“AO NASCIMENTO DE JESUS”, “PARA A NATIVIDADE”, “AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS” – Poesias XI-XIII-XIV – Santa Teresa de Jesus

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
A caminho de Belém..

Fonte/imagens: Blog da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José (Liturgia)

“Deus se faz um Menino indefeso a fim de vencer a soberba, a violência, o ímpeto de possuir do homem.”

(Bento XVI – 23/12/2009)

Frase extraída do Blog da OCDS.
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Fonte: Obras Completas – Santa Teresa de Jesus – Edição brasileira estabelecida a partir de texto revisado e anotado por Frei Tomas de La Cruz O.C.D.  Editorial Monte carmelo, Burgos, 1997. Edições Loyola,  2002 (2ª edição), São Paulo, Brasil.

Nota 1 (pg.983) – Poesia XI Nas poesias que tratam do nascimento do Menino Deus, Santa Teresa figura os pastores (Gil, Vicente, Pascoal, Brás, Menga, etc.) falando entre si.

XI

AO NASCIMENTO DE JESUS

Ò pastores que velais,

A guardar vosso rebanho, Eis que vos nasce um Cordeiro,

Filho de Deus soberano.

Vem pobre, vem desprezado,

Tratai logo de o guardar.

Porque o lobo o há de levar

sem que o tenhamos gozado.

– Gil, dá-me aquele cajado.

Vou tê-lo nas mãos todo o ano,

Não se nos leve o Cordeiro:

Não vês que é Deus Soberano?

Sinto-me todo aturdido

De gozo e pena. e pergunto:

– Se é Deus o que hoje é nascido,

Como pode ser defunto?

É que é homem e Deus junto;

governa o destino humano;

Olha que o nosso Cordeiro

Filho é Deus Soberano.

Não sei para que é que o pedem,

Pois lhe dão depois tal guerra.

-Olha, Gil melhor será

Que se torne à sua terra…

Mas se todo o bem encerra,

E apaga o pecado humano,

Já que é nascido, padeça

Este Deus tão soberano.

Pouco te dói sua pena!

Tanto é certo que esquecemos

O que os outros por nós sofrem,

Se proveito recebemos!

No vês que um dia o teremos

Pastor do gênero humano?

Contudo é coisa tremenda

Que morra Deus soberano.

****

XIII

PARA A NATIVIDADE

Já Deus nos há dado

O amor: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

Seu Único Filho

O Pai nos envia:

Nasce hoje na lapa,

Da Virgem Maria.

O homem – que alegria!

É Deus: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Olha bem, Viente:

Que amor! e que brio!

Vem Deus, inocente,

A padecer de frio;

Deixa o senhorio

Que tem; assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Mas como Pascoal,

tem tanta franqueza,

Que veste saial,

Deixando riqueza?

Mais quer a pobreza!

Sigamo-lo pois:

Se já vem feito homem,

Morramos os dois.

Mas qual sua paga

Por tanta grandeza?

– Só grandes açoites

Com muita crueza.

– Que imensa tristeza

Teremos depois!

Ah! se isto é verdade,

Morramos os dois.

– Mas como se atrevem,

sendo Onipotente?

– Será morto um dia

Por perversa gente.

–  Se assim é, Vicente,

Furtemo-lo pois:

-Não vês que o deseja?

Morramos os dois!

****

XIV

AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS

Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

– Grande rumos ouço ao longe

Que parece cantilena,

– vamos ver, Brás, – que amanhece –

A Zagala tão serena.

–  Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

Será do alcaide parenta?

Ou quem é esta donzela?

É Filha do Eterno Padre

E reluz como uma estrela.

Galego, quem chama aí fora?

São Anjos, à luz da aurora.

São João da Cruz, o “Doutor Místico” – 14 de dezembro (memória) – Site “Igrejas Católicas Orientais”

Fonte/imagem-textos: Igrejas Católicas Orientais http://www.igrejascatolicasorientais.com/ : “Una, Santa, Católica e Apostólica – A Igreja de Jesus Cristo)   –  http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm

….

SÃO JOÃO DA CRUZ: O DOUTOR MÍSTICO

Conheçamos mais um dos baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador, São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de junho, em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.  Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina Del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina Del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina Del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.

Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da “Noite Escura da alma”, da “Subida do monte Carmelo”, do “Cântico Espiritual” e da “Chama de amor viva”.

A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena ““.Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor “, disse o Santo”.Fomos feitos para o amor ““.O único instrumento do qual Deus se serve é o amor ““.Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus ““.

O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes.  Seu corpo foi trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI. Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: “Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal”.Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência”. Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa a forte influência que dele recebeu: “Ah, que luzes hauri nas obras de Nosso Pai São João da Cruz!… Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual…” (MA 83r).

PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Extraídos do livro “O Amor não cansa nem se cansa”, seleção de textos feita por Frei Patrício Scidiani, ocd, Editora Paulus, 2a. ed.

Dizem assim:

Para chegares a saborear tudo,

Não queiras ter gosto em coisa alguma.

Para chegares a possuir tudo,

Não queiras possuir coisa alguma.

Para chegares a ser tudo,

Não queiras ser coisa alguma.

Para chegares, a saber, tudo,

Não queiras saber coisa alguma.

Para chegares ao que não gostas,

Hás de ir por onde não gostas.

Para chegares ao que não sabes,

Hás de ir por onde não sabes.

Para vires ao que não possuis,

Hás de ir por onde não possuis.

Para chegares ao que não és,

Hás de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:

Quando reparas em alguma coisa,

Deixas de arrojar-te ao tudo.

Porque para vir de todo ao tudo,

Hás de negar-te de todo em tudo.

E quando vieres a tudo ter,

Hás de tê-lo sem nada querer.

Porque se queres ter alguma coisa em tudo,

Não tens puramente em Deus teu tesouro.

Que mais queres, ó alma, e que mais buscas fora de ti,

se encontras em teu próprio ser a riqueza, a satisfação,

a fartura e o reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas?

….

Em teu recolhimento interior, regozija-te com ele, pois ele está muito perto de ti.

A alma que verdadeiramente ama a Deus não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada.

Ó Senhor, Deus meu! Quem te buscará com amor tão puro e singelo que deixe de te encontrar, conforme o desejo de sua vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e a sair ao encontro daqueles que te desejam?

A alma que busca a Deus e permanece em seus desejos e comodismo, busca-o de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois o busca de dia.

Quando a pessoa abre e se liberta de todo condicionamento, e une perfeitamente sua vontade à de Deus, transforma-se naquele que lhe comunica o ser sobrenatural, de tal maneira que se parece com o próprio Deus e se deixa possuir totalmente por ele.

O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é ele.

A pessoa, cujo estado de perfeição não corresponde à sua própria capacidade, jamais gozará da verdadeira paz e satisfação, porque, em suas faculdades, não chegou ainda àquele grau de despojamento, que se requer para a simples união.

O centro da alma é Deus. Quando a pessoa se encontra com ele, em todas as suas faculdades, energias e desejos, terá atingido o cerne e a raiz mais profunda de si mesma, que é Deus.

Nesta desnudez acha o espírito sua quietação e descanso, pois nada cobiçando, nada o fatiga para cima e nada o oprime para baixo, por estar no centro de sua humildade. Porque quando alguma coisa cobiça, nisto mesmo se cansa e atormenta.

Quanto mais a pessoa se aproxima de Deus, mais profundas são as trevas que sente, e maior a escuridão, por causa de sua própria fraqueza. Assim, quanto mais alguém se aproxima do sol, sentirá, com seu grande resplendor, maior obscuridade e sofrimento, em razão da fraqueza e incapacidade de seus olhos.

Quem não procura senão a Deus não anda nas trevas, por mais fraco e pobre que seja.

Todo poder e liberdade do mundo, comparados com a soberania e a independência do espírito de Deus, são completa servidão, angústia e cativeiro.

Deus é inacessível. Não repares, portanto, no que as tuas faculdades podem compreender, nem teus sentidos experimentar, para que não te satisfaças com menos e assim perderes a presteza necessária para chegar a ele.

As visões e apreensões dos sentidos não têm proporção alguma com Deus: não podem servir de meio para a união com ele.

Quando a pessoa ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele.
A criatura atormenta, e o espírito de Deus gera alegria.
A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.
O caminho da vida é de muito pouco ativismo e barulho. Requer mais mortificação da vontade do que muito saber. Caminhará mais quem carregar consigo menos coisas e desejos.
Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo.
A fé e o amor são os dois guias de cego que te conduzirão, através de caminhos desconhecidos, até os segredos de Deus.
O caminho que conduz a vós, Senhor, é caminho santo que se percorre na pureza da fé.
A esperança em Deus só pode ser perfeita quando se afasta da memória tudo o que se contrapõe a Deus.
O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado.
Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos.
Criatura alguma merece amor senão pelo bem que nela há. Amar desse modo é amar segundo a vontade de Deus e com grande liberdade; e se este amor nos une à criatura, mais fortemente ainda nos une ao Criador.
Quanto mais se acredita em Deus e se serve a ele sem testemunhos e sinais, tanto mais ele é exaltado pelo homem.
O amor não cansa nem se cansa.
Onde não há amor, põe amor e colherás amor.
Para quem ama, a morte não pode ser amarga, pois nela se encontram todas as doçuras e alegrias do amor. Sua lembrança não é triste, mas traz alegria. Não apavora nem causa sofrimento, pois é o término de todas as dores e o início de todo bem.
Para se progredir, o que mais se necessita é saber calar diante de Deus… A linguagem que ele melhor ouve é a do silêncio de amor.
No ocaso da vida serás examinado sobre o amor. Aprende a amar a Deus como ele quer ser amado.
Quando tiveres teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis.
O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.
À medida que Deus prova o espírito e o sentido, a pessoa vai adquirindo, com sofrimento, virtudes, forças e perfeição.
Enquanto a pessoa não se despojar de tudo, não terá capacidade para receber o espírito de Deus em pura transformação.
O que busca satisfação em alguma coisa não está livre para que Deus o plenifique de seu inefável sabor.
Ainda que estejas no sofrimento, não queiras fazer a tua vontade, pois terás assim o dobro de sofrimento.
Quanto mais Deus quer-se dar, tanto mais desperta em nós o desejo dele, até deixar-nos vazios para encher-nos de seus bens.
A amplidão do deserto ajuda muito o espírito e o corpo. O Senhor se compraz quando também o espírito tem o seu deserto.
Sofrer por Deus é melhor que fazer milagres.
É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.
Põe a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa particular a seu respeito.
Quando a alma deseja a Deus com toda a sinceridade, já possui o seu Amado.
Abandone-se a alma nas mãos de Deus e não queira ficar em suas próprias mãos; fazendo assim e deixando livres as potências, caminhará segura.
Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo.
Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala.
Queres alguma palavra de consolação? Olha o meu Filho, submisso, humilhado, por meu amor, e verás quantas palavras te responde.
Não é bem orientado o espírito que quer caminhar por doçuras e facilidades, fugindo de imitar a Cristo.
A pessoa crucificada interior e exteriormente com Cristo viverá feliz e satisfeita e, na paciência, possuirá a sua alma.
Se quiseres chegar a possuir Cristo, jamais o busques sem a cruz.
Não te detenhas em coisas mesquinhas, nem repares nas migalhas que caem da mesa de teu Pai. Sai, e gloria-te em tua glória; esconde-te nela e aí goza, e alcançarás os pedidos de teu coração.
O amor é a união do Pai e do Filho: e assim é a união da alma com Deus.

Embora a alma tenha altíssimas revelações divinas, a mais elevada contemplação, a ciência de todos os mistérios… Se lhe falta amor, de nada lhe servirá para unir-se a Deus.

Deus só coloca sua graça e predileção numa alma, na medida da vontade e do amor da mesma alma.

O olhar de Deus é amar e conceder favores.

Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua suavidade e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta.

Como a alma já possui, enfim, perfeito amor, é chamada Esposa do Filho de Deus.

Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo o seu lucro.

Não basta que Deus que nos ame para dar-nos virtudes; é preciso que, de nossa parte, também o amemos, a fim de podermos recebê-las e conservá-las.

É próprio do perfeito amor nada querer admitir ou tomar para si, nem se atribuir coisa alguma, mas tudo referir ao Amado. Se nos amores da terra é assim, quanto mais no amor de Deus.

Para Deus, amar a alma é, de certa maneiram integrá-la em si mesmo, igualando-a consigo; ama, então, essa alma, nele e com ele, com o próprio amor com que se ama.

O olhar de Deus produz na alma quatro bens, isto é, a purificam, a favorecem, a enriquecem e a iluminam. É como o sol que, dardejando na terra os seus raios, seca, aquece, embeleza e faz resplandecer os objetos.

Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde.

Amado meu, tudo o que é difícil e trabalhoso o quero para mim, e tudo o que é suave e saboroso o quero para ti.

Na união com o Amado, à alma verdadeiramente se rejubila e louva a Deus, com o mesmo Deus, e assim este louvor é perfeitíssimo e muito agradável a ele.

Oh, que bens serão aqueles que gozaremos com o olhar da SANTÍSSIMA TRINDADE!

Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade do que todas as ações que realizas por ele.

O falar distrai e o silêncio na ação leva ao recolhimento e dá força ao espírito.

Nenhuma representação ou imaginação serve de meio próximo para a união com Deus; portanto, deve a alma despojar-se de todas elas.

Aprendam a permanecer em Deus, com atenção amorosa, com calma, sem se preocuparem com a imaginação e com as imagens que ela forma. Assim, as faculdades descansam e não atuam; recebem passivamente a ação divina.

Grande mal é olhar mais para os bens de Deus do que para o próprio Deus. Ele pede oração e despojamento.

Ao que está desprendido, não lhe pesam cuidados, na hora da oração ou fora dela.

Para entrar no caminho do espírito (que é a contemplação) deve a pessoa espiritual deixar o caminho da imaginação e da meditação sensível.

O Senhor se comunica passivamente ao espírito, assim como a luz se comunica passivamente a quem não faz mais que abrir os olhos para recebê-la.

É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.

(São João da Cruz)

SÃO JOÃO DA CRUZ – ” O ROUXINOL DO CARMELO”, CRONOLOGIA, OBRAS E SÍNTESE ESPIRITUAL

a) CRONOLOGIA
1542: Nasce em Fontiveros (Ávila), talvez no dia 24 de junho, filho do casal Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez.

1548: Vai residir em Arévalo.

1551: Muda com a família para Medina Del Campo.

1559-63: Cursa humanidades com os Jesuítas de Medina.

1563: Veste o hábito carmelitano, recebendo o nome de Fr. Juan de San Matias, em Medina Del Campo.

1564-68: Professa os votos e estuda em Salamanca na Universidade e no Colégio de San Andrés.

1567: Ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa em Medina.

1567: Em setembro se encontra com a Santa Madre Teresa, que lhe fala sobre o projeto da Reforma da Ordem, também entre os religiosos.

1568.28.11: Em Duruelo começa a Reforma com o PE Antonio de Jesús Heredia.

1568-71: Mestre dos noviços em Duruelo, Mancera e Pastrana.

1569: Abre-se o convento de Pastrana e o Santo vai para lá, a fim de suavizar a excessiva dureza de sua vida.

1570: A comunidade de Duruelo se transfere para Mancera

1571: Abril.  Nomeado Reitor do Colégio de Alcalá.

1572-77: Confessor e Vigário na Encarnação, em Ávila.

1577: Na noite de três para 4 de dezembro é levado para o cárcere de Toledo, onde ficará até 15 de agosto de 1578.

Outubro. Prior de Calvano (Jaén).

1579. Reitor do colégio de Baeza.

1581: Março. No Capítulo de Alcalá é nomeado terceiro Definidor, Provincial e Prior de Granada.

1583: Maio. Reeleito Prior de Granada.

1585: Maio. Em Lisboa foi eleito segundo Definidor e em outubro o nomeiam Vigário Provincial de Andaluzia.

1586: Faz a fundação dos padres em Córdoba, Manchuela e Caravaca.

1587: No Capítulo de Valladolid o nomeiam pela terceira vez Prior de Granada.

1588: Junho. No Primeiro Capítulo Geral celebrado em Madrid é nomeado Primeiro Definidor Geral, Prior de Segóvia e Terceiro Conselheiro de consulta.

1591: Junho. Assiste ao Capítulo Geral em Madri e terminam todos os seus cargos.

1591.14.12: Morre em Ubeda (Jaén), à meia-noite, aos 49 anos.

1593: Maio.  Seu corpo é trasladado para Segóvia.Segóvia

1618: Primeira edição de suas obras em Alcalá.

1675.25.1: Beatificado por Clemente X.

1726.27.12: Canonizado por Bento XIII.

1926.24.8: Declarado Doutor Místico da Igreja por Pio Xl.

1952.21.3: Proclamado patrono dos poetas espanhóis.

b) RETRATO DO SANTO
Parece que não se conserva nenhum retrato pessoal, feito a pincel, nenhum desenho.

Mas se conservam maravilhosas descrições de muitos que conviveram com ele e apresentaram depoimentos para o seu processo de beatificação.

Certamente a mais bela e completa descrição foi-nos deixada pelo PE Eliseu dos Mártires, que conviveu com o santo no Colégio de Baeza. Ele nos diz:

“Tinha estatura média, dono de rosto sério e venerável, um pouco moreno e de boa fisionomia; bom no trato e de boa conversação, agradável, homem muito espiritual que trazia muito proveito para os que o ouviam e com ele se comunicavam. E isto o fez tão de modo tão especial e singular, que todos que o procuravam, homens e mulheres, saiam espiritualizados, piedosos e cheios de virtudes.”

Viveu intensamente a oração como trato com Deus. Todas as questões que lhe eram apresentadas sobre estas questões eram respondidas com alta sabedoria, deixando àqueles que o consultavam muitos satisfeitos.

Foi amigo da vida em recolhimento e do pouco falar. Seu riso não era muito freqüente. Era uma pessoa compenetrada.

Quando Superior, o que foi muitas vezes, quando precisava repreender, o fazia com doce severidade, exortando com amor paternal, movido por admirável serenidade e seriedade.

c) PINCELADAS DE SANTA TERESA

* O padre Frei João da Cruz é uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celeste.

* Ainda criança, tornou-se grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque toda sua vida foi de grande penitência. Muito me animou a virtude e o espírito que o Senhor lhe deu. Tem uma vida farta em oração e um bom entendimento das coisas de Deus.

* Todos têm Frei João da Cruz como santo.

* “Os ossos daquele pequeno corpo farão milagres”.

d) SUAS OBRAS
Poucos falaram dos mistérios sublimes de Deus na alma e da alma em Deus como este angelical Carmelita de Fontiveros.

Sua prosa e sua poesia são divinas e, como muito bem disse Menéndez y Pelayo, “não se podem avaliar com critérios literários, porque o espírito de Deus embelezou-lhe tudo”.

I. -OBRAS MAIORES:

1. Subida ao Monte Carmelo: É sua obra fundamental. É quase uma única obra com a Noite Escura, começada no Calvário de Jaén, em 1578, e depois continuada em Baeza e Granada.

2. Noite Escura da alma:
A) Livro primeiro, Noite passiva do sentido; consta de 14 cap.
B) Libro segundo: Noite passiva do espírito, consta de 25 cap.

3. Cântico Espiritual. É a mais bela obra do santo. 30 estrofes foram escritas no cárcere. Trata da união com Deus. Consta de 40 estrofes e se divide em três partes.

4. Chama Viva de Amor. Escrita em Granada entre 1585 e 1587, em quinze dias. É o livro mais ardente de todos. Consta de quatro canções com seis versos cada uma.

II. OBRAS MENORES:

1. Avisos: Conselhos que dava às monjas de Beas, quando era seu Confessor.
2. Cautelas: Escreveu-as para as mesmas monjas.
3. Quatro conselhos a um religioso.
4. Cartas: Conservam-se apenas 32 cartas. Devido ao processo que abriram contra ele, muitas cartas foram destruídas.
5. Poesias: As principais são as que aparecem nos grandes tratados: Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama.
É sem dúvida o que melhor se escreveu em espanhol.

6. DITOS DE LUZ E AMOR:

Frases de direção para suas carmelitas, que o Santo escrevia ocasionalmente.

A obra sanjuanista – escreveu um ilustre teresianista – se divide em duas partes: “A ensinar os métodos para se conseguir o vazio dos sentidos e as potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os dois primeiros tratados de profunda doutrina espiritual e forte consistência: A Subida e a Noite.

Ninguém cantou melhor os amores divinos que o rouxinol do Carmelo. Algumas poesias imediatamente inflamam a alma no mesmo amor em que Deus se abrasa. Sobre seu inspirado lirismo, sobrevoa seu profundo sentido místico.

7) SUA ESPIRITUALIDADE
Impossível sintetizar o maravilhoso magistério vivo e ensinado pelo Doutor Místico em tão breves linhas. O Doutor é a máxima figura mística do Carmelo. À vida ele une a doutrina e a ciência. A santa vida e a ciência sagrada ou a teologia mística são uma só realidade, como o provam suas magníficas obras. Pio XI, que lhe deu o título de Doutor Místico da Igreja, batizou suas obras como “Código e escola da alma fiel que se propõe a empreender uma vida mais perfeita”.  Aqui seguem algumas observações sobre sua rica espiritualidade:

O Santo, em seus escritos, tem sempre presente o fim da vida espiritual, ou seja, Deus, levar as almas a Deus. E subjetivamente uni-las a ele por amor, quer dizer, deseja levar a transformação perfeita em Deus por amor o quanto é possível nesta vida seguindo-se a Jesus Cristo.

Em sua admirável obra recorda a seus leitores freqüentemente o cume daquela montanha e deseja que todos a subam. Ela é a sublime perfeição à qual os encaminha com suas palavras e exemplos convincentes.

Seu raciocínio demonstra que esta subida é necessária porque é um meio indispensável para se despojar de todas as outras coisas, obstáculos para a suprema transformação da alma em Deus.

João da Cruz era um profundo conhecedor do coração humano. Por isso, “como o amor de Deus e o amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino”.

E tanto maior será este investimento e plenitude, quanto maior for o vazio da criatura que acha na alma: “Olvido do que é criado, memória do criador, atenção ao interior, e estás amando o Amado”.

Ao ensino os métodos para conseguir este vazio nos sentidos e potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os tratados “Subida ao Monte Carmelo” e “Noite Escura da Alma”, ambos de profunda doutrina espiritual e de forte liame lógico.

No Cântico Espiritual e na Chama Viva do Amor, entre metáforas e comparações esplêndidas, tomadas da natureza, vai-se descortinando pouco a pouco as excelências do amor divino nas almas desde os graus inferiores aos mais altos do esposamento e matrimônio espiritual.

Em síntese, pode-se dizer que a grande originalidade do magistério espiritual sanjuanista e o segredo de sua vitalidade encontra-se precisamente na íntima relação entre abnegação e união na vida sobrenatural e, para usar sua terminologia clássica, entre o nada o tudo, que se fundem um no outro.

São João da Cruz, o Doutor Místico, influenciou grandemente a espiritualidade cristã. Alimentou, quando vivo, através de sua direção espiritual e depois de falecido com seus escritos imortais.

Especialmente depois que foi declarado Doutor da Igreja Universal em 1926, suas obras são lidas e citadas por todos os autores espirituais.

Inclusive nossos irmãos da Igreja Anglicana, da Comunidade de Taizé e da Igreja Ortodoxa confessam sua predileção pelo carmelita de Fontiveros.

Literatos, poetas, cientistas e até não-crentes ficam admirados ante a profundidade e a beleza que brotam dos escritos sanjuanistas.

Sua Mensagem

Que Descubramos o tesouro da Cruz;

Que a oração e o silêncio nos levem a descobrir a Deus;

Que sejamos dóceis às inspirações do alto;

Que saibamos perdoar a todos os que nos ofendem.

….

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
Saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!
A ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma coisa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!
Ó Noite amável mais do que a alvorada!
Ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

….

Tradução de Jorge de Sena [poema].

Postado por “Igrejas Católicas Orientais” – http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm

“Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do Teu Filho…” – Prece de celebração litúrgica – Festividade da Imaculada Conceição da Virgem Maria (Spe Deus – 8 de dezembro)

PREPARAÇÃO AO ADVENTO – 23 DE NOVEMBRO (ÚLTIMA SEMANA DO TEMPO COMUM) – ‘A ANUNCIAÇÃO DO SENHOR”

Fonte: SERVOS DE CRISTO SACERDOTE

A Santa Igreja vive nesta semana a última do Tempo Comum, prefiguração da  Escatologia Final, quando o Senhor vier no fim dos tempos para dar a cada um segundo as suas obras. Os Servos de Cristo Sacerdote propõem a audição de obras solenes e graves, que servirão de ajuda à meditação na brevidade da vida e contemplação na Omnipotência Divina, intercaladas com o canto em gregoriano do «Dies Irae», cujo texto aparece em baixo em latim e português, Dies Irae (“Dia de Ira”) é um famoso hino, em latim, do século XIII. Pensa-se que foi escrito por Tomás de Celano. Sua inspiração parece vir da Vulgata, tradução de Sofonias 1:15–16. Originalmente era a  sequência da Missa de Defuntos, depois da Reforma Conciliar, a Igreja propõe-o para a celebração da Liturgia das Horas precisamente na Última Semana do Tempo Comum.

ESCATOLOGIA
SEGUNDO O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

§676 Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realizar-se para além dela, por meio do juízo escatológico: mesmo em sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de milenarismo, sobretudo sob a forma política de um messianismo secularizado, “intrinsecamente perverso”.

§1186 Finalmente, a igreja tem um significado escatológico. Para entrar na casa de Deus, é preciso atravessar um limiar, símbolo da passagem do mundo ferido pelo pecado para o mundo da vida nova ao qual todos os homens são chamados. A igreja visível simboliza a casa paterna para a qual o povo de Deus está a caminho e na qual o Pai “enxugará toda lágrima de seus olhos” (Ap 21,4). Por isso, a igreja também é a casa de todos os filhos de Deus, amplamente aberta e acolhedora.

§2771 Na Eucaristia, a Oração do Senhor manifesta também o caráter escatológico de seus pedidos. E a oração própria dos “últimos tempos”, dos tempos da salvação que começaram com a efusão do Espírito Santo e que terminarão com a Vinda do Senhor. Os pedidos ao nosso Pai, ao contrário das orações da Antiga Aliança, apoiam-se sobre o mistério da salvação já realizada, uma vez por todas, em Cristo crucificado e ressuscitado.

§2776 A Oração dominical é a oração da Igreja por excelência. É parte integrante das grandes Horas do Oficio Divino e dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Integrada na Eucaristia, ela manifesta o caráter “escatológico” de seus pedidos, na esperança do Senhor, “até que Ele venha” (1 Cor 11,26)
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"A Mãe de Cristo estava junto à cruz" - São Bernardo, abade (Sermão séc. XIi)

Fonte/imagens e textos adicionais:  http://servosdecristosacerdote.blogspot.com/

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"Mater Dolorosa" - Carlo Dolci

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Fonte: Spe Deus «Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) – http://spedeus.blogspot.com/

Imaculada Conceição de Nossa Senhora*

O pecado original é uma realidade misteriosa e pouco evidente para nós enquanto comporta um prolongamento da culpa dos progenitores até todos nós. Neste dia, nós o consideramos na sua conspícua excepção ou melhor no singular privilégio concedido a Maria, que foi dele preservada desde o primeiro instante da sua concepção, da sua existência humana. O valor doutrinal desta festividade é manifesto na prece da celebração litúrgica, que sublinha o privilégio concedido à futura Mãe de Deus; “Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparaste ao teu Filho uma morada digna dele…”, e a própria natureza deste privilégio, enquanto não subtrai Maria à Redenção universal efectuada por Cristo: “Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do teu Filho…”

Antes que Pio IX, com a bula Ineffabilis Deus em 1854, definisse solenemente o dogma da Imaculada Conceição, não obstante as hesitações de alguns teólogos, que podiam apelar para o próprio São Tomás de Aquino, tinha-se chegado a um desenvolvimento não só da devoção popular para com a Imaculada mas também nas intervenções dos papas a favor desta celebração. Antes que o calendário romano incluísse a festa em 1476, esta já havia aparecido no Oriente no século sétimo, e contemporaneamente na Itália meridional dominada pelos bizantinos.

Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e finalmente em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória, a toda a cristandade. Mas desde a origem do cristianismo Maria foi venerada pelos fiéis como a TODA SANTA. No primeiro esboço da festa litúrgica da Conceição, anterior ao século sétimo, nota-se, se não a profissão explícita da isenção da culpa original, pelo menos uma persuasão teologicamente equivalente. “Potuit, decuit, ergo fecit”, havia argumentado um brilhante teólogo medieval: “Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez.” Do infinito amor de Cristo para com a Mãe, que a pré-redimiu e a cumulou do Espírito Santo desde o primeiro instante da sua existência, derivou este singular privilégio, que a Igreja hoje celebra para nos fazer meditar sobre a beleza de toda alma santificada pela graça redentora de Cristo.

Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Virgem apareceu a Santa Bernadette Soubirous. Para a menina que, timidamente, perguntava: “Senhora, quer ter a bondade de me dizer o seu nome?”, Maria respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição.”

(*)Padroeira de Portugal e de Moçambique

(Fonte: Evangelho Quotidiano)
Publicada por JPR em Terça-feira, Dezembro 08, 2009.

Nossa Senhora responde a Santa Catarina Labouré, irmã vicentina: “Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens.” – Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – 27 de novembro de 1830 (SSVP – Conferência Vicentina Nossa Senhora das Graças – Criciúma-SC)

Fonte: Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) – Criciúma-SC

Nossa Senhora das Graças

Também conhecida como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: “A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: ‘Este globo que vês representa o mundo inteiro (…) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.’ Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa.

Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: ‘Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.’

“Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.

A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.

O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: “A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha”.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: “Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens.”

Oração à Nossa Senhora das Graças

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Amém.

Rezar 3 Ave Marias. Depois: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Nossa Senhora das Graças rogai por nós!

Fonte: http://www.nsconceicaonil.com.br

Postado por Sociedade São Vicente de Paulo – Criciúma-SC:

http://www.vicentinoscriciuma.org/nsg.htm

http://www.vicentinoscriciuma.org/

 

 

 

“Chegou a vitória, o poder e o reinado do nosso Deus e a autoridade de seu Messias: pois foi expulso aquele que acusava nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante de Deus.” (Apocalipse 12, 10-12) – Bíblia do Peregrino – Edição de estudo, com aprovação eclesiástica – Pe. Luís Alono Schökel (1920-1998). Publicação brasileira – 1997.

Jesus Cristo no "Limbo"

Em que que consistia exatamente o “Limbo”, quando Jesus “desceu à mansão dos mortos”?

Verifique em…

Fonte/imagens: http://www.filhosdapaixao.org.br/catequese/catequese_03.htm

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Bíblia do Peregrino¹ – “Bíblia del Peregrino – Edición de estudo²

[10] Escutei no céu uma voz potente que dizia: Chegou a vitória, o poder e o reinado do nosso Deus e a autoridade de seu Messias: pois foi expulso aquele que acusava nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante de Deus. [11] Eles o derrotaram com o sangue do Cordeiro e com o próprio testemunho, pois desprezaram a vida até morrer. [12] Por isso festejai, céus, e os que neles habitais. Ai da terra e do mar! Porque desceu até vós o diabo, enfurecido por saber que lhe sobra pouco tempo.(…) [13-18]” (Apocalipse 12, 10-12)

12,9: Quatro nomes e um qualificativo para o poder hostil: Dragão gigante + Serpente primitiva (Gn3) = Satanás (rival) = Diabo (acusador); sua tática e sua força consistem em “enganar”, porque é inimigo da verdade (Jo8,44).

12,11: É significativo o paralelismo do “testemunho” e do “sangue do Cordeiro”.

12, 13-18: Continua a hostilidade do dragão contra a mulher na terra (Gn 3,15). Com “asas de águia” (Ex 19,4), a mulher se refugia no deserto: como Moisés, Davi, Elias, um salmista (SL 55,7-9), durante a metade de sete anos, alimentada com um novo maná (cf. Jo,6). O dragão envia, como agente seu, “as “águas torrenciais” (SL 18,5; 32,6; Jn 2,4), que que a terra engole (cf. Nm 16, 30-32). Doravante o dragão lutará contra o “resto da descendência” da mulher (Gn 3,15).

12, 18: O dragão se detém na fronteira da terra e do mar. O anjo poderoso pisava ao mesmo tempo a terra e o mar (10,2).

¹ Organizador e editor (notas) na edição espanhola e brasileira – 1997: Pe. Luís Alonso Schökel (1920-1998). Com aprovação eclesiática. Tradutor (introduções, notas, cronologia e vocabulário): José Raimundo Vidigal. Editora Paulus-2002.

²Título original: Bíblia de Peregrino – Edición de estudo (Tomo I: Prosa; Tomo II: Poesia; Tomo III: Nuevo Testamento). Ega – Mensajeo – Verbo Divino. Luís Alono Schökel, 1997.

Observação: No prefácio à edição brasileira, os Editores nos fornecem algo importante sobre o perfil do Pe. Alonso, que ao tempo da publicação no Brasil, já havia preparado quase um terço a mais às notas do Evangelhos (em 1997): “De fato, a Bíblia do Peregrino amadureceu após 25 anos de trabalho, estudo e contemplação. Nela se encontra sua alma de poeta, místico e sábio. Nesse manancial se alimentaram várias gerações, e muitas outras sugarão com satisfação a abundância dessa sabedoria contemplativa.

Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica – L’Osservatore Romano(Vaticano) – 31.10.2009

VATICANO  –  L’Osservatore Romano

31.10.2009

Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica

Amizade natural entre fé e razão

Valores e dinamismo dos povos africanos “Entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação”, afirmou o Papa na audiência geral de quarta-feira, 28 de Outubro, na Praça de São Pedro, falando sobre teologia monástica e teologia escolástica que floresceram no século XII.

Queridos irmãos e irmãs!
Detenho-me hoje a falar sobre uma interessante página de história, relativa ao florescimento da teologia latina no século xii, que se verificou devido a uma série providencial de coincidências. Nos países da Europa ocidental reinava então uma paz relativa, que garantia à sociedade desenvolvimento económico e consolidação das estruturas políticas, e favorecia uma vivaz actividade cultural graças também aos contactos com o Oriente. No interior da Igreja sentiam-se os benefícios da vasta acção conhecida como “reforma gregoriana”, a qual, promovida vigorosamente no século precedente, tinha contribuído com uma maior pureza evangélica para a vida da comunidade eclesial, sobretudo no clero, e tinha restituído à Igreja e ao Papado uma autêntica liberdade de acção. Além disso ia-se difundindo uma vasta renovação espiritual, apoiada pelo vigoroso desenvolvimento da vida consagrada:  nasciam e expandiam-se novas Ordens religiosas, enquanto que as que já existiam conheciam uma retomada prometedora.

Refloresceu trambém a teologia adquirindo maior consciência da própria natureza:  apurou o método, enfrentou problemas novos, progrediu na contemplação dos Mistérios de Deus, produziu obras fundamentais, inspirou iniciativas importantes da cultura, da arte e da literatura, e preparou as obras-primas do século seguinte, o século de Tomás de Aquino e de Boaventura de Bagnoregio. Foram dois os ambientes nos quais se desenvolveram esta fervorosa actividade teológica:  os mosteiros e as escolas das cidades, as scholae, algumas das quais deram depressa vida às Universidades, que constituem uma das “invenções” típicas da Idade Média cristã. Precisamente a partir destes dois ambientes, os mosteiros e as scholae, pode-se falar de dois modelos diferentes de teologia:  a “teologia monástica” e a “teologia escolástica”. Os representantes da teologia monástica eram monges, em geral Abades, dotados de sabedoria e de fervor evangélico, dedicados essencialmente a suscitar e a alimentar o desejo amoroso de Deus. Os representantes da teologia escolástica eram homens cultos, apaixonados pela pesquisa; magistri desejosos de mostrar a racionalidade e o fundamento dos Mistérios de Deus e do homem, acreditados com a fé, sem dúvida, mas compreendidos também pela razão. A finalidade diversa explica a diferença do seu método e do seu modo de fazer teologia.

Nos mosteiros do século xii o método teológico estava ligado principalmente à explicação da Sagrada Escritura, da sacra pagina para nos expressar como os autores daquele período; praticava-se especialmente a teologia bíblica. Isto é, os monges eram todos devotos ouvintes e leitores das Sagradas Escrituras, e uma das suas principais ocupações consistia na lectio divina, ou seja, na leitura pregada da Bíblia. Para eles a simples leitura do Texto sagrado não era suficiente para compreender o seu sentido profundo, a sua unidade interior e a sua mensagem transcendente. Portanto, era preciso praticar uma “leitura espiritual”, guiada com docilidade ao Espírito Santo. Na escola dos Padres, a Bíblia era assim  interpretada  alegoricamente,  para  descobrir  em  cada  página, quer do Antigo quer do Novo Testamento, o que diz de Cristo e da sua obra de salvação.

O Sínodo dos Bispos do ano passado sobre a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” recordou a importância da abordagem espiritual das Sagradas Escrituras. Com esta finalidade, é útil valorizar a teologia monástica, uma ininterrupta exegese bíblica, assim como as obras compostas pelos seus representantes, preciosos comentários ascéticos aos livros da Bíblia. Portanto, a teologia monástica unia a preparação literária à espiritual. Estava portanto consciente de que uma leitura meramente teórica e profana não era suficiente:  para entrar no coração da Sagrada Escritura, ela deve ser lida no espírito com o qual foi escrita e criada. A preparação literária era necessária para conhecer o significado exacto das palavras e facilitar a compreensão do texto, afinando a sensibilidade gramatical e filológica. O estudioso beneditino do século passado Jean Leclercq intitulou do seguinte modo o ensaio com o qual apresenta as características da teologia monástica:  L’amour des lettres et le désir de Dieu (O amor às letras e o desejo de Deus). De facto, o desejo de conhecer e de amar a Deus, que vem ao nosso encontro através da sua Palavra que deve ser acolhida, meditada e praticada, leva a procurar aprofundar os textos bíblicos em todas as suas dimensões. Há depois outra aptidão sobre a qual insistem quantos praticam a teologia monástica, isto é, uma profunda atitude orante, que deve preceder, acompanhar e completar o estudo da Sagrada Escritura. Dado que, em última análise, a teologia monástica é escuta da Palavra de Deus, não se pode deixar de purificar o coração para a acolher e, sobretudo, não se pode deixar de estimular nele o fervor para encontrar o Senhor. A teologia torna-se portanto meditação, oração, canto de louvor e chama a uma conversão sincera. Não poucos representantes da teologia monástica chegaram, por este caminho, às metas mais altas da experiência mística, e constituem um convite também para nós a alimentar a nossa existência com a Palavra de Deus, por exemplo, mediante a escuta mais atenta das leituras e do Evangelho, sobretudo na Missa dominical. É importante, além disso, dedicar todos os dias um certo tempo à meditação da Bíblia, para que a Palavra de Deus seja lâmpada que ilumina o nosso caminho quotidiano sobre a terra.

Pelo contrário, a teologia escolástica como disse era praticada nas scholae, que surgiram ao lado das grandes catedrais da época, para a preparação do clero, ou em volta de um mestre de teologia e dos seus discípulos, para formar profissionais da cultura, numa época na qual o saber era cada vez mais apreciado. No método dos escolásticos era central a quaestio, ou seja, o problema que se apresenta ao leitor ao enfrentar as palavras da Escritura e da Tradição. Face ao problema que estes textos influentes apresentam, levantam-se questões e nasce o debate entre o mestre e os estudantes. Neste debate surgem por um lado os argumentos da autoridade, por outro os da razão e o debate desenvolve-se no sentido de encontrar, no final, uma síntese mais profunda da palavra de Deus. A este propósito, São Boaventura diz que a teologia é “per additionem” (cf. Commentaria in quatuor libros sententiarum, i, proem., q. 1, concl.), ou seja, a teologia acrescenta a dimensão da razão à palavra de Deus e assim cria uma fé mais profunda, mais pessoal e, por conseguinte, também mais concreta na vida do homem. Neste sentido, encontravam-se diversas soluções e formavam-se conclusões que começavam a construir um sistema de teologia. A organização das quaestiones levava à compilação de sínteses cada vez mais extensas, ou seja, compunham-se as diversas quaestiones com as respostas que surgiam, criando assim uma síntese, as chamadas summae, que eram, na realidade, amplos tratados teológico-dogmáticos nascidos do confronto da razão humana com a palavra de Deus. A teologia escolástica tinha como objectivo apresentar a unidade e a harmonia da Revelação cristã com um método, chamado precisamente “escolástico”, da escola, que concede confiança à razão humana:  a gramática e a filologia estão ao serviço do saber teológico, mas ainda mais está a lógica, que é a disciplina que estuda o “funcionamento” do raciocínio humano, de modo que sobressaia a verdade de uma proposição. Ainda hoje, lendo as summae escolásticas permanecemos admirados com a ordem, a clareza, o nexo lógico dos argumentos e a profundidade de algumas intuições. Com linguagem técnica é atribuído a cada palavra um significado claro e, entre o crer e o compreender, estabelece-se um recíproco movimento de esclarecimento.

Queridos irmãos e irmãs, fazendo eco ao convite da Primeira Carta de Pedro, a teologia escolástica estimula-nos a estar sempre prontos a responder a quem quer que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. 3, 15). Ao ouvir as perguntas como se fossem nossas e assim ser capazes também de dar uma resposta. Recorda-nos que entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação. O Servo de Deus João Paulo ii, no incipit da Encíclica Fides et ratio escreve:  “A fé e a razão são como duas asas, com as quais o espírito humano se eleva rumo à contemplação da verdade”. A fé está aberta ao esforço de compreensão da parte da razão; a razão, por sua vez, reconhece que a fé não a mortifica, aliás, estimula-a para horizontes mais amplos e elevados. Insere-se aqui a perene lição da teologia monástica. Fé e razão, em recíproco diálogo, vibram de alegria quando ambas estão animadas pela busca da união íntima com Deus. Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido pela razão, alarga-se. A verdade é procurada com humildade, acolhida com estupefacção e gratidão:  numa palavra, o conhecimento cresce unicamente se ama a verdade. O amor torna-se inteligência e a teologia, autêntica sabedoria do coração, que orienta e ampara a fé e a vida dos crentes. Rezemos portanto para que o caminho do conhecimento e do aprofundamento dos Mistérios de Deus seja sempre iluminado pelo amor divino.

Também em português a catequese do Papa

Novidade na audiência geral:  pela primeira vez Bento XVI pronunciou também em português a síntese da catequese. Até agora era feita só em francês, inglês, alemão e espanhol. A novidade foi acolhida com entusiasmo pelos grupos que falam esta língua sobretudo pelo coro juvenil da arquidiocese brasileira de Maringá aos quais o Papa dirigiu a seguinte saudação:

Amados peregrinos do Porto e demais pessoas de língua portuguesa, sede bem-vindos! Uma saudação particular ao coro infanto-juvenil de Maringá e aos grupos paroquais de Santa Cruz, em Belém, e de nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade de Deus. Procurai iluminar o vosso caminho com a Palavra divina, ouvindo-a atentamente na Eucaristia do domingo e reservando alguns momentos em cada dia para a sua meditação. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.

Publicado por L’Osservatore Romano – 31 de Outubro de 2009.

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OPINIÃO

O que eu penso sobre um rito que me permita elevar minha alma às alturas, tenho plena certeza que a poucos  interessa… Entretanto, faço questão que saibam, aqui neste espaço virtual,  o que acho mais adequado em termos “formais e espirituais” em relação ao rituais, toda a Liturgia que envolve a Santa Missa. Entendo agora o que certo comentário publicado no l”Osservatore procura dar a saber sobre o Papa Bento XVI, que  pedia em abril deste ano: “Rezem por mim…”, em seu quinto ano de Pontificado. Certamente, os “lobos” mencionados no artigo,  são os grupos que se opõem a missas austeras, além de afrontas de outros grupos, os quais são mais “liberalizantes” que católicos… Assim,  Papa Bento XVI menciona a pressão midiática contra os valores cristãos, mas sabemos que há adversários internos. Entretanto,  o Papa é sagaz e político, e além disso, rezamos por ele, não? Ele precisa: dentro da própria Igreja Católica há quem não tenha outro objetivo a não ser que tudo corra sem controle algum…  A propósito, penso que devemos nos conformar (sem subserviência) à tradição apostólica, que representa a sabedoria acumulada por séculos, iluminados pelo Espírito Santo. Este termo “tradição “apostólica”,  para mim, é emblemático para o Catolicismo, já que sempre se baseou em indicações bíblicas, e estudos aprofundados por teólogos, sacerdotes estudiosos (p.ex., São Tomás de Aquino),  bispos, papas, alguns santificados. Todos operavam em nível de excelência. Em contrapartida, se assim não for, cada um interpreta o significado dos Dez Mandamentos, ao bel prazer, entre outros temas polêmicos, sem ao menos procurar informações sobre o que os “antigos” nos legaram. além disso, há fundamentação bíblica em cada dogma anunciado pela Igreja Católica… Por esta razão, já que não há explicações ou tentativas de explicar o sentido de um dogma, acabamos lendo por aí que “isto é dogmático”… Ora, dogma é uma expressão religiosa, portanto, na medida em que ela surge fora do mundo religioso, deve haver o devido esclarecimento da inadequação de seu uso. Por uma simples razão: acusação de obscurantismo… Não esperemos que o ramo protestante parta em busca desta pesquisa, que tem por base dois mil anos de Cristianismo… Dos seminários católicos saíram sacerdotes  que deixaram bulas papais, encíclicas, documentos orientadores para nós, o rebanho de Cristo Jesus…

A absurda adesão católica à festa de Halloweenn no Brasil e no mundo

Pasmem: nos Estados Unidos a atual visão da Liturgia “multicultural” adaptou a “missa” à “festa de halloween”, que se deu há três dias… Meu Deus! Não penso como muita gente estar “update” com a fé católica, com a vontade de Deus… Pelo contrário, comungo espiritualmente porque sou casada há 24 anos com um ex-ateu (quando o conheci), que depois se revelou protestante (por parte de pai), e que, devido à mãe foi batizado no catolicismo. Há quatro anos é ex-protestante, leitor e devoto de Francisco de Sales e Santa Joanna de Chantal. O problema reside agora no rito, que ambos temos dificuldade em nos sentir à vontade, dada a superficialidade. Desculpem a sinceridade. Simplificando: vocês não acham que há muita invenção e pouca devoção?

Cliquem nas fotos (algumas, pois há links nos títulos) e terão informações adicionais sobre o “Rito Gregoriano”. Entre elas, a de que o Brasil não possui um grupo firmado “frontal e corajosamente” a favor do rito romano. O grupo, fundado por leigos na Espanha, é apoiado pelo Papa Bento XVI , que sugeriu aos bispos que autorizassem grupos de leigos que quisessem missas celebradas segundo o “Rito Gregoriano” ou “Tridentino”. Obviamente que, para cada país há a especificidade da cultura em que este rito “básico” seria  inserido. O grupo leigo espanhol, que leva à frente a iniciativa de divulgação do “Rito Tridentino” se chama “Una Voce”.

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Fonte: Una Voce en España

Con el objetivo de coordinar esfuerzos y unir a distintas asociaciones de laicos vinculados a la Misa Gregoriana, llamada por el Santo Padre Benedicto XVI Forma Extraordinaria del Rito Romano, nace la Federación Una Voce Hispania. Una Voce Hispania es el capítulo español de la Federación Internacional Una Voce y su objetivo es el de reunir en este mismo capítulo a todas las asociaciones afines que vayan surgiendo en España, para mejor cumplir los fines de todas y cada una que pueden resumirse en el mantenimiento, defensa y difusión de la liturgia romana extraordinaria en todas sus expresiones y, particularmente, la Misa Gregoriana, así como de todo el entorno artístico y musical que la rodea.

La primera asociación que hubo en España vinculada a Una Voce Internacional fue la asociación Roma Aeterna, de Barcelona, a la que siguieron Una Voce Sevilla, Una Voce Madrid, Una Voce Málaga, Una Voce La Coruña y Una Voce Reino de Castilla. La promulgación del Motu Proprio Summorum Pontificum por el Santo Padre Benedicto XVI ha supuesto el renacimiento en España de un interés renovado por la Forma Extraordinaria de la Misa, lo que ha propiciado el nacimiento de asociaciones similares por diversos puntos de nuestra geografía.

Una Voce Hispania, ahora que se cumple un año de la entrada en vigor de Summorum Pontificum, nace además con vocación de estimular la creación de nuevas asociaciones que quieran promover la liturgia tradicional, y también para velar por la correcta aplicación de Summorum Pontificum en nuestro país, tratando de aunar la voz de distintos grupos de fieles españoles interesados en la herencia latina de la Iglesia Católica y sirviendo, mediante el diálogo, de vehículo para su expresión ante nuestros pastores y la sociedad en general.

El 14 de septiembre de 2008, Festividad de la Exaltación de la Santa Cruz y primer aniversario de la entrada en vigor del Motu Proprio Summorum Pontificum, las seis primeras asociaciones miembros del capítulo español de Una Voce decidimos lanzar a la Red esta sencilla página, que en el dominio de unavoce.es, irá creciendo con el tiempo, D. m., dotándose de contenidos y que esperamos que produzca buenos y abundantes frutos, para mayor gloria de Dios, en España.

UNA VOCE en el mundo

EN ESPAÑA

UNA VOCE HISPANIA. Federación de Una Voce para España.
UNA VOCE CÁDIZ.
UNA VOCE CÓRDOBA.
UNA VOCE LA CORUÑA.
UNA VOCE MADRID.
UNA VOCE MÁLAGA.
UNA VOCE REINO DE CASTILLA.
UNA VOCE SEVILLA.
ROMA AETERNA “UNA VOCE”, en Barcelona.

EN EUROPA

Una Voce Austria, en Austria.
Una Voce Czech Republic, en la República Checa.
Una Voce Deutschland, en Alemania.
Una Voce Estonia, en Estonia.
Una Voce Finlandia, en Finlandia.
Una Voce France, en Francia.
Una Voce Helvetica – Deutchsprachig, en Suiza.
Una Voce Helvetica – Francophone, en Suiza.
Una Voce Italia, en Italia.
Una Voce Norge, en Noruega.
Una Voce Polonia, en Polonia.
Una Voce Russia, en Rusia.
Una Voce Scotland, en Escocia.
Una Voce Venetia, en Venecia.
Una Voce Vlaanderen, en Bélgica.
Ecclesia Dei Delft. Asociación holandesa afiliada a Una Voce Internacional.
Cumann an Aifrinn Laidinigh – Latin Mass Society of Ireland. Afiliada de Irlanda.
Grupo San Carlos Borromeo. Asociación danesa, afiliada a Una Voce internacional.
Inter Multiplices Una Vox. Asociación de Una Voce en Italia.
Pro Missa Tridentina. Afiliada de Alemania.
St. Conleth’s Catholic Heritage Association. Afiliada de Irlanda.
The Latin Mass Society. Afiliada para Inglaterra y Gales.
Verein Mariae Namen. Afiliada de Suiza.

EN AMÉRICA

Asociación Una Voce América. Federación de Una Voce para los Estados Unidos de América.
Una Voce Central Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Northern Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Albany: Kateri Tekakwitha, en New York (USA)
Una Voce Altoona/Johnstown, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Los Ángeles, en California (USA)
Una Voce Ann Arbor/Ypsilanti, en Michigan (USA)
Una Voce Argentina. Asociación Una Voce de Argentina.
Una Voce Northwest Arkansas, en Arkansas (USA)
Una Voce Ashtabula, en Ohio (USA)
Una Voce Berkshire County, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston: St. Patrick, en Massachusetts (USA)
Una Voce Bridgeport, en Connecticut (USA)
Una Voce Brighton, en Michigan (USA)
Una Voce Bronx, en New York (USA)
Una Voce Brooklyn, en New York (USA)
Una Voce Buffalo, en New York (USA)
Una Voce Central Coast of California, en California (USA)
Una Voce Cape Cod, en Massachusetts (USA)
Una Voce Carmel, en Indiana (USA)
Una Voce Cedar Rapids, en Iowa (USA)
Una Voce Charlotte, en North Carolina (USA)
Una Voce Chesapeake, en Virginia (USA)
Una Voce Chicago, en Illinois (USA)
Una Voce Columbus, en Ohio (USA)
Una Voce Metro Detroit East, en Michigan (USA)
Una Voce Metro Detroit West, en Michigan (USA)
Una Voce del Noreste de Florida, en Florida (USA)
Una Voce Fresno, en California (USA)
Una Voce Gallatin Valley, en Montana (USA)
Una Voce Georgia, en Georgia (USA)
Una Voce Grand Rapids, en Michigan (USA)
Una Voce Greenville, en South Carolina (USA)
Una Voce Hartford, en Connecticut (USA)
Una Voce Hawaii, en Hawaii (USA)
Una Voce Houston, en Texas (USA)
Una Voce Northern Illinois: St. Peter’s, en Illinois (USA)
Una Voce Kansas City: Pope Pius XII, en Kansas (USA)
Una Voce Lafayette, en Indiana (USA)
Una Voce Lafayette LA, en Louisiana (USA)
Una Voce Western Maine, en Maine (USA)
Una Voce México. Asociación Una Voce de México.
Una Voce Michigan, en Michigan (USA)
Una Voce Central Minnesota, en Minnesota (USA)
Una Voce Southern Mississippi, en Mississippi (USA)
Una Voce Western Montana, en Montana (USA)
Una Voce Monterrey, en México.
Una Voce Muncie, en Indiana (USA)
Una Voce Naples,en Florida (USA)
Una Voce Sacred Heart, en West Virginia (USA)
Una Voce Southern Nevada, en Nevada (USA)
Una Voce New Hampshire, en New Hampshire (USA)
Una Voce Newark, en New Jersey (USA)
Una Voce North Bay, en Ontario (USA)
Una Voce Northeastern Oklahoma, en Oklahoma (USA)
Una Voce of Orange County, en California (USA)
Una Voce Central Oregon, en Oregon (USA)
Una Voce Ozarks,en Arkansas (USA)
Una Voce Palo Alto, en California (USA)
Una Voce Central Pennsylvania, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Philadelphia, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Piedmont, en North Carolina (USA)
Una Voce Pittsburgh, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Powell, en Wyoming (USA)
Una Voce Quad Cities, en Iowa (USA)
Una Voce Rapid City: St Michael’s, en South Dakota (USA)
Una Voce Rhode Island, en Rhode Island (USA)
Una Voce Rochester, en New York (USA)
Una Voce San Bernardino, en California (USA)
Una Voce Springfield Area, en Missouri (USA)
Una Voce St. John’s, en Newfoundland (USA)
Una Voce St. Louis, en Missouri (USA)
Una Voce Syracuse, en New York (USA)
Una Voce Upper Peninsula, Lake Superior Chapter, en Michigan (USA)
Una Voce Ventura: Blessed Junipero Serra, en California (USA)
Una Voce Western Washington, en Washhington (USA)
Una Voce Westchester, en New York (USA)
Ad Altare Dei. De la Sociedad Gregoriana de Baltimore, afiliada a Una Voce América.
Coalition in Support of Ecclesia Dei, afiliada de Illinois (USA)
Comunidad San Juan Bautista en defensa de la Misa Tradicional. Filial en Arkansas(USA)
Credo of the Catholic Laity, afiliada de Missouri (USA)
Ecclesia Dei Society of Southwest Florida, afiliada de Florida (USA)
Fresno Traditional Mass Society. Capítulo de Una Voce en Fresno (USA)
Gregorian Society of Baltimore, afiliada de Maryland (USA)
League of St. Anthony, afiliada de Indiana (USA)
Magnificat Chili. Afiliada de Chile.
Mysterium Fidei Catholic Community, afiliada de Louisiana (USA)
Rockford Latin Mass Community, afiliada de Illinois (USA)
The Saint Gregory Society of New Haven. Afiliada a Una Voce América.
The St. Joseph Foundation. Afiliada de Texas (USA)
The St. John Fisher Forum. Librería católica vinculada a Una Voce América.
Vancouver Traditional Mass Society. Afiliada de Canadál.

EN ÁFRICA

Una Voce South Africa. Asociación de Una Voce en Sudáfrica.
Ecclesia Dei Society of Nigeria. Afiliada de Nigeria.

EN ASIA

Una Voce Singapore. Asociación de Una Voce en Singapur.
All India Laity Congress. Afiliada de la India.

EN OCEANÍA

Una Voce Australia. Asociación de Una Voce en Australia.
Ecclesia Dei Society of New Zealand.Afiliada de Nueva Zelanda.

Postado por Mons.Lebrum às 16:21

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Fonte: Missa Tidentina em Portugal

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PAPA BENTO XVI CONVIDA A REDESCOBRIR O VALOR E A IMPORTÂNCIA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

(15/2/2009) Antes da recitação do Angelus do meio dia, juntamente com os milhares de fieis congregados na Praça de S. Pedro O Papa Bento XVI comentou o trecho do Evangelho segundo São Marcos que a Liturgia nos apresenta neste sexto domingo do tempo comum: a cura do leproso.O Santo Padre recordou antes de mais que segundo a antiga lei judaica a lepra era considerada não só uma doença, mas a forma mais grave de impureza para o culto. Tocava aos sacerdotes diagnosticá-la e declarar imundo o doente, o qual devia ser afastado da comunidade e estar fora da povoação até à eventual e bem certificada cura.A lepra portanto constituía uma espécie de morte religiosa e civil e a sua cura uma espécie de ressurreição. Na lepra – salientou depois o Papa – é possível entrever um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração capaz de nos afastar de Deus. Efectivamente não é a doença física da lepra que nos separa de Deus , mas a culpa, o mal espiritual e moral….Os pecados que cometemos afastam-nos de Deus, e se não são confessados humildemente confiando na misericórdia divina chegam ao ponto de produzir a morte da alma. Este milagre reveste então – acrescentou o Papa – uma forte valência simbólica. Jesus, como profetizara Isaías é o servo que tomou sobre si as nossa doenças, carregou as nossas dores.

Na sua paixão, tornar-se-á como um leproso, tornado impuro pelos nossos pecados, separado de Deus: tudo isto fará por amor, para nos obter a reconciliação, o perdão e a salvação.

No sacramento da penitencia – salientou Bento XVI – Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com a sua misericórdia infinita, restitui-nos à comunhão com o Pai celeste e com os irmãos, concede-nos o dom do seu amor, da sua alegria e da sua paz.

A concluir o Santo Padre convidou a invocar a Virgem Maria, que Deus preservou de toda a mancha de pecado, para que nos ajude a evitar o pecado e a recorrer frequentemente ao Sacramento da Confissão, o Sacramento do Perdão, que hoje deve ser redescoberto ainda mais no seu valor e na sua importância para a nossa vida cristã.

Não faltou neste Domingo uma saudação do Papa em língua portuguesa Saúdo com afecto o grupo das paróquias do Barreiro e Vale de Figueira, em Portugal, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vossa romagem vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

Postado por Mons.Lebrum às 22:03

MÉTODO DE PARTICIPAR NA SANTA MISSA PELA MEDITAÇÃO DA PAIXÃO

“Sempre que participardes dos Mistérios Sagrados, anunciareis a Morte do Senhor”
(I Cor XI, 26).Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de fazenda com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manipulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.

Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais. representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.

O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manipulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.

O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração, todo pensamento alheio a tão tremendo Mistério.

O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se, a face contra a terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou a si nossos pecados, com toda a amargura inerente.

A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.

O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!

Ai de mim! nunca o traí eu?… Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões?… E, no entanto, Ele muito me amou!

Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.

O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! quantas vezes não o reneguei eu, à sua verdade, à sua lei, às minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.

O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.

O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.

Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.

O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, em presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei de meu espírito pela vossa Verdade, rei de meu coração pelo vosso Amor, rei de meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.

Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.

O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a graça. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.

Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Padre Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.

O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.

O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem de Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face, e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!

No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.

O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.

Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. E Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.

Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!

Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.

Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.

O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. E Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.

Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.

O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.

No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.

No “Libera nos “, o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.

O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.

É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.

O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.

O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.

São Pedro Julião Eymard
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.

Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.

Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.

O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.

O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.

O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.

O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.

Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.

Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.

Postado por Mons.Lebrum às 10:57

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE
Do Rorate Cæli
Traduzido por Apologeta:Em acréscimo a petição on-line, contra a absura investida midiática contra Sua Santidade Bento XVI, a FSSP(Fraternidade Sacerdotal São Pedro) convoca a todos a unirem-se em uma novena a favor do Papa por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, 22 de Fevereiro, iniciando-se portanto em 14 de Fevereiro (hoje) e encerrando-se no Domingo, onde somos todos chamados a oferecer nossa comunhão com as intenções do Sumo Pontífice e de toda a Igreja.Novena para o papa
Pater Noster, 3 Ave Maria, Gloria PatriV. Orémus pro Pontífice nostro Benedícto.

R. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum eius.

V. Tu es Petrus.
R. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam

Orémus
Omnípotens sempitérne Deus, miserére fámulo tuo Pontífici nostro Benedícto : et dírige eum secúndum tuam cleméntiam in viam salútis ætérnæ : ut, te donánte, tibi plácita cúpiat, et tota virtúte perfíciat.

R. Amen.

Mater Ecclésiæ, ora pro nobis..
Sancte Petre, ora pro nobis.
Um Pai Nosso, 3 Ave Marias e um Glória ao Pai, seguidos desta oração.

V: Oremos para o nosso Papa Bento.

R: Que o Senhor o guarde e fortaleça, e o faça abençoado nesta terra, e não o abandone ante a perversidade de seus inimigos.

V. Tu és Pedro,
R. E sobre esta pedra edificarei minha Igreja.

Oremos,
Omnipotente e eterno Deus, tem piedade de teu servo, Bento, nosso Soberano Pontífice, e guia-o conforme tua bondade, a caminho da vida eterna, de modo que, com a assistência da sua graça, ele possa velar pelo rebanho que lhe foi confiado, alcançando junto com ele a salvação; Através de Cristo, Nosso Senhor.

R. Ámen.

V. Mãe da Igreja, R. Rogai por nós

V. São Pedro, R. Rogai por nós

Postado por Mons.Lebrum às 10:39

“Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.” – Dom Orani João Tempesta (Celebração de “Todos os Santos” e dos “Finados”)

the-resurrection-of-jesus-christ
Origem: "Turn bak to God"

Christian-Wallpapers
"Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação." 2 Timóteo 1:7 (Bíblia - Novo Testamento - CNBB)

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Fonte: CNBB – Artigos dos Bispos

O dia do nascimento

Dom Orani João Tempesta

[Neste] final de semana teremos a oportunidade de refletir sobre o nosso fim último, pois estaremos celebrando o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos, ou como costumamos chamar, Dia dos “finados”.

Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.

A Igreja se sente unida aos santos que estão junto do Pai e também àqueles que já partiram e estão necessitados de nossa oração.

Também diante dessas celebrações temos a oportunidade de refletir sobre o sentido de nossa vida e os valores para os quais vivemos. Um dia viemos a este mundo, e um dia sairemos dele!

Nesse tempo que nos foi dado o que foi que construímos?

Toda vida que começa alcança o seu objetivo e depois se finda, se acaba. Apenas o homem, com sua inteligência, é que fica entristecido com o fato de ter que morrer.

Isso se dá, em primeiro lugar porque, quer queiramos ou não, existe em nós a sede do infinito, e por isso o “ter que morrer” nos causa tristeza.

Entretanto, para nós, cristãos, a morte, embora ponha fim à nossa existência neste mundo, é o início da vida sem fim, quando estaremos em Deus.

Além disso, pela fé sabemos que nosso corpo, embora desintegrado, será ressuscitado. Interessante neste contexto termos em mente que a Igreja Católica comemora seus santos pelo dia de sua morte e não pelo dia em que nasceram.

A morte e ressurreição é um mistério de fé, que proclamamos no CREDO: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna…”

São Paulo, na Epístola aos Tessalonicenses, diz palavras confortadoras sobre a ressurreição dos mortos: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram.” “Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. I Tessalonicenses, 4,13 a 15 e 18).

Assim, sustentados pela fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos, é muito salutar recordarmos os nossos parentes e amigos que foram trasladados da vida terrena para a vida eterna.

No dia dedicado aos mortos, muitos vão aos cemitérios orar pelos seus falecidos. Os gestos (orações, velas, flores, celebrações) tão belos são uma afirmação de que cremos que a morte não é o fim e que nossos mortos, hoje vivem, estão em Deus e um dia ressuscitarão.

No dia em que nos recordamos dos que nos precedem na comunhão dos santos, diante da necessária reflexão acerca da irmã morte, as palavras de Salomão, no Capitulo 3,1-9 do livro da Sabedoria, nos colocam diante do mistério da vida plena: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós como um aniquilamento, mas eles estão em paz. Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade, por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os submeteu à prova e os achou dignos de si. Examinou-os como o ouro no crisol e aceitou-os como perfeito holocausto. No tempo de sua visita resplandecerão e correrão como fagulhas no meio da palha. Julgarão as nações, dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para seus santos, e sua visita é para seus eleitos”.

Neste dia, quando tantas celebrações ocorrerão em todos os cemitérios de nossa Arquidiocese, podemos fazer ser um momento muito importante para que, além de rezarmos pelos nossos falecidos, anunciemos às pessoas a nossa fé, aquela fé que acredita na vida que não termina com a morte e que nos convida a aproveitar o tempo que temos para viver bem como bons cristãos.

Que o Senhor da vida dê o descanso eterno a todos os fiéis! E que os que vivem sejam alcançados pela paz e confortados pela esperança de que nossa morte não será o fim de tudo, mas o começo da vida sem tempo e que nós, que cremos em Cristo, com Ele ressuscitaremos! Amém.

(CNBB – 29.10.2009)

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Observação: Modificado o termo “No próximo final de semana…” para “Neste…), em decorrência de ter sido postado hoje, dia 01.11.2009, enquanto a publicação pela CNBB se deu em 29.10.2009. Conto com a compreensão de V. Revma. Dom Orani João Tempesta.

‘Sancti Patris Benedicti, Crux Sacra Sit Mihi Lux,Non Draco Sit Mihi Dux. (PAX/IHS) Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas’ – “Cruz do Santo Pai Bento, A cruz sagrada seja minha luz, Não seja o dragão meu guia. (PAX/IHS) Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs! É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!” – Oração na medalha de São Bento – Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro

MOSTEIRO DE SÃO BENTO DO RIO DE JANEIRO

São Bento de Núrsia

Medalha e Oração de São Bento


A medalha de São Bento não é um “amuleto da sorte”. Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, com conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc.

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos:Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das  disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

Na frente da medalha (veja foto) são apresentados uma cruz e entre  seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti – “Cruz do Santo Pai Bento”.

Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A cruz sagrada seja minha luz”.

Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux – “Não seja o dragão meu guia”.

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (“Paz”), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.

À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana – “Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!” e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas – “É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!”.

Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS – IN – OBITU – NRO – PRAESENTIA – MUNIAMUR – “Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte”.

É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça:

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça  … que vos suplicamos, finalmente,vos pedimos que ao térnimo de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosto no Paraíso. Amém.

Postado por Mosteiro São Bento do Rio de Janeiro. Post atualizado no site:  Medalha de São Bento.

«Somos as crianças do mundo. Ouvem as nossas vozes?» (Congresso da SIGNIS – Associação Católica Mundial para a Comunicação – 17 a 21 de outubro-Tailândia (Agência Ecclesia)

"Congresso Mundial da Signis 2009 fez dos direitos da infância uma prioridade"

Pax Christi International

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Fonte: Agência Ecclesia Agência de notícias da Igreja Católica em Portugal

26.10.2009

SIGNIS - Asociación Católica Mundial para la Comunicación

Conclusão

«Somos as crianças do mundo. Ouvem as nossas vozes?»

Crianças ainda são demasiadamente invisíveis nos meios de comunicação social

Cerca de 660 participantes de 70 países participaram no Congresso da SIGNIS, Associação Católica Mundial para a Comunicação, que se reuniu entre 17 e 21 de Outubro em Chiang Mai, Tailândia. O encontro teve como tema “Media para uma cultura de paz: Direitos das crianças, uma promessa para o amanhã”.

A assembleia acolheu igualmente uma centena de estudantes entre os 13 e 15 anos, provenientes das escolas da região, que participaram num atelier sobre “direitos da criança num mundo digital”. O congresso contou também com a presença de dez jovens jornalistas de vários países asiáticos.

A infância foi também evocada através da exibição de 200 lenços com mensagens e impressões de palmas das mãos de crianças de todo o mundo.

“As crianças e a juventude desafiaram a SIGNIS a assumir seriamente o nosso papel na promoção dos direitos dos mais novos, no contexto de sociedades que estão a ser transformadas através dos media”, afirmou o secretário-geral da organização, Alvito de Souza.

Promessa de amanhãs melhores

O presidente do comité organizador do congresso, Chainarong Monthienvichienchai, lembrou que “quando perguntavam ao futebolista Johan Cruyff o que fazia dele um jogador excepcional, ele respondia que ia para onde a bola se dirigia, e não para onde ela estava. Este ponto de vista tornou-se o lema de todos aqueles que estão comprometidos nas comunicações sociais, isto é, ir para onde está o futuro”, ou seja, para junto “das crianças, que são a nossa promessa de amanhã”.

A SIGNIS, por seu lado, “terá que se adaptar para continuar a ser relevante e activa num panorama digital em mudança”, defendeu Alvito de Souza.

“Com as crianças, para as crianças, dando voz aos sem voz: apesar destas intenções tantas vezes repisadas, as crianças são ainda demasiadamente invisíveis nos media; devemos fazer mais”, afirmou o presidente da SIGNIS no discurso de abertura do congresso.

“As autoridades eclesiais, em particular, devem renovar o seu apoio aos profissionais leigos que trabalham nos meios de comunicação católicos e que se encontram numa posição única para assumir de maneira criativa os desafios de um mundo digital, para o bem das nossas crianças”, que são a “promessa de amanhãs melhores”, referiu Augustine Loorthusamy.

Na mensagem dirigida ao Congresso, Bento XVI assinalou que a maneira como as crianças são formadas pelos media e o modo como os mais novos são educados a dar-lhes uma resposta apropriada “devem estar no centro das preocupações dos profissionais da comunicação”.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, enviou uma saudação de boas-vindas aos participantes, escrevendo que os “os media têm uma grande influência nos comportamentos, e neste mundo sem fronteiras podem ajudar a preparar as gerações futuras a construir a paz e a harmonia”.

Vídeo dedicado aos direitos das criançasBICE - Bureau International Católica da Infância

Os participantes do congresso assistiram à exibição de um vídeo sobre os direitos da infância, produzido pela SIGNIS e pelo Gabinete Internacional Católico para a Infância.

O documentário apresenta os comentários de crianças de treze países sobre questões relacionadas com respeito, pobreza, violência, família, trabalho, educação, saúde, deficiências físicas, justice e tecnologia.
Internacional | Rui Martins | 2009-10-26 | 16:04:05  Comunicações Sociais

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SIGNIS reflecte sobre «Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã»

Agência Ecclesia

A influência que os media exercem nas crianças pode conduzi-las a uma progressiva desumanização ou, pelo contrário, a contribuírem para a edificação da paz. É esta ambivalência que a SIGNIS (Associação Católica Mundial para a Comunicação) debate desde Sábado no seu congresso mundial, que se realiza em Chiang Mai, Tailândia.

Na mensagem que dirigiu aos participantes, Bento XVI afirma que a relação dos mais novos com os meios de comunicação social “pode perceber-se em duas direcções: por um lado são os media que formam as crianças; por outro, as crianças estão cada vez mais predispostas a responder adequadamente aos media”.

O encontro de 2009 será “um congresso de transformação”, prometeu o presidente da SIGNIS, Augustine Loorthusamy, na alocução de boas vindas.

“Se o tema do nosso congresso são os media para um cultura de paz, é porque o nosso mundo ainda está marcado por conflitos sangrentos e destrutivos. Continua-se a explorar, abusar e a matar as pessoas. A busca da paz é a razão da nossa existência. Isso é ser Igreja no mundo de hoje”, afirmou o responsável.

Construir pontes

O presidente da SIGNIS recordou que “dois terços da população mundial é jovem. São o nosso futuro e, portanto, devem ser a nossa preocupação. Se queremos que este encontro seja de transformação, tem que ser um congresso para construir pontes.”

Augustine Loorthusamy recordou que essas ligações também devem ser estabelecidas entre pessoas de diferentes credos. “Não é por acaso que este congresso se realiza num país budista. Se a SIGNIS é o braço comunicativo da Igreja, então deve levar por diante a sua missão com povos de diferentes confissões.”

O congresso, que terminará a 21 de Outubro, reúne centenas de profissionais da comunicação de todo o mundo. “Questões globais actuais sobre direitos humanos e direitos das crianças”, “Novas perspectivas sobre media e transformação social” e “O desafio de crescer numa era digital” são alguns dos temas a abordar durante o encontro.

Com Rádio Vaticano

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Associação Católica Mundial para a Comunicação fala dos direitos das crianças

Agência Ecclesia

19.10.2009

Desenvolvimento dos Debates

Está a decorrer em Chiang Mai, na Tailândia, o Congresso Mundial da Associação Católica Mundial para a Comunicação (SIGNIS). O tema em debate é “Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã”.

Na mensagem de boas-vindas, o presidente da Associação, Augustine Loorthusamy, afirmou que a edição 2009 será diferente, pois será “um Congresso de transformação”.

“Se o tema do nosso Congresso são os media para um cultura de paz é porque o nosso mundo ainda está marcado por conflitos sangrentos e destrutivos; os direitos de milhões de pessoas são violados”, disse.

Para o presidente da SIGNIS, este será um Congresso diferente porque no centro da atenção estão os direitos das crianças: “Dois terços da população mundial é jovem. São o nosso futuro e, portanto, devem ser a nossa preocupação. Se queremos que este Congresso seja de transformação, tem de ser um Congresso para construir pontes.”

A cerimónia de boas-vindas contou com a presença do núncio apostólico na Tailândia, D. Salvatore Pennacchio, que pediu aos comunicadores católicos que sejam servidores de Deus. Durante a celebração, realizada com danças e músicas tradicionais do norte do país, foi lida a mensagem do presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, D. Claudio Maria Celli.

“Intercâmbios pessoais, profissionais e culturais são muito importantes e, sem dúvida, vão criar novo entusiasmo no nosso trabalho de comunicadores”, afirma o arcebispo italiano, que aprovou o envolvimento de jovens e crianças em vários workshops.

“É muito importante ouvir os jovens e aprender com eles, principalmente porque frequentemente eles são os primeiros e a usar e desenvolver os media interactivos, até mesmo ensinando os adultos”.

Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança no Brasil (*), foi a responsável pela conferência de ontem, falando sobre a experiência da Pastoral da Criança no campo da Comunicação e da Educação. (Com Rádio Vaticano)

Internacional | Agência Ecclesia | 2009-10-19 | 14:12:15 Comunicações Sociais

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Papa saúda Congresso da SIGNIS

Agência Ecclesia

16.10.2009

Abertura

Profissionais da comunicação juntam-se na Tailândia para debater os direitos das crianças na era da comunicação

Bento XVI enviou uma mensagem de saudação aos participantes do Congresso Mundial 2009 da Signis. O encontro que vai juntar profissionais dos media, a partir do dia 17 em Chiang Mai, na Tailândia, vai centrar-se no tema «Media para uma cultura de Paz: direitos das crianças, promessa de amanhã».

“A necessidade de uma responsabilidade no uso da mensagem e dos métodos atraem em particular os jovens”, afirma Bento XVI na sua mensagem. “A sua relação com os media pode perceber-se em duas direcções: por um lado são os media que formam as crianças; por outro as crianças estão cada vez mais predispostas a responder adequadamente aos media”, evidencia o Papa recordando aqui a sua mensagem, de 2007, para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Bento XVI dá conta da sua oração para que os “trabalhos do Congresso prossigam a favor da promoção dos direitos das crianças e de forma a incentivar as comunidades a ver os direitos como uma prioridade do seu trabalho diário a favor de uma cultura de paz”.

O Congresso da Signis decorre até ao dia 21 de Outubro. São esperados centenas de profissionais da comunicação de todo o mundo e em causa vão estar «Questões globais actuais sobre direitos humanos e direitos das crianças», «Novas perspectivas sobre media e transformação social» e «O desafio de crescer numa era digital».

Internacional | Agência Ecclesia | 2009-10-16 | 10:47:54 |Comunicações Sociais

Postados por Agência Ecclesia – Portugal.

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(*) Grifo meu.

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

 

Virgem do Rosário

Domingo, 04 de outubro de 2009

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa ‘Coroa de Rosas’. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário. A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados. (Fonte: ACI Digital)

“Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação…Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”. Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”. Santa Teresa de Ávila

Postado por Flos Carmeli às 13:46.

Estabelecidos temas e métodos do diálogo entre Santa Sé e tradicionalistas – Veritatis Splendor Blog (Notícia da Agência Zenit)

ORAÇÃO DO PAI NOSSO

Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Fonte:Portal Enciclopédia – Igreja Católica Apostólica Romana

São Pedro, o Apóstolo - primeiro papa da Igreja Católica, ordenado por Jesus Cristo.

Este Portal pretende ser um espaço onde todos os católicos possam participar enviando artigos e noticias sobre temas da igreja , actividades das suas paróquias, catequese, escutismo etc. Inscreva-se na Enciclopédia e envie os seus trabalhos.

Igreja Católica, chamada também de Igreja Católica Romana e Igreja Católica Apostólica Romana , é uma Igreja cristã colocada sob a autoridade suprema do Papa, Bispo de Roma e sucessor do apóstolo Pedro, sendo considerada pelos católicos como o autêntico representante de Deus na Terra e por isso o verdadeiro Chefe da Igreja Universal (Igreja Cristã ou união de todos os cristãos). Seu objectivo é a conversão ao ensinamento e à pessoa de Jesus Cristo em vista do Reino de Deus.

Para este fim, ela administra os sacramentos e prega o Evangelho de Jesus Cristo. (…)

(Leia mais)…

ECLESIOLOGIA

DOUTRINA

OS DEZ MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS

SACRAMENTOS

CINCO MANDAMENTOS DA IGREJA CATÓLICA

ESTRUTURA E CARGOS

ORGANIZAÇÃO POR REGIÃO

LITURGIA E PRECE (Missal Romano)

VARIEDADES DE IGREJAS PARTICULARES: (IGREJA CATÓLICA LATINA  – a maior delas, entre as “IGREJAS CATÓLICAS DO ORIENTE” – portanto, em sua totalidade, perfazem o número de 23)

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Fonte: Veritatis Splendor – Blog

Estabelecidos temas e métodos do diálogo entre Santa Sé e tradicionalistas

26.10.2009

por Rafael Vitola Brodbeck

Em sua primeira reunião realizada nesta segunda-feira no Vaticano

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A primeira reunião realizada nesta segunda-feira entre representantes da Santa Sé e da Fraternidade São Pio X, fundada pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre, serviu para propor os temas e o método com o qual a partir de agora acontecerá o diálogo.

O encontro aconteceu no Palácio do Santo Ofício, sede da Congregação para a Doutrina da Fé e da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, encarregada do diálogo com os tradicionalistas. O evento constitui o primeiro encontro da Comissão de estudo, formada por especialistas da mesma Comissão e da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com o objetivo de examinar as dificuldades doutrinais que continuam existindo entre a Fraternidade e a Sé Apostólica.

Como representantes da Comissão vaticana participam o dominicano suíço Charles Morerod, secretário da Comissão Teológica Internacional, o jesuíta alemão Karl Josef Becker e o vigário geral do Opus Dei, o prelado espanhol Fernando Ocariz Brana.

Um comunicado emitido pela Comissão Pontifícia Ecclesia Dei revela que o encontro aconteceu em “um clima cordial, respeitoso e construtivo; destacaram-se as maiores questões de caráter doutrinal que serão tratadas e discutidas durante os colóquios dos próximos meses, que provavelmente acontecerão duas vezes ao mês”.

Em particular, acrescenta o comunicado vaticano, “serão examinadas as questões relativas ao conceito de Tradição, ao Missal de Paulo VI, à interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica, aos temas da unidade da Igreja e dos princípios católicos do ecumenismo, da relação entre o cristianismo e as religiões não cristãs e da liberdade religiosa”.

“Ao longo do encontro, também se precisou o método e a organização do trabalho”, anuncia a Comissão Ecclesia Dei.

O bispo Bernard Fellay, superior da Fraternidade, nomeou como representantes o bispo Alfonso de Galarreta, diretor do Seminário Nossa Senhora Corredentora de La Reja (Argentina); o Pe. Benoit de Jorna, diretor do Seminário Internacional São Pio X de Ecône (Suíça); o Pe. Jean-Michel Gleize, professor de Eclesiologia do Seminário de Ecône; e o Pe. Patrick de La Rocque, prior do Priorado de São Luis em Nantes (França).

Postado por VS-Blog.

“No meio das rosas…” – Homenagem – 25 de outubro de 2009

Datas de aniversário são importantes para pessoas que amam profundamente, desde que esta lembrança (declarada carinhosamente ao aniversariante em seu dia, ou não) seja sempre acompanhada de outros gestos amorosos. É o caso de minha irmã, quatro anos mais nova, portanto, passa pouco dos 40: L. de Fátima Barden Nunes (o nome é de solteira). Mora na Europa. Sua condição é legal; vive com o marido G.J. e meu sobrinho G.N.J. Que Deus proteja a todos.

Amada irmã (de todas as horas) – lembrei o dia todo de ti, neste domingo, dia 25 de outubro. Mas como decidi quebrar certas “cadeias hipócritas” há alguns anos em relação à data, tenho certo desconforto em ligar, mandar e-mail, cartão, visitar. Acho que perdi este tipo de simplicidade, que ainda preservas. Saiba no entanto, mana L., que meu coração “transborda” de amor e carinho por ti. Tal como o de Cristo Jesus e Nossa Senhora, Sua e Nossa Mãe Santíssima. O artigo abaixo, vais entender porque dedico a ti, já que és devota de Nossa Senhora de Fátima, principalmente depois daquele sonho encantador e enigmático que me falaste ao telefone, há alguns anos.

Fonte/imagem: Viver é mais do que existir…

Para L.de F.B.N. ( J.)... Com amor!
"No meio das rosas..."

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O artigo, do tipo “pergunta-resposta” é dedicado à ti, querida irmã L.de F.B.N (com o casamento J.). O questionamento ao Prof. Fedele é feito por uma jovem de vinte e cinco anos, bastante religiosa. Achei que teria proveito para ti e para quem tiver interesse em ler esta postagem. Na explicação do Prof. Fedele há muito cuidado e carinho com a preocupação com da jovem que se chama Lígia, em relação a comentários de que quem é devoto de Nossa Senhora sofrerá mais perseguições… Achei que faz sentido o temor da jovem, afinal Jesus afirma: “(…) No mundo tereis aflições, mas eu venci o mundo!”

Nós duas, principalmente, que fazemos parte de uma família, sabemos o quanto é importante o aspecto da religiosidade, isto é, o quanto uma família, a pequena (a nossa) e a grande (o seu conjunto) deve ter como centro de suas atenções as ingerẽncias do mundo na vida pessoal e espiritual de cada integrante. Nossa espiritualidade, e acho que concordas comigo, deve estar acima de tudo, mesmo que o “mundo” pareça empenhado em nos jogar, mais e mais, para baixo. Nem pensar! Neste “vale de lágrimas”, lembremos o que Santa Teresa dizia sinteticamente: “Só Deus basta”!

O texto do site do Prof. Orlando Fedele foi publicado integralmente (podia ser um trecho). Eu o respeito, tanto pela idade quanto pelo estudo  de Teologia, apesar de seru amor pela polêmica… Nisto, não há dano porque muitas inverdades vêm à tona desse modo. No caso dele, ainda que radical, é do tipo que ama a verdade. Atitude que anda rara hoje em dia…

Nesta resposta à “Lígia”, vemos que é um teólogo piedoso. Seus posicionamentos “drásticos” se dirigem mais à História do Catolicismo (ao período da Idade Média mais exatamente), e sobre algumas condutas da Igreja Pós-Conciliar. Por certo, faz avaliações “radicais”, com as quais, no geral, tendo a concordar. É o caso da Idade Média, que me inquieta. Entendo sua defesa de armadas católicas na época das invasões à espada de povos não-cristãos. Afinal, eles queriam dominar a Europa. Jornalistas sabem de tudo um pouco e têm a obrigação de sempre estar abertos para aprender mais, mais… A História não é matemática, nem é contada como quem uma câmera na mão… Os “pedaços” vão se juntando ao longo do tempo. Portanto, quem sou eu para contestar os aprofundados estudos teológicos do Prof. Fedele! Detalhe: sinto desconforto com a origem da oficialização do dia dedicado à Nossa Senhora do Rosário. Mas sei que isto é devido a viver em uma época em que jamais vi uma pessoa (graças a Deus!) ameaçar outra com uma arma. Faz sentido, não? O Papa São Pio V instituiu a devoção ao Rosário em uma dessas ocasiões – na batalha de Lepanto. O invasor não-cristão iniciou o recuo, por milagre, a partir do momento em que ele, bispos, sacerdotes, povo, príncipes e reis da região invadida dobraram os joelhos, e recitaram por horas o Rosário, sem interrupção. A devoção ao Rosário (e outubro é o mês insituído) foi proclamada oficialmente na Igreja Católica por este Papa – São Pio V (em torno do séc. XV).

Já vai longe a “missiva”, portanto, L., querida irmã, quando os corações estão unidos, são necessárias poucas palavras. Há um texto oriental que diz que Deus conta as lágrimas das mulheres… Hoje eu chorei, mas, repara: uma oração improvisada me tirou da “nuvem” de tristeza em que me envontrava. Vi tua foto… Estás muito bela, mas pelo olhar… Atenta para uma coisa:: Ele e Seus Anjos (principalmente os que são nossos Guardiães) cuidam de nós; nos confortam… Guarda em teu coração, mesmo à distância, o quanto te amo, irmã querida. Até logo…

Felicidades L., e que Deus te ilumine e abençoe. Amém.

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Fonte: Associação Cultural Monfort

PERGUNTA

Devoção à Nossa Senhora

De: Lígia

Enviada em: Segunda-feira, 17 de novembro de 2003

Localidade: Toledo, PR

Religião: Católica Apostólica Romana

Idade: 25

Escolaridade: superior completo

Saudações Professor

Parabenizo pelo site e pela seriedade com que conduz um assunto tão delicado e relevante que é a Religião.

Com relação a Maria, sou muito devota a ela, e em uma das cartas que respondeu a outra leitora, disse que quem é devoto de Maria é vítima de muitas traições. Poderia por gentileza esclarecer essa passagem e falar mais sobre Maria na história de Jesus e suas aparições na atualidade.

Grata pela atenção.

A paz de Jesus e de Maria

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RESPOSTA

Lígia

Muito prezada Professora Lígia,

Salve Maria!

Causa-me alegria receber uma carta elogiosa de uma colega de profissão, e ainda mais devota de Nossa Senhora.

Que Deus lhe pague suas palavras elogiosas ao trabalho que desenvolvo, graças a Deus, no site Montfort. Peço-he que reze a Nossa Senhora que me ajude sempre a bem responder o que se me pergunta, e acima de tudo, que me dê forças para bem defender a Igreja Católica Apostólica Romana, em cuja Fé quero viver e morrer . (“Et dans cette Foi je veux vivre et mourir” como Villon fez a mãe dele rezar, em uma das suas famosas baladas).

Professora, a senhora me pede que lhe escreva quase um tratado sobre Nossa Senhora, tanto os temas que me pede são vastos.

E, por falar em Tratado, a senhora conhece o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora de São Luís de Montfort, santo patrono de nosso site?

Se não o conhece, recomendo-lhe que compre imediatamente esse livro extraordinário, no qual a senhora poderá encontrar as respostas que me pede.É um livrinho pequeno em tamanho, imenso em valor, profundo em pensamento, que recomendo que leia e medite.Nele São Luís mostra que há um grande combate, na Historia, entre a Igreja e o demônio, e que assim como a serpente odeia Nossa Senhora, porque foi ela que possibilitou que o Verbo de Deus se encarnasse, assim ele detesta os verdadeiros devotos de Maria Santíssima.

Já no início da História, quando Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso terrestre, Deus onipotente amaldiçoou a serpente, dizendo-lhe: Inimicitias ponam, isto é, “Porei inimizades”, entre ti e a Mulher, entre a tua raça e a dela, e Ela mesma te esmagará a cabeça, e tu lhe farás ciladas ao calcanhar” ( Gen. III, 15).Portanto, Deus estabeleceu uma inimizade, um ódio entre os filhos do demônio e os filhos da Virgem. Filhos do demônio, como explicou Jesus no Evangelho, (Jo. VIII, 44), filhos do demônio são todos aqueles que querem fazer a vontade do diabo, pai da mentira e assassino desde o começo. Filhos da Virgem são todos aqueles que reconhecem Maria como Mãe de Deus, da qual querem fazer a vontade dela.

É claro que esses dois grupos de homens, querendo coisas opostas, se combatem, e só podem se combater. Há pois uma luta na História entre os filhos das trevas e os filhos da luz. E o demônio faz ciladas ao calcanhar da Virgem, isto é, procura prejudicar os pequenos que a servem.

Canta-se na Liturgia das Horas que Nossa Senhora, sozinha, esmagou toda a heresia. E heresia no singular, como se diz que o demônio é pai da mentira no singular.

Por que mentira no singular?

Porque, no fundo, como há uma só Fé verdadeira, só pode haver uma só mentira, que é a Gnose, doutrina que afirma a divindade do homem, porque a grande tentação do homem é ser Deus.

Como o homem é composto de corpo e alma, a deificação pode ser buscada ou no corpo — e é materialismo panteísta, — ou só na alma, e se cai na Gnose propriamente dita, que afirma a divinização do espírito, condenando a matéria, o corpo.

Por isso fez Deus a língua única da serpente bífida, dividida em duas pontas, para simbolizar a divisão da única tentação, a de sermos deuses, ou panteisticamente, ou gnosticamente. Ora, Nossa Senhora, aceitando ser a Mãe do Verbo de Deus encarnado, esmagou tanto o Panteísmo como a Gnose.

Esmagou o Panteísmo, porque Cristo Filho de Maria, era o Verbo, a Sabedoria de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.Esmagou a Gnose, porque o Verbo de Deus tomou carne em Maria, e de Maria. Ele nasceu “ex Maria Virgine. Et homo factus est”. Nasceu de Maria Virgem e se fez homem. É o que cantamos no Credo, em todas as Missas.

E foi por Maria que o Verbo se encarnou, e viveu entre nós, “cheio de graça e de verdade”, ” Plenum gratiae et veritatis”.

Explica Hugo da Abadia de São Victor, que o olho humano é feito para a luz, e entretanto, ele não pode contemplar o sol que o cegaria se olhado diretamente.E a inteligência humana é feia para contemplar a Verdade divina, mas ficaria “cega” se a contemplasse diretamente, porque a Luz de Deus, a Verdade divina, o Verbo, Sol da Verdade é infinito, e não podemos abarcá-lo.

Entretanto, Deus se encarnou, o Verbo, Verdade de Deus se fez homem, e pudemos contemplá-lo diretamente, sem ficarmos cegos porque a Luz da Divindade, nEle, estava velada pela humanidade de Cristo.

Por isso, a Idade Média inventou o vitral. Pelo vitral, podemos contemplar a luz do sol sem que fiquemos cegos. E a luz do sol passa pelo vitral sem parti-lo. Assim também, a Luz de Deus, o Verbo, a Sabedoria de Deus se fez homem em Maria, sem que sua virgindade imaculada fosse quebrada. E a luz de Deus passou por Maria, e brilhou para nós em Cristo homem, que era cheio de graça e de verdade, e nós podemos ver a sua glória de Unigênito de Deus, sem sermos cegados por sua luz infinita.

Maria Santíssima é, pois, o vitral de Deus.

Por isso, a Idade Média a colocava no centro das rosáceas das catedrais góticas.

Ora, a luz do sol é, em certo sentido, simples. Entretanto, ao passar por um prisma, a luz simples se refrata, espalhando as sete cores.

Assim também, a Luz de Deus é absolutamente simples, mas ao passar por Maria, cheia de graça, a Luz divina se “refrata” e Maria difunde as virtudes de Deus por todos os homens. Daí, dizer-se que Nossa Senhora é Medianeira de todas as graças, visto que é por Maria que Cristo nos concede todas as suas graças, assim como o prisma difunde todas as cores da luz.

Nossa Senhora, prisma de Deus, é a Medianeira de todas as graças. E os protestantes, repudiando Maria, repudiam todas as graças de Cristo.

Não me impeço, então, de citar aqui um poeta exímio — e muito mau –, Dante Alighieri, que escreveu, apesar de sua péssima doutrina pessoal, uma belíssimo louvor à Virgem Maria, (do qual faço uma bem miserável tradução livre, para facilitar a compreensão):

“Vergine Madre, figlia del tuo Figlio,

umile e alta più che creatura,

termine fisso d´etterno Consiglio,

Tu se´colei che l´umana natura

nobiliasti sì, che `l suo fattore

non disdegnó di farsi sua fattura.

Nel ventre tuo si raccese l`amore

per lo cui caldo nell`etterna pace

così è natto questo fiore.

Qui se´a noi meridiana face

di caritate, e giuso, intra i mortali,

se´di speranza fontana vivace.

Donna, se` tanto grande e tanto valli,

che qual vuol grazia ed a te non ricorre,

sua disianza vuol volar sanz` alli.

La tua benignià non pur socorre

a chi domanda, ma molte fiate

liberalmente al dimandar precorre.

In te misericordia, in te pietate

in te magnificenza, in te s`aduna

quantunque in creature é di bontate”

Virgem Mãe, filha de teu Filho,

humilde e mais excelsa que qualquer criatura,

objetivo fixo da eterna Sabedoria.

Tu és aquela que a natureza humana

enobreceste de tal modo que o seu autor

não desprezou fazer-se sua feitura.

Em teu seio, se reacendeu o amor.

por cujo ardor na eterna paz [do céu]

assim germinou esta flor [do conjunto dos bem aventurados em torno de Deus]

Aqui, [no céu] tu és para nós meridiana face

de caridade, e lá em baixo, entre os mortais,

tu és de esperança, fonte viva.

Mulher, tu és tão grande e vales tanto,

que quem quer graça e a ti não recorre,

seu desejo é o de voar sem ter asas. [Parece que Dante escreveu este terceto pensando nos protestantes]

A tua benignidade não socorre apenas

a quem pede, mas muitas vezes,

generosamente precede ao pedir.

Em ti misericórdia, em ti piedade,

em ti magnificência, em ti se reúne

tudo quanto na criatura há de bondade”.

(Dante, Divina Comédia, Paradiso, XXXIII, 1-21).

Prezada Professora Lígia, esta carta já vai bem longa, e como tenho mais 190 cartas em minha caixa de entrada, deixo de lhe responder, hoje, sobre as aparições de Nossa Senhora, em nossos tempos, porque é um outro tema, que desejaria tratar longamente.

Peço-lhe pois, que me desculpe a incompletude desta resposta, que completarei noutra ocasião.

E para que essa resposta prometida não fique para as calendas gregas, peço-lhe que me escreva de novo, lembrando-me de minha dívida.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

“Nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.” – sobre Santa Teresa de Ávila (ou de Jesus) – Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC)

Para relembrar: a citação da fonte traz a íntegra de um tema – jamais é um resumo; se assim fosse se chamaria matéria jornalística, que se baseia em várias fontes, sejam impressas ou factuais, certo? Confira o site do Carmelo Santa Teresa em sua totalidade. Prima pela simplicidade e a o mesmo tempo, profundidade e beleza. Nunca fui até o Mosteiro das Irmãzinhas Carmelitas Descalças de Itajaí-SC, e por isto não sei explicar, mas, no conjunto do site, as irmãs consagradas  me inspiram o seguinte: sensibilidade, despojamento, sinceridade. Portanto, mostram amor às criaturas e à natureza. Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz queriam isto das congregações que fundaram. Que Deus continue contemplando as suas necessidades, e que sempre  as abençoe com muito amor e com toda a paz que é possível neste mundo. Amém.

Esta biografia de Santa Teresa é muito rica em detalhes, além de estar carregada de intenso amor pela “madre e mestra” das Carmelitas Descalças; este carinho que se estende ao ramo masculino, fundado por São João da Cruz. Em breve publicarei algo mais sobre este santo, que, na minha visão era um religioso cândido, muito inteligente, simples, obstinado e extremado no amor a Deus Pai, nosso Criador.

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Fonte: CARMELO SANTA TERESA – MOSTEIRO DAS IRMÃZINHAS CARMELITAS DESCALÇAS (Itajaí-SC)

Santa Teresa Dávila (ou de Jesus)

Santa Tereza nasceu em Ávila, na Espanha, no ano de 1515. A educação que os pais deram a ela e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina  não conhecia maior  encanto que o da vida dos  santos mártires.   Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio, combinou com o irmão a fuga da casa paterna, plano que  realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais.

A idéia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da  menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora,  exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe.  Aceitai esta pobre órfazinha no número das vossas  filhas”.  A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte de Maria Santíssima,  prova que esse pedido foi atendido.

Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a  uma leitura profana, que poderia  pôr-lhe em perigo a alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes, um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadio da vaidade.  O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor,  entregar-se ao bem-estar, companheiro fiel da ociosidade, sem entretanto chegar ao extremo de perder  a inocência.

O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha,  entregou-a aos cuidados  das  religiosas agostinianas.  A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a  voltar para a casa paterna. Durante esta doença, percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e  servir a Deus, na solidão dum claustro. O pai, porém,  opôs-se a esse plano, no que foi contrariado por Teresa, que fugiu de casa, para se internar num mosteiro das Carmelitas, em Ávila. No meio do caminho lhe sobreveio uma grande repugnância pela vida religiosa, e por um pouco teria desistido da idéia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens,  seguiu resolutamente o caminho e ao transpor o limiar do mosteiro,  os receios e  escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração.

Durante o tempo do noviciado,  foi provada por outro relaxamento no fervor religioso que, aliás,  pouco tempo durou.  Deus mais uma vez lhe tocou o coração, mas de uma maneira tão sensível que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse; “ Senhor, não me levanto do lugar onde estou,  enquanto não me concederdes a graça e fortaleza  bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”.  A oração foi ouvida e de uma vez para sempre, ficou extinto no coração de Teresa o amor ao mundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus, do seu santo serviço.

Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Maria Santíssima e  de São José. Por isso, teve sempre profunda devoção a S. José e muito trabalhou para difundir este culto na Igreja.

Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as penitências que fazia, se bem que os confessores  opinassem que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave.   Em visões lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse seguido o caminho das vaidades. De tal maneira se  impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra carmelitana,  em todo o rigor primitivo. Esse plano, embora tivesse a aprovação do papa Pio IV,  a mais decisiva resistência encontrou da parte do clero e  dos religiosos. Teresa, porém,  tendo a intenção de agir por vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu.

Trinta e dois  mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados.  Em todos, tanto no convento dos religiosos, como das religiosas, entrou em vigor a  antiga regra. São João da Cruz foi quem assumiu e escreveu as regras para o segmento masculino, a pedido de Santa Teresa.

Em sua biografia há capítulos ( os 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade da  sua vida interior.  O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a  quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.

Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de agosto.

Doloroso foi o caminho da cruz pelo qual a  Divina Providência a quis levar e não faltou quem lhe envenenasse as  mais retas intenções, quem em suas medidas de  reforma visse obra do demônio, e intervenção direta diabólica. A calma lhe voltou, quando em 1559, se confiou à direção de São Pedro de Alcântara.

Não tardou que, em 1576, no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a reforma. Veio a proibição de novas fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos conventos.  Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: Foi, quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província carmelitana descalça.

Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a  execução da vontade divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos.

Santa Teresa teve o dom de  ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.

Sob  o impulso de uma graça especial fez o voto de fazer sempre aquilo que a consciência lhe dizia ser o mais alto grau da vida mística. Os numerosos escritos, asseguraram-lhe um dos primeiros lugares entre os místicos.

Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem  a todos os conventos de sua fundação ao ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta: “ Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a  felicidade de ver-vos eternamente.“ – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.”   – Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.

Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.

Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.

“São Pedro de Alcântara, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição.” – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (19 de outubro)

São Pedro de Alcântara, monge e prior franciscano, confessor, diretor espiritual, e idoso amigo de Santa Teresa de Jesus. Co-Padroeiro do Brasil.

Fonte:  Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

SÃO PEDRO DE ALCÃNTARA

Dados biográficos

Atualidade de São Pedro de Alcântara

O Padroeiro do Brasil

Sobre São Pedro

Oração

“Para dentro e para fora da Ordem”

Sua vida tem duas vertentes bem diferenciadas e, ao mesmo tempo, complementares: para dentro e para fora da Ordem. Para dentro, foi homem de governo, desempenhando o ofício de guardião, mestre de noviços, definidor provincial e ministro provincial; e reformador da vida franciscana em seus aspectos fundamentais. Para fora, foi homem de conselho e de discernimento, acompanhando espiritualmente homens e mulheres que, sabedores de sua santidade e vida espiritual, a ele recorriam: Carlos V, que o chamou a Yuste para falar de sua alma; reis e infantes de Portugal; condes de Oropesa; Rodrigo de Chaves, a quem dedicou seu “Tratado da Oração e Meditação”; Santa Teresa de Ávila e São Francisco Borja.

Frei Pedro viveu um momento histórico, um tempo marcado por intensa inquietude espiritual e grande desejo de renovação de vida. Tempo, como diz um cronista da época, “em que todo o mundo queria entrar no paraíso”. Eram tempos carregados de intensa vida eclesial: celebração de dois Concílios ecumênicos: o Latrão V e o de Trento; três anos santos: o de 1500, com Alexandre VI, o de 1525, com Clemente VII, e o de 1550, com Júlio III; nascimento de numerosas Ordens religiosas: mínimos, barnabitas, teatinos, jesuítas, irmãos de São João de Deus, ursulinas. Tempos de grandes iniciativas missionárias, particularmente na América por obra dos mendicantes, e na Ásia, pelos jesuítas. Eram tempos também de grandes reformas ao interno da Igreja, particularmente a reforma teresiana, e de muitas outras reformas contra a Igreja: a de Martinho Lutero, na Alemanha; a de Henrique VIII, na Inglaterra e Irlanda; a de Calvino, na Escócia; a da igreja nacional na Holanda.

A Ordem dos Frades Menores participou plenamente dessas ânsias de profunda renovação e de dinamismo missionário: início da reforma capuchinha; fortaleceu-se o trabalho missionário da Ordem no Novo Mundo, iniciado pelos chamados “XII Apóstolos”, que saíram para o México em 1523, renovou-se e cresceu com a chegada de mais 150 missionários; na Espanha consolidou-se a reforma dos descalços, iniciada por Frei Juan de Puebla e Frei Juan de Guadalupe e estruturada definitivamente por Frei Pedro de Alcântara com suas Ordenações. Uma reforma que logo se estendeu pela Espanha inteira, Portugal, Brasil, México e Filipinas e que tinha como motor a “estreitíssima observância” da Regra Bulada de São Francisco, lida à luz do Testamento, sem glosas nem comentários acomodatícios.

Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “É preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”

A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se  aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres. Frei Pedro escreveu o “Tratado da Oração e Meditação”.

Frei Pedro foi testemunha privilegiada de todos esses acontecimentos e participou ativamente em muitos deles. Apesar de seu gosto pela solidão e pela oração, não se recusou aos pedidos de conselho e orientação que pequenos e grandes, nobres e plebeus, santos e pecadores lhe faziam para se sentirem seguros nos caminhos da santidade.

São Pedro, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição. No momento em que muitos de seus conterrâneos se lançavam à descoberta e conquista de novos mundos e glórias humanas, Frei Pedro de Alcântara, como um dia fizeram Paulo de Tarso e Francisco de Assis, deixou tudo para ganhar Cristo e viver nele (cf. Fl 3,8).

Sua memória histórica continua viva por onde passou: El Palancar (Cáceres), lugar despojado, rico de solidão e recolhimento, pedra angular de sua reforma, modelo e referência de todas as outras fundações. Frei Pedro, que considerava a alegria espiritual “remo sem o qual não se pode navegar”, começou aqui a última etapa de sua vida; Arrábida, em Portugal, experiência de vida penitente e contemplativa, na qual o importante era manter vivo o “espírito de oração e devoção” com gestos concretos, com a busca intensa da presença de Deus, com “a mente e o coração voltados para o Senhor” (Rnb 22,19); Solitudine, em Piedimonte Matese (Itália), lugar de rigoroso silêncio, de intensa oração e penitência; Arenas de San Pedro (Ávila), com suas ermidas e capelas para recolhimento e solidão orante, onde repousam os restos mortais deste homem que, apesar de sua “áspera penitência – no dizer de Santa Teresa era muito afável… e de privilegiada inteligência”.

Frei Giacomo Bini, então Ministro Geral da OFM,  em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.

“A dimensão apostólica da vida contemplativa é « amar e fazer amar o Amor!»” – Santa Teresa de Jesus (Solenidade – 15 de outubro – Carmelo Santa Teresa-Coimbra)

Fonte: Carmelo de Santa Teresa – Coimbra

“Vossa sou para Vós nasci, que quereis Senhor de mim?” teresa_carmelocoimbra

Santa Teresa de Jesus

No dia 15 de Outubro, o Carmelo celebra
a Solenidade de Santa Teresa de Jesus.

No Carmelo de Santa Teresa
a Eucaristia será às 18.00 horas,
presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

Convidamos todos os nossos amigos a unirem-se à
nossa alegria e gratidão a esta grande Carmelita.

VIDA

NASCIMENTO E PRIMEIROS ANOS

Teresa, quando e onde nasceste?

Nasci em Ávila, Espanha, no dia 28 de Março de 1515. O meu pai chamava-se António Sánches de Cepeda e a minha mãe Beatriz de Ahumada.

Quantos irmãos eram?

Eramos três raparigas e nove rapazes. Do primeiro casamento do meu pai nasceu: o João, a Maria e o Pedro. Ficando viúvo muito cedo voltou a casar com a minha mãe de cujo casamento nasceram: o Fernando, o Rodrigo, eu, o Lorenço António, o Pedro, o Jerónimo, o Agostinho e a Joana. A todos estimava muito e era muito querida de todos, mas o meu companheiro preferido nas brincadeiras era o Rodrigo, com o qual tinha várias aventuras!

Podias contar-nos alguma?

Sim! Juntamente com Rodrigo lia muitas vidas de Santos e um dia, quando eu tinha 7 anos de idade, despertou em nós o desejo de ganhar depressa o céu, então, os dois juntos, decidimos fugir para terra de mouros à procura do martírio. Não conseguimos, porque o meu tio, D. Francisco, nos encontrou à saída de Ávila  e arrastou-nos para casa!

Quantos anos tinhas quando ficaste sem a tua mãe?

Tinha então 14 anos, quando me apercebi do que tinha acontecido a minha primeira reacção foi ir junto de uma imagem de Nossa Senhora e pedir-lhe que daí em diante fosse a minha Mãe. Parece-me que embora o tenha feito com ingenuidade valeu-me de muito, porque sempre encontrei ajuda junto dela.

COLEGIAL E CARMELITA

Quando entraste no Colégio das Irmã Agostinhas?

Quando tinha 16 anos o meu pai, receando que me entregasse demasiado às vaidades próprias da sociedade de então, decidiu meter-me neste Colégio a fim de que aí recebesse a boa educação e formação que minha mãe já não me podia dar.

Então o teu pai queria que fosses Religiosa?

Não, pelo contrário! Quando eu, aos 20 anos, decidi optar pela vida religiosa o meu pai negou-se terminantemente a dar-me licença, o que me forçou a fugir de casa na madrugada do dia 2 de Novembro de 1935, para entrar no Convento das Carmelitas da Encarnação em Ávila.

Como foram os primeiros tempos de Carmelita?

Como se sabe no Convento da Encarnação viviam mais de cento e cinquenta monjas, foi no meio delas que comecei o meu Noviciado precisamente um ano depois de entrar e fiz a Profissão a 3 de Novembro de 1537. Foi um tempo vivido com muito fervor e alegria, até que fiquei doente… O meu pai levou-me a Bacedas para me curar, mas voltei a Ávila ainda pior!

É verdade que foste considerada como morta durante três dias?

Por incrível que pareça, é verdade! Chegaram a pôr-me cera nos olhos, como então se fazia aos cadáveres. O meu estado era grave e os médicos davam-me por perdida. Como me vi paralisada com tão pouca idade e no que haviam dado comigo os médicos da terra, determinei-me a recorrer aos do Céu, para que me sarassem, pois desejava a saúde, embora sofresse com muito alegria a sua falta. Pensava algumas vezes que, se estando boa me havia de condenar, melhor seria estar assim. Pensava, no entanto que serviria muito mais a Deus com saúde. Tomei por advogado S. José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, desta necessidade, como de outras maiores, este pai me tirou com maior bem do que lhe sabia pedir. Embora tenha ficado ainda três anos paralisada e sempre mais ou menos doente, o que é isto comparado com a alegria de continuar a servir o Senhor!

Durante a viagem que fizeste a Bacedas para te curares aconteceu algo importante…

Sim, o meu tio deu-me um livro “O terceiro abecedário” que ensinava a praticar a oração de recolhimento; eu sempre fui muito amiga de livros, mas este devorei-o com especial predilecção e posso dizer que influenciou muito na minha espiritualidade e nas decisões futuras. Outro acontecimento importante foi a morte do meu pai, em 1543. Fui prestar-lhe assistência durante alguns dias e aí conheci o P. Barrón, O. P., que me ajudou a regressar à prática da oração e dos Sacramentos, de que andava um pouco distraída.

REFORMADORA E ESCRITORA

Quando começaste a reforma do Carmelo?

O primeiro Carmelo, de S. José, foi fundado em Ávila no dia 24 de Agosto de 1562, tinha então 47 anos. Aí passei os cinco anos mais tranquilos da minha vida na companhia das Irmãs que partilhavam o mesmo ideal de vida e santidade que eu.

Como surgiu a «ideia» de reformar a Ordem do Carmo?

Ao saber das rupturas na Igreja deste séc. XVI, ao ter notícias de tantos povos sem Evangelho no «novo mundo», comecei a pensar o que poderia fazer por todos eles… depois, numa conversa entre amigas, uma jovem lançou a pergunta: « E porque não fazer uma fundação, com poucas monjas, de vida mais solitária?» Não o tinha pensado, mas o Senhor mandou-me muito que o fizesse.

Quais foram as características principais que desejas-te incutir nas Carmelitas Descalças ou Reformadas?

Quis que o Convento de S. José, assim como os que lhe seguiram, fosse uma fiel IMITAÇÃO DO COLÉGIO DE CRISTO, apenas 12 Irmãs e a Prioresa, favorecendo assim o espírito fraterno, o clima familiar e a ajuda mutua. Aqui todas hão-de ser amigas, todas se hão-de amar no amor d’ Aquele que aqui nos juntou. Ao contrário da maioria dos Convento então existentes que viviam de rendas fixas, quis fundar este Convento em POBREZA, para que as que nele vivessem esperassem tudo, espiritual e material, apenas do Senhor, que nunca falta a quem O ama. Outra característica foi o clima de SILÊNCIO alternado com tempos de CONVÍVIO ENTRE AS IRMÃS, para assim favorecer a oração, a intimidade com o Senhor e alcançarmos melhor o fim para o qual o Senhor nos juntou aqui.

Foram muitas as contradições?

Sim! Quase todos se opuseram, o povo de Ávila que não queria ver-se obrigado a dar esmolas a mais um Convento, nessa altura eram às dezenas naquela cidade, alguns Sacerdotes e até as próprias freiras do Convento da Encarnação, que queriam continuar com a vida mitigada e achavam que o facto de eu querer mais radicalidade era uma injúria para elas, embora algumas me tivessem acompanhado na fundação do Convento de S. José.

Quantos Conventos fundaste em vida?

Com a ajuda e a graça do Senhor e apesar da minha fraca saúde, fundei 16 Conventos de Carmelitas Descalças em Espanha.

Fundou-se mais algum em que não tenhas ido pessoalmente?

Sim. O de Granada, que não podendo ir eu pessoalmente foi a Madre Ana de Jesus com um grupo de Irmãs e Fr. João da Cruz, primeiro Padre Carmelita Descalço.

Como se realizavam as fundações?

Com inumeráveis trabalhos e sacrifícios, cruzando os caminhos de Espanha juntamente com as Irmãs fundadoras, sempre em carros de cavalos. Por vezes o frio ou o calor eram em demasia, outras vezes os caminhos eram péssimos,… Enfim, tudo se passava com ânimo e confiança, pois tínhamos os olhos postos n’ Aquele que nos enviava e que esperava por nós no destino.

Por quem rezam as Carmelitas?

A nossa oração deve abraçar toda a humanidade, todos aqueles que pelo mundo fora mais precisam dela e aqueles que diariamente se dirigem aos Carmelos pedindo a oração das Irmãs, no entanto, temos especialmente presente duas grandes intenções: a conversão dos pecadores (aqueles que andam mais afastados de Deus, que mais O ofendem e se condenam pelos seus próprios actos) e  a santificação dos Sacerdotes. Estas intenções que o Senhor, no séc. XVI, me inspirou a pedir às Carmelitas que tivessem presentes na oração continuam a ser de maior importância, urgência e necessidade no séc. XXI.

Foi por estas alturas que começaste a escrever…

Comecei a escrever ainda estava em S. José, a pedido das Irmãs e por vontade dos meus confessores. Não foi sem algum sacrifício que o fiz entre as canseiras das fundações, o peso da doença e a falta de tempo, mas fi-lo para cumprir a vontade de Deus e sempre com o desejo de, com a minha experiência de vida, poder ajudar quem os lesse.

Sem contar as poesias, as muitas cartas e outras pequenas obras, escreveste vários livros, podias enumerá-los?

O primeiro foi o «Livro da Vida», a minha autobiografia;

depois o «Caminho de Perfeição» especialmente dedicado às minhas Irmãs que me pediam continuamente que lhes escrevesse sobre a oração;
o «Livro das Fundações» onde conto o que nelas de mais notável acontecia;
o «Castelo Interior» que eu considero uma das maiores “luzes” que o Senhor me deu; entre outros…

No final da fundação de Burgos, talvez a mais difícil de todas, Teresa chega a Alba de Tormes esgotada. A 4 de Outubro de 1582 (que passará a ser 15 pela reforma do calendário ocorrida nesse dia) ela entra definitivamente na vida para desfrutar de todo o trabalho que teve pela expansão do Reino e principalmente pelo bem da Ordem do Carmelo e da igreja. Depois de passar com valentia por aventuras, obstáculos, negociações, difamações, ameaças a si própria e à reforma iniciada, ela parte feliz exclamando:

Enfim, morro filha da Igreja!”

SANTA E DOUTORA DA IGREJA

Onde se conserva o corpo de Teresa?

Os seus restos mortais encontram-se à veneração dos fieis no Convento das Carmelitas Descalças de Alba de Tormes, onde morreu.

Quando foi beatificada?

No dia 24 de Abril de 1614, por Paulo V.

Quando foi canonizada?

No dia 12 de Março de 1622, pelo Papa Gregório XV.

Quando e porquê foi, S. Teresa de Jesus, proclamada Doutora da Igreja?

No dia 27 de Setembro de 1970, por Paulo VI. Foi a primeira mulher  a quem a Igreja atribuiu este título, porque reconheceu na sua vida um modelo exemplar e os seus escritos alcançaram um lugar eminente na literatura universal da Igreja. Assim,  a doutrina de Teresa passa a ser, não só do Carmelo, mas de toda a Igreja, que pode e deve encontrar nela ajuda e luz.

MISSÃO

“A Carmelita não tem um lugar para viver,

ela vive pelo mundo.”

«A vocação das Carmelitas  é essencialmente eclesial e apostólica.
O apostolado a que S. Teresa quis que se dedicassem suas filhas  é puramente contemplativo e consiste na oração e na imolação com a Igreja e pela Igreja” ( Const. 126 )

« Iluminados pelo testemunho de S. Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, todos os Carmelos procurarão fomentar o espírito missionário , que deve animar a sua vida contemplativa. » ( Const. 127 )

O Carmelo define assim a sua missão:

Buscar e viver neste mundo a presença do Deus vivo e verdadeiro que,

na pessoa de Cristo, habitou entre nós. Mediante a nossa vida esforçamo-nos por ser

testemunhas desta verdade escatológica,

sensibilizando os outros para descobrirem

a presença de Deus nas suas Vidas.

A dimensão apostólica da vida contemplativa é

« amar e fazer amar o Amor!»

(S. Teresa do Menino Jesus)

As Carmelitas apresentam a Deus na oração “as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias da humanidade actual.” ( G.S. )

A Carmelita é missionária, porque  tem o coração no mundo inteiro,
porque sabe que existe para os outros.

Ser Carmelita é ser Igreja com a Igreja é ter o coração aberto a todas a humanidade!

CARISMA

ESCUTA DA PALAVRA

Os primeiros ermitas do Monte Carmelo
identificaram-se como grupo ou fraternidade,
quando se uniram por um ideal comum:
Viver em obséquio de Jesus Cristo”. velinha

Tinham que realizá-lo adquirindo uma
docilidade especial ao Espírito
que se manifesta na Palavra
e que transmite a mensagem
radical do Evangelho.

Para que a palavra seja eficaz
e se converta em acção
há que aceitá-la e encarná-la.

IRMANDADE MARIANA

Quando foi exigido aos Carmelitas um nome ou

uma identificação que os distinguisse dos outros

religiosos, eles definiram-se como

“Irmãos da Bem-Aventurada Virgem

Maria do Monte Carmelo” .

Esta eleição, que vem praticamente das origens,

foi escolhida, não como distintivo honorífico,

mas como conteúdo espiritual definido,

tendo como ideal a perfeição evangélica em comunhão

com a Santa Mãe de Deus.

EM ESPÍRITO E VIRTUDE DE ELIAS

O  «eleanismo» juntamente com o marianismo definem e qualificam todos os Carmelitas.

O começo histórico da Ordem na montanha bíblica do
profeta cria uma espécie de enlace entre o Carmelo e Elias.

« Ardo de zelo pela glória do Senhor, Deus do Universo »

Deus não está nem no furacão , nem no terramoto :

o Profeta Elias encontrou-O na brisa suave.

ENCONTRO DOS IRMÃOS

A Palavra aceite com docilidade na Contemplação

traduz-se necessariamente em acção.

O Carmelo existe em favor da Igreja e dos Irmãos,  por isso projecta a sua vida de maneira a que o contacto com Deus se converta em busca do bem do próximo.