Fonte: Agência Fides
Tag: Superação
Uma campanha de solidariedade em favor das vítimas do terremoto e do tsunami que atingiram o Norte do Japão será lançada amanhã, 13 de março, pela Caritas japonesa em todas as igrejas do país (Agência Fides)
Fonte: Agência Fides
12.03.2011
ÁSIA/JAPÃO – Caritas lança uma Campanha de solidariedade em todo o país
Nagoya (Agência Fides) – Uma campanha de solidariedade em favor das vítimas do terremoto e do tsunami que atingiram o Norte do Japão será lançada amanhã, 13 de março, pela Caritas japonesa em todas as igrejas do país. A iniciativa vai envolver também escolas, associações e instituições católicas, na intenção de coletar verbas para ajudar os desabrigados: é o que anuncia à Agência Fides pe. Daisuke Narui, Diretor Executivo da Caritas japonesa. O diretor frisa que “o nosso dever é demonstrar amor e solidariedade, principalmente pelas pessoas mais vulneráveis, como os idosos, migrantes e sem-teto. Trabalharemos juntos com ONGs de outras extrações. Neste momento, somos chamados a dar testemunho de unidade e a estarmos próximos de todo ser humano que sofre. Sabemos já que a resposta dos fiéis ao nosso apelo será muito generosa”. Ilustrando a situação, Pe. Narui explica à Fides: “É um desastre terrível, um dos mais fortes da história do país. A área mais atingida é o Norte; já há mais de mil mortos, centenas de feridos e desabrigados internos”. A Caritas se ativou imediatamente depois da tragédia: “Logo depois do terremoto e do tsunami, organizamos um encontro de emergência em tele-conferência. Hoje, a prioridade é recolher informações das áreas mais atingidas, mas é difícil, porque as linhas telefônicas e elétricas ainda estão interrompidas. A Diocese mais atingida é Sendai, mas ainda não recebemos notícias do Diretor da Caritas diocesana e isto nos preocupa muito. Por isso, estamos estudando a possibilidade de uma missão in loco”, explica pe. Narui. A respeito das consequências do drama, ele explica: “Creio que no Japão de hoje, marcado pela crise econômica, atingido pelo fenômeno social da depressão e dos suicídios, este evento doloroso possa representar uma oportunidade de difundir os valores do Evangelho, ou seja, a fraternidade de todos os homens, a construção do bem comum, reconhecer que toda pessoa tem a dignidade de filho de Deus e é importante aos olhos de Deus. Se com a nossa obra e o nosso testemunho, conseguirmos comunicar isto, deste mal poderá nascer um bem”. (PA) (Agência Fides 12/3/2011)
Publicado em Agência Fides.
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Fonte: Agência Fides
12.03.2011
ÁSIA/JAPÃO – Emergência “crianças” depois do terrível terremoto
Tóquio (Agência Fides) – As crianças do Japão e de toda a área do Pacífico nunca viram um momento tão difícil como o atual, após o terremoto que segundo um balanço provisório, já deixou mil vítimas. A resposta das organizações humanitárias e da Igreja em todo o mundo foi imediata. Segundo informa um comunicado da Conferência Episcopal Australiana enviado à Agência Fides, o Arcebispo Philip Wilson, Presidente da Conferência dos Bispos australianos e dos Bispos da Inglaterra e Gales, assegurou suas orações pelas vítimas do mais grave terremoto registrado no Japão há 40 anos. O Arcebispo exortou também a Caritas Austrália a intervir rapidamente. Também o Presidente da Organização humanitária Save the Children, Charles F. MacCormack, lançou um apelo pelas crianças atingidas pelo terremoto e pela onda de tsunami. A organização, ao lado de outras agências, está priorizando as exigências específicas da crianças e fornecendo apoio de emergência. As crianças são sempre as vítimas mais vulneráveis em situações de emergência e é preciso uma intervenção específica para apoiá-las física e emotivamente, e ajudá-las a enfrentar imediatamente o choque. (AP) (12/3/2011 Agência Fides)
Publicado em Agência Fides.
Na audiência geral Bento XVI falou da Quaresma convidando à penitência e a intensificar o empenho pela conversão (Rádio Vaticano)
Fonte: Rádio Vaticano
Na audiência geral Bento XVI falou da Quaresma convidando à penitência e a intensificar o empenho pela conversão
(9/3/2011) Nesta quarta feira o Papa assinalou o início da Quaresma ao referir-se ao “austero símbolo das Cinzas”, imposto aos fiéis que participam nas missas celebradas neste dia.
“A cinza abençoada imposta sobre a nossa cabeça é um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas, que convida à penitência e a intensificar o empenho pela conversão”, realçou Bento XVI.
A Quaresma – “um itinerário espiritual” até à Páscoa – consiste em “acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição”, afirmou.
Para chegar “à vitória da vida, do amor, do bem, também nós devemos tomar a cruz de cada dia”, disse Bento XVI, mencionando as narrativas bíblicas em que Jesus carrega a cruz onde viria ser crucificado.
A intervenção do Papa na audiência geral, que decorre habitualmente às quartas-feiras, incluiu um apelo à presença dos fiéis nas celebrações da Quaresma, que não se referem apenas a “uma recordação de factos passados”.
Bento XVI salientou a presença frequente da palavra “hoje” na liturgia, que deve ser entendida no seu “sentido originário e concreto, não metafórico”.
“Hoje Deus revela a sua lei, e a nós é dado escolher entre o bem e o mal, entre a vida e a morte”; hoje o Reino de Deus está próximo (…); hoje Cristo morreu no Calvário e ressuscitou dos mortos (…); hoje é-nos dado o Espírito Santo; hoje é o tempo favorável”, indicou.
Na sua catequese o Papa deteve-se nas vertentes que acompanham aquele tempo litúrgico – jejum, esmola, oração –, assinalando que o primeiro “significa a abstinência de alimento, mas compreende outras formas de privação para uma vida mais sóbria”.
Esta renúncia, frisou, “não é ainda a realidade plena do jejum”, constituindo antes “o sinal externo de uma realidade interior”, do “empenho” em evitar o “mal” e “viver do Evangelho”, pelo que “não jejua verdadeiramente quem não se alimenta da Palavra de Deus”.
Referindo-se à esmola, Bento XVI citou São Leão Magno, papa do século V, assinalando que ela, “sob o nome único de ‘misericórdia’, abraça muitas obras boas”, que estão ao alcance não só dos “ricos” mas também das pessoas “de condição modesta e pobre”.
A Quaresma, período de 40 dias, excepto os domingos, que se prolonga até à Páscoa, “convida a uma oração mais fiel e intensa e a uma prolongada meditação”, mesmo que seja “difícil fazer silêncio”.
Estas as palavras proferidas por Bento XVI em língua portuguesa Queridos irmãos e irmãs,
Hoje está prevista, na celebração da Eucaristia, o rito da imposição das cinzas. Trata-se de um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas e nos convida à penitência e à conversão, para nos configurarmos cada vez mais com Cristo. A Igreja sabe que, à nossa fragilidade humana, custa fazer silêncio e parar diante de Deus, tomando consciência da nossa condição de criaturas que dependem d’Ele e necessitam do seu perdão. Por isso, na Quaresma, a Igreja convida a uma oração mais fiel e intensa e à meditação mais demorada da palavra de Deus. As leituras, que ouviremos na Missa dos próximos domingos e às quais vos convido a prestar especial atenção, propõem-nos o itinerário baptismal que, na tradição antiga, percorriam os catecúmenos – aqueles que se preparavam para o baptismo. Meditando-as, queremos reavivar em nós o dom, as exigências e os compromissos deste sacramento, que está na base da nossa vida cristã, a vida de ressuscitados com Cristo. * * * Saúdo cordialmente os fiéis das paróquias de Calhariz do Benfica e Brandoa no Patriarcado de Lisboa, os professores e alunos das comunidades escolares das dioceses de Coimbra e do Porto e ainda o grupo de peregrinos, médicos e professores, de Guimarães. A vós e a todos os presentes de língua portuguesa desejo um caminho quaresmal abençoado, que vos permita encontrar, acolher e seguir mais de perto Jesus; e assim poderdes dizer, com São Paulo, «já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim». Obrigado pela vossa presença. Ide com Deus.
As celebrações do início da Quaresma por parte de Bento XVI prosseguem esta tarde com inicio ás 16h30 (hora de Roma) com uma procissão penitencial pelas ruas do bairro romano do Aventino que termina na basílica de Santa Sabina, onde se celebra a missa.
Publicado em Rádio Vaticano.
A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã (Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas)
Fonte: Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas
Quaresma: A CAMINHO DA PÁSCOA DO SENHOR
A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã. Ajuda as pessoas e as comunidades eclesiais a se prepararem dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor.
O período quaresmal é tempo sobremaneira apropriado à conversão de vida e à renovação interior. Aliás, não há Quaresma sem conversão. Converter-se é separar-se do mal e voltar-se para o bem. É mudar radicalmente de vida e de critérios. A conversão radical insere-se no coração da vida. Exige gestos concretos de amor e de misericórdia, de partilha fraterna e de justiça. Podemos dizer que o cristão é um convertido em estado de conversão, pois a conversão dura, enquanto perdurar nosso peregrinar neste mundo.
Converter-se é procurar viver todos os dias a “vida nova”, da qual Cristo nos revestiu, transformando-nos Nele, para fazer um só corpo com Ele e com os irmãos.
Há em nós atitudes que devem morrer. Converter-se cada dia exige morrer aos poucos, sepultar-nos com Cristo para ressuscitarmos com Ele.
O amor de Deus chama-nos à conversão, a renunciar a tudo o que Dele nos afasta. O que mais nos afasta de Deus é o pecado. Pecar é estar no lugar errado, longe da amizade e da graça de Deus.
A conversão quaresmal significa, portanto, crescer na prática das virtudes cristãs. Somos sempre catecúmenos em formação permanente, progredindo no conhecimento e no amor de Cristo.
Ao longo da Quaresma, somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, entrando em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-nos semelhantes a Ele na Sua morte, para alcançarmos a Ressurreição dentre os mortos (cf. Fl 3, 10-11). Isso exige uma transformação profunda pela ação do Espírito Santo, orientando nossa vida segundo a vontade de Deus, libertando-nos de todo egoísmo, superando o instinto de dominação sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo (cf. Bento XVI, Mensagem da Quaresma 2011).
O período quaresmal é ainda tempo favorável para reconhecermos a nossa fragilidade, abeirando-nos do trono da graça, mediante uma purificadora confissão de nossos pecados (cf. Hb 4, 16). Na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência” (Santo Ambrósio). Vale a pena derramar essas lágrimas, através de uma boa confissão sacramental.
Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc, 1, 15).
O itinerário quaresmal é um convite à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna e às obras de caridade (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1438). É igualmente um tempo forte de escuta mais intensa da Palavra de Deus e de oração mais assídua.
Quanto mais fervorosa for a prática dos exercícios quaresmais, maiores e mais abundantes serão os frutos que colheremos e hauriremos do Mistério de nossa redenção.
Também a vivência da Campanha da Fraternidade ajuda a fazermos uma boa preparação para a Páscoa. A CNBB propõe para este ano o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e como Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).
Maria Santíssima, Mãe do Redentor, guie-nos neste itinerário quaresmal, caminho de conversão ao encontro pessoal com Cristo ressuscitado.
Com o coração voltado para Cristo, vencedor da morte e do pecado, vivamos intensamente o período santo e santificador da Quaresma.
Dom Nelson Westrupp, scj – Bispo Diocesano de Santo André – SP
(fonte: http://senhorbomjesus.net)
Publicado ems Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas.
“Numa fase econômica de aumento dos preços alimentares e do petróleo, e de mudanças políticas que atingem milhões de pessoas que já padecem a fome, a ajuda da Igreja Católica e das suas diversas instituições eclesiásticas é ainda mais vital no apoio à acção do Programa Alimentar Mundial a favor dos mais vulneráveis” – Josette Sheeran – Diretora Executiva do Programa Alimentar Mundial (Rádio Vaticano)
Fonte/imagem/artigo: pime.org: “Fome no Mundo – um problema sem solução?”
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Fonte: Rádio Vaticano
02.03.2011
Audiência do Papa á Directora Executiva do Programa Alimentar Mundial
Bento XVI recebeu em audiência particular nesta quarta-feira, no Vaticano, a Directora Executiva do Programa Alimentar Mundia Josette Sheeran.
Segundo refere um comunicado desta agência humanitária da ONU, Sheeran informou o Papa sobre a missão, há pouco concluída, na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, onde pôde constatar directamente a presença de dezenas de milhares de pessoas que fogem das violências num contexto de emergente crise humanitária.
Sheeran visitara a área para lançar uma resposta de emergência a fim de oferecer assistência alimentar aos mais vulneráveis e para ajudar os países em transição política a reforçar as suas redes de protecção alimentar.
“Fiquei comovida com o interesse de Sua Santidade por esse balanço. Expressou a sua preocupação pelas pessoas inocentes no meio dessa terrível tragédia” – afirma Sheeran.
“Numa fase econômica de aumento dos preços alimentares e do petróleo, e de mudanças políticas que atingem milhões de pessoas que já padecem a fome, a ajuda da Igreja Católica e das suas diversas instituições eclesiásticas é ainda mais vital no apoio à acção do Programa Alimentar Mundial a favor dos mais vulneráveis” – reitera.
São numerosas as instituições eclesiásticas e as organizações não-governamentais de inspiração católica que colaboram de modo estável com a agência da ONU para a assistência alimentar.
Dentre elas encontram-se a Caritas Internacional com as suas diversas agências nacionais, com a qual o Programa Alimentar Mundial estabeleceu acordos de parceria em 29 países; a Comunidade de Santo Egídio , com a qual são activos programas nos sectores da assistência alimentar e da saúde; o Catholic Relief Services (CRS) e o Serviço dos Jesuítas para Refugiados (JRS).
Todo os anos, o Programa Alimentar Mundial fornece alimentos a mais de 90 milhões de pessoas em mais de 70 países.
Publicado em Rádio Vaticano.
Jovem congregação de religiosas engajadas no combate ao tráfico de jovens nas Filipinas (Agência Fides)

Fonte/imagem: Missão Portas Abertas
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Fonte: Agência Fides
23.02.2011
ÁSIA/FILIPINAS – Jovem congregação de religiosas engajadas no combate ao tráfico de jovens, a partir da raiz
Cebu (Agência Fides) – As Filipinas são o quarto dentre os dez países com o maior índice de prostituição infantil. Esta chaga muito grave envolve moças de 15 a 20 anos, mas não poupa meninas de apenas 8 anos. Segundo uma informação enviada à Agência Fides pela Catholic News Agency, Irmã Irene Baquiran, da Congregação da Arquidiocese de Cebu “Immaculate Mary Queen of Heaven Missionaries”, IMQHM, engajada na evangelização dos oprimidos, declarou que as vítimas são obrigadas a ter de 5 a 10 encontros sexuais por noite, por 2 dólares cada. A maior parte das jovens é drogada ou narcotizada por seus exploradores, para suportar o horror. Para combater a pobreza desde suas raízes, as irmãs missionárias IMQHM visitam as aldeias onde os exploradores recrutam as jovens e lhes prometem um bom trabalho na cidade. Através do programa-piloto Feeding of the Good Shepherd Foundation, tentam tirá-las da prostituição oferecendo ajuda. Quando estão em missão, as irmãs caminham em pares e não usam o hábito religioso. Uma das duas entra em um bar e se aproxima da jovem que provavelmente precisa de ajuda, a outra permanece fora para assinalar eventuais riscos. Se conseguem fazer amizade com a menor que quer sair do túnel da prostituição, as irmãs a encaminham ao orfanato onde pode ser hospedada e receber instrução. Irmã Irene relata que as irmãs transformaram seu instituto de Cebu na “Casa do Amor”, ou MQHM Rehabilitation and Livelihood Training Center, onde oferecem abrigo, alimentos, instrução, assistência de saúde e formação profissional às ex-prostitutas e seus filhos. Atualmente, as irmãs hospedam 20 vítimas do tráfico. As irmãs oferecem também instrução a 800 estudantes da escola fundamental e 275 da escola superior. As IMQHM têm grandes projetos para a missão: querem realizar um centro de acolhimento maior, para hospedar até 500 mulheres e crianças menores de cinco anos. Até 2012 esperam introduzir cursos vocacionais e classes de estudo superior. A ordem, fundada em 1996 por Irmã Corazon Salazar, conta oito irmãs professas, 11 com votos temporários e três noviças. Seu carisma é dirigido às mulheres e crianças vítimas da prostituição e da luta à pobreza, causa principal da prostituição. (AP) (23/2/2011 Agência Fides)
Publicado em Agência Fides.
“Ama o teu próximo como a ti mesmo” – Papa Bento XVI – Oração Mariana do Angelus (Rádio Vaticano)
Fonte: Rádio Vaticano
20/02/2011
“Ama o teu próximo como a ti mesmo” – reflexões teológicas em volta das leituras deste domingo, tecidas pelo Papa, ao meio dia, na Praça de São Pedro, por ocasião da Oração Mariana do Angelus
“Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Nas palavras pronunciadas este domingo por ocasião da oração mariana do Angelus, Bento XVI percorreu textos bíblicos e autores antigos como São Cipriano e Giovani Climaco para ilustrar a vontade de Deus de nos tornar participes da sua santidade. “sede santos, porque eu, o vosso Senhor, vosso Deus, sou santo” – disse citando o Livro do Levítico. Um apelo de Deus ao seu povo que encontramos também em Jesus feito homem com a mesma força e veemência: “sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste”. Perfeição que significa – disse o Papa – viver como filhos de Deus cumprindo concretamente a sua vontade. À paternidade de Deus deve corresponder um comportamento de filhos de Deus” recordava por sua vez São Cipriano.
Mas, “de que modo podemos imitar Jesus – perguntou-se o Papa que logo respondeu citando São Mateus: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem a fim de ser filhos do vosso Pai que está nos Céus”. Quem acolhe o Senhor na sua própria vida e o ama com todo o coração é capaz de um novo início. Consegue cumprir a vontade de Deus: realizar uma nova forma de existência animada pelo amor e destinada à eternidade” – acrescentou o Papa.
Bento XVI passou depois às palavras em que São Paulo recorda aos Coríntios que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita neles. Se tivermos realmente consciência disto – sublinhou o Papa – o nosso testemunho será claro, eloquente e eficaz. E aqui recorreu ao escritor medieval Giovanni Clímaco que diz “Quando todo o ser da pessoa humana se misturar, por assim dizer, com o amor de Deus, o esplendor da sua alma se reflecte também no aspecto exterior, na totalidade da sua vida”
E foi pelas palavras do Livro da Imitação de Cristo que conclui a sua reflexão teológica, dizendo:
“Grande coisa é o amor, um bem que torna leve as coisas pesadas e suporta tranquilamente as coisas difíceis. O amor aspira a ascender ao alto sem se deixar reter por nada que é terreno. Nasce de Deus e só em Deus poderá encontrar repouso”
Recordando já no final da sua alocução que depois de amanhã 22 de Fevereiro é a festa da Cátedra de São Pedro, o primeiro dos Apóstolos a quem Cristo confiou a tarefa de Mestre e Pastor, Bento XVI exortou todos os pastores de hoje a “assimilarem aquele “novo estilo de vida” que foi inaugurado por Jesus e que os apóstolos fizeram próprios.
Por fim invocou a Virgem Maria, Mãe de Deus a fim de que nos ensine a amarmo-nos uns aos outros e a acolhermo-nos como irmãos, filhos do Pai Celeste.
Publicado em Rádio Vaticano.
“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas” – Papa Bento XVI em Audiência Geral (Rádio Vaticano)
Fonte: Rádio Vaticano
16/02/2011
São João da Cruz – tema da audiência geral desta quarta-feira
(16/2/2011) Bento XVI apelou hoje à “purificação” da humanidade, afirmando que a santidade não é “privilégio” de poucas pessoas.
Na audiência publica semanal, realizada na manhã desta quarta feira o Papa apresentou uma reflexão sobre São João da Cruz, espanhol nascido em 1542 e falecido em 1591, religioso carmelita que é visto como uma das referências da história da espiritualidade da Igreja Católica
O Papa destacou o facto deste santo ser “um dos mais importantes poetas líricos espanhóis” e disse que as suas obras propõem “um caminho de purificação da alma pela acção misteriosa do Espírito Santo até à união do amor com Deus”.
“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas”, prosseguiu.
Para Bento XVI, “a santidade não é um privilégio de alguns, é a vocação a que cada cristão é chamado”.
Escutemos Bento XVI falando em português:
“Queridos irmãos e irmãs,
Há duas semanas apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus; hoje gostaria de falar de São João da Cruz, reformador junto com ela da Ordem Carmelita. Nasceu em uma família pobre, tendo ficado órfão de pai ainda jovem. Devido às suas qualidades humanas e resultados no estudo, foi admitido no Colégio dos Jesuítas em Medina do Campo. Terminada a sua formação, decidiu fazer-se Carmelita. Após ter sido ordenado sacerdote, conheceu Santa Teresa, a qual lhe expôs o plano reformador para a sua ordem religiosa, que daria origem aos Carmelitas Descalços. Contudo, a sua adesão à reforma, devido a injustiças e incompreensões, causou-lhe muito sofrimento. Por fim, depois de fazer parte do governo geral da família teresiana, morreu em 1591 [mil quinhentos e noventa e um], dizendo aos seus confrades que recitavam o Ofício Matutino: “Hoje vou cantar o Ofício no céu”. Suas principais obras, nas quais apresenta a sua profunda doutrina mística, são: Subida ao Monte Carmelo; Noite Escura; Cântico Espiritual e Chama viva de Amor.
Amados peregrinos de língua portuguesa: a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!”
Após a catequese, Bento XVI saudou as Missionárias da Caridade, congregação religiosa fundada pela “inesquecível” Madre Teresa de Calcutá, agradecendo-lhes pelo seu “alegre testemunho cristão”.
Presentes na grande aula das audiências do Vaticano, com capacidade para mais de seis mil pessoas, estavam também os coordenadores regionais do chamado «Apostolado do Mar», a quem o Papa encorajou a “encontrar respostas pastorais adequadas aos problemas dos marítimos e das suas famílias”.
Ainda nas saudações em italiano, Bento XVI dirigiu-se aos representantes de uma instituição bancária, pedindo “um compromisso cada vez maior ao serviço das verdadeiras necessidades sociais”.
Publicado em Rádio Vaticano.
“Teresa de Jesus… Como poder chamar-te ‘Madre’?” – Irmã Maria Elizabeth da Trindade, OCD (Testemunho – OCDS – Província São José – Sudeste)
Fonte: Ordem dos Camelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José
TESTEMUNHO
domingo, 13 de fevereiro de 2011
TERESA DE JESUS…COMO PODER CHAMAR-TE “MADRE”?
Irmã Maria Elizabeth da Trindade, ocd – Carmelo São José, Passos, Brasil
Quando entrei para o Carmelo, há cerca de 30 anos atrás, me admirei com que carinho as Irmãs chamavam Santa Teresa de “nossa Santa Madre”. Contudo os meses foram passando e eu não conseguia me sentir “sua filha”, pois além de não a conhecer, achava seus livros muito difíceis de serem entendidos, confusos com tantas digressões e me causavam medo suas graças místicas. Interessava-me grandemente por Santa Teresinha e Santo Padre João da Cruz e neles encontrava meu deleite e o alimento necessário para minha caminhada como formanda. Os primeiros anos foram de luta para tentar entender e amar a Santa Madre.
Um dia, em plena novena em preparação à sua solenidade, pedi-lhe a graça de a conhecer e amar. Fui atendida com tanta eficácia que fiquei impressionada. Naqueles dias nos chegou um dos primeiros números da Revista “Teresa de Jesus”, vinda diretamente da Espanha, e nela me deparei com o comentário ao Caminho de Perfeição, feito pelo Padre Tomaz Alvarez. Comecei a ler e a acompanhar em cada número da Revista esta seção. Imediatamente se me abriu o horizonte de compreensão da vida e doutrina da Santa Madre. Comecei a compreendê-la e a me identificar com ela de tal forma que já não queria ler outros livros. Quando chegava a Revista Teresa de Jesus eu a devorava, assim como os bons livros – quase todos em espanhol – que tínhamos na nossa biblioteca. Foi uma paixão que mudou minha vida.
Santa Madre passou a ser para mim uma verdadeira “mãe e mestra”. Suas lutas, seu dinamismo, sua força, sua coragem e todo o seu jeito de ser me encantaram e me marcaram. Ela tornou-se para mim um referencial de conduta no caminho, uma amiga com quem eu posso contar e que vai soprando aos meus ouvidos as respostas que procuro em minha vida e missão. Contudo, o que mais me faz próxima desta “tão boa Mãe” é a contemplação de sua oração. Vê-la tão absorta em Deus e tão apaixonada pela Igreja me faz sentir que estou no caminho certo e aumenta em mim o desejo de trilhar por estas sendas de amor e de serviço. Sua fé no impossível que se faz possível, seu próprio esquecimento para haurir forças no interior e realizar a vontade de Deus, sua alegria e bom humor, enfim sua vida vibrante ultrapassou os séculos e se tornou paradigma para todas as mulheres de todos os tempos, especialmente para suas filhas.
Penso que nestes tempos de relativismo, quando tantos contra-valores insistem em penetrar na vida de nossos mosteiros, a Santa Madre Teresa tem seu lugar privilegiado e insubstituível em nossas vidas. Sem seu testemunho e sua presença entre nós será muito difícil descobrirmos caminhos para vencer os obstáculos e sermos fiéis.
Que a Santa Madre nos alcance de Deus esta determinação e dinamismo, esta profundidade e fé, mas sobretudo, este abrasado amor que nos faz caminhar! Amém!
Publicado em OCDS – Província São José.
“Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila” – Catequese do Papa Bento XVI para a audiência geral (Flos Carmeli)
Fonte: Flos Carmeli
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Catequese do Santo Padre Bento XVI – Tema : Santa Teresa de Jesus
Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila
Queridos irmãos e irmãs:
Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.
E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais.
Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).
Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila.
Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9).
A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.
Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor.
É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.
A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.
Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.
A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.
Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).
Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.
Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais,
Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.
Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,
Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.
Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.
CIDADE DO VATICANO, 02 Fev, 2011 – catequese dirigida aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.
Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana
Publicado em Flos Carmeli.
“Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.” Miguel Yañez – Pontifícia Gregoriana de Roma (Agência Ecclesia)
Fonte: Agência Ecclesia
“Igreja não pode calar a sua voz profética”
Miguel Yañez, professor de teologia moral da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, fala sobre a educação católica
Fórum EMRC
O padre Miguel Yañez, professor de teologia moral na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no Fórum de Educação Moral e Religiosa Católica.
Durante o encontro, realizado entre 28 e 30 de Janeiro, em Fátima, o religioso jesuíta proferiu duas conferências: «A fractura social: pobreza e as opções da Igreja» e «A fractura ideológica: a sexualidade no contexto da antropologia cristã».
Em entrevista à agência Ecclesia, o professor de teologia moral afirma a importância que a Igreja tem na educação e o “papel profético” através dos seus ensinamentos e do testemunho dos cristãos
AE – As duas conferências que proferiu no Fórum EMRC focam duas fracturas, uma social e uma ideológica. Como é que elas se manifestam?
MY – Encontramos brechas numa sociedade pluralista, onde se destacam formas distintas de ver a pessoa humana e as suas relações.
Encontramo-nos numa sociedade onde a globalização se impõe e que é uma conquista. Mas precisamos distinguir entre estas conquistas, que são irreversíveis e representam uma grande oportunidade para toda a humanidade e para a Igreja, do que podemos chamar de uma certa ideologia que parece estar na base de auto poderes que actuam na sociedade e impõem um certo modo de ver a vida, de ver a pessoa, e deixa um pouco a desejar, pelo menos do ponto de vista cristã e humano.
Crescemos muito no século XX, no que à tecnologia e ciência diz respeito. Contudo parece-me que a humanidade tem de dar um salto qualitativo sobre a moralidade pessoal e social.
AE – Que papel tem a Igreja no meio destas duas fracturas?
MY – Antes de mais tem um papel profético com os seus ensinamentos e também com o testemunho dos cristãos. A Igreja não pode calar a sua voz mas, sobretudo através de todos os cristãos inseridos na sociedade, deve tornar presente um estilo de vida que me parece ser, naturalmente, contra-cultural.
No meu entender, (a Igreja deve optar por) um estilo de vida marcado pela promoção da pessoa, diferente do individualismo reinante que tem sido estimulado e tem sido veiculado pelos meios de comunicação social.
AE – A opção preferencial pelos pobres é indicada pelo magistério da Igreja. Como propor esta opção em âmbito escolar?
MY – A formulação da opção preferencial pelos pobres é nova mas a ideia subjacente é sublinhada em toda a Escritura, em especial no Evangelho. Contém uma carga humanista e ética, que filósofos e também políticos incorporaram com outros termos.
Se uma sociedade deseja realmente ser justa – creio que é algo inquestionável – tem de colocar no centro da sua preocupação os mais desfavorecidos e desprotegidos.
Uma sociedade de capitalismo pós-industrial gera uma massa de gente que é expulsa do mercado laboral, do mercado de produção e de consumo. A sociedade não sabe o que fazer com estas pessoas. Como integrá-las nesta dinâmica vertiginosa de crescimento económico, mobilizado pela tecnologia que oferece oportunidades inéditas na história da humanidade – pensemos por exemplo na Internet, nos meios de comunicação social?
Tudo isto é uma grande batalha com uma brecha imensa. É uma questão que agrava a dignidade da pessoa humana.
AE – E como se pode propor a opção pela pobreza em ambiente escolar, tanto na pedagogia como nos conteúdos?
MY – Tem de ser uma proposta a vários níveis. Primeiro temos de mudar de paradigma na actividade profissional. A excelência é, no fundo, um meio para alcançar um êxito pessoal e alcançar uma competitividade que se revela selvagem.
A Igreja tem aqui de propor uma excelência baseada na solidariedade, como afirmou o Papa João Paulo II e o próprio Bento XVI.
Por outro lado são necessárias estratégias concretas e contactos reais com situações de pobreza, com as pessoas que estão excluídas: o voluntariado tem crescido muito, em especial na Europa, e pode ser uma resposta na ajuda do conhecimento de uma realidade que esperamos, depois, possa envolver as pessoas, cada uma no seu local de trabalho e no âmbito da sua profissão.
Precisamos de mudar de sistema, o que será muito difícil. Ou pensar na correcção do actual para que realmente possa ser mais humano.
AE – A educação insere-se nesta fractura ideológica que traçou, no contraste entre a proposta da Igreja Católica e do Estado. Em Portugal vivemos uma situação de constrangimento orçamental que põe em causa a coexistência de duas propostas. Que consequências pode esta situação trazer para o futuro da educação e da sociedade?
MY – Não conheço a situação portuguesa, mas posso falar no que acontece na Argentina. O serviço que a Igreja presta na educação é de caridade. Não porque nós o dizemos, nem pela quantidade de pedidos dos alunos que recebemos.
É um serviço oferecido a todos os níveis sociais que a Igreja desenvolve, um trabalho de integração social muito importante. E também de qualidade, sobretudo nos níveis populares, onde, pelo menos no meu país, a oferta estatal é deficiente.
Se realmente queremos uma promoção dos mais pobres e mais débeis, a educação é uma arma imprescindível. A Igreja, oferecendo um serviço social não deveria ser penalizada e descriminada, mas antes apoiada. É preciso inteligência na concepção política de uma sociedade.
AE – A Igreja pede também aos cristãos que ajudem a sobrevivência destas escolas. Até que ponto a proposta cristã da educação é valorizada?
MY – É fundamental. Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.
LS
Publicado em Agência Ecclesia.
As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus (Rádio Vaticano)
Fonte: Rádio Vaticano
As bem-aventuranças, um novo programa de vida; a Igreja não teme a pobreza, desprezo e perseguição: Bento XVI antes de recitação do Angelus . A solidariedade do Papa aos doentes de lepra e apoio aqueles que os curam , e o pedido de projectos concretos de paz para a Terra Santa
(30/1/2011)
Dirigindo-se aos milhares de pessoas congregadas ao meio dia na Praça de S. Pedro para a recitação do Angelus, Bento XVI comentou o Evangelho deste quarto domingo do Tempo Comum que apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige á multidão das suaves colinas á volta do lago da Galileia.
Jesus proclama bem aventurados “os pobres que o são no seu intimo, os aflitos, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os puros de coração, os que sofrem perseguição”….
Não se trata – salientou o Papa – de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do alto e toca a condição humana, precisamente aquela que o Senhor incarnando-se quis assumir, para a salvar.
As bem-aventuranças são um novo programa de vida para nos libertarmos dos falsos valores do mundo e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros. De facto quando Deus consola, sacia a fome e sede de justiça, enxuga as lágrimas dos aflitos, significa que, para além de recompensar cada um de maneira sensível abre o Reino dos Céus. As Bem aventuranças são a transposições da cruz e da ressurreição para a existência dos discípulos , disse o Papa citando uma passagem do seu livro “Jesus de Nazaret”.São espelho da vida do Filho de Deus que se deixa perseguir, desprezar até á condenação á morte, para que seja dada a salvação aos homens.
Bento XVI salientou depois que o Evangelho das bem-aventuranças se comenta com a própria historia da Igreja, a historia da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – “o que é fraco, segundo o mundo, é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que é vil e desprezível no mundo, é que Deus escolheu como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são” ( 1 Cor 1,27-28) .
Por isso a Igreja não teme a pobreza, o desprezo, a perseguição numa sociedade muitas vezes atraída pelo bem estar material e pelo poder mundano – disse Bento XVI a concluir.
-Depois da recitação do Angelus o Papa recordou que neste domingo se celebra o dia mundial dos doentes de lepra, promovido nos anos 50 do século passado por Raul Follereau e reconhecido oficialmente pela ONU.
“A lepra, – salientou Bento XVI- embora esteja a regredir, infelizmente atinge ainda muitas pessoas em condições de grave miséria. A todos os doentes asseguro uma oração especial, que estendo a todos aqueles que os assistem e de varias maneiras se empenham a vencer o morbo de Hansen. Saúdo em particular – acrescentou o Santo Padre – a associação italiana dos Amigos de Raul Follereau que completa 50 anos de actividade
Bento XVI recordou ainda que nos próximos dias em vários países do Extremo Oriente se celebra com alegria, especialmente na intimidade das famílias, o novo ano lunar. A todos aqueles grandes povos o Papa desejou de coração serenidade e prosperidade.
Outra efeméride á qual Bento XVI quis referir-se foi a jornada internacional de oração pela Paz na Terra Santa.
Associo-me – disse o Santo Padre – ao Patriarca Latino de Jerusalém e ao Custodio da Terra Santa no convite dirigido a todos, a pedir ao Senhor para que faça convergir as mentes e os corações para projectos concretos de paz.
Simbolicamente, no final do Angelus, duas crianças lançaram pombas brancas desde a janela do apartamento do Papa, sobre a Praça de São Pedro, numa iniciativa promovida pela Acção Católica de Roma.
Publicado em Rádio Vaticano.
São João da Cruz: mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro – Estudo – Ir. Andréa dos Santos Lourenço (Discípulas de Jesus Eucarístico)
Fonte: Discípulas de Jesus Eucarístico –
http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/pastoral_vocacional.html
Poesias -Por São João da Cruz – “Noite Escura” – http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/poesia-05-out11.html. Por Ir. Andréa dos Santos Lourenço – “Paradoxos” – “Releituras” – Estudo “São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro”.
ESTUDO
São João da Cruz:
Mistagogo do homem
e da mulher
à procura do Deus verdadeiro
João da Cruz: um homem que orienta a busca do Deus verdadeiro para o homem e a mulher de hoje
Um homem que viveu há quase meio milênio, em que pode contribuir para as pessoas do terceiro milênio?
Sem dúvida, São João da Cruz ilumina a busca de Deus, do Deus verdadeiro, que realmente preenche o vazio e restitui O SENTIDO à existência humana.A atualidade do seu pensamento está na resposta satisfatória que ele consegue dar às angústias dos homens. Tenta penetrar o coração do homem e acalmá-lo nas suas revoltas, apresentando o ideal da unidade: DEUS. A situação “do homem”, de São João da Cruz, é a de homem de sempre: a busca do Absoluto, o ideal da perfeição, da libertação do nada, o encontro com o TUDO (Patrício Sciadini – OCD).
João da Cruz vem nos dizer que somente Deus pode plenificar o coração do homem. Ele é uma pessoa que faz a experiência do Absoluto em sua própria vida e, como um grande Mistagogo, consegue, a partir da própria experiência, nos conduzir seguramente a Deus. A busca de Deus é também busca de unidade interior. Porém, esta é uma busca árdua, difícil que exige força de vontade e empenho. É a ascese de que nos fala Platão no ilustre “Mito da Caverna”, referindo-se à alma que, saindo da caverna das suas sombras, quer contemplar não mais apenas as sombras, mas as realidades em si mesmas; quer não apenas reflexos de luz, mas, ao contrário, quer poder contemplar o próprio sol. Aquele que sai da caverna, num primeiro impacto com a claridade pode querer deixar a luta iniciada e permanecer nas sombras, temendo o enorme grau de esforço que será necessário empreender para acostumar-se definitivamente com a luz e, um dia finalmente, poder suportar olhar para o sol. Mas o desejo de “plenitude” o impulsionará em sua busca e não o deixará desanimar, pois o ser humano tem sede de infinito, tem sede de Deus.
João da Cruz nos ensina com a própria experiência que vale a pena a busca apesar das dificuldades. É necessário ter claro diante dos olhos o ideal, a meta e investir tudo para atingi-la. Ele mesmo era um homem feliz, porque sabia onde queria chegar: tinha clareza de objetivos. Ele não vive simplesmente por acaso, mas vive e sabe porquê de seu viver. Mesmo em meio às adversidades, aos contrastes sombrios e turbulentos da vida, ele não desanima. Continua caminhando tranqüilo e sereno porque as dificuldades não lhe ofuscam a visão, e seu ideal continua visível aos olhos. Mesmo nas “noites” Deus continua resplandecendo em sua vida e na vida de todo homem, mesmo se, aparentemente dê a sensação de estar ausente.
A dificuldade da busca e a certeza do encontro
No cárcere, em Toledo, na experiência dura da incompreensão de seus confrades, na experiência do aparente silêncio e abandono de Deus, João sabe que a ausência é realmente aparente, e a sua se torna uma solidão “povoada” por Deus.
Aquela eterna fonte está escondida,
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.
Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda origem dela vem,
Mesmo de noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.
Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
E que ninguém pode nela a vau passar,
Mesmo de noite.
Sua claridade nunca é obscurecida,
E sei que toda luz dela é nascida,
Mesmo de noite.
Sei que tão caudalosas são suas correntes,
Que céus e infernos regam, e as gentes,
Mesmo de noite.
A corrente que desta fonte vem,
É forte e poderosa, eu sei-o bem,
Mesmo de noite.
A corrente que destas duas procede,
Sei que nenhuma delas a precede,
Mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida,
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo de noite.
De lá está chamando as criaturas,
Que nela se saciam às escuras,
Mesmo de noite.
Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida já a vejo,
Mesmo de noite.
João permanece fiel a Deus e o deseja, o busca porque é convicto de sua presença. Ele SABE que mesmo na escuridão pode confiar que a sua fonte está presente e que ele pode dela beber e saciar-se abundantemente. É o que lhe dá sustento na caminhada.
A Pós-Modernidade e a “privatização do divino”
A busca do transcendente excessivamente valorizada na Pós-Modernidade é uma busca em muitos aspectos egoísta, reflexo da atitude de um mundo onde o individualismo floresce vicejante no campo da competição pelo poder, pela riqueza e pelo status. Busca-se o privado, aquilo que satisfaz o indivíduo sem levar em conta o coletivo, a comunidade.
“A individuação de Deus na experiência privada da vivência da fé conduz ao desconhecimento do outro, porque satisfaz por si mesma… Uma atitude coerente com a busca da felicidade pessoal, recusa de sacrifícios pelos outros, liberação das imposições tradicionais, hedonismo no plano afetivo… A complexidade e diversificação deste espaço multifacetado para a vivência da fé possibilita que o indivíduo, nas suas reações, tenha como centro a si mesmo, caracterizando o individualismo”. (MOL, Joaquim Giovanni. In: Individualismo cultural e vivência da fé – dissertação de mestrado).
“O excessivo sucesso do esoterismo, da parapsicologia, mentalização psicológica, Yoga, para chegar à paz interior não é outra coisa que a tentativa de substituir a Deus. Estes meios, todavia, não são capazes de reunificar o homem, de alcançar-lhe a harmonia na qual foi criado e para a qual tende após a Redenção. O menor dos danos que essas pseudo-doutrinas podem gerar é a desembocadura em um naturalismo puro, que não liberta de nossas escravidões e limitações. O homem novo não é construído em cima de sua própria natureza, em cima de seu próprio barro. Ele nasce da postura de permanecer como objeto a ser remido por Deus” (Patrício Sciadini – OCD).
João da Cruz: abertura a Deus que não exclui o próximo
São João da Cruz não se fecha em si mesmo na sua experiência de Deus. A sua é uma experiência relacional com Deus que se prolonga no outro. A sua [experiência] não é uma busca egoísta de Deus para aprisioná-lo em si mesmo. Ao contrário, ele se torna mistagogo. Nos ajuda a fazermos também nós o nosso encontro com o Deus verdadeiro. Ele é uma pessoa feliz, realizada, que sente a necessidade de comunicar sua experiência, deixar que ela transborde para que outros possam se beneficiar.
O Deus ao qual João nos conduz é um Deus próximo. Está tão perto de nós, que habita dentro de nós e nos leva para dentro de si. Contudo, não nos aprisiona, nem nos escraviza, mas nos propõe uma relação de liberdade. Precisamos descer ao fundo de nós mesmos e encontrá-lo. Ele está escondido em nosso ser. Essa busca do divino no mundo atual, mostra justamente esta realidade: O Amado atrai como um ímã, quer ser buscado e quer ser encontrado.
Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo, fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.
Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, por ventura virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu Amado.
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado.
Extingue os meus anseios
Porque ninguém os pode desfazer
E vejam-te meus olhos
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.
(Cântico Espiritual – Granada 1584 – 1586)
João orienta a busca do Deus que ele denomina como AMADO. Porém, é preciso silenciar tudo em nós para iniciarmos a busca e encontrarmos Deus.
Deus sabe que o coração do ser humano tem sede de infinito, tem sede de beber da fonte na qual tem sua origem. O coração humano vive na procura nostálgica de sua origem e estará “inquieto e insatisfeito enquanto não repousar em Deus”.
O homem e a mulher de hoje procuram Deus e muitas vezes tem a ilusão de o terem encontrado em realidades que não são, de fato orientadas para o DESEJADO, o AMADO, como O chama São João.
São João da Cruz pode orientar este homem e esta mulher inquietos na busca de Deus.
Às vezes nos é transmitida uma falsa imagem da figura deste santo, ao ponto de nos parecer inacessível e inatingível. Mas, ao contrário, São João da Cruz é uma pessoa muito próxima de nós. Viveu seu cotidiano buscando, com toda a sua energia a Deus. Também ele experimentou e sentiu o “silêncio de Deus” e dos homens.
O segredo dele está no fato de ter claro o que realmente queria. Era convicto do amor, da bondade e da presença de Deus. Era convicto de que Deus é fiel e nele se pode confiar e esperar, mesmo de noite.
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Autoria:
Ir. Andréa dos Santos Lourenço ( http://pt-br.facebook.com/irmaandrea.dossantoslourenco)
Discípulas de Jesus Eucarístico.
“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011 (Agência Fides)
Fonte: Agência Fides
INTENÇÃO MISSIONÁRIA
29.01.2011
“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011
Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Durante sua vida terrena, Jesus sempre esteve próximo ao sofrimento humano. A experiência da cura dos enfermos ocupou boa parte de sua missão pública. Para Ele levaram os doentes, os aleijados, os cegos e leprosos. Uma cadeia de dor vivida muitas vezes na exclusão social e considerado o resultado do pecado pessoal ou de seus pais (Cf. Jo 9, 2). Santo Agostinho amava chamar Jesus de “o médico humilde”. Ele passou pelo mundo fazendo o bem e curando as doenças. Bento XVI disse: “Apesar de a doença fazer parte da experiência humana, a ela não conseguimos nos acostumar, não só porque às vezes é realmente pesada e grave, mas essencialmente porque somos criados para a vida, para a vida completa. Justamente, o nosso instinto interior nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, aliás, como Vida eterna e perfeita (Angelus de 8 de fevereiro de 2009). Às vezes a dor e impotência causada pela doença podem colocar à prova a fé. Os fiéis têm o dever de ajudar seus irmãos a encontrar o significado do sofrimento na cruz de Jesus Cristo e continuar a rezar para pedir a Deus a graça de “saber sofrer”. Precisamos ser para eles a proximidade de Deus na dor. Diante da pergunta colocada pela doença, Deus respondeu em Cristo Jesus: “Deus – que nos revelou seu rosto – é o Deus da vida que nos liberta de todo mal. Os sinais de sua força de amor são as curas que realiza demonstra assim que o Reino de Deus está próximo, restituindo aos homens e mulheres sua integridade de espírito e corpo” (Bento XVI, ibid). Mas essas curas físicas não um fim a si mesmo. São sinais que falam da necessidade de uma cura mais profunda. A doença mais grave que afeta os seres humanos de todos os tempos é a ausência de Deus, fonte da verdade e do amor. Em Cristo, Deus se tornou Bom Samaritano para nós. Através da encarnação tornou-se o “nosso próximo”, ele nos pegou sobre seus ombros de Bom Pastor e nos trouxe para a estalagem, que é símbolo da Igreja. Ele curou as nossas feridas com o óleo dos sacramentos, para recuperar a nossa saúde. Falando do sentido pleno do ministério de Cristo, o Papa afirma que “só a reconciliação com Deus pode nos dar a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem Amor sem verdade não seria a vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e do amor, e assim é cura no profundo de nosso ser. Entende-se, portanto, porque a sua pregação e as curas que faz estejam sempre unidas: formam uma única mensagem de esperança e salvação” (Bento XVI, ibid.). O ministério de Cristo continua na Igreja. Ela continua a curar o ser humano com a graça dos sacramentos, enquanto, envolvida em milhares de atividades beneficentes, atenua o dor daqueles que sofrem, sendo para eles a presença amorosa de Deus Rezemos para que muitos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – que cuidam dos doentes em várias partes do mundo, continuem sendo as mãos e o coração de Cristo para seus irmãos nos países de missão. “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. (Mt 25, 40). (Agência Fides 29/1/2011)
“Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar” – Artigo – Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)
Fonte: http://teresadejesus.carmelitas.pt/
Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar
Caminhar está na moda e é saudável. E o mundo está sulcado de caminhos que cruzam como chicotadas a pele do planeta. Caminham os que emigram procurando melhores condições de vida; caminhamos peregrinos por diferentes motivos; caminhamos para mantermos a linha; caminhamos ao passear pelos nossos parques e cidades.
E no dia em que temos de pegar na bengala, damo-nos conta de que caminhar é aprendizagem da vida, um sinal de liberdade e todo um sofrimento ou prazer, dependendo de que lado o vejamos.
Teresa gostava de caminhar. A sua vida abre-se aos nossos olhos com o episódio infantil da escapada a terras de mouros. Um episódio real e simbólico, do Caminho que Teresa fará ao andar (viver); ao morrer (ouvem-na dizer: “já chegou a hora desejada, já é tempo de que nos vejamos, Senhor meu, já é tempo de caminhar”).
Mulher andarilha por todos os caminhos, nunca vai só. Na infância, o companheiro foi seu irmão Rodrigo; em adulta, serão seus irmãs e irmãs que lhe seguem os passos, e, finalmente, quando morre, será esse Senhor, que a Si próprio Se definiu como Caminho, quem Se vai converter para ela em companheiro de viagem – na própria viagem e meta.
Um belo dia, brotará da sua ágil pena um “Caminho”, procurando o ideal da infância, porque nos recordará, ao Carmelo, que “viemos para morrer por Cristo”, e nele nos fará a grande confidência da sua vida: que a oração é um caminho, que este caminho é a vida e que esta vida é a verdade.
A imagem teresiana de um caminho que nos aperfeiçoa e que é, ao mesmo tempo, perfeito, torna-se acessível e atractiva para os que compreendemos que a oração é esse Caminho, e que orar é viver em companhia amorosa, lado a lado com os irmãos e com Jesus, sendo este “um caminho real para o Céu”. Cada passo que damos aproxima-nos um pouco mais da meta, a de ganhar um grande tesouro: Deus. Um Deus que “basta”, um “mar de maravilhas sem fim”, “uma formosura que contém em si todas as formosuras” …
E embora este caminho tenha os seus perigos e custe caminhar, “não parar até chegar à meta (o fim da vida), aconteça o que acontecer, custe o que custar, pareça bem ou mal aos outros, ainda que morramos no empenho, ainda que nos cansemos e… ainda que o mundo se afunde”, merece a pena suportar os incómodos e peripécias que nele se encontram.
A bagagem é leve, poucas coisas são precisas: “amor de umas para com as outras, despojamento das coisas criadas (liberdade) e verdadeira humildade”. O amor é-nos necessário a todos nós que caminhamos, para atenuar os choques inevitáveis e deixar que brote a amizade. O estar apaixonados por Deus e olhar o afecto pelas coisas com distância e respeito dá-nos uma grande liberdade. E a humildade, que é a verdade, ou seja, o reconhecimento de que não somos nem melhores nem superiores aos outros. Não precisamos de muito mais na mochila. É questão de convicções, desejos e propósitos.
O caminho é longo, árduo, custoso e “quem caminha, caminhará pouco e com trabalho se não tiver bons pés e coragem e ousadia nisso mesmo”, dirá João da Cruz. E o mesmo santo sentenciará que, para chegar ao cume, “é necessário estar apaixonado por Deus”.
Ambos, como guias experimentados descrevem-nos a meta, o cume, em termos de beleza irresistível: “só Deus basta” – dirá Teresa, e João responderá: “Por toda a formosura, nunca eu me perderei senão por um não sei quê que se alcança por ventura”.
E, enquanto caminhamos (vivemos), vamos trilhando a rota do Pai-Nosso, aproximando-nos cada vez mais da última paragem, essa que na petição orante soa como “livrai-nos de todo o mal”, essa que é sinónimo de felicidade, de bem-aventurança, de felicidade, de gozo. Essa que é encontro e abraço, e descanso e festa. Essa que é “chegar a casa”.
Teresa, andarilha por todos os caminhos, a ti que seguiste o Caminho e gostavas de caminhar, concede-nos um pouco da tua coragem para seguir o Mestre como tu fizeste.
Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)
2010-12-18
Publicado em Santa Teresa de Jesus -“Para Vós Nasci”

