Corpus Christi: A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja (Canto da Paz)

Fonte: Canto da Paz (Franciscanos e Clarissas)

Corpus Christi: o que significa?

Como sabemos em que dia vai ser Corpus Christi? Bem, com o domingo da Solenidade de Pentecostes, ou do Espírito Santo, termina o Tempo Pascal, ou seja, o período em que comemoramos a Ressurreição (Páscoa) de Jesus. Após o domingo de Pentecostes vem o domingo da Solenidade da Santíssima Trindade e na quinta-feira, após o domingo da Santíssima Trindade, acontece a comemoração de Corpus Christi ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para que a Santa Hóstia seja adorada de uma forma visível pelos fiéis – pois é o próprio Jesus Vivo em Corpo e Sangue, Alma e Divindade – a Igreja a coloca dentro de um ostensório (veja a figura acima) e a leva em procissão pelas ruas das cidades. É por isso que acontece a procissão de Corpus Christi, onde se dá um destaque especial à Eucaristia.

(…)

“Qual é o significado da festa de Corpus Christi?

(Texto de Fr. Evaldo César de Sousa, C.Ss.R. Fonte: http://www.redemptor.com.br)

1. O sentido da celebração

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

2. Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

3. Nasce a festa do Corpus Christi

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas (cân. 944).

4. A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 – ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 – ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 – ano C).

5. A devoção popular

Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.

A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.”

(fonte: http://www.bispadobauru.org.br)

Publicado em Canto da Paz.

“A tarde de Sexta-Feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário” – ACI Digital

Fonte/imagem/texto: Reflexões de Espiritualidade Franciscana: “Sexta Feira da Paixão do Senhor”

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Fonte: ACI Digital

Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

(….)

Publicado em ACI Digital.

“Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio,não toma caminho errado.” – Poema “A Cruz” – Santa Teresa de Ávila (Flos Carmeli)

Fonte/imagem: http://pequenoscarmelitas.blogspot.com/

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Fonte: Flos Carmeli

A Cruz

Ó bandeira que amparaste o fraco e o fizeste forte!

Ó vida da nossa morte,quão bem a ressuscitaste!O Leão de Judá domaste,pois por ti perdeu a vida.Sê bem-vinda, cruz querida.

Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio não toma caminho errado.

Oh! ditoso o teu reinado,onde o mal não tem cabida!Sê bem-vinda, cruz querida.

Do cativeiro do inferno,ó cruz, foste a liberdade;aos males da humanidade deste o remédio mais terno.

Deu-nos, por ti, Deus Eterna alegria sem medida. Sê bem-vinda, cruz querida.

(Santa Teresa de Ávila)

Publicado em Flos Carmeli.

ÁSIA/JAPÃO – Os heróis cristãos de Fukushima que sacrificam suas vidas para impedir uma catástrofe nuclear (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

30.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – Os heróis cristãos de Fukushima que sacrificam suas vidas para impedir uma catástrofe nuclear

Sendai (Agência Fides) – Entre os trabalhadores que estão na verdade sacrificando suas vidas na usina nuclear de Fukushima, para dominar a radioatividade crescente e tentar colocar em segurança a usina, existem também alguns cristãos. A notícia, que chegou à Fides por alguns missionários locais, foi confirmada pelo Bispo de Sendai, cujo território se encontra na província de Fukushima: “Na tragédia que estamos vivendo e que cria grande preocupação em todos – disse à Agência Fides Dom Martin Tetsuo Hiraga – sabemos que alguns cristãos estão trabalhando como voluntários nas proximidades da usina. Nessa situação terrível, os cristãos japoneses têm uma grande oportunidade para oferecer um testemunho de nossa fé e os valores do Evangelho. Eles estão fazendo isso na solidariedade, na dedicação aos outros, num espírito de abnegação. Em Fukushima os trabalhadores estão arriscando suas vidas para salvar a população japonesa e evitar uma catástrofe nuclear”. Em Fukushima, existem atualmente 180 voluntários anônimos que, em turnos de 50, entram na usina nuclear para realizar operações de emergência. Nos últimos dias, três homens que trabalhavam perto do reator nº 3 da usina nuclear foram hospitalizadas porque contaminados pela radiação. Segundo fontes locais de Fides, o líder da equipe que administra todas as operações é um cristão, enquanto outros cinco membros de uma comunidade Batista estão trabalhando no processo de refrigeração do reator n º 1. e 2. Os fiéis estão realizando esta tarefa delicada e perigosa, “com plena consciência de dar sua vida pelos outros, na fé e na oração” e pediram orações por todos os fiéis do mundo”, para confiar a sua vida nas mãos de Deus”. Uma vigília de oração especial pelas vítimas, para aqueles que estão trabalhando na solidariedade, para as comunidades cristãs japonesas e para apoiar “os heróis cristãos de Fukushima” foi realizada em Cingapura nos últimos dias pela OFM (Overseas Missionary Fellowship), comunidade cristã evangélica que tem missionários em 12 países asiáticos. (PA) (Agência Fides 30/3/2011)

Publicado em Agência Fides.

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores (Rádio Vaticano)

Fonte/imagem: Pope Benedict XVI Blog

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Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores

(23/3/2011) Depois da fase invernal o encontro semanal do Papa com os fiéis e peregrinos que se deslocam a Roma voltou nesta quarta feira a efectuar-se na Praça de S. Pedro, onde segundo a prefeitura da Casa pontifícia se encontravam cerca de 10 mil pessoas
Bento XVI dedicou a audiência geral desta quarta feira à figura do santo italiano Lourenço de Brindes, que morreu em Lisboa no ano de 1619, tendo sublinhado que a oração é o primeiro serviço que os padres devem oferecer à comunidade que servem.
“Os momentos de oração devem ter na nossa vida uma verdadeira prioridade”, afirmou o Papa, acrescentando que cada presbítero só “pode evitar o perigo do activismo” e do esquecimento das “motivações profundas” da sua identidade se cuidar da sua “vida interior”.
Depois de lembrar “o acolhimento festivo” que teve na cidade italiana de Brindes, em 2008, Bento XVI lembrou o papel desempenhado pelo frade da congregação dos Franciscanos Capuchinhos na oposição às ideias veiculadas pelas correntes teológicas protestantes.
“Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja [sacerdotes que viveram até ao século VIII], era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero”, recordou.
A actividade de Lourenço, nascido no ano de 1559, permite compreender que o “confronto” com a Bíblia, lida na Tradição da Igreja, constitui um elemento irrenunciável e de importância fundamental” para o diálogo ecuménico e para a união a Deus, apontou o Papa.
“São Lourenço de Brindes ensina-nos a amar a Sagrada Escritura, a crescer na familiaridade com ela, a cultivar diariamente a relação de amizade com o Senhor na oração, porque toda a nossa acção, toda a nossa actividade tem n’ Ele o seu início e cumprimento”, afirmou.
O Papa evocou igualmente o conhecimento que o religioso adquiriu de línguas antigas como o hebraico, grego, siríaco e latim e destacou as suas qualidades oratórias: “Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada”.
A fluência em francês, italiano e alemão permitiu-lhe transmitir a mensagem cristã a “diversas categorias de pessoas” e contribuiu para promover a “paz e reconciliação entre as nações e povos da Europa”, testemunho que constitui “um excelente exemplo” para a actualidade, “tão cheia de violência, relativismo ético e indiferença religiosa”.
Hoje o mundo precisa muito de paz, precisa de homens e de mulheres pacíficos e pacificadores; afirmou Bento XVI salientando que todos aqueles que acreditam em Deus devem ser sempre fonte e agentes de paz.
Foi ao serviço da paz que o religioso morreu em Lisboa, então sob domínio castelhano, onde se tinha deslocado para interceder junto do rei Filipe III (Filipe II de Portugal) pelos súbditos napolitanos, oprimidos pelas autoridades locais.
“A nova evangelização precisa de apóstolos bem preparados, zelosos e corajosos como São Lourenço”, frisou Bento XVI, lembrando que o santo recebeu em 1959 o título de ‘Doutor Apostólico’.
Referindo-se à Quaresma, o Papa realçou que este tempo de preparação para a Páscoa iniciado a 9 de Março apela à “luta contra o egoísmo”, assim como “à mortificação e penitência”.
Estas as palavras de Bento XVI falando em português

Queridos irmãos e irmãs,
São Lourenço de Brindes, padre capuchinho, nascido em 1559, era dotado de eminentes qualidades intelectuais e grande facilidade de aprender línguas, o que havia de lhe permitir desenvolver um fecundo apostolado com várias categorias de pessoas. Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero. Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada. Outro elemento característico do nosso santo foi a sua acção em prol da paz, tendo sido encarregado de importantes missões diplomáticas, para dirimir controvérsias e favorecer a concórdia entre as nações. Mas, acima de tudo, era um homem de oração, bem ciente de que esta é o primeiro serviço que o sacerdote deve oferecer à Comunidade. Autor de numerosas obras, evidenciou, nos seus escritos, a acção do Espírito Santo na existência do fiel. O Papa Beato João XXIII deu-lhe o título de «Doutor Apostólico».
* * *
Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo e dou as boas-vindas a esta Audiência! São Lourenço de Brindes nos ensina como a familiaridade com a Bíblia e a oração são essenciais para que todas as nossas acções tenham o seu início e cumprimento em Deus. Possa este ser o fundamento do vosso testemunho cristão no mundo de hoje. Que Deus vos abençoe!

Publicado em Rádio Vaticano.

“Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…” – Frei Pierino Orlandini (OCDS – Província São José)

Fonte: OCDS -Província São José

Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…

“Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”.

“Tu amas, Senhor, todas as coisas que existem e nada desprezas do que criaste; se odiasses alguma coisa, não a terias criado… Tu conservas todas as coisas, porque todas são tuas, Senhor, amante da vida” (Sab 11,24-26).

“Ó morte, onde está a tua vitória?”.

Em tempo de quaresma, que começa com o sugestivo (para alguns) e mágico (para outros) rito das cinzas, pensemos na vida, pois o fim do caminho da quaresma (símbolo da caminhada de nossa vida humana) é a celebração da vitória da Vida sobre a morte em Cristo Jesus.

“Tu és pó!”. O homem, então, é pó? Que tipo de homem seria esse?

Com certeza, é o homem que se afastou de Deus, rejeitou o diálogo, foi expulso de sua casa, repeliu o dinamismo do amor, para enveredar numa trajetória de dissolução e de morte. Ou o homem que se opõe a Deus, vira as costas ao seu próprio ser, rejeita sua identidade de filho e condena a si mesmo ao nada. É o homem que se afasta da vontade do Criador.

Felizmente, nesse itinerário de afastamento, existe a possibilidade de uma volta. É possível mudar de direção e voltar à origem. É possível não caminhar para a morte, mas voltar à Fonte. E a FONTE, “ que mana e corre, mesmo de noite”, é Deus, AMANTE DA VIDA.

Eis a conversão! “Lembra-te que és pó, e como pó voltarás….a Deus”. Basta querer. Desde já. É preciso somente tornar-se terra e entregar-se novamente ao Construtor, ao Criador. E aceitar que Ele nos faça de novo. O Artista Divino é capaz de refazer-nos conforme seu projeto original e quer que sejamos sua obra-prima.

Se por acaso erramos, perdemos o caminho da vida ou o sentido do Reino e envolvemos outros em nossa culpa, aceitando nossa realidade, isto é, que somos pó, Ele inclinar-se-á sobre nós para soprar seu sopro de vida.

Assim nosso “nada” será transformado no “tudo” pela plenitude divina. E se ainda nos rebelamos, não aceitando seu projeto e quebrando nossa identidade divina, mesmo em pedaços, gritando de dor e com saudade da casa paterna, Ele saberá reconhecer-nos e, com mão delicada, recolherá os pedaços e nos recriará. Pois, nenhum artista – tanto menos o Artista Divino – dá por perdida qualquer uma de suas obras.

Todo ser humano é fruto do amor transbordante de Deus. Se prestarmos atenção, este amor de Deus se manifesta em tudo. Uma menina que procurava ansiosamente por Deus, depois de fazer a descoberta de sua presença na vida, em qualquer tipo de vida, escreveu atrás de uma fotografia de um prado florido: “Esta é uma fotografia tirada antes de descobrir que Deus nos sorri, nos ama e fala do seu amor  nas flores, nas árvores, nas estrelas, em cada gota de vida”.Nunca poderemos entender verdadeiramente quanto Deus seja Deus-para-nós.

O segredo da felicidade é uma vida com Deus. Longe Dele, ser feliz é praticamente inconcebível. “Nossa vida nasce, vive, amadurece e chega ao fim em relação existencial e moral com Deus. Aqui está toda a esperança da vida, aqui a filosofia da verdade, aqui a teologia do nosso destino… O homem não pode ser entendido sem esta referência essencial com Deus, que incumbe sobre nós, que nos conhece, observa-nos, penetra-nos, conserva-nos continuamente. Ele é o Pai de nossa vida”(Paulo VI).

Deus Pai nos ama, sustenta-nos, acaricia-nos, torna-nos felizes, seja que estejamos num leito de dor, seja que estejamos num prado de flores.

Pensando em cinzas, em quaresma, é bom pensar na vida: a vida que surge e ressurge do pó, das cinzas, da conversão, do sopro do Espírito. E nada: nem cinzas, nem lama, nem poeira, nem pecado algum será empecilho para reconhecermos em nós e nos outros o resplendor do rosto de um filho de Deus.

Pensemos não nas cinzas do túmulo, da morte, mas num punhado de terra na mão do Artífice Divino, no momento solene da Criação; um punhado de terra pronto a receber o “sopro” e tornar-se, assim, “vivente”.

Pensemos no Senhor que “trata com indulgência todas as coisas, porque todas são suas, do Senhor, amante da vida” (Sab 11, 26). Conversão, afinal, é abraçar a vida!

Frei Pierino Orlandini

Postado por Rose.

Publicado em OCDS Província São José.

Bento XVI deseja uma Quaresma marcada pela atenção aos pobres (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

11/03/2011

Bento XVI deseja uma Quaresma marcada pela atenção aos pobres

(11/3/2011) Bento XVI recebeu em audiência nesta sexta feira 45 membros da associação caritativa Pro Petri Sede.
Temos uma responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo disse o Papa ,dirigindo-se aos membros desta associação agradecendo-lhes pela sua ajuda ás populações tão duramente provadas nos últimos tempos e em particular as populações de Haiti, atingidas pelo terramoto nos meses passados.
Bento XVI recordou que a esmola é um dos empenhos centrais da Quaresma e sublinhou como, contribuindo a lutar contra a pobreza, esmola e partilha aproximam-nos dos outros.
“ Verdadeiramente nós precisamos de nos deixar iluminar pela luz de Cristo, para que, do nosso lado, sentindo a urgência da nossa responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo, possamos dirigir sobre eles o nosso olhar que restitui confiança.
Bento XVI afirmou que o “serviço da caridade” pertence à “própria natureza da Igreja” e que esta deve oferecer tanto a “indispensável assistência material” como a “atenção do coração e do amor de que as pessoas em dificuldade tanto precisam”.

Publicado em Rádio do Vaticano.

Na audiência geral Bento XVI falou da Quaresma convidando à penitência e a intensificar o empenho pela conversão (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI falou da Quaresma convidando à penitência e a intensificar o empenho pela conversão

(9/3/2011) Nesta quarta feira o Papa assinalou o início da Quaresma ao referir-se ao “austero símbolo das Cinzas”, imposto aos fiéis que participam nas missas celebradas neste dia.

“A cinza abençoada imposta sobre a nossa cabeça é um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas, que convida à penitência e a intensificar o empenho pela conversão”, realçou Bento XVI.
A Quaresma – “um itinerário espiritual” até à Páscoa – consiste em “acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição”, afirmou.
Para chegar “à vitória da vida, do amor, do bem, também nós devemos tomar a cruz de cada dia”, disse Bento XVI, mencionando as narrativas bíblicas em que Jesus carrega a cruz onde viria ser crucificado.
A intervenção do Papa na audiência geral, que decorre habitualmente às quartas-feiras, incluiu um apelo à presença dos fiéis nas celebrações da Quaresma, que não se referem apenas a “uma recordação de factos passados”.
Bento XVI salientou a presença frequente da palavra “hoje” na liturgia, que deve ser entendida no seu “sentido originário e concreto, não metafórico”.
“Hoje Deus revela a sua lei, e a nós é dado escolher entre o bem e o mal, entre a vida e a morte”; hoje o Reino de Deus está próximo (…); hoje Cristo morreu no Calvário e ressuscitou dos mortos (…); hoje é-nos dado o Espírito Santo; hoje é o tempo favorável”, indicou.
Na sua catequese o Papa deteve-se nas vertentes que acompanham aquele tempo litúrgico – jejum, esmola, oração –, assinalando que o primeiro “significa a abstinência de alimento, mas compreende outras formas de privação para uma vida mais sóbria”.
Esta renúncia, frisou, “não é ainda a realidade plena do jejum”, constituindo antes “o sinal externo de uma realidade interior”, do “empenho” em evitar o “mal” e “viver do Evangelho”, pelo que “não jejua verdadeiramente quem não se alimenta da Palavra de Deus”.
Referindo-se à esmola, Bento XVI citou São Leão Magno, papa do século V, assinalando que ela, “sob o nome único de ‘misericórdia’, abraça muitas obras boas”, que estão ao alcance não só dos “ricos” mas também das pessoas “de condição modesta e pobre”.
A Quaresma, período de 40 dias, excepto os domingos, que se prolonga até à Páscoa, “convida a uma oração mais fiel e intensa e a uma prolongada meditação”, mesmo que seja “difícil fazer silêncio”.
Estas as palavras proferidas por Bento XVI em língua portuguesa Queridos irmãos e irmãs,
Hoje está prevista, na celebração da Eucaristia, o rito da imposição das cinzas. Trata-se de um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas e nos convida à penitência e à conversão, para nos configurarmos cada vez mais com Cristo. A Igreja sabe que, à nossa fragilidade humana, custa fazer silêncio e parar diante de Deus, tomando consciência da nossa condição de criaturas que dependem d’Ele e necessitam do seu perdão. Por isso, na Quaresma, a Igreja convida a uma oração mais fiel e intensa e à meditação mais demorada da palavra de Deus. As leituras, que ouviremos na Missa dos próximos domingos e às quais vos convido a prestar especial atenção, propõem-nos o itinerário baptismal que, na tradição antiga, percorriam os catecúmenos – aqueles que se preparavam para o baptismo. Meditando-as, queremos reavivar em nós o dom, as exigências e os compromissos deste sacramento, que está na base da nossa vida cristã, a vida de ressuscitados com Cristo. * * * Saúdo cordialmente os fiéis das paróquias de Calhariz do Benfica e Brandoa no Patriarcado de Lisboa, os professores e alunos das comunidades escolares das dioceses de Coimbra e do Porto e ainda o grupo de peregrinos, médicos e professores, de Guimarães. A vós e a todos os presentes de língua portuguesa desejo um caminho quaresmal abençoado, que vos permita encontrar, acolher e seguir mais de perto Jesus; e assim poderdes dizer, com São Paulo, «já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim». Obrigado pela vossa presença. Ide com Deus.
As celebrações do início da Quaresma por parte de Bento XVI prosseguem esta tarde com inicio ás 16h30 (hora de Roma) com uma procissão penitencial pelas ruas do bairro romano do Aventino que termina na basílica de Santa Sabina, onde se celebra a missa.

Publicado em Rádio Vaticano.

A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã (Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas)

Fonte: Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas

Quaresma: A CAMINHO DA PÁSCOA DO SENHOR

A CAMINHO DA PÁSCOA DO SENHOR

A Quaresma, com início na Quarta-feira de Cinzas, é um tempo litúrgico muito importante para a nossa caminhada cristã. Ajuda as pessoas e as comunidades eclesiais a se prepararem dignamente para a celebração da Páscoa do Senhor.

O período quaresmal é tempo sobremaneira apropriado à conversão de vida e à renovação interior. Aliás, não há Quaresma sem conversão. Converter-se é separar-se do mal e voltar-se para o bem. É mudar radicalmente de vida e de critérios. A conversão radical insere-se no coração da vida. Exige gestos concretos de amor e de misericórdia, de partilha fraterna e de justiça. Podemos dizer que o cristão é um convertido em estado de conversão, pois a conversão dura, enquanto perdurar nosso peregrinar neste mundo.

Converter-se é procurar viver todos os dias a “vida nova”, da qual Cristo nos revestiu, transformando-nos Nele, para fazer um só corpo com Ele e com os irmãos.

Há em nós atitudes que devem morrer. Converter-se cada dia exige morrer aos poucos, sepultar-nos com Cristo para ressuscitarmos com Ele.

O amor de Deus chama-nos à conversão, a renunciar a tudo o que Dele nos afasta. O que mais nos afasta de Deus é o pecado. Pecar é estar no lugar errado, longe da amizade e da graça de Deus.

A conversão quaresmal significa, portanto, crescer na prática das virtudes cristãs. Somos sempre catecúmenos em formação permanente, progredindo no conhecimento e no amor de Cristo.

Ao longo da Quaresma, somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, entrando em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-nos semelhantes a Ele na Sua morte, para alcançarmos a Ressurreição dentre os mortos (cf. Fl 3, 10-11). Isso exige uma transformação profunda pela ação do Espírito Santo, orientando nossa vida segundo a vontade de Deus, libertando-nos de todo egoísmo, superando o instinto de dominação sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo (cf. Bento XVI, Mensagem da Quaresma 2011).

O período quaresmal é ainda tempo favorável para reconhecermos a nossa fragilidade, abeirando-nos do trono da graça, mediante uma purificadora confissão de nossos pecados (cf. Hb 4, 16). Na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência” (Santo Ambrósio). Vale a pena derramar essas lágrimas, através de uma boa confissão sacramental.

Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc, 1, 15).

O itinerário quaresmal é um convite à prática de exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna e às obras de caridade (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1438). É igualmente um tempo forte de escuta mais intensa da Palavra de Deus e de oração mais assídua.

Quanto mais fervorosa for a prática dos exercícios quaresmais, maiores e mais abundantes serão os frutos que colheremos e hauriremos do Mistério de nossa redenção.

Também a vivência da Campanha da Fraternidade ajuda a fazermos uma boa preparação para a Páscoa. A CNBB propõe para este ano o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e como Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).

Maria Santíssima, Mãe do Redentor, guie-nos neste itinerário quaresmal, caminho de conversão ao encontro pessoal com Cristo ressuscitado.

Com o coração voltado para Cristo, vencedor da morte e do pecado, vivamos intensamente o período santo e santificador da Quaresma.

Dom Nelson Westrupp, scj – Bispo Diocesano de Santo André – SP

(fonte: http://senhorbomjesus.net)

Publicado ems Ordem Franciscana – Irmãs Clarissas.

Santa Teresa deixou-nos uma espiritualidade que podemos designar como “teresianismo” (…) – Carmelo Santa Teresa – Portugal

"Santa Teresa, Doutora Mística, inspirada pelo Espírito Santo", Josefa de Óbidos.

Fonte: Carmelo Santa Teresa – Portugal

Espiritualidade

S. Teresa de Jesus

Santa Teresa deixou-nos uma espiritualidade que podemos designar como “teresianismo”, que resumidamente se pode apresentar por estas três componentes:

1) Vida, a sua própria pessoa

Na base da sua espiritualidade está a sua experiência pessoal, humana e cristã, ou seja, a sua maneira própria de encarar a existência e a sua experiência do mistério transcendente: o seu humanismo e o seu misticismo, bem equilibrados e unificados.

Ela mesma durante toda a sua vida, não só se esforçou no conhecimento próprio, como também o testemunha e daí deriva a maior parte da sua mensagem doutrinal. Experiência e doutrina tornam-se estreitamente unidas, tanto nos relatos autobiográficos como nas exposições doutrinais.

Assim, a própria Teresa irrompe como um tipo de vida para os seus seguidores e leitores. Torna-se ela própria assim uma referência, como acontece na tradição espiritual carmelitana, que desde as suas origens se inspirou nas grandes referências bíblicas, para além de Jesus: Elias e Eliseu, Maria e José, Paulo (através do texto da Regra).

Agora, é ela que encarna um tipo referencial de “Mulher e Mãe”: consciente da própria fragilidade, experiente em crises e lutas, sedenta de oração e contemplação, em permanente tensão de serviço, até atingir a plena maturidade humana e plenitude cristã no amor a Cristo, na profunda união a Deus, e na dinâmica do serviço aos outros, ao Carmelo e à Igreja. Luta ascética, sensibilidade humana, união mística, amizade e serviço são os rasgos fundamentais da sua pessoa e da sua história que marcam o seu legado espiritual.

2) A sua doutrina espiritual

O humanismo e o misticismo são as duas componentes básicas da sua doutrina espiritual, o díptico do seu magistério. Parte da simples antropologia teológica que apresenta a vida humana como abertura e recepção da vida divina.

Segundo ela, toda a vida espiritual radica na possibilidade de relações pessoais recíprocas entre Deus e o homem. Deus é transcendência (“magnificência”, diz ela), mas é um Deus “tratável”. E o homem, criatura e limitado, é, por sua vez, susceptível de elevação ao plano da vida divina. Essa relação do homem com Deus desenrola-se como “trato de amizade” entre ambos, com clara consciência humana de que o homem é amado por Deus. E essa relação “homem-Deus” é determinante para o desenvolvimento e plenitude humana, de morada em morada, já que o “castelo interior” (outro nome para o itinerário das “Moradas”) é do homem e de Deus.

O crescimento na relação com Ele é, por sua vez, determinante para a nova relação com os irmãos. Em Jesus, Deus feito homem, apresenta-se-nos mais patente a condição “tratável” de Deus: “Cristo é um grande amigo”; “Que mais queremos com um tão bom amigo ao nosso lado?” (V 22,7). Jesus é o modelo de relação do homem com os irmãos. De modo que ao chegar à maturidade das sétimas moradas, o homem não só cresceu em si mesmo chegando ao mais profundo do próprio “castelo”, mas também se converte em servidor absoluto dos outros, como Jesus.

Teresa situa o crescimento teologal na relação com Deus na vertente interior do homem. É no interior do “castelo” simbólico que se chega à plenitude da inabitação da Trindade e à união do homem com Cristo. Inversamente, o crescimento antropológico e sociológico culmina na vertente exterior, no serviço aos irmãos.

3) O estilo de vida que propôs para os seus seguidores

É a vontade transmissora que Teresa propõe.

A quase totalidade dos seus escritos tem por destinatárias as suas filhas. Escreve-lhes para lhes transmitir a sua mensagem espiritual e pô-las em contacto pessoal com a experiência vivida por ela.

Para este grupo escreve expressamente o Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações. Tem por critério: “Não direi coisa de que não tenha por experiência.”

Fará pedagogia e mistagogia: que as suas leitoras (e o leitor orante actual) partilhem o seu ideal e convicções, mas que também empatizem com as suas vivências, como ela mesma empatizou com frei João da Cruz. O magistério de ambos é complementar. Num e noutro, a teologia espiritual e a pedagogia do “Caminho” ou da “Subida do monte” convertem-se em mistagogia. Aos dois interessa, acima de tudo, o mistério de Deus no homem. Ou seja, provocar nos leitores uma comunhão de experiência.

Mais do que todas as estruturas que regulam a da do grupo (as leis da Regra e Constituições, ou a observância), o verdadeiro factor unificador, o verdadeiro motor do “teresianismo” é a comunhão na experiência de Deus e no novo estilo de fraternidade.

De novo se encontram o misticismo e humanismo teresianos.

Publicado em Carmelo Santa Teresa.

“Numa fase econômica de aumento dos preços alimentares e do petróleo, e de mudanças políticas que atingem milhões de pessoas que já padecem a fome, a ajuda da Igreja Católica e das suas diversas instituições eclesiásticas é ainda mais vital no apoio à acção do Programa Alimentar Mundial a favor dos mais vulneráveis” – Josette Sheeran – Diretora Executiva do Programa Alimentar Mundial (Rádio Vaticano)

Fonte/imagem/artigo: pime.org: “Fome no Mundo – um problema sem solução?”

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Fonte: Rádio Vaticano

02.03.2011

Audiência do Papa á Directora Executiva do Programa Alimentar Mundial

Bento XVI recebeu em audiência particular nesta quarta-feira, no Vaticano, a Directora Executiva do Programa Alimentar Mundia Josette Sheeran.

Segundo refere um comunicado desta agência humanitária da ONU, Sheeran informou o Papa sobre a missão, há pouco concluída, na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, onde pôde constatar directamente a presença de dezenas de milhares de pessoas que fogem das violências num contexto de emergente crise humanitária.

Sheeran visitara a área para lançar uma resposta de emergência a fim de oferecer assistência alimentar aos mais vulneráveis e para ajudar os países em transição política a reforçar as suas redes de protecção alimentar.

“Fiquei comovida com o interesse de Sua Santidade por esse balanço. Expressou a sua preocupação pelas pessoas inocentes no meio dessa terrível tragédia” – afirma Sheeran.

“Numa fase econômica de aumento dos preços alimentares e do petróleo, e de mudanças políticas que atingem milhões de pessoas que já padecem a fome, a ajuda da Igreja Católica e das suas diversas instituições eclesiásticas é ainda mais vital no apoio à acção do Programa Alimentar Mundial a favor dos mais vulneráveis” – reitera.

São numerosas as instituições eclesiásticas e as organizações não-governamentais de inspiração católica que colaboram de modo estável com a agência da ONU para a assistência alimentar.

Dentre elas encontram-se a Caritas Internacional com as suas diversas agências nacionais, com a qual o Programa Alimentar Mundial estabeleceu acordos de parceria em 29 países; a Comunidade de Santo Egídio , com a qual são activos programas nos sectores da assistência alimentar e da saúde; o Catholic Relief Services (CRS) e o Serviço dos Jesuítas para Refugiados (JRS).

Todo os anos, o Programa Alimentar Mundial fornece alimentos a mais de 90 milhões de pessoas em mais de 70 países.

Publicado em Rádio Vaticano.

Especialistas portugueses analisam perspectivas sobre a recente investigação bíblica, presentes no segundo volume do livro de Bento XVI: “Jesus de Nazaré” (Agência Ecclesia)

Fonte/imagem: Agência Ecclesia

Fonte: Agência Ecclesia

«Jesus de Nazaré»: História e fé ajudaram a definir a figura de Cristo que chegou até hoje

Especialistas portugueses analisam perspectivas sobre a recente investigação bíblica, presentes no novo livro de Bento XVI

Lisboa, 03 Mar (Ecclesia) – O novo livro de Bento XVI, «Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição», levanta questões sobre a insuficiência da investigação histórica para a compreensão desta figura, partilhadas por dois biblistas portugueses.

Em texto hoje publicado pela Agência Ecclesia, o padre Joaquim Carreira das Neves, especialista em Sagrada Escritura, sublinha que nos últimos dois últimos séculos “a pessoa de Jesus passou da Igreja para a história”.

“Os quatro Evangelhos são o espelho da concordância interna entre a história e a fé”, refere o professor jubilado da Universidade Católica Portuguesa (UCP), para quem o “problema” surge quando os estudos exegéticos afirmam que a Igreja “colocou na boca de Jesus” determinadas “palavras ou doutrinação catequética”.

“A Igreja não parte do zero, isto é, não inventa um novo Jesus, o da fé ou o da Igreja contra o da história”, sublinha Carreira das Neves.

No prefácio do seu segundo volume sobre «Jesus de Nazaré», Joseph Ratzinger, o actual Papa, escreve que Cristo, “como aparece na corrente principal da exegese crítica a partir dos seus pressupostos hermenêuticos, é demasiado insignificante no seu conteúdo para ter podido exercer tão grande eficácia histórica”.

“Em 200 anos de trabalho exegético, a interpretação histórico-crítica já deu o que de essencial tinha para dar”, acrescenta.

O padre João Lourenço, director do Centro de Estudos de Religiões e Culturas Cardeal Höffner da UCP, afirma, na linha de Bento XVI, que os Evangelhos são “a principal fonte de que dispomos para o conhecimento de Jesus”, mas não são “um livro de ‘história’, antes um testemunho acreditado e vivido acerca do Mestre”.

Para este especialista, “as afirmações de fé acerca de Jesus não podem nem devem ser dissociadas do complexo mundo social, religioso e político do seu tempo”.

“Há que enquadrar, por isso mesmo, o acontecimento Jesus, situando-o face ao mundo judaico que o envolve e do qual dependem os parâmetros da sua doutrina e da sua missão e, da mesma forma, perante o poder romano que o condiciona no contexto das expectativas que foi capaz de gerar à sua volta”, assinala João Lourenço.

A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada no Vaticano, a 10 de Março, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.

Bento XVI afirma não ter querido escrever uma “vida de Jesus”, mas “desenvolver um olhar sobre o Jesus dos Evangelhos e uma escuta dele que pudessem tornar-se um encontro e todavia, na escuta em comunhão com os discípulos de Jesus de todos os tempos, chegar também à certeza da figura verdadeiramente histórica de Jesus”.

O primeiro volume de «Jesus de Nazaré», publicado há quatro anos, era dedicado à vida de Cristo (desde o Baptismo à Transfiguração) e uma terceira parte está a ser escrita por Bento XVI, que vai abordar os chamados «Evangelhos da infância».

Toda a obra começou a ser elaborada nas férias de 2003, antes da eleição de Joseph Ratzinger como Papa.

OC

Publicado em Agência Ecclesia.

Bento XVI: “Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.” – Discurso no Pontifício Conselho das Comunicações (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem/texto: Arquidiocese de São Paulo  –“Igreja Católica se prepara para usar novas mídias”

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Fonte: Rádio Vaticano

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) – Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.

Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.

Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendidade e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.

Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.

As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda:
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”

Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos:
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”

Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação:
“A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje.”

Bento XVI reiterou que a “relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas”, sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos “valores espirituais” uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.

Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher “tudo aquilo que existia de positivo” na tradição daquele povo, e “animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo”. A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir “horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar” – concluiu o Santo Padre. (RL)

Publicado em Rádio Vaticano.

São Vicente de Paulo – Memória – 27 de fevereiro (Evangelho Quotidiano)

Fonte/imagem/biografia: Educandário Santa Teresa

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Fonte: Evangelho Quotidiano

Domingo, dia 27 de Fevereiro de 2011

8ª Domingo do Tempo Comum – Ano A (semana IV do saltério)
Hoje a Igreja celebra : S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores, confessor, +1862,  S. Leandro, bispo, +600

Ver comentário em baixo (…)
São Vicente de Paulo : Procurai primeiro o reino de Deus

Evangelho segundo S. Mateus 6,24-34.

Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» «Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas
Conferência de 21/02/1659 (trad. a partir de Seuil 1960, p. 547)

Procurai primeiro o reino de Deus

«Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo.» […] Por conseguinte é dito que procuremos o reino de Deus. «Procurai-o» é apenas uma palavra, mas parece-me significar muitas coisas. Quer dizer […] trabalhar incessantemente para o reino de Deus, e não permanecer num estado ocioso e estático, prestar atenção ao interior para bem o regrar, e não aos divertimentos exteriores. […] Procurai a Deus dentro de vós, visto que Santo Agostinho confessa que, enquanto O procurou fora dele, não O encontrou. Procurai na vossa alma, como Sua morada agradável e base onde os Seus servos procuram pôr em prática todas as virtudes. A vida interior é imprescindível, e é necessário ampliá-la; se não tivermos vida interior, nada temos. […] Procuremos tornar-nos interiores. […] Procuremos a glória de Deus, procuremos o reino de Jesus Cristo. […]

«Mas [dir-me-ão] há tanto a fazer, tantos trabalhos em casa, tantos empregos na cidade, no campo; trabalho por toda a parte; será então necessário deixar tudo para pensar unicamente em Deus?» Não, mas é necessário santificar estas ocupações procurando a Deus nelas, e fazê-las para O encontrar, mais do que para as ver feitas. Nosso Senhor quer, antes de tudo, que procuremos a Sua glória, o Seu reino, a Sua justiça, e, por isso, que o nosso tesouro seja a vida interior, a fé, a confiança, o amor, os exercícios espirituais […], os trabalhos e as dores com vista a Deus, nosso soberano Senhor. […] Uma vez assim constituídos na procura da glória de Deus, temos a certeza de que o resto se seguirá.

Publicado em Evangelho Quotidiano.

Caminho de Perfeição: Contexto histórico, religioso e espiritual do livro – Estudos – (Carmelitas-Portugal)

Fonte: Santa Teresa de Jesus – Preparação para o V Aniversário de seu Nascimento (2015) – ‘PARA VÓS NASCI” –  carmelitas.pt

Caminho de Perfeição: Contexto histórico, religioso e espiritual do livro

Para compreender melhor o Caminho de Perfeição de Teresa de Jesus e as suas duas redacções convém ter presente o ambiente histórico, religioso e espiritual em que ele foi escrito.

Estamos no tempo áureo da Inquisição. O seu Livro da Vida encontrava-se retido nos depósitos da Inquisição. Este podia seguir o mesmo destino. Mas como os pedidos eram muitos e insistentes e os mandatos dos confessores eram constantes, Teresa, apesar dos pesares, põe-se a escrever.

Vive-se em Espanha, no tempo de Teresa, um ambiente polémico e de forte tensão a todos os níveis. Teresa não vive alheia, pelo contrário, ela participa activamente nesta polémica. O momento é de tensão espiritual provocada pela publicação de certos livros.

Invasão protestante

Em 1556, Carlos V retirou-se para Yuste. Entre este ano e 1563, ano da clausura do Concílio de Trento, Espanha muda rápida e profundamente de clima espiritual e toda a Europa chegou a um desses momentos críticos em que se quebra o equilíbrio já estável, e tudo acontece muito descontroladamente. Carlos V, depois da paz de Augsburgo, renunciou ao papel de árbitro que tinha mantido durante trinta anos entre Roma e a Alemanha protestante. O protestantismo alcançou um triunfo tal que varreu todas as ilusões do momento. O culto protestante começou a organizar-se em França como uma confissão dissidente. O anglicanismo foi-se consolidando depois da breve restauração católica de Maria Tudor. Calvino fez com que Servet morresse na fogueira, e Genebra afirma-se como a metrópole de uma nova ortodoxia. Todos estes acontecimentos exercem grande influência na vida de Teresa.

Renovação espiritual

Desde o princípio do século está em curso em Espanha um movimento de renovação espiritual. A reforma da Igreja espanhola antecipou-se quase meio século à reforma tridentina. E esta reforma não foi teórica, dogmática ou legalista, mas realista e integral. Chegou à alma do povo e provocou o surgimento de uma espiritualidade popular e universal.

Sem sairmos do pequeno mundo teresiano, encontramos casos extremos de alta espiritualidade tanto entre pessoas humildes e analfabetas como entre aristocratas e damas da corte. Temos, por exemplo, o caso de Maria de Jesus e Catarina de Cardona. A primeira, uma analfabeta, jovem viúva andaluza, empreende uma viagem a Roma, descalça, para conseguir um breve pontifício que a autorize a fundar um mosteiro austero de carmelitas. O segundo caso é Catarina de Cardona, dama da rainha, aia do príncipe Carlos e de D. João de Áustria. Esta foge de noite da corte, disfarçada de homem, para se internar nas serranias de Cidade Real e aí viver vida penitente.

Movimento literário espiritual

Acompanhando tudo isto, começa a aparecer um grande movimento literário espiritual. Garcia Jimenez de Cisneros, primo do Cardeal Cisneros, funda uma tipografia em Monserrat. O próprio Cardeal Cisneros funda outra em Alcalá. Os tipógrafos de Sevilha e Salamanca lançam sobre toda a Espanha uma onda de livros espirituais em latim e espanhol. São publicadas obras procedentes de todas as épocas, línguas e nações, traduções dos Padres da Igreja, livros da devotio moderna, da escola mística alemã e italiana, escolásticos medievais, e protestantes daquele tempo, livros de autores espanhóis de última hora…

Tanto esta literatura espiritual, como a religiosidade popular e o movimento das reformas dentro da vida religiosa, têm isto em comum: a interiorização da vida espiritual e a oração mental. A este movimento espanhol junta-se uma forte corrente que chega de fora, revestida de humanismo. É sobretudo a oração mental o ponto em que confluem todos os movimentos renovadores, nacionais ou estrangeiros.

Sobre este horizonte de grandes aspirações espirituais começa a aparecer algo contrastante e decisivo: o florescimento teológico que dará a Espanha duas gerações de teólogos de Trento e de Salamanca; desde Vitória até Bañez, Suarez e os salmanticenses.

Teólogos e espirituais

Mas o que é que aconteceu? A espiritualidade e a teologia não seguem o mesmo caminho, pelo contrário, contrapõem-se. No seio da Igreja espanhola vai-se forjando, durante vários anos, um antagonismo que suscitará divisões e tempestades, chegando mesmo a lutas constantes, fortes e inflamadas entre teólogos e espirituais.

Por uma parte encontram-se os teólogos que desconfiam de uma espiritualidade que não se apoia em princípios dogmáticos. Os teólogos veem nos espirituais aberrações morais escondidas, influências do pietismo protestante ou do quietismo iluminado. Veem um culto exagerado pela oração disfarçado de protestantismo que procura subtrair-se ao controlo da hierarquia e da teologia.

Por outra parte encontram-se os espirituais que desconfiam dos teólogos, vendo neles especialistas da letra morta, vazios de espírito cristão e francamente incapazes de julgar uma vida sobrenatural de que não têm experiência nem noção.

Nos escritos teresianos, que tão claramente manifestam esta situação de luta, os representantes de um e outro grupo serão chamados “letrados” e “espirituais ou experimentados”. A própria Santa tem consciência clara que não é uma “letrada”, mas uma espiritual experimentada, contudo, não se deixa influenciar por nenhum grupo. Teresa é amiga de “letrados”, mas como ela própria diz: “[eu] não fazia senão disputar com os letrados” (V 35, 4).

Apesar desta reacção o caso é que quando escreve o Livro da Vida passou decidida e conscientemente para o grupo dos letrados.

Nas páginas do Caminho de Perfeição, escritas por esta altura, a opinião de Teresa a favor dos letrados passará a ser norma para as suas discípulas. Isto aparece claramente nos capítulos 3º a 5º. Nos restantes livros, como por exemplo as Moradas e as Fundações, etc, ela mantém a mesma decisão sem nenhumas dúvidas.

Esta posição de Teresa manifesta somente o indício do grande azedume com que por aqueles anos se enfrentavam os letrados e os espirituais. A tensão entre estes dois grupos adquiriu grande gravidade pela envergadura daqueles que encarnaram uma e outra corrente. Entre os espirituais temos grandes santos e autores místicos a meados do século de ouro; e do lado oposto, está a grande maioria dos teólogos da escola dominicana e da universidade de Salamanca.

Casos clamorosos de visionárias

Entre os espirituais existem alguns casos, que não são raros infelizmente, de visionárias e reformistas exaltadas que vêm agudizar ainda mais a situação: temos, por exemplo, os casos clamorosos de Maria de São Domingos e Madalena da Cruz. Tanto uma como outra projectam sobre a vida mística teresiana uma sombra muito funesta. Madalena de São Domingos, “a beata de Piedrahita”, visionária, estigmatizada, escritora mística, admirada cegamente por um sem número de discípulos e discípulas, mas submetida pelo famoso Caetano, Geral da Ordem de São Domingos, a uma espécie de reclusão vitalícia e dando ordens precisas contra ela, contra o seu profetismo e proselitismo. A recordação da beata e a sentença de Caetano pesarão sobre os teólogos que pouco depois entrarão em relação com a nova mística e visionária Teresa de Jesus.

A visionária Teresa de Jesus

Recordemos o episódio que teve lugar entre João Salinas e Domingo Bañez, ambos dominicanos. Salinas pergunta a Bañez: “Quem é uma Teresa de Jesus que me dizem que é muito da vossa relação? Não há que confiar em virtude de mulheres… Bañez respondeu: Vossa Paternidade vá a Toledo e vê-la-á e experimentará que é razoável tê-la em muita consideração… Encontrando-se os dois mais tarde, Bañez interroga-o: Então, que diz de Teresa de Jesus? Respondeu Salinas com grande desembaraço, dizendo: Ó! Tinhas-me enganado, disseste-me que era mulher; pois, eu te digo com total certeza, que é homem varão e dos muito barbados” (Isto foi referido pelo P. Bañez no processo de Beatificação – Salamanca 1591).

A outra, Madalena da Cruz, abadessa de Córdoba, depois de ter sido aclamada santa pelos reis e grandes de Espanha, será processada pela Inquisição e condenada em 1564 a penitência pública. O seu caso está tão vivo quando se começam a divulgar os fenómenos místicos de Santa Teresa, que não faltará quem sussurre aos ouvidos desta e dos seus confessores augúrios de idêntico desenlace.

A oração mental, pomo de discórdia

Do lado dos teólogos, contribuíram para agudizar o antagonismo, algumas figuras cimeiras, que concentraram a oposição sobre o tema da oração mental, divulgada pelos livros na linguagem do povo. Pregar aos quatro ventos – segundo eles – a vida de oração, é colocar em perigo não só a Igreja, mas a mesma república cristã. Divulgar em língua castelhana para o povo e as mulheres, os mistérios da fé, da teologia e da vida espiritual, é “coisa nociva ao bem comum” (Melchior Cano). “Por mais que as mulheres reclamem com insaciável apetite comer deste fruto [leitura da Sagrada Escritura], é necessário vedá-lo e colocar a espada de fogo para que o povo não chegue a ele” (idem).

S. Vicente Ferrer afirmaria que, com as graças místicas de que se gloriavam os espirituais e outras ilusões semelhantes, se haveria de dispor o mundo para o Anti-Cristo.
Em termos mais depreciativos, ridicularizava o supremo inquisidor Valdês os livros de frei Luís de Granada sobre a oração, apelidando-os de livros de teologia para mulheres de carpinteiros.

P. Jeremias Carlos Vechina

Publicado em http://teresadejesus.carmelitas.pt/.