Bento XVI reforça em sua Encíclica “Caritas in Veritate” o compromisso com os migrantes, os quais devem ser considerados sempre “homens e amigos” (Agência Fides – 10.07.2009)

WMCW: World Moviment Christians Workers
WMCW: World Moviment Christians Workers

Me preocupo muito com a situação dos trabalhadores estrangeiros na Europa; também pela razão de manter ligações pessoais estreitas com trabalhadores, homens e mulheres, os quais vivem e trabalham lá há muitos anos.

Encontrei um link muito interessante a respeito deste assunto, que envolve milhares de famílias, e em grande número, brasileiras. Gostaria que , tanto visitantes quanto leitores do “Castelo Interior”, repassassem o endereço eletrônico abaixo – é de um organismo internacional de apoio (como sinal de solidariedade) para pessoas que estão trabalhando na Europa. Em geral, buscam melhores condições de vida, já que seus países as abandonaram à própria sorte. Neste caso, provêm principalmente da Ásia e África. Estas, se veem obrigadas a deixar seus países de origem, muitas vezes porque suas famílias correm risco de vida.Fogem de conflitos étnicos (luta pelo poder), já que os direitos democráticos, quando existentes, são precários.

Outro tipo de trabalhador migrante é aquele que sonha com uma melhor qualidade de vida. Seu único pensamento é: “quero voltar a viver em meu país!”.

Osite a que me refiro é referência para trabalhadores migrantes na Europa: Movimiento Mundial de Trabajadores Cristianos (MMTC) – também disponível nos idiomas inglês, francês e alemão.

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Fonte: Agência FIDES

10.07.2009

Vaticano Bento XVI na Encícilica Caritas in veritate: “Todo migrante é um pessoa humana que, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que devem ser respeitados por todos e em toda situação”; após um século continua o compromisso com os migrantes considerados sempre “homens e amigos’

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em sua última Encíclica “Caritas in veritate”, o Santo Padre Bento XVI, tratando do desenvolvimento humano integral, se deteve sobre o fenômeno das migrações (n. 62), “fenômeno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problemáticas sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dramáticos que coloca às comunidades nacional e internacional”. Escreve o Santo Padre: “Podemos dizer que estamos diante de um fenômeno social de nossa época, que requer uma forte e consistente política de cooperação internacional para ser adequadamente enfrentada. Tal política deve ser desenvolvida a partir de uma colaboração forte entre os países de onde partem os migrantes e os países onde eles chegam; deve ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os vários setores legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias dos imigrantes e ao mesmo tempo, os das sociedades onde os imigrantes chegam. Nenhum país se pode considerar capaz de enfrentar, sozinho, os problemas migratórios do nosso tempo. Todos somos testemunhas da carga de sofrimentos, contrariedades e aspirações que acompanha os fluxos migratórios. Como é sabido, o fenômeno é de gestão complicada; todavia é certo que os trabalhadores estrangeiros, não obstante as dificuldades relacionadas com a sua integração, prestam com o seu trabalho um contributo significativo para o desenvolvimento econômico do país de acolhimento e também do país de origem com as remessas monetárias. Obviamente, tais trabalhadores não podem ser considerados como simples mercadoria ou mera força de trabalho; por isso, não devem ser tratados como qualquer outro fator de produção. Todo o imigrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser respeitados por todos em qualquer situação”.

A este fenômeno a Igreja se interessa diretamente há muito séculos. Jesus foi um migrante, por isso a Igreja sempre teve em seu coração o destino dos migrantes e a sua dignidade, considerando-os sobretudo, homens e amigos, e não estrangeiros. Em 1914 foi o papa São Pio X que instituiu o Dia Nacional das Migrações; o objetivo principal, naquele tempo de guerra, era o de estar unidos e solidários com aqueles que deixavam a Itália por causa do conflito mundial e das péssimas condições de vida. Desde 2004 o Dia Mundial das Migrações é celebrado em todo mundo, estendendo o seu campo de interesse, até considerar todas as pessoas envolvidas na mobilidade, incluindo os imigrantes e os deslocados, os ciganos, os circenses e os artistas de rua…

Foi São Pio X, em 1912, que fundou o primeiro organismo vaticano para os problemas das migrações, enquanto em 1970, Paulo VI instituiu a Pontifícia Comissão da Pastoral das Migrações e do Turismo, que em 1988 se tornou o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes; tarefa do Pontifício Conselho é o cuidado daqueles que “foram obrigados a abandonar a própria pátria”. Papa Paulo VI, em 1969 publicou uma Carta Apostólica em forma de Motu próprio, a Pastoralis Migratorum Cura, com a qual eram dadas novas disposições para a pastoral para os migrantes, delineando na Igreja uma atenção particular ao migrante e ao homem, segundo o momento histórico, as suas necessidades e complexidade. Depois de cerca 35 anos, as suas sugestões foram atualizadas, em 2004 pela Instrução Erga Migrantes Caritas Christi do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, na qual os sinais dos tempos e as mudanças das modalidades das migrações são olhadas com espírito renovado e com a certeza que uma unidade e uma comunhão entre os povos é possível, no recíproco respeito e na defesa da dignidade e da vida humana em todas as suas formas e cores.

Ao Magistério da Igreja em relação ao fenômeno das migrações, a Agência Fides dedica o dossiê que será publicado sábado, 11 de julho. (S.L.) (Agência Fides 10/7/2009)

“O Espírito atua na Igreja de modo a torná-la, sob a proteção dos mesmos apóstolos colocados à sua frente e conduzida pelos seus legítimos sucessores, depositária e fiel mensageira do Evangelho da Vida.” – Memória (29 de junho) – São Pedro e São Paulo (Dom Eurico dos Santos Veloso-CNBB)

Na sub-página “Mundo Católico” há uma breve matéria intitulada “No Angelus, Bento XVI destaca o valor universal da solenidade de São Pedro e São Paulo” – 29.06.2009. Fonte: Rádio do Vaticano.

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Diocese de Franca (imagem)
Dia do Papa e Óbolo de São Pedro

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Fonte: CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)

Solenidade de São Pedro e São Paulo, dia do Papa

Por Dom Eurico dos Santos Veloso

A Solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada desde tempos remotíssimos, ensina-nos que a Igreja, na qual cremos, está alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos, consoante as palavras do próprio Cristo: “Quem vos ouve, a mim ouve”. Sim, a fé que hoje professamos, depois de dois mil anos, é a mesma professada pelos apóstolos escolhidos e enviados por Cristo. O Espírito atua na Igreja de modo a torná-la, sob a proteção dos mesmos apóstolos colocados à sua frente e conduzida pelos seus legítimos sucessores, depositária e fiel mensageira do Evangelho da Vida.

Pedro e Paulo, cada qual a seu modo, contribuíram eficazmente para edificar a Casa de Deus neste mundo como sinal da Morada Eterna que nos é prometida em Cristo. Pedro, escolhido por Jesus para ser o chefe dos apóstolos e de toda a Igreja, soube apascentar as ovelhas e os cordeiros que lhe foram confiados, confirmando-lhes a fé com o derramamento do próprio sangue. Paulo, agraciado com o dom da verdadeira conversão ao Evangelho, tornou-se, por disposição mesma do Senhor, o grande apóstolo dos gentios e o incomparável defensor da gratuidade da salvação, vindo, à semelhança de Pedro, a derramar o seu sangue como supremo testemunho da fé que tão zelosamente anunciava com muitas renúncias e provações.

Ao celebrarmos os dois insignes apóstolos, lembramo-nos naturalmente do Papa, a quem cabe, em primeiro lugar, guardar, defender, anunciar e testemunhar a fé que herdamos de Pedro e Paulo. Bento XVI é hoje o grande apóstolo do Evangelho que nos dá a Vida verdadeira. Como sucessor de Pedro e herdeiro de seu carisma-ministério, preside hoje à caridade, apascentando com zelo os fiéis que lhe são confiados. Mas é também chamado, a exemplo de Paulo, a desgastar-se de todos os modos, a fim de que a Palavra de Deus atinja os corações e, assim, o mundo se renove na esperança que vem da firmeza de Deus. Bento XVI tem desempenhado muito bem seu ofício de propagador da fé e da beleza da salvação. Notáveis são suas palavras e ensinamentos, carregados de profundo significado e sabedoria, dirigidos para um mundo aparentemente mais distante de Cristo e da sua Igreja. Os ensinamentos do Papa são capazes de interpelar as consciências e fazê-las pensar, e a Igreja, sem dúvida, tem sido levada, com Bento XVI, a aprofundar-se no conhecimento de suas raízes.

Que São Pedro e São Paulo intercedam sempre pela Igreja que lhes custou o sangue, proteja o Santo Padre Bento XVI e alcancem para todos nós a graça de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo na aurora do século XXI!

Dom Eurico dos Santos Veloso – CNBB – 23.06.2009

“A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé.” – 29 de junho (Ecclesia Una)

O autor do texto abaixo é Everth Queiroz Oliveira, 14 anos. É estudante, e em seu blog “Ecclesia Una” se afirma como “Cristão Católico”. Admito que  fiquei impressionada com o conteúdo geral do blog deste menino. Ele toca em um assunto que considero muito importante: “um católico/cristão” pode fazer parte da Maçonaria, ou integrar a Ordem Demolay?

É autor do post abaixo, em que fala da “Solenidade de São Pedro e São Paulo”. Em seu blog apresenta o bispo de sua Diocese – Ituiutaba (MG) – Dom Francisco Carlos. Ele, Everth – se descreve assim: “Uma mente medieval em meio ao mundo moderno“.

Peço a Deus-Pai que abençoe este menino extraordinário em seus caminhos, iluminando sempre seus passos.  Que não perca a humildade (cheia de devoção) que transparece em seus escritos e em seu olhar. Que a oração seja o seu escudo no “bom combate”. Amém.

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. Ecclesia Una

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Ecclesia Una (blog)

27/06/2009 por Everth Queiroz Oliveira

A Igreja Universal celebra no dia de hoje a Solenidade de São Pedro e São Paulo, as colunas da Santa Sé. Trata-se de uma das mais importantes festividades da Igreja, onde se lembra – liturgicamente falando – a fundação da Igreja Católica. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). De fato, aqui tudo começou: o ministério apostólico, a missão evangelizadora dos cristãos, a pregação da doutrina. Com essas palavras de Jesus, a Igreja começava a se formar e é hoje que celebramos mais um aniversário da Igreja. Sim. São quase 2000 anos de história, de lutas, de conversões, de testemunhos, de santidade, de vida, de .

Quando passamos a observar a dimensão da Igreja Católica no mundo, observamos o quão grandes somos. Em particular, cada um de nós é um ser humilde, simples; no entanto, por meio da união, evidencia-se na Igreja cristã um Pai Nosso, de todos nós, que protege e guarda o Sumo Pontífice Bento XVI, os cardeais e bispos do mundo inteiro, além, é claro, dos sacerdotes e leigos responsáveis por combater o depósito da fé. De fato, não dá para pensar em Igreja Católica sem se lembrar da figura sempre atuante de Jesus Cristo. Com efeito, a própria Igreja é o Corpo de Cristo. Fundada por Ele, ela segue seu ministério com amor, empenho e dedicação. Não se aflige com os pecados dos seus ministros, pois sabe que esses pecados não interferem e nem mancham a santidade da Igreja, que é, segundo São Paulo, “sem mácula, sem ruga” (Ef 5,27).

Nós, que somos católicos, sentimos um imenso orgulho em participar da união católica, que é evidenciada e completada pelo banquete nupcial: a Eucaristia. E a Igreja é a única a conter esse mistério inefável. O Corpo e o Sangue de Jesus estão verdadeiramente na Santa Sé, na Igreja; e Ela é a única a manter em sua doutrina esse tão belo tesouro. Não existe, aliás, riqueza maior do que Jesus Eucarístico. A plenitude da fé, do amor, da caridade e da santidade só pode acontecer no Santo Sacrifício da Missa, onde celebramos a Eucaristia. Nesse sentido, celebramos a Missa de aniversário da Madre Fiel e pura.

E por que é tão importante celebrar, no contexto da fundação da Igreja, os apóstolos Pedro e Paulo? Eles, de fato, foram personagens de suma importância para a história da difusão da fé cristã no mundo. Primeiramente, Pedro, onde Jesus decidiu edificar a sua Igreja. Segundo a tradição católica, cremos que São Pedro foi o primeiro papa da Igreja. Da mesma forma, quando falamos disso, não podemos nos esquecer de São Paulo, que tem na Bíblia Sagrada cartas de uma riqueza espiritual incomensurável. São exortações ricas em ensinamentos e conselhos de um homem que experimentou a mais bela conversão da Sagrada Escritura. Aliás, foi a primeira conversão cristã da Bíblia depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Observa-se aqui a importância da festividade dos dois santos.

Ela é analisada não só quando pensamos nos fatores históricos, mas principalmente quando partimos para a liturgia que hoje nos propõe a madre Igreja. A primeira leitura mostra como o Espírito Santo estava com Pedro. Foi ele preso por pregar o Evangelho de Jesus. E aqui é importante pensar que todos os apóstolos – com exceção de São João – morreram martirizados. São Pedro inclusive foi crucificado, assim como Jesus. A missão apostólica naqueles tempos era muito difícil. Preso, São Pedro viria a ser morto. Mas Deus ainda precisava dele para a pregação do Evangelho. Por isso mandou-lhe um anjo para que o libertasse da prisão. Só depois, contudo, ele veio a reconhecer aquilo: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Ainda na primeira leitura, a Pedro o anjo exclama: Levanta-te depressa! Quantos de nós hoje não estamos presos, caídos pelas perseguições do mundo, pelo desânimo que nos impõe o demônio por meio do pecado, da tristeza e do desespero? Nesse momento, Jesus está incessantemente a nos chamar, assim como chamou a Pedro: “Levanta-te!” Não é hora de ficar parado. Deus nos escolheu para sermos vencedores, para batalharmos por Ele. E isso para que depois possamos dizer com Paulo: “Combati o bom combate, (…) guardei a fé” (2Tm 4,7). Depressa: agora é a hora. Precisamos nos converter, nos levantar, mudar de vida? Sim. Mas quando? Agora. E por que agora? Justamente porque não sabemos a hora que Jesus virá para julgar. Deus não quer chegar e nos ver caídos na lama do pecado e do desespero. É mister que estejamos de pé, firmes, para a hora da volta de Cristo.

* * *

Na segunda carta de São Paulo a Timóteo, o apóstolo dos gentios deixa aos leitores da Bíblia uma mensagem final. Se aproximava o momento de sua morte, de seu encontro com Deus. Era realmente momento de ir – e ele bem sabia -, de partir ao encontro do Pai: “eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida” (2Tm 4,6). Mas, de se queixar ele não tinha nada. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Essa frase de São Paulo ao final de sua vida mostra a nós que todo aquele que quer seguir Jesus e pregá-Lo precisa assumir o compromisso de travar um combate contra as trevas. Catolicamente falando, o missionário cristão deve estar com o “escudo da fé” (cf. Ef 6,16) para combater as heresias do mundo moderno e também as insídias armadas por Satanás para destruir a Santa Igreja de Deus.

Esse ato de combater o bom combate é de uma valentia que Jesus admira em seus combatentes. Somos, em meio a esse mundo, verdadeiros “cruzados cristãos”, pessoas que lutam para guardar a fé, para vencer o medo, vencer o mundo, vencer o demônio. Nesse sentido, lembro-me de ter lido uma radiomensagem do Papa Pio XII, no natal de 1942, sobre o assunto. Na ocasião, ele dizia:

29. O preceito da hora presente não é lamento, mas ação; não lamento sobre o que foi ou o que é, mas reconstrução do que surgirá e deve surgir para o bem da sociedade. Pertence aos membros melhores e mais escolhidos da cristandade, penetrados por um entusiasmo de cruzados, reunirem-se em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de “Deus o quer”, prontos a servir, a sacrificar-se, como os antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, se assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência.

Quando falamos de ser cruzados – que ninguém interprete isso mal – proclamamos a sua coragem, sua fé, sua vontade em combater o bom combate. A construção da Igreja de Deus precisa da vitória nos combates. Ah! E como precisamos de missionários cada vez mais compenetrados pelo amor de Cristo e empenhados em guardar a fé, se preciso for até morrendo pela Igreja!

É esse o exemplo que nos deixa São Paulo Apóstolo. De perseguidor dos cristãos a combatente da fé: esse homem deixa-nos uma lição de vida que deve ser seguida por todos. Com efeito, é só tendo uma vida como a de Paulo que poderemos dizer: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4,8). Sim, porque “a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” será concebida a herança eterna, recompensa de nossas boas atitudes, da fidelidade ao combate de Cristo.

Enfim, chegamos ao Evangelho. E nele observamos a passagem em que Pedro proclama sua fé. Jesus pergunta quem pensam os apóstolos que Ele é. Pedro toma a palavra e responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). É essa confissão de fé que Pedro profere faz com que Jesus dê a ele as chaves do Reino de Deus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).

Aqui Jesus Cristo edifica sua Igreja. Pede a Pedro que guarde a fé de sua Igreja, por isso a ele confia as chaves do Reino. Esse ato de dar as chaves do Reino representa a infalibilidade papal, dogma proclamado oficialmente pela Igreja no Concílio Vaticano I. Veja, meu irmão, essa é a prova bíblica que comprova que quando um Papa trata sobre um assunto de fé e moral, ele não pode errar. Hipocrisia isso? Não. O Espírito Santo foi garantido por Jesus ao Sumo Pontífice, portanto, quando esse vai instruir os fiéis, não erra. E é por isso que as portas do inferno non praevalebunt. Não prevalecerão e nem prevaleceram. E olha que isso já faz 20 séculos! A Igreja, construída sobre a rocha está firme até hoje porque foi fundada por Jesus Cristo, que por sua vez declarou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja de Deus. Ora, se ela persistiu de pé durante 2000 anos é porque Jesus o garantiu!

Sobre São Pedro, sobre São Paulo, cujas histórias de vida nos recusamos a contar de tão grande é esse belo testemunho, foi construída e edificada a Igreja de Deus. É por meio dela que alcançamos a salvação que Deus tanto quer que recebamos. Ouçamos a voz infalível do Magistério da Igreja, escutemos o que tem a nos falar Jesus Cristo por meio desse tão nobre sacramento de Salvação. Celebremos com a Madre Igreja essa festa tão bela e alegre! Que a Santíssima Virgem Maria continue a cobrir a Igreja com seu manto de amor. Amém.

Graça e paz.

Autor: Everth Queiroz Oliveira

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OBS.: Todos os grifos e partes subinhadas são do autor.

“O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.” – Santa Teresinha do Menino Jesus – Frei Patrício Sciadini (OCD)

Santa Teresinha de Lisieux

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Fonte: Frades Carmelitas Descalços (Ordem dos Carmelitas Descalços-OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Nasceu em 1873, em Alençon, França. Entrou adolescente para o Mosteiro das Carmelitas de Lisieux, com apenas 15 anos, onde se distinguiu particularmente pela humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus e, estas virtudes ensinou-as às noviças, com seu exemplo e palavras. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, oferecendo sua vida pela salvação das almas, a santificação dos sacerdotes e a expansão da Igreja. Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 29 de abril de 1923, que fez dela a “estrela de seu pontificado”. Canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925. E pelo mesmo Papa proclamada Padroeira das Missões em 14 de dezembro de 1927. O Papa João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997. Santa Teresinha, aparentemente pequena aos olhos das criaturas, mas que trazia em si uma alma de gigante. Podemos defini-la como a “Pequena Gigante”.

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

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Fonte: Paróquia Santa Teresinha – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Desde o início, para não confundi-la com Teresa de Ávila, fundadora do Carmelo Descalço, acostumou-se a chamar a carmelita francesa, nascida em Alençon, França, em 1783, pelo nome de Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta menina, que, desde pequena, sentiu-se fortemente atraída por Jesus Cristo e pelo Carmelo, “quis porque quis” ser carmelita aos quinze anos. Conseguiu entrar no Carmelo de Lisieux, onde, no silêncio, na oração, na austeridade de vida, chegou a ser santa.

A palavra que mais usa em seus escritos e que manifesta uma qualidade muito importante para todas as situações da vida é “QUERO”. Sua vontade educada na escola do Carmelo sabe ser firme nos propósitos assumidos. Já antes de entrar para a vida carmelitana, ela afirma que quer “ser santa e uma grande santa”. Conseguiu. É, sem dúvida, uma das santas mais conhecidas e famosas de toda a Igreja. Exerce sobre teólogos, bispos, papas e pessoas simples uma influência toda especial. Há em Teresinha um carisma singular: o da simpatia. Não é possível ler seus escritos sem sentir uma grande comoção interior por sua delicadeza, por sua linguagem terna e perfumada como as flores simples do campo que são cuidadas por Deus.

“Observai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como um deles”(Mt 6, 28s).

Teresinha do Menino Jesus, por trás de sua simplicidade, esconde um caráter firme e decidido. No claustro do Carmelo vai encontrando o sentido escondido de sua vocação, do seu ser Igreja, do porquê da oração e da vida. É no silêncio que ela se faz palavra para o mundo, e é depois de sua morte que, como “missionária”, percorrerá todos os lugares do mundo, ensinando a amar a Cristo e educando-nos para um novo estilo de anunciar o evangelho: “a oração e o sacrifício”. Ousada em suas intuições, ela procura um caminho de santidade que todas as pessoas possam trilhar sem necessidade de penitências que são possíveis para poucas. É o caminho do “abandono e da confiança”, e, para que isto seja compreensível, em sua criatividade escolhe o símbolo do “elevador”, que, sem esforço, leva até os andares mais altos. Os braços de Jesus, sublime elevador, nos levam até o coração de Deus.

A espiritualidade da carmelita de Lisieux não está encerrada numa obra teológica orgânica; ela se encontra na narrativa de sua vida espiritual, com que ela sabe entrar em nosso coração. Não se trata de uma cronologia da vida, mas de momentos importantes do encontro com Deus, que vão acontecendo e que, mais tarde, ela sabe reler como mimos de Deus e, por isso, poderá cantar as misericórdias do Senhor.

Teresinha do Menino Jesus é o divisor entre uma espiritualidade “punitiva”, de um Deus que deve ser aplacado através de sacrifícios e de vítimas para que não envie sofrimentos e dores sobre a terra, e nosso Bom Deus, ávido por nossa salvação. Aquela primeira imagem de Deus não condiz com sua confiança e sua experiência do pai humano que teve. Ela será assim capaz de descobrir que Deus necessita, sim, de vítimas, não para ser aplacado mas para satisfazer sua sede de misericórdia e de amor. O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.

A História de uma Alma, autêntico best seller traduzido em 120 línguas, faz inveja a qualquer escritor. Quantas pessoas encontram nos escritos da pequena Teresa força para continuar o caminho. Em sua doutrina bebem os santos e os pecadores em cuja mesa ela gosta de se sentar. Os ateus buscam em seu livro consolo para suas noites escuras, nas quais não enxergam nada de Deus, embora sejam contemplados pelo mesmo Deus.

Além desta obra-prima da literatura espiritual, considerada uma das “sete maravilhas” da espiritualidade, Teresinha nos oferece poesias, cartas, peças teatrais, de onde transborda seu amor a Deus e ao próximo. Necessitamos hoje, mais do que nunca, nos colocar na escola dos santos simples que sabem falar ao coração mais do que à inteligência entupida de idéias e de auto-suficiência.

A Igreja, considerando sua importância na teologia e na espiritualidade, não encontrou dificuldades em proclamá-la “Doutora da Igreja” e doutora da ciência mais difícil, “Doutora da ciência do amor”, aquela ciência que não se aprende nos livros mas no discipulado de Jesus. Teresinha morre aos 24 anos, aos 30 de setembro de 1897, dizendo: “- Meu Deus, eu vos amo!” Foi proclamada Padroeira das missões pelo Papa Pio XI, que a chamava de estrela de seu pontificado, e Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, aos 19 de outubro de 1997.

Quer conhecer mais sobre Santa Teresinha? Leia História de uma Alma e outras obras que você encontra em todas as editoras católicas.

“Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo…” Santa Teresinha

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Extraído integralmente do site Paróquia Santa Teresinha (OCD) – Higienópolis (São Paulo).

Festa de CORPUS CHRISTI: “Eucaristia: um Sacramento de Amor” – in Veritatis Splendor

VeritatisSplendor

Imagem: Precioso Depósito

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Fonte: Veritatis Splendor

ORAÇÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

Por São Tomás de Aquino

Ó vós que amais tanto, Jesus aqui verdadeiramente Deus escondido, ouvi-me,
eu vos imploro. Seja vossa vontade meu prazer, minha paixão, meu amor. Dae
que a busque, ache e realiza. Mostrae-me vossos caminhos, indicae-me vossas veredas.

Tendes sobre mim vossos desígnios; dizei-m´os bem, e dae que os siga até a definitiva salvação de minha alma. Indifferente a tudo o  que passa, e só a vós tendo em vista, possa eu amar tudo quanto é vosso, mas sobretudo a Vós, ó meu Deus! Tornae-me amarga toda alegria que não seja vós, impossível todo desejo fora de vós, delicioso todo trabalho feito para vós, insuportável todo repouso que não fôr em vós. A toda a hora, ó  bom Jesus, minha alma tome para vós seu vôo; seja minha vida um constante acto de amor!

Toda obra que vos agrade, fazei-me sentir que é morta. Seja minha piedade
menos um hábito que um contínuo impulso do coração.

Ó Jesus, minhas delícias e minha vida, dae-me que minha humildade seja sem
affectação, minha alegria sem excessos, minhas tristezas sem desanimo, minha
austeridade sem  rudeza. Dae que eu fale ser artifício, que tema sem
desespero, que espere sem presumpção; fazei com que seja pura e sem mancha, que reprehenda se cólera; que  ame sem falsidade, edifique sem ostentação, obedeça sem réplica, e soffra sem queixumes.

Bondade suprema, ó Jesus, peço-vos um coração todo vosso, que nenhum
espectaculo, nenhum ruído para distrahir; um corção fiel e attivo que não
hesite, e não desça nunca; um coração indomavel, prompto sempre a luctar
após cada tormenta; um coração livre, jamais seduzido ou escravo; um coração recto que não se encontre nunca em veredas tortuosas.

E meu espírito, Senhor! Meu espírito! Impotente para desconhecer-vos, possa elle encontrar-vos, a vós Sabedoria divina! Não vos desagradem seus colloquios! Confiante e calmo esperes vossas respostas, e descanse sobre
vossa palavra.

Faça-me a penitencia sentir os espinhos de vossa coroa! Possa a graça espargir vossos dons sobre mim, no caminho do exílio! Possa a gloria inebriar-me de vossas alegrias na Pátria eterna! Assim seja.

(Extraído do Manual das Filhas deMaria de Sion –  Editado em 1929.
Impresso por J. de Gigord, Éditeur – Imprimatur  Rio de Jaaneiro 11 de maio
de 1912 Por S. Exma. Sebastio, bispo auxiliar)

AQUINO, São Tomás de. Apostolado Veritatis Splendor: ORAÇÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/714. Desde 20/01/2003.


“Por isso cada pessoa deverá interrogar-se não tanto sobre o que é que pode fazer com a liberdade, mas o que é que deixa que a liberdade faça da sua vida. Se este exercício for reduzido a uma pedagogia, corre-se o risco de amplificar o relativismo pós-moderno.” D.Manuel Clemente – 5ª Jornada da Pastoral da Cultura (SNPC) – Fátima

Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Fátima

08.06.2009

Autor: Fra Angelico

Evangelho segundo S. Mateus, 5, 1-12a

E vendo [Jesus] as companhias, subiu a um monte; e assentando-se, chegaram-se a ele seus Discípulos.
E abrindo sua boca, ensinava-os, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os tristes, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que hão fome e sede [da] Justiça, porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vosoutros, quando vos injuriarem, e perseguirem, e contra vós todo mal falarem, por minha causa, mentindo.
Gozai[-vos] e alegrai[-vos] que grande [é] vosso galardão em os céus.

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Apresento abaixo o relato da Agência Ecclesia sobre o que os palestrantes “pensaram” quanto ao uso da liberdade, após 34 anos do fim da ditadura militar em Portugal. A 5ª Jornada da Pastoral da Cultura aconteceu em Fátima, no dia 05 de junho de 2009, sob a coordenação do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC)-Portugal. Antes, procurei dar o contexto da 5ª Jornada da Pastoral da Cultura, que teve como foco “Elogio à Liberdade”, ou seja, se trata de um país – Portugal – que comemora mas reflete sobre a condição de “liberdade”, ou seja, como usufruem dela, após 48 anos de ditadura sob o regime de Salazar. Daí porque faço menção, logo abaixo, à Revolução dos Cravos.

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Fonte: Wikipédia – Revolução dos Cravos

Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo – que cederam perante a revolta das forças armadas – o regime político que vigorava em Portugal desde 1926.

ANTECEDENTES

Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi implementado em Portugal um regime autoritário de inspiração fascista. Com a Constituição de 1933 o regime é remodelado, auto-denominando-se Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país, não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974.

O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se “Dia da Liberdade” o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução). Fonte: Wikipédia – Revolução dos Cravos.

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Quanto aos cravos, há o registro histórico de que um soldado recebera de uma florista, bem cedo, naquela manhã de 25 de abril um cravo vermelho, e este o colocara na ponta do fuzil. O gesto foi repetido por todo o pelotão. As fotos revelam a face inusitada e poética da libertação de um regime tirânico. Certamente deu o “tom” para a reação à esta ditadura quase cinquentenária, que foi deposta sem manifestações de violência. No entanto, o povo português foi mais longe naquele dia. A participação popular foi paradoxalmente ousada e pacífica neste levante. Após viverem 48 anos sob a égide ditatorial, colonialista e fascista de Salazar, na ânsia de respirar o ar da liberdade, a população tomou as ruas, e se juntou pacificamente aos pelotões. Não deram ouvidos às ordens militares para que ficassem  em casa. Pelo registro das fotos da época, o povo português acompanhou os soldados em suas atividades mais corriqueiras naquele dia…

Assim, não importa, a meu ver, o que inspira uma ditadura – seja de direita ou de esquerda, religiosa ou liberal, e menos ainda, se for imperialista. Se muitos vão viver de modo diferente do que viviam, mas em troca outros serão oprimidos – não há legitimidade, em absoluto.

Tudo que importa afinal, é que nascemos livres, ou seja, nossa vocação é para a liberdade – de expressão, de ação, de ir e vir, dentro ou fora de nosso território. Desse modo, há somente uma única condição a ser considerada: o respeito à pessoa. Não há qualquer superioridade pré-adquirida de um povo sobre outro, e nem de grupos militares, operários, religiosos ou intelectuais sobre grupos de indivíduos, sobre cada pessoa dentro de uma Nação.

No Brasil vivemos uma ditadura militar, que incluiu a tortura, tal como se deu no período salazarista. Tivemos 20 anos de perda paulatina de nossa identidade cultural, e que em 20 anos e pouco mais de liberdade parecem não dar nem mesmo o vislumbre de que nos recomporemos das lacunas geradas em nossa personalidade enquanto povo, enquanto Nação. Sim, tivemos uma “Nova República”, mas ao que parece, e apesar dela, o caldo posterior, fruto do desmantelamento cultural (que influenciou nossa ação política) me traz a imagem de um barco à deriva…

Cada Nação deve se pensar (ao cansaço) para que as gerações futuras não naveguem docilmente sob qualquer vento. Muitos ventos levam milhares, milhões de criaturas ao abismo, tanto material quanto espiritual.

Eu, enquanto brasileira, jornalista, gostaria de dizer o quanto admiro esta iniciativa de nossos irmãos portugueses. O Brasil é um povo peculiar, mas, talvez por ser um “jovem” de 509 anos, ainda não se deu conta que outros povos, principalmente os antigos, acertam bastante porque não tem somente “saberes”, e sim porque, entre os  inúmeros erros de avaliação, tentaram e continuam tentando exercitar a “sabedoria”. Não é uma época propícia, mas é inegável que os Evangelhos fornecem relatos maravilhosos para todos os povos da terra a respeito disso. No entanto, as nações ocidentais parecem acreditar que a negação até mesmo de valores universais vai lhes trazer paz e prosperidade…

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Fátima – Portugal

5.ª Jornada da Pastoral da Cultura

Liberdade: um anseio a conquistar

Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril de 1974, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura reuniu-se em Fátima para o «Elogio à Liberdade», tema da 5.ª Jornada daquele Organismo que ocorreu, em Fátima, no dia 5 de Junho.

Durante a primeira parte do encontro, em que participaram cerca de cem pessoas, José Manuel Fernandes, director do «Público», enquadrou o estado da liberdade em diversas áreas da sociedade portuguesa.

Para o segundo momento da Jornada, a maestrina Joana Carneiro propôs uma nova abordagem ao conceito de liberdade: uma partitura, duas interpretações, ou a criatividade de Herbert von Karajan e de Leonard Bernstein diante da mesma obra de Beethoven.

«Que havemos de fazer com a liberdade?» foi a pergunta a que D. Manuel Clemente e Marcelo Rebelo de Sousa procuraram responder durante a tarde.

Uma das dificuldades no entendimento do conceito de liberdade consiste em a considerar apenas como um fenómeno externo, que é concedido em maior ou menor grau ao ser humano. Mas para D. Manuel Clemente, ela é um processo sempre inacabado, pelo qual o Espírito actua para atenuar e remover tudo o que obsta ao desenvolvimento pleno da personalidade. Por isso cada pessoa deverá interrogar-se não tanto sobre o que é que pode fazer com a liberdade, mas o que é que deixa que a liberdade faça da sua vida. Se este exercício for reduzido a uma pedagogia, corre-se o risco de amplificar o relativismo pós-moderno.

Para o Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a vida de Jesus é o melhor exemplo do cumprimento da vontade do Pai, num ambiente marcado por condicionalismos externos como a violência, o isolamento e a incompreensão. Viver na tensão entre a realização dos desejos individuais e na concretização da vontade de Deus, visível por exemplo nas necessidades das pessoas, é, nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, “um equilíbrio difícil, em que todos tropeçamos“.

Olhando para o Portugal contemporâneo, o professor universitário considera que há diversos obstáculos ao exercício da liberdade. Desde logo porque muitas pessoas vivem em condições de exclusão, pobreza, dependência, ignorância e ausência de um percurso educativo adequado. Para esta parte da população, a liberdade garantida pela Constituição não pode ser aplicada.

Ser livre é, para D. Manuel Clemente, muito mais do que agir sem prejudicar ninguém; é sobretudo uma capacidade de acolher e estar disponível. Não estamos sós no mundo, pelo que esta pedagogia da exigência, que deve começar com as crianças, é essencial para conjugar a liberdade individual com a das pessoas que vivem em sociedade.

Pensa-se por vezes que a liberdade justifica todos os comportamentos; segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este ponto de vista reflecte-se na disseminação da violência familiar e laboral, na dificuldade em viver no espaço público e na intolerância face às opiniões discordantes.

No que diz respeito à manifestação pública da opção crente, o comentador defende que se está a assistir ao “ressurgir de posições iluministas, não apenas anti-clericais”, que revelam dificuldades em entender o que é a liberdade religiosa.

D. Manuel Clemente defende a necessidade da Igreja, especialmente através do protagonismo laical, se envolver nos debates seculares em que a liberdade se analisa e perspectiva. Para Marcelo Rebelo de Sousa, os leigos precisam de converter em acção a sua convicção.

A Jornada foi também marcada pela entrega do «Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes» ao Professor Adriano Moreira, que evocou as qualidades do presbítero jesuíta enquanto pastor e cidadão, numa época atravessada por mudanças aceleradas: “É com muita humildade que se deve receber uma distinção que é referida ao exemplo que ele deu”. Quando D. Manuel Clemente “me deu essa notícia [da atribuição do Prémio] eu disse uma coisa muito simples: ‘obrigado pela bênção'”.

Depois da leitura da Acta do Júri, o Presidente da Comissão Episcopal fez uma breve alocução, a que se seguiu a entrega da escultura e do cheque, no valor de € 2.500, oferecido pela Rádio Renascença. A cerimónia, que contou com a actuação do agrupamento «Sol Ensemble», concluiu-se com a intervenção de Adriano Moreira. (RM)

In Agência Ecclesia
09.06.09

“Do fruto que se extrai da oração e meditação” – São Pedro de Alcântara (1499-1562)

São Pedro de Alcântara, que viveu entre 1499-1562, foi prior de todos os conventos franciscanos da região de Ávila. Visitava Santa Teresa de Jesus quando vinha em missão administrativa. Nesta época, Santa Teresa estava na faixa dos quarenta anos de idade. Ela sentia profunda amizade e admiração por este frei sexagenário, que também lhe retribuía o afeto. Recebia-o acompanhada de sua amiga viúva, quando o avistava, já nas proximidades do Convento São José. São Pedro de Alcântara vinha a pé da cidade vizinha, e, após uma refeição frugal , se deitava à noite para descansar no piso bruto, embaixo de uma escada do convento. Santa Teresa sentia imensa ternura por tamanho despojamento, ainda que observasse em “Vida” (Livro da Vida) que o Santo, que ela chamava Frei Alcântara, talvez não devesse exigir tanto de seu corpo, já velho e cansado. Esta é uma característica peculiar  à sua personalidade: não era favorável a mortificações, ainda que em nada se opusesse ao que estava prescrito na regra carmelita, e menos ainda censurava o rigor da bula de São Francisco, que São Pedro de Alcântara cumpria à risca. É possível que, para melhor honrar o fundador, ia muito além do ideal ascético-místico estabelecido para os frades franciscanos. Santa Teresa provavelmente observara o rigor de seu velho amigo monge, porque em sua ótica, tinha em mente o excesso, por exemplo, de jejuns, já que para ela, isto inclinava suas noviças e monjas à fraqueza corporal, o que poderia implicar em confusões emocionais ou mentais quanto à percepção.

O trecho abaixo se refere ao primeiro capítulo do escrito de São Pedro de Alcântara, intitulado “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. Dividido em duas partes, a primeira é composta por doze capítulos. Traduzi do espanhol (faltam dois parágrafos deste primeiro capítulo – um curto e outro, bem longo). Mais adiante publicarei o restante. Me incumbi da tradução sem outra pretensão a não ser a de compreender melhor este escrito importante. Meu intento foi o de absorver melhor o sentido dos ensinamentos de São Pedro de Alcântara em seu “Tratado sobre a Oração e a Meditação”. É evidente que ler em nossa língua facilita bastante este objetivo. O dicionário ficou à mão, já que algumas palavras do idioma espanhol certamente ainda possuem significado paralelo, mas não adequado (no sentido da expressão) para o nosso tempo. Aceito críticas…
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São Pedro de Alcântara

TRATADO SOBRE A ORAÇÃO E A MEDITAÇÃO

Primeira Parte

Capítulo I. Do fruto que se extrai da oração e meditação

Porque este breve tratado fala de oração e meditação, será melhor dizer em poucas palavras o fruto que deste santo exercício se pode extrair, porque com mais alegria de coração  a ele se oferecem os homens.

Coisa notória é que um dos maiores impedimentos que o homem tem para alcançar sua última felicidade e bem-aventurança, é a má inclinação do coração, e, além disso, a dificuldade e o desânimo* que tem para fazer o bem; porque se não fosse isto, facílima coisa lhe seria correr pelo caminho das virtudes e alcançar o fim para que foi criado. Pelo qual disse o Apóstolo (Rom.7,23): alegro-me com a lei de Deus, segundo o homem interior, mas sinto outra inclinação em meus membros, que contradiz a lei de meu espírito. E me faz, assim, cativo da lei do pecado. Esta é, pois, a causa mais universal que há de todo o nosso mal. Pois para acabar com este desânimo* e dificuldade, e facilitar este propósito, uma das coisas mais proveitosas é a devoção. Porque (como disse São Tomás) não é outra coisa a devoção senão a prontidão e a rapidez para fazer o bem, a qual aparta de nossa alma toda esta dificuldade e peso**, e nos torna prontos e rápidos para todo o bem. Porque é um alimento espiritual, um refresco e bálsamo do céu, um sopro e alento do Espírito Santo, além de ser uma afeição sobrenatural; o qual , de tal maneira  regra, anima e transforma o coração do homem, a tal ponto que lhe dá novo gosto e alento para as coisas espirituais, e desgosto e aborrecimento pelas sensoriais***. O qual nos mostra a experiência de cada dia, porque no momento em que uma pessoa espiritual sai de uma profunda e devota oração, ali se renovam todos os bons propósitos; surgem inclinações e determinações de fazer o bem; vem o desejo de agradar e amar a um Senhor tão bom e doce, tal como como na oração se havia se mostrado, e, mais, de padecer novos trabalhos e asperezas, e ainda derramar sangue por Ele. Finalmente, torna verde e se renova todo o frescor de nossa alma. (cont.)

*No original em espanhol: pesadumbre.

**Original: pesadum.

***No original: sensuales.

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Crédito/imagem: http://www.geneall.net/P/per_famous.php?tema_id=21..

“Cristo, o novo Adão, nos ensina que o mal nunca vencerá o bem, que o amor é mais forte que a morte, que o nosso futuro e de toda humanidade está nas mãos do Deus providente e fiel.” – Papa Bento XVI – Santo Sepulcro (Jerusalém)

Basílica do Santo Sepulcro
Basílica do Santo Sepulcro

Fonte: http://www.vaticanradio.org/bra/Articolo.asp?c=287863

15/05/2009 13.45

PAPA NO SANTO SEPULCRO: “CRISTO RESSUSCITOU! O AMOR VENCEU A MORTE”

Jerusalém, 15 mai (RV) – Bento XVI visitou, neste derradeiro dia de sua peregrinação apostólica na Terra Santa, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou no Domingo de Páscoa.Era chamado Gólgota, que em aramaico, significa “lugar do crânio”: por sua forma arredondada que é semelhante a um crânio; e pela tradição que narra da sepultura, ali, do crânio de Adão.

Diante deste Santo Sepulcro de onde o Senhor venceu a morte e abriu o caminho do Reino dos Céus, saúdo todos os fiéis, na alegria do tempo pascal” − ressaltou o papa.

O Santo Padre agradeceu ao patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, e ao custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista Pizzaballa, pelas boas-vindas. Agradeceu também o acolhimento da hierarquia da Igreja Greco-ortodoxa e da Igreja Apostólica Armênia, bem como dos membros de outras comunidades cristãs da Terra Santa.

O papa saudou o Grão-mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro, Cardeal John Patrick Foley, e agradeceu a todos os membros da ordem ali presentes, pela incansável dedicação à missão da Igreja na Terra Santa.

Depois de cerca de vinte séculos, o Sucessor de Pedro e Bispo de Roma está aqui, neste lugar, diante do sepulcro vazio, contemplando o mistério da ressurreição” − frisou o pontífice.

A partir daí, a história da humanidade mudou definitivamente. “O longo domínio do pecado e da morte foi destruído pelo triunfo da obediência e da vida. O julgamento de Deus foi proferido sobre este mundo e a graça do Espírito Santo desceu sobre toda a humanidade” − sublinhou o papa.

Em seu discurso, Bento XVI ressaltou que Cristo, o novo Adão, nos ensina que o mal nunca vencerá o bem, que o amor é mais forte que a morte, que o nosso futuro e de toda humanidade está nas mãos do Deus providente e fiel.

O sepulcro vazio nos fala de esperança, daquela esperança que não nos engana, porque é dom do Espírito da vida. Possa essa esperança reinar sempre, pela graça de Deus, no coração de cada pessoa que vive nestas terras. Possa a esperança se arraigar em seus corações, permanecer nas famílias e comunidades, e inspirar em cada um de vocês, um testemunho sempre mais fiel ao Príncipe da Paz” – ressaltou o Santo Padre.

O pontífice disse ainda, que a Igreja na Terra Santa não deve cessar de anunciar a mensagem de esperança que o sepulcro vazio proclama, e “fez votos de que os amargos frutos de recriminação e de hostilidade possam ser superados, e que um futuro de justiça, paz, prosperidade e colaboração possa surgir para cada homem e mulher, e para toda a humanidade, sobretudo, para o povo que vive nesta terra, tão querida pelo Salvador”.

O papa convidou todos a olharem com os olhos da fé o rosto do Senhor crucificado e ressuscitado. Ele fez votos de que a Igreja na Terra Santa possa adquirir cada vez mais força na contemplação do Sepulcro vazio e fortificar seu compromisso de proclamar o triunfo do perdão de Cristo e a promessa de uma nova vida.

O pontífice concluiu com um encorajamento aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas que trabalham, servindo a Igreja na Terra Santa:

Aqui, diante do sepulcro vazio, coração da Igreja, convido todos vocês a renovarem o entusiasmo da consagração a Cristo e o compromisso de amor a serviço da Igreja.” (MJ)

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*Grifos meus.

Crédito/imagem: ‘Santo Sepulcro” (informações adicionais) – http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_do_Santo_Sepulcro

Informações sobre “Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro” http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_Eq%C3%BCestre_do_Santo_Sepulcro_de_Jerusal%C3%A9m

“As nossas diversas tradições religiosas têm em si notáveis potencialidades em relação à promoção de uma cultura da paz, especialmente mediante o ensino e a pregação dos valores espirituais mais profundos da nossa comum humanidade.” (Papa Bento XVI – Galiléia – 14.05.2009)

Fonte: http://www.vaticanradio.org/bra/Articolo.asp?c=287722

14/05/2009 20.08.36

PAPA NO ENCONTRO COM CHEFES RELIGIOSOS DA GALILÉIA: A PAZ É DOM DE DEUS, MAS NÃO PODE SE REALIZAR SEM ESFORÇO DO HOMEM

Nazaré, 14 mai (RV) – Bento XVI manteve esta tarde, às 16h30 locais, no auditório do Santuário da Anunciação, de Nazaré, um encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

O vigário patriarcal latino de Jerusalém, Dom Giacinto-Boulos Marcuzzo, saudou o Santo Padre, ressaltando a importância de sua peregrinação na Terra Santa, e a alegria deste cordial encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

Agradecendo pelas palavras de boas-vindas a ele dirigidas e pelo caloroso acolhimento, o Santo Padre saudou os líderes das diversas comunidades presentes: cristãos, muçulmanos, judeus, drusos e outros.

Após ressaltar perceber como uma bênção particular poder visitar a cidade venerada pelos cristãos como o lugar onde o anjo anunciou à Virgem Maria que conceberia por obra do Espírito Santo, e que ali o Menino Jesus “crescia em sabedoria e graça diante de Deus” (Lc 2, 40), o papa frisou que o mundo, longe de ser um fato cego, foi querido por Deus e revela o seu esplendor glorioso.

Dito isso, o pontífice acrescentou:

“No coração de toda tradição religiosa encontra-se a convicção de que a própria paz é um dom de Deus, embora esta não possa ser alcançada sem o esforço humano. Uma paz duradoura provém do reconhecimento que o mundo não é nossa propriedade, mas, sobretudo, o horizonte no qual somos convidados a participar do amor de Deus e a cooperar na condução do mundo e da história sob a sua inspiração.”

Bento XVI advertiu ainda que não podemos fazer com o mundo tudo aquilo que nos apraz; aliás, somos chamados a conformar as nossas escolhas segundo as complexas e, todavia, perceptíveis leis escritas no universo pelo Criador, e a modelar as nossas ações segundo a bondade divina presente no reino da criação – ressaltou.

O pontífice prosseguiu recordando que a Galiléia, uma terra conhecida pela sua heterogeneidade étnica e religiosa, é a pátria de um povo que conhece bem os esforços exigidos para viver em harmoniosa coexistência.

“As nossas diversas tradições religiosas – destacou – têm em si notáveis potencialidades em relação à promoção de uma cultura da paz, especialmente mediante o ensino e a pregação dos valores espirituais mais profundos da nossa comum humanidade”.

Em seguida, o Santo Padre fez questão de observar que plasmando o coração dos jovens, plasmamos o futuro da própria humanidade, acrescentando que os cristãos se unem a judeus, muçulmanos, drusos e pessoas de outras religiões no desejo de salvaguardar as crianças do fanatismo e da violência, ao tempo em que os preparam para que sejam construtores de um mundo melhor.

Por fim, o pontífice fez uma exortação aos chefes religiosos da Galiléia:

“Meus caros amigos, sei que vocês acolhem com alegria e com a saudação da paz os muitos peregrinos que chegam à Galiléia. Encorajo-os a continuarem exercendo o respeito recíproco, ao tempo em que trabalham para aliviar as tensões concernentes aos lugares de culto, garantindo assim um ambiente sereno para a oração e a meditação, aqui e em toda a Galiléia. Representando diversas tradições religiosas, vocês partilham o desejo comum de contribuir para o melhoramento da sociedade e testemunham assim os valores religiosos e espirituais que ajudam a fortalecer a vida pública.”

Bento XVI concluiu assegurando o compromisso da Igreja Católica de participar dessa nobre tarefa.

Após o encontro com os chefes religiosos da Galiléia, o Santo Padre deixou o auditório do Santuário da Anunciação, transferindo-se para a Basílica Inferior do Santuário de Nazaré, onde, acolhido pelo Ministro Geral dos Franciscanos, foi acompanhado até a Gruta da Anunciação, momento marcado de grande comoção. Ali, o papa se deteve por alguns instantes em oração e recolhimento. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano

Nossa Senhora lembrou ao mundo a necessidade da oração, em resposta a apelo do papa Bento XV aos católicos, em 1917… (OCDS)

Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo

Observem, tal como eu, que o mundo do século XX e início deste, ao que parece, está dando as costas  para seu Criador… Vivemos dentro de uma ótica tão materialista que estaremos caindo no abismo e não nos daremos conta enquanto não encontrarmos o chão… O papa Bento XVI está em Israel, e “peregrina” em meio ao conflito do Oriente Médio, e, com originalidade vai respondendo aos seus contendores. Ele também está clamando por paz entre os povos, exatamente como o papa Bento XV o fez, em 1917.

Entretanto, acredito que a tarefa do nosso atual papa é hercúlea, ou seja, é mais complexa que ao tempo da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu clamor tem caído no vazio, dada ao que considero uma verdadeira “indiferença mundial pela paz”. Ele próprio indica a fonte do problema: o relativismo; o conceito está dentro do ideário “pós-moderno”. Estudiosos de Sociologia e Antropologia afirmam que estamos passando por uma fase de transição – do período “moderno” para o “pós-moderno”. Pessoalmente, ainda não consegui compreender em que se baseia este “determinismo”. É um fato histórico que passamos dos estudos “astrológicos” para os astronômicos – ou seja, da Idade Média para a Moderna. No entanto, o que sempre foi aceito como um valor universal, desde os gregos chegou incólume até a década de 80. Desde o final daquela década  há algo em curso (isto me lembra a “mão invisível” do Adam Smith…), que vem se mostrando inexorável. Algo que quer se firmar como a “Terceira Onda”, de Alvin Tofler, ou “1984”, de George Orwell. Enfim, há uma atmosfera, a meu ver, à lá Kafka. A pós-industrialização, que gerou a globalização, que gerará a virtualização da vida humana… O papa Bento XVI traduz tudo quando critica a relativização de todos os valores até então válidos…

Verifico que o papa Ratzinger tem a seu favor, em termos de defesa do Cristianismo, do catolicismo – a inteligência brilhante e o domínio das Escrituras Sagradas, e quanto a este aspecto, é pós-doutor em Teologia. Além disso, isto é, é um homem de 82 anos, que acumulou uma vasta cultura e, para melhorar seu perfil de Sumo Pontífice, é conhecido como um homem muito simples – o que vem surpreendendo a todos. Sendo assim, é um homem que possui sabedoria, a mesma que é valorizada no Antigo Testamento. No entanto, pede que rezemos continuamente por ele… certamente para que não esmoreça. Ou seja, Bento XVI vem enfrentando “intelectualmente” o combate sistemático da imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é a favor de tudo que não lhe contrarie interesses… Obviamente que há outros grupos que lhe fazem oposição.

A propósito, desde o final do dia de ontem e no dia de hoje, 13 de maio, teve de enfrentar a rejeição de alguns líderes religiosos israelitas quanto ao projeto de estabelecimento de uma sede na Terra Santa – algo em torno de um organismo estatal, o qual representaria o pensamento do Vaticano. A idéia é viabilizar meios que permitam a proteção dos cristãos de todas as nacionalidades, que residem nas áreas de conflito, bem como palestinos, cristãos ou muçulmanos. Esta notícia contrariou o mundo político de Israel, provavelmente porque agradou, por exemplo, reinados muçulmanos, como o da Jordânia. Esta tem como característica o acolhimento “democrático” de cristãos e muçulmanos, tanto no aspecto da prática religioso quanto da educação e cultura que os caracteriza.

Quanto a manifestações de alguns rabinos ultra-conservadores em Israel, não lhes foi permitido entrar com faixas e cartazes no ambiente em que o papa Bento XVI se dirigiria a uma ampla gama de autoridades religiosas e políticas, que compõem o estado de Israel. Pelas notícias, o papa falou de improviso e seu apelo à paz teve argumentação bíblica, que foi acolhida com surpresa pelos presentes…

Voltemos à aparição de Nossa Senhora em Fátima. Em 1917, o papa referido abaixo – Bento XV – clamava ao mundo católico que pedisse a intercessão de Nossa Senhora pela paz, em meio à primeira Guerra Mundial. O mundo não ouviu, tanto que veio uma segunda Grande Guerra, e com uso de uma bomba atômica… Constato que o papa Bento XVI nem ao menos pode apelar a sentimentos como – piedade, compaixão, amor, perdão. Pelo menos com a certeza de que, se não for atendido, será compreendido ou aceito… Podemos ter a certeza de que o papa Bento XV foi compreendido, ainda que não lhe tenham dado ouvidos…

Estamos negando nossa humanidade, cedendo-a, sim, aos apelos do mundo da Ciência e da Tecnologia. Estas, na minha ótica, duas “deusas” que, há cerca de três décadas foram “entronizadas” na vida que adotamos, sem crítica de espécie alguma…

Tenho que admitir a luta – que vai se mostrando inglória, ainda que perseverante, graças a Deus – em todas as áreas da vida humana. Está sendo travada por muitos de nós – ao tentarmos preservar uma “vida interior”. Ou seja, é empreendida, em nosso dia-a-dia, uma verdadeira “batalha” para vivermos com liberdade e autenticidade, em meio a este estado de coisas, nossos ideais de transcendência. O absurdo é que nada é mais humano que esta realidade, já que o instinto de sobrevivência é básico. Por que chegamos a este nível de negação de nós próprios? Acumulação? Prestígio? Nesse sentido, sinto-me “vítima”. O que me consola é que estou bem acompanhada, e por muitos… Assim, chega a parecer piada, dentro do que eu chamo “tirania desumanizante” – afirmarmos nossa religiosidade, nossos anseios espirituais… A “Matéria” em nosso tempo, sufoca, ao cansaço, o “Espírito”; este, no sentido filosófico. Será que a Humanidade ainda pensa que existe alma, e que esta deve aspirar à salvação? Nossa Senhora… ora pro nobis. Amém.

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Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província de São José http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/

Nossa Senhora de Fátima

No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em orações para a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Santíssima Virgem dava a sua resposta, aparecendo a três pastorinhos portugueses. A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira, onde agora se encontra a Capelinha das Aparições, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. (…) Leia mais em http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/.

Papa Bento XVI abençoa a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, na cidade de Madaba (Jordânia)

Igreja Ortodoxa de São Jorge - Madaba (Jordânia)
Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge - Madaba (Jordânia)

Sobre as Universidades, no lançamento da pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, em Madaba, dirigindo-se à rainha Rania, da Jordânia, o Sumo Pontífice  “recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se“.

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Fonte: Rádio Vaticano

Amã, 09 mai (RV) – (…) Do Monte Nebo, o pontífice se dirigiu à cidade de Madaba, onde abençoou a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino.

Ao saudar os presentes, Bento XVI elogiou a política do reino da Jordânia, de privilegiar a educação – missão que envolve em primeira pessoa a Rainha Rania, “cuja dedicação é motivo de inspiração para muitos” – disse o papa.

Falando das Universidades, o Santo Padre recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se.

“A religião é desfigurada, quando é obrigada a servir a ignorância e o preconceito, o desprezo, a violência e o abuso.” Quando isso acontece − explicou o pontífice − não vemos somente a perversão da religião, mas também a corrupção da liberdade humana. “Sem dúvida, quando promovemos a educação, proclamamos a nossa confiança no dom da liberdade” – concluiu o Santo Padre. (BF)

Fonte: http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=285905

Crédito/imagem: http://www.flickr.com/photos/gauiscaecilius/sets/72157607411678227/

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VATICANO – Bento XVI na Terra Santa – Celebração das Vésperas: “A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!”

Amã (Agência Fides – 12.05.2009) – Na Catedral de São Jorge* – greco-melquita, em Amã, no sábado 9 de maio, às 17.30h, o Santo Padre presidiu a oração das vésperas segundo o rito greco-melquita, que contou com a participação de sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e membros de movimentos eclesiais. Estavam presentes sacerdotes, religiosos e fiéis de vários ritos católicos. Na homilia, depois de saudar e agradecer os presentes, o Santo Padre recordou que a “Igreja é um povo peregrino; como tal, durante vários séculos, foi marcado por eventos históricos determinantes e por acontecimentos culturais. Infelizmente alguns deles incluíram períodos de disputa teológica ou de repressão. Todavia, existiram momentos de reconciliação, que fortificaram maravilhosamente a comunhão da Igreja, e tempos de rica retomada cultural aos quais os cristãos orientais contribuíram grandemente… O antigo tesouro vivo das tradições da Igrejas Orientais enriqueceram a Igreja universal e não deve mais ser entendida simplesmente como objeto a ser protegido passivamente. Todos os cristãos são chamados a responder ativamente ao mandato de Deus, como São Jorge fez de maneira segundo testemunho popular, para levar os outros a conhecê-lo e amá-lo”.*

O papa recordou os antigos laços com o patriarcado de Antioquia e suas raízes no Oriente, as numerosas iniciativas de caridade que “se estendem a todos os jordanianos, muçulmanos e outras religiões, e também ao vasto número de refugiados que este reino acolhe tão generosamente”. Falando do Salmo (103), primeiro salmo das vésperas, que apresenta imagens gloriosas de Deus, Criador generoso, ativamente presente em sua criação, e a epístola, que chama a atenção sobre a exigência de vigiar, de ser conscientes das forças do mal que estão na obra para criar escuridão em nosso mundo (cf. Ef 6, 10-20) – o pontífice sublinhou que, além da aparente contradição, “refletindo sobre a experiência humana cotidiana reconhecemos a luta espiritual, advertimos a necessidade cotidiana de entrar na luz de Cristo, de acolher a vida, de buscar a verdade. De fato, este ritmo, nos tira do mal e nos conduz a Deus – e isso celebramos em cada Batismo, entrada na vida cristã, primeiro passo longo o caminho dos discípulos do Senhor”.

Dirigindo-se então aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e às religiosas, e aos fiéis leigos, o Santo Padre recordou que “as respectivas funções de serviço e missão dentro da Igreja são a resposta incansável de um povo peregrino. As suas liturgias, a disciplina eclesiástica e o patrimônio espiritual são um vivo testemunho de sua tradição. Vocês façam ressoar a primeira proclamação do Evangelho, reviver as antigas lembranças das obras de Deus, tornem presentes as suas graças de salvação e difundam novamente o primeiro raio de luz pascal e sensação das chamas de Pentecostes”. Citando a enorme variedade dos trabalhos apostólicos, todos muito apreciados, evidenciou que a sua presença nesta sociedade “é um maravilhoso sinal da esperança que nos qualifica como cristãos” e “tal esperança vai além dos confins de nossas comunidades cristãs”.

Enfim, encorajando os que estão em formação para o sacerdócio e a vida religiosa, o papa disse: “Guiados pela luz do Senhor ressuscitado, inflamados pela sua esperança e revestidos de sua verdade e de seu amor, o seu testemunho dará frutos abundantes de bênçãos àqueles que vocês encontrarão ao longo do caminho”. E exortou todos os jovens cristãos jordanianos: “não tenham medo de dar uma ajuda sábia, comedida e respeitosa à vida pública do reino. A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!” (S.L.) (Agência Fides 12/5/2009)

*Grifos de minha autoria.


“Na esteira dos Profetas, dos Apóstolos e dos Santos, somos chamados a dar testemunho ao Evangelho do amor e da misericórdia universais de Deus…” (Papa Bento XVI – Monte Nebo)

Monte Nebo (Jordânia)  -  Foto: Nader Daoud/AP
Monte Nebo (Jordânia) - Foto: Nader Daoud/AP
Construída na Antiguidade, no Monte Nebo, vista da Basílica.
Vista da Basílica do Memorial de Moisés, no Monte Nebo - construída na Antiguidade.

Crédito/imagem: Basílica Monte Nebo – http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/snpcultura/fotografias/vol_monte_nebo

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Fonte: Agência Internacional FIDES – www.fides.org

VATICANO – Bento XVI na Terra Santa (3) – Na Basílica do memorial de Moisés: “Como Moisés, nós também fomos chamados pelo nome, convidados a empreender um êxodo diário do pecado e da escravidão rumo à vida e a liberdade”

Monte Nebo (Agência Fides) – O primeiro compromisso do Santo Padre no sábado, 9 de maio, foi a visita à antiga Basílica do Memorial de Moisés no Monte Nebo. “É justo que a minha peregrinação tenha início nesta montanha, onde Moisés contemplou de longe a Terra Prometida” disse Bento XVI no seu discurso. “Aqui, no alto do Monte Nebo, a memória de Moisés nos convida a ‘abrir os olhos’ para abraçar com gratidão não somente as obras maravilhosas de Deus no passado, mas também a olhar com fé e esperança para o futuro que ele reservou para nós e para o mundo inteiro. Como Moisés, nós também fomos chamados pelo nome, convidados a empreender um êxodo diário do pecado e da escravidão rumo à vida e a liberdade, e nos é dada uma sólida promessa para orientar o nosso caminho… Desta santa montanha, Moisés orienta o nosso olhar para o alto, na direção do cumprimento de todas as promessas de Deus em Cristo”.

Citando o exemplo de Moisés, que “contemplou a Terra Prometida de longe, no final de sua peregrinação terrena”, o Santo Padre recordou que “nós também fazemos parte da peregrinação sem tempo do Povo de Deus ao longo da história. Na esteira dos Profetas, dos Apóstolos e dos Santos, somos chamados a levar adiante a missão do Senhor, a dar testemunho ao Evangelho do amor e da misericórdia universais de Deus… Sabemos que, assim como Moisés, não veremos a plena realização do plano de Deus durante a nossa vida. Mas, assim mesmo, temos confiança que, fazendo a nossa pequena parte, na fidelidade à vocação que cada um recebeu, contribuiremos para seguir no caminho do Senhor e para saudar a aurora do seu Reino. Sabemos que Deus, que revelou o seu nome a Moisés, com a promessa de estar sempre ao nosso lado, nos dará a força para perseverar com alegre esperança também no sofrimento, na provação e nas atribulações”.

Bento XVI então afirmou querer confirmar com a sua presença a antiga tradição da peregrinação, “baseada no desejo de ver, tocar e saborear na oração e na contemplação, os locais abençoados pela presença física do nosso Salvador, da sua Mãe abençoada, dos Apóstolos e dos primeiros discípulos que o viram ressuscitado dos mortos”. Além de nos levar “a apreciar mais plenamente o dom da nossa fé e a crescer na comunhão que transcende qualquer limite de idioma, raça e cultura”, a peregrinação aos locais santos “nos faz recordar também o vínculo inseparável que une a Igreja ao povo judeu”. O Papa também manifestou o desejo de que esse encontro inspire “um amor renovado pelo cânone da Sagrada Escritura e o desejo de superar qualquer obstáculo que se oponha à reconciliação entre Cristãos e Judeus, no respeito recíproco e na cooperação ao serviço da paz em que a Palavra de Deus nos chama!” (S.L.) (Agência Fides 12/5/2009)

“Não é o poder que redime, mas o amor.” (Papa Bento XVI – Homilia)

jesus&speter

missa_papa_homiO Sumo Pontífice – papa Bento XVI, Joseph Ratzinger – nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927. Portanto, na última quinta-feira completou 82 anos. Parece estranho mencionar com atraso a comemoração de seu aniversário, mas sigo o ditado popular: “antes tarde do que nunca”… Não sou dada a felicitações de aniversário, no entanto, este homem, tal como é comentado sobre todos os pontífices vive uma solidão, a meu ver, “singular”. Não pelo fato de ser celibatário e não ter parentes próximos vivos, e sim por ser o 265º Papa! Um papa é um homem especial, por excelência, porque deve ser forte, já que conviverá com todo o tipo de pressões. Muitas delas, tal como é sabido por toda a cristandade, contrariaram o “Espírito da Igreja”. Na atualidade, não é diferente, principalmente em termos de unicidade, entre  outros aspectos. Graças a Deus o papa Bento XVI tem esta virtude, aliás, essencial neste tempo, em que vem enfrentando críticas públicas, inclusive na Praça de São Pedro… No entanto, como “Pastor” do grande rebanho que é a Igreja Católica do século XXI, podemos permanecer confiantes porque, por suas palavras, não lhe faltam Fé nem humildade – portanto, nem o Sumo Pontífice nem a Igreja serão abalados.

Bento XVI sucede nada menos que São Pedro, o primeiro representante da Igreja de Jesus Cristo – até que Ele “volte na consumação dos tempos”.

Eu acho impressionante esta sucessão de homens maravilhosos – um bom número deles tornados santos. E, mesmo que muitos não tenham recebido este título, foram verdadeiros sucessores de Pedro e representantes de Cristo porque, com o auxílio do Espírito Santo, que paira sobre a Igreja, lutaram bravamente para que esta se mantivesse Una, Santa e Apostólica. Já foi muito temido na condição de cardeal e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Particularmente, deixei de vê-lo como homem da hierarquia da Igreja que possuía “mão de ferro”. Bem antes de assumir seu pontificado, compreendi os equívocos da “Teologia da Libertação”. Para mim, boas intenções não podem admitir que “os fins justifiquem os meios”. Isto, porque a doutrina marxista é incompatível com a misericórdia… Jesus foi entregue aos seus algozes por Judas Escariotes que via n’Ele um revolucionário… Deixou-nos a seguinte instrução: “Dai a César o que é de César; a Deus o que é de Deus.” Entendo esta metáfora usada por Jesus, diante de Pilatos, da seguinte maneira: o Amor é a melhor política na luta por justiça social. Por certo há tratados sobre a temática… Em todo o caso, para mim, não importa o conteúdo destas publicações, já que este enfoque teológico, que em teoria se propõe como benéfico para a cristandade, a meu ver, nada mais é que outra “roupagem católica”. Melhor ficarmos com a que deriva da tradição apostólica… Ou seja, enquanto católicos não precisamos mudar a forma, e sim aprofundar o conteúdo. Vejo positivamente o caminho percorrido desde o abandono da cultura pagã: a civilização judaico-cristã deu concretude a muitas conquistas sociais. Adentrou o século XXI e, pacificamente tem auxiliado muitos povos, ainda pré-civilizados ou dominados pelo totalitarismo, a alcançarem uma visão que contempla, ainda que idealmente, a pessoa, o ser humano em si mesmo. A propósito desta análise, li recentemente que no Japão há conversões em massa ao catolicismo. Além disso, a adesão que mostram é entusiasmada, bem mais intensa que a média dos católicos não-orientais… Podemos constatar isto em dados que mostram a visitação ao Vaticano. Nossos irmãos japoneses católicos vão em número, proporcionalmente ao tamanho do Japão, significativamente elevado em relação aos demais países. A respeito disso, tenho uma “tese”: a cultura oriental desconsidera, de certo modo, o corpo humano, e por conseguinte a identidade, a pessoa – seus anseios individuais. Isto, porque é estratificada, na qual cada um ocupa um lugar e, não passa disso a existência humana… Observem este dado cultural em filmes que contam a história de samurais. Para mim, quando acessam o “manancial” que brota da interioridade vivenciada pelos cristãos, desde a Igreja Primitiva, sentem-se verdadeiramente humanos, vivos, plenos. É plausível, não? Diante de tal contentamento, chego a pensar que devíamos ser “recristianizados” por eles, já que perdemos o “pique” que o amor em Cristo oferece – somos tão desanimados… No entanto, não vale o entusiasmo da venda de CD’s e livros… Desculpem-me, se pareço exagerada. É que não consigo esquecer a convicção, a alegria dos primeiros cristãos, relatada nas Escrituras Sagradas, mesmo tendo que enterrar seus mortos em catacumbas, nos subterrâneos de Roma, para não serem identificados. E o perigo foi aumentando: encontravam a morte diante de leões nas arenas. Mais adiante, por quase cinco séculos, eram decapitados diante da recusa de adoração de ídolos, de deuses pagãos…

Ainda sobre a “Teologia da Libertação”, para concluir minha abordagem sobre este “evento” dentro do catolicismo, lembro da afirmação de que “somos animais políticos”. Concordo, mas vou um pouco além: até mesmo a fé é capaz de mostrar o quanto podemos administrar “politicamente” nossa parcela de irracionalidade, no caso, a negativa… Há muitos contributos individuais e de instituições ao longo da história do Cristianismo que mostram a libertação de realidades opressivas  a partir de condutas como a compaixão, a piedade diante do sofrimento humano. Em suma: o exercício da caridade diante da pessoa dos que sofrem por falta de recursos, principalmente materiais, que se estende por atuação nas estruturas já disponíveis  para melhoria da qualidade de vida dos povos. Ainda é assim, graças a Deus. Este tipo de “cuidado” com os desprotegidos de todo tipo, há de seguir, sem interrupção de espécie alguma. Depende de nós – os cristãos… A Igreja criou  no  passado, quando nada havia para proteger os desamparados de toda espécie – orfanatos, educandários, e além disso, em cada mosteiro, havia em geral, desde  os primeiros mosteiros uma “mesa” para os andarilhos ou famintos…. Por que isto não é mais mencionado como parte da história do mundo ocidental? As primeiras universidades foram confessionais, e de lá saíram homens que criaram estruturas que prepararam  a implantação da democracia no Ocidente. A este esforço, foi agregada a  contribuição de mulheres, as quais passaram a frequentar, no final do século XIX, lado a lado com os homens, as mesma universidades. Aqui há uma chave: a de  que toda mulher anseia por igualdade de direitos, aliás direitos universais. A partir desta constatação, é digno de reflexão o fato de que há o fortalecimento da democracia no mundo ocidental quando as mulheres, se aliam  aos homens na ênfase  sobre o conceito de equidade, de igualdade de direitos. Ou seja, não deve existir exceção de qualquer tipo. Sabemos que há muito ainda a avançar neste terreno. Desse  novíssimo caldo cultural surge a constituição do que conhecemos como “direitos  humanos”. O conceito mal completou 50 anos. As populações, principalmente antes do Cristianismo eram submetidas aos poderosos de cada momento histórico. No filme  “Coração Valente”, que se passa no século XIII é possível perceber que a razão e a piedade cristãs (quando existem entre os próprios cristãos…) arranca povos da opressão dos que detêm o poder político, em muitos casos no período medieval, embaralhado com o poder religioso. Mas isto foi mudando paulatinamente, e, é importante  frisar – para concluir, foi conquista do conjunto da cristandade. Ou seja, foi sendo firmado o conceito de que não há diferença entre  homens, mulheres, pobres ou ricos. Verdade é que foi uma conquista lenta, mas esta se mostrou contínua até o nosso tempo. Penso que quando não há compaixão, tanto no passado como na atualidade, ou ela vai se extinguindo, há somente indiferença, que vem sempre acompanhada de avidez pelo poder.

Portanto, acredito  que há liberdade somente no amor. O resto é poder. Assim, devemos aproveitar o simples exercício da democracia, que é uma boa forma de concretizar o amor, a solidariedade, a fraternidade. Simples assim. Para nós cristãos é suficiente o cumprimento dos Dez Mandamentos. Seria agir com má-fé confundir o que historica e politicamente foi denominado como “Cartilha” com o catecismo. O catecismo da Igreja nada mais é que uma releitura do Decálogo, adaptada a cada tempo. Há restrições, mas  estas visam  a integridade da criatura, em seu todo. A partir da Revolução Francesa o conceito de liberdade ficou restrito ao corpo. O problema é que corpos não são máquinas… É básica a nossa ânsia por Transcendência.

Assim, o papa Bento XVI tem demonstrado ao mundo que se enquadra entre aqueles que a defendem a Igreja com bravura, já que seus inimigos são inumeráveis… Talvez por esta razão, ao longo da sua história, existiram representantes máximos que nem sequer eram homens movidos pela fé… Ocuparam o maior cargo dentro da hierarquia, ainda que seja basicamente espiritual, tão somente por poder. Confiram, logo abaixo, o que o Papa Bento XVI fala sobre o tema  “poder” e “amor”, que, conforme nos ensina, podem andar juntos no Cristianismo. Penso que, essencialmente, está refletindo sobre sua responsabilidade enquanto condutor do vastíssimo “rebanho” de almas, composto pela Igreja Católica. Esta é a homilia* de sua posse como Sumo Pontífice, que se deu em 24 de abril de 2005. Este excerto chega ser poético:

“(…)Não é o poder que redime, mas o amor. Ele mesmo é o amor. Quantas vezes nós desejamos que Deus se demonstrasse mais forte, quantas vezes nós gostaríamos que Deus agisse duramente, derrotasse o mal e criasse um mundo melhor… Todas as ideologias do poder se justificam assim: justificam a destruição dos que se opõem aos progressos e libertação da humanidade.

Nós sofremos pela paciência de Deus. Por outro lado, precisamos de Sua paciência. Deus que se tornou Cordeiro nos diz que o mundo se salva com os crucificados e não com os que crucificam. O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens. Uma das principais características do Pastor deve ser a de amar os homens a Ele confiados, do mesmo modo como Cristo ama para quem trabalha. “Apascentai as minhas ovelhas”, diz Cristo a Pedro e a mim neste momento. Cuidar, apascentar quer dizer amar. E amar quer dizer estar pronto a sofrer; amar significa dar às ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, da Palavra de Deus, o alimento de Sua presença que Ele nos oferece no Santíssimo Sacramento.

Queridos amigos, neste momento posso pedir somente isso: “Rezem por mim! Rezem por mim para que eu aprenda a amar sempre mais o Senhor. Rezem por mim para que eu aprenda a amar cada vez mais o Seu rebanho: vocês, a Santa Igreja, cada um de vocês individualmente e vocês todos juntos! Rezem por mim para que eu não fuja diante dos lobos. Rezemos uns pelos outros para que o Senhor nos conduza e aprendamos a conduzir-nos uns aos outros.”

(Papa Bento XVI)

*Texto integral: http://www.npdbrasil.com.br/religiao/Papa_Bento_16.htm

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Logo abaixo, destaquei partes de sua homilia, no domingo de Páscoa, dia 12 de abril. O texto na íntegra foi renovado como notícia neste sábado, dia 18. Na mensagem do papa Bento XVI, fica evidenciado seu chamado para que sejamos capazes de ser portadores de esperança, mesmo em um mundo cheio de contradições, isto é, onde altas tecnologias convivem ao lado de misérias absolutas. Suas palavras são entusiasmadas e animadoras, mesmo em sua idade avançada:

“Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo,

o Qual repito-o procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja,

as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor.“

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FONTE: L’Osservatore Romano (18 de Abril de 2009)

Na mensagem Urbi et Orbi o Sumo Pontífice indica a necessidade de pessoas capazes de voltar a dar esperança
Homens e mulheres a favor da justiça e do amor

Amados irmãos e irmãs
de Roma e do mundo inteiro!
A todos vós formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: “Resurrectio Domini, spes nostra a ressurreição do Senhor é a nossa esperança” (Sermão 261, 1). (…)

No contexto do Ano Paulino, várias vezes tivemos ocasião de meditar sobre a experiência do grande Apóstolo. Saulo de Tarso, o renhido perseguidor dos cristãos, a caminho de Damasco encontrou Cristo ressuscitado e foi por Ele “conquistado”. O resto já sabemos. Aconteceu em Paulo aquilo que ele há-de escrever mais tarde aos cristãos de Corinto: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou: tudo foi renovado!” (2 Cor 5, 17). Olhemos para este grande evangelizador que, com o audaz entusiasmo da sua acção apostólica, levou o Evangelho a muitos povos do mundo de então. A sua doutrina e o seu exemplo estimulam-nos a procurar o Senhor Jesus; encorajam-nos a confiar n’Ele, porque o sentido do nada, que tende a intoxicar a humanidade, já foi vencido pela luz e a esperança que dimanam da ressurreição. Já são verdadeiras e reais as palavras do Salmo: “Nem as trevas, para Vós, têm obscuridade / e a noite brilha como o dia” (139/138, 12). Já não é o nada que envolve tudo, mas a presença amorosa de Deus. Até o próprio reino da morte foi libertado, porque também aos “infernos” chegou o Verbo da vida, impelido pelo sopro do Espírito (Sl 139/138, 8).

Se é verdade que a morte já não tem poder sobre o homem e sobre o mundo, todavia restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo domínio. Se, por meio da Páscoa, Cristo já extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor. Tal foi a mensagem que, por ocasião da recente viagem apostólica aos Camarões e Angola, quis levar a todo o Continente Africano, que me acolheu com grande entusiasmo e disponibilidade de escuta. De facto, a África sofre desmedidamente com os cruéis e infindáveis conflitos frequentemente esquecidos que dilaceram e ensanguentam várias das suas Nações e com o número crescente dos seus filhos e filhas que acabam vítimas da fome, da pobreza, da doença. A mesma mensagem repetirei com vigor na Terra Santa, onde terei a alegria de me deslocar daqui a algumas semanas. A reconciliação difícil mas indispensável, que é premissa para um futuro de segurança comum e de pacífica convivência, não poderá tornar-se realidade senão graças aos esforços incessantes, perseverantes e sinceros em prol da composição do conflito israelo-palestiniano. Da Terra Santa, o olhar estende-se depois para os países limítrofes, o Médio Oriente, o mundo inteiro. Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes alterações climáticas, de violências e miséria que constringem muitos a deixar a própria terra à procura duma sobrevivência menos incerta, de terrorismo sempre ameaçador, de temores crescentes perante a incerteza do amanhã, é urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperança. Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo, o Qual repito-o procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja, as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor.

Resurrectio Domini, spes nostra – a Ressurreição de Cristo é a nossa esperança! É isto que a Igreja proclama hoje com alegria: anuncia a esperança, que Deus tornou inabalável e invencível ao ressuscitar Jesus Cristo dos mortos; comunica a esperança, que ela traz no coração e quer partilhar com todos, em todo o lugar, especialmente onde os cristãos sofrem perseguição por causa da sua fé e do seu compromisso em favor da justiça e da paz; invoca a esperança capaz de suscitar a coragem do bem, mesmo e sobretudo quando custa. Hoje a Igreja canta “o dia que o Senhor fez” e convida à alegria. Hoje a Igreja suplica, invoca Maria, Estrela da Esperança, para que guie a humanidade para o porto seguro da salvação que é o coração de Cristo, a Vítima pascal, o Cordeiro que “redimiu o mundo”, o Inocente que “nos reconciliou a nós, pecadores, com o Pai”. A Ele, Rei vitorioso, a Ele crucificado e ressuscitado, gritamos com alegria o nosso Aleluia! (Papa Bento XVI)

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Obs.: Os grifos em negrito e itálico são meus.

Créditos das imagens:

Papa Bento XVI – http://www.npdbrasil.com.br/religiao/Papa_Bento_16.htm .

Jesus Cristo e São Pedro: http://www.stpeterlinton.com/

Santa Edith Stein: judia alemã, filósofa e mártir na barbárie nazista

Santa Edith Stein ou Irmã Teresa Benedita da Cruz foi canonizada, em celebração na Praça de São Pedro, no dia 11 de outubro de 1998. Logo abaixo, podemos acompanhar a trajetória desta Santa, carmelita descalça, desde a infância até seu martírio, em 1942, quando foi levada pelos nazistas para um campo de concentração. Judia alemã, recebeu o Batismo em 1º de janeiro de 1922, com a a idade de 31 anos, tendo tomado o hábito das carmelitas descalças, na data de 15 de abril de 1934.

Como todos sabemos, o regime nazista era comandado por “gângsters”, ou seja, era a própria barbárie. Uma caçada foi “empreendida” por toda a Europa, em busca dos que apresentavam ascendência judaica. Dois oficiais da Gestapo a levaram de um convento na Holanda como prisioneira, juntamente com sua irmã Rosa, recém-admitida como noviça. Partiram em  02 de agosto de 1942. O destino foi irreversível: os campos de extermínio nazistas. Despojadas de toda dignidade humana, foram assassinadas naquele mesmo ano, juntamente com outras mulheres judias. Morte de câmara gás, no campo de Auschwitz… O valor espiritual de seus escritos a tornaram doutora da Igreja Católica universal.

A conversão de Santa Edith Stein ao Cristianismo praticamente a isolou da família. Tendo rapidamente superado o corte, e já adaptada e reconhecida como religiosa católica de alto preparo intelectual, inclusive por outras ordens, veio a conhecer o holocausto… Por exemplo, em 1933, há o relato de que, mesmo com a chegada do Partido Nacional Socialista, de Hitler ao poder, ela enfrentou com heroísmo sua condição de judia, nascida na Alemanha: “(…)apesar da insistência de um Instituto de Educação Católico, no sentido em que Edith Stein aceitasse uma vaga de docência na América do Sul, ela a recusou”. Do mesmo modo, poderemos compreender melhor sua conversão ao catolicismo, não aceita por sua mãe, e que se deu já em idade adulta, além de sua atuação como professora.

Vale a pena ler mais sobre a vida de Santa Edith Stein no seguinte site:http://www.lepanto.com.br/dados/HagEdith.html.  Assim, além das informações contidas no site do Vaticano, que publiquei mais abaixo, confiram no endereço acima, outros componentes históricos de sua vida. Há mais detalhes sobre sua condição de religiosa carmelita descalça, e antes deste período, como filósofa de renome, que, convertida ao catolicismo, se destacou como professora em instituto católico para moças. Reconhecida na Europa como Dra. Edith Stein, consta em sua biografia que  “junto de suas jovens alunas, Edith elaborou métodos de educação inovadores, que além de atrair e interessar as moças pelo estudo e conhecimento , contribuíam para sua formação moral e espiritual, na qualidade de pessoas e de mulheres católicas”. (LBN)

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FONTE: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19981011_edith_stein_po.html

santa-edith-stein_martirIrmã Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein

(1891-1942)

Nascida em Vrastilávia a 12 de Outubro de 1891, os seus genitores eram de nacionalidade alemã e de religião hebraica. Foi educada na fé dos pais, mas no decurso dos anos tornou-se praticamente ateia, conservando muito elevados os valores éticos, mantendo uma conduta moralmente irrepreensível. De maneira brilhante obteve o doutoramento em filosofia e tornou-se assistente universitária do seu mestre, Edmund Husserl. Incansável e perspicaz investigadora da verdade, através do estudo e da frequência dos fermentos cristãos e, por fim, através da leitura da autobiografia de Santa Teresa de Ávila, encontrou Jesus Cristo que resplandecia no mistério da cruz e, com jubilosa resolução, aderiu ao Evangelho.

Em 1922, recebeu o baptismo na Igreja católica com o nome de Teresa: a sua vida mudou de modo radical. Os anos sucessivos foram despendidos no aprofundamento da doutrina cristã, no ensinamento, apostolado e publicação de estudos científicos, e numa intensa vida interior nutrida pela palavra de Deus e a oração.

Em 1933, coroou o desejo de se consagrar a Deus e entrou na Congregação das Carmelitas Descalças, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz, exprimindo assim, também com este nome, o ardente amor a Jesus crucificado e especial devoção a Santa Teresa de Ávila. Emitiu regularmente o voto de pobreza, obediência e castidade e, para realizar a sua consagração, caminhou com Deus na via da santidade.

Quando na Alemanha o nacional-socialismo exacerbou a louca perseguição contra os judeus, os superiores da Beata enviaram-na, por precaução, para o carmelo de Echt, na Holanda. Impelida pela compaixão para com os seus irmãos judeus, não hesitou em oferecer-se a Deus como vítima, para suplicar a paz e a salvação para o seu povo, para a Igreja e para o mundo. A ocupação nazista da Holanda comportou o início do extermínio também para os judeus daquela nação. Os Bispos holandeses protestaram energicamente com uma Carta pastoral, e as autoridades, por vingança, incluíram no programa de extermínio também os judeus de fé católica.

A 2 de Agosto de 1942, a Beata foi aprisionada e internada no campo de concentração de Auschwitz, e juntamente com a irmã foi morta na câmara de gaz no dia 9 de Agosto de 1942. Assim morreu como filha do seu povo martirizado e como filha da Igreja Católica. «Judia, filósofa, religiosa, mártir como foi afirmado por João Paulo II no dia da Beatificação, a 1 de Maio de 1987, em Colónia a Beata Edith Stein representa a síntese dramática das feridas do nosso século. E, ao mesmo tempo, proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história».

Imagem: http://santiebeati.it/immagini/?mode=album&album=65800&dispsize=Original

Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.