como em outras partes da Itália uma atenta obra de reordenação administrativa, ministrando instruções precisas para que os bens da Igreja, úteis à sua subsistência e à sua obra evangelizadora no mundo, se dirigissem com absoluta retidão e segundo as regras da justiça e da misericórdia. Exigia que os colonos fossem protegidos dos abusos dos concessionários das terras de propriedade da Igreja e, em caso de fraude, que foram ressarcidos com prontidão, para que o rosto da Esposa de Cristo não se contaminasse com benefícios desonestos.

Gregório levou a cabo esta intensa atividade apesar de sua incerta saúde, que o obrigava com freqüência a ficar de cama durante longos dias. Os jejuns que havia praticado nos anos da vida monástica lhe haviam ocasionado sérios transtornos digestivos. Também sua voz era muito frágil, de forma que com freqüência tinha de confiar ao diácono a leitura de suas homilias para que os fiéis das basílicas romanas pudessem ouvi-lo. Ele fazia o possível por celebrar nos dias de festa Missarum sollmnia, isto é, a Missa Solene, e então se encontrava pessoalmente com o povo de Deus, que o estimava muito porque via nele a referência autorizada para obter segurança: não por acaso lhe atribuíram logo o título de consul Dei. Apesar das dificílimas condições nas quais teve de atuar, conseguiu conquistar, graças à santidade de vida e à rica humanidade, a confiança dos fiéis, conseguindo para seu tempo e para o futuro resultados verdadeiramente grandiosos. Era um homem imerso em Deus: o desejo de Deus estava sempre vivo no fundo de sua alma e precisamente por isso estava sempre muito perto do próximo, das necessidades das pessoas de sua época. Em um tempo desastroso, mais ainda, desesperado, soube criar paz e esperança. Este homem de Deus nos mostra as verdadeiras fontes da paz, de onde vem a esperança, e se converte assim em uma guia também para nós hoje.

SERVO DOS SERVOS DE DEUS
Volto hoje, em nosso encontro das quartas-feiras, à extraordinária figura do Papa Gregório Magno, para recolher mais luzes de seu rico ensinamento. Apesar dos múltiplos compromissos vinculados à sua missão como bispo de Roma, ele nos deixou numerosas obras das quais a Igreja, nos séculos seguintes, nutriu-se abundantemente. Além de seu conspícuo epistolário – o Registro ao qual aludia na catequese passada contém mais de 800 cartas –, ele nos deixou sobretudo escritos de caráter exegeta, entre os quais se distinguem o Comentário moral a Jó –conhecido sob o título latino de Morallia in Iob –, as Homilias sobre Ezequiel, as Homilias sobre os Evangelhos. Desta forma, existe uma importante obra de caráter hagiográfico, os Diálogos, escrita por Gregório para a edificação de rainha longobarda Teodolinda. A principal e mais conhecida obra é sem dúvida a Regra pastoral, que o Papa redigiu no começo de seu pontificado com finalidade claramente programática.

Fazendo um rápido repasso por estas obras, observamos, antes de tudo, que em seus escritos Gregório jamais se mostra preocupado em traçar uma doutrina «sua», uma originalidade própria. Mas tenta fazer eco do ensinamento tradicional da Igreja, quer simplesmente ser a boca de Cristo e de sua Igreja no caminho que se deve percorrer para chegar a Deus. A respeito disso, são exemplares seus comentários exegéticos. Foi um apaixonado leitor da Bíblia, à qual se aproximou com pretensões não meramente especulativas: da Sagrada Escritura, pensava ele, o cristão deve tirar não tanto um conhecimento teórico, mas o alimento cotidiano para sua alma, para sua vida de homem neste mundo. Nas Homilias sobre Ezequiel, por exemplo, ele insiste fortemente nesta função do texto sagrado; aproximar-se da Escritura simplesmente para satisfazer o próprio desejo de conhecimento significa ceder à tentação do orgulho e expor-se assim ao risco de cair na heresia. A humildade intelectual é a regra primária para quem tenta penetrar nas realidades sobrenaturais partindo do Livro Sagrado. A humildade, obviamente, não exclui o estudo sério; mas para conseguir que este seja verdadeiramente proveitoso, consistindo entrar realmente na profundidade do texto, a humildade é indispensável. Só com esta atitude interior se escuta realmente e se percebe por fim a voz de Deus. Por outro lado, quando se trata da Palavra de Deus, compreender não é nada se a compreensão não conduz à ação. Nestas homilias sobre Ezequiel se encontra também essa bela expressão segundo a qual «o pregador deve molhar sua caneta no sangue de seu coração; poderá assim chegar também ao ouvido do próximo». Ao ler estas homilias suas se vê que realmente Gregório escreveu com o sangue de seu coração e por isso continua falando a nós.

Gregório desenvolve também este tema no Comentário moral a Jó. Seguindo a tradição patrística, examina o texto sacro nas três dimensões de seu sentido: a dimensão literal, a dimensão alegórica e a moral, que são dimensões do único sentido da Sagrada Escritura. Contudo, Gregório atribui uma clara preponderância ao sentido moral. Nesta perspectiva propõe seu pensamento através de alguns binômios significativos – saber-fazer, saber-viver, conhecer-atuar. Isso nos evoca os dois aspectos da vida humana que deverão ser complementares, mas que com freqüência acabam por ser antitéticos. O ideal moral – comenta – consiste sempre em levar a cabo uma harmoniosa integração entre palavra e ação, pensamento e compromisso, oração e dedicação aos deveres entre palavra e ação, pensamento e compromisso, oração e dedicação aos deveres do próprio estado: este é o caminho para realizar a síntese graças à qual o divino desce no homem e o homem se eleva até a identificação com Deus. O grande papa traça assim para o autêntico crente um projeto de vida completo; por isso, o Comentário moral a Jó constituirá no curso da Idade Média uma espécie de Summa da moral cristã.

São de notável relevância e beleza também as suas Homilias sobre os Evangelhos. A primeira delas foi pronunciada na basílica de São Pedro durante o tempo de Advento do ano 590, portanto, poucos meses depois de sua eleição ao pontificado; a última foi pronunciada na basílica de São Lourenço no segundo domingo depois do Pentecostes de 593. O Papa pregava ao povo nas igrejas onde se celebravam as «estações» – especiais cerimônias de oração nos tempos fortes do ano litúrgico – ou as festas dos mártires titulares. O princípio inspirador que une as diversas intervenções se sintetiza na palavra “praedicator”: não só o ministro de Deus, mas também todo cristão tem a tarefa de tornar-se «pregador» de tudo que experimentou em seu interior, a exemplo de Cristo, que se fez homem para levar a todos o anúncio da salvação. O horizonte deste compromisso é o escatológico: a esperança do cumprimento em Cristo de todas as coisas é um pensamento constante do grande pontífice e acaba por converter-se em motivo inspirador de todo seu pensamento e atividade. Daqui brotam seus incessantes chamados à vigilância e ao empenho nas boas obras.

Talvez o texto mais orgânico de Gregório Magno seja a Regra pastoral, escrita nos primeiros anos de pontificado. Nela, Gregório se propõe traçar a figura do bispo ideal, mestre e guia de seu rebanho. A tal fim ilustra a gravidade do ofício de pastor da Igreja e os deveres que isso comporta: portanto, aqueles que não foram chamados a tal tarefa, que não a busquem com superficialidade; aqueles, ao contrário, que a tenham assumido sem a devida reflexão, que sintam nascer na alma uma necessária turbação. Retomando um tema predileto, afirma que o bispo é antes de tudo o «pregador» por excelência; como tal, deve ser sobretudo exemplo para os demais, de forma que seu comportamento possa constituir um ponto de referência para todos. Uma ação pastoral eficaz requer também que ele conheça os destinatários e adapte suas intervenções à situação de cada um: Gregório se detém em ilustrar a valorização de quem viu nesta obra também um tratado de psicologia. Daqui se entende que ele conhecia realmente seu rebanho e falava de tudo com as pessoas de seu tempo e de sua cidade.

O grande pontífice, contudo, insiste no dever de que o pastor deve reconhecer cada dia a própria miséria, de maneira que o orgulho não torne vão, aos olhos do Juiz Supremo, o bem realizado. Por isso, o capítulo final da Regra está dedicado à humildade: «Quando se tem complacência em ter alcançado muitas virtudes, é bom refletir sobre as próprias insuficiências e humilhar-se; ao invés de considerar o bem realizado, é preciso considerar o que se descuidou». Todas estas indicações preciosas demonstram o altíssimo conceito que São Gregório tem do cuidado das almas, por ele definido «ars artium», a arte das artes. A Regra teve um êxito tão grande que, coisa mais bem rara, logo se traduziu em grego e em anglo-saxônico.

Significativa é igualmente outra obra, os Diálogos, nos quais o amigo e diácono Pedro, convencido de que os costumes estavam tão corrompidos que não permitiam que tivesse santos como em tempos passados, Gregório demonstra o contrário: a santidade sempre é possível, ainda em tempos difíceis. O prova narrando a vida de pessoas contemporâneas ou desaparecidas recentemente às que bem se poderia qualificar de santas, ainda que não estivessem canonizadas. A narração está acompanhada de reflexões teológicas e místicas que fazem do livro um texto hagiográfico singular, capaz de fascinar gerações inteiras de leitores. O material toca as tradições vivas do povo e tem o objetivo de edificar e formar, atraindo a atenção de quem lê sobre uma série de questões como o sentido do milagre, a interpretação da Escritura, a imortalidade da alma, a existência do inferno, a representação do mais além, temas todos que requeriam oportunos esclarecimentos. O livro II se dedica por inteiro à figura de Bento de Nursia e é o único testemunho antigo da vida do santo monge, cuja beleza espiritual aparece no texto com toda evidência.

Na linha teológica que Gregório desenvolve através de suas obras, passado, presente e futuro se relativizam. O que conta para ele, mais que nada, é todo o arco da história salvífica, que continua desenvolvendo-se entre os obscuros meandros do tempo. Nesta perspectiva, é significativo que ele introduza o anúncio da conversão dos Anglos no meio do Comentário moral a Jó: a seus olhos, o evento constituía um alento do Reino de Deus do qual trata a Escritura; portanto, podia mencionar-se no comentário um livro sacro. Em sua opinião, os guias das comunidades cristãs devem empenhar-se em reler os acontecimentos à luz da Palavra de Deus: neste sentido, o grande pontífice sente o dever de orientar pastores e fiéis no itinerário espiritual de uma lectio divina iluminada e concreta, situada no contexto da própria vida. (*)

Antes de concluir, é necessário falar das relações que o Papa Gregório cultivou com os patriarcas de Antioquia, de Alexandria e da própria Constantinopla. Preocupou-se sempre por reconhecer e respeitar os direitos, guardando-se de toda interferência que limitasse a legítima autonomia daqueles. Ainda que São Gregório, no contexto da situação histórica, se opôs ao título de «ecumênico» por parte do Patriarca de Constantinopla, não o fez por limitar ou negar esta legítima autoridade, mas porque estava preocupado pela unidade fraterna da Igreja universal. Ele o fez sobretudo por sua profunda convicção de que a humildade devia ser a virtude fundamental de todo bispo, mais ainda de um Patriarca. Gregório havia continuado sendo um simples monge em seu coração e por isso era decididamente contrário aos grandes títulos. Queria ser – é expressão sua – servus servorum Dei. Esta palavra que acunhou não era em seus lábios uma piedosa fórmula, mas a verdadeira manifestação de seu modo de viver e de atuar. Estava intimamente impressionado pela humildade de Deus, que em Cristo se fez nosso servo, nos lavou e nos lava os pés. Portanto, estava convencido de que, sobretudo um bispo, deveria imitar esta humildade de Deus e assim seguir Cristo. Seu desejo verdadeiramente foi o de viver como monge em permanente colóquio com a Palavra de Deus, mas por amor a Deus soube fazer-se servidor de todos em um tempo repleto de tribulações e de sofrimentos, soube fazer-se «servo dos servos». Precisamente porque o foi, é grande e mostra também a nós a medida de sua verdadeira grandeza.

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(*) Grifo meu.

Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
Para citar este artigo:
PAPA, Bento XVI. Apostolado Veritatis Splendor: SÃO GREGÓRIO I DE ROMA. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5250. Desde 30/07/2008.

“Necessidade que temos da Intercessão de Maria Santíssima para nossa salvação” – Santo Afonso, in Tomo III (www.saopiov.org)

Nossa Senhora da Humildade - Prizri Na Smirenie

Fonte: São Pio V – Fiéis Católicos de Curitiba

INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA

Excerto publicado por Thiago Teixeira

NECESSIDADE QUE TEMOS DA INTERCESSÃO DE
MARIA SANTÍSSIMA PARA NOSSA SALVAÇÃO
Santo Afonso
(Fonte: “Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)

“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” – “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is LX, 12).

I.Que a prática de invocar aos Santos, a fim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bemaventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal, e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja.

E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à vida eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação. Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a medianeira de graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria.

Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por seu intermédio nos foi dado na Incarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afeto de devoção quer o Senhor que honremos à nossa Rainha, refugiando-nos sempre a ela e confiando em seu patrocínio!

II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demônio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças á divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.

Sim, eu vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a vossa bondade que a isso vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a vós sou devedor de toda a minha felicidade.

Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afeto de um pobre pecador, abrasado em amor pela vossa bondade. Se o meu coração é indigno de vos amar, por estar imundo e cheio de afetos terrestres, vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de seu amor. Vós quereis que eu ame o vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.

Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

Postado por Thiago Teixeira – 26.07.2009.

São Pedro Crisólogo: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si.” Memória – 30 de julho (Spe Deus)

Fonte: Spe Deus

São Pedro Crisólogo nasceu em Ímola no ano 380 e mereceu o apelido de Crisólogo, isto é, “Palavra de Ouro”, por ser autor de estupendos sermões, ricos de doutrina, que lhe deram também o título de doutor da Igreja, decretado no ano 1729 pelo Papa Bento XIII. Dele se conservam cerca de 200 sermões. Numa homilia define o avarento como “escravo do dinheiro, mas o dinheiro – acrescenta – é o escravo do misericordioso. ” É fácil entender o significado desta prédica. Sua pregação colocava insistentemente em evidência o amor paternal de Deus: “Deus prefere ser amado a ser temido”. Humildes e poderosos escutava-os ele com igual condescendência e caridade. A imperatriz Gala Placídia teve-o como conselheiro e amigo.
Eleito Bispo de Ravena no ano 424, Pedro Crisólogo mostrou-se bom pastor, prudente e sem ambiguidades doutrinais. Sua autoridade era reconhecida em largo raio da Igreja. São Pedro Crisólogo disse certa vez: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si” (op.cit.p.407).

São Pedro Crisólogo morreu no dia 31 de Julho do ano 451, em Ímola.

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Fonte: ROSA BÍBLICA

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 99

“Até que tudo tenha levedado”

Busquemos o sentido profundo desta parábola. A mulher que tomou o
fermento é a Igreja; o fermento que ela tomou é a revelação da doutrina
celeste; as três medidas em que misturou o fermento são a Lei, os Profetas
e os Evangelhos, onde o sentido divino mergulha e se esconde sob termos
simbólicos, a fim de ser agarrado pelo fiel e escapar ao infiel. Quanto às
palavras “até que tudo tenha levedado”, dizem respeito ao que diz o
apóstolo Paulo: “Imperfeita é a nossa ciência, imperfeita também a nossa
profecia. Quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito” (1
Co 13,9). O conhecimento de Deus está agora na massa: espalha-se nos
sentidos, enche os corações, aumenta as inteligências e, tal como todo o
ensinamento, alarga-os, eleva-os e desenvolve-os até às dimensões da
sabedoria celeste. Tudo será levedado em breve. Quando? Na segunda vinda de
Cristo.

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 80

“Não temais”

“Eu sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui”. Assim falava o
anjo às mulheres, ele que tinha aberto o túmulo por essa razão. Não tinha
sido para fazer sair Cristo, que já não estava lá, mas para lhes fazer
saber que Cristo já não estava lá. “Ressuscitou, tal como tinha dito…
Vinde ver o lugar onde o Senhor tinha sido depositado” (Mt 28,5-6). Vinde,
mulheres, vinde. Vede o lugar onde tínheis depositado Adão, onde o género
humano tinha sido sepultado. Compreendei que o seu perdão foi tão grande
quão grande tinha sido a injustiça feita ao Senhor… Quando as mulheres
entram no sepulcro, tomam parte no acto de sepultar Jesus, tornam-se
participantes da própria Paixão. Ao saírem do sepulcro, erguem-se na fé
antes de ressuscitarem na cerne. “Deixaram o túmulo, trémulas e cheias de
alegria”… A Escritura diz: “Servi o Senhor com temor e estremecei de
júbilo por ele” (Sl 2,11).

“E Jesus veio ao seu encontro e disse-lhes: ‘Salve!'” Cristo vem ao
encontro daquelas que correm com fé, para que reconheçam com os seus olhos
Aquele em quem tinham acreditado pela fé. Quer confortar com a sua presença
aquelas que tinham ficado a tremer pelo que lhes tinha sido dito… Vem ao
seu encontro como um mestre, saúda-as como um familiar, devolve-lhes a vida
por amor, guarda-as pelo temor. Saúda-as para que o sirvam amorosamente,
para que o receio não as faça fugir. “Salve!” “Elas aproximaram-se e
agarraram-lhe os pés”… “Salve!”, quer dizer: Toquem-me. Quis ser
agarrado, Ele que suportou que o amarrassem…

Diz-lhes: “Não temais”. O que o anjo tinha dito, o Senhor di-lo também. O
anjo tinha-as confirmado, Cristo vai torná-las mais fortes ainda. “Não
temais. Ide anunciar aos meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá me
verão”. Erguendo-se de entre os mortos, Cristo tomou consigo o homem, não o
abandonou. Chama-lhes, por isso, seus irmãos, àqueles que pelo corpo tinha
tornado seus irmãos de sangue; chama-lhes irmãos, àqueles que adoptou como
filhos de Seu Pai. Chama-lhes irmãos, àqueles que, como herdeiro pleno de
bondade, quis tornar seus co-herdeiros.

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org (texto integral)

“Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” – São João Maria Vianney (Cura d’Ars), in Flos Carmeli – Ano Sacerdotal

Vale a pena conferir no Blog Flos Carmeli, as informações acerca do Ano Sacerdotal, instituído pelo papa Bento XVI, e cujo patrono é São João Maria Vianney – o Cura D’ Ars. A meu ver, ele foi um sacerdote – e santo – extraordinário! A propósito, foi criado um selo especial no “Flos Carmeli” – “Celebrando o Ano Sacerdotal”.

Ao lado, no Blogroll, está disponível o link de acesso para o site criado pelo Vaticano, intitulado “Annus Sacerdotalis”.

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Fonte: FLOS CARMELI  (ANO SACERDOTAL)

18.7.09

São João Maria Vianey

O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.

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Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor idéia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars… Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu”. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado.

Chamava-se Jean-Marie Vianney. Nascera trinta e dois anos antes (1786), numa aldeia situada a umas dez léguas, Dardilly, onde os pais eram gente dedicada ao campo; e gente piedosa, como ainda havia tantos na França. Por curiosa coincidência, um dia sentara-se à mesa deles São Bento Labre, “o anjo andrajoso”, no decurso da sua grande peregrinação. Já aos sete anos, o pequeno Jean-Marie mostrara uma inclinação tão evidente para a oração que se falara de fazer dele frade ou padre. Levava para os campos onde guardava algumas vacas uma imagenzinha de Nossa Senhora, que colocava no buraco de um salgueiro para se ajoelhar diante dela. Com a Revolução, viera a grande caça aos padres. O pequeno tivera de aprender o catecismo às escondidas e de fazer a primeira comunhão clandestinamente, numa casa com a porta e as janelas fechadas. E o espetáculo da resistência do clero francês à perseguição acabara de enraizar nele a vocação religiosa. Mais ainda: uma vocação para o heroísmo, o sacrifício, a grandeza espiritual.

Infelizmente, para ser padre e ter o direito e os meios de “ganhar almas para Deus”, não basta a boa vontade, não basta o impulso do coração: é preciso estudar, aprender latim, liturgia, teologia e tantas coisas mais! Nesse campo, Jean-Marie Vianney mostrara-se muito decepcionante. O seu cérebro, maravilhosamente capaz de fixar os fatos da vida prática e de penetrar nos seres, era radicalmente incapaz de armazenar as declinações latinas e as mais elementares noções de dogmática! Se não tivesse encontrado no seu caminho um homem para o compreender, não há dúvida de que nunca teria chegado a vencer os sucessivos obstáculos que o separavam do sacerdócio. Nos seminários de Verrières e, depois, no de Santo Ireneu, perto de Lyon, que fraca figura tinha feito o pobre pequeno! Mas M. Belley velara por ele, M. Belley, pároco de Ecully, abelha operária de uma dessas equipes de missionários que, em pleno Terror, o pe. Linsolas, vigário geral de Lyon, tivera a audácia de fundar. Graças a Belley, Jean-Marie conseguira receber o diaconado, em 1814, e, no ano seguinte (a 13 de agosto), a ordenação sacerdotal, na capela do Seminário Menor de Grenoble, algumas semanas depois da queda do Império. Coadjutor em Ecully, acabara de se preparar junto do seu mestre para uma existência sacerdotal inteiramente devotada às almas e também cheia de práticas de piedade e ascese: flagelações, jejuns, cilício. Era de Ecully que chegava, nesse entardecer brumoso de 9 de fevereiro de 1818, à minúscula aldeia de Ars. E lá iria ficar durante quarenta e um anos…

Fisicamente, era um corpanzil rústico, de andar pesado, rosto alongado e magro, cujas “maçãs” se iam adelgaçando até ao queixo esguio, e em que o nariz ossudo despontava sobre uns lábios finos. O único dado apreciável dos seus traços sem graça eram os olhos, olhos de um azul-cinzento, de uma limpidez e uma capacidade de concentração igualmente extraordinárias. Mais tarde, quando estiver no auge da sua celebridade, uma toleirona burguesa, vinda expressamente de Paris para admirar o grande homem, vendo-o assim, exclamará: “É só isto, o Cura d´Ars?!” Pois só isso, esse camponês bronco, mal vestido, com uma batina remendada e esverdeada à força de uso, esse homenzinho facilmente brincalhão e que se chamava a si próprio o burrinho ou o idiota da aldeia?! Como não deixar desconcertada uma parisiense! E essa reputação de ignorante, de caranguejo com orelhas de burro, que o seguia desde o seminário e que ele mesmo parecia cultivar com prazer…

Mas a verdade desse homem não estava aí. É óbvio que era exatamente o contrário desse minus habens, desse “primário intelectual” de que falariam os redatores da Idée libre. A inteligência não se mede só pela dose de conhecimentos livrescos que pode assimilar, e, quanto a tudo o que pertencia à vida e não ao impresso, Jean-Marie Vianney era uma inteligência fora de série. E, sobretudo, havia nele alguma coisa superior à inteligência: uma forma de “ver as coisas do alto”, como disse o cardeal de Bonald, um dom de intuição que escapava a toda a lógica, mas que se revelava quase infalível, uma grandeza que se impunha ao interlocutor mais obtuso ou mais hostil: numa palavra, uma força soberana, a par da simplicidade mais natural e da mais autêntica humildade. “Para crer na presença do Sobrenatural – pôde alguém dizer dele -, basta olhá-lo”. Todos os que o viram deram o mesmo testemunho da sua irradiação espiritual, da misteriosa “aura” que rodeava o seu corpo sem prestígio. Uma palavra resume tudo sobre a realidade profunda que o sustentava. Foi dita pelo bispo de Belley, num dia em que alguns padres deploravam diante dele, cheios de compaixão, a ignorância do seu confrade, a nulidade que era em matéria de teologia e de casuística: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”.

Assim era, pois, aquele que Ars-en-Dombes ia guardar durante quarenta e um anos seguidos, aquele que viria a identificar-se tão totalmente, tão plenamente, com essa ínfima aldeia, que iria como que ser absorvido por ela, perder até o nome de família a favor do seu pobre título, não ficando a ser, “tanto no futuro como no Céu”, nada mais que o Cura d´Ars. Quarenta e um anos, “e sempre contra vontade” – diz a excelente Catherine Lassagne, que o acompanhou no seu presbitério. Porque, torturado pela angústia de não ser digno da pesada missão de padre, esse humilde diante de Deus há de fugir da paróquia pelo menos três vezes, decidido a deixar o lugar “a alguém menos ignorante”, e serão os próprios paroquianos que o reterão, à custa de mil e uma astúcias. Quarenta e um anos de uma vida que, aparentemente, parecerá a mais banal, a mais monótona que se possa imaginar, mas na qual se desenrolará, num plano que já não pertence à terra, a aventura mística mais espantosa da sua época.

Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensangüentada, manchas vermelhas nas paredes… E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”…

Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a freqüentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?

E, no entanto, Jean-Marie Vianney não era grande orador; o que servia aos seus ouvintes não eram grandes trechos de eloqüência. Tinha a voz gutural; tendia a gritar; muitas vezes perdia o fio do discurso, parava e depois retomava a palavra fosse lá como fosse; por fim, como não sabia como acabar, cortava o sermão e descia do púlpito subitamente. Quanto à matéria dos sermões, nada tinha de original. O mesmo se diga da catequese, que dava a crianças e adultos várias vezes por semana. Não tinha escrúpulo em ir buscar material às coletâneas de Bonnardel, de Joly, de Billot, do pe. Lejeune, sermonários de largo uso na época, assim como ao catecismo do campo. Copiava um parágrafo aqui, outro acolá, harmonizava-os conforme podia; mas, sobre todo esse mosaico, punha a sua marca, transformando as frases excessivamente bem construídas em fórmulas simples, populares, com comparações e imagens que impressionavam o ouvinte. Por exemplo: para mostrar a ação do pecado na alma, comparava-o a uma mancha de azeite num pano de lã: mesmo que a lavemos dez vezes, não sai! E, ao passarem pelos seus lábios – todos os que o ouviram concordam nisto –, esses pobres sermões ganhavam um poder de sugestão extraordinário. Podia anunciar os castigos do Juízo Final, ou falar interminavelmente do amor de Deus pelos homens, da sua infinita misericórdia, que encontrava sempre, como por instinto, as palavras que iam até ao fundo das almas. E que dom de descobrir fórmulas! Pelo menos uma delas ficou a pertencer ao mais raro florilégio do pensamento cristão. Ouvindo certo dia uma viúva que estava angustiada porque o marido se tinha lançado ao rio e se afogara, e que tremia convencida de que ele se condenara, que lhe respondeu o Cura de Ars? Simplesmente isto: “Entre a ponte e a água, houve tempo para o arrependimento e o perdão”. Entre a ponte e a água…

Era assim o padre que a aldeia de Ars conservou por quarenta e um anos. O padre. E esta única palavra diz tudo. Porque Jean-Marie Vianney não foi senão um padre, um simples padre, todo ele entregue às almas, devorado pela sua missão, integralmente fiel à sua vocação. Nada mais que isso; nada menos que isso. Mas esse sacerdócio, que estivera a ponto de lhe ser recusado, fê-lo ele subir a um nível tão alto que se revelou inigualável. Nunca ninguém falou melhor que ele acerca do padre, da grandeza da sua função, do seu papel sobrenatural. “Ah! Como o padre é qualquer coisa de grande! O padre só poderá ser compreendido no Céu. Se o compreendêssemos neste mundo, morreríamos – não de terror, mas de amor… Depois de Deus, o padre é tudo! Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: hão de adorar os animais!

Mas também ninguém disse melhor que ele o que há de terrível para um homem em ser depositário do poder de Deus, em ter o direito de absolver e o de fazer o próprio Deus descer à hóstia. “Como é terrível ser padre!” – repetia muitas vezes –, e o seu rosto inundava-se de lágrimas. “Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” Um padre. Apenas padre. Aí reside o caráter extraordinário da sua aventura. Foi só por não ter sido nada mais que padre que Jean-Marie Vianney se tornou uma glória da terra, antes de ser um santo.

Sim. Pouco a pouco, ou melhor, bem depressa, o renome do Cura d´Ars transbordou do quadro estreito da sua minúscula paróquia. Chamavam-no aqui, ali, acolá, para falar, para confessar. E, sobretudo, espontaneamente, havia homens e mulheres que se lançavam à estrada, por terem ouvido dizer que, algures nos Dombes, numa aldeia perdida, havia um padre que falava de Deus, confessava, confortava. Menos de dez anos depois de ter chegado, a corrente de peregrinos que afluía a Ars tomara a força de um acontecimento, não somente regional, mas nacional e internacional. Calcula-se em 80.000, em média, os peregrinos que, ano após ano, e durante trinta anos, se sucederam em Ars. No último ano, que foi o da morte do santo, foram para cima de 100.000. A aldeia mais que duplicou. À volta da igreja, conforme se vê nas gravuras da época, multiplicaram-se as “pensões burguesas” e as lojas onde se vendiam objetos de devoção.

Quem eram esses que acorriam a Ars? Vinham de todos os países, pertenciam a todas as classes sociais. Aquele a quem os companheiros de seminário chamavam pobre de espírito, aquele de quem alguns colegas de sacerdócio troçavam por ser intelectualmente nulo, era procurado por homens notáveis que o vinham consultar: intelectuais de alto nível, almas comprovadamente espirituais, como, por exemplo, o pe. Lacordaire, preocupado com o futuro da sua Ordem, ou o pe. Chevrier, fundador, em Lyon, do Prado, ou o pe. Muard, que iria fundar os beneditinos da Pierre-qui-Vire, ou mons. Ségur, o bispo cego, ou mons. Ullathorne, inglês convertido, discípulo de Wiseman, por este enviado a Roma para resolver a questão do restabelecimento da Hierarquia na Inglaterra e que parou em Ars e chegou a pensar em nunca mais sair de lá… Não havia ninguém que não se retirasse consolado, encorajado, guiado. Ninguém que não pudesse dizer, como certo humilde vinhateiro do Mâcon: “Vi Deus num homem”.

Esse prodigioso afluxo teve, para o Cura d´Ars, uma conseqüência penosa. A sua vida tornou-se a vida de um forçado de Cristo, noite e dia preso a uma tarefa cuja amplitude ia além das forças humanas. É certo que lhe tinham dado um auxiliar, que, de resto, pelo seu temperamento, foi para ele, muita vez, ocasião de penitências suplementares… E até se constituiu um grupo de missionários destinado a ajudá-lo. Mas era ele, só ele, quem os inúmeros fiéis queriam ver; só a ele queriam confiar as suas misérias; só dele esperavam esperança e paz.

Então, devorado pelo zelo das almas, Jean-Marie Vianney fez-se escravo do confessionário. Nessa pequena caixa de madeira em que no inverno gelava e no verão abafava, passava horas, dias, meses, anos inteiros… Chegou a ficar lá dezoito horas seguidas! Também chegou a desmaiar, sufocado com a falta de ar e o mau cheiro. Os dias eram para ele “regulados como uma pauta de música”. Pouco depois da meia noite, ia para a igreja, de lanterna na mão. Já a multidão o esperava à porta e logo começava o desfile. Foi preciso organizar um serviço de ordem! As mulheres eram atendidas no confessionário, que ficava numa capela lateral. Os homens que não gostavam de ser vistos iam à sacristia. Os padres – o próprio bispo de Belley – ajoelhavam-se por trás do altar-mor. Quer a confissão fosse longa ou curta, a exortação do padre era sempre breve, mas bastava para que o penitente ficasse transtornado e, muitas vezes, se retirasse de rosto banhado em lágrimas. Nesse desenrolar atrozmente monótono de feios pecados, de impurezas grandes ou pequenas, só duas interrupções: uma, para a missa, pelas quatro da manhã; outra, para o catecismo, às onze. E isso durou mais de trinta anos…

Semelhante heroísmo seria ainda deste mundo? À volta desse homem de Deus, o sobrenatural surgia em tudo. Uma coisa era certa: ele tinha o dom de ler nos corações. Bem o descobriam à sua custa aqueles que tentavam trapacear com Deus, calar pesadas faltas, diminuir um pouco a conta dos anos em que não se tinham confessado: com um olhar, o padre trespassava-os como um raio de luz, e, em duas palavras, situava-os diante da triste verdade da sua miséria.

Veria ele ainda mais alguma coisa, outras realidades? Ferozmente mudo sobre este ponto, fugindo a todas as perguntas, recusava-se a dizer se era verdade que tivera visões de Nossa Senhora, de São João Batista, de alguns outros santos talvez, como insistentemente se dizia. “Uma impressão que tive muitas vezes – diz um dos seus íntimos, que freqüentemente o ajudava à missa – é que ele via aquilo que adorava”. Mas havia outro capítulo sobre o qual o santo era um pouco mais loquaz: o da luta terrível, que, por mais de trinta anos, sustentou com o adversário, o próprio Satanás, a quem chamava, com um termo saboroso, “le grappin” [“a fisga”], e que reconhecia ter encontrado tanta vez que eram “como dois velhos camaradas”. Quanto aos seus milagres, dos quais o processo de canonização consideraria uns trinta, todos eles tinham um ar de simplicidade que devemos dizer evangélica: multiplicação do pão para o orfanato da paróquia, cura de enfermos, leituras do futuro. Em todos eles se encontrava, como diziam os cristãos da primitiva Igreja, “o bom odor de Cristo”.

A glória humana acompanhou essa glória celeste, singularmente manifestada na terra. Os peregrinos de Ars difundiam-na ao longe e ao largo, de modo que vinham pelas estradas das Dombes curiosos, até descrentes, que, na maior parte dos casos, de lá voltavam adivinhados, confusos, demudados. A imprensa falava. Nas lojas próximas da igreja, vendiam-se estampas com a figura do santo cura, o que bastava para o fazer zangar-se: “É o meu carnaval”, dizia ele, mostrando-as. Pôs no olho da rua o escultor que teve a imprudente audácia de lhe pedir licença para fazer a sua estátua. Quando o bispo lhe enviou a murça de cônego honorário, o santo agradeceu-lhe muito amavelmente, mas logo vendeu o inútil ornamento e pôs o dinheiro ao serviço dos pobres. Quanto à Legião de Honra que o sub-prefeito de Trévoux conseguiu para ele, recusou-se evidentemente a colocá-la ao peito e imediatamente a deu de presente, visto que era um objeto sem valor comercial e inútil para as suas obras de caridade. Nada lhe iria faltar para entrar na lenda em vida. Nada: nem sequer a ácida inveja de alguns dos seus confrades, ou a gritaria daqueles a quem incomodava, ou até as cartas anônimas e as injúrias. A todos os ataques respondia afirmando que os piores tratamentos eram ainda suaves demais para um asno e um pecador da sua laia, o que deixava envergonhados os cínicos.

Nos últimos dias de julho de 1859, a morte, cuja chegada anunciara, veio arrancá-lo por fim à sua tarefa sem medida. Morreu na noite de 3 de agosto, de olhos voltados para o Céu, “com uma expressão extraordinária de fé e de felicidade”, no dizer de uma testemunha. E logo acorreram multidões, massas imensas de gente, em que se misturavam os ricos e os pobres, entre eles o novo bispo de Belley, que se deslocou a pé desde Meximieux, a quarenta quilômetros, “sem fôlego, comovido, rezando em voz alta”. Ars bem sabia que tinha acabado de perder um santo.

Fonte : Eclesia Una

Postado por Flos Carmeli às Sábado, Julho 18, 2009

“Com sua singeleza, pureza e entrega, N. Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade.” Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho (OCDS)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS)

A Mãe apresentada pelas Filhas – Nossa Senhora do Carmo

Diversos e diferentes títulos são ofertados Àquela que, em frações de segundos não hesitou em dizer o “Sim” mais importante da história da salvação e da humanidade. Com sua singeleza, pureza e entrega, Nossa Senhora trouxe ao mundo o Filho – o modelo acabado de perfeição e bondade. Após este momento fulgural toda uma teologia desenvolveu-se culminando com a morte e ressurreição de Jesus.

No Carmelo, a flor mimosa e bela, desde os remotos tempos do Profeta e Santo Elias, passando pela presença junto à São Simão Stock, tem sido sempre notada pela presença discreta e decisiva em importantes momentos da vida de diversos Santos e Santas.

Com a reforma Teresiana do Carmelo sempre ficou evidente o amor e carinho não somente da Madre como de São João da Cruz, mas também de suas filhas carmelitas à Virgem Maria. Então, como estas filhas se dirigiram a sua Mãe e Virgem do Carmo? Apenas para ilustrar esta relação de amor filial, de veneração e de carinho, podemos pelos frutos admirar ainda mais a frondosa árvore.

Durante seus poucos anos de vida no mundo, Teresa de Jesus dos Andes, nos apresenta uma Mãe generosa e uma guia espiritual. Nos diz: “Mãe minha, mostra que és minha Mãe. Ouve o grito de minha alma pecadora arrependida, que sofre e leva até o fim o cálice da dor. Mãe, consola-me, alenta-me, aconselha-me, acompanha-me e abençoa-me”. Ainda em outro momento de seus textos nos mostra algumas das virtudes da Virgem. Oh Mãe, celestial Madonna que nos guia. Tu deixaste cair de tuas mãos maternais raios de céu. Minha alma, extasiada a teus pés virginais, te escutava. Tua linguagem era terna, era de céu, quase divino”.

E como a Santa de Lisieux se dirigia a sua Mãezinha? Na poesia número 7, Canto de gratidão à Virgem do Carmo, ela nos ensina:

Desde o primeiro instante de minha vida
me tomaste em teus braços,
e desde aquele momento,
minha amada Mãe,
me proteges aqui na terra.
Para guardar intata minha inocência,
me escondeste em um suave e doce ninho,
guardaste minha infância
à bendita sombra
de um claustro retirado.

E mais tarde, ao chegar
minha juventude em seus primeiros dias,
escutei o chamado de Jesus.
Me mostraste o Carmelo
com inefável ternura.
“Venha imolar-te por teu Salvador
– me dizias, então com doçura –
perto de mim te sentiras feliz,
Venha imolar-te por teu Salvador”

Perto de ti, oh minha terna Mãe,
encontrei a paz do coração,
nesta terra nada mais desejo,
Só Jesus é toda minha ventura.
Se alguma vez me assaltam
a tristeza ou o medo,
em minha debilidade, tu me sustenta
e sempre, minha Mãe, me abençoa.

Alcançai-me a graça de manter-me fiel
a meu divino Esposo, Jesus
Para que um dia
eu escute sua voz doce
quando eu voar me convide a sentar-me
entre seus eleitos.
Então já não haverá
nem desterro, nem mais sofrimento.
Já no céu,
eu voltarei a cantar-te
meu amor e gratidão,
doce e amável Rainha do Carmelo.

Também podemos admirar e constatar a beleza da Mãe pelos dizeres da Beata Elisabete da SS. Trindade que tão bem expressou os seus sentimentos de amor a Virgem do Carmo, quando nos fala: “Quem mais terna, mais misericordiosa que Maria? Ela sofreu tanto por nós! Podia demonstrar-nos de modo melhor o seu amor? Vejo-a contemplando o seu Jesus morto que repousa em seus braços. Quanto sofre esse coração de Mãe! Seria eu capaz de recusar-lhe o meu consolo?”.

Assim, neste dia 16 pedimos a mimosa e admirável flor do Carmelo, Maria, que continue a abençoar com seu manto sagrado e com o Santo escapulário, a todas as suas filhas e filhos carmelitas e a todos que peregrinam rumo a morada celestial.

Professor Hercílio Martelli Júnior e Irmã Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus, OCD.

Publicado por Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS).

Santa Isabel da Hungria: “Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa.” – Terceira franciscana – Roberto Alves Leite (in “O Catolicismo)

Fonte: O Catolicismo

Santa Isabel da Hungria: nobreza e resignação heróica no infortúnio

Nos faustos da corte, piedade. Sob a calúnia e a perseguição, magnanimidade. Na opulência, caridade extremada. E, com a morte, a glória dos altares e da felicidade eterna.

Por Roberto Alves Leite

A vida de um santo é uma cruzada épica, em que ele põe todas as suas forças físicas e espirituais em ação. Quer se tenha convertido na maturidade, quer tenha sido aquinhoado desde pequeno com grandes dons, a partir do momento em que decidiu aprimorar-se nas virtudes e combater seus defeitos para alcançar a santidade o aspecto heróico passará a ser uma característica predominante em sua vida. Tal aspecto pode manifestar-se, às vezes, de forma surpreendente.
Quando Santa Isabel da Hungria nasceu, em 1207, cessaram todas as guerras em seu país natal. Seu pai, o Rei André II, da dinastia dos Arpades, e sua mãe, Gertrudes de Meran, descendente direta de Carlos Magno, tinham motivos para se alegrar por esta feliz coincidência.

Quatro anos depois, o Duque Herman, da Turíngia, enviou magnífica embaixada à Hungria para solicitar ao Rei a mão de Isabel para seu filho Luís, de onze anos.

Isabel passou a viver então na corte da Turíngia, onde, à medida que crescia, ia manifestando sua profunda piedade, que caracterizava todos os seus atos. Quando atingiu a adolescência, foi alvo de críticas da parte de nobres da corte, que a acusaram de ser muito religiosa, reservada, sem os traços mundanos que eles julgavam necessários para uma duquesa. Também diziam que ela iria arruinar o reino com as esmolas que dava.

Aos 13 anos, casou-se com Luís. Este tinha todas as qualidades de um autêntico cruzado, um verdadeiro defensor da Igreja. Em 1227 partiu para a Terra Santa como cruzado, com a elite de sua cavalaria, viagem da qual não haveria de voltar, pois morreu na mesma.

Hospedada no lugar dos porcos…

Viúva aos 20 anos, Isabel viu então a perseguição abater-se sobre ela e seus quatro filhos, um dos quais recém-nascido. O Duque Henrique, seu cunhado, que jurara protegê-la, expulsou-a do palácio com seus filhos e duas damas de honra, que lhe permaneceram fiéis. E proibiu à população recebê-la em suas casas.

Assim, em pleno inverno, Isabel viu-se obrigada a andar pelas ruas e bater de porta em porta, na esperança de que alguma alma caridosa se dispusesse a recebê-la. Só conseguiu entrar numa estalagem, onde o dono lhe destinou o lugar onde estavam os porcos, que foram removidos para ali ficar com seus filhos uma duquesa e princesa real.

No dia seguinte vagueou desamparada pela mesma cidade onde tantas pessoas se tinham beneficiado das esmolas que distribuíra com a prodigalidade que lhe era peculiar. Finalmente um padre, pobre também, resolve acolhê-la e dar-lhe certa proteção. Para que os filhos não morressem de fome, é obrigada a aceitar o conselho de deixá-los em mãos de outras pessoas.

Aparições do Redentor, de Nossa senhora e de São João Batista

Em sua vida de miséria e desamparo, Isabel sofreu muitas humilhações, tantas vezes vindas daquelas mesmas pessoas a quem muito tinha ajudado quando estavam necessitadas. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que a ninguém esquece, aparecia para consolá-la em suas aflições. São João Batista vinha confessá-la, e Nossa Senhora muitas vezes a visitava para a instruir, esclarecer e fortificar. Foi nessa ocasião que decidiu viver apenas para Deus.

Tendo chegado aos ouvidos de seus parentes, na Hungria, as provações por que passava, recebeu ela de seu tio, o Bispo-Príncipe de Bamberg, um castelo à altura de sua posição.

Além disso, os vassalos de seu finado marido, o Príncipe Luís, ao voltarem da Cruzada, dirigiram palavras duras ao usurpador, acusando-o de ter ofendido a Deus e desonrado o Ducado da Turíngia.

Isabel foi então reconduzida aos seus domínios, onde passou a exercer a caridade como desejava; e para melhor fazê-lo, decidiu recolher-se como terceira franciscana.

Virtude heróica: exagero para alguns…

Nesta situação, entretinha-se fiando a lã para dá-la aos pobres. Sua paciência e caridade não tinham limites. Nada a irritava ou descontentava. No atendimento aos doentes, nunca se viu tão maravilhoso triunfo sobre as repugnâncias dos sentidos. Era de espantar ver como a filha de um rei e viúva de um duque tratava os indigentes mais miseráveis. Até pessoas piedosas julgavam que ela exagerava em seus cuidados.

Seu pai, ao saber como vivia, enviou-lhe mensageiros para tentar retirá-la desse “estado miserável”. Ela lhes respondeu que, vivendo assim, era mais feliz que seu pai em sua pompa real. E retomou serenamente seu trabalho de tecer a lã.

Ela sabia unir, com rara felicidade, a vida ativa à contemplativa. Apesar das fatigantes obras de misericórdia a que se dedicava, sempre encontrava tempo para passar longas horas na oração e na meditação.

Era incansável na distribuição de benefícios materiais e espirituais. A um surdo-mudo ordenou, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dissesse de onde vinha; ao que ele imediatamente obedeceu, contando sua história. Do mesmo modo, cegos, possessos e estropiados eram curados.

Milagres atestam santidade antes e depois da morte

Tinha apenas 24 anos quando Nosso Senhor chamou-a a Si para premiá-la com a glória celestial. Na véspera da morte, sua fisionomia transformou-se. Seu olhar tornou-se resplandecente, manifestando uma alegria e felicidade que cresciam a cada instante. Quando exalou seu último suspiro, um delicioso perfume se espalhou pelo ar, ao mesmo tempo que um coro de vozes do Céu se fez ouvir em cânticos de júbilo. Era o dia 19 de Novembro de 1231.

A notícia de sua morte atraiu verdadeira multidão que desejava contemplá-la pela última vez antes de seu sepultamento. Eram pessoas de todas as condições sociais, que não se constrangiam em arrancar-lhe pedaços das vestes, mechas de cabelo, fragmentos de unhas, etc, guardando-os piedosamente como relíquias.

Para atender a todos foi necessário prolongar a exposição do corpo por quatro dias, durante os quais seu rosto se conservava como o de uma pessoa viva. Na noite que precedeu o enterro, o teto da Igreja se encheu de pássaros desconhecidos, que cantavam melodias inefáveis.

Após sua morte verificaram-se muitos milagres atribuídos à sua intercessão, como a cura de cegos, surdos, leprosos, coxos, paralíticos, etc. Isto suscitou um grande movimento popular pela sua canonização, o que muito contribuiu para que o Papa Gregório IX a elevasse sem demora à honra dos altares, fato ocorrido em tocante cerimônia no dia de Pentecostes, 26 de maio de 1235, decorridos apenas três anos e meio de seu falecimento.

Poucos dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, o Papa publicou a bula de canonização, que foi logo enviada aos Príncipes e aos Bispos de toda a Igreja.
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Fonte de referência:
Conde de Montalembert, Histoire de Sainte Élisabeth de Hongrie, Duchesse de Thuringe, Pierre Téqui, Paris, 1930.

Fonte: O Catolicismo.

Postado em Dezembro 10, 2007 by Feri.

Bento XVI reforça em sua Encíclica “Caritas in Veritate” o compromisso com os migrantes, os quais devem ser considerados sempre “homens e amigos” (Agência Fides – 10.07.2009)

WMCW: World Moviment Christians Workers
WMCW: World Moviment Christians Workers

Me preocupo muito com a situação dos trabalhadores estrangeiros na Europa; também pela razão de manter ligações pessoais estreitas com trabalhadores, homens e mulheres, os quais vivem e trabalham lá há muitos anos.

Encontrei um link muito interessante a respeito deste assunto, que envolve milhares de famílias, e em grande número, brasileiras. Gostaria que , tanto visitantes quanto leitores do “Castelo Interior”, repassassem o endereço eletrônico abaixo – é de um organismo internacional de apoio (como sinal de solidariedade) para pessoas que estão trabalhando na Europa. Em geral, buscam melhores condições de vida, já que seus países as abandonaram à própria sorte. Neste caso, provêm principalmente da Ásia e África. Estas, se veem obrigadas a deixar seus países de origem, muitas vezes porque suas famílias correm risco de vida.Fogem de conflitos étnicos (luta pelo poder), já que os direitos democráticos, quando existentes, são precários.

Outro tipo de trabalhador migrante é aquele que sonha com uma melhor qualidade de vida. Seu único pensamento é: “quero voltar a viver em meu país!”.

Osite a que me refiro é referência para trabalhadores migrantes na Europa: Movimiento Mundial de Trabajadores Cristianos (MMTC) – também disponível nos idiomas inglês, francês e alemão.

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Fonte: Agência FIDES

10.07.2009

Vaticano Bento XVI na Encícilica Caritas in veritate: “Todo migrante é um pessoa humana que, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que devem ser respeitados por todos e em toda situação”; após um século continua o compromisso com os migrantes considerados sempre “homens e amigos’

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em sua última Encíclica “Caritas in veritate”, o Santo Padre Bento XVI, tratando do desenvolvimento humano integral, se deteve sobre o fenômeno das migrações (n. 62), “fenômeno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problemáticas sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dramáticos que coloca às comunidades nacional e internacional”. Escreve o Santo Padre: “Podemos dizer que estamos diante de um fenômeno social de nossa época, que requer uma forte e consistente política de cooperação internacional para ser adequadamente enfrentada. Tal política deve ser desenvolvida a partir de uma colaboração forte entre os países de onde partem os migrantes e os países onde eles chegam; deve ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os vários setores legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias dos imigrantes e ao mesmo tempo, os das sociedades onde os imigrantes chegam. Nenhum país se pode considerar capaz de enfrentar, sozinho, os problemas migratórios do nosso tempo. Todos somos testemunhas da carga de sofrimentos, contrariedades e aspirações que acompanha os fluxos migratórios. Como é sabido, o fenômeno é de gestão complicada; todavia é certo que os trabalhadores estrangeiros, não obstante as dificuldades relacionadas com a sua integração, prestam com o seu trabalho um contributo significativo para o desenvolvimento econômico do país de acolhimento e também do país de origem com as remessas monetárias. Obviamente, tais trabalhadores não podem ser considerados como simples mercadoria ou mera força de trabalho; por isso, não devem ser tratados como qualquer outro fator de produção. Todo o imigrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser respeitados por todos em qualquer situação”.

A este fenômeno a Igreja se interessa diretamente há muito séculos. Jesus foi um migrante, por isso a Igreja sempre teve em seu coração o destino dos migrantes e a sua dignidade, considerando-os sobretudo, homens e amigos, e não estrangeiros. Em 1914 foi o papa São Pio X que instituiu o Dia Nacional das Migrações; o objetivo principal, naquele tempo de guerra, era o de estar unidos e solidários com aqueles que deixavam a Itália por causa do conflito mundial e das péssimas condições de vida. Desde 2004 o Dia Mundial das Migrações é celebrado em todo mundo, estendendo o seu campo de interesse, até considerar todas as pessoas envolvidas na mobilidade, incluindo os imigrantes e os deslocados, os ciganos, os circenses e os artistas de rua…

Foi São Pio X, em 1912, que fundou o primeiro organismo vaticano para os problemas das migrações, enquanto em 1970, Paulo VI instituiu a Pontifícia Comissão da Pastoral das Migrações e do Turismo, que em 1988 se tornou o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes; tarefa do Pontifício Conselho é o cuidado daqueles que “foram obrigados a abandonar a própria pátria”. Papa Paulo VI, em 1969 publicou uma Carta Apostólica em forma de Motu próprio, a Pastoralis Migratorum Cura, com a qual eram dadas novas disposições para a pastoral para os migrantes, delineando na Igreja uma atenção particular ao migrante e ao homem, segundo o momento histórico, as suas necessidades e complexidade. Depois de cerca 35 anos, as suas sugestões foram atualizadas, em 2004 pela Instrução Erga Migrantes Caritas Christi do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, na qual os sinais dos tempos e as mudanças das modalidades das migrações são olhadas com espírito renovado e com a certeza que uma unidade e uma comunhão entre os povos é possível, no recíproco respeito e na defesa da dignidade e da vida humana em todas as suas formas e cores.

Ao Magistério da Igreja em relação ao fenômeno das migrações, a Agência Fides dedica o dossiê que será publicado sábado, 11 de julho. (S.L.) (Agência Fides 10/7/2009)