A Grande Promessa do Sagrado Coração de Jesus – Nove Primeiras Sextas-Feiras (O Imaculado Coração Triunfará)

A Grande Promessa – Nove Primeiras Sextas-Feiras

 

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A todos os que comungarem na primeira sexta-feira em nove meses consecutivos, eu prometo a graça da penitência final: Eles não morrerão no meu desagrado, mas receberão os santos sacramentos, e o meu coração será para eles asilo seguro naquele momento extremo”.

 

Estas explicações foram tiradas do livro: “A GRANDE PROMESSA do Sacratíssimo Coração de Jesus,  Frei Salvado do Coração da Jesus Terceiro dos Menores Capuchinhos, com a  tradução do italiano, com autorização do autor por uma zeladora do Apostolado da Oração.

TODOS NO CÉU

“Todos no céu” – exclamava São Francisco de Assis convidando os fiéis a entrarem na igreja de Santa Maria dos Anjos, quando obteve do Sumo Pontífice a indulgência chamada da Porciúncula.

“Todos no céu” – podem também exclamar alegres, e com muita razão, os devotos do Santíssimo Coração de Jesus, porque o mesmo Coração de Jesus lho prometeu.

Que alegria, que felicidade ter certeza moral da própria salvação! Que podemos desejar mais? Nada, absolutamente nada, porque este pensamento: estou salvo, enche a alma e o coração de tamanha satisfação, que se não pode desejar e nem mesmo imaginar coisa melhor. Vamos às perguntas:

PERGUNTA – Quando e a quem fez o Sagrado Coração esta Grande Promessa?

RESPOSTA – Na realidade o Sagrado Coração de Jesus fez doze consoladoras promessas a favor dos seus devotos; nós, porém, somente queremos falar na Grande Promessa, porque esta é como um resumo e coroa de todas as outras. Para manifestar o seu amor, o Coração abençoado de Jesus escolheu uma jovem, uma virgem, Margarida Maria de Alacoque, desconhecida do mundo, mas muito querida por Deus.

Esta donzela feliz contava vinte e seis anos, professando, desde um ano, no mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, na França. Três vezes quis Jesus consolar a sua amada com sua presença. A primeira vez foi no dia 27 de dezembro de 1673; a segunda, na oitava de “Corpo de Deus”. Numa dessas aparições, na segunda, parece, enquanto a jovem estava em dulcíssimo êxtase, recolhida e imóvel, com os braços cruzados no peito, com a face irradiada pela chama interior, uma luz celeste, vista somente por ela, iluminava o altar, e através das grades ela viu o Coração… Estava este coração completamente cercado de chamas e rodeado por uma coroa de espinhos, transpassado por uma profunda ferida, todo ensanguentado e encimado por uma cruz. Margarida – disse Jesus, dirigindo-se à jovem – eu te prometo na excessiva misericórdia do meu coração dar penitência final a todos os que comungarem na primeira sexta-feira em nove meses consecutivos… Eles não morrerão no meu desagrado, nem sem receber os Sacramentos, tornando-se meu Coração refúgio para eles naqueles transes extremos.

Se essa grande e solene promessa não tivesse saído dos próprios lábios do Homem Deus, poder-se-ia, talvez, duvidar de sua autenticidade, por ser demasiado extraordinária, por parecer impossível que com tão pouca coisa, com nove comunhões somente, o cristão possa adquirir o direito de entrar na glória do céu. Daí, mais a seguinte pergunta:

PERGUNTA – Que é que se deve fazer para alcançar esta graça extraordinária?

RESPOSTA – Nada mais que o que disse Jesus, isto é, aproximar-se, com as devidas disposições da Santa Mesa Eucarística, nas primeiras sextas-feiras de cada mês, por nove meses consecutivos.

PERGUNTA – E teremos também a certeza de receber os Sacramentos antes de morrer?

RESPOSTA – Sem dúvida, se os Sacramentos forem necessários para se conseguir a salvação, mesmo que o fiel esteja em estado de graça, a Igreja, recomenda a recepção devota dos Sacramentos. O certo é: o devoto do Sagrado Coração, não morrerá no desagrado de Deus.

PERGUNTA – Mas se depois de ter feito as nove sextas-feiras com as devidas disposições o cristão perdesse a sua devoção, que pensar dessa pobre alma?

RESPOSTA – Deve-se pensar que o Coração de Jesus terá tido compaixão dessa pobre alma, a qual, em seus últimos momentos de vida, terá achado o seu refúgio seguro neste Coração. De fato, Jesus prometeu, sem exceção alguma, a graça da penitência final a todos os que tenham comungado na primeira sexta-feira em nove meses seguidos; daí se crer que, no excesso de misericórdia do seu Coração, terá iluminado e tocado essa alma nos seus últimos transes com a sua graça de modo a poder fazer um ato de contrição perfeita. Assim e não de outro modo é que se deve pensar, porque Jesus é fiel em suas promessas. Direi ainda mais, que se para se salvar aquela alma fosse necessário um milagre, não há dúvida alguma que Jesus o faria, faria este excesso de misericórdia com a onipotência de seu Coração.

Ademais, a experiência o tem provado, que quem teve a perseverança de fazer em honra do Sagrado Coração de Jesus, nove comunhões em nove meses consecutivos, sem nunca interrompê-la, dificilmente abandonará esta pia devoção. As mais das vezes, até sucede que estes devotos acabam por não só comungar nas primeiras sextas-feiras de cada mês como também em todas as sextas-feiras do ano, não sendo raro o caso em que acabam por comungar todos os dias. E não é de admirar, porque Jesus veio à terra para trazer o fogo do divino amor, e nada mais deseja que este fogo se acenda e arda em todos os corações.

PERGUNTA – Se alguém interromper as nove sextas-feiras por motivo justo, deverá começar de novo?

RESPOSTA – Sim, porque a condição posta pelo Sagrado Coração é expressa de um modo claro e preciso; é indispensável, portanto, comungar nas nove primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos.

PERGUNTA – Quem fizesse as nove comunhões com a intenção de garantir o céu, pensando, entretanto, consigo mesmo, de continuar a pecar, poderia ele ter confiança nesta grande promessa do Sagrado Coração de Jesus?

RESPOSTA – Certamente que não e até cometeria muitos sacrilégios, porque, quem se aproxima dos Santos Sacramentos, deve ter firme intenção e vontade decidida de abandonar o pecado. Não é a mesma coisa ter medo de tornar a ofender a Deus por causa da nossa fraqueza e a calamidade da intenção de continuar a cometer pecados. No primeiro caso a misericórdia de Deus nos abre seus braços e nos concede o perdão; no segundo, porém, ela se irrita e fica por assim dizer impelida a castigar.

PERGUNTA – Mas se depois de ter feito bem e com as devidas disposições as nove primeiras sextas-feiras, com o andar do tempo alguém se tornasse mau e perverso, poderia esse salvar-se ainda?

RESPOSTA – A isso já foi respondido na 5ª pergunta, mas repeti-lo-emos de novo: Jesus é fiel em suas promessas, e não poderá permitir que, quem tiver feito as nove sextas-feiras, com a preparação devida, venha a perder a alma.

 PERGUNTA – Poderia indicar-nos quais são as devidas disposições para fazer bem as nove primeiras sextas-feiras a fim de merecer a graça da Grande Promessa?

RESPOSTA – Para merecer a graça da Grande Promessa é necessário: 1) receber nove vezes a Santa Comunhão; 2) na primeira sexta-feira de cada mês; 3) e isto por nove meses consecutivos; 4) aproximar-se da Sagrada Mesa, não só em estado de graça e sem más intenções, mas, ainda, com a intenção de honrar de modo especial o Sagrado Coração de Jesus, que pediu estas comunhões em reparação da ingratidão e de abandono de que é vítima por parte de tantas almas; 5) renovar em cada comunhão a intenção de cumprir a devoção das nove sextas-feiras, a fim de obter o fruto da Grande Promessa, isto é, da penitência final.

A CHAVE DO CÉU

Alma cristã, queres de hoje em diante viver segura, garantindo o importante negócio da tua salvação eterna? Queres adquirir o direito à glória eterna do céu? Pois bem, tu já’ viste que o Sagrado Coração de Jesus, no excesso da misericórdia do seu amor, pôs em tuas mãos a chave de ouro que te abrirá as portas do céu, no último instante de tua vida. Esta chave de ouro está à tua disposição, basta que o queiras, basta que faças as nove sextas-feiras em honra do Sacratíssimo Coração de Jesus. Podia bem o bom Jesus liberalizar-te, melhor do que assim, a salvação de tua alma? Grata e reconhecida, prostra-te a seus pés, agradece-Lhe de todo o coração por ter posto a teu dispor um meio tão fácil de salvação e promete-Lhe que hás de começar já esta devoção. Feliz de ti se perseverares: o Paraíso será teu galardão porque bem o sabes, Jesus é fiel em suas promessas.”

Publicado em O Imaculado Coração Triunfará.

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus – 28 de junho de 2019 – “Por que uma Festa ao Sagrado Coração de Jesus? Quereis conhecer a vida do Coração de Jesus?” – São Pedro Julião Eymard (Cléofas)

Fonte (imagem): Apostolado Beata Imelda & Eucaristia

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Veja o que nos explica um grande santo da nossa Igreja…

Por que uma Festa ao Sagrado Coração de Jesus? 

A finalidade da Festa do Sagrado Coração de Jesus é honrar, mais fervorosa e ardentemente, o amor de Jesus Cristo sofrendo e instituindo o Sacramento de seu Corpo e Sangue.

A fim de penetrar no espírito da devoção para com o Coração de Jesus, é mister, portanto, honrar os sofrimentos passados do Salvador e reparar as ingratidões de que é diariamente saturado na Eucaristia.

Quão profundas foram as dores do Coração de Jesus!

Todas as provocações convergiram para Ele. Foi cumulado de humilhações, ferido pelas mais revoltantes calúnias, que procuravam roubar-lhe a honra; foi saciado de opróbrios e coberto de desprezos. Apesar de tudo isto, porém, ofereceu-se voluntariamente, sem a mais leve queixa. Seu amor foi mais forte que a morte, e as torrentes da desolação não conseguiram arrefecer-lhe o ardor.

Essas dores já terminaram, sem dúvida, mas, desde que Jesus as suportou por nós, o nosso reconhecimento deve persistir, e compete ao nosso amor honrá-las como se estivessem presentes aos nossos olhos.

As razões que determinaram a instituição da Festa do Sagrado Coração de Jesus, e o modelo pelo qual Jesus manifestou seu Coração, ensinam-nos que é na Eucaristia que O devemos honrar, pois é aí que O encontramos na plenitude de seu amor.

Foi diante do Santíssimo Sacramento exposto que Santa Margarida Maria recebeu as revelações do Sagrado Coração; foi na Hóstia Santa que Jesus se lhe apresentou com o Coração entre as mãos, dizendo estas adoráveis palavras, o mais eloquente comentário de sua presença eucarística: “Eis o Coração que tanto amou os homens”.

E o Nosso Senhor, aparecendo à venerável Madre Mectilde, fundadora de um Instituto de Adoradoras, recomendou-lhe que honrasse e amasse com ardor possível o seu Sagrado Coração no Santíssimo Sacramento, e Lho deu como penhor de seu amor para lhe servir de refúgio durante a vida e consolação na hora da morte.

Ó Jesus, sede minha luz, minha nuvem luminosa no deserto deste mundo, meu único Senhor, pois não quero outro! Sede minha única ciência. Fora de Vós, tudo é nada para mim.

“Quereis conhecer a vida do Coração de Jesus?”

A devoção ao Coração de Jesus tem um duplo objetivo. Principalmente, honrar, pela adoração e o culto público, o Coração de carne de Jesus Cristo, e, depois, o amor infinito de que este coração se abrasou por nós desde a sua criação, e que ainda O consome no Sacramento de nossos altares.

Tudo o que pertence à pessoa do Filho de Deus é infinitamente digno de veneração. A menor parcela de seu Corpo, uma gotazinha de seu Sangue, merece as adorações do Céu e da Terra. Até mesmo as coisas desprezíveis em si mesmas se tornam veneráveis ao mero contato com sua Carne, tais como a cruz, os cravos, os espinhos, a esponja, a lança e todos os instrumentos de seu suplício.

Quanto não se deve, pois, venerar seu Coração, cuja excelência se baseia na sublimidade das funções que exerce, na perfeição dos sentimentos que produz e das ações que inspira!

Poucas pessoas meditam nas virtudes, na vida, no estado de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Quantas O consideram como uma estátua, e pensam que Ele aí está somente para nos perdoar e receber as nossas súplicas. É um erro. Nosso Senhor aí vive e opera. Contemplai-O, estudai-O, imitai-O!

Podemos dirigir ao Divino Coração de Jesus as orações, homenagens e adorações que oferecemos ao próprio Deus.

Ah! Quanto se enganam os que, ouvindo estas palavras: “Ó Coração de Jesus”, dirigem todos os seus pensamentos ao órgão material, considerando esse Coração um membro sem vida e sem amor, tratando-O apenas como relíquia santa.

Enganam-se ainda os que pensam que esta devoção divide Jesus Cristo, e, assim, restringem ao seu Coração um culto que deve ser prestado à sua Pessoa toda. Não se convencem de que não excluímos as outras partes do composto divino do Homem-Deus, quando honramos o Coração de Jesus, porquanto, venerando-Lhe o Coração, queremos celebrar todos os atos, a vida total de Jesus Cristo, que é a manifestação exterior de seu Coração.

Ao Coração de Jesus, vivo no Santíssimo Sacramento, honra, louvor, adoração e realeza por todos os séculos dos séculos! (cf. Ap 5,12-13).

Cerquemos portanto a Eucaristia de nossas adorações, de nosso amor.

Assim como se formam no sol e dele se irradiam os raios ardentes que fertilizam a terra e conservam a vida, do mesmo modo é do coração que emanam as doces e fortes influências que comunicam o calor vital e o vigor a todos os membros do corpo.

Se o corpo enfraquece, o corpo todo definha; se o coração sofre, os membros sofrem também, os órgãos não funcionam regularmente e o organismo todo se abala.

A função do Coração de Jesus foi vivificar, fortificar, sustentar todos os seus membros, órgãos e sentidos, por influências contínuas, como o princípio das ações, dos afetos, das virtudes e de toda a sua vida do Verbo Encarnado. É que o coração, no dizer dos filósofos, é o foco do amor, e visto que foi o amor o móvel da vida de Jesus, é ao seu Coração que devemos referir todos os seus mistérios e todas as suas virtudes.

Assim como os olhos veem e os ouvidos ouvem, o coração ama. É o órgão da alma na produção dos afetos e do amor, tanto que, na linguagem vulgar, confundem-se estas duas expressões, designando-se o coração para exprimir o amor e este para significar aquele.

Quereis conhecer a vida do Coração de Jesus? Ela se divide entre o Pai Celeste e nós.

Protege-nos, e, enquanto encerrado numa Hóstia frágil, o Salvador parece dormir o sono da impotência, o seu Coração vela. “Ego dormio et cor meum vigilat” (Ct 5,2).

Vela quando pensamos n’Ele e quando não pensamos. Não tem repouso; dirige constantemente ao Pai clamores de perdão em nosso favor. Jesus nos encobre com o Coração e nos preserva dos golpes da cólera divina provocada por nossos incessantes pecados. Seu Coração aí está como sobre a Cruz, aberto e deixando correr sobre as nossas cabeças torrentes de graça e de amor. Aí está para nos defender dos nossos inimigos, qual mãe que, a fim de proteger o filho de um perigo, o estreita ao coração para que ele somente seja atingido depois dela.

“E mesmo que a mãe esquecesse o filho, nos diz Jesus, jamais vos esquecerei!” (Is 49,15).

Conservai-vos, portanto, bem pequenino sobre o Coração do Divino Mestre, como a criancinha, amedrontada, se refugia no regaço materno.

São Pedro Julião Eymard

Fonte: Cleófas – “Por que uma Festa ao Sagrado Coração de Jesus?”  …  “Quereis conhecer a vida do Coração de Jesus?”

A grande mensagem do Coração de Jesus

Depois da Páscoa, a Igreja coloca várias festas importantes. Hoje comemoramos o Sagrado Coração de Jesus, que tem o intuito de honrar o amor de Jesus Cristo sofrendo e instituindo o Sacramento de seu Corpo e Sangue.

Confira uma palavra do Prof. Felipe Aquino sobre esta festa tão importante:

Por Prof. Felipe Aquino (Cléofas).

Leia também: 

Qual a origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?

A grande promessa do Coração de Jesus : “No extremo da misericórdia do meu Coração onipotente, concederei a todos aqueles que comungarem nas primeiras sextas-feiras de cada mês, durante nove meses consecutivos a graça do arrependimento final. Eles não morrerão sem a minha graça e sem receber os SS. sacramentos. O meu coração naquela hora extrema ser-lhe-á seguro abrigo”. As outras promessas [11] do Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque.

Sagrado Coração de Jesus: fonte de toda consolação

As revelações do Coração de Jesus encorajam o pecador à confiança

Meditando sobre o Sagrado Coração de Jesus

Por que ser devoto ao Sagrado Coração de Jesus?

Coroinha ao Sagrado Coração de Jesus

10 curiosidades sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Publicado em Cléofas.

 

NOVENA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (Derradeiras Graças)

A Solenidade ou Festa do Sagrado Coração de Jesus, de acordo com o calendário litúrgico, está prevista para o dia 28 de junho de 2019.

NOVENA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Oração Preparatória para todos os dias

Oh! Coração diviníssimo de meu amado Jesus, em quem a Santíssima Trindade depositou tesouros imensos de celestiais graças!
Concedei-me um coração semelhante a Vós mesmo, e a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, vosso sagrado culto e bem de minha alma. Amém.
Rezar a oração do dia que corresponda.

Primeiro Dia
Oração:
Oh! Coração Sacratíssimo e poderoso de Jesus, que, com fervorosíssimos desejos e ardentíssimos amor, desejais corrigir e desterrar a secura e fraqueza de nossos corações!
Inflamai e consume as maldades e imperfeições do meu, para que se abrase em vosso amor; Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra Vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias em reverência as três insígnias da Paixão com que se mostrou o Sagrado Coração a Santa Margarida de Alacoque e as orações finais.

Segundo Dia
Oração:
Oh! Coração amabilíssimo de Jesus, celestial porta por onde nós chegamos a Deus e Deus vem a nós!
Dignai-vos estar atento a nossos desejos e amorosos suspiros, para que, entrando por vos na casa de vosso Eterno Pai, recebamos suas celestiais bençãos e copiosas graças para amar-vos.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Terceiro Dia
Oração:
Oh! Coração Santíssimo de Jesus, caminho para a mansão eterna e fonte de águas vivas! Concedei-me que siga vossas sendas retíssimas para a perfeição e para o céu, e que beba de vós a água doce e saudável da verdadeira virtude e devoção, que apaga a sede de todas as coisas temporais.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Quarto Dia
Oração:
Oh! Coração puríssimo de Jesus, espelho cristalino em quem resplandece toda a perfeição!
Concedei-me que eu possa contemplar-vos perfeitamente, para que aspire a formar em meu coração a vossa semelhança, na oração, na ação e em todos os meus pensamentos, palavras e obras.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Quinto Dia
Oração:
Oh! Coração dulcíssimo de Jesus, parte da Trindade venerada, por quem se tornam perfeitas todas as nossas obras!
Eu vos ofereço as minhas, ainda que tão imperfeitas, para que suprindo vós a minha negligência, possam parecer muito perfeitas e agradáveis ante o divino acatamento.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Sexto Dia
Oração:
Oh! Coração amplíssimo de Jesus, templo sagrado onde me mandais que habite com toda minha alma, potencias e sentidos!
Graças vos dou pela inexplicável quietude. Sossego e alegria que eu tenho achado neste templo maravilhosos da paz, onde descansarei eternamente.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Sétimo Dia
Oração:
Oh! Coração clementíssimo de Jesus!, divino propiciatório, pelo qual ofereceu o Eterno Pai que ouviria sempre nossas orações, dizendo: “Peça-me pelo Coração de meu amantíssimo Filho Jesus; por este Coração te ouvirei, e alcançarás quanto me peças”.
Apresento através de Vós a vosso Eterno Pai todos os meus pedidos, para conseguir o fruto que desejo.

Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Oitavo Dia
Oração:
Oh! Coração amantíssimo de Jesus, trono ígneo e lucidíssimo, inflamado no amor dos homens, a quem desejais abrasados mutuamente em vosso amor!
Eu desejo viver sempre respirando chamas de amor divino em que me abrase, e com que acenda a todo o mundo, para que nós correspondamos a vós amorosos e obsequiosos.
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma.
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Nono Dia
Oração:
Oh! Coração dolorosíssimo de Jesus, que para abrandar nossa dureza e fazer mais patente o amor com que padecestes tantas dores e penas para salvar-nos, vós quisestes nos mostrar a cruz, a coroa de espinhos e ferida da lança, com que vos manifestastes paciente e amante ao mesmo tempo!
Dai-me a graça de ressarcir as injúrias e ingratidões feitas contra vós.
Oh! amantíssimo Coração!,concedei-me a graça que vos peço nesta novena, se é para maior glória de Deus, culto vosso e bem de minha alma. Amém
Três Pai-Nossos e três Ave-Marias e as orações finais.

Orações Finais

Oração ao Pai Eterno
Oh! Pai Eterno! Por meio do Coração de Jesus, minha vida, minha verdade e meu caminho, chego a vossa Majestade; por meio deste adorável Coração, vos adoro por todos os homens que não vos adoram; vos amo por todos os que não vos amam; vos conheço por todos os que, voluntariamente cegos, não querem conhecer-vos.
Por este diviníssimo Coração desejo satisfazer a vossa Majestade por todas as obrigações que vos tem todos os homens; vos ofereço todas as almas redimidas com o precioso sangue de vosso divino Filho, e vos peço humildemente a conversão de todas pelo o mesmo suavíssimo Coração.
Não permitais que seja por mais tempo ignorado por elas o meu amado Jesus; fazei que vivam por Jesus, que morreu por todas elas.
Apresento também a vossa Majestade, por este Santíssimo Coração, vossos servos, meus amigos, e vos peço que concedeis seu Espírito Santo, para que, sendo seu protetor o mesmo Santíssimo Coração, mereçam estar convosco eternamente. Amém.
Fazer aqui o pedido que se deseja obter com esta novena.

Oração:

Oh! Coração diviníssimo de Jesus, digníssimo da adoração dos homens e dos anjos!
Oh! Coração inefável e verdadeiramente amável, digno de ser adorado com infinitas glórias, por ser fonte de todos os bens, por ser origem de todas as virtudes, por ser o objeto em quem mais se agrada toda a Santíssima Trindade entre todas as criaturas!
Oh! Coração dulcíssimo de Jesus! eu profundíssimamente vos adoro com todas as forças de meu pobre coração, eu vos adoro, eu vos ofereço as adorações todas dos mais amantes serafins e de toda vossa corte celestial e todas as que vos pode dar o Coração de vossa Mãe Santíssima. Amém.

Publicado em Derradeiras Graças.

Solenidade de Corpus Christi: Por que a festa de Corpus Christi é celebrada sempre em uma quinta-feira? ( Aleteia)

Por que a festa de Corpus Christi é celebrada sempre em uma quinta-feira?

© Corinne MERCIER / CIRIC

“Que maravilha deve suscitar, também no nosso coração, o mistério eucarístico!”

Muitas pessoas me questionam: como surgiu a Festa de Corpus Christi? Por que acontece em outra data e não na Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia?

Conhecer um pouco mais sobre esta festa ajudará a melhor celebrar e a mais amar Jesus, presença real na Eucaristia.

A ideia de lançar no calendário litúrgico esta festa originou-se a partir das visões de uma Irmã Agostiniana chamada Juliana de Mont Cornillon, nascida em Liége, na Bélgica.

Ela, desde os 17 anos ,começou a ter visões nas quais Jesus pedia uma festa anual para agradecer o Sacramento da Eucaristia. Aos 38 anos, Irmã, Juliana confidenciou esse segredo ao Cônego Tiago Pantaleão, que 31 anos mais tarde, foi eleito papa e adotou o nome de Urbano IV. Três anos antes de sua morte o Papa Urbano IV, escreve a Bula “Tansiturus” de 11 de agosto de 1264, instituindo mundial a Festa de Corpus Christi, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, devido a morte do Papa, logo a seguir, mesmo assim algumas igrejas adotaram a festa como a diocese de Colônia, na Alemanha.

Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois, quando o Papa Clemente, confirmou a bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. No século XI, começaram a surgir dúvidas sobre a presença real de Cristo na hóstia consagrada e o povo cristão reagiu multiplicando as formas de devoção e adoração da hóstia. As devoções eram muito centralizadas nas relíquias dos santos, para atrair a devoção para a pessoa de Jesus a Igreja favoreceu-se desta festa. Assim, os ostensórios com a hóstia consagrada, substituíram os relicários e foram apresentadas ao povo para adoração considerada como uma “relíquia” de Jesus. Os relicários foram substituídos pelas custódias ou ostensórios, que mostravam ao povo a hóstia consagrada.

Foi escolhida a quinta-feira, para sempre celebrar o Corpus Christi, porque a Eucaristia foi celerada pela 1ª vez na quinta-feira Santa, véspera da Sexta-Feira da Paixão, a morte na cruz impede uma festa solene nestas datas.

Em nenhum versículo da Sagrada Escritura, a Eucaristia é apresentada como um mero ‘símbolo’ do corpo de Cristo. Na verdade, nela está presente o próprio Cristo: corpo, sangue, alma e divindade. Essa é a verdadeira doutrina sobre a Eucaristia ensinada por Cristo e pelos apóstolos, até porque se a Eucaristia fosse apenas um “símbolo”, uma “lembrança”, ela não poderia constituir-se num alimento para a vida eterna.

O Papa João Paulo II assim falou sobre a Eucaristia:

Debaixo das aparências do pão e do vinho consagrados, permanece conosco o mesmo Jesus dos Evangelhos, que os discípulos encontraram e seguiram, viram crucificado e ressuscitado, cujas chagas Tomé tocou, prostrando-se em adoração e exclamando: ‘Meu Senhor e Meu Deus!

Há também um trecho belíssimo da exortação apostólica de Bento XVI, chamada “Sacramentum Caritatis”, em que o Santo Papa comenta sobre a Eucaristia:

Sacramento da Caridade, a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor ‘maior’: o amor que leva a « dar a vida pelos amigos » (Jo 15, 13). De fato, Jesus ‘amou-os até ao fim’ (Jo 13, 1)

Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vigília da sua morte por nós na cruz, pôs uma toalha à cintura e lavou os pés dos seus discípulos. Do mesmo modo, no sacramento eucarístico, Jesus continua a amar-nos ‘até ao fim, até o dom do seu corpo e do seu sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do coração dos discípulos à vista dos gestos e palavras do Senhor durante aquela Ceia! Que maravilha deve suscitar, também no nosso coração, o mistério eucarístico! ”

Olhar para Jesus no Sacramento do Altar é ter a consciência de que somos amados por Deus e reconhecer os sinais desse amor presentes nos acontecimentos da nossa vida.

Padre Reginaldo Manzotti – 17 de junho de 2019.

Publicado em Aleteia.

Solenidade de Corpus Christi: Como surgiu a festa de Corpus Christi? (Aleteia)

Como surgiu a festa de Corpus Christi?

Corpus Christi

© Mazur/catholicnews.org.uk
A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa, os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.

Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.

Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.

Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:

A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.

O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.

Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.

São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.

Todas as células e glóbulos continuam vivos.

A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).

Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.

A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.

O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!

(via Prof. Felipe Aquino, Maio 29, 2018 )

Publicado em Aleteia.

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – Homilia Dominical – 09.06.2019 – Padre Paulo Ricardo

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – Homilia Dominical  – 08.06.2019 (Padre Paulo Ricardo)

Nem o materialismo que reduz o homem a pó, nem o panteísmo que tudo diviniza: o Deus verdadeiro é um só, em três Pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo, e quer nos fazer participar de sua vida divina… Mas como isso se dá? O que nos ensina a Igreja sobre o ser humano, a sua salvação e santificação? Na homilia deste domingo de Pentecostes, Padre Paulo Ricardo apresenta com clareza a doutrina católica a esse respeito, convidando os que somos membros do mesmo Corpo a crescer em fé e em caridade.

Publicado em Padre Paulo Ricardo.

Festa Nacional da Divina Misericórdia: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” – Jesus à Santa Faustina (Divina Misericórdia – Festa Nacional 2019 – misericordia.org)

A Festa da Misericórdia e Santa Faustina

O elemento mais importante da devoção à Divina Misericórdia presente nas revelações de Nosso Senhor à Santa Faustinaé a Festa da Misericórdia. No Diário, o tema recorre em 37 números, em 16 dos quais nos deparamos com uma manifestação extraordinária de Jesus a seu respeito. Com efeito, aos 22/02/1931, uma das primeiras revelações de Jesus à Santa Faustina diz respeito exatamente à Festa da Misericórdia, que deveria ser celebrada no 2º domingo da Páscoa:

“Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia”

(Diário, 49; cf. 88; 280; 299b; 458; 742; 1048; 1517).

A Festa é uma obra divina, mas Deus quer que Santa Faustina se empenhe tanto em sua implantação (Diário 74; 341; 463; 1581; 1680), como em seu incremento:

Na Minha Festa — na Festa da Misericórdia — percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem para a fonte da Minha misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (Diário 206); “Pede ao Meu servo fiel que nesse dia fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que nesse dia se aproximar da Fonte da Vida alcançará perdão total das culpas e das penas” (Diário 300; cf. 1072). Santa Faustina abraça com toda a alma esta causa, pelo que exclama e reza: “Oh, como desejo ardentemente que a Festa da Misericórdia seja conhecida pelas almas!” (Diário 505); “Apressai, Senhor, a Festa da Misericórdia, a fim de que as almas conheçam a fonte da Vossa bondade” (Diário 1003; cf. 1041). Jesus leva a sério a dedicação de Santa Faustina nesta missão: “Pelos teus ardentes desejos, estou apressando a Festa da Misericórdia.”

Em 1935, no domingo de encerramento do Jubileu da Redenção promovido pelo Papa Pio XI, Santa Faustina participou da Eucaristia como se estivesse celebrando a Festa da Misericórdia; Jesus então se lhe manifesta como está na imagem e lhe diz: “Essa Festa saiu do mais íntimo da Minha misericórdia e está aprovada nas profundezas da Minha compaixão. Toda alma que crê e confia na Minha misericórdia irá alcançá-la” (Diário 420; cf. 1042; 1073).

No Diário encontramos uma relação muito estreita entre a Festa da Misericórdia a confiança na divina misericórdia, a proclamação da divina misericórdia, a celebração dos sacramentos (Eucaristia e Confissão), a remissão dos pecados (culpas e penas) e a veneração da Imagem:

A tua tarefa e obrigação é pedir aqui na terra a misericórdia para o mundo inteiro. Nenhuma alma terá justificação enquanto não se dirigir com confiança à Minha misericórdia. E é por isso que o primeiro domingo depois da Páscoa deve ser a Festa da Misericórdia. Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta Minha grande e insondável misericórdia. Faço-te dispensadora da Minha misericórdia. Diz ao teu confessor que aquela Imagem deve ser exposta na igreja, e não dentro da clausura desse convento. Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (Diário 570); “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica, a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa” (Diário 699); “Desejo conceder indulgência plenária às almas que se confessarem e receberem a santa Comunhão na Festa da Minha misericórdia” (Diário 1109).

Preparação para a Festa da Misericórdia

A devoção à Divina Misericórdia pede uma Novena em preparação à Festa da Divina Misericórdia, coincidindo com parte do Tríduo Pascal (começa na Sexta-Feira Santa) e acompanhando toda a Oitava Pascal (até o sábado). Com sabedoria pastoral é possível organizar tudo de tal modo que, de um lado, não se obscureça a centralidade das solenidades litúrgicas pascais e, de outro, não se “extinga o Espírito” ao se condenar a priori expressões da piedade (neste caso, mais do que popular) que brotam da mesma fé e esperança informadas pela caridade sobrenatural – e contribuem para o seu incremento.

De resto, é a própria Santa Faustina a nos ensinar a maravilhosa harmonia que deve reinar entre Liturgia e Piedade:

Quase toda solenidade na Santa Igreja proporciona-me um mais profundo conhecimento de Deus e uma graça especial, por isso me preparo para cada solenidade e uno-me estreitamente com o espírito da Igreja. Que alegria ser uma filha fiel da Igreja” (Diário, 481; sobre suas vivências pascais, cf. 205; 649; 1067; 1668; 1670).

Ó Deus, foi por nós que o Cristo, Vosso Filho, derramando o Seu Sangue, instituiu o mistério da Páscoa. Lembrai-vos sempre de Vossas misericórdias, e santificai-nos pela Vossa constante proteção. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Publicado em Divina Misericórdia – Festa Nacional 2019 (misericordia.org).

Sábado de Aleluia ou Sábado Santo e a Vigília Pascal (Nossa Sagrada Família)

Sábado de Aleluia ou Sábado Santo e a Vigília Pascal

Imagem Sábado de Aleluia ou Sábado Santo e a Vigília Pascal

O Sábado de Aleluia ou Sábado Santo é o dia anterior à Páscoa no Cristianismo, sendo considerado o último dia da semana santa.

Outra nomenclatura conhecida do Sábado de Aleluia, é o “Sábado Negro”, remetendo ao luto da morte de Cristo.

O Sábado de Aleluia é marcado dentro da Igreja por algumas diferenças em relação aos outros dias tanto da semana santa quanto dos dias normais, abaixo os ritos deste dia:

  • Os Santos e ícones como a Cruz são cobertos caso não estejam com um pano roxo, simbolizando o luto.
  • Não é realizada a celebração da Eucaristia
  • Celebra-se apenas a parte da liturgia das horas
  • É proibido celebrar qualquer outro sacramento exceto o da Confissão.
  • Porém existe uma regra que é uma exceção para este dia santo, onde a Eucaristia é permitida apenas em caso de morte.

Malhação de Judas

Uma outra tradição conhecida do Sábado de Aleluia em países como Brasil, Portugal e Espanha, é a malhação de Judas, que representa a morte do traidor Judas Iscariotes.

Vigília Pascal

Na noite do Sábado de Aleluia é realizada a Vigília Pascal, que é considerada a mais importante e mãe de todas as vigílias, além do coração do ano litúrgico.

A celebração desta vigília é dividida em quatro partes:

  1. A Liturgia da luz ou ‘lucernário’;
  2. A Liturgia da Palavra;
  3. A Liturgia batismal;
  4. A liturgia eucarística;

As Dores de Nossa Senhora

Esta é uma celebração que trás todos os sofrimentos de Nossa Senhora, relembrando do nascimento de Cristo, até a dor infinita de Maria ao deixar seu filho Jesus no sepulcro.

Além disso durante a Vigília Pascal da noite será celebrada a Missa da Ressurreição. Essa missa é seguida pela bênção do Fogo Novo e do Círio Pascal, bênção da água Batismal e Renovação das Promessas do Batismo.

Fogo: Sinal da presença de Deus na história, em suas manifestações de salvação. Ligado ao fogo, temos o círio pascal que aceso no fogo novo lembra o Cristo ressuscitado.

Luz: Símbolo da vida. Representa a presença de Cristo que é vida e oferece vida e salvação ao homem. Jesus atravessa as portas da mansão dos mortos, vencendo e trazendo a luz para a humanidade.

Água: Também é sinal da vida que é comunicada ao cristão quando ele renasce pelo batismo para um mundo novo.

Sendo assim o Sábado de Aleluia é o dia para se guardar luto pela morte de Jesus.

Publicado em Nossa Sagrada Família.

Sexta-Feira da Paixão do Senhor (misericordia.org)

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Por meio da dor e do sofrimento, Cristo é elevado à Cruz para reconciliar o homem com Deus, consigo mesmo e com o universo. Ele se entrega confiantemente nas mãos de seu Pai e cumpre a vontade daquele que O enviou.

Na Sexta-feira Santa somos chamados a refletir sobre o acontecimento supremo do Amor de Deus pela humanidade: a morte de Cristo na cruz. Ele morreu na cruz por todas as pessoas. A cruz é o símbolo central deste dia e de toda a celebração desta Sexta-feira Santa¹.

Portanto, “neste dia em que ‘Cristo nossa Páscoa, foi imolado’ (1 Cor 5,7), torna-se clara a realidade daquilo que há muito tempo havia sido prenunciado, mas que era envolto em mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava”².

Com efeito, a obra da redenção da humanidade e da perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no meio do povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo Mistério Pascal da sua Paixão, Morte e Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério esse pelo qual, morrendo, destruiu nossa morte e, ressuscitando, restaurou nossa vida³.

Assim, ao contemplar Cristo morto na cruz, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e a sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão inefável4.

Desta feita, não só adoramos o mistério da Cruz, mas rezamos a Prece Universal, pela Igreja, seus pastores e fiéis; pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem no Cristo nem em Deus, pelos poderes públicos e pelos sofredores (MR, pp.255-260).

Por isso mesmo rezamos à Divina Misericórdia: “pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” e ainda: “ó Sangue e água que jorraram do coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós” – era assim que rezava Santa Faustina e hoje devotamente celebramos o que rezamos.


Nota:
1. AUGÉ, Matias, Quaresma – Páscoa – Pentecostes, Ave Maria, p.57.
2. Cerimonial dos Bispos, 312.
3. Cf. Cerimonial dos Bispos, 312.
4. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO, Carta Circular sobre a preparação e celebração das festas pascais, 58.

 

Publicado em 

SEMANA SANTA: Meditação para a Quinta-feira Santa (Rumo à Santidade)

 

Fonte (imagem): Oratório São Luiz – “A instituição da Eucaristia na última ceia”.

Meditação para a Quinta-feira Santa

SUMÁRIO

Meditaremos nos dois augustos mistérios que recorda esse santo dia, a saber:

1.° A instituição da Eucaristia;

2.º A instituição do Sacerdócio.

– Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazermos a melhor comunhão do ano;

2.° De passarmos todo o dia com grandes sentimentos de reconhecimento para com Jesus Cristo, pela instituição da Eucaristia e do sacerdócio.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de um santo abade:

“Ó Deus, prodigo de vós mesmo, à força de amor para conosco” – O vere Deum, si decere fas est, prodigum sui, prae desiderio hominis! (Guereric., abbas, in Fest. Pent.)

Meditação para o Dia

Transportemo-nos pelo pensamento à última Ceia, em que Jesus Cristo, na véspera de Sua morte, reuniu os Seus Apóstolos, como o bom Pai de famílias, próximo do seu termo, junta os seus filhos em tomo do seu leito de morte para lhes fazer as suas últimas despedidas, lhes dizer a sua última vontade e lhes legar a herança que o seu amor lhes alcançou. Então principalmente lhes mostrou quanto os amava (1). Assistamos com recolhimento de espírito e amor a este tão tocante espetáculo, e meditemos nos dois augustos mistérios do dia: a instituição da Eucaristia e a instituição do Sacerdócio.

PRIMEIRO PONTO

Instituição da Eucaristia

Admiremos, antes de tudo, Jesus Cristo ajoelhado diante dos Apóstolos, e lavando-lhes os pés, para dizer a todos os séculos a profunda humildade, a perfeita caridade e a imaculada pureza que requer o Sacramento que Ele ia instituir e que eles iam receber. Depois põe-se à mesa, toma pão, benze-o, parte-o e dá-o a Seus discípulos, dizendo:

“Tomai e comei, este é o meu corpo”

Toma do mesmo modo o cálice, e dá-lh’o, dizendo:

“Bebei dele todos, porque este é o meu sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26, 26ss)

Oh! Quão bem se reconhece nisto o amor de Jesus Cristo! Este divino Salvador, na véspera de nos deixar, não pode resolver-se a separar-se, de nós:

«Não vos deixarei órfãos, tinha ele dito (2); meu Pai chama-me, mas voltando para ele, não me separarei de vós; a minha morto está determinada nos decretos eternos, mas morrendo, saberei sobreviver a mim mesmo para ficar convosco. A minha sabedoria achou o meio para isso, o meu amor vai executá-lo»

Em consequência, muda o pão em Seu corpo, o vinho em Seu sangue; e em virtude da inseparável união da alma com o corpo e o sangue, em virtude da indissolúvel unidade da pessoa divina com a natureza humana, o que antes só era pão e vinho é agora a adorável pessoa de Jesus Cristo todo inteiro, a Sua pessoa sagrada, tão augusta, tão poderosa como é a destra do Pai, governando todos os mundos, adorada dos mesmos anjos que tremem na Sua presença (3). A este milagre sucede outro.

«O que acabo de fazer, acrescenta Jesus Cristo, o fareis vós, meus Apóstolos; dou-vos esse poder (4), e não somente a vós, mas a todos os vossos sucessores até ao fim dos tempos, pois que a Eucaristia, sendo a alma da religião e a essência do seu culto, deve durar tanto como ela»

Tal é a rica herança que o amor de Jesus Cristo dispensou aos Seus filhos por toda a série dos séculos; tal é o testamento que este bom Pai de famílias, no momento da Sua partida, fez em benefício de Seus filhos; as Suas mãos desfalecidas escreveram-o e assinaram-o com o Seu sangue (5); tal é a benção que este bom Jacó deu a seus filhos reunidos em torno dele antes de os deixar (6). Ó preciosa herança, querido e amável testamento, rica benção! Meu Deus, meu Deus! Como agradecer-Vos tanto amor?

SEGUNDO PONTO

Instituição do Sacerdócio

Parecia, Senhor, que havíeis esgotado por nós todas as riquezas do Vosso amor; e todavia eis novas maravilhas. Não é somente a Eucaristia que nos é dada neste dia; é o sacerdócio com todos os Sacramentos, com a Santa Igreja, com a autoridade infalível para ensinar, o poder para governar, a graça para abençoar, a sabedoria para dirigir. Porque tudo isto se liga essencialmente com a Eucaristia, ou como preparação para dispor a alma a recebê-la, ou como consequência para conservar e aumentar os seus frutos. Por conseguinte, Jesus Cristo, como sumo pontífice, deveu estabelecer e estabeleceu efetivamente todos estes poderes ao mesmo tempo com esta única palavra:

“Fazei isto” – Hoc facite

Ó sacerdócio, que alumia, purificais e abrasais as almas, que distribuis na terra os mistérios de Deus e as riquezas da graça; sacerdócio que socorrendo a alma caída em culpa e a alma justa, fazeis nascer o arrependimento e lhe abris o céu, acolheis os pecadores e lhes restituis a inocência; sacerdócio que amparais a alma vacilante e a fazeis progredir nas virtudes, que defendeis o mundo de si próprio e de sua corrupção, do céu a das suas vinganças; sacerdócio que; sois um inefável beneficio, eu vos bendigo e bendigo a Deus por vos ter dado à terra.

Ai! Que seria o mundo sem vós, que sois o seu sol, a sua luz e o seu calor; a sua consolação, a sua força, o seu amparo? Ó quinta-feira santa! Dia três vezes abençoado, que alcançastes tanta felicidade aos filhos de Adão, nunca poderemos celebrar-vos com bastante piedade, fervor e amor.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Cum dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos

(2) Non relinquam vos orphanos (Jo 14, 18)

(3) Adorant Dominationes, tremunt Potestates (Praef. Missae)

(4) Hoc facite

(5) Hic calix Novum Testamnetum est in meo sanguine

(6) Accepit panem et benedixit

Voltar para o Índice das Meditações Diárias de Mons. Hamon

(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo II, p. 221-224)

 

Publicado em RUMO À SANTIDADE.

Quaresma: “O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum” – Sermão de São Pedro Crisólogo (Salvem a Liturgia!)

Sermão de São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena, sobre a oração, o jejum e a esmola

Um grande texto espiritual do Bispo do séc. IV, muito apropriado para esta Quaresma:

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: “O sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros,para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

Publicado em Salvem a Liturgia!.

“Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade” – Sermão de São Leão Magno(Capela Santo Agostinho – Tradição Católica)

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre.

É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, por uma vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia de suas manobras. Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma castigando todas as molezas, apagando todas as negligências do passado; usam então de todo o poder de sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.

Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade. Então preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós. Nossa força vem d’Aquele em quem pomos nossa confiança. Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força de seu socorro, o ensinamento de seu exemplo. Acabaste de ouvi-lo. Ele venceu seu adversário com as palavras da lei, não pelo poder de sua força: a honra devida a sua humanidade será maior, maior também a punição de seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do gênero humano não como Deus, mas como homem. Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma.

Pois, meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. Eis porque Salomão, que era sábio, diz: Meu filho, quando entras para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação (Eclo. 2,1). Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar seus golpes.

Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/487

Publicado em Capela Santo Agostinho – Tradição Católica.

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Leia também: As tentações de Jesus – I Domingo da Quaresma (adapostolica.org).

 

Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno (Site Humanitatis)

Feliz e Abençoado Natal a todos leitores do Blog “Castelo Interior-Moradas!

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“Que o Senhor Jesus continue a encontrar, com a Graça do Amor de Deus, um refúgio seguro em nossas mentes e corações nesse mundo tão avesso à Vontade do Pai.”

Sobre o Natal do Senhor – São Leão Magno

“Caríssimos, deixemo-nos transportar de alegria e demos livre curso ao júbilo espiritual, pois raiou para nós o dia de uma redenção nova, dia longamente preparado, dia de felicidade eterna.

O ciclo do ano nos traz de volta o mistério de nossa salvação, mistério prometido desde o começo dos tempos e concedido no fim, feito para durar sem fim. Nesse dia é digno que, elevando nossos corações, adoremos o mistério divino, a fim de que a Igreja celebre com grande júbilo aquilo que procede de um grande dom de Deus.

 

O Deus Todo-Poderoso e Clemente, cuja natureza é Bondade, cuja Vontade é Poder e cuja ação é Misericórdia, desde o instante em que a malícia do diabo, pelo veneno de seu ódio, nos trouxe a morte, determinou, na própria origem do mundo, os remédios que Sua Bondade usaria para dar novamente aos mortais seu primeiro estado; Ele anunciou, pois, à serpente a Descendência futura da mulher, Descendência que, com sua força, lhe esmagaria a cabeça altaneira e malfazeja, isto é, Cristo, que viria na carne, designando assim Aquele que, ao mesmo tempo Deus e homem, nascido de uma Virgem, condenaria, por seu nascimento sem mancha, o profanador da raça humana. Com efeito, o diabo se gloriava de que o homem, enganado por sua astúcia, tinha sido privado dos dons de Deus e, despojado do privilégio da imortalidade, estava sob uma impiedosa sentença de morte; para ele era uma espécie de consolo em seus males ter encontrado alguém que participasse de sua condição de prevaricador; o próprio Deus, segundo as exigências de uma justa severidade, tinha modificado Sua decisão primeira a respeito do homem, que ele tinha criado em tão alto grau de dignidade. Era necessário, portanto, caríssimos, que, segundo a economia do desígnio secreto, Deus, que não muda e cuja Vontade não pode ser separada de sua Bondade, executasse por um mistério mais oculto o primeiro plano de seu amor; e que o homem, arrastado para a falta pela astúcia do demônio, não viesse a perecer, contrariamente ao desígnio divino.

Caríssimos, tendo-se, pois, cumprido os tempos pré-ordenados para a redenção dos homens, Jesus Cristo, Filho de Deus, penetrou nessa parte inferior do mundo, descendo da morada celeste, sem deixar a Glória do Pai, vindo ao mundo de modo novo e por um novo nascimento. Modo novo, porque, invisível por natureza, tornou-se visível em nossa natureza; incompreensível, quis ser compreendido; Ele, anterior ao tempo, começou a estar no tempo; Senhor do universo, tomou a condição de servo, velando o brilho de sua majestade; Deus impassível, não negou ser homem passível; Imortal, aceitou submeter-se às leis da morte. Nascimento novo esse pelo qual Ele quis nascer, concebido por uma Virgem, nascido de uma Virgem, sem que um pai misturasse a isso seu desejo carnal, sem que fosse atingida a integridade de sua mãe. Com efeito, tal origem convinha Àquele que seria o Salvador dos homens, a fim de que Ele tivesse em si o que constitui a natureza do homem e estivesse isento daquilo que mancha a carne do homem. Porque o Pai desse Deus que nasce na carne é Deus, como atesta o arcanjo à bem-aventurada Virgem Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com sua sombra; por isso, o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”.

Origem dessemelhante, natureza comum: que uma Virgem conceba, que uma Virgem dê à luz e permaneça Virgem é humanamente inabitual e insólito, mas depende do Poder Divino. Não pensemos aqui na condição daquela que dá à luz, mas na livre decisão Daquele que nasce, nascendo como queria e também como podia. Procurais a verdade de Sua natureza? Reconhecei que humana é sua substância. Quereis saber Sua origem? Confessai que Divino é seu Poder. Com efeito, o Senhor Jesus Cristo veio para eliminar nossa corrupção, não para ser sua vítima; para trazer remédio aos nossos vícios, não para ser sua presa. Ele veio curar toda enfermidade, consequência de nossa corrupção, e todas as úlceras que manchavam nossas almas; como ele trazia para nossos corpos humanos a Graça nova de uma pureza sem mancha, foi necessário que ele nascesse segundo um modo novo. Foi necessário, com efeito, que a integridade do Filho preservasse a virgindade sem exemplo de sua mãe, e que o Poder do Divino Espírito, derramado sobre ela, mantivesse intacto esse recinto sagrado da castidade e essa mansão da santidade, na qual ele se comprazia; porque Ele tinha decidido elevar o que era desprezado, restaurar o que estava quebrado e dotar o pudor de uma força múltipla, para dominar as seduções da carne, a fim de que a virgindade, incompatível,  nas outras, com a transmissão da vida, se tornasse para as outras Graça imitável ao renascerem.

Papa São Leão Magno. Segundo Sermão no Natal do Senhor, 1-2.

Publicado em Site Humanitatis.

“Tal é o sentido de Natal. Quem o reconhece, há de agradecer profundamente ao Senhor recém-nascido e pedir-lhe as graças necessárias para viver à altura de tão nobre dignidade.” (Pe. Estêvão Bettencourt – in Escola Mater Ecclesiae)

“Natal” – Caravaggio

“Reconhece, ó cristão, a tua dignidade” (São Leão Magno)

Todo mês de dezembro faz reviver a celebração de Natal… Natal com seu presépio, sua árvore típica, seus presentes… Ao cristão não basta contemplar esses símbolos; sente-se ele chamado a procurar o significado profundo de todo esse aparato visível.

Na verdade, o que celebramos no Natal é muito mais do que folclore; é um evento fundamental da história da humanidade. Com efeito, diz-nos a Escritura que o homem, logo depois de criado, foi elevado à dignidade singular de filho de Deus; devia confirmar-se nesse estado dizendo Sim a Deus, que lhe apresentava um projeto de vida. Ora o homem optou pelo Não, movido por soberba. Consequentemente perdeu os dons originais… O Criador podia ter entregue o homem à sua sorte autossuficiente; em tal caso, Deus se teria deixado vencer pelo mal, em vez de vencer o mal com o bem (cf. Rm 12,21). – Podia também ter perdoado ao homem com uma palavra soberana, semelhante à de um juiz que resolve friamente declarar inocente o réu criminoso. Pois bem, nem uma coisa nem outra ocorreu. O Senhor Deus quis recriar o homem. Sim; assumiu a natureza humana ou tornou-se homem verdadeiro, filho de Adão, a fim de fazer da própria miséria física e da morte do homem o canal para a plenitude da vida; quis dar um sinal positivo àquilo que na vida do homem é fraqueza e dor. Recriou, assim, de maneira mais estupenda do que criou, pois o contato de Deus com o cotidiano da existência humana não podia deixar de consagrá-la comunicando-lhe uma dignidade maior do que aquela que os primeiros pais perderam.

Os antigos cristãos ilustravam o fato mediante imagens: quando o fogo penetra uma barra de ferro, torna-a ígnea (o ferro é feito incandescente como o fogo que nele está); quando um óleo aromático penetra num trapo, este se torna perfumado (o pano exala o perfume do óleo). Assim, quando Deus entrou no cotidiano da existência do homem, santificou-a de maneira inédita, fazendo-a comungar com a vida do próprio Deus. Em outros termos: …fazendo-se Filho do homem, o Filho de Deus quis chamar-nos a ser filhos de Deus no FILHO.

Todo esse processo se chama “recapitulação”: Deus quis que a mesma natureza humana, que se tornará instrumento do pecado, fosse também o instrumento de sua própria redenção; quis que o desamor que levou o primeiro Adão à morte, fosse resgatado pelo amor do Segundo Adão; esse também caminhou até a morte, a morte mais ignominiosa possível, para fazer da estrada da morte não mais uma via de condenados, mas a senda que leva à ressurreição e à glória.

Tal é o sentido de Natal. Quem o reconhece, há de agradecer profundamente ao Senhor recém-nascido e pedir-lhe as graças necessárias para viver à altura de tão nobre dignidade. É São Leão Magno (†461) quem nos diz: “O Senhor se tornou carne nossa, nascendo, para que nos tornássemos seu Corpo, renascendo… Apresentando-nos sua humildade e mansidão, o Senhor comunica-nos aquela mesma força com que nos remiu” (Sermão de Natal nº 23).

Pe. Estêvão Bettencourt
Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 391, Dezembro/1994

Fonte: Escola Mater Ecclesiae.

Imaculada Conceição – Solenidade – 8 de dezembro: “A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854.” (Catolicismo Romano)

IMACULADA CONCEIÇÃO – 08 DE DEZEMBRO

Fonte (imagem): Wikipédia

A Imaculada Conceição é segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha (“mácula” em latim) do pecado original. O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina. Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476 pelo Papa Sisto IV. A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854. A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, Maria sendo cumprimentada pelo Anjo Gabriel como “cheia de graça”), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. Uma vez que Jesus tornou-se encarnado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar seu Filho.

Em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus (8 de dezembro de 1854), que definiu oficialmente a Imaculada Conceição como dogma, o Papa Pio IX recorreu principalmente para a afirmação de Gênesis 3:15, onde Deus disse: “Eu Porei inimizade entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela”, assim, segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado, para dar a luz à Cristo, que reconciliaria o homem com Deus. O verso “Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti” (na Vulgata: “Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te”, no Cântico dos Cânticos (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição, outros versos incluem:

“Também farão uma arca de madeira incorruptível; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura.” (Êxodo 25:10-11)

“Pode o puro[Jesus]Vir dum ser impuro? Jamais!”(Jó 14:4)

“Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão.” (Deuteronômio 10:3)

Outras traduções para a palavras incorruptível (“Setim” em hebraico) incluem “acácia”, “indestrutível” e “duro” para descrever a madeira utilizada. Moisés usou essa madeira porque era considerada muito durável e “incorruptível”. Maria é considerada a Arca da Nova da Aliança (Apocalipse 11:19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente “incorruptível” ou “imaculada”.

Desde o cristianismo primitivo diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente.  Os escritos cristãos do século II relatam a doutrina, concebendo Maria como a “Nova Eva”, ao lado de Jesus, o “Novo Adão”. No século IV, Efrém da Síria (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria são limpos e puros de toda a mancha do pecado.

Já no século VIII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria aos 8 de dezembro ou nove meses antes da festa de sua natividade, comemorada no dia 8 de setembro. No século X a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria.

A festa da Imaculada Conceição de 8 de dezembro, foi definida em 1476 pelo Papa Sisto IV. A existência da festa era um forte indício da crença da Igreja de Imaculada Conceição, mesmo antes da definição do século XIX como um dogma. Na Itália do século XV o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.

Em 8 de dezembro de 1854, Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus, fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Assim o Papa se expressou:

Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.

Publicado em Catolicismo Romano.

Fonte (imagem): Wikipédia.