O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
Fonte:Agência Ecclesia (Agência de Notícias da Igreja Católica de Portugal)
20.12.2009
«Não nos abandonem», pede bispo iraquiano
O bispo auxiliar do patriarcado de Babilónia dos Caldeus (Iraque), D. Shlemon Warduni, lançou um apelo “a todos os cristãos do mundo”: “Não nos abandonem!”.
O pedido foi proferido durante a visita ao Vaticano, que decorre durante estes dias. A estadia faz parte de uma viagem que o prelado está a fazer pela Europa, com o objectivo de pedir solidariedade e ajuda para a reconstrução e recuperação das igrejas e edifícios pastorais de Bagdad, que foram danificados com os atentados dos últimos meses.
A situação dos fiéis iraquianos “provoca preocupação e dor”, declarou o bispo auxiliar. A instabilidade política e a ingovernabilidade, seguidas das “guerras” e “ocupação militar”, geraram miséria e destruição.
Por isso, afirmou D. Warduni, “muitos cristãos, como tantos outros milhares de cidadãos, tiveram que deixar o país. Perdemos aproximadamente um terço de nossa comunidade”.
O prelado denunciou que a “falta de planejamento político faz crescer o terrorismo, que quer ainda desestabilizar o país”.
“A Igreja no Iraque – acrescentou – pede à comunidade internacional um apoio mais forte e mais decidido. É urgente uma pressão firme dos governos ocidentais para a estabilização do quadro iraquiano e a retomada da legalidade e da segurança”.
Com Rádio Vaticano
Internacional | Agência Ecclesia | 2009-12-18 | 16:59:13| Ásia
TEMOS QUE AMAR VERDADEIRAMENTE DEUS PARA PODER CONHECÊ-LO
PAPA: NÃO É POSSÍVEL CONHECER DEUS SEM AMÁ-LO
Cidade do Vaticano (RV) – Ontem, quarta-feira, Bento XVI recebeu milhares de peregrinos e turistas, na Praça S. Pedro, para a Audiência Geral. Em sua catequese, o papa falou de Guilherme de Saint-Thierry, abade nascido em Lieja por volta do ano 1080.Dotado de grande inteligência e de um amor inato pelo estudo, freqüentou uma das escolas mais famosas de seu tempo, como a de sua cidade natal, Reims, na França.
Amigo e biógrafo de São Bernardo de Claraval, Guilherme de Saint-Thierry, após ter sido abade em um mosteiro beneditino, decidiu fazer-se cisterciense, dedicando-se à contemplação orante dos mistérios de Deus e à composição de escritos de literatura espiritual.
Para o papa, podemos considerá-lo como o “Cantor do amor, da caridade”, pois, segundo ele, a força principal que move o espírito humano é o amor.
A natureza humana, na sua mais profunda essência, é feita para amar, recordou Bento XVI. Porém, o homem só consegue realizar este objetivo, sincera, autêntica e gratuitamente, aprendendo na escola de Deus, que é Amor.
“A vocação do homem é tornar-se como Deus, que o criou a sua imagem e semelhança. Por sua vez, o amor ilumina a inteligência e permite conhecer melhor e de um modo mais profundo a Deus e, em Deus, as pessoas e os acontecimentos. Assim, nós conhecemos realmente apenas as pessoas e as coisas que amamos.
A Deus, O conheceremos se O amarmos” – afirmou. Após a catequese, o papa recordou que hoje se celebram os 25 anos da promulgação da Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, que chamou à atenção a importância do sacramento da penitência na vida da Igreja. Nesta significativa data, Bento XVI citou algumas figuras extraordinárias de “apóstolos do confessional”, incansáveis dispensadores da misericórdia divina: São João Maria Vianney, São José Cafasso, São Leopoldo Mandić, São Pio da Pietrelcina.
“Que o testemunho de fé e de caridade encoraje vocês, caros jovens, a fugirem do pecado e a projetarem seu futuro como um generoso serviço a Deus e ao próximo.
Que ajude vocês, queridos enfermos, a experimentarem no sofrimento a misericórdia de Cristo crucificado. E peço a vocês, queridos noivos, a criarem na família um clima constante de fé e de recíproca compreensão” – afirmou o pontífice.
Por fim, aos sacerdotes, especialmente neste Ano Sacerdotal, o papa faz votos de que o exemplo desses santos, seja para eles e para todos os cristãos um convite a confiar sempre na bondade de Deus, aproximando-se e celebrando com confiança o Sacramento da Reconciliação. (BF)
VATICANO – Dom Migliore, na ONU: “A liberdade religiosa inclui o pleno respeito e a promoção não somente da liberdade fundamental da consciência, mas também da expressão e da prática da religião por parte de cada um, sem restrições.”
Nova Iorque (Agência Fides) – “A responsabilidade específica e primária das Nações Unidas em relação à religião é a de debater, esclarecer e ajudar os Estados a garantir plenamente, em todos os níveis, a promoção dos direitos à liberdade religiosa, como afirmam os importantes documentos das Nações Unidas, que incluem o pleno respeito e a promoção não somente da fundamental liberdade de consciência, mas também da expressão e da prática da religião por parte de cada um, sem restrições”. Afirmou o arcebispo Celestino Migliore, Observador Permanente da Santa Sé, na ONU, em seu pronunciamento no dia 10 de novembro na 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, sobre o artigo 49: “Cultura e Paz”.
Dom Migliore recordou que “a procura de religião e a ajuda que elas dão à paz e ao desenvolvimento” nos últimos anos se tornaram questões urgentes e inevitáveis para a opinião pública mundial. Se no início da revolução industrial a religião era indicada como “ópio dos pobres”, disse ainda o arcebispo, no contexto da globalização ela é hoje considerada “a vitamina do pobre”. Ele sublinhou que as religiões têm como único objetivo o de se colocarem a serviço da dimensão espiritual e transcendente da natureza humana: elas têm a tendência de elevar o espírito humano, protegem a vida, reforçam os fracos, traduzem os ideais em ações, ajudam na solução das desigualdades, permitem às pessoas a plena realização de seu potencial, resolvem situações de conflito e de injustiça por meio da reconciliação…
O observador permanente da Santa Sé falou também sobre as manipulações da religião feitas na história por alguns líderes, como o fato que movimentos ideológicos e nacionalistas tenham tomado as diferenças religiosas para apoiar sua própria causa. “Hoje o diálogo inter-religioso que leva a buscar raízes teológicas e espirituais das diferentes religiões em vista de um recíproco conhecimento e cooperação, é sempre mais um imperativo e uma convicção”, sublinhou Dom Migliore, recordando como a Igreja Católica quarenta anos atrás, com o decreto conciliar Nostra Aetate, se colocou sobre esta estrada tanto que hoje muitas denominações cristãs e outras religiões são empenhadas no diálogo, apoiado pela Santa Sé com numerosas iniciativas.
Alguns recentes eventos, sociais e políticos, renovaram o compromisso das Nações Unidas a integrar a sua reflexão com a afirmação de uma cultura de respeito, com específico cuidado pela compreensão inter-religiosa, disse ainda Dom Migliore, que concluiu seu pronunciamento sublinhando que o objetivo principal das Nações Unidas na busca da compreensão e da cooperação entre as religiões é fazer com que “os Estados, tal como em todos os âmbitos da sociedade humana, reconheçam, respeitem e promovam a dignidade e os direitos de cada pessoa e de toda comunidade no mundo”. (S.L.) (Agência Fides 11/11/2009)
Licenciado em Direito Canônico no Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico no Rio de Janeiro em 1993; Doutor em Direito Internacional Familiar pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma em 1998; especialização em Jurisprudência pela Universidade Gregoriana de Roma em 1998; Juiz do Tribunal Eclesiástico Regional do Rio de Janeiro; Professor de Direito Canônico no Instituto de Teologia no Rio de Janeiro e no Instituto de Filosofia e Teologia em Niterói; Professor de Direito Canônico no Instituto das Ciências Religiosas no Rio de Janeiro; Professor de Direito Eclesiástico Público no Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro; membro do Consórcio Latino Americano da Liberdade Religiosa.
Artigos/5
A liberdade religiosa no novo milênio
“A liberdade religiosa constitui o coração dos direitos humanos. Essa é de tal maneira inviolável que exige que se reconheça às pessoas a liberdade de mudar de religião se assim sua consciência demandar. Cada qual, de fato, é obrigado a seguir sua consciência em todas as circunstâncias e não pode ser constrangido a agir em contraste com ela. Devido a esse direito inalienável, ninguém pode ser obrigado a aceitar pela força uma determinada religião, quaisquer que sejam as circunstâncias ou as motivações…”.
Quem assim escreve é o papa João Paulo II na sua mensagem anual aos chefes de Estado, por ocasião do Dia Mundial da Paz de 1999. Na mesma mensagem, ele lembra que também a Declaração Universal dos Direitos Humanos (art. n.º 18) reconhece o direito à liberdade religiosa, incluindo o de manifestar as próprias crenças seja individualmente ou com outros, abertamente como em privado. O respeito à liberdade religiosa é um dos fundamentos da paz mundial.
Tudo isso parece óbvio, mas como está, de fato, a liberdade religiosa no mundo, em particular na entrada do novo milênio? Como se comportam os Estados que assinaram as diferentes convenções internacionais sobre os direitos humanos, sobretudo com referência às minorias religiosas que vivem em suas fronteiras?
Desconsiderando episódios individuais de intolerância que acontecem em qualquer lugar do mundo, em geral, temos que, na maior parte da Europa Ocidental, na América do Norte, Austrália e América Latina, existe respeito ao cristianismo, às minorias religiosas e a outras religiões, exceção feita ao México, a Venezuela e a Cuba.
Em outros países, embora não haja verdadeiras perseguições, há restrições contidas nas legislações ou pressões políticas sobre determinados grupos religiosos. Na França, por exemplo, pela herança leiga da Revolução de 1789, percebemos um paradoxo: querendo respeitar o direito à liberdade dos cidadãos, chega-se a restringir manifestações religiosas públicas, mas, na prática, tolera-se a oração diária nas ruas dos numerosos muçulmanos que imigraram para o país[1].
Em geral, os países que mais desrespeitam – total ou parcialmente – a liberdade religiosa dos seus cidadãos são aqueles com governos ditatoriais de matriz comunista, como China, Coréia do Norte, Mianmá e Tibete, chegando a verdadeiras perseguições com prisões, torturas e até morte. Ultimamente, na China, houve a morte não bem explicada nas cadeias do governo de vários seguidores da seita Falum Gong[2].
Nos países muçulmanos da Ásia e da África, pelo menos onde o islã foi assumido como religião do Estado, todos os cidadãos que não o praticam são considerados “infiéis” e sofrem fortes discriminações em todos os campos, além de limitações no trabalho. A “perseguição” nem sempre é violenta, mas sempre discriminatória. Na Arábia Saudita e no Afeganistão, por exemplo onde a lei corânica ou sharia foi adotada como lei fundamental do Estado e principal fonte do direito civil e penal, a perseguição chega até a aplicação da morte para os muçulmanos que mudam de religião ou para os estrangeiros que tentam converter os islâmicos. Mesmo para os estrangeiros de passagem nesses países, está proibida qualquer manifestação pública da própria religião, como carregar objetos religiosos, convocar reuniões e outros atos, como o consumo de bebidas alcoólicas, o não uso do véu para as mulheres, etc. Para eles aplica-se a pena da fustigação e a deportação por desobediência aos preceitos corânicos.
Essa perseguição não atinge apenas as várias denominações cristãs, mas todas as religiões. As sociedades islâmicas, em geral, estão longe de admitir a possibilidade da separação e autonomia entre Estado e religião como é normal nos países modernos.
Uma das finalidade do Jubileu promulgado pelo papa João Paulo II era a paz e a concórdia entre as religiões e os povos. O ano 2000, porém, foi sombrio para muitos cristãos das várias denominações, em particular para os que vivem nos países islâmicos.
Começou já no primeiro dia do ano 2000, no Egito, quando uma briga na aldeia de Al Koheh, a 440 quilômetros do Cairo, entre comerciantes islâmicos e cristãos ortodoxos provocou uma verdadeira batalha nas ruas, além de saques às lojas dos últimos. Mais de quarenta cristãos foram mortos. O fato causou profundo embaraço às autoridades egípcias que, em vista do Jubileu, tinham prometido, como gesto de amizade às religiões, a autorização para o restauro de monumentos coptas, igrejas e mosteiros, após anos de descuido. Para justificar-se diante da opinião mundial, o governo do Cairo, acusou elementos criminosos de atiçar o ódio religioso.
Na Nigéria, país africano com 50% de muçulmanos e 40% de cristãos, houve uma tentativa, por parte do governo local, de impor a sharia. Os cristãos rebelaram-se e os conflitos provocaram mais de mil mortos. Conforme Peter Yakubu, porta-voz da diocese de Kaduna na região dos conflitos, os extremistas muçulmanos teriam anunciado um prêmio de mil dólares para cada sacerdote eliminado. De fato, foram mortos três vigários, oito seminaristas e 38 pastores de várias denominações. Entre os sacerdotes, a vítima mais procurada pelos islâmicos, foi Pe. Clement Ozi Bello, um convertido do islã[3].
Em abril do ano 2000, foi a vez das Filipinas, onde o grupo terrorista de Abu Sayaf decapitou dois professores cristãos de um grupo de 29 católicos seqüestrados na província de Basilan. Para soltar os reféns, os terroristas pediam a libertação de um chefe muçulmano, a abolição das cruzes e outros símbolos cristãos na ilha de Mindanao, onde eles reclamam um Estado islâmico independente. Em julho, outros guerrilheiros seqüestraram e depois massacraram, no interior de uma mesquita, 21 cristãos da província de Lanar Del Sur[4].
No Paquistão, perto de Lahore, homens mascarados bloquearam um caminhão que transportava trabalhadoras e depois de ter separado as cristãs das muçulmanas, as violentaram. Os culpados, após serem presos pela polícia, afirmaram que eram membros de uma organização integralista muçulmana, a Lakshary Taiba[5].
Na Arábia Saudita, em 17 de janeiro 1999, foram aprisionados 16 filipinos surpresos na casa de um deles, em Riad, enquanto liam a Bíblia. Entre eles, havia crianças de 2 a 12 anos que também ficaram na cadeia.
No Quênia, por causa de ódios religiosos, houve tumultos entre jovens cristãos e muçulmanos na periferia de Nairobi, a capital, durante os quais foram queimadas duas igrejas e uma mesquita; entre os feridos, havia também o arcebispo anglicano[6].
Nas Molucas, em novembro passado, foram mortos 93 cristãos e várias aldeias foram destruídas e queimadas. Os autores, segundo as fontes citadas pela BBC, parece que são membros da Laskar Jihad, organização paramilitar extremista islâmica que declarou a guerra santa contra os não-islâmicos.
Neste artigo é difícil citar a situação de todos os países em que existem restrições, diretas ou indiretas, à liberdade religiosa, por isso escolhemos alguns exemplos para uma análise mais atenta.
Afeganistão: Pena de morte para quem tenta converter muçulmanos para outras religiões. A aplicação da pena de morte para os afegãos que se convertessem a outras religiões era já conhecida, mas, no começo de janeiro de 2001, o líder supremo dos talebans, Mullah Mohammed Omar, anunciou a pena também para todos os que forem descobertos tentando convertê-los a outras religiões. As pessoas visadas são, especialmente, os cristãos e os judeus. Omar anunciou a detenção, por até cinco anos, para os livreiros que vendem material que critica o islã ou informa sobre outras religiões. O decreto também acusa, sem o respaldo de provas, que o pessoal de agências internacionais presentes no país estaria tentando obter conversões para o cristianismo. Por isso, o decreto alerta todos os cidadãos que, se um muçulmano se converter a essas religiões abolidas no Afeganistão, se for visto praticar o cristianismo ou o judaísmo, distribuir literatura religiosa ou fazer propaganda da mesma, será condenado à morte.
No Afeganistão, a presença cristã é mínima, conforme o World Evangelization Research Center: 2 675 cristãos e um só rabino. Os outros teriam fugido durante a invasão russa e estão sendo acusados de fazer uma campanha difamatória contra o islã, em particular, contra o modelo religioso dos talebans. A aplicação da sharia excluiu as mulheres do trabalho e da educação após os 8 anos de idade, além de impor-lhes a veste cumprida que cobre totalmente o corpo, deixando somente uma espécie de rede diante dos olhos para enxergar. Para os homens, tornou-se obrigatória a barba longa, a oração na mesquita e foram-lhes proibidos muitos tipos de espetáculos, especialmente os ocidentais[7].
A questão das mulheres é alvo das organizações internacionais que estão exercendo pressões para obrigar os talebans a mudar sua legislação a respeito. Esse último decreto de janeiro teria também um motivo político: no dia 19 de dezembro de 2000, as Nações Unidas proibiram a vendas de armas aos talebans, caso não entregassem o terrorista internacional, Ossana Benladen. A resposta veio um mês depois com este decreto.
México: Católicos 89,7% (89 milhões); Protestantes 4,9%; outros 5,4%[8].
O México passou por uma perseguição anticatólica, entre 1922 e 1930, que provocou mortes. Naqueles anos, foram confiscadas todas as propriedades da Igreja, que ainda não fora restituídas. A Constituição atual estabelece, em teoria, o direito de praticar a religião, conforme a escolha pessoal, porém, se a autoridade do governo central pratica uma grande tolerância, as autoridades periféricas e locais estão sendo acusadas, em diversas regiões do país, de práticas vexatórias e restritivas contra os grupos religiosos.
Esses grupos podem existir somente se forem registrados no Sub-secretariado dos Negócios Religiosos. Para construir novas igrejas ou reformar edifícios eclesiais, é necessária a licença explícita das autoridades; também é preciso ter autorização para iniciar novas comunidades religiosas no interior do país e para realizar reuniões fora do lugar reservado ao culto. O governo central, salvo casos de dificuldades políticas, geralmente, concede com relativa facilidade essas permissões.
Pela estrita divisão entre governo e Igreja, fica proibida a instrução religiosa nas escola públicas, embora seja permitido aos grupos religiosos ter escolas próprias que não recebem porém subvenções do governo. Os programas escolares oficias em que se abordam argumentos religiosos, são catalogados como programas sobre o “desenvolvimento humano” ou “ética e valores humanos”.
As denominações religiosas não podem possuir emissoras de rádio ou de TV, mas a Igreja católica conseguiu um emissora TV via cabo, para todo o território nacional. Para transmitir programas de rádio e televisivos nas emissoras públicas, as organizações religiosas precisam sempre da permissão do governo. Os religiosos estrangeiros devem receber uma licença para visitar o país com finalidade religiosa, mas estão proibidos de instalar-se em lugares onde existe a guerrilha como as regiões do Chiapas e de Oaxaca.
Na região do Chiapas, por causa da guerrilha, as autoridades civis, com a aprovação das autoridades centrais, atribuem-se o direito de controlar, ocupar, fechar igrejas e edifícios religiosos, nomear e trocar vigários suspeitos de simpatia para com os guerrilheiros[9].
A Constituição desse subcontinente proclama a liberdade de religião e, se o governo central parece respeitá-la, os regionais a toleram, com restrições. Pelas denúncias da organização Human Rights Watch, muitos funcionários dos partidos dos governos locais são os responsáveis pelo incitamento ao ódio contra as minorias religiosas. Em vários lugares, houve atos de grave violência contra muçulmanos por parte de hindus, contra hindus por parte de muçulmanos, hindus contra sikhs e vice-versa, hindus e muçulmanos contra cristãos, com mortes, destruição de edifícios religiosos de todas as religiões, queima de livros sagrados, profanações de cemitérios, violações e estupros de religiosas.
Para entender esses conflitos, é necessário lembrar também a importância do sistema de castas na Índia e das várias etnias que tem a religião como fator de união e de distinção. Passar para outra religião é trair e debilitar a própria etnia.
A presença de missionários cristãos entre as populações tribais é mais um motivo de intolerância para os extremistas hindus e muçulmanos contra os cristãos.
Não existem leis nacionais que impeçam o proselitismo por parte dos cristãos e outras religiões, mas, desde 1960, as autoridades não aceitam missionários estrangeiros que queiram se estabelecer no país; todavia, esses podem permanecer por uma curta temporada, por turismo ou se possuem alguma qualificação profissional útil ao país. A partir de 1999, essa licença de permanência provisória para os missionários, foi reduzida.
A liberdade religiosa na India, desde 1998, vem diminuindo para todos, especialmente para os cristãos, embora o governo central tente tímidas medidas para evitar choques e conflitos com mortes. A lista das pessoas assassinadas e violentadas, dos edifícios e templos destruídos está crescendo: em 23 de janeiro de 1999, um pastor protestante australiano, com seus dois filhos, foi queimado dentro do carro por hindus exaltados, no estado do Bihar. Em 12 de fevereiro, foi a vez de dois sacerdotes. Em seguida, foram as residências de religiosas saqueadas, as mulheres cristãs violentadas e feridas, os cristãos mortos, mais um sacerdote assassinado e uma aldeia cristã atacada e queimada nos Estados de Orissa e Gujarat. Alguns desses atos foram encabeçados por importantes líderes locais do Partido Nacionalista Hindu, o BIP. Outros atos de vandalismo são diários, como impedir às mulheres cristãs de pegar água nos poços das aldeias[11].
O clima de pesadas e graves intimidações e a não intervenção das autoridade para defender as vítimas dos fundamentalistas provocou um verdadeiro pânico entre as comunidades religiosas minoritárias e vem suscitando a vingança dessas minorias, quando numericamente fortes para reagir.
Em 28 de janeiro 2000, a organização Human Rights Without Frontiers alertou para uma proposta de lei apresentada no Estado de Gujarat que proíbe qualquer conversão de uma religião para outra, seja qual for o meio que a induziu: força, promessa, aliciamento, etc. O Partido nacionalista Bharatiya Janata Party, que apresentou o projeto de lei, tem maioria absoluta e a lei será aprovada, agravando ainda mais a situação de desrespeito à liberdade religiosa.
Nesse país, após a queda do regime comunista, a Constituição sanciona total liberdade religiosa, mas esse direito está sendo esquecido no dia-a-dia, porque, de fato, tolera-se somente a prática individual das religiões. O governo reconhece oficialmente algumas organizações religiosas, como o budismo, a Igreja católica, alguns grupos locais de origem budista e o islã. Todos os que pertencem ao clero de todas as religiões devem se alistar num cadastro governamental e se submeter estritamente às normas emitidas pelos governos locais que usam e abusam dessa autoridade.
Os bispos devem ser aprovados pela autoridade central e só podem se reunir uma vez ao ano, com a presença de agentes governamentais; não é permitido construir, reformar edifícios religiosos e seminários e, até a presente data, não foram restituídos os templos e as igrejas confiscadas pelo antigo regime comunista. O número de seminaristas é regulado pelo governo que também aprova ou não os que vão ser ordenados.
Os monges budistas devem se filiar a uma organização controlada pelo governo que, aliás, infiltra agentes seus em todos os grupos religiosos. Nos territórios que estão ao longo das fronteiras com o Laos e China, não é permitida nenhuma presença de clero ou lugares de culto e o cristianismo ali é abertamente perseguido com prisão de fiéis, quando encontrados com objetos de culto ou reunidos com fim religioso: uma questão de segurança nacional. Embora o governo desminta, parece que há presos incomunicáveis por motivos religiosos, conforme denúncia da Human Rights[13].
Pressionada entre a Polônia e a Rússia, a Bielo-Rússia reconquistou sua independência após a queda da ex-URSS. Lá, ainda hoje, existem conflitos religiosos entre as várias denominações cristãs.
A Constituição aprova a liberdade religiosa, mas também afirma que as relações entre Igrejas e Estado são reguladas conforme as “tradições espirituais e culturais nacionais do povo bielo-russo”. Na prática, isso favorece, de maneira total, a Igreja ortodoxa para criar – justifica o governo – através da ortodoxia, a unidade do povo. Praticamente, o governo não reconhece e combate abertamente as confissões religiosas desconhecidas e as não registradas no Departamento governamental e assim pode intervir, proibir reuniões, publicações, construções de lugares de culto das religiões consideradas não condizentes com a cultura ortodoxa do país. Os não-ortodoxos encontram dificuldades até para encontrar trabalho e são automaticamente excluídos dos empregos estatais.
Para evitar de serem considerados estrangeiros no próprio país, os bielo-russos, de origem polonesa, católicos, evitam usar símbolo nacionais poloneses, prevenindo retaliações governamentais. O atual governo concede licenças temporárias a sacerdotes estrangeiros para enfrentar a escassez do clero após a revolução comunista. Ultimamente, porém, tendo permitido a abertura de um seminário, disse que já não concederia mais outras licenças.
Em 1999, houve ainda mais um deterioramento no respeito à liberdade religiosa, sempre para proteger a Igreja ortodoxa. Em base a um decreto, os missionários estrangeiros devem ser somente religiosos, isto é, leigos ou mulheres não recebem permissão de entrada e as licenças são válidas somente por um ano[15].
Cuba: População 11.270.000; Cristãos 4.984.033; Católicos 6.331.000[16].
O governo cubano proibiu aos alunos da capital que usem, dentro das escolas, símbolos religiosos, como medalhas, crucifixos e escapulários. Diante das reclamações dos pais, a provedoria justificou a medida como uma maneira de coibir obstáculos ao “trabalho político-ideológico” feito com os alunos.
Outro procedimento contra os católicos foi adotado pelo Ministério da Saúde, proibindo aos médicos que prescrevam receitas aos seus pacientes, visto que com elas podiam receber gratuitamente os remédios fornecidos pela Igreja católica. Embora o país tenha feito progressos significativos no campo da saúde popular, a escassez de remédios continua. Para aliviar a situação, a Igreja católica, através da Cáritas, colabora, distribuindo gratuitamente remédios recebidos de países europeus. Numa assembléia municipal de Aguada de Pasajeron, o diretor da saúde, Gilberto Ramos, ameaçou com pesadas multas os médicos que prescrevem receitas; o motivo seria o medo do governo de perder o controle sobre a vida dos cubanos[17].
Conclusão.
A liberdade religiosa continua sendo violada na China, Iraque, Oriente Médio e Turquia. As violações são cometidas em todo o planeta, inclusive em países democráticos, segundo o Relatório 2006, um dossiê sobre a liberdade religiosa no mundo apresentado pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACS).
As violações incluem leis conservadoras, legislações formalmente liberais mas não aplicadas, e outras menos visíveis cometidas em contextos democráticos.
[1][1] Cf. [1] Cf. Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, [1] Cf. Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Relatório 2005 sobre a Liberdade religiosa no Mundo[1] Cf. Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Relatório 2005 sobre a Liberdade religiosa no Mundo, (Título original: [1] Cf. Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Relatório 2005 sobre a Liberdade religiosa no Mundo, (Título original: Rapporto 2005 sulla Liberta Religiosa nel Mondo[1] Cf. Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Relatório 2005 sobre a Liberdade religiosa no Mundo, (Título original: Rapporto 2005 sulla Liberta Religiosa nel Mondo), tradução portuguesa, Lisboa 2006, pp. 51-52.
[2][2] [2] Cf. [2] Cf. Ibidem[2] Cf. Ibidem, pp. 182-207.
[3][3] [3] Ibid.[3] Ibid., pp. 371-374.
[4][4] [4] Ibid.,[4] Ibid., pp. 214-215.
[5][5] [5] Ibid[5] Ibid., p. 269.
[6][6] [6] Ibid., [6] Ibid., pp. 375-378.
[7][7] [7] Ibid.,[7] Ibid., pp. 160-161.
[8][8] [8] Ibid[8] Ibid., p. 140.
[9][9] [9] Ibid[9] Ibid., pp. 140-141.
[10][10] [10] Ibid.,[10] Ibid., p. 220.
[11][11] [11] Ibid[11] Ibid., pp. 220-227.
[12][12] [12] Ibid., [12] Ibid., p. 306.
[13][13] [13] Ibid[13] Ibid., pp. 306-312.
[14][14] [14] Ibid[14] Ibid., p. 32.
[15][15] [15] Ibid[15] Ibid., pp. 32-36.
[16][16] [16] Ibid[16] Ibid., p. 124.
[17][17] [17] Ibid[17] Ibid., pp. 124-127.
Publicado na íntegra – Artigo produzido em 2006 -http://adamkowalik.tripod.com/id23.html. Site atualizado em 17.09.2008.
Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica
Amizade natural entre fé e razão
Valores e dinamismo dos povos africanos “Entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação”, afirmou o Papa na audiência geral de quarta-feira, 28 de Outubro, na Praça de São Pedro, falando sobre teologia monástica e teologia escolástica que floresceram no século XII.
Queridos irmãos e irmãs!
Detenho-me hoje a falar sobre uma interessante página de história, relativa ao florescimento da teologia latina no século xii, que se verificou devido a uma série providencial de coincidências. Nos países da Europa ocidental reinava então uma paz relativa, que garantia à sociedade desenvolvimento económico e consolidação das estruturas políticas, e favorecia uma vivaz actividade cultural graças também aos contactos com o Oriente. No interior da Igreja sentiam-se os benefícios da vasta acção conhecida como “reforma gregoriana”, a qual, promovida vigorosamente no século precedente, tinha contribuído com uma maior pureza evangélica para a vida da comunidade eclesial, sobretudo no clero, e tinha restituído à Igreja e ao Papado uma autêntica liberdade de acção. Além disso ia-se difundindo uma vasta renovação espiritual, apoiada pelo vigoroso desenvolvimento da vida consagrada: nasciam e expandiam-se novas Ordens religiosas, enquanto que as que já existiam conheciam uma retomada prometedora.
Refloresceu trambém a teologia adquirindo maior consciência da própria natureza: apurou o método, enfrentou problemas novos, progrediu na contemplação dos Mistérios de Deus, produziu obras fundamentais, inspirou iniciativas importantes da cultura, da arte e da literatura, e preparou as obras-primas do século seguinte, o século de Tomás de Aquino e de Boaventura de Bagnoregio. Foram dois os ambientes nos quais se desenvolveram esta fervorosa actividade teológica: os mosteiros e as escolas das cidades, as scholae, algumas das quais deram depressa vida às Universidades, que constituem uma das “invenções” típicas da Idade Média cristã. Precisamente a partir destes dois ambientes, os mosteiros e as scholae, pode-se falar de dois modelos diferentes de teologia: a “teologia monástica” e a “teologia escolástica”. Os representantes da teologia monástica eram monges, em geral Abades, dotados de sabedoria e de fervor evangélico, dedicados essencialmente a suscitar e a alimentar o desejo amoroso de Deus. Os representantes da teologia escolástica eram homens cultos, apaixonados pela pesquisa; magistri desejosos de mostrar a racionalidade e o fundamento dos Mistérios de Deus e do homem, acreditados com a fé, sem dúvida, mas compreendidos também pela razão. A finalidade diversa explica a diferença do seu método e do seu modo de fazer teologia.
Nos mosteiros do século xii o método teológico estava ligado principalmente à explicação da Sagrada Escritura, da sacra pagina para nos expressar como os autores daquele período; praticava-se especialmente a teologia bíblica. Isto é, os monges eram todos devotos ouvintes e leitores das Sagradas Escrituras, e uma das suas principais ocupações consistia na lectio divina, ou seja, na leitura pregada da Bíblia. Para eles a simples leitura do Texto sagrado não era suficiente para compreender o seu sentido profundo, a sua unidade interior e a sua mensagem transcendente. Portanto, era preciso praticar uma “leitura espiritual”, guiada com docilidade ao Espírito Santo. Na escola dos Padres, a Bíblia era assim interpretada alegoricamente, para descobrir em cada página, quer do Antigo quer do Novo Testamento, o que diz de Cristo e da sua obra de salvação.
O Sínodo dos Bispos do ano passado sobre a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” recordou a importância da abordagem espiritual das Sagradas Escrituras. Com esta finalidade, é útil valorizar a teologia monástica, uma ininterrupta exegese bíblica, assim como as obras compostas pelos seus representantes, preciosos comentários ascéticos aos livros da Bíblia. Portanto, a teologia monástica unia a preparação literária à espiritual. Estava portanto consciente de que uma leitura meramente teórica e profana não era suficiente: para entrar no coração da Sagrada Escritura, ela deve ser lida no espírito com o qual foi escrita e criada. A preparação literária era necessária para conhecer o significado exacto das palavras e facilitar a compreensão do texto, afinando a sensibilidade gramatical e filológica. O estudioso beneditino do século passado Jean Leclercq intitulou do seguinte modo o ensaio com o qual apresenta as características da teologia monástica: L’amour des lettres et le désir de Dieu (O amor às letras e o desejo de Deus). De facto, o desejo de conhecer e de amar a Deus, que vem ao nosso encontro através da sua Palavra que deve ser acolhida, meditada e praticada, leva a procurar aprofundar os textos bíblicos em todas as suas dimensões. Há depois outra aptidão sobre a qual insistem quantos praticam a teologia monástica, isto é, uma profunda atitude orante, que deve preceder, acompanhar e completar o estudo da Sagrada Escritura. Dado que, em última análise, a teologia monástica é escuta da Palavra de Deus, não se pode deixar de purificar o coração para a acolher e, sobretudo, não se pode deixar de estimular nele o fervor para encontrar o Senhor. A teologia torna-se portanto meditação, oração, canto de louvor e chama a uma conversão sincera. Não poucos representantes da teologia monástica chegaram, por este caminho, às metas mais altas da experiência mística, e constituem um convite também para nós a alimentar a nossa existência com a Palavra de Deus, por exemplo, mediante a escuta mais atenta das leituras e do Evangelho, sobretudo na Missa dominical. É importante, além disso, dedicar todos os dias um certo tempo à meditação da Bíblia, para que a Palavra de Deus seja lâmpada que ilumina o nosso caminho quotidiano sobre a terra.
Pelo contrário, a teologia escolástica como disse era praticada nas scholae, que surgiram ao lado das grandes catedrais da época, para a preparação do clero, ou em volta de um mestre de teologia e dos seus discípulos, para formar profissionais da cultura, numa época na qual o saber era cada vez mais apreciado. No método dos escolásticos era central a quaestio, ou seja, o problema que se apresenta ao leitor ao enfrentar as palavras da Escritura e da Tradição. Face ao problema que estes textos influentes apresentam, levantam-se questões e nasce o debate entre o mestre e os estudantes. Neste debate surgem por um lado os argumentos da autoridade, por outro os da razão e o debate desenvolve-se no sentido de encontrar, no final, uma síntese mais profunda da palavra de Deus. A este propósito, São Boaventura diz que a teologia é “per additionem” (cf. Commentaria in quatuor libros sententiarum, i, proem., q. 1, concl.), ou seja, a teologia acrescenta a dimensão da razão à palavra de Deus e assim cria uma fé mais profunda, mais pessoal e, por conseguinte, também mais concreta na vida do homem. Neste sentido, encontravam-se diversas soluções e formavam-se conclusões que começavam a construir um sistema de teologia. A organização das quaestiones levava à compilação de sínteses cada vez mais extensas, ou seja, compunham-se as diversas quaestiones com as respostas que surgiam, criando assim uma síntese, as chamadas summae, que eram, na realidade, amplos tratados teológico-dogmáticos nascidos do confronto da razão humana com a palavra de Deus. A teologia escolástica tinha como objectivo apresentar a unidade e a harmonia da Revelação cristã com um método, chamado precisamente “escolástico”, da escola, que concede confiança à razão humana: a gramática e a filologia estão ao serviço do saber teológico, mas ainda mais está a lógica, que é a disciplina que estuda o “funcionamento” do raciocínio humano, de modo que sobressaia a verdade de uma proposição. Ainda hoje, lendo as summae escolásticas permanecemos admirados com a ordem, a clareza, o nexo lógico dos argumentos e a profundidade de algumas intuições. Com linguagem técnica é atribuído a cada palavra um significado claro e, entre o crer e o compreender, estabelece-se um recíproco movimento de esclarecimento.
Queridos irmãos e irmãs, fazendo eco ao convite da Primeira Carta de Pedro, a teologia escolástica estimula-nos a estar sempre prontos a responder a quem quer que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. 3, 15). Ao ouvir as perguntas como se fossem nossas e assim ser capazes também de dar uma resposta. Recorda-nos que entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação. O Servo de Deus João Paulo ii, no incipit da Encíclica Fides et ratio escreve: “A fé e a razão são como duas asas, com as quais o espírito humano se eleva rumo à contemplação da verdade”. A fé está aberta ao esforço de compreensão da parte da razão; a razão, por sua vez, reconhece que a fé não a mortifica, aliás, estimula-a para horizontes mais amplos e elevados. Insere-se aqui a perene lição da teologia monástica. Fé e razão, em recíproco diálogo, vibram de alegria quando ambas estão animadas pela busca da união íntima com Deus. Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido pela razão, alarga-se. A verdade é procurada com humildade, acolhida com estupefacção e gratidão: numa palavra, o conhecimento cresce unicamente se ama a verdade. O amor torna-se inteligência e a teologia, autêntica sabedoria do coração, que orienta e ampara a fé e a vida dos crentes. Rezemos portanto para que o caminho do conhecimento e do aprofundamento dos Mistérios de Deus seja sempre iluminado pelo amor divino.
Também em português a catequese do Papa
Novidade na audiência geral: pela primeira vez Bento XVI pronunciou também em português a síntese da catequese. Até agora era feita só em francês, inglês, alemão e espanhol. A novidade foi acolhida com entusiasmo pelos grupos que falam esta língua sobretudo pelo coro juvenil da arquidiocese brasileira de Maringá aos quais o Papa dirigiu a seguinte saudação:
Amados peregrinos do Porto e demais pessoas de língua portuguesa, sede bem-vindos! Uma saudação particular ao coro infanto-juvenil de Maringá e aos grupos paroquais de Santa Cruz, em Belém, e de nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade de Deus. Procurai iluminar o vosso caminho com a Palavra divina, ouvindo-a atentamente na Eucaristia do domingo e reservando alguns momentos em cada dia para a sua meditação. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.
Publicado por L’Osservatore Romano – 31 de Outubro de 2009.
O que eu penso sobre um rito que me permita elevar minha alma às alturas, tenho plena certeza que a poucos interessa… Entretanto, faço questão que saibam, aqui neste espaço virtual, o que acho mais adequado em termos “formais e espirituais” em relação ao rituais, toda a Liturgia que envolve a Santa Missa. Entendo agora o que certo comentário publicado no l”Osservatore procura dar a saber sobre o Papa Bento XVI, que pedia em abril deste ano: “Rezem por mim…”, em seu quinto ano de Pontificado. Certamente, os “lobos” mencionados no artigo, são os grupos que se opõem a missas austeras, além de afrontas de outros grupos, os quais são mais “liberalizantes” que católicos… Assim, Papa Bento XVI menciona a pressão midiática contra os valores cristãos, mas sabemos que há adversários internos. Entretanto, o Papa é sagaz e político, e além disso, rezamos por ele, não? Ele precisa: dentro da própria Igreja Católica há quem não tenha outro objetivo a não ser que tudo corra sem controle algum… A propósito, penso que devemos nos conformar (sem subserviência) à tradição apostólica, que representa a sabedoria acumulada por séculos, iluminados pelo Espírito Santo. Este termo “tradição “apostólica”, para mim, é emblemático para o Catolicismo, já que sempre se baseou em indicações bíblicas, e estudos aprofundados por teólogos, sacerdotes estudiosos (p.ex., São Tomás de Aquino), bispos, papas, alguns santificados. Todos operavam em nível de excelência. Em contrapartida, se assim não for, cada um interpreta o significado dos Dez Mandamentos, ao bel prazer, entre outros temas polêmicos, sem ao menos procurar informações sobre o que os “antigos” nos legaram. além disso, há fundamentação bíblica em cada dogma anunciado pela Igreja Católica… Por esta razão, já que não há explicações ou tentativas de explicar o sentido de um dogma, acabamos lendo por aí que “isto é dogmático”… Ora, dogma é uma expressão religiosa, portanto, na medida em que ela surge fora do mundo religioso, deve haver o devido esclarecimento da inadequação de seu uso. Por uma simples razão: acusação de obscurantismo… Não esperemos que o ramo protestante parta em busca desta pesquisa, que tem por base dois mil anos de Cristianismo… Dos seminários católicos saíram sacerdotes que deixaram bulas papais, encíclicas, documentos orientadores para nós, o rebanho de Cristo Jesus…
A absurda adesão católica à festa de Halloweenn no Brasil e no mundo
Pasmem: nos Estados Unidos a atual visão da Liturgia “multicultural” adaptou a “missa” à “festa de halloween”, que se deu há três dias… Meu Deus! Não penso como muita gente estar “update” com a fé católica, com a vontade de Deus… Pelo contrário, comungo espiritualmente porque sou casada há 24 anos com um ex-ateu (quando o conheci), que depois se revelou protestante (por parte de pai), e que, devido à mãe foi batizado no catolicismo. Há quatro anos é ex-protestante, leitor e devoto de Francisco de Sales e Santa Joanna de Chantal. O problema reside agora no rito, que ambos temos dificuldade em nos sentir à vontade, dada a superficialidade. Desculpem a sinceridade. Simplificando: vocês não acham que há muita invenção e pouca devoção?
Cliquem nas fotos (algumas, pois há links nos títulos) e terão informações adicionais sobre o “Rito Gregoriano”. Entre elas, a de que o Brasil não possui um grupo firmado “frontal e corajosamente” a favor do rito romano. O grupo, fundado por leigos na Espanha, é apoiado pelo Papa Bento XVI , que sugeriu aos bispos que autorizassem grupos de leigos que quisessem missas celebradas segundo o “Rito Gregoriano” ou “Tridentino”. Obviamente que, para cada país há a especificidade da cultura em que este rito “básico” seria inserido. O grupo leigo espanhol, que leva à frente a iniciativa de divulgação do “Rito Tridentino” se chama “Una Voce”.
Con el objetivo de coordinar esfuerzos y unir a distintas asociaciones de laicos vinculados a la Misa Gregoriana, llamada por el Santo Padre Benedicto XVI Forma Extraordinaria del Rito Romano, nace la Federación Una Voce Hispania. Una Voce Hispania es el capítulo español de la Federación Internacional Una Voce y su objetivo es el de reunir en este mismo capítulo a todas las asociaciones afines que vayan surgiendo en España, para mejor cumplir los fines de todas y cada una que pueden resumirse en el mantenimiento, defensa y difusión de la liturgia romana extraordinaria en todas sus expresiones y, particularmente, la Misa Gregoriana, así como de todo el entorno artístico y musical que la rodea.
La primera asociación que hubo en España vinculada a Una Voce Internacional fue la asociación Roma Aeterna, de Barcelona, a la que siguieron Una Voce Sevilla, Una Voce Madrid, Una Voce Málaga, Una Voce La Coruña y Una Voce Reino de Castilla. La promulgación del Motu Proprio Summorum Pontificum por el Santo Padre Benedicto XVI ha supuesto el renacimiento en España de un interés renovado por la Forma Extraordinaria de la Misa, lo que ha propiciado el nacimiento de asociaciones similares por diversos puntos de nuestra geografía.
Una Voce Hispania, ahora que se cumple un año de la entrada en vigor de Summorum Pontificum, nace además con vocación de estimular la creación de nuevas asociaciones que quieran promover la liturgia tradicional, y también para velar por la correcta aplicación de Summorum Pontificum en nuestro país, tratando de aunar la voz de distintos grupos de fieles españoles interesados en la herencia latina de la Iglesia Católica y sirviendo, mediante el diálogo, de vehículo para su expresión ante nuestros pastores y la sociedad en general.
El 14 de septiembre de 2008, Festividad de la Exaltación de la Santa Cruz y primer aniversario de la entrada en vigor del Motu Proprio Summorum Pontificum, las seis primeras asociaciones miembros del capítulo español de Una Voce decidimos lanzar a la Red esta sencilla página, que en el dominio de unavoce.es, irá creciendo con el tiempo, D. m., dotándose de contenidos y que esperamos que produzca buenos y abundantes frutos, para mayor gloria de Dios, en España.
UNA VOCE en el mundo
EN ESPAÑA
UNA VOCE HISPANIA. Federación de Una Voce para España.
UNA VOCE CÁDIZ.
UNA VOCE CÓRDOBA.
UNA VOCE LA CORUÑA.
UNA VOCE MADRID.
UNA VOCE MÁLAGA.
UNA VOCE REINO DE CASTILLA.
UNA VOCE SEVILLA.
ROMA AETERNA “UNA VOCE”, en Barcelona.
EN EUROPA
Una Voce Austria, en Austria.
Una Voce Czech Republic, en la República Checa.
Una Voce Deutschland, en Alemania.
Una Voce Estonia, en Estonia.
Una Voce Finlandia, en Finlandia.
Una Voce France, en Francia.
Una Voce Helvetica – Deutchsprachig, en Suiza.
Una Voce Helvetica – Francophone, en Suiza.
Una Voce Italia, en Italia.
Una Voce Norge, en Noruega.
Una Voce Polonia, en Polonia.
Una Voce Russia, en Rusia.
Una Voce Scotland, en Escocia.
Una Voce Venetia, en Venecia.
Una Voce Vlaanderen, en Bélgica.
Ecclesia Dei Delft. Asociación holandesa afiliada a Una Voce Internacional.
Cumann an Aifrinn Laidinigh – Latin Mass Society of Ireland. Afiliada de Irlanda.
Grupo San Carlos Borromeo. Asociación danesa, afiliada a Una Voce internacional.
Inter Multiplices Una Vox. Asociación de Una Voce en Italia.
Pro Missa Tridentina. Afiliada de Alemania.
St. Conleth’s Catholic Heritage Association. Afiliada de Irlanda.
The Latin Mass Society. Afiliada para Inglaterra y Gales.
Verein Mariae Namen. Afiliada de Suiza.
EN AMÉRICA
Asociación Una Voce América. Federación de Una Voce para los Estados Unidos de América.
Una Voce Central Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Northern Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Albany: Kateri Tekakwitha, en New York (USA)
Una Voce Altoona/Johnstown, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Los Ángeles, en California (USA)
Una Voce Ann Arbor/Ypsilanti, en Michigan (USA)
Una Voce Argentina. Asociación Una Voce de Argentina.
Una Voce Northwest Arkansas, en Arkansas (USA)
Una Voce Ashtabula, en Ohio (USA)
Una Voce Berkshire County, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston: St. Patrick, en Massachusetts (USA)
Una Voce Bridgeport, en Connecticut (USA)
Una Voce Brighton, en Michigan (USA)
Una Voce Bronx, en New York (USA)
Una Voce Brooklyn, en New York (USA)
Una Voce Buffalo, en New York (USA)
Una Voce Central Coast of California, en California (USA)
Una Voce Cape Cod, en Massachusetts (USA)
Una Voce Carmel, en Indiana (USA)
Una Voce Cedar Rapids, en Iowa (USA)
Una Voce Charlotte, en North Carolina (USA)
Una Voce Chesapeake, en Virginia (USA)
Una Voce Chicago, en Illinois (USA)
Una Voce Columbus, en Ohio (USA)
Una Voce Metro Detroit East, en Michigan (USA)
Una Voce Metro Detroit West, en Michigan (USA)
Una Voce del Noreste de Florida, en Florida (USA)
Una Voce Fresno, en California (USA)
Una Voce Gallatin Valley, en Montana (USA)
Una Voce Georgia, en Georgia (USA)
Una Voce Grand Rapids, en Michigan (USA)
Una Voce Greenville, en South Carolina (USA)
Una Voce Hartford, en Connecticut (USA)
Una Voce Hawaii, en Hawaii (USA)
Una Voce Houston, en Texas (USA)
Una Voce Northern Illinois: St. Peter’s, en Illinois (USA)
Una Voce Kansas City: Pope Pius XII, en Kansas (USA)
Una Voce Lafayette, en Indiana (USA)
Una Voce Lafayette LA, en Louisiana (USA)
Una Voce Western Maine, en Maine (USA)
Una Voce México. Asociación Una Voce de México.
Una Voce Michigan, en Michigan (USA)
Una Voce Central Minnesota, en Minnesota (USA)
Una Voce Southern Mississippi, en Mississippi (USA)
Una Voce Western Montana, en Montana (USA)
Una Voce Monterrey, en México.
Una Voce Muncie, en Indiana (USA)
Una Voce Naples,en Florida (USA)
Una Voce Sacred Heart, en West Virginia (USA)
Una Voce Southern Nevada, en Nevada (USA)
Una Voce New Hampshire, en New Hampshire (USA)
Una Voce Newark, en New Jersey (USA)
Una Voce North Bay, en Ontario (USA)
Una Voce Northeastern Oklahoma, en Oklahoma (USA)
Una Voce of Orange County, en California (USA)
Una Voce Central Oregon, en Oregon (USA)
Una Voce Ozarks,en Arkansas (USA)
Una Voce Palo Alto, en California (USA)
Una Voce Central Pennsylvania, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Philadelphia, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Piedmont, en North Carolina (USA)
Una Voce Pittsburgh, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Powell, en Wyoming (USA)
Una Voce Quad Cities, en Iowa (USA)
Una Voce Rapid City: St Michael’s, en South Dakota (USA)
Una Voce Rhode Island, en Rhode Island (USA)
Una Voce Rochester, en New York (USA)
Una Voce San Bernardino, en California (USA)
Una Voce Springfield Area, en Missouri (USA)
Una Voce St. John’s, en Newfoundland (USA)
Una Voce St. Louis, en Missouri (USA)
Una Voce Syracuse, en New York (USA)
Una Voce Upper Peninsula, Lake Superior Chapter, en Michigan (USA)
Una Voce Ventura: Blessed Junipero Serra, en California (USA)
Una Voce Western Washington, en Washhington (USA)
Una Voce Westchester, en New York (USA)
Ad Altare Dei. De la Sociedad Gregoriana de Baltimore, afiliada a Una Voce América.
Coalition in Support of Ecclesia Dei, afiliada de Illinois (USA)
Comunidad San Juan Bautista en defensa de la Misa Tradicional. Filial en Arkansas(USA)
Credo of the Catholic Laity, afiliada de Missouri (USA)
Ecclesia Dei Society of Southwest Florida, afiliada de Florida (USA)
Fresno Traditional Mass Society. Capítulo de Una Voce en Fresno (USA)
Gregorian Society of Baltimore, afiliada de Maryland (USA)
League of St. Anthony, afiliada de Indiana (USA)
Magnificat Chili. Afiliada de Chile.
Mysterium Fidei Catholic Community, afiliada de Louisiana (USA)
Rockford Latin Mass Community, afiliada de Illinois (USA)
The Saint Gregory Society of New Haven. Afiliada a Una Voce América.
The St. Joseph Foundation. Afiliada de Texas (USA)
The St. John Fisher Forum. Librería católica vinculada a Una Voce América.
Vancouver Traditional Mass Society. Afiliada de Canadál.
EN ÁFRICA
Una Voce South Africa. Asociación de Una Voce en Sudáfrica.
Ecclesia Dei Society of Nigeria. Afiliada de Nigeria.
EN ASIA
Una Voce Singapore. Asociación de Una Voce en Singapur.
All India Laity Congress. Afiliada de la India.
EN OCEANÍA
Una Voce Australia. Asociación de Una Voce en Australia.
Ecclesia Dei Society of New Zealand.Afiliada de Nueva Zelanda.
(15/2/2009) Antes da recitação do Angelus do meio dia, juntamente com os milhares de fieis congregados na Praça de S. Pedro O Papa Bento XVI comentou o trecho do Evangelho segundo São Marcos que a Liturgia nos apresenta neste sexto domingo do tempo comum: a cura do leproso.O Santo Padre recordou antes de mais que segundo a antiga lei judaica a lepra era considerada não só uma doença, mas a forma mais grave de impureza para o culto. Tocava aos sacerdotes diagnosticá-la e declarar imundo o doente, o qual devia ser afastado da comunidade e estar fora da povoação até à eventual e bem certificada cura.A lepra portanto constituía uma espécie de morte religiosa e civil e a sua cura uma espécie de ressurreição. Na lepra – salientou depois o Papa – é possível entrever um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração capaz de nos afastar de Deus. Efectivamente não é a doença física da lepra que nos separa de Deus , mas a culpa, o mal espiritual e moral….Os pecados que cometemos afastam-nos de Deus, e se não são confessados humildemente confiando na misericórdia divina chegam ao ponto de produzir a morte da alma. Este milagre reveste então – acrescentou o Papa – uma forte valência simbólica. Jesus, como profetizara Isaías é o servo que tomou sobre si as nossa doenças, carregou as nossas dores.
Na sua paixão, tornar-se-á como um leproso, tornado impuro pelos nossos pecados, separado de Deus: tudo isto fará por amor, para nos obter a reconciliação, o perdão e a salvação.
No sacramento da penitencia – salientou Bento XVI – Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com a sua misericórdia infinita, restitui-nos à comunhão com o Pai celeste e com os irmãos, concede-nos o dom do seu amor, da sua alegria e da sua paz.
A concluir o Santo Padre convidou a invocar a Virgem Maria, que Deus preservou de toda a mancha de pecado, para que nos ajude a evitar o pecado e a recorrer frequentemente ao Sacramento da Confissão, o Sacramento do Perdão, que hoje deve ser redescoberto ainda mais no seu valor e na sua importância para a nossa vida cristã.
Não faltou neste Domingo uma saudação do Papa em língua portuguesa Saúdo com afecto o grupo das paróquias do Barreiro e Vale de Figueira, em Portugal, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vossa romagem vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!
“Sempre que participardes dos Mistérios Sagrados, anunciareis a Morte do Senhor”
(I Cor XI, 26).Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de fazenda com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manipulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.
Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais. representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.
O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manipulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.
O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração, todo pensamento alheio a tão tremendo Mistério.
O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se, a face contra a terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou a si nossos pecados, com toda a amargura inerente.
A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.
O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!
Ai de mim! nunca o traí eu?… Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões?… E, no entanto, Ele muito me amou!
Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.
O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! quantas vezes não o reneguei eu, à sua verdade, à sua lei, às minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.
O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.
O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.
Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.
O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, em presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei de meu espírito pela vossa Verdade, rei de meu coração pelo vosso Amor, rei de meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.
Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.
O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a graça. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.
Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Padre Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.
O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.
O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem de Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face, e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!
No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.
O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.
Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. E Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.
Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!
Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.
Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.
O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. E Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.
Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.
O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.
Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.
No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.
No “Libera nos “, o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.
O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.
É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.
O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.
O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.
São Pedro Julião Eymard
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.
Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.
Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.
O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.
O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.
O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.
O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.
Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.
Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.
NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE Do Rorate Cæli
Traduzido por Apologeta:Em acréscimo a petição on-line, contra a absura investida midiática contra Sua Santidade Bento XVI, a FSSP(Fraternidade Sacerdotal São Pedro) convoca a todos a unirem-se em uma novena a favor do Papa por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, 22 de Fevereiro, iniciando-se portanto em 14 de Fevereiro (hoje) e encerrando-se no Domingo, onde somos todos chamados a oferecer nossa comunhão com as intenções do Sumo Pontífice e de toda a Igreja.Novena para o papa
Pater Noster, 3 Ave Maria, Gloria PatriV. Orémus pro Pontífice nostro Benedícto.
R. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum eius.
V. Tu es Petrus.
R. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam
Orémus
Omnípotens sempitérne Deus, miserére fámulo tuo Pontífici nostro Benedícto : et dírige eum secúndum tuam cleméntiam in viam salútis ætérnæ : ut, te donánte, tibi plácita cúpiat, et tota virtúte perfíciat.
R. Amen.
Mater Ecclésiæ, ora pro nobis..
Sancte Petre, ora pro nobis.
Um Pai Nosso, 3 Ave Marias e um Glória ao Pai, seguidos desta oração.
V: Oremos para o nosso Papa Bento.
R: Que o Senhor o guarde e fortaleça, e o faça abençoado nesta terra, e não o abandone ante a perversidade de seus inimigos.
V. Tu és Pedro,
R. E sobre esta pedra edificarei minha Igreja.
Oremos,
Omnipotente e eterno Deus, tem piedade de teu servo, Bento, nosso Soberano Pontífice, e guia-o conforme tua bondade, a caminho da vida eterna, de modo que, com a assistência da sua graça, ele possa velar pelo rebanho que lhe foi confiado, alcançando junto com ele a salvação; Através de Cristo, Nosso Senhor.
[Neste] final de semana teremos a oportunidade de refletir sobre o nosso fim último, pois estaremos celebrando o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos, ou como costumamos chamar, Dia dos “finados”.
Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.
A Igreja se sente unida aos santos que estão junto do Pai e também àqueles que já partiram e estão necessitados de nossa oração.
Também diante dessas celebrações temos a oportunidade de refletir sobre o sentido de nossa vida e os valores para os quais vivemos. Um dia viemos a este mundo, e um dia sairemos dele!
Nesse tempo que nos foi dado o que foi que construímos?
Toda vida que começa alcança o seu objetivo e depois se finda, se acaba. Apenas o homem, com sua inteligência, é que fica entristecido com o fato de ter que morrer.
Isso se dá, em primeiro lugar porque, quer queiramos ou não, existe em nós a sede do infinito, e por isso o “ter que morrer” nos causa tristeza.
Entretanto, para nós, cristãos, a morte, embora ponha fim à nossa existência neste mundo, é o início da vida sem fim, quando estaremos em Deus.
Além disso, pela fé sabemos que nosso corpo, embora desintegrado, será ressuscitado. Interessante neste contexto termos em mente que a Igreja Católica comemora seus santos pelo dia de sua morte e não pelo dia em que nasceram.
A morte e ressurreição é um mistério de fé, que proclamamos no CREDO: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna…”
São Paulo, na Epístola aos Tessalonicenses, diz palavras confortadoras sobre a ressurreição dos mortos: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram.” “Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. I Tessalonicenses, 4,13 a 15 e 18).
Assim, sustentados pela fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos, é muito salutar recordarmos os nossos parentes e amigos que foram trasladados da vida terrena para a vida eterna.
No dia dedicado aos mortos, muitos vão aos cemitérios orar pelos seus falecidos. Os gestos (orações, velas, flores, celebrações) tão belos são uma afirmação de que cremos que a morte não é o fim e que nossos mortos, hoje vivem, estão em Deus e um dia ressuscitarão.
No dia em que nos recordamos dos que nos precedem na comunhão dos santos, diante da necessária reflexão acerca da irmã morte, as palavras de Salomão, no Capitulo 3,1-9 do livro da Sabedoria, nos colocam diante do mistério da vida plena: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós como um aniquilamento, mas eles estão em paz. Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade, por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os submeteu à prova e os achou dignos de si. Examinou-os como o ouro no crisol e aceitou-os como perfeito holocausto. No tempo de sua visita resplandecerão e correrão como fagulhas no meio da palha. Julgarão as nações, dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para seus santos, e sua visita é para seus eleitos”.
Neste dia, quando tantas celebrações ocorrerão em todos os cemitérios de nossa Arquidiocese, podemos fazer ser um momento muito importante para que, além de rezarmos pelos nossos falecidos, anunciemos às pessoas a nossa fé, aquela fé que acredita na vida que não termina com a morte e que nos convida a aproveitar o tempo que temos para viver bem como bons cristãos.
Que o Senhor da vida dê o descanso eterno a todos os fiéis! E que os que vivem sejam alcançados pela paz e confortados pela esperança de que nossa morte não será o fim de tudo, mas o começo da vida sem tempo e que nós, que cremos em Cristo, com Ele ressuscitaremos! Amém.
(CNBB – 29.10.2009)
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Observação: Modificado o termo “No próximo final de semana…” para “Neste…), em decorrência de ter sido postado hoje, dia 01.11.2009, enquanto a publicação pela CNBB se deu em 29.10.2009. Conto com a compreensão de V. Revma. Dom Orani João Tempesta.
Sua vida tem duas vertentes bem diferenciadas e, ao mesmo tempo, complementares: para dentro e para fora da Ordem. Para dentro, foi homem de governo, desempenhando o ofício de guardião, mestre de noviços, definidor provincial e ministro provincial; e reformador da vida franciscana em seus aspectos fundamentais. Para fora, foi homem de conselho e de discernimento, acompanhando espiritualmente homens e mulheres que, sabedores de sua santidade e vida espiritual, a ele recorriam: Carlos V, que o chamou a Yuste para falar de sua alma; reis e infantes de Portugal; condes de Oropesa; Rodrigo de Chaves, a quem dedicou seu “Tratado da Oração e Meditação”; Santa Teresa de Ávila e São Francisco Borja.
Frei Pedro viveu um momento histórico, um tempo marcado por intensa inquietude espiritual e grande desejo de renovação de vida. Tempo, como diz um cronista da época, “em que todo o mundo queria entrar no paraíso”. Eram tempos carregados de intensa vida eclesial: celebração de dois Concílios ecumênicos: o Latrão V e o de Trento; três anos santos: o de 1500, com Alexandre VI, o de 1525, com Clemente VII, e o de 1550, com Júlio III; nascimento de numerosas Ordens religiosas: mínimos, barnabitas, teatinos, jesuítas, irmãos de São João de Deus, ursulinas. Tempos de grandes iniciativas missionárias, particularmente na América por obra dos mendicantes, e na Ásia, pelos jesuítas. Eram tempos também de grandes reformas ao interno da Igreja, particularmente a reforma teresiana, e de muitas outras reformas contra a Igreja: a de Martinho Lutero, na Alemanha; a de Henrique VIII, na Inglaterra e Irlanda; a de Calvino, na Escócia; a da igreja nacional na Holanda.
A Ordem dos Frades Menores participou plenamente dessas ânsias de profunda renovação e de dinamismo missionário: início da reforma capuchinha; fortaleceu-se o trabalho missionário da Ordem no Novo Mundo, iniciado pelos chamados “XII Apóstolos”, que saíram para o México em 1523, renovou-se e cresceu com a chegada de mais 150 missionários; na Espanha consolidou-se a reforma dos descalços, iniciada por Frei Juan de Puebla e Frei Juan de Guadalupe e estruturada definitivamente por Frei Pedro de Alcântara com suas Ordenações. Uma reforma que logo se estendeu pela Espanha inteira, Portugal, Brasil, México e Filipinas e que tinha como motor a “estreitíssima observância” da Regra Bulada de São Francisco, lida à luz do Testamento, sem glosas nem comentários acomodatícios.
Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “É preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”
A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres. Frei Pedro escreveu o “Tratado da Oração e Meditação”.
Frei Pedro foi testemunha privilegiada de todos esses acontecimentos e participou ativamente em muitos deles. Apesar de seu gosto pela solidão e pela oração, não se recusou aos pedidos de conselho e orientação que pequenos e grandes, nobres e plebeus, santos e pecadores lhe faziam para se sentirem seguros nos caminhos da santidade.
São Pedro, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição. No momento em que muitos de seus conterrâneos se lançavam à descoberta e conquista de novos mundos e glórias humanas, Frei Pedro de Alcântara, como um dia fizeram Paulo de Tarso e Francisco de Assis, deixou tudo para ganhar Cristo e viver nele (cf. Fl 3,8).
Sua memória histórica continua viva por onde passou: El Palancar (Cáceres), lugar despojado, rico de solidão e recolhimento, pedra angular de sua reforma, modelo e referência de todas as outras fundações. Frei Pedro, que considerava a alegria espiritual “remo sem o qual não se pode navegar”, começou aqui a última etapa de sua vida; Arrábida, em Portugal, experiência de vida penitente e contemplativa, na qual o importante era manter vivo o “espírito de oração e devoção” com gestos concretos, com a busca intensa da presença de Deus, com “a mente e o coração voltados para o Senhor” (Rnb 22,19); Solitudine, em Piedimonte Matese (Itália), lugar de rigoroso silêncio, de intensa oração e penitência; Arenas de San Pedro (Ávila), com suas ermidas e capelas para recolhimento e solidão orante, onde repousam os restos mortais deste homem que, apesar de sua “áspera penitência – no dizer de Santa Teresa era muito afável… e de privilegiada inteligência”.
Frei Giacomo Bini, então Ministro Geral da OFM, em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.
Acessem o link direto da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS). O post vai na íntegra, mas limitei o número de imagens para três: a de Jesus ladeado por crianças, uma de São Francisco de Assis e a de Santa Teresa de Ávila. Nesta data, partiram da Terra para junto de Deus Pai e de Seu Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Com radicalidade, dedicaram suas vidas a Ele, ao Seu legado, ainda que em meio a muitos sofrimentos, inclusive físicos, e várias perseguições. No entanto, Santa Teresa de Ávila e São Francisco de Assis viveram na beatitude dos que são, de fato, fiéis a Deus. Cada um a seu modo, de acordo com suas biografias, viveu a santidade com intensidade crescente, contínua, própria dos santos – aqueles que Jesus queria junto de si antes do final dos tempos.
São Francisco de Assis, Santa Teresa – orem por nós! Amém.
Sábado, 3 de Outubro de 2009 Liturgia – 04 de outubro – 27o. DOMINGO DO TEMPO COMUM
27º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Cor litúrgica: Verde
Ofício dominical comum
III Semana do Saltério
Liturgia das Horas: 852-298
Oração das Horas: 945-716
Leituras: Gn 2,18-24 – Sl 127(128) – Hb 2,9-11 – Mc 10,2-16 “Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”
O amor que os mantém juntos deve dar-lhes uma razão suficiente para serem fiéis e verdadeiros um ao outro.
SÃO FRANCISCO DE ASSIS, Religioso
(memória omitida hoje)
São Francisco de Assis, chamado pelo Divino Crucificado a reparar Sua Igreja, renunciou à uma rica herança paterna e decidiu viver e anunciar o ideal evangélico na mais estrita pobreza. Em seu desnudamento, recebeu no eremitério de Alverne os estigmas da Paixão e cantou as belezas da Criação. Foi canonizado dois anos após a sua morte, ocorrida em 1226. Seus numerosos discípulos, chamados franciscanos, são repartidos em três ramos: os Frades Menores, os Capuchinhos e os Conventuais.
PERSONALIDADE: SÃO FRANCISCO DE ASSIS, nascido Giovanni Battista di Pietro di Bernardone, (Assis, Verão ou Outono – junho/dezembro de 1181 ou 1182 — 3 de Outubro de 1226) foi um frade católico, fundador da “Ordem dos Frades Menores”, mais conhecidos como Franciscanos. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica. Por seu apreço à natureza, é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente: as igrejas católicas costumam realizar cerimônias em honra aos animais próximas à data que o celebram, dia 4 de outubro. Morreu com 44 anos de idade.
BIOGRAFIA: Seu nome de batismo era inicialmente Giovanni Battista di Pietro (pai) di Bernardone (avô) (João Batista de Pedro de Bernardone), dado pela mãe em homenagem a João Batista – o santo do deserto. Não se sabe ao certo quando e por que o prenome Francisco substituiu o de João. Há três hipóteses sempre recorrentes: a troca do prenome pelo pai, Pedro Bernardone, ao retornar da França dando este nome ao recém nato; uma homenagem que, mais tarde, teria sido feita à sua mãe, que segundo fontes não confirmadas era francesa; e, por fim, uma última hipótese mais plausível, seria um apelido que lhe teria sido dado na juventude por sua paixão pela língua francesa. O francês, aprendido antes da sua conversão, era a língua por excelência da poesia e dos sentimentos cavaleirosos. Um de seus biográfos, Tomás de Celano, afirma que “Quando ele estava cheio de ardor do Espírito Santo falava francês em voz alta.” Nos bosques cantava em francês, e esmolava em francês óleo para a luminária de São Damião.
MORTE: Depois de uma intensa São Francisco retorna a Sta. Maria dos Anjos, muito doente e quase cego, muitos foram os milagres realizados com seus estigmas. A corte papal envia-lhe médico para tratamento mas nada resolve. Sabendo-se próximo da morte, desde a planície lança uma bênção sobre Assis, compõe o “Cântico ao Sol” e dita seu testamento.Francisco morre, rodeado de seus Filhos Espirituais. Fez ler o Evangelho e na Última Ceia abençoa seus filhos espirituais presentes e futuros. Foi sepultado na Igreja de São Jorge na cidade de Assis. Dois anos apos a sua morte é canonizado pelo próprio Papa Gregório IX no dia 16 de Julho de 1228, que vai Assis.
ARTE TUMULAR: Com a construção da nova Basílica na cidade de Assis, que recebe seu nome como formas de homenagear o Santo nascido nesta cidade, suas relíquias foram transladadas para o altar deste templo sagrado. É um altar em granito fosco, dentro de uma urna estão os seus restos em relíquias.LOCAL: Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, Itália.
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“Para enamorar-se Deus de uma alma, não olha a sua grandeza, mas a grandeza de sua humildade.” São João da Cruz
Cartas de Santa Teresa de Jesus em 04
1576 – C 123 – Ao Pe. Juan de Jesús (Roca) – Melancolia do PE. Antonio. Assuntos do Capítulo de Descalços de Almodóvar. Enfermidade de Frei Gabriel.
1578 – C 260 – Ao Padre Pablo Hernández, em Madrid – Perseguição contra os Descalços. Suplica-lhe que defenda o Núncio a inocência do Padre Gracián. A Santa dizem seus inimigos que é “uma vagabunda irrequieta”; e a Reforma apelidam de “Ordem nova e invenções.” Pede-lhe falar também ao Padre que confessa o Núncio. Razões que tem a Companhia para defender a Obra da Santa.
1579 – C 298 – Ao Padre Jerônimo Gracián, em Alcalá. Deseja cartas mais freqüentes do Pe. Gracián. Censura-o por cuidar tão pouco de si que está fraca de cabeça pelo muito trabalhar. Dificuldades da nova casa para as Descalças de Salamanca. Repreende com energia a pretensão da Priora de Sevilla, de passar a outra casa. “É mais sagaz do que pede seu estado.”
1580 – C 341 – Ao Padre Jerônimo Gracián, em Medina Del Campo – Saúde da Santa. Notícia da família do Padre Gracián. Procedimento a seguir com o melancólico D. Pedro de Ahumada. Francisco de Cepeda quer tomar o hábito de Descalcez. Aconselha o Pe. Gracián a comprar boa cavalgadura e não viajar em quartão.
1582 – Morre Teresa de Jesus, em Alba de Tormes, professando à Igreja:
“POR FIM, SENHOR, MORRO FILHA DA IGREJA.”
“Viver a vida de tal sorte que viva fique na morte”
Santa Teresa
Terminada a fundação de Burgos, a madre Teresa dispôs sua volta a Palência e Valladolid. A acompanhava sua sobrinha Teresinha, a filha de seu irmão Lourenço, que ia professar, e desejava fazê-lo nas mãos de sua santa tia, em São José de Ávila. Acompanhava-a também a Beata Ana de São Bartolomeu.
Ao chegar a Medina del Campo recebeu ordem do Fr. Antônio de Jesus (vigário provincial dos descalços) de Castilla, que governava a Província na ausência do Padre Gracián, de encaminhar-se a Alba de Tormes. No dia 19 de setembro de 1582 empreendeu a viagem para a cidade ducal.
A noite anterior, 18 de setembro, a passou com uma elevada febre, ainda que esta não fôra obstáculo para que diminuísse a admirável força desta santa mulher, em todo o momento disposta a cumprir fielmente seu dever, antepondo-o a toda comodidade, a todo descanso, bem merecido e justo em seu caso.
A viagem de Medina del Campo a Alba de Tormes foi feita, como todas as suas viagens, de carro, e sua enfermidade e sua fadiga eram patentes pondo em perigo sua vida. Durante o trajeto não se encontraram alimentos adequados para a santa madre, constituindo isto uma verdadeira tortura para a Beata Ana, sua enfermeira e acompanhante. “Quando vi – diz a Beata – que por dinheiro não se achava nada, não podia olhar a madre sem chorar, pois tinha o rosto meio morto”.
Chegaram a Alba de Tormes no dia 20 de setembro. As religiosas esperavam a Santa com uma grande impaciência, pois já tinham notícia de seu estado delicado. Do dia 20 ao 29 foi, sem melhora, mantendo-se em um forçado equilíbrio, “caindo e levantando-se”.
No dia 29, festa de São Miguel, depois de ter participado da missa e comungado, encostou-se para jamais se levantar. Ela mesma, com essa maravilhosa intuição de santa e enferma, soube que a morte estava próxima e dispôs seu ânimo para recebê-la de maneira exemplar e fervorosa. A duquesa de Alba, d. Maria de Toledo, grande amiga e admiradora da santa madre, atendeu pessoalmente em sua última enfermidade, prodigalizando-a toda sorte de cuidados, sem separar-se de seu lado mais que o tempo justo para recuperar forças; segundo as crônicas foi a duquesa de Alba quem dava, de própria mão, os alimentos e remédios à Madre Teresa.
As religiosas do convento de Alba atenderam com todo carinho, zelo e devoção à enferma, e graças a elas temos uma ampla e copiosa informação das últimas instâncias da santa madre.
Todos os testemunhos coincidem em afirmar o sereno gozo que pôs em seus últimos instantes e a fervorosa humildade que tinham suas palavras.
A Beata Ana de S. Bartolomeu, nas informações que se fizeram para a canonização de Santa Teresa, diz: “Dois dias antes de morrer me disse: “Filha, a hora de minha morte chegou…” No dia em que morreu ficou sem poder falar desde a manhã. À tarde frei Antônio de Jesus, um dos primeiros descalços, me mandou fosse tomar alguma coisa. Nem bem tinha saído, a santa madre ficou desassossegada, volvendo os olhos. Pergunto ao frei se queria que eu voltasse, e por sinais me disse que sim. Chamaram-me e, ao ver-me, olhou-se sorrindo, mostrando-me tanta graça e afeto que me tomou as mãos e pôs sua cabeça entre meus braços, e neles a teve até que expirou
Por sua parte a Madre Maria de S. Francisco, monja do convento de Alba de Tormes, que presenciou sua morte, acrescenta, nas informações que se fizeram para a canonização, o seguinte: Perguntando-lhe o frei Antônio de Jesus se queria que levassem o corpo a Ávila, respondeu: “Jesus, é isso que pergunta, meu padre? Tenho que fazer eu coisa própria? Aqui não me farão a caridade de dar-me um pouco de terra?”
Na manhã seguinte, dia de São Francisco, às sete, deitou-se de lado como em geral pintam Madalena, o rosto voltado para as religiosas, com um Cristo nas mãos, o rosto muito belo e aceso, com tanta formosura que me pareceu não ter visto maior em minha vida, e não sei aonde foram parar as rugas, pois as tinha fartas por ser de idade avançada e por ter vivido muito enferma.
“Estando, assim orava, com grande quietude e paz, fazendo alguns sinais exteriores… e entregou sua alma ao Senhor, estando seu rosto em grande formosura e resplendor como um sol incendiado”.
Morreu Teresa de Ahumada aos 67 anos de idade, entre as nove e dez da noite de 4 de outubro de 1582. No aposento em que morreu se vê ainda hoje, através de uma janelinha que se abre no lado do Evangelho, na igreja das Descalças de Alba, onde repousa o seu corpo.
Foi sepultada e sobre seu corpo foi vertida grande quantidade de cal, para que se consumisse o quanto antes e não o levassem a Ávila, como temiam as monjas e os duques de Alba.
No ano de 1584, dois anos depois de sua morte, estando de visita o padre Gracián no convento de Alba, abriu-se o ataúde e acharam seu corpo são e inteiro como se tivesse sido enterrado naquela hora. Antes de voltar a exumar o corpo da santa madre lhe foi amputada a mão direita, que frei Gracián levou às carmelitas descalças de Lisboa. Esta relíquia passou depois ao convento de Baeza, e aí esteve até 1936, quando foi roubada pelos comunistas. O general Queipo de Llano a recuperou em Málaga e a entregou ao General Franco, ditador espanhol, guardando-a numa rica urna de prata, presente de D. Fernando VI e de sua esposa D. Bárbara de Bragança que, por sua vez, a colocou numa urna de mármore negro jaspeado. Por fim a mão voltou ao convento de Lisboa.
No ano de 1585 o Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços decretou o translado do corpo da santa a São José de Ávila, translado que se verificou solenemente em 25 de novembro daquele mesmo ano. Não obstante, a instâncias do duque de Alba, conseguiram do Papa Sisto V que o corpo de Santa Teresa fosse devolvido ao convento de Alba de Tormes, devolução que foi levada a cabo a 23 de agosto de 1586. A santa reformadora, a abulense insigne, não podia permanecer em São José de Ávila; sua obra foi dignamente espanhola; foi a mística contemplativa que percorreu a Espanha com a fé e a alegria de sua vocação solene. A morte veio-lhe ao encontro por aqueles campos áridos e secos de Castilla para morrer sempre em casa porque sua casa eram todas as fundações.
Por uma questão de espaço, acesse o novamente, ao final do post, o blog da Capelinha de Nossa Senhora de Nazaré – “Sobre São Miguel Arcanjo”, que traz a íntegra da Novena de São Miguel Arcanjo e dos Nove Coros d’Anjos, aprovada pelo papa Pio IX. No texto, logo abaixo, ele afirma:“Deus, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São Miguel, devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta actual terminará triunfante e também, como outrora, com o socorro e ajuda deste Arcanjo bendito!”. Por admiração ao papa Leão XIII, publiquei o 5º dia, que é denominado “Exorcismo de Leão XIII”.
Acredito, por pesquisas que fui encontrando na internet, que a aparição de Nossa Senhora em Fátima tem estreita ligação com São Miguel Arcanjo, devido à batalha espiritual que ambos travaram, na Anunciação e no combate celeste, respectivamente. Jesus se referiu ao Maligno, dizendo que por esta razão veio até nós: para que os poderes das trevas não triunfassem sobre as criaturas de Deus. Devemos aprofundar mais este “elo espiritual” de Nossa Senhora e o Arcanjo São Miguel porque, a meu ver, envolve a minha, a nossa salvação em Cristo Jesus. São inúmeros os perigos a que nossa alma está exposta. Alguns são sutis, outros se mostram dramáticos, e pior, a maioria deles são insidiosos porque nos distraem da vontade de Deus… Santa Teresa de Jesus fala bastante da ameaça real de nem “merecermos” o purgatório das almas… A Eternidade será nossa companhia; o mundo passará…
Durante a minha infância lia, ou melhor, esquadrinhava o “Almanaque Santo Antônio” e outra publicação jesuíta “Anuário Inaciano”. Nestas leituras encantadoras descobri os relatos sobre as aparições de Nossa Senhora, em Fátima. Foram leituras inesquecíveis. Meu avô materno havia entrado para o seminário Cristo Rei, na região do Vale do Rio dos Sinos, mais especificamente em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Com sua saída para casar com minha avó, por certo comprou as publicações quando minha mãe e meu tio foram alfabetizados. Minha mãe buscou as novas publicações, por assinatura, nos anos posteriores. No início de minha adolescência assinou a “Revista Família Cristã”. Agradeço a ela por tais iniciativas (pelo que me lembro somente eu e ela líamos…). São tentativas de compor a bagagem religiosa dos filhos. Mulheres inteligentes, quando se tornam mães , põem em prática o que o Espírito Santo lhes sopra com sutileza… Para minhas irmãs bem mais novas e meu irmão não surtiu um contínuo e vivo interesse. É o que dizem: todos temos livre-arbítrio. Talvez passassem os olhos pelos anuários. Hoje, se fossem meu filhos, este gesto mínimo já me agradaria.
Havia notícias do mundo católico e textos, algumas bem antigos (história de santos, santas, do Padre João Baptista Reus, por exemplo, me fascinavam…). Portanto, tive formação religiosa sólida através de minha mãe, que sempre recitou o Rosário.Há algum tempo, uma doença a pegou de surpresa, mas agora está praticamente recuperada. Que Deus a ilumine, a fortifique na Fé, que nos traz o discernimento, necessário a todos, e a abençoe. Amém. Afinal, ninguém, nem nada poderá nos afastar do Amor de Deus, como dizem os sacerdotes ao interpretarem as palavras das Escrituras Sagradas. Amém.
Logo abaixo haverá menção ao Confiteor (palavra que tem origem no latim, bem como a oração). Como não teria condições (pelo teclado) de publicá-la, ofereço a versão em língua portuguesa. Esta oração precede a novena, quando se formula o pedido , de acordo com minha pesquisa sobre o “Confiteor”, e depois se recita três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai. A seguir recita-se a oração do dia.
CONFITEOR (CONFESSO-ME)
Eu pecador confesso-me a Deus Todo-Poderoso, à Bem-Aventurada Virgem Maria, ao Bem-Aventurado São Miguel Arcanjo, Ao Bem-Aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos, São Pedro e São Paulo. a todos os santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras (bate-se por três vezes no peito), por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à Bem-Aventurada Virgem Maria, ao Bem-Aventurado São Miguel Arcanjo, ao Bem-Aventurado São João Batista, aos santos Apóstolos, São Pedro e São Paulo, a todos os Santos e avós, Padre, que rogueis a Nosso Senhor por mim.
“Eu sou o chefe dos exércitos do Senhor” (Js 5,14)
“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protector dos filhos do seu povo. Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento” (Dn 12,1)
“O chefe do reino persa resistiu-me durante vinte e um dias; porém Miguel, um dos principais chefes, veio em meu socorro” (Dn 10,13)
“Contra esses adversários não há ninguém que me defenda a não ser Miguel, vosso chefe” (Dn 10,22)
“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles.” (Ap 12,7-8)
“Ora, quando o Arcanjo Miguel discutia com o demónio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda” (Jd 1,9)
Disse o Papa Beato Pio IX: “São Miguel é quem tem maior capacidade para exterminar as forças malditas, filhas de satanás, que geraram a ruína da sociedade cristã”.
O Papa São Pio X disse: “Deus, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São Miguel, devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta actual terminará triunfante e também, como outrora, com o socorro e ajuda deste Arcanjo bendito!”.
O Papa Pio XII proclamou em 08 de maio de 1940, que: “era urgente hoje, mais do que nunca, recorrer à protecção de São Miguel, lembrando que ele é o protector e o defensor da igreja e dos fiéis, o guardião do Paraíso, o apresentador das almas junto de DEUS; o Anjo da Paz e o Vencedor de satanás”.E no dia 08 de maio de 1945, fez novamente outro apelo: “Desfraldai o Estandarte do insigne Arcanjo, repeti o seu grito: QUEM É COMO DEUS?”.
São Francisco de Sales dizia: “A veneração a São Miguel é o maior remédio contra a rebeldia e a desobediência aos mandamentos de Deus, e contra o ateísmo, asceticismo e a infidelidade.” Precisamente, estes vícios são muitos evidentes nos nossos tempos. Mais do que nunca na nossa era actual necessitamos da ajuda de São Miguel a fim de mantermos fieis a Fé. O ateísmo e a falta de fé estão infiltrado todos os sectores da sociedade humana. É nossa missão como fieis católicos confessar nossa fé com valentia e gozo, e demonstrar com zelo nosso amor por Jesus Cristo”
E São Boaventura disse: “Nossa Senhora nos manda o Príncipe São Miguel com todos os Anjos, para que imediatamente os defenda das investiduras dos demónios e recebam as almas de todos os que a Ela continuamente se têm encomendado.”
Conforme o testemunho piedoso do arquidiácono d’Évreux, o Sr. Boudon, o mais fervoroso apóstolo dos Santos Anjos no séc. XVIII, essa prática devocional obtém “graças extraordinárias”. Por causa dela, ele presenciara “maravilhas… e a ruina dos poderes demoníacos nos misteres mais importantes”. Além disso afiança que esse é um meio eficacíssimo para lograr o socorro do Céu durante as calamidades públicas e as dificuldades pessoais.A Novena de São Miguel e dos Nove Coros d’Anjos pode se fazer a qualquer tempo, em comum ou sozinho. Não há fórmulas prescritas. Propomos tão-somente as orações abaixo. Pode-se, se for do agrado, adotá-las outras.
Nas condições ordinárias, pode-se lucrar uma indulgência plenária no curso da novena (em dia a se escolher) ou depois de oito dias consecutivos.
Pio IX, 26 de novembro de 1876.
A cada dia:
Recitar o Confiteor, formular o pedido, depois recitar três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai.
O Confiteor
1. Confiteor (Eu me confesso)
O que é o Confiteor?
Uma oração na qual nos reconhecemos diante de Deus como pecadores.
É uma ciência se saber pecador?
É uma ciência rara e preciosa, a qual só podemos alcançar por uma graça gratuita de Deus.
A que nos conduz essa tão rara ciência?
Pedir e obter de Deus o perdão de nossos pecados.
E o que é o Confiteor nessa ciência?
É como o resumo dessa ciência, é a penitência em prática, ou melhor, é o ato de contrição dramatizado.
Porque dramatizado?
Porque nele está a constituição de um grande tribunal, a instrução da causa, a defesa dos advogados e enfim uma sentença que não é nunca uma condenação.
Isso pede uma explicação.
2. O tribunal
Qual é esse tribunal mencionado no Confiteor?
É o tribunal do próprio Deus, o soberano Juiz, tendo como assessores toda a corte celeste.
Porque razão pomos no papel de juizes todos os santos do céu?
Porque Deus nos assegura que os santos julgarão com ele e também por uma razão que descobriremos depois.
Quais são os santos designados no Confiteor?
Primeiramente a Santíssima Virgem, depois são Miguel, o primeiro dos Anjos, são João Batista, o primeiro dos santos, são Pedro o primeiro dos apóstolos e dos Papas, são Paulo seu companheiro de apostolado e de martírio, depois todos os santos do céu.
Mas não se nomeia também o padre?
Sim, o padre é nomeado depois de Deus e dos santos.
Porque?
Porque no sacramento da Penitência ele é o ministro de Deus para pronunciar a sentença que é a do próprio Deus.
3. A instrução da causa
Como se faz a instrução da causa nos tribunais humanos?
Ouvindo as testemunhas e a confrontação das testemunhas com o que diz o acusado.
É a mesma coisa no tribunal de Deus?
Não, porque aqui toda a instrução consiste na acusação do culpado, confissão que está significada desde o começo pelas palavras: Eu me confesso, Confiteor.
Quais são as acusações do culpado?
Ele confessa seus pecados de pensamento, palavras e atos.
Quais são as conseqüências dessas acusações?
Estando o tribunal suficientemente instruído, segue em frente e ouve a defesa.
Mas como encontrar defensores se o pecador já confessou tudo?
É precisamente a confissão do culpado que vai se tornar o grande meio da defesa. Assim quis a eterna bondade do Deus de misericórdia.
4. A defesa
Quais serão os defensores do culpado?
Todos os assessores do soberano Juiz.
Como podem os juizes se transformarem em advogados?
Ao pedido da oração do pecador, todos os santos se voltarão para Deus e pedirão misericórdia.
Como o pecador os incita a lhe prestarem tão bom oficio?
Como os nomeou na primeira vez para juízes, nomeia todos na mesma ordem, lhes suplicando que sejam seus intercessores junto ao Senhor nosso Deus.
E os santos aceitarão esse convite?
Sem dúvida, sua caridade para conosco os levarão a isso e acolherão sempre nossos pedidos com tanto mais empenho quanto mais completa nossa confissão.
E Deus, escutará sua defesa em nosso favor?
Sim, porque está escrito que ele não quer a morte do pecador, mas que ele viva (Ez.XXX,11)
5. A sentença
Depois disso, qual será a sentença?
O pecador que se confessa, que põe sua confiança na bondade de Deus e na intercessão dos santos, indica por si mesmo a fórmula.
Como ele concebe a sentença?
Ele reclama para si mesmo uma sentença de perdão, e a pede ao Deus todo poderoso e misericordioso.
E o próprio Deus julga assim?
Sim, porque Nele, todo homem penitente encontra graça e misericórdia
Sendo assim, como devemos dizer nosso Confiteor?
Devemos dize-lo com o pensamento no julgamento final onde tudo será revelado, tudo será julgado; mas então será um julgamento de justiça, e agora imploramos um julgamento de misericórdia.
Podemos afastar de nós o julgamento de justiça?
Sim, pedindo agora a misericórdia de Deus, recebendo a sentença de nosso perdão na absolvição do padre.
A cada dia:
Recitar o Confiteor, formular o pedido, depois recitar três Pai-Nossos, três Ave-Marias, três Glórias ao Pai.
Encerrar com a seguinte oração (conforme o dia)…
São Miguel Arcanjo, a quem a Santa Igreja venera como guardião e protetor, a vós o Senhor confiou a missão de introduzir na celeste felicidade as almas resgatadas. Implorai ao Deus da Paz para calcar satanás a nossos pés, a fim de que não possa mais reter os homens em cadeias e lesar a Santa Madre Igreja. Apresentai ao Altíssimo nossas orações, para que instantemente o Senhor faça-nos a misericórdia. A vós também imploramos, vós que aprisionastes o dragão, o diabo-satã da antiga serpente, e que o lançastes acorrentado no abismo, para que não mais seduzisse as nações. Ámen. (Exorcismo de Leão XIII)
São Miguel Arcanjo, que tendes por missão reunir as orações, dirigir os combates e pesar as almas, presto homenagem à vossa beleza – em tudo semelhante a beleza de Deus e que, segundo o Verbo Eterno, como vós não há outro espírito igual. Presto homenagem ainda a vosso poder sem limites em favor daqueles que são vossos devotos, e à vossa vontade toda em harmonia com o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, para o bem dos homens [1]. Defendei-me contra os inimigos da alma e do corpo. Tornai-me sensível à consolação de vossa assistência invisível e aos efeitos de vossa terna vigilância. Ámen.
[1] Ven. Filomena de Santa Colomba.
Nihil Obstat :Constantiis, die 18 a feb. 1949L. LERIDEZc. d.Imprimatur+ JEANÉvêque de Coutances et Avranches
“Glorioso Arcanjo São Miguel, Príncipe da Milícia Celeste, protector das almas, eu vos chamo e invoco para que me livres de toda adversidade e de todo pecado, fazendo-me progredir no serviço de Deus e conseguindo-me Dele a graça da perseverança final, para que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida.Amém.”
Na imagem abaixo, São Mateus parece receber instruções de um pequeno anjo. Ao folhear passagens sobre este Apóstolo (Mateus 18, 1-11), admirável em seu pronto seguimento de Jesus e, ainda mais, por seu Evangelho, vemos que destaca o cuidado com os “pequenos”, segundo as palavras do Mestre e Salvador. Em uma rápida leitura fiquei impressionada com o alerta que Cristo Jesus faz sobre o juízo implacável de Deus sobre quem causar escândalo (escandalizar), maltratar um de seus pequenos… Jesus evoca a imagem de que há anjos que permanecem sempre diante da face de Deus no Céu… O privilégio entre os privilégios. Parece-me indicar, que, crianças, na escala crescente da maldade humana, são como anjos… Faz-nos refletir também que uma criança é modelo de santidade, e para melhor exemplificar, em um gesto rápido, coloca uma delas no centro daquela pregação.
Fica evidente o peso da culpa, uma culpa estrondosa, que recai sobre os ombros da humanidade atual, já que as compara a anjos… Tanto é assim que enfatiza a necessidade de que nos tornemos crianças, ou seja, devemos ser simples e sinceros como elas. Se assim não for, de acordo este ensinamento de Jesus, em São Mateus, não faremos parte do Reino de Deus.
Portanto, entendo que a busca da santidade deve ser o foco de nossas vidas. A oração simples, a recitação do Rosário, do Terço (este tem sido minha “salvação” nesta Babel…), deve fazer parte de nossas vidas como o ar que respiramos Ou O seguimos, de fato, ou fechamos os olhos e mergulhamos na vertigem do mundo…
Trata-se de um dos apóstolos, homem decidido e generoso desde o primeiro momento da sua vocação. É também evangelista – o primeiro que, por inspiração divina, pôs por escrito a mensagem messiânica de Jesus.
Foi Judeu. Exercia as funções de cobrador de direitos de portagem, ao serviço de Herodes Antipas. Um dia, Jesus saía de Cafarnaum em direcção ao Lago, olhou para ele com atenção e disse-lhe: “Mateus, segue-me”. E Mateus seguiu-o e foi generoso ao seguir o chamamento e agradecido ao mesmo tempo. Acompanhou sempre o Salvador. Foi testemunha da Ressurreição, assistiu à Ascensão e recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes.
A glória principal de S. Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico e traduzido pouco depois para o grego.
Nossa Senhora de Lourdes "Dogma da Imaculada Conceição" (8 de dezembro de 1854 ) - Natividade (8 de setembro)
EVANGELHO DO DIA
Quarta-Feira, 09 de Setembro de 2009, às 08:56 hs
Evangelho (Lucas 6,20-26)
23ª Semana Comum
— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 20 Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! 21 Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir! 22 Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! 23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25 Ai de vós que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26 Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas. – Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.
1. VISÃO GERAL
Rompendo com a civilização da sua época, houve homens[1] e mulheres[2] que se retiraram para o deserto ou lugares solitários, para aí se entregarem plenamente a DEUS. Estamos a falar dos anos 300 d.c.
No princípio, estes homens e mulheres, eram apenas uns pouquinhos – recordemos os padres do deserto do Egipto ou os da Palestina – mas mais tarde, outros, atraídos por esta maneira de viver, começaram a pedir orientação a estes primeiros eremitas no deserto, constituindo, com o tempo, verdadeiras colónias monásticas. Em pouco tempo, estas experiências individuais e excêntricas, acabaram paradoxalmente por constituírem verdadeiros ‘centros’ monásticos.
Claro está que, com a aglomeração de todos estes homens que, necessitados de solidão e de silêncio para se dedicarem a Deus, foram impelidos para o deserto, foi necessário em primeiro lugar, encontrar ritmos de vida que conciliassem as exigências de uma vida ao ‘lado’ uns dos outros no deserto, com as suas peculiares exigências de solidão.
O ritmo de vida mais comumente adoptado consistia em passar a semana inteira em seu ermitério (cela separada) e na noite de sábado para domingo encontrarem-se na Igreja ou nas dependências dela para, em conjunto, cantarem o Ofício nocturno, celebrarem no Domingo a Eucaristia e fazerem algumas gestões necessárias, como sejam o colóquio espiritual, alguma ‘palavra de sabedoria’ dado pelo eremita mais sábio (a sabedoria do espírito) ou simplesmente chamar a atenção para alguma falta.
Cada um dos eremitas devia viver do seu trabalho manual, NÃO UM TRABALHO QUALQUER, mas um trabalho que fosse compatível com o deserto e com as exigências da oração contínua e do recolhimento. Este trabalho consistia no fabrico manual de cestos, cordas e esteiras que o ‘guardião’ da Comunidade de eremitas era encarregado de vender para obter, em troca, alimentos.
Foram estes bem-aventurados padres, os iniciadores e mestres da vida dos monges. Podemos também apontar alguns nomes femininos como exemplos pré-monásticos como sejam Stª Tecla, Stª Macrina- iniciadora da vida eremítica feminina, Stª Synclética, a mais famosa das ‘Madres do deserto’[3]
Muito mais posteriormente, por volta do ano 1150 – sabendo que houve sempre eremitas como vocação peculiar e especial na Igreja – um grupo de homens, depois de haverem participado na reconquista dos lugares santos, instalaram-se como eremitas , na Palestina, nomeadamente na Montanha do Carmelo, junto a uma fonte, para se dedicarem plenamente à contemplação de Deus, como fizeram aqueles 1ºs padres do deserto.
Estes homens pretenderam inserir-se na tradição monástica oriental mais antiga[4], que se inspirava nos exemplos do profeta Elias e dos seus discípulos, segundo o testemunho dado por S. Jerónimo, que viveu também esta excepcional espiritualidade de Elias, na tradição Monástica oriental. Diz ele: “Nosso modelo é Elias, modelo é Eliseo, nossos guias aqueles filhos dos profetas”
Estes nossos 1ºs irmãos eremitas do monte Carmelo, no início, contentaram-se apenas com um conjunto de prescrições tomadas dessa grande tradição monástica oriental. Contudo, por volta do ano 1209, amadurecidos e experimentados na vida solitária, pediram ao então Patriarca de Jerusalém Stº Alberto de Av. uma norma ou uma regra de vida concreta para eles, salvaguardando sempre o peculiar da vida solitária com a sua oração contínua.
A Regra recebida do Patriarca de Jerusalém, codifica um género de vida em activo, de carácter estritamente eremítico e contemplativo. a) A Espiritualidade do deserto ou da vida solitária
O fim da vida solitária, ou eremítica ou de deserto que tudo significa praticamente o mesmo, é CONTEMPLAR, pura e constantemente a Deus; é AMAR fervorosamente e sem desânimo a Deus. Esta é a OCUPAÇÃO PRINCIPAL daquele que é chamado à vida solitária: dedicar-se, unir-se, gozar e abraçar perfeita e assiduamente a Deus, fazendo-se pouco a pouco uma só ‘coisa’ com Ele.
Os primeiros padres do deserto, assim como todos os eremitas e anacoretas posteriores[5], abandonaram os lugares habitados para, no silêncio e em solidão, se entregarem ASSIDUAMENTE e CADA VEZ MAIS INTENSAMENTE a Deus, evitando por meio da solidão distracções que prejudicassem essa união com Deus, manifestada na oração contínua. A ORAÇÃO CONTÍNUA É A MARCA DO EREMITISMO.
O ‘DESERTO’, O ‘ERMO’, O ‘ESPAÇO DESABITADO’ é muito mais do que um lugar de retiro, já que, pela sua extensão ou configuração, e pela sua ‘aspereza’ ou ‘austeridade’, tem VALORES PRÓPRIOS.
Todos esses ‘lugares’ levam em si, o sinal da pobreza, da austera beleza que aponta a simplicidade mais absoluta, tornando-se num sinal da total impotência do homem, que descobre a sua fragilidade porque não pode subsistir sozinho no deserto, daí que ele se veja obrigado a procurar a sua única força somente em Deus.
Permanecer nestes lugares é como uma tentativa de AVANÇO, mas despido, desprendido de todo o apoio humano, na carência de todo o sustento egocêntrico e incluso espiritual (as noites), para encontrar DEUS. O homem necessita, aqui, de muita determinação.
Os dias no deserto são um ensaio, uma tentativa cheia de confiança para pedir a Deus que nos venha buscar, na nossa impotência, para levar-nos a Ele.
O deserto implica necessariamente o desprendimento total. O homem só permanece no deserto para se tornar totalmente ‘presa’ de Deus, de contrário, a sua vida corre o perigo de se afundar no vazio.
O deserto leva consigo a ruptura com o próprio habitat: deixa-se o mundo das relações sociais e das comodidades para encontrar-se sozinho num ambiente ‘despido’ onde se privilegia a união com DEUS. Quem é chamado ao ‘deserto’ não só deve pacificar o seu espírito apagando os desejos inúteis e o lamento da ‘escravidão’, mas erigir o ABSOLUTO DE DEUS, relativizando os outros valores e rejeitando os ídolos.
Daí que, o ‘deserto’ seja um período (lugar) de prova e de tentação, a fim de desocupar o coração humano dos ídolos, e poder experimentar, que SÓ DEUS CONTA: Ele é o Absoluto, é o Senhor da VIDA, o DADOR da salvação anelada, pedida, implorada, desejada…
É necessário pois, que Deus ponha esse coração em situações difíceis, de ‘morte’, a fim de que se manifestem as intenções do homem, este as conheça e se submeta ao tratamento purificador da Bondade infinita e então Deus converte-se em maná que nutre, em água viva que tira a sede.. converte-se em Cristo que salva…
Este absoluto, que é Deus, manifesta-se como AMOR que atrai a SI, numa comunhão íntima, singular, e como ALIANÇA ETERNA. O DESERTO, portanto, converte-se num tempo de REVELAÇÃO DE DEUS e de REVELAÇÃO DO HOMEM, de renovação da aliança e da restauração da santidade.[6]b) Atitude de quem é chamado ao ‘deserto’
Quem vai ao deserto para nele perseverar, vai pela SEDE DE ESTAR CARA A CARA COM DEUS. Foi esta a atitude – que é a única válida – de Jesus quando se retirava discretamente para os lugares solitários. Este desejo de intimidade com Deus é o único móbil que deve levar o homem à solidão do ermo, a retirar-se da barafunda da vida e das mil e uma distracções que o impediriam de realizar este anseio fundo que a sua própria vocação lhe proporciona. Assim procederam tanto os anacoretas verdadeiros do deserto nos seus primórdios, como todos os outros posteriores até aos nossos contemporâneos (ex: Charles de F.)
O deserto, situação e lugar privilegiado, põe o homem frente a si mesmo. Privado de todos os seus hábitos de vida, das suas forças e potências, que se faziam valer na vida social, é impulsionado fortemente a enfrentar-se com a Presença de Deus no maior despojamento possível, e somente o desejo da intimidade com Deus é que lhe vai suster nesta luta entre o seu nada e o Absoluto de Deus. Todo o homem que penetra no deserto, melhor dito, que se deixa penetrar no deserto e ser purificado no fogo divino, alcançará a pureza de coração…só assim poderá ‘ver’ a Deus.
Sintetizando: o Único motivo que deve animar a nossa procura de solidão e silêncio é DEUS, É ALCANÇAR A INTIMIDADE COM DEUS.
Todos os primeiros eremitas do Monte Carmelo, tiveram esta excelente experiência de solidão, como procura incessante de Deus. Como já foi dito, nos seus primórdios, estes nossos irmãos contentaram-se com umas reduzidas prescrições que orientaram a sua vida solitária – como aconteceu aos 1ºs padres do deserto quando depararam com abundantes discípulos. Claro está que, com a aglomeração de discípulos, havia que estabelecer-se normas concretas para defender o silêncio e a solidão que cada um procurou, quando deixou tudo e abraçou o eremitismo.
Esta vida solitária amadureceu levando-os a pedir ao Patriarca de Jerusalém Stº Alberto, que lhes desse uma regra de vida, respeitando quanto possível a vida eremítica e a oração contínua, que vinham experimentando havia anos.
Stº Alberto, ao dar-lhes uma regra de vida, tendo em conta o seu modo de viver, juntou-lhes 2 elementos, a saber: o oratório e o refeitório (rezar em comum e comer em comum) e pô-los sob a obediência de um superior, E ISTO PORQUÊ?
2. Modalidades de eremitismo
O anacoretismo
Como diz o Ecl IV,5 “ai daquele que está só, que, se cai, não tem quem o levante”. De facto S. Jerónimo já dizia : “no deserto, muito facilmente nasce a soberba, pela liberdade que existe em agir segundo o próprio parecer”
Só os homens e mulheres muito acrisolados na virtude e na vida do espírito é que podiam permanecer no deserto sem sucumbirem; é o caso dos chamados “padres ou madres do deserto”. Uma delas, a “Amma Sara” dizia de si mesma quando um dos anciãos, também anacoreta, foi ter com ela para a humilhar : “pela natureza sou mulher, mas não no espírito…”[7]. Foi destes homens e mulheres fortes na fé e no discernimento, possuídos pelo Espírito Santo, que Stº Agostinho dizia: “Os que moram no deserto gozam dos divinos colóquios de Deus, a Quem se entregaram com pureza de alma; devem jejuar boas temporadas a pão e água”.
Esta vida eremítica completamente isolada nos seus primórdios, constitui a 1ª modalidade, pois foi a 1ª forma aparecida nos desertos, montanhas ou lugares solitários junto dos rios. A estes eremitas chamam-se ‘anacoretas’.
O Eremitismo sob Obediência
Contudo, a partir desta 1ª modalidade, surgiu mais tarde o eremitismo que se professa debaixo da obediência, pois a experiência anacorética[8] foi mostrando quantos erros se pode cometer quando o eremita não está “sujeito” à obediência. S.Jerónimo, destes que vivem sujeitos diz :”Não poderão fazer o que querem, mas aquilo que se lhes mande; terão unicamente aquilo que se lhes der… e assim conseguirão servir e amar a Deus com filial amor..”
Nesta 2ª modalidade, o eremita, logo à partida, pode não possuir essa tal virtude acrisolada que se exige para o anacoretismo, mas recebe a aprendizagem que a “obediência” lhe proporciona para poder entrar na solidão, no silêncio e na oração contínua, orientado apenas pela Vontade de Deus. O eremitismo vivido sob a obediência impede o homem de extraviar-se pelo labirinto do orgulho, da vaidade e dos caprichos da sensibilidade; ajuda-o a sair vitorioso na luta contra o “inimigo de Cristo” como dizia uma das madres do deserto referindo-se ao mau espírito, e contra si próprio, já que esta, é a guerra mais tenaz e encarniçada que o eremita tem que travar. Só a obediência lhe pode conferir a certeza moral de caminhar sob a Vontade de Deus, a única que o purifica, a única que o salva.
Médico de Deus, Guia dos viajantes, Consolador das famílias atribuladas, Mediador do matrimônio cristão, Modelo dos verdadeiros adoradores de Deus, Caridoso protetor das almas.
Festa: 24 de Outubro.
Explicação
Conhecemos o Arcanjo São Rafael pelo livro de Tobias. O seu papel de maravilhoso médico e de companheiro de viagem do jovem Tobias faz que seja invocado nas viagens e nos momentos difíceis da vida. A missa, ao mesmo tempo que canta a intervenção providencial dos anjos na nossa vida, convida-nos a ver igualmente neles perpétuos adoradores que vivem continuamente na presença da majestade de Deus.
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Novena (ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS)
Oh! Glorioso Arcanjo São Rafael, que estais presente ante o trono do Altíssimo. Eu, vosso indigno devoto, me humilho em vossa presença. Conhecendo por uma parte minha indignidade, e por outra vossa ardente caridade, vos suplico do íntimo do coração, que digneis escutar os meus humildes rogos e apresente-os ante o Senhor para obter por vossa mediação os favores que solicito nesta novena. Mas se minha súplica não há de contribuir para maior glória de Deus e salvação da minha alma, rogo-vos, oh! Meu Celestial protetor, mostrai a graça que me há de conduzir com mais segurança à eterna salvação. Não olheis tanto para os meus desejos, quanto ao bem de minha alma. Cheio de inteira confiança em Vós; espero alcançar o que solicito pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.
Pedir as graças que se desejam.
INVOCAÇÃO
Oh! Glorioso Arcanjo São Rafael, lembra-te de seus devotos, em todas as partes e sempre peça por nós, ao Filho de Deus.
(Rezar nove vezes Glória ao Pai, em honra dos nove coros angélicos).
ORAÇÃO FINAL
Glorioso Arcanjo São Rafael, celeste mensageiro destinado por Deus para nos servir de guia na peregrinação desta vida, para nos defender contra as ciladas do demônio e para curar as enfermidades da nossa alma e do nosso corpo. Nós invocamos vossa poderosa intercessão, seguros de que alcançareis por nós e nossas famílias aquelas graças singulares que dispensastes na santa casa de Tobias.
Bem sabeis piedoso Arcanjo, que nossa viagem do tempo à eternidade, está cercada de perigos, e que o demônio, como leão rugindo, nos persegue para causar profundas feridas em nossas almas, até apagar nelas, se for possível, a luz salvadora da fé. Vinde, pois, em nosso auxílio, e dignais ser nosso inseparável companheiro. Dirigi nossos passos ao caminho dos mandamentos divinos fazendo que nossos olhos estejam sempre abertos ao sol da verdade; procurando os remédios mais eficazes para curar e encher de fervor nosso espírito. Ensina-nos, oh! Poderoso arcanjo, a vencer a Satanás com as armas poderosas da oração, da vigilância e da mortificação dos nossos sentidos.
Consolide em nossas famílias o reinado da fé, a prática constante da piedade, o espírito de união e o exercício da santa caridade em favor dos pobres e dos nossos queridos mortos, a fim de que eles recebam do céu abundantes bênçãos que, por mediação vossa derramou Deus sobre o lar de Tobias.
Não nos abandoneis, pois, oh! Santo Arcanjo! Vigiai sempre ao nosso lado para que nossos passos sejam sustentados por vós, todas as vezes que sintamos desfalecidos na penosa e difícil jornada da vida. Nosso Senhor, Deus Todo-poderoso, que estais nos céus, e que é também o vosso, nos há confiado a vossa terna solicitude para que seja nosso guia neste desterro, nosso consultor nas dúvidas e nosso médico nas enfermidades. Coroais vossa obra de amigo fiel e condutor seguro, acompanhando nossas almas até as deixar nos braços de seu criador para amar-lhe e bendizer-lhe com vós eternamente. Assim seja.
Bendito e adorado seja o Santíssimo Sacramento do Altar e a Puríssima e Imaculada Conceição de Maria Santíssima, Senhora Nossa, concebida sem mancha de pecado original desde o primeiro instante de seu ser natural. Amém.
A personalidade de Santa Rosa de Lima, desde a infância, é impressionante. Nasceu em uma rica família espanhola que se transferiu para o Peru. Contudo, com a falência dos negócios da família, conheceram a miséria. Não quis ser freira. Foi aceita em uma ordem secular dominicana. Os pais, contrariados, já que a queriam casada, lhe impuseram os mais duros trabalhos domésticos para que desistisse da idéia. Aos 20 anos, professou os votos na Ordem Terceira de São domingos. Obteve a autorização do bispo, e com recursos próprios da venda de refinados bordados e costuras, mandou construir uma pequena cela ao fundo, no quintal da casa dos pais. Ali permaneceu até a morte, em 24 de agosto. É Padroeira da América Latina e das Filipinas, pela caridade para com os dessassistidos, principamente com pessoas pertencentes aos povos negros e índios. Leia mais….
Isabel Flores y de Oliva nasceu no dia 20 de Abril de 1586, na cidade de Lima (capital do Peru), no seio duma família numerosa e rica de origem espanhola. Contudo os negócios declinaram e ficaram na miséria.
Isabel foi o nome colocado no baptismo. Mais tarde foi mudado para Rosa, com a aprovação do Arcebispo local, ao saber que uma criança índia tinha visto o seu rosto como uma rosa: de facto, possuía feições rosadas e era muito bela mas desde cedo, tentou disfarçar a sua beleza: esfregava os olhos com pimentos e maltratava o rosto à força de vigílias e jejuns.
Curiosamente fazia penitências logo na sua infância que eram dissimuladas pelo seu carácter alegre e simpático. Era dotada para as artes: cantava, tocava harpa e viola, fazia versos e desenhava tanto no papel como no pano.
Rosa teve também desde logo uma grande inclinação para a oração e meditação, procurando exercitar as virtudes da paciência, da penitência e da alegria.
Já adolescente, enquanto rezava diante da imagem da Virgem Maria, decidiu entregar sua vida somente a Cristo. Os pais queriam casá-la e tinha vários pretendentes mas ela recusou, defendendo-se com o voto de virgindade que tinha feito muito cedo.
Ingressou na Ordem Terceira de S. Domingos, inspirada pela vida Santa Catarina de Sena. Dedicou-se, então, ao jejum, às severas penitências e à oração contemplativa, aumentando seus dons de profecia e prodígios. Os pais indignaram-se com as atitudes que Isabel adoptara e começaram a maltratá-la ocupando-a dos trabalhos mais duros da casa o que ela fazia sem se queixar e sem abandonar os seus exercícios de piedade.
Aos vinte anos, pediu e obteve licença para emitir os votos religiosos em casa e não no convento, como terciária dominicana.
Quando vestiu o hábito e se consagrou, mudou então o nome para Rosa e acrescentou Santa Maria, por causa de sua grande devoção à Virgem Maria, passando a ser chamada Rosa de Santa Maria.
Construiu uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais, levando uma vida de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. Passou a sustentar a família com as rendas e bordados que fazia, pois seu confessor consentiu que ela não saísse mais de sua cela, excepto para receber a Eucaristia.
A partir da tomada do hábito, imprimiu ainda mais rigor nas suas penitências. Começou a usar, na cabeça, uma coroa de metal espinhento, disfarçada com botões de rosas. Aumentou os dias de jejum e dormia sobre uma tábua com pregos. Estes são apenas alguns exemplos do que Rosa fazia por amor à Paixão de Cristo penitenciando o seu corpo
Vivendo em contínuo contacto com Deus, atingiu um alto grau de vida contemplativa e experiência mística, compreendendo em profundidade o mistério da Paixão e Morte de Jesus. É-lhe reconhecido o dom da profecia e penetração dos corações, o dom dos milagres e tinha êxtases com frequência e por vezes com duração de 48 horas e até de 62 horas!
Aos trinta e um anos de idade, em Abril de 1617, foi acometida por uma grave doença, que lhe causou sofrimentos e danos físicos até à morte (24 de Agosto).
Encontrando-se a morrer, olhava para a mãe aflita, que estava junto à sua cabeceira e, com alusão evangélica à parábola das 10 virgens disse-lhe: “Tenho de ser pontual; se não chegar à hora marcada, fechar-me-ão as portas como às virgens loucas” Fez sobre si o sinal da cruz e suspirou: “Jesus, Jesus, está comigo!”
Rosa foi beatificada em 1667 e canonizada a 12 de Abril de 1671 pelo papa Clemente X.
PALAVRAS DE SANTA ROSA LIMA RETIRADAS DE ESCRITOS:
“O Salvador fez ouvir a sua voz e disse com incomparável majestade:
«Saibam todos que à tribulação, se segue a graça; reconheçam que, sem o peso das aflições, não se pode chegar à plenitude da graça; compreendam que com o aumento dos trabalhos cresce simultaneamente a medida dos carismas. Não se deixem enganar: esta é a única escada verdadeira do paraíso, e sem a cruz não há caminho por onde se possa subir ao céu»
(…)Ó, se os mortais conhecessem o que é a graça divina, como é bela, nobre e preciosa, quantas riquezas encerra, quantos tesouros, quantas alegrias e delícias em si contêm!
(…) Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que porventura lhe advêm, se conhecesse a balança em que são pesados para serem distribuídos pelos homens”
“Oh, que daria eu por anunciar o Evangelho! Atravessaria cidades pregando a penitência, com os pés descalços, o crucifixo na mão e o corpo envolvido num cilício espantoso. Caminharia durante a noite gritando: deixai as vossas iniquidades. Até quando sereis como rebanhos aturdidos diante dos demónios? Fugi dos castigos eternos; pensai que há só um instante entre a vida e o inferno”
(Fontes: sites ‘Santopédia’ e’ Coisas de Santos’ com edição e adaptação de JPR) Publicado por SpeDeus às 00:06.
NECESSIDADE QUE TEMOS DA INTERCESSÃO DE
MARIA SANTÍSSIMA PARA NOSSA SALVAÇÃO
Santo Afonso
(Fonte: “Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)
“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” – “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is LX, 12).
I.Que a prática de invocar aos Santos, a fim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bemaventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal, e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja.
E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à vida eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação. Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a medianeira de graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria.
Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por seu intermédio nos foi dado na Incarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afeto de devoção quer o Senhor que honremos à nossa Rainha, refugiando-nos sempre a ela e confiando em seu patrocínio!
II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demônio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças á divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.
Sim, eu vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a vossa bondade que a isso vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a vós sou devedor de toda a minha felicidade.
Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afeto de um pobre pecador, abrasado em amor pela vossa bondade. Se o meu coração é indigno de vos amar, por estar imundo e cheio de afetos terrestres, vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de seu amor. Vós quereis que eu ame o vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.
Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!
O glorioso, árduo e fecundo pontificado desse Vigário de Cristo durou 11 anos. Nesse período, foram lançados mais de 3.000 documentos oficiais, com o objetivo de Instaurare omnia in Christo — conforme seu lema.
E tem estreita analogia com esta sua afirmação: “Se alguém pedir uma palavra de ordem, sempre daremos esta e não outra: Restaurar todas as coisas em Cristo”. Nesse sentido de restaurar todas as coisas em Cristo, foram numerosas e admiráveis as obras empreendidas pelo Santo Pontífice para defender a Civilização Cristã gravemente ameaçada.
Em seu esplêndido livro de memórias, o Cardeal Merry del Val, Secretário de Estado de São Pio X, enumera de passagem algumas dessas obras: “A reforma da Cúria Romana; a fundação do Instituto Bíblico; a construção de seminários centrais e a promulgação de leis para a melhor disciplina do clero; a nova disciplina referente à primeira comunhão e àcomunhão freqüente; o restabelecimento da música sacra; a vigorosa resistência movida contra os fatais erros do chamado modernismo e a corajosa defesa da liberdade da Igreja na França, Alemanha, Portugal, Rússia e outros países, sem aludir a outros atos de governo, justificam certamente que S. Pio X tenha sido destacado como um grande Pontífice e um diretor humano excepcional.”
Fonte : Piox.net
Sua vida
Nascido Giuseppe Melchiorre Sarto, (Riese, 2 de Junho de 1835) era o segundo de dez filhos de uma família rural da província de Treviso (Itália). Ordenado em 1858, estudou direito canônico e a obra de São Tomás de Aquino. Em 10 de Novembro de 1884 foi elevado a Bispo de Mântua, e em 1896 a Patriarca de Veneza sendo eleito Papa em 4 de Agosto de 1903 com 55 dos 60 votos possíveis no conclave. Em sua primeira encíclica, Pio X anunciava que sua meta primordial era a de “Renovar tudo em Cristo”. Governou a Igreja com mão firme numa época em que esta enfrentava um laicismo muito forte e diversas tendências do modernismo, encarado como a síntese de todas as heresias nos campos dos estudos bíblicos e teologia.
São Pio X introduziu grandes reformas na liturgia, sempre num sentido tradicional, fomentou a prática da comunhão freqüente e o acesso das crianças à Santíssima Eucaristia quando da chegada à chamada idade da razão, por essas medidas ficou conhecido como o “Papa da Eucaristia”.
Publicou 16 encíclicas, promoveu ainda o estudo do catecismo e o canto gregoriano. Criou a Pontifícia Comissão Bíblica e colocou as bases do Código de Direito Canônico, promulgado em 1917 após a sua morte em Roma, 20 de Agosto de 1914.
Na lápide do seu túmulo na Basílica de São Pedro no Vaticano, lê-se: A sua tiara era formada por três coroas: pobreza, humildade e bondade. Foi beatificado em 1951 e canonizado em 3 de Setembro de 1954 por Pio XII, tendo sua memória litúrgica celebrada no dia 21 de Agosto.
Nossa Senhora do Carmo entrega o escapulário a São Simão Stock 16 de Julho de 1251.
HISTÓRIA DA ORDEM CARMELITA (…)
O escapulário: nosso penhor de salvação !Destacam-se entre os papas devotos do escapulário:São Pio X, Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Sixto IV, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XII, Bento XV, Pio XI, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, que com bulas apostólicas, aprovaram os seus privilégios, e cumularam de favores as confrarias do Carmo .É vontade de Nossa Senhora – Rainha do Carmelo que ponhamos o selo do seu escapulário sobre nosso peito para demonstrar que o nosso coração lhe pertence, para guardar os tesouros que no coração se encerra.
Como é bom estarmos debaixo da proteção de uma mãe tão boa! Que força ousaria arrancar-nos de seu regaço? Privilégios do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo:
-Quem morrer com o santo escapulário não padecera no fogo do inferno. A Virgem Maria os livrará do purgatório o quanto antes, ou seja, no primeiro sábado após a morte.-
-O escapulário é proteção em todos os perigos.
-O escapulário é sinal de paz e do pacto sempre eterno de concórdia, garantido por Maria.
-O escapulário é sinal de salvação.
– É um meio simples e prático de honrar a SantíssimaVirgem Maria.
– O escapulário do Carmo é garantia da preservação da fé, e da firmeza na devoção à Virgem Maria, devoção que, por sua vez, é sinal de predestinação.“Maria é tesouro de Deus. Onde está Maria, aí está o coração de Deus”. (São Bernardo)Jesus é o grande dom e sinal do amor ao Pai Eterno. Ele estabeleceu a Igreja como sinal e instrumento do seu amor. Na vida cristã também existem sinais. Jesus os utilizou: o pão, o vinho, a água, para nos fazer compreender as realidades que não vemos e não tocamos.Na Santíssima Eucaristia e demais sacramentos (batismo, crisma, confissão, matrimonio, ordem, extrema unção), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos, alianças) exprimem o seu significado e introduzem-nos numa comunicação com Deus, presente através deles. Além dos sinais litúrgicos, existem na Igreja outros ligados a um acontecimento, a uma tradição, a uma pessoa. Um desses é o escapulário do Carmo.
O escapulário é sacramental:
– Aprovação pela Igreja há sete séculos;
-Representa a nossa filiação à Santa Vírgem Maria;
-O escapulário não é um sinal de proteção mágica, ou amuleto;
-Também não é uma garantia automática de salvação, sem viver as exigências de uma vida cristã.O escapulário é imposto somente uma vez por um sacerdote, através de um rito próprio. E benze e o impõe, dizendo: “Recebe este santo escapulário com sinal da santíssima Virgem Maria, Rainha do Carmelo, para que com seus méritos, o uses sempre com dignidade, seja tua defesa em todas as adversidades e te conduza a vida eterna”.O escapulário do Carmo compõe-se de duas peças de pano de lã, de cor marrom, unidas entre si por dois cordões. Não façamos do santo escapulário, objeto de decoração ou adereço de moda, ele é sinal de predestinação.
O escapulário é sinal de esperança: “Oh, quantas coisas boas não nos diz este titulo: Nossa Senhora do Carmo! Quantos pensamentos bons nos sugere! Na dor, na amargura, na angústia, na agonia a Virgem do Carmo é a nossa esperança. Nas privações, nos trabalhos, nos trabalhos, na pobreza, nas doenças, a virgem do Carmo é a nossa esperança. Nos desprezos, nas humilhações, nas calúnias, nas perseguições, ela é nossa esperança. Nas dúvidas, nos temores, nas tentações, nos perigos do corpo e da alma, enfim, em todas as necessidades, a Virgem do Carmo é a nossa esperança. Maria é também nossa esperança nas necessidades alheias, aquelas que principalmente padecem pessoas queridas, parentes ou amigos. Mas, sobretudo ela é nossa esperança nos bens celestiais; nós pedimos a Deus pela intersessão da Virgem do Carmo, o perdão de nossos pecados, a graça de nunca mais pecar, um firme e constante propósito de fazer o bem; confiando que seremos atendidos, porque ela, a Virgem do Carmo é a nossa esperança”. (Santo Afonso)
Confiemos nossas vidas nas mãos de Nossa Senhora, e assim, teremos a certeza que ela não nos abandonara, embora sejamos pecadores e indignos.