Papa pede para incrementar “as vocações sacerdotais e religiosas, especialmente as missionárias” e a garantir “uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo” (Agência Fides)

Fonte/imagem: paroquiadamatriz.org

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Fonte: Agência Fides

12.02.2011

VATICANO – Vocações: o Papa pede para incrementar “as vocações sacerdotais e religiosas, especialmente as missionárias” e a garantir “uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Faço um apelo especial a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difundir a sua missão de salvação em Cristo é importante “incrementar como é possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias’ (Decreto Christus Dominus, 15)”: foi o convite que o Papa Bento XVI fez aos bispos do mundo em sua mensagem para o XLVIII Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será comemorado em 15 de maio de 2011, IV Domingo de Páscoa, sobre o tema: “Propor as vocações na Igreja local”. O Papa continua sua exortação: “Gostaria também de lembrar, amados Irmãos no Episcopado, a solicitude da Igreja universal em favor da distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. “A sua disponibilidade para com as dioceses com a escassez de vocações, torna-se uma bênção de Deus para as suas comunidades e sendo para os fiéis o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades de toda a Igreja”. Em sua mensagem o Santo Padre recorda a “instituição, setenta anos atrás, da Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, seguido pelo nascimento de obras similares em muitas dioceses no mundo, e sublinha que “as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada são principalmente fruto de um contato constante com o Deus vivo e de uma insistente oração que se eleva ao “Dono da messe” tanto nas comunidades paroquiais, tanto nas famílias cristãs, quanto nos cenáculos vocacionais”. Depois de citar as passagens do Evangelho, onde o Senhor nos chama para seguir Jesus, Bento XVI disse que “ainda hoje, é difícil a sequela de Cristo”, mas “o Senhor não deixa de chamar em todas as estações da vida, a compartilhar sua missão e a servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada”. Em seguida, afirma: “É importante incentivar e apoiar aqueles que mostram sinais claros do chamado ao sacerdócio e à consagração religiosa, para que sintam o calor de toda a comunidade para dizer seu “sim” a Deus e à Igreja. Ilustrando o tema do próximo dia de oração – “Propor as vocações na Igreja local” – Papa Bento XVI disse que “significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente da sequela de Cristo, que, enquanto rico de sentido, é capaz de mudar toda a sua vida”. (SL) (Agência Fides 12/02/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em várias línguas

Publicado em Agência Fides.

“Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila” – Catequese do Papa Bento XVI para a audiência geral (Flos Carmeli)

Fonte: Flos Carmeli

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Catequese do Santo Padre Bento XVI – Tema : Santa Teresa de Jesus

Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila

Queridos irmãos e irmãs:

Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.

E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais.

Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila.

Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9).

A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor.

É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.

A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.

Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).

Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.

Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais,

Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,

Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.

CIDADE DO VATICANO, 02 Fev, 2011 – catequese dirigida aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana

Publicado em Flos Carmeli.

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem: Congregação das Irmãs de São Pedro Canísio – Biografia

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Fonte: Rádio Vaticano

09/02/2011 12.08.49

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral

O anúncio cristão, e o ministério dos padres e fiéis, “é incisivo e produz nos corações frutos de salvação, só se o pregador for testemunha pessoal de Jesus e souber ser instrumento de vida moral, através da oração incessante e do amor; isto vale para qualquer cristão que queira viver com empenho e fidelidade a sua adesão a Cristo”. Considerações de Bento XVI, na audiência geral desta quarta-feira, dedicada a São Pedro Canísio (1521-1597), “doutor da Igreja”, jesuíta holandês que actuou sobretudo na Alemanha, nos tempos da Reforma protestante.
“A vida cristã não cresce – sublinhou o Papa – se não for alimentada pela participação na liturgia e pela oração pessoal quotidiana, pelo contacto pessoal com Deus: no meio das mil actividades e dos múltiplos estímulos do dia a dia, é necessário encontrar cada dia momentos de recolhimento perante o Senhor, para O escutar e falar com Ele” – recomendou.
Bento XVI explicou as características de pregador de São Pedro Canísio, cujos catecismos formaram gerações e gerações de católicos, ao longo de séculos. “Em tempos de fortes contrastes confessionais (observou), ele evitava asperezas e a retórica da ira”, expondo a doutrina o mais possível numa linguagem bíblica e sem tons polémicos. Revelando um amplo e penetrante conhecimento da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, as obras de São Pedro Canísio, de uma austera espiritualidade, visavam propor simplesmente os conteúdos da fé católica, revitalizando a fé da Igreja.

Mas ouçamos o resumo que desta catequese Bento XVI pronunciou em português e a saudação dirigida aos peregrinos lusófonos:

“Queridos irmãos e irmãs,
São Pedro Canísio, sacerdote jesuíta e doutor da Igreja, nasceu em Nimega, na Holanda, no ano 1521. Interveio em acontecimentos decisivos do seu tempo, como o Concílio de Trento, e exerceu uma influência especial com os seus escritos. A sua obra mais difundida é o Catecismo, onde aparece a doutrina exposta sob a forma de breves perguntas e respostas, elaboradas em termos bíblicos e sem tons polêmicos. E dele preparou três versões: uma para pessoas com elementares noções de teologia; outra para crianças sem escolaridade; e a terceira para estudantes liceais ou universitários. Nisto se revela uma das características de Pedro Canísio: sabia harmonizar a fidelidade aos princípios dogmáticos com o respeito devido a cada pessoa.

“Amados peregrinos de língua portuguesa, para todos a minha saudação amiga e encorajadora! Antes de vós, veio peregrino a Roma Pedro Canísio para invocar a intercessão dos Apóstolos São Pedro e São Paulo sobre a missão que lhe fora confiada na Alemanha, o seu campo de apostolado mais longo. No seu diário, descreve como aqui sentiu a graça divina que fazia dele um continuador da missão dos Apóstolos. Como ele, todos nós, cristãos, somos enviados a evangelizar, mas para isso precisamos de permanecer unidos com Jesus e com a Igreja. Sobre vós e a vossa família, desça a minha Bênção.”

No final da audiência, após as variadas saudações aos mais de cinco mil peregrinos presentes na Aula Paulo VI, do Vaticano, Bento XVI dirigiu-se particularmente os bispos participantes no encontro promovido pelo Movimento dos Focolares: congratulando-se com “esta oportunidade” de “confrontarem experiências eclesiais de diversas zonas do mundo”, o Papa fez votos de que “estas jornadas de oração e reflexão possam produzir abundantes frutos” para as respectivas comunidades.
Bento XVI saudou também os membros da Associação “Novos Horizontes”, recentemente reconhecida pelo Pontifício Conselho para os Leigos como associação internacional de fiéis.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.” Miguel Yañez – Pontifícia Gregoriana de Roma (Agência Ecclesia)

Fonte: Agência Ecclesia

“Igreja não pode calar a sua voz profética”

Miguel Yañez, professor de teologia moral da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, fala sobre a educação católica

Fórum EMRC

O padre Miguel Yañez, professor de teologia moral na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no Fórum de Educação Moral e Religiosa Católica.

Durante o encontro, realizado entre 28 e 30 de Janeiro, em Fátima, o religioso jesuíta proferiu duas conferências: «A fractura social: pobreza e as opções da Igreja» e «A fractura ideológica: a sexualidade no contexto da antropologia cristã».

Em entrevista à agência Ecclesia, o professor de teologia moral afirma a importância que a Igreja tem na educação e o “papel profético” através dos seus ensinamentos e do testemunho dos cristãos

AE – As duas conferências que proferiu no Fórum EMRC focam duas fracturas, uma social e uma ideológica. Como é que elas se manifestam?

MY – Encontramos brechas numa sociedade pluralista, onde se destacam formas distintas de ver a pessoa humana e as suas relações.

Encontramo-nos numa sociedade onde a globalização se impõe e que é uma conquista. Mas precisamos distinguir entre estas conquistas, que são irreversíveis e representam uma grande oportunidade para toda a humanidade e para a Igreja, do que podemos chamar de uma certa ideologia que parece estar na base de auto poderes que actuam na sociedade e impõem um certo modo de ver a vida, de ver a pessoa, e deixa um pouco a desejar, pelo menos do ponto de vista cristã e humano.

Crescemos muito no século XX, no que à tecnologia e ciência diz respeito. Contudo parece-me que a humanidade tem de dar um salto qualitativo sobre a moralidade pessoal e social.

AE – Que papel tem a Igreja no meio destas duas fracturas?

MY – Antes de mais tem um papel profético com os seus ensinamentos e também com o testemunho dos cristãos. A Igreja não pode calar a sua voz mas, sobretudo através de todos os cristãos inseridos na sociedade, deve tornar presente um estilo de vida que me parece ser, naturalmente, contra-cultural.

No meu entender, (a Igreja deve optar por) um estilo de vida marcado pela promoção da pessoa, diferente do individualismo reinante que tem sido estimulado e tem sido veiculado pelos meios de comunicação social.

AE – A opção preferencial pelos pobres é indicada pelo magistério da Igreja. Como propor esta opção em âmbito escolar?

MY – A formulação da opção preferencial pelos pobres é nova mas a ideia subjacente é sublinhada em toda a Escritura, em especial no Evangelho. Contém uma carga humanista e ética, que filósofos e também políticos incorporaram com outros termos.

Se uma sociedade deseja realmente ser justa – creio que é algo inquestionável – tem de colocar no centro da sua preocupação os mais desfavorecidos e desprotegidos.

Uma sociedade de capitalismo pós-industrial gera uma massa de gente que é expulsa do mercado laboral, do mercado de produção e de consumo. A sociedade não sabe o que fazer com estas pessoas. Como integrá-las nesta dinâmica vertiginosa de crescimento económico, mobilizado pela tecnologia que oferece oportunidades inéditas na história da humanidade – pensemos por exemplo na Internet, nos meios de comunicação social?

Tudo isto é uma grande batalha com uma brecha imensa. É uma questão que agrava a dignidade da pessoa humana.

AE – E como se pode propor a opção pela pobreza em ambiente escolar, tanto na pedagogia como nos conteúdos?

MY – Tem de ser uma proposta a vários níveis. Primeiro temos de mudar de paradigma na actividade profissional. A excelência é, no fundo, um meio para alcançar um êxito pessoal e alcançar uma competitividade que se revela selvagem.

A Igreja tem aqui de propor uma excelência baseada na solidariedade, como afirmou o Papa João Paulo II e o próprio Bento XVI.

Por outro lado são necessárias estratégias concretas e contactos reais com situações de pobreza, com as pessoas que estão excluídas: o voluntariado tem crescido muito, em especial na Europa, e pode ser uma resposta na ajuda do conhecimento de uma realidade que esperamos, depois, possa envolver as pessoas, cada uma no seu local de trabalho e no âmbito da sua profissão.

Precisamos de mudar de sistema, o que será muito difícil. Ou pensar na correcção do actual para que realmente possa ser mais humano.

AE – A educação insere-se nesta fractura ideológica que traçou, no contraste entre a proposta da Igreja Católica e do Estado. Em Portugal vivemos uma situação de constrangimento orçamental que põe em causa a coexistência de duas propostas. Que consequências pode esta situação trazer para o futuro da educação e da sociedade?

MY – Não conheço a situação portuguesa, mas posso falar no que acontece na Argentina. O serviço que a Igreja presta na educação é de caridade. Não porque nós o dizemos, nem pela quantidade de pedidos dos alunos que recebemos.

É um serviço oferecido a todos os níveis sociais que a Igreja desenvolve, um trabalho de integração social muito importante. E também de qualidade, sobretudo nos níveis populares, onde, pelo menos no meu país, a oferta estatal é deficiente.

Se realmente queremos uma promoção dos mais pobres e mais débeis, a educação é uma arma imprescindível. A Igreja, oferecendo um serviço social não deveria ser penalizada e descriminada, mas antes apoiada. É preciso inteligência na concepção política de uma sociedade.

AE – A Igreja pede também aos cristãos que ajudem a sobrevivência destas escolas. Até que ponto a proposta cristã da educação é valorizada?

MY – É fundamental. Depois da saúde, da alimentação e da habitação, o bem fundamental da educação deve ser preservado por toda a política que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.

LS

Publicado em Agência Ecclesia.

Mensagem do Papa: “A grande obra da evangelização requer um número cada vez maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus” (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

02.02.2011

VATICANO – Mensagem do Papa: “A grande obra da evangelização requer um número cada vez maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “A Igreja, no profundo de si, tem uma dimensão vocacional implícita em seu significado etimológico: «assembleia convocada» por Deus. A vida cristã participa, por sua vez, desta mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja. No fundo de cada cristão, ecoa sempre e novamente o “siga-me” de Jesus aos apóstolos, que mudou para sempre suas vidas”. É o que ressalta o Santo Padre Bento XVI em sua mensagem enviada aos participantes do II Congresso Continental Latino-americano sobre as Vocações, promovido pelo Departamento para as Vocações e os Ministérios do Conselho Episcopal Latino-americano, em andamento em Cartago (Costa Rica) de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2011 (veja Fides 13/1/2011).
Depois de recordar que a iniciativa se insere “no contexto do grande impulso missionário promovido pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Aparecida”, o Papa evidencia que “a grande obra da evangelização requer um número sempre maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus e se dediquem por toda a vida à causa do Evangelho. Uma ação missionária mais incisiva traz como frutos preciosos o fortalecimento da vida cristã em geral e o aumento das vocações de consagração especial. Todavia, a abundância das vocações é um sinal eloquente de vitalidade eclesial e da forte experiência de fé por parte de todos os membros do povo de Deus”.
Em sua mensagem, Bento XVI evidencia também que “a pastoral vocacional deve ser plenamente inserida no conjunto da pastoral geral, com uma presença capilar em todos os âmbitos pastorais concretos”, e dentre os muitos aspectos a ser considerados para cultivar as vocações, destaca a vida espiritual, pois “a vocação não é fruto de um projeto humano ou de uma hábil estratégia organizativa” e, portanto, “é preciso ter sempre presente a primazia da vida do espírito como base de qualquer programação pastoral”. “Devemos vencer a nossa auto-suficiência – prossegue o Pontífice – e ir com humildade ao Senhor, suplicando-lhe para continuar a chamar muitos. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de nossa vida espiritual nos deve levar a identificar-nos sempre mais com o desejo de Deus e a oferecer um testemunho mais nítido e transparente de fé, esperança e caridade”. Na parte conclusiva, o Santo Padre reitera a importância do “testemunho pessoal e comunitário de uma vida de amizade e de intimidade com Cristo, de total e feliz dom de si a Deus” na promoção vocacional, pois “foi e é um meio privilegiado para despertar nos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo, como também a coragem de propor com delicadeza e respeito a possibilidade que Deus também os chame”.
(SL) (Agência Fides 2/02/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em espanhol, está em:

Publicado em Agência Fides.

São João da Cruz: mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro – Estudo – Ir. Andréa dos Santos Lourenço (Discípulas de Jesus Eucarístico)

Fonte:  Discípulas de Jesus Eucarístico –  http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/pastoral_vocacional.html

Poesias -Por São João da Cruz – “Noite Escura” – http://www.discipulasjesuseucaristico.com.br/poesia-05-out11.html. Por Ir. Andréa dos Santos Lourenço – “Paradoxos” – “Releituras”  – Estudo “São João da Cruz: Mistagogo do homem e da mulher à procura do Deus verdadeiro”.

ESTUDO

São João da Cruz:

Mistagogo do homem
e da mulher
à procura do Deus verdadeiro

João da Cruz: um homem que orienta a busca do Deus verdadeiro para o homem e a mulher de hoje
Um homem que viveu há quase meio milênio, em que pode contribuir para as pessoas do terceiro milênio?
Sem dúvida, São João da Cruz ilumina a busca de Deus, do Deus verdadeiro, que realmente preenche o vazio e restitui O SENTIDO à existência humana.A atualidade do seu pensamento está na resposta satisfatória que ele consegue dar às angústias dos homens. Tenta penetrar o coração do homem e acalmá-lo nas suas revoltas, apresentando o ideal da unidade: DEUS. A situação “do homem”, de São João da Cruz, é a de homem de sempre: a busca do Absoluto, o ideal da perfeição, da libertação do nada, o encontro com o TUDO (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz vem nos dizer que somente Deus pode plenificar o coração do homem. Ele é uma pessoa que faz a experiência do Absoluto em sua própria vida e, como um grande Mistagogo, consegue, a partir da própria experiência, nos conduzir seguramente a Deus. A busca de Deus é também busca de unidade interior. Porém, esta é uma busca árdua, difícil que exige força de vontade e empenho. É a ascese de que nos fala Platão no ilustre “Mito da Caverna”, referindo-se à alma que, saindo da caverna das suas sombras, quer contemplar não mais apenas as sombras, mas as realidades em si mesmas; quer não apenas reflexos de luz, mas, ao contrário, quer poder contemplar o próprio sol. Aquele que sai da caverna, num primeiro impacto com a claridade pode querer deixar a luta iniciada e permanecer nas sombras, temendo o enorme grau de esforço que será necessário empreender para acostumar-se definitivamente com a luz e, um dia finalmente, poder suportar olhar para o sol. Mas o desejo de “plenitude” o impulsionará em sua busca e não o deixará desanimar, pois o ser humano tem sede de infinito, tem sede de Deus.
João da Cruz nos ensina com a própria experiência que vale a pena a busca apesar das dificuldades. É necessário ter claro diante dos olhos o ideal, a meta e investir tudo para atingi-la. Ele mesmo era um homem feliz, porque sabia onde queria chegar: tinha clareza de objetivos. Ele não vive simplesmente por acaso, mas vive e sabe porquê de seu viver. Mesmo em meio às adversidades, aos contrastes sombrios e turbulentos da vida, ele não desanima. Continua caminhando tranqüilo e sereno porque as dificuldades não lhe ofuscam a visão, e seu ideal continua visível aos olhos. Mesmo nas “noites” Deus continua resplandecendo em sua vida e na vida de todo homem, mesmo se, aparentemente dê a sensação de estar ausente.

A dificuldade da busca e a certeza do encontro

No cárcere, em Toledo, na experiência dura da incompreensão de seus confrades, na experiência do aparente silêncio e abandono de Deus, João sabe que a ausência é realmente aparente, e a sua se torna uma solidão “povoada” por Deus.
Aquela eterna fonte está escondida,
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda origem dela vem,
Mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
E que ninguém pode nela a vau passar,
Mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
E sei que toda luz dela é nascida,
Mesmo de noite.

Sei que tão caudalosas são suas correntes,
Que céus e infernos regam, e as gentes,
Mesmo de noite.

A corrente que desta fonte vem,
É forte e poderosa, eu sei-o bem,
Mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
Sei que nenhuma delas a precede,
Mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
Que nela se saciam às escuras,
Mesmo de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida já a vejo,
Mesmo de noite.

João permanece fiel a Deus e o deseja, o busca porque é convicto de sua presença. Ele SABE que mesmo na escuridão pode confiar que a sua fonte está presente e que ele pode dela beber e saciar-se abundantemente. É o que lhe dá sustento na caminhada.

A Pós-Modernidade e a “privatização do divino”

A busca do transcendente excessivamente valorizada na Pós-Modernidade é uma busca em muitos aspectos egoísta, reflexo da atitude de um mundo onde o individualismo floresce vicejante no campo da competição pelo poder, pela riqueza e pelo status. Busca-se o privado, aquilo que satisfaz o indivíduo sem levar em conta o coletivo, a comunidade.

“A individuação de Deus na experiência privada da vivência da fé conduz ao desconhecimento do outro, porque satisfaz por si mesma… Uma atitude coerente com a busca da felicidade pessoal, recusa de sacrifícios pelos outros, liberação das imposições tradicionais, hedonismo no plano afetivo… A complexidade e diversificação deste espaço multifacetado para a vivência da fé possibilita que o indivíduo, nas suas reações, tenha como centro a si mesmo, caracterizando o individualismo”. (MOL, Joaquim Giovanni. In: Individualismo cultural e vivência da fé – dissertação de mestrado).

“O excessivo sucesso do esoterismo, da parapsicologia, mentalização psicológica, Yoga, para chegar à paz interior não é outra coisa que a tentativa de substituir a Deus. Estes meios, todavia, não são capazes de reunificar o homem, de alcançar-lhe a harmonia na qual foi criado e para a qual tende após a Redenção. O menor dos danos que essas pseudo-doutrinas podem gerar é a desembocadura em um naturalismo puro, que não liberta de nossas escravidões e limitações. O homem novo não é construído em cima de sua própria natureza, em cima de seu próprio barro. Ele nasce da postura de permanecer como objeto a ser remido por Deus” (Patrício Sciadini – OCD).

João da Cruz: abertura a Deus que não exclui o próximo

São João da Cruz não se fecha em si mesmo na sua experiência de Deus. A sua é uma experiência relacional com Deus que se prolonga no outro. A sua [experiência] não é uma busca egoísta de Deus para aprisioná-lo em si mesmo. Ao contrário, ele se torna mistagogo. Nos ajuda a fazermos também nós o nosso encontro com o Deus verdadeiro. Ele é uma pessoa feliz, realizada, que sente a necessidade de comunicar sua experiência, deixar que ela transborde para que outros possam se beneficiar.
O Deus ao qual João nos conduz é um Deus próximo. Está tão perto de nós, que habita dentro de nós e nos leva para dentro de si. Contudo, não nos aprisiona, nem nos escraviza, mas nos propõe uma relação de liberdade. Precisamos descer ao fundo de nós mesmos e encontrá-lo. Ele está escondido em nosso ser. Essa busca do divino no mundo atual, mostra justamente esta realidade: O Amado atrai como um ímã, quer ser buscado e quer ser encontrado.

Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo, fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, por ventura virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Ó bosques e espessuras,
Plantados pela mão de meu Amado.
Ó prado de verduras,
De flores esmaltado,
Dizei-me se por vós ele há passado.

Extingue os meus anseios
Porque ninguém os pode desfazer
E vejam-te meus olhos
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.

(Cântico Espiritual – Granada 1584 – 1586)

João orienta a busca do Deus que ele denomina como AMADO. Porém, é preciso silenciar tudo em nós para iniciarmos a busca e encontrarmos Deus.
Deus sabe que o coração do ser humano tem sede de infinito, tem sede de beber da fonte na qual tem sua origem. O coração humano vive na procura nostálgica de sua origem e estará “inquieto e insatisfeito enquanto não repousar em Deus”.
O homem e a mulher de hoje procuram Deus e muitas vezes tem a ilusão de o terem encontrado em realidades que não são, de fato orientadas para o DESEJADO, o AMADO, como O chama São João.
São João da Cruz pode orientar este homem e esta mulher inquietos na busca de Deus.
Às vezes nos é transmitida uma falsa imagem da figura deste santo, ao ponto de nos parecer inacessível e inatingível. Mas, ao contrário, São João da Cruz é uma pessoa muito próxima de nós. Viveu seu cotidiano buscando, com toda a sua energia a Deus. Também ele experimentou e sentiu o “silêncio de Deus” e dos homens.
O segredo dele está no fato de ter claro o que realmente queria. Era convicto do amor, da bondade e da presença de Deus. Era convicto de que Deus é fiel e nele se pode confiar e esperar, mesmo de noite.

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Autoria:

Ir. Andréa dos Santos Lourenço ( http://pt-br.facebook.com/irmaandrea.dossantoslourenco)

Discípulas de Jesus Eucarístico.

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011 (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

INTENÇÃO MISSIONÁRIA

29.01.2011

“Para que nos territórios de missão onde é mais urgente a luta contra as doenças, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo junto dos sofredores” – Comentário da Intenção Missionária de fevereiro 2011

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Durante sua vida terrena, Jesus sempre esteve próximo ao sofrimento humano. A experiência da cura dos enfermos ocupou boa parte de sua missão pública. Para Ele levaram os doentes, os aleijados, os cegos e leprosos. Uma cadeia de dor vivida muitas vezes na exclusão social e considerado o resultado do pecado pessoal ou de seus pais (Cf. Jo 9, 2). Santo Agostinho amava chamar Jesus de “o médico humilde”. Ele passou pelo mundo fazendo o bem e curando as doenças. Bento XVI disse: “Apesar de a doença fazer parte da experiência humana, a ela não conseguimos nos acostumar, não só porque às vezes é realmente pesada e grave, mas essencialmente porque somos criados para a vida, para a vida completa. Justamente, o nosso instinto interior nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, aliás, como Vida eterna e perfeita (Angelus de 8 de fevereiro de 2009). Às vezes a dor e impotência causada pela doença podem colocar à prova a fé. Os fiéis têm o dever de ajudar seus irmãos a encontrar o significado do sofrimento na cruz de Jesus Cristo e continuar a rezar para pedir a Deus a graça de “saber sofrer”. Precisamos ser  para eles a proximidade de Deus na dor. Diante da pergunta colocada pela doença, Deus respondeu em Cristo Jesus: “Deus – que nos revelou seu rosto – é o Deus da vida que nos liberta de todo mal. Os sinais de sua força de amor são as curas que realiza demonstra assim que o Reino de Deus está próximo, restituindo aos homens e mulheres sua integridade de espírito e corpo” (Bento XVI, ibid). Mas essas curas físicas não um fim a si mesmo. São sinais que falam da necessidade de uma cura mais profunda. A doença mais grave que afeta os seres humanos de todos os tempos é a ausência de Deus, fonte da verdade e do amor. Em Cristo, Deus se tornou Bom Samaritano para nós. Através da encarnação tornou-se o “nosso próximo”, ele nos pegou sobre seus ombros de Bom Pastor e nos trouxe para a estalagem, que é símbolo da Igreja. Ele curou as nossas feridas com o óleo dos sacramentos, para recuperar a nossa saúde. Falando do sentido pleno do ministério de Cristo, o Papa afirma que “só a reconciliação com Deus pode nos dar a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem Amor sem verdade não seria a vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e do amor, e assim é cura no profundo de nosso ser. Entende-se, portanto, porque a sua pregação e as curas que faz estejam sempre unidas: formam uma única mensagem de esperança e salvação” (Bento XVI, ibid.). O ministério de Cristo continua na Igreja. Ela continua a curar o ser humano com a graça dos sacramentos, enquanto, envolvida em milhares de atividades beneficentes, atenua o dor daqueles que sofrem, sendo para eles a presença amorosa de Deus Rezemos para que muitos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – que cuidam dos doentes em várias partes do mundo, continuem sendo as mãos e o coração de Cristo para seus irmãos nos países de missão. “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. (Mt 25, 40). (Agência Fides 29/1/2011)

Situação dos Cristãos no Oriente Médio é Tema de Encontro do CMI (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

26/01/2011

SITUAÇÃO DOS CRISTÃOS NO ORIENTE MÉDIO TEMA DO ENCONTRO DO CMI

Genebra, 26 jan (RV) – “Construir comunidades em favor da paz justa entre homens e mulheres” é o tema da próxima sessão da Comissão Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) que se realizará de 16 a 22 de fevereiro próximo, em Genebra, na Suíça.

A comissão refletirá sobre a difícil situação dos cristãos no Oriente Médio e será apresentado o documento “Apelo ecumênico pela paz justa”, em vista do encontro ecumênico internacional pela paz que se realizará de 17 a 25 de maio próximo, em Kingston, capital da Jamaica.

O apelo pela paz, cujo documento foi escrito na assembleia do CMI realizada, em 2006, em Porto Alegre, convida a comunidade cristã no mundo a promover a paz justa e se baseia nas indicações emersas durante a Década Ecumênica “Vencer a violência”, concluída em 2010.

A Comissão Central deverá decidir o tema da 10ª Assembleia do CMI que se realizará, em Busan, na Coreia do Sul, em 2013. (MJ)

Publicado em Rádio Vaticano.

“Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. (…)” – Papa Bento XVI (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

24.01.2011

VATICANO – “Também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente da parte quem anuncia”: Mensagem para o Dia das Comunicações Sociais

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.” É um trecho da mensagem do Santo Padre Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano se celebra no domingo 5 de junho sobre o tema “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”. A mensagem sublinha que “as novas tecnologias estão mudando não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma”. No mundo digital, o comunicar é considerado sobretudo “como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas”, todavia isto se confronta com alguns limites: “a parcialidade da interação, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo”. O Papa evidencia como são sobretudo os jovens a viverem este radical mudança da comunicação, marcada pelo “ envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network” e prossegue: “a presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual”. A oportunidade de encontrar-se “além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando assim um inteiro novo mundo de potenciais amizades” requer todavia alguns riscos dos quais o Santo Padre evidencia, para concluir: “É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida”.
Na segunda parte da Mensagem o Papa recorda que “também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva”, aliás, “existe um estilo cristão de presença também no mundo digital… Comunicar o Evangelho através da nova mídia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia”.
Na parte conclusiva, Bento XVI ressalta que “a verdade do Evangelho não é algo que possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária.. Também neste campo somos chamados a anunciar a nossa fé que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história… A verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network”. (SL) (Agência Fides 24/01/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em italiano

Publicado em Agência Fides.

“Traços da vida secular de Santa Teresa de Jesus” – OCDS – Textos Carmelitanos

Fonte: OCDS – Província São José – Sudeste – Brasil

TRAÇOS DA VIDA SECULAR DE SANTA TERESA DE JESUS

Introdução

A proposta de levar ao conhecimento, dos interessados, sobre a vida dos Santos Carmelitas constitui um desafio deveras agradável. O Carmelo é um jardim com muitas e variadas flores, com matizes e perfumes diferentes, o que o torna atraente. Particularizando-se uma a uma, principalmente naquilo que mais requer ação de um jardineiro habilidoso, mergulha-se, então, num mistério que somente a ação divina pode elaborar. A riqueza espiritual de cada uma, as podas, as securas, a aridez, a irrigação, convidam, aos admiradores, a contemplar as belezas operadas pelo Bom Jardineiro numa alma que se deixa tocar. Assim aconteceu com esta belíssima flor chamada Teresa de Ahumada y Cepeda, ou melhor, Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja.

Santa Teresa de Jesus. Nasceu em Ávila, na Espanha, Desde os seis anos de idade já sabia ler, foi muito influenciada pela leitura da vida dos Santos, e dominada pelo desejo do martírio . Aos 18 anos entrou no Carmelo da Encarnação (Ávila) que reformou, não obstante as dificuldades sem conta que teve de superar. Coadjuvada por São João da Cruz, empreendeu depois a reforma das demais casas da Ordem, que de modo geral responderam ao seu apelo. No arroubo de amor divino, que constituía a atmosfera permanente em que vivia, impôs-se o voto de fazer sempre o que julgasse mais perfeito. “Como a alma sente no corpo o cativeiro e a miséria da vida! Sente-se uma escrava vendida para um país estrangeiro”– escrevia ela. Elevou-se pela oração ao mais alto grau da vida mística e era nesse exercício que hauria particulares luzes sobre a ciência católica, a ponto de ser com freqüência equiparada, pelos Sumos Pontífices, aos mais renomados Doutores da Igreja. “A oração mais bem feita e mais agradável a Deus é a que deixa na alma efeitos mais salutares, que se conhecem pelos frutos que dão e não pelos sentimentos que despertam.” A ação desta humilde virgem, que só por si converteu milhares de almas, basta para demonstrar o papel preponderante que à vida contemplativa cabe na reintegração do nosso tempo..

Ela não nasceu totalmente acabada e emoldurada pela santidade. Foi o longo caminho da perfeição que contribuiu para que tal façanha acontecesse. Vamos, pois, particularizar alguns aspectos de sua vida até o momento em que entra para o convento.

Cenários da Espanha no Século XVI

O século dezesseis, caracterizou-se fortemente pelo rompimento e reformas das estruturas, então vigentes em toda a Europa, que se desenvolveram ao longo dos séculos anteriores.
No final do século XV, Cristóvão Colombo descobriu o novo mundo e Vasco da Gama, o caminho marítimo para as Índias, abrindo, assim, a ação da Igreja, novas e vastas regiões que a compensaram das perdas sofridas na Europa pela Reforma Protestante.
Ao longo do século XVI, a Igreja sofreu profunda e dolorosamente este impacto.. O paganismo renascente, o protestantismo e o jansenismo arrastavam como um flagelo muitos de seus filhos, enquanto o Islão lançava, dos minaretes de Constantinopla para as bandas da Itália, o olhar cada vez mais ávido. Entre os numerosos mártires que morreram nas mãos dos hereges, lembramos aqui os de Gorcum nos Países-Baixos e São João Fisher e São Tomás More na Inglaterra. Para combater o espírito do mal que ameaçava subverter a sociedade, Deus suscitou S. Inácio de Loyola, o primeiro geral da Companhia de Jesus,
Santo Inácio, nobre espanhol, converteu-se aos 30 anos de idade, depois de uma breve mas brilhante carreira nas armas, fundou a Companhia de Jesus. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas. No século em que o protestantismo arrebatou à verdadeira Religião um terço da Europa, Santo Inácio foi, sem dúvida, o lutador requerido pela Providência para atender , de modo pleno, às necessidades da Igreja e que foi, para esse tempo, e continua a sê-lo ainda a mais terrível milícia da Igreja e de Cristo. Santo Inácio e São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres florões espanhóis que honraram, neste século, as suas fileiras.
São Francisco Xavier foi um dos primeiros discípulos arregimentados por Santo Inácio de Loyola, e estava entre os fundadores da Companhia de Jesus. Pregou na Índia, no Japão e em outras nações do Oriente. Converteu e batizou muitos milhares de pagãos e praticou milagres portentosos. Faleceu aos 46 anos de idade, no momento em que se aproximava das costas da China, que pretendia conquistar para Nosso Senhor Jesus Cristo..
São Francisco de Borja pertencia a uma das famílias mais nobres da Espanha. Era duque de Gandia e exerceu elevadas funções de vice-rei da Catalunha. Certa ocasião, foi incumbido de acompanhar o transporte do cadáver da imperatriz Isabel, que falecera em Toledo, até Granada, onde se faria o sepultamento. O transporte foi lento e durou quinze dias. No momento de sepultar a imperatriz, o protocolo exigia que fosse aberto o caixão para ser reconhecido o cadáver; aquela que fora admirada por sua beleza deslumbrante estava reduzida a um amontoado de podridão. Tocado pela graça a propósito daquela cena chocante, Francisco compreendeu a vaidade de toda a glória mundana, e decidiu que se algum dia enviuvasse, se consagraria inteiramente a Deus. Assim de fato aconteceu. Enviuvou aos 40 anos de idade, renunciou a todos os seus títulos e bens e ingressou na Companhia de Jesus como filho espiritual de Santo Inácio de Loyola,
Santo Inácio, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres valores espanhóis jesuítas que honraram, naquele século, as fileiras da Igreja.
São Pedro de Alcântara, rigoroso no espírito de pobreza e mortificação, reformou os frades menores, dando-lhes nova vida à então decadente espiritualidade franciscana. Dormia apenas duas horas por noite, comia somente um dia sim outro não, e costumava colocar cinza sobre a comida para não sentir nenhum prazer no alimento. Pregou na Espanha e em Portugal. Assistiu aos últimos momentos do piedoso rei D. João III, de Portugal, e muitas vezes respondeu a consultas que lhe fez o imperador Carlos V. À hora de morrer, ardendo em febre, recusou um copo de água que lhe ofereciam porque Jesus Cristo também sofrera sede. Pouco depois expirou e Santa Teresa, de quem tinha sido amigo e confidente, teve uma visão de sua alma subindo ao Céu. É padroeiro principal do Brasil. A Família Real portuguesa e a Imperial brasileira sempre tiveram grande devoção por esse Santo admirável. Lembre-se, de passagem, que o imperador D. Pedro II tinha o nome de Pedro de Alcântara em homenagem a ele.
São João de Deus – Português natural do Alentejo, fundou, em Granada, a Ordem da Caridade, que depois ficou mais conhecida como Ordem dos Irmãos Hospitalários de São João de Deus. É patrono dos enfermeiros e dos hospitais católicos. A oração da Missa alude ao milagre do incêndio dum hospital, em que o Santo, atravessando imunemente as chamas, salvou todos os doentes.
São Pascoal Bailão – Nascido no Reino de Aragão, era irmão leigo franciscano e se destacou pela humildade, pela obediência e sobretudo pela devoção ao Santíssimo Sacramento, diante do qual permanecia longas horas em adoração. É padroeiro dos Congressos Eucarísticos.

Cenário Musical

É interessante notar que também a música tenha contribuído também para a formação de sensibilidade de Teresa, pois como freqüentadora da corte palaciana dos reis católicos, tentou mesmos algumas pequenos versos. Irá, mais tarde, estimular sua verve poética , nas recreações conventuais.
A “zarzuela” é a irmã espanhola da opereta francesa e vienense; nas suas formas mais exigentes se aproxima evidentemente da ópera cômica, tal qual em Paris e Viena. Mas a sua história, quase desconhecida fora da península ibérica, é muito mais velha que a de suas irmãs francesa e vienense. Talvez se inicie com as famosas “’Eglogas” de Juan del Encina, que viveu durante o reinado dos soberanos católicos e foi, por conseguinte, contemporâneo de Colombo e Magalhães.
A “zarzuela” adotou como característico o número de dois atos, só passando muito depois para o de três; como a opereta, mistura figuras sérias e jocosas, canções e danças, palavras faladas e cantadas. Mas as cenas que a opereta prefere fazer desenrolar em países estrangeiros, desenrolam-se sempre na Espanha. Com a progressiva popularização, envereda a “zarzuela” por mau caminho, e passa por um período de decadência que dura até boa parte do século XIX.
O século XVI é um século de transição para a música: lado a lado, deparam-se-nos o antigo e o moderno. Mas cada vez mais nítido se esboça o futuro desenvolvimento. A música deixa de escravizar-se a outras idéias e ergue-se à altura de arte, repleta de individualismo e nacionalismo; o religioso e o profano separam-se e, enquanto a música litúrgica cada vez mais se retira, conquista a profana posição definida na vida artística, substituindo as artes plásticas, até então fiel expressão do espírito da época e do sentimento popular.
É preciso reconhecer que a genial invenção de Guttenberg exerceu influência decisiva no desenvolvimento musical. Foi Petrucci, em Veneza, em 1500, quem pela primeira vez imprimiu notas musicais.
Também a Espanha conheceu uma época de florescimento. Ao lado do grande Cervantes, vivem músicos de extraordinária reputação: Tomás Luís de Victoria ((1548?-1611), colega de escola de Palestrina, e Antonio de Cabezón (1510-1566), organista cego e tocador de clavicórdio na corte de Carlos V e Filipe II, verdadeiro Bach do século XVI e hoje injustamente esquecido…

Pintura

Muito embora El Greco tenha nascido em 1541 na ilha de Creta, e depois se transferido para a Espanha, os nobres já se deixavam retratar por pintores. El Greco aparece bem depois da vida secular de Teresa, numa época de transição, em que se mesclam as culturas bizantina, italiana e espanhola. Domenikos Theotokopoulos, conhecido como El Greco, amadurece seu talento pictórico na Espanha, reduto da Contra Reforma e do poder sagrado, sede da reação às transformações que se processavam na Europa. Quando, mais tarde, já no mosteiro, Teresa é retratada por Frei Miséria e critica-o por pintá-la “feia e remelenta.”

A Família de Teresa

Toledo, centro comercial de incomparável beleza, tinha a fama e a virtude de embelezar a pele e de transluzir os rostos lavados com a água do rio. Era também celebrada a formosura de suas mulheres juntamente com a castidade e honestidade. Não menos era admirável a sua religiosidade.
Nesta cidade, nasceu, por volta de 1440, Juan Sánchez de Toledo, filho de um mercador, judeu converso e casado com Dona Inés de Cepeda, oriunda das Tordesilhas Negociava ele tecidos e sedas. Teve, durante muitos anos, concessão de direitos reais e eclesiásticos que eram reservados aos fidalgos.
Por motivos religiosos, após cumprir penitência, imposta pela Inquisição, muda-se com sua família para Ávila. Dela são conhecidos os nomes de Alvaro, Pedro, Elvira, Lorenzo e Francisco, Hernando morava em Salamanca e Alvaro que ficou em Toledo. Estes toledanos eram considerados como “filhos de bons fidalgos e parentes de bons cavaleiros”.
O pai de Teresa chamado Alonso Sánchez, antes conhecido Pyna, teve dois filhos do casamento com Catalina del Peso y Henao, falecida em 1507, e que eram Maria de Cepeda (1506) e Juan Vásquez de Cepeda (1507). Após a morte da primeira mulher casou-se com Beatriz de Ahumada, mulher singular, quinze anos mais moça e prima terceira da falecida, com quem teve os filhos: Hernando de Ahumada (1510), Rodrigo de Cepeda (1513), Teresa de Ahumada, na madrugada primaveril de 28 de março de 1515, quinta-feira Santa, Lourenzo de Cepeda (1519), Antonio de Ahumada (1521), Jerônimo de Cepeda (1522), Agustin de Ahumada (1527) e Juana de Ahumada (1528). Dona Beatriz morreu em 1543.

O caráter de Teresa

Conforme Ana da Encarnação testemunha nos Processos, Teresa “foi criada e doutrinada pelos pais com grande virtude e recolhimento.”
De seu pai Alonso, Teresa herdou a honradez, a honestidade, a dignidade pessoal, a união familiar e a bondade, retidão moral, finas maneiras docilidade e determinação.
Dona Beatriz de Ahumada, mãe de Teresa, casou-se aos quatorze anos de idade. Era uma bela mulher, frágil, de traços finos e quase infantis, educação discreta, dedicada às leituras excessivas de romances de cavalaria para aliviar seu espírito. Religiosa e devota do rosário educava os filhos com mais liberdade. Graças à corrente cultural promovida pela Rainha, acumulava uma discreta cultura. Dela, Teresa, “a mais querida do pai”, herdou a formosura, a devoção ao rosário e o prazer de ler os romances de cavalaria, escondida do pai. Levou também consigo as enfermidades e enxaquecas. da mãe.
Do avó paterno, Teresa herdou um temperamento aberto, vivência e praticidade de vida, caráter empreendedor e extrovertido, de presença marcante em qualquer negócio e em toda a família. De sua avó materna, o nome Teresa.
O caráter de Teresa formou-se, portanto, de uma mescla de amplitude e de austeridade, de carinho extremo, até mesmo no empreendimento da fuga para o martírio, com seu irmão Rodrigo, e para o convento com o auxílio de outro irmão, Antonio Ahumada, Era devota de Nossa Senhora e outros Santos também, tais como: São José, Santo Alberto, São Cirilo, Todos os Santos , Santos Anjos, Anjo da Guarda, Santos Patriarcas, São Domingos, São Jerônimo, Rei Davi, Santa Maria Madalena, Santo André, O dez mil Mártires, São João Batista, São João Evangelista, São Pedro e São Paulo, Santo Agostinho, São Sebastião, Santa Ana, São Francisco, Santa Clara, São Gregório, São Bartolomeu, Jó, Santa Maria Egípcia, Santa Catarina Mártir, Santa Catarina de Sena, Santo Estêvão, Santo Hilário, Santa Úrsula, Santa Isabel da Hungria, São Miguel Arcanjo, São Martinho, e São Joaquim. Suas devoções advinham da leitura do Flos Sanctorum (Vida dos Santos) que lia com seu irmão Rodrigo. Foi ele o seu maior incentivador nas brincadeira de ermidas, nas leituras ouvidas, nos entretenimentos piedosos, nas cruzes e altares, nos santíssimos nomes de Jesus e de Maria.

cont./

Características físicas

A educação

As amizades

Relacionamento com os irmãos

A morte de Dona Beatriz

A vocação de Teresa

Resumo

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA:

OBRAS COMPLETAS – Teresa de Jesus – Edições Loyola – 1995
TIEMPO Y VIDA DE SANTA TERESA – Efrén de la Madre de Dios y Otger Steggink
Biblioteca de Autores Cristianos – Madrid – 1996
(Tradução livre e não autorizada, mas sem fins lucrativos)

(Pesquisa elaborada por Dyonísio da Silva para o curso de formação da Comunidade Maria, Mãe e Rainha do Carmelo – São Paulo, Jabaquara)

Postado por Luciano Dídimo.

Publicado em OCDS -Província São José – Sudeste – Brasil.

O Papa ao Corpo diplomático: “devem ser garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão” (Agência Fides – 11.01.2011)

Fonte: Agência Fides

11.01.2011

VATICANO – O Papa ao Corpo diplomático: “devem ser garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “A dimensão religiosa é uma característica inegável e irrefreável do ser e do agir do homem… Por isso, quando o próprio indivíduo ou aqueles que o rodeiam negligenciam ou negam este aspecto fundamental, geram-se desequilíbrios e conflitos a todos os níveis, tanto no plano pessoal como no interpessoal”. Assim afirmou o Santo Padre Bento XVI em seu discurso ao Corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, recebido em audiência para os votos de início de ano, em 10 de janeiro. Partindo de sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011, dedicado à liberdade religiosa como “caminho fundamental para a construção da paz”, o Papa tocou no discurso as diversas situações de hoje no mundo nas quais o direito à liberdade religiosa é lesado ou negado.

“Este direito do homem – explicou o Pontífice – “é na realidade, o primeiro dos direitos, porque historicamente se afirmou em primeiro lugar e ainda porque tem como objeto a dimensão constitutiva do homem, isto é, a sua relação com o Criador”. Com o olhar no Oriente, onde numerosos atentados “semearam morte, sofrimento e desconcerto entre os cristãos do Iraque, a ponto de os impelir a deixar a terra onde seus pais viveram ao longo dos séculos”, Bento XVI renovou o apelo às Autoridades e líderes religiosos muçulmanos “a trabalharem para que os seus concidadãos cristãos possam viver em segurança e continuar a prestar a sua contribuição à sociedade de que são membros com pleno título”. Também os ataques terroristas que atingiram fiéis reunidos em uma igreja em Alexandria, no Egito, são “um sinal da urgente necessidade que há de os governos da região adotarem, não obstante as dificuldades e as ameaças, medidas eficazes para a proteção das minorias religiosas”. O Pontífice reiterou em seguida que a “liberdade religiosa não é plenamente aplicada quando se garante apenas a liberdade de culto, demais a mais com limitações”, encorajando programas que, desde a escola primária e no quadro do ensino religioso, eduquem para o respeito de todos os irmãos em humanidade”.

No que diz respeito aos Estados da Península Arábica, “onde vivem numerosos trabalhadores emigrantes cristãos”, o Papa auspiciou que “a Igreja Católica possa dispor de adequadas estruturas pastorais”. O Papa reservou uma menção especial à lei contra a blasfêmia no Paquistão, encorajando as autoridades “a realizarem os esforços necessários para a ab-rogar, tanto mais que é evidente que a mesma serve de pretexto para provocar injustiças e violências contra as minorias religiosas”. Outras situações preocupantes “podem ser mencionadas no Sul e Sudeste do continente asiático” – recordou o Pontífice, evidenciando que “o peso particular de uma determinada religião numa nação não deveria jamais implicar que os cidadãos pertencentes a outra confissão fossem discriminados na vida social ou, pior ainda, que se tolerasse a violência contra eles”. O diálogo inter-religioso è chamado a favorecer “um compromisso comum por reconhecer e promover a liberdade religiosa de cada pessoa e de cada comunidade”.

Enfim, o Santo Padre citou a África, onde os ataques contra lugares de culto na Nigéria, precisamente enquanto se celebrava o Natal de Cristo, são outro “triste testemunho” da violência contra os cristãos. Destaca-se ainda que em vários países, “a Constituição reconhece uma certa liberdade religiosa, mas, de fato, a vida das comunidade religiosas torna-se difícil e por vezes até precária, porque o ordenamento jurídico ou social se inspira em sistemas filosóficos e políticos que postulam um estrito controle – para não dizer um monopólio – do Estado sobre a sociedade”. A este respeito, o Santo Padre pediu “que cessem tais ambiguidades, de maneira que os crentes não se vejam lacerados entre a fidelidade a Deus e a lealdade à sua pátria”. De modo especial, Bento XVI pediu que “sejam garantidas às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão, de acordo com as normas e padrões internacionais neste campo”. O Papa dirigiu também seu pensamento à comunidade católica da China continental e a seus Pastores, “que vivem um período de dificuldade e provação”, e às Autoridades de Cuba, a fim de que o “diálogo, que felizmente se instaurou com a Igreja, se reforce e amplie ainda mais”. Voltando o olhar para o ocidente, o Santo Padre citou outros tipos de ameaças contra o pleno exercício da liberdade religiosa: a “crescente marginalização” da religião, considerada “um fator sem importância, alheio à sociedade moderna ou mesmo desestabilizador”, “chegando a pretender que os cristãos ajam, no exercício da sua profissão, sem referimento às suas convicções religiosas e morais, e mesmo em contradição com elas”. A eliminação da vida pública de “festas e símbolos religiosos, em nome do respeito por quantos pertencem a outras religiões ou por aqueles que não acreditam”. “Reconhecer a liberdade religiosa significa, além disso, garantir que as comunidades religiosas possam agir livremente na sociedade, com iniciativas nos setores social, caritativo ou educativo… Causa preocupação ver este serviço que as comunidades religiosas prestam a toda a sociedade, particularmente em favor da educação das jovens gerações, comprometido ou dificultado por projetos de lei que correm o risco de criar uma espécie de monopólio estatal”.

Outra ameaça à liberdade religiosa das famílias em alguns países europeus é a “participação em cursos de educação sexual ou cívica que propagam concepções da pessoa e da vida pretensamente neutras mas que, na realidade, refletem uma antropologia contrária à fé e à reta razão”. Na parte conclusiva de seu discurso, o Santo Padre recordou alguns princípios aos quais a Santa Sé, com toda a Igreja, se inspira: “em primeiro lugar, aparece a convicção de que não se pode criar uma espécie de escala na gravidade da intolerância com as religiões”; “há que rejeitar também o contraste perigoso que alguns querem instaurar entre o direito à liberdade religiosa e os outros direitos do homem, esquecendo ou negando assim o papel central do respeito da liberdade religiosa na defesa e proteção da alta dignidade do homem”; enfim “não basta uma proclamação abstrata da liberdade religiosa: esta norma fundamental da vida social deve encontrar aplicação e respeito a todos os níveis e em todos os campos”. Depois de recordar também que “a atividade dos Representantes Pontifícios junto dos Estados e das Organizações Internacionais está ao serviço da liberdade religiosa” e ressaltar com satisfação que “as autoridades vietnamitas aceitaram que eu designe um Representante, que há-de com as suas visitas exprimir à querida comunidade católica deste país a solicitude do Sucessor de Pedro”, Bento XVI concluiu “que a religião não constitui um problema para a sociedade, não é um fator de perturbação ou de conflito. Quero repetir que a Igreja não procura privilégios, nem deseja intervir em âmbitos alheios à sua missão, mas simplesmente exercer a mesma com liberdade… Que nenhuma sociedade humana se prive, voluntariamente, da contribuição fundamental que são as pessoas e as comunidades religiosas!”. (SL) (Agência Fides 11/01/2011)

Publicado em Agência Fides.

“Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia” – Exortação do Papa Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo , dia 9 de janeiro (Agência Fides)

Apresentação de Jesus no Templo

 

Fonte/imagem: Blog do Padre Isaías

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Fonte: Agência Fides

10.01.2011
VATICANO – O Papa encoraja os católicos a “redescobrirem a beleza de ser batizados” e recorda o terremoto do Haiti e o empenho pela liberdade religiosa

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia”: esta foi a exortação dirigida pelo Santo Padre Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo, 9 de janeiro. Na festividade do Batismo do Senhor, o Papa administrou o sacramento do Batismo a 21 recém-nascidos, na Capela Sistina. “Este mistério da vida de Cristo – explicou o Papa – demonstra visivelmente que sua vinda na carne é o ato sublime de amor das Três Pessoas divinas. Podemos dizer que a partir deste solene evento, a ação criadora, redentora e santificadora da Santíssima Trindade ficou sempre mais manifesta na missão pública de Jesus, em seu ensinamento, nos milagres, em sua paixão, morte e ressurreição”. Em seguida, Bento XVI recordou que o Messias, Filho do Altíssimo, “ao sair das águas do Jordão, estabeleceu a regeneração no Espírito e abriu àqueles que o querem, a possibilidade de se tornar filhos de Deus. Com efeito, todo batizado adquire o caráter de filho a partir no nome cristão, sinal inconfundível de que o Espírito Santo faz nascer ‘de novo’ o homem do ventre da Igreja”. Enfim, o Papa evidenciou que “o Batismo é o início da vida espiritual, que encontra sua plenitude por meio da Igreja”.
Após a oração do Angelus, o Santo Padre recordou o Haiti, o empenho pela liberdade religiosa, e dirigiu uma saudação aos fiéis coptas com as seguintes palavras: “No contexto da oração mariana, desejo dedicar uma recordação especial à população do Haiti, um ano depois do terrível terremoto ao qual infelizmente, seguiu-se uma grave epidemia de cólera. O Cardeal Robert Sarah, Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, vai hoje à Ilha caribenha expressar a minha constante solidariedade e a de toda a Igreja. Saúdo o grupo de Parlamentares italianos aqui presentes e lhes agradeço, assim como a seus colegas, por seu empenho em favor da liberdade religiosa. Saúdo também os fiéis coptas aqui presentes, a quem renovo a minha amizade”. (SL) (Agência Fides 10/1/2011)

* Links: O texto integral das palavras do Santo Padre no Angelus está em:

Publicado em Agência Fides.

“De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.(…)” – Solenidade dos Três Reis Magos

A Tradição do Natal (o presépio de São Francisco, por exemplo…) nos trouxe até aqui, mesmo que o mundo insista, com todas as forças, em fazer do período natalino, nada mais que uma data de confraternizações. Este é o nosso lastimável tempo. Em todo caso, lembremos da visitação dos Três Reis Magos, que, metaforicamente falando, foram aqueles que acreditaram na poesia que a vinda de um Redentor representaria para o mundo. Vieram inspirados pelos Espírito Santo, e hoje  nos inspiram a ver a vida com simplicidade e grandeza de espírito.

Lembremos por um instante como foi que o Menino Jesus foi recebido por estranhos cheios de esperança e amor…

(LBN)

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Os Três Reis Magos

Também chamados dos Três Homens SábiosTrês homens sábios vindos do Leste, chamados de Magos os quais seguiram a estrela para Belém, em Israel para encontrar Jesus. Eles eram provavelmente Medes da “clã” de Magnus da antiga Babilônia ( moderno Iraque) e eram excepcionais astrônomos. Os Reis Magos anunciaram a sua presença ao Rei Herodes antes seguirem para o local do nascimento de Jesus e oferecerem presentes de ouro, incenso e mirra ao Divino Infante. Avisados por um anjo, em sonhos durante os sono ele retornaram ao seu país por uma rota diferente de modo a evitar o Rei Herodes que suspeitavam de suas intenções malignas. No sexto século, devido a pesquisas mais acuradas, passaram a serem considerados reis de três diferentes raças.

Seus nomes Baltazar, Gaspar e Belchior (em alguns países este ultimo é chamado de Melchior) foram atribuídos a eles no século oitavo, segundo alguns estudiosos, devido a uma visão de um santo. Suas relíquias estão em um santuário em Colonha, na Alemanha.

Desde o século sétimo que os reis magos foram identificados como Gaspar, Melchior e Balthazar. O venerável São Bede (735DC) escreveu:

Os Magos eram aqueles que trouxeram presentes para Senhor: O primeiro Melchior, um velho homem com cabelos brancos e longos que ofereceu ouro como para um Rei. O segundo Gaspar jovem sem barba de complexão rude honrou a Jesus como Deus com o presente de incenso, um presente digno da Divindade. O terceiro um homem de pele escura, muito barbudo de nome Balthazar pelo seu presente de mirra, testemunhou que o Filho do Homem teria que morrer.

Um escrito do calendário dos santos da época medieval impresso no Colégio de Colônia lê : “Tendo passado muitos problemas e muito cansados os três homens sábios se encontraram em Sewa (Sebaste em Armênio) no ano de 54 DC para celebrar a festa do Natal. Assim após a celebração da missa eles morreram: São Melchior com 116 anos em 11 de janeiro, São Baltazar em 6 de jan com 112 anos e São Gaspar em 11 de janeiro com 109 anos. A Martirologia Romana também lista estas datas como as respectivas festas dos magos”.

Sua festa é celebrada no dia 6 de janeiro.

NR:

As relíquias dos três homens sábios ou três reis magos, foram dados ao Arcebispo Von Dassel em 1165 que as levou para Colonha, Alemanha e construiu um santuário para elas. O santuário tornou-se local de peregrinação desde então. Estariam hoje na Catedral de Colonha, Alemanha.

Estudos mais acurados mostram que eles eram astrônomos e sem dúvida sábios (“magos” significava homens de grande sabedoria) e eram de origem real. Provavelmente vierem da Pérsia ou da Arábia visto que a Mirra e Frankincenso eram plantas originárias daquela região.Alem disso quando se falava “homens do oriente ou homens do leste” siginificava vindos da Arábia.

Na viagem de ida, depois do encontro com o Rei Herodes( que deve ter acontecido no seu palácio) eles devem ter tomado o rumo norte e depois de uns 8 km, mudaram o rumo para Belém. Depois de adorarem Jesus teriam, provavelmente, retornado para Sheba, na Pérsia.

Estudos mais recentes indicam que provavelmente eles visitaram Jesus já no seu segundo ano de vida em sua casa. Isto que vem de encontro ao Evangelho de Matheus 2:11 que diz: “E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.” ou seja Ele não era mais um bebê e sim uma criança, e não estava na manjedoura e sim em sua casa.

Alguns estudiosos ainda pensam que era 4 os Reis Magos.Na Catacumba de Domitila foram encontradas relíquias de 4, dois de cada lado e ainda pinturas de mestres famosos como Velasques e Boticcelli, mostram 4 pessoas em vez de três. Mas, como foram dados apenas três presentes é de se presumir que eram três.

De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.

Alem disto o Evangelho de Matheus, 2:11 diz:

“Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.
E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.”

O que leva a crer que Jesus já se encontrava em uma casa em Belém.

Postado por Ivson de Moraes Alexandre.

Publicado em: Curiosidades Católicas – “Os Três Reis Magos.

Bento XVI, em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal afirmou: “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”

Imagem:Wikimedia Commons

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VATICANO – “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”: Bento XVI à Cúria Romana

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal, em 20 de dezembro, o Santo Padre Bento XVI recordou, como de costume, nesta ocasião, os principais acontecimentos do ano passado. Em primeiro lugar, o Papa citou o Ano Sacerdotal que renovou nos sacerdotes e leigos “a consciência do dom que representa o sacerdócio da Igreja Católica, que nos foi confiado pelo Senhor”. No entanto, destacou o Santo Padre, “ficamos chocados quando este ano e numa dimensão para nós inimaginável, tivemos conhecimento de abusos contra menores cometidos por sacerdotes, que desvirtuam o Sacramento, sob o manto do sagrado ferem profundamente a pessoa humana na sua infância, prejudicando-a por toda a vida”. Citando uma visão de Santa Hildegarda de Bingen, o Papa disse: “Na visão de Santa Hildegarda, o rosto da Igreja está coberto de poeira, e é assim que nós, o temos visto. A sua roupa está rasgada – por causa da culpa dos sacerdotes. Assim como ela viu e expressou, o vimos este ano. Devemos aceitar essa humilhação como um chamado à verdade e um chamado à renovação”. Após reiterar que “estamos conscientes da especial gravidade deste pecado cometido por sacerdotes e de nossa co-responsabilidade”, o Santo Padre convidou a olhar para o contexto do nosso tempo: “existe um mercado da pornografia concernente às crianças, que de alguma forma parece ser considerado sempre mais pela sociedade como uma coisa normal. Dos bispos de países do Terceiro Mundo ouço sempre de novo como turismo sexual ameaça toda uma geração e a danifica em sua liberdade e em sua dignidade humana … Neste contexto, se coloca o problema da droga, que com força crescente estende seus tentáculos de polvo ao redor do globo terrestre”. “O segundo tema de reflexão em causa foi o da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, que começou com a viagem a Chipre para a entrega do Instrumentum Laboris aos bispos dos países que se reuniram ali. “No Sínodo o olhar se deteve sobre todo o Oriente Médio – disse o Papa -, onde convivem fiéis pertencentes a diferentes religiões e também muitos ritos e tradições… Nos acontecimentos dos últimos anos foi abalada a história de partilha, as tensões e as divisões aumentaram de modo que sempre de novo com espanto somos testemunhas de atos de violência que já não respeita o que para o outro é sagrado, no qual aliás caem as elementares regras da humanidade. Na situação atual, os cristãos são a minoria mais oprimida e atormentada… Com base no espírito de fé e na racionalidade, o Sínodo desenvolveu um grande conceito do diálogo, perdão e aceitação mútua, um conceito que agora quero gritar ao mundo. O ser humano é um e a humanidade é uma só. O que em qualquer lugar é feito contra o homem, no final prejudica a todos. Assim, as palavras e os pensamentos do Sínodo devem ser um grito forte às pessoas com a responsabilidade política ou religiosa para que acabem com a cristãofobia; para que se levantem para defender os refugiados e os que sofrem e revitalizar o espírito de reconciliação. Em última análise, a cura pode vir somente de uma fé profunda no amor reconciliador de Deus. “Dar força a esta fé, nutri-la e deixá-la brilhar é a principal tarefa da Igreja nesta hora”. Enfim, Bento XVI falou de sua viagem no Reino Unido, recordando o encontro com o mundo da cultura na Westminster Hall, e a beatificação do Cardeal John Henry Newman. Além disso, mencionou a viagem a Malta, Portugal e Espanha, onde “se tornou visível novamente que a fé não é uma coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora. “Ele nos chama em questão e se opõe à nossa preguiça, e nos abre o caminho para a verdadeira alegria”. (SL) (Agência Fides 21/12/2010)

Link relacionado

“«Pôs os olhos na humildade da Sua serva» (Lc 1, 48)” – Comentário ao Evangelho por Ludolfo de Saxe (c. 1300-1374) – (SpeDeus – 23 de dezembro)

 

Imagem/texto: Infância e Adolescência Missionária – “Uma Historinha de Natal” – São João del Rei

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Fonte: SpeDeus

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Ludolfo de Saxe (c. 1300-1374), dominicano, mais tarde cartuxo em Estrasburgo

A Vida de Jesus Cristo (a partir da trad. Au Commencement, Parole et Silence 2004, pp. 81ss. rev.)

«Pôs os olhos na humildade da Sua serva» (Lc 1, 48)

A concepção de Nosso Senhor foi prefigurada pelo arbusto a arder que se queimava sem perder o viço (Ex 3, 2), tal como Maria concebeu o seu divino Filho sem perder a virgindade. O Senhor, que morava nesse arbusto a arder, habitou igualmente no seio de Maria. Do mesmo modo que desceu ao arbusto para libertar os hebreus e tirá-los do Egipto, Ele também desceu a Maria para resgatar os homens e arrancá-los ao inferno.

A escolha de Maria, feita por Deus entre todas as mulheres para Se revestir da nossa carne, foi também prefigurada pelo velo de Gedeão (Jz 6, 36 ss.). Com efeito, do mesmo modo que só aquele velo acolheu o orvalho celeste enquanto toda a terra à sua volta estava seca, assim apenas Maria ficou cheia desse orvalho divino do qual no mundo inteiro se mostrou digna mais nenhuma criatura. A Virgem Maria é este velo com o qual Jesus fez para Si uma túnica. O velo de Gedeão recebeu o orvalho do céu sem ficar adulterado; Maria concebeu o Homem-Deus sem alterar a sua virgindade.

Jesus, Filho de Deus vivo, que pela vontade do Pai celeste e a cooperação do Espírito Santo saíste do seio de Deus Pai assim como o rio manou do Paraíso de delícias (Gn 2, 10), e visitaste as profundidades dos nossos vales ao olhar para a humildade da Tua serva, descendo assim ao seio duma virgem no qual, por inefável concepção, foste revestido de carne mortal, suplico-Te, misericordioso Jesus, pelos méritos desta Virgem, Tua Mãe, que espalhes a Tua graça sobre mim, indigníssimo servo, a fim de que Te deseje com ardor, e pelo Teu amor Te conceba no meu coração para que, com o auxílio dessa graça, possa produzir o fruto salutar das boas obras. Amen.

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(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Publicado em SpeDeus.