“Ama o teu próximo como a ti mesmo” – Papa Bento XVI – Oração Mariana do Angelus (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

20/02/2011

“Ama o teu próximo como a ti mesmo” – reflexões teológicas em volta das leituras deste domingo, tecidas pelo Papa, ao meio dia, na Praça de São Pedro, por ocasião da Oração Mariana do Angelus

“Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Nas palavras pronunciadas este domingo por ocasião da oração mariana do Angelus, Bento XVI percorreu textos bíblicos e autores antigos como São Cipriano e Giovani Climaco para ilustrar a vontade de Deus de nos tornar participes da sua santidade. “sede santos, porque eu, o vosso Senhor, vosso Deus, sou santo” – disse citando o Livro do Levítico. Um apelo de Deus ao seu povo que encontramos também em Jesus feito homem com a mesma força e veemência: “sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste”. Perfeição que significa – disse o Papa – viver como filhos de Deus cumprindo concretamente a sua vontade. À paternidade de Deus deve corresponder um comportamento de filhos de Deus” recordava por sua vez São Cipriano.
Mas, “de que modo podemos imitar Jesus – perguntou-se o Papa que logo respondeu citando São Mateus: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem a fim de ser filhos do vosso Pai que está nos Céus”. Quem acolhe o Senhor na sua própria vida e o ama com todo o coração é capaz de um novo início. Consegue cumprir a vontade de Deus: realizar uma nova forma de existência animada pelo amor e destinada à eternidade” – acrescentou o Papa.

Bento XVI passou depois às palavras em que São Paulo recorda aos Coríntios que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita neles. Se tivermos realmente consciência disto – sublinhou o Papa – o nosso testemunho será claro, eloquente e eficaz. E aqui recorreu ao escritor medieval Giovanni Clímaco que diz “Quando todo o ser da pessoa humana se misturar, por assim dizer, com o amor de Deus, o esplendor da sua alma se reflecte também no aspecto exterior, na totalidade da sua vida”
E foi pelas palavras do Livro da Imitação de Cristo que conclui a sua reflexão teológica, dizendo:
“Grande coisa é o amor, um bem que torna leve as coisas pesadas e suporta tranquilamente as coisas difíceis. O amor aspira a ascender ao alto sem se deixar reter por nada que é terreno. Nasce de Deus e só em Deus poderá encontrar repouso”

Recordando já no final da sua alocução que depois de amanhã 22 de Fevereiro é a festa da Cátedra de São Pedro, o primeiro dos Apóstolos a quem Cristo confiou a tarefa de Mestre e Pastor, Bento XVI exortou todos os pastores de hoje a “assimilarem aquele “novo estilo de vida” que foi inaugurado por Jesus e que os apóstolos fizeram próprios.
Por fim invocou a Virgem Maria, Mãe de Deus a fim de que nos ensine a amarmo-nos uns aos outros e a acolhermo-nos como irmãos, filhos do Pai Celeste.

Publicado em Rádio Vaticano.

“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas” – Papa Bento XVI em Audiência Geral (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

16/02/2011

São João da Cruz – tema da audiência geral desta quarta-feira

(16/2/2011) Bento XVI apelou hoje à “purificação” da humanidade, afirmando que a santidade não é “privilégio” de poucas pessoas.
Na audiência publica semanal, realizada na manhã desta quarta feira o Papa apresentou uma reflexão sobre São João da Cruz, espanhol nascido em 1542 e falecido em 1591, religioso carmelita que é visto como uma das referências da história da espiritualidade da Igreja Católica
O Papa destacou o facto deste santo ser “um dos mais importantes poetas líricos espanhóis” e disse que as suas obras propõem “um caminho de purificação da alma pela acção misteriosa do Espírito Santo até à união do amor com Deus”.
“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas”, prosseguiu.
Para Bento XVI, “a santidade não é um privilégio de alguns, é a vocação a que cada cristão é chamado”.
Escutemos Bento XVI falando em português:
“Queridos irmãos e irmãs,
Há duas semanas apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus; hoje gostaria de falar de São João da Cruz, reformador junto com ela da Ordem Carmelita. Nasceu em uma família pobre, tendo ficado órfão de pai ainda jovem. Devido às suas qualidades humanas e resultados no estudo, foi admitido no Colégio dos Jesuítas em Medina do Campo. Terminada a sua formação, decidiu fazer-se Carmelita. Após ter sido ordenado sacerdote, conheceu Santa Teresa, a qual lhe expôs o plano reformador para a sua ordem religiosa, que daria origem aos Carmelitas Descalços. Contudo, a sua adesão à reforma, devido a injustiças e incompreensões, causou-lhe muito sofrimento. Por fim, depois de fazer parte do governo geral da família teresiana, morreu em 1591 [mil quinhentos e noventa e um], dizendo aos seus confrades que recitavam o Ofício Matutino: “Hoje vou cantar o Ofício no céu”. Suas principais obras, nas quais apresenta a sua profunda doutrina mística, são: Subida ao Monte Carmelo; Noite Escura; Cântico Espiritual e Chama viva de Amor.

Amados peregrinos de língua portuguesa: a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!”
Após a catequese, Bento XVI saudou as Missionárias da Caridade, congregação religiosa fundada pela “inesquecível” Madre Teresa de Calcutá, agradecendo-lhes pelo seu “alegre testemunho cristão”.
Presentes na grande aula das audiências do Vaticano, com capacidade para mais de seis mil pessoas, estavam também os coordenadores regionais do chamado «Apostolado do Mar», a quem o Papa encorajou a “encontrar respostas pastorais adequadas aos problemas dos marítimos e das suas famílias”.
Ainda nas saudações em italiano, Bento XVI dirigiu-se aos representantes de uma instituição bancária, pedindo “um compromisso cada vez maior ao serviço das verdadeiras necessidades sociais”.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Teresa de Jesus… Como poder chamar-te ‘Madre’?” – Irmã Maria Elizabeth da Trindade, OCD (Testemunho – OCDS – Província São José – Sudeste)

Fonte: Ordem dos Camelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José

TESTEMUNHO

domingo, 13 de fevereiro de 2011

TERESA DE JESUS…COMO PODER CHAMAR-TE “MADRE”?

Irmã Maria Elizabeth da Trindade, ocd – Carmelo São José, Passos, Brasil

Quando entrei para o Carmelo, há cerca de 30 anos atrás, me admirei com que carinho as Irmãs chamavam Santa Teresa de “nossa Santa Madre”. Contudo os meses foram passando e eu não conseguia me sentir “sua filha”, pois além de não a conhecer, achava seus livros muito difíceis de serem entendidos, confusos com tantas digressões e me causavam medo suas graças místicas. Interessava-me grandemente por Santa Teresinha e Santo Padre João da Cruz e neles encontrava meu deleite e o alimento necessário para minha caminhada como formanda. Os primeiros anos foram de luta para tentar entender e amar a Santa Madre.

Um dia, em plena novena em preparação à sua solenidade, pedi-lhe a graça de a conhecer e amar. Fui atendida com tanta eficácia que fiquei impressionada. Naqueles dias nos chegou um dos primeiros números da Revista “Teresa de Jesus”, vinda diretamente da Espanha, e nela me deparei com o comentário ao Caminho de Perfeição, feito pelo Padre Tomaz Alvarez. Comecei a ler e a acompanhar em cada número da Revista esta seção. Imediatamente se me abriu o horizonte de compreensão da vida e doutrina da Santa Madre. Comecei a compreendê-la e a me identificar com ela de tal forma que já não queria ler outros livros. Quando chegava a Revista Teresa de Jesus eu a devorava, assim como os bons livros – quase todos em espanhol – que tínhamos na nossa biblioteca. Foi uma paixão que mudou minha vida.

Santa Madre passou a ser para mim uma verdadeira “mãe e mestra”. Suas lutas, seu dinamismo, sua força, sua coragem e todo o seu jeito de ser me encantaram e me marcaram. Ela tornou-se para mim um referencial de conduta no caminho, uma amiga com quem eu posso contar e que vai soprando aos meus ouvidos as respostas que procuro em minha vida e missão. Contudo, o que mais me faz próxima desta “tão boa Mãe” é a contemplação de sua oração. Vê-la tão absorta em Deus e tão apaixonada pela Igreja me faz sentir que estou no caminho certo e aumenta em mim o desejo de trilhar por estas sendas de amor e de serviço. Sua fé no impossível que se faz possível, seu próprio esquecimento para haurir forças no interior e realizar a vontade de Deus, sua alegria e bom humor, enfim sua vida vibrante ultrapassou os séculos e se tornou paradigma para todas as mulheres de todos os tempos, especialmente para suas filhas.

Penso que nestes tempos de relativismo, quando tantos contra-valores insistem em penetrar na vida de nossos mosteiros, a Santa Madre Teresa tem seu lugar privilegiado e insubstituível em nossas vidas. Sem seu testemunho e sua presença entre nós será muito difícil descobrirmos caminhos para vencer os obstáculos e sermos fiéis.

Que a Santa Madre nos alcance de Deus esta determinação e dinamismo, esta profundidade e fé, mas sobretudo, este abrasado amor que nos faz caminhar! Amém!

Publicado em OCDS – Província São José.

“Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila” – Catequese do Papa Bento XVI para a audiência geral (Flos Carmeli)

Fonte: Flos Carmeli

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Catequese do Santo Padre Bento XVI – Tema : Santa Teresa de Jesus

Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila

Queridos irmãos e irmãs:

Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.

E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais.

Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila.

Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9).

A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor.

É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.

A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.

Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).

Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.

Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais,

Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,

Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.

CIDADE DO VATICANO, 02 Fev, 2011 – catequese dirigida aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana

Publicado em Flos Carmeli.

“Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.” Miguel Yañez – Pontifícia Gregoriana de Roma (Agência Ecclesia)

Fonte: Agência Ecclesia

“Igreja não pode calar a sua voz profética”

Miguel Yañez, professor de teologia moral da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, fala sobre a educação católica

Fórum EMRC

O padre Miguel Yañez, professor de teologia moral na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no Fórum de Educação Moral e Religiosa Católica.

Durante o encontro, realizado entre 28 e 30 de Janeiro, em Fátima, o religioso jesuíta proferiu duas conferências: «A fractura social: pobreza e as opções da Igreja» e «A fractura ideológica: a sexualidade no contexto da antropologia cristã».

Em entrevista à agência Ecclesia, o professor de teologia moral afirma a importância que a Igreja tem na educação e o “papel profético” através dos seus ensinamentos e do testemunho dos cristãos

AE – As duas conferências que proferiu no Fórum EMRC focam duas fracturas, uma social e uma ideológica. Como é que elas se manifestam?

MY – Encontramos brechas numa sociedade pluralista, onde se destacam formas distintas de ver a pessoa humana e as suas relações.

Encontramo-nos numa sociedade onde a globalização se impõe e que é uma conquista. Mas precisamos distinguir entre estas conquistas, que são irreversíveis e representam uma grande oportunidade para toda a humanidade e para a Igreja, do que podemos chamar de uma certa ideologia que parece estar na base de auto poderes que actuam na sociedade e impõem um certo modo de ver a vida, de ver a pessoa, e deixa um pouco a desejar, pelo menos do ponto de vista cristã e humano.

Crescemos muito no século XX, no que à tecnologia e ciência diz respeito. Contudo parece-me que a humanidade tem de dar um salto qualitativo sobre a moralidade pessoal e social.

AE – Que papel tem a Igreja no meio destas duas fracturas?

MY – Antes de mais tem um papel profético com os seus ensinamentos e também com o testemunho dos cristãos. A Igreja não pode calar a sua voz mas, sobretudo através de todos os cristãos inseridos na sociedade, deve tornar presente um estilo de vida que me parece ser, naturalmente, contra-cultural.

No meu entender, (a Igreja deve optar por) um estilo de vida marcado pela promoção da pessoa, diferente do individualismo reinante que tem sido estimulado e tem sido veiculado pelos meios de comunicação social.

AE – A opção preferencial pelos pobres é indicada pelo magistério da Igreja. Como propor esta opção em âmbito escolar?

MY – A formulação da opção preferencial pelos pobres é nova mas a ideia subjacente é sublinhada em toda a Escritura, em especial no Evangelho. Contém uma carga humanista e ética, que filósofos e também políticos incorporaram com outros termos.

Se uma sociedade deseja realmente ser justa – creio que é algo inquestionável – tem de colocar no centro da sua preocupação os mais desfavorecidos e desprotegidos.

Uma sociedade de capitalismo pós-industrial gera uma massa de gente que é expulsa do mercado laboral, do mercado de produção e de consumo. A sociedade não sabe o que fazer com estas pessoas. Como integrá-las nesta dinâmica vertiginosa de crescimento económico, mobilizado pela tecnologia que oferece oportunidades inéditas na história da humanidade – pensemos por exemplo na Internet, nos meios de comunicação social?

Tudo isto é uma grande batalha com uma brecha imensa. É uma questão que agrava a dignidade da pessoa humana.

AE – E como se pode propor a opção pela pobreza em ambiente escolar, tanto na pedagogia como nos conteúdos?

MY – Tem de ser uma proposta a vários níveis. Primeiro temos de mudar de paradigma na actividade profissional. A excelência é, no fundo, um meio para alcançar um êxito pessoal e alcançar uma competitividade que se revela selvagem.

A Igreja tem aqui de propor uma excelência baseada na solidariedade, como afirmou o Papa João Paulo II e o próprio Bento XVI.

Por outro lado são necessárias estratégias concretas e contactos reais com situações de pobreza, com as pessoas que estão excluídas: o voluntariado tem crescido muito, em especial na Europa, e pode ser uma resposta na ajuda do conhecimento de uma realidade que esperamos, depois, possa envolver as pessoas, cada uma no seu local de trabalho e no âmbito da sua profissão.

Precisamos de mudar de sistema, o que será muito difícil. Ou pensar na correcção do actual para que realmente possa ser mais humano.

AE – A educação insere-se nesta fractura ideológica que traçou, no contraste entre a proposta da Igreja Católica e do Estado. Em Portugal vivemos uma situação de constrangimento orçamental que põe em causa a coexistência de duas propostas. Que consequências pode esta situação trazer para o futuro da educação e da sociedade?

MY – Não conheço a situação portuguesa, mas posso falar no que acontece na Argentina. O serviço que a Igreja presta na educação é de caridade. Não porque nós o dizemos, nem pela quantidade de pedidos dos alunos que recebemos.

É um serviço oferecido a todos os níveis sociais que a Igreja desenvolve, um trabalho de integração social muito importante. E também de qualidade, sobretudo nos níveis populares, onde, pelo menos no meu país, a oferta estatal é deficiente.

Se realmente queremos uma promoção dos mais pobres e mais débeis, a educação é uma arma imprescindível. A Igreja, oferecendo um serviço social não deveria ser penalizada e descriminada, mas antes apoiada. É preciso inteligência na concepção política de uma sociedade.

AE – A Igreja pede também aos cristãos que ajudem a sobrevivência destas escolas. Até que ponto a proposta cristã da educação é valorizada?

MY – É fundamental. Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.

LS

Publicado em Agência Ecclesia.

As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus . A solidariedade do Papa aos doentes de lepra e apoio aqueles que os curam , e o pedido de projectos concretos de paz para a Terra Santa

(30/1/2011)

Dirigindo-se aos milhares de pessoas congregadas ao meio dia na Praça de S. Pedro para a recitação do Angelus, Bento XVI comentou o Evangelho deste quarto domingo do Tempo Comum que apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige á multidão das suaves colinas á volta do lago da Galileia.
Jesus proclama bem aventurados “os pobres que o são no seu intimo, os aflitos, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os puros de coração, os que sofrem perseguição”….
Não se trata – salientou o Papa – de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do alto e toca a condição humana, precisamente aquela que o Senhor incarnando-se quis assumir, para a salvar.

As bem-aventuranças são um novo programa de vida para nos libertarmos dos falsos valores do mundo e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros. De facto quando Deus consola, sacia a fome e sede de justiça, enxuga as lágrimas dos aflitos, significa que, para além de recompensar cada um de maneira sensível abre o Reino dos Céus. As Bem aventuranças são a transposições da cruz e da ressurreição para a existência dos discípulos , disse o Papa citando uma passagem do seu livro “Jesus de Nazaret”.São espelho da vida do Filho de Deus que se deixa perseguir, desprezar até á condenação á morte, para que seja dada a salvação aos homens.

Bento XVI salientou depois que o Evangelho das bem-aventuranças se comenta com a própria historia da Igreja, a historia da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – “o que é fraco, segundo o mundo, é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que é vil e desprezível no mundo, é que Deus escolheu como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são” ( 1 Cor 1,27-28) .
Por isso a Igreja não teme a pobreza, o desprezo, a perseguição numa sociedade muitas vezes atraída pelo bem estar material e pelo poder mundano – disse Bento XVI a concluir.

-Depois da recitação do Angelus o Papa recordou que neste domingo se celebra o dia mundial dos doentes de lepra, promovido nos anos 50 do século passado por Raul Follereau e reconhecido oficialmente pela ONU.
“A lepra, – salientou Bento XVI- embora esteja a regredir, infelizmente atinge ainda muitas pessoas em condições de grave miséria. A todos os doentes asseguro uma oração especial, que estendo a todos aqueles que os assistem e de varias maneiras se empenham a vencer o morbo de Hansen. Saúdo em particular – acrescentou o Santo Padre – a associação italiana dos Amigos de Raul Follereau que completa 50 anos de actividade

Bento XVI recordou ainda que nos próximos dias em vários países do Extremo Oriente se celebra com alegria, especialmente na intimidade das famílias, o novo ano lunar. A todos aqueles grandes povos o Papa desejou de coração serenidade e prosperidade.
Outra efeméride á qual Bento XVI quis referir-se foi a jornada internacional de oração pela Paz na Terra Santa.
Associo-me – disse o Santo Padre – ao Patriarca Latino de Jerusalém e ao Custodio da Terra Santa no convite dirigido a todos, a pedir ao Senhor para que faça convergir as mentes e os corações para projectos concretos de paz.
Simbolicamente, no final do Angelus, duas crianças lançaram pombas brancas desde a janela do apartamento do Papa, sobre a Praça de São Pedro, numa iniciativa promovida pela Acção Católica de Roma.

Publicado em Rádio Vaticano.

São João da Cruz: mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro – Estudo – Ir. Andréa dos Santos Lourenço (Discípulas de Jesus Eucarístico)

Fonte:  Discípulas de Jesus Eucarístico –  http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/pastoral_vocacional.html

Poesias -Por São João da Cruz – “Noite Escura” – http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/poesia-05-out11.html. Por Ir. Andréa dos Santos Lourenço – “Paradoxos” – “Releituras”  – Estudo “São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro”.

ESTUDO

São João da Cruz:

Mistagogo do homem
e da mulher
à procura do Deus verdadeiro

João da Cruz: um homem que orienta a busca do Deus verdadeiro para o homem e a mulher de hoje
Um homem que viveu há quase meio milênio, em que pode contribuir para as pessoas do terceiro milênio?
Sem dúvida, São João da Cruz ilumina a busca de Deus, do Deus verdadeiro, que realmente preenche o vazio e restitui O SENTIDO à existência humana.A atualidade do seu pensamento está na resposta satisfatória que ele consegue dar às angústias dos homens. Tenta penetrar o coração do homem e acalmá-lo nas suas revoltas, apresentando o ideal da unidade: DEUS. A situação “do homem”, de São João da Cruz, é a de homem de sempre: a busca do Absoluto, o ideal da perfeição, da libertação do nada, o encontro com o TUDO (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz vem nos dizer que somente Deus pode plenificar o coração do homem. Ele é uma pessoa que faz a experiência do Absoluto em sua própria vida e, como um grande Mistagogo, consegue, a partir da própria experiência, nos conduzir seguramente a Deus. A busca de Deus é também busca de unidade interior. Porém, esta é uma busca árdua, difícil que exige força de vontade e empenho. É a ascese de que nos fala Platão no ilustre “Mito da Caverna”, referindo-se à alma que, saindo da caverna das suas sombras, quer contemplar não mais apenas as sombras, mas as realidades em si mesmas; quer não apenas reflexos de luz, mas, ao contrário, quer poder contemplar o próprio sol. Aquele que sai da caverna, num primeiro impacto com a claridade pode querer deixar a luta iniciada e permanecer nas sombras, temendo o enorme grau de esforço que será necessário empreender para acostumar-se definitivamente com a luz e, um dia finalmente, poder suportar olhar para o sol. Mas o desejo de “plenitude” o impulsionará em sua busca e não o deixará desanimar, pois o ser humano tem sede de infinito, tem sede de Deus.
João da Cruz nos ensina com a própria experiência que vale a pena a busca apesar das dificuldades. É necessário ter claro diante dos olhos o ideal, a meta e investir tudo para atingi-la. Ele mesmo era um homem feliz, porque sabia onde queria chegar: tinha clareza de objetivos. Ele não vive simplesmente por acaso, mas vive e sabe porquê de seu viver. Mesmo em meio às adversidades, aos contrastes sombrios e turbulentos da vida, ele não desanima. Continua caminhando tranqüilo e sereno porque as dificuldades não lhe ofuscam a visão, e seu ideal continua visível aos olhos. Mesmo nas “noites” Deus continua resplandecendo em sua vida e na vida de todo homem, mesmo se, aparentemente dê a sensação de estar ausente.

A dificuldade da busca e a certeza do encontro

No cárcere, em Toledo, na experiência dura da incompreensão de seus confrades, na experiência do aparente silêncio e abandono de Deus, João sabe que a ausência é realmente aparente, e a sua se torna uma solidão “povoada” por Deus.
Aquela eterna fonte está escondida,
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda origem dela vem,
Mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
E que ninguém pode nela a vau passar,
Mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
E sei que toda luz dela é nascida,
Mesmo de noite.

Sei que tão caudalosas são suas correntes,
Que céus e infernos regam, e as gentes,
Mesmo de noite.

A corrente que desta fonte vem,
É forte e poderosa, eu sei-o bem,
Mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
Sei que nenhuma delas a precede,
Mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
Que nela se saciam às escuras,
Mesmo de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida já a vejo,
Mesmo de noite.

João permanece fiel a Deus e o deseja, o busca porque é convicto de sua presença. Ele SABE que mesmo na escuridão pode confiar que a sua fonte está presente e que ele pode dela beber e saciar-se abundantemente. É o que lhe dá sustento na caminhada.

A Pós-Modernidade e a “privatização do divino”

A busca do transcendente excessivamente valorizada na Pós-Modernidade é uma busca em muitos aspectos egoísta, reflexo da atitude de um mundo onde o individualismo floresce vicejante no campo da competição pelo poder, pela riqueza e pelo status. Busca-se o privado, aquilo que satisfaz o indivíduo sem levar em conta o coletivo, a comunidade.

“A individuação de Deus na experiência privada da vivência da fé conduz ao desconhecimento do outro, porque satisfaz por si mesma… Uma atitude coerente com a busca da felicidade pessoal, recusa de sacrifícios pelos outros, liberação das imposições tradicionais, hedonismo no plano afetivo… A complexidade e diversificação deste espaço multifacetado para a vivência da fé possibilita que o indivíduo, nas suas reações, tenha como centro a si mesmo, caracterizando o individualismo”. (MOL, Joaquim Giovanni. In: Individualismo cultural e vivência da fé – dissertação de mestrado).

“O excessivo sucesso do esoterismo, da parapsicologia, mentalização psicológica, Yoga, para chegar à paz interior não é outra coisa que a tentativa de substituir a Deus. Estes meios, todavia, não são capazes de reunificar o homem, de alcançar-lhe a harmonia na qual foi criado e para a qual tende após a Redenção. O menor dos danos que essas pseudo-doutrinas podem gerar é a desembocadura em um naturalismo puro, que não liberta de nossas escravidões e limitações. O homem novo não é construído em cima de sua própria natureza, em cima de seu próprio barro. Ele nasce da postura de permanecer como objeto a ser remido por Deus” (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz: abertura a Deus que não exclui o próximo

São João da Cruz não se fecha em si mesmo na sua experiência de Deus. A sua é uma experiência relacional com Deus que se prolonga no outro. A sua [experiência] não é uma busca egoísta de Deus para aprisioná-lo em si mesmo. Ao contrário, ele se torna mistagogo. Nos ajuda a fazermos também nós o nosso encontro com o Deus verdadeiro. Ele é uma pessoa feliz, realizada, que sente a necessidade de comunicar sua experiência, deixar que ela transborde para que outros possam se beneficiar.
O Deus ao qual João nos conduz é um Deus próximo. Está tão perto de nós, que habita dentro de nós e nos leva para dentro de si. Contudo, não nos aprisiona, nem nos escraviza, mas nos propõe uma relação de liberdade. Precisamos descer ao fundo de nós mesmos e encontrá-lo. Ele está escondido em nosso ser. Essa busca do divino no mundo atual, mostra justamente esta realidade: O Amado atrai como um ímã, quer ser buscado e quer ser encontrado.

Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo, fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, por ventura virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu Amado.
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado.

Extingue os meus anseios
Porque ninguém os pode desfazer
E vejam-te meus olhos
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.

(Cântico Espiritual – Granada 1584 – 1586)

João orienta a busca do Deus que ele denomina como AMADO. Porém, é preciso silenciar tudo em nós para iniciarmos a busca e encontrarmos Deus.
Deus sabe que o coração do ser humano tem sede de infinito, tem sede de beber da fonte na qual tem sua origem. O coração humano vive na procura nostálgica de sua origem e estará “inquieto e insatisfeito enquanto não repousar em Deus”.
O homem e a mulher de hoje procuram Deus e muitas vezes tem a ilusão de o terem encontrado em realidades que não são, de fato orientadas para o DESEJADO, o AMADO, como O chama São João.
São João da Cruz pode orientar este homem e esta mulher inquietos na busca de Deus.
Às vezes nos é transmitida uma falsa imagem da figura deste santo, ao ponto de nos parecer inacessível e inatingível. Mas, ao contrário, São João da Cruz é uma pessoa muito próxima de nós. Viveu seu cotidiano buscando, com toda a sua energia a Deus. Também ele experimentou e sentiu o “silêncio de Deus” e dos homens.
O segredo dele está no fato de ter claro o que realmente queria. Era convicto do amor, da bondade e da presença de Deus. Era convicto de que Deus é fiel e nele se pode confiar e esperar, mesmo de noite.

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Autoria:

Ir. Andréa dos Santos Lourenço ( http://pt-br.facebook.com/irmaandrea.dossantoslourenco)

Discípulas de Jesus Eucarístico.

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011 (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

INTENÇÃO MISSIONÁRIA

29.01.2011

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Durante sua vida terrena, Jesus sempre esteve próximo ao sofrimento humano. A experiência da cura dos enfermos ocupou boa parte de sua missão pública. Para Ele levaram os doentes, os aleijados, os cegos e leprosos. Uma cadeia de dor vivida muitas vezes na exclusão social e considerado o resultado do pecado pessoal ou de seus pais (Cf. Jo 9, 2). Santo Agostinho amava chamar Jesus de “o médico humilde”. Ele passou pelo mundo fazendo o bem e curando as doenças. Bento XVI disse: “Apesar de a doença fazer parte da experiência humana, a ela não conseguimos nos acostumar, não só porque às vezes é realmente pesada e grave, mas essencialmente porque somos criados para a vida, para a vida completa. Justamente, o nosso instinto interior nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, aliás, como Vida eterna e perfeita (Angelus de 8 de fevereiro de 2009). Às vezes a dor e impotência causada pela doença podem colocar à prova a fé. Os fiéis têm o dever de ajudar seus irmãos a encontrar o significado do sofrimento na cruz de Jesus Cristo e continuar a rezar para pedir a Deus a graça de “saber sofrer”. Precisamos ser  para eles a proximidade de Deus na dor. Diante da pergunta colocada pela doença, Deus respondeu em Cristo Jesus: “Deus – que nos revelou seu rosto – é o Deus da vida que nos liberta de todo mal. Os sinais de sua força de amor são as curas que realiza demonstra assim que o Reino de Deus está próximo, restituindo aos homens e mulheres sua integridade de espírito e corpo” (Bento XVI, ibid). Mas essas curas físicas não um fim a si mesmo. São sinais que falam da necessidade de uma cura mais profunda. A doença mais grave que afeta os seres humanos de todos os tempos é a ausência de Deus, fonte da verdade e do amor. Em Cristo, Deus se tornou Bom Samaritano para nós. Através da encarnação tornou-se o “nosso próximo”, ele nos pegou sobre seus ombros de Bom Pastor e nos trouxe para a estalagem, que é símbolo da Igreja. Ele curou as nossas feridas com o óleo dos sacramentos, para recuperar a nossa saúde. Falando do sentido pleno do ministério de Cristo, o Papa afirma que “só a reconciliação com Deus pode nos dar a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem Amor sem verdade não seria a vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e do amor, e assim é cura no profundo de nosso ser. Entende-se, portanto, porque a sua pregação e as curas que faz estejam sempre unidas: formam uma única mensagem de esperança e salvação” (Bento XVI, ibid.). O ministério de Cristo continua na Igreja. Ela continua a curar o ser humano com a graça dos sacramentos, enquanto, envolvida em milhares de atividades beneficentes, atenua o dor daqueles que sofrem, sendo para eles a presença amorosa de Deus Rezemos para que muitos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – que cuidam dos doentes em várias partes do mundo, continuem sendo as mãos e o coração de Cristo para seus irmãos nos países de missão. “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. (Mt 25, 40). (Agência Fides 29/1/2011)

“Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar” – Artigo – Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

Fonte:  http://teresadejesus.carmelitas.pt/

Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar

Caminhar está na moda e é saudável. E o mundo está sulcado de caminhos que cruzam como chicotadas a pele do planeta. Caminham os que emigram procurando melhores condições de vida; caminhamos peregrinos por diferentes motivos; caminhamos para mantermos a linha; caminhamos ao passear pelos nossos parques e cidades.

E no dia em que temos de pegar na bengala, damo-nos conta de que caminhar é aprendizagem da vida, um sinal de liberdade e todo um sofrimento ou prazer, dependendo de que lado o vejamos.

Teresa gostava de caminhar. A sua vida abre-se aos nossos olhos com o episódio infantil da escapada a terras de mouros. Um episódio real e simbólico, do Caminho que Teresa fará ao andar (viver); ao morrer (ouvem-na dizer: “já chegou a hora desejada, já é tempo de que nos vejamos, Senhor meu, já é tempo de caminhar”).

Mulher andarilha por todos os caminhos, nunca vai só. Na infância, o companheiro foi seu irmão Rodrigo; em adulta, serão seus irmãs e irmãs que lhe seguem os passos, e, finalmente, quando morre, será esse Senhor, que a Si próprio Se definiu como Caminho, quem Se vai converter para ela em companheiro de viagem – na própria viagem e meta.

Um belo dia, brotará da sua ágil pena um “Caminho”, procurando o ideal da infância, porque nos recordará, ao Carmelo, que “viemos para morrer por Cristo”, e nele nos fará a grande confidência da sua vida: que a oração é um caminho, que este caminho é a vida e que esta vida é a verdade.

A imagem teresiana de um caminho que nos aperfeiçoa e que é, ao mesmo tempo, perfeito, torna-se acessível e atractiva para os que compreendemos que a oração é esse Caminho, e que orar é viver em companhia amorosa, lado a lado com os irmãos e com Jesus, sendo este “um caminho real para o Céu”. Cada passo que damos aproxima-nos um pouco mais da meta, a de ganhar um grande tesouro: Deus. Um Deus que “basta”, um “mar de maravilhas sem fim”, “uma formosura que contém em si todas as formosuras” …

E embora este caminho tenha os seus perigos e custe caminhar, “não parar até chegar à meta (o fim da vida), aconteça o que acontecer, custe o que custar, pareça bem ou mal aos outros, ainda que morramos no empenho, ainda que nos cansemos e… ainda que o mundo se afunde”, merece a pena suportar os incómodos e peripécias que nele se encontram.
A bagagem é leve, poucas coisas são precisas: “amor de umas para com as outras, despojamento das coisas criadas (liberdade) e verdadeira humildade”. O amor é-nos necessário a todos nós que caminhamos, para atenuar os choques inevitáveis e deixar que brote a amizade. O estar apaixonados por Deus e olhar o afecto pelas coisas com distância e respeito dá-nos uma grande liberdade. E a humildade, que é a verdade, ou seja, o reconhecimento de que não somos nem melhores nem superiores aos outros. Não precisamos de muito mais na mochila. É questão de convicções, desejos e propósitos.

O caminho é longo, árduo, custoso e “quem caminha, caminhará pouco e com trabalho se não tiver bons pés e coragem e ousadia nisso mesmo”, dirá João da Cruz. E o mesmo santo sentenciará que, para chegar ao cume, “é necessário estar apaixonado por Deus”.

Ambos, como guias experimentados descrevem-nos a meta, o cume, em termos de beleza irresistível: “só Deus basta” – dirá Teresa, e João responderá: “Por toda a formosura, nunca eu me perderei senão por um não sei quê que se alcança por ventura”.

E, enquanto caminhamos (vivemos), vamos trilhando a rota do Pai-Nosso, aproximando-nos cada vez mais da última paragem, essa que na petição orante soa como “livrai-nos de todo o mal”, essa que é sinónimo de felicidade, de bem-aventurança, de felicidade, de gozo. Essa que é encontro e abraço, e descanso e festa. Essa que é “chegar a casa”.
Teresa, andarilha por todos os caminhos, a ti que seguiste o Caminho e gostavas de caminhar, concede-nos um pouco da tua coragem para seguir o Mestre como tu fizeste.

Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

2010-12-18

Publicado em  Santa Teresa de Jesus -“Para Vós Nasci”

Situação dos Cristãos no Oriente Médio é Tema de Encontro do CMI (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

26/01/2011

SITUAÇÃO DOS CRISTÃOS NO ORIENTE MÉDIO TEMA DO ENCONTRO DO CMI

Genebra, 26 jan (RV) – “Construir comunidades em favor da paz justa entre homens e mulheres” é o tema da próxima sessão da Comissão Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) que se realizará de 16 a 22 de fevereiro próximo, em Genebra, na Suíça.

A comissão refletirá sobre a difícil situação dos cristãos no Oriente Médio e será apresentado o documento “Apelo ecumênico pela paz justa”, em vista do encontro ecumênico internacional pela paz que se realizará de 17 a 25 de maio próximo, em Kingston, capital da Jamaica.

O apelo pela paz, cujo documento foi escrito na assembleia do CMI realizada, em 2006, em Porto Alegre, convida a comunidade cristã no mundo a promover a paz justa e se baseia nas indicações emersas durante a Década Ecumênica “Vencer a violência”, concluída em 2010.

A Comissão Central deverá decidir o tema da 10ª Assembleia do CMI que se realizará, em Busan, na Coreia do Sul, em 2013. (MJ)

Publicado em Rádio Vaticano.

“Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e todas as pessoas que crêem em Cristo estão convidadas a rezar pelo dom da plena comunhão” – Papa Bento XVI (Rádio Vaticano – 19.01.2011)

Fonte/imagem /artigo: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (CONIC) – “18/01/2011 – Igrejas cristãs se unem em oração pela unidade

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Fonte: Rádio Vaticano

19.01.2011

CATEQUESE DO PAPA SOBRE SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Cidade do Vaticano, 19 jan (RV) – Bento XVI acolheu na Sala Paulo VI, no Vaticano, na manhã desta quarta-feira, dia de Audiência Geral, vários fiéis e peregrinos.

Na catequese de hoje, o Papa falou sobre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, atualmente celebrada em vários países do mundo. A Igreja no Brasil celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos entre o Domingo da Ascensão e o Domingo de Pentecostes.

“Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e todas as pessoas que crêem em Cristo estão convidadas a rezar pelo dom da plena comunhão” – frisou Bento XVI.

“A comunidade estava unida na escuta dos ensinamentos dos apóstolos, na comunhão, no partir o pão e na oração. Estes quatro elementos ainda são os pilares da vida de cada comunidade cristã e formam a base sobre a qual construir a unidade, progresso visível da Igreja” – disse ainda o Santo Padre.

O Papa frisou que “como discípulos de Cristo, todos nós devemos testemunhar ao mundo o Deus que se revelou a nós em Jesus Cristo, que nos trouxe a mensagem que orienta e ilumina o caminho das pessoas de todos os tempos”.

Bento XVI ressaltou a “importância de crescer a cada dia no amor recíproco a fim de superar as barreiras que ainda existem entre os cristãos”.

A seguir, o Pontífice fez um resumo de sua catequese em português, saudou os fiéis lusófonos presentes na audiência e concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Queridos irmãos e irmãs,

Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, cujo tema, neste ano, refere-se à experiência da primeira comunidade cristã, descrita nos Atos dos Apóstolos: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42). Aqui encontramos quatro características que definem a primeira comunidade e que constituem uma sólida base para a construção da unidade visível da Igreja: “Escutar o ensinamento dos apóstolos”, ou seja, o testemunho da missão, vida, morte e ressurreição do Senhor; “a comunhão fraterna”, isto é, dividir os próprios bens, materiais e espirituais; “a fração do pão” – a eucaristia – o ápice da nossa união com Deus e que representa a plenitude da unidade; e, finalmente, “a oração”, que deve ser a atitude constante dos discípulos de Cristo. Com efeito, o caminho para a construção da unidade entre os cristãos deve manter no centro a oração: isso nos lembra que a unidade não é um simples fruto da ação humana, mas é, acima de tudo, um dom de Deus.

Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afeto e alegria, exortando-vos a perseverar na oração, pedindo a Deus o dom da unidade, a fim de que se cumpra no mundo inteiro o seu desígnio de salvação! Ide em paz!

Publicado em Rádio Vaticano.

O Papa no Angelus recorda que também “o Filho de Deus era um refugiado”, e reza pelas populações atingidas pelas inundações na Austrália, Brasil, Filipinas e Sri Lanka (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

17.01.2011

VATICANO – O Papa no Angelus recorda que também “o Filho de Deus era um refugiado”, e reza pelas populações atingidas pelas inundações na Austrália, Brasil, Filipinas e Sri Lanka

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – No Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado no domingo, 16 de janeiro, o Papa Bento XVI convidou a refletir, em seu discurso antes da oração do Angelus, sobre a experiência de muitos homens e mulheres, e muitas famílias, que deixam seu país em busca de melhores condições de vida”. O Papa sublinhou que “esta migração é, às vezes voluntária, outras vezes, infelizmente, é forçada pela guerra ou perseguições e acontece muitas vezes em condições desumanas”. Recordando a experiência da Sagrada Família de Nazaré, Bento XVI sublinhou que “o Filho de Deus também foi um refugiado”, e que “a Igreja sempre vive dentro de si a experiência da migração. “Às vezes, infelizmente, os cristãos se sentem obrigados a deixar com sofrimento suas terras, empobrecendo assim os países onde seus antepassados viveram”. “Os movimento voluntários de cristãos, por diversos motivos, de uma cidade para outra, de um país para outro, de um continente para outro – continuou o pontífice – são uma oportunidade para aumentar o dinamismo da Palavra de Deus e fazem com que o testemunho da fé circule no Corpo Místico de Cristo atravessando os povos e culturas, e alcançando novas fronteiras, novos ambientes”. Citando, enfim, o tema da mensagem enviada para o Dia Mundial do Migrante, Bento XVI afirmou que “o objetivo da grande viagem da humanidade através dos séculos” é “formar uma única família, naturalmente com todas as diferenças que a enriquecem, mas sem barreiras, reconhecendo todos irmãos”. E citando a este propósito a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”, que se realizará de 18 a 25 de janeiro, definindo “fundamental” o fato de que os cristãos ao em todo o mundo e, portanto, “diferentes por culturas e tradições, são uma só coisa, como deseja o Senhor “. Depois da oração mariana, o Papa expressou a alegria da Igreja pela beatificação do Venerável Papa João Paulo II, em 1° de maio – “Aqueles que o conheceram, aqueles que o estimaram e amaram, se alegram com a Igreja por este evento. Estamos felizes !”- e citou as vítimas das recentes catástrofes naturais: “Quero assegurar minha especial recordação na oração para as populações da Austrália, Brasil, Filipinas e Sri Lanka, atingidas recentemente por enchentes devastadoras. “O Senhor acolha as almas dos mortos, dê força às pessoas deslocadas e fortaleça os esforços daqueles que estão fazendo o possível para aliviar o sofrimento e privações”. (SL) (Agência Fides 17/1/2011)

* Links: O texto integral das palavras do Santo Padre no Angelus

Publicado em Agência Fides.

O Papa ao Corpo diplomático: “devem ser garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão” (Agência Fides – 11.01.2011)

Fonte: Agência Fides

11.01.2011

VATICANO – O Papa ao Corpo diplomático: “devem ser garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “A dimensão religiosa é uma característica inegável e irrefreável do ser e do agir do homem… Por isso, quando o próprio indivíduo ou aqueles que o rodeiam negligenciam ou negam este aspecto fundamental, geram-se desequilíbrios e conflitos a todos os níveis, tanto no plano pessoal como no interpessoal”. Assim afirmou o Santo Padre Bento XVI em seu discurso ao Corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, recebido em audiência para os votos de início de ano, em 10 de janeiro. Partindo de sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, dedicado à liberdade religiosa como “caminho fundamental para a construção da paz”, o Papa tocou no discurso as diversas situações de hoje no mundo nas quais o direito à liberdade religiosa é lesado ou negado.

“Este direito do homem – explicou o Pontífice – “é na realidade, o primeiro dos direitos, porque historicamente se afirmou em primeiro lugar e ainda porque tem como objeto a dimensão constitutiva do homem, isto é, a sua relação com o Criador”. Com o olhar no Oriente, onde numerosos atentados “semearam morte, sofrimento e desconcerto entre os cristãos do Iraque, a ponto de os impelir a deixar a terra onde seus pais viveram ao longo dos séculos”, Bento XVI renovou o apelo às Autoridades e líderes religiosos muçulmanos “a trabalharem para que os seus concidadãos cristãos possam viver em segurança e continuar a prestar a sua contribuição à sociedade de que são membros com pleno título”. Também os ataques terroristas que atingiram fiéis reunidos em uma igreja em Alexandria, no Egito, são “um sinal da urgente necessidade que há de os governos da região adotarem, não obstante as dificuldades e as ameaças, medidas eficazes para a proteção das minorias religiosas”. O Pontífice reiterou em seguida que a “liberdade religiosa não é plenamente aplicada quando se garante apenas a liberdade de culto, demais a mais com limitações”, encorajando programas que, desde a escola primária e no quadro do ensino religioso, eduquem para o respeito de todos os irmãos em humanidade”.

No que diz respeito aos Estados da Península Arábica, “onde vivem numerosos trabalhadores emigrantes cristãos”, o Papa auspiciou que “a Igreja Católica possa dispor de adequadas estruturas pastorais”. O Papa reservou uma menção especial à lei contra a blasfêmia no Paquistão, encorajando as autoridades “a realizarem os esforços necessários para a ab-rogar, tanto mais que é evidente que a mesma serve de pretexto para provocar injustiças e violências contra as minorias religiosas”. Outras situações preocupantes “podem ser mencionadas no Sul e Sudeste do continente asiático” – recordou o Pontífice, evidenciando que “o peso particular de uma determinada religião numa nação não deveria jamais implicar que os cidadãos pertencentes a outra confissão fossem discriminados na vida social ou, pior ainda, que se tolerasse a violência contra eles”. O diálogo inter-religioso è chamado a favorecer “um compromisso comum por reconhecer e promover a liberdade religiosa de cada pessoa e de cada comunidade”.

Enfim, o Santo Padre citou a África, onde os ataques contra lugares de culto na Nigéria, precisamente enquanto se celebrava o Natal de Cristo, são outro “triste testemunho” da violência contra os cristãos. Destaca-se ainda que em vários países, “a Constituição reconhece uma certa liberdade religiosa, mas, de fato, a vida das comunidade religiosas torna-se difícil e por vezes até precária, porque o ordenamento jurídico ou social se inspira em sistemas filosóficos e políticos que postulam um estrito controle – para não dizer um monopólio – do Estado sobre a sociedade”. A este respeito, o Santo Padre pediu “que cessem tais ambiguidades, de maneira que os crentes não se vejam lacerados entre a fidelidade a Deus e a lealdade à sua pátria”. De modo especial, Bento XVI pediu que “sejam garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão, de acordo com as normas e padrões internacionais neste campo”. O Papa dirigiu também seu pensamento à comunidade católica da China continental e a seus Pastores, “que vivem um período de dificuldade e provação”, e às Autoridades de Cuba, a fim de que o “diálogo, que felizmente se instaurou com a Igreja, se reforce e amplie ainda mais”. Voltando o olhar para o ocidente, o Santo Padre citou outros tipos de ameaças contra o pleno exercício da liberdade religiosa: a “crescente marginalização” da religião, considerada “um fator sem importância, alheio à sociedade moderna ou mesmo desestabilizador”, “chegando a pretender que os cristãos ajam, no exercício da sua profissão, sem referimento às suas convicções religiosas e morais, e mesmo em contradição com elas”. A eliminação da vida pública de “festas e símbolos religiosos, em nome do respeito por quantos pertencem a outras religiões ou por aqueles que não acreditam”. “Reconhecer a liberdade religiosa significa, além disso, garantir que as comunidades religiosas possam agir livremente na sociedade, com iniciativas nos setores social, caritativo ou educativo… Causa preocupação ver este serviço que as comunidades religiosas prestam a toda a sociedade, particularmente em favor da educação das jovens gerações, comprometido ou dificultado por projetos de lei que correm o risco de criar uma espécie de monopólio estatal”.

Outra ameaça à liberdade religiosa das famílias em alguns países europeus é a “participação em cursos de educação sexual ou cívica que propagam concepções da pessoa e da vida pretensamente neutras mas que, na realidade, refletem uma antropologia contrária à fé e à reta razão”. Na parte conclusiva de seu discurso, o Santo Padre recordou alguns princípios aos quais a Santa Sé, com toda a Igreja, se inspira: “em primeiro lugar, aparece a convicção de que não se pode criar uma espécie de escala na gravidade da intolerância com as religiões”; “há que rejeitar também o contraste perigoso que alguns querem instaurar entre o direito à liberdade religiosa e os outros direitos do homem, esquecendo ou negando assim o papel central do respeito da liberdade religiosa na defesa e proteção da alta dignidade do homem”; enfim “não basta uma proclamação abstrata da liberdade religiosa: esta norma fundamental da vida social deve encontrar aplicação e respeito a todos os níveis e em todos os campos”. Depois de recordar também que “a atividade dos Representantes Pontifícios junto dos Estados e das Organizações Internacionais está ao serviço da liberdade religiosa” e ressaltar com satisfação que “as autoridades vietnamitas aceitaram que eu designe um Representante, que há-de com as suas visitas exprimir à querida comunidade católica deste país a solicitude do Sucessor de Pedro”, Bento XVI concluiu “que a religião não constitui um problema para a sociedade, não é um fator de perturbação ou de conflito. Quero repetir que a Igreja não procura privilégios, nem deseja intervir em âmbitos alheios à sua missão, mas simplesmente exercer a mesma com liberdade… Que nenhuma sociedade humana se prive, voluntariamente, da contribuição fundamental que são as pessoas e as comunidades religiosas!”. (SL) (Agência Fides 11/01/2011)

Publicado em Agência Fides.

“Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia” – Exortação do Papa Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo , dia 9 de janeiro (Agência Fides)

Apresentação de Jesus no Templo

 

Fonte/imagem: Blog do Padre Isaías

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Fonte: Agência Fides

10.01.2011
VATICANO – O Papa encoraja os católicos a “redescobrirem a beleza de ser batizados” e recorda o terremoto do Haiti e o empenho pela liberdade religiosa

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia”: esta foi a exortação dirigida pelo Santo Padre Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo, 9 de janeiro. Na festividade do Batismo do Senhor, o Papa administrou o sacramento do Batismo a 21 recém-nascidos, na Capela Sistina. “Este mistério da vida de Cristo – explicou o Papa – demonstra visivelmente que sua vinda na carne é o ato sublime de amor das Três Pessoas divinas. Podemos dizer que a partir deste solene evento, a ação criadora, redentora e santificadora da Santíssima Trindade ficou sempre mais manifesta na missão pública de Jesus, em seu ensinamento, nos milagres, em sua paixão, morte e ressurreição”. Em seguida, Bento XVI recordou que o Messias, Filho do Altíssimo, “ao sair das águas do Jordão, estabeleceu a regeneração no Espírito e abriu àqueles que o querem, a possibilidade de se tornar filhos de Deus. Com efeito, todo batizado adquire o caráter de filho a partir no nome cristão, sinal inconfundível de que o Espírito Santo faz nascer ‘de novo’ o homem do ventre da Igreja”. Enfim, o Papa evidenciou que “o Batismo é o início da vida espiritual, que encontra sua plenitude por meio da Igreja”.
Após a oração do Angelus, o Santo Padre recordou o Haiti, o empenho pela liberdade religiosa, e dirigiu uma saudação aos fiéis coptas com as seguintes palavras: “No contexto da oração mariana, desejo dedicar uma recordação especial à população do Haiti, um ano depois do terrível terremoto ao qual infelizmente, seguiu-se uma grave epidemia de cólera. O Cardeal Robert Sarah, Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, vai hoje à Ilha caribenha expressar a minha constante solidariedade e a de toda a Igreja. Saúdo o grupo de Parlamentares italianos aqui presentes e lhes agradeço, assim como a seus colegas, por seu empenho em favor da liberdade religiosa. Saúdo também os fiéis coptas aqui presentes, a quem renovo a minha amizade”. (SL) (Agência Fides 10/1/2011)

* Links: O texto integral das palavras do Santo Padre no Angelus está em:

Publicado em Agência Fides.

“De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.(…)” – Solenidade dos Três Reis Magos

A Tradição do Natal (o presépio de São Francisco, por exemplo…) nos trouxe até aqui, mesmo que o mundo insista, com todas as forças, em fazer do período natalino, nada mais que uma data de confraternizações. Este é o nosso lastimável tempo. Em todo caso, lembremos da visitação dos Três Reis Magos, que, metaforicamente falando, foram aqueles que acreditaram na poesia que a vinda de um Redentor representaria para o mundo. Vieram inspirados pelos Espírito Santo, e hoje  nos inspiram a ver a vida com simplicidade e grandeza de espírito.

Lembremos por um instante como foi que o Menino Jesus foi recebido por estranhos cheios de esperança e amor…

(LBN)

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Os Três Reis Magos

Também chamados dos Três Homens SábiosTrês homens sábios vindos do Leste, chamados de Magos os quais seguiram a estrela para Belém, em Israel para encontrar Jesus. Eles eram provavelmente Medes da “clã” de Magnus da antiga Babilônia ( moderno Iraque) e eram excepcionais astrônomos. Os Reis Magos anunciaram a sua presença ao Rei Herodes antes seguirem para o local do nascimento de Jesus e oferecerem presentes de ouro, incenso e mirra ao Divino Infante. Avisados por um anjo, em sonhos durante os sono ele retornaram ao seu país por uma rota diferente de modo a evitar o Rei Herodes que suspeitavam de suas intenções malignas. No sexto século, devido a pesquisas mais acuradas, passaram a serem considerados reis de três diferentes raças.

Seus nomes Baltazar, Gaspar e Belchior (em alguns países este ultimo é chamado de Melchior) foram atribuídos a eles no século oitavo, segundo alguns estudiosos, devido a uma visão de um santo. Suas relíquias estão em um santuário em Colonha, na Alemanha.

Desde o século sétimo que os reis magos foram identificados como Gaspar, Melchior e Balthazar. O venerável São Bede (735DC) escreveu:

Os Magos eram aqueles que trouxeram presentes para Senhor: O primeiro Melchior, um velho homem com cabelos brancos e longos que ofereceu ouro como para um Rei. O segundo Gaspar jovem sem barba de complexão rude honrou a Jesus como Deus com o presente de incenso, um presente digno da Divindade. O terceiro um homem de pele escura, muito barbudo de nome Balthazar pelo seu presente de mirra, testemunhou que o Filho do Homem teria que morrer.

Um escrito do calendário dos santos da época medieval impresso no Colégio de Colônia lê : “Tendo passado muitos problemas e muito cansados os três homens sábios se encontraram em Sewa (Sebaste em Armênio) no ano de 54 DC para celebrar a festa do Natal. Assim após a celebração da missa eles morreram: São Melchior com 116 anos em 11 de janeiro, São Baltazar em 6 de jan com 112 anos e São Gaspar em 11 de janeiro com 109 anos. A Martirologia Romana também lista estas datas como as respectivas festas dos magos”.

Sua festa é celebrada no dia 6 de janeiro.

NR:

As relíquias dos três homens sábios ou três reis magos, foram dados ao Arcebispo Von Dassel em 1165 que as levou para Colonha, Alemanha e construiu um santuário para elas. O santuário tornou-se local de peregrinação desde então. Estariam hoje na Catedral de Colonha, Alemanha.

Estudos mais acurados mostram que eles eram astrônomos e sem dúvida sábios (“magos” significava homens de grande sabedoria) e eram de origem real. Provavelmente vierem da Pérsia ou da Arábia visto que a Mirra e Frankincenso eram plantas originárias daquela região.Alem disso quando se falava “homens do oriente ou homens do leste” siginificava vindos da Arábia.

Na viagem de ida, depois do encontro com o Rei Herodes( que deve ter acontecido no seu palácio) eles devem ter tomado o rumo norte e depois de uns 8 km, mudaram o rumo para Belém. Depois de adorarem Jesus teriam, provavelmente, retornado para Sheba, na Pérsia.

Estudos mais recentes indicam que provavelmente eles visitaram Jesus já no seu segundo ano de vida em sua casa. Isto que vem de encontro ao Evangelho de Matheus 2:11 que diz: “E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.” ou seja Ele não era mais um bebê e sim uma criança, e não estava na manjedoura e sim em sua casa.

Alguns estudiosos ainda pensam que era 4 os Reis Magos.Na Catacumba de Domitila foram encontradas relíquias de 4, dois de cada lado e ainda pinturas de mestres famosos como Velasques e Boticcelli, mostram 4 pessoas em vez de três. Mas, como foram dados apenas três presentes é de se presumir que eram três.

De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.

Alem disto o Evangelho de Matheus, 2:11 diz:

“Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.
E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.”

O que leva a crer que Jesus já se encontrava em uma casa em Belém.

Postado por Ivson de Moraes Alexandre.

Publicado em: Curiosidades Católicas – “Os Três Reis Magos.